Política e Resenha

Vitória da Conquista acompanha medida nacional de integração entre Cartão SUS e CPF

 

 

 

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Vitória da Conquista iniciou a implementação de uma importante mudança determinada pelo Ministério da Saúde: a vinculação do Cartão Nacional de Saúde, conhecido como Cartão SUS, ao Cadastro de Pessoa Física (CPF). A medida, anunciada oficialmente em setembro de 2025, tem como objetivo unificar os registros de cidadãos no sistema de saúde em todo o território nacional.

De acordo com a Diretoria de Regulação, Controle e Avaliação (DRAC) da SMS, o novo formato não extingue o Cartão SUS, mas o integra diretamente ao CPF do usuário, o que permitirá maior segurança nas informações e agilidade no atendimento. Na prática, o número do CPF passará a ser o principal identificador do cidadão dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em Vitória da Conquista, a Gerência do Cartão SUS, instalada no Facilita Saúde, já está organizando o processo de atualização dos cartões impressos, incluindo neles o número do CPF de cada usuário. O procedimento visa simplificar o acesso da população aos serviços de saúde, reduzindo erros e duplicidades de cadastro.

A secretária municipal de Saúde destacou que a integração entre os sistemas federais e municipais representa um avanço importante para a gestão da saúde pública. “Essa unificação permitirá uma visão mais completa do histórico de atendimentos de cada cidadão, melhorando o planejamento e a eficiência dos serviços”, afirmou.

A SMS alerta que os usuários que ainda não possuem CPF, ou que têm algum dado inconsistente no cadastro, devem procurar a Receita Federal para regularizar a situação. Caso contrário, poderão enfrentar dificuldades para emitir ou utilizar o Cartão SUS atualizado.

O novo modelo, segundo o Ministério da Saúde, será implantado gradualmente em todo o país até o final de 2026, garantindo a transição de forma segura e sem prejuízos para os atendimentos já agendados. Em Vitória da Conquista, a atualização será feita de maneira progressiva, respeitando a ordem de demanda e a disponibilidade de atendimento no Facilita Saúde.

Para mais informações, os usuários podem entrar em contato com a Gerência do Cartão SUS ou acessar os canais oficiais da Prefeitura Municipal.

Vitória da Conquista acompanha medida nacional de integração entre Cartão SUS e CPF

 

 

 

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Vitória da Conquista iniciou a implementação de uma importante mudança determinada pelo Ministério da Saúde: a vinculação do Cartão Nacional de Saúde, conhecido como Cartão SUS, ao Cadastro de Pessoa Física (CPF). A medida, anunciada oficialmente em setembro de 2025, tem como objetivo unificar os registros de cidadãos no sistema de saúde em todo o território nacional.

De acordo com a Diretoria de Regulação, Controle e Avaliação (DRAC) da SMS, o novo formato não extingue o Cartão SUS, mas o integra diretamente ao CPF do usuário, o que permitirá maior segurança nas informações e agilidade no atendimento. Na prática, o número do CPF passará a ser o principal identificador do cidadão dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em Vitória da Conquista, a Gerência do Cartão SUS, instalada no Facilita Saúde, já está organizando o processo de atualização dos cartões impressos, incluindo neles o número do CPF de cada usuário. O procedimento visa simplificar o acesso da população aos serviços de saúde, reduzindo erros e duplicidades de cadastro.

A secretária municipal de Saúde destacou que a integração entre os sistemas federais e municipais representa um avanço importante para a gestão da saúde pública. “Essa unificação permitirá uma visão mais completa do histórico de atendimentos de cada cidadão, melhorando o planejamento e a eficiência dos serviços”, afirmou.

A SMS alerta que os usuários que ainda não possuem CPF, ou que têm algum dado inconsistente no cadastro, devem procurar a Receita Federal para regularizar a situação. Caso contrário, poderão enfrentar dificuldades para emitir ou utilizar o Cartão SUS atualizado.

O novo modelo, segundo o Ministério da Saúde, será implantado gradualmente em todo o país até o final de 2026, garantindo a transição de forma segura e sem prejuízos para os atendimentos já agendados. Em Vitória da Conquista, a atualização será feita de maneira progressiva, respeitando a ordem de demanda e a disponibilidade de atendimento no Facilita Saúde.

Para mais informações, os usuários podem entrar em contato com a Gerência do Cartão SUS ou acessar os canais oficiais da Prefeitura Municipal.

ARTIGO – (A vida não se anula)

 

 

(Padre Carlos)

Dizer que um inimigo deve ser “exterminado” é colher ódio para semear mais ódio. Ouvi, com dor, as palavras do senador Jaques Wagner — que afirma que o Hamas precisa ser exterminado — e sinto-me compelido a discordar. Conheço Wagner há mais de quarenta e cinco anos: trabalhamos juntos, estive nas campanhas de 1986 e 1990. Sei de sua inclinação conciliadora, de seu desejo de não se queimar. Mas, nesse momento, é necessário apontar limites éticos e políticos onde nem mesmo a velha camaradagem me faz calar.

Defendo, sem hesitação, a vida e o povo palestino. As cenas que nos chegam — crianças mortas, corpos de civis, bairros reduzidos a escombros — não são abstrações: são rostos, nomes, tragédias que deveriam mobilizar nossa humanidade, não nos dessensibilizar. Quando falamos em “genocídio”, não o fazemos por retórica; usamos uma palavra que descreve a gravidade de um ataque sistemático contra um povo. Negar a gravidade do que acontece com civis palestinos é fechar os olhos à evidência moral.

É plenamente legítimo condenar o Hamas como organização que pratica terrorismo. Não faço defesa de atentados ou da violência contra civis. Mas responder ao terrorismo com apelos públicos ao “extermínio” é cruzar uma linha perigosa: transforma política em vingança e justiça em linchamento coletivo. O que a lei, a ética democrática e o direito internacional demandam são investigações, provas, julgamentos e responsabilização — não decretos de ódio. Justiça exige processo e responsabilização, não sentenças de morte proferidas em tribunas.

Há outra distinção indispensável: judaísmo ≠ sionismo. Muitos judeus vivem uma fé e uma tradição milenar que nada têm a ver com as políticas do Estado de Israel. Criticar a ocupação, as políticas expansionistas ou até mesmo o sionismo político não é, por definição, antissemita. Precisamos ser rigorosos ao separar a crítica política legítima de qualquer perseguição religiosa ou étnica. Acusar toda e qualquer crítica de antisemitismo é uma forma de silenciamento que empobrece o debate e impede a busca por soluções humanas.

Quanto à pergunta — que alguns, talvez em fúria, coloquem em palavras duras: “Os sionistas que cometeram genocídio também merecem ser exterminados?” — respondo com firmeza: não. Não posso, em hipótese alguma, endossar a ideia de exterminar povos, grupos religiosos ou políticos. Defender a vida significa defender a vida de todos, inclusive a dos que erraram. A resposta civilizada é responsabilização: investigação dos crimes, processos em tribunais internacionais, sanções dirigidas a responsáveis, documentações e depoimentos que permitam julgar culpados conforme o direito internacional. É com isso — e não com extermínios — que se constrói memória, justiça e prevenção de novos crimes.

A retórica belicosa também é contraproducente politicamente. Fala de extermínio acirra reações, silencia vozes moderadas, empurra indecisos para os extremos e mina as possibilidades de cessar-fogo e negociação. Se o objetivo verdadeiro é reduzir o sofrimento e proteger vidas, devemos empregar diplomacia ativa, pressionar por corredores humanitários, garantir ajuda à população civil e exigir a abertura de investigações imparciais sobre possíveis crimes de guerra. Exigir um cessar-fogo imediato e a proteção de civis não é neutralidade: é priorizar a vida humana sobre interesses geopolíticos.

Sou da esquerda que não abandona princípios. Defender o direito do povo palestino à existência e à dignidade não significa ignorar as atrocidades cometidas por grupos como o Hamas. Significa, ao contrário, ampliar a nossa luta por justiça: que o direito internacional seja aplicado igualmente, que vítimas — palestinas e israelenses — tenham sua dor reconhecida e que os responsáveis por crimes contra civis respondam perante a lei. Solidariedade palestina, portanto, é também demanda por responsabilização e por mecanismos que impeçam a repetição do horror.

Neste momento, é preciso coragem — mas não a coragem da retórica vingativa. É preciso a coragem de enfrentar interesses poderosos, de falar claro contra o racismo e contra o desespero que leva à barbárie, e de clamar por um caminho que preserve vidas. Como alguém que viveu a política por décadas, afirmo: palavras importam. O que dizemos hoje molda o amanhã. Por isso rejeito o extermínio como política; recomendo, com urgência, caminhos legais — tribunais, comissões, sanções direcionadas — e um esforço diplomático que coloque um cessar-fogo e medidas humanitárias no centro.

Que nossa posição seja de defesa intransigente da vida, dos direitos humanos e do direito internacional. Que a memória das crianças e civis mortos nos impeça de responder com a mesma desumanidade que denunciamos. E que possamos, juntos, exigir justiça com humanidade.

(Padre Carlos)

ARTIGO – (A vida não se anula)

 

 

(Padre Carlos)

Dizer que um inimigo deve ser “exterminado” é colher ódio para semear mais ódio. Ouvi, com dor, as palavras do senador Jaques Wagner — que afirma que o Hamas precisa ser exterminado — e sinto-me compelido a discordar. Conheço Wagner há mais de quarenta e cinco anos: trabalhamos juntos, estive nas campanhas de 1986 e 1990. Sei de sua inclinação conciliadora, de seu desejo de não se queimar. Mas, nesse momento, é necessário apontar limites éticos e políticos onde nem mesmo a velha camaradagem me faz calar.

Defendo, sem hesitação, a vida e o povo palestino. As cenas que nos chegam — crianças mortas, corpos de civis, bairros reduzidos a escombros — não são abstrações: são rostos, nomes, tragédias que deveriam mobilizar nossa humanidade, não nos dessensibilizar. Quando falamos em “genocídio”, não o fazemos por retórica; usamos uma palavra que descreve a gravidade de um ataque sistemático contra um povo. Negar a gravidade do que acontece com civis palestinos é fechar os olhos à evidência moral.

É plenamente legítimo condenar o Hamas como organização que pratica terrorismo. Não faço defesa de atentados ou da violência contra civis. Mas responder ao terrorismo com apelos públicos ao “extermínio” é cruzar uma linha perigosa: transforma política em vingança e justiça em linchamento coletivo. O que a lei, a ética democrática e o direito internacional demandam são investigações, provas, julgamentos e responsabilização — não decretos de ódio. Justiça exige processo e responsabilização, não sentenças de morte proferidas em tribunas.

Há outra distinção indispensável: judaísmo ≠ sionismo. Muitos judeus vivem uma fé e uma tradição milenar que nada têm a ver com as políticas do Estado de Israel. Criticar a ocupação, as políticas expansionistas ou até mesmo o sionismo político não é, por definição, antissemita. Precisamos ser rigorosos ao separar a crítica política legítima de qualquer perseguição religiosa ou étnica. Acusar toda e qualquer crítica de antisemitismo é uma forma de silenciamento que empobrece o debate e impede a busca por soluções humanas.

Quanto à pergunta — que alguns, talvez em fúria, coloquem em palavras duras: “Os sionistas que cometeram genocídio também merecem ser exterminados?” — respondo com firmeza: não. Não posso, em hipótese alguma, endossar a ideia de exterminar povos, grupos religiosos ou políticos. Defender a vida significa defender a vida de todos, inclusive a dos que erraram. A resposta civilizada é responsabilização: investigação dos crimes, processos em tribunais internacionais, sanções dirigidas a responsáveis, documentações e depoimentos que permitam julgar culpados conforme o direito internacional. É com isso — e não com extermínios — que se constrói memória, justiça e prevenção de novos crimes.

A retórica belicosa também é contraproducente politicamente. Fala de extermínio acirra reações, silencia vozes moderadas, empurra indecisos para os extremos e mina as possibilidades de cessar-fogo e negociação. Se o objetivo verdadeiro é reduzir o sofrimento e proteger vidas, devemos empregar diplomacia ativa, pressionar por corredores humanitários, garantir ajuda à população civil e exigir a abertura de investigações imparciais sobre possíveis crimes de guerra. Exigir um cessar-fogo imediato e a proteção de civis não é neutralidade: é priorizar a vida humana sobre interesses geopolíticos.

Sou da esquerda que não abandona princípios. Defender o direito do povo palestino à existência e à dignidade não significa ignorar as atrocidades cometidas por grupos como o Hamas. Significa, ao contrário, ampliar a nossa luta por justiça: que o direito internacional seja aplicado igualmente, que vítimas — palestinas e israelenses — tenham sua dor reconhecida e que os responsáveis por crimes contra civis respondam perante a lei. Solidariedade palestina, portanto, é também demanda por responsabilização e por mecanismos que impeçam a repetição do horror.

Neste momento, é preciso coragem — mas não a coragem da retórica vingativa. É preciso a coragem de enfrentar interesses poderosos, de falar claro contra o racismo e contra o desespero que leva à barbárie, e de clamar por um caminho que preserve vidas. Como alguém que viveu a política por décadas, afirmo: palavras importam. O que dizemos hoje molda o amanhã. Por isso rejeito o extermínio como política; recomendo, com urgência, caminhos legais — tribunais, comissões, sanções direcionadas — e um esforço diplomático que coloque um cessar-fogo e medidas humanitárias no centro.

Que nossa posição seja de defesa intransigente da vida, dos direitos humanos e do direito internacional. Que a memória das crianças e civis mortos nos impeça de responder com a mesma desumanidade que denunciamos. E que possamos, juntos, exigir justiça com humanidade.

(Padre Carlos)

ARTIGO – O Dia em que a América Sangrou — e Cantou

 

 

(Por Padre Carlos)

Há datas que não pertencem apenas à história: pertencem à alma de um povo. O 8 de outubro de 1967 é uma dessas. Na pequena aldeia de La Higuera, na Bolívia, um homem de olhar sereno e voz firme foi capturado. Chamava-se Ernesto “Che” Guevara. No dia seguinte, seria fuzilado. Morreu o corpo, mas nasceu o símbolo. E os símbolos, quando nascem do sangue e da esperança, tornam-se eternos.

Aquela morte não foi apenas o silenciar de uma voz guerrilheira — foi a tentativa de matar um sonho: o de uma América Latina livre, justa e solidária. Um sonho que teimava em sobreviver mesmo sob as botas das ditaduras e os fuzis do medo. O corpo de Che foi exibido como troféu, mas a imagem de seu rosto se multiplicou nos muros, nas canções e nos corações de uma geração que se recusava a aceitar o silêncio.

Um ano depois, o Brasil também chorava — e respondia com arte. Gilberto Gil e José Carlos Capinam, dois poetas da resistência, transformaram a dor em canto e o luto em rebeldia. Nasceu “Soy Loco por Ti, América”, uma das obras mais poderosas da nossa música popular. Sob o peso da ditadura militar, Gil e Capinam escreveram não uma canção de derrota, mas um manifesto de esperança cifrado em poesia. Era o grito dos que não podiam gritar, o hino dos que ainda acreditavam.

8 de Outubro e Che

O verso “Mas um dia, sei que um dia eu chego lá / E o nome do homem morto eu vou pichar numa muralha” atravessou o tempo como uma prece revolucionária. Não foi preciso dizer o nome. O silêncio dizia mais. Era o segredo compartilhado entre o cantor e o povo, entre o artista e o exilado, entre o que sonhava e o que sofria.
E ali, naquele sussurro musical, nascia uma nova forma de resistência: a arte como refúgio da liberdade.

O uso do espanhol — “Soy loco por ti, América” — foi um gesto político. Um chamado à unidade de um continente fragmentado pela miséria e pelos interesses estrangeiros. Gil não cantava apenas para o Brasil; cantava para toda a América Latina, do México à Patagônia, do sertão ao Caribe. Cantava para os povos mestiços, para os indígenas, para os esquecidos — os mesmos por quem Che lutou até o último fôlego.

Quando ele se foi, qual foi o carnaval?” — pergunta o verso.
A resposta — “não me lembro, não me lembro mais” — é um espelho cruel: fala de nós, de um povo que aprende a esquecer para não sofrer, que transforma o martírio em memória pálida, que troca a utopia pelo conformismo. Mas a canção permanece como uma chama viva contra o esquecimento.

Neste 8 de outubro, quando a história tenta reduzir Che a um retrato em camisetas, precisamos lembrar que ele foi mais do que um símbolo — foi um chamado. Um convite à coragem, à coerência e ao sonho. A loucura por América de que falava Gil é, na verdade, um gesto de lucidez diante do mundo que enlouqueceu de egoísmo.

Porque há loucuras que salvam.
E amar a América Latina, acreditar no seu povo e na sua redenção, ainda é um desses gestos de fé.

Hoje, mais do que nunca, ser “loco por ti, América” é resistir à indiferença, é não desistir do sonho que Che deixou escrito nas estrelas da nossa história.
O homem pode ter morrido, mas o ideal que ele encarnou continua vivo — cada vez que um povo se levanta, cada vez que um artista canta, cada vez que alguém ousa acreditar que a justiça não é uma utopia, mas um dever sagrado.

Porque os homens morrem, mas os sonhos — quando cantados — jamais morrem.

ARTIGO – O Dia em que a América Sangrou — e Cantou

 

 

(Por Padre Carlos)

Há datas que não pertencem apenas à história: pertencem à alma de um povo. O 8 de outubro de 1967 é uma dessas. Na pequena aldeia de La Higuera, na Bolívia, um homem de olhar sereno e voz firme foi capturado. Chamava-se Ernesto “Che” Guevara. No dia seguinte, seria fuzilado. Morreu o corpo, mas nasceu o símbolo. E os símbolos, quando nascem do sangue e da esperança, tornam-se eternos.

Aquela morte não foi apenas o silenciar de uma voz guerrilheira — foi a tentativa de matar um sonho: o de uma América Latina livre, justa e solidária. Um sonho que teimava em sobreviver mesmo sob as botas das ditaduras e os fuzis do medo. O corpo de Che foi exibido como troféu, mas a imagem de seu rosto se multiplicou nos muros, nas canções e nos corações de uma geração que se recusava a aceitar o silêncio.

Um ano depois, o Brasil também chorava — e respondia com arte. Gilberto Gil e José Carlos Capinam, dois poetas da resistência, transformaram a dor em canto e o luto em rebeldia. Nasceu “Soy Loco por Ti, América”, uma das obras mais poderosas da nossa música popular. Sob o peso da ditadura militar, Gil e Capinam escreveram não uma canção de derrota, mas um manifesto de esperança cifrado em poesia. Era o grito dos que não podiam gritar, o hino dos que ainda acreditavam.

8 de Outubro e Che

O verso “Mas um dia, sei que um dia eu chego lá / E o nome do homem morto eu vou pichar numa muralha” atravessou o tempo como uma prece revolucionária. Não foi preciso dizer o nome. O silêncio dizia mais. Era o segredo compartilhado entre o cantor e o povo, entre o artista e o exilado, entre o que sonhava e o que sofria.
E ali, naquele sussurro musical, nascia uma nova forma de resistência: a arte como refúgio da liberdade.

O uso do espanhol — “Soy loco por ti, América” — foi um gesto político. Um chamado à unidade de um continente fragmentado pela miséria e pelos interesses estrangeiros. Gil não cantava apenas para o Brasil; cantava para toda a América Latina, do México à Patagônia, do sertão ao Caribe. Cantava para os povos mestiços, para os indígenas, para os esquecidos — os mesmos por quem Che lutou até o último fôlego.

Quando ele se foi, qual foi o carnaval?” — pergunta o verso.
A resposta — “não me lembro, não me lembro mais” — é um espelho cruel: fala de nós, de um povo que aprende a esquecer para não sofrer, que transforma o martírio em memória pálida, que troca a utopia pelo conformismo. Mas a canção permanece como uma chama viva contra o esquecimento.

Neste 8 de outubro, quando a história tenta reduzir Che a um retrato em camisetas, precisamos lembrar que ele foi mais do que um símbolo — foi um chamado. Um convite à coragem, à coerência e ao sonho. A loucura por América de que falava Gil é, na verdade, um gesto de lucidez diante do mundo que enlouqueceu de egoísmo.

Porque há loucuras que salvam.
E amar a América Latina, acreditar no seu povo e na sua redenção, ainda é um desses gestos de fé.

Hoje, mais do que nunca, ser “loco por ti, América” é resistir à indiferença, é não desistir do sonho que Che deixou escrito nas estrelas da nossa história.
O homem pode ter morrido, mas o ideal que ele encarnou continua vivo — cada vez que um povo se levanta, cada vez que um artista canta, cada vez que alguém ousa acreditar que a justiça não é uma utopia, mas um dever sagrado.

Porque os homens morrem, mas os sonhos — quando cantados — jamais morrem.

Encontro com o ministro Rui Costa evidencia a atuação da VCA Construtora no crescimento do Brasil

Durante reunião realizada no Palácio do Planalto, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, recebeu o CEO da VCA Construtora, Jardel Couto, acompanhado do deputado estadual Fabrício Falcão (PCdoB). Jardel apresentou os principais resultados da construtora no Minha Casa, Minha Vida e ressaltou o papel da Rede Axêgu, braço turístico da VCA, no fortalecimento do turismo e na valorização do litoral nordestino. O encontro reafirmou o compromisso da empresa em contribuir para o desenvolvimento habitacional, econômico e social do país.

Encontro com o ministro Rui Costa evidencia a atuação da VCA Construtora no crescimento do Brasil

Durante reunião realizada no Palácio do Planalto, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, recebeu o CEO da VCA Construtora, Jardel Couto, acompanhado do deputado estadual Fabrício Falcão (PCdoB). Jardel apresentou os principais resultados da construtora no Minha Casa, Minha Vida e ressaltou o papel da Rede Axêgu, braço turístico da VCA, no fortalecimento do turismo e na valorização do litoral nordestino. O encontro reafirmou o compromisso da empresa em contribuir para o desenvolvimento habitacional, econômico e social do país.

Senhor, eu Vos peço pelas minhas filhas

 

 

 

Senhor Deus de Misericórdia, hoje eu não venho pedir por mim. Venho pedir por elas — pelas minhas filhas, que são parte de mim, mas que caminham com os próprios pés.

Eu Vos peço: aplainai os caminhos delas. Que a vida não seja um campo de espinhos, mas um terreno onde possam crescer com dignidade, com coragem e com esperança. Que cada tropeço seja apenas uma lição, e não uma ferida que as faça desistir.

Serenai os seus corações, Senhor. Que elas não se percam nas angústias do mundo, que saibam respirar fundo quando tudo parecer difícil. Que tenham paz dentro de si, mesmo quando o mundo estiver em guerra lá fora.

Fazei delas pessoas generosas. Que saibam estender a mão, dividir o que têm, enxergar o outro com compaixão. Que não se deixem endurecer pela pressa, pela indiferença, pela frieza que tantas vezes nos cerca.

E que, por tudo isso, elas sejam felizes. Não uma felicidade feita de conquistas e aplausos, mas aquela que nasce do amor, da fé, da simplicidade. Que elas encontrem sentido em cada passo, mesmo nos dias nublados.

Eu Vos entrego cada uma delas, Senhor. Porque sei que, por mais que eu os ame, há um amor maior que os guarda. E é nesse amor que eu descanso, com o coração cheio de fé e esperança.

Amém.

 

Senhor, eu Vos peço pelas minhas filhas

 

 

 

Senhor Deus de Misericórdia, hoje eu não venho pedir por mim. Venho pedir por elas — pelas minhas filhas, que são parte de mim, mas que caminham com os próprios pés.

Eu Vos peço: aplainai os caminhos delas. Que a vida não seja um campo de espinhos, mas um terreno onde possam crescer com dignidade, com coragem e com esperança. Que cada tropeço seja apenas uma lição, e não uma ferida que as faça desistir.

Serenai os seus corações, Senhor. Que elas não se percam nas angústias do mundo, que saibam respirar fundo quando tudo parecer difícil. Que tenham paz dentro de si, mesmo quando o mundo estiver em guerra lá fora.

Fazei delas pessoas generosas. Que saibam estender a mão, dividir o que têm, enxergar o outro com compaixão. Que não se deixem endurecer pela pressa, pela indiferença, pela frieza que tantas vezes nos cerca.

E que, por tudo isso, elas sejam felizes. Não uma felicidade feita de conquistas e aplausos, mas aquela que nasce do amor, da fé, da simplicidade. Que elas encontrem sentido em cada passo, mesmo nos dias nublados.

Eu Vos entrego cada uma delas, Senhor. Porque sei que, por mais que eu os ame, há um amor maior que os guarda. E é nesse amor que eu descanso, com o coração cheio de fé e esperança.

Amém.

 

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Quinho mostra força política e entra no jogo de Conquista sem pedir

 

Por Padre Carlos

Se tem um homem que sabe fazer política, esse homem é Quinho. O ex-prefeito de Belo Campo demonstra, a cada passo, que entende como poucos a arte de construir alianças, comunicar resultados e se colocar como figura central em um tabuleiro cada vez mais competitivo. Em tempos em que muitos ainda medem forças nos bastidores, Quinho avança com a serenidade e a habilidade de quem sabe o que faz — e faz com propósito.

O anúncio de uma obra de R$ 30 milhões para a drenagem da Praça Vitor Brito, em parceria com o Governo Federal e executada pela Conder, é mais que uma notícia de infraestrutura. É um gesto político calculado, um recado direto a Vitória da Conquista: há um novo jogador disposto a ocupar espaço, e ele não está pedindo licença para entrar.

Ao lado de sua esposa, Quinho já mostrou que Conquista não tem dono. Seu estilo é o da política de resultados, não da retórica vazia. Ele não promete, entrega. E, ao entregar, conquista corações e mentes de um eleitorado cansado de promessas e disputas que não melhoram a vida real das pessoas.

Essa aproximação com o governador Jerônimo Rodrigues e o ministro Rui Costa não é um movimento isolado. Representa a costura de um projeto maior, que ultrapassa Belo Campo e aponta para um protagonismo regional. Quinho vem construindo pontes, e não muros — e isso, na política baiana, é o que diferencia os que passam dos que ficam.

O que se vê, portanto, é o nascimento de uma candidatura que pode surpreender. Enquanto outros ainda tentam medir forças com o passado, Quinho se projeta no futuro, com o olhar firme de quem conhece o povo, domina a linguagem política e sabe que o poder não se implora — se conquista.

E, ao que tudo indica, ele já começou a conquistar.

Quinho mostra força política e entra no jogo de Conquista sem pedir

 

Por Padre Carlos

Se tem um homem que sabe fazer política, esse homem é Quinho. O ex-prefeito de Belo Campo demonstra, a cada passo, que entende como poucos a arte de construir alianças, comunicar resultados e se colocar como figura central em um tabuleiro cada vez mais competitivo. Em tempos em que muitos ainda medem forças nos bastidores, Quinho avança com a serenidade e a habilidade de quem sabe o que faz — e faz com propósito.

O anúncio de uma obra de R$ 30 milhões para a drenagem da Praça Vitor Brito, em parceria com o Governo Federal e executada pela Conder, é mais que uma notícia de infraestrutura. É um gesto político calculado, um recado direto a Vitória da Conquista: há um novo jogador disposto a ocupar espaço, e ele não está pedindo licença para entrar.

Ao lado de sua esposa, Quinho já mostrou que Conquista não tem dono. Seu estilo é o da política de resultados, não da retórica vazia. Ele não promete, entrega. E, ao entregar, conquista corações e mentes de um eleitorado cansado de promessas e disputas que não melhoram a vida real das pessoas.

Essa aproximação com o governador Jerônimo Rodrigues e o ministro Rui Costa não é um movimento isolado. Representa a costura de um projeto maior, que ultrapassa Belo Campo e aponta para um protagonismo regional. Quinho vem construindo pontes, e não muros — e isso, na política baiana, é o que diferencia os que passam dos que ficam.

O que se vê, portanto, é o nascimento de uma candidatura que pode surpreender. Enquanto outros ainda tentam medir forças com o passado, Quinho se projeta no futuro, com o olhar firme de quem conhece o povo, domina a linguagem política e sabe que o poder não se implora — se conquista.

E, ao que tudo indica, ele já começou a conquistar.

O papel do líder em tempos de dor

 

 

Por Padre Carlos

 

Em tempos de bonança, liderar é administrar. Em tempos de dor, liderar é sentir. Quando a tragédia atravessa uma nação — seja pela perda de vidas, pela devastação ambiental ou pela ferida moral — o verdadeiro papel do líder se revela. Ele deixa de ser apenas gestor de números e se torna guardião de afetos. Sua palavra pode consolar ou dilacerar; seu silêncio pode ser bálsamo ou sentença.

 

O líder, nesses momentos, é símbolo. É voz que traduz o sofrimento coletivo, presença que ampara, postura que inspira. A dor pública exige empatia pública. E empatia, diferente da piedade, é uma escolha: a de se colocar ao lado de quem sofre, e não acima. É compreender que a função de governar não é medir lucros, mas preservar dignidades.

 

Quando um governante zomba da tragédia, não erra apenas na forma — trai o fundo. A fala de Tarcísio, mais do que infeliz, foi reveladora. Revelou a distância abissal entre o poder e o povo. Mostrou que há quem veja na dor coletiva uma oportunidade de ironia, e não de solidariedade. E isso não é um simples deslize comunicacional: é uma falência moral.

 

A imagem que viralizou cumpre, paradoxalmente, uma função nobre: arquiva o escárnio. Em uma era de fugacidade digital, em que o absurdo é substituído pelo próximo escândalo em questão de minutos, a arte e a imagem cumprem o papel de memória. Elas fixam o que o poder gostaria de apagar. Cada charge, cada montagem, cada frase repercutida é uma forma de resistência. Lembrar é impedir que o esquecimento normalize a crueldade.

 

A Coca-Cola pode ter perdido o gás, mas a sociedade não perdeu o fôlego. A indignação que percorre as redes, as praças e os corações é prova de que ainda há vida vibrando nas artérias da democracia. Que a arte continue a denunciar, que a palavra continue a incomodar e que o povo continue a exigir respeito — mesmo quando a resposta vier em forma de piada.

 

Porque um país só morre quando seu povo para de se indignar. E o Brasil, apesar de tudo, ainda respira.

 

 

O papel do líder em tempos de dor

 

 

Por Padre Carlos

 

Em tempos de bonança, liderar é administrar. Em tempos de dor, liderar é sentir. Quando a tragédia atravessa uma nação — seja pela perda de vidas, pela devastação ambiental ou pela ferida moral — o verdadeiro papel do líder se revela. Ele deixa de ser apenas gestor de números e se torna guardião de afetos. Sua palavra pode consolar ou dilacerar; seu silêncio pode ser bálsamo ou sentença.

 

O líder, nesses momentos, é símbolo. É voz que traduz o sofrimento coletivo, presença que ampara, postura que inspira. A dor pública exige empatia pública. E empatia, diferente da piedade, é uma escolha: a de se colocar ao lado de quem sofre, e não acima. É compreender que a função de governar não é medir lucros, mas preservar dignidades.

 

Quando um governante zomba da tragédia, não erra apenas na forma — trai o fundo. A fala de Tarcísio, mais do que infeliz, foi reveladora. Revelou a distância abissal entre o poder e o povo. Mostrou que há quem veja na dor coletiva uma oportunidade de ironia, e não de solidariedade. E isso não é um simples deslize comunicacional: é uma falência moral.

 

A imagem que viralizou cumpre, paradoxalmente, uma função nobre: arquiva o escárnio. Em uma era de fugacidade digital, em que o absurdo é substituído pelo próximo escândalo em questão de minutos, a arte e a imagem cumprem o papel de memória. Elas fixam o que o poder gostaria de apagar. Cada charge, cada montagem, cada frase repercutida é uma forma de resistência. Lembrar é impedir que o esquecimento normalize a crueldade.

 

A Coca-Cola pode ter perdido o gás, mas a sociedade não perdeu o fôlego. A indignação que percorre as redes, as praças e os corações é prova de que ainda há vida vibrando nas artérias da democracia. Que a arte continue a denunciar, que a palavra continue a incomodar e que o povo continue a exigir respeito — mesmo quando a resposta vier em forma de piada.

 

Porque um país só morre quando seu povo para de se indignar. E o Brasil, apesar de tudo, ainda respira.

 

 

A Escalada da Violência em Jequié: Um Grito por Justiça e Segurança

 

 

A cidade de Jequié, coração pulsante do sudoeste baiano, viveu um fim de semana que ficará marcado como um dos capítulos mais sombrios de sua história recente. Em menos de 48 horas, duas vidas jovens foram brutalmente ceifadas, expondo de forma crua a escalada da violência que assola não apenas Jequié, mas tantas outras cidades do interior da Bahia. Esses episódios trágicos não são apenas números nas estatísticas criminais; são histórias de sonhos interrompidos, famílias despedaçadas e uma comunidade inteira imersa em medo e indignação.

Na madrugada de segunda-feira, 6 de outubro, a adolescente Vera Lúcia Rodrigues Costa, de apenas 15 anos, foi assassinada dentro de sua própria casa pelo namorado, um jovem de 17 anos. O crime, classificado como feminicídio, chocou pela brutalidade: a vítima foi encontrada com ferimentos na cabeça, possivelmente causados por disparos de arma de fogo. A confissão do agressor ao pai, admitindo que “fez uma besteira”, não atenua a gravidade do ato, mas escancara a banalização da violência em relações interpessoais, especialmente contra mulheres. Enquanto o corpo de Vera Lúcia era encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para autópsia, a cidade tentava compreender como tamanha tragédia pôde ocorrer no espaço que deveria ser o mais seguro: o lar.

Como se o horror de um feminicídio não fosse suficiente para abalar Jequié, a noite do mesmo dia trouxe outra notícia devastadora. João Vitor, um jovem cuja vida foi abruptamente interrompida, foi morto a tiros em frente a uma tabacaria no bairro Curral Novo. A ausência de informações sobre a motivação e a autoria do crime só amplifica a sensação de desamparo que paira sobre a população. A cena do crime, isolada pela Polícia Militar até a chegada do Departamento de Polícia Técnica (DPT), tornou-se mais um símbolo da insegurança que transforma espaços públicos em cenários de violência.

Esses dois homicídios, ocorridos em um único fim de semana, não podem ser tratados como casos isolados. Eles refletem uma crise sistêmica de segurança pública que se agrava no interior da Bahia. A falta de policiamento ostensivo, a escassez de políticas públicas voltadas à prevenção da criminalidade e a ausência de programas que promovam a resolução pacífica de conflitos criam um ambiente onde a violência prospera. A população de Jequié vive em constante alerta, com o medo se infiltrando na rotina de quem apenas deseja viver em paz.

O clamor por justiça é uníssono. As famílias das vítimas, devastadas pela perda, merecem não apenas respostas, mas ações concretas do governo estadual. É inadmissível que uma cidade como Jequié, conhecida por sua riqueza cultural e calor humano, seja refém da violência. A escalada de crimes, especialmente contra jovens, exige uma resposta urgente e coordenada. Investimentos em segurança pública, como o aumento do efetivo policial, a implementação de tecnologias de monitoramento e a criação de programas de prevenção à violência, são medidas inadiáveis. Além disso, é fundamental abordar as raízes sociais do problema, como a desigualdade, a falta de oportunidades para a juventude e a normalização da violência de gênero, que vitimou Vera Lúcia.

Enquanto as investigações seguem, a população de Jequié não pode se calar. É preciso transformar o luto em luta, cobrando das autoridades um compromisso real com a segurança e a proteção da vida. A memória de Vera Lúcia e João Vitor deve servir como um chamado à ação, para que nenhuma outra família precise sofrer tamanha dor. Jequié clama por paz, e esse grito não pode ser ignorado. A Bahia precisa olhar para o interior com a urgência que a gravidade da situação exige. Afinal, a verdadeira grandeza de uma cidade não se mede apenas por sua história ou geografia, mas pela segurança e dignidade que oferece aos seus cidadãos.

A Escalada da Violência em Jequié: Um Grito por Justiça e Segurança

 

 

A cidade de Jequié, coração pulsante do sudoeste baiano, viveu um fim de semana que ficará marcado como um dos capítulos mais sombrios de sua história recente. Em menos de 48 horas, duas vidas jovens foram brutalmente ceifadas, expondo de forma crua a escalada da violência que assola não apenas Jequié, mas tantas outras cidades do interior da Bahia. Esses episódios trágicos não são apenas números nas estatísticas criminais; são histórias de sonhos interrompidos, famílias despedaçadas e uma comunidade inteira imersa em medo e indignação.

Na madrugada de segunda-feira, 6 de outubro, a adolescente Vera Lúcia Rodrigues Costa, de apenas 15 anos, foi assassinada dentro de sua própria casa pelo namorado, um jovem de 17 anos. O crime, classificado como feminicídio, chocou pela brutalidade: a vítima foi encontrada com ferimentos na cabeça, possivelmente causados por disparos de arma de fogo. A confissão do agressor ao pai, admitindo que “fez uma besteira”, não atenua a gravidade do ato, mas escancara a banalização da violência em relações interpessoais, especialmente contra mulheres. Enquanto o corpo de Vera Lúcia era encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para autópsia, a cidade tentava compreender como tamanha tragédia pôde ocorrer no espaço que deveria ser o mais seguro: o lar.

Como se o horror de um feminicídio não fosse suficiente para abalar Jequié, a noite do mesmo dia trouxe outra notícia devastadora. João Vitor, um jovem cuja vida foi abruptamente interrompida, foi morto a tiros em frente a uma tabacaria no bairro Curral Novo. A ausência de informações sobre a motivação e a autoria do crime só amplifica a sensação de desamparo que paira sobre a população. A cena do crime, isolada pela Polícia Militar até a chegada do Departamento de Polícia Técnica (DPT), tornou-se mais um símbolo da insegurança que transforma espaços públicos em cenários de violência.

Esses dois homicídios, ocorridos em um único fim de semana, não podem ser tratados como casos isolados. Eles refletem uma crise sistêmica de segurança pública que se agrava no interior da Bahia. A falta de policiamento ostensivo, a escassez de políticas públicas voltadas à prevenção da criminalidade e a ausência de programas que promovam a resolução pacífica de conflitos criam um ambiente onde a violência prospera. A população de Jequié vive em constante alerta, com o medo se infiltrando na rotina de quem apenas deseja viver em paz.

O clamor por justiça é uníssono. As famílias das vítimas, devastadas pela perda, merecem não apenas respostas, mas ações concretas do governo estadual. É inadmissível que uma cidade como Jequié, conhecida por sua riqueza cultural e calor humano, seja refém da violência. A escalada de crimes, especialmente contra jovens, exige uma resposta urgente e coordenada. Investimentos em segurança pública, como o aumento do efetivo policial, a implementação de tecnologias de monitoramento e a criação de programas de prevenção à violência, são medidas inadiáveis. Além disso, é fundamental abordar as raízes sociais do problema, como a desigualdade, a falta de oportunidades para a juventude e a normalização da violência de gênero, que vitimou Vera Lúcia.

Enquanto as investigações seguem, a população de Jequié não pode se calar. É preciso transformar o luto em luta, cobrando das autoridades um compromisso real com a segurança e a proteção da vida. A memória de Vera Lúcia e João Vitor deve servir como um chamado à ação, para que nenhuma outra família precise sofrer tamanha dor. Jequié clama por paz, e esse grito não pode ser ignorado. A Bahia precisa olhar para o interior com a urgência que a gravidade da situação exige. Afinal, a verdadeira grandeza de uma cidade não se mede apenas por sua história ou geografia, mas pela segurança e dignidade que oferece aos seus cidadãos.

ARTIGO – Vitória da Conquista: A Cidade Sem Favela e o Desafio da Moralidade

 

 

Por Padre Carlos

Se há algo de que o conquistense pode se orgulhar, é o fato de que, entre as grandes cidades da Bahia, Vitória da Conquista — a nossa “Joia do Sertão” — é a única que não possui favelas. Esse é um dado notável, uma conquista coletiva que revela um traço de sensibilidade social e planejamento urbano raramente vistos no país.

Não se trata de mérito de um único grupo político. Ao longo das décadas, administrações de esquerda e de direita tiveram o mérito de compreender que a dignidade humana começa com o direito à moradia. Houve uma preocupação real, transversal, com o urbanismo, com a habitação popular e com a inclusão social. Cada gestão, à sua maneira, contribuiu para que Conquista se tornasse um exemplo de cidade que acolhe seus filhos com um mínimo de dignidade — sem barracos, sem favelas, sem as feridas abertas que se vêem em outras capitais e metrópoles.

Contudo, seria ingênuo imaginar que esse modelo não precise de ajustes. Os programas habitacionais que sustentam esse padrão — financiados com recursos federais e complementados com investimentos municipais em infraestrutura — merecem, mais do que aplausos, um olhar crítico. É preciso garantir que os subsídios públicos, ou seja, o dinheiro do povo, cumpram de fato o seu papel social.

Hoje, um dos problemas mais sensíveis está na facilidade com que muitos beneficiários vendem ou repassam os imóveis obtidos através de programas habitacionais. Quantas casas já foram transferidas a terceiros? Onde estão essas informações? Há transparência suficiente? A questão é séria. Se essa prática for permitida pela letra da lei, ainda assim, é imoral. Porque não basta ser legal — é preciso ser moral.

Quando uma política pública voltada para os mais pobres se transforma em oportunidade de lucro fácil, o espírito da lei é traído. A casa que deveria abrigar uma família carente torna-se mercadoria. E o Estado, em vez de combater a desigualdade, acaba por financiá-la.

Vitória da Conquista tem muito do que se orgulhar. Mas o verdadeiro progresso não está apenas nas obras, nas avenidas, ou na estética urbana. Está na ética social. É preciso zelar para que o legado de cidade sem favelas não se transforme em terreno fértil para novas injustiças — não mais visíveis nas encostas e vielas, mas escondidas nos papéis, nos cartórios e nas negociações silenciosas.

Ser conquistense é motivo de orgulho. Mas é também um chamado à vigilância moral e à responsabilidade pública. Porque uma cidade que não tem favelas, mas fecha os olhos para a imoralidade, corre o risco de construir um novo tipo de pobreza — a pobreza de princípios.

 

ARTIGO – Vitória da Conquista: A Cidade Sem Favela e o Desafio da Moralidade

 

 

Por Padre Carlos

Se há algo de que o conquistense pode se orgulhar, é o fato de que, entre as grandes cidades da Bahia, Vitória da Conquista — a nossa “Joia do Sertão” — é a única que não possui favelas. Esse é um dado notável, uma conquista coletiva que revela um traço de sensibilidade social e planejamento urbano raramente vistos no país.

Não se trata de mérito de um único grupo político. Ao longo das décadas, administrações de esquerda e de direita tiveram o mérito de compreender que a dignidade humana começa com o direito à moradia. Houve uma preocupação real, transversal, com o urbanismo, com a habitação popular e com a inclusão social. Cada gestão, à sua maneira, contribuiu para que Conquista se tornasse um exemplo de cidade que acolhe seus filhos com um mínimo de dignidade — sem barracos, sem favelas, sem as feridas abertas que se vêem em outras capitais e metrópoles.

Contudo, seria ingênuo imaginar que esse modelo não precise de ajustes. Os programas habitacionais que sustentam esse padrão — financiados com recursos federais e complementados com investimentos municipais em infraestrutura — merecem, mais do que aplausos, um olhar crítico. É preciso garantir que os subsídios públicos, ou seja, o dinheiro do povo, cumpram de fato o seu papel social.

Hoje, um dos problemas mais sensíveis está na facilidade com que muitos beneficiários vendem ou repassam os imóveis obtidos através de programas habitacionais. Quantas casas já foram transferidas a terceiros? Onde estão essas informações? Há transparência suficiente? A questão é séria. Se essa prática for permitida pela letra da lei, ainda assim, é imoral. Porque não basta ser legal — é preciso ser moral.

Quando uma política pública voltada para os mais pobres se transforma em oportunidade de lucro fácil, o espírito da lei é traído. A casa que deveria abrigar uma família carente torna-se mercadoria. E o Estado, em vez de combater a desigualdade, acaba por financiá-la.

Vitória da Conquista tem muito do que se orgulhar. Mas o verdadeiro progresso não está apenas nas obras, nas avenidas, ou na estética urbana. Está na ética social. É preciso zelar para que o legado de cidade sem favelas não se transforme em terreno fértil para novas injustiças — não mais visíveis nas encostas e vielas, mas escondidas nos papéis, nos cartórios e nas negociações silenciosas.

Ser conquistense é motivo de orgulho. Mas é também um chamado à vigilância moral e à responsabilidade pública. Porque uma cidade que não tem favelas, mas fecha os olhos para a imoralidade, corre o risco de construir um novo tipo de pobreza — a pobreza de princípios.