Reflexão & Filosofia
Por Edvaldo Paulo de Araújo
O
filósofo iluminista francês François-Marie Arouet, conhecido pelo pseudônimo de Voltaire (1694-1778), sempre foi um pensador preocupado com a delicada arte de dominar o mundo das palavras e da comunicação. O que mais me impressiona é que a arte de dominar o mundo das palavras não está em falar muito, mas em saber quando se calar. Voltaire entendeu uma coisa que poucos entendem até hoje.
“Quem fala demais, se expõe. Quem cala na hora certa, domina.”
— Voltaire
Entendo que, segundo Voltaire, há três leis do silêncio.
Primeira lei — o silêncio é a arma dos inteligentes
O tolo fala tudo o que pensa. O sábio pensa tudo o que fala. E o mais sábio, muitas vezes, prefere nem falar. Porque enquanto você fala, você entrega seus planos, seus medos, suas fraquezas.
Segunda lei — nas discussões, ganha quem escuta
Voltaire dizia: “discuti com tolos e me tornei tolo”. Quando você entra em brigas de palavras, você já perdeu. O silêncio desarma o provocador. Ele esperava grito, e recebe calma. Ele esperava briga, e recebe indiferença.
Terceira lei — o silêncio guarda o poder
Palavras são como água: se você abre a torneira o tempo todo, perde pressão. Se você guarda, quando fala, todo mundo escuta. Por isso os líderes de verdade falam pouco, mas quando falam, o mundo para.
“Aprendi a falar em dois anos. Levei sessenta para aprender a calar.”
— Voltaire
Hoje, no mundo do WhatsApp, de todo mundo querendo opinar, quem domina o silêncio domina a si mesmo. E quem domina a si mesmo, domina o mundo. Falar é prata. Calar, na hora certa, é ouro puro.
Sou um falastrão, mas tenho melhorado muito. Sempre recorro à oração e à orientação da espiritualidade, e tenho conseguido. Tenho aquietado a vontade de falar, introduzindo o silêncio em minha vida, nas minhas ações e na minha ansiedade por falar, demonstrar, participar com palavras.
Tenho passado por muitas dificuldades no meu trabalho. Noutros tempos, explodiria em palavras; hoje recorro ao silêncio, à oração e ao perdão diante da idiotice e da falta de visão estratégica alheias. Voltaire dizia que o homem inteligente fala porque tem algo a dizer. O tolo fala porque precisa dizer algo. No silêncio, a gente amadurece o pensamento.
Vozes do silêncio através dos séculos
“Cale-se ou diga algo melhor que o silêncio.”
— Pitágoras (570-495 a.C.). Diz a história que ele obrigava seus alunos a ficarem dois anos em silêncio total antes de poderem falar. Só quem domina o silêncio merece a palavra.
“Quem sabe, não fala. Quem fala, não sabe.”
— Lao-Tsé (China, século VI a.C.). O silêncio é sinal de profundidade: água rasa faz barulho, água funda é silenciosa.
“Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio.”
— Provérbios 17:28. Às vezes, ficar quieto te faz mais inteligente do que tentar provar que está certo.
“O silêncio é um dos argumentos mais difíceis de se refutar.”
— Sigmund Freud. Quando você não responde à provocação, você tira todo o poder do outro.
O mundo das palavras tem três tipos de gente, segundo Voltaire: quem fala demais perde o respeito e entrega seus segredos; quem fala mal perde amigos e cria inimigos; quem sabe calar, quando fala, todo mundo para para ouvir.
A comunicação não é vencer a discussão. É vencer a si mesmo.
Espiritualidade
Comportamento
Edvaldo Paulo de Araújo — colaborador — Política e Resenha





