Política e Resenha

ARTIGO – “A Escravidão de R$ 91 Mil: quando o chicote é o fim do privilégio” (Padre Carlos)

 

 

 

Existe algo de profundamente revelador — e ao mesmo tempo tragicômico — quando uma autoridade do Judiciário brasileiro compara a própria condição ao regime de escravidão. Não é apenas um deslize retórico. É um sintoma. Um sintoma grave de um sistema que há muito tempo perdeu a noção de proporção, realidade e, sobretudo, de pudor.

A fala da desembargadora Eva do Amaral Coelho, durante sessão no Tribunal de Justiça do Pará, poderia facilmente figurar em um roteiro de humor ácido — se não fosse real. Segundo ela, o corte dos chamados “penduricalhos” determinado pelo Supremo Tribunal Federal estaria empurrando magistrados para algo próximo da escravidão.

Sim, você leu corretamente: escravidão.

A mesma palavra que historicamente remete a dor, açoite, fome, desumanização e séculos de opressão agora é evocada para descrever a vida de quem recebe, com enorme sacrifício — imagina-se — cerca de R$ 91 mil líquidos mensais. Uma tragédia contemporânea, sem dúvida. Shakespeare talvez não tivesse ousado tanto.

É curioso observar como, nesse novo conceito de cativeiro, o açoite foi substituído pelo fim do auxílio-moradia, o tronco virou a perda do auxílio-alimentação e as correntes foram trocadas pela ausência do auxílio-combustível. Uma releitura moderna da senzala — com ar-condicionado, estabilidade vitalícia e férias de 60 dias.

Mas não sejamos insensíveis. Afinal, como sobreviver sem “penduricalhos”? Como pagar médicos? Como comprar remédios? Como sustentar uma vida digna com meros R$ 91 mil líquidos? É uma situação que beira o colapso humanitário. Talvez a Organização das Nações Unidas devesse ser acionada imediatamente.

O mais intrigante, porém, não é a declaração em si — mas o universo mental que a torna possível. O Judiciário brasileiro, ao longo dos anos, construiu para si uma redoma de privilégios que se distanciou brutalmente da realidade da população que deveria servir. Auxílios criados sem base legal, benefícios incorporados como se fossem direitos fundamentais e uma cultura interna que naturalizou o excepcional como regra.

A decisão do Supremo Tribunal Federal de extinguir esses benefícios não é um ataque à magistratura. É, na verdade, um tímido — e tardio — gesto de reconexão com a legalidade e com o princípio republicano. A pergunta que fica é: por que demorou tanto?

E aqui entramos no ponto central: a urgência de uma reforma do Judiciário. Não uma reforma cosmética, de discursos protocolares e mudanças superficiais. Mas uma reforma estrutural, profunda, que enfrente privilégios, reveja mecanismos de remuneração, aumente a transparência e, sobretudo, restabeleça a confiança pública.

Porque, convenhamos, quando uma autoridade afirma que está sendo “escravizada” por ganhar R$ 91 mil, o problema não está apenas na fala. Está no sistema que a legitima.

E há um detalhe que parece ter passado despercebido: ao contrário do trabalhador comum, o magistrado não está preso a correntes invisíveis. Não há capataz impedindo sua saída. Não há grilhões jurídicos que o obriguem a permanecer no cargo. A porta está aberta. Sempre esteve.

Se a realidade se tornou insuportável, se o sofrimento é tão profundo, há uma solução simples, rápida e eficaz: a demissão voluntária. O mercado jurídico está aí, vibrante, competitivo, implacável. Escritórios de advocacia aguardam — com contratos sem estabilidade, sem férias de dois meses, sem garantias, sem “penduricalhos”.

Ali, sim, a produtividade dita o salário. O cliente decide. O risco é real. O boleto vence.

Talvez seja um choque de realidade interessante.

O Brasil, um país marcado por desigualdades profundas, assiste a esse tipo de declaração com uma mistura de incredulidade e revolta. Enquanto milhões lutam para sobreviver com um salário mínimo, a elite do funcionalismo público debate o drama existencial de perder benefícios ilegais.

É nesse abismo que nasce o descrédito institucional.

Reformar o Judiciário não é apenas uma questão administrativa. É uma necessidade moral. É resgatar o sentido de justiça em um país que já não suporta mais ver privilégios sendo defendidos como se fossem direitos humanos.

Porque, no fim das contas, a verdadeira escravidão no Brasil não está nos tribunais. Está na vida de milhões que trabalham duro, sem estabilidade, sem garantias e, ironicamente, sustentando — com seus impostos — o luxo daqueles que agora se dizem oprimidos.

E essa, sim, é uma ironia que dispensa qualquer comentário.

ARTIGO – “A Escravidão de R$ 91 Mil: quando o chicote é o fim do privilégio” (Padre Carlos)

 

 

 

Existe algo de profundamente revelador — e ao mesmo tempo tragicômico — quando uma autoridade do Judiciário brasileiro compara a própria condição ao regime de escravidão. Não é apenas um deslize retórico. É um sintoma. Um sintoma grave de um sistema que há muito tempo perdeu a noção de proporção, realidade e, sobretudo, de pudor.

A fala da desembargadora Eva do Amaral Coelho, durante sessão no Tribunal de Justiça do Pará, poderia facilmente figurar em um roteiro de humor ácido — se não fosse real. Segundo ela, o corte dos chamados “penduricalhos” determinado pelo Supremo Tribunal Federal estaria empurrando magistrados para algo próximo da escravidão.

Sim, você leu corretamente: escravidão.

A mesma palavra que historicamente remete a dor, açoite, fome, desumanização e séculos de opressão agora é evocada para descrever a vida de quem recebe, com enorme sacrifício — imagina-se — cerca de R$ 91 mil líquidos mensais. Uma tragédia contemporânea, sem dúvida. Shakespeare talvez não tivesse ousado tanto.

É curioso observar como, nesse novo conceito de cativeiro, o açoite foi substituído pelo fim do auxílio-moradia, o tronco virou a perda do auxílio-alimentação e as correntes foram trocadas pela ausência do auxílio-combustível. Uma releitura moderna da senzala — com ar-condicionado, estabilidade vitalícia e férias de 60 dias.

Mas não sejamos insensíveis. Afinal, como sobreviver sem “penduricalhos”? Como pagar médicos? Como comprar remédios? Como sustentar uma vida digna com meros R$ 91 mil líquidos? É uma situação que beira o colapso humanitário. Talvez a Organização das Nações Unidas devesse ser acionada imediatamente.

O mais intrigante, porém, não é a declaração em si — mas o universo mental que a torna possível. O Judiciário brasileiro, ao longo dos anos, construiu para si uma redoma de privilégios que se distanciou brutalmente da realidade da população que deveria servir. Auxílios criados sem base legal, benefícios incorporados como se fossem direitos fundamentais e uma cultura interna que naturalizou o excepcional como regra.

A decisão do Supremo Tribunal Federal de extinguir esses benefícios não é um ataque à magistratura. É, na verdade, um tímido — e tardio — gesto de reconexão com a legalidade e com o princípio republicano. A pergunta que fica é: por que demorou tanto?

E aqui entramos no ponto central: a urgência de uma reforma do Judiciário. Não uma reforma cosmética, de discursos protocolares e mudanças superficiais. Mas uma reforma estrutural, profunda, que enfrente privilégios, reveja mecanismos de remuneração, aumente a transparência e, sobretudo, restabeleça a confiança pública.

Porque, convenhamos, quando uma autoridade afirma que está sendo “escravizada” por ganhar R$ 91 mil, o problema não está apenas na fala. Está no sistema que a legitima.

E há um detalhe que parece ter passado despercebido: ao contrário do trabalhador comum, o magistrado não está preso a correntes invisíveis. Não há capataz impedindo sua saída. Não há grilhões jurídicos que o obriguem a permanecer no cargo. A porta está aberta. Sempre esteve.

Se a realidade se tornou insuportável, se o sofrimento é tão profundo, há uma solução simples, rápida e eficaz: a demissão voluntária. O mercado jurídico está aí, vibrante, competitivo, implacável. Escritórios de advocacia aguardam — com contratos sem estabilidade, sem férias de dois meses, sem garantias, sem “penduricalhos”.

Ali, sim, a produtividade dita o salário. O cliente decide. O risco é real. O boleto vence.

Talvez seja um choque de realidade interessante.

O Brasil, um país marcado por desigualdades profundas, assiste a esse tipo de declaração com uma mistura de incredulidade e revolta. Enquanto milhões lutam para sobreviver com um salário mínimo, a elite do funcionalismo público debate o drama existencial de perder benefícios ilegais.

É nesse abismo que nasce o descrédito institucional.

Reformar o Judiciário não é apenas uma questão administrativa. É uma necessidade moral. É resgatar o sentido de justiça em um país que já não suporta mais ver privilégios sendo defendidos como se fossem direitos humanos.

Porque, no fim das contas, a verdadeira escravidão no Brasil não está nos tribunais. Está na vida de milhões que trabalham duro, sem estabilidade, sem garantias e, ironicamente, sustentando — com seus impostos — o luxo daqueles que agora se dizem oprimidos.

E essa, sim, é uma ironia que dispensa qualquer comentário.

O xadrez político de Vitória da Conquista

Análise Política · Eleições 2026 · Sudoeste da Bahia

A Batalha pelo Sudoeste: o xadrez político de Vitória da Conquista nas eleições de outubro

Entre a hegemonia petista consolidada no plano federal e um quadrilátero de forças que promete um embate sem precedentes na disputa estadual, o Sudoeste baiano entra em 2026 como o principal termômetro político da Bahia.

Por Padre Carlos  |  Análise Especial


A região de Vitória da Conquista, tradicional polo político e econômico do Sudoeste baiano, prepara-se para ser palco de uma das disputas mais acirradas das eleições de outubro. Com um eleitorado expressivo e influência que se estende até o Norte de Minas Gerais, a chamada “Suíça Baiana” lançará diversos candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).

O cenário revela um contraste marcante: enquanto a esquerda navega em relativa tranquilidade na corrida federal, a disputa por cadeiras estaduais promete um embate direto entre a força da máquina municipal e a capilaridade do governo estadual.

🏛️ Disputa Federal — Câmara dos Deputados

Dimensão Waldenor Pereira
PT
Jorge Solla
PT
Maria Lúcia Rocha
MDB
Diogo Azevedo
União Brasil
Natan da Carroceria
Em definição
Base Territorial Sudoeste baiano e Norte de MG Salvador / atuação estadual Vitória da Conquista Vitória da Conquista Base popular / redes sociais
Capital Político Alto — mandato consolidado, ex-reitor UESB, forte capilaridade regional Médio-alto — trajetória na gestão da saúde pública; alcance estadual Alto localmente — 32 anos no Legislativo municipal, 6 reeleições Médio — vereador mais votado em 2024 (6.017 votos) Médio-baixo — capital simbólico em reconstrução
Perfil Ideológico Centro-esquerda Centro-esquerda Centro / Pragmático Centro-direita Popular / Difuso
Estratégia Eleitoral Manutenção de hegemonia; dobradinha com Zé Raimundo (estadual) Votos pulverizados; atuação transversal sem território único Transposição do capital municipal para o plano federal Consolidação de imagem; ampliação regional Engajamento digital; fortalecimento de marca partidária
Principal Força Recall eleitoral; estrutura orgânica do PT; ausência de adversário à direita Credenciais técnicas; rede estadual; mandato vigente Longevidade política; fidelidade do eleitorado popular Melhor resultado individual em Conquista em 2024 Apelo popular; comunicação digital profissionalizada
Principal Fragilidade Dependência da conjuntura nacional do PT Disputa voto com Waldenor na mesma legenda Arena federal inédita; migração de eleitorado incerta Capital político dependente do apoio da família Lemos Mandato anterior interrompido; reconstrução de credibilidade
Posicionamento ⭐ FAVORITO LEGENDA SURPRESA CONSTRUÇÃO ESTRATÉGICA

🧭 Leitura Analítica — Campo Federal

Waldenor Pereira — PT

Apresenta perfil de continuidade política, sustentado por trajetória institucional e forte inserção regional. A estratégia prioriza a manutenção de bases históricas e a ampliação incremental em territórios já consolidados, beneficiado pela ausência de adversário de peso à direita no campo federal.

Jorge Solla — PT

Possui densidade técnica vinculada à gestão pública, especialmente na área da saúde. Sua candidatura se posiciona como representação estadual, buscando votos pulverizados sem dependência de um território específico, atuando de forma transversal ao mapa regional.

Maria Lúcia Santos Rocha — MDB

Construiu capital político a partir da longevidade no Legislativo municipal. A candidatura representa uma tentativa de transposição desse capital para o plano federal. A variável central é a capacidade de converter reconhecimento local em densidade eleitoral ampliada.

Diogo Azevedo — União Brasil

Figura emergente com desempenho recente relevante. Seu posicionamento indica candidatura em fase de consolidação, com foco na construção de densidade eleitoral fora do núcleo municipal e na construção de autonomia política própria.

Natan da Carroceria — Em definição

Candidatura ancorada em visibilidade popular e comunicação digital. A estratégia aponta mais para fortalecimento de marca política e influência no coeficiente partidário do que para disputa direta por uma das principais vagas.

🏛️ Disputa Estadual — Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA)

Dimensão Zé Raimundo
PT
Fabrício Falcão
PCdoB
Wagner Alves
União Brasil
Quinho Tigre
PSD
Base Territorial Vitória da Conquista e Sudoeste Conquista e municípios vizinhos Vitória da Conquista Belo Campo e interior regional
Capital Político Alto — ex-prefeito, deputado estadual em exercício, base em múltiplos ciclos Médio-alto — mandato contínuo, estrutura partidária sólida Médio — vinculação à gestão municipal; aprovação acima de 70% Médio-alto — ex-prefeito (2 mandatos), ex-presidente da UPB
Perfil Ideológico Centro-esquerda Esquerda Centro-direita Centro
Estratégia Eleitoral Dobradinha com Waldenor; fidelização do eleitorado petista histórico Municipalismo; ampliação via rede de vereadores regionais Transferência de popularidade da gestão; suporte de ACM Neto Alianças com prefeitos do interior; respaldo PSD e governador
Principal Força Trajetória histórica; dobradinha estruturada; fidelidade progressista Capilaridade territorial; mandato em exercício Máquina municipal; crescimento nas pesquisas; apoio de ACM Neto Rede de prefeitos; articulação bipartidária; apoio do governador
Principal Fragilidade Renovação geracional; concorrência interna com Fabrício Crescimento limitado fora dos territórios já consolidados Capital político derivado; vinculado à continuidade da aprovação Base dispersa; menor presença urbana em Conquista
Posicionamento ⭐ FAVORITO COMPETITIVO NOVIDADE INTERIOR

🧭 Leitura Analítica — Campo Estadual

Zé Raimundo — PT

Representa a continuidade de um projeto político com forte enraizamento histórico em Vitória da Conquista. A estratégia se apoia na integração com lideranças federais e na fidelização de base consolidada ao longo de sucessivos ciclos eleitorais, com a dobradinha como ativo estrutural.

Fabrício Falcão — PCdoB

Possui trajetória consistente no Legislativo estadual e base estruturada em municípios estratégicos. A atuação política é marcada pela capilaridade e presença em pautas regionais, sustentando uma estratégia de manutenção com expansão gradual e controlada.

Wagner Alves — União Brasil

Candidatura diretamente associada ao grupo político que administra o município. O capital político deriva da conexão com a gestão local, e a estratégia busca converter aprovação administrativa em desempenho nas urnas — sendo a autonomia política a principal variável a ser testada.

Quinho Tigre — PSD

Construiu projeção por meio da articulação com gestores municipais, conferindo-lhe capilaridade além de um único território. A estratégia se baseia na formação de alianças e no apoio de lideranças do interior, com o desafio de ampliar presença no eleitorado urbano de Conquista.

🔎 Leitura Geral do Tabuleiro Eleitoral

O cenário revela dois movimentos simultâneos e de natureza distinta.

Na disputa federal, observa-se maior previsibilidade, com candidaturas ancoradas em capital político já consolidado e estratégias de manutenção e expansão controlada. A ausência de adversário de peso à direita no campo federal confere ao PT posição de hegemonia relativa, com Waldenor Pereira como referência central.

Na disputa estadual, o quadro é mais fragmentado e competitivo, com diferentes fontes de poder — mandato, máquina pública municipal e articulação municipalista — disputando espaço de forma mais equilibrada. A entrada de Wagner Alves como candidato da gestão municipal é o principal elemento de reconfiguração do campo centro-direita na ALBA.

O resultado tende a refletir não apenas o desempenho individual dos candidatos, mas a capacidade de cada grupo político em transformar estrutura, alianças e presença territorial em densidade eleitoral efetiva — equação que, no Sudoeste baiano, historicamente favorece quem domina a combinação entre enraizamento local, apoio institucional e projeto político de longo prazo.

Nota Metodológica

A análise baseia-se exclusivamente nas informações disponíveis no documento de referência. Avaliações de força, fragilidade e posicionamento refletem leitura político-estrutural, sem orientação valorativa ou partidária. Por Padre Carlos — Análise Especial Eleições 2026.

O xadrez político de Vitória da Conquista

Análise Política · Eleições 2026 · Sudoeste da Bahia

A Batalha pelo Sudoeste: o xadrez político de Vitória da Conquista nas eleições de outubro

Entre a hegemonia petista consolidada no plano federal e um quadrilátero de forças que promete um embate sem precedentes na disputa estadual, o Sudoeste baiano entra em 2026 como o principal termômetro político da Bahia.

Por Padre Carlos  |  Análise Especial


A região de Vitória da Conquista, tradicional polo político e econômico do Sudoeste baiano, prepara-se para ser palco de uma das disputas mais acirradas das eleições de outubro. Com um eleitorado expressivo e influência que se estende até o Norte de Minas Gerais, a chamada “Suíça Baiana” lançará diversos candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).

O cenário revela um contraste marcante: enquanto a esquerda navega em relativa tranquilidade na corrida federal, a disputa por cadeiras estaduais promete um embate direto entre a força da máquina municipal e a capilaridade do governo estadual.

🏛️ Disputa Federal — Câmara dos Deputados

Dimensão Waldenor Pereira
PT
Jorge Solla
PT
Maria Lúcia Rocha
MDB
Diogo Azevedo
União Brasil
Natan da Carroceria
Em definição
Base Territorial Sudoeste baiano e Norte de MG Salvador / atuação estadual Vitória da Conquista Vitória da Conquista Base popular / redes sociais
Capital Político Alto — mandato consolidado, ex-reitor UESB, forte capilaridade regional Médio-alto — trajetória na gestão da saúde pública; alcance estadual Alto localmente — 32 anos no Legislativo municipal, 6 reeleições Médio — vereador mais votado em 2024 (6.017 votos) Médio-baixo — capital simbólico em reconstrução
Perfil Ideológico Centro-esquerda Centro-esquerda Centro / Pragmático Centro-direita Popular / Difuso
Estratégia Eleitoral Manutenção de hegemonia; dobradinha com Zé Raimundo (estadual) Votos pulverizados; atuação transversal sem território único Transposição do capital municipal para o plano federal Consolidação de imagem; ampliação regional Engajamento digital; fortalecimento de marca partidária
Principal Força Recall eleitoral; estrutura orgânica do PT; ausência de adversário à direita Credenciais técnicas; rede estadual; mandato vigente Longevidade política; fidelidade do eleitorado popular Melhor resultado individual em Conquista em 2024 Apelo popular; comunicação digital profissionalizada
Principal Fragilidade Dependência da conjuntura nacional do PT Disputa voto com Waldenor na mesma legenda Arena federal inédita; migração de eleitorado incerta Capital político dependente do apoio da família Lemos Mandato anterior interrompido; reconstrução de credibilidade
Posicionamento ⭐ FAVORITO LEGENDA SURPRESA CONSTRUÇÃO ESTRATÉGICA

🧭 Leitura Analítica — Campo Federal

Waldenor Pereira — PT

Apresenta perfil de continuidade política, sustentado por trajetória institucional e forte inserção regional. A estratégia prioriza a manutenção de bases históricas e a ampliação incremental em territórios já consolidados, beneficiado pela ausência de adversário de peso à direita no campo federal.

Jorge Solla — PT

Possui densidade técnica vinculada à gestão pública, especialmente na área da saúde. Sua candidatura se posiciona como representação estadual, buscando votos pulverizados sem dependência de um território específico, atuando de forma transversal ao mapa regional.

Maria Lúcia Santos Rocha — MDB

Construiu capital político a partir da longevidade no Legislativo municipal. A candidatura representa uma tentativa de transposição desse capital para o plano federal. A variável central é a capacidade de converter reconhecimento local em densidade eleitoral ampliada.

Diogo Azevedo — União Brasil

Figura emergente com desempenho recente relevante. Seu posicionamento indica candidatura em fase de consolidação, com foco na construção de densidade eleitoral fora do núcleo municipal e na construção de autonomia política própria.

Natan da Carroceria — Em definição

Candidatura ancorada em visibilidade popular e comunicação digital. A estratégia aponta mais para fortalecimento de marca política e influência no coeficiente partidário do que para disputa direta por uma das principais vagas.

🏛️ Disputa Estadual — Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA)

Dimensão Zé Raimundo
PT
Fabrício Falcão
PCdoB
Wagner Alves
União Brasil
Quinho Tigre
PSD
Base Territorial Vitória da Conquista e Sudoeste Conquista e municípios vizinhos Vitória da Conquista Belo Campo e interior regional
Capital Político Alto — ex-prefeito, deputado estadual em exercício, base em múltiplos ciclos Médio-alto — mandato contínuo, estrutura partidária sólida Médio — vinculação à gestão municipal; aprovação acima de 70% Médio-alto — ex-prefeito (2 mandatos), ex-presidente da UPB
Perfil Ideológico Centro-esquerda Esquerda Centro-direita Centro
Estratégia Eleitoral Dobradinha com Waldenor; fidelização do eleitorado petista histórico Municipalismo; ampliação via rede de vereadores regionais Transferência de popularidade da gestão; suporte de ACM Neto Alianças com prefeitos do interior; respaldo PSD e governador
Principal Força Trajetória histórica; dobradinha estruturada; fidelidade progressista Capilaridade territorial; mandato em exercício Máquina municipal; crescimento nas pesquisas; apoio de ACM Neto Rede de prefeitos; articulação bipartidária; apoio do governador
Principal Fragilidade Renovação geracional; concorrência interna com Fabrício Crescimento limitado fora dos territórios já consolidados Capital político derivado; vinculado à continuidade da aprovação Base dispersa; menor presença urbana em Conquista
Posicionamento ⭐ FAVORITO COMPETITIVO NOVIDADE INTERIOR

🧭 Leitura Analítica — Campo Estadual

Zé Raimundo — PT

Representa a continuidade de um projeto político com forte enraizamento histórico em Vitória da Conquista. A estratégia se apoia na integração com lideranças federais e na fidelização de base consolidada ao longo de sucessivos ciclos eleitorais, com a dobradinha como ativo estrutural.

Fabrício Falcão — PCdoB

Possui trajetória consistente no Legislativo estadual e base estruturada em municípios estratégicos. A atuação política é marcada pela capilaridade e presença em pautas regionais, sustentando uma estratégia de manutenção com expansão gradual e controlada.

Wagner Alves — União Brasil

Candidatura diretamente associada ao grupo político que administra o município. O capital político deriva da conexão com a gestão local, e a estratégia busca converter aprovação administrativa em desempenho nas urnas — sendo a autonomia política a principal variável a ser testada.

Quinho Tigre — PSD

Construiu projeção por meio da articulação com gestores municipais, conferindo-lhe capilaridade além de um único território. A estratégia se baseia na formação de alianças e no apoio de lideranças do interior, com o desafio de ampliar presença no eleitorado urbano de Conquista.

🔎 Leitura Geral do Tabuleiro Eleitoral

O cenário revela dois movimentos simultâneos e de natureza distinta.

Na disputa federal, observa-se maior previsibilidade, com candidaturas ancoradas em capital político já consolidado e estratégias de manutenção e expansão controlada. A ausência de adversário de peso à direita no campo federal confere ao PT posição de hegemonia relativa, com Waldenor Pereira como referência central.

Na disputa estadual, o quadro é mais fragmentado e competitivo, com diferentes fontes de poder — mandato, máquina pública municipal e articulação municipalista — disputando espaço de forma mais equilibrada. A entrada de Wagner Alves como candidato da gestão municipal é o principal elemento de reconfiguração do campo centro-direita na ALBA.

O resultado tende a refletir não apenas o desempenho individual dos candidatos, mas a capacidade de cada grupo político em transformar estrutura, alianças e presença territorial em densidade eleitoral efetiva — equação que, no Sudoeste baiano, historicamente favorece quem domina a combinação entre enraizamento local, apoio institucional e projeto político de longo prazo.

Nota Metodológica

A análise baseia-se exclusivamente nas informações disponíveis no documento de referência. Avaliações de força, fragilidade e posicionamento refletem leitura político-estrutural, sem orientação valorativa ou partidária. Por Padre Carlos — Análise Especial Eleições 2026.

ARTIGO – Um Ano de Silêncio, Um Século de Memória: O Legado Vivo de Isnara Pereira

 

Padre Carlos

 

Há exatamente um ano, Vitória da Conquista perdeu mais do que uma professora. Perdeu uma guardiã da memória, uma intérprete do tempo, uma mulher que compreendia que o passado não é apenas aquilo que passou — mas aquilo que sustenta quem somos.

A morte de Isnara Pereira não foi apenas uma perda para a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Foi um abalo na própria estrutura da memória cultural do Sertão. Porque há intelectuais que produzem conhecimento — e há aqueles que constroem pontes entre gerações. Isnara era dessas raridades.

Em tempos em que a história é frequentemente distorcida ou negligenciada, sua obra permanecia firme como um farol. Sua dedicação à historiografia brasileira, especialmente no estudo da escravidão e das dinâmicas sociais do Sertão baiano e mineiro, não era apenas acadêmica — era um ato de resistência. Resistência contra o esquecimento. Resistência contra a superficialidade.

Hoje, ao completar um ano de sua partida, a pergunta que ecoa não é apenas “quem foi Isnara?”, mas “o que estamos fazendo com o legado que ela deixou?”.

Neste 22 de abril de 2026, a cidade se reúne não apenas para lembrar, mas para reafirmar vínculos que o tempo não dissolve. A celebração da missa de um ano, marcada para as 19h30, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Seminário, carrega mais do que um rito religioso — é um gesto coletivo de memória, um reencontro silencioso entre aqueles que ficaram e aquela que permanece viva na história que ajudou a construir.

Ali, entre orações, saudades e lembranças, ecoa a certeza expressa nas palavras que acompanham sua homenagem: ela segue presente nos pensamentos e, sobretudo, nos corações, iluminando almas. Não se trata apenas de luto, mas de permanência. A fé, neste contexto, não apaga a ausência — mas a transforma em presença simbólica, em legado que resiste ao tempo.

A universidade pública, tantas vezes atacada e incompreendida, encontrou nela uma de suas expressões mais nobres. Isnara acreditava no conhecimento como instrumento de transformação social. Formou gerações de historiadores, não apenas ensinando técnicas, mas despertando consciência. Porque ensinar história, como ela bem sabia, é ensinar a pensar o mundo.

Seu trabalho com a memória histórica de Vitória da Conquista não foi um simples exercício acadêmico. Foi um compromisso com a identidade de um povo. Cada pesquisa, cada orientação, cada projeto carregava a marca de quem entendia que a história do Sertão não é periférica — é central para compreender o Brasil.

O Memorial Mozart Tanajura, idealizado sob sua condução, simboliza isso: a materialização de uma visão onde o passado não é um arquivo morto, mas uma força viva que ilumina o presente.

Mas talvez o maior legado de Isnara não esteja apenas nos livros, nos artigos ou nas instituições que ajudou a fortalecer. Está nas pessoas. Nos alunos que hoje seguem pesquisando. Nos colegas que continuam defendendo a universidade pública. Na consciência coletiva que ela ajudou a moldar.

A ausência física de uma grande historiadora é inevitável. Mas o esquecimento, esse sim, é uma escolha. E é justamente contra ele que a obra de Isnara Pereira continua lutando — silenciosa, firme, necessária.

Um ano depois, não falamos apenas de saudade. Falamos de responsabilidade.

Porque preservar a memória é, no fundo, preservar a nós mesmos.

ARTIGO – Um Ano de Silêncio, Um Século de Memória: O Legado Vivo de Isnara Pereira

 

Padre Carlos

 

Há exatamente um ano, Vitória da Conquista perdeu mais do que uma professora. Perdeu uma guardiã da memória, uma intérprete do tempo, uma mulher que compreendia que o passado não é apenas aquilo que passou — mas aquilo que sustenta quem somos.

A morte de Isnara Pereira não foi apenas uma perda para a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Foi um abalo na própria estrutura da memória cultural do Sertão. Porque há intelectuais que produzem conhecimento — e há aqueles que constroem pontes entre gerações. Isnara era dessas raridades.

Em tempos em que a história é frequentemente distorcida ou negligenciada, sua obra permanecia firme como um farol. Sua dedicação à historiografia brasileira, especialmente no estudo da escravidão e das dinâmicas sociais do Sertão baiano e mineiro, não era apenas acadêmica — era um ato de resistência. Resistência contra o esquecimento. Resistência contra a superficialidade.

Hoje, ao completar um ano de sua partida, a pergunta que ecoa não é apenas “quem foi Isnara?”, mas “o que estamos fazendo com o legado que ela deixou?”.

Neste 22 de abril de 2026, a cidade se reúne não apenas para lembrar, mas para reafirmar vínculos que o tempo não dissolve. A celebração da missa de um ano, marcada para as 19h30, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Seminário, carrega mais do que um rito religioso — é um gesto coletivo de memória, um reencontro silencioso entre aqueles que ficaram e aquela que permanece viva na história que ajudou a construir.

Ali, entre orações, saudades e lembranças, ecoa a certeza expressa nas palavras que acompanham sua homenagem: ela segue presente nos pensamentos e, sobretudo, nos corações, iluminando almas. Não se trata apenas de luto, mas de permanência. A fé, neste contexto, não apaga a ausência — mas a transforma em presença simbólica, em legado que resiste ao tempo.

A universidade pública, tantas vezes atacada e incompreendida, encontrou nela uma de suas expressões mais nobres. Isnara acreditava no conhecimento como instrumento de transformação social. Formou gerações de historiadores, não apenas ensinando técnicas, mas despertando consciência. Porque ensinar história, como ela bem sabia, é ensinar a pensar o mundo.

Seu trabalho com a memória histórica de Vitória da Conquista não foi um simples exercício acadêmico. Foi um compromisso com a identidade de um povo. Cada pesquisa, cada orientação, cada projeto carregava a marca de quem entendia que a história do Sertão não é periférica — é central para compreender o Brasil.

O Memorial Mozart Tanajura, idealizado sob sua condução, simboliza isso: a materialização de uma visão onde o passado não é um arquivo morto, mas uma força viva que ilumina o presente.

Mas talvez o maior legado de Isnara não esteja apenas nos livros, nos artigos ou nas instituições que ajudou a fortalecer. Está nas pessoas. Nos alunos que hoje seguem pesquisando. Nos colegas que continuam defendendo a universidade pública. Na consciência coletiva que ela ajudou a moldar.

A ausência física de uma grande historiadora é inevitável. Mas o esquecimento, esse sim, é uma escolha. E é justamente contra ele que a obra de Isnara Pereira continua lutando — silenciosa, firme, necessária.

Um ano depois, não falamos apenas de saudade. Falamos de responsabilidade.

Porque preservar a memória é, no fundo, preservar a nós mesmos.

A Política que Entrega: Quando o Discurso Encontra a Realidade

 

 

 Padre Carlos

 

Em tempos de descrédito generalizado na política brasileira, onde promessas vazias ecoam mais alto que ações concretas, ouvir declarações como as do pré-candidato Wagner Alves sobre o deputado federal Léo Prates provoca, no mínimo, uma reflexão necessária: ainda é possível fazer política com resultados palpáveis?

A entrevista concedida à rádio local não foi apenas mais uma peça do discurso pré-eleitoral. Foi, sobretudo, uma tentativa de resgatar um conceito que parece ter se perdido no labirinto das disputas partidárias: o compromisso real com a população. Ao classificar Léo Prates como “um dos maiores deputados federais do Brasil”, Wagner não apenas elogia — ele estabelece um parâmetro. E parâmetros, na política, são perigosos para quem não entrega.

O que chama atenção não é o elogio em si, mas o fundamento apresentado. Fala-se de emendas parlamentares, de recursos destinados à saúde, à assistência social, à agricultura. Fala-se de uma van que chega para atender demandas concretas. Em outras palavras: fala-se de política pública que sai do papel e alcança o cidadão. Isso, em um país acostumado a projetos interrompidos e obras inacabadas, já é quase revolucionário.

Há, no discurso, uma defesa clara da chamada “dobradinha” política — a articulação entre deputados estaduais e federais como estratégia de fortalecimento regional. E aqui Wagner Alves toca em um ponto sensível: o equívoco de subestimar o papel do deputado estadual. Ao contrário do que muitos pensam, o poder de articulação, quando alinhado a uma bancada coesa, pode transformar realidades locais. Não se trata apenas de legislar, mas de construir pontes — políticas, institucionais e, sobretudo, humanas.

A menção recorrente a Vitória da Conquista não é casual. Trata-se de um dos principais polos do sudoeste baiano, historicamente marcado por disputas políticas intensas e, muitas vezes, por promessas não cumpridas. Ao afirmar que só caminhará com quem “olha por Conquista”, Wagner Alves assume uma posição que, embora simples na forma, é profunda no conteúdo: a política precisa ter endereço, precisa ter rosto, precisa ter responsabilidade.

Mas há também um risco embutido nesse tipo de discurso. Quando se eleva um parlamentar à condição de exemplo, cria-se uma régua alta — e legítima — para todos os demais. Se Léo Prates representa esse modelo de atuação eficiente, então a população passa a exigir o mesmo padrão de todos os seus representantes. E talvez seja exatamente esse o ponto mais interessante dessa narrativa: ela não apenas promove alianças, ela redefine expectativas.

Em um cenário onde a polarização frequentemente substitui o debate qualificado, a fala de Wagner Alves aponta para uma política menos ideológica e mais pragmática. “Independentemente da cor partidária”, diz ele. Essa frase, aparentemente simples, carrega um peso enorme. Significa colocar o interesse público acima das disputas eleitorais. Significa, em última instância, romper com a lógica do “quanto pior, melhor” que ainda contamina muitos espaços do poder.

Se essa postura será mantida ao longo da campanha e, eventualmente, no exercício do mandato, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: ao reconhecer o trabalho de um parlamentar e propor uma atuação baseada em resultados concretos, Wagner Alves acende uma luz — ainda que tímida — em meio ao ceticismo político.

E talvez seja justamente disso que o Brasil mais precise neste momento: menos discursos inflamados e mais políticas que, de fato, cheguem onde sempre deveriam ter chegado — na vida das pessoas.

A Política que Entrega: Quando o Discurso Encontra a Realidade

 

 

 Padre Carlos

 

Em tempos de descrédito generalizado na política brasileira, onde promessas vazias ecoam mais alto que ações concretas, ouvir declarações como as do pré-candidato Wagner Alves sobre o deputado federal Léo Prates provoca, no mínimo, uma reflexão necessária: ainda é possível fazer política com resultados palpáveis?

A entrevista concedida à rádio local não foi apenas mais uma peça do discurso pré-eleitoral. Foi, sobretudo, uma tentativa de resgatar um conceito que parece ter se perdido no labirinto das disputas partidárias: o compromisso real com a população. Ao classificar Léo Prates como “um dos maiores deputados federais do Brasil”, Wagner não apenas elogia — ele estabelece um parâmetro. E parâmetros, na política, são perigosos para quem não entrega.

O que chama atenção não é o elogio em si, mas o fundamento apresentado. Fala-se de emendas parlamentares, de recursos destinados à saúde, à assistência social, à agricultura. Fala-se de uma van que chega para atender demandas concretas. Em outras palavras: fala-se de política pública que sai do papel e alcança o cidadão. Isso, em um país acostumado a projetos interrompidos e obras inacabadas, já é quase revolucionário.

Há, no discurso, uma defesa clara da chamada “dobradinha” política — a articulação entre deputados estaduais e federais como estratégia de fortalecimento regional. E aqui Wagner Alves toca em um ponto sensível: o equívoco de subestimar o papel do deputado estadual. Ao contrário do que muitos pensam, o poder de articulação, quando alinhado a uma bancada coesa, pode transformar realidades locais. Não se trata apenas de legislar, mas de construir pontes — políticas, institucionais e, sobretudo, humanas.

A menção recorrente a Vitória da Conquista não é casual. Trata-se de um dos principais polos do sudoeste baiano, historicamente marcado por disputas políticas intensas e, muitas vezes, por promessas não cumpridas. Ao afirmar que só caminhará com quem “olha por Conquista”, Wagner Alves assume uma posição que, embora simples na forma, é profunda no conteúdo: a política precisa ter endereço, precisa ter rosto, precisa ter responsabilidade.

Mas há também um risco embutido nesse tipo de discurso. Quando se eleva um parlamentar à condição de exemplo, cria-se uma régua alta — e legítima — para todos os demais. Se Léo Prates representa esse modelo de atuação eficiente, então a população passa a exigir o mesmo padrão de todos os seus representantes. E talvez seja exatamente esse o ponto mais interessante dessa narrativa: ela não apenas promove alianças, ela redefine expectativas.

Em um cenário onde a polarização frequentemente substitui o debate qualificado, a fala de Wagner Alves aponta para uma política menos ideológica e mais pragmática. “Independentemente da cor partidária”, diz ele. Essa frase, aparentemente simples, carrega um peso enorme. Significa colocar o interesse público acima das disputas eleitorais. Significa, em última instância, romper com a lógica do “quanto pior, melhor” que ainda contamina muitos espaços do poder.

Se essa postura será mantida ao longo da campanha e, eventualmente, no exercício do mandato, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: ao reconhecer o trabalho de um parlamentar e propor uma atuação baseada em resultados concretos, Wagner Alves acende uma luz — ainda que tímida — em meio ao ceticismo político.

E talvez seja justamente disso que o Brasil mais precise neste momento: menos discursos inflamados e mais políticas que, de fato, cheguem onde sempre deveriam ter chegado — na vida das pessoas.

Entre a Liberdade e a Responsabilidade: quando o STF impõe limites ao discurso político

 

Padre Carlos

 

O julgamento envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e a deputada Tabata Amaral, sob análise do Supremo Tribunal Federal, não é apenas mais um capítulo da já conturbada política brasileira — ele se insere no coração de uma das discussões mais sensíveis da democracia contemporânea: os limites entre liberdade de expressão e responsabilidade institucional.

Ao acompanhar o voto do relator Alexandre de Moraes, a ministra Cármen Lúcia reforça uma linha interpretativa que vem ganhando espaço na Corte: a de que o mandato parlamentar não pode ser convertido em salvo-conduto para ataques pessoais ou acusações sem comprovação.

É preciso reconhecer que a imunidade parlamentar existe para proteger o exercício do mandato — e não para blindar excessos. Quando um agente público ultrapassa a crítica política e adentra o campo da imputação de condutas desonrosas sem prova, a questão deixa de ser política e passa a ser jurídica.

O caso em análise nasce justamente desse ponto de inflexão. As declarações feitas em 2021, em meio ao debate sobre políticas públicas, migraram do campo da divergência ideológica para o terreno da acusação pessoal. E é aí que reside o cerne da decisão que vem sendo construída no STF: a palavra pública, especialmente quando amplificada pelas redes sociais, carrega consigo peso institucional.

Não se trata de restringir a liberdade de expressão — argumento frequentemente invocado nesses contextos —, mas de reafirmar que nenhum direito é absoluto. A própria Constituição brasileira estabelece que a liberdade deve conviver com outros valores igualmente fundamentais, como a honra e a dignidade.

O voto de Moraes, seguido por Cármen Lúcia, aponta para um entendimento que busca preservar esse equilíbrio. Ao propor pena e multa, o relator sinaliza que o discurso político precisa respeitar fronteiras mínimas de civilidade e veracidade. Não se exige silêncio dos representantes públicos, mas responsabilidade proporcional à influência que exercem.

Há, evidentemente, quem veja nessa postura um endurecimento do Judiciário. Outros interpretam como uma resposta necessária aos excessos de uma era digital em que declarações ganham escala instantânea e impacto irreversível. O fato é que o STF, ao avançar nessa direção, assume um papel ativo na redefinição dos parâmetros do debate público no Brasil.

Esse julgamento, ainda em curso, carrega implicações que vão além dos envolvidos. Ele estabelece precedentes, molda comportamentos e envia uma mensagem clara à classe política: o espaço democrático não pode ser confundido com território sem नियम.

Ao final, o que está em jogo não é apenas a responsabilização de um indivíduo, mas a própria qualidade do discurso público no país. Em tempos de polarização intensa, talvez o maior desafio não seja garantir o direito de falar — mas assegurar que a palavra, quando dita, não destrua aquilo que a democracia mais precisa preservar: o respeito.

Entre a Liberdade e a Responsabilidade: quando o STF impõe limites ao discurso político

 

Padre Carlos

 

O julgamento envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e a deputada Tabata Amaral, sob análise do Supremo Tribunal Federal, não é apenas mais um capítulo da já conturbada política brasileira — ele se insere no coração de uma das discussões mais sensíveis da democracia contemporânea: os limites entre liberdade de expressão e responsabilidade institucional.

Ao acompanhar o voto do relator Alexandre de Moraes, a ministra Cármen Lúcia reforça uma linha interpretativa que vem ganhando espaço na Corte: a de que o mandato parlamentar não pode ser convertido em salvo-conduto para ataques pessoais ou acusações sem comprovação.

É preciso reconhecer que a imunidade parlamentar existe para proteger o exercício do mandato — e não para blindar excessos. Quando um agente público ultrapassa a crítica política e adentra o campo da imputação de condutas desonrosas sem prova, a questão deixa de ser política e passa a ser jurídica.

O caso em análise nasce justamente desse ponto de inflexão. As declarações feitas em 2021, em meio ao debate sobre políticas públicas, migraram do campo da divergência ideológica para o terreno da acusação pessoal. E é aí que reside o cerne da decisão que vem sendo construída no STF: a palavra pública, especialmente quando amplificada pelas redes sociais, carrega consigo peso institucional.

Não se trata de restringir a liberdade de expressão — argumento frequentemente invocado nesses contextos —, mas de reafirmar que nenhum direito é absoluto. A própria Constituição brasileira estabelece que a liberdade deve conviver com outros valores igualmente fundamentais, como a honra e a dignidade.

O voto de Moraes, seguido por Cármen Lúcia, aponta para um entendimento que busca preservar esse equilíbrio. Ao propor pena e multa, o relator sinaliza que o discurso político precisa respeitar fronteiras mínimas de civilidade e veracidade. Não se exige silêncio dos representantes públicos, mas responsabilidade proporcional à influência que exercem.

Há, evidentemente, quem veja nessa postura um endurecimento do Judiciário. Outros interpretam como uma resposta necessária aos excessos de uma era digital em que declarações ganham escala instantânea e impacto irreversível. O fato é que o STF, ao avançar nessa direção, assume um papel ativo na redefinição dos parâmetros do debate público no Brasil.

Esse julgamento, ainda em curso, carrega implicações que vão além dos envolvidos. Ele estabelece precedentes, molda comportamentos e envia uma mensagem clara à classe política: o espaço democrático não pode ser confundido com território sem नियम.

Ao final, o que está em jogo não é apenas a responsabilização de um indivíduo, mas a própria qualidade do discurso público no país. Em tempos de polarização intensa, talvez o maior desafio não seja garantir o direito de falar — mas assegurar que a palavra, quando dita, não destrua aquilo que a democracia mais precisa preservar: o respeito.

A Raiva Combinada e o Amadorismo na Política Baiana

 

 

 

“Em política, até a raiva é combinada. Quem não leva em conta isso é amador.” A máxima de Ulysses Guimarães, um dos maiores articuladores políticos da história brasileira, ressoa com uma clareza cristalina ao observarmos os recentes movimentos no cenário político baiano. A sabedoria contida nessas poucas palavras serve como um farol para desvendar as nuances e, por vezes, as incongruências das estratégias adotadas por figuras proeminentes.

O ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, em sua tentativa de desarticular a chapa majoritária e afastar o vice-governador Geraldo Júnior, demonstrou um comportamento que, à luz da citação de Guimarães, pode ser categorizado como amador. A pressão exercida, aparentemente sem a devida coordenação com seus pares e sem a orquestração necessária que a alta política exige, resultou em um desgaste desnecessário e, talvez, em um tiro no próprio pé. A política, como um jogo de xadrez complexo, demanda movimentos calculados e, acima de tudo, combinados. A ausência dessa sincronia expôs uma fragilidade na articulação, revelando uma ação isolada que careceu da força e da legitimidade que um consenso político confere.

Em contraste gritante, a reação do grupo político em relação ao prefeito de Jequié, após sua decisão de permanecer na chapa de ACM Neto, ilustra perfeitamente o que Ulysses Guimarães definia como a “raiva combinada”. Neste caso, a reprovação não se manifestou de forma individual ou descoordenada. Pelo contrário, observou-se um coro uníssono, uma orquestração impecável de vozes que, em uníssono, criticaram a postura do prefeito. Essa ação conjunta, essa “raiva combinada” e estrategicamente direcionada, demonstra um nível de profissionalismo e alinhamento que faltou na movimentação anterior. A mensagem foi clara, forte e inquestionável, justamente porque emanou de um corpo político coeso e alinhado em seu propósito.

A diferença entre os dois episódios é abissal e serve como um estudo de caso sobre a importância da articulação e da coordenação na política. Enquanto a tentativa de Rui Costa de desqualificar Geraldo Júnior pareceu um ato solitário e, por isso, ineficaz e até contraproducente, a investida contra o prefeito de Jequié foi um exemplo de como a política opera quando a “raiva” – ou qualquer outra emoção ou estratégia – é devidamente combinada e orquestrada. O amadorismo, nesse contexto, não se refere à falta de capacidade individual, mas à ausência de uma compreensão profunda das engrenagens que movem o poder e as alianças.

Em suma, a política baiana, com seus recentes capítulos, oferece uma lição valiosa. Aqueles que aspiram a ser grandes articuladores devem internalizar a sabedoria de Ulysses Guimarães: na política, nada é por acaso, e até as emoções mais viscerais são, muitas vezes, frutos de uma combinação estratégica. Ignorar essa premissa é, sem dúvida, o maior sinal de amadorismo.

A Raiva Combinada e o Amadorismo na Política Baiana

 

 

 

“Em política, até a raiva é combinada. Quem não leva em conta isso é amador.” A máxima de Ulysses Guimarães, um dos maiores articuladores políticos da história brasileira, ressoa com uma clareza cristalina ao observarmos os recentes movimentos no cenário político baiano. A sabedoria contida nessas poucas palavras serve como um farol para desvendar as nuances e, por vezes, as incongruências das estratégias adotadas por figuras proeminentes.

O ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, em sua tentativa de desarticular a chapa majoritária e afastar o vice-governador Geraldo Júnior, demonstrou um comportamento que, à luz da citação de Guimarães, pode ser categorizado como amador. A pressão exercida, aparentemente sem a devida coordenação com seus pares e sem a orquestração necessária que a alta política exige, resultou em um desgaste desnecessário e, talvez, em um tiro no próprio pé. A política, como um jogo de xadrez complexo, demanda movimentos calculados e, acima de tudo, combinados. A ausência dessa sincronia expôs uma fragilidade na articulação, revelando uma ação isolada que careceu da força e da legitimidade que um consenso político confere.

Em contraste gritante, a reação do grupo político em relação ao prefeito de Jequié, após sua decisão de permanecer na chapa de ACM Neto, ilustra perfeitamente o que Ulysses Guimarães definia como a “raiva combinada”. Neste caso, a reprovação não se manifestou de forma individual ou descoordenada. Pelo contrário, observou-se um coro uníssono, uma orquestração impecável de vozes que, em uníssono, criticaram a postura do prefeito. Essa ação conjunta, essa “raiva combinada” e estrategicamente direcionada, demonstra um nível de profissionalismo e alinhamento que faltou na movimentação anterior. A mensagem foi clara, forte e inquestionável, justamente porque emanou de um corpo político coeso e alinhado em seu propósito.

A diferença entre os dois episódios é abissal e serve como um estudo de caso sobre a importância da articulação e da coordenação na política. Enquanto a tentativa de Rui Costa de desqualificar Geraldo Júnior pareceu um ato solitário e, por isso, ineficaz e até contraproducente, a investida contra o prefeito de Jequié foi um exemplo de como a política opera quando a “raiva” – ou qualquer outra emoção ou estratégia – é devidamente combinada e orquestrada. O amadorismo, nesse contexto, não se refere à falta de capacidade individual, mas à ausência de uma compreensão profunda das engrenagens que movem o poder e as alianças.

Em suma, a política baiana, com seus recentes capítulos, oferece uma lição valiosa. Aqueles que aspiram a ser grandes articuladores devem internalizar a sabedoria de Ulysses Guimarães: na política, nada é por acaso, e até as emoções mais viscerais são, muitas vezes, frutos de uma combinação estratégica. Ignorar essa premissa é, sem dúvida, o maior sinal de amadorismo.

Um Ano Sem Francisco


Opinião · Igreja & Sociedade

Um Ano Sem Francisco

e a saudade que a Igreja ainda não sabe nomear

por Padre Carlos  ·  Vitória da Conquista, Bahia  ·  21 de abril de 2026

✦ ✦ ✦

Havia uma quietude estranha naquela manhã de 21 de abril de 2025. O mundo ainda dormia o sono pesado do dia seguinte à Páscoa quando um jornalista, num post de despedida lançado à rede como quem solta um pombo ao vento — “Adeus, padre” —, anunciou o que muitos temiam e poucos estavam prontos para receber. Três minutos depois, o Vaticano confirmava: Francisco havia “voltado à casa do Pai”.

Três minutos. É quanto tempo leva para o mundo mudar de eixo.

Penso nisso hoje, um ano depois, enquanto a Igreja celebra uma missa diante do túmulo de Francisco na Basílica de Santa Maria Maior — e o seu sucessor, Leão XIV, percorre o continente africano, como quem continua uma obra que não terminou, porque obras assim não terminam. Penso nisso e me pego fazendo uma pergunta que não é apenas teológica, mas profundamente humana: o que fazemos com a saudade de um homem que não foi apenas papa, mas foi — ousemos a palavra — testemunha?

— ✦ —

Suas últimas palavras foram pedindo água. “Obrigado, desculpe o incômodo”, disse Francisco ao enfermeiro de plantão, às cinco da manhã, enquanto o corpo já cedia ao que o espírito tentava resistir. Há algo de desconcertante e ao mesmo tempo absolutamente coerente nessa despedida. Um homem que passou doze anos pedindo à Igreja que servisse, que se curvasse, que lavasse os pés — e não os seus próprios —, saiu do mundo pedindo desculpas por pedir água. Como se até no último ato quisesse lembrar que ninguém deve ser fardo para ninguém.

“Não consigo ler isso sem sentir o peso de uma vida inteira de coerência.”

E coerência, meus irmãos e minhas irmãs leitoras, é a virtude mais rara e mais cara que existe. Muito mais rara do que genialidade. Muito mais cara do que poder.

— ✦ —

O jornalista Salvatore Cernuzio, que esteve com Francisco cinco dias antes da morte e acaba de lançar um livro sobre o pontificado, descreve sua relação com o papa como “a de um avô e um neto, um filho e um pai”. Há uma ternura nessa descrição que me interessa mais do que qualquer análise geopolítica da Igreja. Porque Francisco foi isso: foi capaz de criar laços. Num mundo de instituições frias, de protocolos que constroem distância onde deveria haver encontro, ele criou laços.

Foi essa capacidade que fez de seu pontificado, nas palavras do mesmo jornalista, “um divisor de águas”. Não um divisor de águas porque mudou doutrinas — isso, aliás, foi o que seus críticos mais temeram e o que ele mais recusou fazer de forma unilateral. Mas um divisor de águas porque mudou o tom. Mudou a postura. Abriu janelas para que entrasse ar limpo.

E ar limpo, numa Igreja que sufocava sob o peso de décadas de silêncio sobre abusos, era uma necessidade de sobrevivência.

— ✦ —

Aqui preciso ser honesto, como se deve ser quando se escreve não para agradar, mas para testemunhar.

Francisco não resolveu a crise dos abusos na Igreja. Ninguém resolve uma ferida de séculos em doze anos. Mas ele fez algo que seus antecessores recusaram fazer: nomeou a ferida. Criou legislação. Exigiu denúncias. Mandou embora bispos poderosos. E isso custou — custou inimigas dentro da própria casa, custou acusações de ruptura, custou a frieza calculada daqueles que preferem a omissão ao escândalo de uma reforma que lhes retira privilégios.

A ala conservadora da Igreja chegou a ver o processo sinodal — aquele esforço corajoso e imperfeito de chamar leigos, religiosas e clérigos para debater o futuro da Igreja — como um risco de cisma. Que curioso: os guardiões da unidade que só suportam a unidade quando ela lhes é favorável.

Francisco suportou isso. Suportou as cartas abertas, os dubia, os rostos carrancudos dos purpurados que discordavam em silêncio cerimonioso e discordavam em voz alta nos corredores do poder. E continuou caminhando — com a perna que doía, com os pulmões que cediam, com a idade que pesava.

“Isso se chama profecia. Não a profecia dos oráculos e das visões, mas a profecia dos que enxergam mais longe do que os seus contemporâneos permitem e pagam o preço de enxergar.”

— ✦ —

Fico pensando no cardeal Robert Prevost — hoje Leão XIV —, que Francisco descreveu ao jornalista com uma só frase: “Ele? Ele é um santo.” E explicou o que isso significava para ele: alguém capaz de “lidar serenamente com confrontos, tensões, situações intrincadas” e de “criar comunhão”.

Não um santo de altar, imóvel e distante. Um santo que sabe estar no meio da confusão sem se perder. Um santo que cria pontes onde outros veem abismos.

A Igreja que Francisco nos deixou precisa exatamente disso. Porque o mundo de hoje — com suas guerras, com seu ódio organizado em redes, com seus líderes que transformaram a ira em programa de governo — não precisa de uma Igreja que responda com a rigidez dos vencedores. Precisa de uma Igreja que responda com a serenidade dos que foram feridos e não se endureceram.

— ✦ —

Um ano. Já faz um ano.

Na Casa Santa Marta, o quarto está vazio. O túmulo em Santa Maria Maior recebe flores e orações de peregrinos que vieram de muito longe para se despedir de alguém que nunca conheceram pessoalmente e sentiram, ainda assim, como alguém de família. Isso é o que os grandes fazem: criam o impossível parentesco entre estranhos.

Guardo de Francisco — e isso é pessoal, é meu, é a fala de um padre mesmo não estando exercendo o ministério no momento na cidade do interior da Bahia que nunca o viu de perto mas o leu com atenção e o rezou com frequência — guardo a coragem de ser simples. A coragem de dizer que a Igreja é de todos e que “todos” significa todos. A coragem de lavar os pés de prisioneiros e de parar o carro para cumprimentar os sem-teto. A coragem de pedir desculpas. De pedir água. De morrer sem fazer barulho, numa manhã de segunda-feira, deixando o mundo com uma tarefa maior do que qualquer um gostaria de ter.

A tarefa de continuar.

✦ ✦ ✦

Francisco não nos deixou um programa. Nos deixou um espelho.

E a pergunta que o espelho faz é sempre a mesma, e é sempre incômoda:

Quem você escolhe ser?

Padre Carlos

Teólogo · Colunista · Vitória da Conquista, Bahia

Política e Resenha · 21 de abril de 2026

Um Ano Sem Francisco


Opinião · Igreja & Sociedade

Um Ano Sem Francisco

e a saudade que a Igreja ainda não sabe nomear

por Padre Carlos  ·  Vitória da Conquista, Bahia  ·  21 de abril de 2026

✦ ✦ ✦

Havia uma quietude estranha naquela manhã de 21 de abril de 2025. O mundo ainda dormia o sono pesado do dia seguinte à Páscoa quando um jornalista, num post de despedida lançado à rede como quem solta um pombo ao vento — “Adeus, padre” —, anunciou o que muitos temiam e poucos estavam prontos para receber. Três minutos depois, o Vaticano confirmava: Francisco havia “voltado à casa do Pai”.

Três minutos. É quanto tempo leva para o mundo mudar de eixo.

Penso nisso hoje, um ano depois, enquanto a Igreja celebra uma missa diante do túmulo de Francisco na Basílica de Santa Maria Maior — e o seu sucessor, Leão XIV, percorre o continente africano, como quem continua uma obra que não terminou, porque obras assim não terminam. Penso nisso e me pego fazendo uma pergunta que não é apenas teológica, mas profundamente humana: o que fazemos com a saudade de um homem que não foi apenas papa, mas foi — ousemos a palavra — testemunha?

— ✦ —

Suas últimas palavras foram pedindo água. “Obrigado, desculpe o incômodo”, disse Francisco ao enfermeiro de plantão, às cinco da manhã, enquanto o corpo já cedia ao que o espírito tentava resistir. Há algo de desconcertante e ao mesmo tempo absolutamente coerente nessa despedida. Um homem que passou doze anos pedindo à Igreja que servisse, que se curvasse, que lavasse os pés — e não os seus próprios —, saiu do mundo pedindo desculpas por pedir água. Como se até no último ato quisesse lembrar que ninguém deve ser fardo para ninguém.

“Não consigo ler isso sem sentir o peso de uma vida inteira de coerência.”

E coerência, meus irmãos e minhas irmãs leitoras, é a virtude mais rara e mais cara que existe. Muito mais rara do que genialidade. Muito mais cara do que poder.

— ✦ —

O jornalista Salvatore Cernuzio, que esteve com Francisco cinco dias antes da morte e acaba de lançar um livro sobre o pontificado, descreve sua relação com o papa como “a de um avô e um neto, um filho e um pai”. Há uma ternura nessa descrição que me interessa mais do que qualquer análise geopolítica da Igreja. Porque Francisco foi isso: foi capaz de criar laços. Num mundo de instituições frias, de protocolos que constroem distância onde deveria haver encontro, ele criou laços.

Foi essa capacidade que fez de seu pontificado, nas palavras do mesmo jornalista, “um divisor de águas”. Não um divisor de águas porque mudou doutrinas — isso, aliás, foi o que seus críticos mais temeram e o que ele mais recusou fazer de forma unilateral. Mas um divisor de águas porque mudou o tom. Mudou a postura. Abriu janelas para que entrasse ar limpo.

E ar limpo, numa Igreja que sufocava sob o peso de décadas de silêncio sobre abusos, era uma necessidade de sobrevivência.

— ✦ —

Aqui preciso ser honesto, como se deve ser quando se escreve não para agradar, mas para testemunhar.

Francisco não resolveu a crise dos abusos na Igreja. Ninguém resolve uma ferida de séculos em doze anos. Mas ele fez algo que seus antecessores recusaram fazer: nomeou a ferida. Criou legislação. Exigiu denúncias. Mandou embora bispos poderosos. E isso custou — custou inimigas dentro da própria casa, custou acusações de ruptura, custou a frieza calculada daqueles que preferem a omissão ao escândalo de uma reforma que lhes retira privilégios.

A ala conservadora da Igreja chegou a ver o processo sinodal — aquele esforço corajoso e imperfeito de chamar leigos, religiosas e clérigos para debater o futuro da Igreja — como um risco de cisma. Que curioso: os guardiões da unidade que só suportam a unidade quando ela lhes é favorável.

Francisco suportou isso. Suportou as cartas abertas, os dubia, os rostos carrancudos dos purpurados que discordavam em silêncio cerimonioso e discordavam em voz alta nos corredores do poder. E continuou caminhando — com a perna que doía, com os pulmões que cediam, com a idade que pesava.

“Isso se chama profecia. Não a profecia dos oráculos e das visões, mas a profecia dos que enxergam mais longe do que os seus contemporâneos permitem e pagam o preço de enxergar.”

— ✦ —

Fico pensando no cardeal Robert Prevost — hoje Leão XIV —, que Francisco descreveu ao jornalista com uma só frase: “Ele? Ele é um santo.” E explicou o que isso significava para ele: alguém capaz de “lidar serenamente com confrontos, tensões, situações intrincadas” e de “criar comunhão”.

Não um santo de altar, imóvel e distante. Um santo que sabe estar no meio da confusão sem se perder. Um santo que cria pontes onde outros veem abismos.

A Igreja que Francisco nos deixou precisa exatamente disso. Porque o mundo de hoje — com suas guerras, com seu ódio organizado em redes, com seus líderes que transformaram a ira em programa de governo — não precisa de uma Igreja que responda com a rigidez dos vencedores. Precisa de uma Igreja que responda com a serenidade dos que foram feridos e não se endureceram.

— ✦ —

Um ano. Já faz um ano.

Na Casa Santa Marta, o quarto está vazio. O túmulo em Santa Maria Maior recebe flores e orações de peregrinos que vieram de muito longe para se despedir de alguém que nunca conheceram pessoalmente e sentiram, ainda assim, como alguém de família. Isso é o que os grandes fazem: criam o impossível parentesco entre estranhos.

Guardo de Francisco — e isso é pessoal, é meu, é a fala de um padre mesmo não estando exercendo o ministério no momento na cidade do interior da Bahia que nunca o viu de perto mas o leu com atenção e o rezou com frequência — guardo a coragem de ser simples. A coragem de dizer que a Igreja é de todos e que “todos” significa todos. A coragem de lavar os pés de prisioneiros e de parar o carro para cumprimentar os sem-teto. A coragem de pedir desculpas. De pedir água. De morrer sem fazer barulho, numa manhã de segunda-feira, deixando o mundo com uma tarefa maior do que qualquer um gostaria de ter.

A tarefa de continuar.

✦ ✦ ✦

Francisco não nos deixou um programa. Nos deixou um espelho.

E a pergunta que o espelho faz é sempre a mesma, e é sempre incômoda:

Quem você escolhe ser?

Padre Carlos

Teólogo · Colunista · Vitória da Conquista, Bahia

Política e Resenha · 21 de abril de 2026

FURTO DE CELULAR EM ESTABELECIMENTO COMERCIAL É REGISTRADO EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Um caso de furto foi registrado em um estabelecimento comercial localizado na Avenida Alagoas, no bairro Brasil, em Vitória da Conquista. A ocorrência envolveu a subtração de um aparelho celular pertencente a uma funcionária, com a ação sendo captada por câmeras de segurança do local.

De acordo com as informações, o autor do furto não teve a identidade oficialmente divulgada. As imagens do momento da ocorrência passaram a circular em redes sociais, contribuindo para a identificação visual do suspeito por parte da população.

O caso foi encaminhado ao Distrito Integrado de Segurança Pública, onde foi registrado e segue sob responsabilidade das autoridades competentes para apuração dos fatos.

A vítima sofreu prejuízo material, enquanto as investigações seguem em andamento com base nas evidências disponíveis, incluindo os registros audiovisuais. O acompanhamento do caso ocorre dentro dos procedimentos legais previstos no sistema de justiça.

Ocorrências dessa natureza integram os registros policiais urbanos e são tratadas por meio de investigação, análise de imagens e eventuais diligências para identificação do responsável.

Maria Clara

FURTO DE CELULAR EM ESTABELECIMENTO COMERCIAL É REGISTRADO EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Um caso de furto foi registrado em um estabelecimento comercial localizado na Avenida Alagoas, no bairro Brasil, em Vitória da Conquista. A ocorrência envolveu a subtração de um aparelho celular pertencente a uma funcionária, com a ação sendo captada por câmeras de segurança do local.

De acordo com as informações, o autor do furto não teve a identidade oficialmente divulgada. As imagens do momento da ocorrência passaram a circular em redes sociais, contribuindo para a identificação visual do suspeito por parte da população.

O caso foi encaminhado ao Distrito Integrado de Segurança Pública, onde foi registrado e segue sob responsabilidade das autoridades competentes para apuração dos fatos.

A vítima sofreu prejuízo material, enquanto as investigações seguem em andamento com base nas evidências disponíveis, incluindo os registros audiovisuais. O acompanhamento do caso ocorre dentro dos procedimentos legais previstos no sistema de justiça.

Ocorrências dessa natureza integram os registros policiais urbanos e são tratadas por meio de investigação, análise de imagens e eventuais diligências para identificação do responsável.

Maria Clara

ACIDENTE DE TRÂNSITO É REGISTRADO NA AVENIDA RÉGIS PACHECO EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Uma ocorrência de trânsito foi registrada no fim da tarde desta segunda-feira, 20, na Avenida Régis Pacheco, área central de Vitória da Conquista. O caso envolveu um acidente que resultou em uma pessoa ferida, mobilizando equipes de atendimento de emergência.

De acordo com as informações disponíveis, a vítima recebeu os primeiros atendimentos ainda no local por profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e, posteriormente, foi encaminhada para uma unidade hospitalar para avaliação médica.

As circunstâncias do acidente ainda não foram oficialmente divulgadas, permanecendo sob apuração das autoridades responsáveis. Durante o atendimento, o trânsito na região apresentou lentidão, impactando o fluxo de veículos em um dos pontos mais movimentados da cidade.

O registro integra as ocorrências monitoradas no perímetro urbano, com acompanhamento por parte dos órgãos competentes conforme os protocolos estabelecidos para esse tipo de situação.

Novas informações poderão ser divulgadas à medida que as investigações avancem e os detalhes sejam confirmados pelas autoridades.

Maria Clara

ACIDENTE DE TRÂNSITO É REGISTRADO NA AVENIDA RÉGIS PACHECO EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Uma ocorrência de trânsito foi registrada no fim da tarde desta segunda-feira, 20, na Avenida Régis Pacheco, área central de Vitória da Conquista. O caso envolveu um acidente que resultou em uma pessoa ferida, mobilizando equipes de atendimento de emergência.

De acordo com as informações disponíveis, a vítima recebeu os primeiros atendimentos ainda no local por profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e, posteriormente, foi encaminhada para uma unidade hospitalar para avaliação médica.

As circunstâncias do acidente ainda não foram oficialmente divulgadas, permanecendo sob apuração das autoridades responsáveis. Durante o atendimento, o trânsito na região apresentou lentidão, impactando o fluxo de veículos em um dos pontos mais movimentados da cidade.

O registro integra as ocorrências monitoradas no perímetro urbano, com acompanhamento por parte dos órgãos competentes conforme os protocolos estabelecidos para esse tipo de situação.

Novas informações poderão ser divulgadas à medida que as investigações avancem e os detalhes sejam confirmados pelas autoridades.

Maria Clara

HOMICÍDIO É REGISTRADO NO LOTEAMENTO ESPÍRITO SANTO EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Um homicídio foi registrado no último fim de semana no loteamento Espírito Santo, em Vitória da Conquista, envolvendo um homem identificado como Alexsandro. A ocorrência mobilizou equipes das forças de segurança e segue sob investigação.

De acordo com as informações iniciais, a vítima foi atingida por golpes de arma branca e não resistiu aos ferimentos. As circunstâncias do crime ainda não foram esclarecidas pelas autoridades.

A Polícia Militar da Bahia foi acionada, realizou o isolamento da área e adotou os primeiros procedimentos no local. Em seguida, o Departamento de Polícia Técnica efetuou o levantamento cadavérico e encaminhou o corpo ao Instituto Médico Legal para os procedimentos periciais.

A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil da Bahia, que busca identificar a autoria e a motivação do crime. Até o momento, não há informações sobre suspeitos detidos.

O caso integra os registros em apuração no município e permanece em acompanhamento pelas autoridades competentes, conforme os protocolos legais vigentes.

Maria Clara

HOMICÍDIO É REGISTRADO NO LOTEAMENTO ESPÍRITO SANTO EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Um homicídio foi registrado no último fim de semana no loteamento Espírito Santo, em Vitória da Conquista, envolvendo um homem identificado como Alexsandro. A ocorrência mobilizou equipes das forças de segurança e segue sob investigação.

De acordo com as informações iniciais, a vítima foi atingida por golpes de arma branca e não resistiu aos ferimentos. As circunstâncias do crime ainda não foram esclarecidas pelas autoridades.

A Polícia Militar da Bahia foi acionada, realizou o isolamento da área e adotou os primeiros procedimentos no local. Em seguida, o Departamento de Polícia Técnica efetuou o levantamento cadavérico e encaminhou o corpo ao Instituto Médico Legal para os procedimentos periciais.

A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil da Bahia, que busca identificar a autoria e a motivação do crime. Até o momento, não há informações sobre suspeitos detidos.

O caso integra os registros em apuração no município e permanece em acompanhamento pelas autoridades competentes, conforme os protocolos legais vigentes.

Maria Clara