
Por Padre Carlos
Hoje, mais do que um jogo, foi uma convocação da memória. Lembrei de Jô Soares, com seu humor afiado e seu amor declarado pelo tricolor das Laranjeiras. Lembrei de Chico Buarque, que fez da paixão pelo Fluminense quase poesia em carne viva. Lembrei, sobretudo, do meu amigo Mozart Tanajura, companheiro de tantas conversas e esperanças — dessas que só quem ama um time com alma entende. Lembrei de tantos tricolores desta terra, que não negociam sua paixão, que carregam o Fluminense como quem carrega a própria identidade.
Hoje, o Fluminense escreveu mais do que uma vitória. Escreveu uma página histórica, daquelas que se contam para filhos e netos. Ganhamos da Inter de Milão — e não foi por acaso, foi por convicção. Foi com plano, suor, e entrega. Foi com Renato Gaúcho fazendo jus ao seu nome e com Cano cravando seu nome no coração da torcida em seu 200º jogo com a camisa que virou manto.
Eu, que sempre temi a queda de cada brasileiro na Copa do Mundo de Clubes, hoje respirei aliviado a cada apito, a cada defesa de Fábio, a cada ataque frustrado da Inter. Quando vi o Fluminense seguir adiante enquanto outros caíam, percebi: não é mais só esperança, é realidade. O sonho está mais perto. E mais bonito.
A vitória por 2 a 0, em solo americano e sob um calor impiedoso, não foi só tática. Foi simbólica. Foi o time jogando com alma, com sangue nos olhos, com a camisa pesando o peso de 122 anos de história. A trave ajudou? Ajudou. Fábio foi gigante? Foi. Mas ninguém derruba um gigante europeu só com sorte. Teve marcação firme, teve inteligência tática, teve o brilho de Arias, a frieza de Hércules, a confiança da torcida que cruzou fronteiras para acreditar. E teve, acima de tudo, a vontade de fazer história.
Que me desculpem os céticos, mas esse Fluminense não está a passeio. Ele está com o coração onde sempre esteve: no lugar da coragem. E talvez, quem sabe, esteja mesmo destinado a enfrentar o todo-poderoso Manchester City na próxima fase. Que venham os ingleses. Se há algo que o futebol ensina, é que camisa com história não se curva — se impõe.
Hoje, mais do que nunca, repito: não posso negociar. Sou tricolor de coração. E como tantos outros, me emociono ao ver que o impossível, para o Fluminense, só demora um pouco mais. Que essa vitória seja dedicada a todos que um dia sonharam com esse momento e, de onde estiverem, vibraram com a bola na rede.
Assina, Um Tricolor que não se cala diante da história.




