Política e Resenha

Entrevista exclusiva: PM no Pôr do Sol ressignifica o espaço urbano e aponta novo caminho para a segurança pública em Vitória da Conquista

O pôr do sol no alto do Cristo Rei do Cruzeiro, em Vitória da Conquista, ganhou novos significados. Mais do que um espetáculo natural, o cenário se transformou em ponto de encontro de famílias, artistas, comerciantes e forças de segurança. O projeto PM no Pôr do Sol não é apenas um evento cultural — é uma proposta concreta de prevenção à violência, ocupação qualificada do espaço público e reconstrução de vínculos entre a Polícia Militar e a sociedade.
Quem explica é o major Neilson, um dos coordenadores do projeto, que faz questão de afastar qualquer interpretação equivocada:
“Nosso ministério é o policiamento. O PM no Pôr do Sol não é festa por festa. Ele é uma estratégia de segurança pública com foco na prevenção.”
Cultura como ferramenta de prevenção
Tradicionalmente associada ao enfrentamento direto da criminalidade, a segurança pública ganha novos contornos quando passa a dialogar com cultura, lazer e urbanismo. Para o major Neilson, esse é o ponto central do projeto:
“Quando a Polícia Militar ocupa um espaço público com cultura e lazer, ela fortalece a parceria com a comunidade e cria um ambiente favorável para discutir segurança de forma aberta.”
O evento acontece em um local que por muito tempo carregou um estigma negativo relacionado à violência. Situado no bairro Cruzeiro — antigo bairro das Pedrinhas —, o Cristo Rei do Cruzeiro era visto por muitos como um espaço evitado, especialmente em determinados horários.
“A ocupação com famílias, música e convivência pacífica ajuda a quebrar esse estigma. As pessoas percebem, na prática, que aquele espaço é seguro”, destaca.
O espaço público como território de pertencimento
Mais do que presença policial, o projeto aposta na sensação de pertencimento. Segundo o major, quando a população passa a frequentar um local, a dinâmica do território muda:
“Você começa a gerar economia, turismo, renda e emprego. Tudo isso impacta diretamente na segurança pública.”
O Cristo Rei do Cruzeiro, ainda pouco explorado como ponto turístico, passou a receber visitantes que, muitas vezes, nunca haviam estado ali — inclusive moradores antigos da cidade.
“É comum ouvir: ‘Nunca vim aqui, é minha primeira vez’. Isso mostra o quanto o evento desperta um novo olhar sobre a cidade”, relata.
Uma retomada maior do que antes
Criado em 2019 por iniciativa do então major Lima Júnior, o PM no Pôr do Sol teve edições em 2019 e 2020, sendo interrompido pela pandemia. A retomada, cinco anos depois, veio com estrutura ampliada e expectativa ainda maior.
A decisão partiu do atual comandante regional, coronel Paulo Guimarães, alinhado à diretriz do Comando-Geral da PM, que incentiva ações preventivas e de aproximação comunitária.
“Sabíamos que não dava para simplesmente voltar. Precisávamos entregar algo maior, à altura da expectativa da população”, afirma o major Neilson.
O resultado foi uma edição com mais público, mais estrutura e maior impacto social.
Integração institucional: um pilar essencial
O projeto só se viabilizou graças à cooperação entre diferentes esferas do poder público. Governo do Estado, Prefeitura Municipal, secretarias, deputados e instituições parceiras atuaram de forma conjunta.
“Não existe prevenção em segurança pública sem cooperação. Cultura, educação, urbanismo, renda e transporte precisam caminhar juntos”, pontua.
A revitalização do espaço — com iluminação, limpeza, acessibilidade e infraestrutura — também foi decisiva.
“O medo se espalha mais rápido do que a paz. Quando o espaço é bem cuidado, iluminado e ocupado, ele comunica segurança.”
Resultados visíveis — e emocionantes
Um dos dados mais simbólicos do projeto é simples e poderoso: nenhuma ocorrência policial foi registrada durante o evento.

Mais do que números, porém, ficam as imagens — famílias inteiras, crianças brincando, idosos dançando, artistas locais se apresentando e comerciantes gerando renda.

“Teve momentos em que quase chorei”, confessa o major.
“Depois de tanta dificuldade, ver aquilo acontecer, ver as pessoas felizes, é a sensação de missão cumprida. Fazer segurança pública também é isso.”
Um modelo para o futuro da cidade
Para o coordenador do projeto, o PM no Pôr do Sol não deve ser um evento isolado, mas um modelo replicável em outros espaços da cidade — bairros, distritos e praças públicas.
“A ideia nunca foi que a Polícia Militar fosse a promotora eterna. Nosso papel é mostrar que é possível, abrir caminhos, gerar energia e motivar outras instituições a ocuparem a cidade.”
O resultado desejado é claro:
“Uma cidade em paz, harmônica, que valoriza o cidadão e onde as pessoas não tenham medo de viver os espaços públicos.”
Segurança também passa pela beleza
Ao final, o major resume o espírito do projeto com a mensagem que virou slogan desta edição:
“Com toda segurança, o pôr do sol mais bonito da Bahia.”
Uma frase que traduz mais do que um evento — traduz uma visão de cidade onde segurança, cultura e convivência caminham juntas, e onde o pôr do sol deixa de ser apenas paisagem para se tornar símbolo de pertencimento, confiança e transformação urbana.
(Maria Clara)

Entrevista exclusiva: PM no Pôr do Sol ressignifica o espaço urbano e aponta novo caminho para a segurança pública em Vitória da Conquista

O pôr do sol no alto do Cristo Rei do Cruzeiro, em Vitória da Conquista, ganhou novos significados. Mais do que um espetáculo natural, o cenário se transformou em ponto de encontro de famílias, artistas, comerciantes e forças de segurança. O projeto PM no Pôr do Sol não é apenas um evento cultural — é uma proposta concreta de prevenção à violência, ocupação qualificada do espaço público e reconstrução de vínculos entre a Polícia Militar e a sociedade.
Quem explica é o major Neilson, um dos coordenadores do projeto, que faz questão de afastar qualquer interpretação equivocada:
“Nosso ministério é o policiamento. O PM no Pôr do Sol não é festa por festa. Ele é uma estratégia de segurança pública com foco na prevenção.”
Cultura como ferramenta de prevenção
Tradicionalmente associada ao enfrentamento direto da criminalidade, a segurança pública ganha novos contornos quando passa a dialogar com cultura, lazer e urbanismo. Para o major Neilson, esse é o ponto central do projeto:
“Quando a Polícia Militar ocupa um espaço público com cultura e lazer, ela fortalece a parceria com a comunidade e cria um ambiente favorável para discutir segurança de forma aberta.”
O evento acontece em um local que por muito tempo carregou um estigma negativo relacionado à violência. Situado no bairro Cruzeiro — antigo bairro das Pedrinhas —, o Cristo Rei do Cruzeiro era visto por muitos como um espaço evitado, especialmente em determinados horários.
“A ocupação com famílias, música e convivência pacífica ajuda a quebrar esse estigma. As pessoas percebem, na prática, que aquele espaço é seguro”, destaca.
O espaço público como território de pertencimento
Mais do que presença policial, o projeto aposta na sensação de pertencimento. Segundo o major, quando a população passa a frequentar um local, a dinâmica do território muda:
“Você começa a gerar economia, turismo, renda e emprego. Tudo isso impacta diretamente na segurança pública.”
O Cristo Rei do Cruzeiro, ainda pouco explorado como ponto turístico, passou a receber visitantes que, muitas vezes, nunca haviam estado ali — inclusive moradores antigos da cidade.
“É comum ouvir: ‘Nunca vim aqui, é minha primeira vez’. Isso mostra o quanto o evento desperta um novo olhar sobre a cidade”, relata.
Uma retomada maior do que antes
Criado em 2019 por iniciativa do então major Lima Júnior, o PM no Pôr do Sol teve edições em 2019 e 2020, sendo interrompido pela pandemia. A retomada, cinco anos depois, veio com estrutura ampliada e expectativa ainda maior.
A decisão partiu do atual comandante regional, coronel Paulo Guimarães, alinhado à diretriz do Comando-Geral da PM, que incentiva ações preventivas e de aproximação comunitária.
“Sabíamos que não dava para simplesmente voltar. Precisávamos entregar algo maior, à altura da expectativa da população”, afirma o major Neilson.
O resultado foi uma edição com mais público, mais estrutura e maior impacto social.
Integração institucional: um pilar essencial
O projeto só se viabilizou graças à cooperação entre diferentes esferas do poder público. Governo do Estado, Prefeitura Municipal, secretarias, deputados e instituições parceiras atuaram de forma conjunta.
“Não existe prevenção em segurança pública sem cooperação. Cultura, educação, urbanismo, renda e transporte precisam caminhar juntos”, pontua.
A revitalização do espaço — com iluminação, limpeza, acessibilidade e infraestrutura — também foi decisiva.
“O medo se espalha mais rápido do que a paz. Quando o espaço é bem cuidado, iluminado e ocupado, ele comunica segurança.”
Resultados visíveis — e emocionantes
Um dos dados mais simbólicos do projeto é simples e poderoso: nenhuma ocorrência policial foi registrada durante o evento.

Mais do que números, porém, ficam as imagens — famílias inteiras, crianças brincando, idosos dançando, artistas locais se apresentando e comerciantes gerando renda.

“Teve momentos em que quase chorei”, confessa o major.
“Depois de tanta dificuldade, ver aquilo acontecer, ver as pessoas felizes, é a sensação de missão cumprida. Fazer segurança pública também é isso.”
Um modelo para o futuro da cidade
Para o coordenador do projeto, o PM no Pôr do Sol não deve ser um evento isolado, mas um modelo replicável em outros espaços da cidade — bairros, distritos e praças públicas.
“A ideia nunca foi que a Polícia Militar fosse a promotora eterna. Nosso papel é mostrar que é possível, abrir caminhos, gerar energia e motivar outras instituições a ocuparem a cidade.”
O resultado desejado é claro:
“Uma cidade em paz, harmônica, que valoriza o cidadão e onde as pessoas não tenham medo de viver os espaços públicos.”
Segurança também passa pela beleza
Ao final, o major resume o espírito do projeto com a mensagem que virou slogan desta edição:
“Com toda segurança, o pôr do sol mais bonito da Bahia.”
Uma frase que traduz mais do que um evento — traduz uma visão de cidade onde segurança, cultura e convivência caminham juntas, e onde o pôr do sol deixa de ser apenas paisagem para se tornar símbolo de pertencimento, confiança e transformação urbana.
(Maria Clara)

Entre o Arame e a Vida: o Resgate Silencioso de uma Jiboia em Vitória da Conquista

O episódio ocorrido no povoado Cabeceira da Jiboia, no distrito de Limeira, em Vitória da Conquista, chama atenção não apenas pelo inusitado da cena, mas pelo que ela revela sobre a convivência entre o avanço humano e a fauna silvestre. Uma jiboia, presa a uma cerca de arame farpado, foi resgatada por agentes do Grupo de Apoio ao Meio Ambiente (GAMA), ligado à Guarda Municipal, após dias em situação de sofrimento.

O chamado partiu de uma moradora da região, que percebeu a impossibilidade de o animal se libertar sozinho. A serpente encontrava-se enrolada no arame, com ferimentos visíveis provocados pelas farpas, resultado de tentativas repetidas de fuga. O quadro exigia uma intervenção técnica cuidadosa, tanto para preservar a vida do animal quanto para garantir a segurança da equipe envolvida.

Ao chegar ao local, os agentes do GAMA realizaram os procedimentos adequados de contenção e remoção do arame, evitando o agravamento das lesões já existentes. Diante do estado debilitado da jiboia, a decisão foi não devolvê-la imediatamente ao habitat natural. O animal foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), onde passará por avaliação veterinária e tratamento especializado até que reúna condições de retorno à natureza.

O caso, embora pontual, lança luz sobre uma realidade frequente em áreas rurais e de expansão urbana: cercas, estradas e outras estruturas humanas acabam se tornando armadilhas involuntárias para a fauna. Ao mesmo tempo, evidencia a importância de estruturas públicas preparadas para responder a esse tipo de ocorrência, como o GAMA e o CETAS, que atuam de forma técnica e preventiva.

Mais do que um fato isolado, o resgate da jiboia em Limeira funciona como um lembrete discreto, porém relevante, de que a preservação ambiental não se limita a grandes debates ou políticas amplas. Ela também se manifesta em ações locais, muitas vezes silenciosas, que garantem que a vida — mesmo a que raramente vemos de perto — tenha uma segunda chance.

(Maria Clara)

Entre o Arame e a Vida: o Resgate Silencioso de uma Jiboia em Vitória da Conquista

O episódio ocorrido no povoado Cabeceira da Jiboia, no distrito de Limeira, em Vitória da Conquista, chama atenção não apenas pelo inusitado da cena, mas pelo que ela revela sobre a convivência entre o avanço humano e a fauna silvestre. Uma jiboia, presa a uma cerca de arame farpado, foi resgatada por agentes do Grupo de Apoio ao Meio Ambiente (GAMA), ligado à Guarda Municipal, após dias em situação de sofrimento.

O chamado partiu de uma moradora da região, que percebeu a impossibilidade de o animal se libertar sozinho. A serpente encontrava-se enrolada no arame, com ferimentos visíveis provocados pelas farpas, resultado de tentativas repetidas de fuga. O quadro exigia uma intervenção técnica cuidadosa, tanto para preservar a vida do animal quanto para garantir a segurança da equipe envolvida.

Ao chegar ao local, os agentes do GAMA realizaram os procedimentos adequados de contenção e remoção do arame, evitando o agravamento das lesões já existentes. Diante do estado debilitado da jiboia, a decisão foi não devolvê-la imediatamente ao habitat natural. O animal foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), onde passará por avaliação veterinária e tratamento especializado até que reúna condições de retorno à natureza.

O caso, embora pontual, lança luz sobre uma realidade frequente em áreas rurais e de expansão urbana: cercas, estradas e outras estruturas humanas acabam se tornando armadilhas involuntárias para a fauna. Ao mesmo tempo, evidencia a importância de estruturas públicas preparadas para responder a esse tipo de ocorrência, como o GAMA e o CETAS, que atuam de forma técnica e preventiva.

Mais do que um fato isolado, o resgate da jiboia em Limeira funciona como um lembrete discreto, porém relevante, de que a preservação ambiental não se limita a grandes debates ou políticas amplas. Ela também se manifesta em ações locais, muitas vezes silenciosas, que garantem que a vida — mesmo a que raramente vemos de perto — tenha uma segunda chance.

(Maria Clara)

Silêncio em Cordeiros: quando uma tragédia doméstica interrompe uma infância

Mais uma fatalidade abalou a tranquilidade do município de Cordeiros, no Sudoeste da Bahia. Um menino, ainda muito pequeno, morreu após se afogar dentro de uma caixa d’água. A criança chegou a ser socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu.

Até o momento, o nome do garoto não foi divulgado pelas autoridades. O caso gerou comoção entre moradores da cidade e reacendeu a atenção para acidentes domésticos que, infelizmente, continuam vitimando crianças em diferentes regiões do país.

Ocorrências como essa costumam acontecer em ambientes considerados seguros, dentro das próprias casas, o que torna o impacto ainda mais doloroso para famílias e comunidades. Caixas d’água, cisternas e reservatórios semelhantes, quando não estão devidamente vedados, representam riscos silenciosos, especialmente para crianças pequenas.

As circunstâncias exatas do acidente não foram detalhadas, e não há, até agora, informações oficiais adicionais sobre o caso. As autoridades locais seguem responsáveis pelos registros e encaminhamentos necessários.

Neste momento de luto, resta à comunidade expressar solidariedade e respeito à família, diante de uma perda irreparável que interrompeu uma vida ainda no início.

(Maria Clara)

Silêncio em Cordeiros: quando uma tragédia doméstica interrompe uma infância

Mais uma fatalidade abalou a tranquilidade do município de Cordeiros, no Sudoeste da Bahia. Um menino, ainda muito pequeno, morreu após se afogar dentro de uma caixa d’água. A criança chegou a ser socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu.

Até o momento, o nome do garoto não foi divulgado pelas autoridades. O caso gerou comoção entre moradores da cidade e reacendeu a atenção para acidentes domésticos que, infelizmente, continuam vitimando crianças em diferentes regiões do país.

Ocorrências como essa costumam acontecer em ambientes considerados seguros, dentro das próprias casas, o que torna o impacto ainda mais doloroso para famílias e comunidades. Caixas d’água, cisternas e reservatórios semelhantes, quando não estão devidamente vedados, representam riscos silenciosos, especialmente para crianças pequenas.

As circunstâncias exatas do acidente não foram detalhadas, e não há, até agora, informações oficiais adicionais sobre o caso. As autoridades locais seguem responsáveis pelos registros e encaminhamentos necessários.

Neste momento de luto, resta à comunidade expressar solidariedade e respeito à família, diante de uma perda irreparável que interrompeu uma vida ainda no início.

(Maria Clara)

O SILÊNCIO QUE DENUNCIOU: COMO UM DESAPARECIMENTO NA ZONA RURAL LEVOU À PRISÃO EM BARRA DO CHOÇA

O desaparecimento do produtor de café Evilásio Luz, registrado no dia 20 de janeiro de 2026 na zona rural de Barra do Choça, desencadeou uma investigação que culminou na prisão em flagrante de um homem investigado por homicídio e ocultação de cadáver. O caso, conduzido pela Polícia Civil da Bahia por meio da Delegacia Territorial do município, chama atenção pela sequência de fatos que permitiu a reconstrução dos acontecimentos.

As apurações tiveram início após o filho da vítima comunicar às autoridades a ausência de contato com o produtor. A partir desse registro, equipes do Serviço de Investigação passaram a realizar diligências para localizar Evilásio Luz e esclarecer as circunstâncias do desaparecimento. A falta de informações concretas nos primeiros momentos exigiu um trabalho minucioso de verificação de rotinas, deslocamentos e vínculos da vítima.

Um ponto decisivo da investigação foi a identificação do veículo de Evilásio, um Fiat Strada de cor vermelha, que passou a ser conduzido por outra pessoa após a data do desaparecimento. A constatação foi feita por meio da análise de imagens de câmeras de segurança, recurso que tem se mostrado fundamental em investigações criminais, especialmente em áreas rurais onde testemunhas diretas são mais escassas.

Com base nos indícios reunidos, a polícia intimou para prestar esclarecimentos L. J. A., funcionário da fazenda da vítima. Durante o depoimento, segundo a Polícia Civil, o investigado apresentou contradições relevantes. Confrontado com os elementos já apurados, ele acabou confessando a autoria do crime, relatando que a morte ocorreu após uma agressão e que o corpo foi ocultado em uma área de mata às margens da estrada que liga Barra do Choça a Barra Nova.

Diante da confissão, da materialidade e dos indícios de autoria, foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. A polícia destacou que, por se tratar de crime permanente no caso da ocultação, o flagrante foi juridicamente caracterizado.

As diligências seguem em andamento, com a realização de perícias técnicas e outras medidas legais, com o objetivo de esclarecer completamente os fatos e consolidar o conjunto probatório. O caso reforça a importância da atuação integrada entre investigação policial, uso de tecnologia e procedimentos legais para a apuração de crimes graves, mesmo em contextos onde o silêncio inicial parece ocultar a verdade.

(Maria Clara)

O SILÊNCIO QUE DENUNCIOU: COMO UM DESAPARECIMENTO NA ZONA RURAL LEVOU À PRISÃO EM BARRA DO CHOÇA

O desaparecimento do produtor de café Evilásio Luz, registrado no dia 20 de janeiro de 2026 na zona rural de Barra do Choça, desencadeou uma investigação que culminou na prisão em flagrante de um homem investigado por homicídio e ocultação de cadáver. O caso, conduzido pela Polícia Civil da Bahia por meio da Delegacia Territorial do município, chama atenção pela sequência de fatos que permitiu a reconstrução dos acontecimentos.

As apurações tiveram início após o filho da vítima comunicar às autoridades a ausência de contato com o produtor. A partir desse registro, equipes do Serviço de Investigação passaram a realizar diligências para localizar Evilásio Luz e esclarecer as circunstâncias do desaparecimento. A falta de informações concretas nos primeiros momentos exigiu um trabalho minucioso de verificação de rotinas, deslocamentos e vínculos da vítima.

Um ponto decisivo da investigação foi a identificação do veículo de Evilásio, um Fiat Strada de cor vermelha, que passou a ser conduzido por outra pessoa após a data do desaparecimento. A constatação foi feita por meio da análise de imagens de câmeras de segurança, recurso que tem se mostrado fundamental em investigações criminais, especialmente em áreas rurais onde testemunhas diretas são mais escassas.

Com base nos indícios reunidos, a polícia intimou para prestar esclarecimentos L. J. A., funcionário da fazenda da vítima. Durante o depoimento, segundo a Polícia Civil, o investigado apresentou contradições relevantes. Confrontado com os elementos já apurados, ele acabou confessando a autoria do crime, relatando que a morte ocorreu após uma agressão e que o corpo foi ocultado em uma área de mata às margens da estrada que liga Barra do Choça a Barra Nova.

Diante da confissão, da materialidade e dos indícios de autoria, foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. A polícia destacou que, por se tratar de crime permanente no caso da ocultação, o flagrante foi juridicamente caracterizado.

As diligências seguem em andamento, com a realização de perícias técnicas e outras medidas legais, com o objetivo de esclarecer completamente os fatos e consolidar o conjunto probatório. O caso reforça a importância da atuação integrada entre investigação policial, uso de tecnologia e procedimentos legais para a apuração de crimes graves, mesmo em contextos onde o silêncio inicial parece ocultar a verdade.

(Maria Clara)

ARTIGO – Dom Zanoni: Vocação, Profecia e a Coragem de Escolher a Justiça

 

 

 

Padre Carlos

Quando falamos de vocação sacerdotal, quase sempre somos tentados a reduzi-la a um chamado íntimo, silencioso, encerrado nos limites do templo. Mas a verdadeira vocação cristã — e aqui eu falo em tom de confidência, quase num sussurro ao leitor — nasce do batismo e deságua inevitavelmente na história concreta, ferida e real. O seguimento radical de Jesus não é um adorno espiritual: é ruptura, é risco, é escolha. “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,27). Essas palavras não envelhecem. Elas queimam.

No ministério sacerdotal, a renúncia nunca foi — nem pode ser — anulação de si. Renuncia quem é livre. Renuncia quem ama. Renuncia quem encontrou algo maior do que a própria vontade. Esse foi o ensinamento decisivo do Padre Benedito, formador de uma geração inteira de jovens que, décadas depois, assumiriam responsabilidades centrais na Igreja do nosso estado. Ali se forjou uma espiritualidade que não separava oração e compromisso social, fé e justiça, altar e rua.

Tudo começa quando a Diocese decide olhar nos olhos do povo e assumir suas dores como parte do Evangelho. A Igreja Católica, em nossa cidade, escolheu apoiar as lutas sociais, a vida dura do homem e da mulher do campo, dos catadores de café, dos trabalhadores urbanos empurrados para a Serra do Periperi. O maior problema da Igreja não era dogmático; era ético. Era pastoral. Era como anunciar Deus num contexto de opressão, exploração e violência estrutural. Foi nesse chão áspero que brotaram muitas vocações. Entre elas, a de Dom Zanoni.

No dia 23 de janeiro, Dom Zanoni completa 64 anos. Para os amigos, essa data se tornou mais do que um aniversário: é um Memorial. E memória, na tradição bíblica, não é nostalgia. É compromisso. Lembrar é atualizar. É não permitir que a história seja apagada. Entre celebrações em Feira de Santana, Vitória da Conquista e tantos outros lugares onde ele apascentou suas ovelhas.

As elites locais sempre desejaram uma Igreja que anunciasse um Deus-Poder, cúmplice da ordem estabelecida, legitimador da dominação e da desigualdade. Mas o Deus de Jesus — e o Deus vivido por Dom Zanoni — não se confunde com esse ídolo travestido de divindade. Ele é onipotente não porque domina, mas porque cria, sustenta e liberta. Por isso, ao abrir a Catedral para a missa de sétimo dia de Etelvino (Teté), assassinado na Fazenda Paixão, e ao denunciar publicamente os crimes cometidos contra os mais fracos, Dom Zanoni atraiu para si o ódio do conservadorismo burguês. A cruz, mais uma vez, deixou de ser símbolo e virou ameaça real.

A vocação profética não se escolhe sem consequências. Ao denunciar a chacina da Fazenda Mucambo, sua vida foi colocada em risco. Em uma reunião de grandes proprietários, decidiu-se que o “padre da Catedral” estava incomodando demais e deveria ser eliminado. A notícia chegou ao Bispo Dom Celso José. Coube ao Padre João Cardoso, em um gesto de coragem cívica, denunciar o plano no programa Resenha Geral, do saudoso Herzem Gusmão, impedindo que o martírio se consumasse. Mesmo sob ameaça de morte, Dom Zanoni não recuou. Foi a Brasília lutar pela desapropriação das terras. Hoje, o MST conta com 23 assentamentos na região. Isso não é ideologia: é fato histórico. É Evangelho encarnado.

Olhando para trás, para os caminhos percorridos por Dom Zanoni nesses mais de sessenta anos de vida, a conclusão se impõe com força serena: quem busca a paz precisa trabalhar pela justiça; e quem luta por justiça precisa colocar, como primícia inegociável, a defesa da vida. Vida ameaçada, vida esquecida, vida violentada. A fé que não passa por aí torna-se discurso vazio, liturgia sem alma, religião sem Deus.

Este artigo não é apenas homenagem. É testemunho. É memória ativa. É chamado. Em tempos de silêncio cúmplice e neutralidade confortável, a história de Dom Zanoni nos lembra que a vocação sacerdotal — quando fiel ao Evangelho — continua sendo um escândalo para os poderosos e uma boa notícia para os pobres.

Parabéns, companheiro.
Que a sua vida continue sendo sinal de que a justiça é o nome histórico do amor.

ARTIGO – Dom Zanoni: Vocação, Profecia e a Coragem de Escolher a Justiça

 

 

 

Padre Carlos

Quando falamos de vocação sacerdotal, quase sempre somos tentados a reduzi-la a um chamado íntimo, silencioso, encerrado nos limites do templo. Mas a verdadeira vocação cristã — e aqui eu falo em tom de confidência, quase num sussurro ao leitor — nasce do batismo e deságua inevitavelmente na história concreta, ferida e real. O seguimento radical de Jesus não é um adorno espiritual: é ruptura, é risco, é escolha. “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,27). Essas palavras não envelhecem. Elas queimam.

No ministério sacerdotal, a renúncia nunca foi — nem pode ser — anulação de si. Renuncia quem é livre. Renuncia quem ama. Renuncia quem encontrou algo maior do que a própria vontade. Esse foi o ensinamento decisivo do Padre Benedito, formador de uma geração inteira de jovens que, décadas depois, assumiriam responsabilidades centrais na Igreja do nosso estado. Ali se forjou uma espiritualidade que não separava oração e compromisso social, fé e justiça, altar e rua.

Tudo começa quando a Diocese decide olhar nos olhos do povo e assumir suas dores como parte do Evangelho. A Igreja Católica, em nossa cidade, escolheu apoiar as lutas sociais, a vida dura do homem e da mulher do campo, dos catadores de café, dos trabalhadores urbanos empurrados para a Serra do Periperi. O maior problema da Igreja não era dogmático; era ético. Era pastoral. Era como anunciar Deus num contexto de opressão, exploração e violência estrutural. Foi nesse chão áspero que brotaram muitas vocações. Entre elas, a de Dom Zanoni.

No dia 23 de janeiro, Dom Zanoni completa 64 anos. Para os amigos, essa data se tornou mais do que um aniversário: é um Memorial. E memória, na tradição bíblica, não é nostalgia. É compromisso. Lembrar é atualizar. É não permitir que a história seja apagada. Entre celebrações em Feira de Santana, Vitória da Conquista e tantos outros lugares onde ele apascentou suas ovelhas.

As elites locais sempre desejaram uma Igreja que anunciasse um Deus-Poder, cúmplice da ordem estabelecida, legitimador da dominação e da desigualdade. Mas o Deus de Jesus — e o Deus vivido por Dom Zanoni — não se confunde com esse ídolo travestido de divindade. Ele é onipotente não porque domina, mas porque cria, sustenta e liberta. Por isso, ao abrir a Catedral para a missa de sétimo dia de Etelvino (Teté), assassinado na Fazenda Paixão, e ao denunciar publicamente os crimes cometidos contra os mais fracos, Dom Zanoni atraiu para si o ódio do conservadorismo burguês. A cruz, mais uma vez, deixou de ser símbolo e virou ameaça real.

A vocação profética não se escolhe sem consequências. Ao denunciar a chacina da Fazenda Mucambo, sua vida foi colocada em risco. Em uma reunião de grandes proprietários, decidiu-se que o “padre da Catedral” estava incomodando demais e deveria ser eliminado. A notícia chegou ao Bispo Dom Celso José. Coube ao Padre João Cardoso, em um gesto de coragem cívica, denunciar o plano no programa Resenha Geral, do saudoso Herzem Gusmão, impedindo que o martírio se consumasse. Mesmo sob ameaça de morte, Dom Zanoni não recuou. Foi a Brasília lutar pela desapropriação das terras. Hoje, o MST conta com 23 assentamentos na região. Isso não é ideologia: é fato histórico. É Evangelho encarnado.

Olhando para trás, para os caminhos percorridos por Dom Zanoni nesses mais de sessenta anos de vida, a conclusão se impõe com força serena: quem busca a paz precisa trabalhar pela justiça; e quem luta por justiça precisa colocar, como primícia inegociável, a defesa da vida. Vida ameaçada, vida esquecida, vida violentada. A fé que não passa por aí torna-se discurso vazio, liturgia sem alma, religião sem Deus.

Este artigo não é apenas homenagem. É testemunho. É memória ativa. É chamado. Em tempos de silêncio cúmplice e neutralidade confortável, a história de Dom Zanoni nos lembra que a vocação sacerdotal — quando fiel ao Evangelho — continua sendo um escândalo para os poderosos e uma boa notícia para os pobres.

Parabéns, companheiro.
Que a sua vida continue sendo sinal de que a justiça é o nome histórico do amor.

ARTIGO – Racismo Sem Fronteiras: quando o preconceito atravessa sotaques e expõe feridas abertas

 

 

Padre Carlos

O racismo no Brasil não é um desvio isolado nem um ruído ocasional da convivência social. Ele é uma ferida aberta, antiga, estrutural, que insiste em sangrar diante de nossos olhos. O que chama atenção, e precisa ser dito com coragem e responsabilidade, é o aumento recente de casos explícitos de injúria racial e preconceito racial envolvendo visitantes e turistas, muitos deles oriundos da região Sul do país, reproduzindo discursos de ódio que encontram no Brasil negro um alvo histórico.

Não se trata de demonizar regiões ou povos, mas de encarar fatos. O racismo não nasce do nada. Ele é ensinado, naturalizado, reproduzido em ambientes onde a branquitude é confundida com superioridade e onde a diferença é vista como ameaça. Quando esses valores atravessam fronteiras simbólicas, o resultado é violência verbal, humilhação pública e crimes que ferem a dignidade humana.

O caso da turista argentina Agostina Paz é emblemático. Flagrada cometendo atos de injúria racial no Rio de Janeiro, imitando macaco e utilizando termos racistas, ela permanece no país com tornozeleira eletrônica, passaporte apreendido e investigação concluída pela Polícia Civil. O Estado brasileiro deu uma resposta clara: racismo é crime e dá cadeia. Nem fama nas redes sociais, nem nacionalidade estrangeira, nem falsas denúncias intimidam a lei. A tentativa de inverter a narrativa, apresentando-se como vítima, apenas revela o velho expediente de quem nunca aprendeu a lidar com limites civilizatórios.

Outro episódio igualmente chocante ocorreu em Salvador, no coração do Pelourinho, território símbolo da resistência negra no Brasil. Uma turista do Rio Grande do Sul foi presa após chamar uma comerciante de “lixo”, cuspir nela e repetir, de forma quase ritualística, “eu sou branca”, como se a cor da pele fosse um salvo-conduto moral. O relato da vítima, Hanna, é devastador. Não apenas pela violência sofrida, mas pelo trauma que permanece quando o racismo deixa de ser conceito abstrato e se transforma em agressão direta, olho no olho.

Esses episódios não são exceções. São sintomas. Revelam como o racismo no Brasil continua operando com naturalidade assustadora, muitas vezes travestido de opinião, descontrole emocional ou “mal-entendido cultural”. Não é. Racismo é crime. Injúria racial é crime. Preconceito racial é crime. E mais do que isso: é um ataque direto à democracia, à justiça social e aos direitos humanos.

O Brasil precisa decidir quem quer ser. Um país que relativiza o ódio ou uma nação que protege seus cidadãos, especialmente aqueles historicamente violentados. A aplicação rigorosa da lei não é vingança; é pedagogia civilizatória. Cada punição justa é um recado claro: aqui, a dignidade humana não é negociável.

Enquanto o racismo for tratado como “excesso”, ele continuará matando simbolicamente — e às vezes fisicamente — corpos negros todos os dias. Denunciar é dever. Punir é obrigação. Silenciar é cumplicidade.

ARTIGO – Racismo Sem Fronteiras: quando o preconceito atravessa sotaques e expõe feridas abertas

 

 

Padre Carlos

O racismo no Brasil não é um desvio isolado nem um ruído ocasional da convivência social. Ele é uma ferida aberta, antiga, estrutural, que insiste em sangrar diante de nossos olhos. O que chama atenção, e precisa ser dito com coragem e responsabilidade, é o aumento recente de casos explícitos de injúria racial e preconceito racial envolvendo visitantes e turistas, muitos deles oriundos da região Sul do país, reproduzindo discursos de ódio que encontram no Brasil negro um alvo histórico.

Não se trata de demonizar regiões ou povos, mas de encarar fatos. O racismo não nasce do nada. Ele é ensinado, naturalizado, reproduzido em ambientes onde a branquitude é confundida com superioridade e onde a diferença é vista como ameaça. Quando esses valores atravessam fronteiras simbólicas, o resultado é violência verbal, humilhação pública e crimes que ferem a dignidade humana.

O caso da turista argentina Agostina Paz é emblemático. Flagrada cometendo atos de injúria racial no Rio de Janeiro, imitando macaco e utilizando termos racistas, ela permanece no país com tornozeleira eletrônica, passaporte apreendido e investigação concluída pela Polícia Civil. O Estado brasileiro deu uma resposta clara: racismo é crime e dá cadeia. Nem fama nas redes sociais, nem nacionalidade estrangeira, nem falsas denúncias intimidam a lei. A tentativa de inverter a narrativa, apresentando-se como vítima, apenas revela o velho expediente de quem nunca aprendeu a lidar com limites civilizatórios.

Outro episódio igualmente chocante ocorreu em Salvador, no coração do Pelourinho, território símbolo da resistência negra no Brasil. Uma turista do Rio Grande do Sul foi presa após chamar uma comerciante de “lixo”, cuspir nela e repetir, de forma quase ritualística, “eu sou branca”, como se a cor da pele fosse um salvo-conduto moral. O relato da vítima, Hanna, é devastador. Não apenas pela violência sofrida, mas pelo trauma que permanece quando o racismo deixa de ser conceito abstrato e se transforma em agressão direta, olho no olho.

Esses episódios não são exceções. São sintomas. Revelam como o racismo no Brasil continua operando com naturalidade assustadora, muitas vezes travestido de opinião, descontrole emocional ou “mal-entendido cultural”. Não é. Racismo é crime. Injúria racial é crime. Preconceito racial é crime. E mais do que isso: é um ataque direto à democracia, à justiça social e aos direitos humanos.

O Brasil precisa decidir quem quer ser. Um país que relativiza o ódio ou uma nação que protege seus cidadãos, especialmente aqueles historicamente violentados. A aplicação rigorosa da lei não é vingança; é pedagogia civilizatória. Cada punição justa é um recado claro: aqui, a dignidade humana não é negociável.

Enquanto o racismo for tratado como “excesso”, ele continuará matando simbolicamente — e às vezes fisicamente — corpos negros todos os dias. Denunciar é dever. Punir é obrigação. Silenciar é cumplicidade.

Vitória da Conquista promove Caminhada Ecológica no Parque das Lagoas das Bateias e reforça compromisso com o meio ambiente

 

 

 

Por Redação

Vitória da Conquista se prepara para viver, no próximo 1º de fevereiro de 2026, um momento simbólico e prático de mobilização ambiental. A partir das 7h30 da manhã, o Parque Ambiental Lagoa das Bateias será palco da 1ª Caminhada Ecológica, uma iniciativa que une conscientização, participação cidadã e cuidado coletivo com um dos principais patrimônios naturais do município.

Com o lema “O Parque é nosso. O cuidado também.”, o evento vai além de uma simples caminhada. Durante o percurso, os participantes irão realizar a coleta de resíduos descartados de forma inadequada dentro do parque, transformando o ato de caminhar em um gesto concreto de preservação ambiental.

A ação é promovida com apoio da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, por meio de suas secretarias e órgãos ambientais, e tem como objetivo despertar na população a responsabilidade compartilhada pela conservação dos espaços públicos, especialmente aqueles voltados ao lazer, à convivência e à sustentabilidade.

O Parque Ambiental Lagoa das Bateias, que ao longo dos anos se consolidou como área estratégica para o equilíbrio ecológico da cidade, enfrenta desafios comuns a muitos parques urbanos: descarte irregular de lixo, degradação de áreas verdes e falta de consciência ambiental por parte de uma parcela da população. A Caminhada Ecológica surge, portanto, como resposta pedagógica e mobilizadora a esse cenário.

Segundo a organização, a expectativa é reunir moradores, estudantes, ambientalistas, atletas amadores, famílias e representantes de movimentos sociais, reforçando a ideia de que o cuidado com o meio ambiente começa no território onde se vive. “É um convite à corresponsabilidade. Preservar o parque é preservar qualidade de vida”, destaca um dos organizadores.

Além da coleta de resíduos, o evento deve estimular reflexões sobre educação ambiental, sustentabilidade urbana e políticas públicas voltadas à proteção dos recursos naturais. A caminhada também se insere em um contexto mais amplo de debates globais sobre mudanças climáticas, cidades sustentáveis e participação social.

A orientação é que os participantes utilizem roupas leves, calçados confortáveis e, se possível, levem luvas para auxiliar na coleta do lixo. A organização reforça que a caminhada é aberta ao público e não exige inscrição prévia.

Ao promover a Caminhada Ecológica, Vitória da Conquista sinaliza que o cuidado com o meio ambiente não é apenas discurso, mas prática coletiva. Um passo de cada vez, a cidade reafirma que preservar hoje é garantir o amanhã.

Vitória da Conquista promove Caminhada Ecológica no Parque das Lagoas das Bateias e reforça compromisso com o meio ambiente

 

 

 

Por Redação

Vitória da Conquista se prepara para viver, no próximo 1º de fevereiro de 2026, um momento simbólico e prático de mobilização ambiental. A partir das 7h30 da manhã, o Parque Ambiental Lagoa das Bateias será palco da 1ª Caminhada Ecológica, uma iniciativa que une conscientização, participação cidadã e cuidado coletivo com um dos principais patrimônios naturais do município.

Com o lema “O Parque é nosso. O cuidado também.”, o evento vai além de uma simples caminhada. Durante o percurso, os participantes irão realizar a coleta de resíduos descartados de forma inadequada dentro do parque, transformando o ato de caminhar em um gesto concreto de preservação ambiental.

A ação é promovida com apoio da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, por meio de suas secretarias e órgãos ambientais, e tem como objetivo despertar na população a responsabilidade compartilhada pela conservação dos espaços públicos, especialmente aqueles voltados ao lazer, à convivência e à sustentabilidade.

O Parque Ambiental Lagoa das Bateias, que ao longo dos anos se consolidou como área estratégica para o equilíbrio ecológico da cidade, enfrenta desafios comuns a muitos parques urbanos: descarte irregular de lixo, degradação de áreas verdes e falta de consciência ambiental por parte de uma parcela da população. A Caminhada Ecológica surge, portanto, como resposta pedagógica e mobilizadora a esse cenário.

Segundo a organização, a expectativa é reunir moradores, estudantes, ambientalistas, atletas amadores, famílias e representantes de movimentos sociais, reforçando a ideia de que o cuidado com o meio ambiente começa no território onde se vive. “É um convite à corresponsabilidade. Preservar o parque é preservar qualidade de vida”, destaca um dos organizadores.

Além da coleta de resíduos, o evento deve estimular reflexões sobre educação ambiental, sustentabilidade urbana e políticas públicas voltadas à proteção dos recursos naturais. A caminhada também se insere em um contexto mais amplo de debates globais sobre mudanças climáticas, cidades sustentáveis e participação social.

A orientação é que os participantes utilizem roupas leves, calçados confortáveis e, se possível, levem luvas para auxiliar na coleta do lixo. A organização reforça que a caminhada é aberta ao público e não exige inscrição prévia.

Ao promover a Caminhada Ecológica, Vitória da Conquista sinaliza que o cuidado com o meio ambiente não é apenas discurso, mas prática coletiva. Um passo de cada vez, a cidade reafirma que preservar hoje é garantir o amanhã.

Saudade, Militância e Utopia: quando o passado ainda pulsa no peito

 

 

 

Quando foi que começamos a chamar de “ingenuidade” aquilo que, um dia, foi coragem?
Essa pergunta não grita. Ela sussurra. Sussurra no ouvido de quem viveu a juventude como quem vive um manifesto: com o corpo inteiro, com o coração desarmado, com a certeza — quase insolente — de que o mundo podia ser diferente.

Tenho saudade de um tempo.
E não é uma saudade qualquer. É dessas que não pedem licença, que chegam de madrugada, sentam na beira da cama e ficam. Saudade da juventude, da militância, da utopia que eu carregava como quem carrega um estandarte invisível. Saudade do que foi vivido em cada detalhe, quando tudo parecia eterno — e, por isso mesmo, não nos preparamos para o fim.

Havia abraços que eram trincheiras.
Conversas que duravam mais que a noite.
Um namoro escondido que, paradoxalmente, era mais verdadeiro do que muitas relações exibidas hoje à luz fria das redes sociais. Não sinto falta só de você — e aqui falo também no singular íntimo e no plural coletivo. Sinto falta de nós. Daquele acelerar do coração quando o encontro acontecia. Da sensação de que estávamos do lado certo da história, mesmo sem garantias, mesmo sem aplausos.

Essa saudade não é apenas afetiva. Ela é política.

Porque houve um tempo em que a militância não era cálculo, era entrega. Não era branding pessoal, era risco. Não era performance, era presença. Militávamos com os pés no chão e os olhos no horizonte. A utopia não era um slogan vazio; era um motor. Doía, cansava, frustrava — mas fazia sentido.

Hoje, o mundo parece ter trocado o verbo “transformar” pelo verbo “gerenciar”.
Gerenciar expectativas.
Gerenciar danos.
Gerenciar a própria indignação para não parecer excessivo.

No meio do caminho, algo se perdeu.

O ponto de virada talvez tenha sido silencioso. Não houve um anúncio oficial do fim das utopias. Elas simplesmente foram sendo empurradas para fora do debate, tratadas como coisa de jovens imaturos ou de velhos saudosistas. A palavra “sonho” passou a soar suspeita. A palavra “esperança”, ingênua. A palavra “militância”, inconveniente.

Mas a verdade — e ela precisa ser dita com coragem moral — é que sociedades não sobrevivem sem utopia. Democracias não respiram sem sonho. Projetos coletivos morrem quando a memória afetiva da luta é apagada.

Essa saudade que sentimos não é fuga do presente. É denúncia.
Denúncia de um tempo em que a política perdeu calor humano. Em que a técnica venceu a paixão. Em que o discurso ficou correto, mas vazio. E, talvez por isso, incapaz de mobilizar, de comover, de criar pertencimento.

Lembro de um companheiro — poderia ser qualquer um — que dizia, entre um panfleto e outro: “Se um dia isso aqui deixar de fazer o coração bater mais forte, a gente perdeu.” Na época, parecia exagero. Hoje, soa como advertência.

Não se trata de idealizar o passado. Ele tinha erros, contradições, derrotas duras. Mas tinha algo que faz falta: sentido. A sensação de que o esforço individual se dissolvia num “nós” maior. De que o amor, a política e a vida caminhavam juntos, ainda que tropeçando.

Talvez seja isso que mais doa na saudade: perceber que não sentimos falta apenas das pessoas, mas da versão de nós mesmos que acreditava sem cinismo, que amava sem medo, que lutava sem manual de instruções.

E, ainda assim, escrever sobre isso não é um exercício de melancolia estéril. É um chamado. Um lembrete incômodo de que a utopia pode até ter envelhecido, mas não morreu. Ela apenas espera ser reencontrada — não como repetição do passado, mas como reinvenção corajosa do futuro.

Porque, no fundo, enquanto houver saudade, ainda há vínculo.
Enquanto houver memória, ainda há possibilidade.
E enquanto o coração insistir em acelerar diante da ideia de um mundo mais justo, a luta — silenciosa ou ruidosa — ainda não terminou.

Saudade, Militância e Utopia: quando o passado ainda pulsa no peito

 

 

 

Quando foi que começamos a chamar de “ingenuidade” aquilo que, um dia, foi coragem?
Essa pergunta não grita. Ela sussurra. Sussurra no ouvido de quem viveu a juventude como quem vive um manifesto: com o corpo inteiro, com o coração desarmado, com a certeza — quase insolente — de que o mundo podia ser diferente.

Tenho saudade de um tempo.
E não é uma saudade qualquer. É dessas que não pedem licença, que chegam de madrugada, sentam na beira da cama e ficam. Saudade da juventude, da militância, da utopia que eu carregava como quem carrega um estandarte invisível. Saudade do que foi vivido em cada detalhe, quando tudo parecia eterno — e, por isso mesmo, não nos preparamos para o fim.

Havia abraços que eram trincheiras.
Conversas que duravam mais que a noite.
Um namoro escondido que, paradoxalmente, era mais verdadeiro do que muitas relações exibidas hoje à luz fria das redes sociais. Não sinto falta só de você — e aqui falo também no singular íntimo e no plural coletivo. Sinto falta de nós. Daquele acelerar do coração quando o encontro acontecia. Da sensação de que estávamos do lado certo da história, mesmo sem garantias, mesmo sem aplausos.

Essa saudade não é apenas afetiva. Ela é política.

Porque houve um tempo em que a militância não era cálculo, era entrega. Não era branding pessoal, era risco. Não era performance, era presença. Militávamos com os pés no chão e os olhos no horizonte. A utopia não era um slogan vazio; era um motor. Doía, cansava, frustrava — mas fazia sentido.

Hoje, o mundo parece ter trocado o verbo “transformar” pelo verbo “gerenciar”.
Gerenciar expectativas.
Gerenciar danos.
Gerenciar a própria indignação para não parecer excessivo.

No meio do caminho, algo se perdeu.

O ponto de virada talvez tenha sido silencioso. Não houve um anúncio oficial do fim das utopias. Elas simplesmente foram sendo empurradas para fora do debate, tratadas como coisa de jovens imaturos ou de velhos saudosistas. A palavra “sonho” passou a soar suspeita. A palavra “esperança”, ingênua. A palavra “militância”, inconveniente.

Mas a verdade — e ela precisa ser dita com coragem moral — é que sociedades não sobrevivem sem utopia. Democracias não respiram sem sonho. Projetos coletivos morrem quando a memória afetiva da luta é apagada.

Essa saudade que sentimos não é fuga do presente. É denúncia.
Denúncia de um tempo em que a política perdeu calor humano. Em que a técnica venceu a paixão. Em que o discurso ficou correto, mas vazio. E, talvez por isso, incapaz de mobilizar, de comover, de criar pertencimento.

Lembro de um companheiro — poderia ser qualquer um — que dizia, entre um panfleto e outro: “Se um dia isso aqui deixar de fazer o coração bater mais forte, a gente perdeu.” Na época, parecia exagero. Hoje, soa como advertência.

Não se trata de idealizar o passado. Ele tinha erros, contradições, derrotas duras. Mas tinha algo que faz falta: sentido. A sensação de que o esforço individual se dissolvia num “nós” maior. De que o amor, a política e a vida caminhavam juntos, ainda que tropeçando.

Talvez seja isso que mais doa na saudade: perceber que não sentimos falta apenas das pessoas, mas da versão de nós mesmos que acreditava sem cinismo, que amava sem medo, que lutava sem manual de instruções.

E, ainda assim, escrever sobre isso não é um exercício de melancolia estéril. É um chamado. Um lembrete incômodo de que a utopia pode até ter envelhecido, mas não morreu. Ela apenas espera ser reencontrada — não como repetição do passado, mas como reinvenção corajosa do futuro.

Porque, no fundo, enquanto houver saudade, ainda há vínculo.
Enquanto houver memória, ainda há possibilidade.
E enquanto o coração insistir em acelerar diante da ideia de um mundo mais justo, a luta — silenciosa ou ruidosa — ainda não terminou.

ARTIGO – (José de Andrade Brazil e a Arte Silenciosa de Costurar uma Cidade)

 

 

Padre Carlos

Quem costura a alma de uma cidade?
Não são apenas prefeitos, engenheiros ou grandes empresários. Às vezes, são homens discretos, de fala mansa, mãos firmes e olhar atento, que passam a vida alinhavando muito mais do que tecidos. José de Andrade Brazil foi um desses homens. E Vitória da Conquista, talvez sem perceber plenamente, perde com sua partida um de seus artesãos mais profundos.

Há mortes que fazem barulho. Outras chegam em silêncio. A de um alfaiate pertence à segunda categoria — mas o silêncio que fica é ensurdecedor. Porque José de Andrade não era apenas alguém que costurava roupas. Ele costurava dignidade. Ajustava o mundo ponto a ponto, com a paciência de quem sabe que o essencial não pode ser apressado.

Durante 86 anos, grande parte deles vividos na Praça José Gonçalves, a poucos metros do prédio da Prefeitura, ele foi testemunha viva da história urbana de Vitória da Conquista. Viu a cidade crescer, endurecer, modernizar-se, acelerar. E permaneceu ali, como uma âncora ética, praticando um ofício que exige precisão, escuta e respeito pelo corpo do outro. Um alfaiate precisa olhar com atenção, medir com cuidado, cortar com responsabilidade. Não há espaço para improviso irresponsável. Há método. Há ética. Há arte.

Num tempo dominado pelo descartável, pelo “serve assim mesmo”, José de Andrade representava a cultura do esmero. Da costura bem feita por dentro, mesmo quando ninguém vai ver. Isso não é apenas técnica — é caráter. É uma forma de estar no mundo.

Lembro-me de observar, certa vez, um homem simples sair de uma alfaiataria com o peito mais erguido. A roupa ajudava, claro. Mas o que realmente mudava era outra coisa: o sentimento de ser visto, respeitado, levado a sério. Bons artesãos fazem isso. Eles devolvem às pessoas a consciência da própria dignidade. José de Andrade fez isso por décadas, sem discursos, sem holofotes, sem redes sociais. Apenas com linha, agulha e silêncio.

A Prefeitura de Vitória da Conquista registra oficialmente o pesar. O velório no Salão San Marcos e o sepultamento no Cemitério da Saudade cumprem o rito institucional. Mas há um outro luto, mais profundo e menos formal: o da cidade que vai perdendo seus mestres anônimos, aqueles que sustentam a vida urbana não com cargos, mas com sentido.

Em tempos de crise de referências, a morte de um alfaiate deveria nos fazer pensar. Que tipo de cidade estamos costurando? Uma feita às pressas, com costuras aparentes, ou uma cidade bem alinhavada, onde cada detalhe importa? José de Andrade Brazil pertence à linhagem rara dos que acreditavam que fazer bem feito é, em si, um ato político e moral.

Que sua memória permaneça como metáfora e lição. Porque cidades também precisam de alfaiates. E quando eles se vão, cabe a nós decidir se deixaremos o tecido social se esgarçar — ou se aprenderemos, enfim, a cuidar melhor dos pontos que nos mantêm unidos.

ARTIGO – (José de Andrade Brazil e a Arte Silenciosa de Costurar uma Cidade)

 

 

Padre Carlos

Quem costura a alma de uma cidade?
Não são apenas prefeitos, engenheiros ou grandes empresários. Às vezes, são homens discretos, de fala mansa, mãos firmes e olhar atento, que passam a vida alinhavando muito mais do que tecidos. José de Andrade Brazil foi um desses homens. E Vitória da Conquista, talvez sem perceber plenamente, perde com sua partida um de seus artesãos mais profundos.

Há mortes que fazem barulho. Outras chegam em silêncio. A de um alfaiate pertence à segunda categoria — mas o silêncio que fica é ensurdecedor. Porque José de Andrade não era apenas alguém que costurava roupas. Ele costurava dignidade. Ajustava o mundo ponto a ponto, com a paciência de quem sabe que o essencial não pode ser apressado.

Durante 86 anos, grande parte deles vividos na Praça José Gonçalves, a poucos metros do prédio da Prefeitura, ele foi testemunha viva da história urbana de Vitória da Conquista. Viu a cidade crescer, endurecer, modernizar-se, acelerar. E permaneceu ali, como uma âncora ética, praticando um ofício que exige precisão, escuta e respeito pelo corpo do outro. Um alfaiate precisa olhar com atenção, medir com cuidado, cortar com responsabilidade. Não há espaço para improviso irresponsável. Há método. Há ética. Há arte.

Num tempo dominado pelo descartável, pelo “serve assim mesmo”, José de Andrade representava a cultura do esmero. Da costura bem feita por dentro, mesmo quando ninguém vai ver. Isso não é apenas técnica — é caráter. É uma forma de estar no mundo.

Lembro-me de observar, certa vez, um homem simples sair de uma alfaiataria com o peito mais erguido. A roupa ajudava, claro. Mas o que realmente mudava era outra coisa: o sentimento de ser visto, respeitado, levado a sério. Bons artesãos fazem isso. Eles devolvem às pessoas a consciência da própria dignidade. José de Andrade fez isso por décadas, sem discursos, sem holofotes, sem redes sociais. Apenas com linha, agulha e silêncio.

A Prefeitura de Vitória da Conquista registra oficialmente o pesar. O velório no Salão San Marcos e o sepultamento no Cemitério da Saudade cumprem o rito institucional. Mas há um outro luto, mais profundo e menos formal: o da cidade que vai perdendo seus mestres anônimos, aqueles que sustentam a vida urbana não com cargos, mas com sentido.

Em tempos de crise de referências, a morte de um alfaiate deveria nos fazer pensar. Que tipo de cidade estamos costurando? Uma feita às pressas, com costuras aparentes, ou uma cidade bem alinhavada, onde cada detalhe importa? José de Andrade Brazil pertence à linhagem rara dos que acreditavam que fazer bem feito é, em si, um ato político e moral.

Que sua memória permaneça como metáfora e lição. Porque cidades também precisam de alfaiates. E quando eles se vão, cabe a nós decidir se deixaremos o tecido social se esgarçar — ou se aprenderemos, enfim, a cuidar melhor dos pontos que nos mantêm unidos.

ARTIGO – O Espírito dos Cravos e a Alma da Democracia Portuguesa

 

 

Padre Carlos

Há momentos na história em que os povos são chamados a decidir não apenas entre projetos políticos, mas entre valores civilizatórios. Portugal vive um desses instantes. A recente pesquisa de segundo turno que aponta ampla vantagem do candidato socialista sobre o adversário da extrema direita revela algo mais profundo do que uma simples disputa eleitoral: revela que o povo português compreende, de forma madura, o que realmente está em jogo.

Não se trata, como muitos tentam reduzir, de uma batalha entre esquerda e direita, tampouco de um embate raso entre liberalismo e conservadorismo. O que está diante da sociedade portuguesa é a defesa da democracia, da paz social e da convivência plural contra o avanço do obscurantismo político, da intolerância xenofóbica e do discurso de ódio que corrói as instituições por dentro. Trata-se de preservar a alma do 25 de Abril, o espírito dos Cravos de 1974, que devolveu ao país a liberdade, a dignidade e a esperança.

O espírito dos Cravos não foi apenas um evento histórico; foi um pacto ético. Um compromisso coletivo com a democracia, com os direitos humanos, com a justiça social e com a qualidade de vida em comunidade. Foi a recusa consciente do autoritarismo, do arbítrio e da violência como método de organização política. Perder esse espírito seria mais grave do que perder uma eleição: seria perder a memória, a identidade e o sentido de nação.

A ascensão da extrema direita em diversas partes da Europa tem mostrado um padrão inquietante: o ataque sistemático às instituições democráticas, a instrumentalização do medo, a criminalização do diferente e a banalização da violência simbólica e real. Portugal, ao que tudo indica, resiste a esse movimento não por ingenuidade, mas por consciência histórica. A experiência da ditadura salazarista ainda ecoa como advertência viva de que o autoritarismo nunca entrega o que promete, apenas aprofunda desigualdades e silencia vozes.

Ao optar pela defesa da democracia, o eleitor português sinaliza que ética pública não é um luxo, mas um fundamento. Que segurança não se constrói com ódio, mas com justiça social. Que a paz não nasce da exclusão, mas do reconhecimento do outro como sujeito de direitos. Em tempos de radicalização política e fake news, essa postura revela maturidade democrática e responsabilidade histórica.

O risco de perder a alma existe sempre que a memória coletiva é substituída pela intolerância e pelo ressentimento. Mas, por ora, Portugal mostra que o espírito dos Cravos ainda floresce. Não como nostalgia romântica, mas como escolha concreta pela democracia, pela convivência civilizada e pela recusa firme de qualquer projeto que flerte com o autoritarismo. Defender esse espírito é, hoje, mais do que um gesto político: é um ato de fidelidade à própria história.

ARTIGO – O Espírito dos Cravos e a Alma da Democracia Portuguesa

 

 

Padre Carlos

Há momentos na história em que os povos são chamados a decidir não apenas entre projetos políticos, mas entre valores civilizatórios. Portugal vive um desses instantes. A recente pesquisa de segundo turno que aponta ampla vantagem do candidato socialista sobre o adversário da extrema direita revela algo mais profundo do que uma simples disputa eleitoral: revela que o povo português compreende, de forma madura, o que realmente está em jogo.

Não se trata, como muitos tentam reduzir, de uma batalha entre esquerda e direita, tampouco de um embate raso entre liberalismo e conservadorismo. O que está diante da sociedade portuguesa é a defesa da democracia, da paz social e da convivência plural contra o avanço do obscurantismo político, da intolerância xenofóbica e do discurso de ódio que corrói as instituições por dentro. Trata-se de preservar a alma do 25 de Abril, o espírito dos Cravos de 1974, que devolveu ao país a liberdade, a dignidade e a esperança.

O espírito dos Cravos não foi apenas um evento histórico; foi um pacto ético. Um compromisso coletivo com a democracia, com os direitos humanos, com a justiça social e com a qualidade de vida em comunidade. Foi a recusa consciente do autoritarismo, do arbítrio e da violência como método de organização política. Perder esse espírito seria mais grave do que perder uma eleição: seria perder a memória, a identidade e o sentido de nação.

A ascensão da extrema direita em diversas partes da Europa tem mostrado um padrão inquietante: o ataque sistemático às instituições democráticas, a instrumentalização do medo, a criminalização do diferente e a banalização da violência simbólica e real. Portugal, ao que tudo indica, resiste a esse movimento não por ingenuidade, mas por consciência histórica. A experiência da ditadura salazarista ainda ecoa como advertência viva de que o autoritarismo nunca entrega o que promete, apenas aprofunda desigualdades e silencia vozes.

Ao optar pela defesa da democracia, o eleitor português sinaliza que ética pública não é um luxo, mas um fundamento. Que segurança não se constrói com ódio, mas com justiça social. Que a paz não nasce da exclusão, mas do reconhecimento do outro como sujeito de direitos. Em tempos de radicalização política e fake news, essa postura revela maturidade democrática e responsabilidade histórica.

O risco de perder a alma existe sempre que a memória coletiva é substituída pela intolerância e pelo ressentimento. Mas, por ora, Portugal mostra que o espírito dos Cravos ainda floresce. Não como nostalgia romântica, mas como escolha concreta pela democracia, pela convivência civilizada e pela recusa firme de qualquer projeto que flerte com o autoritarismo. Defender esse espírito é, hoje, mais do que um gesto político: é um ato de fidelidade à própria história.