
Por Edvaldo Paulo de Araújo
Vejo sempre pessoas queixando da vida. Vejo sempre pessoas comentando acontecimentos casuais e nunca conteúdos, esperando que alguma coisa aconteça e nunca as vejo como fazerem acontecer. As análises que precisam ser feitas do conteúdo para que as mudanças aconteçam. Sempre as mesmas discussões banais: “Flamengo e Vasco”, “notícias escandalosas do dia”, sempre, sempre mesmice. A discussão sobre o acúmulo do prêmio da loteria e essas lojas apinhadas de gente à procura da sorte grande.
Num consultório médico, numa clínica, a TV ligada nos programas fúteis ou nas fofocas do dia a dia. Como diz meu amigo José Carlos Fernandes:
“Adoro fofocas, só não tenho tempo de fazê-las.”
Ou seja, o querido amigo tem coisas mais importantes a serem feitas.
Quem são os nossos verdadeiros heróis?
As pessoas geralmente e comumente veem no herói aquele empunhando uma espada, num belo cavalo branco, que vence tudo e todos e fica sempre com a moça mais bela. Uns, de maneira infantil, veem em um lutador de combates orientais alguém vencendo mais de cem lutadores ou então o caubói que, com uma arma de seis tiros, elimina inúmeros bandidos.
A nossa sociedade costuma ter como seus heróis pessoas ricas, famosas, bonitas, talentosas, políticos exercendo o poder etc. Nada contra essas pessoas. Respeito e até admiro algumas, principalmente pessoas empreendedoras, mas existe uma distância muito grande entre meus heróis e essas pessoas talentosas, ricas e famosas, que também admiro.
O principal herói da minha história sou eu.
Heróis que não aparecem nos livros
Os meus heróis são pessoas muito simples, anônimas, mas de um legado humanitário extraordinário. Um dos meus heróis é o Sr. Gerson, que trabalha como zelador de um hotel. Conheci-o quando passava pano no chão da recepção, cantando uma bela canção. Quando lhe dirigi o cumprimento e perguntei o porquê de tanta alegria, prontamente me respondeu:
“Maravilhosamente bem, doutor. Acabo de receber a notícia de que meu filho passou no vestibular na UFBA para Medicina.”
Quando tive a oportunidade, conversamos melhor e vi quanto humilde, trabalhador e cheio de fé é aquele homem simples. Em nossas conversas, vi a luta de um homem e uma mulher, sua querida esposa, com trabalhos tão simples, tão mal remunerados e com ideais tão grandes e sublimes. A luta deles é para que os filhos vão para a faculdade. Quanto sacrifício, quanta luta e quantas dificuldades a serem superadas.
A minha heroína é Dona Alzira, de saudosa memória, que sentava numa carroça puxada por um cavalo e se deslocava para um pequeno vilarejo todos os dias, para ensinar o belo ofício de educar, incentivar, exemplificar e ensinar o ofício das letras, números etc. Sem as condições mínimas necessárias, transformou inúmeras crianças em adolescentes responsáveis e adultos honrados. Muitos tiveram sucesso na vida, incentivados sempre por essa grandiosa professora.
Um dos meus queridos heróis é o Mestre Sudário de Aguiar Cunha, a quem vou dedicar um texto brevemente e onde os amigos e bondosos leitores poderão conhecê-lo melhor.
Outro professor que é um dos meus heróis é o Professor Paulo Pires, pela sua energia positiva, pela sua liderança e tantos outros predicados. Mas o que mais admiro é o modo e o carinho com que o alunado o trata. Quando sobe numa mesa diretora ou num palco, é entusiasticamente ovacionado. Como se conquista esse respeito? Incentivando e respeitando.
O perigo de desperdiçar a própria vida
Quantas e quantas vezes assistimos, ouvimos pessoas que têm tudo ao seu favor, todas as facilidades estão à sua disposição e vivem a se queixar e lamuriar. Sempre achando que a cruz dos outros é leve e a sua é muito pesada.
Quantas vezes vemos péssimos exemplos de como jogar sua vida fora, presos à mediocridade, sem objetivo, sem entender a grandiosidade do seu destino e dos talentos que Deus lhes deu.
O poder de transformar sonhos em metas
Minha amiga Yone Aparecida, em seu livro O Poder dos Seus Sonhos, chama atenção para uma pesquisa realizada em 1953, na Universidade de Yale, Estados Unidos. Essa pesquisa perguntava quantos alunos tinham metas escritas. Apenas 3% responderam que tinham. Em 1973, após 20 anos, ficou comprovado, segundo o relato apresentado pela autora, que aquele percentual de alunos tinha um patrimônio maior do que os outros 97% somados.
Então lhe pergunto, diz Yone: por que os estudantes que escreveram as suas metas, manifestando assim os seus desejos, após 20 anos possuíam bem mais recursos do que os que não as tinham?
Quais são as evidências envolvidas neste fato? Será que eles são mais estudiosos? Afirma-se que, quando escrevemos, ativamos outras partes do nosso cérebro, reafirmamos o nosso desejo, criando um compromisso com o que está escrito.
“Todos os caminhos se abrem para quem sabe aonde vai.”
“E toda caminhada começa com o primeiro passo.” — Mao Tse-Tung.
Ser condutor, não passageiro
Devemos, antes de tudo, ter um projeto, anotarmos este projeto, como fizeram os 3% dos alunos de Yale, e sermos absolutamente o condutor e não o passageiro nessa nobre empreitada. Com ética, honestidade, exemplo, estudo, esforço, habilidade e atitude, não duvidem de que seja possível ser um vencedor.
Ao nos deixarmos envolver com problemas pequenos, ocasionais e infrutíferos, vamos ter o dispêndio de nossa força realizadora, saindo do foco principal, que é materializar e realizar as nossas principais metas.
A conquista é sua. A caminhada é diária. O destino começa com uma decisão.
Felicidade, esforço e perseverança
Realizando, conquistando os seus objetivos, a felicidade vem com o seu bem-estar. Esta conquista é dia a dia, minuto a minuto, mês a mês, ano a ano; enfim, por toda a vida. A felicidade é um sentimento encontrado na paz do seu coração. Mas, para chegar à felicidade, é preciso lutar muito, transpor obstáculos, possuir obstinação, vencer barreiras e, em especial, ter paciência. Lembre-se: esta conquista é sua, só depende de você!
Mas, se você é um vencedor, realizador, empreendedor, rico, admirado, respeitado, o brilho de todas essas conquistas está na grandeza do espírito, da bondade e da compaixão. Esta é a grande vitória! Estes gestos ricos e humanos darão todo o brilho às suas realizações.
O verdadeiro tamanho de um herói
“As atitudes de quem vê o mundo pelas lentes do amor tornam possível a existência de vidas exemplares como as de Francisco de Assis, Gandhi, Chico Xavier, Paramahansa Yogananda, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce e uma imensa quantidade de homens e mulheres não registrados pela história oficial, muitas vezes não pertencentes a nenhum setor religioso, mas que, com o coração e a alma transbordando desse sentimento, transformam a vida e ajudam a construir pessoas melhores.”
— Carlos Hilsdorf, em Atitudes Vencedoras
Em todos os setores da sociedade, em todas as profissões, da mais graduada à mais simples e humilde, do conceituado contador, advogado, médico ao jardineiro, ao gari, ao feirante, existem pessoas diferenciadas, maravilhosas, que exemplificam o sentido da vida, sendo verdadeiros heróis de suas vidas.
O ensinamento de um grande mestre
Quando ocupava a Presidência do Brasil o Dr. Fernando Henrique Cardoso, a Presidência do Senado o Dr. Antonio Carlos Magalhães e a Presidência da Câmara o Dr. Luiz Eduardo Magalhães, esteve no Brasil, em visita, um dos meus ídolos e heróis, o Dalai Lama, Tenzin Gyatso, que fora visitado de maneira não oficial por essas autoridades, devido a problemas de relações internacionais com a China, com quem este bravo homem trava uma luta silenciosa de muita peregrinação e oração, por este citado país ter invadido o seu glorioso e amado Tibete.
Num dos dias da sua visita ao Brasil, concedeu entrevista a centenas de jornalistas de diversos jornais, revistas e televisão do mundo inteiro. Em determinado instante, um jornalista, ao fazer o seu questionamento, perguntou:
“Mestre, hoje e a cada dia, na mais tenra idade, a sociedade ensina às nossas crianças os mais variados tipos de conhecimentos e ciências. O que o mestre acha disso?”
Com a mais absoluta calma, com o mais sereno dos olhares, dirige-se ao jornalista que fez a pergunta e responde pausadamente:
“Acho muito importante… mas o mais importante… É ENSINÁ-LAS A TER BOM CORAÇÃO!”
Reflexão: Ser herói não é vencer os outros. É vencer a própria mediocridade, honrar os talentos recebidos, perseverar diante das dificuldades e fazer do próprio caminho uma oportunidade de transformar vidas.
PROPÓSITO
SUPERAÇÃO
FÉ
HUMANIDADE
Edvaldo Paulo de Araújo
Autor
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