Política e Resenha

Câmara realiza Sessão Especial em homenagem aos 46 anos da Academia Conquistense de Letras

 

Câmara Municipal de Vitória da Conquista
Sessão Especial
Notícia
Ivan Cordeiro

Sessão marcada por Ivan Cordeiro celebra a trajetória da ACL e discute a articulação por uma sede própria no Solar dos Ferraz

Informações da Sessão Especial
Data 2 de setembro
Horário 9h
Local Plenário Vereadora Carmem Lúcia
Homenageada Academia Conquistense de Letras (ACL) — 46 anos

A
Câmara Municipal de Vitória da Conquista realiza, no dia 2 de setembro, às 9h, Sessão Especial em homenagem aos 46 anos de existência da Academia Conquistense de Letras (ACL). A solenidade, uma iniciativa do presidente Ivan Cordeiro, será realizada no Plenário Vereadora Carmem Lúcia e celebrará a trajetória de uma das instituições mais importantes para a preservação da memória, o incentivo à leitura e o fortalecimento da produção literária e cultural do município.

Fundada em 3 de setembro de 1980, a Academia Conquistense de Letras nasceu em um período de efervescência cultural e educacional em Vitória da Conquista. No mesmo ano, a então Faculdade de Formação de Professores se transformava na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), marcando uma importante etapa de consolidação da educação superior na região. A própria Prefeitura registra a criação da Academia entre os acontecimentos históricos de 1980.

Ao longo de mais de quatro décadas, a ACL reuniu escritores, professores, pesquisadores e intelectuais que contribuíram para a construção da identidade cultural conquistense. Entre os nomes que integram a história da instituição estão intelectuais como Heleusa Figueira Câmara, Nilton Gonçalves, Carlos Jehovah, Esechias Araújo, Erathósthenes Menezes, Jayme Martins de Freitas e Mozart Tanajura, entre outros. A Academia é organizada em cadeiras que homenageiam importantes nomes da literatura e da cultura brasileira e regional.

A atuação da Academia vai além das reuniões entre seus membros. A instituição tem como uma de suas principais missões incentivar as letras, valorizar escritores e ampliar o acesso da população à produção cultural e literária. Em 2025, durante as comemorações pelos 45 anos, a ACL recebeu novos membros, reforçando a renovação da instituição e seu compromisso com a literatura, a arte e a cultura regional.

Câmara atua na busca por uma sede própria

A homenagem acontece em um momento especialmente significativo para a Academia. A Câmara Municipal vem participando das articulações para garantir à instituição uma sede própria, adequada à importância de sua trajetória e ao trabalho desenvolvido em favor da cultura conquistense.

No início de agosto, representantes da Academia estiveram na Câmara para discutir ações de fortalecimento da entidade. Entre as principais demandas apresentadas estava justamente a busca por um espaço próprio e adequado para o funcionamento da instituição.

O debate avançou nas semanas seguintes. No dia 13 de agosto, o presidente da Câmara, vereador Ivan Cordeiro, acompanhou integrantes da Academia Conquistense de Letras e o secretário municipal de Cultura, Alecxandre Magno, em uma visita técnica ao Solar dos Ferraz, imóvel histórico localizado no Centro da cidade. A proposta é que o casarão possa ser cedido ou doado pelo Município para se transformar na futura sede da ACL.

Linha do tempo da articulação pela nova sede
3 de setembro de 1980 Fundação da Academia Conquistense de Letras
2025 Comemoração dos 45 anos e recepção de novos membros; tombamento municipal do Solar dos Ferraz
Início de agosto de 2026 Representantes da ACL se reúnem com a Câmara para discutir a busca por sede própria
13 de agosto de 2026 Visita técnica ao Solar dos Ferraz com Ivan Cordeiro e o secretário Alecxandre Magno
2 de setembro de 2026 Sessão Especial em homenagem aos 46 anos da ACL

Durante a visita, o secretário municipal de Cultura sinalizou positivamente quanto à viabilidade do pleito. O presidente Ivan Cordeiro assumiu o compromisso de intermediar a demanda junto ao Poder Executivo Municipal.

“Reconhecemos o papel fundamental da Academia Conquistense de Letras na preservação da nossa memória e na difusão da nossa literatura. A Câmara de Vereadores cumpre seu papel mobilizador ao mediar esse diálogo entre os nossos intelectuais e o Poder Executivo.”

— Ivan Cordeiro, presidente da Câmara Municipal

Além da articulação em torno do Solar dos Ferraz, a Presidência da Câmara colocou a estrutura do Memorial da Câmara Municipal à disposição da Academia para a realização de suas reuniões ordinárias, em caráter emergencial, enquanto avançam os trâmites para a definição e estruturação da futura sede.

Patrimônio histórico

A possível instalação da ACL no Solar dos Ferraz também representaria uma aproximação simbólica entre patrimônio histórico e patrimônio literário. Tombado pelo Município em 2025, o casarão está localizado na Praça Virgílio Ferraz e integra o núcleo histórico de Vitória da Conquista. A edificação é considerada um importante exemplar arquitetônico da cidade e foi construída pelo mestre de obras Luiz Pedreiro, responsável também por outros prédios históricos do município, como o antigo Quartel de Polícia, atual sede da Prefeitura, e o Sobrado de Maneca Santos, onde funciona a Câmara e o Memorial.

Convite à população

Ao celebrar os 46 anos da Academia Conquistense de Letras, a Câmara Municipal reafirma a importância de reconhecer e valorizar aqueles que dedicam suas vidas às letras, à educação, à pesquisa e à preservação da memória de Vitória da Conquista.

A Sessão Mista será, portanto, um momento de celebração, reconhecimento e reflexão sobre o papel da literatura na construção de uma sociedade mais crítica, consciente e conectada com sua própria história.

A Câmara Municipal convida escritores, professores, estudantes, artistas, pesquisadores, representantes de instituições culturais e toda a população de Vitória da Conquista para participar presencialmente desta homenagem, no próximo dia 2 de setembro, às 9h, no Plenário Vereadora Carmem Lúcia.

Será uma manhã especial para celebrar 46 anos de história, literatura, educação e cultura conquistense e reconhecer a Academia Conquistense de Letras como parte fundamental da identidade cultural da nossa cidade.

Pesquisa documental e histórico-cultural

Academia Conquistense de Letras

Fundação, fundadores e a classe literária de Vitória da Conquista

Data de consulta: 27 de agosto de 2026 Autor: Padre Carlos

1. Síntese executiva

A
Academia Conquistense de Letras (ACL) foi fundada em 3 de setembro de 1980, em Vitória da Conquista, Bahia. A data é confirmada por fonte institucional da Câmara Municipal, pela Prefeitura e por um levantamento memorialístico local. A imagem encaminhada corresponde à divulgação de uma Sessão Especial em homenagem aos 46 anos da Academia, prevista para 2 de setembro de 2026, às 9h, no Plenário Vereadora Carmem Lúcia, da Câmara Municipal.

A criação da ACL não foi um acontecimento isolado. Ela representa a retomada, em escala institucional, de uma tradição de associações literárias, grêmios dramáticos, jornais, revistas e círculos intelectuais que já existiam em Vitória da Conquista desde o começo do século XX. O levantamento do Foro Literário Sertão da Ressaca registra, entre os antecedentes, o Grêmio Lítero Dramático Conquistense, de 1911; o Grêmio Ruy Barbosa, de 1918; o Grêmio Dramático União, de 1919; o Grêmio Dramático Castro Alves, ativo entre 1919 e 1949; a revista A Ribalta; o semanário A Vanguarda; e a Ala das Letras, também chamada Ala dos Intelectuais.

A ACL nasceu, portanto, da convergência de três processos: a persistência de uma sociabilidade literária local; a presença de intelectuais que atuavam simultaneamente como professores, jornalistas, poetas, teatrólogos, servidores públicos e agentes políticos; e a expansão da educação superior no interior baiano, especialmente com a Faculdade de Formação de Professores e o processo que levaria à constituição da UESB.

2. O que a documentação permite afirmar

Aspecto Informação documentada Grau de segurança
Fundação 3 de setembro de 1980 Alto — confirmada por Câmara, Prefeitura e levantamento local
Sessão comemorativa atual 2 de setembro de 2026, às 9h, na Câmara Municipal Alto — notícia oficial de 26/08/2026
Número de cadeiras 40 cadeiras no quadro social atualmente disponível Alto para o quadro consultado; requer conferência estatutária
Primeiras posses registradas Predominantemente 17/02/1981; cadeira 7 registra 17/12/1981 Alto no levantamento consultado
Fundadores nominalmente identificados 17 nomes, concentrados nas cadeiras 1 a 17 Alto quanto à transcrição do quadro; incompleto como lista definitiva, pois várias cadeiras 18–40 têm o campo “Fundador” vazio
Antecedentes literários Grêmios, imprensa local, revista, Ala das Letras e círculos intelectuais Alto como hipótese histórica de trabalho; a fonte local declara que sua pesquisa ainda está em andamento
Relação com a UESB O ano de 1980 coincide com mudanças institucionais decisivas no ensino superior regional Alto para a cronologia da UESB; a conexão causal direta com a fundação da ACL é interpretativa, não uma prova de que a UESB tenha criado a Academia

3. Fundação e primeira organização da Academia

A data de 3 de setembro de 1980 é o principal marco de origem da ACL. A Câmara Municipal descreve a instituição como surgida em um período de efervescência cultural e educacional em Vitória da Conquista. A Prefeitura, por sua vez, define a Academia como uma entidade criada por pensadores para desenvolver a vida intelectual da cidade e expressar ideias e reflexões por meio da escrita.

É importante distinguir fundação, organização das cadeiras e posse dos membros. O quadro social consultado informa que a Academia foi fundada em 3 de setembro de 1980, mas registra a posse de grande parte dos primeiros titulares em 17 de fevereiro de 1981. A cadeira 7 aparece com posse em 17 de dezembro de 1981. Isso sugere um processo de instalação posterior ao ato fundador, algo comum em instituições colegiadas, mas a ata de fundação e o estatuto original seriam necessários para reconstituir com precisão as etapas jurídicas e cerimoniais.

As cadeiras não funcionam apenas como lugares administrativos: elas organizam uma memória literária regional. Cada uma recebe um patrono, incluindo nomes nacionais, baianos e conquistenses, como Graciliano Ramos, Glauber Rocha, Castro Alves, Gregório de Matos, Ruy Barbosa, Augusto dos Anjos, Camillo de Jesus Lima, Machado de Assis, Cecília Meireles, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Cruz e Sousa, Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade. A escolha de patronos evidencia uma dupla estratégia: inserir a ACL na tradição canônica brasileira e, simultaneamente, reconhecer figuras ligadas à história cultural baiana e de Vitória da Conquista.

Nota metodológica — a distinção entre fundação (3 de setembro de 1980), organização estatutária das cadeiras e posse dos primeiros titulares (majoritariamente 17 de fevereiro de 1981) é essencial para qualquer reconstituição historiográfica rigorosa da ACL. Tratar essas três datas como sinônimas produziria uma cronologia imprecisa.

4. Fundadores identificados no quadro social

O quadro social publicado pelo Foro Literário Sertão da Ressaca apresenta os seguintes fundadores nominalmente associados às cadeiras 1 a 17:

Cad. Patrono Fundador indicado Observação
1 Mário Martins de Freitas Jayme Martins de Freitas Posse em 17/02/1981
2 Graciliano Ramos Carlos Alberto Nápoli Posse em 17/02/1981
3 Glauber Rocha Carlos Jehovah Brito Leite Posse em 17/02/1981
4 Zair Dantas Isaías Viana de Andrade Posse em 17/02/1981
5 Maneca Grosso / Manoel Fernandes de Oliveira Claudemiro Rosa do Amaral Posse em 17/02/1981
6 Olegário Mariano Hélio Gusmão Posse em 17/02/1981
7 Catulo da Paixão Cearense Djalma Evandro Nobre Posse em 17/12/1981
8 Castro Alves Evandro Gomes Brito Posse em 17/02/1981
9 Gregório de Matos e Guerra Mássimo Ricardo Benedictis Variante gráfica do sobrenome no ensaio local
10 Ruy Barbosa Raimundo José do Nascimento Posse em 17/02/1981
11 Clarival Prado Valadares Marisa Fernandes Leite Correia Fundadora; posse em 17/02/1981
12 Augusto dos Anjos Vicente Cassimiro Posse em 17/02/1981
13 Cézar Zama Iris Geraldo Silveira Posse em 17/02/1981
14 Camillo de Jesus Lima Erathósthenes Menezes Posse em 17/02/1981
15 Laudionor de Andrade Brasil Nilton Gonçalves Posse em 17/02/1981
16 Ubaldino Gusmão Figueira Heleusa Figueira Câmara Fundadora; posse em 17/02/1981
17 Sosígenes Costa Mário Sabino de Oliveira Posse em 17/02/1981

4.1. Uma cautela essencial sobre a lista

A relação apresentada é a lista nominal dos fundadores que a fonte pública consultada identifica explicitamente. Ela não deve ser apresentada, sem consulta ao estatuto ou à ata original, como prova absoluta de que não houve outros fundadores — nas cadeiras 18 a 40, o quadro online deixa diversos campos de fundador em branco.

Além disso, há pequenas variações de grafia entre as fontes, como Carlos Jehovah Brito Leite/Carlos Jheovah, Mássimo/Massimo Ricardo Benedictis e Heleusa Figueira Câmara/Heleusa Câmara. Em um trabalho histórico definitivo, essas formas deveriam ser conferidas em documentos de identidade, atas, jornais da época e publicações da própria Academia.

5. Perfis representativos do grupo fundador

Jayme Martins de Freitas — poeta, romancista e articulador institucional

Fundador da cadeira 1, nasceu em Almenara, Minas Gerais, em 20 de maio de 1931, e chegou a Vitória da Conquista em 1969. O levantamento biográfico consultado o apresenta como autor de poemas, romance ou novela e teatro, além de organizador da antologia Poetas Contemporâneos de Vitória da Conquista, publicada em 1980 — o mesmo ano da criação da ACL, demonstrando um esforço paralelo de reunião e divulgação da produção poética local.

Sua trajetória revela uma literatura conquistense conectada a redes mais amplas: é descrito como membro correspondente de várias entidades culturais e participante de anuários e coletâneas de poesia.

Carlos Jehovah Brito Leite — teatro, poesia e cultura pública

Fundador da cadeira 3, nasceu em Vitória da Conquista em 7 de novembro de 1944. A Assembleia Legislativa da Bahia o registra como poeta, teatrólogo e escritor, fundador e diretor do Grupo de Teatro Avante, da Casa da Cultura e de outras entidades culturais da cidade. Entre suas obras: Auto da Gamela (1980), Ciranda dos Ofícios, Águas do Meio-Dia, Epístolas dos Cavalheiros do Sol e Vesperal de Luas.

A inauguração do Teatro Municipal Carlos Jehovah, em 1982, em sua homenagem, confirma que sua atuação ultrapassou o circuito estritamente literário e alcançou a política cultural da cidade.

Erathósthenes Menezes — continuidade entre as gerações

Fundador da cadeira 14 e figura de transição entre os antigos grêmios e a Academia de 1980. Participou do Grêmio Dramático Castro Alves, foi fundador da Ala das Letras, colaborou com diversos jornais, exerceu o magistério e ocupou mandato de vereador. Presidiu a ACL entre 1983 e 1986.

Sua trajetória combina literatura, educação, imprensa, serviço público e política municipal — traço recorrente entre os intelectuais do interior no século XX.

Heleusa Figueira Câmara — educação, universidade e autoria feminina

Fundadora da cadeira 16, representa uma dimensão decisiva da história da ACL. Segundo a Prefeitura, formou-se em Letras, tornou-se professora da UESB em 1981, recebeu o título de Professora Emérita e obteve formação posterior em Língua Portuguesa, Ciências Sociais e Ciência Política.

Presidiu a ACL entre 1987 e 1990, foi vice-reitora da UESB entre 1991 e 1995 e secretária municipal de Educação e Cultura entre 1997 e 2000. Fundou, em 1992, o Comitê Proler/Uesb de Vitória da Conquista, com ações de leitura em escolas e distritos rurais.

6. A classe literária anterior à ACL

6.1. Grêmios e imprensa: uma literatura associativa

A pesquisa de Nélio Silzantov identifica o Grêmio Lítero Dramático Conquistense, criado em 1911, como um dos registros mais antigos de entidade literária organizada na cidade. Depois aparecem o Grêmio Ruy Barbosa, de 1918; o Grêmio Dramático União, de 1919; e o Grêmio Dramático Castro Alves, de 1919 a 1949.

O Grêmio Dramático Castro Alves deu origem à revista A Ribalta, impressa na Tipografia de A Vanguarda, semanário fundado e dirigido por Yolando Fonseca. A primeira edição de ambos é indicada como de 7 de dezembro de 1926. O corpo editorial reunia Argemiro Silva, Bruno Bacelar de Oliveira, Camillo de Jesus Lima, Erathósthenes Menezes, Laudionor Andrade Brasil e Newton Lima.

Esse circuito revela uma cena literária baseada em formas de sociabilidade e circulação hoje dispersas: jornais, tipografias, revistas, grêmios, apresentações teatrais, escolas e iniciativas de edição local.

6.2. A Ala das Letras ou Ala dos Intelectuais

A chamada Ala das Letras, também conhecida como Ala dos Intelectuais, é apresentada como um movimento literário e educativo de Vitória da Conquista. O ensaio de 2024 informa a fundação em 9 de outubro de 1938, a existência de 30 membros em 1945 e a redução para 17 integrantes ao final de sua trajetória, aproximadamente sete anos depois.

A lista final citada inclui Agenor Neves, Aloisio Lacerda, Arlindo Rodrigues, Camillo de Jesus Lima, Laudionor Andrade Brasil, Clóvis Ataide Pereira, Clóvis Lima, Crescencio Lacerda, Erathósthenes Menezes, Euclides Dantas, Francisco Fagundes, Manoelito Mello, Mário Padre, Padre Nestor Passos, Rostil Mattos e Yolando Fonseca.

Divergência cronológica a preservar — a biografia de Erathósthenes Menezes afirma que a Ala foi fundada em 1937, enquanto o ensaio histórico local de 2024 aponta 9 de outubro de 1938. Até que apareçam ata, estatuto ou notícia de jornal contemporânea, o mais rigoroso é registrar ambas as versões, sem escolher arbitrariamente uma delas.

6.3. Camillo de Jesus Lima e o arquivo da literatura regional

Camillo de Jesus Lima, patrono da cadeira 14 da ACL, é central para compreender o ambiente literário de Vitória da Conquista antes de 1980. Artigo publicado pela revista Patrimônio e Memória, da UNESP, estuda seu arquivo pessoal, intitulado Livro azul, e mostra como correspondências, recortes de jornais e revistas preservam sua produção e sua participação em atividades literárias, culturais e políticas na Bahia do século XX.

A bibliografia apresentada no artigo inclui obras publicadas em Vitória da Conquista, como Poemas (1944), Novos poemas (1945), Viola quebrada (1945), A mão nevada e fria da saudade (1971) e O livro de Miriam (1973), além de As trevas da noite estão passando, escrita com Laudionor Brasil e publicada em 1941.

7. O contexto educacional de 1980

A fundação da ACL ocorreu no mesmo período em que Vitória da Conquista se consolidava como polo educacional regional. A UESB informa que sua história começou com a Faculdade de Formação de Professores de Vitória da Conquista, inserida na política baiana de interiorização do ensino superior, com funcionamento efetivo do curso de Letras em 1971.

Em 1980, foi criada a Fundação Educacional do Sudoeste da Bahia para implantar e manter uma universidade regional; em 30 de dezembro daquele ano, a Fundação foi substituída pela Autarquia Universidade do Sudoeste.

É necessário, porém, formular a relação com prudência: as fontes consultadas permitem afirmar uma convergência de contexto, mas não autorizam dizer que a UESB tenha sido a causa direta ou a entidade criadora da ACL.

8. Interpretação histórica: que tipo de classe literária existia?

A expressão “classe literária” deve ser entendida como o conjunto de escritores, poetas, professores, jornalistas, teatrólogos, editores, pesquisadores e agentes culturais que produziam, divulgavam e legitimavam a literatura local. Em Vitória da Conquista, esse grupo apresentava pelo menos cinco características.

1 Classe associativa — os grêmios e a Ala das Letras demonstram que a produção literária dependia de coletivos, diretorias, cadeiras, patronos, sessões e publicações. A ACL herdou esse modelo e o estabilizou por meio de 40 cadeiras.
2 Classe multifuncional — Erathósthenes foi poeta, professor, jornalista e vereador; Carlos Jehovah articulou literatura, teatro e instituições culturais; Heleusa uniu letras, universidade e educação pública.
3 Classe ligada à imprensa e à edição local — A Ribalta, A Vanguarda, O Combate e outros jornais funcionavam como meios de publicação, debate e reconhecimento.
4 Classe marcada pela memória regional — os patronos da ACL combinam cânone nacional, autores baianos e figuras da história local.
5 Classe em processo de abertura — Heleusa Figueira Câmara foi a primeira mulher a presidir a ACL; junto a Marisa Fernandes Leite Correia, mostra que as mulheres já estavam na formação institucional da Academia, embora a documentação sobre sua participação plena ainda seja insuficiente.

9. Trajetória e significado atual

Ao longo de mais de quatro décadas, a ACL passou a reunir escritores, professores, pesquisadores e intelectuais. Em 2025, a Prefeitura registrou a posse de quatro novos membros e destacou a finalidade de promover literatura, arte e cultura regional, mencionando entre os nomes associados à história da instituição Erathósthenes Menezes, Mozart Tanajura, Nilton Gonçalves e Heleusa Câmara.

A notícia oficial da Câmara de 2026 afirma que a instituição atua na preservação da memória, no incentivo à leitura e no fortalecimento da produção literária e cultural do município, informando ainda que se discutia a destinação do Solar dos Ferraz, imóvel histórico no centro da cidade, para futura sede da ACL.

10. Conclusão

A Academia Conquistense de Letras nasceu em 1980 como resultado de uma tradição literária local que já possuía mais de meio século de experiências associativas. Sua origem deve ser compreendida menos como um começo absoluto e mais como uma institucionalização de práticas anteriores: escrever, publicar, ensinar, organizar grêmios, editar jornais, fazer teatro, preservar memória e disputar um lugar para a cultura na vida pública.

Os fundadores identificados pelas fontes públicas constituem um grupo heterogêneo, formado por poetas, escritores, professores, jornalistas, teatrólogos, servidores públicos e agentes políticos — diversidade que explica a natureza da ACL: uma instituição literária, mas também educacional, cultural e memorialística.

A principal lacuna permanece documental: ainda é necessário localizar a ata de fundação, o estatuto original, jornais de setembro de 1980, os discursos de posse de fevereiro de 1981, a primeira revista da Academia e arquivos pessoais dos fundadores. Até lá, a pesquisa mais responsável é aquela que distingue o que está comprovado, o que é fortemente sugerido e o que ainda precisa ser investigado.

Referências

  1. Câmara Municipal de Vitória da Conquista. “Câmara realiza Sessão Especial em homenagem aos 46 anos da Academia Conquistense de Letras”. Publicado em 26 ago. 2026.
  2. Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. “Academia Conquistense de Letras comemora 45 anos com a chegada de novos membros”. Publicado em 19 set. 2025.
  3. Foro Literário Sertão da Ressaca. “Quadro Social da Academia Conquistense de Letras”. Levantamento memorialístico local.
  4. Foro Literário Sertão da Ressaca. “Jayme Martins de Freitas”. Perfil biográfico e bibliográfico.
  5. UESB. “Histórico” — página institucional de transparência.
  6. UESB. “Histórico”. Cronologia da Faculdade de Formação de Professores, Fundação Educacional do Sudoeste e Universidade do Sudoeste.
  7. Revista Eletrônica da UESB. “Os primeiros passos de uma universidade”. Mara Ferraz, 18 dez. 2020.
  8. Assembleia Legislativa da Bahia. “Carlos Jehovah Brito Leite”. Perfil biográfico institucional.
  9. Parnaso Conquistense. “Erathósthenes Menezes”. Perfil memorialístico, com referências à Ala das Letras e à presidência da ACL.
  10. Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. “Heleusa Câmara, uma vida dedicada às letras”. Publicado em 13 maio 2019.
  11. Meira, Esmeralda Guimarães; Almeida, José Rubens Mascarenhas de. “Camillo de Jesus Lima, o arquivista de si em o ‘Livro azul'”. Patrimônio e Memória, UNESP, v. 12, n. 2, 2016, p. 61–77.

Nota sobre a imagem enviada: a imagem fornecida anuncia uma sessão especial de aniversário da Academia Conquistense de Letras, com a indicação de 46 anos, em 2 de setembro, às 9h, na Câmara Municipal. A leitura histórica acima utiliza a imagem apenas como identificação do evento e baseia os dados factuais em fontes institucionais e documentais citadas.

Vitória da Conquista
Literatura Baiana
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História Cultural
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Pesquisa Documental

Assinado por Padre Carlos

Pesquisa documental e histórico-cultural · Consulta em 27 de agosto de 2026