
Por Padre Carlos
Publicado em 24 de agosto de 2025
O Evangelho de Cristo é uma porta estreita, mas aberta a todos que desejam atravessá-la. Essa é a promessa vibrante e universal do amor de Deus, que não exclui ninguém, mas convida cada homem e mulher, de todos os tempos, a buscar a vida eterna. Deus não deseja que nenhum de nós se perca, e essa certeza deve reacender nossa esperança em um mundo marcado por divisões e conflitos.
No Evangelho de Lucas, uma pergunta ressoa com força: “Senhor, são poucos os que se salvam?” (Lc 13,23). A resposta de Jesus é direta e profunda: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão” (Lc 13,24). À primeira vista, a imagem da porta estreita pode parecer intimidante, sugerindo um caminho reservado a poucos. Mas a mensagem de Cristo é clara: a salvação não é privilégio de uma elite espiritual, mas um dom oferecido a todos. Esse dom, no entanto, exige uma resposta – um compromisso ativo com a fé, as virtudes e o amor ao próximo.
A porta estreita não é um símbolo de exclusão, mas de exigência. O amor de Cristo é generoso, mas também desafiador. Ele nos chama a abandonar o egoísmo, a indiferença e as divisões que alimentam as guerras – sejam elas travadas com armas ou com palavras que ferem. Como já dizia o Papa Francisco, “a porta da misericórdia de Deus está sempre aberta de par em par para todos! Deus não faz diferença, mas acolhe sempre a todos, sem distinção”. Essa misericórdia, porém, não é passiva; ela nos convoca a transformar o mundo, a construir a paz onde há ódio, a oferecer cuidado onde reina a indiferença.
Vivemos tempos em que a sociedade muitas vezes valoriza o imediatismo e o individualismo, mas o Evangelho nos aponta para outro caminho: o da santidade universal. Todos somos chamados a ser santos, não em um ideal distante, mas no cotidiano, nas escolhas diárias que refletem o amor de Deus. Isso inclui o combate às injustiças, a rejeição da ostentação armamentista e a promoção da bondade, que, como já refletiu o Papa Leão, é um “fogo do amor” que renova o mundo sem custos, mas com a coragem de enfrentar incompreensões e até perseguições.
Nesse contexto, os catequistas desempenham um papel essencial. Eles são os grandes educadores da fé, guiando crianças e jovens não apenas no conhecimento das Escrituras, mas na vivência da amizade com Cristo. O coração do Evangelho, que eles ensinam com dedicação, é a misericórdia de Deus – um caminho que passa pelo sacrifício de si e pelo serviço aos outros. Investir na formação catequética é investir na renovação da sociedade, pois é nas novas gerações que a semente da fé pode florescer, transformando o mundo em um lugar mais justo e fraterno.
Mas, se a porta do Evangelho é para todos, por que tantos parecem não encontrá-la? Talvez porque atravessá-la exige deixar para trás o conforto do ego e abraçar a exigência do amor. É um convite que desafia nossa cultura do instantâneo, onde tudo é descartável e passageiro. A Virgem Maria, modelo de humildade e entrega, nos ensina que dizer “sim” a Deus é abrir as portas da salvação – não apenas para nós, mas para todos ao nosso redor.
O Evangelho é, portanto, uma porta estreita, mas acessível. É um chamado universal que nos convida a viver com ardor, a compartilhar a fé com entusiasmo e a transformar o mundo com a força da misericórdia. Que possamos, com coragem, atravessar essa porta e levar sua luz a todos, mostrando que o amor de Deus não conhece barreiras. Afinal, a salvação é um dom para todos – e cabe a nós, com esforço e amor, responder a esse convite.




