Após um Carnaval com temperaturas amenas e tempo úmido, os habitantes de Vitória da Conquista devem se preparar para uma semana de clima instável. A previsão indica predominância de céu nublado, com momentos de sol entre nuvens e chuvas passageiras até o próximo domingo.
Nesta quarta-feira (5), o dia começou com céu encoberto e possibilidade de garoa pela manhã. À tarde, o sol pode aparecer timidamente entre poucas nuvens, mas à noite o tempo volta a ficar fechado. As temperaturas variam entre 18°C e 27°C, com umidade do ar atingindo 98%.
Na quinta-feira (6), o sol deve surgir acompanhado de chuvas pela manhã, seguido de diminuição das nuvens ao longo do dia. À noite, o tempo pode voltar a fechar, com chance de garoa. As temperaturas oscilarão entre 18°C e 26°C.
Já na sexta-feira (7), o tempo deve alternar entre sol e pancadas de chuva pela manhã, com aumento da nebulosidade à tarde. À noite, a previsão é de tempo firme. A mínima será de 19°C e a máxima de 27°C.
O sábado (8) deve ter um céu carregado de nuvens durante todo o dia, mas com algumas aberturas de sol. A temperatura varia entre 18°C e 27°C.
Para o domingo (9), o tempo segue nublado, com máxima de 28°C e possibilidade de chuvas leves. A tendência para os próximos dias é de variação entre períodos de sol, nebulosidade intensa e pancadas de chuva passageiras, mantendo o clima instável na região.
Os moradores devem estar atentos às mudanças climáticas e se preparar para possíveis alterações repentinas no tempo.
Após um Carnaval com temperaturas amenas e tempo úmido, os habitantes de Vitória da Conquista devem se preparar para uma semana de clima instável. A previsão indica predominância de céu nublado, com momentos de sol entre nuvens e chuvas passageiras até o próximo domingo.
Nesta quarta-feira (5), o dia começou com céu encoberto e possibilidade de garoa pela manhã. À tarde, o sol pode aparecer timidamente entre poucas nuvens, mas à noite o tempo volta a ficar fechado. As temperaturas variam entre 18°C e 27°C, com umidade do ar atingindo 98%.
Na quinta-feira (6), o sol deve surgir acompanhado de chuvas pela manhã, seguido de diminuição das nuvens ao longo do dia. À noite, o tempo pode voltar a fechar, com chance de garoa. As temperaturas oscilarão entre 18°C e 26°C.
Já na sexta-feira (7), o tempo deve alternar entre sol e pancadas de chuva pela manhã, com aumento da nebulosidade à tarde. À noite, a previsão é de tempo firme. A mínima será de 19°C e a máxima de 27°C.
O sábado (8) deve ter um céu carregado de nuvens durante todo o dia, mas com algumas aberturas de sol. A temperatura varia entre 18°C e 27°C.
Para o domingo (9), o tempo segue nublado, com máxima de 28°C e possibilidade de chuvas leves. A tendência para os próximos dias é de variação entre períodos de sol, nebulosidade intensa e pancadas de chuva passageiras, mantendo o clima instável na região.
Os moradores devem estar atentos às mudanças climáticas e se preparar para possíveis alterações repentinas no tempo.
Donald Trump voltou ao comando dos Estados Unidos com uma missão clara: salvar o país do que ele vê como um declínio econômico. Seu plano, ousado e polêmico, aposta em medidas como tarifas altas, desvalorização do dólar e um foco intenso na indústria americana. A ideia é simples: fortalecer os EUA, custe o que custar. Mas esse “custe o que custar” pode ter um preço alto demais – não só para os americanos, mas para o mundo inteiro. Enquanto Trump promete trazer empregos e prosperidade de volta, suas ações podem acender um pavio que leve a economia global ao colapso. É uma aposta arriscada, e o futuro de todos nós está na corda bamba.
O mundo de hoje vive um desequilíbrio econômico que não é obra do acaso. Países como China e Alemanha acumulam superávits comerciais enormes – ou seja, exportam muito mais do que importam. Já os EUA carregam um déficit pesado, comprando mais do que vendem. Esse desequilíbrio não é natural; ele é artificial, mantido por políticas como a manipulação de moedas. A China, por exemplo, já foi acusada de manter o yuan fraco para tornar seus produtos baratos no mercado global. Isso prejudica os EUA, que veem suas fábricas fecharem e seus empregos desaparecerem. Trump quer mudar essa história, e sua arma principal são as tarifas: impostos sobre bens importados que tornam os produtos estrangeiros mais caros e dão uma chance para os americanos competirem.
Mas essa estratégia tem um lado perigoso. Tarifas podem até proteger algumas indústrias nos EUA, mas também aumentam os preços de tudo que vem de fora – de eletrônicos a roupas. Isso pesa no bolso do consumidor e pode alimentar a inflação, um monstro que, uma vez solto, é difícil de controlar. E tem mais: quando os EUA batem, os outros países não ficam quietos. Eles retaliam com suas próprias tarifas, e o que começa como uma briga comercial pode virar uma guerra econômica. Se cada nação levantar muros, o comércio global, que move a economia mundial, pode travar. É um risco real, e os sinais disso já apareceram nos últimos anos, com tensões entre EUA e China crescendo a cada nova rodada de sanções.
Esse jeito de agir vai contra tudo o que foi construído depois da Segunda Guerra Mundial. Naquela época, os EUA lideraram a criação de um sistema econômico baseado na cooperação. O Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e, mais tarde, a Organização Mundial do Comércio (OMC) nasceram para evitar que o mundo caísse de novo no caos das guerras e da pobreza. Esse sistema, com suas regras de comércio aberto, trouxe décadas de crescimento. Mas Trump não parece ligar para isso. Ao ignorar acordos internacionais e agir sozinho, ele está enfraquecendo essas instituições. Sem elas, fica mais difícil resolver crises globais – sejam econômicas, como a de 2008, ou de outro tipo, como as mudanças climáticas.
Aqui entra o chamado trilema político, uma ideia que diz que um país não pode ter tudo ao mesmo tempo: democracia, soberania nacional e integração global. Tem que escolher. Trump parece ter feito sua escolha: soberania e democracia (pelo menos no discurso) acima da integração com o mundo. Ele quer os EUA no controle do próprio destino, sem depender de ninguém. Mas isso tem um custo. Ao se fechar, os EUA podem perder o papel de líder global que exerceram por tanto tempo. E, sem cooperação, problemas que afetam todos – como pandemias ou crises financeiras – ficam mais difíceis de enfrentar.
Outro ponto importante é o dilema de Triffin. O dólar é a moeda que o mundo usa – para comprar petróleo, fazer negócios, guardar reservas. Para manter esse status, os EUA precisam exportar dólares, o que significa importar mais do que exportam e viver com déficits. Só que esses déficits enfraquecem a economia americana a longo prazo. Trump quer acabar com isso, reduzindo o déficit comercial. O problema é que, se o dólar perder força como moeda global, o sistema financeiro internacional pode entrar em crise. Outros países podem buscar alternativas, e a confusão seria enorme.
O plano de Trump tem três pilares principais. Primeiro, desvalorizar o dólar: com uma moeda mais fraca, os produtos americanos ficam mais baratos lá fora, e as importações ficam mais caras aqui dentro. Isso pode ajudar a vender mais e comprar menos. Segundo, fortalecer a indústria doméstica: as tarifas e outras medidas protecionistas são para dar um gás nas fábricas americanas. Terceiro, reequilibrar os fluxos de capital: menos déficit significa menos dinheiro saindo do país, o que pode fortalecer a economia interna. No papel, parece bom para os EUA. Na prática, é um jogo de alto risco.
Se der certo, os EUA podem ver um renascimento industrial, com mais empregos e uma economia mais forte. Mas os efeitos colaterais podem ser devastadores. Uma guerra comercial pode derrubar o crescimento global, já que o comércio é o motor de muitas economias. A inflação pode disparar, não só nos EUA, mas em todo lugar, à medida que os preços sobem. E, se o dólar vacilar, os mercados financeiros podem entrar em pânico. Além disso, ao enfraquecer a cooperação internacional, Trump deixa o mundo mais vulnerável a crises que ninguém resolve sozinho.
Donald Trump está jogando uma partida de xadrez com o mundo como tabuleiro. Seu plano para salvar os EUA é corajoso, mas perigoso. Ele pode até trazer benefícios para os americanos no curto prazo, mas o preço pode ser um colapso global – uma recessão, um caos financeiro, uma desordem que ninguém sabe como consertar. O mundo está interligado, e o que os EUA fazem afeta a todos. Será que vale a pena arriscar tudo por uma vitória incerta? Enquanto Trump avança, ficamos com a dúvida: ele será lembrado como o salvador da América ou como o homem que derrubou o mundo tentando salvá-la?
Donald Trump voltou ao comando dos Estados Unidos com uma missão clara: salvar o país do que ele vê como um declínio econômico. Seu plano, ousado e polêmico, aposta em medidas como tarifas altas, desvalorização do dólar e um foco intenso na indústria americana. A ideia é simples: fortalecer os EUA, custe o que custar. Mas esse “custe o que custar” pode ter um preço alto demais – não só para os americanos, mas para o mundo inteiro. Enquanto Trump promete trazer empregos e prosperidade de volta, suas ações podem acender um pavio que leve a economia global ao colapso. É uma aposta arriscada, e o futuro de todos nós está na corda bamba.
O mundo de hoje vive um desequilíbrio econômico que não é obra do acaso. Países como China e Alemanha acumulam superávits comerciais enormes – ou seja, exportam muito mais do que importam. Já os EUA carregam um déficit pesado, comprando mais do que vendem. Esse desequilíbrio não é natural; ele é artificial, mantido por políticas como a manipulação de moedas. A China, por exemplo, já foi acusada de manter o yuan fraco para tornar seus produtos baratos no mercado global. Isso prejudica os EUA, que veem suas fábricas fecharem e seus empregos desaparecerem. Trump quer mudar essa história, e sua arma principal são as tarifas: impostos sobre bens importados que tornam os produtos estrangeiros mais caros e dão uma chance para os americanos competirem.
Mas essa estratégia tem um lado perigoso. Tarifas podem até proteger algumas indústrias nos EUA, mas também aumentam os preços de tudo que vem de fora – de eletrônicos a roupas. Isso pesa no bolso do consumidor e pode alimentar a inflação, um monstro que, uma vez solto, é difícil de controlar. E tem mais: quando os EUA batem, os outros países não ficam quietos. Eles retaliam com suas próprias tarifas, e o que começa como uma briga comercial pode virar uma guerra econômica. Se cada nação levantar muros, o comércio global, que move a economia mundial, pode travar. É um risco real, e os sinais disso já apareceram nos últimos anos, com tensões entre EUA e China crescendo a cada nova rodada de sanções.
Esse jeito de agir vai contra tudo o que foi construído depois da Segunda Guerra Mundial. Naquela época, os EUA lideraram a criação de um sistema econômico baseado na cooperação. O Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e, mais tarde, a Organização Mundial do Comércio (OMC) nasceram para evitar que o mundo caísse de novo no caos das guerras e da pobreza. Esse sistema, com suas regras de comércio aberto, trouxe décadas de crescimento. Mas Trump não parece ligar para isso. Ao ignorar acordos internacionais e agir sozinho, ele está enfraquecendo essas instituições. Sem elas, fica mais difícil resolver crises globais – sejam econômicas, como a de 2008, ou de outro tipo, como as mudanças climáticas.
Aqui entra o chamado trilema político, uma ideia que diz que um país não pode ter tudo ao mesmo tempo: democracia, soberania nacional e integração global. Tem que escolher. Trump parece ter feito sua escolha: soberania e democracia (pelo menos no discurso) acima da integração com o mundo. Ele quer os EUA no controle do próprio destino, sem depender de ninguém. Mas isso tem um custo. Ao se fechar, os EUA podem perder o papel de líder global que exerceram por tanto tempo. E, sem cooperação, problemas que afetam todos – como pandemias ou crises financeiras – ficam mais difíceis de enfrentar.
Outro ponto importante é o dilema de Triffin. O dólar é a moeda que o mundo usa – para comprar petróleo, fazer negócios, guardar reservas. Para manter esse status, os EUA precisam exportar dólares, o que significa importar mais do que exportam e viver com déficits. Só que esses déficits enfraquecem a economia americana a longo prazo. Trump quer acabar com isso, reduzindo o déficit comercial. O problema é que, se o dólar perder força como moeda global, o sistema financeiro internacional pode entrar em crise. Outros países podem buscar alternativas, e a confusão seria enorme.
O plano de Trump tem três pilares principais. Primeiro, desvalorizar o dólar: com uma moeda mais fraca, os produtos americanos ficam mais baratos lá fora, e as importações ficam mais caras aqui dentro. Isso pode ajudar a vender mais e comprar menos. Segundo, fortalecer a indústria doméstica: as tarifas e outras medidas protecionistas são para dar um gás nas fábricas americanas. Terceiro, reequilibrar os fluxos de capital: menos déficit significa menos dinheiro saindo do país, o que pode fortalecer a economia interna. No papel, parece bom para os EUA. Na prática, é um jogo de alto risco.
Se der certo, os EUA podem ver um renascimento industrial, com mais empregos e uma economia mais forte. Mas os efeitos colaterais podem ser devastadores. Uma guerra comercial pode derrubar o crescimento global, já que o comércio é o motor de muitas economias. A inflação pode disparar, não só nos EUA, mas em todo lugar, à medida que os preços sobem. E, se o dólar vacilar, os mercados financeiros podem entrar em pânico. Além disso, ao enfraquecer a cooperação internacional, Trump deixa o mundo mais vulnerável a crises que ninguém resolve sozinho.
Donald Trump está jogando uma partida de xadrez com o mundo como tabuleiro. Seu plano para salvar os EUA é corajoso, mas perigoso. Ele pode até trazer benefícios para os americanos no curto prazo, mas o preço pode ser um colapso global – uma recessão, um caos financeiro, uma desordem que ninguém sabe como consertar. O mundo está interligado, e o que os EUA fazem afeta a todos. Será que vale a pena arriscar tudo por uma vitória incerta? Enquanto Trump avança, ficamos com a dúvida: ele será lembrado como o salvador da América ou como o homem que derrubou o mundo tentando salvá-la?
Da Redação do Política e Resenha Publicado em 5 de março de 2025
É importante resgatar trechos da oração do Angelus, assinada pelo Papa Francisco.
“Podemos perguntar-nos: como olho para os outros, que são meus irmãos e irmãs? E de que modo me sinto olhado por eles? As minhas palavras têm bom sabor ou estão impregnadas de amargura e de vaidade?
“Sinto no meu coração a ´bênção´ que se esconde na fragilidade, porque é precisamente nestes momentos que aprendemos ainda mais a confiar no Senhor.
“Ao mesmo tempo, agradeço a Deus por me ter dado a oportunidade de partilhar em corpo e espírito a condição de tantas pessoas doentes e sofredoras.
Da Redação do Política e Resenha Publicado em 5 de março de 2025
É importante resgatar trechos da oração do Angelus, assinada pelo Papa Francisco.
“Podemos perguntar-nos: como olho para os outros, que são meus irmãos e irmãs? E de que modo me sinto olhado por eles? As minhas palavras têm bom sabor ou estão impregnadas de amargura e de vaidade?
“Sinto no meu coração a ´bênção´ que se esconde na fragilidade, porque é precisamente nestes momentos que aprendemos ainda mais a confiar no Senhor.
“Ao mesmo tempo, agradeço a Deus por me ter dado a oportunidade de partilhar em corpo e espírito a condição de tantas pessoas doentes e sofredoras.
A descoberta de um documento, descrito como “o mais perturbador em vinte anos de pesquisa”, nos arrasta para uma narrativa que transcende o tempo e desafia nossa consciência. Em uma reunião ocorrida em março de 1974, o General Ernesto Geisel, ainda no frescor de sua posse presidencial, foi confrontado por assessores de alta patente – incluindo o então comandante do Centro de Informações do Exército, seu sucessor e o General João Figueiredo, escolhido para o Serviço Nacional de Inteligência – que traziam uma notícia devastadora: 104 vidas haviam sido ceifadas sumariamente no período do governo Médici. A proposta era clara e cruel: a continuidade desta política de assassinatos sob a égide do novo regime.
A resposta de Geisel, embora revestida de uma aparente ponderação, revela uma tragédia moral intrínseca ao exercício do poder. Ao autorizar, no dia seguinte, a perpetuação desses atos sob condições restritas – executando apenas “subversivos perigosos” e submetendo cada decisão a uma aprovação meticulosa no Palácio do Planalto – o presidente não fez senão confirmar a conivência dos altos escalões do Estado com práticas que transformam a política em uma sentença de morte. Tal decisão, embasada em uma lógica perversa de controle e medo, ilumina a tênue linha que separa a segurança nacional da violação dos direitos humanos.
Ainda mais inquietante é a constatação de que este documento, endereçado a Henry Kissinger, imbrica o cenário brasileiro à diplomacia internacional. A aproximação promovida por Kissinger com Geisel reforça a noção de que os jogos de poder, muitas vezes, se sobrepõem à ética e à responsabilidade. A identidade do informante da CIA, deixada envolta em mistério, amplia o espectro de dúvidas e questionamentos sobre os bastidores de uma política que, longe de buscar a justiça, abraçava a impiedade.
Este relato, com sua crueza e formalidade burocrática, não é apenas um registro histórico; é um convite urgente à reflexão. Ele nos obriga a reviver os horrores de um passado marcado pelo autoritarismo e pela violência, ressaltando a importância de manter acesa a chama da memória e da vigilância. É imperativo que, mesmo décadas após os fatos, a sociedade se mantenha alerta e disposta a questionar as narrativas oficiais, para que a verdade – por mais perturbadora que seja – jamais seja silenciada.
Em tempos onde as sombras do autoritarismo ainda se insinuam sob disfarces modernos, este documento serve como um poderoso lembrete de que a luta pela transparência e pelos direitos humanos deve ser incessante, e que a história, por mais dolorosa que seja, é a melhor professora para a construção de um futuro verdadeiramente justo.
A descoberta de um documento, descrito como “o mais perturbador em vinte anos de pesquisa”, nos arrasta para uma narrativa que transcende o tempo e desafia nossa consciência. Em uma reunião ocorrida em março de 1974, o General Ernesto Geisel, ainda no frescor de sua posse presidencial, foi confrontado por assessores de alta patente – incluindo o então comandante do Centro de Informações do Exército, seu sucessor e o General João Figueiredo, escolhido para o Serviço Nacional de Inteligência – que traziam uma notícia devastadora: 104 vidas haviam sido ceifadas sumariamente no período do governo Médici. A proposta era clara e cruel: a continuidade desta política de assassinatos sob a égide do novo regime.
A resposta de Geisel, embora revestida de uma aparente ponderação, revela uma tragédia moral intrínseca ao exercício do poder. Ao autorizar, no dia seguinte, a perpetuação desses atos sob condições restritas – executando apenas “subversivos perigosos” e submetendo cada decisão a uma aprovação meticulosa no Palácio do Planalto – o presidente não fez senão confirmar a conivência dos altos escalões do Estado com práticas que transformam a política em uma sentença de morte. Tal decisão, embasada em uma lógica perversa de controle e medo, ilumina a tênue linha que separa a segurança nacional da violação dos direitos humanos.
Ainda mais inquietante é a constatação de que este documento, endereçado a Henry Kissinger, imbrica o cenário brasileiro à diplomacia internacional. A aproximação promovida por Kissinger com Geisel reforça a noção de que os jogos de poder, muitas vezes, se sobrepõem à ética e à responsabilidade. A identidade do informante da CIA, deixada envolta em mistério, amplia o espectro de dúvidas e questionamentos sobre os bastidores de uma política que, longe de buscar a justiça, abraçava a impiedade.
Este relato, com sua crueza e formalidade burocrática, não é apenas um registro histórico; é um convite urgente à reflexão. Ele nos obriga a reviver os horrores de um passado marcado pelo autoritarismo e pela violência, ressaltando a importância de manter acesa a chama da memória e da vigilância. É imperativo que, mesmo décadas após os fatos, a sociedade se mantenha alerta e disposta a questionar as narrativas oficiais, para que a verdade – por mais perturbadora que seja – jamais seja silenciada.
Em tempos onde as sombras do autoritarismo ainda se insinuam sob disfarces modernos, este documento serve como um poderoso lembrete de que a luta pela transparência e pelos direitos humanos deve ser incessante, e que a história, por mais dolorosa que seja, é a melhor professora para a construção de um futuro verdadeiramente justo.
Neste mês de março, ao celebrar os vinte e cinco anos de minha ordenação sacerdotal, encontro-me diante de uma ocasião singular para refletir sobre a natureza indelével do sacramento da ordem e os direitos que me são assegurados pelo Direito Canônico, mesmo estando suspenso de ordem e permanecendo encardinado na Arquidiocese de Vitória da Conquista. Este marco jubilar não é apenas uma celebração pessoal, mas uma oportunidade para reafirmar verdades fundamentais da fé e da disciplina eclesial que não podem ser negadas ou obscurecidas por silêncios ou omissões. A pertença ao presbitério e o reconhecimento pelo Clero são direitos garantidos pelos cânones da Igreja, os quais transcendem as vicissitudes de medidas disciplinares e refletem a essência da communio que une todos os ordenados em Cristo.
O Código de Direito Canônico estabelece, no cânon 274, §2, que os clérigos estão vinculados por uma especial solicitude à sua Igreja particular, uma relação que não se extingue por sanções como a suspensão de ordem. Esta suspensão, conforme o cânon 1333, limita o exercício público do ministério, mas não anula o caráter sacramental impresso pela ordenação, como ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 1581-1582). Tal caráter, sendo indelével, configura o sacerdote a Cristo de modo permanente, garantindo-lhe a pertença ao presbitério como um direito intrínseco à sua identidade canônica. Negar este fato seria contrariar a própria lógica do direito e da teologia sacramental, que reconhecem a continuidade da vocação mesmo em tempos de provação.
Mais ainda, as histórias dos padres suspensos de ordem, como a minha, não podem ser apagadas ou omitidas. Elas fazem parte do tecido vivo da Igreja, testemunhando a complexidade da condição humana e a necessidade de uma abordagem que alie justiça e misericórdia. A existência de cada sacerdote, independentemente de sua situação disciplinar, é um reflexo da história da salvação que se desenrola na comunidade eclesial. Apagar essas narrativas seria negar a verdade que a Igreja é chamada a viver na caridade (Ef 4,15), uma verdade que exige o reconhecimento de todos os seus membros, especialmente daqueles que atravessam períodos de dificuldade ou afastamento temporário.
Assim, faço um apelo aos meus irmãos do Clero da Arquidiocese de Vitória da Conquista: rezem por mim e pela minha caminhada. Como membros do mesmo presbitério, compartilhamos uma fraternidade sacramental que não se desfaz diante das adversidades. A suspensão de ordem, embora seja uma realidade dolorosa, não rompe os laços de comunhão que nos unem em Cristo Sacerdote. Pelo contrário, ela pode ser uma oportunidade para que a solidariedade sacerdotal se manifeste em gestos concretos de oração e apoio, como nos ensina o Papa Francisco ao afirmar que a misericórdia é o “coração pulsante do Evangelho” (Misericordiae Vultus, n. 12).
Neste jubileu de prata, coloco este marco nas mãos de Deus, confiando plenamente na Sua providência e na Sua infinita misericórdia. A vocação sacerdotal, mesmo marcada por provações, permanece um dom que encontra na Cruz de Cristo seu sentido último e mais profundo. A suspensão de ordem não anula a graça da ordenação nem a missão de ser sinal do amor divino no mundo; antes, convida a uma entrega renovada à vontade do Pai, que tudo conduz à perfeição segundo os Seus desígnios.
Por fim, convido todos os cristãos a agirem com misericórdia, recordando as palavras do Santo Padre: “A misericórdia é a via que une Deus e o homem, porque abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, não obstante a limitação do nosso pecado” (Misericordiae Vultus, n. 2). Que possamos construir juntos uma Igreja que acolhe e consola, onde ninguém seja esquecido ou descartado, mas onde todos sejam reconhecidos como filhos amados de Deus, chamados à plenitude da vida em Cristo. Que este jubileu seja, pois, um testemunho de fé, esperança e caridade, para a glória de Deus e o bem de Sua Igreja.
Neste mês de março, ao celebrar os vinte e cinco anos de minha ordenação sacerdotal, encontro-me diante de uma ocasião singular para refletir sobre a natureza indelével do sacramento da ordem e os direitos que me são assegurados pelo Direito Canônico, mesmo estando suspenso de ordem e permanecendo encardinado na Arquidiocese de Vitória da Conquista. Este marco jubilar não é apenas uma celebração pessoal, mas uma oportunidade para reafirmar verdades fundamentais da fé e da disciplina eclesial que não podem ser negadas ou obscurecidas por silêncios ou omissões. A pertença ao presbitério e o reconhecimento pelo Clero são direitos garantidos pelos cânones da Igreja, os quais transcendem as vicissitudes de medidas disciplinares e refletem a essência da communio que une todos os ordenados em Cristo.
O Código de Direito Canônico estabelece, no cânon 274, §2, que os clérigos estão vinculados por uma especial solicitude à sua Igreja particular, uma relação que não se extingue por sanções como a suspensão de ordem. Esta suspensão, conforme o cânon 1333, limita o exercício público do ministério, mas não anula o caráter sacramental impresso pela ordenação, como ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 1581-1582). Tal caráter, sendo indelével, configura o sacerdote a Cristo de modo permanente, garantindo-lhe a pertença ao presbitério como um direito intrínseco à sua identidade canônica. Negar este fato seria contrariar a própria lógica do direito e da teologia sacramental, que reconhecem a continuidade da vocação mesmo em tempos de provação.
Mais ainda, as histórias dos padres suspensos de ordem, como a minha, não podem ser apagadas ou omitidas. Elas fazem parte do tecido vivo da Igreja, testemunhando a complexidade da condição humana e a necessidade de uma abordagem que alie justiça e misericórdia. A existência de cada sacerdote, independentemente de sua situação disciplinar, é um reflexo da história da salvação que se desenrola na comunidade eclesial. Apagar essas narrativas seria negar a verdade que a Igreja é chamada a viver na caridade (Ef 4,15), uma verdade que exige o reconhecimento de todos os seus membros, especialmente daqueles que atravessam períodos de dificuldade ou afastamento temporário.
Assim, faço um apelo aos meus irmãos do Clero da Arquidiocese de Vitória da Conquista: rezem por mim e pela minha caminhada. Como membros do mesmo presbitério, compartilhamos uma fraternidade sacramental que não se desfaz diante das adversidades. A suspensão de ordem, embora seja uma realidade dolorosa, não rompe os laços de comunhão que nos unem em Cristo Sacerdote. Pelo contrário, ela pode ser uma oportunidade para que a solidariedade sacerdotal se manifeste em gestos concretos de oração e apoio, como nos ensina o Papa Francisco ao afirmar que a misericórdia é o “coração pulsante do Evangelho” (Misericordiae Vultus, n. 12).
Neste jubileu de prata, coloco este marco nas mãos de Deus, confiando plenamente na Sua providência e na Sua infinita misericórdia. A vocação sacerdotal, mesmo marcada por provações, permanece um dom que encontra na Cruz de Cristo seu sentido último e mais profundo. A suspensão de ordem não anula a graça da ordenação nem a missão de ser sinal do amor divino no mundo; antes, convida a uma entrega renovada à vontade do Pai, que tudo conduz à perfeição segundo os Seus desígnios.
Por fim, convido todos os cristãos a agirem com misericórdia, recordando as palavras do Santo Padre: “A misericórdia é a via que une Deus e o homem, porque abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, não obstante a limitação do nosso pecado” (Misericordiae Vultus, n. 2). Que possamos construir juntos uma Igreja que acolhe e consola, onde ninguém seja esquecido ou descartado, mas onde todos sejam reconhecidos como filhos amados de Deus, chamados à plenitude da vida em Cristo. Que este jubileu seja, pois, um testemunho de fé, esperança e caridade, para a glória de Deus e o bem de Sua Igreja.
Darcy Ribeiro, antropólogo, educador e político brasileiro, certa vez descreveu sua entrada no Senado Federal como uma experiência quase celestial. “Quando entrei no Senado, tive a impressão de entrar no Céu”, disse ele, em uma ironia cortante, já que era um ateu materialista convicto. Essa visão quase utópica, carregada de idealismo, choca-se hoje com uma realidade bem menos divina. Na véspera do Carnaval, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), assinou um pacote de benefícios milionários para senadores e servidores de alto escalão. O “Céu” de Darci, ao que parece, transformou-se em um paraíso exclusivo para os privilegiados, enquanto o povo brasileiro amarga um inferno de desigualdades.
Os números falam por si. A cota parlamentar, que reembolsa senadores para despesas como transporte, alimentação e consultorias, teve um aumento de até 65%, com valores que agora variam de R$ 36.582,46 para os do Distrito Federal a R$ 52.798,82 para os do Amazonas. O impacto anual dessa generosidade pode chegar a R$ 4,9 milhões. E não se engane: em fevereiro, essa mesma cota já havia sido reajustada em 6,13%. Mas o verdadeiro milagre celestial vem com a “licença compensatória” para servidores de alto escalão, que concede um dia de folga a cada três dias trabalhados – um benefício que pode ser convertido em dinheiro, elevando salários a até R$ 1 milhão. Inspirada no Poder Judiciário, onde privilégios semelhantes já são rotina, a medida é um tapa na cara de quem acredita que o serviço público existe para servir ao público.
Enquanto isso, milhões de brasileiros enfrentam um cenário bem terreno: inflação galopante, desemprego persistente e escolas e hospitais em colapso. O contraste é gritante. O Senado, que Darcy Ribeiro viu como um espaço de elevação, tornou-se uma máquina de enriquecer seus membros, um clube VIP onde o serviço público vira sinônimo de lucro privado. Que tal, então, essa definição de “Céu”? Um lugar onde os “escolhidos” se refestelam com supersalários e cotas infladas, enquanto o povo, lá embaixo, paga a conta e reza por um milagre que nunca vem.
E não venham dizer que isso é só “o jeitinho brasileiro”. Em países desenvolvidos, o setor privado paga mais que o público, e 90% dos servidores mundo afora não têm estabilidade vitalícia. Aqui, porém, a lógica é outra. O Amapá, estado de Alcolumbre, recebe dez vezes mais dinheiro do que arrecada, um exemplo escancarado de como o sistema brasileiro sustenta privilégios regionais e políticos às custas do contribuinte. Quem financia esse “Céu”? O mesmo povo que lota filas no SUS, que vê seus filhos em escolas precárias, que pega ônibus lotados para trabalhar por um salário mínimo.
A ironia de Darcy Ribeiro ressoa como um deboche involuntário. O Senado que ele exaltou como um ideal hoje é um símbolo de desconexão e ganância. Está na hora de o brasileiro abrir os olhos e cobrar que seus representantes desçam das nuvens. Que o “Céu” de Darci deixe de ser um paraíso para poucos e volte a ser uma aspiração de justiça para todos. Transparência, responsabilidade e fim desses privilégios absurdos não são pedidos – são exigências.
Darcy Ribeiro, antropólogo, educador e político brasileiro, certa vez descreveu sua entrada no Senado Federal como uma experiência quase celestial. “Quando entrei no Senado, tive a impressão de entrar no Céu”, disse ele, em uma ironia cortante, já que era um ateu materialista convicto. Essa visão quase utópica, carregada de idealismo, choca-se hoje com uma realidade bem menos divina. Na véspera do Carnaval, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), assinou um pacote de benefícios milionários para senadores e servidores de alto escalão. O “Céu” de Darci, ao que parece, transformou-se em um paraíso exclusivo para os privilegiados, enquanto o povo brasileiro amarga um inferno de desigualdades.
Os números falam por si. A cota parlamentar, que reembolsa senadores para despesas como transporte, alimentação e consultorias, teve um aumento de até 65%, com valores que agora variam de R$ 36.582,46 para os do Distrito Federal a R$ 52.798,82 para os do Amazonas. O impacto anual dessa generosidade pode chegar a R$ 4,9 milhões. E não se engane: em fevereiro, essa mesma cota já havia sido reajustada em 6,13%. Mas o verdadeiro milagre celestial vem com a “licença compensatória” para servidores de alto escalão, que concede um dia de folga a cada três dias trabalhados – um benefício que pode ser convertido em dinheiro, elevando salários a até R$ 1 milhão. Inspirada no Poder Judiciário, onde privilégios semelhantes já são rotina, a medida é um tapa na cara de quem acredita que o serviço público existe para servir ao público.
Enquanto isso, milhões de brasileiros enfrentam um cenário bem terreno: inflação galopante, desemprego persistente e escolas e hospitais em colapso. O contraste é gritante. O Senado, que Darcy Ribeiro viu como um espaço de elevação, tornou-se uma máquina de enriquecer seus membros, um clube VIP onde o serviço público vira sinônimo de lucro privado. Que tal, então, essa definição de “Céu”? Um lugar onde os “escolhidos” se refestelam com supersalários e cotas infladas, enquanto o povo, lá embaixo, paga a conta e reza por um milagre que nunca vem.
E não venham dizer que isso é só “o jeitinho brasileiro”. Em países desenvolvidos, o setor privado paga mais que o público, e 90% dos servidores mundo afora não têm estabilidade vitalícia. Aqui, porém, a lógica é outra. O Amapá, estado de Alcolumbre, recebe dez vezes mais dinheiro do que arrecada, um exemplo escancarado de como o sistema brasileiro sustenta privilégios regionais e políticos às custas do contribuinte. Quem financia esse “Céu”? O mesmo povo que lota filas no SUS, que vê seus filhos em escolas precárias, que pega ônibus lotados para trabalhar por um salário mínimo.
A ironia de Darcy Ribeiro ressoa como um deboche involuntário. O Senado que ele exaltou como um ideal hoje é um símbolo de desconexão e ganância. Está na hora de o brasileiro abrir os olhos e cobrar que seus representantes desçam das nuvens. Que o “Céu” de Darci deixe de ser um paraíso para poucos e volte a ser uma aspiração de justiça para todos. Transparência, responsabilidade e fim desses privilégios absurdos não são pedidos – são exigências.
Estamos entrando em um período significativo para a Igreja Católica Apostólica Romana: a Quaresma. Durante 40 dias, somos convidados a silenciar o exterior e buscar dentro de nós mesmos as mudanças necessárias para uma vida mais plena e alinhada com os ensinamentos de Cristo. Esse tempo de introspecção nos oferece a oportunidade de refletir sobre nossas ações, atitudes e o que precisamos fazer de diferente em nossa jornada.
Recentemente, tive a oportunidade de passar quase 20 dias em silêncio interior. Esse retiro me permitiu observar o agir sobrenatural de Deus em nossas vidas. Muitas vezes, não compreendemos plenamente o que Ele deseja de nós, mas uma coisa é certa: nada que Deus prepara é em vão. Tudo é misericórdia. O nome do Filho de Deus é misericórdia; o nome de Jesus é misericórdia.
Neste período quaresmal, desejo a todos que vivem essa experiência muita luz, perseverança e bênçãos. Que o Espírito Santo possa conceder discernimento para que possamos aproveitar plenamente este momento de reflexão e renovação espiritual.
Durante esses dias silenciosos, uma pergunta ressoou profundamente em meu coração: “Quantas vezes devo perdoar meu irmão?” A resposta veio clara: “Até 70 vezes 7.” Este número, símbolo da perfeição, nos lembra da importância do perdão. Reconheço todos aqueles que ofendi e peço perdão; por outro lado, perdoo todos aqueles que me ofenderam. Este é um passo fundamental para minha liberdade espiritual, pois tenho um Deus que me rege e governa.
O perdão é um dos momentos mais altos da nossa vida espiritual. Ao perdoar, encontramos leveza em nosso ser e permitimos que a paz de Deus habite em nossos corações. É essencial invocar a intercessão dos anjos do céu durante essa jornada. Peço a São Miguel Arcanjo, que veio trazer paz e derrotar os males que nos cercam; São Rafael, o arcanjo da cura, para que traga alívio às nossas enfermidades físicas e espirituais; e São Gabriel, o arcanjo da anunciação, que sempre nos traga boas novas.
Neste período quaresmal, desejo luz não apenas aos católicos, mas também àqueles que seguem outras tradições religiosas. Que todos possam receber as misericórdias que vêm do alto, pois Deus é um só. Como bem disse o Padre Zezinho: oramos diferente e falamos diferente, mas no fundo, somos iguais; buscamos o mesmo Deus e o mesmo Pai.
Que este tempo sagrado nos aproxime mais do amor divino e nos inspire a viver com mais bondade e compaixão.
Estamos entrando em um período significativo para a Igreja Católica Apostólica Romana: a Quaresma. Durante 40 dias, somos convidados a silenciar o exterior e buscar dentro de nós mesmos as mudanças necessárias para uma vida mais plena e alinhada com os ensinamentos de Cristo. Esse tempo de introspecção nos oferece a oportunidade de refletir sobre nossas ações, atitudes e o que precisamos fazer de diferente em nossa jornada.
Recentemente, tive a oportunidade de passar quase 20 dias em silêncio interior. Esse retiro me permitiu observar o agir sobrenatural de Deus em nossas vidas. Muitas vezes, não compreendemos plenamente o que Ele deseja de nós, mas uma coisa é certa: nada que Deus prepara é em vão. Tudo é misericórdia. O nome do Filho de Deus é misericórdia; o nome de Jesus é misericórdia.
Neste período quaresmal, desejo a todos que vivem essa experiência muita luz, perseverança e bênçãos. Que o Espírito Santo possa conceder discernimento para que possamos aproveitar plenamente este momento de reflexão e renovação espiritual.
Durante esses dias silenciosos, uma pergunta ressoou profundamente em meu coração: “Quantas vezes devo perdoar meu irmão?” A resposta veio clara: “Até 70 vezes 7.” Este número, símbolo da perfeição, nos lembra da importância do perdão. Reconheço todos aqueles que ofendi e peço perdão; por outro lado, perdoo todos aqueles que me ofenderam. Este é um passo fundamental para minha liberdade espiritual, pois tenho um Deus que me rege e governa.
O perdão é um dos momentos mais altos da nossa vida espiritual. Ao perdoar, encontramos leveza em nosso ser e permitimos que a paz de Deus habite em nossos corações. É essencial invocar a intercessão dos anjos do céu durante essa jornada. Peço a São Miguel Arcanjo, que veio trazer paz e derrotar os males que nos cercam; São Rafael, o arcanjo da cura, para que traga alívio às nossas enfermidades físicas e espirituais; e São Gabriel, o arcanjo da anunciação, que sempre nos traga boas novas.
Neste período quaresmal, desejo luz não apenas aos católicos, mas também àqueles que seguem outras tradições religiosas. Que todos possam receber as misericórdias que vêm do alto, pois Deus é um só. Como bem disse o Padre Zezinho: oramos diferente e falamos diferente, mas no fundo, somos iguais; buscamos o mesmo Deus e o mesmo Pai.
Que este tempo sagrado nos aproxime mais do amor divino e nos inspire a viver com mais bondade e compaixão.
Em tempos de crise de utopias, quando as grandes narrativas coletivas que outrora prometiam futuros radiantes se desfazem em descrédito e fragmentação, o fenômeno religioso reaparece como um terreno fértil para a busca de sentido. Nesse contexto, os influenciadores — figuras que, nas redes sociais, moldam opiniões, afetos e comportamentos — assumem um papel ambíguo e fascinante. O tema “Influenciadores no Espírito e o espírito dos influenciadores” nos convida a refletir sobre como a espiritualidade é ao mesmo tempo performada e consumida em uma era digital, onde a desilusão com os ideais grandiosos dá lugar a uma busca íntima, imediata e, muitas vezes, espetacularizada.
A Crise de Utopias e o Vácuo de Sentido
A crise de utopias marca o colapso das ideologias totalizantes — sejam elas políticas, sociais ou econômicas — que, por décadas, sustentaram a esperança em um mundo melhor. Com a desconfiança nas instituições e o esgotamento das promessas de progresso coletivo, surge um vazio existencial que clama por preenchimento. É nesse cenário que a espiritualidade, desvinculada das amarras das religiões tradicionais, ganha força. Não falamos mais de dogmas rígidos ou hierarquias eclesiásticas, mas de uma espiritualidade fluida, personalizável, moldada para atender às necessidades individuais de uma sociedade em transformação.
Os influenciadores espirituais emergem como protagonistas nesse novo palco. São eles os gurus da era digital, que destilam mensagens de autoajuda, bem-estar e positividade em vídeos curtos, lives e posts cuidadosamente editados. Com um alcance global proporcionado pelas plataformas sociais, esses agentes da fé oferecem uma espiritualidade acessível, digerível e — por que não? — palatável, que ressoa com uma audiência cansada das incertezas do presente e faminta por consolo.
Influenciadores no Espírito: Uma Nova Transcendência?
“Influenciadores no Espírito” pode ser lido como aqueles que, munidos de uma retórica espiritual, guiam seus seguidores rumo a uma promessa de libertação pessoal. Eles falam de “energias”, “propósito” e “conexão com o divino”, muitas vezes sem a bagagem teológica ou o compromisso comunitário que caracterizavam os líderes religiosos do passado. Essa espiritualidade light, desprovida de profundidade histórica, encontra eco justamente por sua simplicidade: ela não exige sacrifícios, apenas adesão emocional e, em alguns casos, um clique para comprar um curso ou um livro.
Mas há algo de genuíno nessa oferta. Em um mundo onde as utopias coletivas falharam, o indivíduo torna-se o centro da busca por sentido. Os influenciadores espirituais, com suas comunidades virtuais, preenchem essa lacuna, oferecendo um espaço de acolhimento e pertencimento — ainda que efêmero. Eles respondem a uma necessidade real, transformando a espiritualidade em uma ferramenta de resiliência diante da fragmentação social.
O Espírito dos Influenciadores: Fé ou Mercado?
Por outro lado, o “espírito dos influenciadores” revela uma contradição que não pode ser ignorada. Enquanto prometem paz interior e elevação espiritual, esses articuladores do sagrado estão imersos em uma lógica mercantil. Likes, compartilhamentos e engajamento tornam-se a métrica de seu sucesso, e a espiritualidade, um produto a ser vendido. Não é raro que a mensagem de transcendência venha acompanhada de um link para um e-commerce ou uma parceria comercial. Assim, o influenciador espiritual não é apenas um guia, mas um empreendedor da fé, que capitaliza a busca por sentido alheia.
Essa mercantilização não é novidade — a história das religiões está repleta de exemplos de comércio do sagrado. O que é novo, porém, é a escala e a velocidade desse fenômeno nas redes sociais. A democratização das plataformas digitais permite que qualquer um se proclame líder espiritual, sem necessidade de legitimidade institucional ou formação teológica. O resultado é uma cacofonia de vozes, onde a autenticidade é constantemente posta em xeque e a verdade, relativizada.
Entre o Sintoma e a Resposta
Os influenciadores no Espírito são, portanto, um reflexo paradoxal da nossa época. Eles são sintomas de uma sociedade fragmentada, onde o sagrado é reduzido a uma estética performática, um conteúdo a ser consumido entre um reels e outro. Ao mesmo tempo, são respostas a uma demanda profunda por transcendência, por algo que dê sentido a um mundo esvaziado de horizontes coletivos. O desafio, para quem observa, é separar o joio do trigo: distinguir a espiritualidade como espetáculo da busca sincera por significado.
Um Convite à Reflexão
Em última análise, “Influenciadores no Espírito e o espírito dos influenciadores” nos confronta com perguntas incômodas. Até que ponto a espiritualidade digital é capaz de sustentar uma busca verdadeira por sentido? E o que diz sobre nós mesmos o fato de delegarmos essa busca a figuras cuja autoridade repousa mais em algoritmos do que em profundidade? Em tempos de crise de utopias, talvez o fenômeno religioso, mediado por esses novos profetas, seja menos uma solução e mais um espelho — um reflexo de nossa própria inquietude, entre o desejo de transcendência e a tentação do efêmero.
Em tempos de crise de utopias, quando as grandes narrativas coletivas que outrora prometiam futuros radiantes se desfazem em descrédito e fragmentação, o fenômeno religioso reaparece como um terreno fértil para a busca de sentido. Nesse contexto, os influenciadores — figuras que, nas redes sociais, moldam opiniões, afetos e comportamentos — assumem um papel ambíguo e fascinante. O tema “Influenciadores no Espírito e o espírito dos influenciadores” nos convida a refletir sobre como a espiritualidade é ao mesmo tempo performada e consumida em uma era digital, onde a desilusão com os ideais grandiosos dá lugar a uma busca íntima, imediata e, muitas vezes, espetacularizada.
A Crise de Utopias e o Vácuo de Sentido
A crise de utopias marca o colapso das ideologias totalizantes — sejam elas políticas, sociais ou econômicas — que, por décadas, sustentaram a esperança em um mundo melhor. Com a desconfiança nas instituições e o esgotamento das promessas de progresso coletivo, surge um vazio existencial que clama por preenchimento. É nesse cenário que a espiritualidade, desvinculada das amarras das religiões tradicionais, ganha força. Não falamos mais de dogmas rígidos ou hierarquias eclesiásticas, mas de uma espiritualidade fluida, personalizável, moldada para atender às necessidades individuais de uma sociedade em transformação.
Os influenciadores espirituais emergem como protagonistas nesse novo palco. São eles os gurus da era digital, que destilam mensagens de autoajuda, bem-estar e positividade em vídeos curtos, lives e posts cuidadosamente editados. Com um alcance global proporcionado pelas plataformas sociais, esses agentes da fé oferecem uma espiritualidade acessível, digerível e — por que não? — palatável, que ressoa com uma audiência cansada das incertezas do presente e faminta por consolo.
Influenciadores no Espírito: Uma Nova Transcendência?
“Influenciadores no Espírito” pode ser lido como aqueles que, munidos de uma retórica espiritual, guiam seus seguidores rumo a uma promessa de libertação pessoal. Eles falam de “energias”, “propósito” e “conexão com o divino”, muitas vezes sem a bagagem teológica ou o compromisso comunitário que caracterizavam os líderes religiosos do passado. Essa espiritualidade light, desprovida de profundidade histórica, encontra eco justamente por sua simplicidade: ela não exige sacrifícios, apenas adesão emocional e, em alguns casos, um clique para comprar um curso ou um livro.
Mas há algo de genuíno nessa oferta. Em um mundo onde as utopias coletivas falharam, o indivíduo torna-se o centro da busca por sentido. Os influenciadores espirituais, com suas comunidades virtuais, preenchem essa lacuna, oferecendo um espaço de acolhimento e pertencimento — ainda que efêmero. Eles respondem a uma necessidade real, transformando a espiritualidade em uma ferramenta de resiliência diante da fragmentação social.
O Espírito dos Influenciadores: Fé ou Mercado?
Por outro lado, o “espírito dos influenciadores” revela uma contradição que não pode ser ignorada. Enquanto prometem paz interior e elevação espiritual, esses articuladores do sagrado estão imersos em uma lógica mercantil. Likes, compartilhamentos e engajamento tornam-se a métrica de seu sucesso, e a espiritualidade, um produto a ser vendido. Não é raro que a mensagem de transcendência venha acompanhada de um link para um e-commerce ou uma parceria comercial. Assim, o influenciador espiritual não é apenas um guia, mas um empreendedor da fé, que capitaliza a busca por sentido alheia.
Essa mercantilização não é novidade — a história das religiões está repleta de exemplos de comércio do sagrado. O que é novo, porém, é a escala e a velocidade desse fenômeno nas redes sociais. A democratização das plataformas digitais permite que qualquer um se proclame líder espiritual, sem necessidade de legitimidade institucional ou formação teológica. O resultado é uma cacofonia de vozes, onde a autenticidade é constantemente posta em xeque e a verdade, relativizada.
Entre o Sintoma e a Resposta
Os influenciadores no Espírito são, portanto, um reflexo paradoxal da nossa época. Eles são sintomas de uma sociedade fragmentada, onde o sagrado é reduzido a uma estética performática, um conteúdo a ser consumido entre um reels e outro. Ao mesmo tempo, são respostas a uma demanda profunda por transcendência, por algo que dê sentido a um mundo esvaziado de horizontes coletivos. O desafio, para quem observa, é separar o joio do trigo: distinguir a espiritualidade como espetáculo da busca sincera por significado.
Um Convite à Reflexão
Em última análise, “Influenciadores no Espírito e o espírito dos influenciadores” nos confronta com perguntas incômodas. Até que ponto a espiritualidade digital é capaz de sustentar uma busca verdadeira por sentido? E o que diz sobre nós mesmos o fato de delegarmos essa busca a figuras cuja autoridade repousa mais em algoritmos do que em profundidade? Em tempos de crise de utopias, talvez o fenômeno religioso, mediado por esses novos profetas, seja menos uma solução e mais um espelho — um reflexo de nossa própria inquietude, entre o desejo de transcendência e a tentação do efêmero.
Ah, os amigos da infância e da juventude… Quem diria que um dia seriam apenas memórias guardadas em uma caixinha de presente, junto com fotos desbotadas e cartas nunca enviadas? Na Pituba, onde o sol parecia mais dourado, e no Nordeste de Amaralina, onde o vento trazia notícia do mar, os dias eram feitos de brincadeiras e vadiagem, risadas sem motivo e promessas de que seríamos amigos “para sempre”. Mas o tempo, esse velho sábio irônico, riu de nossas certezas e nos espalhou como sementes ao vento.
Lembro dos meninos do bairro, aqueles companheiros de estripulia na rua de terra, cujos nomes hoje confundo, mas cujas vozes ainda ecoam nas esquinas da memória. Tínhamos códigos secretos, esconderijos debaixo das bananeiras de Sr. Edézio e um pacto não escrito de liberdade. As Rua da Pituba era nosso reino. Ali, debaixo da velha Amendoeira — que resiste até hoje, teimosa —, dividíamos merendas e sonhos malucos. A árvore testemunhou nossas brigas por besteira, nossas primeiras paixonites e aquele medo coletivo do homem que tomava conta do pomar de Sr. Juventino, que gritava se alguém chegasse perto demais da cerca.
Depois vieram os amigos da militância política, os idealistas de camiseta surrada e livros sublinhados. Nos reuníamos em salas apertadas do Nordeste de Amaralina, alguns tinham sido presos políticos e tiramos o maior respeito e admiração por eles, discutíamos o futuro do mundo como se fôssemos donos do destino. Tínhamos raiva do que era injusto e fé no que poderia ser melhor. Hoje, alguns seguem lutando, outros trocaram os panfletos por pastas de trabalho, mas ainda carregam no olhar aquele fogo breve da juventude.
E havia o grupo da Igreja, os amigos da CVX, dos retiros em Mar Grande, dos grupos de jovens e dos segredos confessados em sussurros. Rezávamos, cantávamos, e sonhávamos com uma Igreja progressista que os Jesuítas apresentavam, quando o padre não estava olhando, contávamos piadas que nos faziam cair no chão de tanto rir. Naquela época, a fé era menos sobre dogma e mais sobre justiça, luta e uma fé encarnada — um calor de comunidade que até hoje me aquece em dias frios.
Mas o tempo, esse eterno devorador de sonhos, não perdoa. As casas e prédios da Pituba ganharam muros altos, as amendoeiras parecem mais solitárias, e o pomar da fazenda Pituba não existe mais, deu lugar ao Parque da Cidade. As folhas do passado caíram em solos diferentes: alguns amigos ficaram por perto, outros sumiram em cidades distantes, e uns poucos viraram estrelas antes da hora.
Quando passo pelas Ruas da Pituba ou vejo pela TV o Nordeste de Amaralina, sinto uma saudade que dói e acalenta ao mesmo tempo. As crianças que correm por ali, naquela esquina entre a rua Rio de Janeiro e São Paulo, não sabem que aquele chão guarda histórias de gente como eles, que também achava que o mundo cabia num quintal. As Bananeiras não balançam mais seus troncos, mais a saudade no meu peito fala alto como se dissesse: “Eu ainda lembro”. E eu, de volta àquele lugar, me pergunto: será que as raízes das Amendoeiras sentem falta das risadas que um dia abraçaram?
Mas não se engane: saudade não é tristeza. É gratidão vestida de melancolia. Essas memórias são um tesouro, são uma referência que trago dentro de mim. Me lembram que, mesmo longe, aqueles amigos ainda me habitam. Carrego seus conselhos nas escolhas, suas manias nos gestos, suas piadas nas horas sem graça. A militância me ensinou a não calar; a Igreja, a escutar; o bairro, a compartilhar.
Não dá para voltar no tempo — e talvez nem devêssemos. Afinal, o que seria de nós sem a doce ilusão de que “antigamente” era melhor? Mas hoje, quando vejo jovens debaixo de uma árvore qualquer, sorrio e penso: “Que eles tenham sorte de viver amizades como as nossas”. Amizades que não precisam de Wi-Fi, que sobrevivem a erros e silêncios, que se renovam num “oi” depois de anos.
Então, aqui fica meu brinde: às tardes de futebol com gol de chinelo, aos debates inflamados que duravam madrugadas, a espiritualidade Inaciana que se tornou modo de vida. Às folhas que o vento levou, mas que um dia dançaram juntas. E as Amendoeiras, velhas guardiãs, que insiste em ficar de pé, lembrando a qualquer um que passar: aqui, uma vez, houve amor.
Porque no fim, amigos, é isso que fica: não o tempo que perdemos, mas o que vivemos. E que sorte a nossa, hein? Tivemos a Pituba, o Nordeste de Amaralina, e um punhado de almas que nos fizeram acreditar que a vida — com todas as suas mudanças — sempre valerá a pena.
Ah, os amigos da infância e da juventude… Quem diria que um dia seriam apenas memórias guardadas em uma caixinha de presente, junto com fotos desbotadas e cartas nunca enviadas? Na Pituba, onde o sol parecia mais dourado, e no Nordeste de Amaralina, onde o vento trazia notícia do mar, os dias eram feitos de brincadeiras e vadiagem, risadas sem motivo e promessas de que seríamos amigos “para sempre”. Mas o tempo, esse velho sábio irônico, riu de nossas certezas e nos espalhou como sementes ao vento.
Lembro dos meninos do bairro, aqueles companheiros de estripulia na rua de terra, cujos nomes hoje confundo, mas cujas vozes ainda ecoam nas esquinas da memória. Tínhamos códigos secretos, esconderijos debaixo das bananeiras de Sr. Edézio e um pacto não escrito de liberdade. As Rua da Pituba era nosso reino. Ali, debaixo da velha Amendoeira — que resiste até hoje, teimosa —, dividíamos merendas e sonhos malucos. A árvore testemunhou nossas brigas por besteira, nossas primeiras paixonites e aquele medo coletivo do homem que tomava conta do pomar de Sr. Juventino, que gritava se alguém chegasse perto demais da cerca.
Depois vieram os amigos da militância política, os idealistas de camiseta surrada e livros sublinhados. Nos reuníamos em salas apertadas do Nordeste de Amaralina, alguns tinham sido presos políticos e tiramos o maior respeito e admiração por eles, discutíamos o futuro do mundo como se fôssemos donos do destino. Tínhamos raiva do que era injusto e fé no que poderia ser melhor. Hoje, alguns seguem lutando, outros trocaram os panfletos por pastas de trabalho, mas ainda carregam no olhar aquele fogo breve da juventude.
E havia o grupo da Igreja, os amigos da CVX, dos retiros em Mar Grande, dos grupos de jovens e dos segredos confessados em sussurros. Rezávamos, cantávamos, e sonhávamos com uma Igreja progressista que os Jesuítas apresentavam, quando o padre não estava olhando, contávamos piadas que nos faziam cair no chão de tanto rir. Naquela época, a fé era menos sobre dogma e mais sobre justiça, luta e uma fé encarnada — um calor de comunidade que até hoje me aquece em dias frios.
Mas o tempo, esse eterno devorador de sonhos, não perdoa. As casas e prédios da Pituba ganharam muros altos, as amendoeiras parecem mais solitárias, e o pomar da fazenda Pituba não existe mais, deu lugar ao Parque da Cidade. As folhas do passado caíram em solos diferentes: alguns amigos ficaram por perto, outros sumiram em cidades distantes, e uns poucos viraram estrelas antes da hora.
Quando passo pelas Ruas da Pituba ou vejo pela TV o Nordeste de Amaralina, sinto uma saudade que dói e acalenta ao mesmo tempo. As crianças que correm por ali, naquela esquina entre a rua Rio de Janeiro e São Paulo, não sabem que aquele chão guarda histórias de gente como eles, que também achava que o mundo cabia num quintal. As Bananeiras não balançam mais seus troncos, mais a saudade no meu peito fala alto como se dissesse: “Eu ainda lembro”. E eu, de volta àquele lugar, me pergunto: será que as raízes das Amendoeiras sentem falta das risadas que um dia abraçaram?
Mas não se engane: saudade não é tristeza. É gratidão vestida de melancolia. Essas memórias são um tesouro, são uma referência que trago dentro de mim. Me lembram que, mesmo longe, aqueles amigos ainda me habitam. Carrego seus conselhos nas escolhas, suas manias nos gestos, suas piadas nas horas sem graça. A militância me ensinou a não calar; a Igreja, a escutar; o bairro, a compartilhar.
Não dá para voltar no tempo — e talvez nem devêssemos. Afinal, o que seria de nós sem a doce ilusão de que “antigamente” era melhor? Mas hoje, quando vejo jovens debaixo de uma árvore qualquer, sorrio e penso: “Que eles tenham sorte de viver amizades como as nossas”. Amizades que não precisam de Wi-Fi, que sobrevivem a erros e silêncios, que se renovam num “oi” depois de anos.
Então, aqui fica meu brinde: às tardes de futebol com gol de chinelo, aos debates inflamados que duravam madrugadas, a espiritualidade Inaciana que se tornou modo de vida. Às folhas que o vento levou, mas que um dia dançaram juntas. E as Amendoeiras, velhas guardiãs, que insiste em ficar de pé, lembrando a qualquer um que passar: aqui, uma vez, houve amor.
Porque no fim, amigos, é isso que fica: não o tempo que perdemos, mas o que vivemos. E que sorte a nossa, hein? Tivemos a Pituba, o Nordeste de Amaralina, e um punhado de almas que nos fizeram acreditar que a vida — com todas as suas mudanças — sempre valerá a pena.