Política e Resenha

O Milagre do Encontro

 

Padre Carlos

Há um instante — mínimo, quase invisível — em que o mundo poderia virar para qualquer lado, mas vira justamente para o lado onde alguém está. Um desvio de um segundo, o levantar tardio de uma sobrancelha, o tropeço no meio-fio, o ônibus que atrasa: tudo isso é arquitetura secreta do destino ou mero capricho do caos?

Penso nisso quando sinto o peso das ausências. Das vidas que poderiam ter roçado a minha pele no corredor estreito de um supermercado, mas passaram milímetros atrás, enquanto eu me inclinava para pegar um pacote de café. O silêncio ali — esse silêncio de encontros que nunca foram — é tão palpável quanto a respiração de quem se ama dormindo ao lado.

Há uma geometria cruel regendo o mundo. Bilhões de rotas que não se cruzam. Bilhões. Como rios que nascem em montanhas distantes, serpenteiam por terras que nunca veremos e desaguam em mares que jamais tocarão os nossos pés. Tanta água passando, tanta vida passando, tanta gente que poderia incendiar o peito da gente — e não passa.

Às vezes imagino esse mapa impossível: dois pontos se movendo em direções opostas, quase se tocando, quase se percebendo, quase se escolhendo. Mas o “quase” é uma catástrofe. É o abismo que separa o amor de acontecer do amor que sequer foi imaginação.

E, ainda assim, existe o milagre.

Ele é pequeno. É quase nada. É o virar de uma cabeça no momento exato. O levantar de um olhar que se encontra com outro e, por motivos que nenhuma ciência explica, decide ficar.

É o corpo que esbarra como se fosse acidente — e talvez seja —, mas acende no peito um clarão de pertencimento. É o sorriso distraído que, sem saber, muda o eixo da Terra.

Quando isso acontece, tudo dentro da gente se curva.
O mundo faz silêncio.
Até os desencontros se recolhem.

Porque, de repente, entre bilhões de pessoas que nunca se encontrarão, duas se encontram. E é tão improvável, tão matematicamente absurdo, tão estatisticamente impossível… que só pode ser sagrado.

Não é que o amor seja santo.
É que o encontro é milagre.
E milagre, sendo raro, carrega sempre o peso luminoso da eternidade.

O Milagre do Encontro

 

Padre Carlos

Há um instante — mínimo, quase invisível — em que o mundo poderia virar para qualquer lado, mas vira justamente para o lado onde alguém está. Um desvio de um segundo, o levantar tardio de uma sobrancelha, o tropeço no meio-fio, o ônibus que atrasa: tudo isso é arquitetura secreta do destino ou mero capricho do caos?

Penso nisso quando sinto o peso das ausências. Das vidas que poderiam ter roçado a minha pele no corredor estreito de um supermercado, mas passaram milímetros atrás, enquanto eu me inclinava para pegar um pacote de café. O silêncio ali — esse silêncio de encontros que nunca foram — é tão palpável quanto a respiração de quem se ama dormindo ao lado.

Há uma geometria cruel regendo o mundo. Bilhões de rotas que não se cruzam. Bilhões. Como rios que nascem em montanhas distantes, serpenteiam por terras que nunca veremos e desaguam em mares que jamais tocarão os nossos pés. Tanta água passando, tanta vida passando, tanta gente que poderia incendiar o peito da gente — e não passa.

Às vezes imagino esse mapa impossível: dois pontos se movendo em direções opostas, quase se tocando, quase se percebendo, quase se escolhendo. Mas o “quase” é uma catástrofe. É o abismo que separa o amor de acontecer do amor que sequer foi imaginação.

E, ainda assim, existe o milagre.

Ele é pequeno. É quase nada. É o virar de uma cabeça no momento exato. O levantar de um olhar que se encontra com outro e, por motivos que nenhuma ciência explica, decide ficar.

É o corpo que esbarra como se fosse acidente — e talvez seja —, mas acende no peito um clarão de pertencimento. É o sorriso distraído que, sem saber, muda o eixo da Terra.

Quando isso acontece, tudo dentro da gente se curva.
O mundo faz silêncio.
Até os desencontros se recolhem.

Porque, de repente, entre bilhões de pessoas que nunca se encontrarão, duas se encontram. E é tão improvável, tão matematicamente absurdo, tão estatisticamente impossível… que só pode ser sagrado.

Não é que o amor seja santo.
É que o encontro é milagre.
E milagre, sendo raro, carrega sempre o peso luminoso da eternidade.

Natal Conquista de Luz 2025: programação completa que transforma a cidade em espetáculo

 

 

Padre Carlos

 

Vitória da Conquista já respira Natal. E não é apenas pelas luzes que brilham nas praças, mas pela energia que emana de uma cidade que se reconhece, se celebra e se emociona. Neste sábado, dia 13, começa oficialmente a programação do Natal Conquista de Luz, uma iniciativa que, mais uma vez, comprova o compromisso da prefeita Sheila Lemos com a cultura, a tradição e o bem-estar da população.

A Praça Tancredo Neves será palco das primeiras apresentações musicais e dos tradicionais Ternos de Reis, que encantam pela beleza das melodias e pela força simbólica que carregam. A decoração natalina, cuidadosamente pensada, transforma o espaço público em cenário de afeto e pertencimento. É impossível passar por ali sem sentir que algo especial está acontecendo.

Mas a festa não para por aí. Entre os dias 18 e 23 de dezembro, a Praça Nove de Novembro também será tomada por apresentações culturais, democratizando o acesso à arte e à celebração. Após uma pausa na véspera de Natal, a programação retorna com força total no dia 25 e segue até o dia 28, novamente na Praça Tancredo Neves. E como se não bastasse, a tradição nordestina da Folia de Reis ganha destaque nos primeiros dias de janeiro, com grupos como Raio de Sol, União de Dona Totinha e Reconhecido em Belém, culminando no grande Encontro de Ternos de Reis no dia 6.

O que vemos aqui não é apenas uma agenda festiva. É uma demonstração clara de que Sheila Lemos entende o papel da cultura como ferramenta de inclusão, identidade e desenvolvimento. Em tempos em que tantas cidades abandonam suas raízes, Vitória da Conquista reafirma seu orgulho e sua história — e isso é fruto de uma gestão que valoriza o que é nosso.

Sheila Lemos não entrega apenas obras e serviços. Ela entrega sentimento, entrega memória, entrega pertencimento. O Natal Conquista de Luz é mais do que um evento: é um presente da Prefeitura para cada cidadão que acredita que a cidade pode — e deve — ser motivo de alegria.

Natal Conquista de Luz 2025: programação completa que transforma a cidade em espetáculo

 

 

Padre Carlos

 

Vitória da Conquista já respira Natal. E não é apenas pelas luzes que brilham nas praças, mas pela energia que emana de uma cidade que se reconhece, se celebra e se emociona. Neste sábado, dia 13, começa oficialmente a programação do Natal Conquista de Luz, uma iniciativa que, mais uma vez, comprova o compromisso da prefeita Sheila Lemos com a cultura, a tradição e o bem-estar da população.

A Praça Tancredo Neves será palco das primeiras apresentações musicais e dos tradicionais Ternos de Reis, que encantam pela beleza das melodias e pela força simbólica que carregam. A decoração natalina, cuidadosamente pensada, transforma o espaço público em cenário de afeto e pertencimento. É impossível passar por ali sem sentir que algo especial está acontecendo.

Mas a festa não para por aí. Entre os dias 18 e 23 de dezembro, a Praça Nove de Novembro também será tomada por apresentações culturais, democratizando o acesso à arte e à celebração. Após uma pausa na véspera de Natal, a programação retorna com força total no dia 25 e segue até o dia 28, novamente na Praça Tancredo Neves. E como se não bastasse, a tradição nordestina da Folia de Reis ganha destaque nos primeiros dias de janeiro, com grupos como Raio de Sol, União de Dona Totinha e Reconhecido em Belém, culminando no grande Encontro de Ternos de Reis no dia 6.

O que vemos aqui não é apenas uma agenda festiva. É uma demonstração clara de que Sheila Lemos entende o papel da cultura como ferramenta de inclusão, identidade e desenvolvimento. Em tempos em que tantas cidades abandonam suas raízes, Vitória da Conquista reafirma seu orgulho e sua história — e isso é fruto de uma gestão que valoriza o que é nosso.

Sheila Lemos não entrega apenas obras e serviços. Ela entrega sentimento, entrega memória, entrega pertencimento. O Natal Conquista de Luz é mais do que um evento: é um presente da Prefeitura para cada cidadão que acredita que a cidade pode — e deve — ser motivo de alegria.

Natal Conquista de Luz 2025: programação completa que transforma a cidade em espetáculo

 

 

 

Padre Carlos

 

Vitória da Conquista já respira Natal. E não é apenas pelas luzes que brilham nas praças, mas pela energia que emana de uma cidade que se reconhece, se celebra e se emociona. Neste sábado, dia 13, começa oficialmente a programação do Natal Conquista de Luz, uma iniciativa que, mais uma vez, comprova o compromisso da prefeita Sheila Lemos com a cultura, a tradição e o bem-estar da população.

A Praça Tancredo Neves será palco das primeiras apresentações musicais e dos tradicionais Ternos de Reis, que encantam pela beleza das melodias e pela força simbólica que carregam. A decoração natalina, cuidadosamente pensada, transforma o espaço público em cenário de afeto e pertencimento. É impossível passar por ali sem sentir que algo especial está acontecendo.

Mas a festa não para por aí. Entre os dias 18 e 23 de dezembro, a Praça Nove de Novembro também será tomada por apresentações culturais, democratizando o acesso à arte e à celebração. Após uma pausa na véspera de Natal, a programação retorna com força total no dia 25 e segue até o dia 28, novamente na Praça Tancredo Neves. E como se não bastasse, a tradição nordestina da Folia de Reis ganha destaque nos primeiros dias de janeiro, com grupos como Raio de Sol, União de Dona Totinha e Reconhecido em Belém, culminando no grande Encontro de Ternos de Reis no dia 6.

O que vemos aqui não é apenas uma agenda festiva. É uma demonstração clara de que Sheila Lemos entende o papel da cultura como ferramenta de inclusão, identidade e desenvolvimento. Em tempos em que tantas cidades abandonam suas raízes, Vitória da Conquista reafirma seu orgulho e sua história — e isso é fruto de uma gestão que valoriza o que é nosso.

Sheila Lemos não entrega apenas obras e serviços. Ela entrega sentimento, entrega memória, entrega pertencimento. O Natal Conquista de Luz é mais do que um evento: é um presente da Prefeitura para cada cidadão que acredita que a cidade pode — e deve — ser motivo de alegria.

Natal Conquista de Luz 2025: programação completa que transforma a cidade em espetáculo

 

 

 

Padre Carlos

 

Vitória da Conquista já respira Natal. E não é apenas pelas luzes que brilham nas praças, mas pela energia que emana de uma cidade que se reconhece, se celebra e se emociona. Neste sábado, dia 13, começa oficialmente a programação do Natal Conquista de Luz, uma iniciativa que, mais uma vez, comprova o compromisso da prefeita Sheila Lemos com a cultura, a tradição e o bem-estar da população.

A Praça Tancredo Neves será palco das primeiras apresentações musicais e dos tradicionais Ternos de Reis, que encantam pela beleza das melodias e pela força simbólica que carregam. A decoração natalina, cuidadosamente pensada, transforma o espaço público em cenário de afeto e pertencimento. É impossível passar por ali sem sentir que algo especial está acontecendo.

Mas a festa não para por aí. Entre os dias 18 e 23 de dezembro, a Praça Nove de Novembro também será tomada por apresentações culturais, democratizando o acesso à arte e à celebração. Após uma pausa na véspera de Natal, a programação retorna com força total no dia 25 e segue até o dia 28, novamente na Praça Tancredo Neves. E como se não bastasse, a tradição nordestina da Folia de Reis ganha destaque nos primeiros dias de janeiro, com grupos como Raio de Sol, União de Dona Totinha e Reconhecido em Belém, culminando no grande Encontro de Ternos de Reis no dia 6.

O que vemos aqui não é apenas uma agenda festiva. É uma demonstração clara de que Sheila Lemos entende o papel da cultura como ferramenta de inclusão, identidade e desenvolvimento. Em tempos em que tantas cidades abandonam suas raízes, Vitória da Conquista reafirma seu orgulho e sua história — e isso é fruto de uma gestão que valoriza o que é nosso.

Sheila Lemos não entrega apenas obras e serviços. Ela entrega sentimento, entrega memória, entrega pertencimento. O Natal Conquista de Luz é mais do que um evento: é um presente da Prefeitura para cada cidadão que acredita que a cidade pode — e deve — ser motivo de alegria.

 

 

Padre Carlos

Há instantes raros no Senado Federal em que a História do Brasil parece suspender o ar da sala, impor silêncio e reivindicar o direito de ser narrada sem filtros, sem disfarces e sem os atalhos convenientes do revisionismo. Foi exatamente isso que ocorreu quando o senador baiano Otto Alencar ergueu a voz — não para humilhar — mas para recolocar a verdade no centro do debate democrático, diante das tentativas do general Hamilton Mourão, ex-vice-presidente da República, de reescrever o golpe militar de 1964.

Com a serenidade de quem carrega a memória viva da ditadura militar, Otto resgatou algo que falta a tantos homens públicos: coragem moral. Enquanto Mourão tentava suavizar um regime que perseguiu, censurou e matou brasileiros, o senador baiano devolveu-lhe a realidade com precisão cirúrgica: “Vossa Excelência falou sobre o golpe de 64 porque não viveu isso.”

Naquele momento, a democracia brasileira encontrou em Otto uma testemunha lúcida e um defensor incontornável.

Ele lembrou que quem invadiu Brasília em 8 de janeiro não buscava proteger o país — buscava derrubar o Estado democrático de direito. Recordou que Bolsonaro, ídolo político de Mourão, nunca foi pacifista, mas alguém que repetidas vezes ameaçou as instituições. E trouxe à tona o que deveria ser incontestável: a ditadura matou não apenas opositores, mas cidadãos comuns, gente sem qualquer militância, fuzilados por uma lógica que transformava o civil em inimigo natural.

Ao citar Carlos Lacerda, apoiador do golpe que acabou exilado; ao evocar Juscelino Kubitschek, falsamente chamado de comunista; ao relembrar de amigos, cassados sem direito à defesa, Otto abriu novamente a cicatriz histórica que o Brasil insiste em esconder debaixo do tapete.

O militar, sentado na cadeira do poder, não salva a democracia: a domina.

Sua fala desmontou a fantasia cuidadosamente construída por setores que tentam transformar ditadura em “movimento”, censura em “ordem”, exílio em “necessidade”. Otto Alencar não apenas debateu com Mourão — ele desmontou, com firmeza e elegância, a engrenagem do revisionismo.

Por isso há orgulho. Orgulho de ver um senador baiano enfrentar, sem hesitação, a narrativa que tenta absolver o autoritarismo. Orgulho de ver a voz da Bahia ecoar pelo Senado Federal, lembrando ao país que direitos civis, dignidade humana e democracia não se negociam.

No fim, fica uma lição que ultrapassa gerações:
a verdade histórica sempre encontra quem a carregue adiante, mesmo quando muitos tentam enterrá-la.

Hoje, esse nome foi Otto Alencar — e o Brasil inteiro ouviu.

 

 

Padre Carlos

Há instantes raros no Senado Federal em que a História do Brasil parece suspender o ar da sala, impor silêncio e reivindicar o direito de ser narrada sem filtros, sem disfarces e sem os atalhos convenientes do revisionismo. Foi exatamente isso que ocorreu quando o senador baiano Otto Alencar ergueu a voz — não para humilhar — mas para recolocar a verdade no centro do debate democrático, diante das tentativas do general Hamilton Mourão, ex-vice-presidente da República, de reescrever o golpe militar de 1964.

Com a serenidade de quem carrega a memória viva da ditadura militar, Otto resgatou algo que falta a tantos homens públicos: coragem moral. Enquanto Mourão tentava suavizar um regime que perseguiu, censurou e matou brasileiros, o senador baiano devolveu-lhe a realidade com precisão cirúrgica: “Vossa Excelência falou sobre o golpe de 64 porque não viveu isso.”

Naquele momento, a democracia brasileira encontrou em Otto uma testemunha lúcida e um defensor incontornável.

Ele lembrou que quem invadiu Brasília em 8 de janeiro não buscava proteger o país — buscava derrubar o Estado democrático de direito. Recordou que Bolsonaro, ídolo político de Mourão, nunca foi pacifista, mas alguém que repetidas vezes ameaçou as instituições. E trouxe à tona o que deveria ser incontestável: a ditadura matou não apenas opositores, mas cidadãos comuns, gente sem qualquer militância, fuzilados por uma lógica que transformava o civil em inimigo natural.

Ao citar Carlos Lacerda, apoiador do golpe que acabou exilado; ao evocar Juscelino Kubitschek, falsamente chamado de comunista; ao relembrar de amigos, cassados sem direito à defesa, Otto abriu novamente a cicatriz histórica que o Brasil insiste em esconder debaixo do tapete.

O militar, sentado na cadeira do poder, não salva a democracia: a domina.

Sua fala desmontou a fantasia cuidadosamente construída por setores que tentam transformar ditadura em “movimento”, censura em “ordem”, exílio em “necessidade”. Otto Alencar não apenas debateu com Mourão — ele desmontou, com firmeza e elegância, a engrenagem do revisionismo.

Por isso há orgulho. Orgulho de ver um senador baiano enfrentar, sem hesitação, a narrativa que tenta absolver o autoritarismo. Orgulho de ver a voz da Bahia ecoar pelo Senado Federal, lembrando ao país que direitos civis, dignidade humana e democracia não se negociam.

No fim, fica uma lição que ultrapassa gerações:
a verdade histórica sempre encontra quem a carregue adiante, mesmo quando muitos tentam enterrá-la.

Hoje, esse nome foi Otto Alencar — e o Brasil inteiro ouviu.

Regalias atrás das grades: o luxo indecente de Bolsonaro custeado pelo povo

 

 

 

Padre Carlos


No Brasil, ex-presidentes carregam consigo um pacote de privilégios pagos pelo contribuinte: carros oficiais, motoristas, seguranças e assessores. A justificativa é sempre a mesma — proteger a integridade de quem já ocupou o cargo mais alto da República. Mas quando o ex-presidente está preso, essa narrativa não passa de uma piada de mau gosto. Afinal, qual a lógica de bancar escolta e mordomias para alguém que não circula livremente, mas cumpre pena atrás das grades?


O caso de Jair Bolsonaro é a caricatura perfeita desse absurdo. A Justiça Federal de Minas Gerais determinou que a União suspenda, em até 48 horas, a disponibilização de servidores, carros oficiais e motoristas ao ex-presidente durante sua prisão. A decisão não é apenas correta: é óbvia. Como bem pontuou o juiz Pedro Pereira Pimenta, essa estrutura foi criada para quem está em liberdade, não para quem cumpre regime fechado. O sistema prisional já garante segurança — não há sentido em duplicar gastos.

E os números são escandalosos. Só no primeiro semestre de 2024, Bolsonaro custou mais de R$ 521 mil aos cofres públicos. Desde 2023, os dispêndios já ultrapassaram R$ 4 milhões. Entre janeiro e novembro de 2024, foram quase R$ 1 milhão em despesas, incluindo R$ 657 mil em gratificações a servidores e R$ 243 mil em passagens aéreas. Passagens aéreas para quem está preso? Eis a ironia: até encarcerado, Bolsonaro continua voando alto às custas da população.

O resultado é grotesco: mesmo atrás das grades, Bolsonaro segue dando prejuízo à Nação. Não apenas financeiro, mas simbólico. A imagem de um condenado a 27 anos de prisão ainda mobilizando recursos públicos reforça a ideia de que existe uma casta política blindada, intocável, que vive em um universo paralelo onde a lei não se aplica da mesma forma.


Retirar essas regalias não é perseguição, é racionalidade. É aplicar a lógica mais básica da administração pública: benefícios só existem quando cumprem sua finalidade. E, no caso de um ex-presidente preso, a finalidade inexiste. Persistir com tais privilégios seria premiar a incongruência e perpetuar um modelo de gastos que insulta o cidadão comum.

Em uma República séria, privilégios não sobrevivem à prisão. A decisão judicial, portanto, não apenas corta gastos indecentes — ela reafirma que ninguém, nem mesmo um ex-presidente, está acima da lei.

Regalias atrás das grades: o luxo indecente de Bolsonaro custeado pelo povo

 

 

 

Padre Carlos


No Brasil, ex-presidentes carregam consigo um pacote de privilégios pagos pelo contribuinte: carros oficiais, motoristas, seguranças e assessores. A justificativa é sempre a mesma — proteger a integridade de quem já ocupou o cargo mais alto da República. Mas quando o ex-presidente está preso, essa narrativa não passa de uma piada de mau gosto. Afinal, qual a lógica de bancar escolta e mordomias para alguém que não circula livremente, mas cumpre pena atrás das grades?


O caso de Jair Bolsonaro é a caricatura perfeita desse absurdo. A Justiça Federal de Minas Gerais determinou que a União suspenda, em até 48 horas, a disponibilização de servidores, carros oficiais e motoristas ao ex-presidente durante sua prisão. A decisão não é apenas correta: é óbvia. Como bem pontuou o juiz Pedro Pereira Pimenta, essa estrutura foi criada para quem está em liberdade, não para quem cumpre regime fechado. O sistema prisional já garante segurança — não há sentido em duplicar gastos.

E os números são escandalosos. Só no primeiro semestre de 2024, Bolsonaro custou mais de R$ 521 mil aos cofres públicos. Desde 2023, os dispêndios já ultrapassaram R$ 4 milhões. Entre janeiro e novembro de 2024, foram quase R$ 1 milhão em despesas, incluindo R$ 657 mil em gratificações a servidores e R$ 243 mil em passagens aéreas. Passagens aéreas para quem está preso? Eis a ironia: até encarcerado, Bolsonaro continua voando alto às custas da população.

O resultado é grotesco: mesmo atrás das grades, Bolsonaro segue dando prejuízo à Nação. Não apenas financeiro, mas simbólico. A imagem de um condenado a 27 anos de prisão ainda mobilizando recursos públicos reforça a ideia de que existe uma casta política blindada, intocável, que vive em um universo paralelo onde a lei não se aplica da mesma forma.


Retirar essas regalias não é perseguição, é racionalidade. É aplicar a lógica mais básica da administração pública: benefícios só existem quando cumprem sua finalidade. E, no caso de um ex-presidente preso, a finalidade inexiste. Persistir com tais privilégios seria premiar a incongruência e perpetuar um modelo de gastos que insulta o cidadão comum.

Em uma República séria, privilégios não sobrevivem à prisão. A decisão judicial, portanto, não apenas corta gastos indecentes — ela reafirma que ninguém, nem mesmo um ex-presidente, está acima da lei.

Vereador Andreson Ribeiro cobra reforma da Casa Glauber Rocha e critica “vergonha” na Câmara Federal

 

Padre Carlos

 

Câmara Municipal de Vitória da Conquista — Sessão de 10 de dezembro

Durante a sessão desta quarta-feira, o vereador Andreson Ribeiro Alves (PCdoB) ocupou a tribuna para uma fala marcada por reconhecimento aos atores culturais da cidade, defesa do patrimônio artístico local e forte crítica ao cenário político nacional.

O parlamentar iniciou cumprimentando o presidente da Casa, Ivan Cordeiro, os vereadores, vereadoras, a imprensa e o público presente. Logo em seguida, prestou homenagem ao produtor cultural Vadinho Barreto, destacando sua dedicação de anos à boa música e ao fortalecimento da cultura conquistense. Lembrou que no próximo dia 12 ocorrerá uma audiência pública importante para o setor cultural e reforçou a relevância desse momento para os trabalhadores da área.

Andreson aproveitou para se solidarizar com os artistas que recentemente realizaram uma vigília na porta da Casa Glauber Rocha, na Avenida Dois de Julho, pedindo providências do município quanto à reforma do imóvel. Ele lembrou que essa cobrança vem sendo feita há meses na tribuna, alertando para o risco de perda de um dos principais legados do maior cineasta do país. “Se ali não for feito urgentemente uma reforma, talvez a qualquer momento ficaremos sem essa grande lembrança desse maior cineasta do mundo que foi Glauber Rocha”, afirmou.

O vereador pediu sensibilidade da prefeita Sheila Lemos e do secretário de Cultura, Xangai, para que haja mobilização imediata de recursos que permitam a recuperação da residência. Segundo ele, é fundamental garantir que a casa tenha plena funcionalidade para as gerações presentes e futuras conhecerem o legado de Glauber Rocha.

Na parte final de sua fala, Andreson Ribeiro voltou-se ao cenário nacional e classificou como “vergonha” o episódio ocorrido na Câmara Federal na noite anterior. Ele criticou o que chamou de “ato covarde de truculência” no processo que busca caçar o mandato do deputado Glauber Braga, a quem definiu como “um homem de bem, uma liderança de bem que muito luta pelas grandes pautas do Brasil”. O parlamentar reforçou sua solidariedade ao deputado do PSOL.

Andreson ressaltou ainda que a situação de Glauber Braga é totalmente distinta da do senador Flávio Bolsonaro e da deputada Carla Zambelli, que, segundo ele, “merecidamente deve ser cassada”.

Concluindo, o vereador deixou registrada também sua solidariedade à militante Gláucia, mencionada em sua fala.

Vereador Andreson Ribeiro cobra reforma da Casa Glauber Rocha e critica “vergonha” na Câmara Federal

 

Padre Carlos

 

Câmara Municipal de Vitória da Conquista — Sessão de 10 de dezembro

Durante a sessão desta quarta-feira, o vereador Andreson Ribeiro Alves (PCdoB) ocupou a tribuna para uma fala marcada por reconhecimento aos atores culturais da cidade, defesa do patrimônio artístico local e forte crítica ao cenário político nacional.

O parlamentar iniciou cumprimentando o presidente da Casa, Ivan Cordeiro, os vereadores, vereadoras, a imprensa e o público presente. Logo em seguida, prestou homenagem ao produtor cultural Vadinho Barreto, destacando sua dedicação de anos à boa música e ao fortalecimento da cultura conquistense. Lembrou que no próximo dia 12 ocorrerá uma audiência pública importante para o setor cultural e reforçou a relevância desse momento para os trabalhadores da área.

Andreson aproveitou para se solidarizar com os artistas que recentemente realizaram uma vigília na porta da Casa Glauber Rocha, na Avenida Dois de Julho, pedindo providências do município quanto à reforma do imóvel. Ele lembrou que essa cobrança vem sendo feita há meses na tribuna, alertando para o risco de perda de um dos principais legados do maior cineasta do país. “Se ali não for feito urgentemente uma reforma, talvez a qualquer momento ficaremos sem essa grande lembrança desse maior cineasta do mundo que foi Glauber Rocha”, afirmou.

O vereador pediu sensibilidade da prefeita Sheila Lemos e do secretário de Cultura, Xangai, para que haja mobilização imediata de recursos que permitam a recuperação da residência. Segundo ele, é fundamental garantir que a casa tenha plena funcionalidade para as gerações presentes e futuras conhecerem o legado de Glauber Rocha.

Na parte final de sua fala, Andreson Ribeiro voltou-se ao cenário nacional e classificou como “vergonha” o episódio ocorrido na Câmara Federal na noite anterior. Ele criticou o que chamou de “ato covarde de truculência” no processo que busca caçar o mandato do deputado Glauber Braga, a quem definiu como “um homem de bem, uma liderança de bem que muito luta pelas grandes pautas do Brasil”. O parlamentar reforçou sua solidariedade ao deputado do PSOL.

Andreson ressaltou ainda que a situação de Glauber Braga é totalmente distinta da do senador Flávio Bolsonaro e da deputada Carla Zambelli, que, segundo ele, “merecidamente deve ser cassada”.

Concluindo, o vereador deixou registrada também sua solidariedade à militante Gláucia, mencionada em sua fala.

ARTIGO – A Página Que Nunca Se Apaga: Memória, Afeto e o Livro Invisível das Nossas Histórias

 

 

(Padre Carlos)

Há pessoas que passam pela nossa vida como quem folheia um livro raro: sem alarde, sem promessas, mas deixando marcas que o tempo não consegue apagar. São presenças que, mesmo quando não chegam ao último capítulo, moldam a narrativa inteira. A cultura popular, a literatura e até a história regional nos ensinam isso de forma silenciosa — cada encontro humano escreve uma linha, dobra uma página, acende uma memória que insiste em permanecer.

Digo isso porque algumas histórias não precisam ser completas para serem eternas. Às vezes, basta um único trecho, um único diálogo, uma única cena para que o coração — esse velho arquivista sentimental — marque de lado a página favorita. E não importa quantas vezes o livro se feche, ela continuará lá, dobrada, resistente, como quem diz: aqui houve verdade; aqui houve intensidade; aqui houve vida.

Na arte, chamamos isso de epifania. Na cultura sertaneja, chamamos de lembrança boa. Na crônica dos dias comuns, chamamos simplesmente de saudade. Mas em qualquer linguagem, o sentimento é o mesmo: reconhecer que alguém passou pela nossa história deixando um rastro que não se dissolve, mesmo quando o enredo segue em outra direção.

Vivemos em um tempo de relações rápidas, descartáveis, consumidas como notícias de última hora. Ainda assim, algumas pessoas rompem a lógica da urgência e se tornam memória de longo prazo, quase patrimônio afetivo. São aquelas que, mesmo não ficando até o “fim do livro”, permanecem como capítulo decisivo — aquele que explica quem nos tornamos.

E é por isso que, na literatura que me habita, continuo deixando dobrada a página onde você apareceu. Não por nostalgia paralisante, mas por gratidão. Foi um dos meus trechos favoritos. Um daqueles momentos que merecem cuidado, arquivo e reverência — como se faz com as histórias que importam para a identidade de um povo, de uma cidade, de uma alma.

Porque algumas presenças não se medem pelo tempo em que ficam, mas pela marca cultural, emocional e histórica que deixam no coração de quem segue lendo a própria vida.

ARTIGO – A Página Que Nunca Se Apaga: Memória, Afeto e o Livro Invisível das Nossas Histórias

 

 

(Padre Carlos)

Há pessoas que passam pela nossa vida como quem folheia um livro raro: sem alarde, sem promessas, mas deixando marcas que o tempo não consegue apagar. São presenças que, mesmo quando não chegam ao último capítulo, moldam a narrativa inteira. A cultura popular, a literatura e até a história regional nos ensinam isso de forma silenciosa — cada encontro humano escreve uma linha, dobra uma página, acende uma memória que insiste em permanecer.

Digo isso porque algumas histórias não precisam ser completas para serem eternas. Às vezes, basta um único trecho, um único diálogo, uma única cena para que o coração — esse velho arquivista sentimental — marque de lado a página favorita. E não importa quantas vezes o livro se feche, ela continuará lá, dobrada, resistente, como quem diz: aqui houve verdade; aqui houve intensidade; aqui houve vida.

Na arte, chamamos isso de epifania. Na cultura sertaneja, chamamos de lembrança boa. Na crônica dos dias comuns, chamamos simplesmente de saudade. Mas em qualquer linguagem, o sentimento é o mesmo: reconhecer que alguém passou pela nossa história deixando um rastro que não se dissolve, mesmo quando o enredo segue em outra direção.

Vivemos em um tempo de relações rápidas, descartáveis, consumidas como notícias de última hora. Ainda assim, algumas pessoas rompem a lógica da urgência e se tornam memória de longo prazo, quase patrimônio afetivo. São aquelas que, mesmo não ficando até o “fim do livro”, permanecem como capítulo decisivo — aquele que explica quem nos tornamos.

E é por isso que, na literatura que me habita, continuo deixando dobrada a página onde você apareceu. Não por nostalgia paralisante, mas por gratidão. Foi um dos meus trechos favoritos. Um daqueles momentos que merecem cuidado, arquivo e reverência — como se faz com as histórias que importam para a identidade de um povo, de uma cidade, de uma alma.

Porque algumas presenças não se medem pelo tempo em que ficam, mas pela marca cultural, emocional e histórica que deixam no coração de quem segue lendo a própria vida.

ARTIGO – O Acordão que Soltou Golpistas, Salvou Bolsonaro e Rendeu a Candidatura de 2026

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história política de um país em que se escancara a verdade nua e crua: o sistema não funciona para o cidadão comum, mas para os interesses de quem detém poder, influência e capacidade de chantagear a República. A votação que reduziu as penas dos envolvidos no processo golpista é um desses momentos — talvez um dos mais simbólicos desde a Nova República.

O que a Câmara fez não foi apenas uma manobra legislativa. Foi um pacto de sobrevivência mútua, uma coreografia cínica que uniu Centrão, direita e parte do establishment para resolver dois problemas simultâneos:

  1. tirar Jair Bolsonaro do corredor jurídico, e

  2. desamarrar a candidatura de Tarcísio de Freitas para 2026.

A equação era simples, mas brutal:
Flávio Bolsonaro sequestrou a candidatura de Tarcísio.
E o resgate era alto.
Muito alto.

A elite política que vê no governador paulista uma alternativa viável a Lula em 2026 estava encurralada. O plano de colocá-lo como “candidato de união da direita” estava travado por uma variável incômoda: Bolsonaro pai preso e Bolsonaro filho irredutível.

Então veio o acerto.
Um acerto que o país não ouviu, mas sentiu.

Como a anistia era explosiva demais, inventou-se a saída “técnica”: a tal dosimetria, uma manobra legislativa que, na prática, encurta penas, reinterpreta crimes e reclassifica culpados. Dos bagres pequenos aos tubarões gordos. E, no rastro dessa engenharia jurídica, criminosos comuns também foram atingidos, abrindo um ralo perigoso no sistema penal.

Tudo isso para quê?
Para devolver ao jogo eleitoral de 2026 o candidato preferido do mercado, do Centrão e da elite econômica: Tarcísio de Freitas.

O preço foi pago.
E pago com juros.

A repercussão foi imediata, atravessando governo, oposição e opinião pública. A mensagem está dada:
quem controla o tabuleiro não são as leis — são os acordos.

E, quando a lei se curva a acordos, o Estado perde sua espinha.
O crime ganha alma.
E a democracia perde um pedaço de si.

O país segue caminhando, mas parece cada vez mais evidente:
o que foi aberto ontem não foi apenas a porta da cadeia.
Foi também a porta da desconfiança.
E dela, meu amigo, ninguém mais tranca a chave.

ARTIGO – O Acordão que Soltou Golpistas, Salvou Bolsonaro e Rendeu a Candidatura de 2026

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história política de um país em que se escancara a verdade nua e crua: o sistema não funciona para o cidadão comum, mas para os interesses de quem detém poder, influência e capacidade de chantagear a República. A votação que reduziu as penas dos envolvidos no processo golpista é um desses momentos — talvez um dos mais simbólicos desde a Nova República.

O que a Câmara fez não foi apenas uma manobra legislativa. Foi um pacto de sobrevivência mútua, uma coreografia cínica que uniu Centrão, direita e parte do establishment para resolver dois problemas simultâneos:

  1. tirar Jair Bolsonaro do corredor jurídico, e

  2. desamarrar a candidatura de Tarcísio de Freitas para 2026.

A equação era simples, mas brutal:
Flávio Bolsonaro sequestrou a candidatura de Tarcísio.
E o resgate era alto.
Muito alto.

A elite política que vê no governador paulista uma alternativa viável a Lula em 2026 estava encurralada. O plano de colocá-lo como “candidato de união da direita” estava travado por uma variável incômoda: Bolsonaro pai preso e Bolsonaro filho irredutível.

Então veio o acerto.
Um acerto que o país não ouviu, mas sentiu.

Como a anistia era explosiva demais, inventou-se a saída “técnica”: a tal dosimetria, uma manobra legislativa que, na prática, encurta penas, reinterpreta crimes e reclassifica culpados. Dos bagres pequenos aos tubarões gordos. E, no rastro dessa engenharia jurídica, criminosos comuns também foram atingidos, abrindo um ralo perigoso no sistema penal.

Tudo isso para quê?
Para devolver ao jogo eleitoral de 2026 o candidato preferido do mercado, do Centrão e da elite econômica: Tarcísio de Freitas.

O preço foi pago.
E pago com juros.

A repercussão foi imediata, atravessando governo, oposição e opinião pública. A mensagem está dada:
quem controla o tabuleiro não são as leis — são os acordos.

E, quando a lei se curva a acordos, o Estado perde sua espinha.
O crime ganha alma.
E a democracia perde um pedaço de si.

O país segue caminhando, mas parece cada vez mais evidente:
o que foi aberto ontem não foi apenas a porta da cadeia.
Foi também a porta da desconfiança.
E dela, meu amigo, ninguém mais tranca a chave.

Como a Chamada Lula–Trump Redesenha a Política Brasileira

 

 

 

(Padre Carlos)

A política, às vezes, não se decide na praça pública, nem nos palanques, nem mesmo no plenário. Ela se decide em uma ligação de 40 minutos, discreta na forma, explosiva no conteúdo. Foi exatamente isso que aconteceu em 2 de dezembro de 2025, quando Lula e Donald Trump, dois líderes de estilos opostos, encontraram um ponto de convergência: o combate ao crime organizado internacional.

À primeira vista, parecia apenas mais uma conversa diplomática sobre tarifas e cooperação. Mas olhando mais fundo — no subterrâneo do poder, onde se movimentam os fluxos de dinheiro, armas, interesses estratégicos e discursos eleitorais — percebe-se que aquela ligação deslocou placas tectônicas da política brasileira. E o que saiu dos bastidores ameaça, ao mesmo tempo, o crime organizado e a estratégia bolsonarista nos Estados Unidos.

Lula assumiu uma posição calculada: sufocar financeiramente as facções brasileiras que transformaram Miami, Delaware e outros polos americanos em paraísos da lavagem de dinheiro. Ele citou operações recentes como a Carbonoculo e o caso Vorcaro, chamando atenção para laranjas, offshores, empresas de papel e imóveis de luxo comprados com dinheiro criminoso. Trump respondeu com entusiasmo, prometendo abrir os cofres da inteligência fiscal americana — Receita, bases de dados, fundos suspeitos — e ajudar o Brasil a bloquear bens, recuperar valores e rastrear redes.

Nesse ponto, a cooperação Brasil–EUA, se funcionar, será devastadora para os criminosos brasileiros radicados em Miami. Mansões, iates, fundos, criptomoedas, carros de luxo — tudo pode estar prestes a congelar. É golpe direto no caixa das facções, no PCC e no Comando Vermelho, que dependem da triangulação financeira entre Brasil, Caribe e Estados Unidos.

Mas o impacto político da ligação foi ainda maior. Porque a oposição bolsonarista no exterior apostava justamente no caminho oposto. Há meses, Eduardo e Flávio Bolsonaro tentam convencer Washington a classificar PCC e CV como “organizações terroristas”. Seria a senha para acionar leis pós-11 de setembro, abrir sanções contra o Brasil e, sobretudo, criar um ambiente político que favorecesse a narrativa da anistia para Jair Bolsonaro. Eles chegaram a entregar relatórios a Sebastian Gorka, do Conselho de Segurança Nacional, e a diplomatas americanos — documentos duvidosos que “conectavam” o Comando Vermelho à Al-Qaeda.

Essa campanha sofreu um golpe mortal quando Lula levou a pauta diretamente ao presidente americano. Porque, ao pedir cooperação contra o crime — e não a designação terrorista — o governo brasileiro retirou dos bolsonaristas exatamente o instrumento que eles mais precisavam. Trump, imprevisível como sempre, ouviu Lula, acenou positivamente e sequer mencionou Jair Bolsonaro. O gesto simbólico é gigantesco.

Lula, que vinha denunciando riscos à soberania caso os EUA declarassem as facções como terroristas, conseguiu duas coisas ao mesmo tempo:

  1. Protegeu o Brasil de eventuais ações militares unilaterais, como as que Trump já autorizou no Caribe.

  2. Desmontou a narrativa bolsonarista em Washington, que apostava num atalho externo para reverter derrotas internas.

O silêncio sobre Maduro e a Venezuela na nota oficial do Planalto mostra a sutileza do movimento. Fontes confirmam que o tema foi tratado na ligação — até porque Washington prepara uma ação terrestre contra Caracas — mas Lula escolheu manter o foco no bilateral. Maduro virou “assunto oculto” na conversa, justamente para evitar ruído diplomático e proteger a cooperação recém-acertada.

No entanto, esse equilíbrio é frágil. Trump está posicionado para agir militarmente na Venezuela. Seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, não esconde a doutrina: atacar embarcações, eliminar sobreviventes, punir países que enviem drogas. O ambiente é de guerra declarada. Se o conflito escalar, toda a costura política feita por Lula pode ser arrastada por uma tempestade geopolítica que o Brasil não controla.

Do ponto de vista estratégico, a parceria Lula–Trump está desenhada para um objetivo claro: sufocar o crime pelo bolso, não pelo sangue. Rastrear fundos em Delaware, bloquear bens em Miami, impedir entrada de armas de grosso calibre vindas dos EUA. O presidente sabe que o Brasil não fabrica fuzis AR-15; sabe que suas fronteiras não suportam mais o fluxo de munição; sabe que sem atacar o elo americano a guerra doméstica nunca será vencida.

Enquanto isso, nos bastidores, cresce o temor entre exilados políticos vinculados ao bolsonarismo nos EUA. A nova cooperação, mesmo sem citar nomes, torna mais difícil o trabalho de lobby de quem tenta usar Washington como trampolim eleitoral. Não se trata de perseguição, mas de uma mudança simples: agora Washington está ouvindo o governo brasileiro — e não intermediários com agenda própria.

Em termos eleitorais, o efeito dessa movimentação é profundo. Se a parceria produzir resultados concretos — bloqueio de bens, extradições, identificação de fluxos ilegais — Lula entrará em 2026 com um discurso poderoso: segurança pública eficiente, sem bravatas, sem militarização, sem aventuras. A ideia de “Brasil seguro graças à inteligência e à soberania” terá mais força.

A oposição, por outro lado, perde uma bandeira essencial. Sua narrativa de que “Lula falhou na segurança” não se sustenta diante de cooperação internacional eficaz. Mas ela pode ser ressuscitada se os EUA invadirem a Venezuela. Nesse caso, o discurso bolsonarista tentará colar Lula à crise regional e ao caos eventualmente gerado.

O jogo ainda não está decidido. Mas uma coisa é certa: aquela ligação mudou os fluxos do poder. Mudou o destino de criminosos com mansões em Miami. Mudou a estratégia da oposição brasileira nos EUA. Mudou a forma como o Planalto se posiciona no tabuleiro geopolítico.

Resta saber como tudo isso se traduzirá no voto.
Como isso pode moldar as eleições de 2026 no Brasil?

Como a Chamada Lula–Trump Redesenha a Política Brasileira

 

 

 

(Padre Carlos)

A política, às vezes, não se decide na praça pública, nem nos palanques, nem mesmo no plenário. Ela se decide em uma ligação de 40 minutos, discreta na forma, explosiva no conteúdo. Foi exatamente isso que aconteceu em 2 de dezembro de 2025, quando Lula e Donald Trump, dois líderes de estilos opostos, encontraram um ponto de convergência: o combate ao crime organizado internacional.

À primeira vista, parecia apenas mais uma conversa diplomática sobre tarifas e cooperação. Mas olhando mais fundo — no subterrâneo do poder, onde se movimentam os fluxos de dinheiro, armas, interesses estratégicos e discursos eleitorais — percebe-se que aquela ligação deslocou placas tectônicas da política brasileira. E o que saiu dos bastidores ameaça, ao mesmo tempo, o crime organizado e a estratégia bolsonarista nos Estados Unidos.

Lula assumiu uma posição calculada: sufocar financeiramente as facções brasileiras que transformaram Miami, Delaware e outros polos americanos em paraísos da lavagem de dinheiro. Ele citou operações recentes como a Carbonoculo e o caso Vorcaro, chamando atenção para laranjas, offshores, empresas de papel e imóveis de luxo comprados com dinheiro criminoso. Trump respondeu com entusiasmo, prometendo abrir os cofres da inteligência fiscal americana — Receita, bases de dados, fundos suspeitos — e ajudar o Brasil a bloquear bens, recuperar valores e rastrear redes.

Nesse ponto, a cooperação Brasil–EUA, se funcionar, será devastadora para os criminosos brasileiros radicados em Miami. Mansões, iates, fundos, criptomoedas, carros de luxo — tudo pode estar prestes a congelar. É golpe direto no caixa das facções, no PCC e no Comando Vermelho, que dependem da triangulação financeira entre Brasil, Caribe e Estados Unidos.

Mas o impacto político da ligação foi ainda maior. Porque a oposição bolsonarista no exterior apostava justamente no caminho oposto. Há meses, Eduardo e Flávio Bolsonaro tentam convencer Washington a classificar PCC e CV como “organizações terroristas”. Seria a senha para acionar leis pós-11 de setembro, abrir sanções contra o Brasil e, sobretudo, criar um ambiente político que favorecesse a narrativa da anistia para Jair Bolsonaro. Eles chegaram a entregar relatórios a Sebastian Gorka, do Conselho de Segurança Nacional, e a diplomatas americanos — documentos duvidosos que “conectavam” o Comando Vermelho à Al-Qaeda.

Essa campanha sofreu um golpe mortal quando Lula levou a pauta diretamente ao presidente americano. Porque, ao pedir cooperação contra o crime — e não a designação terrorista — o governo brasileiro retirou dos bolsonaristas exatamente o instrumento que eles mais precisavam. Trump, imprevisível como sempre, ouviu Lula, acenou positivamente e sequer mencionou Jair Bolsonaro. O gesto simbólico é gigantesco.

Lula, que vinha denunciando riscos à soberania caso os EUA declarassem as facções como terroristas, conseguiu duas coisas ao mesmo tempo:

  1. Protegeu o Brasil de eventuais ações militares unilaterais, como as que Trump já autorizou no Caribe.

  2. Desmontou a narrativa bolsonarista em Washington, que apostava num atalho externo para reverter derrotas internas.

O silêncio sobre Maduro e a Venezuela na nota oficial do Planalto mostra a sutileza do movimento. Fontes confirmam que o tema foi tratado na ligação — até porque Washington prepara uma ação terrestre contra Caracas — mas Lula escolheu manter o foco no bilateral. Maduro virou “assunto oculto” na conversa, justamente para evitar ruído diplomático e proteger a cooperação recém-acertada.

No entanto, esse equilíbrio é frágil. Trump está posicionado para agir militarmente na Venezuela. Seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, não esconde a doutrina: atacar embarcações, eliminar sobreviventes, punir países que enviem drogas. O ambiente é de guerra declarada. Se o conflito escalar, toda a costura política feita por Lula pode ser arrastada por uma tempestade geopolítica que o Brasil não controla.

Do ponto de vista estratégico, a parceria Lula–Trump está desenhada para um objetivo claro: sufocar o crime pelo bolso, não pelo sangue. Rastrear fundos em Delaware, bloquear bens em Miami, impedir entrada de armas de grosso calibre vindas dos EUA. O presidente sabe que o Brasil não fabrica fuzis AR-15; sabe que suas fronteiras não suportam mais o fluxo de munição; sabe que sem atacar o elo americano a guerra doméstica nunca será vencida.

Enquanto isso, nos bastidores, cresce o temor entre exilados políticos vinculados ao bolsonarismo nos EUA. A nova cooperação, mesmo sem citar nomes, torna mais difícil o trabalho de lobby de quem tenta usar Washington como trampolim eleitoral. Não se trata de perseguição, mas de uma mudança simples: agora Washington está ouvindo o governo brasileiro — e não intermediários com agenda própria.

Em termos eleitorais, o efeito dessa movimentação é profundo. Se a parceria produzir resultados concretos — bloqueio de bens, extradições, identificação de fluxos ilegais — Lula entrará em 2026 com um discurso poderoso: segurança pública eficiente, sem bravatas, sem militarização, sem aventuras. A ideia de “Brasil seguro graças à inteligência e à soberania” terá mais força.

A oposição, por outro lado, perde uma bandeira essencial. Sua narrativa de que “Lula falhou na segurança” não se sustenta diante de cooperação internacional eficaz. Mas ela pode ser ressuscitada se os EUA invadirem a Venezuela. Nesse caso, o discurso bolsonarista tentará colar Lula à crise regional e ao caos eventualmente gerado.

O jogo ainda não está decidido. Mas uma coisa é certa: aquela ligação mudou os fluxos do poder. Mudou o destino de criminosos com mansões em Miami. Mudou a estratégia da oposição brasileira nos EUA. Mudou a forma como o Planalto se posiciona no tabuleiro geopolítico.

Resta saber como tudo isso se traduzirá no voto.
Como isso pode moldar as eleições de 2026 no Brasil?

ARTIGO – Frei Gilson: o frade que acorda às 4 da manhã para carregar o Brasil nas costas

 

 

 

Padre Carlos

Ainda é noite. E a noite tem um jeito próprio de encobrir dores. A casa está silenciosa como se respirasse devagar, tentando não acordar o mundo. São 4h da manhã. Uma mãe solteira — dessas que descobriram cedo demais que a vida não entrega manual de instruções — desperta com o barulho insistente do despertador do celular. Ela o alcança com a mão trêmula. Nos olhos, um cansaço que nenhum filtro do Instagram saberia esconder.
As contas estão atrasadas. O filho adolescente anda respondão. O trabalho ameaça mandar embora. E, dentro dela, um medo velho, úmido, silencioso — medo de falhar de novo, medo de não dar conta, medo de ser esquecida por Deus.

Ela ajeita o travesseiro e, sem coragem de levantar, aperta o play na live do Rosário das 4h. A voz rouca, ainda aquecendo o dia, sussurra do outro lado da tela:

“Meu filho, minha filha… estamos aqui. Deus está aqui.”

A mulher chora. Chora como quem solta uma represa. E segura o celular com as duas mãos como quem segura um terço, um santo, um porto.
Lá na periferia de outra cidade, um jovem perdido — que passou a madrugada acordado lutando contra impulsos, vícios, pensamentos sombrios — vê a notificação subir na tela e aperta o botão antes que a coragem fuja.
No interior do Brasil, um idoso doente, que já não dorme porque a dor não o deixa, desperta com o barulho automático que ele mesmo programou para não esquecer “de rezar com o padre”. Ele nem sabe direito quem é Frei Gilson. Mas sabe que, quando ouve aquela voz, a dor diminui meio tom. E isso já é quase milagre.

A cena se repete no país inteiro. Casas pobres, apartamentos sofisticados, barracos, condomínios, quartos de jovens, cozinhas de avós, hospitais, presídios. Um país inteiro, fragmentado, ferido, bipolarizado, solitário, mas que — misteriosamente — decide acordar às 4h da manhã porque um frade decidiu acordar antes deles.

Ele acorda às 4h… acorda às 4h… acorda às 4h.
E, enquanto o Brasil boceja, ele leva nos ombros uma multidão que quase ninguém vê.


Quem é esse homem que desperta o país na madrugada?
Não, não é um “influencer conservador”. Não é um “bolsonarista”. Não é uma caricatura criada por gente que nunca o ouviu chorar.

É um homem.
E, como todo homem, é feito de quedas, feridas, perguntas, pecados, lágrimas.
Carrega dentro de si um passado que não cabe em manchetes. Já foi jovem perdido. Já teve noites de deserto. Já se perguntou, ajoelhado diante do Sacrário vazio da madrugada, se Deus ainda ouvia.
E talvez por isso ele acorde às 3h30: porque sabe o que é ser abraçado tarde demais.

Frei Gilson não acorda cedo porque é forte.
Acorda porque sabe que, se ele não rezar pelo povo dele, quem vai rezar?
Porque há uma dor pastoral que o arrasta da cama antes mesmo que o sol sonhe em nascer.

Ele reza como quem segura o Brasil para não cair.
Reza porque sabe que cada pessoa na live não é número — é ferida.
Reza porque sente dentro do peito a responsabilidade de quem descobriu, talvez sem querer, que milhões o tratam como último fio antes do abismo.
Reza porque viu a alma de um povo, e ela grita.
Reza porque Deus pediu.
Reza porque, se parar, desmorona junto.


O Rosário das 4h e o Getsêmani brasileiro
Enquanto o país dorme, ele se ajoelha.
E, naquele instante, somos todos discípulos cansados em uma horta sombria, enquanto Jesus sua sangue porque carrega o peso do mundo.

O Rosário das 4h é um Getsêmani moderno.
Um grito no deserto.
A última moeda da viúva, lançada não no Templo, mas na internet.
É a prece dos esquecidos, dos cansados, dos que perderam o rumo.

E quando mais de 1,3 milhão de pessoas assistem simultaneamente, não são “1,3 milhão de espectadores”.

São 1,3 milhão de corações sangrando.
1,3 milhão de segredos guardados.
1,3 milhão de pedidos que nunca caberiam num consultório.
1,3 milhão de motivos para desistir — segurados por um frade de joelhos numa capela anônima.


O peso das críticas — e a escolha de continuar
É fácil zombar de quem acorda às 4h.
É fácil dizer que é “conservador”, “machista”, “fundamentalista”, “bolsonarista”.
Difícil é saber o que essas palavras fazem no peito do homem que as escuta.

Porque ele escuta.
E dói.
Dói mais do que ele admite.
Dói mais do que seus críticos imaginam.

Mas, ainda assim, às 4h, ele está lá.
Mesmo por quem o odeia.
Mesmo por quem o xinga.
Mesmo por quem jamais entenderá a dor pastoral que o consome.

Ele acorda às 4h… por aqueles que o ferem às 14h.
Acorda às 4h… por aqueles que zombam dele às 20h.
Acorda às 4h… porque alguém precisa amar quando ninguém mais sabe como.


As frases que chocam — e a dor por trás delas
Sim, ele diz frases duras.
Sim, suas posições incomodam.
Sim, ele toca em temas como mulher, aborto, homossexualidade e política com a firmeza de quem sabe que vai apanhar por isso.

Mas por trás dessa firmeza não há ódio.
Há medo.
Medo de ver almas se perderem.
Medo de ver famílias desmoronarem.
Medo de ver a fé virar meme.

Frei Gilson fala como quem vê uma casa pegando fogo.
E quem vê fogo não tem tempo para discursos bonitos.
Grita.
Alerta.
Sacode.
Mesmo que depois seja acusado de rudeza.


As vidas que mudaram — as que ninguém mostra
Há a mãe que deixou de abortar depois de uma pregação dele.
Há o jovem que largou as drogas porque, pela primeira vez em anos, sentiu alguém rezar por ele pelo nome.
Há a mulher com depressão que repete todas as madrugadas:
“Se ele não desiste de rezar por mim às 4h, eu não posso desistir de mim.”

Há o empresário vazio que encontrou no Rosário a primeira paz real depois de décadas de sucesso inútil.
Há a idosa sozinha que diz que “se não fossem as lives, eu já tinha ido embora desse mundo”.
Histórias reais.
Histórias esquecidas pela imprensa.
Histórias que o céu não esquece.


O preço de ser profeta nos tempos de Twitter
Ser profeta hoje é ser cancelado.
Ser ridicularizado.
Ser odiado por quem nunca te ouviu com sinceridade.
Ser mal interpretado por quem prefere o meme à piedade.

Mas profetas não escolhem conforto.
Escolhem cruz.
E cruz não se carrega ao meio-dia, com aplausos.
Cruz se carrega às 4h da manhã, com silêncio, frio e lágrimas.


E o Brasil… ah, o Brasil…
O Brasil está cansado.
Cansado de brigar.
Cansado de política.
Cansado de violência.
Cansado de si mesmo.

E, por alguns minutos — no intervalo entre uma Ave-Maria e outra — esse país esquisito, ferido, gigante, contraditório, simplesmente… reza.
Reza junto.
Reza igual.
Reza mesmo sem concordar em tudo.

Reza porque precisa.
Reza porque alguém acendeu uma vela na escuridão.
Reza porque há esperança demais escondida na madrugada.


Quando a live termina, milhões voltam a dormir.
Outros vão trabalhar.
Alguns voltam a chorar.
Mas ninguém volta igual.

Porque, por alguns minutos, tiveram um pai espiritual acordado enquanto o mundo dormia.
Porque, por alguns minutos, alguém acreditou que eles valiam uma madrugada inteira.
Porque, por alguns minutos, o Brasil não se dividiu entre direita e esquerda — mas entre os que rezam e os que ainda não descobriram que precisavam rezar.

E agora, meu filho, minha filha… fica a pergunta que queima:

E você?
Você conseguiria acordar às 4h da manhã para rezar por alguém que pensa diferente de você?

Que Deus nos dê essa coragem.
Que Deus nos desperte antes do despertador.
Que Deus nos encontre antes que a vida nos perca.

Amém.

ARTIGO – Frei Gilson: o frade que acorda às 4 da manhã para carregar o Brasil nas costas

 

 

 

Padre Carlos

Ainda é noite. E a noite tem um jeito próprio de encobrir dores. A casa está silenciosa como se respirasse devagar, tentando não acordar o mundo. São 4h da manhã. Uma mãe solteira — dessas que descobriram cedo demais que a vida não entrega manual de instruções — desperta com o barulho insistente do despertador do celular. Ela o alcança com a mão trêmula. Nos olhos, um cansaço que nenhum filtro do Instagram saberia esconder.
As contas estão atrasadas. O filho adolescente anda respondão. O trabalho ameaça mandar embora. E, dentro dela, um medo velho, úmido, silencioso — medo de falhar de novo, medo de não dar conta, medo de ser esquecida por Deus.

Ela ajeita o travesseiro e, sem coragem de levantar, aperta o play na live do Rosário das 4h. A voz rouca, ainda aquecendo o dia, sussurra do outro lado da tela:

“Meu filho, minha filha… estamos aqui. Deus está aqui.”

A mulher chora. Chora como quem solta uma represa. E segura o celular com as duas mãos como quem segura um terço, um santo, um porto.
Lá na periferia de outra cidade, um jovem perdido — que passou a madrugada acordado lutando contra impulsos, vícios, pensamentos sombrios — vê a notificação subir na tela e aperta o botão antes que a coragem fuja.
No interior do Brasil, um idoso doente, que já não dorme porque a dor não o deixa, desperta com o barulho automático que ele mesmo programou para não esquecer “de rezar com o padre”. Ele nem sabe direito quem é Frei Gilson. Mas sabe que, quando ouve aquela voz, a dor diminui meio tom. E isso já é quase milagre.

A cena se repete no país inteiro. Casas pobres, apartamentos sofisticados, barracos, condomínios, quartos de jovens, cozinhas de avós, hospitais, presídios. Um país inteiro, fragmentado, ferido, bipolarizado, solitário, mas que — misteriosamente — decide acordar às 4h da manhã porque um frade decidiu acordar antes deles.

Ele acorda às 4h… acorda às 4h… acorda às 4h.
E, enquanto o Brasil boceja, ele leva nos ombros uma multidão que quase ninguém vê.


Quem é esse homem que desperta o país na madrugada?
Não, não é um “influencer conservador”. Não é um “bolsonarista”. Não é uma caricatura criada por gente que nunca o ouviu chorar.

É um homem.
E, como todo homem, é feito de quedas, feridas, perguntas, pecados, lágrimas.
Carrega dentro de si um passado que não cabe em manchetes. Já foi jovem perdido. Já teve noites de deserto. Já se perguntou, ajoelhado diante do Sacrário vazio da madrugada, se Deus ainda ouvia.
E talvez por isso ele acorde às 3h30: porque sabe o que é ser abraçado tarde demais.

Frei Gilson não acorda cedo porque é forte.
Acorda porque sabe que, se ele não rezar pelo povo dele, quem vai rezar?
Porque há uma dor pastoral que o arrasta da cama antes mesmo que o sol sonhe em nascer.

Ele reza como quem segura o Brasil para não cair.
Reza porque sabe que cada pessoa na live não é número — é ferida.
Reza porque sente dentro do peito a responsabilidade de quem descobriu, talvez sem querer, que milhões o tratam como último fio antes do abismo.
Reza porque viu a alma de um povo, e ela grita.
Reza porque Deus pediu.
Reza porque, se parar, desmorona junto.


O Rosário das 4h e o Getsêmani brasileiro
Enquanto o país dorme, ele se ajoelha.
E, naquele instante, somos todos discípulos cansados em uma horta sombria, enquanto Jesus sua sangue porque carrega o peso do mundo.

O Rosário das 4h é um Getsêmani moderno.
Um grito no deserto.
A última moeda da viúva, lançada não no Templo, mas na internet.
É a prece dos esquecidos, dos cansados, dos que perderam o rumo.

E quando mais de 1,3 milhão de pessoas assistem simultaneamente, não são “1,3 milhão de espectadores”.

São 1,3 milhão de corações sangrando.
1,3 milhão de segredos guardados.
1,3 milhão de pedidos que nunca caberiam num consultório.
1,3 milhão de motivos para desistir — segurados por um frade de joelhos numa capela anônima.


O peso das críticas — e a escolha de continuar
É fácil zombar de quem acorda às 4h.
É fácil dizer que é “conservador”, “machista”, “fundamentalista”, “bolsonarista”.
Difícil é saber o que essas palavras fazem no peito do homem que as escuta.

Porque ele escuta.
E dói.
Dói mais do que ele admite.
Dói mais do que seus críticos imaginam.

Mas, ainda assim, às 4h, ele está lá.
Mesmo por quem o odeia.
Mesmo por quem o xinga.
Mesmo por quem jamais entenderá a dor pastoral que o consome.

Ele acorda às 4h… por aqueles que o ferem às 14h.
Acorda às 4h… por aqueles que zombam dele às 20h.
Acorda às 4h… porque alguém precisa amar quando ninguém mais sabe como.


As frases que chocam — e a dor por trás delas
Sim, ele diz frases duras.
Sim, suas posições incomodam.
Sim, ele toca em temas como mulher, aborto, homossexualidade e política com a firmeza de quem sabe que vai apanhar por isso.

Mas por trás dessa firmeza não há ódio.
Há medo.
Medo de ver almas se perderem.
Medo de ver famílias desmoronarem.
Medo de ver a fé virar meme.

Frei Gilson fala como quem vê uma casa pegando fogo.
E quem vê fogo não tem tempo para discursos bonitos.
Grita.
Alerta.
Sacode.
Mesmo que depois seja acusado de rudeza.


As vidas que mudaram — as que ninguém mostra
Há a mãe que deixou de abortar depois de uma pregação dele.
Há o jovem que largou as drogas porque, pela primeira vez em anos, sentiu alguém rezar por ele pelo nome.
Há a mulher com depressão que repete todas as madrugadas:
“Se ele não desiste de rezar por mim às 4h, eu não posso desistir de mim.”

Há o empresário vazio que encontrou no Rosário a primeira paz real depois de décadas de sucesso inútil.
Há a idosa sozinha que diz que “se não fossem as lives, eu já tinha ido embora desse mundo”.
Histórias reais.
Histórias esquecidas pela imprensa.
Histórias que o céu não esquece.


O preço de ser profeta nos tempos de Twitter
Ser profeta hoje é ser cancelado.
Ser ridicularizado.
Ser odiado por quem nunca te ouviu com sinceridade.
Ser mal interpretado por quem prefere o meme à piedade.

Mas profetas não escolhem conforto.
Escolhem cruz.
E cruz não se carrega ao meio-dia, com aplausos.
Cruz se carrega às 4h da manhã, com silêncio, frio e lágrimas.


E o Brasil… ah, o Brasil…
O Brasil está cansado.
Cansado de brigar.
Cansado de política.
Cansado de violência.
Cansado de si mesmo.

E, por alguns minutos — no intervalo entre uma Ave-Maria e outra — esse país esquisito, ferido, gigante, contraditório, simplesmente… reza.
Reza junto.
Reza igual.
Reza mesmo sem concordar em tudo.

Reza porque precisa.
Reza porque alguém acendeu uma vela na escuridão.
Reza porque há esperança demais escondida na madrugada.


Quando a live termina, milhões voltam a dormir.
Outros vão trabalhar.
Alguns voltam a chorar.
Mas ninguém volta igual.

Porque, por alguns minutos, tiveram um pai espiritual acordado enquanto o mundo dormia.
Porque, por alguns minutos, alguém acreditou que eles valiam uma madrugada inteira.
Porque, por alguns minutos, o Brasil não se dividiu entre direita e esquerda — mas entre os que rezam e os que ainda não descobriram que precisavam rezar.

E agora, meu filho, minha filha… fica a pergunta que queima:

E você?
Você conseguiria acordar às 4h da manhã para rezar por alguém que pensa diferente de você?

Que Deus nos dê essa coragem.
Que Deus nos desperte antes do despertador.
Que Deus nos encontre antes que a vida nos perca.

Amém.