Política e Resenha

Política em Conquista: entre a arte de governar e a arte do diabo

Opinião · Política local

Política em Conquista: entre a arte de governar e a arte do diabo

Durval Lemos de Menezes
Articulista
Nonô derrotado, Pedral sem votos, Margarida esquecida: a política de Conquista tem uma memória longa e um coração volúvel. Quem ainda não aprendeu isso, que se cuide.

Do ponto de vista sociológico, aprendi que política é a arte de bem governar o povo. Mas os políticos experientes costumam dizer que política é a arte de enganar o povo. Seja lá o que for, sinto-me perdido nesse campo político do presente.

Desde os 12 anos mexo com política. Aos 14, fui presidente do Grêmio do Ginásio do Padre Luiz Soares Palmeira e convivi com todos os políticos de Conquista: Nilton Gonçalves, Orlando Leite, Renato Rebouças, Fernando Espínola, Pedral e Jadiel. A experiência que adquiri no Rio de Janeiro, assistindo a grandes palestrantes como Carlos Lacerda, Pedro Calmon e Brizola, não me ajuda mais. Não entendo mais nada desse processo político.

O enigma das urnas

Como é possível Nonô perder a eleição para deputado federal? Quando saiu candidato a prefeito, perdeu para Sheila, mas teve uma votação muito grande. Todo mundo pensava que boa parte daquele eleitorado seria fiel na disputa federal. Em trinta anos de atividade política — deputado estadual, várias vezes deputado federal, reitor da UESB —, ele fez muitas obras. Não grandes realizações, mas obras eleitoreiras: uma ambulância para uma cidadezinha pequena, pavimentação de rua ou praça, entroncamento de estrada vicinal, escola, trator. Fez isso de Anagé até a Lapa. No corredor da Chapada, é conhecido e tem serviço prestado. Uma pesquisa da UESB previa mais de 130 mil votos, um dos mais votados da Bahia. O resultado foi o que vimos. Não dá para entender.

A candidata que muitos apoiaram tinha o respaldo de segmentos importantes, inclusive da Igreja Universal — uma das mais concentradas, numerosas e controladas. Também não se elegeu. São coisas da política moderna. Um jovem como Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, conquista mais de três milhões de votos. Aqui na Bahia, um desconhecido, aos 21 anos e com 167 mil votos, Sandro Filho se torna o deputado federal mais jovem da história da Bahia. Não dá para entender.

Na minha convivência política em Conquista, desde a época de Edvaldo Flores, nos anos 1950, acompanhei todas as campanhas. A de Wagner foi a mais divulgada e a mais bem feita. Publicidade de primeira, construção de imagem positiva, apoio de Sheila — que comanda a terceira maior cidade da Bahia, com 400 mil habitantes e simpatia da população conquistense. Recebeu apoio aparente de Itapetinga, Macarani e, principalmente, Brumado, além de apoio direto, mais de uma vez, do candidato a governador ACM Neto.

O recado para 2028

Sheila precisa ler o cenário de 2028. Nonô não será candidato a prefeito: já passou no teste negativo e perdeu para ela. Zé Raimundo também já foi derrotado por Herzem. Guilherme, a idade não permite. Sobra quem?

A conta de 2028

Nonô Perdeu para Sheila na disputa pela prefeitura; fora do páreo.
Zé Raimundo Já foi derrotado por Herzem.
Guilherme A idade não permite.
Sheila A lei não permite nova candidatura.
Wagner Não pode, por ser esposo da atual prefeita.

Sobra quem?

A lei não permite que Sheila seja candidata. Wagner também não pode, por ser esposo da atual prefeita. Quem a prefeita poderia indicar? Há ainda Ivan Cordeiro, que não apoiou Sheila. Saiu bem: os dois candidatos dele foram bem votados em Conquista. Não significa que ele tenha transferido todos os votos, mas vários cabos eleitorais trabalharam com eles e ambos se elegeram com boa votação na cidade.

Sheila que se cuide. Política é arte. Arte de governar, mas também de congregar. Arte de convivência. Arte de coordenar. Arte de agrupar. Arte de conquistar. E, por fim, política é a arte de engolir sapo. Então o recado está dado.

Política é a arte de bem governar o povo, mas também a arte de enganar o povo. E, ultimamente, política é a arte do diabo.

Durval Lemos de Menezes

A memória volúvel da cidade

Conquista sempre soube mudar de rumo e de direção. Já vimos no passado. Nilton Gonçalves derrubou Jadiel com sua força de oratória, mas menos de três anos depois entregou o poder de bandeja a Jadiel novamente. Jadiel foi um mito na política conquistense. Elegeu-se deputado numa época de votação bem menor; só os votos de Conquista bastavam, embora tivesse muitos em outros municípios. O próprio Jadiel morreu no ostracismo, abandonado por todos, pobre, e acabou se suicidando.

Murilo Mármore, com cultura, inteligência e educação, foi prefeito e não foi dos piores. Raul Ferraz governou por seis anos. Os dois saíram candidatos a vereador e, somados, tiveram menos votos que Hermínio. Elquisson Soares, o vereador mais votado da história de Conquista naquela época, três vezes deputado estadual, considerado o mais atuante da Bahia, deputado federal — quando falava, o Congresso parava para ouvi-lo. Candidato a prefeito em Conquista, teve 876 votos.

É preciso repensar a política de Conquista. O próprio Pedral, o mito Pedral, o homem que entrou para a história e cujo nome permanecerá para sempre — daqui a cem anos não haverá outro Pedral, porque Pedral é único —, quando saiu candidato a deputado não teve voto nenhum. Não conseguiu se eleger deputado estadual.

Vonca, por quem ninguém acreditava, elegeu-se vereador mesmo contra a vontade de Nilton Gonçalves. Depois foi deputado estadual e federal. Margarida Oliveira não era conhecida. Foi Nilton quem a lançou. Eu mesmo a convidei pessoalmente para um encontro com ele, para convencê-la a ser candidata a prefeito. Nilton disse que ela perderia, mas cresceria na política, porque Antônio Carlos assim determinara. Margarida elegeu-se deputada, botou Nilton para escanteio. Foi a deputada de maior prestígio até hoje na história da Bahia em Conquista. Ninguém nomeava porteiro de colégio, médico, enfermeiro, professor ou delegado sem sua indicação. Depois, candidata a vereadora, perdeu. Hoje está no ostracismo: pobre, doente, esquecida pelos companheiros políticos e pelos eleitores. Ninguém a visita. É um peso morto na sociedade conquistense.

Repensar Conquista

É preciso, chega: repensar a política de Conquista. Política é a arte de bem governar o povo, mas também a arte de enganar o povo. E, ultimamente, política é a arte do diabo.

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Sheila Lemos
Sudoeste da Bahia

Durval Lemos de Menezes
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