Política e Resenha

A arquitetura como testemunha: por que preservar a memória de Conquista?

Memória & Patrimônio  |  Vitória da Conquista

Uma correção necessária: o casarão não pertenceu a Zélia Saldanha

A bela residência arredondada da 7 de Setembro tem dono e história bem definidos — e não é o que circula nas redes sociais

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omando conhecimento das informações que circulam nas redes sociais sobre o nosso patrimônio arquitetônico, venho fazer uma correção sobre o palacete, ou casarão, conhecido por muitos como “a casa de dona Zélia Saldanha”. A associação, por mais repetida que tenha se tornado, é totalmente equivocada, e é preciso que a história do imóvel seja contada com precisão.

Zélia Saldanha pertence, na verdade, à nossa geração — à geração que hoje ainda está viva e se lembra dela com carinho. Era filha de Arthur Saldanha, professor formado em Caetité nos anos 1940, que veio para Conquista e aqui se tornou um empresário do comércio local, morando logo no início da Rua 7 de Setembro, próximo à Praça 9 de Novembro.

Quem foi, de fato, Zélia Saldanha

Zélia estudou no Ginásio do Padre — foi, inclusive, minha colega de ginásio — e depois seguiu para Salvador, onde se formou em magistério. Ingressou na Universidade Federal da Bahia, graduou-se em Letras e retornou a Vitória da Conquista no fim dos anos 1960. Foi então que entrou para a UESB, tornando-se uma das primeiras professoras da instituição, atuando na área de Língua Portuguesa até o seu falecimento.

“Zélia Saldanha nada tem a ver com esse casarão. Esse casarão, no meu conceito, é a mais bela residência de Vitória da Conquista.”

Zélia foi casada com o comerciante José Piton, faleceu vítima de câncer e deixou dois filhos. Uma trajetória de dedicação à educação e à língua portuguesa — mas que não tem nenhum vínculo com a construção do imóvel que hoje leva erroneamente o seu nome.

A verdadeira origem: a família Gusmão

O casarão foi construído no fim dos anos 1940, e seus proprietários passaram a morar nele no início dos anos 1950. Pertenceu a Jeremias Gusmão, fazendeiro e responsável por erguer essa belíssima residência, hoje um verdadeiro palacete. Observe-se a forma arredondada da construção, com acabamentos detalhados — algo raro nas residências atuais, majoritariamente quadradas e mais simples.

A genealogia da família Gusmão

Jeremias Gusmão — fazendeiro, proprietário original do casarão, construído entre o fim dos anos 40 e o início dos anos 50.

Jailton Gusmão — filho de Jeremias, advogado.

Aroldinho Gusmão — também filho de Jeremias, político, foi deputado por Vitória da Conquista, falecido recentemente.

Arquiteta Lara Gusmão — neta de Jeremias, uma das melhores arquitetas da região, responsável pela orientação técnica que mantém o casarão conservado com fidelidade aos seus detalhes originais.

Um patrimônio conservado com responsabilidade

É justamente por contar com a orientação da arquiteta Lara Gusmão — herdeira e conhecedora da história da própria residência de seu avô — que o casarão se mantém conservado de forma tão responsável, preservando a construção original em seus detalhes.

Fica, portanto, registrada a correção: Zélia Saldanha pertence a uma geração mais recente, foi professora da UESB, uma das primeiras a integrar o corpo docente da universidade. Já o casarão foi erguido pela família Gusmão, por iniciativa do fazendeiro Jeremias Gusmão — pai de Jailton e de Aroldinho, avô da arquiteta Lara Gusmão. São duas histórias distintas, que não devem ser confundidas.

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Relato baseado em depoimento sobre a memória arquitetônica e familiar de Vitória da Conquista, com o objetivo de corrigir informações equivocadas em circulação nas redes sociais.