Política e Resenha

Quando o setor privado chama a política para conversar, Vitória da Conquista cresce

Economia & Desenvolvimento Regional

Quando Empresários e Políticos Sentam à Mesma Mesa: o Recado do Studio VCA

Uma iniciativa que ultrapassa o evento e aponta para o futuro econômico de Vitória da Conquista

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á eventos que terminam quando as luzes se apagam, os convidados vão embora e as fotografias começam a circular nas redes sociais. E há eventos que, mesmo depois de encerrados, continuam produzindo algo muito mais importante: ideias, conexões e novas possibilidades. A iniciativa do Studio VCA, ao reunir empresários, lideranças políticas e representantes da sociedade para discutir o futuro econômico da Bahia, pertence, felizmente, à segunda categoria.

Mais do que promover um encontro, o Studio VCA está fazendo aquilo que muitas vezes falta ao poder público e à própria sociedade: provocando o debate.

E isso tem uma importância enorme para Vitória da Conquista.

Uma cidade que pretende ocupar uma posição cada vez mais relevante no desenvolvimento econômico da Bahia não pode esperar que todas as soluções venham de Salvador. Nem pode permanecer na velha lógica de que cabe exclusivamente ao governo dizer para onde a economia deve caminhar. Desenvolvimento exige participação, iniciativa, capacidade de articulação e, sobretudo, coragem para colocar pessoas diferentes em torno da mesma mesa.

Foi exatamente isso que aconteceu quando figuras políticas de expressão, como a prefeita Sheila Lemos e o ex-prefeito ACM Neto, estiveram ao lado do empresariado para discutir os caminhos da economia baiana.

Independentemente das posições políticas de cada participante, há algo maior nessa fotografia: o setor produtivo dialogando diretamente com quem tem poder de decisão.

“Quando governo e iniciativa privada conversam, quem ganha é a sociedade.”

A Desconfiança que Precisa Acabar

Durante muito tempo, o Brasil cultivou uma espécie de desconfiança mútua entre empresários e políticos. De um lado, o setor privado frequentemente enxergava o Estado como burocracia, impostos e obstáculos. Do outro, setores da política tratavam empresários como se sua única preocupação fosse ganhar dinheiro.

Essa visão simplista precisa ser superada.

Uma empresa que investe gera empregos. Uma empresa que cresce movimenta fornecedores, comércio, serviços, transporte, tecnologia e arrecadação. Uma cidade que cria ambiente favorável aos negócios aumenta suas possibilidades de prosperidade. E um poder público que conversa com quem produz pode compreender melhor quais são os obstáculos que impedem a economia de avançar.

É uma equação simples: quando governo e iniciativa privada conversam, quem ganha é a sociedade.

E é justamente nesse ponto que Vitória da Conquista começa a demonstrar uma vocação que merece ser valorizada.

Um Motor que Precisa de Combustível

A cidade não é apenas um município importante do interior baiano. Pela sua localização estratégica, pelo comércio, pelos serviços, pela educação, pela saúde, pela força do agronegócio e pela capacidade empreendedora de sua população, Conquista possui condições para funcionar como um verdadeiro motor de desenvolvimento do Sudoeste da Bahia.

Mas motor parado não leva ninguém a lugar algum.

O Combustível do Desenvolvimento

Investimentos, infraestrutura, segurança jurídica, qualificação profissional, inovação, conectividade, planejamento urbano, educação e, principalmente, visão de futuro.

Por isso, iniciativas como a do Studio VCA merecem ser observadas para além do evento em si.

Quando uma empresa decide investir em conteúdo, debate, informação e articulação institucional, ela está compreendendo que sua responsabilidade não termina na porta de seu empreendimento. Está entendendo que existe uma dimensão social no ato de empreender.

Construir prédios é importante.
Construir empregos é fundamental.
Mas construir pontes também é desenvolvimento.

Pontes entre empresários e políticos. Entre universidade e mercado. Entre juventude e oportunidades. Entre inovação e poder público. Entre Vitória da Conquista e os grandes centros econômicos do país.

Essa talvez seja uma das maiores contribuições que o Studio VCA pode oferecer à cidade: transformar-se não apenas em um espaço de comunicação, mas em uma plataforma permanente de inteligência regional.

O Desafio da Continuidade

Não basta realizar um grande encontro de tempos em tempos. É preciso transformar esse movimento em continuidade. Debater infraestrutura, logística, tecnologia, indústria, comércio, agronegócio, turismo, educação, saúde, inteligência artificial, energias renováveis e novas profissões.

É preciso perguntar: onde Vitória da Conquista quer estar daqui a dez, vinte anos?

Queremos continuar sendo apenas uma importante cidade do interior ou queremos ser reconhecidos como um dos grandes polos econômicos e de inovação do Nordeste?

A resposta dependerá menos dos discursos e muito mais da capacidade de articulação da sociedade.

Por isso, o protagonismo do setor privado é tão importante.

O empresário não precisa disputar o lugar do político. O político não precisa ocupar o lugar do empresário. Cada um tem sua responsabilidade. Mas ambos precisam compreender que existe um território comum chamado interesse público.

E o interesse público não pertence a partido algum.
Pertence à cidade.
Pertence à Bahia.
Pertence às pessoas que precisam de emprego, renda, educação, infraestrutura e oportunidades.

Construir Pensamento, Não Apenas Obras

Vitória da Conquista tem uma vantagem que não pode ser desperdiçada: possui uma sociedade civil ativa, um empresariado empreendedor e uma localização que lhe permite exercer influência muito além de seus limites territoriais.

O que falta, muitas vezes, é transformar essas potencialidades em um projeto estratégico de desenvolvimento.

É aí que encontros como esse ganham relevância.

Porque uma cidade cresce quando constrói obras, mas se transforma verdadeiramente quando constrói pensamento.

E talvez seja essa a grande notícia por trás da iniciativa do Studio VCA: Vitória da Conquista está começando a entender que também pode ser protagonista do debate sobre o futuro da Bahia.

Não precisamos esperar que o futuro bata à nossa porta.
Podemos — e devemos — construí-lo.

E se o setor privado decidiu abrir a porta para esse debate, reunir diferentes atores e colocar o desenvolvimento econômico no centro da conversa, então temos uma boa razão para olhar para essa iniciativa com esperança.

Porque uma cidade que aprende a conversar sobre seu futuro já começou, de alguma maneira, a construí-lo.

Vitória da Conquista não precisa ser coadjuvante no desenvolvimento da Bahia. Pode ser um dos seus motores.

E talvez o primeiro passo seja justamente este: sentar à mesma mesa, discutir sem medo e transformar boas ideias em realidade.

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Padre Carlos  — Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha