Há lágrimas que dizem mais do que milhares de discursos. Ao ver Caetano Veloso chorar, não enxerguei apenas um artista emocionado, mas um homem atravessado pelas memórias de um país que parece insistir em esquecer as próprias feridas.
Há lágrimas que dizem mais do que milhares de discursos.
Quando a coragem tinha preço
Caetano, Gil, Geraldo Azevedo e tantos outros já lutaram pela liberdade quando o preço da coragem era a prisão, o exílio e o medo. Hoje, quando deveriam estar descansando, contemplando o mar e celebrando a vida, ainda precisam se levantar para defender a democracia.
E isso dói.
Dói porque cada lágrima carrega a lembrança de um passado que não pode se repetir e o temor de um futuro que não aprendemos a proteger.
A tragédia de uma nação
Talvez a maior tragédia de uma nação não seja esquecer sua história, mas obrigar seus velhos combatentes a lutar novamente pelas conquistas que deveriam estar garantidas.
Um pedido de desculpas
Desculpa, Caetano. Nós falhamos quando deixamos a memória adormecer, quando trocamos a consciência pelo ódio e quando permitimos que a mentira falasse mais alto que a verdade.
Que suas lágrimas não sejam apenas motivo de tristeza, mas um chamado à nossa consciência.
Porque um país que faz seus heróis envelhecerem lutando pelas mesmas causas precisa, urgentemente, aprender a honrar a própria história.
Caetano Veloso Democracia Memória Ditadura Militar Política e Resenha
Padre Carlos — Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha
Há lágrimas que dizem mais do que milhares de discursos. Ao ver Caetano Veloso chorar, não enxerguei apenas um artista emocionado, mas um homem atravessado pelas memórias de um país que parece insistir em esquecer as próprias feridas.
Há lágrimas que dizem mais do que milhares de discursos.
Quando a coragem tinha preço
Caetano, Gil, Geraldo Azevedo e tantos outros já lutaram pela liberdade quando o preço da coragem era a prisão, o exílio e o medo. Hoje, quando deveriam estar descansando, contemplando o mar e celebrando a vida, ainda precisam se levantar para defender a democracia.
E isso dói.
Dói porque cada lágrima carrega a lembrança de um passado que não pode se repetir e o temor de um futuro que não aprendemos a proteger.
A tragédia de uma nação
Talvez a maior tragédia de uma nação não seja esquecer sua história, mas obrigar seus velhos combatentes a lutar novamente pelas conquistas que deveriam estar garantidas.
Um pedido de desculpas
Desculpa, Caetano. Nós falhamos quando deixamos a memória adormecer, quando trocamos a consciência pelo ódio e quando permitimos que a mentira falasse mais alto que a verdade.
Que suas lágrimas não sejam apenas motivo de tristeza, mas um chamado à nossa consciência.
Porque um país que faz seus heróis envelhecerem lutando pelas mesmas causas precisa, urgentemente, aprender a honrar a própria história.
Caetano Veloso Democracia Memória Ditadura Militar Política e Resenha
Padre Carlos — Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha
O deputado federal André Janones (Rede-MG) foi internado na madrugada desta segunda-feira (19) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, após apresentar um quadro de arritmia cardíaca e falta de ar.
De acordo com as informações divulgadas, o parlamentar deu entrada na unidade hospitalar por volta das 2h da manhã. Até o momento, o hospital não havia divulgado boletim médico oficial com detalhes sobre seu estado de saúde, nem informações sobre a evolução do quadro clínico.
Deputado acompanhou debate presidencial
Horas antes da internação, Janones havia acompanhado o debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de domingo (18), na TV Bandeirantes.
Pouco antes de ser hospitalizado, o deputado publicou um vídeo nas redes sociais no qual analisava o confronto político entre os dois adversários. A participação de Lula e Flávio Bolsonaro no debate ocorre em um cenário de intensa disputa política, com repercussões nas redes sociais e no ambiente eleitoral.
Ainda não há informações que permitam estabelecer qualquer relação entre o acompanhamento do debate e o problema de saúde apresentado pelo parlamentar.
Atuação nas redes sociais
André Janones é conhecido por sua atuação nas redes sociais e por sua participação na mobilização digital em defesa do presidente Lula. O deputado coordena o canal “Exército do Lula”, criado para fortalecer a comunicação política e a mobilização de apoiadores do presidente em favor de sua reeleição.
A plataforma reúne aproximadamente 5,4 milhões de seguidores, segundo os dados informados, e constitui um dos principais instrumentos de comunicação digital ligados à atuação política do parlamentar.
Aguardando informações oficiais
A internação de Janones mobiliza a atenção de seus apoiadores e de observadores da política nacional. No entanto, sem um comunicado oficial do Hospital Vila Nova Star, ainda não é possível precisar a gravidade da arritmia, os procedimentos médicos adotados ou a previsão de alta.
A expectativa é que novas informações sobre o estado de saúde do deputado sejam divulgadas pela equipe médica ou por seus representantes.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) foi internado na madrugada desta segunda-feira (19) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, após apresentar um quadro de arritmia cardíaca e falta de ar.
De acordo com as informações divulgadas, o parlamentar deu entrada na unidade hospitalar por volta das 2h da manhã. Até o momento, o hospital não havia divulgado boletim médico oficial com detalhes sobre seu estado de saúde, nem informações sobre a evolução do quadro clínico.
Deputado acompanhou debate presidencial
Horas antes da internação, Janones havia acompanhado o debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de domingo (18), na TV Bandeirantes.
Pouco antes de ser hospitalizado, o deputado publicou um vídeo nas redes sociais no qual analisava o confronto político entre os dois adversários. A participação de Lula e Flávio Bolsonaro no debate ocorre em um cenário de intensa disputa política, com repercussões nas redes sociais e no ambiente eleitoral.
Ainda não há informações que permitam estabelecer qualquer relação entre o acompanhamento do debate e o problema de saúde apresentado pelo parlamentar.
Atuação nas redes sociais
André Janones é conhecido por sua atuação nas redes sociais e por sua participação na mobilização digital em defesa do presidente Lula. O deputado coordena o canal “Exército do Lula”, criado para fortalecer a comunicação política e a mobilização de apoiadores do presidente em favor de sua reeleição.
A plataforma reúne aproximadamente 5,4 milhões de seguidores, segundo os dados informados, e constitui um dos principais instrumentos de comunicação digital ligados à atuação política do parlamentar.
Aguardando informações oficiais
A internação de Janones mobiliza a atenção de seus apoiadores e de observadores da política nacional. No entanto, sem um comunicado oficial do Hospital Vila Nova Star, ainda não é possível precisar a gravidade da arritmia, os procedimentos médicos adotados ou a previsão de alta.
A expectativa é que novas informações sobre o estado de saúde do deputado sejam divulgadas pela equipe médica ou por seus representantes.
Há momentos em que uma frase, pronunciada em poucos segundos, revela muito mais do que seus autores pretendiam dizer. No primeiro debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, realizado neste domingo, 18 de outubro, uma troca de provocações sobre os votos de pessoas presas transformou-se em um dos episódios mais emblemáticos da atual campanha eleitoral. Flávio perguntou por que Lula teria recebido 73% dos votos dos presidiários. Lula, sem recuar, respondeu:
“Quero que votem 100%, até o teu pai!”
A frase provocou reações, risos e uma nova rodada de ataques. Mas, por trás do efeito imediato, existe uma questão política muito maior: quando o debate público se transforma em uma disputa de humilhações, quem realmente ganha — o candidato que desfere a frase mais contundente ou o eleitor que espera respostas para os problemas do país?
A estratégia de Flávio: transformar o eleitor em acusação
Ao mencionar os votos de pessoas presas, Flávio Bolsonaro procurou construir uma associação política entre Lula e a população carcerária. A estratégia é conhecida: em vez de discutir exclusivamente propostas para a segurança pública, tenta-se desqualificar o adversário por meio da identidade de parte de seu eleitorado.
O raciocínio implícito é simples, embora politicamente perigoso: se determinadas pessoas votaram em um candidato, esse candidato passaria a representar moralmente tudo o que essas pessoas fizeram de errado. É uma forma de transferir para o político a culpa atribuída a uma parcela de seus eleitores.
Mas essa lógica não resiste a uma pergunta elementar: um candidato deve ser julgado por cada eleitor que recebe ou pelas decisões que toma, pelas propostas que apresenta e pelos resultados de seu governo?
Em uma democracia, os votos não são certificados de virtude. Pessoas diferentes, com histórias, interesses e valores distintos, podem escolher o mesmo candidato. Isso vale para eleitores de Lula, de Flávio Bolsonaro e de qualquer outra corrente política.
Se a associação automática entre eleitor e candidato fosse um critério válido, nenhum político estaria livre de ser acusado pelos atos de todos aqueles que lhe deram apoio. A discussão eleitoral se transformaria em uma competição para descobrir qual adversário possui os eleitores mais fáceis de atacar.
A segurança pública merece um debate sério. Exige investigação, inteligência policial, combate às organizações criminosas, valorização dos profissionais de segurança, prevenção e um sistema de Justiça que funcione. Reduzi-la a uma disputa sobre quem recebeu votos dentro de presídios é trocar um problema nacional por uma arma retórica.
A resposta de Lula: ironia, ousadia e contra-ataque
Lula percebeu a oportunidade e devolveu a provocação com uma frase que atingiu diretamente o adversário: queria os votos de todos, inclusive os de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
O presidente não apenas rejeitou a tentativa de associá-lo à criminalidade. Ele inverteu o constrangimento e transformou o nome do próprio pai de seu oponente em instrumento de ataque político. A mensagem era clara: se Flávio pretendia constranger Lula com a votação nos presídios, Lula estava disposto a levar a provocação até as últimas consequências.
Foi uma resposta de impacto. Em poucos segundos, o debate deixou de ser apenas sobre o percentual de votos mencionado pelo senador e passou a girar em torno da relação entre pai e filho, das disputas familiares e da comparação entre os dois candidatos.
A frase tem força porque reúne três elementos da comunicação política contemporânea: ironia, personalização e capacidade de produzir repercussão. Não é necessário apresentar um plano de governo para dominar as redes sociais durante algumas horas. Basta uma resposta curta, um adversário irritado e uma frase que possa ser reproduzida milhares de vezes.
Entretanto, existe uma diferença entre ganhar um momento de televisão e conquistar a confiança de um país. A provocação pode render aplausos, mas não substitui respostas sobre segurança, emprego, saúde, educação e custo de vida.
Lula aproveitou a armadilha e a devolveu. Flávio tentou associar o presidente aos criminosos; Lula respondeu utilizando a situação de seu próprio pai como ironia. No fim, os dois reforçaram a lógica de confronto que domina a política brasileira.
O que a lei diz sobre o voto de pessoas presas?
É necessário esclarecer um ponto que costuma desaparecer em meio às acusações.
No Brasil, pessoas presas provisoriamente, sem condenação criminal transitada em julgado, mantêm seus direitos políticos e podem votar, observadas as condições legais e eleitorais aplicáveis. Já as pessoas com condenação criminal definitiva têm os direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação.
Portanto, falar genericamente em “voto dos presidiários” pode induzir o público ao erro, como se todos os presos tivessem a mesma situação jurídica e eleitoral.
Também é importante tratar com cautela o percentual de 73% mencionado por Flávio Bolsonaro. O número foi apresentado durante o debate como argumento contra Lula, mas sua validade depende da fonte, da metodologia, do universo de eleitores considerado e dos dados utilizados. Um percentual citado por um candidato não se transforma automaticamente em fato comprovado.
A informação precisa ser examinada, não simplesmente repetida. Em uma campanha eleitoral, números podem esclarecer a realidade, mas também podem ser utilizados para produzir uma impressão favorável ou desfavorável a determinado candidato.
A democracia não exige que o eleitor abandone suas convicções. Exige que a discussão pública permita distinguir fatos, interpretações e acusações.
O perigo de transformar adversários em inimigos
O episódio revela uma característica preocupante da política brasileira: a crescente dificuldade de discutir divergências sem transformar o outro em uma ameaça moral.
Para determinados setores, quem vota em Lula é tratado como cúmplice de todos os erros atribuídos ao governo petista. Para outros, quem apoia Bolsonaro é apresentado como responsável por todas as atitudes e declarações controversas do campo bolsonarista.
Esse mecanismo simplifica a realidade, alimenta ressentimentos e torna cada eleição uma espécie de julgamento moral coletivo.
O adversário deixa de ser alguém que apresenta uma proposta diferente e passa a ser alguém que precisa ser desmoralizado. O debate deixa de buscar convencimento e passa a buscar constrangimento. O eleitor deixa de ser tratado como cidadão capaz de avaliar argumentos e passa a ser mobilizado pelo medo, pela indignação ou pelo desprezo.
É nesse ambiente que uma frase como “até o teu pai” ganha dimensão nacional. Ela não é apenas uma resposta espirituosa. É também um retrato de uma política na qual o golpe verbal frequentemente recebe mais atenção do que a explicação consistente.
Não se trata de exigir candidatos sem humor ou debates sem enfrentamento. A democracia comporta ironia, crítica dura e confronto de ideias. O problema surge quando a agressividade passa a ocupar o espaço que deveria pertencer às propostas e à prestação de contas.
A segurança pública não pode ser refém do marketing eleitoral
O Brasil enfrenta desafios profundos no campo da segurança pública. Famílias convivem com o medo da violência, vítimas esperam justiça e comunidades inteiras sofrem com a atuação de organizações criminosas.
Nesse cenário, a pergunta que importa não é se determinado candidato recebeu votos de pessoas que estão presas. A pergunta é o que cada candidato pretende fazer para reduzir a violência, impedir a reincidência criminal, desarticular organizações criminosas e proteger a população.
Flávio Bolsonaro tem o direito de questionar o governo Lula sobre os índices de criminalidade, assim como Lula tem o dever de apresentar resultados, explicar suas políticas e responder às críticas. Mas a cobrança precisa estar apoiada em indicadores verificáveis e em propostas concretas.
Da mesma maneira, defender a ressocialização de pessoas que cumprem pena não significa ignorar os direitos das vítimas. Uma política criminal responsável precisa conciliar responsabilização, proteção social, prevenção, cumprimento da lei e mecanismos que reduzam a possibilidade de novos delitos.
A oposição deve fiscalizar o governo. O governo deve prestar contas. E o eleitor precisa ter condições de comparar o que cada lado promete com aquilo que efetivamente realizou.
Quando a segurança pública é reduzida a uma troca de acusações, os problemas continuam nas ruas enquanto os candidatos disputam quem produziu a melhor frase.
O eleitor não pode ser tratado como figurante
Há uma ironia maior nesse episódio: enquanto Lula e Flávio disputam a interpretação dos votos de pessoas presas, milhões de brasileiros esperam que a campanha presidencial discuta as condições concretas de suas vidas.
O trabalhador quer saber se seu salário será suficiente para pagar as contas. O comerciante deseja segurança para manter as portas abertas. A mãe quer que os filhos possam estudar e voltar para casa sem medo. O jovem procura oportunidades. A vítima de um crime espera que a Justiça não se transforme em uma promessa interminável.
Esses cidadãos não precisam de uma guerra permanente entre famílias políticas. Precisam de representantes capazes de transformar divergências em decisões e promessas em resultados.
A campanha eleitoral deveria servir para esclarecer as diferenças entre os projetos apresentados ao país. Quando os candidatos preferem a provocação à explicação, o espetáculo ocupa o lugar da política e a cidadania é empurrada para a arquibancada.
O eleitor não é figurante de um programa de televisão. É quem arca com as consequências das decisões tomadas em Brasília.
No fim, a frase viraliza. Mas quem apresenta as soluções?
A resposta de Lula foi contundente e encontrou em Flávio Bolsonaro o alvo perfeito para uma provocação que envolve diretamente o pai do senador. O episódio também mostrou a disposição dos dois candidatos de transformar o debate em confronto pessoal, em vez de concentrar todas as energias na apresentação de propostas.
Flávio tentou utilizar os votos atribuídos à população carcerária como instrumento de desqualificação moral do adversário. Lula respondeu com uma ironia que inverteu a provocação. Ambos conquistaram espaço no noticiário, mas a repercussão de uma frase não é prova de superioridade administrativa, competência política ou compromisso com a população.
A pergunta que permanece é outra: o que cada um oferece ao Brasil além da capacidade de atacar o adversário?
Uma eleição presidencial não deveria ser decidida pela quantidade de frases que se tornam virais, mas pela qualidade dos projetos, pela consistência dos argumentos, pelo respeito às instituições e pela capacidade de governar.
A democracia permite que até adversários ferrenhos disputem o mesmo eleitorado. O voto não pertence a um partido, não é propriedade de uma família e não deve ser tratado como privilégio concedido apenas aos que pensam de determinada maneira.
A política brasileira precisa de menos espetáculo e mais responsabilidade; menos guerra de sobrenomes e mais compromisso com os cidadãos. Porque, quando as luzes do debate se apagam e as câmeras são desligadas, a violência continua exigindo respostas, as famílias continuam pagando suas contas e o povo continua esperando que alguém governe de verdade.
Há momentos em que uma frase, pronunciada em poucos segundos, revela muito mais do que seus autores pretendiam dizer. No primeiro debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, realizado neste domingo, 18 de outubro, uma troca de provocações sobre os votos de pessoas presas transformou-se em um dos episódios mais emblemáticos da atual campanha eleitoral. Flávio perguntou por que Lula teria recebido 73% dos votos dos presidiários. Lula, sem recuar, respondeu:
“Quero que votem 100%, até o teu pai!”
A frase provocou reações, risos e uma nova rodada de ataques. Mas, por trás do efeito imediato, existe uma questão política muito maior: quando o debate público se transforma em uma disputa de humilhações, quem realmente ganha — o candidato que desfere a frase mais contundente ou o eleitor que espera respostas para os problemas do país?
A estratégia de Flávio: transformar o eleitor em acusação
Ao mencionar os votos de pessoas presas, Flávio Bolsonaro procurou construir uma associação política entre Lula e a população carcerária. A estratégia é conhecida: em vez de discutir exclusivamente propostas para a segurança pública, tenta-se desqualificar o adversário por meio da identidade de parte de seu eleitorado.
O raciocínio implícito é simples, embora politicamente perigoso: se determinadas pessoas votaram em um candidato, esse candidato passaria a representar moralmente tudo o que essas pessoas fizeram de errado. É uma forma de transferir para o político a culpa atribuída a uma parcela de seus eleitores.
Mas essa lógica não resiste a uma pergunta elementar: um candidato deve ser julgado por cada eleitor que recebe ou pelas decisões que toma, pelas propostas que apresenta e pelos resultados de seu governo?
Em uma democracia, os votos não são certificados de virtude. Pessoas diferentes, com histórias, interesses e valores distintos, podem escolher o mesmo candidato. Isso vale para eleitores de Lula, de Flávio Bolsonaro e de qualquer outra corrente política.
Se a associação automática entre eleitor e candidato fosse um critério válido, nenhum político estaria livre de ser acusado pelos atos de todos aqueles que lhe deram apoio. A discussão eleitoral se transformaria em uma competição para descobrir qual adversário possui os eleitores mais fáceis de atacar.
A segurança pública merece um debate sério. Exige investigação, inteligência policial, combate às organizações criminosas, valorização dos profissionais de segurança, prevenção e um sistema de Justiça que funcione. Reduzi-la a uma disputa sobre quem recebeu votos dentro de presídios é trocar um problema nacional por uma arma retórica.
A resposta de Lula: ironia, ousadia e contra-ataque
Lula percebeu a oportunidade e devolveu a provocação com uma frase que atingiu diretamente o adversário: queria os votos de todos, inclusive os de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
O presidente não apenas rejeitou a tentativa de associá-lo à criminalidade. Ele inverteu o constrangimento e transformou o nome do próprio pai de seu oponente em instrumento de ataque político. A mensagem era clara: se Flávio pretendia constranger Lula com a votação nos presídios, Lula estava disposto a levar a provocação até as últimas consequências.
Foi uma resposta de impacto. Em poucos segundos, o debate deixou de ser apenas sobre o percentual de votos mencionado pelo senador e passou a girar em torno da relação entre pai e filho, das disputas familiares e da comparação entre os dois candidatos.
A frase tem força porque reúne três elementos da comunicação política contemporânea: ironia, personalização e capacidade de produzir repercussão. Não é necessário apresentar um plano de governo para dominar as redes sociais durante algumas horas. Basta uma resposta curta, um adversário irritado e uma frase que possa ser reproduzida milhares de vezes.
Entretanto, existe uma diferença entre ganhar um momento de televisão e conquistar a confiança de um país. A provocação pode render aplausos, mas não substitui respostas sobre segurança, emprego, saúde, educação e custo de vida.
Lula aproveitou a armadilha e a devolveu. Flávio tentou associar o presidente aos criminosos; Lula respondeu utilizando a situação de seu próprio pai como ironia. No fim, os dois reforçaram a lógica de confronto que domina a política brasileira.
O que a lei diz sobre o voto de pessoas presas?
É necessário esclarecer um ponto que costuma desaparecer em meio às acusações.
No Brasil, pessoas presas provisoriamente, sem condenação criminal transitada em julgado, mantêm seus direitos políticos e podem votar, observadas as condições legais e eleitorais aplicáveis. Já as pessoas com condenação criminal definitiva têm os direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação.
Portanto, falar genericamente em “voto dos presidiários” pode induzir o público ao erro, como se todos os presos tivessem a mesma situação jurídica e eleitoral.
Também é importante tratar com cautela o percentual de 73% mencionado por Flávio Bolsonaro. O número foi apresentado durante o debate como argumento contra Lula, mas sua validade depende da fonte, da metodologia, do universo de eleitores considerado e dos dados utilizados. Um percentual citado por um candidato não se transforma automaticamente em fato comprovado.
A informação precisa ser examinada, não simplesmente repetida. Em uma campanha eleitoral, números podem esclarecer a realidade, mas também podem ser utilizados para produzir uma impressão favorável ou desfavorável a determinado candidato.
A democracia não exige que o eleitor abandone suas convicções. Exige que a discussão pública permita distinguir fatos, interpretações e acusações.
O perigo de transformar adversários em inimigos
O episódio revela uma característica preocupante da política brasileira: a crescente dificuldade de discutir divergências sem transformar o outro em uma ameaça moral.
Para determinados setores, quem vota em Lula é tratado como cúmplice de todos os erros atribuídos ao governo petista. Para outros, quem apoia Bolsonaro é apresentado como responsável por todas as atitudes e declarações controversas do campo bolsonarista.
Esse mecanismo simplifica a realidade, alimenta ressentimentos e torna cada eleição uma espécie de julgamento moral coletivo.
O adversário deixa de ser alguém que apresenta uma proposta diferente e passa a ser alguém que precisa ser desmoralizado. O debate deixa de buscar convencimento e passa a buscar constrangimento. O eleitor deixa de ser tratado como cidadão capaz de avaliar argumentos e passa a ser mobilizado pelo medo, pela indignação ou pelo desprezo.
É nesse ambiente que uma frase como “até o teu pai” ganha dimensão nacional. Ela não é apenas uma resposta espirituosa. É também um retrato de uma política na qual o golpe verbal frequentemente recebe mais atenção do que a explicação consistente.
Não se trata de exigir candidatos sem humor ou debates sem enfrentamento. A democracia comporta ironia, crítica dura e confronto de ideias. O problema surge quando a agressividade passa a ocupar o espaço que deveria pertencer às propostas e à prestação de contas.
A segurança pública não pode ser refém do marketing eleitoral
O Brasil enfrenta desafios profundos no campo da segurança pública. Famílias convivem com o medo da violência, vítimas esperam justiça e comunidades inteiras sofrem com a atuação de organizações criminosas.
Nesse cenário, a pergunta que importa não é se determinado candidato recebeu votos de pessoas que estão presas. A pergunta é o que cada candidato pretende fazer para reduzir a violência, impedir a reincidência criminal, desarticular organizações criminosas e proteger a população.
Flávio Bolsonaro tem o direito de questionar o governo Lula sobre os índices de criminalidade, assim como Lula tem o dever de apresentar resultados, explicar suas políticas e responder às críticas. Mas a cobrança precisa estar apoiada em indicadores verificáveis e em propostas concretas.
Da mesma maneira, defender a ressocialização de pessoas que cumprem pena não significa ignorar os direitos das vítimas. Uma política criminal responsável precisa conciliar responsabilização, proteção social, prevenção, cumprimento da lei e mecanismos que reduzam a possibilidade de novos delitos.
A oposição deve fiscalizar o governo. O governo deve prestar contas. E o eleitor precisa ter condições de comparar o que cada lado promete com aquilo que efetivamente realizou.
Quando a segurança pública é reduzida a uma troca de acusações, os problemas continuam nas ruas enquanto os candidatos disputam quem produziu a melhor frase.
O eleitor não pode ser tratado como figurante
Há uma ironia maior nesse episódio: enquanto Lula e Flávio disputam a interpretação dos votos de pessoas presas, milhões de brasileiros esperam que a campanha presidencial discuta as condições concretas de suas vidas.
O trabalhador quer saber se seu salário será suficiente para pagar as contas. O comerciante deseja segurança para manter as portas abertas. A mãe quer que os filhos possam estudar e voltar para casa sem medo. O jovem procura oportunidades. A vítima de um crime espera que a Justiça não se transforme em uma promessa interminável.
Esses cidadãos não precisam de uma guerra permanente entre famílias políticas. Precisam de representantes capazes de transformar divergências em decisões e promessas em resultados.
A campanha eleitoral deveria servir para esclarecer as diferenças entre os projetos apresentados ao país. Quando os candidatos preferem a provocação à explicação, o espetáculo ocupa o lugar da política e a cidadania é empurrada para a arquibancada.
O eleitor não é figurante de um programa de televisão. É quem arca com as consequências das decisões tomadas em Brasília.
No fim, a frase viraliza. Mas quem apresenta as soluções?
A resposta de Lula foi contundente e encontrou em Flávio Bolsonaro o alvo perfeito para uma provocação que envolve diretamente o pai do senador. O episódio também mostrou a disposição dos dois candidatos de transformar o debate em confronto pessoal, em vez de concentrar todas as energias na apresentação de propostas.
Flávio tentou utilizar os votos atribuídos à população carcerária como instrumento de desqualificação moral do adversário. Lula respondeu com uma ironia que inverteu a provocação. Ambos conquistaram espaço no noticiário, mas a repercussão de uma frase não é prova de superioridade administrativa, competência política ou compromisso com a população.
A pergunta que permanece é outra: o que cada um oferece ao Brasil além da capacidade de atacar o adversário?
Uma eleição presidencial não deveria ser decidida pela quantidade de frases que se tornam virais, mas pela qualidade dos projetos, pela consistência dos argumentos, pelo respeito às instituições e pela capacidade de governar.
A democracia permite que até adversários ferrenhos disputem o mesmo eleitorado. O voto não pertence a um partido, não é propriedade de uma família e não deve ser tratado como privilégio concedido apenas aos que pensam de determinada maneira.
A política brasileira precisa de menos espetáculo e mais responsabilidade; menos guerra de sobrenomes e mais compromisso com os cidadãos. Porque, quando as luzes do debate se apagam e as câmeras são desligadas, a violência continua exigindo respostas, as famílias continuam pagando suas contas e o povo continua esperando que alguém governe de verdade.
Nem todos serão lembrados pelo nome. Mas todos deixarão um rastro.
Rastro não é fama. Fama faz barulho e passa. Rastro é energia. É silencioso e fica.
O rastro de Jesus
Jesus Amado não escreveu livros. Não construiu monumentos. Caminhou pouco mais de 30 quilômetros de sandálias empoeiradas. E deixou um rastro tão puro, tão cheio de amor, que dois mil anos depois ainda nos guia quando estamos perdidos.
Penso sempre na grandeza de Jesus!
Ele podia ter nascido num palácio, ter vindo com exércitos e coroas. Escolheu uma manjedoura. Podia ter falado só com doutores e reis. Escolheu sentar com pecadores, com crianças, com leprosos que ninguém tocava.
A grandeza de Jesus não estava no poder que ele mostrava, mas no amor que ele não negava a ninguém.
Ele não precisou gritar para ser ouvido. Ele sussurrou com a atitude. E o mundo inteiro ouviu.
É por isso que o rastro dele é eterno. Porque não foi feito de pedra, foi feito de energia viva. A energia do perdão, da compaixão, do “vai e não peques mais” dito sem julgamento.
Imagina a época dele.
Não existia televisão, não existia jornal, não existia rádio, não existia internet, nem um cartaz na rua. Nenhuma imprensa falada ou escrita para espalhar o nome dele.
Acredito, e vejo isso acontecendo, que se fosse hoje, pelos olhos do mundo, ele seria um fracasso. Um homem anônimo do interior.
Mas a força que saía dele era tão grande, tão pura, que não precisava de autofalante nem microfone.
Quem o ouvia uma vez, nunca mais esquecia. Quem era tocado por ele, carregava aquela marca na alma para sempre. A mulher adúltera, o cobrador de impostos, o pescador simples… cada um que se encontrou com ele ficou marcado com aquele rastro de luz no seu coração.
Ramatis e a presença que silenciou a filosofia
Ao pesquisar sobre um filósofo da época, chamado Ramatis — naquele tempo um homem de muito estudo, de mente cética e curiosa —, soube que ele ouviu falar daquele carpinteiro que falava como nenhum outro.
Foi até ele e não para seguir, foi para questionar, para testar.
Mas bastou olhar nos olhos de Jesus, bastou sentir aquela vibração, aquela energia que não era do que ele conhecia e acreditava, para que toda a filosofia dele silenciasse.
Ele não encontrou um argumento. Ele encontrou uma presença.
E aquela marca ficou para todo o sempre. Atravessou séculos, atravessou vidas. Ramatis nunca mais foi o mesmo. Virou um trabalhador do Cristo para sempre. Ramatis sentiu o que muitos doutores não sentiram.
E nós, no nosso tempo?
Nós temos tudo que Jesus não teve. Temos celular, temos rede social, temos carro, temos voz que chega longe. E o que estamos deixando no nosso caminho, em nossos rastros?
Qual é o rastro que fica depois que passamos?
Quando saímos de uma conversa, a pessoa ficou mais leve ou mais pesada? Quando passamos por uma casa, deixamos paz ou deixamos perturbação? Quando alguém lembra do nosso nome, sente saudade ou sente alívio porque fomos embora?
Percebe? Todo dia estamos deixando rastro, querendo ou não.
Oro, trabalho, luto, mudo, para que meu rastro seja, pelo menos, parecido com o dele, mesmo pequeno.
Que o meu rastro seja o de quem escutou, de quem se importou com alguém que estava necessitando, que precisava falar. De quem perdoou, mesmo com o coração doendo. De quem ofereceu um copo d’água, um bom dia sincero, uma palavra de ânimo.
Luto e faço isso de maneira natural, para ser a diferença onde estiver. Não preciso de multidão para deixar meu rastro eterno. Preciso de verdade na minha alma.
Entendo que, ao final, não importa quanto caminho você percorreu. Importa que tipo de rastro você deixou nele.
Ninguém cruza o nosso caminho por acaso
Aprendi nas lições de Jesus a nunca ignorar quem cruza o meu caminho.
Um dia, pedalando com meu querido e saudoso Onildo Oliveira, que já partiu para a casa do Pai, ele me perguntou: “Amigo, por que toda pessoa que aparece no seu caminho você procura ajudar?”
Na hora, me veio uma luz na mente, algo que não era meu, era espiritual, e eu respondi a ele: “Onildo, é porque essa pessoa deve ter orado. Ela pediu a Deus com fé, e Deus, na sua sabedoria, mandou ela ao meu encontro. Porque Deus tinha certeza de que eu não ia negar ajuda.”
Ninguém cruza o nosso caminho por acaso. Quem nos procura, quem bate à nossa porta, quem nos pede um ouvido, um prato, uma palavra… foi Deus quem mandou. Foi a oração dele que o trouxe até nós.
Se Deus confiou essa pessoa a nós, como vamos negar? Nossas atitudes do dia a dia são a resposta que damos a Deus. É o nosso caminho e os rastros que estamos deixando perante a luz do nosso Deus amado. Cada ajuda que negamos é uma oração que deixamos sem resposta. Deixar um rastro de bondade e de servir é entender que ajudar não é um favor que fazemos, é uma missão que Deus nos confiou.
O rastro de cada um
Tudo na vida deixa rastro.
No final das contas, meu amado e minha amada, a vida não vai te perguntar quanto dinheiro você juntou, quantos diplomas você tem na parede ou quantos likes você ganhou.
A vida vai te mostrar o caminho que você percorreu e vai te perguntar:
OLHA O QUE FICOU.
Cada um de nós está deixando um rastro agora. Tem gente que deixa rastro de espinho. Onde passa, fere, divide, reclama, pesa o ambiente. E tem gente que deixa rastro de flor. Onde passa, perfuma. Mesmo que pisem nela, ela continua perfumando.
O rastro de Jesus foi de luz. O de Ramatis, depois que o encontrou, foi de sabedoria e serviço eterno.
Não deixe para deixar um rastro bonito amanhã. Deixe hoje. Na sua casa. No seu trabalho. No trânsito. No primeiro que cruzar seu caminho.
Porque no dia em que partirmos, não levamos nada. Mas o rastro… o rastro fica para sempre.
FéJesusLegadoEspiritualidadeReflexãoCompaixão
Edvaldo Paulo de Araújo — Autor convidado — Política e Resenha
Nem todos serão lembrados pelo nome. Mas todos deixarão um rastro.
Rastro não é fama. Fama faz barulho e passa. Rastro é energia. É silencioso e fica.
O rastro de Jesus
Jesus Amado não escreveu livros. Não construiu monumentos. Caminhou pouco mais de 30 quilômetros de sandálias empoeiradas. E deixou um rastro tão puro, tão cheio de amor, que dois mil anos depois ainda nos guia quando estamos perdidos.
Penso sempre na grandeza de Jesus!
Ele podia ter nascido num palácio, ter vindo com exércitos e coroas. Escolheu uma manjedoura. Podia ter falado só com doutores e reis. Escolheu sentar com pecadores, com crianças, com leprosos que ninguém tocava.
A grandeza de Jesus não estava no poder que ele mostrava, mas no amor que ele não negava a ninguém.
Ele não precisou gritar para ser ouvido. Ele sussurrou com a atitude. E o mundo inteiro ouviu.
É por isso que o rastro dele é eterno. Porque não foi feito de pedra, foi feito de energia viva. A energia do perdão, da compaixão, do “vai e não peques mais” dito sem julgamento.
Imagina a época dele.
Não existia televisão, não existia jornal, não existia rádio, não existia internet, nem um cartaz na rua. Nenhuma imprensa falada ou escrita para espalhar o nome dele.
Acredito, e vejo isso acontecendo, que se fosse hoje, pelos olhos do mundo, ele seria um fracasso. Um homem anônimo do interior.
Mas a força que saía dele era tão grande, tão pura, que não precisava de autofalante nem microfone.
Quem o ouvia uma vez, nunca mais esquecia. Quem era tocado por ele, carregava aquela marca na alma para sempre. A mulher adúltera, o cobrador de impostos, o pescador simples… cada um que se encontrou com ele ficou marcado com aquele rastro de luz no seu coração.
Ramatis e a presença que silenciou a filosofia
Ao pesquisar sobre um filósofo da época, chamado Ramatis — naquele tempo um homem de muito estudo, de mente cética e curiosa —, soube que ele ouviu falar daquele carpinteiro que falava como nenhum outro.
Foi até ele e não para seguir, foi para questionar, para testar.
Mas bastou olhar nos olhos de Jesus, bastou sentir aquela vibração, aquela energia que não era do que ele conhecia e acreditava, para que toda a filosofia dele silenciasse.
Ele não encontrou um argumento. Ele encontrou uma presença.
E aquela marca ficou para todo o sempre. Atravessou séculos, atravessou vidas. Ramatis nunca mais foi o mesmo. Virou um trabalhador do Cristo para sempre. Ramatis sentiu o que muitos doutores não sentiram.
E nós, no nosso tempo?
Nós temos tudo que Jesus não teve. Temos celular, temos rede social, temos carro, temos voz que chega longe. E o que estamos deixando no nosso caminho, em nossos rastros?
Qual é o rastro que fica depois que passamos?
Quando saímos de uma conversa, a pessoa ficou mais leve ou mais pesada? Quando passamos por uma casa, deixamos paz ou deixamos perturbação? Quando alguém lembra do nosso nome, sente saudade ou sente alívio porque fomos embora?
Percebe? Todo dia estamos deixando rastro, querendo ou não.
Oro, trabalho, luto, mudo, para que meu rastro seja, pelo menos, parecido com o dele, mesmo pequeno.
Que o meu rastro seja o de quem escutou, de quem se importou com alguém que estava necessitando, que precisava falar. De quem perdoou, mesmo com o coração doendo. De quem ofereceu um copo d’água, um bom dia sincero, uma palavra de ânimo.
Luto e faço isso de maneira natural, para ser a diferença onde estiver. Não preciso de multidão para deixar meu rastro eterno. Preciso de verdade na minha alma.
Entendo que, ao final, não importa quanto caminho você percorreu. Importa que tipo de rastro você deixou nele.
Ninguém cruza o nosso caminho por acaso
Aprendi nas lições de Jesus a nunca ignorar quem cruza o meu caminho.
Um dia, pedalando com meu querido e saudoso Onildo Oliveira, que já partiu para a casa do Pai, ele me perguntou: “Amigo, por que toda pessoa que aparece no seu caminho você procura ajudar?”
Na hora, me veio uma luz na mente, algo que não era meu, era espiritual, e eu respondi a ele: “Onildo, é porque essa pessoa deve ter orado. Ela pediu a Deus com fé, e Deus, na sua sabedoria, mandou ela ao meu encontro. Porque Deus tinha certeza de que eu não ia negar ajuda.”
Ninguém cruza o nosso caminho por acaso. Quem nos procura, quem bate à nossa porta, quem nos pede um ouvido, um prato, uma palavra… foi Deus quem mandou. Foi a oração dele que o trouxe até nós.
Se Deus confiou essa pessoa a nós, como vamos negar? Nossas atitudes do dia a dia são a resposta que damos a Deus. É o nosso caminho e os rastros que estamos deixando perante a luz do nosso Deus amado. Cada ajuda que negamos é uma oração que deixamos sem resposta. Deixar um rastro de bondade e de servir é entender que ajudar não é um favor que fazemos, é uma missão que Deus nos confiou.
O rastro de cada um
Tudo na vida deixa rastro.
No final das contas, meu amado e minha amada, a vida não vai te perguntar quanto dinheiro você juntou, quantos diplomas você tem na parede ou quantos likes você ganhou.
A vida vai te mostrar o caminho que você percorreu e vai te perguntar:
OLHA O QUE FICOU.
Cada um de nós está deixando um rastro agora. Tem gente que deixa rastro de espinho. Onde passa, fere, divide, reclama, pesa o ambiente. E tem gente que deixa rastro de flor. Onde passa, perfuma. Mesmo que pisem nela, ela continua perfumando.
O rastro de Jesus foi de luz. O de Ramatis, depois que o encontrou, foi de sabedoria e serviço eterno.
Não deixe para deixar um rastro bonito amanhã. Deixe hoje. Na sua casa. No seu trabalho. No trânsito. No primeiro que cruzar seu caminho.
Porque no dia em que partirmos, não levamos nada. Mas o rastro… o rastro fica para sempre.
FéJesusLegadoEspiritualidadeReflexãoCompaixão
Edvaldo Paulo de Araújo — Autor convidado — Política e Resenha
VITÓRIA DA CONQUISTA É A MAIS SEGURA DA BAHIA, E OS NÚMEROS COLOCAM A POLÍTICA CONTRA A PAREDE!
Por Padre Carlos
Há momentos em que a realidade impõe uma pergunta incômoda até mesmo aos adversários mais convictos de uma administração: e se o governo que eu combato estiver apresentando resultados melhores do que eu gostaria de admitir?
É uma pergunta desconfortável, sobretudo na política, onde muitos preferem torcer pelo fracasso do adversário a reconhecer um resultado positivo. Mas os números têm uma característica que incomoda os discursos prontos: quando são consistentes, exigem explicações.
Foi pensando nisso que me deparei com a notícia brutal vinda de Jequié, no sudoeste baiano. Na madrugada de 17 de outubro, uma mulher foi retirada à força de dentro de casa por homens encapuzados e morta a tiros. Segundo a imprensa regional, o município havia registrado oito homicídios em apenas sete dias. Um cenário aterrorizante, que revela a dimensão do desafio da segurança pública na Bahia. A investigação sobre o assassinato continua sob responsabilidade da Polícia Civil. (bahianoticias.com.br)
Diante de uma tragédia como essa, não há espaço para comemoração política. Há uma vida perdida, uma família destruída e uma sociedade que precisa cobrar respostas. Mas existe, também, uma obrigação de olhar para os indicadores e perguntar por que cidades do mesmo estado apresentam realidades tão diferentes.
E é aí que Vitória da Conquista entra nessa história.
OS NÚMEROS QUE A POLÍTICA NÃO PODE IGNORAR
Enquanto a violência assusta municípios baianos, Vitória da Conquista aparece em posição de destaque nos indicadores de segurança pública.
De acordo com os dados divulgados pela Prefeitura com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, a cidade registrou, em 2025, uma taxa de 9,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, a menor entre os municípios baianos com mais de 100 mil habitantes. No mesmo levantamento, Eunápolis registrou 85,1. (Prefeitura de Vitória da Conquista)
A diferença é extraordinária: a taxa de Eunápolis foi aproximadamente 9,4 vezes a de Vitória da Conquista.
Não estamos falando de uma pequena variação estatística. Estamos falando de indicadores que revelam realidades muito diferentes para quem sai de casa para trabalhar, leva os filhos à escola, fecha o comércio à noite ou simplesmente deseja viver sem medo.
E há outro dado que merece atenção: segundo a mesma publicação municipal, Vitória da Conquista passou de 209 vítimas de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em 2016 para 34 em 2025. Na comparação entre 2024 e 2025, os registros caíram de 74 para 34. (Prefeitura de Vitória da Conquista)
GRÁFICO 1 — A QUEDA DA VIOLÊNCIA LETAL EM CONQUISTA
O gráfico abaixo apresenta os números de vítimas de CVLI informados pela Prefeitura. A comparação entre 2016 e 2025 aponta uma redução de aproximadamente 83,7%.
Vítimas de CVLI em Vitória da Conquista
2016209
202474
202534
Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. Os valores de 2016, 2024 e 2025 são os divulgados pela Prefeitura para vítimas de CVLI. (Fonte)
A queda de 209 para 34 vítimas não é um detalhe que possa ser varrido para debaixo do tapete. São 175 vítimas a menos na comparação entre os dois anos, uma redução de aproximadamente 83,7%.
É claro que uma comparação histórica não prova, por si só, que uma única gestão produziu toda essa mudança. Segurança pública depende da atuação conjunta das polícias, do sistema de Justiça, dos governos estadual e federal, da Prefeitura e da própria sociedade. Mas seria igualmente errado ignorar a contribuição que políticas municipais de prevenção, iluminação, ocupação dos espaços públicos e proteção comunitária podem oferecer.
A pergunta correta não é se a Prefeitura merece todos os créditos. A pergunta é: quais políticas estão funcionando, qual é a participação de cada instituição e como podemos fazer esses resultados avançarem?
UMA DIFERENÇA QUE GRITA: 9,1 CONTRA 85,1
GRÁFICO 2 — TAXA DE MORTES VIOLENTAS INTENCIONAIS EM 2025
Duas realidades da segurança na Bahia
Vitória da Conquista9,1
Eunápolis85,1
Taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
Fonte: Prefeitura de Vitória da Conquista, com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. As taxas referem-se a 2025. (Fonte)
O gráfico deixa evidente o tamanho do contraste. A taxa registrada em Eunápolis foi aproximadamente 9,4 vezes a de Vitória da Conquista. Isso não significa que Conquista esteja livre da criminalidade, nem que os municípios tenham as mesmas condições sociais e demográficas. Significa, porém, que a diferença merece investigação, atenção pública e reconhecimento.
E há um detalhe importante: Vitória da Conquista não está sendo comparada com uma cidade pequena e isolada, mas com municípios baianos de porte relevante.
NÃO É SÓ SEGURANÇA: CONQUISTA TAMBÉM SE DESTACA NA QUALIDADE DE VIDA
A segurança não é o único indicador favorável à cidade.
Em julho de 2024, o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil colocou Vitória da Conquista na primeira posição entre os 417 municípios baianos avaliados, com nota 64,03. O índice considera dimensões que vão além da economia, incluindo necessidades humanas básicas, bem-estar e oportunidades. (Prefeitura de Vitória da Conquista)
INDICADORES QUE MERECEM ATENÇÃO
Segurança pública
9,1
Mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025.
Redução de vítimas de CVLI
−83,7%
De 209 vítimas em 2016 para 34 em 2025, segundo os dados divulgados pela Prefeitura.
Índice de Progresso Social — IPS 2024
64,03
Maior pontuação entre os 417 municípios baianos avaliados naquele levantamento de qualidade de vida.
Fontes: Prefeitura de Vitória da Conquista e levantamentos citados no texto. Os indicadores pertencem a anos e metodologias diferentes; não devem ser interpretados como uma única medida de desempenho.
Esses números ajudam a compreender por que a cidade conquistou uma reputação positiva em segurança e qualidade de vida. Mas também impõem uma obrigação: preservar o que funciona, identificar o que ainda precisa melhorar e evitar que um bom resultado vire motivo para acomodação.
Afinal, um município pode apresentar bons indicadores de segurança e continuar enfrentando problemas de saúde, mobilidade, saneamento, desigualdade e atendimento público. Reconhecer os avanços não significa fechar os olhos para as deficiências.
Significa avaliar a administração com critérios, e não apenas com paixões partidárias.
AFINAL, É SORTE OU COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA?
Chegamos à pergunta que interessa ao debate político de Vitória da Conquista.
É tudo sorte? É apenas uma circunstância favorável? Ou existe uma combinação de políticas públicas, planejamento, prevenção e atuação institucional que ajuda a explicar os resultados?
A resposta responsável exige examinar as políticas adotadas, os investimentos realizados, as séries históricas e a participação de cada esfera de governo. Os dados disponíveis mostram uma evolução expressiva nos registros de violência letal, mas não autorizam atribuir toda a redução exclusivamente à Prefeitura.
Ainda assim, seria intelectualmente desonesto fingir que esses indicadores não existem.
A gestão municipal liderada por Sheila Lemos tem razões para apresentar os resultados favoráveis como parte de seu balanço administrativo. A oposição, por sua vez, tem todo o direito de questionar prioridades, cobrar transparência, apontar problemas e exigir resultados ainda melhores.
O que não faz sentido é transformar a disputa política numa competição para ver quem consegue negar com mais veemência os números que não lhe convêm.
Se os indicadores melhoraram, cabe investigar por quê. Se uma política pública contribuiu para a melhora, cabe reconhecer sua importância. Se outros fatores foram decisivos, cabe demonstrá-los. É assim que se faz oposição séria: com dados, argumentos e propostas capazes de superar aquilo que se critica.
A oposição não precisa elogiar a prefeita. Precisa, porém, explicar os fatos.
O PREÇO DE NÃO RECONHECER A REALIDADE
Existe uma armadilha na política: quando o adversário administra, alguns passam a tratar qualquer resultado positivo como propaganda e qualquer dificuldade como prova definitiva de incompetência.
Essa postura pode render aplausos entre os próprios apoiadores, mas empobrece o debate público.
Vitória da Conquista tem problemas reais. Sua população tem o direito de cobrar serviços melhores, bairros mais bem cuidados, saúde eficiente, educação de qualidade e segurança permanente. Nenhum ranking substitui a experiência cotidiana do cidadão.
Mas também é preciso reconhecer quando a cidade se destaca diante de outras realidades baianas. Isso não é submissão política. É honestidade intelectual.
E aqui está o ponto mais provocador: quando os números favoráveis se acumulam, a oposição precisa apresentar mais do que indignação; precisa oferecer uma explicação convincente e um projeto melhor.
Se a administração apresenta indicadores positivos em segurança e qualidade de vida, o debate deve avançar para as causas, a sustentabilidade desses resultados e as medidas necessárias para mantê-los. A cidade não ganha nada com uma oposição que torce pelo fracasso, assim como não ganha com uma situação que se considera imune a críticas.
CONCLUSÃO: OS NÚMEROS NÃO VOTAM, MAS COBRAM EXPLICAÇÕES
A tragédia de Jequié nos lembra que a violência não é uma abstração estatística. É sofrimento humano, medo e vidas interrompidas. Não devemos explorar essa dor para atacar adversários, mas podemos usá-la como ponto de partida para refletir sobre as diferenças entre as políticas e os resultados das cidades baianas.
Vitória da Conquista tem indicadores que merecem ser examinados com seriedade. Os números de violência letal divulgados pela Prefeitura apontam uma redução importante, e o IPS de 2024 colocou o município na liderança estadual naquele levantamento de qualidade de vida.
Isso não prova que tudo esteja perfeito, nem encerra a discussão sobre a responsabilidade de cada governo. Mas torna inevitável uma pergunta para quem pretende disputar politicamente os rumos da cidade: o que está funcionando, o que precisa melhorar e qual alternativa concreta pode entregar resultados superiores?
Talvez seja difícil fazer oposição quando o adversário apresenta números positivos. Difícil, mas não impossível. Uma oposição preparada transforma bons resultados em referência, identifica os limites da gestão e propõe avanços.
O que não pode é exigir que a população ignore os dados apenas porque eles favorecem um governo de que não gosta.
No fim, a pergunta não é se devemos gostar de quem administra Vitória da Conquista. A pergunta é se temos coragem de reconhecer o que funciona, cobrar o que falha e exigir que a cidade avance ainda mais.
Porque, na política, a paixão pode mobilizar torcidas. Mas são os resultados — e a capacidade de explicá-los — que sustentam a credibilidade.
Nota editorial: os dados de segurança citados foram divulgados pela Prefeitura com referência ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. Para publicação, recomenda-se conferir as tabelas originais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do IPS Brasil, especialmente as definições de CVLI, mortes violentas intencionais e os períodos de referência.
VITÓRIA DA CONQUISTA É A MAIS SEGURA DA BAHIA, E OS NÚMEROS COLOCAM A POLÍTICA CONTRA A PAREDE!
Por Padre Carlos
Há momentos em que a realidade impõe uma pergunta incômoda até mesmo aos adversários mais convictos de uma administração: e se o governo que eu combato estiver apresentando resultados melhores do que eu gostaria de admitir?
É uma pergunta desconfortável, sobretudo na política, onde muitos preferem torcer pelo fracasso do adversário a reconhecer um resultado positivo. Mas os números têm uma característica que incomoda os discursos prontos: quando são consistentes, exigem explicações.
Foi pensando nisso que me deparei com a notícia brutal vinda de Jequié, no sudoeste baiano. Na madrugada de 17 de outubro, uma mulher foi retirada à força de dentro de casa por homens encapuzados e morta a tiros. Segundo a imprensa regional, o município havia registrado oito homicídios em apenas sete dias. Um cenário aterrorizante, que revela a dimensão do desafio da segurança pública na Bahia. A investigação sobre o assassinato continua sob responsabilidade da Polícia Civil. (bahianoticias.com.br)
Diante de uma tragédia como essa, não há espaço para comemoração política. Há uma vida perdida, uma família destruída e uma sociedade que precisa cobrar respostas. Mas existe, também, uma obrigação de olhar para os indicadores e perguntar por que cidades do mesmo estado apresentam realidades tão diferentes.
E é aí que Vitória da Conquista entra nessa história.
OS NÚMEROS QUE A POLÍTICA NÃO PODE IGNORAR
Enquanto a violência assusta municípios baianos, Vitória da Conquista aparece em posição de destaque nos indicadores de segurança pública.
De acordo com os dados divulgados pela Prefeitura com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, a cidade registrou, em 2025, uma taxa de 9,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, a menor entre os municípios baianos com mais de 100 mil habitantes. No mesmo levantamento, Eunápolis registrou 85,1. (Prefeitura de Vitória da Conquista)
A diferença é extraordinária: a taxa de Eunápolis foi aproximadamente 9,4 vezes a de Vitória da Conquista.
Não estamos falando de uma pequena variação estatística. Estamos falando de indicadores que revelam realidades muito diferentes para quem sai de casa para trabalhar, leva os filhos à escola, fecha o comércio à noite ou simplesmente deseja viver sem medo.
E há outro dado que merece atenção: segundo a mesma publicação municipal, Vitória da Conquista passou de 209 vítimas de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em 2016 para 34 em 2025. Na comparação entre 2024 e 2025, os registros caíram de 74 para 34. (Prefeitura de Vitória da Conquista)
GRÁFICO 1 — A QUEDA DA VIOLÊNCIA LETAL EM CONQUISTA
O gráfico abaixo apresenta os números de vítimas de CVLI informados pela Prefeitura. A comparação entre 2016 e 2025 aponta uma redução de aproximadamente 83,7%.
Vítimas de CVLI em Vitória da Conquista
2016209
202474
202534
Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. Os valores de 2016, 2024 e 2025 são os divulgados pela Prefeitura para vítimas de CVLI. (Fonte)
A queda de 209 para 34 vítimas não é um detalhe que possa ser varrido para debaixo do tapete. São 175 vítimas a menos na comparação entre os dois anos, uma redução de aproximadamente 83,7%.
É claro que uma comparação histórica não prova, por si só, que uma única gestão produziu toda essa mudança. Segurança pública depende da atuação conjunta das polícias, do sistema de Justiça, dos governos estadual e federal, da Prefeitura e da própria sociedade. Mas seria igualmente errado ignorar a contribuição que políticas municipais de prevenção, iluminação, ocupação dos espaços públicos e proteção comunitária podem oferecer.
A pergunta correta não é se a Prefeitura merece todos os créditos. A pergunta é: quais políticas estão funcionando, qual é a participação de cada instituição e como podemos fazer esses resultados avançarem?
UMA DIFERENÇA QUE GRITA: 9,1 CONTRA 85,1
GRÁFICO 2 — TAXA DE MORTES VIOLENTAS INTENCIONAIS EM 2025
Duas realidades da segurança na Bahia
Vitória da Conquista9,1
Eunápolis85,1
Taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
Fonte: Prefeitura de Vitória da Conquista, com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. As taxas referem-se a 2025. (Fonte)
O gráfico deixa evidente o tamanho do contraste. A taxa registrada em Eunápolis foi aproximadamente 9,4 vezes a de Vitória da Conquista. Isso não significa que Conquista esteja livre da criminalidade, nem que os municípios tenham as mesmas condições sociais e demográficas. Significa, porém, que a diferença merece investigação, atenção pública e reconhecimento.
E há um detalhe importante: Vitória da Conquista não está sendo comparada com uma cidade pequena e isolada, mas com municípios baianos de porte relevante.
NÃO É SÓ SEGURANÇA: CONQUISTA TAMBÉM SE DESTACA NA QUALIDADE DE VIDA
A segurança não é o único indicador favorável à cidade.
Em julho de 2024, o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil colocou Vitória da Conquista na primeira posição entre os 417 municípios baianos avaliados, com nota 64,03. O índice considera dimensões que vão além da economia, incluindo necessidades humanas básicas, bem-estar e oportunidades. (Prefeitura de Vitória da Conquista)
INDICADORES QUE MERECEM ATENÇÃO
Segurança pública
9,1
Mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025.
Redução de vítimas de CVLI
−83,7%
De 209 vítimas em 2016 para 34 em 2025, segundo os dados divulgados pela Prefeitura.
Índice de Progresso Social — IPS 2024
64,03
Maior pontuação entre os 417 municípios baianos avaliados naquele levantamento de qualidade de vida.
Fontes: Prefeitura de Vitória da Conquista e levantamentos citados no texto. Os indicadores pertencem a anos e metodologias diferentes; não devem ser interpretados como uma única medida de desempenho.
Esses números ajudam a compreender por que a cidade conquistou uma reputação positiva em segurança e qualidade de vida. Mas também impõem uma obrigação: preservar o que funciona, identificar o que ainda precisa melhorar e evitar que um bom resultado vire motivo para acomodação.
Afinal, um município pode apresentar bons indicadores de segurança e continuar enfrentando problemas de saúde, mobilidade, saneamento, desigualdade e atendimento público. Reconhecer os avanços não significa fechar os olhos para as deficiências.
Significa avaliar a administração com critérios, e não apenas com paixões partidárias.
AFINAL, É SORTE OU COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA?
Chegamos à pergunta que interessa ao debate político de Vitória da Conquista.
É tudo sorte? É apenas uma circunstância favorável? Ou existe uma combinação de políticas públicas, planejamento, prevenção e atuação institucional que ajuda a explicar os resultados?
A resposta responsável exige examinar as políticas adotadas, os investimentos realizados, as séries históricas e a participação de cada esfera de governo. Os dados disponíveis mostram uma evolução expressiva nos registros de violência letal, mas não autorizam atribuir toda a redução exclusivamente à Prefeitura.
Ainda assim, seria intelectualmente desonesto fingir que esses indicadores não existem.
A gestão municipal liderada por Sheila Lemos tem razões para apresentar os resultados favoráveis como parte de seu balanço administrativo. A oposição, por sua vez, tem todo o direito de questionar prioridades, cobrar transparência, apontar problemas e exigir resultados ainda melhores.
O que não faz sentido é transformar a disputa política numa competição para ver quem consegue negar com mais veemência os números que não lhe convêm.
Se os indicadores melhoraram, cabe investigar por quê. Se uma política pública contribuiu para a melhora, cabe reconhecer sua importância. Se outros fatores foram decisivos, cabe demonstrá-los. É assim que se faz oposição séria: com dados, argumentos e propostas capazes de superar aquilo que se critica.
A oposição não precisa elogiar a prefeita. Precisa, porém, explicar os fatos.
O PREÇO DE NÃO RECONHECER A REALIDADE
Existe uma armadilha na política: quando o adversário administra, alguns passam a tratar qualquer resultado positivo como propaganda e qualquer dificuldade como prova definitiva de incompetência.
Essa postura pode render aplausos entre os próprios apoiadores, mas empobrece o debate público.
Vitória da Conquista tem problemas reais. Sua população tem o direito de cobrar serviços melhores, bairros mais bem cuidados, saúde eficiente, educação de qualidade e segurança permanente. Nenhum ranking substitui a experiência cotidiana do cidadão.
Mas também é preciso reconhecer quando a cidade se destaca diante de outras realidades baianas. Isso não é submissão política. É honestidade intelectual.
E aqui está o ponto mais provocador: quando os números favoráveis se acumulam, a oposição precisa apresentar mais do que indignação; precisa oferecer uma explicação convincente e um projeto melhor.
Se a administração apresenta indicadores positivos em segurança e qualidade de vida, o debate deve avançar para as causas, a sustentabilidade desses resultados e as medidas necessárias para mantê-los. A cidade não ganha nada com uma oposição que torce pelo fracasso, assim como não ganha com uma situação que se considera imune a críticas.
CONCLUSÃO: OS NÚMEROS NÃO VOTAM, MAS COBRAM EXPLICAÇÕES
A tragédia de Jequié nos lembra que a violência não é uma abstração estatística. É sofrimento humano, medo e vidas interrompidas. Não devemos explorar essa dor para atacar adversários, mas podemos usá-la como ponto de partida para refletir sobre as diferenças entre as políticas e os resultados das cidades baianas.
Vitória da Conquista tem indicadores que merecem ser examinados com seriedade. Os números de violência letal divulgados pela Prefeitura apontam uma redução importante, e o IPS de 2024 colocou o município na liderança estadual naquele levantamento de qualidade de vida.
Isso não prova que tudo esteja perfeito, nem encerra a discussão sobre a responsabilidade de cada governo. Mas torna inevitável uma pergunta para quem pretende disputar politicamente os rumos da cidade: o que está funcionando, o que precisa melhorar e qual alternativa concreta pode entregar resultados superiores?
Talvez seja difícil fazer oposição quando o adversário apresenta números positivos. Difícil, mas não impossível. Uma oposição preparada transforma bons resultados em referência, identifica os limites da gestão e propõe avanços.
O que não pode é exigir que a população ignore os dados apenas porque eles favorecem um governo de que não gosta.
No fim, a pergunta não é se devemos gostar de quem administra Vitória da Conquista. A pergunta é se temos coragem de reconhecer o que funciona, cobrar o que falha e exigir que a cidade avance ainda mais.
Porque, na política, a paixão pode mobilizar torcidas. Mas são os resultados — e a capacidade de explicá-los — que sustentam a credibilidade.
Nota editorial: os dados de segurança citados foram divulgados pela Prefeitura com referência ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. Para publicação, recomenda-se conferir as tabelas originais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do IPS Brasil, especialmente as definições de CVLI, mortes violentas intencionais e os períodos de referência.
A VIRADA DE LULA! A RETA FINAL DA ELEIÇÃO PROMETE UM DESFECHO ELETRIZANTE
Por Padre Carlos · 19 de outubro de 2026
OO Brasil entrou na semana mais dramática da eleição presidencial de 2026. A disputa pelo Palácio do Planalto transformou-se em um confronto de nervos, estratégias e expectativas. De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República e líder histórico do Partido dos Trabalhadores. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro, representante do Partido Liberal e herdeiro político do bolsonarismo. A sete dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a pergunta que domina os bastidores de Brasília é inevitável: quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos?
A pesquisa Vox Brasil, divulgada neste domingo, 18 de outubro, apresenta um cenário que deveria impedir qualquer comemoração antecipada. Lula aparece com 51% dos votos válidos, contra 49% de Flávio Bolsonaro. A diferença é pequena, está dentro da margem de erro de 2,15 pontos percentuais e configura empate técnico. Em linguagem política, isso significa que a vantagem numérica do presidente não representa uma vitória assegurada. A eleição continua aberta.
GRÁFICO 1 · VOTOS VÁLIDOS
Lula 51% × Flávio Bolsonaro 49% na pesquisa Vox Brasil
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
51%
Flávio Bolsonaro (PL)
49%
Escala das barras: 0% a 60% dos votos válidos.
Diferença: 2 pontos percentuais — dentro da margem de erro de 2,15 p.p. (empate técnico).
Fonte: Pesquisa Vox Brasil, 15 a 17 de outubro de 2026 (registro TSE BR-04332/2026).
Dois pontos separam os candidatos no placar dos votos válidos. Dois projetos de poder disputam o futuro do país. E milhões de brasileiros ainda precisam transformar intenção em voto.
GRÁFICO 2 · MARGEM DE ERRO
Por que dois pontos de vantagem não decidem a eleição
Lula (51% ± 2,15)
48,85% – 53,15%
Flávio Bolsonaro (49% ± 2,15)
46,85% – 51,15%
Zona de sobreposição (onde os cenários se confundem)
48,85% – 51,15%
44%48%52%56%
Faixas ilustrativas: valor divulgado ± 2,15 ponto percentual. Quando as faixas se cruzam, a pesquisa não permite cravar quem está à frente.
Fonte: Pesquisa Vox Brasil (registro TSE BR-04332/2026). Faixas calculadas a partir da margem de erro divulgada.
O que os números dizem — e o que não dizem
O levantamento ouviu 2.100 pessoas em todo o território nacional, entre 15 e 17 de outubro, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04332/2026. São números que merecem atenção, mas também interpretação responsável: pesquisa eleitoral não é urna apurada, e empate técnico não significa igualdade matemática absoluta nem permite prever com segurança o resultado final.
FICHA TÉCNICA DA PESQUISA
INSTITUTO
Vox Brasil
ENTREVISTADOS
2.100 pessoas, em todo o território nacional
PERÍODO DE CAMPO
15 a 17 de outubro de 2026
DIVULGAÇÃO
Domingo, 18 de outubro de 2026
MARGEM DE ERRO
2,15 pontos percentuais
REGISTRO NO TSE
BR-04332/2026
SEGUNDO TURNO
25 de outubro de 2026
O sumiço dos indecisos
O dado mais impressionante, entretanto, não está apenas na pequena distância entre os candidatos. Está na velocidade com que a eleição se aproxima de seu desfecho. Os indecisos, que representavam 9,7% no levantamento anterior, caíram para 3,9%. Ao mesmo tempo, as respostas de eleitores que pretendem votar em branco, anular ou não escolher nenhum candidato subiram de 3,4% para 5%.
É uma mudança relevante. Parte do eleitorado está definindo sua posição, enquanto outra parcela parece demonstrar resistência às alternativas apresentadas. A questão é saber como esse movimento se distribuirá até o domingo eleitoral. Não há fundamento para presumir que todos os indecisos migrarão para um dos dois concorrentes, nem que os votos brancos e nulos terão determinado destino.
GRÁFICO 3 · O ELEITORADO SE DEFINE
Indecisos encolhem; resistência aos dois nomes cresce
Levantamento anterior Vox Brasil (15 a 17/10)
Indecisos
Levantamento anterior
9,7%
Vox Brasil (15 a 17/10)
3,9%
Brancos, nulos ou nenhum candidato
Levantamento anterior
3,4%
Vox Brasil (15 a 17/10)
5,0%
Escala das barras: 0% a 12% dos entrevistados.
Fonte: Pesquisa Vox Brasil (registro TSE BR-04332/2026), comparação com o levantamento anterior.
Uma batalha pela confiança
A reta final será uma batalha pela confiança. Cada debate, declaração, compromisso, crise ou erro de campanha poderá ganhar dimensão nacional. Mas a tentativa de transformar cada episódio em uma virada inevitável será tão equivocada quanto anunciar antecipadamente um vencedor.
Lula tem a vantagem numérica. Flávio Bolsonaro permanece competitivo. A diferença entre essas duas afirmações é justamente o espaço em que se desenrola a disputa eleitoral.
RESPONSABILIDADE REDOBRADA
Há, ainda, um aspecto que não pode ser ignorado: uma eleição tão apertada exige responsabilidade redobrada de candidatos, partidos, apoiadores e meios de comunicação.
A democracia não pode ser tratada como um espetáculo no qual só existe legitimidade quando o resultado favorece o nosso lado. O voto é soberano, e a apuração oficial é que determinará o vencedor.
O Brasil chega ao momento decisivo dividido não apenas entre dois nomes, mas entre diferentes interpretações sobre economia, políticas sociais, segurança pública, instituições e o papel do Estado. Essas diferenças precisam ser debatidas com firmeza, sem que a disputa política se transforme em hostilidade contra o cidadão que pensa de maneira diferente.
Sete dias para o desfecho
Na última semana, a pergunta não será apenas quem está à frente nas pesquisas. Será quem conseguirá convencer o eleitor de que possui melhores condições de governar o país. A resposta dependerá da campanha, das escolhas dos brasileiros e de fatores que nenhuma pesquisa consegue antecipar integralmente.
GRÁFICO 4 · A CONTAGEM REGRESSIVA
A semana decisiva, dia a dia
DOM
18
Pesquisa
SEG
19
Hoje
TER
20
QUA
21
QUI
22
SEX
23
SÁB
24
DOM
25
2º turno
Sete dias separam a divulgação da pesquisa do segundo turno, em 25 de outubro.
Fonte: calendário eleitoral do segundo turno de 2026.
O resultado permanece imprevisível. É isso que torna esta eleição tão tensa — e tão importante.
No próximo domingo, o Brasil não decidirá apenas entre Lula e Flávio Bolsonaro. Decidirá, pelo voto, qual projeto político receberá a responsabilidade de conduzir a República. Até lá, toda certeza sobre o resultado será prematura.
A corrida pelo Planalto está aberta. A pesquisa acende o alerta, mas somente as urnas darão a palavra final.
A VIRADA DE LULA! A RETA FINAL DA ELEIÇÃO PROMETE UM DESFECHO ELETRIZANTE
Por Padre Carlos · 19 de outubro de 2026
OO Brasil entrou na semana mais dramática da eleição presidencial de 2026. A disputa pelo Palácio do Planalto transformou-se em um confronto de nervos, estratégias e expectativas. De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República e líder histórico do Partido dos Trabalhadores. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro, representante do Partido Liberal e herdeiro político do bolsonarismo. A sete dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a pergunta que domina os bastidores de Brasília é inevitável: quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos?
A pesquisa Vox Brasil, divulgada neste domingo, 18 de outubro, apresenta um cenário que deveria impedir qualquer comemoração antecipada. Lula aparece com 51% dos votos válidos, contra 49% de Flávio Bolsonaro. A diferença é pequena, está dentro da margem de erro de 2,15 pontos percentuais e configura empate técnico. Em linguagem política, isso significa que a vantagem numérica do presidente não representa uma vitória assegurada. A eleição continua aberta.
GRÁFICO 1 · VOTOS VÁLIDOS
Lula 51% × Flávio Bolsonaro 49% na pesquisa Vox Brasil
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
51%
Flávio Bolsonaro (PL)
49%
Escala das barras: 0% a 60% dos votos válidos.
Diferença: 2 pontos percentuais — dentro da margem de erro de 2,15 p.p. (empate técnico).
Fonte: Pesquisa Vox Brasil, 15 a 17 de outubro de 2026 (registro TSE BR-04332/2026).
Dois pontos separam os candidatos no placar dos votos válidos. Dois projetos de poder disputam o futuro do país. E milhões de brasileiros ainda precisam transformar intenção em voto.
GRÁFICO 2 · MARGEM DE ERRO
Por que dois pontos de vantagem não decidem a eleição
Lula (51% ± 2,15)
48,85% – 53,15%
Flávio Bolsonaro (49% ± 2,15)
46,85% – 51,15%
Zona de sobreposição (onde os cenários se confundem)
48,85% – 51,15%
44%48%52%56%
Faixas ilustrativas: valor divulgado ± 2,15 ponto percentual. Quando as faixas se cruzam, a pesquisa não permite cravar quem está à frente.
Fonte: Pesquisa Vox Brasil (registro TSE BR-04332/2026). Faixas calculadas a partir da margem de erro divulgada.
O que os números dizem — e o que não dizem
O levantamento ouviu 2.100 pessoas em todo o território nacional, entre 15 e 17 de outubro, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04332/2026. São números que merecem atenção, mas também interpretação responsável: pesquisa eleitoral não é urna apurada, e empate técnico não significa igualdade matemática absoluta nem permite prever com segurança o resultado final.
FICHA TÉCNICA DA PESQUISA
INSTITUTO
Vox Brasil
ENTREVISTADOS
2.100 pessoas, em todo o território nacional
PERÍODO DE CAMPO
15 a 17 de outubro de 2026
DIVULGAÇÃO
Domingo, 18 de outubro de 2026
MARGEM DE ERRO
2,15 pontos percentuais
REGISTRO NO TSE
BR-04332/2026
SEGUNDO TURNO
25 de outubro de 2026
O sumiço dos indecisos
O dado mais impressionante, entretanto, não está apenas na pequena distância entre os candidatos. Está na velocidade com que a eleição se aproxima de seu desfecho. Os indecisos, que representavam 9,7% no levantamento anterior, caíram para 3,9%. Ao mesmo tempo, as respostas de eleitores que pretendem votar em branco, anular ou não escolher nenhum candidato subiram de 3,4% para 5%.
É uma mudança relevante. Parte do eleitorado está definindo sua posição, enquanto outra parcela parece demonstrar resistência às alternativas apresentadas. A questão é saber como esse movimento se distribuirá até o domingo eleitoral. Não há fundamento para presumir que todos os indecisos migrarão para um dos dois concorrentes, nem que os votos brancos e nulos terão determinado destino.
GRÁFICO 3 · O ELEITORADO SE DEFINE
Indecisos encolhem; resistência aos dois nomes cresce
Levantamento anterior Vox Brasil (15 a 17/10)
Indecisos
Levantamento anterior
9,7%
Vox Brasil (15 a 17/10)
3,9%
Brancos, nulos ou nenhum candidato
Levantamento anterior
3,4%
Vox Brasil (15 a 17/10)
5,0%
Escala das barras: 0% a 12% dos entrevistados.
Fonte: Pesquisa Vox Brasil (registro TSE BR-04332/2026), comparação com o levantamento anterior.
Uma batalha pela confiança
A reta final será uma batalha pela confiança. Cada debate, declaração, compromisso, crise ou erro de campanha poderá ganhar dimensão nacional. Mas a tentativa de transformar cada episódio em uma virada inevitável será tão equivocada quanto anunciar antecipadamente um vencedor.
Lula tem a vantagem numérica. Flávio Bolsonaro permanece competitivo. A diferença entre essas duas afirmações é justamente o espaço em que se desenrola a disputa eleitoral.
RESPONSABILIDADE REDOBRADA
Há, ainda, um aspecto que não pode ser ignorado: uma eleição tão apertada exige responsabilidade redobrada de candidatos, partidos, apoiadores e meios de comunicação.
A democracia não pode ser tratada como um espetáculo no qual só existe legitimidade quando o resultado favorece o nosso lado. O voto é soberano, e a apuração oficial é que determinará o vencedor.
O Brasil chega ao momento decisivo dividido não apenas entre dois nomes, mas entre diferentes interpretações sobre economia, políticas sociais, segurança pública, instituições e o papel do Estado. Essas diferenças precisam ser debatidas com firmeza, sem que a disputa política se transforme em hostilidade contra o cidadão que pensa de maneira diferente.
Sete dias para o desfecho
Na última semana, a pergunta não será apenas quem está à frente nas pesquisas. Será quem conseguirá convencer o eleitor de que possui melhores condições de governar o país. A resposta dependerá da campanha, das escolhas dos brasileiros e de fatores que nenhuma pesquisa consegue antecipar integralmente.
GRÁFICO 4 · A CONTAGEM REGRESSIVA
A semana decisiva, dia a dia
DOM
18
Pesquisa
SEG
19
Hoje
TER
20
QUA
21
QUI
22
SEX
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SÁB
24
DOM
25
2º turno
Sete dias separam a divulgação da pesquisa do segundo turno, em 25 de outubro.
Fonte: calendário eleitoral do segundo turno de 2026.
O resultado permanece imprevisível. É isso que torna esta eleição tão tensa — e tão importante.
No próximo domingo, o Brasil não decidirá apenas entre Lula e Flávio Bolsonaro. Decidirá, pelo voto, qual projeto político receberá a responsabilidade de conduzir a República. Até lá, toda certeza sobre o resultado será prematura.
A corrida pelo Planalto está aberta. A pesquisa acende o alerta, mas somente as urnas darão a palavra final.
Atualizado em 18 de outubro de 2026, com as pesquisas divulgadas até este domingo.
Uma eleição presidencial não se compreende apenas pela fotografia de uma pesquisa. É preciso observar o filme inteiro: a evolução das intenções de voto, a distância entre os candidatos, a movimentação dos eleitores, a capacidade de mobilização das campanhas e a maneira como os diferentes institutos captam as mudanças de comportamento do eleitorado. É nessa perspectiva que analisamos a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2026, marcado para 25 de outubro.
“É preciso observar o filme inteiro” — e não apenas a fotografia de uma pesquisa. Wilton Cunha
1. O primeiro turno: o ponto de partida
O primeiro dado que merece atenção é a diferença entre os candidatos no primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A vantagem foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos. Era uma distância relevante, mas que manteve a disputa aberta. Esse resultado oficial funciona como a primeira marca no tempo, o ponto a partir do qual qualquer movimento posterior pode ser medido.
Gráfico 1
Votos válidos no 1º turno (%)
Flávio Bolsonaro
47,03%
Lula
45,16%
Escala de 0 a 60%, com base zero. Resultado oficial do 1º turno.
1,87 p.p. Diferença entre os candidatos (47,03 − 45,16)
~2,23 mi Vantagem em votos de Flávio
25/10 Data do 2º turno
2. As pesquisas mais recentes: a disputa em 50 a 50
Os levantamentos divulgados até este domingo, 18 de outubro, mostram uma disputa em torno do equilíbrio. O PoderData/Aya, com coleta de 13 a 15 de outubro, apontou empate numérico, com 50% dos votos válidos para cada candidato. O Datafolha, que ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios nos dias 13 e 14, registrou 51% para Flávio e 49% para Lula. A Quaest encontrou os mesmos 51% a 49% nos votos válidos (46% a 44% nos votos totais). A Futura trouxe 50,8% a 49,2% para Flávio. E a Vox Brasil, divulgada hoje, é o levantamento em que Lula aparece numericamente à frente, com 51% a 49% e margem de erro de 2,15 pontos.
Há também pesquisas com diferenças maiores a favor de Flávio, como Nexus/BTG (52% a 48%), Ipespe/Abrapel (52,7% a 47,3%), AtlasIntel (52,8% a 47,2%), DataTrends (53,1% a 46,9%) e Gerp (55% a 45%). Esse conjunto mostra que o equilíbrio é nítido nos institutos mais próximos de 50%, enquanto outros, com metodologias distintas, medem uma distância maior. Segundo a compilação do Poder360, Flávio aparece numericamente à frente em 11 dos 13 estudos mais recentes, com Lula à frente em um e o PoderData em empate. (Fontes ao final do artigo.)
Gráfico 2
Votos válidos no 2º turno, por instituto (%)
Vox Brasil (18/10)
Flávio 49%
Lula 51%
PoderData/Aya (13 a 15/10)
Flávio 50%
Lula 50%
Futura (16/10)
Flávio 50,8%
Lula 49,2%
Datafolha (campo 13 e 14/10)
Flávio 51%
Lula 49%
Quaest (14/10)
Flávio 51%
Lula 49%
Nexus/BTG (13/10)
Flávio 52%
Lula 48%
Ipespe/Abrapel
Flávio 52,7%
Lula 47,3%
AtlasIntel
Flávio 52,8%
Lula 47,2%
DataTrends
Flávio 53,1%
Lula 46,9%
Gerp (13/10)
Flávio 55%
Lula 45%
Barras de 100% (votos válidos), ordenadas do maior para o menor percentual de Lula. Datas de divulgação ou de campo variam por instituto e as metodologias são distintas.
Gráfico 3
Diferença entre os candidatos nos votos válidos (pontos percentuais)
Escala de 0 a 10 p.p. para cada lado. O 1º turno (1,87 p.p. a favor de Flávio) serve de referência.
← Flávio à frente
Lula à frente →
1º turno (oficial)
1,87
Vox Brasil
2,0
PoderData/Aya
empate
0
Futura
1,6
Datafolha e Quaest
2,0
Nexus/BTG
4,0
Ipespe/Abrapel
5,4
AtlasIntel
5,6
DataTrends
6,2
Gerp
10,0
Diferenças calculadas a partir dos percentuais de votos válidos divulgados. O 1º turno é resultado oficial; as demais barras são pesquisas, com margem de erro.
5 de 10 Pesquisas do gráfico 2 com Flávio entre 49% e 51%
11 de 13 Estudos com Flávio numericamente à frente (Poder360)
~1,2 mi Votos por ponto de diferença (estimativa a partir do 1º turno)
3. A tendência: o que a sequência de números mostra
Em uma disputa equilibrada, saber quem aparece numericamente à frente é só uma parte da leitura; a outra é saber se a diferença está aumentando, diminuindo ou permanecendo estável. Uma tendência nasce quando levantamentos sucessivos apontam na mesma direção, e é ela que transforma um dado isolado em informação. Uma pesquisa registra um ponto no tempo, e uma série de pesquisas desenha a trajetória. O mesmo número de dois pontos percentuais pode, portanto, ter significados diferentes: depois de uma sequência de quedas, reforça um movimento; cercado de leituras estáveis, tende a ser oscilação estatística.
O que a série disponível mostra até aqui é uma aproximação em relação ao primeiro turno, quando a diferença oficial foi de 1,87 ponto. Em vários institutos (PoderData, Datafolha, Quaest, Futura e Vox Brasil), a distância hoje fica entre zero e dois pontos, e a Vox Brasil, que no levantamento anterior já registrava Lula numericamente à frente com cerca de 50,9%, chegou a 51% neste domingo. A Quaest, por sua vez, manteve a diferença de dois pontos entre sua rodada de 3 de outubro (44% a 42%) e a de 14 de outubro (46% a 44%, votos totais): ambos os candidatos subiram o mesmo tanto. Já AtlasIntel, Ipespe, DataTrends, Nexus e Gerp ainda registram vantagens maiores de Flávio, o que mostra que a convergência entre institutos, um dos critérios que fortalecem uma tendência, ainda não está completa.
Cada instituto deve ser lido contra o seu próprio histórico, com a mesma metodologia, a mesma amostragem e períodos de coleta comparáveis. Futura e Vox Brasil já entram nesta análise com números recentes, e GPP e Veritá seguem merecendo acompanhamento individual. Quando uma mudança aparece em levantamentos sucessivos, de institutos distintos e com direção coerente, ganha sustentação como tendência; quando aparece em um só, funciona como um sinal à espera de confirmação.
Gráfico 4
Como um movimento se confirma como tendência
1. Sequência
Vários levantamentos consecutivos, e não uma leitura única.
2. Mesma metodologia
Comparação de cada instituto com o seu próprio histórico.
3. Margem de erro
A variação precisa superar a oscilação estatística esperada.
4. Convergência
Institutos distintos apontando na mesma direção.
4. Margem de erro e intervalo entre as entrevistas
As diferenças de zero a dois pontos entre PoderData, Datafolha, Quaest, Futura e Vox Brasil estão dentro das margens de erro, que ficam em torno de dois pontos. Uma mudança de dois pontos percentuais chama a atenção, mas é interpretada à luz dessa margem e do intervalo entre as entrevistas: quando duas pesquisas apresentam diferenças pequenas, a comparação entre elas ainda não indica, por si só, uma migração real de votos. O que passa a indicar é a sequência. Como cada ponto de diferença equivale a cerca de 1,2 milhão de votos, uma oscilação de dois pontos representa algo próximo de 2,4 milhões, o que explica por que cada nova rodada é acompanhada com tanta atenção.
5. Outros indicadores no radar
O mercado de apostas também entra no debate como um indicador complementar. As cotações variam conforme o volume de apostas, a liquidez, as margens da plataforma e as informações disponíveis em cada momento, e medem algo distinto da intenção de voto e da probabilidade eleitoral. Por isso, são mais bem aproveitadas quando acompanhadas em sequência, ao lado das pesquisas. Outros dados das próprias pesquisas ajudam a completar o quadro: no Datafolha, 93% dos eleitores dizem estar totalmente decididos (94% entre os de Lula e 95% entre os de Flávio), e na Vox Brasil 93,5% afirmam ter decisão definitiva. A rejeição também está equilibrada: 45,3% para cada candidato na Vox Brasil, e 54% para Flávio contra 53% para Lula na Quaest.
6. Duas campanhas, dois desafios
A campanha de Lula tem buscado mobilizar seu eleitorado em torno de políticas sociais, direitos dos trabalhadores e medidas econômicas de interesse popular, e a discussão sobre a escala de trabalho 6×1 ganhou espaço entre os temas. Flávio Bolsonaro mantém o discurso de mudança política e explora as críticas à gestão federal. São estratégias diferentes, dirigidas a segmentos que nem sempre respondem da mesma maneira aos acontecimentos da campanha. Com eleitores majoritariamente decididos, o espaço para mudança está nos poucos indecisos, na participação nas urnas e na transferência de votos de quem não escolheu nenhum dos dois no primeiro turno.
Gráfico 5
Estratégias e desafios na reta final
Lula
Flávio Bolsonaro
Discurso
Políticas sociais, direitos dos trabalhadores, medidas econômicas de interesse popular; debate sobre a escala 6×1.
Discurso de mudança política e críticas à gestão federal.
Desafio
Ampliar o eleitorado para além da base tradicional, reduzir resistências e converter mobilização em votos.
Preservar a vantagem do primeiro turno e impedir que a aproximação se torne uma tendência mais ampla.
7. A reta final e a conclusão
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro permanece aberta nos levantamentos divulgados até 18 de outubro, e vários institutos já a mostram em 50 a 50, dentro da margem de erro. A diferença estreita encontrada por esses institutos mostra um segundo turno disputado em condições de grande competitividade, ainda que parte das pesquisas registre vantagem maior de Flávio. O comportamento dos indecisos, a participação nas urnas, a transferência de votos e os acontecimentos dos últimos dias serão elementos importantes para compreender o crescimento da candidatura de Lula. Se permanecer esta tendência de crescimento Lula podse chegar entre 3 a 5 milhões de votos de frente.
Minha conclusão é que a trajetória é o dado mais importante dos próximos sete dias. Se a aproximação registrada por vários institutos se confirmar em levantamentos sucessivos e a convergência entre eles aumentar, o quadro de equilíbrio se consolida; se as pesquisas que hoje mostram vantagens maiores de Flávio se mantiverem estáveis, esse é o sinal a ser observado. Em ambos os casos, é a sequência dos números, e não um número isolado, que permite distinguir fatos, hipóteses e expectativas.
Um número mostra o momento; uma sequência de números mostra o caminho.
Eleições 2026Segundo turnoPesquisas eleitoraisTendênciasLulaFlávio BolsonaroAnálise política
Wilton Cunha,Osvaldo Baretto e Padre Carlos
Artigo publicado em Política e Resenha
Fontes das pesquisas
Poder360, “Saiba como estão Lula e Flávio nas pesquisas a 8 dias do 2º turno”; CartaCapital e Tribuna de Jundiaí (Vox Brasil, 18/10); CNN Brasil (Gerp, 13/10); O Folha de Minas (Datafolha e Quaest); Quenty (Quaest e Nexus/BTG). Percentuais de votos válidos conforme divulgados por cada instituto.
Atualizado em 18 de outubro de 2026, com as pesquisas divulgadas até este domingo.
Uma eleição presidencial não se compreende apenas pela fotografia de uma pesquisa. É preciso observar o filme inteiro: a evolução das intenções de voto, a distância entre os candidatos, a movimentação dos eleitores, a capacidade de mobilização das campanhas e a maneira como os diferentes institutos captam as mudanças de comportamento do eleitorado. É nessa perspectiva que analisamos a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2026, marcado para 25 de outubro.
“É preciso observar o filme inteiro” — e não apenas a fotografia de uma pesquisa. Wilton Cunha
1. O primeiro turno: o ponto de partida
O primeiro dado que merece atenção é a diferença entre os candidatos no primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A vantagem foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos. Era uma distância relevante, mas que manteve a disputa aberta. Esse resultado oficial funciona como a primeira marca no tempo, o ponto a partir do qual qualquer movimento posterior pode ser medido.
Gráfico 1
Votos válidos no 1º turno (%)
Flávio Bolsonaro
47,03%
Lula
45,16%
Escala de 0 a 60%, com base zero. Resultado oficial do 1º turno.
1,87 p.p. Diferença entre os candidatos (47,03 − 45,16)
~2,23 mi Vantagem em votos de Flávio
25/10 Data do 2º turno
2. As pesquisas mais recentes: a disputa em 50 a 50
Os levantamentos divulgados até este domingo, 18 de outubro, mostram uma disputa em torno do equilíbrio. O PoderData/Aya, com coleta de 13 a 15 de outubro, apontou empate numérico, com 50% dos votos válidos para cada candidato. O Datafolha, que ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios nos dias 13 e 14, registrou 51% para Flávio e 49% para Lula. A Quaest encontrou os mesmos 51% a 49% nos votos válidos (46% a 44% nos votos totais). A Futura trouxe 50,8% a 49,2% para Flávio. E a Vox Brasil, divulgada hoje, é o levantamento em que Lula aparece numericamente à frente, com 51% a 49% e margem de erro de 2,15 pontos.
Há também pesquisas com diferenças maiores a favor de Flávio, como Nexus/BTG (52% a 48%), Ipespe/Abrapel (52,7% a 47,3%), AtlasIntel (52,8% a 47,2%), DataTrends (53,1% a 46,9%) e Gerp (55% a 45%). Esse conjunto mostra que o equilíbrio é nítido nos institutos mais próximos de 50%, enquanto outros, com metodologias distintas, medem uma distância maior. Segundo a compilação do Poder360, Flávio aparece numericamente à frente em 11 dos 13 estudos mais recentes, com Lula à frente em um e o PoderData em empate. (Fontes ao final do artigo.)
Gráfico 2
Votos válidos no 2º turno, por instituto (%)
Vox Brasil (18/10)
Flávio 49%
Lula 51%
PoderData/Aya (13 a 15/10)
Flávio 50%
Lula 50%
Futura (16/10)
Flávio 50,8%
Lula 49,2%
Datafolha (campo 13 e 14/10)
Flávio 51%
Lula 49%
Quaest (14/10)
Flávio 51%
Lula 49%
Nexus/BTG (13/10)
Flávio 52%
Lula 48%
Ipespe/Abrapel
Flávio 52,7%
Lula 47,3%
AtlasIntel
Flávio 52,8%
Lula 47,2%
DataTrends
Flávio 53,1%
Lula 46,9%
Gerp (13/10)
Flávio 55%
Lula 45%
Barras de 100% (votos válidos), ordenadas do maior para o menor percentual de Lula. Datas de divulgação ou de campo variam por instituto e as metodologias são distintas.
Gráfico 3
Diferença entre os candidatos nos votos válidos (pontos percentuais)
Escala de 0 a 10 p.p. para cada lado. O 1º turno (1,87 p.p. a favor de Flávio) serve de referência.
← Flávio à frente
Lula à frente →
1º turno (oficial)
1,87
Vox Brasil
2,0
PoderData/Aya
empate
0
Futura
1,6
Datafolha e Quaest
2,0
Nexus/BTG
4,0
Ipespe/Abrapel
5,4
AtlasIntel
5,6
DataTrends
6,2
Gerp
10,0
Diferenças calculadas a partir dos percentuais de votos válidos divulgados. O 1º turno é resultado oficial; as demais barras são pesquisas, com margem de erro.
5 de 10 Pesquisas do gráfico 2 com Flávio entre 49% e 51%
11 de 13 Estudos com Flávio numericamente à frente (Poder360)
~1,2 mi Votos por ponto de diferença (estimativa a partir do 1º turno)
3. A tendência: o que a sequência de números mostra
Em uma disputa equilibrada, saber quem aparece numericamente à frente é só uma parte da leitura; a outra é saber se a diferença está aumentando, diminuindo ou permanecendo estável. Uma tendência nasce quando levantamentos sucessivos apontam na mesma direção, e é ela que transforma um dado isolado em informação. Uma pesquisa registra um ponto no tempo, e uma série de pesquisas desenha a trajetória. O mesmo número de dois pontos percentuais pode, portanto, ter significados diferentes: depois de uma sequência de quedas, reforça um movimento; cercado de leituras estáveis, tende a ser oscilação estatística.
O que a série disponível mostra até aqui é uma aproximação em relação ao primeiro turno, quando a diferença oficial foi de 1,87 ponto. Em vários institutos (PoderData, Datafolha, Quaest, Futura e Vox Brasil), a distância hoje fica entre zero e dois pontos, e a Vox Brasil, que no levantamento anterior já registrava Lula numericamente à frente com cerca de 50,9%, chegou a 51% neste domingo. A Quaest, por sua vez, manteve a diferença de dois pontos entre sua rodada de 3 de outubro (44% a 42%) e a de 14 de outubro (46% a 44%, votos totais): ambos os candidatos subiram o mesmo tanto. Já AtlasIntel, Ipespe, DataTrends, Nexus e Gerp ainda registram vantagens maiores de Flávio, o que mostra que a convergência entre institutos, um dos critérios que fortalecem uma tendência, ainda não está completa.
Cada instituto deve ser lido contra o seu próprio histórico, com a mesma metodologia, a mesma amostragem e períodos de coleta comparáveis. Futura e Vox Brasil já entram nesta análise com números recentes, e GPP e Veritá seguem merecendo acompanhamento individual. Quando uma mudança aparece em levantamentos sucessivos, de institutos distintos e com direção coerente, ganha sustentação como tendência; quando aparece em um só, funciona como um sinal à espera de confirmação.
Gráfico 4
Como um movimento se confirma como tendência
1. Sequência
Vários levantamentos consecutivos, e não uma leitura única.
2. Mesma metodologia
Comparação de cada instituto com o seu próprio histórico.
3. Margem de erro
A variação precisa superar a oscilação estatística esperada.
4. Convergência
Institutos distintos apontando na mesma direção.
4. Margem de erro e intervalo entre as entrevistas
As diferenças de zero a dois pontos entre PoderData, Datafolha, Quaest, Futura e Vox Brasil estão dentro das margens de erro, que ficam em torno de dois pontos. Uma mudança de dois pontos percentuais chama a atenção, mas é interpretada à luz dessa margem e do intervalo entre as entrevistas: quando duas pesquisas apresentam diferenças pequenas, a comparação entre elas ainda não indica, por si só, uma migração real de votos. O que passa a indicar é a sequência. Como cada ponto de diferença equivale a cerca de 1,2 milhão de votos, uma oscilação de dois pontos representa algo próximo de 2,4 milhões, o que explica por que cada nova rodada é acompanhada com tanta atenção.
5. Outros indicadores no radar
O mercado de apostas também entra no debate como um indicador complementar. As cotações variam conforme o volume de apostas, a liquidez, as margens da plataforma e as informações disponíveis em cada momento, e medem algo distinto da intenção de voto e da probabilidade eleitoral. Por isso, são mais bem aproveitadas quando acompanhadas em sequência, ao lado das pesquisas. Outros dados das próprias pesquisas ajudam a completar o quadro: no Datafolha, 93% dos eleitores dizem estar totalmente decididos (94% entre os de Lula e 95% entre os de Flávio), e na Vox Brasil 93,5% afirmam ter decisão definitiva. A rejeição também está equilibrada: 45,3% para cada candidato na Vox Brasil, e 54% para Flávio contra 53% para Lula na Quaest.
6. Duas campanhas, dois desafios
A campanha de Lula tem buscado mobilizar seu eleitorado em torno de políticas sociais, direitos dos trabalhadores e medidas econômicas de interesse popular, e a discussão sobre a escala de trabalho 6×1 ganhou espaço entre os temas. Flávio Bolsonaro mantém o discurso de mudança política e explora as críticas à gestão federal. São estratégias diferentes, dirigidas a segmentos que nem sempre respondem da mesma maneira aos acontecimentos da campanha. Com eleitores majoritariamente decididos, o espaço para mudança está nos poucos indecisos, na participação nas urnas e na transferência de votos de quem não escolheu nenhum dos dois no primeiro turno.
Gráfico 5
Estratégias e desafios na reta final
Lula
Flávio Bolsonaro
Discurso
Políticas sociais, direitos dos trabalhadores, medidas econômicas de interesse popular; debate sobre a escala 6×1.
Discurso de mudança política e críticas à gestão federal.
Desafio
Ampliar o eleitorado para além da base tradicional, reduzir resistências e converter mobilização em votos.
Preservar a vantagem do primeiro turno e impedir que a aproximação se torne uma tendência mais ampla.
7. A reta final e a conclusão
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro permanece aberta nos levantamentos divulgados até 18 de outubro, e vários institutos já a mostram em 50 a 50, dentro da margem de erro. A diferença estreita encontrada por esses institutos mostra um segundo turno disputado em condições de grande competitividade, ainda que parte das pesquisas registre vantagem maior de Flávio. O comportamento dos indecisos, a participação nas urnas, a transferência de votos e os acontecimentos dos últimos dias serão elementos importantes para compreender o crescimento da candidatura de Lula. Se permanecer esta tendência de crescimento Lula podse chegar entre 3 a 5 milhões de votos de frente.
Minha conclusão é que a trajetória é o dado mais importante dos próximos sete dias. Se a aproximação registrada por vários institutos se confirmar em levantamentos sucessivos e a convergência entre eles aumentar, o quadro de equilíbrio se consolida; se as pesquisas que hoje mostram vantagens maiores de Flávio se mantiverem estáveis, esse é o sinal a ser observado. Em ambos os casos, é a sequência dos números, e não um número isolado, que permite distinguir fatos, hipóteses e expectativas.
Um número mostra o momento; uma sequência de números mostra o caminho.
Eleições 2026Segundo turnoPesquisas eleitoraisTendênciasLulaFlávio BolsonaroAnálise política
Wilton Cunha,Osvaldo Baretto e Padre Carlos
Artigo publicado em Política e Resenha
Fontes das pesquisas
Poder360, “Saiba como estão Lula e Flávio nas pesquisas a 8 dias do 2º turno”; CartaCapital e Tribuna de Jundiaí (Vox Brasil, 18/10); CNN Brasil (Gerp, 13/10); O Folha de Minas (Datafolha e Quaest); Quenty (Quaest e Nexus/BTG). Percentuais de votos válidos conforme divulgados por cada instituto.
Uma eleição presidencial não se compreende apenas pela fotografia de uma pesquisa. É preciso observar o filme inteiro: a evolução das intenções de voto, a distância entre os candidatos, a movimentação dos eleitores, a capacidade de mobilização das campanhas e, sobretudo, a maneira como os diferentes institutos captam as mudanças de comportamento do eleitorado. É nessa perspectiva que precisamos analisar a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2026.
“É preciso observar o filme inteiro” — e não apenas a fotografia de uma pesquisa. Wilton Cunha
1. O primeiro turno: o ponto de partida
O primeiro dado que merece atenção é a diferença entre os candidatos no primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da eleição com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A vantagem foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos. Era uma distância politicamente relevante, mas não suficiente para eliminar a disputa. O segundo turno abriu uma nova etapa, com mudanças nas estratégias eleitorais e a necessidade de conquistar os eleitores que ainda não haviam definido sua posição.
Gráfico 1
Votos válidos no 1º turno (%)
Flávio Bolsonaro
47,03%
Lula
45,16%
Escala de 0 a 60%, com base zero. Dados citados no artigo.
1,87 p.p. Diferença entre os candidatos (47,03 − 45,16)
~2,23 mi Vantagem em votos de Flávio
2º turno Nova etapa, novas estratégias
2. As pesquisas de meados de outubro
Os levantamentos divulgados em meados de outubro mostram uma disputa bastante apertada. O PoderData apontou empate nos votos válidos, com 50% para cada candidato. O Datafolha registrou 51% para Flávio e 49% para Lula, enquanto a Quaest encontrou 51% a 49% nos votos válidos, também dentro da margem de erro. Esses números não demonstram uma ultrapassagem consolidada, mas revelam que a diferença medida pelas pesquisas está dentro de uma faixa estreita. (Fontes: UOL e Folha de S.Paulo, levantamentos de outubro de 2026.)
Gráfico 2
Votos válidos no 2º turno, por instituto (%)
PoderData
Flávio 50%
Lula 50%
Datafolha
Flávio 51%
Lula 49%
Quaest
Flávio 51%
Lula 49%
Barras de 100% (votos válidos). Fontes citadas no artigo: UOL e Folha de S.Paulo, outubro de 2026.
Gráfico 3
Vantagem de Flávio sobre Lula nos votos válidos (pontos percentuais)
PoderData
0 p.p. — empate
Datafolha
+2 p.p.
Quaest
+2 p.p.
Escala de 0 a 4 p.p. Diferença calculada a partir dos números citados no artigo; todas dentro da faixa estreita descrita pelo autor.
3. Não basta a fotografia: é preciso ver o filme
É justamente aqui que entra uma questão importante: a evolução dos números ao longo do tempo. Em uma disputa tão equilibrada, não basta olhar para quem aparece numericamente à frente. Precisamos verificar se a diferença está aumentando, diminuindo ou permanecendo estável. Uma sequência consistente de levantamentos pode revelar movimentos que uma pesquisa isolada não consegue mostrar.
Na análise que venho acompanhando, chama a atenção a redução da distância observada em determinados institutos, especialmente quando comparamos seus levantamentos anteriores com os números mais recentes. O Futura, o Vox Brasil, o GPP e o Veritá merecem acompanhamento individual, desde que respeitemos as diferenças de metodologia, amostragem e período de coleta.
Há, entretanto, uma distinção fundamental: não podemos concluir que um instituto favorece deliberadamente determinado candidato apenas pela leitura de seus resultados. O caminho mais rigoroso é examinar o histórico de cada pesquisa, comparar os números dentro de uma mesma metodologia e verificar se as mudanças se repetem em levantamentos sucessivos.
4. O mercado de apostas não é pesquisa
O mercado de apostas também entrou nessa discussão. Quando as cotações de um candidato diminuem, isso geralmente significa que os apostadores ou o mercado atribuem maior valor à possibilidade de seu sucesso. Mas há uma diferença importante entre cotação de apostas, intenção de voto e probabilidade eleitoral. As cotações variam conforme o volume de apostas, a liquidez, as margens da plataforma e as informações disponíveis naquele momento. Portanto, não podem ser tratadas como uma pesquisa eleitoral nem como confirmação antecipada de resultado.
Gráfico 4 · Três coisas que não se confundem
Cotação de apostas
Varia conforme volume de apostas, liquidez, margens da plataforma e informações do momento.
Intenção de voto
Medida pelas pesquisas, com metodologia, amostra, período de coleta e margem de erro.
Probabilidade eleitoral
Estimativa de desfecho; não é confirmação antecipada de resultado.
5. O ambiente da comunicação política
Outro elemento que merece atenção é o ambiente da comunicação política. Quando comentaristas de diferentes correntes ideológicas passam a reconhecer uma mudança na dinâmica da disputa, esse movimento pode indicar que o debate público está se reorganizando. Ainda assim, opiniões de jornalistas, analistas e influenciadores precisam ser confrontadas com dados verificáveis. A repercussão de uma narrativa não é necessariamente a comprovação de sua veracidade.
6. Duas campanhas, dois desafios
A campanha de Lula tem buscado mobilizar seu eleitorado em torno de políticas sociais, direitos dos trabalhadores e medidas econômicas de interesse popular. Entre os temas que ganharam espaço está a discussão sobre a escala de trabalho 6×1. Flávio Bolsonaro, por sua vez, mantém o discurso de mudança política e explora as críticas à gestão federal. São estratégias diferentes, dirigidas a segmentos eleitorais que nem sempre respondem da mesma maneira aos acontecimentos da campanha.
Gráfico 5
Estratégias e desafios na reta final
Lula
Flávio Bolsonaro
Discurso
Políticas sociais, direitos dos trabalhadores, medidas econômicas de interesse popular; debate sobre a escala 6×1.
Discurso de mudança política e críticas à gestão federal.
Desafio
Ampliar o eleitorado para além da base tradicional, reduzir resistências e converter mobilização em votos.
Preservar a vantagem do primeiro turno e impedir que a aproximação se torne tendência ampla.
O desafio de Lula é ampliar sua capacidade de conquistar eleitores para além de sua base tradicional, reduzir resistências e transformar a mobilização política em votos efetivos. O desafio de Flávio é preservar a vantagem obtida no primeiro turno e impedir que a aproximação registrada por determinados levantamentos se transforme em uma tendência mais ampla.
7. Margem de erro: o filtro necessário
É importante lembrar que uma mudança de dois pontos percentuais pode chamar a atenção, mas precisa ser interpretada à luz da margem de erro e do intervalo entre as entrevistas. Se dois levantamentos apresentam diferenças pequenas, não podemos afirmar automaticamente que houve uma migração real de votos. Para isso, é necessário observar a sequência dos resultados e a consistência das informações.
8. A reta final e a conclusão
A reta final exige, portanto, menos torcida e mais método. A análise política responsável não consiste em escolher os números que confirmam nossas expectativas, mas em reunir os indicadores disponíveis, confrontá-los e reconhecer aquilo que ainda não sabemos.
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro permanece aberta nos levantamentos divulgados até meados de outubro. A diferença estreita encontrada por vários institutos demonstra que o segundo turno está sendo disputado em condições de grande competitividade. O comportamento dos eleitores indecisos, a participação nas urnas, a transferência de votos e os acontecimentos dos últimos dias serão elementos importantes para compreender o desfecho.
Minha conclusão é que precisamos continuar acompanhando as pesquisas com atenção redobrada. Mais importante do que comemorar um número isolado é identificar se existe uma tendência consistente, confirmada por diferentes levantamentos e metodologias. Na política, a diferença entre uma impressão momentânea e uma análise séria está justamente na capacidade de distinguir fatos, hipóteses e expectativas.
Porque, no jornalismo e na análise política, a verdade não deve ser subordinada à preferência partidária. É a preferência que precisa ser submetida aos fatos.
Eleições 2026Segundo turnoPesquisas eleitoraisLulaFlávio BolsonaroAnálise política
Uma eleição presidencial não se compreende apenas pela fotografia de uma pesquisa. É preciso observar o filme inteiro: a evolução das intenções de voto, a distância entre os candidatos, a movimentação dos eleitores, a capacidade de mobilização das campanhas e, sobretudo, a maneira como os diferentes institutos captam as mudanças de comportamento do eleitorado. É nessa perspectiva que precisamos analisar a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2026.
“É preciso observar o filme inteiro” — e não apenas a fotografia de uma pesquisa. Wilton Cunha
1. O primeiro turno: o ponto de partida
O primeiro dado que merece atenção é a diferença entre os candidatos no primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da eleição com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A vantagem foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos. Era uma distância politicamente relevante, mas não suficiente para eliminar a disputa. O segundo turno abriu uma nova etapa, com mudanças nas estratégias eleitorais e a necessidade de conquistar os eleitores que ainda não haviam definido sua posição.
Gráfico 1
Votos válidos no 1º turno (%)
Flávio Bolsonaro
47,03%
Lula
45,16%
Escala de 0 a 60%, com base zero. Dados citados no artigo.
1,87 p.p. Diferença entre os candidatos (47,03 − 45,16)
~2,23 mi Vantagem em votos de Flávio
2º turno Nova etapa, novas estratégias
2. As pesquisas de meados de outubro
Os levantamentos divulgados em meados de outubro mostram uma disputa bastante apertada. O PoderData apontou empate nos votos válidos, com 50% para cada candidato. O Datafolha registrou 51% para Flávio e 49% para Lula, enquanto a Quaest encontrou 51% a 49% nos votos válidos, também dentro da margem de erro. Esses números não demonstram uma ultrapassagem consolidada, mas revelam que a diferença medida pelas pesquisas está dentro de uma faixa estreita. (Fontes: UOL e Folha de S.Paulo, levantamentos de outubro de 2026.)
Gráfico 2
Votos válidos no 2º turno, por instituto (%)
PoderData
Flávio 50%
Lula 50%
Datafolha
Flávio 51%
Lula 49%
Quaest
Flávio 51%
Lula 49%
Barras de 100% (votos válidos). Fontes citadas no artigo: UOL e Folha de S.Paulo, outubro de 2026.
Gráfico 3
Vantagem de Flávio sobre Lula nos votos válidos (pontos percentuais)
PoderData
0 p.p. — empate
Datafolha
+2 p.p.
Quaest
+2 p.p.
Escala de 0 a 4 p.p. Diferença calculada a partir dos números citados no artigo; todas dentro da faixa estreita descrita pelo autor.
3. Não basta a fotografia: é preciso ver o filme
É justamente aqui que entra uma questão importante: a evolução dos números ao longo do tempo. Em uma disputa tão equilibrada, não basta olhar para quem aparece numericamente à frente. Precisamos verificar se a diferença está aumentando, diminuindo ou permanecendo estável. Uma sequência consistente de levantamentos pode revelar movimentos que uma pesquisa isolada não consegue mostrar.
Na análise que venho acompanhando, chama a atenção a redução da distância observada em determinados institutos, especialmente quando comparamos seus levantamentos anteriores com os números mais recentes. O Futura, o Vox Brasil, o GPP e o Veritá merecem acompanhamento individual, desde que respeitemos as diferenças de metodologia, amostragem e período de coleta.
Há, entretanto, uma distinção fundamental: não podemos concluir que um instituto favorece deliberadamente determinado candidato apenas pela leitura de seus resultados. O caminho mais rigoroso é examinar o histórico de cada pesquisa, comparar os números dentro de uma mesma metodologia e verificar se as mudanças se repetem em levantamentos sucessivos.
4. O mercado de apostas não é pesquisa
O mercado de apostas também entrou nessa discussão. Quando as cotações de um candidato diminuem, isso geralmente significa que os apostadores ou o mercado atribuem maior valor à possibilidade de seu sucesso. Mas há uma diferença importante entre cotação de apostas, intenção de voto e probabilidade eleitoral. As cotações variam conforme o volume de apostas, a liquidez, as margens da plataforma e as informações disponíveis naquele momento. Portanto, não podem ser tratadas como uma pesquisa eleitoral nem como confirmação antecipada de resultado.
Gráfico 4 · Três coisas que não se confundem
Cotação de apostas
Varia conforme volume de apostas, liquidez, margens da plataforma e informações do momento.
Intenção de voto
Medida pelas pesquisas, com metodologia, amostra, período de coleta e margem de erro.
Probabilidade eleitoral
Estimativa de desfecho; não é confirmação antecipada de resultado.
5. O ambiente da comunicação política
Outro elemento que merece atenção é o ambiente da comunicação política. Quando comentaristas de diferentes correntes ideológicas passam a reconhecer uma mudança na dinâmica da disputa, esse movimento pode indicar que o debate público está se reorganizando. Ainda assim, opiniões de jornalistas, analistas e influenciadores precisam ser confrontadas com dados verificáveis. A repercussão de uma narrativa não é necessariamente a comprovação de sua veracidade.
6. Duas campanhas, dois desafios
A campanha de Lula tem buscado mobilizar seu eleitorado em torno de políticas sociais, direitos dos trabalhadores e medidas econômicas de interesse popular. Entre os temas que ganharam espaço está a discussão sobre a escala de trabalho 6×1. Flávio Bolsonaro, por sua vez, mantém o discurso de mudança política e explora as críticas à gestão federal. São estratégias diferentes, dirigidas a segmentos eleitorais que nem sempre respondem da mesma maneira aos acontecimentos da campanha.
Gráfico 5
Estratégias e desafios na reta final
Lula
Flávio Bolsonaro
Discurso
Políticas sociais, direitos dos trabalhadores, medidas econômicas de interesse popular; debate sobre a escala 6×1.
Discurso de mudança política e críticas à gestão federal.
Desafio
Ampliar o eleitorado para além da base tradicional, reduzir resistências e converter mobilização em votos.
Preservar a vantagem do primeiro turno e impedir que a aproximação se torne tendência ampla.
O desafio de Lula é ampliar sua capacidade de conquistar eleitores para além de sua base tradicional, reduzir resistências e transformar a mobilização política em votos efetivos. O desafio de Flávio é preservar a vantagem obtida no primeiro turno e impedir que a aproximação registrada por determinados levantamentos se transforme em uma tendência mais ampla.
7. Margem de erro: o filtro necessário
É importante lembrar que uma mudança de dois pontos percentuais pode chamar a atenção, mas precisa ser interpretada à luz da margem de erro e do intervalo entre as entrevistas. Se dois levantamentos apresentam diferenças pequenas, não podemos afirmar automaticamente que houve uma migração real de votos. Para isso, é necessário observar a sequência dos resultados e a consistência das informações.
8. A reta final e a conclusão
A reta final exige, portanto, menos torcida e mais método. A análise política responsável não consiste em escolher os números que confirmam nossas expectativas, mas em reunir os indicadores disponíveis, confrontá-los e reconhecer aquilo que ainda não sabemos.
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro permanece aberta nos levantamentos divulgados até meados de outubro. A diferença estreita encontrada por vários institutos demonstra que o segundo turno está sendo disputado em condições de grande competitividade. O comportamento dos eleitores indecisos, a participação nas urnas, a transferência de votos e os acontecimentos dos últimos dias serão elementos importantes para compreender o desfecho.
Minha conclusão é que precisamos continuar acompanhando as pesquisas com atenção redobrada. Mais importante do que comemorar um número isolado é identificar se existe uma tendência consistente, confirmada por diferentes levantamentos e metodologias. Na política, a diferença entre uma impressão momentânea e uma análise séria está justamente na capacidade de distinguir fatos, hipóteses e expectativas.
Porque, no jornalismo e na análise política, a verdade não deve ser subordinada à preferência partidária. É a preferência que precisa ser submetida aos fatos.
Eleições 2026Segundo turnoPesquisas eleitoraisLulaFlávio BolsonaroAnálise política
A
missão da Igreja nasce precisamente dessa certeza. Não anunciamos uma ideologia, um projeto de poder ou simplesmente um conjunto de valores morais. Anunciamos uma Pessoa, cujo amor é capaz de renovar a existência humana. O brilho da missão cristã não está no prestígio de suas instituições nem na força de sua influência social, mas na capacidade de tornar presente, no coração do mundo, a beleza transformadora do Evangelho.
Uma Igreja verdadeiramente missionária não procura colocar a si mesma no centro, mas conduzir a humanidade ao encontro com Jesus Cristo.
A Resposta ao Chamado do Dono da Messe
O Evangelho de Lucas nos recorda que o Senhor escolheu setenta e dois discípulos e os enviou, dois a dois, às cidades e aos lugares aonde Ele próprio deveria ir. Antes de partirem, ouviram uma recomendação que permanece atual: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita” (Lc 10,2).
Essa passagem revela que a missão não é uma atividade reservada a alguns cristãos particularmente dedicados. Ela pertence à própria identidade de todos os batizados. Quem verdadeiramente encontrou Cristo não pode guardar para si a alegria desse encontro.
Entretanto, anunciar o Evangelho em nossos dias exige mais do que entusiasmo. É necessário possuir raízes profundas na fé e maturidade para discernir os desafios de uma cultura frequentemente marcada pelo individualismo e pelo relativismo.
“O Papa Bento XVI, ao refletir sobre a chamada ditadura do relativismo, advertia sobre o perigo de uma sociedade que não reconhece nada como definitivo e transforma o próprio eu e os seus desejos na medida última de todas as coisas. Em contraposição, apresentava Jesus Cristo como a verdadeira medida do humanismo e recordava que a maturidade cristã nasce de uma amizade profunda com Ele.”
Essa reflexão continua particularmente necessária. Quando o ser humano se coloca como critério absoluto da verdade, corre o risco de reduzir a liberdade à satisfação dos próprios interesses e de transformar as relações humanas em disputas permanentes.
Cristo, ao contrário, revela que a grandeza da pessoa está na capacidade de amar, servir e reconhecer a dignidade do outro. O Evangelho não diminui a humanidade; antes, permite que ela descubra sua vocação mais elevada. Quanto mais nos aproximamos de Cristo, mais profundamente compreendemos o valor da vida humana.
A Verdade que Ilumina e Interpela
Por isso, a missão cristã não pode ser confundida com a defesa incondicional dos sistemas políticos, das tendências culturais ou dos interesses dos poderosos deste mundo. A Igreja não existe para reproduzir as divisões da sociedade, mas para anunciar uma verdade que ilumina e interpela todas as realidades humanas.
Sua fidelidade ao Evangelho exige coragem para defender a justiça, a dignidade da vida, a solidariedade e a paz, mesmo quando essas convicções não encontram os aplausos da opinião pública. O discípulo de Jesus não é chamado a seguir simplesmente as ondas de cada época, mas a testemunhar, em cada época, a novidade permanente de Cristo.
Pontes de Reconciliação
Nesse horizonte, ganha especial significado o apelo do Papa Leão XIV para que sejamos construtores de pontes por meio do diálogo e do encontro. Em um mundo ferido por guerras, polarizações e até mesmo pelas intermináveis batalhas de narrativas, a missão cristã precisa manifestar sua capacidade de aproximar pessoas, superar hostilidades e abrir caminhos de reconciliação. Construir pontes não significa renunciar à verdade, mas testemunhá-la com a caridade que nasce do próprio coração de Cristo.
Não há autêntica evangelização onde o anúncio de Deus se separa do amor concreto pelos irmãos. A Boa Nova nos impulsiona a sair de nossas seguranças e a reconhecer que existem inúmeras pessoas esperando não somente uma palavra sobre Deus, mas a experiência de um amor que acolhe, escuta e transforma.
A missão começa quando deixamos de perguntar apenas o que o mundo pode oferecer à Igreja e passamos a perguntar como a Igreja pode servir melhor ao mundo, sem deixar de anunciar Jesus Cristo.
O Filho de Deus continua sendo a nossa medida! Nele encontramos a verdade que não oprime, a liberdade que não escraviza e o amor que não exclui. É a partir dessa medida que podemos colaborar na construção de uma sociedade mais humana, na qual as diferenças não se transformem necessariamente em inimizades e a busca pela justiça não seja separada da misericórdia. O cristianismo não oferece uma fuga da realidade, mas uma maneira nova de habitá-la, com os olhos e o coração iluminados pelo Evangelho.
Peçamos à Virgem Maria, primeira discípula e mulher inteiramente disponível à vontade de Deus, que nos ensine a acolher e a anunciar seu Filho com generosidade. Que nossas comunidades redescubram a alegria de uma fé que não se acomoda, de uma esperança que não desiste e de uma caridade que não estabelece fronteiras para amar. Afinal, o verdadeiro brilho da missão não consiste em fazer a Igreja aparecer diante do mundo, mas em permitir que, por meio dela, o mundo reconheça a presença e o amor de Jesus Cristo.
A
missão da Igreja nasce precisamente dessa certeza. Não anunciamos uma ideologia, um projeto de poder ou simplesmente um conjunto de valores morais. Anunciamos uma Pessoa, cujo amor é capaz de renovar a existência humana. O brilho da missão cristã não está no prestígio de suas instituições nem na força de sua influência social, mas na capacidade de tornar presente, no coração do mundo, a beleza transformadora do Evangelho.
Uma Igreja verdadeiramente missionária não procura colocar a si mesma no centro, mas conduzir a humanidade ao encontro com Jesus Cristo.
A Resposta ao Chamado do Dono da Messe
O Evangelho de Lucas nos recorda que o Senhor escolheu setenta e dois discípulos e os enviou, dois a dois, às cidades e aos lugares aonde Ele próprio deveria ir. Antes de partirem, ouviram uma recomendação que permanece atual: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita” (Lc 10,2).
Essa passagem revela que a missão não é uma atividade reservada a alguns cristãos particularmente dedicados. Ela pertence à própria identidade de todos os batizados. Quem verdadeiramente encontrou Cristo não pode guardar para si a alegria desse encontro.
Entretanto, anunciar o Evangelho em nossos dias exige mais do que entusiasmo. É necessário possuir raízes profundas na fé e maturidade para discernir os desafios de uma cultura frequentemente marcada pelo individualismo e pelo relativismo.
“O Papa Bento XVI, ao refletir sobre a chamada ditadura do relativismo, advertia sobre o perigo de uma sociedade que não reconhece nada como definitivo e transforma o próprio eu e os seus desejos na medida última de todas as coisas. Em contraposição, apresentava Jesus Cristo como a verdadeira medida do humanismo e recordava que a maturidade cristã nasce de uma amizade profunda com Ele.”
Essa reflexão continua particularmente necessária. Quando o ser humano se coloca como critério absoluto da verdade, corre o risco de reduzir a liberdade à satisfação dos próprios interesses e de transformar as relações humanas em disputas permanentes.
Cristo, ao contrário, revela que a grandeza da pessoa está na capacidade de amar, servir e reconhecer a dignidade do outro. O Evangelho não diminui a humanidade; antes, permite que ela descubra sua vocação mais elevada. Quanto mais nos aproximamos de Cristo, mais profundamente compreendemos o valor da vida humana.
A Verdade que Ilumina e Interpela
Por isso, a missão cristã não pode ser confundida com a defesa incondicional dos sistemas políticos, das tendências culturais ou dos interesses dos poderosos deste mundo. A Igreja não existe para reproduzir as divisões da sociedade, mas para anunciar uma verdade que ilumina e interpela todas as realidades humanas.
Sua fidelidade ao Evangelho exige coragem para defender a justiça, a dignidade da vida, a solidariedade e a paz, mesmo quando essas convicções não encontram os aplausos da opinião pública. O discípulo de Jesus não é chamado a seguir simplesmente as ondas de cada época, mas a testemunhar, em cada época, a novidade permanente de Cristo.
Pontes de Reconciliação
Nesse horizonte, ganha especial significado o apelo do Papa Leão XIV para que sejamos construtores de pontes por meio do diálogo e do encontro. Em um mundo ferido por guerras, polarizações e até mesmo pelas intermináveis batalhas de narrativas, a missão cristã precisa manifestar sua capacidade de aproximar pessoas, superar hostilidades e abrir caminhos de reconciliação. Construir pontes não significa renunciar à verdade, mas testemunhá-la com a caridade que nasce do próprio coração de Cristo.
Não há autêntica evangelização onde o anúncio de Deus se separa do amor concreto pelos irmãos. A Boa Nova nos impulsiona a sair de nossas seguranças e a reconhecer que existem inúmeras pessoas esperando não somente uma palavra sobre Deus, mas a experiência de um amor que acolhe, escuta e transforma.
A missão começa quando deixamos de perguntar apenas o que o mundo pode oferecer à Igreja e passamos a perguntar como a Igreja pode servir melhor ao mundo, sem deixar de anunciar Jesus Cristo.
O Filho de Deus continua sendo a nossa medida! Nele encontramos a verdade que não oprime, a liberdade que não escraviza e o amor que não exclui. É a partir dessa medida que podemos colaborar na construção de uma sociedade mais humana, na qual as diferenças não se transformem necessariamente em inimizades e a busca pela justiça não seja separada da misericórdia. O cristianismo não oferece uma fuga da realidade, mas uma maneira nova de habitá-la, com os olhos e o coração iluminados pelo Evangelho.
Peçamos à Virgem Maria, primeira discípula e mulher inteiramente disponível à vontade de Deus, que nos ensine a acolher e a anunciar seu Filho com generosidade. Que nossas comunidades redescubram a alegria de uma fé que não se acomoda, de uma esperança que não desiste e de uma caridade que não estabelece fronteiras para amar. Afinal, o verdadeiro brilho da missão não consiste em fazer a Igreja aparecer diante do mundo, mas em permitir que, por meio dela, o mundo reconheça a presença e o amor de Jesus Cristo.
Durante a sessão ordinária desta sexta-feira (16), na Câmara Municipal de Vitória da Conquista, o vereador Luciano Gomes (PCdoB) defendeu sua aliança política com o deputado federal João Bacelar (PL) e reafirmou seu apoio aos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
Em seu pronunciamento, o parlamentar afirmou que apoia Bacelar há seis eleições e justificou a parceria com base no histórico de atuação do deputado e na destinação de recursos para Vitória da Conquista. Segundo Luciano, o parlamentar federal também participou da articulação de apoio ao governo baiano em Brasília.
Mesmo integrando o PCdoB e mantendo apoio ao deputado estadual Fabrício Falcão, Luciano Gomes ressaltou que procura estabelecer alianças políticas alinhadas às suas convicções. “Eu só apoio quem apoia aquilo em que eu acredito”, declarou.
Coerência política e alinhamento de posições
Ao explicar a relação política com João Bacelar, o vereador destacou que, apesar de o deputado pertencer ao PL, ele apoiou Lula na última eleição presidencial e mantém apoio ao governador Jerônimo Rodrigues. Luciano também mencionou as divergências entre setores do bolsonarismo e Bacelar em razão desse posicionamento.
Para o vereador, as alianças precisam guardar coerência com as posições defendidas publicamente. Ele questionou a possibilidade de um representante apoiar uma liderança que mantém alinhamento com o governo federal e, ao mesmo tempo, fazer críticas ao presidente.
“Se o deputado agora é Lula e eu apoio o deputado, qual a moral que eu tenho de falar mal de Lula?”, afirmou.
Durante a fala, Luciano também criticou Jair Bolsonaro e setores da direita brasileira, especialmente em relação à condução do país durante a pandemia de Covid-19 e às posições políticas de seus apoiadores.
Defesa de políticas para o Nordeste
Outro ponto abordado pelo parlamentar foi a atuação dos governos Lula em favor do desenvolvimento do Nordeste. Luciano argumentou que a região historicamente enfrenta desigualdades na distribuição de investimentos e oportunidades em comparação com outras partes do Brasil.
Na avaliação do vereador, a presença de um presidente nordestino à frente do país contribuiu para ampliar a atenção às necessidades regionais. Ele citou áreas como infraestrutura, educação, serviços públicos e desenvolvimento econômico como campos importantes para a redução das desigualdades.
Luciano também defendeu o reconhecimento das iniciativas voltadas ao Nordeste e criticou o que considera uma desvalorização das conquistas da região por parte de setores da sociedade.
Ao concluir o pronunciamento, o vereador defendeu a continuidade de políticas que, em sua avaliação, contribuíram para melhorar as condições de vida da população. A fala foi encerrada com uma mensagem de confiança no desenvolvimento do país e da região: “O Brasil quer avançar”.
Alianças políticas e convicções pessoais
O pronunciamento de Luciano Gomes colocou em evidência a relação entre alianças partidárias, atuação parlamentar e convicções políticas. Ao justificar seu apoio a João Bacelar, o vereador destacou a importância que atribui ao histórico de parceria e à convergência de posições em torno dos governos federal e estadual.
As declarações foram feitas durante a sessão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em um debate que envolveu posicionamentos políticos, desenvolvimento regional e a avaliação de diferentes projetos para o Brasil e para o Nordeste.
Política e Resenha — A gênese do poder é a verdade.
Durante a sessão ordinária desta sexta-feira (16), na Câmara Municipal de Vitória da Conquista, o vereador Luciano Gomes (PCdoB) defendeu sua aliança política com o deputado federal João Bacelar (PL) e reafirmou seu apoio aos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
Em seu pronunciamento, o parlamentar afirmou que apoia Bacelar há seis eleições e justificou a parceria com base no histórico de atuação do deputado e na destinação de recursos para Vitória da Conquista. Segundo Luciano, o parlamentar federal também participou da articulação de apoio ao governo baiano em Brasília.
Mesmo integrando o PCdoB e mantendo apoio ao deputado estadual Fabrício Falcão, Luciano Gomes ressaltou que procura estabelecer alianças políticas alinhadas às suas convicções. “Eu só apoio quem apoia aquilo em que eu acredito”, declarou.
Coerência política e alinhamento de posições
Ao explicar a relação política com João Bacelar, o vereador destacou que, apesar de o deputado pertencer ao PL, ele apoiou Lula na última eleição presidencial e mantém apoio ao governador Jerônimo Rodrigues. Luciano também mencionou as divergências entre setores do bolsonarismo e Bacelar em razão desse posicionamento.
Para o vereador, as alianças precisam guardar coerência com as posições defendidas publicamente. Ele questionou a possibilidade de um representante apoiar uma liderança que mantém alinhamento com o governo federal e, ao mesmo tempo, fazer críticas ao presidente.
“Se o deputado agora é Lula e eu apoio o deputado, qual a moral que eu tenho de falar mal de Lula?”, afirmou.
Durante a fala, Luciano também criticou Jair Bolsonaro e setores da direita brasileira, especialmente em relação à condução do país durante a pandemia de Covid-19 e às posições políticas de seus apoiadores.
Defesa de políticas para o Nordeste
Outro ponto abordado pelo parlamentar foi a atuação dos governos Lula em favor do desenvolvimento do Nordeste. Luciano argumentou que a região historicamente enfrenta desigualdades na distribuição de investimentos e oportunidades em comparação com outras partes do Brasil.
Na avaliação do vereador, a presença de um presidente nordestino à frente do país contribuiu para ampliar a atenção às necessidades regionais. Ele citou áreas como infraestrutura, educação, serviços públicos e desenvolvimento econômico como campos importantes para a redução das desigualdades.
Luciano também defendeu o reconhecimento das iniciativas voltadas ao Nordeste e criticou o que considera uma desvalorização das conquistas da região por parte de setores da sociedade.
Ao concluir o pronunciamento, o vereador defendeu a continuidade de políticas que, em sua avaliação, contribuíram para melhorar as condições de vida da população. A fala foi encerrada com uma mensagem de confiança no desenvolvimento do país e da região: “O Brasil quer avançar”.
Alianças políticas e convicções pessoais
O pronunciamento de Luciano Gomes colocou em evidência a relação entre alianças partidárias, atuação parlamentar e convicções políticas. Ao justificar seu apoio a João Bacelar, o vereador destacou a importância que atribui ao histórico de parceria e à convergência de posições em torno dos governos federal e estadual.
As declarações foram feitas durante a sessão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em um debate que envolveu posicionamentos políticos, desenvolvimento regional e a avaliação de diferentes projetos para o Brasil e para o Nordeste.
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