
(Padre Carlos)
O pronunciamento da vereadora Cris Rocha, na sessão desta quarta-feira, 17 de dezembro, na tribuna da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, merece registro não apenas como ato administrativo, mas como gesto político no sentido mais nobre da palavra. Em tempos de discursos vazios, disputas estéreis e mandatos que se perdem na retórica, a vereadora fez algo raro: prestou contas, explicou prioridades e explicitou escolhas.
Ao apresentar suas emendas impositivas para o orçamento de 2026, Cris Rocha revelou uma compreensão clara de como funciona o sistema público de saúde e de infraestrutura urbana. Não começou pelo topo, nem pelo espetáculo, mas pela ponta do sistema, onde o cidadão comum busca o primeiro atendimento: os postos de saúde dos bairros e distritos. Iobim, Batepé, Mirucairo, São Sebastião e Lagoa das Flores não são apenas localidades no mapa; são territórios vivos, onde a política pública se materializa ou fracassa.
Ao destinar recursos para reforma e aquisição de equipamentos nessas unidades, o mandato reafirma um princípio básico da gestão pública moderna: saúde de qualidade começa na atenção primária. Postos estruturados significam menos filas, menos sofrimento, mais dignidade para usuários e melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde. É política pública com impacto direto, mensurável e socialmente relevante.
Outro ponto central do pronunciamento foi a destinação de emenda para a reforma e ampliação do CEMEF, centro municipal de reabilitação, com foco na implantação do atendimento à deficiência intelectual. Trata-se de uma demanda histórica, ignorada por sucessivas gestões, e que afeta não apenas indivíduos, mas famílias inteiras. Ao priorizar esse investimento, a vereadora toca em uma verdade frequentemente esquecida: cuidar de pessoas com deficiência é cuidar da vida em sua forma mais vulnerável.
A política, quando humanizada, deixa de ser abstração e passa a ser presença concreta na vida das pessoas. Nesse sentido, o mandato de Cris Rocha demonstra sensibilidade social aliada à responsabilidade institucional, algo cada vez mais raro no cenário político brasileiro.
O mesmo vale para as emendas destinadas ao recapeamento asfáltico da Urbis 2 e do bairro Santa Cruz. Mobilidade urbana, segurança viária e qualidade de vida não são pautas menores; são direitos básicos. Ruas degradadas significam acidentes, prejuízos e abandono. Investir em infraestrutura urbana é investir em cidadania.
O pronunciamento também registrou um agradecimento público à Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia, pela instalação de redutores de velocidade na BR-415, uma via marcada por acidentes e mortes. Aqui, mais uma vez, aparece a política que escuta, insiste e acompanha. A solicitação feita desde março encontrou resposta, e os resultados já são visíveis: trânsito mais seguro, menos risco, mais tranquilidade para moradores, estudantes e trabalhadores da região.
Ao final, a vereadora reafirma algo essencial: a legalidade e obrigatoriedade do cumprimento das emendas impositivas. Não se trata de favor do Executivo, mas de dever institucional. Ao lembrar isso publicamente, Cris Rocha não apenas defende suas emendas, mas fortalece o próprio papel do Legislativo municipal.
Seu discurso não foi inflamado, nem teatral. Foi técnico, humano e politicamente maduro. Em um ambiente muitas vezes marcado pelo ruído, o pronunciamento se destacou pela clareza, pelo compromisso com a transparência pública, pela defesa da saúde pública, da inclusão social, da segurança no trânsito e da qualidade de vida em Vitória da Conquista.
A política precisa voltar a ser isso: prestação de contas, prioridade social e presença concreta na vida do povo. O que se ouviu na tribuna, nesta manhã, foi um raro exemplo de que isso ainda é possível.











