Política e Resenha

Rei só existiu um

Rei só existiu um: por que Pelé continua sendo a régua do futebol

Futebol  •  Memória  •  Legado

C
om todo o respeito ao Messi: fim de história, rei só existiu um. Antes da final, muita gente já apostava a frase pronta — se ele levantasse mais uma taça, a discussão morreria ali, encerrada, e finalmente Messi seria maior que Pelé. O apito final tocou. E a minha resposta, calma e sem pressa, continua a mesma de sempre: não. Isso não tira nada da grandeza de Messi. Ele é um gênio, um dos maiores que o futebol já produziu, o maior da sua geração. Mas existe um abismo entre ser um dos maiores da história e ser o homem que reescreveu a própria história. Pelé não virou régua por acaso.

Repare numa coisa simples, quase invisível de tão óbvia: ninguém pergunta se um craque passou Cruyff, Beckenbauer, Zidane, Ronaldo ou Maradona. A pergunta é sempre a mesma, feita há décadas em bares, redações e rodas de amigos: ele passou Pelé? Porque foi Pelé quem virou o parâmetro — e não apenas pelas três Copas do Mundo. Se fosse só isso, a conversa seria simples demais para durar tanto tempo.

Um menino que carregou um país nas costas

A diferença de Pelé mora no impacto. Ele revolucionou o futebol quando o futebol ainda nem sabia que podia ser revolucionado. Levou o Santos para o mundo numa época em que praticamente ninguém, fora do Brasil, acompanhava o futebol brasileiro. Fez excursões que lotavam estádios em todos os continentes. Parou uma guerra. Foi recebido como chefe de Estado onde quer que pisasse. Tornou-se o jogador mais jovem da história a conquistar uma Copa do Mundo e segue sendo, até hoje, o único tricampeão mundial. E, ao fazer tudo isso, ajudou a transformar o Brasil naquilo que o mundo reconhece até agora.

Por isso dói um pouco — e dói de verdade — quando é o próprio brasileiro quem menospreza Pelé. Porque, ao fazer isso, a gente não está apenas discutindo futebol. Está ajudando a apagar um pedaço da nossa própria história.

“Mas você viu Pelé jogar?”

Eu escuto essa frase o tempo todo. E tudo bem: não vi, de fato. Mas também não vi Ayrton Senna correr, não vi Muhammad Ali no auge, não vi Garrincha driblar, não vi Di Stéfano nem Puskas em campo — e nem por isso a história deles muda uma vírgula. Os fatos continuam lá. Os números continuam lá. O contexto continua lá, intacto, resistindo ao tempo e à falta de vídeo em alta definição. A história não depende da nossa memória pessoal. Ela depende do que foi construído. E é exatamente aí que Pelé se distingue de todos os outros: ele não apenas venceu, ele mudou o jogo.

O que os outros disseram sobre ele

Não sou só eu dizendo isso. Ao longo de décadas, artistas, presidentes, escritores e líderes mundiais pararam para falar sobre Pelé como quem fala de um fenômeno raro demais para caber só no esporte.

“Quando a bola chegou aos pés de Pelé, o futebol virou poesia.”

— Pier Paolo Pasolini, cineasta

“Vê-lo jogar era como ver a alegria de uma criança combinada com a extraordinária graça de um adulto.”

— Nelson Mandela

E no encerramento desta última Copa do Mundo, entre tantos ídolos que a história do futebol já produziu, o telão escolheu homenagear quem? Pelé. Isso não acontece por acaso. Não é nostalgia, não é saudosismo de quem não quer olhar para frente. É reconhecimento.

Craques constroem números. Reis constroem a mesa.

Podem surgir novos gênios. Novos campeões. Novos recordistas que vão quebrar marcas que hoje parecem eternas. Messi merece, com todo o mérito, estar sentado nessa mesa dos maiores de todos os tempos. Mas Pelé construiu a mesa. E isso muda tudo.

Você pode preferir outro jogador. Pode achar outro mais talentoso, mais elegante, mais decisivo nos seus próprios olhos. O futebol sempre vai dar espaço para opiniões — é parte da sua beleza. Mas a história não muda porque nós não a vimos acontecer. Ela foi construída, tijolo por tijolo, título por título, continente por continente. E ninguém apaga um legado como o de Pelé.

Podem existir príncipes, craques, lendas. Mas rei, rei só existiu um.


#Pelé
#Messi
#CopaDoMundo
#HistóriaDoFutebol

Me conta aqui nos comentários a sua opinião — e não esquece de me seguir, que isso aqui dá trabalho, dá zorra pra fazer. Até a próxima.

— O Articulista

Rei só existiu um

Rei só existiu um: por que Pelé continua sendo a régua do futebol

Futebol  •  Memória  •  Legado

C
om todo o respeito ao Messi: fim de história, rei só existiu um. Antes da final, muita gente já apostava a frase pronta — se ele levantasse mais uma taça, a discussão morreria ali, encerrada, e finalmente Messi seria maior que Pelé. O apito final tocou. E a minha resposta, calma e sem pressa, continua a mesma de sempre: não. Isso não tira nada da grandeza de Messi. Ele é um gênio, um dos maiores que o futebol já produziu, o maior da sua geração. Mas existe um abismo entre ser um dos maiores da história e ser o homem que reescreveu a própria história. Pelé não virou régua por acaso.

Repare numa coisa simples, quase invisível de tão óbvia: ninguém pergunta se um craque passou Cruyff, Beckenbauer, Zidane, Ronaldo ou Maradona. A pergunta é sempre a mesma, feita há décadas em bares, redações e rodas de amigos: ele passou Pelé? Porque foi Pelé quem virou o parâmetro — e não apenas pelas três Copas do Mundo. Se fosse só isso, a conversa seria simples demais para durar tanto tempo.

Um menino que carregou um país nas costas

A diferença de Pelé mora no impacto. Ele revolucionou o futebol quando o futebol ainda nem sabia que podia ser revolucionado. Levou o Santos para o mundo numa época em que praticamente ninguém, fora do Brasil, acompanhava o futebol brasileiro. Fez excursões que lotavam estádios em todos os continentes. Parou uma guerra. Foi recebido como chefe de Estado onde quer que pisasse. Tornou-se o jogador mais jovem da história a conquistar uma Copa do Mundo e segue sendo, até hoje, o único tricampeão mundial. E, ao fazer tudo isso, ajudou a transformar o Brasil naquilo que o mundo reconhece até agora.

Por isso dói um pouco — e dói de verdade — quando é o próprio brasileiro quem menospreza Pelé. Porque, ao fazer isso, a gente não está apenas discutindo futebol. Está ajudando a apagar um pedaço da nossa própria história.

“Mas você viu Pelé jogar?”

Eu escuto essa frase o tempo todo. E tudo bem: não vi, de fato. Mas também não vi Ayrton Senna correr, não vi Muhammad Ali no auge, não vi Garrincha driblar, não vi Di Stéfano nem Puskas em campo — e nem por isso a história deles muda uma vírgula. Os fatos continuam lá. Os números continuam lá. O contexto continua lá, intacto, resistindo ao tempo e à falta de vídeo em alta definição. A história não depende da nossa memória pessoal. Ela depende do que foi construído. E é exatamente aí que Pelé se distingue de todos os outros: ele não apenas venceu, ele mudou o jogo.

O que os outros disseram sobre ele

Não sou só eu dizendo isso. Ao longo de décadas, artistas, presidentes, escritores e líderes mundiais pararam para falar sobre Pelé como quem fala de um fenômeno raro demais para caber só no esporte.

“Quando a bola chegou aos pés de Pelé, o futebol virou poesia.”

— Pier Paolo Pasolini, cineasta

“Vê-lo jogar era como ver a alegria de uma criança combinada com a extraordinária graça de um adulto.”

— Nelson Mandela

E no encerramento desta última Copa do Mundo, entre tantos ídolos que a história do futebol já produziu, o telão escolheu homenagear quem? Pelé. Isso não acontece por acaso. Não é nostalgia, não é saudosismo de quem não quer olhar para frente. É reconhecimento.

Craques constroem números. Reis constroem a mesa.

Podem surgir novos gênios. Novos campeões. Novos recordistas que vão quebrar marcas que hoje parecem eternas. Messi merece, com todo o mérito, estar sentado nessa mesa dos maiores de todos os tempos. Mas Pelé construiu a mesa. E isso muda tudo.

Você pode preferir outro jogador. Pode achar outro mais talentoso, mais elegante, mais decisivo nos seus próprios olhos. O futebol sempre vai dar espaço para opiniões — é parte da sua beleza. Mas a história não muda porque nós não a vimos acontecer. Ela foi construída, tijolo por tijolo, título por título, continente por continente. E ninguém apaga um legado como o de Pelé.

Podem existir príncipes, craques, lendas. Mas rei, rei só existiu um.


#Pelé
#Messi
#CopaDoMundo
#HistóriaDoFutebol

Me conta aqui nos comentários a sua opinião — e não esquece de me seguir, que isso aqui dá trabalho, dá zorra pra fazer. Até a próxima.

— O Articulista

ACM Neto sobe e Jerônimo Rodrigues recua

Eleições 2026 · Pesquisa de Intenção de Voto

ACM Neto sobe e Jerônimo Rodrigues recua na disputa pelo Governo da Bahia, aponta Paraná Pesquisas

 

Levantamento encomendado pelo Bahia Notícias mostra oscilação dentro da margem de erro entre maio e junho de 2026; candidato do União Brasil chega a 49,2% no cenário estimulado.

Salvador, Bahia  •  Registros TSE: BA-03619/2026 (maio) e BA-04848/2026 (junho)  •  Fonte: Instituto Paraná Pesquisas

D
ados do levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas, sob encomenda do Bahia Notícias, mostram que ACM Neto (União Brasil) oscilou positivamente em intenções de voto para o Governo da Bahia, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) oscilou negativamente em um espaço de dois meses. As variações aconteceram dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

A comparação é entre pesquisas realizadas em maio e junho de 2026, registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BA-03619/2026 e BA-04848/2026. O ex-prefeito de Salvador aparece agora como opção para 49,2% dos entrevistados, enquanto o governador ficou com 37,5%. No levantamento de maio, ACM Neto tinha 47,8% e Jerônimo aparecia com 38,7%. O outro candidato, Ronaldo Mansur (PSOL), tinha 1,7% e chegou a 1,9%.

Cenário estimulado: maio x junho

Comparativo de intenção de voto com nomes apresentados aos eleitores.

ACM Neto (União Brasil)

Maio
47,8%
Junho
49,2%

Jerônimo Rodrigues (PT)

Maio
38,7%
Junho
37,5%

Ronaldo Mansur (PSOL)

Maio
1,7%
Junho
1,9%

No cenário estimulado, quando são apresentados os nomes dos candidatos, brancos, nulos ou nenhuma das opções chegaram a 6,9%, enquanto os que não souberam ou não opinaram marcaram 4,5% — um decréscimo, dentro da margem de erro, de 0,4 ponto percentual na comparação com o levantamento anterior.

“As variações registradas entre maio e junho estão dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos” — critério estatístico aplicado pelo Instituto Paraná Pesquisas ao levantamento encomendado pelo Bahia Notícias.

Pesquisa espontânea

Sem apresentação de nomes ou números aos entrevistados.

A pesquisa ouviu presencialmente 1.500 baianos entre os dias 27 e 30 de junho, em 64 municípios do estado. Quando os eleitores eram questionados sobre em quem votariam para governador, sem a apresentação dos nomes, o ex-prefeito de Salvador também aparece à frente da corrida eleitoral. ACM Neto foi citado por 26,1% dos entrevistados, frente aos 19,3% que falaram o nome de Jerônimo Rodrigues.

O ex-governador e candidato ao Senado Rui Costa apareceu com 0,9% das possibilidades de voto, e Ronaldo Mansur com 0,1%. Outros nomes, juntos, somaram 0,8%. Não souberam ou não responderam 46,5% dos entrevistados, o que mostra um cenário de possibilidades de crescimento para os candidatos.

ACM Neto
26,1%
Jerônimo Rodrigues
19,3%
Rui Costa
0,9%
Ronaldo Mansur
0,1%
Outros
0,8%
Não sabem / Não resp.
46,5%

Ficha técnica da pesquisa

Instituto: Paraná Pesquisas

Contratante: Bahia Notícias

Metodologia: entrevistas presenciais

Amostra: 1.500 entrevistados

Abrangência: 64 municípios da Bahia

Período de campo: 27 a 30 de junho de 2026

Margem de erro: 2,6 pontos percentuais

Registros TSE: BA-03619/2026 (maio) e BA-04848/2026 (junho)

Eleições 2026
Governo da Bahia
Pesquisa Eleitoral
Paraná Pesquisas
ACM Neto
Jerônimo Rodrigues

Redação Política e Resenha

Com dados do Instituto Paraná Pesquisas para o Bahia Notícias · Registros TSE BA-03619/2026 e BA-04848/2026

ACM Neto sobe e Jerônimo Rodrigues recua

Eleições 2026 · Pesquisa de Intenção de Voto

ACM Neto sobe e Jerônimo Rodrigues recua na disputa pelo Governo da Bahia, aponta Paraná Pesquisas

 

Levantamento encomendado pelo Bahia Notícias mostra oscilação dentro da margem de erro entre maio e junho de 2026; candidato do União Brasil chega a 49,2% no cenário estimulado.

Salvador, Bahia  •  Registros TSE: BA-03619/2026 (maio) e BA-04848/2026 (junho)  •  Fonte: Instituto Paraná Pesquisas

D
ados do levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas, sob encomenda do Bahia Notícias, mostram que ACM Neto (União Brasil) oscilou positivamente em intenções de voto para o Governo da Bahia, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) oscilou negativamente em um espaço de dois meses. As variações aconteceram dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

A comparação é entre pesquisas realizadas em maio e junho de 2026, registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BA-03619/2026 e BA-04848/2026. O ex-prefeito de Salvador aparece agora como opção para 49,2% dos entrevistados, enquanto o governador ficou com 37,5%. No levantamento de maio, ACM Neto tinha 47,8% e Jerônimo aparecia com 38,7%. O outro candidato, Ronaldo Mansur (PSOL), tinha 1,7% e chegou a 1,9%.

Cenário estimulado: maio x junho

Comparativo de intenção de voto com nomes apresentados aos eleitores.

ACM Neto (União Brasil)

Maio
47,8%
Junho
49,2%

Jerônimo Rodrigues (PT)

Maio
38,7%
Junho
37,5%

Ronaldo Mansur (PSOL)

Maio
1,7%
Junho
1,9%

No cenário estimulado, quando são apresentados os nomes dos candidatos, brancos, nulos ou nenhuma das opções chegaram a 6,9%, enquanto os que não souberam ou não opinaram marcaram 4,5% — um decréscimo, dentro da margem de erro, de 0,4 ponto percentual na comparação com o levantamento anterior.

“As variações registradas entre maio e junho estão dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos” — critério estatístico aplicado pelo Instituto Paraná Pesquisas ao levantamento encomendado pelo Bahia Notícias.

Pesquisa espontânea

Sem apresentação de nomes ou números aos entrevistados.

A pesquisa ouviu presencialmente 1.500 baianos entre os dias 27 e 30 de junho, em 64 municípios do estado. Quando os eleitores eram questionados sobre em quem votariam para governador, sem a apresentação dos nomes, o ex-prefeito de Salvador também aparece à frente da corrida eleitoral. ACM Neto foi citado por 26,1% dos entrevistados, frente aos 19,3% que falaram o nome de Jerônimo Rodrigues.

O ex-governador e candidato ao Senado Rui Costa apareceu com 0,9% das possibilidades de voto, e Ronaldo Mansur com 0,1%. Outros nomes, juntos, somaram 0,8%. Não souberam ou não responderam 46,5% dos entrevistados, o que mostra um cenário de possibilidades de crescimento para os candidatos.

ACM Neto
26,1%
Jerônimo Rodrigues
19,3%
Rui Costa
0,9%
Ronaldo Mansur
0,1%
Outros
0,8%
Não sabem / Não resp.
46,5%

Ficha técnica da pesquisa

Instituto: Paraná Pesquisas

Contratante: Bahia Notícias

Metodologia: entrevistas presenciais

Amostra: 1.500 entrevistados

Abrangência: 64 municípios da Bahia

Período de campo: 27 a 30 de junho de 2026

Margem de erro: 2,6 pontos percentuais

Registros TSE: BA-03619/2026 (maio) e BA-04848/2026 (junho)

Eleições 2026
Governo da Bahia
Pesquisa Eleitoral
Paraná Pesquisas
ACM Neto
Jerônimo Rodrigues

Redação Política e Resenha

Com dados do Instituto Paraná Pesquisas para o Bahia Notícias · Registros TSE BA-03619/2026 e BA-04848/2026

WAGNER ALVES INTENSIFICA ARTICULAÇÕES NO SUDOESTE E REFORÇA PROJETO RUMO À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Por Padre Carlos

O pré-candidato a deputado estadual Wagner Alves cumpriu, neste fim de semana, uma intensa agenda de compromissos políticos e institucionais no Sudoeste da Bahia, consolidando uma estratégia que há anos marca sua trajetória: a construção de uma candidatura baseada no diálogo regional, na aproximação com lideranças e na defesa de uma maior representatividade para Vitória da Conquista e municípios vizinhos na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).

A maratona começou na sexta-feira, em Aracatu, onde Wagner visitou a Ágil Ferro, empresa referência no segmento de ferragens para construção civil e serralheria. Durante a visita, conversou com empresários e colaboradores, ouviu demandas do setor produtivo e discutiu os desafios enfrentados pelo empreendedorismo regional, reforçando seu compromisso com políticas voltadas ao desenvolvimento econômico e à geração de empregos.

Ainda na sexta, o pré-candidato esteve em Brumado, onde manteve reuniões com importantes lideranças políticas, entre elas o ex-prefeito Eduardo Vasconcelos. Os encontros tiveram como foco a ampliação da base de apoio e o fortalecimento das articulações para o processo eleitoral de 2026.

No sábado, Wagner seguiu para Caculé. Ao lado da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, visitou o empresário Roney Marcus, do Grupo Connect, empresa reconhecida pela atuação no setor de tecnologia e banda larga. A reunião destacou a importância da inovação, da inclusão digital e da expansão da infraestrutura tecnológica como instrumentos fundamentais para impulsionar o desenvolvimento do interior baiano.

A agenda foi encerrada em Rio do Antônio, onde Wagner Alves se reuniu com o pré-candidato a deputado federal Manoel Rocha e com lideranças locais, entre elas Samuel Bittencourt, o Samuca. O encontro serviu para alinhar estratégias e discutir projetos voltados ao fortalecimento da representação política da região.

A intensa movimentação confirma uma característica que acompanha Wagner Alves há vários anos: sua busca persistente por uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia. Ao longo de sucessivos processos eleitorais, ele tem mantido presença constante nas discussões políticas do Sudoeste, ampliando alianças, percorrendo municípios e consolidando uma rede de apoios construída de forma gradual.

Independentemente dos resultados anteriores, Wagner permanece firme em seu propósito de representar a região no Parlamento estadual. Essa perseverança tem sido um dos traços mais marcantes de sua atuação política, demonstrando disposição para manter o diálogo permanente com prefeitos, vereadores, empresários, produtores rurais e representantes da sociedade civil.

O cenário eleitoral de 2026 também sinaliza uma perspectiva animadora para Vitória da Conquista. Caso se confirmem as principais pré-candidaturas da região, o município e seu entorno poderão alcançar um dos maiores níveis de representação política do interior da Bahia, tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara dos Deputados.

Além de Wagner Alves, outras lideranças da região também articulam projetos eleitorais, fortalecendo a expectativa de que o Sudoeste baiano amplie sua voz nos espaços de decisão estadual. Uma representação mais robusta pode significar maior capacidade de articulação institucional, defesa de investimentos e atenção às demandas históricas da região.

Em um momento em que a descentralização do desenvolvimento ganha importância no debate político, a mobilização de lideranças regionais evidencia que Vitória da Conquista continua ocupando posição estratégica no cenário baiano. A disputa de 2026 promete consolidar essa vocação, tornando a cidade e o Sudoeste protagonistas de uma das mais relevantes articulações políticas do interior do estado.

WAGNER ALVES INTENSIFICA ARTICULAÇÕES NO SUDOESTE E REFORÇA PROJETO RUMO À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Por Padre Carlos

O pré-candidato a deputado estadual Wagner Alves cumpriu, neste fim de semana, uma intensa agenda de compromissos políticos e institucionais no Sudoeste da Bahia, consolidando uma estratégia que há anos marca sua trajetória: a construção de uma candidatura baseada no diálogo regional, na aproximação com lideranças e na defesa de uma maior representatividade para Vitória da Conquista e municípios vizinhos na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).

A maratona começou na sexta-feira, em Aracatu, onde Wagner visitou a Ágil Ferro, empresa referência no segmento de ferragens para construção civil e serralheria. Durante a visita, conversou com empresários e colaboradores, ouviu demandas do setor produtivo e discutiu os desafios enfrentados pelo empreendedorismo regional, reforçando seu compromisso com políticas voltadas ao desenvolvimento econômico e à geração de empregos.

Ainda na sexta, o pré-candidato esteve em Brumado, onde manteve reuniões com importantes lideranças políticas, entre elas o ex-prefeito Eduardo Vasconcelos. Os encontros tiveram como foco a ampliação da base de apoio e o fortalecimento das articulações para o processo eleitoral de 2026.

No sábado, Wagner seguiu para Caculé. Ao lado da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, visitou o empresário Roney Marcus, do Grupo Connect, empresa reconhecida pela atuação no setor de tecnologia e banda larga. A reunião destacou a importância da inovação, da inclusão digital e da expansão da infraestrutura tecnológica como instrumentos fundamentais para impulsionar o desenvolvimento do interior baiano.

A agenda foi encerrada em Rio do Antônio, onde Wagner Alves se reuniu com o pré-candidato a deputado federal Manoel Rocha e com lideranças locais, entre elas Samuel Bittencourt, o Samuca. O encontro serviu para alinhar estratégias e discutir projetos voltados ao fortalecimento da representação política da região.

A intensa movimentação confirma uma característica que acompanha Wagner Alves há vários anos: sua busca persistente por uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia. Ao longo de sucessivos processos eleitorais, ele tem mantido presença constante nas discussões políticas do Sudoeste, ampliando alianças, percorrendo municípios e consolidando uma rede de apoios construída de forma gradual.

Independentemente dos resultados anteriores, Wagner permanece firme em seu propósito de representar a região no Parlamento estadual. Essa perseverança tem sido um dos traços mais marcantes de sua atuação política, demonstrando disposição para manter o diálogo permanente com prefeitos, vereadores, empresários, produtores rurais e representantes da sociedade civil.

O cenário eleitoral de 2026 também sinaliza uma perspectiva animadora para Vitória da Conquista. Caso se confirmem as principais pré-candidaturas da região, o município e seu entorno poderão alcançar um dos maiores níveis de representação política do interior da Bahia, tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara dos Deputados.

Além de Wagner Alves, outras lideranças da região também articulam projetos eleitorais, fortalecendo a expectativa de que o Sudoeste baiano amplie sua voz nos espaços de decisão estadual. Uma representação mais robusta pode significar maior capacidade de articulação institucional, defesa de investimentos e atenção às demandas históricas da região.

Em um momento em que a descentralização do desenvolvimento ganha importância no debate político, a mobilização de lideranças regionais evidencia que Vitória da Conquista continua ocupando posição estratégica no cenário baiano. A disputa de 2026 promete consolidar essa vocação, tornando a cidade e o Sudoeste protagonistas de uma das mais relevantes articulações políticas do interior do estado.

Os Amigos que o Tempo Não Levou

 

 

Por Padre Carlos

Há uma pergunta que a idade nos obriga a responder, ainda que em silêncio: afinal, de que é feita uma vida? Dos diplomas? Das conquistas? Dos fracassos? Dos lugares onde moramos? Ou será que, no fundo, somos apenas a soma das pessoas que caminharam ao nosso lado quando a estrada parecia longa demais?

Aos 66 anos, descubro que a vida nunca foi uma linha reta. Ela se parece muito mais com uma colcha de retalhos cuidadosamente costurada pelas mãos do tempo. Cada pedaço possui uma cor, um perfume, uma cicatriz e um nome. E, quando olhamos para trás, percebemos algo profundamente humano: nossa identidade não foi construída apenas por nossas escolhas, mas pelos encontros que nos transformaram.

Há amigos que pertencem ao território encantado da infância. Eles vivem numa geografia que já não existe nos mapas, mas permanece intacta na memória. Para mim, esse lugar chama-se Pituba.

Ali, o mundo cabia num quintal. O tempo caminhava descalço. As tardes pareciam eternas, e a felicidade tinha o cheiro da terra molhada depois da chuva. Os joelhos ralados eram medalhas de coragem. Os segredos eram sussurrados como se o universo inteiro dependesse daquela confidência infantil. Não havia relógios suficientes para interromper uma brincadeira; apenas a chegada da noite anunciava que era hora de voltar para casa.

Curiosamente, são esses amigos que conhecem a versão mais verdadeira de nós mesmos. Eles nos viram antes dos títulos, antes das máscaras sociais, antes das responsabilidades que o mundo insiste em nos impor. Sabem quem fomos quando bastava sorrir para que o dia estivesse completo.

Depois veio a juventude, essa estação em que a alma acredita ser possível mudar o mundo.

Foi nos grupos de jovens da paróquia, inspirados pela espiritualidade inaciana, que a amizade ganhou novos contornos. Ela passou a ter o som dos violões, das canções de fé e de esperança, das conversas que atravessavam madrugadas discutindo Deus, justiça, liberdade e futuro.

Ali compreendemos algo que jamais esqueceríamos: a verdadeira espiritualidade nunca afasta o ser humano da realidade; ela o aproxima ainda mais do sofrimento do outro.

Aprendemos que a fé não floresce apenas nos templos. Ela também nasce quando alguém estende a mão ao caído, quando compartilha o pão, quando luta para que a dignidade não seja privilégio de poucos.

Foi naquele tempo que descobrimos que amizade e compromisso caminham lado a lado.

Então chegaram os anos da inquietação política.

Era a década de 1970. O Brasil respirava sob o peso da ditadura militar, e o MDB tornava-se uma espécie de grande guarda-chuva onde diferentes correntes democráticas encontravam algum espaço para resistir. Éramos jovens. Talvez ingênuos em alguns aspectos. Mas havia uma convicção que nenhuma repressão conseguia apagar: a esperança.

Os amigos da militância não eram apenas companheiros de reuniões ou panfletagens. Tornaram-se irmãos.

Há uma fraternidade peculiar entre aqueles que compartilham riscos. Dividir a madrugada preparando um manifesto, enfrentar o medo, celebrar discretamente cada pequena conquista democrática cria vínculos que desafiam o tempo.

Quando a História sopra ventos contrários, a amizade deixa de ser apenas afeto. Ela se transforma em abrigo.

Mais tarde, a vida conduziu-me por corredores silenciosos.

Primeiro vieram os estudos filosóficos; depois, a longa travessia da teologia. Vitória da Conquista e Belo Horizonte tornaram-se cenários de uma busca que ia muito além dos livros.

No seminário descobri outra forma de amizade.

Era uma amizade construída menos pelas palavras e mais pela presença.

Ali aprendemos que algumas conversas acontecem sem que ninguém diga uma única frase. Compartilhávamos dúvidas, vocações, fragilidades e esperanças. Descobríamos que a alma humana não se revela a quem fala muito, mas àquele que sabe escutar.

Foi nesse silêncio fecundo que compreendi uma das maiores lições da existência: respeitar profundamente o mistério que habita cada pessoa.

O tempo, porém, nunca permanece parado.

Ele nos leva para outras cidades, outras responsabilidades, outras formas de amar.

Vitória da Conquista tornou-se definitivamente meu chão. Vieram o casamento, a família, a alegria das filhas, os desafios cotidianos, as amizades amadurecidas nas esquinas da cidade, nas conversas demoradas, nos cafés compartilhados e nos projetos construídos coletivamente.

Ao mesmo tempo, a vida espalhou amigos por diferentes estados e até por outros países.

A tecnologia encurtou distâncias, mas foi o afeto que manteve os vínculos vivos.

Percebi, então, que o lar nunca foi apenas um endereço.

Lar é qualquer lugar onde alguém pronuncia o nosso nome com alegria.

Há uma ilusão comum de que perdemos amigos ao longo da vida.

Talvez não.

Talvez eles apenas passem a morar dentro de nós.

Cada amizade deixa uma camada invisível sobre nossa personalidade. Um jeito de rir. Uma expressão repetida sem perceber. Um conselho que reaparece diante das dificuldades. Uma coragem emprestada. Uma esperança aprendida.

Somos feitos dessas heranças silenciosas.

Nenhuma inteligência artificial conseguirá medir o peso de um abraço recebido no momento exato em que o mundo parecia desmoronar. Nenhuma fotografia conseguirá registrar completamente a emoção de reencontrar alguém que conheceu nossos sonhos quando eles ainda eram apenas sementes.

Porque amizade verdadeira desafia a lógica do tempo.

Ela não envelhece.

Ela apenas muda de endereço dentro do coração.

Hoje compreendo que minha história jamais foi escrita apenas pelas decisões que tomei. Ela foi escrita pelas mãos que me levantaram, pelas vozes que me encorajaram, pelos ombros que suportaram comigo as derrotas e pelos sorrisos que multiplicaram as vitórias.

Olho para trás e não encontro uma sucessão de anos.

Encontro rostos.

Vejo a criança da Pituba, os jovens da paróquia, os companheiros da militância, os irmãos do seminário, os amigos da família, os colegas de Vitória da Conquista e aqueles que a vida espalhou pelo mundo.

Nenhum deles ficou para trás.

Todos continuam vivos em cada palavra que escrevo, em cada valor que defendo e em cada gesto de humanidade que ainda consigo oferecer.

Porque, no fim das contas, a maior riqueza que uma existência pode acumular não cabe em cofres, nem em currículos, nem em monumentos.

Ela mora, silenciosamente, na memória agradecida de quem descobre, ao atravessar o tempo, que nunca caminhou sozinho.

Os Amigos que o Tempo Não Levou

 

 

Por Padre Carlos

Há uma pergunta que a idade nos obriga a responder, ainda que em silêncio: afinal, de que é feita uma vida? Dos diplomas? Das conquistas? Dos fracassos? Dos lugares onde moramos? Ou será que, no fundo, somos apenas a soma das pessoas que caminharam ao nosso lado quando a estrada parecia longa demais?

Aos 66 anos, descubro que a vida nunca foi uma linha reta. Ela se parece muito mais com uma colcha de retalhos cuidadosamente costurada pelas mãos do tempo. Cada pedaço possui uma cor, um perfume, uma cicatriz e um nome. E, quando olhamos para trás, percebemos algo profundamente humano: nossa identidade não foi construída apenas por nossas escolhas, mas pelos encontros que nos transformaram.

Há amigos que pertencem ao território encantado da infância. Eles vivem numa geografia que já não existe nos mapas, mas permanece intacta na memória. Para mim, esse lugar chama-se Pituba.

Ali, o mundo cabia num quintal. O tempo caminhava descalço. As tardes pareciam eternas, e a felicidade tinha o cheiro da terra molhada depois da chuva. Os joelhos ralados eram medalhas de coragem. Os segredos eram sussurrados como se o universo inteiro dependesse daquela confidência infantil. Não havia relógios suficientes para interromper uma brincadeira; apenas a chegada da noite anunciava que era hora de voltar para casa.

Curiosamente, são esses amigos que conhecem a versão mais verdadeira de nós mesmos. Eles nos viram antes dos títulos, antes das máscaras sociais, antes das responsabilidades que o mundo insiste em nos impor. Sabem quem fomos quando bastava sorrir para que o dia estivesse completo.

Depois veio a juventude, essa estação em que a alma acredita ser possível mudar o mundo.

Foi nos grupos de jovens da paróquia, inspirados pela espiritualidade inaciana, que a amizade ganhou novos contornos. Ela passou a ter o som dos violões, das canções de fé e de esperança, das conversas que atravessavam madrugadas discutindo Deus, justiça, liberdade e futuro.

Ali compreendemos algo que jamais esqueceríamos: a verdadeira espiritualidade nunca afasta o ser humano da realidade; ela o aproxima ainda mais do sofrimento do outro.

Aprendemos que a fé não floresce apenas nos templos. Ela também nasce quando alguém estende a mão ao caído, quando compartilha o pão, quando luta para que a dignidade não seja privilégio de poucos.

Foi naquele tempo que descobrimos que amizade e compromisso caminham lado a lado.

Então chegaram os anos da inquietação política.

Era a década de 1970. O Brasil respirava sob o peso da ditadura militar, e o MDB tornava-se uma espécie de grande guarda-chuva onde diferentes correntes democráticas encontravam algum espaço para resistir. Éramos jovens. Talvez ingênuos em alguns aspectos. Mas havia uma convicção que nenhuma repressão conseguia apagar: a esperança.

Os amigos da militância não eram apenas companheiros de reuniões ou panfletagens. Tornaram-se irmãos.

Há uma fraternidade peculiar entre aqueles que compartilham riscos. Dividir a madrugada preparando um manifesto, enfrentar o medo, celebrar discretamente cada pequena conquista democrática cria vínculos que desafiam o tempo.

Quando a História sopra ventos contrários, a amizade deixa de ser apenas afeto. Ela se transforma em abrigo.

Mais tarde, a vida conduziu-me por corredores silenciosos.

Primeiro vieram os estudos filosóficos; depois, a longa travessia da teologia. Vitória da Conquista e Belo Horizonte tornaram-se cenários de uma busca que ia muito além dos livros.

No seminário descobri outra forma de amizade.

Era uma amizade construída menos pelas palavras e mais pela presença.

Ali aprendemos que algumas conversas acontecem sem que ninguém diga uma única frase. Compartilhávamos dúvidas, vocações, fragilidades e esperanças. Descobríamos que a alma humana não se revela a quem fala muito, mas àquele que sabe escutar.

Foi nesse silêncio fecundo que compreendi uma das maiores lições da existência: respeitar profundamente o mistério que habita cada pessoa.

O tempo, porém, nunca permanece parado.

Ele nos leva para outras cidades, outras responsabilidades, outras formas de amar.

Vitória da Conquista tornou-se definitivamente meu chão. Vieram o casamento, a família, a alegria das filhas, os desafios cotidianos, as amizades amadurecidas nas esquinas da cidade, nas conversas demoradas, nos cafés compartilhados e nos projetos construídos coletivamente.

Ao mesmo tempo, a vida espalhou amigos por diferentes estados e até por outros países.

A tecnologia encurtou distâncias, mas foi o afeto que manteve os vínculos vivos.

Percebi, então, que o lar nunca foi apenas um endereço.

Lar é qualquer lugar onde alguém pronuncia o nosso nome com alegria.

Há uma ilusão comum de que perdemos amigos ao longo da vida.

Talvez não.

Talvez eles apenas passem a morar dentro de nós.

Cada amizade deixa uma camada invisível sobre nossa personalidade. Um jeito de rir. Uma expressão repetida sem perceber. Um conselho que reaparece diante das dificuldades. Uma coragem emprestada. Uma esperança aprendida.

Somos feitos dessas heranças silenciosas.

Nenhuma inteligência artificial conseguirá medir o peso de um abraço recebido no momento exato em que o mundo parecia desmoronar. Nenhuma fotografia conseguirá registrar completamente a emoção de reencontrar alguém que conheceu nossos sonhos quando eles ainda eram apenas sementes.

Porque amizade verdadeira desafia a lógica do tempo.

Ela não envelhece.

Ela apenas muda de endereço dentro do coração.

Hoje compreendo que minha história jamais foi escrita apenas pelas decisões que tomei. Ela foi escrita pelas mãos que me levantaram, pelas vozes que me encorajaram, pelos ombros que suportaram comigo as derrotas e pelos sorrisos que multiplicaram as vitórias.

Olho para trás e não encontro uma sucessão de anos.

Encontro rostos.

Vejo a criança da Pituba, os jovens da paróquia, os companheiros da militância, os irmãos do seminário, os amigos da família, os colegas de Vitória da Conquista e aqueles que a vida espalhou pelo mundo.

Nenhum deles ficou para trás.

Todos continuam vivos em cada palavra que escrevo, em cada valor que defendo e em cada gesto de humanidade que ainda consigo oferecer.

Porque, no fim das contas, a maior riqueza que uma existência pode acumular não cabe em cofres, nem em currículos, nem em monumentos.

Ela mora, silenciosamente, na memória agradecida de quem descobre, ao atravessar o tempo, que nunca caminhou sozinho.

O divórcio entre a esquerda e o cristianismo: como dois antigos aliados passaram a falar línguas diferentes

Ensaio — Política, religião e o futuro do diálogo

H
á um mal-entendido antigo que atravessa o debate público brasileiro e ocidental: a suposição de que cristianismo e esquerda seriam, por natureza, adversários históricos, como se a defesa dos pobres, a crítica às estruturas de exploração e a busca por igualdade fossem invenções seculares alheias ao Evangelho. A história desmente essa narrativa simplificada, mas também revela algo incômodo: por gerações, esquerda e cristianismo caminharam próximos — às vezes como aliados, às vezes como parceiros desconfiados — antes de se afastarem, nas últimas décadas, a ponto de hoje mal se reconhecerem um no outro. Este ensaio não pretende resolver essa disputa, mas compreendê-la: entender como dois projetos que um dia compartilharam vocabulário moral passaram a habitar universos discursivos distintos, e perguntar, ao final, quem se afastou de quem — ou se ambos simplesmente deixaram de traduzir um para o outro aquilo que ainda têm em comum.

O cristianismo nasceu, historicamente, de baixo para cima. Nasceu entre perseguidos, escravizados, pescadores, mulheres sem estatuto jurídico pleno, órfãos e viúvos — categorias que a sociedade greco-romana considerava desprovidas de honra. A afirmação de que toda vida humana possui valor independentemente de riqueza, sangue ou posição social era, naquele contexto, uma ruptura moral tão radical quanto qualquer revolução política. Não por acaso, historiadores como Peter Brown descreveram o cristianismo primitivo como um movimento que reorganizou completamente as noções antigas de pobreza, cuidado e pertencimento comunitário. Essa semente ética — o cuidado com o vulnerável como centro, não como acessório da fé — é o fio que conecta o Evangelho às futuras tradições de justiça social, muito antes de qualquer categoria política moderna existir.

A tensão começa a se instalar a partir do século IV, quando o cristianismo deixa de ser religião perseguida para tornar-se religião do império. Ali nasce uma contradição que atravessaria os séculos seguintes: de um lado, a força profética do Evangelho, que denuncia o poder e se solidariza com o excluído; de outro, a tentação constante da ordem, da hierarquia e da proximidade com quem governa. Santo Agostinho, em “A Cidade de Deus”, já tentava equacionar essa tensão ao distinguir a cidade terrena — movida pelo amor de si — da cidade celeste, movida pelo amor a Deus e ao próximo, sem jamais confundir uma com a outra. Séculos depois, São Tomás de Aquino recuperaria essa distinção para pensar a lei natural e o bem comum como critérios que deveriam, idealmente, limitar o poder político, e não legitimá-lo automaticamente.

O Iluminismo e a Revolução Francesa complicam ainda mais esse quadro. Ao proclamarem liberdade, igualdade e fraternidade como princípios universais, os revolucionários se voltaram contra a Igreja enquanto instituição aliada do Antigo Regime — mas, paradoxalmente, herdaram da tradição cristã a própria gramática da dignidade que usavam para atacá-la. Autores como Charles Taylor observam que boa parte do vocabulário moral moderno, incluindo a defesa dos direitos humanos, é secularização de intuições originalmente religiosas sobre o valor incondicional da pessoa. A modernidade não inventou a dignidade humana; ela a desvinculou de sua fundamentação teológica explícita, mantendo, contudo, sua estrutura. É essa ambiguidade — filha rebelde que carrega os traços do pai que rejeita — que explica por que liberalismo, socialismo e cristianismo puderam, em momentos distintos, disputar e compartilhar a mesma linguagem de justiça.

“Um pequeno número de ricos impôs, praticamente, o jugo da escravidão à imensa massa dos proletários.” Assim escrevia o Papa Leão XIII na encíclica Rerum Novarum, em 1891 — não como panfleto socialista, mas como fundação da Doutrina Social da Igreja, a resposta católica tanto ao capitalismo liberal desenfreado quanto ao materialismo revolucionário.

A Doutrina Social da Igreja nasce, portanto, de uma recusa dupla: recusa do liberalismo econômico que trata o trabalhador como mercadoria e recusa do socialismo que nega a propriedade privada e a transcendência da pessoa. Essa “terceira via” seria retomada décadas depois por pensadores como Jacques Maritain, com seu humanismo integral, e Emmanuel Mounier, fundador do personalismo, ambos buscando uma política que colocasse a pessoa humana — corpo, alma, comunidade — acima tanto do indivíduo abstrato do liberalismo quanto da massa anônima do coletivismo. Ainda assim, é inegável que essa tradição social cristã compartilhava com a esquerda nascente uma mesma preocupação: a condição do trabalhador, a distribuição da riqueza, os limites morais do mercado.

Karl Marx, é claro, via a religião de outro modo — como “ópio do povo”, consolo ideológico que adiava a revolução necessária. Mas mesmo essa crítica, lida com cuidado, não era um ataque gratuito à fé, e sim uma denúncia de como estruturas religiosas podiam ser cooptadas para justificar a resignação diante da injustiça. Antonio Gramsci, mais tarde, entenderia que a religião popular era também um campo de disputa hegemônica, não apenas alienação: quem controlasse os símbolos religiosos controlaria parte decisiva do imaginário das massas. Esse insight gramsciano ajuda a explicar por que, um século depois, tanto a esquerda latino-americana quanto os movimentos conservadores religiosos investiriam tão intensamente na disputa pelo sentido da fé popular.

Foi na América Latina que a aproximação entre cristianismo e esquerda atingiu seu ponto mais alto. A Teologia da Libertação, sistematizada por Gustavo Gutiérrez a partir do final dos anos 1960, propôs que a fé cristã exige uma “opção preferencial pelos pobres” e que a leitura do Evangelho deveria partir da realidade concreta de opressão vivida pelos povos latino-americanos. Leonardo Boff radicalizou essa proposta ao criticar duramente a estrutura hierárquica da própria Igreja, o que lhe rendeu processos disciplinares em Roma — episódio que revela como a Teologia da Libertação não foi recebida sem tensão interna, tampouco pode ser lida como bloco homogêneo. As Comunidades Eclesiais de Base, por sua vez, tiveram papel concreto e decisivo na resistência às ditaduras militares e na redemocratização brasileira, oferecendo espaços de organização popular, alfabetização política e solidariedade em tempos de repressão. Não era teoria abstrata: era padres, freiras e leigos arriscando a liberdade e, em alguns casos, a vida.

Ao mesmo tempo, a esquerda ocidental começava a se transformar internamente. A partir dos anos 1960, emerge o que se convencionou chamar de Nova Esquerda: menos centrada na classe operária clássica, mais atenta a temas como cultura, subjetividade, raça, gênero e sexualidade. A Escola de Frankfurt, com autores como Theodor Adorno e Herbert Marcuse, contribuiu decisivamente para esse deslocamento ao deslocar a crítica social do plano puramente econômico para o plano cultural e psicológico — a “indústria cultural”, a repressão do desejo, a dominação simbólica. Décadas depois, o pós-modernismo de Michel Foucault e Jean-François Lyotard aprofundaria essa virada, questionando as “grandes narrativas” totalizantes — incluindo, implicitamente, a narrativa cristã de salvação universal — em favor de uma pluralidade de discursos e identidades em disputa.

Esse deslocamento cultural da esquerda coincidiu, não por acaso, com pautas que tocam diretamente na antropologia cristã tradicional: sexualidade, aborto, family, papel de gênero, liberdade religiosa. Para muitas igrejas, especialmente as de tradição mais conservadora, essas pautas passaram a ser lidas como ataque frontal a valores considerados inegociáveis. Para parte da esquerda, a defesa desses temas passou a ser lida como bandeira inegociável de justiça e autonomia individual. O resultado foi um distanciamento mútuo alimentado por linguagens que deixaram de se traduzir: onde uma parte falava em “santidade da vida” e “ordem natural”, a outra falava em “autonomia do corpo” e “direitos reprodutivos” — e cada vez menos ambas encontravam um vocabulário comum de deliberação.

Talvez o erro mais decisivo, de ambos os lados, tenha sido tratar temas morais complexos como testes de pureza ideológica, em vez de tratá-los como perguntas humanas legítimas, merecedoras de deliberação paciente. Quando a fé se torna palavra de ordem partidária e a política se torna substituto de religião, ambas perdem sua capacidade mais valiosa: a de convocar ao diálogo em vez de à trincheira.

Enquanto a esquerda ocidental se afastava institucionalmente das igrejas, um fenômeno paralelo e igualmente decisivo tomava forma: a ascensão política das igrejas evangélicas, sobretudo no Brasil e em boa parte da América Latina. A partir dos anos 1980 e 1990, denominações pentecostais e neopentecostais construíram estruturas de comunicação, mobilização eleitoral e representação parlamentar — a chamada “bancada evangélica” — com eficiência que partidos tradicionais de esquerda, historicamente mais distantes da linguagem religiosa popular, não souberam replicar. A teologia da prosperidade, em muitas dessas igrejas, aproximou fé e sucesso material de maneiras que favoreciam moralmente o livre mercado e a ascensão individual, em contraste direto com a ênfase na estrutura coletiva de injustiça típica da tradição de esquerda. O conservadorismo cristão brasileiro cresceu, assim, não apenas como reação, mas como projeto político organizado, com pauta própria sobre família, costumes e liberdade religiosa.

As redes sociais aceleraram e radicalizaram esse processo. A mediação institucional — bispos, pastores, lideranças partidárias, imprensa tradicional — perdeu peso diante de algoritmos que recompensam indignação, simplificação e polarização. Tanto discursos religiosos quanto discursos políticos passaram a ser fabricados para o engajamento, não para a deliberação. Isso favoreceu, de modo simétrico, tanto o avanço da direita entre segmentos religiosos quanto o enrijecimento de setores da esquerda em relação a qualquer linguagem de fé, tratada, muitas vezes, como sinônimo automático de atraso ou autoritarismo moral — leitura que ignora a diversidade interna do próprio campo religioso e repete, de outro ângulo, o mesmo erro de simplificação ideológica.

Aqui vale abrir uma distinção filosófica necessária, pois a palavra “cristianismo” esconde, na verdade, pelo menos cinco fenômenos distintos. Há o cristianismo como experiência espiritual — o encontro pessoal, íntimo, com o transcendente, irredutível a qualquer categoria política. Há o cristianismo como ética social — o conjunto de princípios de justiça, cuidado e dignidade herdados do Evangelho e sistematizados pela Doutrina Social da Igreja. Há o cristianismo institucional — as estruturas eclesiásticas, seu poder, seu patrimônio, sua história de alianças com governantes. Há o cristianismo cultural — identidade herdada, tradição familiar, marcador civilizacional, muitas vezes desacompanhado de prática ou convicção teológica profunda. E há, por fim, o cristianismo político — a instrumentalização da fé, por qualquer campo ideológico, como capital eleitoral. Grande parte da confusão pública decorre de tratarmos esses cinco fenômenos como se fossem um só, atribuindo à “fé” comportamentos que pertencem, na verdade, à instituição, à cultura ou ao cálculo político.

É possível, então, falar em esquerda cristã ou direita cristã? Historicamente, sim — ambas existiram e existem, com tradições intelectuais robustas. Roger Scruton articulou um conservadorismo que via na religião o cimento moral necessário à continuidade das instituições e à transmissão de valores entre gerações. Alasdair MacIntyre, por sua vez, criticou o vazio moral do liberalismo moderno e defendeu o retorno a tradições de virtude enraizadas em comunidades — leitura que inspirou tanto conservadores quanto críticos comunitaristas de esquerda. Já Joseph Ratzinger insistiu na autonomia da fé diante de qualquer sistema político, alertando contra reduções ideológicas do Evangelho tanto à direita quanto à esquerda, enquanto o Papa Francisco recolocou o tema da fraternidade universal, da ecologia integral e da opção pelos pobres no centro do debate público, sem, contudo, filiar-se a qualquer partido. O próprio Evangelho, lido com honestidade histórica, resiste à domesticação plena por qualquer categoria política moderna: ele exige tanto liberdade quanto responsabilidade, tanto misericórdia quanto verdade, tanto pessoa quanto comunidade — combinação que nenhuma ideologia contemporânea abraça por inteiro.

O conceito de dignidade humana ilustra bem essa tensão fecunda. Na tradição cristã, a dignidade decorre de sermos criados à imagem e semelhança de Deus — fundamento absoluto, anterior a qualquer conquista social ou reconhecimento estatal. Nas tradições políticas modernas, a dignidade aparece fundamentada de outras formas: na autonomia racional kantiana, na igualdade natural do contrato social, ou nas lutas históricas por reconhecimento descritas por autores contemporâneos. Há convergência evidente no resultado prático — a defesa da inviolabilidade da pessoa —, mas divergência profunda na origem: uma dignidade concedida ou reconhecida por consenso humano é, em princípio, revogável; uma dignidade fundada na transcendência não o é. Hannah Arendt, refletindo sobre os horrores totalitários do século XX, mostrou como sociedades que perdem espaços públicos genuínos de deliberação e comunidades de pertencimento tornam-se férteis para movimentos que negam justamente essa dignidade — advertência que serve tanto a regimes de esquerda quanto de direita, e que deveria alarmar qualquer cristão atento à história.

Max Weber já havia previsto, ainda no início do século XX, que a modernidade caminhava para um “desencantamento do mundo”, em que a religião perderia centralidade explicativa na vida pública. Charles Taylor atualizou essa tese ao descrever nossa época não como simplesmente secular, mas como uma “idade secular” em que a fé se tornou uma opção entre outras, disputando espaço num mercado plural de sentidos — o que explica por que o cristianismo cultural sobrevive robusto enquanto o cristianismo institucional e devocional recua. Jürgen Habermas, já em fase tardia de seu pensamento, reconheceu que sociedades pós-seculares não podem simplesmente descartar a linguagem religiosa da esfera pública, propondo, em vez disso, um trabalho mútuo de tradução: os religiosos aprendendo a expressar suas convicções em termos acessíveis a todos, os seculares aprendendo a reconhecer que tradições religiosas ainda guardam recursos morais e semânticos que a razão puramente instrumental não substitui sozinha. É precisamente essa tradução que tem faltado ao debate contemporâneo entre esquerda e cristianismo.

Os erros, aqui, não pertencem a um único lado. Parte da esquerda, especialmente em sua vertente mais secularizada e urbana, tratou a religião como resquício irracional a ser superado, subestimando seu papel comunitário, sua capacidade de consolo diante do sofrimento e sua profunda infiltração na cultura popular latino-americana — erro estratégico que abriu espaço para que outros ocupassem esse território afetivo e simbólico. Parte das igrejas, por sua vez, repetiu a tentação constantiniana: trocou a proximidade com os pobres pela proximidade com o poder, transformou púlpitos em palanques, e reduziu a riqueza teológica do Evangelho a uma pauta de costumes estreita, esvaziando justamente a dimensão social que por séculos aproximara cristãos e movimentos de justiça. Ambos os erros compartilham a mesma raiz: a substituição da fé e da política por identidades tribais, mais preocupadas em vencer o adversário do que em compreender a verdade que ele eventualmente carrega.

O risco, hoje, corre nas duas direções. Há o risco de instrumentalização da fé por projetos políticos — quando líderes religiosos transformam o púlpito em ferramenta eleitoral, sacrificando a autonomia profética da religião em troca de acesso ao poder. E há o risco simétrico de instrumentalização da política por projetos religiosos — quando movimentos buscam impor, por via legislativa ou judicial, uma visão de mundo religiosa específica a sociedades plurais, ferindo o princípio, tão caro à própria tradição cristã bem compreendida, de que a fé genuína não pode ser imposta pela força, apenas proposta pela liberdade. Tocqueville já observara, analisando a democracia americana, que a religião prospera precisamente quando se mantém distante do aparelho de Estado, preservando assim sua autoridade moral independente. É uma lição que tanto igrejas quanto partidos parecem ter esquecido.

Talvez a pergunta mais honesta não seja “quem abandonou quem”, mas “quando deixamos de nos traduzir mutuamente”. A esquerda, ao secularizar-se, perdeu parte do vocabulário simbólico capaz de tocar milhões de pessoas para quem a fé continua sendo estrutura de sentido cotidiano. As igrejas, ao politizar-se, perderam parte da autonomia profética que lhes permitia denunciar injustiças independentemente de quem estivesse no poder. Ambas, no processo, abandonaram um pouco daquilo que originalmente as aproximava: o compromisso com a dignidade concreta da pessoa concreta, sobretudo da pessoa vulnerável.

Não creio, portanto, que exista uma resposta simples e confortável à pergunta que abre este ensaio. O cristianismo não abandonou pura e simplesmente a esquerda, nem a esquerda abandonou pura e simplesmente o cristianismo. O que ocorreu foi algo mais sutil e mais grave: ambos passaram a habitar gramáticas morais cada vez mais distantes, incapazes de reconhecer, no vocabulário do outro, ecos de uma mesma aspiração antiga por justiça e dignidade. Recuperar essa capacidade de tradução — sem relativismo ingênuo, sem fusão ideológica, mas com humildade intelectual e disposição genuína para o encontro — talvez seja a tarefa política e espiritual mais urgente do nosso tempo. Não se trata de escolher entre fé e justiça social, nem entre Evangelho e política. Trata-se de recusar a tentação, tão sedutora quanto empobrecedora, de transformar o mistério da pessoa humana — e o mistério de Deus — em munição de guerra cultural. O convite, ao final, não é à vitória de um lado sobre o outro, mas ao diálogo que ambos, em algum momento do caminho, esqueceram como fazer.

Cristianismo
Política
Doutrina Social da Igreja
Teologia da Libertação
Democracia
Fé e Sociedade

Por Padre Carlos

O divórcio entre a esquerda e o cristianismo: como dois antigos aliados passaram a falar línguas diferentes

Ensaio — Política, religião e o futuro do diálogo

H
á um mal-entendido antigo que atravessa o debate público brasileiro e ocidental: a suposição de que cristianismo e esquerda seriam, por natureza, adversários históricos, como se a defesa dos pobres, a crítica às estruturas de exploração e a busca por igualdade fossem invenções seculares alheias ao Evangelho. A história desmente essa narrativa simplificada, mas também revela algo incômodo: por gerações, esquerda e cristianismo caminharam próximos — às vezes como aliados, às vezes como parceiros desconfiados — antes de se afastarem, nas últimas décadas, a ponto de hoje mal se reconhecerem um no outro. Este ensaio não pretende resolver essa disputa, mas compreendê-la: entender como dois projetos que um dia compartilharam vocabulário moral passaram a habitar universos discursivos distintos, e perguntar, ao final, quem se afastou de quem — ou se ambos simplesmente deixaram de traduzir um para o outro aquilo que ainda têm em comum.

O cristianismo nasceu, historicamente, de baixo para cima. Nasceu entre perseguidos, escravizados, pescadores, mulheres sem estatuto jurídico pleno, órfãos e viúvos — categorias que a sociedade greco-romana considerava desprovidas de honra. A afirmação de que toda vida humana possui valor independentemente de riqueza, sangue ou posição social era, naquele contexto, uma ruptura moral tão radical quanto qualquer revolução política. Não por acaso, historiadores como Peter Brown descreveram o cristianismo primitivo como um movimento que reorganizou completamente as noções antigas de pobreza, cuidado e pertencimento comunitário. Essa semente ética — o cuidado com o vulnerável como centro, não como acessório da fé — é o fio que conecta o Evangelho às futuras tradições de justiça social, muito antes de qualquer categoria política moderna existir.

A tensão começa a se instalar a partir do século IV, quando o cristianismo deixa de ser religião perseguida para tornar-se religião do império. Ali nasce uma contradição que atravessaria os séculos seguintes: de um lado, a força profética do Evangelho, que denuncia o poder e se solidariza com o excluído; de outro, a tentação constante da ordem, da hierarquia e da proximidade com quem governa. Santo Agostinho, em “A Cidade de Deus”, já tentava equacionar essa tensão ao distinguir a cidade terrena — movida pelo amor de si — da cidade celeste, movida pelo amor a Deus e ao próximo, sem jamais confundir uma com a outra. Séculos depois, São Tomás de Aquino recuperaria essa distinção para pensar a lei natural e o bem comum como critérios que deveriam, idealmente, limitar o poder político, e não legitimá-lo automaticamente.

O Iluminismo e a Revolução Francesa complicam ainda mais esse quadro. Ao proclamarem liberdade, igualdade e fraternidade como princípios universais, os revolucionários se voltaram contra a Igreja enquanto instituição aliada do Antigo Regime — mas, paradoxalmente, herdaram da tradição cristã a própria gramática da dignidade que usavam para atacá-la. Autores como Charles Taylor observam que boa parte do vocabulário moral moderno, incluindo a defesa dos direitos humanos, é secularização de intuições originalmente religiosas sobre o valor incondicional da pessoa. A modernidade não inventou a dignidade humana; ela a desvinculou de sua fundamentação teológica explícita, mantendo, contudo, sua estrutura. É essa ambiguidade — filha rebelde que carrega os traços do pai que rejeita — que explica por que liberalismo, socialismo e cristianismo puderam, em momentos distintos, disputar e compartilhar a mesma linguagem de justiça.

“Um pequeno número de ricos impôs, praticamente, o jugo da escravidão à imensa massa dos proletários.” Assim escrevia o Papa Leão XIII na encíclica Rerum Novarum, em 1891 — não como panfleto socialista, mas como fundação da Doutrina Social da Igreja, a resposta católica tanto ao capitalismo liberal desenfreado quanto ao materialismo revolucionário.

A Doutrina Social da Igreja nasce, portanto, de uma recusa dupla: recusa do liberalismo econômico que trata o trabalhador como mercadoria e recusa do socialismo que nega a propriedade privada e a transcendência da pessoa. Essa “terceira via” seria retomada décadas depois por pensadores como Jacques Maritain, com seu humanismo integral, e Emmanuel Mounier, fundador do personalismo, ambos buscando uma política que colocasse a pessoa humana — corpo, alma, comunidade — acima tanto do indivíduo abstrato do liberalismo quanto da massa anônima do coletivismo. Ainda assim, é inegável que essa tradição social cristã compartilhava com a esquerda nascente uma mesma preocupação: a condição do trabalhador, a distribuição da riqueza, os limites morais do mercado.

Karl Marx, é claro, via a religião de outro modo — como “ópio do povo”, consolo ideológico que adiava a revolução necessária. Mas mesmo essa crítica, lida com cuidado, não era um ataque gratuito à fé, e sim uma denúncia de como estruturas religiosas podiam ser cooptadas para justificar a resignação diante da injustiça. Antonio Gramsci, mais tarde, entenderia que a religião popular era também um campo de disputa hegemônica, não apenas alienação: quem controlasse os símbolos religiosos controlaria parte decisiva do imaginário das massas. Esse insight gramsciano ajuda a explicar por que, um século depois, tanto a esquerda latino-americana quanto os movimentos conservadores religiosos investiriam tão intensamente na disputa pelo sentido da fé popular.

Foi na América Latina que a aproximação entre cristianismo e esquerda atingiu seu ponto mais alto. A Teologia da Libertação, sistematizada por Gustavo Gutiérrez a partir do final dos anos 1960, propôs que a fé cristã exige uma “opção preferencial pelos pobres” e que a leitura do Evangelho deveria partir da realidade concreta de opressão vivida pelos povos latino-americanos. Leonardo Boff radicalizou essa proposta ao criticar duramente a estrutura hierárquica da própria Igreja, o que lhe rendeu processos disciplinares em Roma — episódio que revela como a Teologia da Libertação não foi recebida sem tensão interna, tampouco pode ser lida como bloco homogêneo. As Comunidades Eclesiais de Base, por sua vez, tiveram papel concreto e decisivo na resistência às ditaduras militares e na redemocratização brasileira, oferecendo espaços de organização popular, alfabetização política e solidariedade em tempos de repressão. Não era teoria abstrata: era padres, freiras e leigos arriscando a liberdade e, em alguns casos, a vida.

Ao mesmo tempo, a esquerda ocidental começava a se transformar internamente. A partir dos anos 1960, emerge o que se convencionou chamar de Nova Esquerda: menos centrada na classe operária clássica, mais atenta a temas como cultura, subjetividade, raça, gênero e sexualidade. A Escola de Frankfurt, com autores como Theodor Adorno e Herbert Marcuse, contribuiu decisivamente para esse deslocamento ao deslocar a crítica social do plano puramente econômico para o plano cultural e psicológico — a “indústria cultural”, a repressão do desejo, a dominação simbólica. Décadas depois, o pós-modernismo de Michel Foucault e Jean-François Lyotard aprofundaria essa virada, questionando as “grandes narrativas” totalizantes — incluindo, implicitamente, a narrativa cristã de salvação universal — em favor de uma pluralidade de discursos e identidades em disputa.

Esse deslocamento cultural da esquerda coincidiu, não por acaso, com pautas que tocam diretamente na antropologia cristã tradicional: sexualidade, aborto, family, papel de gênero, liberdade religiosa. Para muitas igrejas, especialmente as de tradição mais conservadora, essas pautas passaram a ser lidas como ataque frontal a valores considerados inegociáveis. Para parte da esquerda, a defesa desses temas passou a ser lida como bandeira inegociável de justiça e autonomia individual. O resultado foi um distanciamento mútuo alimentado por linguagens que deixaram de se traduzir: onde uma parte falava em “santidade da vida” e “ordem natural”, a outra falava em “autonomia do corpo” e “direitos reprodutivos” — e cada vez menos ambas encontravam um vocabulário comum de deliberação.

Talvez o erro mais decisivo, de ambos os lados, tenha sido tratar temas morais complexos como testes de pureza ideológica, em vez de tratá-los como perguntas humanas legítimas, merecedoras de deliberação paciente. Quando a fé se torna palavra de ordem partidária e a política se torna substituto de religião, ambas perdem sua capacidade mais valiosa: a de convocar ao diálogo em vez de à trincheira.

Enquanto a esquerda ocidental se afastava institucionalmente das igrejas, um fenômeno paralelo e igualmente decisivo tomava forma: a ascensão política das igrejas evangélicas, sobretudo no Brasil e em boa parte da América Latina. A partir dos anos 1980 e 1990, denominações pentecostais e neopentecostais construíram estruturas de comunicação, mobilização eleitoral e representação parlamentar — a chamada “bancada evangélica” — com eficiência que partidos tradicionais de esquerda, historicamente mais distantes da linguagem religiosa popular, não souberam replicar. A teologia da prosperidade, em muitas dessas igrejas, aproximou fé e sucesso material de maneiras que favoreciam moralmente o livre mercado e a ascensão individual, em contraste direto com a ênfase na estrutura coletiva de injustiça típica da tradição de esquerda. O conservadorismo cristão brasileiro cresceu, assim, não apenas como reação, mas como projeto político organizado, com pauta própria sobre família, costumes e liberdade religiosa.

As redes sociais aceleraram e radicalizaram esse processo. A mediação institucional — bispos, pastores, lideranças partidárias, imprensa tradicional — perdeu peso diante de algoritmos que recompensam indignação, simplificação e polarização. Tanto discursos religiosos quanto discursos políticos passaram a ser fabricados para o engajamento, não para a deliberação. Isso favoreceu, de modo simétrico, tanto o avanço da direita entre segmentos religiosos quanto o enrijecimento de setores da esquerda em relação a qualquer linguagem de fé, tratada, muitas vezes, como sinônimo automático de atraso ou autoritarismo moral — leitura que ignora a diversidade interna do próprio campo religioso e repete, de outro ângulo, o mesmo erro de simplificação ideológica.

Aqui vale abrir uma distinção filosófica necessária, pois a palavra “cristianismo” esconde, na verdade, pelo menos cinco fenômenos distintos. Há o cristianismo como experiência espiritual — o encontro pessoal, íntimo, com o transcendente, irredutível a qualquer categoria política. Há o cristianismo como ética social — o conjunto de princípios de justiça, cuidado e dignidade herdados do Evangelho e sistematizados pela Doutrina Social da Igreja. Há o cristianismo institucional — as estruturas eclesiásticas, seu poder, seu patrimônio, sua história de alianças com governantes. Há o cristianismo cultural — identidade herdada, tradição familiar, marcador civilizacional, muitas vezes desacompanhado de prática ou convicção teológica profunda. E há, por fim, o cristianismo político — a instrumentalização da fé, por qualquer campo ideológico, como capital eleitoral. Grande parte da confusão pública decorre de tratarmos esses cinco fenômenos como se fossem um só, atribuindo à “fé” comportamentos que pertencem, na verdade, à instituição, à cultura ou ao cálculo político.

É possível, então, falar em esquerda cristã ou direita cristã? Historicamente, sim — ambas existiram e existem, com tradições intelectuais robustas. Roger Scruton articulou um conservadorismo que via na religião o cimento moral necessário à continuidade das instituições e à transmissão de valores entre gerações. Alasdair MacIntyre, por sua vez, criticou o vazio moral do liberalismo moderno e defendeu o retorno a tradições de virtude enraizadas em comunidades — leitura que inspirou tanto conservadores quanto críticos comunitaristas de esquerda. Já Joseph Ratzinger insistiu na autonomia da fé diante de qualquer sistema político, alertando contra reduções ideológicas do Evangelho tanto à direita quanto à esquerda, enquanto o Papa Francisco recolocou o tema da fraternidade universal, da ecologia integral e da opção pelos pobres no centro do debate público, sem, contudo, filiar-se a qualquer partido. O próprio Evangelho, lido com honestidade histórica, resiste à domesticação plena por qualquer categoria política moderna: ele exige tanto liberdade quanto responsabilidade, tanto misericórdia quanto verdade, tanto pessoa quanto comunidade — combinação que nenhuma ideologia contemporânea abraça por inteiro.

O conceito de dignidade humana ilustra bem essa tensão fecunda. Na tradição cristã, a dignidade decorre de sermos criados à imagem e semelhança de Deus — fundamento absoluto, anterior a qualquer conquista social ou reconhecimento estatal. Nas tradições políticas modernas, a dignidade aparece fundamentada de outras formas: na autonomia racional kantiana, na igualdade natural do contrato social, ou nas lutas históricas por reconhecimento descritas por autores contemporâneos. Há convergência evidente no resultado prático — a defesa da inviolabilidade da pessoa —, mas divergência profunda na origem: uma dignidade concedida ou reconhecida por consenso humano é, em princípio, revogável; uma dignidade fundada na transcendência não o é. Hannah Arendt, refletindo sobre os horrores totalitários do século XX, mostrou como sociedades que perdem espaços públicos genuínos de deliberação e comunidades de pertencimento tornam-se férteis para movimentos que negam justamente essa dignidade — advertência que serve tanto a regimes de esquerda quanto de direita, e que deveria alarmar qualquer cristão atento à história.

Max Weber já havia previsto, ainda no início do século XX, que a modernidade caminhava para um “desencantamento do mundo”, em que a religião perderia centralidade explicativa na vida pública. Charles Taylor atualizou essa tese ao descrever nossa época não como simplesmente secular, mas como uma “idade secular” em que a fé se tornou uma opção entre outras, disputando espaço num mercado plural de sentidos — o que explica por que o cristianismo cultural sobrevive robusto enquanto o cristianismo institucional e devocional recua. Jürgen Habermas, já em fase tardia de seu pensamento, reconheceu que sociedades pós-seculares não podem simplesmente descartar a linguagem religiosa da esfera pública, propondo, em vez disso, um trabalho mútuo de tradução: os religiosos aprendendo a expressar suas convicções em termos acessíveis a todos, os seculares aprendendo a reconhecer que tradições religiosas ainda guardam recursos morais e semânticos que a razão puramente instrumental não substitui sozinha. É precisamente essa tradução que tem faltado ao debate contemporâneo entre esquerda e cristianismo.

Os erros, aqui, não pertencem a um único lado. Parte da esquerda, especialmente em sua vertente mais secularizada e urbana, tratou a religião como resquício irracional a ser superado, subestimando seu papel comunitário, sua capacidade de consolo diante do sofrimento e sua profunda infiltração na cultura popular latino-americana — erro estratégico que abriu espaço para que outros ocupassem esse território afetivo e simbólico. Parte das igrejas, por sua vez, repetiu a tentação constantiniana: trocou a proximidade com os pobres pela proximidade com o poder, transformou púlpitos em palanques, e reduziu a riqueza teológica do Evangelho a uma pauta de costumes estreita, esvaziando justamente a dimensão social que por séculos aproximara cristãos e movimentos de justiça. Ambos os erros compartilham a mesma raiz: a substituição da fé e da política por identidades tribais, mais preocupadas em vencer o adversário do que em compreender a verdade que ele eventualmente carrega.

O risco, hoje, corre nas duas direções. Há o risco de instrumentalização da fé por projetos políticos — quando líderes religiosos transformam o púlpito em ferramenta eleitoral, sacrificando a autonomia profética da religião em troca de acesso ao poder. E há o risco simétrico de instrumentalização da política por projetos religiosos — quando movimentos buscam impor, por via legislativa ou judicial, uma visão de mundo religiosa específica a sociedades plurais, ferindo o princípio, tão caro à própria tradição cristã bem compreendida, de que a fé genuína não pode ser imposta pela força, apenas proposta pela liberdade. Tocqueville já observara, analisando a democracia americana, que a religião prospera precisamente quando se mantém distante do aparelho de Estado, preservando assim sua autoridade moral independente. É uma lição que tanto igrejas quanto partidos parecem ter esquecido.

Talvez a pergunta mais honesta não seja “quem abandonou quem”, mas “quando deixamos de nos traduzir mutuamente”. A esquerda, ao secularizar-se, perdeu parte do vocabulário simbólico capaz de tocar milhões de pessoas para quem a fé continua sendo estrutura de sentido cotidiano. As igrejas, ao politizar-se, perderam parte da autonomia profética que lhes permitia denunciar injustiças independentemente de quem estivesse no poder. Ambas, no processo, abandonaram um pouco daquilo que originalmente as aproximava: o compromisso com a dignidade concreta da pessoa concreta, sobretudo da pessoa vulnerável.

Não creio, portanto, que exista uma resposta simples e confortável à pergunta que abre este ensaio. O cristianismo não abandonou pura e simplesmente a esquerda, nem a esquerda abandonou pura e simplesmente o cristianismo. O que ocorreu foi algo mais sutil e mais grave: ambos passaram a habitar gramáticas morais cada vez mais distantes, incapazes de reconhecer, no vocabulário do outro, ecos de uma mesma aspiração antiga por justiça e dignidade. Recuperar essa capacidade de tradução — sem relativismo ingênuo, sem fusão ideológica, mas com humildade intelectual e disposição genuína para o encontro — talvez seja a tarefa política e espiritual mais urgente do nosso tempo. Não se trata de escolher entre fé e justiça social, nem entre Evangelho e política. Trata-se de recusar a tentação, tão sedutora quanto empobrecedora, de transformar o mistério da pessoa humana — e o mistério de Deus — em munição de guerra cultural. O convite, ao final, não é à vitória de um lado sobre o outro, mas ao diálogo que ambos, em algum momento do caminho, esqueceram como fazer.

Cristianismo
Política
Doutrina Social da Igreja
Teologia da Libertação
Democracia
Fé e Sociedade

Por Padre Carlos

Para Onde Vai a Esquerda? Uma Análise Filosófico-Política do Cenário Brasileiro

Para Onde Vai a Esquerda? Uma Análise Filosófico-Política do Cenário Brasileiro

Por Padre Carlos

  • A
    questão sobre o futuro da esquerda no Brasil, levantada neste artigo, transcende o interesse de militantes e assume uma relevância central para a saúde da democracia brasileira. Como observadores da filosofia e da ciência política, é imperativo analisar este questionamento não apenas como um sintoma de uma crise ideológica, mas como um reflexo das dinâmicas complexas que moldam o cenário político contemporâneo. A capacidade de renovação, diálogo e oferta de soluções concretas por parte de todas as correntes políticas é a pedra angular de uma república vibrante.



A Crise da Esquerda e a Ascensão da Direita: Uma Perspectiva Multidimensional

A esquerda brasileira, após mais de uma década no poder, enfrenta um período de profunda introspecção. A ascensão da direita e, subsequentemente, da extrema direita, não pode ser simplificada a um único fator. A análise política exige uma compreensão multifacetada, que abranja erros de gestão, escândalos de corrupção, mudanças econômicas estruturais, transformações culturais e, crucialmente, a revolução na comunicação impulsionada pelas redes sociais. Este último ponto, em particular, representa uma metamorfose na arena política, onde o debate migrou dos espaços tradicionais para o efêmero e emocional ambiente digital. A compreensão e adaptação a esta nova realidade comunicacional tornaram-se um diferencial competitivo, como bem apontado no texto base.

Do ponto de vista da ciência política, a perda de hegemonia da esquerda pode ser interpretada através de conceitos como a fadiga de governo e a deslegitimação institucional. Governos prolongados tendem a acumular desgastes, e a percepção de corrupção mina a confiança nas instituições e nos partidos. A ascensão de movimentos de direita, por sua vez, pode ser vista como uma resposta a um vácuo de representação ou a uma insatisfação generalizada com o status quo, explorando narrativas que ressoam com segmentos da população que se sentem negligenciados pelos discursos progressistas tradicionais.

“A história é implacável com forças políticas que ignoram os sinais do tempo e deixam de ouvir o povo.”

O Pragmatismo do Eleitor e o Desafio da Conexão Popular

 

O texto destaca uma mudança fundamental no comportamento do eleitor brasileiro: a diminuição da fidelidade partidária e a ascensão de um voto pragmático. A população busca resultados concretos em áreas como segurança pública, saúde, educação, emprego e renda. Esta tendência reflete uma racionalidade instrumental na escolha política, onde a ideologia cede espaço à eficácia percebida das políticas públicas. Para a esquerda, o maior desafio reside em reconstruir sua conexão com o cidadão comum. Historicamente ligada a trabalhadores e movimentos populares, a esquerda precisa reavaliar se suas pautas e discursos ainda ecoam as preocupações cotidianas desses segmentos.

Filosoficamente, esta busca por resultados concretos remete ao utilitarismo na esfera pública, onde a maximização do bem-estar social e a resolução de problemas práticos se tornam os critérios primordiais para a avaliação do governo. A esquerda, para se reconectar, talvez precise revisitar a ideia de justiça social não apenas em termos de grandes narrativas, mas na sua manifestação tangível na vida das pessoas. Isso implica em uma redefinição de suas prioridades e uma comunicação mais eficaz de como suas propostas podem impactar positivamente o dia a dia da população.

A Responsabilidade da Direita e o Imperativo do Diálogo

Se a esquerda enfrenta o desafio da renovação, a direita, por sua vez, precisa compreender que a vitória eleitoral é apenas o primeiro passo. Governar exige mais do que vencer eleições: demanda a formulação de políticas públicas consistentes, o respeito às instituições democráticas e a promoção da estabilidade. A polarização, que transforma adversários em inimigos, é um risco para a própria estrutura democrática. O Brasil necessita de um ambiente político onde a competição de ideias ocorra com responsabilidade e respeito mútuo.

Neste ponto, a filosofia política nos lembra da importância da deliberação pública e do pluralismo. Uma democracia saudável não é aquela onde uma ideologia aniquila a outra, mas onde diferentes visões de mundo podem coexistir e disputar o futuro do país através do debate racional e do compromisso com o interesse público. A capacidade de adaptação e a sensibilidade às mudanças sociais são cruciais para a longevidade e relevância de qualquer movimento político.

Para Onde Vai o Brasil?

A pergunta “para onde vai a esquerda?” é, na verdade, um prólogo para uma questão ainda mais fundamental: para onde vai o Brasil? A resposta a esta indagação não reside em uma única corrente política, mas na capacidade coletiva de todas elas de aprender com os erros do passado, de ouvir atentamente a sociedade e de abandonar a lógica da polarização infinita. A democracia se fortalece não pela eliminação de ideologias divergentes, mas pela sua coexistência responsável e pelo compromisso inabalável com o bem comum.

Em última análise, o desafio é de todos. A esquerda precisa reencontrar seu propósito e sua voz junto ao povo. A direita precisa demonstrar que pode governar para a totalidade da nação, e não apenas para seus eleitores. E o Brasil, como entidade soberana e plural, aguarda que seus líderes políticos elevem o debate, priorizem o interesse nacional e construam um futuro mais justo e próspero para todos os seus cidadãos.

Política
Filosofia
Brasil
Democracia

Artigo assinado por  Padre Carlos — Análise Filosófico-Política

(mais…)

Para Onde Vai a Esquerda? Uma Análise Filosófico-Política do Cenário Brasileiro

Para Onde Vai a Esquerda? Uma Análise Filosófico-Política do Cenário Brasileiro

Por Padre Carlos

  • A
    questão sobre o futuro da esquerda no Brasil, levantada neste artigo, transcende o interesse de militantes e assume uma relevância central para a saúde da democracia brasileira. Como observadores da filosofia e da ciência política, é imperativo analisar este questionamento não apenas como um sintoma de uma crise ideológica, mas como um reflexo das dinâmicas complexas que moldam o cenário político contemporâneo. A capacidade de renovação, diálogo e oferta de soluções concretas por parte de todas as correntes políticas é a pedra angular de uma república vibrante.



A Crise da Esquerda e a Ascensão da Direita: Uma Perspectiva Multidimensional

A esquerda brasileira, após mais de uma década no poder, enfrenta um período de profunda introspecção. A ascensão da direita e, subsequentemente, da extrema direita, não pode ser simplificada a um único fator. A análise política exige uma compreensão multifacetada, que abranja erros de gestão, escândalos de corrupção, mudanças econômicas estruturais, transformações culturais e, crucialmente, a revolução na comunicação impulsionada pelas redes sociais. Este último ponto, em particular, representa uma metamorfose na arena política, onde o debate migrou dos espaços tradicionais para o efêmero e emocional ambiente digital. A compreensão e adaptação a esta nova realidade comunicacional tornaram-se um diferencial competitivo, como bem apontado no texto base.

Do ponto de vista da ciência política, a perda de hegemonia da esquerda pode ser interpretada através de conceitos como a fadiga de governo e a deslegitimação institucional. Governos prolongados tendem a acumular desgastes, e a percepção de corrupção mina a confiança nas instituições e nos partidos. A ascensão de movimentos de direita, por sua vez, pode ser vista como uma resposta a um vácuo de representação ou a uma insatisfação generalizada com o status quo, explorando narrativas que ressoam com segmentos da população que se sentem negligenciados pelos discursos progressistas tradicionais.

“A história é implacável com forças políticas que ignoram os sinais do tempo e deixam de ouvir o povo.”

O Pragmatismo do Eleitor e o Desafio da Conexão Popular

 

O texto destaca uma mudança fundamental no comportamento do eleitor brasileiro: a diminuição da fidelidade partidária e a ascensão de um voto pragmático. A população busca resultados concretos em áreas como segurança pública, saúde, educação, emprego e renda. Esta tendência reflete uma racionalidade instrumental na escolha política, onde a ideologia cede espaço à eficácia percebida das políticas públicas. Para a esquerda, o maior desafio reside em reconstruir sua conexão com o cidadão comum. Historicamente ligada a trabalhadores e movimentos populares, a esquerda precisa reavaliar se suas pautas e discursos ainda ecoam as preocupações cotidianas desses segmentos.

Filosoficamente, esta busca por resultados concretos remete ao utilitarismo na esfera pública, onde a maximização do bem-estar social e a resolução de problemas práticos se tornam os critérios primordiais para a avaliação do governo. A esquerda, para se reconectar, talvez precise revisitar a ideia de justiça social não apenas em termos de grandes narrativas, mas na sua manifestação tangível na vida das pessoas. Isso implica em uma redefinição de suas prioridades e uma comunicação mais eficaz de como suas propostas podem impactar positivamente o dia a dia da população.

A Responsabilidade da Direita e o Imperativo do Diálogo

Se a esquerda enfrenta o desafio da renovação, a direita, por sua vez, precisa compreender que a vitória eleitoral é apenas o primeiro passo. Governar exige mais do que vencer eleições: demanda a formulação de políticas públicas consistentes, o respeito às instituições democráticas e a promoção da estabilidade. A polarização, que transforma adversários em inimigos, é um risco para a própria estrutura democrática. O Brasil necessita de um ambiente político onde a competição de ideias ocorra com responsabilidade e respeito mútuo.

Neste ponto, a filosofia política nos lembra da importância da deliberação pública e do pluralismo. Uma democracia saudável não é aquela onde uma ideologia aniquila a outra, mas onde diferentes visões de mundo podem coexistir e disputar o futuro do país através do debate racional e do compromisso com o interesse público. A capacidade de adaptação e a sensibilidade às mudanças sociais são cruciais para a longevidade e relevância de qualquer movimento político.

Para Onde Vai o Brasil?

A pergunta “para onde vai a esquerda?” é, na verdade, um prólogo para uma questão ainda mais fundamental: para onde vai o Brasil? A resposta a esta indagação não reside em uma única corrente política, mas na capacidade coletiva de todas elas de aprender com os erros do passado, de ouvir atentamente a sociedade e de abandonar a lógica da polarização infinita. A democracia se fortalece não pela eliminação de ideologias divergentes, mas pela sua coexistência responsável e pelo compromisso inabalável com o bem comum.

Em última análise, o desafio é de todos. A esquerda precisa reencontrar seu propósito e sua voz junto ao povo. A direita precisa demonstrar que pode governar para a totalidade da nação, e não apenas para seus eleitores. E o Brasil, como entidade soberana e plural, aguarda que seus líderes políticos elevem o debate, priorizem o interesse nacional e construam um futuro mais justo e próspero para todos os seus cidadãos.

Política
Filosofia
Brasil
Democracia

Artigo assinado por  Padre Carlos — Análise Filosófico-Política

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O Espelho de Saint-Exupéry: o resgate da essência em um mundo de adultos esquecidos

Artigo

O Espelho de Saint-Exupéry: o resgate da essência em um mundo de adultos esquecidos

por Padre Carlos

Há livros que informam. Há livros que emocionam. E há aqueles raros que nos desarmam por completo. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, pertence a essa última categoria. Não é um livro que muda de conteúdo com o passar dos anos; somos nós que mudamos diante dele. Cada releitura revela um espelho diferente, porque a vida nos transforma, endurece nossos gestos e, muitas vezes, silencia a criança que um dia habitou nossa alma.

Recentemente, ao reler essa obra por causa de um pedido simples de uma filha, compreendi que a maior tragédia da vida adulta não é o envelhecimento. É a perda da capacidade de enxergar com o coração.

Vivemos numa sociedade que premia a produtividade, a velocidade e o acúmulo. Somos ensinados desde cedo que crescer significa abandonar a fantasia, trocar a curiosidade pela eficiência e substituir os sonhos por planilhas. Pouco a pouco, passamos a acreditar que maturidade é sinônimo de dureza. Saint-Exupéry denuncia justamente essa mentira.

Os personagens que habitam dentro de nós

Os personagens encontrados pelo Pequeno Príncipe não pertencem apenas aos asteroides da narrativa. Eles caminham entre nós — e, muitas vezes, habitam dentro de nós.

O rei representa nossa obsessão pelo controle. O vaidoso simboliza uma sociedade intoxicada por curtidas, seguidores e reconhecimento instantâneo. O homem de negócios é o retrato perfeito do capitalismo emocional contemporâneo: conta estrelas como quem acumula patrimônio, mas já perdeu a capacidade de contemplar o céu.

É impossível não perceber como essa crítica escrita há mais de oitenta anos tornou-se ainda mais atual na era das redes sociais e da inteligência artificial. Nunca estivemos tão conectados, e, paradoxalmente, tão distantes daquilo que realmente importa.

Saint-Exupéry compreendeu algo que a psicologia moderna confirmaria décadas depois: o ser humano não adoece apenas pela falta de recursos materiais. Ele adoece quando perde o sentido da existência.

Sob a perspectiva da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, o Pequeno Príncipe pode ser compreendido como a representação da criança interior — aquele arquétipo que preserva a criatividade, a espontaneidade, a capacidade de maravilhamento e a autenticidade. Quando reprimimos essa dimensão para vestir apenas a máscara social da eficiência e do sucesso, criamos uma cisão dentro de nós mesmos. A consequência é uma vida aparentemente organizada, mas emocionalmente árida.

O deserto existencial

Não é por acaso que toda a narrativa acontece em um deserto. O deserto não é apenas geográfico. É existencial.

Todos atravessamos desertos quando os dias passam a ser apenas compromissos, boletos, metas e obrigações. O problema não é trabalhar. O problema é esquecer por que trabalhamos. Não é crescer. O problema é acreditar que crescer exige abandonar tudo aquilo que nos tornava verdadeiramente humanos.

Talvez seja por isso que a frase mais famosa da obra continue ecoando através das gerações:

“O essencial é invisível aos olhos.”

Vivemos justamente o contrário. Somos treinados para valorizar aquilo que pode ser fotografado, medido, comprado, exibido ou contabilizado. O invisível — a amizade, o afeto, a confiança, o tempo compartilhado, a espiritualidade, o silêncio — tornou-se secundário.

Mas a vida insiste em nos ensinar que nenhuma dessas coisas pode ser substituída.

O medo de criar laços verdadeiros

A Raposa oferece ao Pequeno Príncipe uma das maiores lições da literatura universal quando explica o significado de “cativar”. Em tempos de relações descartáveis, vínculos líquidos e encontros superficiais, essa palavra recupera uma profundidade quase revolucionária. Cativar exige tempo. Exige presença. Exige responsabilidade afetiva. Exige disposição para sofrer quando a despedida chegar.

E talvez seja exatamente esse o maior medo da sociedade contemporânea: criar laços verdadeiros.

Preferimos conexões rápidas a relacionamentos profundos.

Preferimos quantidade à qualidade.

Preferimos parecer felizes a realmente encontrar felicidade.

Ao fechar o livro, compreendemos que o Pequeno Príncipe nunca esteve apenas naquele pequeno planeta distante. Ele continua vivendo dentro de cada pessoa que ainda consegue se emocionar diante de um pôr do sol, ouvir uma criança sem pressa, contemplar o céu sem procurar um sinal de internet ou acreditar que uma flor pode mudar o significado de um universo inteiro.

Saint-Exupéry não escreveu apenas um livro. Escreveu um convite permanente ao reencontro consigo mesmo.

Talvez a maior pobreza do nosso tempo não seja econômica, tecnológica ou política. Talvez seja espiritual.

Vivemos cercados de informações, mas cada vez mais distantes da sabedoria. Acumulamos contatos, mas perdemos amigos. Construímos carreiras, mas esquecemos de construir a nós mesmos.

A coragem de reler depois da maturidade

Por isso, reler O Pequeno Príncipe depois da maturidade não é um exercício de nostalgia. É um ato de coragem.

Coragem para reconhecer que o adulto eficiente talvez tenha sufocado a criança sensível.

Coragem para admitir que nem toda vitória financeira compensa uma derrota da alma.

Coragem para reaprender aquilo que um dia soubemos naturalmente: que o amor não se mede, o tempo não se compra, a amizade não se contabiliza e que há verdades que somente o coração consegue enxergar.

Talvez ainda exista um Pequeno Príncipe esperando pacientemente dentro de cada um de nós.

Ele não pede riquezas.

Não exige sucesso.

Não cobra reconhecimento.

Ele apenas sussurra, como fazia no início da história:

“Desenha-me um carneiro.”

Na verdade, ele está pedindo algo muito maior. Está pedindo que voltemos a acreditar que a vida só faz sentido quando preservamos a capacidade de olhar o mundo com encantamento.

E essa talvez seja a mais difícil — e a mais necessária — jornada que um adulto pode realizar.

Literatura
O Pequeno Príncipe
Reflexão
Espiritualidade

Padre Carlos

Escritos sobre fé, literatura e o cuidado da alma

O Espelho de Saint-Exupéry: o resgate da essência em um mundo de adultos esquecidos

Artigo

O Espelho de Saint-Exupéry: o resgate da essência em um mundo de adultos esquecidos

por Padre Carlos

Há livros que informam. Há livros que emocionam. E há aqueles raros que nos desarmam por completo. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, pertence a essa última categoria. Não é um livro que muda de conteúdo com o passar dos anos; somos nós que mudamos diante dele. Cada releitura revela um espelho diferente, porque a vida nos transforma, endurece nossos gestos e, muitas vezes, silencia a criança que um dia habitou nossa alma.

Recentemente, ao reler essa obra por causa de um pedido simples de uma filha, compreendi que a maior tragédia da vida adulta não é o envelhecimento. É a perda da capacidade de enxergar com o coração.

Vivemos numa sociedade que premia a produtividade, a velocidade e o acúmulo. Somos ensinados desde cedo que crescer significa abandonar a fantasia, trocar a curiosidade pela eficiência e substituir os sonhos por planilhas. Pouco a pouco, passamos a acreditar que maturidade é sinônimo de dureza. Saint-Exupéry denuncia justamente essa mentira.

Os personagens que habitam dentro de nós

Os personagens encontrados pelo Pequeno Príncipe não pertencem apenas aos asteroides da narrativa. Eles caminham entre nós — e, muitas vezes, habitam dentro de nós.

O rei representa nossa obsessão pelo controle. O vaidoso simboliza uma sociedade intoxicada por curtidas, seguidores e reconhecimento instantâneo. O homem de negócios é o retrato perfeito do capitalismo emocional contemporâneo: conta estrelas como quem acumula patrimônio, mas já perdeu a capacidade de contemplar o céu.

É impossível não perceber como essa crítica escrita há mais de oitenta anos tornou-se ainda mais atual na era das redes sociais e da inteligência artificial. Nunca estivemos tão conectados, e, paradoxalmente, tão distantes daquilo que realmente importa.

Saint-Exupéry compreendeu algo que a psicologia moderna confirmaria décadas depois: o ser humano não adoece apenas pela falta de recursos materiais. Ele adoece quando perde o sentido da existência.

Sob a perspectiva da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, o Pequeno Príncipe pode ser compreendido como a representação da criança interior — aquele arquétipo que preserva a criatividade, a espontaneidade, a capacidade de maravilhamento e a autenticidade. Quando reprimimos essa dimensão para vestir apenas a máscara social da eficiência e do sucesso, criamos uma cisão dentro de nós mesmos. A consequência é uma vida aparentemente organizada, mas emocionalmente árida.

O deserto existencial

Não é por acaso que toda a narrativa acontece em um deserto. O deserto não é apenas geográfico. É existencial.

Todos atravessamos desertos quando os dias passam a ser apenas compromissos, boletos, metas e obrigações. O problema não é trabalhar. O problema é esquecer por que trabalhamos. Não é crescer. O problema é acreditar que crescer exige abandonar tudo aquilo que nos tornava verdadeiramente humanos.

Talvez seja por isso que a frase mais famosa da obra continue ecoando através das gerações:

“O essencial é invisível aos olhos.”

Vivemos justamente o contrário. Somos treinados para valorizar aquilo que pode ser fotografado, medido, comprado, exibido ou contabilizado. O invisível — a amizade, o afeto, a confiança, o tempo compartilhado, a espiritualidade, o silêncio — tornou-se secundário.

Mas a vida insiste em nos ensinar que nenhuma dessas coisas pode ser substituída.

O medo de criar laços verdadeiros

A Raposa oferece ao Pequeno Príncipe uma das maiores lições da literatura universal quando explica o significado de “cativar”. Em tempos de relações descartáveis, vínculos líquidos e encontros superficiais, essa palavra recupera uma profundidade quase revolucionária. Cativar exige tempo. Exige presença. Exige responsabilidade afetiva. Exige disposição para sofrer quando a despedida chegar.

E talvez seja exatamente esse o maior medo da sociedade contemporânea: criar laços verdadeiros.

Preferimos conexões rápidas a relacionamentos profundos.

Preferimos quantidade à qualidade.

Preferimos parecer felizes a realmente encontrar felicidade.

Ao fechar o livro, compreendemos que o Pequeno Príncipe nunca esteve apenas naquele pequeno planeta distante. Ele continua vivendo dentro de cada pessoa que ainda consegue se emocionar diante de um pôr do sol, ouvir uma criança sem pressa, contemplar o céu sem procurar um sinal de internet ou acreditar que uma flor pode mudar o significado de um universo inteiro.

Saint-Exupéry não escreveu apenas um livro. Escreveu um convite permanente ao reencontro consigo mesmo.

Talvez a maior pobreza do nosso tempo não seja econômica, tecnológica ou política. Talvez seja espiritual.

Vivemos cercados de informações, mas cada vez mais distantes da sabedoria. Acumulamos contatos, mas perdemos amigos. Construímos carreiras, mas esquecemos de construir a nós mesmos.

A coragem de reler depois da maturidade

Por isso, reler O Pequeno Príncipe depois da maturidade não é um exercício de nostalgia. É um ato de coragem.

Coragem para reconhecer que o adulto eficiente talvez tenha sufocado a criança sensível.

Coragem para admitir que nem toda vitória financeira compensa uma derrota da alma.

Coragem para reaprender aquilo que um dia soubemos naturalmente: que o amor não se mede, o tempo não se compra, a amizade não se contabiliza e que há verdades que somente o coração consegue enxergar.

Talvez ainda exista um Pequeno Príncipe esperando pacientemente dentro de cada um de nós.

Ele não pede riquezas.

Não exige sucesso.

Não cobra reconhecimento.

Ele apenas sussurra, como fazia no início da história:

“Desenha-me um carneiro.”

Na verdade, ele está pedindo algo muito maior. Está pedindo que voltemos a acreditar que a vida só faz sentido quando preservamos a capacidade de olhar o mundo com encantamento.

E essa talvez seja a mais difícil — e a mais necessária — jornada que um adulto pode realizar.

Literatura
O Pequeno Príncipe
Reflexão
Espiritualidade

Padre Carlos

Escritos sobre fé, literatura e o cuidado da alma

O ritmo da graça: por que Deus não arranca o joio antes da hora

Fé & Espiritualidade

Por que a dor que não cicatriza ainda pode ser terra fértil — e o que a parábola do trigo e do joio ensina sobre esperar sem desistir.

Por Redação Editorial  |  Padre Carlos

O
sofrimento continua presente em todos os cantos da terra, acompanhando silenciosamente a existência humana. Ele não escolhe endereço, não pede licença, não respeita calendário. Está na sala de espera do hospital, na cadeira vazia à mesa, no silêncio que segue uma notícia ruim. Diante dele, somos tentados a perguntar pelo silêncio de Deus — ou pelo sentido de tantas feridas que parecem não cicatrizar.

Por que Ele espera? Por que não intervém agora, de uma vez, e poupa o que ainda vai doer?

O Evangelho, porém, oferece outra perspectiva — e ela não é fácil de aceitar à primeira vista. Na parábola do trigo e do joio (Mt 13), Jesus revela um Deus que não abandona o campo da história nem age com a impaciência dos homens. Ele permanece. Espera. Conduz tudo ao tempo certo da colheita.

A dor não tem a última palavra

Foi essa certeza que São João Paulo II recordou ao refletir sobre o mistério do sofrimento humano. A dor não possui a última palavra quando é vivida em comunhão com Cristo. Aquilo que parece apenas perda pode tornar-se caminho de amadurecimento; aquilo que parece fracasso pode converter-se em lugar de encontro com Deus.

Vivemos, no entanto, numa cultura que rejeita o sofrimento e deseja eliminar toda experiência de limite. Queremos soluções imediatas, felicidade sem espera, frutos sem cultivo. Deus, ao contrário, respeita o tempo da graça.

Assim como o senhor da parábola não arranca o joio antes da hora para não ferir o trigo, também o Senhor conduz nossa história com uma paciência que salva.

Sua misericórdia nunca é omissão; é amor que acredita na possibilidade de conversão e de crescimento. É paciência com propósito — não indiferença disfarçada de virtude.

Onde a Igreja encontra o homem

É justamente nesse horizonte que a Igreja encontra o homem de modo privilegiado quando ele sofre. Cristo não contemplou a dor à distância. Aproximou-se dos feridos, tocou os doentes, consolou os aflitos e carregou sobre si o sofrimento humano.

Seu amor não recuou diante da cruz. Por isso, o homem ferido não é um obstáculo à missão da Igreja, mas o lugar onde ela reencontra sua própria identidade.

Diante da fragilidade humana, a comunidade cristã é chamada a agir como o Bom Pastor: aproximar-se, cuidar, permanecer. O sofrimento do outro nunca é uma interrupção da missão; é um dos lugares onde o Evangelho se torna mais concreto. Cada gesto de escuta, cada mão estendida e cada presença fiel revelam que a caridade continua sendo a linguagem mais convincente da fé.

A raiz de tudo

Tudo isso brota da oração. É nela que aprendemos a olhar o sofrimento com os olhos de Deus. A oração impede que a dor se transforme em desespero e faz nascer uma esperança paciente, capaz de sustentar quem já não encontra forças para caminhar.

O ritmo que não desiste

Como recorda o Papa Leão XIV: “Através de frestas de ressurreição que surgem na escuridão, Ele entrega o nosso coração à esperança que nos sustenta: o poder da morte não é o destino último da nossa vida. De uma vez para sempre, estamos orientados para a plenitude, porque, em Cristo ressuscitado, também nós ressuscitamos.”

Mesmo marcada pela fragilidade de seus filhos, a Igreja permanece enviada para testemunhar essa esperança. Ela anuncia um Deus que não abandona o homem em sua dor, mas permanece ao seu lado com a paciência do Bom Pastor e do Senhor que espera o tempo da colheita.

Em um mundo marcado pela pressa e pela lógica da eficiência, o Evangelho nos convida a outro compasso: o ritmo da graça. Um ritmo que não desiste, não atropela, não condena precipitadamente, mas espera, cuida e transforma.

É nesse ritmo que Deus conduz a nossa história — e é nele que a Igreja é chamada a caminhar.

Sofrimento
Esperança
Fé Cristã
Parábolas

Padre Carlos

— Redação Editorial

O ritmo da graça: por que Deus não arranca o joio antes da hora

Fé & Espiritualidade

Por que a dor que não cicatriza ainda pode ser terra fértil — e o que a parábola do trigo e do joio ensina sobre esperar sem desistir.

Por Redação Editorial  |  Padre Carlos

O
sofrimento continua presente em todos os cantos da terra, acompanhando silenciosamente a existência humana. Ele não escolhe endereço, não pede licença, não respeita calendário. Está na sala de espera do hospital, na cadeira vazia à mesa, no silêncio que segue uma notícia ruim. Diante dele, somos tentados a perguntar pelo silêncio de Deus — ou pelo sentido de tantas feridas que parecem não cicatrizar.

Por que Ele espera? Por que não intervém agora, de uma vez, e poupa o que ainda vai doer?

O Evangelho, porém, oferece outra perspectiva — e ela não é fácil de aceitar à primeira vista. Na parábola do trigo e do joio (Mt 13), Jesus revela um Deus que não abandona o campo da história nem age com a impaciência dos homens. Ele permanece. Espera. Conduz tudo ao tempo certo da colheita.

A dor não tem a última palavra

Foi essa certeza que São João Paulo II recordou ao refletir sobre o mistério do sofrimento humano. A dor não possui a última palavra quando é vivida em comunhão com Cristo. Aquilo que parece apenas perda pode tornar-se caminho de amadurecimento; aquilo que parece fracasso pode converter-se em lugar de encontro com Deus.

Vivemos, no entanto, numa cultura que rejeita o sofrimento e deseja eliminar toda experiência de limite. Queremos soluções imediatas, felicidade sem espera, frutos sem cultivo. Deus, ao contrário, respeita o tempo da graça.

Assim como o senhor da parábola não arranca o joio antes da hora para não ferir o trigo, também o Senhor conduz nossa história com uma paciência que salva.

Sua misericórdia nunca é omissão; é amor que acredita na possibilidade de conversão e de crescimento. É paciência com propósito — não indiferença disfarçada de virtude.

Onde a Igreja encontra o homem

É justamente nesse horizonte que a Igreja encontra o homem de modo privilegiado quando ele sofre. Cristo não contemplou a dor à distância. Aproximou-se dos feridos, tocou os doentes, consolou os aflitos e carregou sobre si o sofrimento humano.

Seu amor não recuou diante da cruz. Por isso, o homem ferido não é um obstáculo à missão da Igreja, mas o lugar onde ela reencontra sua própria identidade.

Diante da fragilidade humana, a comunidade cristã é chamada a agir como o Bom Pastor: aproximar-se, cuidar, permanecer. O sofrimento do outro nunca é uma interrupção da missão; é um dos lugares onde o Evangelho se torna mais concreto. Cada gesto de escuta, cada mão estendida e cada presença fiel revelam que a caridade continua sendo a linguagem mais convincente da fé.

A raiz de tudo

Tudo isso brota da oração. É nela que aprendemos a olhar o sofrimento com os olhos de Deus. A oração impede que a dor se transforme em desespero e faz nascer uma esperança paciente, capaz de sustentar quem já não encontra forças para caminhar.

O ritmo que não desiste

Como recorda o Papa Leão XIV: “Através de frestas de ressurreição que surgem na escuridão, Ele entrega o nosso coração à esperança que nos sustenta: o poder da morte não é o destino último da nossa vida. De uma vez para sempre, estamos orientados para a plenitude, porque, em Cristo ressuscitado, também nós ressuscitamos.”

Mesmo marcada pela fragilidade de seus filhos, a Igreja permanece enviada para testemunhar essa esperança. Ela anuncia um Deus que não abandona o homem em sua dor, mas permanece ao seu lado com a paciência do Bom Pastor e do Senhor que espera o tempo da colheita.

Em um mundo marcado pela pressa e pela lógica da eficiência, o Evangelho nos convida a outro compasso: o ritmo da graça. Um ritmo que não desiste, não atropela, não condena precipitadamente, mas espera, cuida e transforma.

É nesse ritmo que Deus conduz a nossa história — e é nele que a Igreja é chamada a caminhar.

Sofrimento
Esperança
Fé Cristã
Parábolas

Padre Carlos

— Redação Editorial

Quando a Casa do Povo abre as portas para a cultura, toda a cidade ganha

Há momentos em que um gesto institucional ultrapassa sua finalidade administrativa e se transforma em símbolo. A decisão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista de abrir o Memorial Câmara para oficinas gratuitas de dança e artes cênicas é um desses acontecimentos que merecem ser celebrados. Mais do que oferecer um espaço físico para atividades culturais, o Poder Legislativo reafirma sua vocação de servir à comunidade em suas múltiplas dimensões: política, social, educacional e cultural.

A inauguração das oficinas gratuitas, realizada no casarão histórico que abriga o Memorial Câmara, representa um novo capítulo na valorização do patrimônio público conquistense. Ao transformar um edifício centenário em um ambiente de criação artística e formação cidadã, a Câmara demonstra que preservar a memória também significa dar vida aos espaços históricos.

A iniciativa nasce de uma parceria entre o Memorial Câmara, a ONG Carreiro de Tropa-Catrop e o WS Ateliê Corpo em Movimento, reunindo instituições que compartilham o compromisso de fortalecer a cultura local. É um exemplo de como o diálogo entre o poder público e a sociedade civil pode produzir resultados concretos para a população.

Merece reconhecimento a sensibilidade do presidente da Câmara Municipal, vereador Ivan Cordeiro, que acolheu uma demanda apresentada durante audiência pública sobre a realidade do teatro amador e profissional de Vitória da Conquista. Em vez de limitar o debate ao campo das reivindicações, o Legislativo transformou a escuta em ação, disponibilizando um espaço permanente para ensaios, oficinas e produção cultural.

Essa postura fortalece o papel da Câmara como uma verdadeira Casa do Povo, aberta não apenas às discussões políticas, mas também às manifestações artísticas que ajudam a construir a identidade de uma comunidade.

A apresentação do espetáculo “Ecos do Silêncio”, protagonizada pelos alunos da Escola Municipal Padre Palmeira, emocionou o público e demonstrou o enorme potencial existente entre os jovens da rede pública de ensino. A arte, quando incentivada desde cedo, amplia horizontes, fortalece a autoestima e cria oportunidades de desenvolvimento humano que ultrapassam os limites da sala de aula.

Também merece destaque o trabalho desenvolvido pelo WS Ateliê Corpo em Movimento, sob a coordenação de Wagner Silveira. Sua dedicação à formação artística e sua defesa de espaços acessíveis para os grupos culturais refletem uma realidade vivida por muitos artistas locais. A abertura do Memorial Câmara representa, nesse contexto, uma conquista importante para toda a classe artística conquistense.

Igualmente relevante é a participação da ONG Carreiro de Tropa-Catrop, presidida por Maris Stella Schiavo. Ao propor oficinas que culminarão na montagem do espetáculo “Memórias de Tropeiro”, a entidade contribui para preservar e difundir a história do tropeirismo, elemento fundamental na formação econômica, social e cultural de Vitória da Conquista.

A escolha do Memorial Câmara como palco dessas atividades possui um significado especial. Recentemente tombado como patrimônio cultural, o casarão deixa de ser apenas um espaço de contemplação histórica para tornar-se um ambiente vivo, onde passado e presente dialogam por meio da arte.

Outro aspecto que merece aplausos é o caráter inclusivo da iniciativa. As oficinas são gratuitas e abertas a participantes de 14 a 99 anos, demonstrando que a cultura não possui idade nem barreiras sociais. Ao democratizar o acesso às artes cênicas e à dança, o projeto amplia oportunidades e incentiva a participação da comunidade na vida cultural do município.

A presença de pessoas como Marleide Sena Mendes Silva, emocionada ao assistir ao talento dos estudantes da Escola Padre Palmeira após décadas vivendo fora da cidade, revela o impacto que ações culturais bem estruturadas podem produzir. Seu testemunho reforça a importância da educação artística como instrumento de transformação social e valorização da escola pública.

Vitória da Conquista possui uma rica tradição cultural. Terra de artistas, escritores, músicos, atores e produtores culturais, o município fortalece essa vocação quando suas instituições compreendem que investir em cultura também é investir em cidadania.

Ao abrir as portas do Memorial Câmara para oficinas permanentes de dança e teatro, a Câmara Municipal demonstra que os espaços públicos podem cumprir uma função muito mais ampla do que aquela para a qual foram originalmente concebidos. Tornam-se locais de encontro, aprendizado, criatividade e preservação da memória coletiva.

A cultura aproxima pessoas, fortalece identidades e constrói pertencimento. Quando um patrimônio histórico passa a pulsar com a energia da arte, toda a cidade é beneficiada.

Vitória da Conquista ganha, assim, mais do que um novo espaço cultural. Ganha um exemplo de que memória, educação e arte podem caminhar juntas na construção de uma sociedade mais participativa, sensível e consciente de sua própria história.

Maria Clara

Quando a Casa do Povo abre as portas para a cultura, toda a cidade ganha

Há momentos em que um gesto institucional ultrapassa sua finalidade administrativa e se transforma em símbolo. A decisão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista de abrir o Memorial Câmara para oficinas gratuitas de dança e artes cênicas é um desses acontecimentos que merecem ser celebrados. Mais do que oferecer um espaço físico para atividades culturais, o Poder Legislativo reafirma sua vocação de servir à comunidade em suas múltiplas dimensões: política, social, educacional e cultural.

A inauguração das oficinas gratuitas, realizada no casarão histórico que abriga o Memorial Câmara, representa um novo capítulo na valorização do patrimônio público conquistense. Ao transformar um edifício centenário em um ambiente de criação artística e formação cidadã, a Câmara demonstra que preservar a memória também significa dar vida aos espaços históricos.

A iniciativa nasce de uma parceria entre o Memorial Câmara, a ONG Carreiro de Tropa-Catrop e o WS Ateliê Corpo em Movimento, reunindo instituições que compartilham o compromisso de fortalecer a cultura local. É um exemplo de como o diálogo entre o poder público e a sociedade civil pode produzir resultados concretos para a população.

Merece reconhecimento a sensibilidade do presidente da Câmara Municipal, vereador Ivan Cordeiro, que acolheu uma demanda apresentada durante audiência pública sobre a realidade do teatro amador e profissional de Vitória da Conquista. Em vez de limitar o debate ao campo das reivindicações, o Legislativo transformou a escuta em ação, disponibilizando um espaço permanente para ensaios, oficinas e produção cultural.

Essa postura fortalece o papel da Câmara como uma verdadeira Casa do Povo, aberta não apenas às discussões políticas, mas também às manifestações artísticas que ajudam a construir a identidade de uma comunidade.

A apresentação do espetáculo “Ecos do Silêncio”, protagonizada pelos alunos da Escola Municipal Padre Palmeira, emocionou o público e demonstrou o enorme potencial existente entre os jovens da rede pública de ensino. A arte, quando incentivada desde cedo, amplia horizontes, fortalece a autoestima e cria oportunidades de desenvolvimento humano que ultrapassam os limites da sala de aula.

Também merece destaque o trabalho desenvolvido pelo WS Ateliê Corpo em Movimento, sob a coordenação de Wagner Silveira. Sua dedicação à formação artística e sua defesa de espaços acessíveis para os grupos culturais refletem uma realidade vivida por muitos artistas locais. A abertura do Memorial Câmara representa, nesse contexto, uma conquista importante para toda a classe artística conquistense.

Igualmente relevante é a participação da ONG Carreiro de Tropa-Catrop, presidida por Maris Stella Schiavo. Ao propor oficinas que culminarão na montagem do espetáculo “Memórias de Tropeiro”, a entidade contribui para preservar e difundir a história do tropeirismo, elemento fundamental na formação econômica, social e cultural de Vitória da Conquista.

A escolha do Memorial Câmara como palco dessas atividades possui um significado especial. Recentemente tombado como patrimônio cultural, o casarão deixa de ser apenas um espaço de contemplação histórica para tornar-se um ambiente vivo, onde passado e presente dialogam por meio da arte.

Outro aspecto que merece aplausos é o caráter inclusivo da iniciativa. As oficinas são gratuitas e abertas a participantes de 14 a 99 anos, demonstrando que a cultura não possui idade nem barreiras sociais. Ao democratizar o acesso às artes cênicas e à dança, o projeto amplia oportunidades e incentiva a participação da comunidade na vida cultural do município.

A presença de pessoas como Marleide Sena Mendes Silva, emocionada ao assistir ao talento dos estudantes da Escola Padre Palmeira após décadas vivendo fora da cidade, revela o impacto que ações culturais bem estruturadas podem produzir. Seu testemunho reforça a importância da educação artística como instrumento de transformação social e valorização da escola pública.

Vitória da Conquista possui uma rica tradição cultural. Terra de artistas, escritores, músicos, atores e produtores culturais, o município fortalece essa vocação quando suas instituições compreendem que investir em cultura também é investir em cidadania.

Ao abrir as portas do Memorial Câmara para oficinas permanentes de dança e teatro, a Câmara Municipal demonstra que os espaços públicos podem cumprir uma função muito mais ampla do que aquela para a qual foram originalmente concebidos. Tornam-se locais de encontro, aprendizado, criatividade e preservação da memória coletiva.

A cultura aproxima pessoas, fortalece identidades e constrói pertencimento. Quando um patrimônio histórico passa a pulsar com a energia da arte, toda a cidade é beneficiada.

Vitória da Conquista ganha, assim, mais do que um novo espaço cultural. Ganha um exemplo de que memória, educação e arte podem caminhar juntas na construção de uma sociedade mais participativa, sensível e consciente de sua própria história.

Maria Clara

Proteger a infância é construir o futuro: Vitória da Conquista fortalece sua rede de garantia de direitos

A forma como uma sociedade cuida de suas crianças e adolescentes revela muito sobre o seu compromisso com o futuro. Em Vitória da Conquista, esse compromisso ganha novos contornos com o avanço da construção da Estratégia Municipal de Garantia do Direito à Convivência Familiar e Comunitária, uma iniciativa que busca fortalecer a rede de proteção e aperfeiçoar as políticas públicas voltadas à infância e à adolescência.

Ao promover mais uma etapa da consultoria da Associação de Pesquisadores e Formadores da Área da Criança e do Adolescente (Neca), a Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação Social e Direitos Humanos demonstra que a proteção integral das crianças exige planejamento, formação permanente e atuação articulada entre diferentes instituições.

O encontro reuniu gestores públicos, trabalhadores dos serviços de acolhimento, representantes do Grupo de Trabalho Intersetorial, conselheiros tutelares e integrantes da Vara da Infância e da Juventude. Essa diversidade de participantes evidencia uma compreensão essencial: garantir direitos não é responsabilidade de um único órgão, mas de toda uma rede comprometida com o cuidado e a proteção.

Merece destaque a condução desse processo pela Secretaria Municipal de Assistência Social, sob a liderança do secretário Michael Farias. Ao investir na qualificação das equipes e na construção de protocolos integrados, o município fortalece uma política pública que busca oferecer respostas cada vez mais eficientes às situações de vulnerabilidade vividas por crianças e adolescentes.

Mais do que atender demandas imediatas, o objetivo é consolidar uma política permanente, estruturada e baseada em critérios técnicos. Esse é um caminho que contribui para dar maior segurança às equipes que atuam diariamente na proteção da infância e oferece melhores condições para que os serviços funcionem de forma integrada.

Outro aspecto importante é a parceria com o Neca, instituição reconhecida nacionalmente por sua atuação na área da garantia de direitos da criança e do adolescente. A participação da psicóloga Dayse Cesar Franco Bernardi e da assistente social Sara Luvisotto agrega conhecimento técnico e experiência acumulada ao processo de construção das políticas municipais.

As oficinas realizadas durante esta etapa da consultoria permitiram aperfeiçoar protocolos, discutir casos concretos e desenvolver metodologias que fortalecem o trabalho das equipes de acolhimento. São iniciativas que qualificam o atendimento e ampliam a capacidade do município de oferecer respostas mais humanizadas às crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Especialmente significativa é a metodologia que valoriza a história de vida de cada criança acolhida. Como ressaltou a assistente social Sara Luvisotto, acolher uma criança significa também acolher sua trajetória, suas experiências e seus vínculos afetivos. Essa visão reforça que o atendimento não deve se limitar aos aspectos administrativos, mas considerar a dimensão humana e emocional de cada caso.

Ao compreender a história de cada criança, os profissionais conseguem construir estratégias mais adequadas para fortalecer vínculos familiares, promover o desenvolvimento integral e preparar caminhos para a reintegração familiar ou outras alternativas previstas na legislação.

Outro ponto relevante é o foco na prevenção do acolhimento institucional. Sempre que possível e seguro, a prioridade deve ser fortalecer as famílias e criar condições para que crianças e adolescentes possam crescer em ambientes familiares saudáveis. Quando isso não é viável, torna-se essencial oferecer serviços de acolhimento qualificados, capazes de assegurar proteção, cuidado e respeito aos direitos de cada indivíduo.

Vitória da Conquista demonstra, com essa iniciativa, que investir na infância significa investir no desenvolvimento social de toda a comunidade. Políticas públicas bem estruturadas nessa área produzem efeitos positivos que ultrapassam gerações, contribuindo para reduzir vulnerabilidades, fortalecer vínculos familiares e ampliar as oportunidades para crianças e adolescentes.

A continuidade das formações técnicas, a elaboração de protocolos e o fortalecimento das estratégias de cuidado indicam que o município busca consolidar uma rede de proteção cada vez mais preparada para enfrentar os desafios da realidade contemporânea.

Em uma sociedade que deseja construir um futuro mais justo, proteger a infância não pode ser apenas um discurso. Precisa ser uma prioridade permanente das políticas públicas.

Ao avançar na construção dessa estratégia municipal, Vitória da Conquista reafirma que cuidar das crianças e dos adolescentes é investir no bem mais precioso de qualquer comunidade: as pessoas que construirão o amanhã.

Maria Clara

Proteger a infância é construir o futuro: Vitória da Conquista fortalece sua rede de garantia de direitos

A forma como uma sociedade cuida de suas crianças e adolescentes revela muito sobre o seu compromisso com o futuro. Em Vitória da Conquista, esse compromisso ganha novos contornos com o avanço da construção da Estratégia Municipal de Garantia do Direito à Convivência Familiar e Comunitária, uma iniciativa que busca fortalecer a rede de proteção e aperfeiçoar as políticas públicas voltadas à infância e à adolescência.

Ao promover mais uma etapa da consultoria da Associação de Pesquisadores e Formadores da Área da Criança e do Adolescente (Neca), a Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação Social e Direitos Humanos demonstra que a proteção integral das crianças exige planejamento, formação permanente e atuação articulada entre diferentes instituições.

O encontro reuniu gestores públicos, trabalhadores dos serviços de acolhimento, representantes do Grupo de Trabalho Intersetorial, conselheiros tutelares e integrantes da Vara da Infância e da Juventude. Essa diversidade de participantes evidencia uma compreensão essencial: garantir direitos não é responsabilidade de um único órgão, mas de toda uma rede comprometida com o cuidado e a proteção.

Merece destaque a condução desse processo pela Secretaria Municipal de Assistência Social, sob a liderança do secretário Michael Farias. Ao investir na qualificação das equipes e na construção de protocolos integrados, o município fortalece uma política pública que busca oferecer respostas cada vez mais eficientes às situações de vulnerabilidade vividas por crianças e adolescentes.

Mais do que atender demandas imediatas, o objetivo é consolidar uma política permanente, estruturada e baseada em critérios técnicos. Esse é um caminho que contribui para dar maior segurança às equipes que atuam diariamente na proteção da infância e oferece melhores condições para que os serviços funcionem de forma integrada.

Outro aspecto importante é a parceria com o Neca, instituição reconhecida nacionalmente por sua atuação na área da garantia de direitos da criança e do adolescente. A participação da psicóloga Dayse Cesar Franco Bernardi e da assistente social Sara Luvisotto agrega conhecimento técnico e experiência acumulada ao processo de construção das políticas municipais.

As oficinas realizadas durante esta etapa da consultoria permitiram aperfeiçoar protocolos, discutir casos concretos e desenvolver metodologias que fortalecem o trabalho das equipes de acolhimento. São iniciativas que qualificam o atendimento e ampliam a capacidade do município de oferecer respostas mais humanizadas às crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Especialmente significativa é a metodologia que valoriza a história de vida de cada criança acolhida. Como ressaltou a assistente social Sara Luvisotto, acolher uma criança significa também acolher sua trajetória, suas experiências e seus vínculos afetivos. Essa visão reforça que o atendimento não deve se limitar aos aspectos administrativos, mas considerar a dimensão humana e emocional de cada caso.

Ao compreender a história de cada criança, os profissionais conseguem construir estratégias mais adequadas para fortalecer vínculos familiares, promover o desenvolvimento integral e preparar caminhos para a reintegração familiar ou outras alternativas previstas na legislação.

Outro ponto relevante é o foco na prevenção do acolhimento institucional. Sempre que possível e seguro, a prioridade deve ser fortalecer as famílias e criar condições para que crianças e adolescentes possam crescer em ambientes familiares saudáveis. Quando isso não é viável, torna-se essencial oferecer serviços de acolhimento qualificados, capazes de assegurar proteção, cuidado e respeito aos direitos de cada indivíduo.

Vitória da Conquista demonstra, com essa iniciativa, que investir na infância significa investir no desenvolvimento social de toda a comunidade. Políticas públicas bem estruturadas nessa área produzem efeitos positivos que ultrapassam gerações, contribuindo para reduzir vulnerabilidades, fortalecer vínculos familiares e ampliar as oportunidades para crianças e adolescentes.

A continuidade das formações técnicas, a elaboração de protocolos e o fortalecimento das estratégias de cuidado indicam que o município busca consolidar uma rede de proteção cada vez mais preparada para enfrentar os desafios da realidade contemporânea.

Em uma sociedade que deseja construir um futuro mais justo, proteger a infância não pode ser apenas um discurso. Precisa ser uma prioridade permanente das políticas públicas.

Ao avançar na construção dessa estratégia municipal, Vitória da Conquista reafirma que cuidar das crianças e dos adolescentes é investir no bem mais precioso de qualquer comunidade: as pessoas que construirão o amanhã.

Maria Clara