Política e Resenha

O GRITO SILENCIADO DE UM MENINO E O ECO DE UM PAÍS DOENTE

Há mortes que não cabem nas estatísticas. Elas escapam dos números frios, rompem as planilhas burocráticas e se instalam, com brutalidade, no coração daquilo que ainda nos resta de humanidade. A execução de um adolescente de 15 anos, arrancado de dentro de uma casa e morto em plena rua, não é apenas mais um episódio de violência. É um retrato cru da crise que atravessa o Brasil — uma crise que não é apenas de segurança pública, mas de sociedade, de valores, de justiça e, sobretudo, de memória.

O nome desse menino — Filipe Fernandes Sena — deveria nos constranger. Não como curiosidade mórbida que circula nas redes sociais, mas como símbolo de algo que estamos falhando em proteger: o direito elementar à vida. Em qualquer democracia minimamente funcional, a morte de um jovem nessas circunstâncias provocaria comoção nacional, debate sério sobre políticas públicas e cobrança efetiva de responsabilidades. Aqui, no entanto, o que vemos é a repetição de um roteiro já conhecido: investigação anunciada, indignação passageira e, em poucos dias, o silêncio.

Vivemos em um país onde a violência deixou de ser exceção para se tornar linguagem. Uma linguagem cotidiana, banalizada, quase naturalizada. A política, que deveria ser instrumento de transformação, muitas vezes se perde em disputas estéreis de poder, incapaz de oferecer respostas concretas a uma população sitiada pelo medo. E assim, entre discursos inflamados e promessas vazias, seguimos enterrando nossos jovens.

Mas é preciso ir além da superfície. A morte de Filipe não pode ser analisada apenas sob a lente do crime isolado. Ela exige uma leitura mais profunda, que envolva as estruturas sociais que sustentam esse cenário. O Brasil carrega, em sua formação histórica, marcas profundas de desigualdade, exclusão e abandono. Em muitas regiões, o Estado é ausente — e onde o Estado não chega, outros poderes se estabelecem. Poderes paralelos, violentos, que impõem suas próprias regras e fazem da vida humana um detalhe descartável.

Nesse contexto, a juventude pobre, periférica, torna-se alvo preferencial. Não por escolha, mas por destino socialmente imposto. São jovens que crescem entre a precariedade e a falta de oportunidades, frequentemente invisíveis até o momento em que seus nomes aparecem nas páginas policiais. E então, por um breve instante, tornam-se notícia — antes de voltarem ao esquecimento coletivo.

Há, também, um elemento simbólico que não pode ser ignorado: a ruptura da ideia de proteção. Um adolescente dentro de casa, retirado à força, executado em via pública. O que isso nos diz sobre o estado da nossa sociedade? Que tipo de mensagem estamos transmitindo quando nem o lar — espaço historicamente associado à segurança — é capaz de proteger?

A justiça, nesse cenário, parece sempre correr atrás do prejuízo. Investiga depois, reage depois, chega depois. E quando chega, muitas vezes encontra um terreno já marcado pela impunidade. Não se trata de desmerecer o trabalho das instituições, mas de reconhecer que há um descompasso profundo entre o que a realidade exige e o que o sistema consegue entregar.

E enquanto isso, seguimos acumulando perdas. Seguimos normalizando o inaceitável. Seguimos permitindo que a memória dessas vidas seja rapidamente substituída pela próxima tragédia. Talvez esse seja um dos maiores perigos: não apenas a violência em si, mas a nossa capacidade crescente de nos acostumarmos com ela.

É preciso romper esse ciclo. E romper exige mais do que indignação momentânea. Exige compromisso coletivo, revisão de prioridades, investimento real em educação, inclusão social e políticas públicas eficazes. Exige que a política reencontre seu sentido mais nobre: servir à vida.

Porque, no fundo, a pergunta que permanece é simples — e devastadora: quantos outros “Filipe” ainda serão necessários para que o Brasil acorde?

A morte de um menino nunca deveria ser apenas mais uma notícia. Ela deveria ser um ponto de ruptura. Um chamado. Um espelho.

Mas, para isso, precisamos estar dispostos a olhar.

E talvez o mais difícil não seja enxergar a violência.

Seja reconhecer o quanto já nos tornamos indiferentes a ela.

No silêncio que ficou naquela rua, onde um jovem teve sua história interrompida, ecoa algo que insiste em não morrer: a esperança de que ainda sejamos capazes de sentir, de reagir, de mudar.

Porque enquanto houver memória, ainda haverá possibilidade.

E enquanto houver humanidade, nenhuma morte será apenas um número.

Maria Clara

O GRITO SILENCIADO DE UM MENINO E O ECO DE UM PAÍS DOENTE

Há mortes que não cabem nas estatísticas. Elas escapam dos números frios, rompem as planilhas burocráticas e se instalam, com brutalidade, no coração daquilo que ainda nos resta de humanidade. A execução de um adolescente de 15 anos, arrancado de dentro de uma casa e morto em plena rua, não é apenas mais um episódio de violência. É um retrato cru da crise que atravessa o Brasil — uma crise que não é apenas de segurança pública, mas de sociedade, de valores, de justiça e, sobretudo, de memória.

O nome desse menino — Filipe Fernandes Sena — deveria nos constranger. Não como curiosidade mórbida que circula nas redes sociais, mas como símbolo de algo que estamos falhando em proteger: o direito elementar à vida. Em qualquer democracia minimamente funcional, a morte de um jovem nessas circunstâncias provocaria comoção nacional, debate sério sobre políticas públicas e cobrança efetiva de responsabilidades. Aqui, no entanto, o que vemos é a repetição de um roteiro já conhecido: investigação anunciada, indignação passageira e, em poucos dias, o silêncio.

Vivemos em um país onde a violência deixou de ser exceção para se tornar linguagem. Uma linguagem cotidiana, banalizada, quase naturalizada. A política, que deveria ser instrumento de transformação, muitas vezes se perde em disputas estéreis de poder, incapaz de oferecer respostas concretas a uma população sitiada pelo medo. E assim, entre discursos inflamados e promessas vazias, seguimos enterrando nossos jovens.

Mas é preciso ir além da superfície. A morte de Filipe não pode ser analisada apenas sob a lente do crime isolado. Ela exige uma leitura mais profunda, que envolva as estruturas sociais que sustentam esse cenário. O Brasil carrega, em sua formação histórica, marcas profundas de desigualdade, exclusão e abandono. Em muitas regiões, o Estado é ausente — e onde o Estado não chega, outros poderes se estabelecem. Poderes paralelos, violentos, que impõem suas próprias regras e fazem da vida humana um detalhe descartável.

Nesse contexto, a juventude pobre, periférica, torna-se alvo preferencial. Não por escolha, mas por destino socialmente imposto. São jovens que crescem entre a precariedade e a falta de oportunidades, frequentemente invisíveis até o momento em que seus nomes aparecem nas páginas policiais. E então, por um breve instante, tornam-se notícia — antes de voltarem ao esquecimento coletivo.

Há, também, um elemento simbólico que não pode ser ignorado: a ruptura da ideia de proteção. Um adolescente dentro de casa, retirado à força, executado em via pública. O que isso nos diz sobre o estado da nossa sociedade? Que tipo de mensagem estamos transmitindo quando nem o lar — espaço historicamente associado à segurança — é capaz de proteger?

A justiça, nesse cenário, parece sempre correr atrás do prejuízo. Investiga depois, reage depois, chega depois. E quando chega, muitas vezes encontra um terreno já marcado pela impunidade. Não se trata de desmerecer o trabalho das instituições, mas de reconhecer que há um descompasso profundo entre o que a realidade exige e o que o sistema consegue entregar.

E enquanto isso, seguimos acumulando perdas. Seguimos normalizando o inaceitável. Seguimos permitindo que a memória dessas vidas seja rapidamente substituída pela próxima tragédia. Talvez esse seja um dos maiores perigos: não apenas a violência em si, mas a nossa capacidade crescente de nos acostumarmos com ela.

É preciso romper esse ciclo. E romper exige mais do que indignação momentânea. Exige compromisso coletivo, revisão de prioridades, investimento real em educação, inclusão social e políticas públicas eficazes. Exige que a política reencontre seu sentido mais nobre: servir à vida.

Porque, no fundo, a pergunta que permanece é simples — e devastadora: quantos outros “Filipe” ainda serão necessários para que o Brasil acorde?

A morte de um menino nunca deveria ser apenas mais uma notícia. Ela deveria ser um ponto de ruptura. Um chamado. Um espelho.

Mas, para isso, precisamos estar dispostos a olhar.

E talvez o mais difícil não seja enxergar a violência.

Seja reconhecer o quanto já nos tornamos indiferentes a ela.

No silêncio que ficou naquela rua, onde um jovem teve sua história interrompida, ecoa algo que insiste em não morrer: a esperança de que ainda sejamos capazes de sentir, de reagir, de mudar.

Porque enquanto houver memória, ainda haverá possibilidade.

E enquanto houver humanidade, nenhuma morte será apenas um número.

Maria Clara

ARTIGO — A LUZ QUE NÃO SE APAGA

 

 

 

Há despedidas que não cabem no silêncio.

Elas chegam como um sopro quente no peito, como um peso doce que não machuca, mas transforma. Há despedidas que não são fim — são passagem. E foi assim que ela partiu: não em sombra, mas sob um turbilhão de luz.

Não uma luz qualquer.

Uma luz que pulsa.

Amarela como o afeto antigo, aquele que não se explica, apenas se sente. Azul como o céu que promete eternidade. Uma luz quase doce, quase viva — como se o próprio amor tivesse ganhado forma para acolhê-la.

E, então, perguntaram seu nome.

E ela respondeu apenas: Maria.

Veja, leitor — há nomes que são biografia. Há nomes que são destino. E há nomes que são eternidade. “Maria” não é apenas uma palavra; é um símbolo ancestral de cuidado, de colo, de resistência silenciosa. É o nome que atravessa gerações como uma prece sussurrada.

Quando ela disse “Maria”, não respondeu uma pergunta. Revelou um universo.

E talvez seja justamente aí que reside a grandeza dessa história: na simplicidade que carrega o infinito.


Vivemos tempos apressados. Tempos em que a morte é tratada como interrupção, como estatística, como burocracia. Mas algumas vidas se recusam a ser reduzidas a datas gravadas em pedra.

Porque há pessoas que não passam pelo mundo.

Elas permanecem.

Maria não foi apenas alguém que viveu. Foi alguém que ensinou a viver. E isso, em qualquer sociedade, em qualquer tempo, é o mais alto grau de relevância humana.

Ela ensinou passos — literalmente. Pequenos pés guiados por mãos firmes.
Ensinou sorrisos — quando o mundo ainda parecia grande demais.
Acalentou lágrimas — aquelas que ninguém vê, mas que moldam quem somos.

E, talvez mais importante: desejou abraços.

Esse detalhe, quase sutil, revela tudo. Porque quem deseja abraço não deseja posse — deseja presença. E presença, hoje, é o bem mais escasso.


Há uma narrativa silenciosa que percorre famílias inteiras e raramente ganha manchetes: a história das mulheres que sustentam o afeto.

Elas não aparecem nos livros de poder. Não comandam exércitos. Não ocupam tribunas.

Mas sustentam o mundo.

Maria foi uma dessas forças invisíveis que mantêm tudo de pé.

Enquanto muitos buscam grandeza em feitos grandiosos, ela a construiu nos gestos mínimos — aqueles que ninguém aplaude, mas que mudam destinos. E aqui reside uma reflexão que precisa ser feita com honestidade: o que realmente define uma vida bem-sucedida?

Acúmulo? Visibilidade? Reconhecimento público?

Ou a capacidade de deixar marcas indeléveis no coração de quem fica?


Quando perguntaram como foi sua passagem, ela respondeu: divina.

E essa resposta não é ingenuidade — é síntese.

Porque uma vida dedicada ao amor, ao cuidado e ao serviço não pode ser classificada de outra forma. Há uma coerência moral nisso, uma autoridade silenciosa que não precisa de defesa.

Maria não precisou provar nada.

Ela viveu.

E viver, quando se vive para os outros, é a mais profunda forma de transcendência.


Mas não romantizemos a dor.

Há saudade.

E a saudade é o preço inevitável do amor verdadeiro. Ela não é fraqueza — é testemunho. É a prova de que houve vínculo, de que houve entrega, de que algo ali foi tão real que se recusa a desaparecer.

A saudade de Maria não é vazio.

É presença em outra forma.

Ela está no jeito de falar de um neto.
No gesto repetido sem perceber.
Na memória que surge de repente, sem pedir licença.

E, sobretudo, está naquela sensação inexplicável de conforto — como se, em algum lugar, tudo estivesse em paz.


E então, uma voz.

Suave. Serena. Absoluta.

“Seja bem-vinda, Maria. De volta à sua casa.”

Essa frase não encerra a história.

Ela a eleva.

Porque, no fim, talvez seja isso que buscamos compreender: que a vida não é apenas o que acontece aqui, mas o que ecoa além. E há pessoas cujo eco é tão forte, tão puro, que atravessa qualquer fronteira — inclusive a da morte.


Maria partiu.

Mas não foi embora.

Permanece onde sempre esteve: nos corações que ajudou a construir.

E talvez seja esse o maior ensinamento que ela nos deixa — em um mundo que corre, que esquece, que substitui:

Amar ainda é o ato mais revolucionário que existe.

E quem ama assim… nunca desaparece.

ARTIGO — A LUZ QUE NÃO SE APAGA

 

 

 

Há despedidas que não cabem no silêncio.

Elas chegam como um sopro quente no peito, como um peso doce que não machuca, mas transforma. Há despedidas que não são fim — são passagem. E foi assim que ela partiu: não em sombra, mas sob um turbilhão de luz.

Não uma luz qualquer.

Uma luz que pulsa.

Amarela como o afeto antigo, aquele que não se explica, apenas se sente. Azul como o céu que promete eternidade. Uma luz quase doce, quase viva — como se o próprio amor tivesse ganhado forma para acolhê-la.

E, então, perguntaram seu nome.

E ela respondeu apenas: Maria.

Veja, leitor — há nomes que são biografia. Há nomes que são destino. E há nomes que são eternidade. “Maria” não é apenas uma palavra; é um símbolo ancestral de cuidado, de colo, de resistência silenciosa. É o nome que atravessa gerações como uma prece sussurrada.

Quando ela disse “Maria”, não respondeu uma pergunta. Revelou um universo.

E talvez seja justamente aí que reside a grandeza dessa história: na simplicidade que carrega o infinito.


Vivemos tempos apressados. Tempos em que a morte é tratada como interrupção, como estatística, como burocracia. Mas algumas vidas se recusam a ser reduzidas a datas gravadas em pedra.

Porque há pessoas que não passam pelo mundo.

Elas permanecem.

Maria não foi apenas alguém que viveu. Foi alguém que ensinou a viver. E isso, em qualquer sociedade, em qualquer tempo, é o mais alto grau de relevância humana.

Ela ensinou passos — literalmente. Pequenos pés guiados por mãos firmes.
Ensinou sorrisos — quando o mundo ainda parecia grande demais.
Acalentou lágrimas — aquelas que ninguém vê, mas que moldam quem somos.

E, talvez mais importante: desejou abraços.

Esse detalhe, quase sutil, revela tudo. Porque quem deseja abraço não deseja posse — deseja presença. E presença, hoje, é o bem mais escasso.


Há uma narrativa silenciosa que percorre famílias inteiras e raramente ganha manchetes: a história das mulheres que sustentam o afeto.

Elas não aparecem nos livros de poder. Não comandam exércitos. Não ocupam tribunas.

Mas sustentam o mundo.

Maria foi uma dessas forças invisíveis que mantêm tudo de pé.

Enquanto muitos buscam grandeza em feitos grandiosos, ela a construiu nos gestos mínimos — aqueles que ninguém aplaude, mas que mudam destinos. E aqui reside uma reflexão que precisa ser feita com honestidade: o que realmente define uma vida bem-sucedida?

Acúmulo? Visibilidade? Reconhecimento público?

Ou a capacidade de deixar marcas indeléveis no coração de quem fica?


Quando perguntaram como foi sua passagem, ela respondeu: divina.

E essa resposta não é ingenuidade — é síntese.

Porque uma vida dedicada ao amor, ao cuidado e ao serviço não pode ser classificada de outra forma. Há uma coerência moral nisso, uma autoridade silenciosa que não precisa de defesa.

Maria não precisou provar nada.

Ela viveu.

E viver, quando se vive para os outros, é a mais profunda forma de transcendência.


Mas não romantizemos a dor.

Há saudade.

E a saudade é o preço inevitável do amor verdadeiro. Ela não é fraqueza — é testemunho. É a prova de que houve vínculo, de que houve entrega, de que algo ali foi tão real que se recusa a desaparecer.

A saudade de Maria não é vazio.

É presença em outra forma.

Ela está no jeito de falar de um neto.
No gesto repetido sem perceber.
Na memória que surge de repente, sem pedir licença.

E, sobretudo, está naquela sensação inexplicável de conforto — como se, em algum lugar, tudo estivesse em paz.


E então, uma voz.

Suave. Serena. Absoluta.

“Seja bem-vinda, Maria. De volta à sua casa.”

Essa frase não encerra a história.

Ela a eleva.

Porque, no fim, talvez seja isso que buscamos compreender: que a vida não é apenas o que acontece aqui, mas o que ecoa além. E há pessoas cujo eco é tão forte, tão puro, que atravessa qualquer fronteira — inclusive a da morte.


Maria partiu.

Mas não foi embora.

Permanece onde sempre esteve: nos corações que ajudou a construir.

E talvez seja esse o maior ensinamento que ela nos deixa — em um mundo que corre, que esquece, que substitui:

Amar ainda é o ato mais revolucionário que existe.

E quem ama assim… nunca desaparece.

A MEMÓRIA QUE RESISTE AO SILÊNCIO A morte brutal de Iara

 

(Padre Carlos)

Há dias que a infância não consegue explicar — apenas sentir.

Era início da década de setenta. Mais precisamente 1971. Eu tinha 11 anos e carregava nas mãos pequenas a missão simples de comprar pão. A rua Minas Gerais, na Pituba, seguia seu ritmo habitual: passos apressados, vozes dispersas, o cheiro morno de padaria misturado ao cotidiano. Mas naquele dia, o mundo parecia ter sido interrompido.

A rua foi fechada.
O ar, denso.
Os sussurros, mais altos que qualquer grito.

Falavam em “terrorista”.
E essa palavra, para um menino, não era política — era medo.

Voltei para casa sem o pão. E com algo muito maior: um silêncio inquieto que não cabia em mim. Naquele instante, eu não sabia, mas estava testemunhando não apenas uma operação — estava diante de um capítulo da história sendo violentamente encerrado.

Naquele prédio, o Edifício Santa Terezinha, executavam uma mulher.
Uma militante.
Uma revolucionária.
Uma ideia.

Iara Iavelberg.


Há histórias que não morrem.
São enterradas vivas.

O caso de Iara não é apenas um episódio do passado — é um espelho desconfortável do que um Estado é capaz de fazer quando decide controlar não só corpos, mas significados. Porque regimes autoritários compreendem algo que democracias às vezes esquecem: a memória é território de poder.

E território, quando disputado, não é abandonado — é ocupado.

A versão oficial veio rápida, quase apressada: suicídio.
Limpa. Encerrada. Sem perguntas.

Mas há narrativas que cheiram a pressa. E toda pressa, quando institucional, carrega consigo o medo de que algo sobreviva.

E sobreviveu.

Não nos relatórios.
Não nos registros oficiais.
Mas nas fissuras — aquelas pequenas rachaduras por onde a verdade insiste em respirar.

O corpo lacrado.
A despedida negada.
O luto sequestrado.

Nada disso é detalhe.
Tudo isso é método.


É preciso compreender o que estava em jogo.

O Brasil daqueles anos não era apenas um país sob repressão — era uma sociedade em compressão moral. Pensar era arriscado. Discordar era perigoso. Existir fora da linha traçada pelo poder era, na prática, uma forma de desaparecer aos poucos.

Nesse ambiente, a escolha deixa de ser escolha.
Ela se torna reação.

E Iara reagiu.

Não por impulso juvenil.
Não por romantismo revolucionário.
Mas por algo mais profundo e mais ameaçador para qualquer regime autoritário: consciência.

Consciência não grita.
Ela infiltra.

Ela não precisa de armas para ser perigosa. Basta existir, lúcida, em meio à escuridão.

E é exatamente isso que o poder teme: aqueles que enxergam — e, pior ainda, ajudam outros a enxergar.


Por isso, quando chegaram até ela, não estavam apenas cercando uma pessoa. Estavam tentando fechar uma ideia antes que ela se tornasse contagiosa.

E ao declarar o “fim” de Iara, o Estado tentou impor também o fim da pergunta.

Mas perguntas são indisciplinadas.
Elas não obedecem versões oficiais.

Elas esperam.

E o tempo — esse aliado silencioso da verdade — começou a corroer a narrativa imposta. Anos depois, o que parecia definitivo revelou-se frágil. O que era certeza tornou-se suspeita. E o que era silêncio começou a falar.

Não se trata apenas de como Iara morreu.
Trata-se de como quiseram que acreditássemos que ela morreu.

E isso muda tudo.

Porque quando um Estado precisa controlar até a forma como a morte é percebida, ele revela não força — mas fragilidade. Não autoridade — mas medo.

Medo da memória.
Medo da reconstrução.
Medo da verdade tardia.


Hoje, há algo novo no ar.

Não é ainda um grito.
Mas já não é silêncio.

Existe uma fadiga coletiva diante de histórias mal contadas. Uma inquietação que cresce, quase invisível, contra versões fechadas demais, perfeitas demais, convenientes demais.

E isso incomoda.

Porque revisitar o passado nunca é um exercício neutro. É, antes de tudo, um ato de disputa: sobre o que aconteceu, sobre o que significou — e sobre o que ainda significa.

Esquecer não é ausência de memória.
É decisão política.

E muitas vezes, é a mais confortável das cumplicidades.


Eu voltei para casa sem pão naquele dia.

Mas, sem saber, trouxe comigo algo que levaria décadas para compreender: a sensação de que havia mais naquela história do que me permitiram ver.

Hoje, ao reconstituir esse fragmento da minha infância, percebo que aquele medo não era apenas de criança. Era o eco de um país inteiro tentando entender o que lhe estava sendo negado.

Há duas mortes possíveis em toda história como essa.

A primeira é física — rápida, brutal, definitiva.
A segunda é simbólica — lenta, construída, insistente.

A primeira, o Estado pode impor.
A segunda… depende de nós.

E é aqui que mora a responsabilidade.

Contar essa história não é revisitar o passado.
É impedir que ele seja apagado.

Porque enquanto houver quem lembre, quem conte, quem questione — nenhuma versão será absoluta, nenhum silêncio será completo, nenhuma verdade será definitivamente soterrada.

Iara não vive como mito.
Vive como resistência.

E há algo profundamente humano — e perigosamente poderoso — nisso.

A memória, quando decide resistir, torna-se indestrutível.

E é nela — apenas nela — que a liberdade encontra sua forma mais duradoura.

A MEMÓRIA QUE RESISTE AO SILÊNCIO A morte brutal de Iara

 

(Padre Carlos)

Há dias que a infância não consegue explicar — apenas sentir.

Era início da década de setenta. Mais precisamente 1971. Eu tinha 11 anos e carregava nas mãos pequenas a missão simples de comprar pão. A rua Minas Gerais, na Pituba, seguia seu ritmo habitual: passos apressados, vozes dispersas, o cheiro morno de padaria misturado ao cotidiano. Mas naquele dia, o mundo parecia ter sido interrompido.

A rua foi fechada.
O ar, denso.
Os sussurros, mais altos que qualquer grito.

Falavam em “terrorista”.
E essa palavra, para um menino, não era política — era medo.

Voltei para casa sem o pão. E com algo muito maior: um silêncio inquieto que não cabia em mim. Naquele instante, eu não sabia, mas estava testemunhando não apenas uma operação — estava diante de um capítulo da história sendo violentamente encerrado.

Naquele prédio, o Edifício Santa Terezinha, executavam uma mulher.
Uma militante.
Uma revolucionária.
Uma ideia.

Iara Iavelberg.


Há histórias que não morrem.
São enterradas vivas.

O caso de Iara não é apenas um episódio do passado — é um espelho desconfortável do que um Estado é capaz de fazer quando decide controlar não só corpos, mas significados. Porque regimes autoritários compreendem algo que democracias às vezes esquecem: a memória é território de poder.

E território, quando disputado, não é abandonado — é ocupado.

A versão oficial veio rápida, quase apressada: suicídio.
Limpa. Encerrada. Sem perguntas.

Mas há narrativas que cheiram a pressa. E toda pressa, quando institucional, carrega consigo o medo de que algo sobreviva.

E sobreviveu.

Não nos relatórios.
Não nos registros oficiais.
Mas nas fissuras — aquelas pequenas rachaduras por onde a verdade insiste em respirar.

O corpo lacrado.
A despedida negada.
O luto sequestrado.

Nada disso é detalhe.
Tudo isso é método.


É preciso compreender o que estava em jogo.

O Brasil daqueles anos não era apenas um país sob repressão — era uma sociedade em compressão moral. Pensar era arriscado. Discordar era perigoso. Existir fora da linha traçada pelo poder era, na prática, uma forma de desaparecer aos poucos.

Nesse ambiente, a escolha deixa de ser escolha.
Ela se torna reação.

E Iara reagiu.

Não por impulso juvenil.
Não por romantismo revolucionário.
Mas por algo mais profundo e mais ameaçador para qualquer regime autoritário: consciência.

Consciência não grita.
Ela infiltra.

Ela não precisa de armas para ser perigosa. Basta existir, lúcida, em meio à escuridão.

E é exatamente isso que o poder teme: aqueles que enxergam — e, pior ainda, ajudam outros a enxergar.


Por isso, quando chegaram até ela, não estavam apenas cercando uma pessoa. Estavam tentando fechar uma ideia antes que ela se tornasse contagiosa.

E ao declarar o “fim” de Iara, o Estado tentou impor também o fim da pergunta.

Mas perguntas são indisciplinadas.
Elas não obedecem versões oficiais.

Elas esperam.

E o tempo — esse aliado silencioso da verdade — começou a corroer a narrativa imposta. Anos depois, o que parecia definitivo revelou-se frágil. O que era certeza tornou-se suspeita. E o que era silêncio começou a falar.

Não se trata apenas de como Iara morreu.
Trata-se de como quiseram que acreditássemos que ela morreu.

E isso muda tudo.

Porque quando um Estado precisa controlar até a forma como a morte é percebida, ele revela não força — mas fragilidade. Não autoridade — mas medo.

Medo da memória.
Medo da reconstrução.
Medo da verdade tardia.


Hoje, há algo novo no ar.

Não é ainda um grito.
Mas já não é silêncio.

Existe uma fadiga coletiva diante de histórias mal contadas. Uma inquietação que cresce, quase invisível, contra versões fechadas demais, perfeitas demais, convenientes demais.

E isso incomoda.

Porque revisitar o passado nunca é um exercício neutro. É, antes de tudo, um ato de disputa: sobre o que aconteceu, sobre o que significou — e sobre o que ainda significa.

Esquecer não é ausência de memória.
É decisão política.

E muitas vezes, é a mais confortável das cumplicidades.


Eu voltei para casa sem pão naquele dia.

Mas, sem saber, trouxe comigo algo que levaria décadas para compreender: a sensação de que havia mais naquela história do que me permitiram ver.

Hoje, ao reconstituir esse fragmento da minha infância, percebo que aquele medo não era apenas de criança. Era o eco de um país inteiro tentando entender o que lhe estava sendo negado.

Há duas mortes possíveis em toda história como essa.

A primeira é física — rápida, brutal, definitiva.
A segunda é simbólica — lenta, construída, insistente.

A primeira, o Estado pode impor.
A segunda… depende de nós.

E é aqui que mora a responsabilidade.

Contar essa história não é revisitar o passado.
É impedir que ele seja apagado.

Porque enquanto houver quem lembre, quem conte, quem questione — nenhuma versão será absoluta, nenhum silêncio será completo, nenhuma verdade será definitivamente soterrada.

Iara não vive como mito.
Vive como resistência.

E há algo profundamente humano — e perigosamente poderoso — nisso.

A memória, quando decide resistir, torna-se indestrutível.

E é nela — apenas nela — que a liberdade encontra sua forma mais duradoura.

O Viaduto que Conquista há décadas espera

Opinião · Política · Infraestrutura · Vitória da Conquista
 Política e Resenha
Jornal independente de Vitória da Conquista

Sábado, 11 de Abril de 2026 · Edição 2.847

Opinião

O Viaduto que Conquista
há décadas espera

Entre promessas e asfalto, a saída para Itambé segue sendo a mais perigosa cicatriz do anel viário — e a visita de sábado pode ser o primeiro sinal concreto de que o descaso está com os dias contados.

 

Por Padre Carlos articulista de Vitória da ConquistaIvan Cordeiro e Vitor Azevedo no anel viário, saída para Itambé
Editorial · 11 abr. 2026

Ivan Cordeiro e o dep. Vitor Azevedo vistoriam o cruzamento crítico do anel viário na saída para Itambé — Foto: Assessoria

Há certas feridas numa cidade que você aprende a contornar antes de aprender a curá-las. Para os motoristas de Vitória da Conquista, o trecho do anel viário na saída para Itambé é exatamente isso: uma cicatriz no asfalto que se aceita como natural, como o calor do sertão ou o atraso do ônibus. Mas cicatrizes que sangram todo dia não são destino — são negligência com prazo de validade.

Foi com esse espírito que o presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro, e o deputado estadual Vitor Azevedo estiveram presentes naquele cruzamento na manhã deste sábado. Não foi um ato protocolar. Foi, acima de tudo, um gesto de lucidez política: antes de exigir investimento, é preciso ter a coragem de ir ao chão, olhar o problema nos olhos e deixar que ele olhe de volta.

O que está em jogo

Fluxo crítico: o trecho concentra caminhões, carretas e veículos leves em fusão contínua, sem separação de nível — um dos pontos mais perigosos do município.

Empregos em risco: a Dass, maior empregadora local, tem quase 10 mil trabalhadores cujo deslocamento diário depende da fluidez deste corredor.

Logística regional: a via conecta Conquista ao Sul do estado, sendo eixo de escoamento produtivo para toda a macrorregião.

A construção de um viaduto naquele ponto não é luxo urbanístico. É matemática básica de segurança viária. Quando se cruza um fluxo de caminhões pesados com o movimento cotidiano de trabalhadores, estudantes e famílias, o resultado já foi calculado — em acidentes, em horas perdidas, em vidas interrompidas. O viaduto é a resposta engenheirada para uma equação que o improviso já não consegue resolver.

“A cidade que não investe na mobilidade de seus trabalhadores não investe em si mesma — cobra o tributo em acidentes, em horas perdidas e em projetos que nunca chegam.”

Ivan Cordeiro foi direto ao ponto ao destacar a dimensão estratégica da obra: estamos falando de um corredor que liga Vitória da Conquista ao Sul da Bahia e que serve de artéria para uma das maiores empregadoras industriais do interior nordestino. A Dass, com seus quase dez mil empregos diretos, não é apenas uma empresa — é o coração econômico de um bairro inteiro, de uma cadeia produtiva inteira. Paralisar ou fragilizar o acesso a esse polo é enfraquecer a própria economia conquistense.

Mas o que mais chama atenção nesta agenda não é só o diagnóstico correto do problema — é a metodologia política adotada. Vitor Azevedo tem sido visto com frequência crescente nas ruas de Conquista. Não no palanque de inaugurações, mas nos pontos de atrito real: onde o asfalto afunda, onde o semáforo falta, onde o cidadão sente no corpo a ausência do Estado. Essa presença tem valor que nenhum pronunciamento em plenário consegue substituir.

A articulação entre o legislativo municipal e o estadual é, aliás, o caminho mais promissor para destravar esse tipo de demanda histórica. Obras de infraestrutura viária de porte raramente nascem de uma única vontade política. Elas exigem alinhamento entre esferas, pactuação de recursos, projetos técnicos aprovados, licitações conduzidas. É um processo lento por natureza — e que só avança quando há representantes comprometidos em cada elo da cadeia.

✦   ✦   ✦

É razoável ser cético. Conquista já viu muitas vistorias se transformarem em fotografias emolduradas em gabinetes. A memória coletiva da cidade está cheia de promessas que amadureceram no discurso e apodreceram na execução. O ceticismo, nesses casos, não é cinismo — é aprendizado histórico.

Há, porém, diferença entre uma visita eleitoral orquestrada para câmeras antes de um pleito e uma movimentação de articulação real, feita na entressafra política, com atores que têm capacidade concreta de influenciar a alocação de recursos. A movimentação de Ivan e Vitor parece se encaixar mais no segundo perfil — e isso merece, ao menos, o benefício da atenção.

O que a população de Vitória da Conquista precisa agora não são apenas boas intenções fotografadas no cruzamento. Precisa de projeto executivo entregue, de emenda destinada, de licitação publicada. Precisa que o viaduto saia do mapa mental dos políticos e entre no mapa físico da cidade. Cada dia que passa sem isso é mais um caminhão cruzando em velocidade onde não deveria, mais uma família que chega atrasada ao trabalho, mais um acidente que poderia ter sido evitado.

A política que serve ao povo não é a que apenas nomeia os problemas. É a que os resolve. E Vitória da Conquista — com sua história de povo bravo, de cidade que cresceu apesar das adversidades, de centro regional que se fez a duras penas — merece uma liderança à altura dessa tradição. O viaduto da saída para Itambé não é apenas uma obra. É um teste de caráter institucional. E o relógio, como sempre, segue correndo.

A Tribuna do Sertão · Vitória da Conquista, Bahia · Opinião independente

O Viaduto que Conquista há décadas espera

Opinião · Política · Infraestrutura · Vitória da Conquista
 Política e Resenha
Jornal independente de Vitória da Conquista

Sábado, 11 de Abril de 2026 · Edição 2.847

Opinião

O Viaduto que Conquista
há décadas espera

Entre promessas e asfalto, a saída para Itambé segue sendo a mais perigosa cicatriz do anel viário — e a visita de sábado pode ser o primeiro sinal concreto de que o descaso está com os dias contados.

 

Por Padre Carlos articulista de Vitória da ConquistaIvan Cordeiro e Vitor Azevedo no anel viário, saída para Itambé
Editorial · 11 abr. 2026

Ivan Cordeiro e o dep. Vitor Azevedo vistoriam o cruzamento crítico do anel viário na saída para Itambé — Foto: Assessoria

Há certas feridas numa cidade que você aprende a contornar antes de aprender a curá-las. Para os motoristas de Vitória da Conquista, o trecho do anel viário na saída para Itambé é exatamente isso: uma cicatriz no asfalto que se aceita como natural, como o calor do sertão ou o atraso do ônibus. Mas cicatrizes que sangram todo dia não são destino — são negligência com prazo de validade.

Foi com esse espírito que o presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro, e o deputado estadual Vitor Azevedo estiveram presentes naquele cruzamento na manhã deste sábado. Não foi um ato protocolar. Foi, acima de tudo, um gesto de lucidez política: antes de exigir investimento, é preciso ter a coragem de ir ao chão, olhar o problema nos olhos e deixar que ele olhe de volta.

O que está em jogo

Fluxo crítico: o trecho concentra caminhões, carretas e veículos leves em fusão contínua, sem separação de nível — um dos pontos mais perigosos do município.

Empregos em risco: a Dass, maior empregadora local, tem quase 10 mil trabalhadores cujo deslocamento diário depende da fluidez deste corredor.

Logística regional: a via conecta Conquista ao Sul do estado, sendo eixo de escoamento produtivo para toda a macrorregião.

A construção de um viaduto naquele ponto não é luxo urbanístico. É matemática básica de segurança viária. Quando se cruza um fluxo de caminhões pesados com o movimento cotidiano de trabalhadores, estudantes e famílias, o resultado já foi calculado — em acidentes, em horas perdidas, em vidas interrompidas. O viaduto é a resposta engenheirada para uma equação que o improviso já não consegue resolver.

“A cidade que não investe na mobilidade de seus trabalhadores não investe em si mesma — cobra o tributo em acidentes, em horas perdidas e em projetos que nunca chegam.”

Ivan Cordeiro foi direto ao ponto ao destacar a dimensão estratégica da obra: estamos falando de um corredor que liga Vitória da Conquista ao Sul da Bahia e que serve de artéria para uma das maiores empregadoras industriais do interior nordestino. A Dass, com seus quase dez mil empregos diretos, não é apenas uma empresa — é o coração econômico de um bairro inteiro, de uma cadeia produtiva inteira. Paralisar ou fragilizar o acesso a esse polo é enfraquecer a própria economia conquistense.

Mas o que mais chama atenção nesta agenda não é só o diagnóstico correto do problema — é a metodologia política adotada. Vitor Azevedo tem sido visto com frequência crescente nas ruas de Conquista. Não no palanque de inaugurações, mas nos pontos de atrito real: onde o asfalto afunda, onde o semáforo falta, onde o cidadão sente no corpo a ausência do Estado. Essa presença tem valor que nenhum pronunciamento em plenário consegue substituir.

A articulação entre o legislativo municipal e o estadual é, aliás, o caminho mais promissor para destravar esse tipo de demanda histórica. Obras de infraestrutura viária de porte raramente nascem de uma única vontade política. Elas exigem alinhamento entre esferas, pactuação de recursos, projetos técnicos aprovados, licitações conduzidas. É um processo lento por natureza — e que só avança quando há representantes comprometidos em cada elo da cadeia.

✦   ✦   ✦

É razoável ser cético. Conquista já viu muitas vistorias se transformarem em fotografias emolduradas em gabinetes. A memória coletiva da cidade está cheia de promessas que amadureceram no discurso e apodreceram na execução. O ceticismo, nesses casos, não é cinismo — é aprendizado histórico.

Há, porém, diferença entre uma visita eleitoral orquestrada para câmeras antes de um pleito e uma movimentação de articulação real, feita na entressafra política, com atores que têm capacidade concreta de influenciar a alocação de recursos. A movimentação de Ivan e Vitor parece se encaixar mais no segundo perfil — e isso merece, ao menos, o benefício da atenção.

O que a população de Vitória da Conquista precisa agora não são apenas boas intenções fotografadas no cruzamento. Precisa de projeto executivo entregue, de emenda destinada, de licitação publicada. Precisa que o viaduto saia do mapa mental dos políticos e entre no mapa físico da cidade. Cada dia que passa sem isso é mais um caminhão cruzando em velocidade onde não deveria, mais uma família que chega atrasada ao trabalho, mais um acidente que poderia ter sido evitado.

A política que serve ao povo não é a que apenas nomeia os problemas. É a que os resolve. E Vitória da Conquista — com sua história de povo bravo, de cidade que cresceu apesar das adversidades, de centro regional que se fez a duras penas — merece uma liderança à altura dessa tradição. O viaduto da saída para Itambé não é apenas uma obra. É um teste de caráter institucional. E o relógio, como sempre, segue correndo.

A Tribuna do Sertão · Vitória da Conquista, Bahia · Opinião independente

Vitória da Conquista vive um novo tempo

 

 

 

 

Vitória da Conquista vive um novo tempo — um tempo de mudança, de consciência e, sobretudo, de valorização do que é nosso. É nesse contexto que reafirmo, com convicção e responsabilidade, o meu compromisso com Wagner Alves como nosso pré-candidato a deputado estadual.

 

Apoiar Wagner hoje é dizer sim a um projeto sério, construído com trabalho, competência e amor por nossa terra. São mais de 25 anos de uma carreira jurídica sólida, respeitada, marcada pela atuação junto às maiores empresas da nossa cidade — algumas com milhares de colaboradores — o que demonstra, de forma clara, a confiança, o zelo e a credibilidade que ele conquistou ao longo de sua trajetória.

 

Esse crescimento não é por acaso. Wagner tem sido cada vez mais reconhecido nos quatro cantos de Vitória da Conquista. Sua aceitação é ampla: no meio católico, evangélico, no campo político e, principalmente, entre aqueles que têm o verdadeiro compromisso de cuidar de pessoas.

 

E quando falamos de cuidado, falamos de essência. Wagner carrega em sua base familiar valores que inspiram — o carinho e a dedicação com Dona Sônia, sua mãe, e o exemplo de seu pai, Lulú, refletem o homem íntegro que ele é. Isso se traduz no olhar atento para nossa macro-região, no compromisso real com quem mais precisa.

 

Hoje, Wagner mantém presença firme em nossa cidade, com seu escritório no Conquista Center e também na Avenida Jorge Teixeira, espaços abertos para ouvir, acolher e buscar soluções para as demandas da população. Isso não é discurso — é prática.

 

Reafirmo também meu compromisso com a prefeita Sheila, apoiando aquele que é o seu candidato, não por conveniência, mas por convicção: Wagner é preparado, é presente e é o melhor para representar Vitória da Conquista.

 

Minha trajetória sempre foi pautada no cuidado com as pessoas. Já atuei em diversas frentes do serviço público — da Casa Civil à Educação, da Central de Máquinas à atuação direta com a prefeita, além da responsabilidade na revitalização da Lagoa das Bateias e na Prefeitura da Zona Oeste. Tudo isso reforça aquilo que carrego como missão: cuidar de gente.

 

E é por isso que hoje eu digo, com firmeza: estou com Wagner. E convido você a estar também.

 

Vamos caminhar juntos, bairro a bairro, rua a rua, levando essa mensagem de esperança e compromisso. Este é o momento de conscientizar, de dialogar, de unir forças.

 

Aos jovens, aos idosos, às pessoas de fé e de boa vontade: vamos somar por Vitória da Conquista.

 

Wagner Alves é o nosso caminho.

Wagner Alves é o nosso compromisso.

E juntos, nós vamos vencer.

 

— Lucas Batista

Vitória da Conquista vive um novo tempo

 

 

 

 

Vitória da Conquista vive um novo tempo — um tempo de mudança, de consciência e, sobretudo, de valorização do que é nosso. É nesse contexto que reafirmo, com convicção e responsabilidade, o meu compromisso com Wagner Alves como nosso pré-candidato a deputado estadual.

 

Apoiar Wagner hoje é dizer sim a um projeto sério, construído com trabalho, competência e amor por nossa terra. São mais de 25 anos de uma carreira jurídica sólida, respeitada, marcada pela atuação junto às maiores empresas da nossa cidade — algumas com milhares de colaboradores — o que demonstra, de forma clara, a confiança, o zelo e a credibilidade que ele conquistou ao longo de sua trajetória.

 

Esse crescimento não é por acaso. Wagner tem sido cada vez mais reconhecido nos quatro cantos de Vitória da Conquista. Sua aceitação é ampla: no meio católico, evangélico, no campo político e, principalmente, entre aqueles que têm o verdadeiro compromisso de cuidar de pessoas.

 

E quando falamos de cuidado, falamos de essência. Wagner carrega em sua base familiar valores que inspiram — o carinho e a dedicação com Dona Sônia, sua mãe, e o exemplo de seu pai, Lulú, refletem o homem íntegro que ele é. Isso se traduz no olhar atento para nossa macro-região, no compromisso real com quem mais precisa.

 

Hoje, Wagner mantém presença firme em nossa cidade, com seu escritório no Conquista Center e também na Avenida Jorge Teixeira, espaços abertos para ouvir, acolher e buscar soluções para as demandas da população. Isso não é discurso — é prática.

 

Reafirmo também meu compromisso com a prefeita Sheila, apoiando aquele que é o seu candidato, não por conveniência, mas por convicção: Wagner é preparado, é presente e é o melhor para representar Vitória da Conquista.

 

Minha trajetória sempre foi pautada no cuidado com as pessoas. Já atuei em diversas frentes do serviço público — da Casa Civil à Educação, da Central de Máquinas à atuação direta com a prefeita, além da responsabilidade na revitalização da Lagoa das Bateias e na Prefeitura da Zona Oeste. Tudo isso reforça aquilo que carrego como missão: cuidar de gente.

 

E é por isso que hoje eu digo, com firmeza: estou com Wagner. E convido você a estar também.

 

Vamos caminhar juntos, bairro a bairro, rua a rua, levando essa mensagem de esperança e compromisso. Este é o momento de conscientizar, de dialogar, de unir forças.

 

Aos jovens, aos idosos, às pessoas de fé e de boa vontade: vamos somar por Vitória da Conquista.

 

Wagner Alves é o nosso caminho.

Wagner Alves é o nosso compromisso.

E juntos, nós vamos vencer.

 

— Lucas Batista

ARTIGO — ENTRE ROSAS AMARELAS E UTOPIAS: O LEGADO QUE INSISTE EM FLORESCER

 

 

 Padre Carlos

 

Há imagens que atravessam o tempo com uma força quase silenciosa, mas absolutamente indestrutível. Não são os grandes discursos, nem os palanques inflamados que permanecem — são os gestos simples, íntimos, quase secretos. Descobrir, através de Anita Leocádia Prestes, que as rosas amarelas eram as preferidas do “Velho” não é apenas uma curiosidade biográfica sobre Luís Carlos Prestes. É uma revelação simbólica, profundamente humana, que nos obriga a olhar para além do mito e enxergar o homem.

Em tempos de clandestinidade, perseguição e medo — marcas indeléveis de períodos como o Estado Novo e, mais tarde, a Ditadura Militar Brasileira —, cultivar rosas não era um ato banal. Era resistência. Era afirmação da vida em meio à sombra. Era, talvez, a forma mais delicada de insurgência.

As rosas amarelas carregam em si uma ambiguidade fascinante: são símbolo de amizade, esperança e luz, mas também guardam espinhos — lembrando-nos que toda utopia tem seu preço. Prestes, com sua trajetória marcada pela Coluna Prestes, pelas prisões, exílios e pela obstinação ideológica, parecia compreender isso como poucos. Ele não apenas sonhava com um Brasil diferente; ele regava esse sonho, dia após dia, mesmo quando o terreno era árido e hostil.

E aqui reside a grande metáfora que nos interpela hoje: o que fazemos nós com nossas próprias rosas? Em uma sociedade saturada de imediatismo, onde as convicções são frequentemente descartáveis e os compromissos frágeis, cultivar uma utopia tornou-se quase um ato revolucionário. Plantar, cuidar, esperar — tudo isso exige uma paciência que o nosso tempo desaprendeu.

Prestes não foi um homem isento de contradições. Nenhum personagem histórico é. Mas é justamente nesse emaranhado de luz e sombra que se constrói a grandeza humana. Ele deixou mais do que discursos ou registros partidários: deixou raízes. Raízes que ainda sustentam debates, paixões e rejeições. Troncos firmes que atravessam gerações. E, sobretudo, pétalas — frágeis, belas, efêmeras — que continuam a tocar a sensibilidade de quem se permite lembrar.

Falar de utopia hoje pode soar ingênuo para alguns, perigoso para outros. No entanto, talvez seja exatamente essa palavra que nos falta. Utopia não como ilusão vazia, mas como horizonte — algo que nos move, que nos impede de aceitar a injustiça como destino inevitável. As rosas amarelas de Prestes não eram apenas flores: eram uma declaração silenciosa de que o mundo podia — e devia — ser diferente.

Há, no entanto, uma pergunta que permanece, incômoda e necessária: ainda somos capazes de cultivar nossas próprias utopias? Ou nos tornamos jardineiros cansados, que já não acreditam na possibilidade de florescer?

A memória de Luís Carlos Prestes nos desafia exatamente nesse ponto. Não para repetir seus caminhos, mas para recuperar a coragem de sonhar com profundidade. Porque um país que abandona suas utopias não apenas deixa de avançar — ele começa, silenciosamente, a apodrecer por dentro.

Talvez, no fim das contas, o maior legado daquele homem não esteja nos livros de história, nem nas disputas ideológicas que ainda o cercam. Talvez esteja, simplesmente, no gesto de plantar rosas em meio à tempestade. Um gesto pequeno, quase invisível — mas que, geração após geração, continua a nos lembrar que resistir também pode ser um ato de beleza.

E enquanto houver alguém disposto a cultivar suas próprias rosas amarelas, haverá ainda esperança.

ARTIGO — ENTRE ROSAS AMARELAS E UTOPIAS: O LEGADO QUE INSISTE EM FLORESCER

 

 

 Padre Carlos

 

Há imagens que atravessam o tempo com uma força quase silenciosa, mas absolutamente indestrutível. Não são os grandes discursos, nem os palanques inflamados que permanecem — são os gestos simples, íntimos, quase secretos. Descobrir, através de Anita Leocádia Prestes, que as rosas amarelas eram as preferidas do “Velho” não é apenas uma curiosidade biográfica sobre Luís Carlos Prestes. É uma revelação simbólica, profundamente humana, que nos obriga a olhar para além do mito e enxergar o homem.

Em tempos de clandestinidade, perseguição e medo — marcas indeléveis de períodos como o Estado Novo e, mais tarde, a Ditadura Militar Brasileira —, cultivar rosas não era um ato banal. Era resistência. Era afirmação da vida em meio à sombra. Era, talvez, a forma mais delicada de insurgência.

As rosas amarelas carregam em si uma ambiguidade fascinante: são símbolo de amizade, esperança e luz, mas também guardam espinhos — lembrando-nos que toda utopia tem seu preço. Prestes, com sua trajetória marcada pela Coluna Prestes, pelas prisões, exílios e pela obstinação ideológica, parecia compreender isso como poucos. Ele não apenas sonhava com um Brasil diferente; ele regava esse sonho, dia após dia, mesmo quando o terreno era árido e hostil.

E aqui reside a grande metáfora que nos interpela hoje: o que fazemos nós com nossas próprias rosas? Em uma sociedade saturada de imediatismo, onde as convicções são frequentemente descartáveis e os compromissos frágeis, cultivar uma utopia tornou-se quase um ato revolucionário. Plantar, cuidar, esperar — tudo isso exige uma paciência que o nosso tempo desaprendeu.

Prestes não foi um homem isento de contradições. Nenhum personagem histórico é. Mas é justamente nesse emaranhado de luz e sombra que se constrói a grandeza humana. Ele deixou mais do que discursos ou registros partidários: deixou raízes. Raízes que ainda sustentam debates, paixões e rejeições. Troncos firmes que atravessam gerações. E, sobretudo, pétalas — frágeis, belas, efêmeras — que continuam a tocar a sensibilidade de quem se permite lembrar.

Falar de utopia hoje pode soar ingênuo para alguns, perigoso para outros. No entanto, talvez seja exatamente essa palavra que nos falta. Utopia não como ilusão vazia, mas como horizonte — algo que nos move, que nos impede de aceitar a injustiça como destino inevitável. As rosas amarelas de Prestes não eram apenas flores: eram uma declaração silenciosa de que o mundo podia — e devia — ser diferente.

Há, no entanto, uma pergunta que permanece, incômoda e necessária: ainda somos capazes de cultivar nossas próprias utopias? Ou nos tornamos jardineiros cansados, que já não acreditam na possibilidade de florescer?

A memória de Luís Carlos Prestes nos desafia exatamente nesse ponto. Não para repetir seus caminhos, mas para recuperar a coragem de sonhar com profundidade. Porque um país que abandona suas utopias não apenas deixa de avançar — ele começa, silenciosamente, a apodrecer por dentro.

Talvez, no fim das contas, o maior legado daquele homem não esteja nos livros de história, nem nas disputas ideológicas que ainda o cercam. Talvez esteja, simplesmente, no gesto de plantar rosas em meio à tempestade. Um gesto pequeno, quase invisível — mas que, geração após geração, continua a nos lembrar que resistir também pode ser um ato de beleza.

E enquanto houver alguém disposto a cultivar suas próprias rosas amarelas, haverá ainda esperança.

TONHO: QUANDO UM HOMEM PARTE, MAS SUA HISTÓRIA SE TORNA ETERNA

 

 Padre Carlos

Há partidas que não cabem dentro da lógica do tempo. Há ausências que não se explicam com palavras, apenas se sentem — como um silêncio pesado que toma conta da alma de uma cidade inteira.

A morte de Antônio Roberto Barros, o nosso querido Tonho da Cambuí, não é apenas a despedida de um homem. É o apagar de uma presença que ajudava a iluminar caminhos em Vitória da Conquista.

E talvez seja exatamente isso que mais dói: não foi apenas alguém que se foi. Foi uma história viva.

Tonho não era desses homens comuns que passam pela vida sem deixar marcas. Ele era presença. Era vínculo. Era daqueles que sabiam construir relações com a delicadeza de quem entende que o verdadeiro patrimônio de uma vida não está no que se acumula, mas no que se compartilha.

Seu nome não estava apenas ligado ao trabalho — estava ligado à confiança. À amizade. À lealdade.

Em tempos em que o individualismo tenta sufocar os valores mais simples, Tonho era resistência silenciosa. Um homem que acreditava no trabalho digno, na arte como expressão da alma e na música como linguagem universal do afeto.

Sim, ele foi mais do que um empresário. Foi um incentivador. Um mecenas no sentido mais bonito da palavra. Alguém que compreendia que apoiar a cultura é também sustentar a identidade de um povo.

Quantos artistas, quantos músicos, quantas histórias não encontraram nele um porto seguro?

E, acima de tudo, Tonho era família.

Porque no fim das contas — e talvez essa seja a maior lição que sua partida nos deixa — tudo volta para esse lugar essencial: o amor que se constrói dentro de casa e transborda para o mundo.

Sua companheira, seus filhos, seus amigos… todos hoje carregam não apenas a dor da perda, mas o privilégio de terem convivido com alguém que soube viver com intensidade e significado.

A notícia de sua morte chegou como chegam as notícias que não queremos ouvir: abrupta, dura, quase inacreditável. Ainda mais quando vinha acompanhada, até então, de sinais de esperança.

Mas a vida, com sua soberania inexplicável, nos lembra — às vezes de forma cruel — que não somos donos do tempo.

E talvez seja justamente aí que mora o mistério mais profundo da existência.

Partimos.

Mas não levamos tudo.

Fica o legado.

Ficam as histórias contadas nas rodas de conversa. Ficam os gestos guardados na memória. Fica o som da música que ele ajudou a manter viva. Fica o exemplo de um homem que fez da sua caminhada uma ponte entre pessoas.

Vitória da Conquista hoje está mais silenciosa.

Não apenas pelo luto.

Mas pela consciência de que perdeu um dos seus.

Ainda assim, há algo que a morte não consegue tocar: a permanência de quem viveu de verdade.

Tonho partiu.

Mas permanece — nos afetos, nas lembranças, na cultura, na história desta terra.

E talvez seja isso que nos sustenta diante da dor: entender que algumas vidas não terminam.

Elas continuam… dentro de todos nós.

Vá em paz, Tonho.

A sua história, essa ninguém apaga.

TONHO: QUANDO UM HOMEM PARTE, MAS SUA HISTÓRIA SE TORNA ETERNA

 

 Padre Carlos

Há partidas que não cabem dentro da lógica do tempo. Há ausências que não se explicam com palavras, apenas se sentem — como um silêncio pesado que toma conta da alma de uma cidade inteira.

A morte de Antônio Roberto Barros, o nosso querido Tonho da Cambuí, não é apenas a despedida de um homem. É o apagar de uma presença que ajudava a iluminar caminhos em Vitória da Conquista.

E talvez seja exatamente isso que mais dói: não foi apenas alguém que se foi. Foi uma história viva.

Tonho não era desses homens comuns que passam pela vida sem deixar marcas. Ele era presença. Era vínculo. Era daqueles que sabiam construir relações com a delicadeza de quem entende que o verdadeiro patrimônio de uma vida não está no que se acumula, mas no que se compartilha.

Seu nome não estava apenas ligado ao trabalho — estava ligado à confiança. À amizade. À lealdade.

Em tempos em que o individualismo tenta sufocar os valores mais simples, Tonho era resistência silenciosa. Um homem que acreditava no trabalho digno, na arte como expressão da alma e na música como linguagem universal do afeto.

Sim, ele foi mais do que um empresário. Foi um incentivador. Um mecenas no sentido mais bonito da palavra. Alguém que compreendia que apoiar a cultura é também sustentar a identidade de um povo.

Quantos artistas, quantos músicos, quantas histórias não encontraram nele um porto seguro?

E, acima de tudo, Tonho era família.

Porque no fim das contas — e talvez essa seja a maior lição que sua partida nos deixa — tudo volta para esse lugar essencial: o amor que se constrói dentro de casa e transborda para o mundo.

Sua companheira, seus filhos, seus amigos… todos hoje carregam não apenas a dor da perda, mas o privilégio de terem convivido com alguém que soube viver com intensidade e significado.

A notícia de sua morte chegou como chegam as notícias que não queremos ouvir: abrupta, dura, quase inacreditável. Ainda mais quando vinha acompanhada, até então, de sinais de esperança.

Mas a vida, com sua soberania inexplicável, nos lembra — às vezes de forma cruel — que não somos donos do tempo.

E talvez seja justamente aí que mora o mistério mais profundo da existência.

Partimos.

Mas não levamos tudo.

Fica o legado.

Ficam as histórias contadas nas rodas de conversa. Ficam os gestos guardados na memória. Fica o som da música que ele ajudou a manter viva. Fica o exemplo de um homem que fez da sua caminhada uma ponte entre pessoas.

Vitória da Conquista hoje está mais silenciosa.

Não apenas pelo luto.

Mas pela consciência de que perdeu um dos seus.

Ainda assim, há algo que a morte não consegue tocar: a permanência de quem viveu de verdade.

Tonho partiu.

Mas permanece — nos afetos, nas lembranças, na cultura, na história desta terra.

E talvez seja isso que nos sustenta diante da dor: entender que algumas vidas não terminam.

Elas continuam… dentro de todos nós.

Vá em paz, Tonho.

A sua história, essa ninguém apaga.

O estado que elegeu uma lista telefônica de investigados e ainda acha que o problema é falta de sorte

Análise política — Rio de Janeiro

O estado que elegeu uma lista telefônica de investigados e ainda acha que o problema é falta de sorte

Do Palácio Guanabara aos tribunais, uma crônica de gestão pública onde a tornozeleira virou acessório obrigatório de mandato

Opinião  ·  Análise sem condescendência

Existe uma teoria, amplamente aceita entre os fluminenses mais otimistas, de que o Rio de Janeiro é uma vítima das circunstâncias. Que a cidade — esplêndida, solar, de uma beleza quase ofensiva — simplesmente tem a infelicidade crônica de eleger pessoas erradas. Uma maldição. Um azar cósmico. Um alinhamento desfavorável de planetas sobre a Baía de Guanabara. É uma teoria reconfortante. E é, também, matematicamente improvável.

Porque quando o acaso se repete com essa regularidade, com essa precisão, com essa consistência quase didática através de décadas e partidos e Poderes, é preciso fazer as pazes com a hipótese de que talvez não seja azar. Talvez seja método.


O poder executivo — ou: a fila anda (para a cela)

Sérgio Cabral governou o Rio por oito anos. Oito anos durante os quais o estado recebia royalties do pré-sal, sediava Copa do Mundo e Olimpíadas, e acumulava uma dívida moral que ainda não terminou de ser cobrada. Quando a Polícia Federal chegou, encontrou o que os auditores competentes já suspeitavam há anos: um esquema de corrupção sistêmica que atravessava obras, contratos, secretarias e fortunas escondidas em offshores. Cabral foi preso. Condenado. E o estado que ele deixou para trás entrou em colapso fiscal poucos anos depois.

Pezão herdou o cargo e, com ele, a estrutura. Foi preso em 2018, direto do Palácio Guanabara, num gesto que teria algo de teatral se não fosse tão literal. Garotinho entrou e saiu do sistema judicial com uma frequência que desafia qualquer cronograma partidário. Witzel chegou com discurso de ruptura e saiu pelo impeachment. Cada um com seu método, cada um com sua conta, nenhum com vergonha suficiente para interromper o ciclo.

“Não se fala mais em alternância de poder. Fala-se em revezamento de prontuário.”

Governadores — linha sucessória com destino comum

Sérgio CabralPreso · Condenado
Luiz Fernando PezãoPreso
Anthony GarotinhoPreso (2x)
Rosinha GarotinhoInvestigada
Wilson WitzelImpeachment


A assembleia — onde se legislava para si mesmo

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro não foi vítima desse sistema. Foi parte constitutiva dele. Três presidentes consecutivos presos — Picciani, Paulo Melo, Albertassi — não é uma anomalia estatística. É uma cultura. É o resultado de uma instituição que, por anos, operou como câmara de compensação de interesses privados com verniz de mandato popular.

E enquanto isso acontecia nos gabinetes, nos plenários, nos corredores onde se negociavam votos e contratos, o estado deixava de pagar servidores, fechava hospitais, acumulava uma dívida previdenciária que suas populações mais vulneráveis pagariam — e ainda pagam — com serviços que nunca chegaram.

ALERJ — presidentes e deputados com passagem judicial

Jorge PiccianiPreso
Paulo MeloPreso
Edson AlbertassiPreso
André CorrêaPreso
Chiquinho da MangueiraPreso
Marcos AbrahãoInvestigado
Coronel JairoCitado


O tribunal de contas — o fiscal que precisou ser fiscalizado

Há algo particularmente revelador na Operação Quinto de Ouro. O Tribunal de Contas do Estado existe, constitucionalmente, para uma função: garantir que o dinheiro público seja gasto como deveria ser. É o freio. É o controle. É a última linha de defesa antes do desvio virar impunidade consolidada. E foi exatamente esse órgão que a operação desmantelou — com cinco conselheiros presos, praticamente o quórum de uma sessão deliberativa.

Jonas Lopes, Domingos Brazão, Graciosa, Alencar, Nolasco. O fiscal estava sendo pago para não fiscalizar. O controle estava sendo controlado por quem deveria ser controlado. Não houve falha sistêmica. Houve captura sistêmica — e há uma diferença brutal entre as duas coisas.

Domingos Brazão, conselheiro do TCE, é também o principal suspeito de ter mandado matar Marielle Franco e Anderson Gomes. O mesmo homem. O mesmo sistema. A mesma impunidade que levou anos para ser formalmente rompida — e que ainda tramita nos tribunais enquanto as famílias esperam.


Marielle — o nome que o sistema tentou apagar

O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, em março de 2018, não foi um crime isolado. Foi a expressão mais brutal e mais visível de algo que já estava dado: a interpenetração entre o poder político institucional e o poder paralelo das milícias. Marielle incomodava porque nomeava o que muitos preferiam deixar sem nome. Foi morta por isso.

Levou seis anos para que os mandantes fossem formalmente acusados. Seis anos durante os quais o caso ficou sem resposta, as investigações foram sabotadas, e o nome dela foi usado em discursos de pessoas que, descobriu-se depois, faziam parte da mesma estrutura que a eliminou. A ironia não é apenas cruel — é institucional.

“Marielle Franco não foi morta apesar das instituições. Foi morta dentro delas, por elas, com a cumplicidade silenciosa de quem governava e sabia — e preferiu não saber.”


Eleições indiretas — o clube que se governa a si mesmo

É nesse contexto — e não no abstrato — que a discussão sobre eleições indiretas precisa ser feita. Porque a pergunta não é teórica. Não é sobre filosofia política ou modelos constitucionais comparados. A pergunta é concreta, e o Rio responde a ela com décadas de evidência empírica: se o voto popular, com toda a sua imperfeição, produziu essa sequência de gestores investigados e presos, o que produziria um processo em que esses mesmos atores escolheriam seus sucessores entre si?

A resposta não é difícil. É desconfortável. Uma eleição indireta, no contexto fluminense, não seria um mecanismo de correção — seria um mecanismo de perpetuação. Um sistema fechado onde a predação institucional elegeria a si mesma com toda a solenidade de um ritual democrático esvaziado por dentro. Não haveria ruptura. Haveria renovação de fachada com continuidade de estrutura.


O custo real — que não aparece nos relatórios

Tudo isso tem um preço que não está nos processos judiciais nem nas manchetes de operações policiais. Está nas filas de hospital que não funcionam. Nos salários de servidores pagos com meses de atraso. Nas escolas sem material, nas delegacias sem viatura, nos bombeiros sem equipamento. Está nos morros onde o Estado nunca chegou porque havia algo mais lucrativo do que governar: era cobrar para não atrapalhar quem já governava por conta própria.

O Rio de Janeiro tem uma das cargas tributárias mais pesadas do país e alguns dos piores indicadores de serviço público. Essa não é uma equação de incompetência. É uma equação de desvio. O dinheiro existia. Ele foi para outro lugar. E as pessoas que deveriam responder por isso, na sua maioria, ainda transitam pelos mesmos corredores — com mandato novo, discurso reformulado, e a mesma estrutura intacta.

“O Rio não é pobre de recursos. É pobre de instituições que funcionem para quem paga — e não para quem cobra para não atrapalhar.”


Conclusão — sem final reconfortante

O Cristo Redentor continua de braços abertos sobre uma cidade que merecia mais do que recebeu de quem jurou servi-la. O pôr do sol na Urca continua sendo uma das coisas mais belas que o mundo produziu — e continua sendo a imagem que o poder usa para vender normalidade onde há décadas de espoliação acumulada.

Não há final reconfortante aqui. Não há moral edificante que encerre o argumento com esperança calculada. O que há é uma pergunta que o Rio ainda não respondeu — e que nenhuma operação policial, por mais eficaz que seja, responde sozinha: como se reconstrói a confiança em instituições que foram capturadas por dentro, durante décadas, com a cumplicidade ativa de quem deveria guardá-las?

Essa pergunta não tem resposta jurídica. Tem resposta política. E a resposta política depende de cidadãos que decidam, coletivamente, que a beleza da cidade não é desculpa suficiente para a fealdade de quem a governa.

O Rio merece mais. Sabe disso. E continua, com uma paciência que beira o inexplicável, esperando que alguém à frente das suas instituições chegue à mesma conclusão.

Este artigo não tem ironia no final porque, desta vez, a realidade já é pesada o suficiente para dispensar o recurso literário.
O humor foi embora. O problema ficou.

O estado que elegeu uma lista telefônica de investigados e ainda acha que o problema é falta de sorte

Análise política — Rio de Janeiro

O estado que elegeu uma lista telefônica de investigados e ainda acha que o problema é falta de sorte

Do Palácio Guanabara aos tribunais, uma crônica de gestão pública onde a tornozeleira virou acessório obrigatório de mandato

Opinião  ·  Análise sem condescendência

Existe uma teoria, amplamente aceita entre os fluminenses mais otimistas, de que o Rio de Janeiro é uma vítima das circunstâncias. Que a cidade — esplêndida, solar, de uma beleza quase ofensiva — simplesmente tem a infelicidade crônica de eleger pessoas erradas. Uma maldição. Um azar cósmico. Um alinhamento desfavorável de planetas sobre a Baía de Guanabara. É uma teoria reconfortante. E é, também, matematicamente improvável.

Porque quando o acaso se repete com essa regularidade, com essa precisão, com essa consistência quase didática através de décadas e partidos e Poderes, é preciso fazer as pazes com a hipótese de que talvez não seja azar. Talvez seja método.


O poder executivo — ou: a fila anda (para a cela)

Sérgio Cabral governou o Rio por oito anos. Oito anos durante os quais o estado recebia royalties do pré-sal, sediava Copa do Mundo e Olimpíadas, e acumulava uma dívida moral que ainda não terminou de ser cobrada. Quando a Polícia Federal chegou, encontrou o que os auditores competentes já suspeitavam há anos: um esquema de corrupção sistêmica que atravessava obras, contratos, secretarias e fortunas escondidas em offshores. Cabral foi preso. Condenado. E o estado que ele deixou para trás entrou em colapso fiscal poucos anos depois.

Pezão herdou o cargo e, com ele, a estrutura. Foi preso em 2018, direto do Palácio Guanabara, num gesto que teria algo de teatral se não fosse tão literal. Garotinho entrou e saiu do sistema judicial com uma frequência que desafia qualquer cronograma partidário. Witzel chegou com discurso de ruptura e saiu pelo impeachment. Cada um com seu método, cada um com sua conta, nenhum com vergonha suficiente para interromper o ciclo.

“Não se fala mais em alternância de poder. Fala-se em revezamento de prontuário.”

Governadores — linha sucessória com destino comum

Sérgio CabralPreso · Condenado
Luiz Fernando PezãoPreso
Anthony GarotinhoPreso (2x)
Rosinha GarotinhoInvestigada
Wilson WitzelImpeachment


A assembleia — onde se legislava para si mesmo

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro não foi vítima desse sistema. Foi parte constitutiva dele. Três presidentes consecutivos presos — Picciani, Paulo Melo, Albertassi — não é uma anomalia estatística. É uma cultura. É o resultado de uma instituição que, por anos, operou como câmara de compensação de interesses privados com verniz de mandato popular.

E enquanto isso acontecia nos gabinetes, nos plenários, nos corredores onde se negociavam votos e contratos, o estado deixava de pagar servidores, fechava hospitais, acumulava uma dívida previdenciária que suas populações mais vulneráveis pagariam — e ainda pagam — com serviços que nunca chegaram.

ALERJ — presidentes e deputados com passagem judicial

Jorge PiccianiPreso
Paulo MeloPreso
Edson AlbertassiPreso
André CorrêaPreso
Chiquinho da MangueiraPreso
Marcos AbrahãoInvestigado
Coronel JairoCitado


O tribunal de contas — o fiscal que precisou ser fiscalizado

Há algo particularmente revelador na Operação Quinto de Ouro. O Tribunal de Contas do Estado existe, constitucionalmente, para uma função: garantir que o dinheiro público seja gasto como deveria ser. É o freio. É o controle. É a última linha de defesa antes do desvio virar impunidade consolidada. E foi exatamente esse órgão que a operação desmantelou — com cinco conselheiros presos, praticamente o quórum de uma sessão deliberativa.

Jonas Lopes, Domingos Brazão, Graciosa, Alencar, Nolasco. O fiscal estava sendo pago para não fiscalizar. O controle estava sendo controlado por quem deveria ser controlado. Não houve falha sistêmica. Houve captura sistêmica — e há uma diferença brutal entre as duas coisas.

Domingos Brazão, conselheiro do TCE, é também o principal suspeito de ter mandado matar Marielle Franco e Anderson Gomes. O mesmo homem. O mesmo sistema. A mesma impunidade que levou anos para ser formalmente rompida — e que ainda tramita nos tribunais enquanto as famílias esperam.


Marielle — o nome que o sistema tentou apagar

O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, em março de 2018, não foi um crime isolado. Foi a expressão mais brutal e mais visível de algo que já estava dado: a interpenetração entre o poder político institucional e o poder paralelo das milícias. Marielle incomodava porque nomeava o que muitos preferiam deixar sem nome. Foi morta por isso.

Levou seis anos para que os mandantes fossem formalmente acusados. Seis anos durante os quais o caso ficou sem resposta, as investigações foram sabotadas, e o nome dela foi usado em discursos de pessoas que, descobriu-se depois, faziam parte da mesma estrutura que a eliminou. A ironia não é apenas cruel — é institucional.

“Marielle Franco não foi morta apesar das instituições. Foi morta dentro delas, por elas, com a cumplicidade silenciosa de quem governava e sabia — e preferiu não saber.”


Eleições indiretas — o clube que se governa a si mesmo

É nesse contexto — e não no abstrato — que a discussão sobre eleições indiretas precisa ser feita. Porque a pergunta não é teórica. Não é sobre filosofia política ou modelos constitucionais comparados. A pergunta é concreta, e o Rio responde a ela com décadas de evidência empírica: se o voto popular, com toda a sua imperfeição, produziu essa sequência de gestores investigados e presos, o que produziria um processo em que esses mesmos atores escolheriam seus sucessores entre si?

A resposta não é difícil. É desconfortável. Uma eleição indireta, no contexto fluminense, não seria um mecanismo de correção — seria um mecanismo de perpetuação. Um sistema fechado onde a predação institucional elegeria a si mesma com toda a solenidade de um ritual democrático esvaziado por dentro. Não haveria ruptura. Haveria renovação de fachada com continuidade de estrutura.


O custo real — que não aparece nos relatórios

Tudo isso tem um preço que não está nos processos judiciais nem nas manchetes de operações policiais. Está nas filas de hospital que não funcionam. Nos salários de servidores pagos com meses de atraso. Nas escolas sem material, nas delegacias sem viatura, nos bombeiros sem equipamento. Está nos morros onde o Estado nunca chegou porque havia algo mais lucrativo do que governar: era cobrar para não atrapalhar quem já governava por conta própria.

O Rio de Janeiro tem uma das cargas tributárias mais pesadas do país e alguns dos piores indicadores de serviço público. Essa não é uma equação de incompetência. É uma equação de desvio. O dinheiro existia. Ele foi para outro lugar. E as pessoas que deveriam responder por isso, na sua maioria, ainda transitam pelos mesmos corredores — com mandato novo, discurso reformulado, e a mesma estrutura intacta.

“O Rio não é pobre de recursos. É pobre de instituições que funcionem para quem paga — e não para quem cobra para não atrapalhar.”


Conclusão — sem final reconfortante

O Cristo Redentor continua de braços abertos sobre uma cidade que merecia mais do que recebeu de quem jurou servi-la. O pôr do sol na Urca continua sendo uma das coisas mais belas que o mundo produziu — e continua sendo a imagem que o poder usa para vender normalidade onde há décadas de espoliação acumulada.

Não há final reconfortante aqui. Não há moral edificante que encerre o argumento com esperança calculada. O que há é uma pergunta que o Rio ainda não respondeu — e que nenhuma operação policial, por mais eficaz que seja, responde sozinha: como se reconstrói a confiança em instituições que foram capturadas por dentro, durante décadas, com a cumplicidade ativa de quem deveria guardá-las?

Essa pergunta não tem resposta jurídica. Tem resposta política. E a resposta política depende de cidadãos que decidam, coletivamente, que a beleza da cidade não é desculpa suficiente para a fealdade de quem a governa.

O Rio merece mais. Sabe disso. E continua, com uma paciência que beira o inexplicável, esperando que alguém à frente das suas instituições chegue à mesma conclusão.

Este artigo não tem ironia no final porque, desta vez, a realidade já é pesada o suficiente para dispensar o recurso literário.
O humor foi embora. O problema ficou.

QUANDO O ASFALTO CHEGA, A VIDA MUDA: O DIA EM QUE VITÓRIA DA CONQUISTA DECIDIU NÃO DEIXAR MAIS NINGUÉM PARA TRÁS

Artigo · Infraestrutura & Cidadania

ARTIGO – QUANDO O ASFALTO CHEGA, A VIDA MUDA: O DIA EM QUE VITÓRIA DA CONQUISTA DECIDIU NÃO DEIXAR MAIS NINGUÉM PARA TRÁS

Com mais de R$ 10 milhões aprovados para pavimentação asfáltica na zona rural, o município reescreve um capítulo histórico de justiça social — e prova que política pública séria transforma vidas reais.

Padre Carlos

Articulista político | Vitória da Conquista, BA

<img src="COLE_AQUI_A_URL_DA_IMAGEM" style="width:100%;display:block;" alt="Pavimentação asfáltica na zona rural de Vitória da Conquista">

Há estradas que não levam apenas de um ponto a outro. Levam — ou não levam — ao médico, à escola, ao mercado, à dignidade. Em Vitória da Conquista, durante décadas, milhares de famílias da zona rural conheceram dolorosamente essa diferença. Cada chuva tornava o caminho intransitável. Cada buraco, uma barreira invisível entre o interior e o direito de existir com plenitude.

É por isso que a aprovação de um projeto de pavimentação asfáltica no valor superior a R$ 10 milhões, destinado a distritos e povoados rurais do município, não pode ser tratada como mais uma nota de obra pública. É, antes de tudo, uma declaração política de que algumas dívidas históricas precisam — e podem — ser pagas.

“É o tão sonhado asfalto chegando para quem mais precisa.”
— Vereadora Léia

Os bastidores de uma vitória silenciosa

Por trás de toda conquista pública existe um trabalho que raramente aparece nas manchetes. Técnicos da Secretaria de Infraestrutura do Estado (SEINFRA) percorreram essas estradas — muitas vezes de barro e pedregulho — documentando a realidade para transformá-la em números, laudos e justificativas técnicas.

Esse esforço ganhou força política e institucional com a articulação do ex-prefeito Quinho e da vereadora Léia, que conduziram as negociações com determinação e sensibilidade. O superintendente Rafael Bastos teve papel decisivo na aprovação final do projeto. E o governador Jerônimo Rodrigues assegurou os recursos que tornariam tudo isso possível.

Política pública séria é exatamente isso: uma cadeia de pessoas comprometidas com o resultado, cada uma fazendo a sua parte, sem holofotes, até que a soma dos esforços se converta em transformação real.

“Não se trata apenas de obra pública — trata-se de justiça social com endereço certo.”
— Padre Carlos

O mapa da transformação

O projeto beneficia comunidades que, por muito tempo, foram relegadas às margens do desenvolvimento municipal: Campo Formoso, São João da Vitória (Batuque), Vereda do Progresso, Veredinha, Corta Lote, Poço Verde, Abelhas, Matinha, Queimadas, Inhobim e outras localidades. Para cada uma delas, o asfalto não é luxo — é condição básica de vida.

Imagine a mãe que leva o filho doente ao posto de saúde mais próximo em estrada de terra na madrugada chuvosa. O caminhoneiro que recusa o frete porque o acesso danifica o veículo. O estudante que chega à escola com os sapatos enlameados — quando chega. Essas imagens são reais. E a pavimentação é, literalmente, o chão que faltava debaixo dos pés dessas famílias.

Com as obras, a expectativa é de redução significativa no tempo de deslocamento, melhora no transporte escolar, maior facilidade de acesso à saúde, fortalecimento da economia local com o escoamento da produção agrícola e, sobretudo, a valorização das comunidades que sempre mereceram mais atenção do poder público.

O próximo passo: da aprovação à realidade

O projeto segue agora para a fase de licitação — etapa essencial e, muitas vezes, o maior obstáculo entre a promessa e o concreto. É aqui que a vigilância cidadã se torna fundamental. As lideranças confiam no avanço rápido do cronograma, mas a história nos ensina que obras dependem não só de recursos, mas de gestão firme, transparência e pressão social organizada.

A população dessas comunidades, que tantas vezes esperou e foi decepcionada, tem todo o direito de acompanhar cada etapa, cobrar prazos e celebrar avanços. A conquista é delas — e a responsabilidade de entregá-la é de quem governa.

“Em um município marcado por contrastes entre o urbano e o rural, esse projeto surge como um divisor de águas — um passo concreto rumo a uma Vitória da Conquista mais integrada, mais justa e mais humana.”
— Padre Carlos

Uma cidade que escolhe não deixar ninguém para trás

O que torna este momento historicamente significativo não é apenas o valor investido — embora R$ 10 milhões representem uma das maiores ações recentes de infraestrutura rural do município. O que importa, de verdade, é o sinal que esse projeto envia: Vitória da Conquista é uma cidade que decide, finalmente, olhar para todos os seus cidadãos com a mesma seriedade.

O interior não é periferia da cidade. É o coração produtivo, cultural e humano do município. Quando o asfalto chega até lá, não é só o barro que desaparece — é um velho preconceito que começa a ser varrido.

Que as máquinas entrem em campo logo. Que os moradores vejam a promessa virar realidade. E que Vitória da Conquista siga escrevendo, com asfalto e determinação, um futuro mais digno para todos.

Padre Carlos

Articulista político, pensador social e voz das comunidades de Vitória da Conquista. Escreve sobre política pública, fé e cidadania.

QUANDO O ASFALTO CHEGA, A VIDA MUDA: O DIA EM QUE VITÓRIA DA CONQUISTA DECIDIU NÃO DEIXAR MAIS NINGUÉM PARA TRÁS

Artigo · Infraestrutura & Cidadania

ARTIGO – QUANDO O ASFALTO CHEGA, A VIDA MUDA: O DIA EM QUE VITÓRIA DA CONQUISTA DECIDIU NÃO DEIXAR MAIS NINGUÉM PARA TRÁS

Com mais de R$ 10 milhões aprovados para pavimentação asfáltica na zona rural, o município reescreve um capítulo histórico de justiça social — e prova que política pública séria transforma vidas reais.

Padre Carlos

Articulista político | Vitória da Conquista, BA

<img src="COLE_AQUI_A_URL_DA_IMAGEM" style="width:100%;display:block;" alt="Pavimentação asfáltica na zona rural de Vitória da Conquista">

Há estradas que não levam apenas de um ponto a outro. Levam — ou não levam — ao médico, à escola, ao mercado, à dignidade. Em Vitória da Conquista, durante décadas, milhares de famílias da zona rural conheceram dolorosamente essa diferença. Cada chuva tornava o caminho intransitável. Cada buraco, uma barreira invisível entre o interior e o direito de existir com plenitude.

É por isso que a aprovação de um projeto de pavimentação asfáltica no valor superior a R$ 10 milhões, destinado a distritos e povoados rurais do município, não pode ser tratada como mais uma nota de obra pública. É, antes de tudo, uma declaração política de que algumas dívidas históricas precisam — e podem — ser pagas.

“É o tão sonhado asfalto chegando para quem mais precisa.”
— Vereadora Léia

Os bastidores de uma vitória silenciosa

Por trás de toda conquista pública existe um trabalho que raramente aparece nas manchetes. Técnicos da Secretaria de Infraestrutura do Estado (SEINFRA) percorreram essas estradas — muitas vezes de barro e pedregulho — documentando a realidade para transformá-la em números, laudos e justificativas técnicas.

Esse esforço ganhou força política e institucional com a articulação do ex-prefeito Quinho e da vereadora Léia, que conduziram as negociações com determinação e sensibilidade. O superintendente Rafael Bastos teve papel decisivo na aprovação final do projeto. E o governador Jerônimo Rodrigues assegurou os recursos que tornariam tudo isso possível.

Política pública séria é exatamente isso: uma cadeia de pessoas comprometidas com o resultado, cada uma fazendo a sua parte, sem holofotes, até que a soma dos esforços se converta em transformação real.

“Não se trata apenas de obra pública — trata-se de justiça social com endereço certo.”
— Padre Carlos

O mapa da transformação

O projeto beneficia comunidades que, por muito tempo, foram relegadas às margens do desenvolvimento municipal: Campo Formoso, São João da Vitória (Batuque), Vereda do Progresso, Veredinha, Corta Lote, Poço Verde, Abelhas, Matinha, Queimadas, Inhobim e outras localidades. Para cada uma delas, o asfalto não é luxo — é condição básica de vida.

Imagine a mãe que leva o filho doente ao posto de saúde mais próximo em estrada de terra na madrugada chuvosa. O caminhoneiro que recusa o frete porque o acesso danifica o veículo. O estudante que chega à escola com os sapatos enlameados — quando chega. Essas imagens são reais. E a pavimentação é, literalmente, o chão que faltava debaixo dos pés dessas famílias.

Com as obras, a expectativa é de redução significativa no tempo de deslocamento, melhora no transporte escolar, maior facilidade de acesso à saúde, fortalecimento da economia local com o escoamento da produção agrícola e, sobretudo, a valorização das comunidades que sempre mereceram mais atenção do poder público.

O próximo passo: da aprovação à realidade

O projeto segue agora para a fase de licitação — etapa essencial e, muitas vezes, o maior obstáculo entre a promessa e o concreto. É aqui que a vigilância cidadã se torna fundamental. As lideranças confiam no avanço rápido do cronograma, mas a história nos ensina que obras dependem não só de recursos, mas de gestão firme, transparência e pressão social organizada.

A população dessas comunidades, que tantas vezes esperou e foi decepcionada, tem todo o direito de acompanhar cada etapa, cobrar prazos e celebrar avanços. A conquista é delas — e a responsabilidade de entregá-la é de quem governa.

“Em um município marcado por contrastes entre o urbano e o rural, esse projeto surge como um divisor de águas — um passo concreto rumo a uma Vitória da Conquista mais integrada, mais justa e mais humana.”
— Padre Carlos

Uma cidade que escolhe não deixar ninguém para trás

O que torna este momento historicamente significativo não é apenas o valor investido — embora R$ 10 milhões representem uma das maiores ações recentes de infraestrutura rural do município. O que importa, de verdade, é o sinal que esse projeto envia: Vitória da Conquista é uma cidade que decide, finalmente, olhar para todos os seus cidadãos com a mesma seriedade.

O interior não é periferia da cidade. É o coração produtivo, cultural e humano do município. Quando o asfalto chega até lá, não é só o barro que desaparece — é um velho preconceito que começa a ser varrido.

Que as máquinas entrem em campo logo. Que os moradores vejam a promessa virar realidade. E que Vitória da Conquista siga escrevendo, com asfalto e determinação, um futuro mais digno para todos.

Padre Carlos

Articulista político, pensador social e voz das comunidades de Vitória da Conquista. Escreve sobre política pública, fé e cidadania.

O Esvaziamento da EMURC: Quando as Emendas Parlamentares Ignoram a Estrutura Pública

 

 

Por Padre Carlos

 

O anúncio de que 14,6 milhões de reais — fruto de emendas de deputados da nossa cidade — serão destinados à construção de 11 praças por meio de empresas privadas acende um alerta vermelho sobre a relação entre o Poder Legislativo e a gestão municipal. A questão aqui não é apenas onde o dinheiro será gasto, mas como e por que a estrutura pública da cidade está sendo deliberadamente colocada de lado.

A EMURC como “Persona Non Grata”

Vitória da Conquista possui a EMURC (Empresa Municipal de Urbanização), uma empresa pública consolidada, tecnicamente apta e que, por lei (Art. 75, inciso IX, da Lei 14.133/2021), pode ser contratada pelo poder público com dispensa de licitação.

A execução via EMURC seria o caminho natural para quem busca eficiência:

  1. Agilidade: O início das obras seria imediato, sem o calvário burocrático de licitações.

  2. Economia: O “lucro” que hoje vai para o bolso da iniciativa privada permaneceria no caixa público, reinvestido na própria empresa de urbanização do povo.

O Divórcio Político e o Prejuízo Técnico

Ao canalizarem recursos diretamente para licitações que favorecem a iniciativa privada, os parlamentares emitem um sinal claro: não há interesse em fortalecer o braço executor do município. Quando um deputado opta por não buscar a parceria com a Prefeitura para que a EMURC execute a obra, ele não está apenas “fazendo política”; ele está subutilizando uma estrutura que o cidadão paga para manter. É um contrassenso técnico. Se a cidade tem os meios, por que contratar fora? A resposta parece estar na política do isolamento: prefere-se o rito lento da licitação privada a dar protagonismo à empresa pública local.

O Risco da “Obra de Gabinete”

O Direito Administrativo rege-se pelo Princípio da Finalidade. A finalidade de uma obra pública é o bem comum. No entanto, quando obras de urbanismo básico (praças em distritos e bairros) são licitadas para empresas privadas em vez de executadas pela autarquia municipal, perde-se a integração do planejamento urbano.

A licitação já tem vencedores e datas. Mas a pergunta que o articulista técnico faz é: quem garantirá a manutenção e o padrão técnico dessas praças se elas nascem de um processo que ignorou o órgão responsável pela urbanização da cidade?

Fazer Política ou Fazer Urbanismo?

Fazer política com o recurso público é legítimo, mas colocá-lo exclusivamente na mão da iniciativa privada — quando se tem uma empresa pública pronta para trabalhar — é uma escolha que encarece o processo e enfraquece a instituição municipal.

A prática de “escantearem” a Prefeitura e a EMURC transforma o investimento em uma ilha administrativa. O resultado pode até ser uma praça bonita, mas o custo será a fragilização de uma empresa que pertence a todos os conquistenses.


Conclusão: Ignorar a EMURC na execução de 11 praças não é uma estratégia de eficiência, é uma decisão política de isolamento. O recurso chega, mas a estrutura pública da cidade sai menor desse processo. No fim das contas, o cidadão assiste ao lucro privado ser financiado por emendas que poderiam estar modernizando as máquinas e o quadro técnico da nossa própria empresa pública.

A pergunta que fica para os autores das emendas é: Qual o receio de fortalecer a EMURC? Se o objetivo é o bem da cidade, por que não usar a ferramenta que a cidade já possui?

O Esvaziamento da EMURC: Quando as Emendas Parlamentares Ignoram a Estrutura Pública

 

 

Por Padre Carlos

 

O anúncio de que 14,6 milhões de reais — fruto de emendas de deputados da nossa cidade — serão destinados à construção de 11 praças por meio de empresas privadas acende um alerta vermelho sobre a relação entre o Poder Legislativo e a gestão municipal. A questão aqui não é apenas onde o dinheiro será gasto, mas como e por que a estrutura pública da cidade está sendo deliberadamente colocada de lado.

A EMURC como “Persona Non Grata”

Vitória da Conquista possui a EMURC (Empresa Municipal de Urbanização), uma empresa pública consolidada, tecnicamente apta e que, por lei (Art. 75, inciso IX, da Lei 14.133/2021), pode ser contratada pelo poder público com dispensa de licitação.

A execução via EMURC seria o caminho natural para quem busca eficiência:

  1. Agilidade: O início das obras seria imediato, sem o calvário burocrático de licitações.

  2. Economia: O “lucro” que hoje vai para o bolso da iniciativa privada permaneceria no caixa público, reinvestido na própria empresa de urbanização do povo.

O Divórcio Político e o Prejuízo Técnico

Ao canalizarem recursos diretamente para licitações que favorecem a iniciativa privada, os parlamentares emitem um sinal claro: não há interesse em fortalecer o braço executor do município. Quando um deputado opta por não buscar a parceria com a Prefeitura para que a EMURC execute a obra, ele não está apenas “fazendo política”; ele está subutilizando uma estrutura que o cidadão paga para manter. É um contrassenso técnico. Se a cidade tem os meios, por que contratar fora? A resposta parece estar na política do isolamento: prefere-se o rito lento da licitação privada a dar protagonismo à empresa pública local.

O Risco da “Obra de Gabinete”

O Direito Administrativo rege-se pelo Princípio da Finalidade. A finalidade de uma obra pública é o bem comum. No entanto, quando obras de urbanismo básico (praças em distritos e bairros) são licitadas para empresas privadas em vez de executadas pela autarquia municipal, perde-se a integração do planejamento urbano.

A licitação já tem vencedores e datas. Mas a pergunta que o articulista técnico faz é: quem garantirá a manutenção e o padrão técnico dessas praças se elas nascem de um processo que ignorou o órgão responsável pela urbanização da cidade?

Fazer Política ou Fazer Urbanismo?

Fazer política com o recurso público é legítimo, mas colocá-lo exclusivamente na mão da iniciativa privada — quando se tem uma empresa pública pronta para trabalhar — é uma escolha que encarece o processo e enfraquece a instituição municipal.

A prática de “escantearem” a Prefeitura e a EMURC transforma o investimento em uma ilha administrativa. O resultado pode até ser uma praça bonita, mas o custo será a fragilização de uma empresa que pertence a todos os conquistenses.


Conclusão: Ignorar a EMURC na execução de 11 praças não é uma estratégia de eficiência, é uma decisão política de isolamento. O recurso chega, mas a estrutura pública da cidade sai menor desse processo. No fim das contas, o cidadão assiste ao lucro privado ser financiado por emendas que poderiam estar modernizando as máquinas e o quadro técnico da nossa própria empresa pública.

A pergunta que fica para os autores das emendas é: Qual o receio de fortalecer a EMURC? Se o objetivo é o bem da cidade, por que não usar a ferramenta que a cidade já possui?