Política e Resenha

ARTIGO – O Nordeste que Planeja o Futuro: A Visão Estratégica de Jonas Paulo

 

 

 

Padre Carlos

Durante décadas, o Nordeste brasileiro foi apresentado ao país como uma região marcada por problemas estruturais, dependência econômica e vulnerabilidades históricas. No entanto, uma nova narrativa vem sendo construída silenciosamente nos bastidores da gestão pública, do planejamento estratégico e da cooperação federativa. Essa transformação aparece de forma clara na reflexão apresentada por Jonas Paulo, secretário executivo do CODES-BA e ex-presidente do PT da Bahia.

Mais do que um simples diagnóstico administrativo, o texto revela uma compreensão profunda das mudanças que vêm redesenhando o desenvolvimento regional nordestino nas últimas décadas. Trata-se de uma visão que ultrapassa os limites da política partidária e mergulha em uma questão fundamental: como construir um Nordeste forte, competitivo e preparado para os desafios do século XXI?

Uma das contribuições mais relevantes destacadas por Jonas Paulo é a valorização do planejamento de longo prazo. Em um país historicamente acostumado a governar olhando para a próxima eleição, a defesa de estratégias que ultrapassem mandatos representa uma verdadeira revolução institucional.

Nesse contexto, ganha destaque o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), coordenado pela Sudene em parceria com os nove estados nordestinos. A proposta de planejar doze anos à frente, abrangendo três ciclos de Plano Plurianual, demonstra maturidade administrativa e visão estratégica. Não se trata apenas de executar obras, mas de construir um projeto regional integrado.

Outro aspecto que merece atenção é a compreensão moderna do papel do Estado. O texto rompe com a falsa dicotomia entre Estado e mercado. Em vez disso, apresenta um modelo em que o poder público atua como planejador, regulador e articulador de investimentos.

As Parcerias Público-Privadas (PPPs) aparecem como instrumentos fundamentais para ampliar investimentos em áreas essenciais como saúde, mobilidade urbana, conectividade digital e agroindústria familiar. Essa visão dialoga com experiências internacionais bem-sucedidas, onde o setor público mantém sua função estratégica enquanto mobiliza recursos privados para acelerar o desenvolvimento.

A experiência acumulada em instituições como o Banco do Nordeste e os organismos de desenvolvimento regional demonstra que crescimento econômico exige coordenação, crédito, inovação tecnológica e integração territorial. Não basta investir; é preciso saber onde investir e como integrar esses investimentos em uma estratégia mais ampla.

Talvez um dos pontos mais inovadores da análise seja a valorização dos consórcios intermunicipais e interfederativos. Em um país continental como o Brasil, muitos problemas ultrapassam as fronteiras administrativas dos municípios e até dos estados.

Quando cidades se unem para compartilhar serviços, equipamentos, infraestrutura e planejamento, ocorre uma racionalização dos recursos públicos e uma ampliação da capacidade de resposta do Estado. Essa lógica colaborativa fortalece o federalismo cooperativo e reduz desperdícios.

O Consórcio Nordeste surge, nesse cenário, como uma das mais importantes experiências institucionais brasileiras das últimas décadas. Ao permitir que os estados atuem conjuntamente em temas de interesse comum, o consórcio amplia o poder de negociação da região, fortalece a capacidade de planejamento e cria economias de escala em diversas áreas.

Outro aspecto de grande relevância destacado por Jonas Paulo é o crescimento do associativismo e do cooperativismo. Durante muito tempo, setores da economia nordestina enfrentaram enormes dificuldades para acessar crédito, tecnologia e mercados consumidores.

A expansão das cooperativas, especialmente na agricultura familiar, representa uma mudança estrutural. Ela permite que pequenos produtores ganhem escala, aumentem sua competitividade e fortaleçam a economia local. O mesmo ocorre com o cooperativismo de crédito, que democratiza o acesso ao financiamento e estimula o empreendedorismo regional.

Essa transformação ajuda a desconstruir antigos estigmas e demonstra que desenvolvimento não se faz apenas com grandes empresas, mas também com a organização coletiva da sociedade.

Ao analisar o conjunto das ideias apresentadas, percebe-se a consistência intelectual de Jonas Paulo. Seu texto demonstra conhecimento das dinâmicas econômicas, das experiências de desenvolvimento regional e dos desafios institucionais contemporâneos.

Mais do que um observador da realidade, ele se apresenta como alguém que compreende a complexidade da gestão pública moderna e a necessidade de articular planejamento, inovação, cooperação federativa e participação social.

Em tempos marcados pelo imediatismo político, pela fragmentação institucional e pela disputa permanente por recursos orçamentários, a defesa de uma estratégia regional integrada representa uma contribuição valiosa para o debate nacional.

O Nordeste que emerge dessas reflexões não é o Nordeste da dependência, mas o Nordeste da inteligência institucional, da inovação, do planejamento e da cooperação. Um Nordeste que não espera o futuro chegar, mas trabalha para construí-lo.

E talvez seja exatamente essa a principal mensagem do texto de Jonas Paulo: o desenvolvimento não acontece por acaso. Ele é resultado de visão estratégica, coordenação política, planejamento de longo prazo e da capacidade de transformar desafios históricos em oportunidades para as próximas gerações.

ARTIGO – O Nordeste que Planeja o Futuro: A Visão Estratégica de Jonas Paulo

 

 

 

Padre Carlos

Durante décadas, o Nordeste brasileiro foi apresentado ao país como uma região marcada por problemas estruturais, dependência econômica e vulnerabilidades históricas. No entanto, uma nova narrativa vem sendo construída silenciosamente nos bastidores da gestão pública, do planejamento estratégico e da cooperação federativa. Essa transformação aparece de forma clara na reflexão apresentada por Jonas Paulo, secretário executivo do CODES-BA e ex-presidente do PT da Bahia.

Mais do que um simples diagnóstico administrativo, o texto revela uma compreensão profunda das mudanças que vêm redesenhando o desenvolvimento regional nordestino nas últimas décadas. Trata-se de uma visão que ultrapassa os limites da política partidária e mergulha em uma questão fundamental: como construir um Nordeste forte, competitivo e preparado para os desafios do século XXI?

Uma das contribuições mais relevantes destacadas por Jonas Paulo é a valorização do planejamento de longo prazo. Em um país historicamente acostumado a governar olhando para a próxima eleição, a defesa de estratégias que ultrapassem mandatos representa uma verdadeira revolução institucional.

Nesse contexto, ganha destaque o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), coordenado pela Sudene em parceria com os nove estados nordestinos. A proposta de planejar doze anos à frente, abrangendo três ciclos de Plano Plurianual, demonstra maturidade administrativa e visão estratégica. Não se trata apenas de executar obras, mas de construir um projeto regional integrado.

Outro aspecto que merece atenção é a compreensão moderna do papel do Estado. O texto rompe com a falsa dicotomia entre Estado e mercado. Em vez disso, apresenta um modelo em que o poder público atua como planejador, regulador e articulador de investimentos.

As Parcerias Público-Privadas (PPPs) aparecem como instrumentos fundamentais para ampliar investimentos em áreas essenciais como saúde, mobilidade urbana, conectividade digital e agroindústria familiar. Essa visão dialoga com experiências internacionais bem-sucedidas, onde o setor público mantém sua função estratégica enquanto mobiliza recursos privados para acelerar o desenvolvimento.

A experiência acumulada em instituições como o Banco do Nordeste e os organismos de desenvolvimento regional demonstra que crescimento econômico exige coordenação, crédito, inovação tecnológica e integração territorial. Não basta investir; é preciso saber onde investir e como integrar esses investimentos em uma estratégia mais ampla.

Talvez um dos pontos mais inovadores da análise seja a valorização dos consórcios intermunicipais e interfederativos. Em um país continental como o Brasil, muitos problemas ultrapassam as fronteiras administrativas dos municípios e até dos estados.

Quando cidades se unem para compartilhar serviços, equipamentos, infraestrutura e planejamento, ocorre uma racionalização dos recursos públicos e uma ampliação da capacidade de resposta do Estado. Essa lógica colaborativa fortalece o federalismo cooperativo e reduz desperdícios.

O Consórcio Nordeste surge, nesse cenário, como uma das mais importantes experiências institucionais brasileiras das últimas décadas. Ao permitir que os estados atuem conjuntamente em temas de interesse comum, o consórcio amplia o poder de negociação da região, fortalece a capacidade de planejamento e cria economias de escala em diversas áreas.

Outro aspecto de grande relevância destacado por Jonas Paulo é o crescimento do associativismo e do cooperativismo. Durante muito tempo, setores da economia nordestina enfrentaram enormes dificuldades para acessar crédito, tecnologia e mercados consumidores.

A expansão das cooperativas, especialmente na agricultura familiar, representa uma mudança estrutural. Ela permite que pequenos produtores ganhem escala, aumentem sua competitividade e fortaleçam a economia local. O mesmo ocorre com o cooperativismo de crédito, que democratiza o acesso ao financiamento e estimula o empreendedorismo regional.

Essa transformação ajuda a desconstruir antigos estigmas e demonstra que desenvolvimento não se faz apenas com grandes empresas, mas também com a organização coletiva da sociedade.

Ao analisar o conjunto das ideias apresentadas, percebe-se a consistência intelectual de Jonas Paulo. Seu texto demonstra conhecimento das dinâmicas econômicas, das experiências de desenvolvimento regional e dos desafios institucionais contemporâneos.

Mais do que um observador da realidade, ele se apresenta como alguém que compreende a complexidade da gestão pública moderna e a necessidade de articular planejamento, inovação, cooperação federativa e participação social.

Em tempos marcados pelo imediatismo político, pela fragmentação institucional e pela disputa permanente por recursos orçamentários, a defesa de uma estratégia regional integrada representa uma contribuição valiosa para o debate nacional.

O Nordeste que emerge dessas reflexões não é o Nordeste da dependência, mas o Nordeste da inteligência institucional, da inovação, do planejamento e da cooperação. Um Nordeste que não espera o futuro chegar, mas trabalha para construí-lo.

E talvez seja exatamente essa a principal mensagem do texto de Jonas Paulo: o desenvolvimento não acontece por acaso. Ele é resultado de visão estratégica, coordenação política, planejamento de longo prazo e da capacidade de transformar desafios históricos em oportunidades para as próximas gerações.

ARTIGO – CIRO, AFINAL, ONDE ESTAVAM OS SEUS BOLSONARISTAS HONRADOS?

 

 

Padre Carlos

A política brasileira tem dessas ironias que desafiam a memória coletiva. Durante anos, o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes construiu sua trajetória apresentando-se como uma alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo. Fez críticas duríssimas ao PT e não poupou palavras contra Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Agora, ao justificar sua aproximação com lideranças do PL no Ceará, Ciro afirma que seus “bolsonaristas são honrados”.

A declaração provoca uma pergunta inevitável: onde estavam esses bolsonaristas honrados nos momentos mais dramáticos da história recente do Brasil?

Onde estavam quando o governo federal ignorava ofertas de vacinas enquanto a pandemia avançava e milhares de brasileiros perdiam a vida? Onde estavam quando famílias inteiras choravam seus mortos e especialistas alertavam para a urgência da imunização em massa?

Onde estavam quando Manaus se transformou em símbolo de uma tragédia humanitária, com pacientes morrendo por falta de oxigênio? Enquanto brasileiros agonizavam em hospitais, quantos desses “honrados” levantaram a voz para denunciar o absurdo?

Onde estavam quando instituições democráticas eram atacadas diariamente por discursos que colocavam em dúvida eleições, tribunais e a própria Constituição? Onde estavam quando o país assistia a uma escalada de tensões que culminaria em episódios que envergonharam a democracia brasileira?

Onde estavam quando a Amazônia queimava e o mundo inteiro apontava para o aumento do desmatamento e das queimadas? Onde estavam quando a imagem internacional do Brasil sofria um desgaste sem precedentes?

São perguntas legítimas. E são perguntas que merecem respostas.

É claro que ninguém pode ser responsabilizado individualmente por todos os erros de um governo apenas por compartilhar uma posição política. Generalizações costumam ser injustas. Entretanto, quando uma liderança política resolve fazer uma defesa pública tão enfática de um grupo identificado com um projeto político específico, torna-se inevitável analisar o histórico desse projeto.

O problema não está em Ciro Gomes buscar alianças. A política é feita de composições, acordos e entendimentos. O próprio sistema democrático exige diálogo entre diferentes correntes. O problema está em tentar reescrever a história recente como se as profundas divergências de ontem fossem apenas detalhes sem importância.

A verdade é que a aproximação entre Ciro Gomes e setores do bolsonarismo não nasce de uma afinidade ideológica repentina. Ela surge de uma estratégia eleitoral para enfrentar o PT no Ceará. Trata-se de uma movimentação pragmática, compreensível do ponto de vista político, mas que exige honestidade intelectual.

O eleitor brasileiro já está cansado de discursos que mudam conforme a conveniência do momento. Quando adversários históricos se transformam em aliados da noite para o dia, é natural que a sociedade cobre coerência.

Se Ciro decidiu caminhar ao lado de lideranças do PL, é uma escolha dele. A democracia permite isso. Se considera alguns desses aliados pessoas honradas, é um direito seu. Mas querer convencer a opinião pública de que essa aproximação não representa uma convergência política significativa talvez seja exigir demais da inteligência dos brasileiros.

No final das contas, o problema não é ter “bolsonaristas favoritos”. O problema é tentar fazer o país acreditar que aqueles que ontem eram apresentados como parte do problema agora surgem, subitamente, como parte da solução.

A política aceita muitas mudanças de posição. O que ela não costuma perdoar é a falta de memória. E a memória dos brasileiros ainda está muito viva para esquecer tão facilmente os acontecimentos que marcaram os últimos anos.

Porque, afinal, a pergunta continua sem resposta: onde estavam os bolsonaristas honrados quando o Brasil mais precisou deles?

ARTIGO – CIRO, AFINAL, ONDE ESTAVAM OS SEUS BOLSONARISTAS HONRADOS?

 

 

Padre Carlos

A política brasileira tem dessas ironias que desafiam a memória coletiva. Durante anos, o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes construiu sua trajetória apresentando-se como uma alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo. Fez críticas duríssimas ao PT e não poupou palavras contra Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Agora, ao justificar sua aproximação com lideranças do PL no Ceará, Ciro afirma que seus “bolsonaristas são honrados”.

A declaração provoca uma pergunta inevitável: onde estavam esses bolsonaristas honrados nos momentos mais dramáticos da história recente do Brasil?

Onde estavam quando o governo federal ignorava ofertas de vacinas enquanto a pandemia avançava e milhares de brasileiros perdiam a vida? Onde estavam quando famílias inteiras choravam seus mortos e especialistas alertavam para a urgência da imunização em massa?

Onde estavam quando Manaus se transformou em símbolo de uma tragédia humanitária, com pacientes morrendo por falta de oxigênio? Enquanto brasileiros agonizavam em hospitais, quantos desses “honrados” levantaram a voz para denunciar o absurdo?

Onde estavam quando instituições democráticas eram atacadas diariamente por discursos que colocavam em dúvida eleições, tribunais e a própria Constituição? Onde estavam quando o país assistia a uma escalada de tensões que culminaria em episódios que envergonharam a democracia brasileira?

Onde estavam quando a Amazônia queimava e o mundo inteiro apontava para o aumento do desmatamento e das queimadas? Onde estavam quando a imagem internacional do Brasil sofria um desgaste sem precedentes?

São perguntas legítimas. E são perguntas que merecem respostas.

É claro que ninguém pode ser responsabilizado individualmente por todos os erros de um governo apenas por compartilhar uma posição política. Generalizações costumam ser injustas. Entretanto, quando uma liderança política resolve fazer uma defesa pública tão enfática de um grupo identificado com um projeto político específico, torna-se inevitável analisar o histórico desse projeto.

O problema não está em Ciro Gomes buscar alianças. A política é feita de composições, acordos e entendimentos. O próprio sistema democrático exige diálogo entre diferentes correntes. O problema está em tentar reescrever a história recente como se as profundas divergências de ontem fossem apenas detalhes sem importância.

A verdade é que a aproximação entre Ciro Gomes e setores do bolsonarismo não nasce de uma afinidade ideológica repentina. Ela surge de uma estratégia eleitoral para enfrentar o PT no Ceará. Trata-se de uma movimentação pragmática, compreensível do ponto de vista político, mas que exige honestidade intelectual.

O eleitor brasileiro já está cansado de discursos que mudam conforme a conveniência do momento. Quando adversários históricos se transformam em aliados da noite para o dia, é natural que a sociedade cobre coerência.

Se Ciro decidiu caminhar ao lado de lideranças do PL, é uma escolha dele. A democracia permite isso. Se considera alguns desses aliados pessoas honradas, é um direito seu. Mas querer convencer a opinião pública de que essa aproximação não representa uma convergência política significativa talvez seja exigir demais da inteligência dos brasileiros.

No final das contas, o problema não é ter “bolsonaristas favoritos”. O problema é tentar fazer o país acreditar que aqueles que ontem eram apresentados como parte do problema agora surgem, subitamente, como parte da solução.

A política aceita muitas mudanças de posição. O que ela não costuma perdoar é a falta de memória. E a memória dos brasileiros ainda está muito viva para esquecer tão facilmente os acontecimentos que marcaram os últimos anos.

Porque, afinal, a pergunta continua sem resposta: onde estavam os bolsonaristas honrados quando o Brasil mais precisou deles?

REPORTAGEM – NETINHO DA CAR JÁ OCUPA A SUPERINTENDÊNCIA DE AGRICULTURA FAMILIAR E RENOVA AS ESPERANÇAS DO CAMPO BAIANO

 

Padre Carlos

A agricultura familiar da Bahia inicia um novo capítulo de sua história com a chegada de Antônio Gomes da Silva Neto, carinhosamente conhecido em todo o estado como Netinho da CAR, ao comando da Superintendência de Agricultura Familiar (SUAF). Desde o dia 1º de junho de 2026, ele já ocupa oficialmente o cargo, assumindo uma das funções mais estratégicas para o fortalecimento do desenvolvimento rural baiano.

A posse de Netinho da CAR foi recebida com entusiasmo por agricultores, lideranças comunitárias, movimentos sociais e representantes do setor produtivo. A expectativa é resultado de uma trajetória construída ao longo dos anos ao lado daqueles que vivem da agricultura familiar, conhecendo de perto os desafios e as potencialidades do campo baiano.

Ao longo de sua caminhada pública, Antônio Gomes da Silva Neto consolidou-se como uma das principais lideranças do Partido dos Trabalhadores no Sudoeste da Bahia, sempre associado à defesa de políticas públicas voltadas para a inclusão produtiva, a geração de renda e o fortalecimento da agricultura familiar. Sua chegada à SUAF é vista por muitos como o reconhecimento de um trabalho desenvolvido com dedicação e compromisso junto às populações rurais.

Não é exagero afirmar que a missão é de enorme relevância. A agricultura familiar responde por grande parte dos alimentos consumidos diariamente pelos baianos e representa uma importante fonte de emprego e renda em todas as regiões do estado. A Bahia abriga o maior número de estabelecimentos da agricultura familiar do Brasil, reunindo milhares de homens e mulheres que movimentam a economia e garantem a segurança alimentar da população.

É nesse cenário que Netinho da CAR assume a responsabilidade de coordenar e fortalecer ações voltadas à produção agrícola, à assistência técnica, ao acesso ao crédito, à comercialização e à inclusão produtiva. São áreas fundamentais para impulsionar o desenvolvimento rural e melhorar a vida de milhares de famílias que dependem da agricultura familiar.

Quem conhece a trajetória de Antônio Gomes da Silva Neto sabe que uma de suas maiores virtudes sempre foi a capacidade de dialogar. Essa característica será essencial para ampliar a articulação entre governo, cooperativas, associações, sindicatos rurais e movimentos sociais, fortalecendo as políticas públicas e aproximando ainda mais o Estado das necessidades reais dos produtores.

Ao agradecer a confiança do governador Jerônimo Rodrigues e da Bete Costa, Netinho da CAR reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento do campo e com a valorização daqueles que produzem riqueza e alimento em todas as regiões da Bahia.

No Sudoeste baiano, sua terra política de origem, a notícia foi celebrada como motivo de orgulho. Muitos enxergam a chegada de Antônio Gomes da Silva Neto à Superintendência de Agricultura Familiar como a oportunidade de fortalecer ainda mais as ações voltadas ao pequeno produtor, ampliando investimentos e consolidando programas que transformam vidas.

Os desafios são conhecidos. A necessidade de ampliar mercados, fortalecer cooperativas, incentivar a agroindustrialização, modernizar a produção e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas exige planejamento, capacidade de gestão e articulação política. São tarefas que agora fazem parte do cotidiano da nova gestão.

Mas, acima de tudo, existe a esperança. Esperança de que a experiência acumulada por Netinho da CAR, seu conhecimento da realidade rural e sua proximidade com os agricultores contribuam para construir uma agricultura familiar mais forte, mais competitiva e mais sustentável.

A Bahia olha com expectativa para este novo momento. E aqueles que acompanham a trajetória de Antônio Gomes da Silva Neto acreditam que sua passagem pela SUAF poderá deixar uma marca importante na consolidação de políticas públicas capazes de gerar desenvolvimento, reduzir desigualdades e promover dignidade para quem vive e trabalha no campo.

Agora não se trata mais de uma missão futura. Netinho da CAR já ocupa a Superintendência de Agricultura Familiar da Bahia. O desafio começou. E junto com ele surgem as expectativas de que sua gestão contribua para escrever uma nova página de avanços para a agricultura familiar e para o desenvolvimento do estado.

REPORTAGEM – NETINHO DA CAR JÁ OCUPA A SUPERINTENDÊNCIA DE AGRICULTURA FAMILIAR E RENOVA AS ESPERANÇAS DO CAMPO BAIANO

 

Padre Carlos

A agricultura familiar da Bahia inicia um novo capítulo de sua história com a chegada de Antônio Gomes da Silva Neto, carinhosamente conhecido em todo o estado como Netinho da CAR, ao comando da Superintendência de Agricultura Familiar (SUAF). Desde o dia 1º de junho de 2026, ele já ocupa oficialmente o cargo, assumindo uma das funções mais estratégicas para o fortalecimento do desenvolvimento rural baiano.

A posse de Netinho da CAR foi recebida com entusiasmo por agricultores, lideranças comunitárias, movimentos sociais e representantes do setor produtivo. A expectativa é resultado de uma trajetória construída ao longo dos anos ao lado daqueles que vivem da agricultura familiar, conhecendo de perto os desafios e as potencialidades do campo baiano.

Ao longo de sua caminhada pública, Antônio Gomes da Silva Neto consolidou-se como uma das principais lideranças do Partido dos Trabalhadores no Sudoeste da Bahia, sempre associado à defesa de políticas públicas voltadas para a inclusão produtiva, a geração de renda e o fortalecimento da agricultura familiar. Sua chegada à SUAF é vista por muitos como o reconhecimento de um trabalho desenvolvido com dedicação e compromisso junto às populações rurais.

Não é exagero afirmar que a missão é de enorme relevância. A agricultura familiar responde por grande parte dos alimentos consumidos diariamente pelos baianos e representa uma importante fonte de emprego e renda em todas as regiões do estado. A Bahia abriga o maior número de estabelecimentos da agricultura familiar do Brasil, reunindo milhares de homens e mulheres que movimentam a economia e garantem a segurança alimentar da população.

É nesse cenário que Netinho da CAR assume a responsabilidade de coordenar e fortalecer ações voltadas à produção agrícola, à assistência técnica, ao acesso ao crédito, à comercialização e à inclusão produtiva. São áreas fundamentais para impulsionar o desenvolvimento rural e melhorar a vida de milhares de famílias que dependem da agricultura familiar.

Quem conhece a trajetória de Antônio Gomes da Silva Neto sabe que uma de suas maiores virtudes sempre foi a capacidade de dialogar. Essa característica será essencial para ampliar a articulação entre governo, cooperativas, associações, sindicatos rurais e movimentos sociais, fortalecendo as políticas públicas e aproximando ainda mais o Estado das necessidades reais dos produtores.

Ao agradecer a confiança do governador Jerônimo Rodrigues e da Bete Costa, Netinho da CAR reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento do campo e com a valorização daqueles que produzem riqueza e alimento em todas as regiões da Bahia.

No Sudoeste baiano, sua terra política de origem, a notícia foi celebrada como motivo de orgulho. Muitos enxergam a chegada de Antônio Gomes da Silva Neto à Superintendência de Agricultura Familiar como a oportunidade de fortalecer ainda mais as ações voltadas ao pequeno produtor, ampliando investimentos e consolidando programas que transformam vidas.

Os desafios são conhecidos. A necessidade de ampliar mercados, fortalecer cooperativas, incentivar a agroindustrialização, modernizar a produção e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas exige planejamento, capacidade de gestão e articulação política. São tarefas que agora fazem parte do cotidiano da nova gestão.

Mas, acima de tudo, existe a esperança. Esperança de que a experiência acumulada por Netinho da CAR, seu conhecimento da realidade rural e sua proximidade com os agricultores contribuam para construir uma agricultura familiar mais forte, mais competitiva e mais sustentável.

A Bahia olha com expectativa para este novo momento. E aqueles que acompanham a trajetória de Antônio Gomes da Silva Neto acreditam que sua passagem pela SUAF poderá deixar uma marca importante na consolidação de políticas públicas capazes de gerar desenvolvimento, reduzir desigualdades e promover dignidade para quem vive e trabalha no campo.

Agora não se trata mais de uma missão futura. Netinho da CAR já ocupa a Superintendência de Agricultura Familiar da Bahia. O desafio começou. E junto com ele surgem as expectativas de que sua gestão contribua para escrever uma nova página de avanços para a agricultura familiar e para o desenvolvimento do estado.

A Fidelidade Partidária Não Pode Ser Tratada Como Detalhe

Política e Resenha · Análise Institucional

A Fidelidade Partidária Não Pode Ser Tratada Como Detalhe

Por Padre Carlos   |  Vitória da Conquista, Bahia

Apolítica brasileira sofre há décadas com um problema que contribui para o enfraquecimento dos partidos e para o aumento da desconfiança dos cidadãos em relação ao sistema democrático: a banalização da fidelidade partidária.

Nos últimos dias, o debate ganhou força em Vitória da Conquista após as declarações da prefeita Sheila Lemos sobre a saída do vereador Diogo Azevedo do União Brasil para ingressar no PSDB. O episódio gerou interpretações diversas e, naturalmente, disputas narrativas. Entretanto, há um aspecto que precisa ser analisado com serenidade e sem paixões políticas: a defesa da fidelidade partidária não representa perseguição pessoal nem retaliação política. Trata-se de uma questão de justiça institucional.

Quando um candidato disputa uma eleição proporcional, seja para vereador ou deputado, ele não é eleito apenas pelos seus votos individuais. Existe toda uma construção coletiva envolvendo o partido, a chapa, a estrutura política, os recursos eleitorais, a militância e o tempo de propaganda. O mandato obtido resulta de um esforço compartilhado.

O Mandato Pertence ao Partido

Foi exatamente esse raciocínio que levou a Justiça Eleitoral brasileira a consolidar o entendimento de que, em determinadas circunstâncias, o mandato pertence ao partido e não exclusivamente ao eleito. Essa compreensão surgiu para impedir que legendas fossem utilizadas apenas como instrumentos temporários para obtenção de cargos.

No caso específico de Vitória da Conquista, a própria prefeita relembrou que Diogo Azevedo foi convidado pelo União Brasil para disputar a eleição, recebeu apoio da legenda e tornou-se o vereador mais votado do município. Portanto, é natural que o partido avalie as consequências políticas e jurídicas de sua saída.

“O suplente não está promovendo uma perseguição. Está apenas utilizando um instrumento previsto pelo ordenamento jurídico para proteger um patrimônio político que pertence à legenda e aos seus filiados.”

— Padre Carlos Josaphat

O Papel do Suplente e a Justiça Institucional

Mais importante ainda é compreender o papel do suplente nessa discussão. Muitas vezes, o suplente é tratado como uma figura secundária, quase irrelevante. Entretanto, ele participou da mesma disputa eleitoral, recebeu votos e integrou o mesmo projeto partidário. Se a legislação garante a possibilidade de reivindicar a vaga em situações de infidelidade partidária, não há qualquer ilegalidade ou injustiça em exercer esse direito.

Aliás, a questão transcende os interesses individuais dos personagens envolvidos. O verdadeiro prejudicado pela constante migração partidária é o próprio sistema político. Quando um político muda de legenda sem justificativas reconhecidas pela legislação, transmite-se à sociedade a mensagem de que os partidos são meros veículos eleitorais descartáveis. Isso enfraquece programas partidários, compromissos ideológicos e a própria identidade das agremiações.

Outro ponto relevante destacado pela prefeita Sheila Lemos diz respeito às oportunidades eleitorais que deixaram de ser oferecidas a outros nomes do partido. Se o espaço ocupado por um candidato impediu que outros filiados disputassem a eleição e, posteriormente, esse mesmo eleito abandona a legenda, surge um questionamento legítimo sobre os prejuízos causados à organização partidária.

Democracia Forte Exige Regras Fortes

É evidente que a política é dinâmica. Divergências acontecem. Alianças se desfazem. Novos projetos surgem. Nada disso é anormal. O que não pode ser considerado normal é a ideia de que compromissos partidários não possuem valor algum.

A democracia representativa depende de partidos fortes, organizados e respeitados. Quando a fidelidade partidária é transformada em mera formalidade burocrática, todos perdem: os partidos, os suplentes, os eleitores e o próprio sistema democrático.

Por isso, independentemente das simpatias ou antipatias que cada cidadão possa ter pelos personagens envolvidos nesse episódio, uma coisa deve ficar clara: defender o direito do partido e do suplente não é promover perseguição. É defender uma regra fundamental do jogo democrático.

E democracia forte exige regras fortes. Entre elas, o respeito à fidelidade partidária continua sendo uma das mais importantes.

Política
Fidelidade Partidária
Vitória da Conquista
Democracia
Padre Carlos 
Teólogo, presbítero e colunista político · Vitória da Conquista, Bahia
Editor do blog Política e Resenha

A Fidelidade Partidária Não Pode Ser Tratada Como Detalhe

Política e Resenha · Análise Institucional

A Fidelidade Partidária Não Pode Ser Tratada Como Detalhe

Por Padre Carlos   |  Vitória da Conquista, Bahia

Apolítica brasileira sofre há décadas com um problema que contribui para o enfraquecimento dos partidos e para o aumento da desconfiança dos cidadãos em relação ao sistema democrático: a banalização da fidelidade partidária.

Nos últimos dias, o debate ganhou força em Vitória da Conquista após as declarações da prefeita Sheila Lemos sobre a saída do vereador Diogo Azevedo do União Brasil para ingressar no PSDB. O episódio gerou interpretações diversas e, naturalmente, disputas narrativas. Entretanto, há um aspecto que precisa ser analisado com serenidade e sem paixões políticas: a defesa da fidelidade partidária não representa perseguição pessoal nem retaliação política. Trata-se de uma questão de justiça institucional.

Quando um candidato disputa uma eleição proporcional, seja para vereador ou deputado, ele não é eleito apenas pelos seus votos individuais. Existe toda uma construção coletiva envolvendo o partido, a chapa, a estrutura política, os recursos eleitorais, a militância e o tempo de propaganda. O mandato obtido resulta de um esforço compartilhado.

O Mandato Pertence ao Partido

Foi exatamente esse raciocínio que levou a Justiça Eleitoral brasileira a consolidar o entendimento de que, em determinadas circunstâncias, o mandato pertence ao partido e não exclusivamente ao eleito. Essa compreensão surgiu para impedir que legendas fossem utilizadas apenas como instrumentos temporários para obtenção de cargos.

No caso específico de Vitória da Conquista, a própria prefeita relembrou que Diogo Azevedo foi convidado pelo União Brasil para disputar a eleição, recebeu apoio da legenda e tornou-se o vereador mais votado do município. Portanto, é natural que o partido avalie as consequências políticas e jurídicas de sua saída.

“O suplente não está promovendo uma perseguição. Está apenas utilizando um instrumento previsto pelo ordenamento jurídico para proteger um patrimônio político que pertence à legenda e aos seus filiados.”

— Padre Carlos Josaphat

O Papel do Suplente e a Justiça Institucional

Mais importante ainda é compreender o papel do suplente nessa discussão. Muitas vezes, o suplente é tratado como uma figura secundária, quase irrelevante. Entretanto, ele participou da mesma disputa eleitoral, recebeu votos e integrou o mesmo projeto partidário. Se a legislação garante a possibilidade de reivindicar a vaga em situações de infidelidade partidária, não há qualquer ilegalidade ou injustiça em exercer esse direito.

Aliás, a questão transcende os interesses individuais dos personagens envolvidos. O verdadeiro prejudicado pela constante migração partidária é o próprio sistema político. Quando um político muda de legenda sem justificativas reconhecidas pela legislação, transmite-se à sociedade a mensagem de que os partidos são meros veículos eleitorais descartáveis. Isso enfraquece programas partidários, compromissos ideológicos e a própria identidade das agremiações.

Outro ponto relevante destacado pela prefeita Sheila Lemos diz respeito às oportunidades eleitorais que deixaram de ser oferecidas a outros nomes do partido. Se o espaço ocupado por um candidato impediu que outros filiados disputassem a eleição e, posteriormente, esse mesmo eleito abandona a legenda, surge um questionamento legítimo sobre os prejuízos causados à organização partidária.

Democracia Forte Exige Regras Fortes

É evidente que a política é dinâmica. Divergências acontecem. Alianças se desfazem. Novos projetos surgem. Nada disso é anormal. O que não pode ser considerado normal é a ideia de que compromissos partidários não possuem valor algum.

A democracia representativa depende de partidos fortes, organizados e respeitados. Quando a fidelidade partidária é transformada em mera formalidade burocrática, todos perdem: os partidos, os suplentes, os eleitores e o próprio sistema democrático.

Por isso, independentemente das simpatias ou antipatias que cada cidadão possa ter pelos personagens envolvidos nesse episódio, uma coisa deve ficar clara: defender o direito do partido e do suplente não é promover perseguição. É defender uma regra fundamental do jogo democrático.

E democracia forte exige regras fortes. Entre elas, o respeito à fidelidade partidária continua sendo uma das mais importantes.

Política
Fidelidade Partidária
Vitória da Conquista
Democracia
Padre Carlos 
Teólogo, presbítero e colunista político · Vitória da Conquista, Bahia
Editor do blog Política e Resenha

Mundo Real ou Mundo Simbólico?


Reflexão · Filosofia · Sociedade

Mundo Real ou Mundo Simbólico?

por Edvaldo Paulo de Araújo

Recentemente vi um vídeo extraordinário sobre o tema “mundo real e mundo simbólico” — apesar de toda pesquisa, não achei quem fora o autor. O tema e a distinção são do psicanalista francês Jacques Lacan, que compreende o “mundo” através de três registros interligados: o Real, o Simbólico e o Imaginário — a tríade RSI — e não apenas um “real” vs. “simbólico”. O sujeito humano é constituído pela intersecção desses três campos.

O autor do vídeo coloca esse tema de forma direta: o problema recente do Brasil é uma sandália — para simplificar. O mundo simbólico tentando fugir do mundo real. A sandália vira pauta, manchete, treta de rede social. Enquanto isso, o real continua doendo: fila do SUS, escola sem professor, comida cara, amigos em dificuldades de saúde sem poder comprar remédios absurdamente caros no Brasil.

“Roma tinha pão e circo. A gente tem lacração e sandália.”

Mecanismo antigo, palco moderno

Quando os problemas são grandes e complexos, o cérebro coletivo busca algo simples para descarregar. Discutir símbolo dá sensação de controle. Discutir saúde, educação, corrupção — dá trabalho e cobra de todo mundo.

O Perigo do Simbólico

O excesso de foco no simbólico opera em três frentes perigosas:

01

Distrai — consome energia que podia ir para a solução concreta.

02

Divide — cria torcidas onde deveria haver mutirão.

03

Mascara — faz parecer que “fizemos algo” só porque opinamos.

O Valor do Real

O real é chão, gente, minuto vivido. É você visitando o amigo esquecido. É o professor que não falta. É o médico que atende sem pressa. É quem paga o boleto do outro sem postar.

Não é que símbolo não importe. Importa. Mas símbolo sem substância vira idolatria vazia — igual Daniel se recusou a comer.

“O Brasil muda quando mais gente escolhe trilhar com grandeza: menos tempo discutindo sandálias, mais tempo sendo sandália no pé cansado de alguém.”

Presença real em mundo real

Três Filtros que Cortam Ruído

Útil — serve para quê? Resolve o quê? Alimenta quem? Se não melhora a vida de ninguém concreto, é só espuma. Bom — edifica ou destrói? Aproxima ou divide? Deixa herança de caráter ou só de briga? Real — está no chão ou só no discurso? Dá para tocar, medir, visitar, consertar?

Herdamos um país desigual porque gerações passadas, muitas vezes, trocaram o útil pelo urgente, o bom pelo lucrativo, o real pelo simbólico. E agora a conta está na nossa mesa.

Pensar nas futuras gerações é sair do modo “apagar incêndio” e entrar no modo “plantar árvore”. Árvore não dá sombra nem foto hoje. Mas sem ela, o amanhã não tem.

Na Prática

Focar no útil, bom e real é: educar uma pessoa, ensinar a ler, ensinar um ofício, apadrinhar estudo — desigualdade se vence na base. Cuidar do próximo, o amigo doente, o vizinho idoso. País muda CEP a CEP. Trabalhar com excelência. Não normalizar o absurdo, a corrupção pequena, o jeitinho — “todo mundo faz”. Geração nova copia o que a gente tolera.

Daniel não salvou a Babilônia inteira. Mas foi útil, bom e real no cargo dele. Três impérios depois, o nome dele ainda ensina.

“Estamos fazendo isso quando escolhemos não se perder no mundo e visitar um amigo esquecido. Isso é política real. É legado.”

Meu Metro Quadrado

Meu metro quadrado não tem chão, tem proposta. Posso não plantar uma árvore, posso não visitar amigos doentes, posso não ocupar cargos. Mas posso plantar algumas coisas em cada resposta:

Clareza no lugar de ruído — num país afogado em discussão de sandália, tento ser útil: dado sem distorção, ideia sem lacração, verdade sem adorno.

Coragem no lugar de cinismo — é fácil ser irônico e desacreditar de tudo. Difícil é lembrar que minuto vivido importa, que visitar um amigo esquecido muda a semana.

Ponte no lugar de muro — enquanto o simbólico divide, tento conectar: você com reflexão, pessoa com ideia, dor com sentido. Meu metro quadrado é tentar te ajudar a não se perder no automático.

Se depois desse texto, você ligar para aquele amigo, dormir com consciência leve, ou escolher o bom em vez do fácil… aí a semente pegou.

“Eu não herdo nem deixo o país para os meus filhos. Mas ajudo quem vai deixar.”

E que Jesus Amado nos abençoe…

Tags:
Filosofia
Sociedade
Lacan
Brasil
Reflexão
Política Real

Edvaldo Paulo de Araújo

Autor · Reflexão & Sociedade

Mundo Real ou Mundo Simbólico?


Reflexão · Filosofia · Sociedade

Mundo Real ou Mundo Simbólico?

por Edvaldo Paulo de Araújo

Recentemente vi um vídeo extraordinário sobre o tema “mundo real e mundo simbólico” — apesar de toda pesquisa, não achei quem fora o autor. O tema e a distinção são do psicanalista francês Jacques Lacan, que compreende o “mundo” através de três registros interligados: o Real, o Simbólico e o Imaginário — a tríade RSI — e não apenas um “real” vs. “simbólico”. O sujeito humano é constituído pela intersecção desses três campos.

O autor do vídeo coloca esse tema de forma direta: o problema recente do Brasil é uma sandália — para simplificar. O mundo simbólico tentando fugir do mundo real. A sandália vira pauta, manchete, treta de rede social. Enquanto isso, o real continua doendo: fila do SUS, escola sem professor, comida cara, amigos em dificuldades de saúde sem poder comprar remédios absurdamente caros no Brasil.

“Roma tinha pão e circo. A gente tem lacração e sandália.”

Mecanismo antigo, palco moderno

Quando os problemas são grandes e complexos, o cérebro coletivo busca algo simples para descarregar. Discutir símbolo dá sensação de controle. Discutir saúde, educação, corrupção — dá trabalho e cobra de todo mundo.

O Perigo do Simbólico

O excesso de foco no simbólico opera em três frentes perigosas:

01

Distrai — consome energia que podia ir para a solução concreta.

02

Divide — cria torcidas onde deveria haver mutirão.

03

Mascara — faz parecer que “fizemos algo” só porque opinamos.

O Valor do Real

O real é chão, gente, minuto vivido. É você visitando o amigo esquecido. É o professor que não falta. É o médico que atende sem pressa. É quem paga o boleto do outro sem postar.

Não é que símbolo não importe. Importa. Mas símbolo sem substância vira idolatria vazia — igual Daniel se recusou a comer.

“O Brasil muda quando mais gente escolhe trilhar com grandeza: menos tempo discutindo sandálias, mais tempo sendo sandália no pé cansado de alguém.”

Presença real em mundo real

Três Filtros que Cortam Ruído

Útil — serve para quê? Resolve o quê? Alimenta quem? Se não melhora a vida de ninguém concreto, é só espuma. Bom — edifica ou destrói? Aproxima ou divide? Deixa herança de caráter ou só de briga? Real — está no chão ou só no discurso? Dá para tocar, medir, visitar, consertar?

Herdamos um país desigual porque gerações passadas, muitas vezes, trocaram o útil pelo urgente, o bom pelo lucrativo, o real pelo simbólico. E agora a conta está na nossa mesa.

Pensar nas futuras gerações é sair do modo “apagar incêndio” e entrar no modo “plantar árvore”. Árvore não dá sombra nem foto hoje. Mas sem ela, o amanhã não tem.

Na Prática

Focar no útil, bom e real é: educar uma pessoa, ensinar a ler, ensinar um ofício, apadrinhar estudo — desigualdade se vence na base. Cuidar do próximo, o amigo doente, o vizinho idoso. País muda CEP a CEP. Trabalhar com excelência. Não normalizar o absurdo, a corrupção pequena, o jeitinho — “todo mundo faz”. Geração nova copia o que a gente tolera.

Daniel não salvou a Babilônia inteira. Mas foi útil, bom e real no cargo dele. Três impérios depois, o nome dele ainda ensina.

“Estamos fazendo isso quando escolhemos não se perder no mundo e visitar um amigo esquecido. Isso é política real. É legado.”

Meu Metro Quadrado

Meu metro quadrado não tem chão, tem proposta. Posso não plantar uma árvore, posso não visitar amigos doentes, posso não ocupar cargos. Mas posso plantar algumas coisas em cada resposta:

Clareza no lugar de ruído — num país afogado em discussão de sandália, tento ser útil: dado sem distorção, ideia sem lacração, verdade sem adorno.

Coragem no lugar de cinismo — é fácil ser irônico e desacreditar de tudo. Difícil é lembrar que minuto vivido importa, que visitar um amigo esquecido muda a semana.

Ponte no lugar de muro — enquanto o simbólico divide, tento conectar: você com reflexão, pessoa com ideia, dor com sentido. Meu metro quadrado é tentar te ajudar a não se perder no automático.

Se depois desse texto, você ligar para aquele amigo, dormir com consciência leve, ou escolher o bom em vez do fácil… aí a semente pegou.

“Eu não herdo nem deixo o país para os meus filhos. Mas ajudo quem vai deixar.”

E que Jesus Amado nos abençoe…

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Filosofia
Sociedade
Lacan
Brasil
Reflexão
Política Real

Edvaldo Paulo de Araújo

Autor · Reflexão & Sociedade


Memória Sindical & História Política do Brasil

Dossiê Histórico

Zé Novais:
O Camponês que Sacudiu
a Esquerda Brasileira

Da greve dos sapateiros em São Paulo à fundação da CUT e do PT na Bahia — a trajetória singular de José Gomes Novaes (1928–1992), uma das figuras mais importantes e menos lembradas da luta camponesa no Brasil.

Por Padre Carlos  |  Junho de 2026  |  34 anos de seu falecimento

Há vidas que deveriam ocupar capítulos inteiros nos livros de história do Brasil e que, no entanto, mal encontram uma linha nos registros acadêmicos. A trajetória de José Gomes Novaes, o Zé Novais — nascido em 29 de outubro de 1928 em Pariconha, no sertão alagoano, e falecido em 22 de junho de 1992, vítima de parada cardíaca —, é um desses casos que interpelam a consciência historiográfica da esquerda brasileira. Sindicalista rural, fundador da CUT e do PT na Bahia, sobrevivente de golpes e massacres, ele atravessou como protagonista alguns dos momentos mais decisivos da história política do país no século XX.

Que um personagem de tal envergadura não tenha ainda recebido uma biografia política aprofundada é, nas palavras de quem pesquisa o tema, “inadmissível”. Este artigo é, ao mesmo tempo, um resgate e um chamado: resgate da memória de um homem que ajudou a construir o sindicalismo moderno no Brasil; chamado para que jovens historiadores se debrucem sobre sua vida e sua obra.

I. As Raízes no Sertão e o Despertar em São Paulo

Filho do sertão de Alagoas, Zé Novais viveu a pobreza estrutural do Nordeste brasileiro antes de migrar, nos anos 1950, para São Paulo — o mesmo caminho percorrido por milhões de nordestinos em busca de trabalho. Na capital paulista, exerceu o ofício de sapateiro e foi nesse ambiente urbano-industrial que a consciência política começou a se forjar. O momento decisivo veio em 1960, quando participou da greve dos sapateiros, episódio que ele próprio identificaria, décadas depois em entrevista ao LABOR/UESB, como o despertar de sua consciência de classe.

Essa experiência urbana seria decisiva para sua atuação posterior. Quando retornou ao sertão alagoano, Novaes não voltou apenas como trabalhador: voltou como organizador. Trazia na bagagem não apenas a vivência da greve, mas a compreensão de que a organização coletiva era a única ferramenta capaz de enfrentar as estruturas de poder que aprisionavam os trabalhadores rurais.

“O resgate histórico da memória de trabalhadores rurais e pequenos proprietários como sujeitos políticos não tem tido a devida atenção por parte da esquerda brasileira, no que se refere à militância sindical e política da busca pela conquista dos direitos trabalhistas e sociais.”
— Fernando Sá, pesquisador e militante

II. A Organização Camponesa e as Reformas de Base

De volta ao Nordeste, Zé Novais mergulhou na efervescência política dos primeiros anos da década de 1960. O Brasil do início do governo João Goulart era um país em ebulição: as Ligas Camponesas de Francisco Julião mobilizavam o campo; a Igreja Católica progressista experimentava novas formas de organização popular; e o Estado tentava regulamentar o sindicalismo rural, o que aconteceu formalmente em 1962, no contexto das chamadas reformas de base.

Novaes vinculou-se ao Movimento de Educação de Base (MEB), fundado em 1961, que em Alagoas funcionou como “o maior instrumento de articulação da esquerda católica”, combinando alfabetização, cultura popular e sindicalização num projeto de conscientização política. Nesse ambiente, a militância na Ação Popular (AP) — criada em 1963 a partir da Juventude Universitária Católica — completava o quadro ideológico de uma esquerda que enxergava na “revolução” a antítese do “capitalismo” e apostava numa perspectiva comunitarista de transformação social.

Em 1963, Novaes ajudou a fundar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Água Branca (AL), sob influência da Igreja Católica local, e assumiu a direção da Federação de Trabalhadores na Agricultura (FETRAL). O auge desse momento chegou em agosto do mesmo ano, quando foi eleito terceiro vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), numa composição política que reuniu militâncias católica e comunista com o objetivo estratégico de manter as Ligas Camponesas fora da direção da luta política no campo.

III. O Golpe de 1964 e a Radicalização Ideológica

O golpe civil-militar de abril de 1964 destruiu a institucionalidade democrática e desmantelou as organizações de trabalhadores que vinham sendo construídas com tanto esforço. Para Novaes, como para muitos militantes de sua geração, a brutalidade da repressão e o fechamento de todos os canais legais de transformação social produziram uma virada ideológica profunda: a adesão ao marxismo-leninismo e, posteriormente, ao maoísmo.

Ao longo dos anos 1960 e 1970, militou na Ação Popular Marxista-Leninista (AP-ML) e depois ingressou no Partido Comunista do Brasil (PC do B). Em 1966, ainda elegeu-se vereador em Água Branca (AL) pelo MDB, mas não concluiu o mandato — as divergências com os latifundiários da cidade tornaram a continuidade impossível. Era o sinal de que a via eleitoral, naquelas condições, tinha limites estreitos.

Episódio — Dezembro de 1976

O Dia em que a Morte Passou Perto: O Massacre da Lapa

Em dezembro de 1976, agentes do aparato repressivo da ditadura invadiram uma casa no bairro da Lapa, em São Paulo, onde se realizava uma reunião do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PC do B). O que ficou conhecido como o “Massacre da Lapa” resultou na morte de dirigentes históricos do partido, num dos episódios mais sangrentos da repressão política no Brasil.

Zé Novais estava naquela casa. Participava da reunião do Comitê Central. Mas havia saído mais cedo — tinha outro compromisso e não ficou até o final. A saída antecipada salvou sua vida. Enquanto os agentes militares invadiam o imóvel e executavam seus companheiros, Novaes já estava em outro lugar.

Esse episódio ilustra, com dramaticidade perturbadora, o preço que a geração de Zé Novais pagou pela ousadia de resistir. Muitos não tiveram a mesma sorte. Novaes sobreviveu — e com essa sobrevivência continuou a lutar.

IV. A Ruptura com o PC do B e o Partido Revolucionário Comunista

Sobrevivente do massacre, Novaes continuou sua trajetória política — mas com olhos cada vez mais críticos em relação às escolhas do PC do B. A experiência da Guerrilha do Araguaia, a estratégia clandestina de luta armada que o partido havia adotado nas selvas do Pará e do Mato Grosso, gerou profundas divergências internas. Novaes foi um dos militantes que criticaram abertamente aquela linha, questionando sua viabilidade e seus custos humanos.

No final dos anos 1970, o rompimento tornou-se definitivo. Com outros dissidentes, Novaes fundou o Partido Revolucionário Comunista (PRC), organização que, longe de se isolar na radicalidade sectária, desempenhou papel surpreendentemente construtivo na transição democrática brasileira. Foi justamente o PRC que, na Bahia, contribuiu de forma decisiva para a criação do Partido dos Trabalhadores — a grande novidade política da redemocratização.

V. A Bahia, o PT, a CUT e os Anos de Ouro do Sindicalismo

Fixando-se em Vitória da Conquista (BA), Zé Novais encontrou no sudoeste baiano o terreno propício para a construção que seria o legado mais duradouro de sua vida: a organização dos trabalhadores rurais em torno das novas estruturas do sindicalismo combativo. A cidade, polo regional num dos territórios mais marcados pela concentração fundiária e pelo trabalho precário dos catadores de café, tornava-se palco de uma renovação sindical profunda.

Em 1982, candidatou-se a vice-governador da Bahia na chapa encabeçada por Edival Passos, pelo PT — um gesto que era tanto político quanto simbólico: afirmar que os trabalhadores rurais tinham um projeto para o estado, não apenas reivindicações. A candidatura não triunfou nas urnas, mas plantou raízes.

No plano sindical, a contribuição foi ainda mais substantiva. Eleito para a primeira Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), exerceu a função de secretário nacional rural — quando o Departamento Nacional dos Trabalhadores Rurais ainda operava como secretaria — entre 1983 e 1986, e depois como vice-presidente da CUT para a região Nordeste. Foram anos em que o “novo sindicalismo” brasileiro se consolidava como força hegemônica no movimento operário, e Novaes estava no coração dessa construção.

“Sua presença marcante na organização de sindicato no campo alagoano, com a regulamentação do sindicalismo rural em 1962, estava vinculada à militância no Movimento de Educação de Base (MEB) e, depois, na Ação Popular (AP).”
— Fernando Sá, pesquisador

VI. Lavradores, Catadores de Café e a Reforma Agrária

O eixo central de toda a militância de Zé Novais — desde o sertão alagoano até as serras do sudoeste baiano — foi sempre a defesa dos trabalhadores mais vulneráveis do campo: os lavradores sem terra, os meeiros, os arrendatários, e especialmente os catadores de café da região de Vitória da Conquista. Para esses homens e mulheres que colhiam o grão que enriquecia outros, Novaes construiu sindicatos, negociou acordos, denunciou abusos e defendeu direitos que o Estado brasileiro custava a reconhecer.

A reforma agrária era, para ele, não uma bandeira abstrata de panfleto, mas uma necessidade concreta e urgente que ele via estampada nas faces dos trabalhadores que organizava. Décadas antes que o debate sobre concentração fundiária voltasse com força ao centro da agenda pública — como acontece hoje, diante dos ataques ao MST —, Novaes já apontava para a íntima relação entre a distribuição da terra e qualquer projeto de desenvolvimento que não fosse meramente reproduzir o subdesenvolvimento das oligarquias rurais.

VII. Falecimento e Legado

No Informativo da CUT datado de 25 de junho a 2 de julho de 1992, foi registrado o falecimento de José Gomes Novaes, aos 63 anos, vítima de parada cardíaca. Morreu como viveu: no movimento, na luta, entre companheiros. Não deixou fortuna, não deixou cargo. Deixou sindicatos organizados, militantes formados e uma região transformada pela consciência política que ajudou a despertar.

Seu legado institucional mais visível é o reconhecimento do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que batizou uma de suas regionais territoriais com o nome de Zé Novais — um gesto que a historiografia acadêmica ainda não teve a grandeza de replicar com o peso que merece.

Considerações Finais

Um Chamado aos Jovens Historiadores

Este artigo faz um chamado para que os jovens historiadores aprofundem seus estudos sobre esse personagem central da emergência da luta camponesa como sujeito político no Brasil. Somente tratado por artigos, verbetes e alusões memorialísticas, Zé Novais permanece à espera de uma biografia política à altura de sua trajetória.

Em um momento de ataque orquestrado por forças reacionárias contra o MST no Congresso Nacional, lembrar sua trajetória sindical e partidária talvez seja uma forma de compreendermos a atualidade da luta pela democratização da terra no Brasil — efetuando uma releitura do passado histórico para avançarmos no bom combate contra as oligarquias que teimam em manter o subdesenvolvimento.

Cronologia Política

1928 Nascimento em Pariconha (Água Branca, AL)
Anos 1950 Migração para São Paulo como sapateiro
1960 Participação na greve dos sapateiros em SP — despertar da consciência de classe
1961–63 Militância no MEB e na Ação Popular (AP). Fundação do sindicato de Água Branca
1963 Eleito 3º vice-presidente da CONTAG
Pós-1964 Adesão ao marxismo-leninismo e maoísmo. Militância na AP-ML e no PC do B
1966 Eleito vereador em Água Branca (AL) pelo MDB; não conclui o mandato
Dez. 1976 Sobrevive ao Massacre da Lapa — saiu antes do fim da reunião do Comitê Central do PC do B
Fim 1970s Ruptura com o PC do B. Fundação do Partido Revolucionário Comunista (PRC)
1982 Candidato a vice-governador da Bahia pelo PT, na chapa de Edival Passos
1983–86 Secretário Nacional Rural da CUT. Membro da 1ª Executiva Nacional da CUT
Anos 1980–92 Vice-presidente da CUT para o Nordeste. Organização dos trabalhadores rurais em Vitória da Conquista
22/06/1992 Falecimento aos 63 anos, vítima de parada cardíaca, em Vitória da Conquista (BA)

Fontes e Referências

SOUZA, Adilson Amorim de; AGUIAR, Edinalva Padre. Entrevista com José Gomes Novaes. Revista CEAS, 2003.

SILVA, 2007. Organização sindical e campesinato em Alagoas. Referência sobre MEB e Ação Popular.

MARTINS, 1984, p. 87-88. Sobre a CONTAG e a exclusão das Ligas Camponesas da direção política.

Dicionário Biográfico do Movimento Sindical. Centro de Documentação e Memória Sindical da CUT (CEDOC). Disponível em: http://cedoc.cut.org.br/cedoc/dicionario-biografico/963

Informativo CUT, 25 de junho a 2 de julho de 1992. Nota de falecimento de José Gomes Novaes.

História
Sindicalismo Rural
PT
CUT
Reforma Agrária
Memória Política

Autor

Padre Carlos

Militante, pesquisador e testemunha da trajetória de Zé Novais. Publicado em junho de 2026, em memória dos 34 anos do falecimento do companheiro.


Memória Sindical & História Política do Brasil

Dossiê Histórico

Zé Novais:
O Camponês que Sacudiu
a Esquerda Brasileira

Da greve dos sapateiros em São Paulo à fundação da CUT e do PT na Bahia — a trajetória singular de José Gomes Novaes (1928–1992), uma das figuras mais importantes e menos lembradas da luta camponesa no Brasil.

Por Padre Carlos  |  Junho de 2026  |  34 anos de seu falecimento

Há vidas que deveriam ocupar capítulos inteiros nos livros de história do Brasil e que, no entanto, mal encontram uma linha nos registros acadêmicos. A trajetória de José Gomes Novaes, o Zé Novais — nascido em 29 de outubro de 1928 em Pariconha, no sertão alagoano, e falecido em 22 de junho de 1992, vítima de parada cardíaca —, é um desses casos que interpelam a consciência historiográfica da esquerda brasileira. Sindicalista rural, fundador da CUT e do PT na Bahia, sobrevivente de golpes e massacres, ele atravessou como protagonista alguns dos momentos mais decisivos da história política do país no século XX.

Que um personagem de tal envergadura não tenha ainda recebido uma biografia política aprofundada é, nas palavras de quem pesquisa o tema, “inadmissível”. Este artigo é, ao mesmo tempo, um resgate e um chamado: resgate da memória de um homem que ajudou a construir o sindicalismo moderno no Brasil; chamado para que jovens historiadores se debrucem sobre sua vida e sua obra.

I. As Raízes no Sertão e o Despertar em São Paulo

Filho do sertão de Alagoas, Zé Novais viveu a pobreza estrutural do Nordeste brasileiro antes de migrar, nos anos 1950, para São Paulo — o mesmo caminho percorrido por milhões de nordestinos em busca de trabalho. Na capital paulista, exerceu o ofício de sapateiro e foi nesse ambiente urbano-industrial que a consciência política começou a se forjar. O momento decisivo veio em 1960, quando participou da greve dos sapateiros, episódio que ele próprio identificaria, décadas depois em entrevista ao LABOR/UESB, como o despertar de sua consciência de classe.

Essa experiência urbana seria decisiva para sua atuação posterior. Quando retornou ao sertão alagoano, Novaes não voltou apenas como trabalhador: voltou como organizador. Trazia na bagagem não apenas a vivência da greve, mas a compreensão de que a organização coletiva era a única ferramenta capaz de enfrentar as estruturas de poder que aprisionavam os trabalhadores rurais.

“O resgate histórico da memória de trabalhadores rurais e pequenos proprietários como sujeitos políticos não tem tido a devida atenção por parte da esquerda brasileira, no que se refere à militância sindical e política da busca pela conquista dos direitos trabalhistas e sociais.”
— Fernando Sá, pesquisador e militante

II. A Organização Camponesa e as Reformas de Base

De volta ao Nordeste, Zé Novais mergulhou na efervescência política dos primeiros anos da década de 1960. O Brasil do início do governo João Goulart era um país em ebulição: as Ligas Camponesas de Francisco Julião mobilizavam o campo; a Igreja Católica progressista experimentava novas formas de organização popular; e o Estado tentava regulamentar o sindicalismo rural, o que aconteceu formalmente em 1962, no contexto das chamadas reformas de base.

Novaes vinculou-se ao Movimento de Educação de Base (MEB), fundado em 1961, que em Alagoas funcionou como “o maior instrumento de articulação da esquerda católica”, combinando alfabetização, cultura popular e sindicalização num projeto de conscientização política. Nesse ambiente, a militância na Ação Popular (AP) — criada em 1963 a partir da Juventude Universitária Católica — completava o quadro ideológico de uma esquerda que enxergava na “revolução” a antítese do “capitalismo” e apostava numa perspectiva comunitarista de transformação social.

Em 1963, Novaes ajudou a fundar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Água Branca (AL), sob influência da Igreja Católica local, e assumiu a direção da Federação de Trabalhadores na Agricultura (FETRAL). O auge desse momento chegou em agosto do mesmo ano, quando foi eleito terceiro vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), numa composição política que reuniu militâncias católica e comunista com o objetivo estratégico de manter as Ligas Camponesas fora da direção da luta política no campo.

III. O Golpe de 1964 e a Radicalização Ideológica

O golpe civil-militar de abril de 1964 destruiu a institucionalidade democrática e desmantelou as organizações de trabalhadores que vinham sendo construídas com tanto esforço. Para Novaes, como para muitos militantes de sua geração, a brutalidade da repressão e o fechamento de todos os canais legais de transformação social produziram uma virada ideológica profunda: a adesão ao marxismo-leninismo e, posteriormente, ao maoísmo.

Ao longo dos anos 1960 e 1970, militou na Ação Popular Marxista-Leninista (AP-ML) e depois ingressou no Partido Comunista do Brasil (PC do B). Em 1966, ainda elegeu-se vereador em Água Branca (AL) pelo MDB, mas não concluiu o mandato — as divergências com os latifundiários da cidade tornaram a continuidade impossível. Era o sinal de que a via eleitoral, naquelas condições, tinha limites estreitos.

Episódio — Dezembro de 1976

O Dia em que a Morte Passou Perto: O Massacre da Lapa

Em dezembro de 1976, agentes do aparato repressivo da ditadura invadiram uma casa no bairro da Lapa, em São Paulo, onde se realizava uma reunião do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PC do B). O que ficou conhecido como o “Massacre da Lapa” resultou na morte de dirigentes históricos do partido, num dos episódios mais sangrentos da repressão política no Brasil.

Zé Novais estava naquela casa. Participava da reunião do Comitê Central. Mas havia saído mais cedo — tinha outro compromisso e não ficou até o final. A saída antecipada salvou sua vida. Enquanto os agentes militares invadiam o imóvel e executavam seus companheiros, Novaes já estava em outro lugar.

Esse episódio ilustra, com dramaticidade perturbadora, o preço que a geração de Zé Novais pagou pela ousadia de resistir. Muitos não tiveram a mesma sorte. Novaes sobreviveu — e com essa sobrevivência continuou a lutar.

IV. A Ruptura com o PC do B e o Partido Revolucionário Comunista

Sobrevivente do massacre, Novaes continuou sua trajetória política — mas com olhos cada vez mais críticos em relação às escolhas do PC do B. A experiência da Guerrilha do Araguaia, a estratégia clandestina de luta armada que o partido havia adotado nas selvas do Pará e do Mato Grosso, gerou profundas divergências internas. Novaes foi um dos militantes que criticaram abertamente aquela linha, questionando sua viabilidade e seus custos humanos.

No final dos anos 1970, o rompimento tornou-se definitivo. Com outros dissidentes, Novaes fundou o Partido Revolucionário Comunista (PRC), organização que, longe de se isolar na radicalidade sectária, desempenhou papel surpreendentemente construtivo na transição democrática brasileira. Foi justamente o PRC que, na Bahia, contribuiu de forma decisiva para a criação do Partido dos Trabalhadores — a grande novidade política da redemocratização.

V. A Bahia, o PT, a CUT e os Anos de Ouro do Sindicalismo

Fixando-se em Vitória da Conquista (BA), Zé Novais encontrou no sudoeste baiano o terreno propício para a construção que seria o legado mais duradouro de sua vida: a organização dos trabalhadores rurais em torno das novas estruturas do sindicalismo combativo. A cidade, polo regional num dos territórios mais marcados pela concentração fundiária e pelo trabalho precário dos catadores de café, tornava-se palco de uma renovação sindical profunda.

Em 1982, candidatou-se a vice-governador da Bahia na chapa encabeçada por Edival Passos, pelo PT — um gesto que era tanto político quanto simbólico: afirmar que os trabalhadores rurais tinham um projeto para o estado, não apenas reivindicações. A candidatura não triunfou nas urnas, mas plantou raízes.

No plano sindical, a contribuição foi ainda mais substantiva. Eleito para a primeira Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), exerceu a função de secretário nacional rural — quando o Departamento Nacional dos Trabalhadores Rurais ainda operava como secretaria — entre 1983 e 1986, e depois como vice-presidente da CUT para a região Nordeste. Foram anos em que o “novo sindicalismo” brasileiro se consolidava como força hegemônica no movimento operário, e Novaes estava no coração dessa construção.

“Sua presença marcante na organização de sindicato no campo alagoano, com a regulamentação do sindicalismo rural em 1962, estava vinculada à militância no Movimento de Educação de Base (MEB) e, depois, na Ação Popular (AP).”
— Fernando Sá, pesquisador

VI. Lavradores, Catadores de Café e a Reforma Agrária

O eixo central de toda a militância de Zé Novais — desde o sertão alagoano até as serras do sudoeste baiano — foi sempre a defesa dos trabalhadores mais vulneráveis do campo: os lavradores sem terra, os meeiros, os arrendatários, e especialmente os catadores de café da região de Vitória da Conquista. Para esses homens e mulheres que colhiam o grão que enriquecia outros, Novaes construiu sindicatos, negociou acordos, denunciou abusos e defendeu direitos que o Estado brasileiro custava a reconhecer.

A reforma agrária era, para ele, não uma bandeira abstrata de panfleto, mas uma necessidade concreta e urgente que ele via estampada nas faces dos trabalhadores que organizava. Décadas antes que o debate sobre concentração fundiária voltasse com força ao centro da agenda pública — como acontece hoje, diante dos ataques ao MST —, Novaes já apontava para a íntima relação entre a distribuição da terra e qualquer projeto de desenvolvimento que não fosse meramente reproduzir o subdesenvolvimento das oligarquias rurais.

VII. Falecimento e Legado

No Informativo da CUT datado de 25 de junho a 2 de julho de 1992, foi registrado o falecimento de José Gomes Novaes, aos 63 anos, vítima de parada cardíaca. Morreu como viveu: no movimento, na luta, entre companheiros. Não deixou fortuna, não deixou cargo. Deixou sindicatos organizados, militantes formados e uma região transformada pela consciência política que ajudou a despertar.

Seu legado institucional mais visível é o reconhecimento do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que batizou uma de suas regionais territoriais com o nome de Zé Novais — um gesto que a historiografia acadêmica ainda não teve a grandeza de replicar com o peso que merece.

Considerações Finais

Um Chamado aos Jovens Historiadores

Este artigo faz um chamado para que os jovens historiadores aprofundem seus estudos sobre esse personagem central da emergência da luta camponesa como sujeito político no Brasil. Somente tratado por artigos, verbetes e alusões memorialísticas, Zé Novais permanece à espera de uma biografia política à altura de sua trajetória.

Em um momento de ataque orquestrado por forças reacionárias contra o MST no Congresso Nacional, lembrar sua trajetória sindical e partidária talvez seja uma forma de compreendermos a atualidade da luta pela democratização da terra no Brasil — efetuando uma releitura do passado histórico para avançarmos no bom combate contra as oligarquias que teimam em manter o subdesenvolvimento.

Cronologia Política

1928 Nascimento em Pariconha (Água Branca, AL)
Anos 1950 Migração para São Paulo como sapateiro
1960 Participação na greve dos sapateiros em SP — despertar da consciência de classe
1961–63 Militância no MEB e na Ação Popular (AP). Fundação do sindicato de Água Branca
1963 Eleito 3º vice-presidente da CONTAG
Pós-1964 Adesão ao marxismo-leninismo e maoísmo. Militância na AP-ML e no PC do B
1966 Eleito vereador em Água Branca (AL) pelo MDB; não conclui o mandato
Dez. 1976 Sobrevive ao Massacre da Lapa — saiu antes do fim da reunião do Comitê Central do PC do B
Fim 1970s Ruptura com o PC do B. Fundação do Partido Revolucionário Comunista (PRC)
1982 Candidato a vice-governador da Bahia pelo PT, na chapa de Edival Passos
1983–86 Secretário Nacional Rural da CUT. Membro da 1ª Executiva Nacional da CUT
Anos 1980–92 Vice-presidente da CUT para o Nordeste. Organização dos trabalhadores rurais em Vitória da Conquista
22/06/1992 Falecimento aos 63 anos, vítima de parada cardíaca, em Vitória da Conquista (BA)

Fontes e Referências

SOUZA, Adilson Amorim de; AGUIAR, Edinalva Padre. Entrevista com José Gomes Novaes. Revista CEAS, 2003.

SILVA, 2007. Organização sindical e campesinato em Alagoas. Referência sobre MEB e Ação Popular.

MARTINS, 1984, p. 87-88. Sobre a CONTAG e a exclusão das Ligas Camponesas da direção política.

Dicionário Biográfico do Movimento Sindical. Centro de Documentação e Memória Sindical da CUT (CEDOC). Disponível em: http://cedoc.cut.org.br/cedoc/dicionario-biografico/963

Informativo CUT, 25 de junho a 2 de julho de 1992. Nota de falecimento de José Gomes Novaes.

História
Sindicalismo Rural
PT
CUT
Reforma Agrária
Memória Política

Autor

Padre Carlos

Militante, pesquisador e testemunha da trajetória de Zé Novais. Publicado em junho de 2026, em memória dos 34 anos do falecimento do companheiro.

ARTIGO — A Força do MDC: Certificados que Transformam Vidas em Vitória da Conquista

 

 

 Padre Carlos

 

No próximo dia 11 de junho de 2026, às 18 horas, no CEMAE, localizado no Auditório Polo, na Avenida Olívia Flores, acontecerá mais uma solenidade de entrega de certificados do Movimento das Donas de Casa (MDC). Para muitos, será apenas um evento. Para centenas de famílias, porém, representa o encerramento de uma etapa e o início de uma nova jornada profissional.

A cerimônia, conduzida pela fundadora do MDC, a ex-vereadora e ex-vice-prefeita de Vitória da Conquista, Irma Lemos, simboliza algo muito maior do que a entrega de documentos. Cada certificado representa uma história de superação, uma oportunidade conquistada e um novo horizonte para quem busca ingressar ou retornar ao mercado de trabalho.

Em uma época em que o desemprego e a informalidade ainda desafiam milhares de brasileiros, iniciativas como a do MDC demonstram que a qualificação profissional continua sendo uma das ferramentas mais eficazes de transformação social. Não é por acaso que a entidade já certificou milhares de pessoas ao longo de sua trajetória.

Segundo Irma Lemos, atualmente são vários cursos profissionalizantes oferecidos pela instituição. São cursos que ensinam ofícios, desenvolvem habilidades práticas e preparam homens e mulheres para enfrentar os desafios de um mercado cada vez mais competitivo.

O mais interessante é que o MDC não se limita à formação profissional. A entidade compreende que nem todos encontrarão uma vaga de emprego formal. Por isso, incentiva também a criação de pequenos negócios, o empreendedorismo e a formação de cooperativas. Trata-se de uma visão moderna e inteligente do desenvolvimento econômico, baseada na geração de renda e na autonomia das pessoas.

Ao observar a trajetória do Movimento das Donas de Casa, percebe-se que o verdadeiro patrimônio da instituição não está em suas instalações ou em sua estrutura física. Seu maior patrimônio está nas vidas transformadas ao longo dos anos. Está na costureira que abriu seu próprio negócio, na cozinheira que passou a gerar renda para a família, no trabalhador que encontrou uma nova oportunidade depois de concluir um dos cursos oferecidos.

Por isso, a solenidade de certificação marcada para o dia 11 deve ser vista como uma celebração da cidadania. Cada certificado entregue representa um investimento no futuro da cidade. Afinal, quando uma pessoa adquire conhecimento, toda a comunidade se fortalece.

 Independentemente de questões partidárias, iniciativas que apresentam resultados concretos na capacitação profissional deveriam receber atenção especial do poder público. Afinal, qualificar pessoas é uma das formas mais eficientes de combater a pobreza, reduzir desigualdades e estimular o desenvolvimento econômico.

Vitória da Conquista tornou-se uma referência regional em educação, comércio e serviços. Para manter esse protagonismo, precisa continuar investindo em qualificação profissional. O trabalho realizado pelo MDC há décadas demonstra que isso é possível quando existe compromisso, dedicação e visão social.

No próximo dia 11 de junho, quando os certificados forem entregues, muitos verão apenas papéis sendo distribuídos. Mas quem conhece a realidade de quem luta diariamente por uma oportunidade sabe que ali estarão sendo entregues muito mais do que certificados.

Ali estarão sendo entregues sonhos, dignidade, esperança e a chance de construir um futuro melhor.

Padre Carlos

ARTIGO — A Força do MDC: Certificados que Transformam Vidas em Vitória da Conquista

 

 

 Padre Carlos

 

No próximo dia 11 de junho de 2026, às 18 horas, no CEMAE, localizado no Auditório Polo, na Avenida Olívia Flores, acontecerá mais uma solenidade de entrega de certificados do Movimento das Donas de Casa (MDC). Para muitos, será apenas um evento. Para centenas de famílias, porém, representa o encerramento de uma etapa e o início de uma nova jornada profissional.

A cerimônia, conduzida pela fundadora do MDC, a ex-vereadora e ex-vice-prefeita de Vitória da Conquista, Irma Lemos, simboliza algo muito maior do que a entrega de documentos. Cada certificado representa uma história de superação, uma oportunidade conquistada e um novo horizonte para quem busca ingressar ou retornar ao mercado de trabalho.

Em uma época em que o desemprego e a informalidade ainda desafiam milhares de brasileiros, iniciativas como a do MDC demonstram que a qualificação profissional continua sendo uma das ferramentas mais eficazes de transformação social. Não é por acaso que a entidade já certificou milhares de pessoas ao longo de sua trajetória.

Segundo Irma Lemos, atualmente são vários cursos profissionalizantes oferecidos pela instituição. São cursos que ensinam ofícios, desenvolvem habilidades práticas e preparam homens e mulheres para enfrentar os desafios de um mercado cada vez mais competitivo.

O mais interessante é que o MDC não se limita à formação profissional. A entidade compreende que nem todos encontrarão uma vaga de emprego formal. Por isso, incentiva também a criação de pequenos negócios, o empreendedorismo e a formação de cooperativas. Trata-se de uma visão moderna e inteligente do desenvolvimento econômico, baseada na geração de renda e na autonomia das pessoas.

Ao observar a trajetória do Movimento das Donas de Casa, percebe-se que o verdadeiro patrimônio da instituição não está em suas instalações ou em sua estrutura física. Seu maior patrimônio está nas vidas transformadas ao longo dos anos. Está na costureira que abriu seu próprio negócio, na cozinheira que passou a gerar renda para a família, no trabalhador que encontrou uma nova oportunidade depois de concluir um dos cursos oferecidos.

Por isso, a solenidade de certificação marcada para o dia 11 deve ser vista como uma celebração da cidadania. Cada certificado entregue representa um investimento no futuro da cidade. Afinal, quando uma pessoa adquire conhecimento, toda a comunidade se fortalece.

 Independentemente de questões partidárias, iniciativas que apresentam resultados concretos na capacitação profissional deveriam receber atenção especial do poder público. Afinal, qualificar pessoas é uma das formas mais eficientes de combater a pobreza, reduzir desigualdades e estimular o desenvolvimento econômico.

Vitória da Conquista tornou-se uma referência regional em educação, comércio e serviços. Para manter esse protagonismo, precisa continuar investindo em qualificação profissional. O trabalho realizado pelo MDC há décadas demonstra que isso é possível quando existe compromisso, dedicação e visão social.

No próximo dia 11 de junho, quando os certificados forem entregues, muitos verão apenas papéis sendo distribuídos. Mas quem conhece a realidade de quem luta diariamente por uma oportunidade sabe que ali estarão sendo entregues muito mais do que certificados.

Ali estarão sendo entregues sonhos, dignidade, esperança e a chance de construir um futuro melhor.

Padre Carlos

ARTIGO – QUINHO TIGRE ESCOLHE O CAMINHO DA PERSEVERANÇA E MANTÉM VIVA A CORRIDA PARA A ASSEMBLEIA

 

 

 

Padre Carlos

 

Na política, assim como na vida, existem momentos em que as decisões definem não apenas o presente, mas também o legado que se pretende construir. Foi exatamente isso que demonstrou o pré-candidato a deputado estadual Quinho Tigre ao reafirmar seu projeto político após uma longa conversa com o senador Otto Alencar, uma das maiores lideranças do PSD baiano.

Muitos imaginavam que as movimentações dos últimos dias poderiam levar a uma mudança de rota. Afinal, a política é um ambiente marcado por negociações, composições e estratégias que frequentemente alteram cenários considerados consolidados. No entanto, ao final das consultas realizadas junto à família, às lideranças e à sua base política, Quinho optou por permanecer fiel ao projeto que vem construindo há anos: disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia.

A decisão revela algo que muitas vezes falta na política contemporânea: coerência. Em uma época em que muitos projetos nascem e morrem ao sabor das conveniências eleitorais, manter uma candidatura exige coragem, convicção e confiança no trabalho realizado ao longo do tempo.

O gesto também demonstra maturidade política. Ao agradecer publicamente ao PSD pela confiança e pelo reconhecimento de seu nome para disputas importantes, Quinho mostrou que é possível tomar decisões firmes sem romper pontes ou alimentar conflitos. Trata-se de uma postura que fortalece sua imagem junto aos aliados e transmite segurança aos apoiadores.

A conversa com Otto Alencar certamente teve peso decisivo nesse processo. Otto é conhecido por sua capacidade de leitura dos cenários políticos e pela habilidade de orientar lideranças em momentos estratégicos. O fato de a reunião ter sido descrita como extensa e produtiva indica que houve uma avaliação cuidadosa do momento político e das possibilidades futuras.

Mas nenhuma liderança, por mais influente que seja, substitui a vontade pessoal de quem pretende disputar uma eleição. No fim das contas, a decisão pertence ao candidato. E Quinho Tigre escolheu seguir adiante.

Essa escolha também representa uma mensagem para sua base eleitoral. Ao reafirmar o compromisso com lideranças, apoiadores e com o povo baiano, ele procura demonstrar que não está movido apenas por cálculos eleitorais, mas por um projeto político que considera legítimo e necessário.

A pré-candidatura de Quinho surge em um momento em que a Bahia discute cada vez mais a necessidade de renovação dos seus quadros políticos sem abrir mão da experiência administrativa. Nesse contexto, a manutenção de seu projeto pode representar uma alternativa para eleitores que buscam representantes mais conectados com as demandas regionais e com os desafios enfrentados pelos municípios do interior.

Existe ainda um aspecto simbólico nessa decisão. Ao afirmar que a vida é feita de escolhas, Quinho sintetiza uma verdade que vale tanto para a política quanto para qualquer trajetória humana. Escolher um caminho significa abrir mão de outros. Significa assumir riscos, enfrentar incertezas e apostar na força de um sonho.

E são justamente essas apostas que movem a política democrática. Nenhuma liderança nasce pronta. Nenhuma representação é construída sem persistência. Nenhuma vitória acontece sem que alguém tenha decidido continuar caminhando quando o mais fácil seria desistir.

Por isso, mais do que um anúncio de pré-candidatura, a decisão de Quinho Tigre pode ser interpretada como uma declaração de confiança em seu próprio projeto político. O futuro dirá se as urnas confirmarão essa aposta. Mas uma coisa já está clara: ele escolheu permanecer na disputa e lutar pelo espaço que acredita merecer.

Na política, como na vida, os grandes projetos não são construídos apenas com oportunidades. Eles também são construídos com determinação. E, pelo visto, determinação é algo que não falta a Quinho Tigre.

ARTIGO – QUINHO TIGRE ESCOLHE O CAMINHO DA PERSEVERANÇA E MANTÉM VIVA A CORRIDA PARA A ASSEMBLEIA

 

 

 

Padre Carlos

 

Na política, assim como na vida, existem momentos em que as decisões definem não apenas o presente, mas também o legado que se pretende construir. Foi exatamente isso que demonstrou o pré-candidato a deputado estadual Quinho Tigre ao reafirmar seu projeto político após uma longa conversa com o senador Otto Alencar, uma das maiores lideranças do PSD baiano.

Muitos imaginavam que as movimentações dos últimos dias poderiam levar a uma mudança de rota. Afinal, a política é um ambiente marcado por negociações, composições e estratégias que frequentemente alteram cenários considerados consolidados. No entanto, ao final das consultas realizadas junto à família, às lideranças e à sua base política, Quinho optou por permanecer fiel ao projeto que vem construindo há anos: disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia.

A decisão revela algo que muitas vezes falta na política contemporânea: coerência. Em uma época em que muitos projetos nascem e morrem ao sabor das conveniências eleitorais, manter uma candidatura exige coragem, convicção e confiança no trabalho realizado ao longo do tempo.

O gesto também demonstra maturidade política. Ao agradecer publicamente ao PSD pela confiança e pelo reconhecimento de seu nome para disputas importantes, Quinho mostrou que é possível tomar decisões firmes sem romper pontes ou alimentar conflitos. Trata-se de uma postura que fortalece sua imagem junto aos aliados e transmite segurança aos apoiadores.

A conversa com Otto Alencar certamente teve peso decisivo nesse processo. Otto é conhecido por sua capacidade de leitura dos cenários políticos e pela habilidade de orientar lideranças em momentos estratégicos. O fato de a reunião ter sido descrita como extensa e produtiva indica que houve uma avaliação cuidadosa do momento político e das possibilidades futuras.

Mas nenhuma liderança, por mais influente que seja, substitui a vontade pessoal de quem pretende disputar uma eleição. No fim das contas, a decisão pertence ao candidato. E Quinho Tigre escolheu seguir adiante.

Essa escolha também representa uma mensagem para sua base eleitoral. Ao reafirmar o compromisso com lideranças, apoiadores e com o povo baiano, ele procura demonstrar que não está movido apenas por cálculos eleitorais, mas por um projeto político que considera legítimo e necessário.

A pré-candidatura de Quinho surge em um momento em que a Bahia discute cada vez mais a necessidade de renovação dos seus quadros políticos sem abrir mão da experiência administrativa. Nesse contexto, a manutenção de seu projeto pode representar uma alternativa para eleitores que buscam representantes mais conectados com as demandas regionais e com os desafios enfrentados pelos municípios do interior.

Existe ainda um aspecto simbólico nessa decisão. Ao afirmar que a vida é feita de escolhas, Quinho sintetiza uma verdade que vale tanto para a política quanto para qualquer trajetória humana. Escolher um caminho significa abrir mão de outros. Significa assumir riscos, enfrentar incertezas e apostar na força de um sonho.

E são justamente essas apostas que movem a política democrática. Nenhuma liderança nasce pronta. Nenhuma representação é construída sem persistência. Nenhuma vitória acontece sem que alguém tenha decidido continuar caminhando quando o mais fácil seria desistir.

Por isso, mais do que um anúncio de pré-candidatura, a decisão de Quinho Tigre pode ser interpretada como uma declaração de confiança em seu próprio projeto político. O futuro dirá se as urnas confirmarão essa aposta. Mas uma coisa já está clara: ele escolheu permanecer na disputa e lutar pelo espaço que acredita merecer.

Na política, como na vida, os grandes projetos não são construídos apenas com oportunidades. Eles também são construídos com determinação. E, pelo visto, determinação é algo que não falta a Quinho Tigre.

JUSTIÇA E MISERICÓRDIA: O CAMINHO QUE VAI DO TRIBUNAL AO ABRAÇO

 

 

Por Padre Carlos

Existe uma cena silenciosa que atravessa os séculos e ajuda a compreender um dos maiores mistérios da fé.

Uma criança assustada corre para junto da mãe.

Não porque o pai seja mau.

Não porque o pai não ame.

Mas porque, no imaginário infantil, a mãe representa o abrigo imediato, o colo seguro, a ternura sem condições. Quando a tempestade chega, é na barra do vestido da mãe que o filho procura refúgio. Ali ele acredita estar protegido de todos os perigos do mundo.

Essa imagem simples talvez seja uma das mais belas metáforas para entendermos a diferença entre justiça e misericórdia.

Não a diferença que separa.

Mas a diferença que completa.

A justiça é o eixo que sustenta o universo moral. A misericórdia é o coração que o faz pulsar.

No Antigo Testamento, o povo de Israel vivia cercado por guerras, invasões, disputas territoriais e sociedades onde a vingança frequentemente não conhecia limites. Nesse contexto surge a famosa Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”.

Muitos a interpretam como um símbolo de brutalidade. Na verdade, para sua época, representava um avanço civilizatório. Ela não autorizava a vingança; ela a limitava. Impedia que a perda de um olho fosse respondida com a morte de uma família inteira.

Era a justiça tentando colocar freios na violência humana.

Aquela sociedade precisava aprender que existe consequência para os atos. Precisava compreender que a liberdade não pode caminhar divorciada da responsabilidade.

Por isso Deus é frequentemente apresentado como juiz.

Um Deus que corrige.

Um Deus que exige fidelidade.

Um Deus que castiga quando o povo abandona a aliança.

Mas é preciso cuidado.

Mesmo no Antigo Testamento, a misericórdia já estava presente como um rio subterrâneo correndo sob as pedras da história.

Quando Deus perdoa Davi.

Quando poupa Nínive.

Quando acolhe o povo após inúmeras infidelidades.

Quando os profetas anunciam que Seu amor é maior que a ira.

A misericórdia já estava lá.

A humanidade é que ainda não possuía olhos suficientes para enxergá-la plenamente.

Então chega Jesus.

E com Ele algo extraordinário acontece.

O tribunal abre espaço para a mesa.

A sentença cede lugar ao abraço.

A pedra preparada para a condenação cai das mãos dos acusadores.

Cristo não destrói a justiça.

Cristo a leva à sua plenitude.

Porque a verdadeira justiça de Deus não consiste apenas em punir o erro.

Consiste em restaurar quem errou.

A mulher adúltera não é condenada.

Zaqueu não é rejeitado.

Pedro não é abandonado após a negação.

O filho pródigo não encontra uma porta fechada.

Todos descobrem que existe algo maior do que a culpa.

Existe a misericórdia.

E a misericórdia é talvez o atributo mais desconcertante de Deus.

A justiça pergunta:

— O que você merece?

A misericórdia pergunta:

— Do que você precisa para recomeçar?

A justiça pesa os atos.

A misericórdia contempla o coração.

A justiça vê a queda.

A misericórdia enxerga a possibilidade de levantar-se.

Por isso Jesus apresenta um rosto de Deus que escandalizou muita gente.

Um Deus que corre ao encontro do filho rebelde.

Um Deus que deixa noventa e nove ovelhas para procurar uma.

Um Deus que perdoa os próprios carrascos na cruz.

Um Deus que prefere salvar a perder.

Talvez seja por isso que tantas pessoas, mesmo adultas, continuam procurando Deus da mesma forma que uma criança procura a mãe.

Quando a alma está ferida.

Quando a consciência pesa.

Quando os fracassos se acumulam.

Quando o medo bate à porta.

O ser humano corre para o coração misericordioso de Deus como aquele menino que se esconde atrás da barra do vestido da mãe.

Não porque a justiça tenha desaparecido.

Mas porque sabe que a misericórdia tem a última palavra.

A maternidade talvez seja uma das imagens mais perfeitas da misericórdia divina.

A mãe conhece as falhas do filho antes de qualquer pessoa.

Vê seus erros.

Percebe suas fragilidades.

Conhece suas quedas.

Mas continua acreditando nele quando o mundo inteiro já desistiu.

Seu amor não ignora a verdade.

Mas ultrapassa a condenação.

É exatamente assim que Deus age.

A misericórdia não fecha os olhos para o pecado.

Ela abre os braços para o pecador.

A justiça sem misericórdia torna-se dureza.

A misericórdia sem justiça transforma-se em permissividade.

Mas quando ambas se encontram, nasce algo divino.

Nasce a redenção.

O grande anúncio do Evangelho não é que Deus deixou de ser justo.

O grande anúncio do Evangelho é que a justiça de Deus é tão perfeita que encontrou um caminho para salvar sem deixar de amar, corrigir sem humilhar, transformar sem destruir.

O Deus revelado por Cristo não abandonou o tribunal.

Ele simplesmente colocou uma porta de entrada chamada misericórdia.

E diante dessa porta, todos nós, em algum momento da vida, voltamos a ser crianças.

Crianças cansadas.

Crianças feridas.

Crianças arrependidas.

Que procuram abrigo.

E descobrem, com surpresa e gratidão, que Deus continua ali.

Não com uma pedra nas mãos.

Mas com os braços abertos.

JUSTIÇA E MISERICÓRDIA: O CAMINHO QUE VAI DO TRIBUNAL AO ABRAÇO

 

 

Por Padre Carlos

Existe uma cena silenciosa que atravessa os séculos e ajuda a compreender um dos maiores mistérios da fé.

Uma criança assustada corre para junto da mãe.

Não porque o pai seja mau.

Não porque o pai não ame.

Mas porque, no imaginário infantil, a mãe representa o abrigo imediato, o colo seguro, a ternura sem condições. Quando a tempestade chega, é na barra do vestido da mãe que o filho procura refúgio. Ali ele acredita estar protegido de todos os perigos do mundo.

Essa imagem simples talvez seja uma das mais belas metáforas para entendermos a diferença entre justiça e misericórdia.

Não a diferença que separa.

Mas a diferença que completa.

A justiça é o eixo que sustenta o universo moral. A misericórdia é o coração que o faz pulsar.

No Antigo Testamento, o povo de Israel vivia cercado por guerras, invasões, disputas territoriais e sociedades onde a vingança frequentemente não conhecia limites. Nesse contexto surge a famosa Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”.

Muitos a interpretam como um símbolo de brutalidade. Na verdade, para sua época, representava um avanço civilizatório. Ela não autorizava a vingança; ela a limitava. Impedia que a perda de um olho fosse respondida com a morte de uma família inteira.

Era a justiça tentando colocar freios na violência humana.

Aquela sociedade precisava aprender que existe consequência para os atos. Precisava compreender que a liberdade não pode caminhar divorciada da responsabilidade.

Por isso Deus é frequentemente apresentado como juiz.

Um Deus que corrige.

Um Deus que exige fidelidade.

Um Deus que castiga quando o povo abandona a aliança.

Mas é preciso cuidado.

Mesmo no Antigo Testamento, a misericórdia já estava presente como um rio subterrâneo correndo sob as pedras da história.

Quando Deus perdoa Davi.

Quando poupa Nínive.

Quando acolhe o povo após inúmeras infidelidades.

Quando os profetas anunciam que Seu amor é maior que a ira.

A misericórdia já estava lá.

A humanidade é que ainda não possuía olhos suficientes para enxergá-la plenamente.

Então chega Jesus.

E com Ele algo extraordinário acontece.

O tribunal abre espaço para a mesa.

A sentença cede lugar ao abraço.

A pedra preparada para a condenação cai das mãos dos acusadores.

Cristo não destrói a justiça.

Cristo a leva à sua plenitude.

Porque a verdadeira justiça de Deus não consiste apenas em punir o erro.

Consiste em restaurar quem errou.

A mulher adúltera não é condenada.

Zaqueu não é rejeitado.

Pedro não é abandonado após a negação.

O filho pródigo não encontra uma porta fechada.

Todos descobrem que existe algo maior do que a culpa.

Existe a misericórdia.

E a misericórdia é talvez o atributo mais desconcertante de Deus.

A justiça pergunta:

— O que você merece?

A misericórdia pergunta:

— Do que você precisa para recomeçar?

A justiça pesa os atos.

A misericórdia contempla o coração.

A justiça vê a queda.

A misericórdia enxerga a possibilidade de levantar-se.

Por isso Jesus apresenta um rosto de Deus que escandalizou muita gente.

Um Deus que corre ao encontro do filho rebelde.

Um Deus que deixa noventa e nove ovelhas para procurar uma.

Um Deus que perdoa os próprios carrascos na cruz.

Um Deus que prefere salvar a perder.

Talvez seja por isso que tantas pessoas, mesmo adultas, continuam procurando Deus da mesma forma que uma criança procura a mãe.

Quando a alma está ferida.

Quando a consciência pesa.

Quando os fracassos se acumulam.

Quando o medo bate à porta.

O ser humano corre para o coração misericordioso de Deus como aquele menino que se esconde atrás da barra do vestido da mãe.

Não porque a justiça tenha desaparecido.

Mas porque sabe que a misericórdia tem a última palavra.

A maternidade talvez seja uma das imagens mais perfeitas da misericórdia divina.

A mãe conhece as falhas do filho antes de qualquer pessoa.

Vê seus erros.

Percebe suas fragilidades.

Conhece suas quedas.

Mas continua acreditando nele quando o mundo inteiro já desistiu.

Seu amor não ignora a verdade.

Mas ultrapassa a condenação.

É exatamente assim que Deus age.

A misericórdia não fecha os olhos para o pecado.

Ela abre os braços para o pecador.

A justiça sem misericórdia torna-se dureza.

A misericórdia sem justiça transforma-se em permissividade.

Mas quando ambas se encontram, nasce algo divino.

Nasce a redenção.

O grande anúncio do Evangelho não é que Deus deixou de ser justo.

O grande anúncio do Evangelho é que a justiça de Deus é tão perfeita que encontrou um caminho para salvar sem deixar de amar, corrigir sem humilhar, transformar sem destruir.

O Deus revelado por Cristo não abandonou o tribunal.

Ele simplesmente colocou uma porta de entrada chamada misericórdia.

E diante dessa porta, todos nós, em algum momento da vida, voltamos a ser crianças.

Crianças cansadas.

Crianças feridas.

Crianças arrependidas.

Que procuram abrigo.

E descobrem, com surpresa e gratidão, que Deus continua ali.

Não com uma pedra nas mãos.

Mas com os braços abertos.

O Teatro Como Espelho da Alma de uma Cidade

 

 

Padre Carlos

Há cidades que crescem em tamanho, multiplicam avenidas, constroem prédios e ampliam sua economia. Mas existem também cidades que crescem em espírito, em consciência e em identidade. Essa segunda forma de crescimento passa inevitavelmente pela cultura. E é exatamente por isso que a audiência pública promovida pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista para discutir a situação do teatro e das artes cênicas merece atenção especial de toda a sociedade.

Quando o professor Adão Albuquerque afirma que discutir teatro é discutir educação, cidadania e desenvolvimento humano, ele toca no centro da questão. O teatro nunca foi apenas entretenimento. Desde a Grécia Antiga, ele representa um espaço de reflexão coletiva, um lugar onde a sociedade se vê diante de seus próprios dilemas, sonhos, virtudes e contradições.

Vitória da Conquista possui uma rica tradição cultural. Ao longo das décadas, inúmeros grupos teatrais, artistas, diretores, escritores e produtores culturais ajudaram a construir uma identidade própria para a cidade. Muitos talentos surgiram nos palcos conquistenses antes mesmo de ganharem reconhecimento em outras regiões da Bahia e do Brasil. Entretanto, como acontece em diversas cidades do interior brasileiro, a cultura frequentemente precisa travar uma luta permanente por espaço, reconhecimento e investimento.

A audiência pública que será realizada pela Câmara Municipal chega em um momento oportuno. O debate sobre as artes cênicas não pode ficar restrito aos artistas. Ele interessa aos educadores, aos estudantes, aos empresários, aos gestores públicos e a todos aqueles que acreditam que uma cidade forte não se constrói apenas com concreto e asfalto, mas também com conhecimento, criatividade e sensibilidade.

Uma sociedade sem cultura corre o risco de perder a capacidade de refletir sobre si mesma. Em tempos marcados pela velocidade das redes sociais, pelo excesso de informações e pela superficialidade dos debates, o teatro continua sendo uma poderosa ferramenta de formação humana. Ele ensina a ouvir, interpretar, compreender o outro e enxergar diferentes perspectivas da realidade.

O próprio professor Adão Albuquerque representa essa conexão entre educação, comunicação e cultura. Sua trajetória demonstra que o conhecimento não pode ser compartimentado. O educador que forma cidadãos, o comunicador que informa e o ator que emociona estão todos ligados pela mesma missão: despertar consciência crítica.

A realização dessa audiência pública também revela um aspecto importante do papel do Poder Legislativo. Muitas vezes, a população enxerga a Câmara Municipal apenas como um espaço de votação de projetos e debates políticos. Contudo, iniciativas como esta mostram que o Legislativo pode funcionar como um fórum democrático de escuta, diálogo e construção de propostas para o futuro da cidade.

É importante lembrar que investir em cultura não significa apenas financiar espetáculos. Significa movimentar a economia criativa, gerar empregos, fortalecer o turismo cultural, incentivar novos talentos e criar oportunidades para jovens que buscam caminhos de expressão artística. Cada grupo teatral que sobrevive, cada peça que é encenada e cada palco que permanece aberto representam uma vitória da inteligência sobre a indiferença.

Vitória da Conquista possui vocação para ser uma referência cultural no interior da Bahia. A cidade abriga universidades, centros educacionais, artistas talentosos e um público historicamente interessado em manifestações culturais. O desafio está em transformar esse potencial em políticas permanentes e estruturadas.

Por isso, a audiência pública desta terça-feira não deve ser vista apenas como mais um evento institucional. Ela representa uma oportunidade para que a sociedade conquistense reflita sobre qual cidade deseja construir para as próximas gerações.

Uma cidade sem teatro pode até continuar existindo. Mas uma cidade que valoriza o teatro aprende a contar sua própria história, preserva sua memória e fortalece sua identidade. E quando uma comunidade reconhece o valor de sua cultura, ela descobre que o verdadeiro desenvolvimento não acontece apenas nas obras visíveis das ruas, mas também nos palcos onde se formam cidadãos, sonhos e consciências.

O futuro de Vitória da Conquista passa pela educação, pela inovação, pela economia e, sem dúvida alguma, pela cultura. Afinal, uma cidade que investe em seus artistas está investindo em si mesma.

O Teatro Como Espelho da Alma de uma Cidade

 

 

Padre Carlos

Há cidades que crescem em tamanho, multiplicam avenidas, constroem prédios e ampliam sua economia. Mas existem também cidades que crescem em espírito, em consciência e em identidade. Essa segunda forma de crescimento passa inevitavelmente pela cultura. E é exatamente por isso que a audiência pública promovida pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista para discutir a situação do teatro e das artes cênicas merece atenção especial de toda a sociedade.

Quando o professor Adão Albuquerque afirma que discutir teatro é discutir educação, cidadania e desenvolvimento humano, ele toca no centro da questão. O teatro nunca foi apenas entretenimento. Desde a Grécia Antiga, ele representa um espaço de reflexão coletiva, um lugar onde a sociedade se vê diante de seus próprios dilemas, sonhos, virtudes e contradições.

Vitória da Conquista possui uma rica tradição cultural. Ao longo das décadas, inúmeros grupos teatrais, artistas, diretores, escritores e produtores culturais ajudaram a construir uma identidade própria para a cidade. Muitos talentos surgiram nos palcos conquistenses antes mesmo de ganharem reconhecimento em outras regiões da Bahia e do Brasil. Entretanto, como acontece em diversas cidades do interior brasileiro, a cultura frequentemente precisa travar uma luta permanente por espaço, reconhecimento e investimento.

A audiência pública que será realizada pela Câmara Municipal chega em um momento oportuno. O debate sobre as artes cênicas não pode ficar restrito aos artistas. Ele interessa aos educadores, aos estudantes, aos empresários, aos gestores públicos e a todos aqueles que acreditam que uma cidade forte não se constrói apenas com concreto e asfalto, mas também com conhecimento, criatividade e sensibilidade.

Uma sociedade sem cultura corre o risco de perder a capacidade de refletir sobre si mesma. Em tempos marcados pela velocidade das redes sociais, pelo excesso de informações e pela superficialidade dos debates, o teatro continua sendo uma poderosa ferramenta de formação humana. Ele ensina a ouvir, interpretar, compreender o outro e enxergar diferentes perspectivas da realidade.

O próprio professor Adão Albuquerque representa essa conexão entre educação, comunicação e cultura. Sua trajetória demonstra que o conhecimento não pode ser compartimentado. O educador que forma cidadãos, o comunicador que informa e o ator que emociona estão todos ligados pela mesma missão: despertar consciência crítica.

A realização dessa audiência pública também revela um aspecto importante do papel do Poder Legislativo. Muitas vezes, a população enxerga a Câmara Municipal apenas como um espaço de votação de projetos e debates políticos. Contudo, iniciativas como esta mostram que o Legislativo pode funcionar como um fórum democrático de escuta, diálogo e construção de propostas para o futuro da cidade.

É importante lembrar que investir em cultura não significa apenas financiar espetáculos. Significa movimentar a economia criativa, gerar empregos, fortalecer o turismo cultural, incentivar novos talentos e criar oportunidades para jovens que buscam caminhos de expressão artística. Cada grupo teatral que sobrevive, cada peça que é encenada e cada palco que permanece aberto representam uma vitória da inteligência sobre a indiferença.

Vitória da Conquista possui vocação para ser uma referência cultural no interior da Bahia. A cidade abriga universidades, centros educacionais, artistas talentosos e um público historicamente interessado em manifestações culturais. O desafio está em transformar esse potencial em políticas permanentes e estruturadas.

Por isso, a audiência pública desta terça-feira não deve ser vista apenas como mais um evento institucional. Ela representa uma oportunidade para que a sociedade conquistense reflita sobre qual cidade deseja construir para as próximas gerações.

Uma cidade sem teatro pode até continuar existindo. Mas uma cidade que valoriza o teatro aprende a contar sua própria história, preserva sua memória e fortalece sua identidade. E quando uma comunidade reconhece o valor de sua cultura, ela descobre que o verdadeiro desenvolvimento não acontece apenas nas obras visíveis das ruas, mas também nos palcos onde se formam cidadãos, sonhos e consciências.

O futuro de Vitória da Conquista passa pela educação, pela inovação, pela economia e, sem dúvida alguma, pela cultura. Afinal, uma cidade que investe em seus artistas está investindo em si mesma.