Política e Resenha

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Otto Alencar, o Pai do Fim da Escala 6×1

Política Nacional  15 de outubro de 2026

Na noite de ontem, o Senado aprovou a PEC 221/2019 e a luta de um parlamentar que não desistiu encontrou, enfim, a sua recompensa.

Há noites em que a política deixa de ser rotina e vira história. A noite de ontem, 14 de outubro, foi uma delas. O Senado Federal aprovou, em dois turnos, a PEC 221/2019, que prevê a redução gradual da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. Não é pouca coisa: é a promessa concreta de que o trabalhador brasileiro terá mais tempo para viver, e não apenas para sobreviver.

E toda grande conquista tem um nome por trás. Neste caso, o nome é o do senador Otto Alencar. Por isso, sem receio de exagero, e com a licença poética que a ocasião merece, podemos chamá-lo de Pai do Fim da Escala 6×1: o parlamentar que pautou, conduziu e não deixou morrer na gaveta uma causa que muitos consideravam distante demais.

A condução na CCJ

Como presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto detém uma das chaves mais importantes do Senado. É na CCJ que uma proposta de emenda constitucional ganha fôlego ou perde o ritmo. Ele escolheu dar fôlego. Pautou a matéria, conduziu a votação e viabilizou a aprovação do relatório do senador Omar Aziz, abrindo o caminho para que a PEC avançasse no Congresso Nacional.

Quem conhece o Parlamento sabe que pautar é um ato político. Escolher o que entra na ordem do dia é escolher quais angústias do povo merecem resposta. Otto escolheu a angústia de quem acorda cedo, trabalha seis dias seguidos e chega ao fim da semana sem ter visto os filhos crescerem.

“Estamos falando de mais tempo para os trabalhadores brasileiros cuidarem da saúde, conviverem com suas famílias, descansarem e terem mais qualidade de vida.”

— Senador Otto Alencar

Tempo é dignidade

A frase do senador resume o que está em jogo. Saúde, família, descanso, qualidade de vida: nenhuma dessas palavras cabe numa planilha de produtividade, mas todas elas sustentam um país. Uma sociedade que impede o trabalhador de descansar adoece, e uma sociedade que adoece produz menos e sorri menos.

Há ainda um detalhe que faz toda a diferença: a redução da jornada vem sem redução salarial. O avanço, portanto, não se paga com o bolso de quem trabalha. É o tipo de conquista que dá sentido à palavra “direito”, porque não retira de um lado para entregar de outro.

O plenário em festa

Encerrada a votação, o clima no Senado foi de euforia. Parlamentares e apoiadores romperam em coro, num dos momentos mais vibrantes da noite:

“Lula! Lula! Lula! Histórico! Histórico! Acabou! 3 por 1!”

A comemoração, com gritos de “Lula 13” e a promessa de que a Bahia vai entregar uma votação expressiva no dia 25 de outubro, mostra que a aprovação da PEC não ficou restrita ao debate técnico. Ela entrou de vez no coração da disputa política do país. Em suas palavras, Otto reafirmou que segue, ao lado do presidente Lula, trabalhando por um Brasil que valorize quem trabalha e garanta mais dignidade e direitos ao povo.

A recompensa de quem não desistiu

A política brasileira costuma ser generosa em discursos e avarenta em resultados. Por isso merece registro quando um parlamentar transforma convicção em votação, e votação em conquista. A luta de Otto Alencar foi recompensada, e quem mais ganha com ela não é o senador, mas o motorista, a atendente, o vigilante, a operadora de caixa, o pedreiro: milhões de brasileiros que passarão a ter um dia a mais para chamar de seu.

A história tem o hábito de guardar o nome de quem abre caminhos. Que o de Otto fique ligado a esta noite: a noite em que o Senado disse ao trabalhador brasileiro que descansar não é privilégio, é direito.

Tags

Otto Alencar
Escala 6×1
PEC 221/2019
Senado Federal
Direitos Trabalhistas
CCJ

Padre Carlos  — colunista político — Política e Resenha