Política e Resenha

A política que presta contas e desce à ponta do sistema

 

 

(Padre Carlos)

O pronunciamento da vereadora Cris Rocha, na sessão desta quarta-feira, 17 de dezembro, na tribuna da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, merece registro não apenas como ato administrativo, mas como gesto político no sentido mais nobre da palavra. Em tempos de discursos vazios, disputas estéreis e mandatos que se perdem na retórica, a vereadora fez algo raro: prestou contas, explicou prioridades e explicitou escolhas.

Ao apresentar suas emendas impositivas para o orçamento de 2026, Cris Rocha revelou uma compreensão clara de como funciona o sistema público de saúde e de infraestrutura urbana. Não começou pelo topo, nem pelo espetáculo, mas pela ponta do sistema, onde o cidadão comum busca o primeiro atendimento: os postos de saúde dos bairros e distritos. Iobim, Batepé, Mirucairo, São Sebastião e Lagoa das Flores não são apenas localidades no mapa; são territórios vivos, onde a política pública se materializa ou fracassa.

Ao destinar recursos para reforma e aquisição de equipamentos nessas unidades, o mandato reafirma um princípio básico da gestão pública moderna: saúde de qualidade começa na atenção primária. Postos estruturados significam menos filas, menos sofrimento, mais dignidade para usuários e melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde. É política pública com impacto direto, mensurável e socialmente relevante.

Outro ponto central do pronunciamento foi a destinação de emenda para a reforma e ampliação do CEMEF, centro municipal de reabilitação, com foco na implantação do atendimento à deficiência intelectual. Trata-se de uma demanda histórica, ignorada por sucessivas gestões, e que afeta não apenas indivíduos, mas famílias inteiras. Ao priorizar esse investimento, a vereadora toca em uma verdade frequentemente esquecida: cuidar de pessoas com deficiência é cuidar da vida em sua forma mais vulnerável.

A política, quando humanizada, deixa de ser abstração e passa a ser presença concreta na vida das pessoas. Nesse sentido, o mandato de Cris Rocha demonstra sensibilidade social aliada à responsabilidade institucional, algo cada vez mais raro no cenário político brasileiro.

O mesmo vale para as emendas destinadas ao recapeamento asfáltico da Urbis 2 e do bairro Santa Cruz. Mobilidade urbana, segurança viária e qualidade de vida não são pautas menores; são direitos básicos. Ruas degradadas significam acidentes, prejuízos e abandono. Investir em infraestrutura urbana é investir em cidadania.

O pronunciamento também registrou um agradecimento público à Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia, pela instalação de redutores de velocidade na BR-415, uma via marcada por acidentes e mortes. Aqui, mais uma vez, aparece a política que escuta, insiste e acompanha. A solicitação feita desde março encontrou resposta, e os resultados já são visíveis: trânsito mais seguro, menos risco, mais tranquilidade para moradores, estudantes e trabalhadores da região.

Ao final, a vereadora reafirma algo essencial: a legalidade e obrigatoriedade do cumprimento das emendas impositivas. Não se trata de favor do Executivo, mas de dever institucional. Ao lembrar isso publicamente, Cris Rocha não apenas defende suas emendas, mas fortalece o próprio papel do Legislativo municipal.

Seu discurso não foi inflamado, nem teatral. Foi técnico, humano e politicamente maduro. Em um ambiente muitas vezes marcado pelo ruído, o pronunciamento se destacou pela clareza, pelo compromisso com a transparência pública, pela defesa da saúde pública, da inclusão social, da segurança no trânsito e da qualidade de vida em Vitória da Conquista.

A política precisa voltar a ser isso: prestação de contas, prioridade social e presença concreta na vida do povo. O que se ouviu na tribuna, nesta manhã, foi um raro exemplo de que isso ainda é possível.

A política que presta contas e desce à ponta do sistema

 

 

(Padre Carlos)

O pronunciamento da vereadora Cris Rocha, na sessão desta quarta-feira, 17 de dezembro, na tribuna da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, merece registro não apenas como ato administrativo, mas como gesto político no sentido mais nobre da palavra. Em tempos de discursos vazios, disputas estéreis e mandatos que se perdem na retórica, a vereadora fez algo raro: prestou contas, explicou prioridades e explicitou escolhas.

Ao apresentar suas emendas impositivas para o orçamento de 2026, Cris Rocha revelou uma compreensão clara de como funciona o sistema público de saúde e de infraestrutura urbana. Não começou pelo topo, nem pelo espetáculo, mas pela ponta do sistema, onde o cidadão comum busca o primeiro atendimento: os postos de saúde dos bairros e distritos. Iobim, Batepé, Mirucairo, São Sebastião e Lagoa das Flores não são apenas localidades no mapa; são territórios vivos, onde a política pública se materializa ou fracassa.

Ao destinar recursos para reforma e aquisição de equipamentos nessas unidades, o mandato reafirma um princípio básico da gestão pública moderna: saúde de qualidade começa na atenção primária. Postos estruturados significam menos filas, menos sofrimento, mais dignidade para usuários e melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde. É política pública com impacto direto, mensurável e socialmente relevante.

Outro ponto central do pronunciamento foi a destinação de emenda para a reforma e ampliação do CEMEF, centro municipal de reabilitação, com foco na implantação do atendimento à deficiência intelectual. Trata-se de uma demanda histórica, ignorada por sucessivas gestões, e que afeta não apenas indivíduos, mas famílias inteiras. Ao priorizar esse investimento, a vereadora toca em uma verdade frequentemente esquecida: cuidar de pessoas com deficiência é cuidar da vida em sua forma mais vulnerável.

A política, quando humanizada, deixa de ser abstração e passa a ser presença concreta na vida das pessoas. Nesse sentido, o mandato de Cris Rocha demonstra sensibilidade social aliada à responsabilidade institucional, algo cada vez mais raro no cenário político brasileiro.

O mesmo vale para as emendas destinadas ao recapeamento asfáltico da Urbis 2 e do bairro Santa Cruz. Mobilidade urbana, segurança viária e qualidade de vida não são pautas menores; são direitos básicos. Ruas degradadas significam acidentes, prejuízos e abandono. Investir em infraestrutura urbana é investir em cidadania.

O pronunciamento também registrou um agradecimento público à Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia, pela instalação de redutores de velocidade na BR-415, uma via marcada por acidentes e mortes. Aqui, mais uma vez, aparece a política que escuta, insiste e acompanha. A solicitação feita desde março encontrou resposta, e os resultados já são visíveis: trânsito mais seguro, menos risco, mais tranquilidade para moradores, estudantes e trabalhadores da região.

Ao final, a vereadora reafirma algo essencial: a legalidade e obrigatoriedade do cumprimento das emendas impositivas. Não se trata de favor do Executivo, mas de dever institucional. Ao lembrar isso publicamente, Cris Rocha não apenas defende suas emendas, mas fortalece o próprio papel do Legislativo municipal.

Seu discurso não foi inflamado, nem teatral. Foi técnico, humano e politicamente maduro. Em um ambiente muitas vezes marcado pelo ruído, o pronunciamento se destacou pela clareza, pelo compromisso com a transparência pública, pela defesa da saúde pública, da inclusão social, da segurança no trânsito e da qualidade de vida em Vitória da Conquista.

A política precisa voltar a ser isso: prestação de contas, prioridade social e presença concreta na vida do povo. O que se ouviu na tribuna, nesta manhã, foi um raro exemplo de que isso ainda é possível.

ARTIGO – Quando a Palavra Resiste: Renan Calheiros e o Último Gesto de Dignidade no Senado

 

 

 

 

Na quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, o Senado Federal ofereceu ao país mais um espetáculo deprimente de sua decadência institucional. O que se viu não foi deliberação republicana, mas encenação. Não foi debate democrático, mas acordo de bastidores. Não foi política em sentido nobre, mas a repetição cansada da esculhambação que já contaminou a Câmara dos Deputados e agora se espraia, sem pudor, pelo Senado da República. Em meio a esse cenário de avacalhação e desmoralização, um gesto rompeu o script: o pronunciamento firme, indignado e consciente do senador Renan Calheiros.

A política também é feita de símbolos. E há momentos em que a palavra, quando pronunciada com coragem, se transforma em ato histórico. Renan Calheiros não falou apenas como senador experiente; falou como personagem político em confronto direto com o sistema que ele próprio conhece por dentro. Ao denunciar a tentativa de acelerar, em 24 horas, a tramitação de uma matéria complexa e de profundo impacto institucional — o chamado PL da anistia, travestido de tecnicalidade jurídica — Renan não estava apenas discordando de um procedimento. Estava resistindo a uma farsa.

Sua fala carrega os elementos clássicos da literatura engajada: a denúncia do retrocesso institucional e jurídico, a defesa do Estado de Direito, a recusa explícita em participar de encenações parlamentares e o alerta de que tal manobra desestimula os militares legalistas que se recusaram a apoiar aventuras golpistas. Ao afirmar que não compactuaria com uma votação apressada para servir de moeda de troca a outros interesses do governo, Renan expôs o cinismo parlamentar com a crueza que a situação exigia.

Esse gesto ecoa a tradição do romance de tese, onde o personagem não é neutro, não flutua acima da história, mas toma partido.  A  política não é pano de fundo: é o próprio enredo. O povo aparece como referência moral, a legalidade como fronteira ética, e o autoritarismo como inimigo a ser nomeado. O artigo engajado que eu proponho escrever não se esconde atrás de falsas imparcialidades. Ele escolhe lado. E Renan escolheu.

Enquanto isso, o Senado se comportava exatamente como a Câmara dos Deputados: a mesma avacalhação, a mesma falta de escrúpulos, a mesma desmoralização da democracia representativa. Presidências que deveriam zelar pelo rito constitucional se tornaram símbolos de um sistema que opera nas sombras, na surdina, acelerando processos para atender interesses que nada têm a ver com a sociedade brasileira. O Parlamento, que deveria ser a casa do debate, converteu-se em balcão.

Ao denunciar que a votação apressada frustraria uma investigação densa e profunda da Polícia Federal, baseada em provas robustas contra golpistas, Renan tocou no nervo exposto da crise institucional brasileira: a tentativa permanente de apagar a memória democrática, de normalizar o golpismo, de transformar crimes contra a democracia em simples divergências políticas. É contra essa anestesia moral que sua fala se insurge.

Renan Calheiros, neste episódio, representa mais do que um senador. Representa a lembrança incômoda de que ainda é possível dizer “não” quando o sistema inteiro conspira pelo silêncio cúmplice. Para mim, ele se apresenta como exemplo de resistência institucional em tempos de covardia coletiva. E é legítimo esperar que o povo de Alagoas, que conhece o peso da história, saiba distinguir quem defende a democracia de quem a instrumentaliza — e dê a Artur Lira a derrota política que sua trajetória recente merece.

A maturidade da sociedade brasileira será testada mais uma vez. Ou aceitaremos passivamente a degradação contínua das instituições, ou reconheceremos que a democracia não se sustenta sem gestos de coragem, sem palavras que enfrentem o poder, sem homens públicos dispostos a pagar o preço da dissidência. Quando o Parlamento falha, a consciência pública precisa falar mais alto. E, naquele dia, foi Renan Calheiros quem falou.

(Padre Carlos)

 

ARTIGO – Quando a Palavra Resiste: Renan Calheiros e o Último Gesto de Dignidade no Senado

 

 

 

 

Na quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, o Senado Federal ofereceu ao país mais um espetáculo deprimente de sua decadência institucional. O que se viu não foi deliberação republicana, mas encenação. Não foi debate democrático, mas acordo de bastidores. Não foi política em sentido nobre, mas a repetição cansada da esculhambação que já contaminou a Câmara dos Deputados e agora se espraia, sem pudor, pelo Senado da República. Em meio a esse cenário de avacalhação e desmoralização, um gesto rompeu o script: o pronunciamento firme, indignado e consciente do senador Renan Calheiros.

A política também é feita de símbolos. E há momentos em que a palavra, quando pronunciada com coragem, se transforma em ato histórico. Renan Calheiros não falou apenas como senador experiente; falou como personagem político em confronto direto com o sistema que ele próprio conhece por dentro. Ao denunciar a tentativa de acelerar, em 24 horas, a tramitação de uma matéria complexa e de profundo impacto institucional — o chamado PL da anistia, travestido de tecnicalidade jurídica — Renan não estava apenas discordando de um procedimento. Estava resistindo a uma farsa.

Sua fala carrega os elementos clássicos da literatura engajada: a denúncia do retrocesso institucional e jurídico, a defesa do Estado de Direito, a recusa explícita em participar de encenações parlamentares e o alerta de que tal manobra desestimula os militares legalistas que se recusaram a apoiar aventuras golpistas. Ao afirmar que não compactuaria com uma votação apressada para servir de moeda de troca a outros interesses do governo, Renan expôs o cinismo parlamentar com a crueza que a situação exigia.

Esse gesto ecoa a tradição do romance de tese, onde o personagem não é neutro, não flutua acima da história, mas toma partido.  A  política não é pano de fundo: é o próprio enredo. O povo aparece como referência moral, a legalidade como fronteira ética, e o autoritarismo como inimigo a ser nomeado. O artigo engajado que eu proponho escrever não se esconde atrás de falsas imparcialidades. Ele escolhe lado. E Renan escolheu.

Enquanto isso, o Senado se comportava exatamente como a Câmara dos Deputados: a mesma avacalhação, a mesma falta de escrúpulos, a mesma desmoralização da democracia representativa. Presidências que deveriam zelar pelo rito constitucional se tornaram símbolos de um sistema que opera nas sombras, na surdina, acelerando processos para atender interesses que nada têm a ver com a sociedade brasileira. O Parlamento, que deveria ser a casa do debate, converteu-se em balcão.

Ao denunciar que a votação apressada frustraria uma investigação densa e profunda da Polícia Federal, baseada em provas robustas contra golpistas, Renan tocou no nervo exposto da crise institucional brasileira: a tentativa permanente de apagar a memória democrática, de normalizar o golpismo, de transformar crimes contra a democracia em simples divergências políticas. É contra essa anestesia moral que sua fala se insurge.

Renan Calheiros, neste episódio, representa mais do que um senador. Representa a lembrança incômoda de que ainda é possível dizer “não” quando o sistema inteiro conspira pelo silêncio cúmplice. Para mim, ele se apresenta como exemplo de resistência institucional em tempos de covardia coletiva. E é legítimo esperar que o povo de Alagoas, que conhece o peso da história, saiba distinguir quem defende a democracia de quem a instrumentaliza — e dê a Artur Lira a derrota política que sua trajetória recente merece.

A maturidade da sociedade brasileira será testada mais uma vez. Ou aceitaremos passivamente a degradação contínua das instituições, ou reconheceremos que a democracia não se sustenta sem gestos de coragem, sem palavras que enfrentem o poder, sem homens públicos dispostos a pagar o preço da dissidência. Quando o Parlamento falha, a consciência pública precisa falar mais alto. E, naquele dia, foi Renan Calheiros quem falou.

(Padre Carlos)

 

ARTIGO – Quando a Câmara Escuta o Povo e Age: Justiça Tarifária para Vitória da Conquista

 

 

 

Poucos temas despertam tanta indignação silenciosa na população quanto a cobrança da tarifa de esgoto na conta de água da Embasa. Trata-se de um peso mensal que atravessa governos, gestões e discursos, mas que raramente encontra respostas concretas do poder público. Em Vitória da Conquista, essa insatisfação histórica começa, finalmente, a ser enfrentada com seriedade institucional e compromisso político.

O papel do presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro, tem sido decisivo nesse processo. Ao dar celeridade à tramitação do projeto de lei que reduz a tarifa de esgoto de 80% para 40%, Ivan Cordeiro demonstra liderança, capacidade de articulação e, sobretudo, sensibilidade social. Celeridade, no caso, não é pressa irresponsável, mas compreensão de urgência social. É entender que a política existe para responder às dores reais do povo e não para empurrá-las para debaixo do tapete burocrático.

A Câmara de Vereadores, sob sua condução, assume o papel que dela se espera em uma democracia local madura: o de mediadora entre o cidadão e os grandes interesses econômicos. Ao colocar esse projeto no centro da pauta, a Casa Legislativa afirma que justiça tarifária não é favor, é dever. É o poder legislativo municipal atuando, de fato, em defesa do consumidor e do bem comum.

Igualmente fundamental é destacar a atuação do vereador Edvaldo Ferreira Júnior, autor do projeto. Sua experiência jurídica aparece de forma clara na construção de uma proposta tecnicamente consistente, juridicamente segura e politicamente viável. Não se trata de um gesto populista ou de um discurso vazio, mas de um projeto de lei pensado com base no direito público, no interesse coletivo e na realidade social da cidade. A redução da tarifa de esgoto representa menos cobrança e mais dignidade, mais dinheiro no bolso do cidadão conquistense e mais equilíbrio na relação entre a Embasa e os usuários do serviço.

O projeto nasce de uma escuta atenta da população e traduz, em norma legal, aquilo que o povo sempre disse nas filas, nas ruas e dentro de casa: a tarifa é abusiva e precisa ser revista. Ao enfrentar esse tema, a Câmara responde às demandas populares com ação concreta, algo cada vez mais raro na política brasileira.

Outro aspecto relevante é o amplo apoio político à proposta. A expectativa de aprovação pelos 23 vereadores reforça a imagem de uma Câmara unida, atuante e comprometida com Vitória da Conquista. Em tempos de polarização estéril, ver o parlamento municipal convergir em torno de uma pauta que beneficia diretamente a população é um sinal de maturidade institucional e responsabilidade pública.

Este projeto simboliza mais do que uma mudança numérica na conta de água. Ele representa a reafirmação do papel da Câmara de Vereadores como defensora da população, como espaço de diálogo e como instrumento de justiça social. Quando o poder legislativo municipal funciona, quem ganha é o povo. E quando há menos cobrança, há mais alívio, mais respeito e mais cidadania.

Vitória da Conquista assiste, neste momento, a um raro exemplo de política que resolve problemas reais. Que não seja exceção, mas caminho.

(Padre Carlos)

ARTIGO – Quando a Câmara Escuta o Povo e Age: Justiça Tarifária para Vitória da Conquista

 

 

 

Poucos temas despertam tanta indignação silenciosa na população quanto a cobrança da tarifa de esgoto na conta de água da Embasa. Trata-se de um peso mensal que atravessa governos, gestões e discursos, mas que raramente encontra respostas concretas do poder público. Em Vitória da Conquista, essa insatisfação histórica começa, finalmente, a ser enfrentada com seriedade institucional e compromisso político.

O papel do presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro, tem sido decisivo nesse processo. Ao dar celeridade à tramitação do projeto de lei que reduz a tarifa de esgoto de 80% para 40%, Ivan Cordeiro demonstra liderança, capacidade de articulação e, sobretudo, sensibilidade social. Celeridade, no caso, não é pressa irresponsável, mas compreensão de urgência social. É entender que a política existe para responder às dores reais do povo e não para empurrá-las para debaixo do tapete burocrático.

A Câmara de Vereadores, sob sua condução, assume o papel que dela se espera em uma democracia local madura: o de mediadora entre o cidadão e os grandes interesses econômicos. Ao colocar esse projeto no centro da pauta, a Casa Legislativa afirma que justiça tarifária não é favor, é dever. É o poder legislativo municipal atuando, de fato, em defesa do consumidor e do bem comum.

Igualmente fundamental é destacar a atuação do vereador Edvaldo Ferreira Júnior, autor do projeto. Sua experiência jurídica aparece de forma clara na construção de uma proposta tecnicamente consistente, juridicamente segura e politicamente viável. Não se trata de um gesto populista ou de um discurso vazio, mas de um projeto de lei pensado com base no direito público, no interesse coletivo e na realidade social da cidade. A redução da tarifa de esgoto representa menos cobrança e mais dignidade, mais dinheiro no bolso do cidadão conquistense e mais equilíbrio na relação entre a Embasa e os usuários do serviço.

O projeto nasce de uma escuta atenta da população e traduz, em norma legal, aquilo que o povo sempre disse nas filas, nas ruas e dentro de casa: a tarifa é abusiva e precisa ser revista. Ao enfrentar esse tema, a Câmara responde às demandas populares com ação concreta, algo cada vez mais raro na política brasileira.

Outro aspecto relevante é o amplo apoio político à proposta. A expectativa de aprovação pelos 23 vereadores reforça a imagem de uma Câmara unida, atuante e comprometida com Vitória da Conquista. Em tempos de polarização estéril, ver o parlamento municipal convergir em torno de uma pauta que beneficia diretamente a população é um sinal de maturidade institucional e responsabilidade pública.

Este projeto simboliza mais do que uma mudança numérica na conta de água. Ele representa a reafirmação do papel da Câmara de Vereadores como defensora da população, como espaço de diálogo e como instrumento de justiça social. Quando o poder legislativo municipal funciona, quem ganha é o povo. E quando há menos cobrança, há mais alívio, mais respeito e mais cidadania.

Vitória da Conquista assiste, neste momento, a um raro exemplo de política que resolve problemas reais. Que não seja exceção, mas caminho.

(Padre Carlos)

GRANDE RIFA SOLIDÁRIA – CONCORRA A UM CARRO ZERO POR APENAS R$ 0,90!

 

No próximo sábado, 20 de dezembro, o Apostolado da Divina Misericórdia de Vitória da Conquista realiza um sorteio especial que une solidariedade e esperança: você pode ganhar um Renault Kwid zero quilômetro contribuindo com apenas R$ 0,90.

🌟 Por que participar?

Porque cada bilhete ajuda diretamente na construção do Portal da Misericórdia, a futura sede da Obra — um espaço dedicado à fé, ao acolhimento e ao cuidado com quem mais precisa.

❤️ Sua contribuição transforma vidas

O Apostolado atende cerca de 70 famílias carentes, doa cestas básicas semanalmente e distribui refeições a pessoas em situação de rua todas as quartas-feiras. Além disso, mantém intensa atividade espiritual e prepara um espaço que acolherá famílias, mulheres vítimas de violência e atividades de evangelização.

Rifa 100% legalizada

  • Sorteio pela Loteria Federal
  • Autorização SPA/ME nº 04.039470/2025
  • Bilhetes vendidos exclusivamente pelo site
  • Pagamento via PIX
  • Número gerado automaticamente e registrado com segurança

🚗 Por apenas R$ 0,90, você ajuda — e ainda pode sair de carro novo!

Acesse: www.rifa.portaldamisericordia.com.br

📞 Informações

Fale com o coordenador da Obra, Patrício Ribeiro: (77) 99936-7077

 

GRANDE RIFA SOLIDÁRIA – CONCORRA A UM CARRO ZERO POR APENAS R$ 0,90!

 

No próximo sábado, 20 de dezembro, o Apostolado da Divina Misericórdia de Vitória da Conquista realiza um sorteio especial que une solidariedade e esperança: você pode ganhar um Renault Kwid zero quilômetro contribuindo com apenas R$ 0,90.

🌟 Por que participar?

Porque cada bilhete ajuda diretamente na construção do Portal da Misericórdia, a futura sede da Obra — um espaço dedicado à fé, ao acolhimento e ao cuidado com quem mais precisa.

❤️ Sua contribuição transforma vidas

O Apostolado atende cerca de 70 famílias carentes, doa cestas básicas semanalmente e distribui refeições a pessoas em situação de rua todas as quartas-feiras. Além disso, mantém intensa atividade espiritual e prepara um espaço que acolherá famílias, mulheres vítimas de violência e atividades de evangelização.

Rifa 100% legalizada

  • Sorteio pela Loteria Federal
  • Autorização SPA/ME nº 04.039470/2025
  • Bilhetes vendidos exclusivamente pelo site
  • Pagamento via PIX
  • Número gerado automaticamente e registrado com segurança

🚗 Por apenas R$ 0,90, você ajuda — e ainda pode sair de carro novo!

Acesse: www.rifa.portaldamisericordia.com.br

📞 Informações

Fale com o coordenador da Obra, Patrício Ribeiro: (77) 99936-7077

 

ARTIGO – José Rocha: quando a coragem solitária enfrenta o sistema bilionário das sombras

 

 

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história política em que a grandeza não nasce de discursos inflamados nem de gestos teatrais, mas de um simples e perigoso ato de decência: dizer não. Em Brasília, onde bilhões circulam em silêncio e acordos se fazem longe da luz, um homem de 77 anos resolveu romper o pacto tácito da obediência. José Rocha, deputado federal em seu 12º mandato, quase meio século de vida pública, escolheu a transparência quando o sistema esperava submissão.

Não se trata de um novato, nem de um aventureiro. José Rocha é um veterano calejado, baiano, do União Brasil, alguém que já viu governos nascerem e ruírem, escândalos explodirem e outros serem enterrados sob a poeira da burocracia. Justamente por isso, seu gesto ganha contornos ainda mais heroicos. Ele sabia o preço. Sabia com quem estava lidando. E mesmo assim seguiu em frente.

Quando assumiu a presidência da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional, em abril de 2024, tudo indicava mais um cargo técnico, quase protocolar. Mas bastou o celular vibrar para que o cenário mudasse. Planilhas sem autoria, minutas prontas, cifras obscenas: R$ 1,125 bilhão em emendas sem destino, sem beneficiários, sem explicação. Apenas números frios e a expectativa de uma assinatura obediente.

José Rocha fez o que deveria ser óbvio numa República, mas que se tornou revolucionário num sistema adoecido: perguntou. Quem são os autores? Para onde vai o dinheiro público? Quem se beneficia? As respostas nunca vieram. Vieram apenas mais planilhas, mais pressão, mais ordens veladas. Até que surgiu o que escancarou tudo: R$ 20 milhões destinados a Alagoas, terra do então presidente da Câmara, Artur Lira, novamente sem autoria, sem transparência, sem critério republicano.

Assinar aquilo seria, nas palavras do próprio deputado, passar um cheque em branco com dinheiro do povo brasileiro. Ele não assinou. Guardou tudo. Mensagem por mensagem. Documento por documento. No WhatsApp, hoje transformado em prova histórica contra um dos maiores esquemas de centralização orçamentária já denunciados no país.

A pressão não tardou. Telefonema direto do homem mais poderoso da Câmara. Recados claros, ainda que não explícitos. Retaliações silenciosas: exclusão de eventos internacionais, articulações para destituí-lo da comissão, ataques indiretos à sua equipe. O método clássico do sistema político brasileiro: isolar, desgastar, substituir.

Mas José Rocha não estava disposto a ser mais um carimbo. Procurou adversários ideológicos, como Glauber Braga, porque a ética, quando é verdadeira, atravessa partidos. Descobriu que o problema não era isolado. Era estrutural. O chamado orçamento secreto, declarado inconstitucional pelo STF, havia apenas mudado de nome. Agora se escondia sob as emendas de comissão, concentradas nas mãos de poucos, longe de qualquer controle democrático.

A decisão final exigiu coragem moral. Ele levou tudo ao Supremo Tribunal Federal. Entregou ao ministro Flávio Dino o que poucos tiveram a lucidez de preservar: provas. Prints, planilhas, registros, pressões, ameaças. Não rumores, não versões, mas fatos. A partir dali, a engrenagem começou a ranger.

A Polícia Federal entrou em cena. Depoimentos de parlamentares de diferentes partidos confirmaram o padrão: presidentes de comissão transformados em figurantes, ordens vindas de cima, bilhões de reais distribuídos sem debate, sem critérios públicos, sem transparência. O nome de Mariângela Fialek, assessora estratégica da presidência da Câmara, aparece como operadora central do sistema. Todas as emendas, de todas as comissões, passavam por ela.

A Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, não caiu do céu. Ela nasceu da coragem de um homem que se recusou a normalizar o absurdo. Busca e apreensão, afastamento funcional, quebra de sigilos, investigação de crimes como peculato, falsidade ideológica e corrupção passiva. O valor sob apuração assusta: R$ 4,2 bilhões. Dinheiro público que deveria estar em hospitais, escolas, segurança, infraestrutura, e não circulando como moeda de barganha política.

José Rocha poderia ter seguido o fluxo. Poderia ter se protegido, silenciado, sobrevivido confortavelmente até o fim da carreira. Escolheu outro caminho. Escolheu a Constituição. Escolheu o interesse público. Escolheu a transparência.

Seu gesto expõe duas verdades incômodas. A primeira: ainda existem homens públicos capazes de agir com integridade, mesmo quando tudo conspira contra. A segunda: o sistema político brasileiro segue profundamente contaminado por práticas que desprezam a democracia, o controle social e o direito do cidadão de saber para onde vai o seu dinheiro.

José Rocha não empunhou armas, não liderou multidões, não buscou holofotes. Apenas perguntou, resistiu e denunciou. Em tempos de cinismo institucionalizado, isso é heroísmo. E talvez seja justamente por isso que sua atitude incomoda tanto.

Que sua coragem não seja uma exceção admirada em silêncio, mas um exemplo que constranja, inspire e transforme. Porque sem transparência, não há República. Sem coragem, não há democracia.

ARTIGO – José Rocha: quando a coragem solitária enfrenta o sistema bilionário das sombras

 

 

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história política em que a grandeza não nasce de discursos inflamados nem de gestos teatrais, mas de um simples e perigoso ato de decência: dizer não. Em Brasília, onde bilhões circulam em silêncio e acordos se fazem longe da luz, um homem de 77 anos resolveu romper o pacto tácito da obediência. José Rocha, deputado federal em seu 12º mandato, quase meio século de vida pública, escolheu a transparência quando o sistema esperava submissão.

Não se trata de um novato, nem de um aventureiro. José Rocha é um veterano calejado, baiano, do União Brasil, alguém que já viu governos nascerem e ruírem, escândalos explodirem e outros serem enterrados sob a poeira da burocracia. Justamente por isso, seu gesto ganha contornos ainda mais heroicos. Ele sabia o preço. Sabia com quem estava lidando. E mesmo assim seguiu em frente.

Quando assumiu a presidência da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional, em abril de 2024, tudo indicava mais um cargo técnico, quase protocolar. Mas bastou o celular vibrar para que o cenário mudasse. Planilhas sem autoria, minutas prontas, cifras obscenas: R$ 1,125 bilhão em emendas sem destino, sem beneficiários, sem explicação. Apenas números frios e a expectativa de uma assinatura obediente.

José Rocha fez o que deveria ser óbvio numa República, mas que se tornou revolucionário num sistema adoecido: perguntou. Quem são os autores? Para onde vai o dinheiro público? Quem se beneficia? As respostas nunca vieram. Vieram apenas mais planilhas, mais pressão, mais ordens veladas. Até que surgiu o que escancarou tudo: R$ 20 milhões destinados a Alagoas, terra do então presidente da Câmara, Artur Lira, novamente sem autoria, sem transparência, sem critério republicano.

Assinar aquilo seria, nas palavras do próprio deputado, passar um cheque em branco com dinheiro do povo brasileiro. Ele não assinou. Guardou tudo. Mensagem por mensagem. Documento por documento. No WhatsApp, hoje transformado em prova histórica contra um dos maiores esquemas de centralização orçamentária já denunciados no país.

A pressão não tardou. Telefonema direto do homem mais poderoso da Câmara. Recados claros, ainda que não explícitos. Retaliações silenciosas: exclusão de eventos internacionais, articulações para destituí-lo da comissão, ataques indiretos à sua equipe. O método clássico do sistema político brasileiro: isolar, desgastar, substituir.

Mas José Rocha não estava disposto a ser mais um carimbo. Procurou adversários ideológicos, como Glauber Braga, porque a ética, quando é verdadeira, atravessa partidos. Descobriu que o problema não era isolado. Era estrutural. O chamado orçamento secreto, declarado inconstitucional pelo STF, havia apenas mudado de nome. Agora se escondia sob as emendas de comissão, concentradas nas mãos de poucos, longe de qualquer controle democrático.

A decisão final exigiu coragem moral. Ele levou tudo ao Supremo Tribunal Federal. Entregou ao ministro Flávio Dino o que poucos tiveram a lucidez de preservar: provas. Prints, planilhas, registros, pressões, ameaças. Não rumores, não versões, mas fatos. A partir dali, a engrenagem começou a ranger.

A Polícia Federal entrou em cena. Depoimentos de parlamentares de diferentes partidos confirmaram o padrão: presidentes de comissão transformados em figurantes, ordens vindas de cima, bilhões de reais distribuídos sem debate, sem critérios públicos, sem transparência. O nome de Mariângela Fialek, assessora estratégica da presidência da Câmara, aparece como operadora central do sistema. Todas as emendas, de todas as comissões, passavam por ela.

A Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, não caiu do céu. Ela nasceu da coragem de um homem que se recusou a normalizar o absurdo. Busca e apreensão, afastamento funcional, quebra de sigilos, investigação de crimes como peculato, falsidade ideológica e corrupção passiva. O valor sob apuração assusta: R$ 4,2 bilhões. Dinheiro público que deveria estar em hospitais, escolas, segurança, infraestrutura, e não circulando como moeda de barganha política.

José Rocha poderia ter seguido o fluxo. Poderia ter se protegido, silenciado, sobrevivido confortavelmente até o fim da carreira. Escolheu outro caminho. Escolheu a Constituição. Escolheu o interesse público. Escolheu a transparência.

Seu gesto expõe duas verdades incômodas. A primeira: ainda existem homens públicos capazes de agir com integridade, mesmo quando tudo conspira contra. A segunda: o sistema político brasileiro segue profundamente contaminado por práticas que desprezam a democracia, o controle social e o direito do cidadão de saber para onde vai o seu dinheiro.

José Rocha não empunhou armas, não liderou multidões, não buscou holofotes. Apenas perguntou, resistiu e denunciou. Em tempos de cinismo institucionalizado, isso é heroísmo. E talvez seja justamente por isso que sua atitude incomoda tanto.

Que sua coragem não seja uma exceção admirada em silêncio, mas um exemplo que constranja, inspire e transforme. Porque sem transparência, não há República. Sem coragem, não há democracia.

O pacotaço do poder: quando a reeleição transforma aliados em descartáveis

 

 

 

(Padre Carlos)

O chamado “pacotaço” colocado em circulação pelo governo Jerônimo Rodrigues para evitar o rompimento com o PSD não é apenas uma manobra de contenção política. É, sobretudo, um retrato cru de como a lógica do poder, na Bahia, continua operando mais pela troca de cargos do que pela construção de projetos coletivos. Ao tentar segurar o senador Ângelo Coronel na base aliada, o governo expõe fragilidades internas, escancara disputas silenciosas e transforma o vice-governador em uma peça descartável no tabuleiro da reeleição.

O medo de perder Ângelo Coronel e ver a chapa majoritária implodir levou o núcleo governista a oferecer compensações que falam por si. A principal delas é a vaga de vice-governador para Diego Coronel, deputado federal e filho do senador. Soma-se a isso o fortalecimento político de outro herdeiro, Angelo Coronel Filho, com espaço estratégico na Assembleia Legislativa. Em troca, espera-se lealdade e silêncio diante da exclusão já dada como certa do senador da disputa ao Senado, hoje reservada ao projeto “inegociável” de Rui Costa.

Esse movimento, porém, cobra um preço político alto e imediato. Geraldinho Júnior, atual vice-governador, simplesmente desaparece do roteiro. Não há anúncio oficial, não há explicação pública, não há gesto de reconhecimento institucional. Há apenas o silêncio — e, na política, o silêncio quase sempre confirma o que ninguém quer dizer em voz alta. O vice vira ex-vice antes do fim do mandato, não por decisão popular, mas por rearranjo de bastidores.

A crise se aprofunda quando se observa o isolamento de Ângelo Coronel dentro do próprio PSD, especialmente após Otto Alencar sacramentar sua adesão ao projeto de reeleição de Jerônimo ao indicar o filho para o Tribunal de Contas do Estado. O recado foi claro: há espaço para alguns, não para todos. A resposta de Coronel veio na mesma velocidade. Ao admitir disputar a reeleição ao Senado de forma avulsa, ele sinaliza que está disposto a embaralhar o jogo e criar dificuldades reais, sobretudo para Jaques Wagner, visto por muitos como o elo mais vulnerável da chapa.

O episódio revela algo mais profundo e preocupante. Cargos eletivos, que deveriam ser expressão da vontade popular, passam a ser tratados como moedas de troca para acomodar interesses familiares e preservar alianças circunstanciais. A política deixa de ser um espaço de debate sobre projeto de governo, desenvolvimento regional e políticas públicas, e se transforma em um balcão onde sobrenomes pesam mais do que ideias, e acordos valem mais do que compromissos com o eleitor.

Ângelo Coronel, experiente e pragmático, joga com as cartas que tem. Sabe que sua força não está apenas nos votos, mas na rede de prefeitos e lideranças locais que o acompanham. Sua estratégia é legítima do ponto de vista político, mas revela um sistema adoecido, no qual alianças são frágeis, instáveis e movidas muito mais pelo interesse imediato do que por uma visão de futuro para a Bahia.

O “pacotaço” não resolve o problema central. Apenas adia o conflito e expõe uma prática antiga: aliados são úteis enquanto servem ao projeto de poder; quando se tornam obstáculos, são substituídos sem cerimônia. Em política, porém, quem é descartado raramente aceita sair em silêncio — e quase nunca sai sem deixar marcas.

No fim das contas, o episódio é sintoma, não solução. Ele mostra que a renovação política ainda é mais discurso do que realidade, que o poder continua concentrado em famílias e grupos tradicionais e que o eleitor segue sendo chamado a votar, mas raramente a decidir de fato. Mudar nomes não basta. É preciso mudar a lógica. E essa mudança só acontece quando a sociedade deixa de aceitar acordos de bastidores como algo normal e passa a exigir transparência, coerência e respeito ao voto popular.

O pacotaço do poder: quando a reeleição transforma aliados em descartáveis

 

 

 

(Padre Carlos)

O chamado “pacotaço” colocado em circulação pelo governo Jerônimo Rodrigues para evitar o rompimento com o PSD não é apenas uma manobra de contenção política. É, sobretudo, um retrato cru de como a lógica do poder, na Bahia, continua operando mais pela troca de cargos do que pela construção de projetos coletivos. Ao tentar segurar o senador Ângelo Coronel na base aliada, o governo expõe fragilidades internas, escancara disputas silenciosas e transforma o vice-governador em uma peça descartável no tabuleiro da reeleição.

O medo de perder Ângelo Coronel e ver a chapa majoritária implodir levou o núcleo governista a oferecer compensações que falam por si. A principal delas é a vaga de vice-governador para Diego Coronel, deputado federal e filho do senador. Soma-se a isso o fortalecimento político de outro herdeiro, Angelo Coronel Filho, com espaço estratégico na Assembleia Legislativa. Em troca, espera-se lealdade e silêncio diante da exclusão já dada como certa do senador da disputa ao Senado, hoje reservada ao projeto “inegociável” de Rui Costa.

Esse movimento, porém, cobra um preço político alto e imediato. Geraldinho Júnior, atual vice-governador, simplesmente desaparece do roteiro. Não há anúncio oficial, não há explicação pública, não há gesto de reconhecimento institucional. Há apenas o silêncio — e, na política, o silêncio quase sempre confirma o que ninguém quer dizer em voz alta. O vice vira ex-vice antes do fim do mandato, não por decisão popular, mas por rearranjo de bastidores.

A crise se aprofunda quando se observa o isolamento de Ângelo Coronel dentro do próprio PSD, especialmente após Otto Alencar sacramentar sua adesão ao projeto de reeleição de Jerônimo ao indicar o filho para o Tribunal de Contas do Estado. O recado foi claro: há espaço para alguns, não para todos. A resposta de Coronel veio na mesma velocidade. Ao admitir disputar a reeleição ao Senado de forma avulsa, ele sinaliza que está disposto a embaralhar o jogo e criar dificuldades reais, sobretudo para Jaques Wagner, visto por muitos como o elo mais vulnerável da chapa.

O episódio revela algo mais profundo e preocupante. Cargos eletivos, que deveriam ser expressão da vontade popular, passam a ser tratados como moedas de troca para acomodar interesses familiares e preservar alianças circunstanciais. A política deixa de ser um espaço de debate sobre projeto de governo, desenvolvimento regional e políticas públicas, e se transforma em um balcão onde sobrenomes pesam mais do que ideias, e acordos valem mais do que compromissos com o eleitor.

Ângelo Coronel, experiente e pragmático, joga com as cartas que tem. Sabe que sua força não está apenas nos votos, mas na rede de prefeitos e lideranças locais que o acompanham. Sua estratégia é legítima do ponto de vista político, mas revela um sistema adoecido, no qual alianças são frágeis, instáveis e movidas muito mais pelo interesse imediato do que por uma visão de futuro para a Bahia.

O “pacotaço” não resolve o problema central. Apenas adia o conflito e expõe uma prática antiga: aliados são úteis enquanto servem ao projeto de poder; quando se tornam obstáculos, são substituídos sem cerimônia. Em política, porém, quem é descartado raramente aceita sair em silêncio — e quase nunca sai sem deixar marcas.

No fim das contas, o episódio é sintoma, não solução. Ele mostra que a renovação política ainda é mais discurso do que realidade, que o poder continua concentrado em famílias e grupos tradicionais e que o eleitor segue sendo chamado a votar, mas raramente a decidir de fato. Mudar nomes não basta. É preciso mudar a lógica. E essa mudança só acontece quando a sociedade deixa de aceitar acordos de bastidores como algo normal e passa a exigir transparência, coerência e respeito ao voto popular.

ARTIGO – Tarcísio não decola porque não fala a língua do ódio: a extrema direita raiz segue o clã Bolsonaro

 

 

(Padre Carlos)

A mais recente pesquisa Quaest não apenas mediu intenções de voto; ela escancarou um traço essencial da política brasileira contemporânea: a extrema direita não se move por gestão, currículo ou moderação. Ela se alimenta de ódio, radicalismo e identidade de clã. E é exatamente por isso que Tarcísio de Freitas não decolou.

No cenário testado pela Quaest, Lula aparece com 41% das intenções de voto, consolidando uma liderança ampla e consistente. Flávio Bolsonaro surge com 23%, enquanto Tarcísio amarga apenas 10%. A diferença não é casual, nem conjuntural. Ela revela um dado estrutural: Tarcísio não representa a extrema direita raiz, aquela que se organiza a partir do ressentimento, da guerra cultural permanente e da devoção quase religiosa a Jair Bolsonaro.

Durante meses, setores do centrão, do mercado financeiro e da imprensa econômica venderam a ideia de que Tarcísio seria o “bolsonarista viável”, o nome capaz de herdar os votos do bolsonarismo sem o peso do radicalismo explícito. A pesquisa desmonta essa fantasia. O bolsonarismo não transfere votos por afinidade ideológica abstrata; ele transfere por laço familiar, simbólico e emocional. Flávio pontua porque carrega o sobrenome. Porque é do clã. Porque, para esse eleitorado, o sangue fala mais alto que qualquer projeto.

A extrema direita raiz não quer um gestor técnico, nem um engenheiro de obras públicas com discurso polido. Ela quer confronto, inimigos claros, linguagem agressiva e a sensação permanente de estar em guerra contra o “sistema”, ainda que viva dele. Nesse ambiente, Tarcísio soa artificial. Ele não encarna o ódio como método político, não performa o extremismo radical como identidade, não mobiliza a base pela raiva. E, para esse segmento, isso é fatal.

A análise do jornalista Henrique Rodrigues, da revista Fórum, ajuda a compreender esse fenômeno. Fora da sombra de Jair Bolsonaro, Tarcísio revela sua real estatura política nacional: a de um tecnocrata dependente, sem base própria, sem carisma popular e sem capacidade de aglutinar a direita radical. O bolsonarismo não se organiza em torno de planilhas ou indicadores econômicos; ele se organiza em torno do culto à personalidade e da retórica do confronto.

Há ainda um paradoxo que agrava a situação do governador paulista. Embora não represente a extrema direita raiz, Tarcísio é percebido por ela como o candidato do sistema. E não sem razão. Seu projeto está alinhado ao neoliberalismo mais duro, à agenda de privatizações, à redução do Estado social e ao enfraquecimento de políticas públicas de proteção. A venda da Sabesp simboliza esse método. A ameaça à Petrobras, aos programas sociais como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia, completa o quadro. Trata-se de um modelo que agrada ao mercado financeiro, mas não inflama as massas radicalizadas.

O resultado é um isolamento político peculiar: Tarcísio não empolga o eleitorado extremista e tampouco conquista os setores populares. Ele fica preso num limbo, rejeitado por lulistas, malvisto por bolsonaristas raiz e sustentado apenas por analistas que insistem em confundir desejo com realidade eleitoral. A própria pesquisa mostra que sua rejeição é alta inclusive entre eleitores de Bolsonaro, especialmente após os ataques públicos de Eduardo Bolsonaro, que o rotulou como “candidato do sistema”.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, não cresce por mérito próprio ou densidade política. Ele pontua porque representa a continuidade simbólica do bolsonarismo. Seu desempenho é menos uma afirmação pessoal e mais a prova de que, sem Jair Bolsonaro na urna, a extrema direita prefere alguém do clã a qualquer alternativa externa, por mais “competente” que ela pareça aos olhos do mercado.

A pesquisa Quaest, portanto, deixa uma lição clara para quem insiste em subestimar a lógica do extremismo: a extrema direita brasileira não busca governabilidade, busca identidade; não busca projeto, busca confronto; não busca resultados, busca pertencimento. Tarcísio não decolou porque não fala essa língua. E dificilmente falará.

Enquanto isso, Lula observa esse campo adversário fragmentado, dividido e prisioneiro de suas próprias contradições. A direita radical segue refém do sobrenome Bolsonaro, e os candidatos fabricados fora desse núcleo continuam descobrindo, tarde demais, que sem ódio não há mobilização; e sem o clã, não há bolsonarismo.

ARTIGO – Tarcísio não decola porque não fala a língua do ódio: a extrema direita raiz segue o clã Bolsonaro

 

 

(Padre Carlos)

A mais recente pesquisa Quaest não apenas mediu intenções de voto; ela escancarou um traço essencial da política brasileira contemporânea: a extrema direita não se move por gestão, currículo ou moderação. Ela se alimenta de ódio, radicalismo e identidade de clã. E é exatamente por isso que Tarcísio de Freitas não decolou.

No cenário testado pela Quaest, Lula aparece com 41% das intenções de voto, consolidando uma liderança ampla e consistente. Flávio Bolsonaro surge com 23%, enquanto Tarcísio amarga apenas 10%. A diferença não é casual, nem conjuntural. Ela revela um dado estrutural: Tarcísio não representa a extrema direita raiz, aquela que se organiza a partir do ressentimento, da guerra cultural permanente e da devoção quase religiosa a Jair Bolsonaro.

Durante meses, setores do centrão, do mercado financeiro e da imprensa econômica venderam a ideia de que Tarcísio seria o “bolsonarista viável”, o nome capaz de herdar os votos do bolsonarismo sem o peso do radicalismo explícito. A pesquisa desmonta essa fantasia. O bolsonarismo não transfere votos por afinidade ideológica abstrata; ele transfere por laço familiar, simbólico e emocional. Flávio pontua porque carrega o sobrenome. Porque é do clã. Porque, para esse eleitorado, o sangue fala mais alto que qualquer projeto.

A extrema direita raiz não quer um gestor técnico, nem um engenheiro de obras públicas com discurso polido. Ela quer confronto, inimigos claros, linguagem agressiva e a sensação permanente de estar em guerra contra o “sistema”, ainda que viva dele. Nesse ambiente, Tarcísio soa artificial. Ele não encarna o ódio como método político, não performa o extremismo radical como identidade, não mobiliza a base pela raiva. E, para esse segmento, isso é fatal.

A análise do jornalista Henrique Rodrigues, da revista Fórum, ajuda a compreender esse fenômeno. Fora da sombra de Jair Bolsonaro, Tarcísio revela sua real estatura política nacional: a de um tecnocrata dependente, sem base própria, sem carisma popular e sem capacidade de aglutinar a direita radical. O bolsonarismo não se organiza em torno de planilhas ou indicadores econômicos; ele se organiza em torno do culto à personalidade e da retórica do confronto.

Há ainda um paradoxo que agrava a situação do governador paulista. Embora não represente a extrema direita raiz, Tarcísio é percebido por ela como o candidato do sistema. E não sem razão. Seu projeto está alinhado ao neoliberalismo mais duro, à agenda de privatizações, à redução do Estado social e ao enfraquecimento de políticas públicas de proteção. A venda da Sabesp simboliza esse método. A ameaça à Petrobras, aos programas sociais como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia, completa o quadro. Trata-se de um modelo que agrada ao mercado financeiro, mas não inflama as massas radicalizadas.

O resultado é um isolamento político peculiar: Tarcísio não empolga o eleitorado extremista e tampouco conquista os setores populares. Ele fica preso num limbo, rejeitado por lulistas, malvisto por bolsonaristas raiz e sustentado apenas por analistas que insistem em confundir desejo com realidade eleitoral. A própria pesquisa mostra que sua rejeição é alta inclusive entre eleitores de Bolsonaro, especialmente após os ataques públicos de Eduardo Bolsonaro, que o rotulou como “candidato do sistema”.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, não cresce por mérito próprio ou densidade política. Ele pontua porque representa a continuidade simbólica do bolsonarismo. Seu desempenho é menos uma afirmação pessoal e mais a prova de que, sem Jair Bolsonaro na urna, a extrema direita prefere alguém do clã a qualquer alternativa externa, por mais “competente” que ela pareça aos olhos do mercado.

A pesquisa Quaest, portanto, deixa uma lição clara para quem insiste em subestimar a lógica do extremismo: a extrema direita brasileira não busca governabilidade, busca identidade; não busca projeto, busca confronto; não busca resultados, busca pertencimento. Tarcísio não decolou porque não fala essa língua. E dificilmente falará.

Enquanto isso, Lula observa esse campo adversário fragmentado, dividido e prisioneiro de suas próprias contradições. A direita radical segue refém do sobrenome Bolsonaro, e os candidatos fabricados fora desse núcleo continuam descobrindo, tarde demais, que sem ódio não há mobilização; e sem o clã, não há bolsonarismo.

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: CONQUISTA ESCOLHE A PREVENÇÃO EM VEZ DO SERMÃO

 

 

Padre Carlos

 

A decisão da Secretaria Municipal de Saúde de Vitória da Conquista de implementar o Implanon na rede pública representa mais do que a simples incorporação de um novo método contraceptivo. Trata-se de um reconhecimento tardio, porém fundamental, de que a saúde reprodutiva das mulheres, especialmente das adolescentes, merece políticas públicas que vão além do discurso moralista e abracem a realidade com pragmatismo e respeito.

A gravidez na adolescência não é uma questão de valores familiares falidos ou de permissividade social, como alguns preferem simplificar. É um problema complexo de saúde pública que exige respostas concretas, não sermões. Quando uma menina de 15 ou 16 anos engravida, não estamos diante de uma falha moral individual, mas de uma falha coletiva: da educação sexual insuficiente, do acesso limitado a métodos contraceptivos eficazes e, muitas vezes, da perpetuação de desigualdades sociais que tornam algumas vidas mais vulneráveis que outras.

O Implanon, com seus 99,5% de eficácia e três anos de proteção contínua, oferece algo que outros métodos dificilmente conseguem: autonomia real. Uma adolescente que depende de tomar pílulas diariamente enfrenta obstáculos invisíveis para quem nunca precisou esconder contraceptivos dos pais, negociar seu uso com parceiros ou simplesmente lidar com a instabilidade da vida aos 16 anos. O implante subcutâneo elimina essas barreiras, colocando o controle onde ele deveria sempre estar: no corpo de quem pode engravidar.

É preciso, contudo, questionar a estratégia de priorização. Se o objetivo é combater a gravidez indesejada como problema de saúde pública, por que limitar inicialmente apenas a adolescentes? Mulheres adultas em situação de vulnerabilidade também enfrentam dificuldades no acesso e no uso consistente de contraceptivos. A gradualidade da implementação, embora compreensível do ponto de vista logístico, não pode se tornar uma nova forma de exclusão. As 1.376 unidades recebidas precisam ser o começo, não o limite.

Outro aspecto que merece atenção é a capacitação profissional. Garantir que cada unidade de saúde tenha ao menos um médico capacitado é fundamental, mas levanta questões: e se esse médico único estiver de férias, doente ou sobrecarregado? A rede precisa de redundância, não de pontos únicos de falha. Além disso, a capacitação deveria se estender a toda a equipe de saúde, incluindo enfermeiros e agentes comunitários, que são frequentemente o primeiro contato das usuárias com o sistema.

Vale ressaltar também o benefício adicional do Implanon na redução do fluxo menstrual intenso, algo mencionado quase como nota de rodapé, mas que representa uma melhoria significativa na qualidade de vida de muitas mulheres. A menstruação abundante não é apenas um incômodo, é uma condição que pode causar anemia, faltas ao trabalho e à escola, e limitar atividades cotidianas. Que este aspecto terapêutico seja reconhecido e oferecido também às mulheres que necessitam, independentemente da faixa etária.

Por fim, há uma dimensão dessa política que transcende a técnica médica: a mensagem que ela envia. Ao disponibilizar o Implanon no SUS, Vitória da Conquista está dizendo às suas jovens que elas importam, que seus projetos de vida têm valor, que uma gravidez não desejada não precisa ser o destino inevitável de quem nasce mulher e pobre. Está reconhecendo que prevenir é mais humano, mais econômico e mais ético do que remediar.

A verdadeira questão não é se devemos oferecer métodos contraceptivos de longa duração às adolescentes, mas por que demoramos tanto para fazê-lo. O Implanon não é uma solução mágica para todos os desafios da saúde reprodutiva, mas é uma ferramenta poderosa que, finalmente, está chegando a quem mais precisa. Agora, resta garantir que essa primeira etapa seja apenas o início de uma política mais ampla, que contemple todas as mulheres que desejam controlar sua própria fertilidade.

Porque, no fim das contas, saúde pública de qualidade não se faz com meias medidas. Faz-se com acesso universal, capacitação adequada e, principalmente, com o reconhecimento de que o direito de decidir sobre o próprio corpo não é um privilégio, é cidadania básica.

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: CONQUISTA ESCOLHE A PREVENÇÃO EM VEZ DO SERMÃO

 

 

Padre Carlos

 

A decisão da Secretaria Municipal de Saúde de Vitória da Conquista de implementar o Implanon na rede pública representa mais do que a simples incorporação de um novo método contraceptivo. Trata-se de um reconhecimento tardio, porém fundamental, de que a saúde reprodutiva das mulheres, especialmente das adolescentes, merece políticas públicas que vão além do discurso moralista e abracem a realidade com pragmatismo e respeito.

A gravidez na adolescência não é uma questão de valores familiares falidos ou de permissividade social, como alguns preferem simplificar. É um problema complexo de saúde pública que exige respostas concretas, não sermões. Quando uma menina de 15 ou 16 anos engravida, não estamos diante de uma falha moral individual, mas de uma falha coletiva: da educação sexual insuficiente, do acesso limitado a métodos contraceptivos eficazes e, muitas vezes, da perpetuação de desigualdades sociais que tornam algumas vidas mais vulneráveis que outras.

O Implanon, com seus 99,5% de eficácia e três anos de proteção contínua, oferece algo que outros métodos dificilmente conseguem: autonomia real. Uma adolescente que depende de tomar pílulas diariamente enfrenta obstáculos invisíveis para quem nunca precisou esconder contraceptivos dos pais, negociar seu uso com parceiros ou simplesmente lidar com a instabilidade da vida aos 16 anos. O implante subcutâneo elimina essas barreiras, colocando o controle onde ele deveria sempre estar: no corpo de quem pode engravidar.

É preciso, contudo, questionar a estratégia de priorização. Se o objetivo é combater a gravidez indesejada como problema de saúde pública, por que limitar inicialmente apenas a adolescentes? Mulheres adultas em situação de vulnerabilidade também enfrentam dificuldades no acesso e no uso consistente de contraceptivos. A gradualidade da implementação, embora compreensível do ponto de vista logístico, não pode se tornar uma nova forma de exclusão. As 1.376 unidades recebidas precisam ser o começo, não o limite.

Outro aspecto que merece atenção é a capacitação profissional. Garantir que cada unidade de saúde tenha ao menos um médico capacitado é fundamental, mas levanta questões: e se esse médico único estiver de férias, doente ou sobrecarregado? A rede precisa de redundância, não de pontos únicos de falha. Além disso, a capacitação deveria se estender a toda a equipe de saúde, incluindo enfermeiros e agentes comunitários, que são frequentemente o primeiro contato das usuárias com o sistema.

Vale ressaltar também o benefício adicional do Implanon na redução do fluxo menstrual intenso, algo mencionado quase como nota de rodapé, mas que representa uma melhoria significativa na qualidade de vida de muitas mulheres. A menstruação abundante não é apenas um incômodo, é uma condição que pode causar anemia, faltas ao trabalho e à escola, e limitar atividades cotidianas. Que este aspecto terapêutico seja reconhecido e oferecido também às mulheres que necessitam, independentemente da faixa etária.

Por fim, há uma dimensão dessa política que transcende a técnica médica: a mensagem que ela envia. Ao disponibilizar o Implanon no SUS, Vitória da Conquista está dizendo às suas jovens que elas importam, que seus projetos de vida têm valor, que uma gravidez não desejada não precisa ser o destino inevitável de quem nasce mulher e pobre. Está reconhecendo que prevenir é mais humano, mais econômico e mais ético do que remediar.

A verdadeira questão não é se devemos oferecer métodos contraceptivos de longa duração às adolescentes, mas por que demoramos tanto para fazê-lo. O Implanon não é uma solução mágica para todos os desafios da saúde reprodutiva, mas é uma ferramenta poderosa que, finalmente, está chegando a quem mais precisa. Agora, resta garantir que essa primeira etapa seja apenas o início de uma política mais ampla, que contemple todas as mulheres que desejam controlar sua própria fertilidade.

Porque, no fim das contas, saúde pública de qualidade não se faz com meias medidas. Faz-se com acesso universal, capacitação adequada e, principalmente, com o reconhecimento de que o direito de decidir sobre o próprio corpo não é um privilégio, é cidadania básica.

ARTIGO – A toga manchada: quando o corporativismo transforma escândalo em promoção

 

 

(Padre Carlos)

O que aconteceu no caso do desembargador federal Macário Ramos Judice Neto não é apenas um episódio policial. É um escândalo institucional, daqueles que corroem a confiança pública, ferem a credibilidade da Justiça e expõem, sem disfarces, o corporativismo do Judiciário brasileiro. Quando a Polícia Federal prende um desembargador acusado de vazar informações sigilosas para favorecer investigados, o problema já não é individual: é sistêmico.

Estamos diante de uma toga que sangra de escândalo. E o mais grave: essa toga não foi retirada a tempo. Ao contrário, foi protegida, blindada e, por fim, premiada com promoção. O Estado que deveria zelar pela moralidade administrativa permitiu que um magistrado com histórico de investigações, afastamentos, suspeitas de enriquecimento incompatível e ligações com esquemas criminosos retornasse ao cargo e ascendesse na carreira. Isso não é falha pontual. É fracasso estrutural da Justiça.

Os fatos são eloquentes. Desde 2005, Macário Judice acumulava denúncias graves: suspeitas de fraude em sentenças, vínculos com a máfia dos caça-níqueis no Espírito Santo, utilização do cargo para favorecer interesses ilegais, além de patrimônio incompatível com a renda. Foi afastado, reintegrado, aposentado compulsoriamente — punição que, na prática, funciona como prêmio financeiro vitalício — e depois trazido de volta sob o argumento da prescrição administrativa. Não apenas voltou: foi promovido a desembargador em 2023.

E agora, em 2025, a Polícia Federal cumpre mandado de prisão preventiva contra esse mesmo magistrado, apontando sua participação no vazamento de informações sigilosas que comprometeram operações contra o crime organizado no Rio de Janeiro, inclusive beneficiando figuras centrais da política fluminense. A pergunta é inevitável: quantas investigações foram sabotadas antes que o Estado resolvesse agir?

A Justiça errou em série. Errou ao permitir que processos administrativos prescrevessem. Errou ao tratar aposentadoria compulsória como punição exemplar. Errou ao reintegrar sem enfrentar o mérito moral das acusações. Errou ao promover alguém sob nuvem espessa de suspeitas. Errou, sobretudo, ao se proteger a si mesma, em nome de uma falsa ideia de autonomia que, muitas vezes, se confunde com impunidade.

Esse caso revela a face mais perversa do corporativismo judicial: juízes julgando juízes, tribunais protegendo seus membros, processos internos lentos e formais que não dialogam com o clamor social por ética, transparência e responsabilidade. A Constituição fala em moralidade administrativa, mas o cotidiano do Judiciário insiste em relativizá-la quando os acusados vestem toga.

É por isso que a reforma do Judiciário deixou de ser tabu e passou a ser necessidade democrática. Não se trata de atacar a magistratura como instituição — essencial ao Estado de Direito —, mas de romper privilégios, revisar mecanismos disciplinares, fortalecer o controle externo, acabar com a aposentadoria compulsória como punição e garantir que ninguém esteja acima da lei, nem mesmo quem a interpreta.

A credibilidade da Justiça é um ativo público. Quando ela se perde, abre-se espaço para o descrédito das instituições, para o cinismo social e para o avanço do autoritarismo. Um país onde juízes corruptos são promovidos não pode exigir ética da política nem respeito da sociedade.

A prisão de um desembargador é um fato grave. Mais grave ainda é tudo o que veio antes dela. O Brasil precisa decidir se continuará aceitando um Judiciário fechado em si mesmo ou se terá coragem de enfrentar seus próprios erros. Porque sem Justiça justa, não há democracia que resista.

ARTIGO – A toga manchada: quando o corporativismo transforma escândalo em promoção

 

 

(Padre Carlos)

O que aconteceu no caso do desembargador federal Macário Ramos Judice Neto não é apenas um episódio policial. É um escândalo institucional, daqueles que corroem a confiança pública, ferem a credibilidade da Justiça e expõem, sem disfarces, o corporativismo do Judiciário brasileiro. Quando a Polícia Federal prende um desembargador acusado de vazar informações sigilosas para favorecer investigados, o problema já não é individual: é sistêmico.

Estamos diante de uma toga que sangra de escândalo. E o mais grave: essa toga não foi retirada a tempo. Ao contrário, foi protegida, blindada e, por fim, premiada com promoção. O Estado que deveria zelar pela moralidade administrativa permitiu que um magistrado com histórico de investigações, afastamentos, suspeitas de enriquecimento incompatível e ligações com esquemas criminosos retornasse ao cargo e ascendesse na carreira. Isso não é falha pontual. É fracasso estrutural da Justiça.

Os fatos são eloquentes. Desde 2005, Macário Judice acumulava denúncias graves: suspeitas de fraude em sentenças, vínculos com a máfia dos caça-níqueis no Espírito Santo, utilização do cargo para favorecer interesses ilegais, além de patrimônio incompatível com a renda. Foi afastado, reintegrado, aposentado compulsoriamente — punição que, na prática, funciona como prêmio financeiro vitalício — e depois trazido de volta sob o argumento da prescrição administrativa. Não apenas voltou: foi promovido a desembargador em 2023.

E agora, em 2025, a Polícia Federal cumpre mandado de prisão preventiva contra esse mesmo magistrado, apontando sua participação no vazamento de informações sigilosas que comprometeram operações contra o crime organizado no Rio de Janeiro, inclusive beneficiando figuras centrais da política fluminense. A pergunta é inevitável: quantas investigações foram sabotadas antes que o Estado resolvesse agir?

A Justiça errou em série. Errou ao permitir que processos administrativos prescrevessem. Errou ao tratar aposentadoria compulsória como punição exemplar. Errou ao reintegrar sem enfrentar o mérito moral das acusações. Errou ao promover alguém sob nuvem espessa de suspeitas. Errou, sobretudo, ao se proteger a si mesma, em nome de uma falsa ideia de autonomia que, muitas vezes, se confunde com impunidade.

Esse caso revela a face mais perversa do corporativismo judicial: juízes julgando juízes, tribunais protegendo seus membros, processos internos lentos e formais que não dialogam com o clamor social por ética, transparência e responsabilidade. A Constituição fala em moralidade administrativa, mas o cotidiano do Judiciário insiste em relativizá-la quando os acusados vestem toga.

É por isso que a reforma do Judiciário deixou de ser tabu e passou a ser necessidade democrática. Não se trata de atacar a magistratura como instituição — essencial ao Estado de Direito —, mas de romper privilégios, revisar mecanismos disciplinares, fortalecer o controle externo, acabar com a aposentadoria compulsória como punição e garantir que ninguém esteja acima da lei, nem mesmo quem a interpreta.

A credibilidade da Justiça é um ativo público. Quando ela se perde, abre-se espaço para o descrédito das instituições, para o cinismo social e para o avanço do autoritarismo. Um país onde juízes corruptos são promovidos não pode exigir ética da política nem respeito da sociedade.

A prisão de um desembargador é um fato grave. Mais grave ainda é tudo o que veio antes dela. O Brasil precisa decidir se continuará aceitando um Judiciário fechado em si mesmo ou se terá coragem de enfrentar seus próprios erros. Porque sem Justiça justa, não há democracia que resista.

ARTIGO – QUANDO A IGREJA SILENCIA OS QUE GRITAM PELOS INVISÍVEIS

 

 

Há decisões que não se explicam apenas pela caneta que as assina; elas doem porque revelam uma ruptura moral. Nesta segunda-feira, muitos católicos acordaram com a sensação de que algo precioso estava sendo arrancado da Igreja brasileira: dom Odílio Scherer, arcebispo de São Paulo, decidiu transferir o padre Júlio Lancellotti da paróquia de São Miguel Arcanjo, na Mooca, onde ele construiu, ao longo de quarenta anos, não apenas uma comunidade, mas um refúgio humano para aqueles que a cidade insiste em não ver. Não se trata de uma simples mudança administrativa. Trata-se de um gesto que fere a memória coletiva, a ética cristã e a própria ideia de Igreja como casa dos pobres.

Padre Júlio não é apenas um pároco. Ele se tornou símbolo. Símbolo de uma Igreja que desce às calçadas, que se ajoelha ao lado da população em situação de rua, que reparte pão, escuta histórias e devolve dignidade a quem foi esmagado pela engrenagem da exclusão social. Ao longo de décadas, sua presença na Mooca transformou aquela paróquia em um farol de justiça social, direitos humanos e compromisso evangélico radical. Retirá-lo dali é como apagar uma luz em uma cidade já marcada por sombras demais.

O drama humano se aprofunda quando se conhece o conteúdo da carta recebida no dia 10 de dezembro. Não apenas a transferência foi comunicada, mas também a proibição do uso das redes sociais e da transmissão online de suas missas. Silenciar a voz de padre Júlio não é um detalhe disciplinar; é um ato simbólico poderoso. Em tempos de crise democrática, quando a palavra é um dos poucos instrumentos de resistência, calar um sacerdote que denuncia a miséria, a violência institucional e a hipocrisia social é um gesto que ecoa para além dos muros da Igreja.

Perguntas inevitáveis surgem, e elas não são movidas por fofoca, mas por responsabilidade histórica. Por que tomar uma decisão tão drástica às vésperas da aposentadoria? Que interesses se sentem ameaçados por um padre que defende pessoas em situação de rua, a população LGBTQIA+ e que ousa se posicionar diante do massacre do povo palestino? Em uma cidade onde o mercado imobiliário, a política de direita e o higienismo social frequentemente se entrelaçam, é legítimo perguntar: quem ganha com o afastamento de padre Júlio da Mooca?

A Igreja sempre viveu tensões internas. Isso faz parte de sua história bimilenar. Mas há momentos em que a tensão deixa de ser teológica ou pastoral e se torna moral. Quando a instituição parece proteger a ordem e o silêncio em detrimento da profecia, algo essencial se perde. O Evangelho, afinal, não nasceu nos palácios, mas nas periferias humanas. Jesus não foi morto por ser discreto, mas por incomodar estruturas, denunciar injustiças e dar centralidade aos descartados.

O impacto dessa decisão não recai apenas sobre um sacerdote. Ele atinge diretamente milhares de homens e mulheres que encontram na Pastoral do Povo da Rua não apenas assistência, mas reconhecimento. O que será da Biblioteca Wilma Lancellotti, recém-inaugurada na rua Sapucaia, no Belém, com seus cerca de três mil livros, rodas de conversa e sonhos recém-plantados? O que acontece quando a Igreja retira o pastor justamente no momento em que o rebanho mais precisa de cuidado?

Há, aqui, um medo que precisa ser nomeado: o medo de que a Igreja se afaste dos pobres para se tornar novamente confortável para os poderosos. Esse medo não é paranoia; é memória histórica. Sempre que a instituição se esqueceu de sua opção preferencial pelos pobres, pagou um preço alto em credibilidade, relevância e alma. Por outro lado, há também uma esperança ativa que se recusa a morrer: a de que o clamor do povo, dos fiéis, dos católicos progressistas e de todos que acreditam em uma fé encarnada possa provocar uma revisão desse gesto.

Este não é um chamado à desobediência, mas à consciência. Pedir que dom Odílio Scherer reveja sua decisão não é atacar a hierarquia; é lembrar que autoridade, na tradição cristã, só se legitima quando serve. A Igreja não pode se dar ao luxo de perder padres como Júlio Lancellotti sem perder, junto, um pedaço de sua própria razão de existir.

Tirá-lo da Mooca é mais do que uma transferência: é uma ferida aberta no corpo eclesial e na cidade de São Paulo. Mantê-lo, ao contrário, seria um sinal claro de que a Igreja ainda escolhe estar ao lado dos que não têm voz, dos que dormem nas calçadas, dos que são tratados como problema e não como pessoas. A história observa. Os pobres sentem. E a consciência cristã será chamada a responder.

(Padre Carlos)

ARTIGO – QUANDO A IGREJA SILENCIA OS QUE GRITAM PELOS INVISÍVEIS

 

 

Há decisões que não se explicam apenas pela caneta que as assina; elas doem porque revelam uma ruptura moral. Nesta segunda-feira, muitos católicos acordaram com a sensação de que algo precioso estava sendo arrancado da Igreja brasileira: dom Odílio Scherer, arcebispo de São Paulo, decidiu transferir o padre Júlio Lancellotti da paróquia de São Miguel Arcanjo, na Mooca, onde ele construiu, ao longo de quarenta anos, não apenas uma comunidade, mas um refúgio humano para aqueles que a cidade insiste em não ver. Não se trata de uma simples mudança administrativa. Trata-se de um gesto que fere a memória coletiva, a ética cristã e a própria ideia de Igreja como casa dos pobres.

Padre Júlio não é apenas um pároco. Ele se tornou símbolo. Símbolo de uma Igreja que desce às calçadas, que se ajoelha ao lado da população em situação de rua, que reparte pão, escuta histórias e devolve dignidade a quem foi esmagado pela engrenagem da exclusão social. Ao longo de décadas, sua presença na Mooca transformou aquela paróquia em um farol de justiça social, direitos humanos e compromisso evangélico radical. Retirá-lo dali é como apagar uma luz em uma cidade já marcada por sombras demais.

O drama humano se aprofunda quando se conhece o conteúdo da carta recebida no dia 10 de dezembro. Não apenas a transferência foi comunicada, mas também a proibição do uso das redes sociais e da transmissão online de suas missas. Silenciar a voz de padre Júlio não é um detalhe disciplinar; é um ato simbólico poderoso. Em tempos de crise democrática, quando a palavra é um dos poucos instrumentos de resistência, calar um sacerdote que denuncia a miséria, a violência institucional e a hipocrisia social é um gesto que ecoa para além dos muros da Igreja.

Perguntas inevitáveis surgem, e elas não são movidas por fofoca, mas por responsabilidade histórica. Por que tomar uma decisão tão drástica às vésperas da aposentadoria? Que interesses se sentem ameaçados por um padre que defende pessoas em situação de rua, a população LGBTQIA+ e que ousa se posicionar diante do massacre do povo palestino? Em uma cidade onde o mercado imobiliário, a política de direita e o higienismo social frequentemente se entrelaçam, é legítimo perguntar: quem ganha com o afastamento de padre Júlio da Mooca?

A Igreja sempre viveu tensões internas. Isso faz parte de sua história bimilenar. Mas há momentos em que a tensão deixa de ser teológica ou pastoral e se torna moral. Quando a instituição parece proteger a ordem e o silêncio em detrimento da profecia, algo essencial se perde. O Evangelho, afinal, não nasceu nos palácios, mas nas periferias humanas. Jesus não foi morto por ser discreto, mas por incomodar estruturas, denunciar injustiças e dar centralidade aos descartados.

O impacto dessa decisão não recai apenas sobre um sacerdote. Ele atinge diretamente milhares de homens e mulheres que encontram na Pastoral do Povo da Rua não apenas assistência, mas reconhecimento. O que será da Biblioteca Wilma Lancellotti, recém-inaugurada na rua Sapucaia, no Belém, com seus cerca de três mil livros, rodas de conversa e sonhos recém-plantados? O que acontece quando a Igreja retira o pastor justamente no momento em que o rebanho mais precisa de cuidado?

Há, aqui, um medo que precisa ser nomeado: o medo de que a Igreja se afaste dos pobres para se tornar novamente confortável para os poderosos. Esse medo não é paranoia; é memória histórica. Sempre que a instituição se esqueceu de sua opção preferencial pelos pobres, pagou um preço alto em credibilidade, relevância e alma. Por outro lado, há também uma esperança ativa que se recusa a morrer: a de que o clamor do povo, dos fiéis, dos católicos progressistas e de todos que acreditam em uma fé encarnada possa provocar uma revisão desse gesto.

Este não é um chamado à desobediência, mas à consciência. Pedir que dom Odílio Scherer reveja sua decisão não é atacar a hierarquia; é lembrar que autoridade, na tradição cristã, só se legitima quando serve. A Igreja não pode se dar ao luxo de perder padres como Júlio Lancellotti sem perder, junto, um pedaço de sua própria razão de existir.

Tirá-lo da Mooca é mais do que uma transferência: é uma ferida aberta no corpo eclesial e na cidade de São Paulo. Mantê-lo, ao contrário, seria um sinal claro de que a Igreja ainda escolhe estar ao lado dos que não têm voz, dos que dormem nas calçadas, dos que são tratados como problema e não como pessoas. A história observa. Os pobres sentem. E a consciência cristã será chamada a responder.

(Padre Carlos)