Política e Resenha

ARTIGO – O Legado de Ivo Mário Moreira Gomes para Vitória da Conquista

 

(Padre Carlos)

A morte de Ivo Mário Moreira Gomes deixa Vitória da Conquista órfã de um dos seus maiores empreendedores e visionários. Aos 74 anos, parte um homem que não apenas construiu empresas, mas ajudou a moldar a própria identidade econômica e social da cidade. Sua trajetória é a prova viva de que o desenvolvimento local não nasce apenas de políticas públicas, mas, sobretudo, da coragem de indivíduos que ousam sonhar e realizar.

Fundador da fábrica da Coca-Cola em Vitória da Conquista, ex-proprietário do tradicional Café Bahia e administrador da TopVel, Ivo Mário esteve à frente de empreendimentos que marcaram gerações. Sua visão ia além do lucro: enxergava no crescimento dos seus negócios uma forma de impulsionar o desenvolvimento da região, gerar empregos, fortalecer a economia e abrir portas para o futuro.

Apaixonado por desafios, não limitou sua atuação ao setor empresarial. Foi um incentivador do kartismo conquistense, demonstrando que o progresso também passa pelo esporte, pela cultura e pelas novas oportunidades para a juventude. Assim, deixou sua marca em várias dimensões da vida conquistense.

Nos últimos anos, sua contribuição se voltou também para o setor da construção civil e administração financeira, áreas em que reafirmou sua criatividade e determinação. Sempre acreditou que Vitória da Conquista poderia ser maior, mais moderna, mais preparada para enfrentar os desafios do tempo presente.

Mas, mais do que empresário, Ivo Mário foi um homem de caráter íntegro, que conciliava a firmeza de suas decisões com a ternura do amor à família. Reconhecido pela seriedade e pelo compromisso comunitário, conquistou respeito e admiração. Sua trajetória inspira e continuará a inspirar as futuras gerações de conquistenses.

O vazio que sua ausência deixa não será preenchido, mas sua história permanecerá como exemplo de visão, coragem e dedicação. Vitória da Conquista deve muito do que é hoje a homens como Ivo Mário Moreira Gomes, que, com trabalho e espírito pioneiro, transformaram sonhos em realidade.

Sua partida nos convida à reflexão: que cidade queremos ser e que legado deixaremos para o futuro? Se seguirmos o exemplo de Ivo Mário, certamente seremos uma Vitória da Conquista mais justa, próspera e humana.

ARTIGO – O Legado de Ivo Mário Moreira Gomes para Vitória da Conquista

 

(Padre Carlos)

A morte de Ivo Mário Moreira Gomes deixa Vitória da Conquista órfã de um dos seus maiores empreendedores e visionários. Aos 74 anos, parte um homem que não apenas construiu empresas, mas ajudou a moldar a própria identidade econômica e social da cidade. Sua trajetória é a prova viva de que o desenvolvimento local não nasce apenas de políticas públicas, mas, sobretudo, da coragem de indivíduos que ousam sonhar e realizar.

Fundador da fábrica da Coca-Cola em Vitória da Conquista, ex-proprietário do tradicional Café Bahia e administrador da TopVel, Ivo Mário esteve à frente de empreendimentos que marcaram gerações. Sua visão ia além do lucro: enxergava no crescimento dos seus negócios uma forma de impulsionar o desenvolvimento da região, gerar empregos, fortalecer a economia e abrir portas para o futuro.

Apaixonado por desafios, não limitou sua atuação ao setor empresarial. Foi um incentivador do kartismo conquistense, demonstrando que o progresso também passa pelo esporte, pela cultura e pelas novas oportunidades para a juventude. Assim, deixou sua marca em várias dimensões da vida conquistense.

Nos últimos anos, sua contribuição se voltou também para o setor da construção civil e administração financeira, áreas em que reafirmou sua criatividade e determinação. Sempre acreditou que Vitória da Conquista poderia ser maior, mais moderna, mais preparada para enfrentar os desafios do tempo presente.

Mas, mais do que empresário, Ivo Mário foi um homem de caráter íntegro, que conciliava a firmeza de suas decisões com a ternura do amor à família. Reconhecido pela seriedade e pelo compromisso comunitário, conquistou respeito e admiração. Sua trajetória inspira e continuará a inspirar as futuras gerações de conquistenses.

O vazio que sua ausência deixa não será preenchido, mas sua história permanecerá como exemplo de visão, coragem e dedicação. Vitória da Conquista deve muito do que é hoje a homens como Ivo Mário Moreira Gomes, que, com trabalho e espírito pioneiro, transformaram sonhos em realidade.

Sua partida nos convida à reflexão: que cidade queremos ser e que legado deixaremos para o futuro? Se seguirmos o exemplo de Ivo Mário, certamente seremos uma Vitória da Conquista mais justa, próspera e humana.

PEC da Bandidagem descansa em paz, mas sem deixar saudades

Por Padre Carlos

Hoje damos por encerrada, ao menos no campo moral, a trajetória sombria da chamada PEC da Bandidagem. Nascida do ventre da conveniência política, cresceu alimentada pelo medo de alguns e pelo silêncio cúmplice de outros. Seu objetivo era claro: blindar privilegiados e perpetuar a impunidade, em afronta direta ao povo que clama por justiça e dignidade. Morre sem deixar saudades, lembrada como um dos capítulos mais vergonhosos da história legislativa recente. Que seu epitáfio seja a lição de que nenhuma manobra resiste à força da consciência popular.

PEC da Bandidagem descansa em paz, mas sem deixar saudades

Por Padre Carlos

Hoje damos por encerrada, ao menos no campo moral, a trajetória sombria da chamada PEC da Bandidagem. Nascida do ventre da conveniência política, cresceu alimentada pelo medo de alguns e pelo silêncio cúmplice de outros. Seu objetivo era claro: blindar privilegiados e perpetuar a impunidade, em afronta direta ao povo que clama por justiça e dignidade. Morre sem deixar saudades, lembrada como um dos capítulos mais vergonhosos da história legislativa recente. Que seu epitáfio seja a lição de que nenhuma manobra resiste à força da consciência popular.

ARTIGO – Lula, a ONU e o Reconhecimento da História (Padre Carlos)

 

 

 

Assistir ao pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tribuna da ONU nesta semana foi mais do que um ato de política internacional. Foi testemunhar a reverberação de uma liderança que, ao longo de décadas, construiu-se não apenas no campo da economia ou da administração pública, mas sobretudo na dimensão simbólica da dignidade humana.

As palavras de Lula sobre a soberania do Brasil , a luta pela democracia e a defesa das suas instituições, além é claro da  fome e sobre a paz ecoaram como grito de urgência, lembrando ao mundo que o Brasil, um país marcado por desigualdades profundas, já mostrou ser capaz de criar políticas que tiraram milhões da miséria. O que impressionou, mais do que o conteúdo em si, foi a reação: representantes de vários países aplaudiram de pé, sinalizando que, em tempos de lideranças frágeis e discursos ocos, a palavra do presidente brasileiro ainda encontra ressonância global.

Nesse instante, lembrei-me da homenagem feita a Lula em Paris, pela prefeita Anne Hidalgo. Foi mais do que um tributo diplomático: foi um reconhecimento emocionado de que a trajetória do ex-metalúrgico se transformou em lenda política. Suas palavras foram um retrato daquilo que muitos brasileiros e estrangeiros percebem, mas poucos têm a coragem de dizer com clareza: Lula é, de fato, uma lenda viva.

A prefeita não poupou adjetivos ao destacar a coragem e o humanismo que marcaram a trajetória de Lula. Relembrou seu compromisso com os pobres, os sem-terra, os esquecidos da história. Sublinhou o esforço titânico de um homem que ousou dar voz aos que não tinham voz. E o fez com a força do coração, construindo um partido e uma base social capazes de encarnar a esperança de milhões.

O ponto mais simbólico de sua fala talvez tenha sido a declaração de amor: “Paris o ama.” Naquele dia, as cores do Brasil iluminaram a Torre Eiffel. Na ONU, dias atrás, foi o próprio mundo que acendeu seus olhos diante da contundência de um discurso que remete ao passado de luta e projeta o futuro de esperança.

Em tempos de desinformação e narrativas tóxicas, o impacto da fala de Lula na ONU e as palavras da prefeita de Paris se unem em um mesmo sentido: lembrar que a política, quando feita com compromisso humano, ultrapassa fronteiras. E que, gostemos ou não, Lula continua sendo uma referência histórica, capaz de mobilizar afetos, despertar resistências e reafirmar que a coragem, quando movida pela justiça, pode ser mais forte do que qualquer adversidade.

 

ARTIGO – Lula, a ONU e o Reconhecimento da História (Padre Carlos)

 

 

 

Assistir ao pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tribuna da ONU nesta semana foi mais do que um ato de política internacional. Foi testemunhar a reverberação de uma liderança que, ao longo de décadas, construiu-se não apenas no campo da economia ou da administração pública, mas sobretudo na dimensão simbólica da dignidade humana.

As palavras de Lula sobre a soberania do Brasil , a luta pela democracia e a defesa das suas instituições, além é claro da  fome e sobre a paz ecoaram como grito de urgência, lembrando ao mundo que o Brasil, um país marcado por desigualdades profundas, já mostrou ser capaz de criar políticas que tiraram milhões da miséria. O que impressionou, mais do que o conteúdo em si, foi a reação: representantes de vários países aplaudiram de pé, sinalizando que, em tempos de lideranças frágeis e discursos ocos, a palavra do presidente brasileiro ainda encontra ressonância global.

Nesse instante, lembrei-me da homenagem feita a Lula em Paris, pela prefeita Anne Hidalgo. Foi mais do que um tributo diplomático: foi um reconhecimento emocionado de que a trajetória do ex-metalúrgico se transformou em lenda política. Suas palavras foram um retrato daquilo que muitos brasileiros e estrangeiros percebem, mas poucos têm a coragem de dizer com clareza: Lula é, de fato, uma lenda viva.

A prefeita não poupou adjetivos ao destacar a coragem e o humanismo que marcaram a trajetória de Lula. Relembrou seu compromisso com os pobres, os sem-terra, os esquecidos da história. Sublinhou o esforço titânico de um homem que ousou dar voz aos que não tinham voz. E o fez com a força do coração, construindo um partido e uma base social capazes de encarnar a esperança de milhões.

O ponto mais simbólico de sua fala talvez tenha sido a declaração de amor: “Paris o ama.” Naquele dia, as cores do Brasil iluminaram a Torre Eiffel. Na ONU, dias atrás, foi o próprio mundo que acendeu seus olhos diante da contundência de um discurso que remete ao passado de luta e projeta o futuro de esperança.

Em tempos de desinformação e narrativas tóxicas, o impacto da fala de Lula na ONU e as palavras da prefeita de Paris se unem em um mesmo sentido: lembrar que a política, quando feita com compromisso humano, ultrapassa fronteiras. E que, gostemos ou não, Lula continua sendo uma referência histórica, capaz de mobilizar afetos, despertar resistências e reafirmar que a coragem, quando movida pela justiça, pode ser mais forte do que qualquer adversidade.

 

ARTIGO – A Câmara dos Garotos e o Senado dos Adultos (Padre Carlos)

 

A Câmara dos Deputados, em dias recentes, pareceu um adolescente rebelde em uma festa descontrolada: bebeu demais, quebrou móveis, fez barulho, e na manhã seguinte nem se lembrava do estrago que havia causado. Essa imagem de juventude inconsequente traduz a pressa com que aprovou a chamada “PEC da Bandidagem” – uma emenda constitucional que pretendeu blindar parlamentares de investigações judiciais, como se fossem membros de uma casta superior, intocável diante da lei que rege todos os brasileiros.

Na noite, a proposta avançou com apoio de uma maioria expressiva. Poucas horas de debate, discursos rasos e uma retórica ensimesmada revelaram mais autopreservação do que compromisso público. O líder de um dos blocos chegou a afirmar que “o Parlamento precisa de proteção contra abusos de outros poderes”, como se a imunidade parlamentar fosse salvo-conduto para práticas de corrupção. O contraste entre a velocidade da votação e a gravidade de seus efeitos revela uma Câmara imatura, incapaz de compreender que a República exige responsabilidade, não privilégios.


Se olharmos com lupa, o comportamento da Câmara se assemelha a dar uma carteira de motorista a uma criança que jamais frequentou autoescola: o resultado é previsível, acidente à vista. A aprovação apressada da PEC mostra ausência de maturidade institucional e desrespeito às bases do Estado Democrático de Direito. Não se trata apenas de uma disputa entre poderes; trata-se de uma tentativa de erigir muralhas em torno de políticos que deveriam ser, em essência, servidores do povo.

As consequências dessa atitude são múltiplas. Primeiro, mina-se a confiança pública no Parlamento. O cidadão comum, que já carrega descrença crônica na política, passa a enxergar a Câmara como espaço de autoproteção corporativa. Segundo, alimenta-se a impunidade: se deputados sabem que estarão blindados, que estímulo terão para respeitar a lei? Terceiro, abre-se a porta para um fenômeno perigoso — a judicialização excessiva da política. Ao forçar limites constitucionais, os próprios parlamentares provocam reações do Judiciário, transformando em pauta judicial aquilo que deveria ser resolvido pela ética e pelo voto.

A história não é silenciosa a esse respeito. Desde a CPI dos Anões do Orçamento, nos anos 1990, até os escândalos mais recentes da Lava Jato, vimos deputados escaparem de punições graças a brechas regimentais e manobras de bastidores. A diferença, agora, é a tentativa explícita de institucionalizar a blindagem. Se aprovada em definitivo, essa emenda transformaria o Parlamento em um clube fechado de privilegiados, em franca contradição ao artigo 5º da Constituição Federal, que estabelece que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. A pergunta que ecoa é inevitável: como exigir sacrifício e honestidade do cidadão comum, se os próprios legisladores constroem trincheiras para escapar da Justiça?


Em contraste, o Senado da República mostrou-se adulto na sala. Quando a proposta chegou à Casa revisora, o ambiente foi outro: debates prolongados, análises técnicas e uma consciência mais nítida do impacto institucional. Senadores experientes, como Rodrigo Pacheco, sublinharam que “não há democracia sem responsabilidade dos agentes públicos”. Outros, da oposição, foram mais duros: “Blindar políticos é trair o povo”. Essa postura cautelosa transformou o Senado em contrapeso real, demonstrando que ainda há maturidade no Congresso Nacional.

O gesto de barrar ou travar o avanço da PEC enviou um recado claro à sociedade: a democracia brasileira resiste. Ao priorizar o interesse coletivo sobre a autopreservação corporativa, os senadores reafirmaram o papel histórico da Casa revisora: frear os impulsos imaturos da Câmara e restaurar o equilíbrio federativo. Em um cenário de descrédito político, esse comportamento foi um sopro de esperança. O Senado se comportou como o adulto responsável que chega depois da festa, paga os estragos e tenta recolocar a casa em ordem.


Resta, por fim, refletir sobre o papel do Supremo Tribunal Federal. A Corte, elevada constitucionalmente à posição de guardiã suprema da Carta Magna, não pode se omitir diante de tentativas explícitas de distorção do pacto republicano. Em momentos como este, é ao STF que cabe proteger o núcleo duro da democracia: accountability, separação de poderes e igualdade de todos perante a lei.

Há precedentes. Nos julgamentos da Lava Jato, o Supremo firmou parâmetros para a prisão de parlamentares em flagrante. Em outros episódios, delimitou as fronteiras da imunidade parlamentar para evitar abusos. O STF existe, afinal, para momentos cruciais como este – quando um poder tenta se autoblindar contra o controle da sociedade. Que a Corte seja prudente, mas firme; equilibrada, mas intransigente na defesa do espírito republicano.

O Brasil atravessa um tempo em que a confiança pública é um recurso escasso e precioso. Cabe às instituições não desperdiçá-lo. A Câmara dos Deputados pode ter se comportado como um grupo de garotos inconsequentes, mas Senado e Supremo ainda têm a chance de reafirmar que o Brasil é uma República de cidadãos, não um feudo de castas.

E você, leitor, diante dessa crise de maturidade política, o que deseja para o futuro? Será que o Brasil tolerará uma Câmara de garotos ou demandará um Congresso de estadistas?

ARTIGO – A Câmara dos Garotos e o Senado dos Adultos (Padre Carlos)

 

A Câmara dos Deputados, em dias recentes, pareceu um adolescente rebelde em uma festa descontrolada: bebeu demais, quebrou móveis, fez barulho, e na manhã seguinte nem se lembrava do estrago que havia causado. Essa imagem de juventude inconsequente traduz a pressa com que aprovou a chamada “PEC da Bandidagem” – uma emenda constitucional que pretendeu blindar parlamentares de investigações judiciais, como se fossem membros de uma casta superior, intocável diante da lei que rege todos os brasileiros.

Na noite, a proposta avançou com apoio de uma maioria expressiva. Poucas horas de debate, discursos rasos e uma retórica ensimesmada revelaram mais autopreservação do que compromisso público. O líder de um dos blocos chegou a afirmar que “o Parlamento precisa de proteção contra abusos de outros poderes”, como se a imunidade parlamentar fosse salvo-conduto para práticas de corrupção. O contraste entre a velocidade da votação e a gravidade de seus efeitos revela uma Câmara imatura, incapaz de compreender que a República exige responsabilidade, não privilégios.


Se olharmos com lupa, o comportamento da Câmara se assemelha a dar uma carteira de motorista a uma criança que jamais frequentou autoescola: o resultado é previsível, acidente à vista. A aprovação apressada da PEC mostra ausência de maturidade institucional e desrespeito às bases do Estado Democrático de Direito. Não se trata apenas de uma disputa entre poderes; trata-se de uma tentativa de erigir muralhas em torno de políticos que deveriam ser, em essência, servidores do povo.

As consequências dessa atitude são múltiplas. Primeiro, mina-se a confiança pública no Parlamento. O cidadão comum, que já carrega descrença crônica na política, passa a enxergar a Câmara como espaço de autoproteção corporativa. Segundo, alimenta-se a impunidade: se deputados sabem que estarão blindados, que estímulo terão para respeitar a lei? Terceiro, abre-se a porta para um fenômeno perigoso — a judicialização excessiva da política. Ao forçar limites constitucionais, os próprios parlamentares provocam reações do Judiciário, transformando em pauta judicial aquilo que deveria ser resolvido pela ética e pelo voto.

A história não é silenciosa a esse respeito. Desde a CPI dos Anões do Orçamento, nos anos 1990, até os escândalos mais recentes da Lava Jato, vimos deputados escaparem de punições graças a brechas regimentais e manobras de bastidores. A diferença, agora, é a tentativa explícita de institucionalizar a blindagem. Se aprovada em definitivo, essa emenda transformaria o Parlamento em um clube fechado de privilegiados, em franca contradição ao artigo 5º da Constituição Federal, que estabelece que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. A pergunta que ecoa é inevitável: como exigir sacrifício e honestidade do cidadão comum, se os próprios legisladores constroem trincheiras para escapar da Justiça?


Em contraste, o Senado da República mostrou-se adulto na sala. Quando a proposta chegou à Casa revisora, o ambiente foi outro: debates prolongados, análises técnicas e uma consciência mais nítida do impacto institucional. Senadores experientes, como Rodrigo Pacheco, sublinharam que “não há democracia sem responsabilidade dos agentes públicos”. Outros, da oposição, foram mais duros: “Blindar políticos é trair o povo”. Essa postura cautelosa transformou o Senado em contrapeso real, demonstrando que ainda há maturidade no Congresso Nacional.

O gesto de barrar ou travar o avanço da PEC enviou um recado claro à sociedade: a democracia brasileira resiste. Ao priorizar o interesse coletivo sobre a autopreservação corporativa, os senadores reafirmaram o papel histórico da Casa revisora: frear os impulsos imaturos da Câmara e restaurar o equilíbrio federativo. Em um cenário de descrédito político, esse comportamento foi um sopro de esperança. O Senado se comportou como o adulto responsável que chega depois da festa, paga os estragos e tenta recolocar a casa em ordem.


Resta, por fim, refletir sobre o papel do Supremo Tribunal Federal. A Corte, elevada constitucionalmente à posição de guardiã suprema da Carta Magna, não pode se omitir diante de tentativas explícitas de distorção do pacto republicano. Em momentos como este, é ao STF que cabe proteger o núcleo duro da democracia: accountability, separação de poderes e igualdade de todos perante a lei.

Há precedentes. Nos julgamentos da Lava Jato, o Supremo firmou parâmetros para a prisão de parlamentares em flagrante. Em outros episódios, delimitou as fronteiras da imunidade parlamentar para evitar abusos. O STF existe, afinal, para momentos cruciais como este – quando um poder tenta se autoblindar contra o controle da sociedade. Que a Corte seja prudente, mas firme; equilibrada, mas intransigente na defesa do espírito republicano.

O Brasil atravessa um tempo em que a confiança pública é um recurso escasso e precioso. Cabe às instituições não desperdiçá-lo. A Câmara dos Deputados pode ter se comportado como um grupo de garotos inconsequentes, mas Senado e Supremo ainda têm a chance de reafirmar que o Brasil é uma República de cidadãos, não um feudo de castas.

E você, leitor, diante dessa crise de maturidade política, o que deseja para o futuro? Será que o Brasil tolerará uma Câmara de garotos ou demandará um Congresso de estadistas?

ARTIGO – A Bahia que Defende o Brasil: Otto Alencar e o Orgulho de Ser Representado

 

(Padre Carlos)

O Senado Federal foi palco, nesta semana, de um gesto que ficará marcado na história da política brasileira. Sob a condução firme e corajosa do senador baiano Otto Alencar, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, a chamada PEC da Blindagem foi rejeitada por unanimidade —  em um claro recado de que o Parlamento não pode se transformar em escudo para proteger criminosos.

A votação mostrou que ainda é possível separar prerrogativas parlamentares — necessárias à democracia — dos privilégios abusivos que alimentam a impunidade e facilitam a entrada do crime organizado no Congresso. Ao liderar esse entendimento, Otto Alencar não apenas consolidou um consenso raro, mas também devolveu ao Senado o respeito que a sociedade espera.

Sua atuação foi técnica, precisa e firme. Por isso, recebeu elogios de senadores de diferentes correntes políticas. A unanimidade alcançada na CCJ evitando a matéria de chegar ao plenário: foi fruto da liderança de quem sabe dialogar sem abrir mão de princípios.

Nós, baianos, temos razões de sobra para nos orgulhar. Otto Alencar fez valer a tradição da Bahia como terra de homens e mulheres que não se curvam à injustiça. Ele mostrou ao Brasil que a política pode, sim, ser instrumento de defesa da sociedade contra interesses que buscam capturar o Estado.

Neste momento em que tantos duvidam da democracia, o gesto do senador é uma prova de que o Senado pode estar à altura da nação. Otto Alencar nos representou, representou a Bahia e representou o Brasil.

ARTIGO – A Bahia que Defende o Brasil: Otto Alencar e o Orgulho de Ser Representado

 

(Padre Carlos)

O Senado Federal foi palco, nesta semana, de um gesto que ficará marcado na história da política brasileira. Sob a condução firme e corajosa do senador baiano Otto Alencar, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, a chamada PEC da Blindagem foi rejeitada por unanimidade —  em um claro recado de que o Parlamento não pode se transformar em escudo para proteger criminosos.

A votação mostrou que ainda é possível separar prerrogativas parlamentares — necessárias à democracia — dos privilégios abusivos que alimentam a impunidade e facilitam a entrada do crime organizado no Congresso. Ao liderar esse entendimento, Otto Alencar não apenas consolidou um consenso raro, mas também devolveu ao Senado o respeito que a sociedade espera.

Sua atuação foi técnica, precisa e firme. Por isso, recebeu elogios de senadores de diferentes correntes políticas. A unanimidade alcançada na CCJ evitando a matéria de chegar ao plenário: foi fruto da liderança de quem sabe dialogar sem abrir mão de princípios.

Nós, baianos, temos razões de sobra para nos orgulhar. Otto Alencar fez valer a tradição da Bahia como terra de homens e mulheres que não se curvam à injustiça. Ele mostrou ao Brasil que a política pode, sim, ser instrumento de defesa da sociedade contra interesses que buscam capturar o Estado.

Neste momento em que tantos duvidam da democracia, o gesto do senador é uma prova de que o Senado pode estar à altura da nação. Otto Alencar nos representou, representou a Bahia e representou o Brasil.

ARTIGO – Vivaldo Santos Brito: O Homem que Transformou Dor em Esperança

 

(Padre Carlos)

Há seis dias Vitória da Conquista perdeu um dos seus maiores exemplos de vida: Vivaldo Santos Brito. Um homem comum, mas com uma força extraordinária. Sua partida não é apenas uma ausência – é o chamado para que cada um de nós resgate o legado que ele deixou.

Vivaldo não se curvou às adversidades. Perdeu a visão há mais de vinte anos, viveu sem uma das pernas, mas nunca perdeu a fé nem o sorriso. Pelo contrário: transmitia coragem, perseverança e uma alegria contagiante. Era conhecido pelo seu “au au”, um grito de guerra que misturava humor, esperança e amor à vida.

Na ACIDE – Associação Conquistense de Integração do Deficiente – ele foi mais que um colaborador: foi pilar, voz ativa, lutador incansável pela inclusão e pela dignidade das pessoas com deficiência. Sua luta era diária, silenciosa, mas profundamente transformadora.

Seu testemunho mais bonito talvez esteja nos olhos de sua filha, que declarou: “Hoje me tornei a mulher que sou, forte e corajosa, porque aprendi com meu pai.” Palavras que revelam um legado que não se mede em cargos ou títulos, mas em vidas transformadas.

Ao lado da esposa, companheira de todas as batalhas, Vivaldo criou cinco filhos e celebrou a vida em cinco netos. Família que hoje se orgulha não só do homem que foi, mas do exemplo eterno que deixou.

Vivaldo Santos Brito nos ensinou que a verdadeira vitória não está em evitar a dor, mas em transformá-la em esperança. Sua história, marcada pela coragem e pelo amor, já pertence à memória da cidade e à eternidade de Deus.

ARTIGO – Vivaldo Santos Brito: O Homem que Transformou Dor em Esperança

 

(Padre Carlos)

Há seis dias Vitória da Conquista perdeu um dos seus maiores exemplos de vida: Vivaldo Santos Brito. Um homem comum, mas com uma força extraordinária. Sua partida não é apenas uma ausência – é o chamado para que cada um de nós resgate o legado que ele deixou.

Vivaldo não se curvou às adversidades. Perdeu a visão há mais de vinte anos, viveu sem uma das pernas, mas nunca perdeu a fé nem o sorriso. Pelo contrário: transmitia coragem, perseverança e uma alegria contagiante. Era conhecido pelo seu “au au”, um grito de guerra que misturava humor, esperança e amor à vida.

Na ACIDE – Associação Conquistense de Integração do Deficiente – ele foi mais que um colaborador: foi pilar, voz ativa, lutador incansável pela inclusão e pela dignidade das pessoas com deficiência. Sua luta era diária, silenciosa, mas profundamente transformadora.

Seu testemunho mais bonito talvez esteja nos olhos de sua filha, que declarou: “Hoje me tornei a mulher que sou, forte e corajosa, porque aprendi com meu pai.” Palavras que revelam um legado que não se mede em cargos ou títulos, mas em vidas transformadas.

Ao lado da esposa, companheira de todas as batalhas, Vivaldo criou cinco filhos e celebrou a vida em cinco netos. Família que hoje se orgulha não só do homem que foi, mas do exemplo eterno que deixou.

Vivaldo Santos Brito nos ensinou que a verdadeira vitória não está em evitar a dor, mas em transformá-la em esperança. Sua história, marcada pela coragem e pelo amor, já pertence à memória da cidade e à eternidade de Deus.

ARTIGO – Hospital Universitário: Um Chamado à União

 

(Padre Carlos)

Em entrevista exclusiva ao Blog Política e Resenha, o presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro, deixou claro que a causa do Hospital Universitário da UFBA não pode ser tratada como bandeira partidária, nem como palco de disputas ideológicas. “Essa luta precisa ser construída com quatro mãos: a da oposição e a da situação. Quando a causa é para o bem dos conquistenses, todos se unem em uma só voz”, afirmou.

Para o vereador, a hora é de pensar grande, e por isso ele defende a criação de uma frente suprapartidária, popular, plural e democrática. O objetivo, segundo ele, é claro e urgente: garantir a construção do Hospital Universitário da UFBA em Vitória da Conquista. “Não estamos falando de um sonho distante, mas de uma necessidade vital para o futuro da nossa cidade e da nossa região.”

Ivan Cordeiro detalhou que o movimento deve se apoiar em ações concretas: realização de audiências públicas para ouvir a sociedade, aprovação de moções de apoio na Câmara, desenvolvimento de campanhas de sensibilização junto à comunidade, além de articulações políticas em diferentes esferas. E foi enfático: “Se for preciso, também faremos mobilizações populares, porque o que está em jogo não é apenas a construção de um prédio. É um projeto de futuro, é a valorização da vida e a autonomia de Vitória da Conquista como polo de desenvolvimento regional.”

Ao longo da entrevista, o vereador destacou que a cidade tem vocação para ser grande, e que essa é uma oportunidade histórica que não pode ser desperdiçada. “Vitória da Conquista é forte, é unida, é protagonista. Já demos provas de que sabemos lutar juntos quando o desafio é decisivo. E este é um desses momentos.”

Cordeiro encerrou o diálogo com um tom de convocação: “Faço um chamado à ação. Vamos juntos, todos os setores, todas as vozes, todos os corações, levantar uma só bandeira: a da saúde pública de qualidade, da educação superior fortalecida e do desenvolvimento justo e humano para nossa gente. O Hospital Universitário é possível, é necessário, e com união, ele será realidade.”

ARTIGO – Hospital Universitário: Um Chamado à União

 

(Padre Carlos)

Em entrevista exclusiva ao Blog Política e Resenha, o presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro, deixou claro que a causa do Hospital Universitário da UFBA não pode ser tratada como bandeira partidária, nem como palco de disputas ideológicas. “Essa luta precisa ser construída com quatro mãos: a da oposição e a da situação. Quando a causa é para o bem dos conquistenses, todos se unem em uma só voz”, afirmou.

Para o vereador, a hora é de pensar grande, e por isso ele defende a criação de uma frente suprapartidária, popular, plural e democrática. O objetivo, segundo ele, é claro e urgente: garantir a construção do Hospital Universitário da UFBA em Vitória da Conquista. “Não estamos falando de um sonho distante, mas de uma necessidade vital para o futuro da nossa cidade e da nossa região.”

Ivan Cordeiro detalhou que o movimento deve se apoiar em ações concretas: realização de audiências públicas para ouvir a sociedade, aprovação de moções de apoio na Câmara, desenvolvimento de campanhas de sensibilização junto à comunidade, além de articulações políticas em diferentes esferas. E foi enfático: “Se for preciso, também faremos mobilizações populares, porque o que está em jogo não é apenas a construção de um prédio. É um projeto de futuro, é a valorização da vida e a autonomia de Vitória da Conquista como polo de desenvolvimento regional.”

Ao longo da entrevista, o vereador destacou que a cidade tem vocação para ser grande, e que essa é uma oportunidade histórica que não pode ser desperdiçada. “Vitória da Conquista é forte, é unida, é protagonista. Já demos provas de que sabemos lutar juntos quando o desafio é decisivo. E este é um desses momentos.”

Cordeiro encerrou o diálogo com um tom de convocação: “Faço um chamado à ação. Vamos juntos, todos os setores, todas as vozes, todos os corações, levantar uma só bandeira: a da saúde pública de qualidade, da educação superior fortalecida e do desenvolvimento justo e humano para nossa gente. O Hospital Universitário é possível, é necessário, e com união, ele será realidade.”

Vitória da Conquista e a lição do arquiteto das “cidades-esponja”

 

Por Padre Carlos

Ainda tomado pela tristeza do acidente que vitimou profissionais ligados ao cinema e, sobretudo, o grande arquiteto Kongjian Yu, não consigo deixar de refletir sobre o legado que ele deixa ao mundo — e sobre como cidades como Vitória da Conquista podem aprender com sua visão.

Kongjian Yu não foi apenas um arquiteto; foi um pensador que soube unir ciência, urbanismo e natureza em uma proposta inovadora. Criador do conceito de “cidades-esponja”, ele demonstrou que o futuro das metrópoles depende da reconciliação entre o concreto e os ecossistemas. Sua ideia simples, porém revolucionária, era permitir que as cidades absorvessem, limpassem e reutilizassem a água da chuva, em vez de aprisioná-la em canais artificiais que apenas aceleram enchentes e degradam o meio ambiente.

Em mais de 70 cidades, Yu aplicou soluções baseadas na natureza, transformando áreas antes sufocadas pelo asfalto em espaços vivos, resilientes e sustentáveis. Graças a sua contribuição, muitas dessas cidades hoje são capazes de suportar volumes de chuva que superam, em escala, as tragédias climáticas que vimos recentemente no Rio Grande do Sul.

E aqui cabe a pergunta: o que Vitória da Conquista tem aprendido com exemplos como esse?

A Lagoa das Bateias é um passo que mostra como é possível recuperar a relação da cidade com suas águas. Mas isso precisa ser expandido. Todas as nascentes, canais e lagoas de Conquista pedem revitalização, pedem cuidado, pedem um olhar moderno e responsável. Assim como Yu pregava, não se trata apenas de “obras”, mas de respeitar os ciclos naturais, transformar a paisagem em aliada e construir cidades preparadas para o século XXI.

Vitória da Conquista, com seu crescimento acelerado, não pode cometer o erro de sufocar suas nascentes e enterrar seus canais embaixo de concreto. A verdadeira grande obra de uma gestão visionária não é erguer apenas prédios ou avenidas, mas sim devolver a natureza ao convívio da população. Isso significa criar parques lineares, revitalizar margens, transformar córregos em áreas de lazer e, sobretudo, garantir que a água seja tratada como recurso vital, não como inimiga.

O legado de Kongjian Yu nos desafia: ou aprendemos com a natureza, ou seremos tragados pela própria negligência. O arquiteto nos deixou mais que projetos; deixou uma filosofia de vida urbana. Cabe a nós, em Vitória da Conquista, conquistar o novo século aplicando essas lições — e, assim, transformar a dor da perda em um caminho de renovação.

Vitória da Conquista e a lição do arquiteto das “cidades-esponja”

 

Por Padre Carlos

Ainda tomado pela tristeza do acidente que vitimou profissionais ligados ao cinema e, sobretudo, o grande arquiteto Kongjian Yu, não consigo deixar de refletir sobre o legado que ele deixa ao mundo — e sobre como cidades como Vitória da Conquista podem aprender com sua visão.

Kongjian Yu não foi apenas um arquiteto; foi um pensador que soube unir ciência, urbanismo e natureza em uma proposta inovadora. Criador do conceito de “cidades-esponja”, ele demonstrou que o futuro das metrópoles depende da reconciliação entre o concreto e os ecossistemas. Sua ideia simples, porém revolucionária, era permitir que as cidades absorvessem, limpassem e reutilizassem a água da chuva, em vez de aprisioná-la em canais artificiais que apenas aceleram enchentes e degradam o meio ambiente.

Em mais de 70 cidades, Yu aplicou soluções baseadas na natureza, transformando áreas antes sufocadas pelo asfalto em espaços vivos, resilientes e sustentáveis. Graças a sua contribuição, muitas dessas cidades hoje são capazes de suportar volumes de chuva que superam, em escala, as tragédias climáticas que vimos recentemente no Rio Grande do Sul.

E aqui cabe a pergunta: o que Vitória da Conquista tem aprendido com exemplos como esse?

A Lagoa das Bateias é um passo que mostra como é possível recuperar a relação da cidade com suas águas. Mas isso precisa ser expandido. Todas as nascentes, canais e lagoas de Conquista pedem revitalização, pedem cuidado, pedem um olhar moderno e responsável. Assim como Yu pregava, não se trata apenas de “obras”, mas de respeitar os ciclos naturais, transformar a paisagem em aliada e construir cidades preparadas para o século XXI.

Vitória da Conquista, com seu crescimento acelerado, não pode cometer o erro de sufocar suas nascentes e enterrar seus canais embaixo de concreto. A verdadeira grande obra de uma gestão visionária não é erguer apenas prédios ou avenidas, mas sim devolver a natureza ao convívio da população. Isso significa criar parques lineares, revitalizar margens, transformar córregos em áreas de lazer e, sobretudo, garantir que a água seja tratada como recurso vital, não como inimiga.

O legado de Kongjian Yu nos desafia: ou aprendemos com a natureza, ou seremos tragados pela própria negligência. O arquiteto nos deixou mais que projetos; deixou uma filosofia de vida urbana. Cabe a nós, em Vitória da Conquista, conquistar o novo século aplicando essas lições — e, assim, transformar a dor da perda em um caminho de renovação.

A Salvador que Ficou na Alma

 

 

Por Padre Carlos

 

“A saudade é o amor que fica, é a emoção que se embala, é o desejo que se cala…” – e como se cala profundo quando penso na Pituba, no Nordeste,na Amaralina e na Salvador dos  anos oitenta, quando a vida tinha o sabor doce da juventude e o mundo parecia infinitamente possível.

O Chamado e a Partida

Foi preciso partir. O chamado sagrado ecoou mais forte que as ondas da Amaralina, mais persistente que o som dos tambores do Pelourinho nas noites de segunda-feira. Vitória da Conquista me esperava com seus horizontes diferentes, suas serras e seu clima seco – tão distante do sal e da maresia que corriam em minhas veias como sangue baiano.

Quando peguei aquele ônibus rumo ao seminário, levava apenas uma mala de roupas, mas deixava para trás um universo inteiro. Não sabia então que estava carregando algo invisível, algo que Machado de Assis definiria perfeitamente: “a presença da ausência” de tudo aquilo que havia sido minha vida até então.

A Salvador da minha retina

Minha Salvador dos anos oitenta não era apenas uma cidade – era um estado de espírito. Era acordar sem pressa, era a política fervilhando na Igreja, na Pastoral Operária, na CVX no núcleo do Partido nas esquinas do Nordeste de Amaralina, era a sensação de que cada dia poderia trazer uma revolução ou uma festa – e frequentemente trazia as duas coisas juntas.

Era a época em que discutíamos os rumos do país com a paixão de quem acredita que as palavras podem mudar o mundo. Éramos jovens, éramos baianos, éramos invencíveis. As ruas eram nossas, os debates eram nossos, o futuro era nosso. Caminhava pelas pedras do Centro Histórico carregando sonhos grandes demais para caberem em qualquer seminário.

A conjuntura política daqueles anos tinha o sabor urgente da redemocratização. Cada comício era uma festa, cada discussão era uma descoberta. Vivíamos a história em tempo real, e eu estava lá, no meio de tudo, sem grandes preocupações além de entender o mundo e talvez salvá-lo um pouquinho.

O Que Ficou Para Trás

Quando escolhi o seminário, não sabia que estava escolhendo também uma forma especial de saudade. Deixei para trás as tardes longas nos bares de Amaralina, onde política e cerveja se misturavam numa embriaguez de esperança. Deixei os domingos preguiçosos na praia, quando o maior problema era decidir se ficava no sol ou procurava a sombra.

Deixei aquela vida sem grandes preocupações – não porque fosse irresponsável, mas porque tinha a certeza inabalável de que tudo daria certo. Era jovem demais para duvidar, baiano demais para se apressar, apaixonado demais pela vida para se preocupar com detalhes.

Deixei os amigos que ficaram discutindo política até o amanhecer, que continuaram frequentando os mesmos lugares, que envelheceram juntos enquanto eu envelecia longe. Deixei uma versão de mim mesmo que nunca mais voltou – aquele jovem que acreditava que podia abraçar o mundo inteiro.

A Dor Gostosa da Lembrança

Como define a sabedoria anônima: “Saudade não é tristeza. Saudade é o amor suspenso no tempo.” E é exatamente isso que sinto quando o vento de Conquista traz algum perfume que me lembra o MraC ou a Paróquia do Santo André, ou quando ouço uma música que tocava naqueles anos oitenta dourados.

A saudade da minha Salvador não é arrependimento – é gratidão transformada em melancolia. É “a certeza de que alguns momentos merecem durar para sempre na memória”, como diz o texto. E merecem mesmo. Aqueles anos formaram quem sou, mesmo que eu tenha escolhido ser outra coisa.

É “sentir que algo foi tão bom que o coração se recusa a aceitar que passou.” Meu coração teimoso ainda guarda cada esquina daquela cidade, cada tarde de discussão política, cada risada sem motivo, cada sonho impossível que parecia perfeitamente realizável.

O Seminário e a Transformação

Vitória da Conquista me recebeu com outros horizontes, outras pessoas, outra missão. O seminário me deu propósito, me ensinou disciplina, me mostrou caminhos que eu nem sabia que existiam. Mas também me ensinou que alguns amores ficam para sempre suspensos no tempo, como diria Pessoa – nem morrem, nem se realizam plenamente.

A vocação era verdadeira, o chamado era real. Mas isso não impediu que, nas noites silenciosas do seminário, eu revisitasse mentalmente aquelas ruas de Salvador, aqueles debates acalorados, aquela sensação de que o mundo estava começando e eu tinha um papel importante nele.

A Salvador que Mora em Mim

Hoje entendo que não deixei Salvador para trás – trouxe ela comigo. Ela mora nas minhas convicções políticas que nunca morreram, na minha forma baiana de ver a vida, na minha recusa em aceitar que os sonhos têm prazo de validade.

A saudade me ensinou que alguns lugares não são apenas geografia – são estados da alma. Minha Salvador dos anos oitenta existe sempre que defendo uma causa justa, sempre que rio de uma piada bem contada, sempre que acredito que amanhã pode ser melhor que hoje.

Fernando Pessoa estava certo: a saudade é “um pedaço de alma que se arranca sem dor aparente e que só se revela na ausência.” Revelou-se em Conquista, revelou-se no seminário, revela-se ainda hoje, tantos anos depois.

E talvez seja essa a maior lição que aqueles anos oitenta me deixaram: que podemos partir de um lugar sem nunca realmente deixá-lo. Que a juventude não é uma fase da vida, mas uma forma de olhar para ela. Que a política não é apenas conjuntura, mas a crença eterna de que podemos fazer a diferença.

Minha Salvador continua acontecendo em mim, todos os dias, temperada pela saudade e abençoada pela gratidão de ter vivido aqueles anos únicos, naquela cidade única, sendo aquele jovem que nunca deixei completamente de ser.

 

A Salvador que Ficou na Alma

 

 

Por Padre Carlos

 

“A saudade é o amor que fica, é a emoção que se embala, é o desejo que se cala…” – e como se cala profundo quando penso na Pituba, no Nordeste,na Amaralina e na Salvador dos  anos oitenta, quando a vida tinha o sabor doce da juventude e o mundo parecia infinitamente possível.

O Chamado e a Partida

Foi preciso partir. O chamado sagrado ecoou mais forte que as ondas da Amaralina, mais persistente que o som dos tambores do Pelourinho nas noites de segunda-feira. Vitória da Conquista me esperava com seus horizontes diferentes, suas serras e seu clima seco – tão distante do sal e da maresia que corriam em minhas veias como sangue baiano.

Quando peguei aquele ônibus rumo ao seminário, levava apenas uma mala de roupas, mas deixava para trás um universo inteiro. Não sabia então que estava carregando algo invisível, algo que Machado de Assis definiria perfeitamente: “a presença da ausência” de tudo aquilo que havia sido minha vida até então.

A Salvador da minha retina

Minha Salvador dos anos oitenta não era apenas uma cidade – era um estado de espírito. Era acordar sem pressa, era a política fervilhando na Igreja, na Pastoral Operária, na CVX no núcleo do Partido nas esquinas do Nordeste de Amaralina, era a sensação de que cada dia poderia trazer uma revolução ou uma festa – e frequentemente trazia as duas coisas juntas.

Era a época em que discutíamos os rumos do país com a paixão de quem acredita que as palavras podem mudar o mundo. Éramos jovens, éramos baianos, éramos invencíveis. As ruas eram nossas, os debates eram nossos, o futuro era nosso. Caminhava pelas pedras do Centro Histórico carregando sonhos grandes demais para caberem em qualquer seminário.

A conjuntura política daqueles anos tinha o sabor urgente da redemocratização. Cada comício era uma festa, cada discussão era uma descoberta. Vivíamos a história em tempo real, e eu estava lá, no meio de tudo, sem grandes preocupações além de entender o mundo e talvez salvá-lo um pouquinho.

O Que Ficou Para Trás

Quando escolhi o seminário, não sabia que estava escolhendo também uma forma especial de saudade. Deixei para trás as tardes longas nos bares de Amaralina, onde política e cerveja se misturavam numa embriaguez de esperança. Deixei os domingos preguiçosos na praia, quando o maior problema era decidir se ficava no sol ou procurava a sombra.

Deixei aquela vida sem grandes preocupações – não porque fosse irresponsável, mas porque tinha a certeza inabalável de que tudo daria certo. Era jovem demais para duvidar, baiano demais para se apressar, apaixonado demais pela vida para se preocupar com detalhes.

Deixei os amigos que ficaram discutindo política até o amanhecer, que continuaram frequentando os mesmos lugares, que envelheceram juntos enquanto eu envelecia longe. Deixei uma versão de mim mesmo que nunca mais voltou – aquele jovem que acreditava que podia abraçar o mundo inteiro.

A Dor Gostosa da Lembrança

Como define a sabedoria anônima: “Saudade não é tristeza. Saudade é o amor suspenso no tempo.” E é exatamente isso que sinto quando o vento de Conquista traz algum perfume que me lembra o MraC ou a Paróquia do Santo André, ou quando ouço uma música que tocava naqueles anos oitenta dourados.

A saudade da minha Salvador não é arrependimento – é gratidão transformada em melancolia. É “a certeza de que alguns momentos merecem durar para sempre na memória”, como diz o texto. E merecem mesmo. Aqueles anos formaram quem sou, mesmo que eu tenha escolhido ser outra coisa.

É “sentir que algo foi tão bom que o coração se recusa a aceitar que passou.” Meu coração teimoso ainda guarda cada esquina daquela cidade, cada tarde de discussão política, cada risada sem motivo, cada sonho impossível que parecia perfeitamente realizável.

O Seminário e a Transformação

Vitória da Conquista me recebeu com outros horizontes, outras pessoas, outra missão. O seminário me deu propósito, me ensinou disciplina, me mostrou caminhos que eu nem sabia que existiam. Mas também me ensinou que alguns amores ficam para sempre suspensos no tempo, como diria Pessoa – nem morrem, nem se realizam plenamente.

A vocação era verdadeira, o chamado era real. Mas isso não impediu que, nas noites silenciosas do seminário, eu revisitasse mentalmente aquelas ruas de Salvador, aqueles debates acalorados, aquela sensação de que o mundo estava começando e eu tinha um papel importante nele.

A Salvador que Mora em Mim

Hoje entendo que não deixei Salvador para trás – trouxe ela comigo. Ela mora nas minhas convicções políticas que nunca morreram, na minha forma baiana de ver a vida, na minha recusa em aceitar que os sonhos têm prazo de validade.

A saudade me ensinou que alguns lugares não são apenas geografia – são estados da alma. Minha Salvador dos anos oitenta existe sempre que defendo uma causa justa, sempre que rio de uma piada bem contada, sempre que acredito que amanhã pode ser melhor que hoje.

Fernando Pessoa estava certo: a saudade é “um pedaço de alma que se arranca sem dor aparente e que só se revela na ausência.” Revelou-se em Conquista, revelou-se no seminário, revela-se ainda hoje, tantos anos depois.

E talvez seja essa a maior lição que aqueles anos oitenta me deixaram: que podemos partir de um lugar sem nunca realmente deixá-lo. Que a juventude não é uma fase da vida, mas uma forma de olhar para ela. Que a política não é apenas conjuntura, mas a crença eterna de que podemos fazer a diferença.

Minha Salvador continua acontecendo em mim, todos os dias, temperada pela saudade e abençoada pela gratidão de ter vivido aqueles anos únicos, naquela cidade única, sendo aquele jovem que nunca deixei completamente de ser.

 

ARTIGO – Agora Inês é morta: o arrependimento tardio de Mário Negromonte Jr

 

(Padre Carlos)

Na história portuguesa, o mito de Inês de Castro nos deixou uma das expressões mais fortes da língua: “agora Inês é morta”. Essa frase ecoa até hoje para simbolizar o arrependimento inútil, quando o gesto vem tarde demais. É exatamente essa metáfora que cabe ao episódio recente envolvendo o deputado federal Mário Negromonte Jr., que depois de apertar o botão e votar a favor da famigerada PEC da Blindagem, veio a público para dizer que se arrependeu.

As ruas já haviam dado o recado. O povo, cansado das manobras que protegem os poderosos e enfraquecem o combate à corrupção, expôs o teatro em Brasília. As máscaras caíram, os bandidos foram desmascarados, e a reação foi imediata. O voto de Negromonte Jr., alinhado à blindagem da classe política, não passou despercebido.

Durante um evento em Pedro Alexandre (BA), o parlamentar tentou justificar-se: disse que os deputados foram surpreendidos por mudanças de última hora no texto, reconheceu que a proposta virou “PEC da Bandidagem” e garantiu que, no Senado, espera pela rejeição. Prometeu ainda que votará contra a PEC da Anistia, declarando que “devia essa explicação ao povo”.

Mas aqui cabe a reflexão: de que adianta o arrependimento quando o estrago já está feito? É preciso lembrar que o voto está registrado, a blindagem foi fortalecida e o desgaste da política se aprofunda. O eleitor não quer justificativas tardias, mas coragem no momento decisivo. O mito de Inês ensina que não adianta chorar depois da execução: o arrependimento só tem valor quando se antecipa ao erro.

O episódio revela a distância abissal entre Brasília e as ruas. Para os políticos, os votos podem ser revistos em entrevistas; para o povo, as consequências são reais e imediatas. E assim, a cada manobra, cresce a descrença no sistema, enquanto os discursos de arrependimento tardio soam como mera tentativa de sobrevivência eleitoral.

Agora Inês é morta. E o povo já aprendeu a identificar quem tenta ressuscitar a confiança apenas quando o vento sopra contra.

ARTIGO – Agora Inês é morta: o arrependimento tardio de Mário Negromonte Jr

 

(Padre Carlos)

Na história portuguesa, o mito de Inês de Castro nos deixou uma das expressões mais fortes da língua: “agora Inês é morta”. Essa frase ecoa até hoje para simbolizar o arrependimento inútil, quando o gesto vem tarde demais. É exatamente essa metáfora que cabe ao episódio recente envolvendo o deputado federal Mário Negromonte Jr., que depois de apertar o botão e votar a favor da famigerada PEC da Blindagem, veio a público para dizer que se arrependeu.

As ruas já haviam dado o recado. O povo, cansado das manobras que protegem os poderosos e enfraquecem o combate à corrupção, expôs o teatro em Brasília. As máscaras caíram, os bandidos foram desmascarados, e a reação foi imediata. O voto de Negromonte Jr., alinhado à blindagem da classe política, não passou despercebido.

Durante um evento em Pedro Alexandre (BA), o parlamentar tentou justificar-se: disse que os deputados foram surpreendidos por mudanças de última hora no texto, reconheceu que a proposta virou “PEC da Bandidagem” e garantiu que, no Senado, espera pela rejeição. Prometeu ainda que votará contra a PEC da Anistia, declarando que “devia essa explicação ao povo”.

Mas aqui cabe a reflexão: de que adianta o arrependimento quando o estrago já está feito? É preciso lembrar que o voto está registrado, a blindagem foi fortalecida e o desgaste da política se aprofunda. O eleitor não quer justificativas tardias, mas coragem no momento decisivo. O mito de Inês ensina que não adianta chorar depois da execução: o arrependimento só tem valor quando se antecipa ao erro.

O episódio revela a distância abissal entre Brasília e as ruas. Para os políticos, os votos podem ser revistos em entrevistas; para o povo, as consequências são reais e imediatas. E assim, a cada manobra, cresce a descrença no sistema, enquanto os discursos de arrependimento tardio soam como mera tentativa de sobrevivência eleitoral.

Agora Inês é morta. E o povo já aprendeu a identificar quem tenta ressuscitar a confiança apenas quando o vento sopra contra.