Política e Resenha

A barreira dos 60 mil votos: o desafio dos candidatos da região nas legendas mais disputadas da Bahia

Análise Política — Bahia 2026

Por Padre Carlos

A
s eleições para deputado estadual na Bahia não são vencidas apenas com boas intenções, prestígio político ou tradição eleitoral. Elas exigem, acima de tudo, densidade de votos. E os números da eleição de 2022 deixam uma lição importante para quem pretende disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2026, especialmente pelo PSD, União Brasil ou pela Federação formada por PT, PCdoB e PV.

Os dados falam por si.

PSD e União Brasil: a régua já nasce alta

No PSD, a deputada Ivana Bastos foi eleita com 118.417 votos, seguida por Alex da Piatã, com 114.778 votos; Adolfo Menezes, com 107.747 votos; Eures Ribeiro, com 81.508 votos; Ângelo Coronel Filho, com 67.274 votos; e Jusmari Oliveira, que conquistou a última vaga da legenda com 61.270 votos.

No União Brasil, o cenário foi igualmente competitivo. Marcinho Oliveira foi eleito com 104.969 votos; Pedro Tavares, com 80.490 votos; Kátia Oliveira, com 80.417 votos; Marcelinho Veiga, com 78.456 votos; Alan Sanches, com 77.316 votos; Sandro Régis, com 76.361 votos; Luciano Simões, com 68.377 votos; Manuel Rocha, com 66.445 votos; Robinho, com 65.681 votos; e Júnior Nascimento, com 65.423 votos.

Disputar uma vaga por essas duas legendas significa entrar em uma das competições mais acirradas da política baiana. Não basta ser conhecido em uma cidade ou mesmo em uma microrregião — é preciso construir uma votação robusta, regionalizada e espalhada por dezenas de municípios.

A Federação PT-PCdoB-PV: bancada grande, disputa interna dura

À primeira vista, alguns poderiam imaginar que a situação da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) seria diferente. Mas uma análise mais cuidadosa mostra que a competitividade também é elevada.

A Federação elegeu 17 deputados estaduais, formando a maior bancada da Assembleia Legislativa. Entre eles estão Olívia Santana, com 92.559 votos; Rosemberg Pinto, com 90.769 votos; Zé Raimundo Fontes, com 87.695 votos; Fátima Nunes, com 84.854 votos; Radiovaldo Costa, com 80.774 votos; Maria del Carmen, com 78.873 votos; Neusa Cadore, com 74.716 votos; Osni Cardoso, com 73.287 votos; Euclides Fernandes, com 70.340 votos; Robinson Almeida, com 69.371 votos; Marcelino Galo, com 65.839 votos; Júnior Muniz, com 62.386 votos; Bobô, com 61.469 votos; Fabrício Falcão, com 57.903 votos; Vitor Bonfim, com 52.647 votos; e Zó, com 50.893 votos.

Por que a comparação engana: embora alguns parlamentares da Federação tenham sido eleitos com votação inferior à registrada pelos últimos eleitos do PSD e do União Brasil, isso ocorreu porque a coligação alcançou um desempenho coletivo extraordinário em todo o estado, elegendo uma bancada muito maior. Ainda assim, a disputa interna permaneceu extremamente competitiva.

Para os pré-candidatos do Sudoeste da Bahia, essa realidade merece reflexão. Quem pretende ingressar no PSD, no União Brasil ou na Federação PT-PCdoB-PV precisa compreender que a régua continua elevada. Uma candidatura que fique muito abaixo da casa dos 60 mil votos corre sério risco de não alcançar uma vaga, principalmente nas legendas que concentram candidatos de grande densidade eleitoral.

2026 não é 2022: o que muda no tabuleiro

O cenário de 2026 traz, ainda, diferenças importantes em relação a 2022.

Na oposição, surge Wagner Alves, que deverá contar com o apoio da prefeita Sheila Lemos e desponta com a expectativa de ser um dos candidatos mais votados de Vitória da Conquista. Essa condição pode fortalecer significativamente sua candidatura e ampliar as chances de o Sudoeste voltar a ter maior protagonismo na Assembleia Legislativa.

Já a Federação PT-PCdoB-PV enfrentará uma eleição em circunstâncias distintas das vividas em 2022. Naquele pleito, a candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva exerceu forte influência sobre o eleitorado baiano, impulsionando diversas candidaturas proporcionais da Federação. Em 2026, esse fator mobilizador não estará presente da mesma forma, o que exigirá de seus candidatos um esforço ainda maior para conquistar votos com base em suas próprias estruturas políticas e em seu trabalho regional.

O tamanho real do desafio

Isso exige planejamento, alianças políticas consistentes, presença regional e uma estratégia eleitoral que vá muito além do município de origem. A disputa deixou de ser apenas local. Ela passou a ser regional e, em muitos casos, estadual.

Não se trata de desencorajar candidaturas. Pelo contrário. Trata-se de compreender o tamanho do desafio. Os números não mentem. Eles mostram que o eleitorado dessas legendas premia candidatos altamente competitivos e que a disputa interna pode ser tão difícil quanto a disputa entre partidos.

Quem representa o Sudoeste da Bahia e deseja ampliar a presença política da região precisa entrar nessa corrida sabendo que cada voto fará diferença. A marca dos 60 mil votos deixou de ser apenas um objetivo ambicioso. Ela se tornou, na prática, uma referência importante para quem pretende conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa pelas legendas mais disputadas da Bahia.

Na política, esperança é indispensável. Mas estratégia, organização e força eleitoral continuam sendo os verdadeiros caminhos para transformar uma candidatura em mandato.

Eleições 2026
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Federação PT-PCdoB-PV
Sudoeste da Bahia

— Padre Carlos, colunista de análise política