Política e Resenha

Quem Ajoelhou Tem que Rezar

 

Os bastidores do poder e o pecado político de Geraldo Jr.

Por Padre Carlos

A política, sobretudo a política do PT, nunca foi um mosteiro de monges zen onde todos meditam em silêncio e se curvam respeitosamente uns diante dos outros. Quem imagina isso provavelmente acredita também em Papai Noel, coelhinho da Páscoa e na pureza angelical das alianças partidárias.

Dentro do PT — como em qualquer grande partido — há correntes, disputas, ambições e projetos de poder. E na Bahia, onde o partido governa há quase duas décadas, essas tensões são ainda mais sofisticadas.

Existe, por exemplo, uma disputa silenciosa — mas muito real — entre o PT paulista e o PT baiano pelo protagonismo dentro do governo federal. Afinal, não é pouca coisa ter na Casa Civil um ministro como Rui Costa, ex-governador da Bahia, homem de confiança do presidente e figura central na engrenagem administrativa de Brasília.

Mas as disputas não param por aí.

Há também o PT de Wagner e o PT de Rui. Correntes que nasceram na mesma trincheira, mas que ao longo dos anos foram desenvolvendo estilos, estratégias e campos de influência distintos. O senador Jaques Wagner é o grande arquiteto da hegemonia petista na Bahia, o estrategista paciente que construiu a base política que governa o estado desde 2007.

Já Rui Costa sempre foi visto como o administrador duro, o gestor técnico, o homem das planilhas e das decisões rápidas.

Entre esses dois polos se movimenta hoje o governador Jerônimo Rodrigues, ainda relativamente novo no tabuleiro do poder. Ele chegou ao cargo com a bênção dos dois padrinhos políticos, mas governa sabendo que cada gesto seu é observado como quem observa uma peça no xadrez.

É nesse universo de equilíbrios delicados que entra o vice-governador Geraldo Júnior.

E aí está o problema.

O maior pecado político de Geraldo Jr. talvez não tenha sido a mensagem enviada no WhatsApp. O verdadeiro pecado foi outro: não conhecer a liturgia do poder petista.

Na política, bastidores são mais importantes que discursos. Silêncios dizem mais que entrevistas. E um gesto mal calculado pode ecoar por semanas nos corredores do poder.

Segundo sua própria versão, tudo não passou de um “erro tecnológico”. Um deslize de alguém da “época analógica” que apertou o botão errado e enviou uma mensagem crítica ao ministro Rui Costa para um grupo de WhatsApp.

Pode ser.

Mas na política, erros tecnológicos muitas vezes revelam verdades políticas.

O problema é que Geraldo Jr. parece ter acreditado que estava em um ambiente onde todos são japoneses — discretos, silenciosos e disciplinados. Não percebeu que estava em um território onde cada movimento é observado, registrado e interpretado.

Na Bahia política, WhatsApp não é apenas aplicativo.

É arquivo histórico.

Quando a mensagem vazou, o constrangimento foi inevitável. E veio então o gesto clássico da política brasileira: o pedido público de desculpas.

Humilde, contrito, quase penitente.

Mas na política existe um velho provérbio que não costuma falhar:

Quem ajoelhou, tem que rezar.

Ou, como diz outro ditado ainda mais irônico:

Quem não sabe rezar, xinga a Deus.

Geraldo Jr. tentou explicar o episódio como um acidente digital, desses que acontecem quando se aperta o botão errado. Disse que estava cansado, que havia chegado de viagem às três da manhã, que pretendia mandar a mensagem para o filho e acabou enviando para um grupo.

Tudo muito humano.

O problema é que a política é o território onde os erros humanos ganham consequências institucionais.

Curiosamente, quem primeiro entrou em contato com ele foi o próprio Rui Costa. E quem ligou logo depois foi Jaques Wagner. Dois veteranos da política que conhecem como poucos o valor da estabilidade dentro de uma base aliada.

Isso indica algo importante: ninguém ali tem interesse em transformar o episódio em guerra aberta.

Mas também indica outra coisa: todos anotaram o episódio no caderno da memória política.

Na política baiana, memória é uma moeda poderosa.

Desculpas públicas ajudam a apagar incêndios, mas raramente apagam completamente as marcas da fumaça.

E Geraldo Jr., ao que parece, acaba de aprender uma das primeiras lições do poder:

Na política, o maior erro não é falar demais.
É falar no lugar errado.

Quem Ajoelhou Tem que Rezar

 

Os bastidores do poder e o pecado político de Geraldo Jr.

Por Padre Carlos

A política, sobretudo a política do PT, nunca foi um mosteiro de monges zen onde todos meditam em silêncio e se curvam respeitosamente uns diante dos outros. Quem imagina isso provavelmente acredita também em Papai Noel, coelhinho da Páscoa e na pureza angelical das alianças partidárias.

Dentro do PT — como em qualquer grande partido — há correntes, disputas, ambições e projetos de poder. E na Bahia, onde o partido governa há quase duas décadas, essas tensões são ainda mais sofisticadas.

Existe, por exemplo, uma disputa silenciosa — mas muito real — entre o PT paulista e o PT baiano pelo protagonismo dentro do governo federal. Afinal, não é pouca coisa ter na Casa Civil um ministro como Rui Costa, ex-governador da Bahia, homem de confiança do presidente e figura central na engrenagem administrativa de Brasília.

Mas as disputas não param por aí.

Há também o PT de Wagner e o PT de Rui. Correntes que nasceram na mesma trincheira, mas que ao longo dos anos foram desenvolvendo estilos, estratégias e campos de influência distintos. O senador Jaques Wagner é o grande arquiteto da hegemonia petista na Bahia, o estrategista paciente que construiu a base política que governa o estado desde 2007.

Já Rui Costa sempre foi visto como o administrador duro, o gestor técnico, o homem das planilhas e das decisões rápidas.

Entre esses dois polos se movimenta hoje o governador Jerônimo Rodrigues, ainda relativamente novo no tabuleiro do poder. Ele chegou ao cargo com a bênção dos dois padrinhos políticos, mas governa sabendo que cada gesto seu é observado como quem observa uma peça no xadrez.

É nesse universo de equilíbrios delicados que entra o vice-governador Geraldo Júnior.

E aí está o problema.

O maior pecado político de Geraldo Jr. talvez não tenha sido a mensagem enviada no WhatsApp. O verdadeiro pecado foi outro: não conhecer a liturgia do poder petista.

Na política, bastidores são mais importantes que discursos. Silêncios dizem mais que entrevistas. E um gesto mal calculado pode ecoar por semanas nos corredores do poder.

Segundo sua própria versão, tudo não passou de um “erro tecnológico”. Um deslize de alguém da “época analógica” que apertou o botão errado e enviou uma mensagem crítica ao ministro Rui Costa para um grupo de WhatsApp.

Pode ser.

Mas na política, erros tecnológicos muitas vezes revelam verdades políticas.

O problema é que Geraldo Jr. parece ter acreditado que estava em um ambiente onde todos são japoneses — discretos, silenciosos e disciplinados. Não percebeu que estava em um território onde cada movimento é observado, registrado e interpretado.

Na Bahia política, WhatsApp não é apenas aplicativo.

É arquivo histórico.

Quando a mensagem vazou, o constrangimento foi inevitável. E veio então o gesto clássico da política brasileira: o pedido público de desculpas.

Humilde, contrito, quase penitente.

Mas na política existe um velho provérbio que não costuma falhar:

Quem ajoelhou, tem que rezar.

Ou, como diz outro ditado ainda mais irônico:

Quem não sabe rezar, xinga a Deus.

Geraldo Jr. tentou explicar o episódio como um acidente digital, desses que acontecem quando se aperta o botão errado. Disse que estava cansado, que havia chegado de viagem às três da manhã, que pretendia mandar a mensagem para o filho e acabou enviando para um grupo.

Tudo muito humano.

O problema é que a política é o território onde os erros humanos ganham consequências institucionais.

Curiosamente, quem primeiro entrou em contato com ele foi o próprio Rui Costa. E quem ligou logo depois foi Jaques Wagner. Dois veteranos da política que conhecem como poucos o valor da estabilidade dentro de uma base aliada.

Isso indica algo importante: ninguém ali tem interesse em transformar o episódio em guerra aberta.

Mas também indica outra coisa: todos anotaram o episódio no caderno da memória política.

Na política baiana, memória é uma moeda poderosa.

Desculpas públicas ajudam a apagar incêndios, mas raramente apagam completamente as marcas da fumaça.

E Geraldo Jr., ao que parece, acaba de aprender uma das primeiras lições do poder:

Na política, o maior erro não é falar demais.
É falar no lugar errado.

Quinho Tigre no Tabuleiro do Poder: Movimento Tático ou Novo Projeto Político?

 

Na política baiana, quase nada acontece por acaso. Quando um site da capital começa a “coçar” para anunciar movimentos nos bastidores do poder, é porque alguma peça importante começou a se mover no tabuleiro. E, desta vez, a peça em questão atende pelo nome de Quinho Tigre.

Segundo informações divulgadas pelo portal Informe Baiano, o ex-prefeito de Belo Campo e ex-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) passou a circular com força nos bastidores como possível vice-governador na chapa de Jerônimo Rodrigues em 2026. A notícia não surge isolada: ela vem carregada de sinais, interesses e rearranjos que revelam muito mais do que uma simples escolha de nome.

Na política, às vezes um gesto vale mais do que um discurso inteiro. E quando um senador com a musculatura política de Rui Costa começa a movimentar peças, ninguém na base aliada finge que não viu.

Compensação ou estratégia?

A primeira pergunta que surge é inevitável: seria uma compensação ao senador Otto Alencar?
O PSD é uma força política estruturada na Bahia, e Otto nunca foi homem de jogar parado. Em muitas ocasiões, a engenharia política do grupo governista passa por manter o PSD confortável dentro do arranjo.

Colocar um nome do partido na vice poderia ser uma forma elegante de equilibrar o jogo.

Mas há uma segunda leitura, talvez mais interessante.

E se não for compensação?

E se for projeção de futuro?

Nesse cenário, o movimento poderia significar algo mais ousado: abrir espaço para que o Avante e aliados ampliem sua musculatura dentro da base governista, criando novas rotas de poder dentro do grupo político que domina a Bahia há quase duas décadas.

A política, afinal, não é um jogo de xadrez jogado apenas para vencer a próxima partida. Muitas vezes, trata-se de preparar o tabuleiro para as cinco partidas seguintes.

O fator Quinho Tigre

E aqui entra o elemento central dessa história: o próprio Quinho Tigre.

Ex-prefeito de Belo Campo, ex-presidente da UPB, articulador municipalista respeitado e com trânsito em diversas regiões da Bahia, Quinho construiu algo que em política vale ouro: rede de prefeitos, alianças municipais e capilaridade territorial.

Isso não se improvisa.

Prefeitos são, em muitos casos, os verdadeiros “cabos eleitorais estruturais” de uma campanha estadual. Eles conhecem o eleitor pelo nome, sabem onde o voto mora e, sobretudo, entendem como mobilizar uma eleição.

Se Quinho entra no jogo como vice, ele não entra apenas com um sobrenome político. Ele entra com uma engrenagem municipal inteira girando a seu favor.

E é aí que o salto político pode acontecer.

O que talvez fosse apenas uma candidatura regional pode se transformar em algo muito maior. A vice-governadoria, na política baiana, muitas vezes funciona como trampolim para voos futuros.

O silêncio de Ronaldo Carletto

Outro detalhe curioso dessa equação é o comportamento do presidente do Avante na Bahia, Ronaldo Carletto.

Segundo os bastidores, ele não demonstraria interesse na vice-governadoria. O objetivo seria outro: a suplência de Rui Costa no Senado.

Na política, suplência de senador não é prêmio de consolação — é investimento estratégico. Afinal, ninguém ignora que ministérios, licenças ou rearranjos políticos podem levar um suplente a assumir mandato.

Em outras palavras: cada peça está sendo posicionada com calma, como em uma partida de xadrez onde ninguém quer revelar o xeque antes da hora.

A queda de Geraldo Júnior

Enquanto algumas estrelas sobem, outras parecem perder brilho.

O atual vice-governador Geraldo Júnior, segundo relatos dos bastidores, estaria praticamente fora da chapa majoritária após a circulação de um ataque político contra Rui Costa.

Na política, certas coisas são imperdoáveis. E uma delas é ferir o ego de quem controla o tabuleiro.

Se o episódio realmente selou o destino de Geraldo Júnior na composição, ele terá aprendido da forma mais dura uma regra antiga da política brasileira:

Não se atira pedra na vidraça da casa onde se mora.

O que está realmente em jogo

O movimento envolvendo Quinho Tigre pode parecer pequeno para quem observa a política de longe. Mas para quem acompanha os bastidores do poder na Bahia, ele revela algo muito maior.

Não estamos apenas diante da escolha de um vice.

Estamos assistindo a reorganização silenciosa de forças dentro da base governista.

Se confirmado, o nome de Quinho pode representar:

  • fortalecimento do municipalismo no governo;

  • reacomodação de partidos da base;

  • preparação de novas lideranças para o futuro.

Ou, dito de forma mais simples:

o tabuleiro está sendo rearrumado.

E, como sempre acontece na política baiana, quando Rui Costa move uma peça, é porque a partida verdadeira já começou — mesmo que o público ainda esteja olhando apenas para o tabuleiro.

Quinho Tigre no Tabuleiro do Poder: Movimento Tático ou Novo Projeto Político?

 

Na política baiana, quase nada acontece por acaso. Quando um site da capital começa a “coçar” para anunciar movimentos nos bastidores do poder, é porque alguma peça importante começou a se mover no tabuleiro. E, desta vez, a peça em questão atende pelo nome de Quinho Tigre.

Segundo informações divulgadas pelo portal Informe Baiano, o ex-prefeito de Belo Campo e ex-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) passou a circular com força nos bastidores como possível vice-governador na chapa de Jerônimo Rodrigues em 2026. A notícia não surge isolada: ela vem carregada de sinais, interesses e rearranjos que revelam muito mais do que uma simples escolha de nome.

Na política, às vezes um gesto vale mais do que um discurso inteiro. E quando um senador com a musculatura política de Rui Costa começa a movimentar peças, ninguém na base aliada finge que não viu.

Compensação ou estratégia?

A primeira pergunta que surge é inevitável: seria uma compensação ao senador Otto Alencar?
O PSD é uma força política estruturada na Bahia, e Otto nunca foi homem de jogar parado. Em muitas ocasiões, a engenharia política do grupo governista passa por manter o PSD confortável dentro do arranjo.

Colocar um nome do partido na vice poderia ser uma forma elegante de equilibrar o jogo.

Mas há uma segunda leitura, talvez mais interessante.

E se não for compensação?

E se for projeção de futuro?

Nesse cenário, o movimento poderia significar algo mais ousado: abrir espaço para que o Avante e aliados ampliem sua musculatura dentro da base governista, criando novas rotas de poder dentro do grupo político que domina a Bahia há quase duas décadas.

A política, afinal, não é um jogo de xadrez jogado apenas para vencer a próxima partida. Muitas vezes, trata-se de preparar o tabuleiro para as cinco partidas seguintes.

O fator Quinho Tigre

E aqui entra o elemento central dessa história: o próprio Quinho Tigre.

Ex-prefeito de Belo Campo, ex-presidente da UPB, articulador municipalista respeitado e com trânsito em diversas regiões da Bahia, Quinho construiu algo que em política vale ouro: rede de prefeitos, alianças municipais e capilaridade territorial.

Isso não se improvisa.

Prefeitos são, em muitos casos, os verdadeiros “cabos eleitorais estruturais” de uma campanha estadual. Eles conhecem o eleitor pelo nome, sabem onde o voto mora e, sobretudo, entendem como mobilizar uma eleição.

Se Quinho entra no jogo como vice, ele não entra apenas com um sobrenome político. Ele entra com uma engrenagem municipal inteira girando a seu favor.

E é aí que o salto político pode acontecer.

O que talvez fosse apenas uma candidatura regional pode se transformar em algo muito maior. A vice-governadoria, na política baiana, muitas vezes funciona como trampolim para voos futuros.

O silêncio de Ronaldo Carletto

Outro detalhe curioso dessa equação é o comportamento do presidente do Avante na Bahia, Ronaldo Carletto.

Segundo os bastidores, ele não demonstraria interesse na vice-governadoria. O objetivo seria outro: a suplência de Rui Costa no Senado.

Na política, suplência de senador não é prêmio de consolação — é investimento estratégico. Afinal, ninguém ignora que ministérios, licenças ou rearranjos políticos podem levar um suplente a assumir mandato.

Em outras palavras: cada peça está sendo posicionada com calma, como em uma partida de xadrez onde ninguém quer revelar o xeque antes da hora.

A queda de Geraldo Júnior

Enquanto algumas estrelas sobem, outras parecem perder brilho.

O atual vice-governador Geraldo Júnior, segundo relatos dos bastidores, estaria praticamente fora da chapa majoritária após a circulação de um ataque político contra Rui Costa.

Na política, certas coisas são imperdoáveis. E uma delas é ferir o ego de quem controla o tabuleiro.

Se o episódio realmente selou o destino de Geraldo Júnior na composição, ele terá aprendido da forma mais dura uma regra antiga da política brasileira:

Não se atira pedra na vidraça da casa onde se mora.

O que está realmente em jogo

O movimento envolvendo Quinho Tigre pode parecer pequeno para quem observa a política de longe. Mas para quem acompanha os bastidores do poder na Bahia, ele revela algo muito maior.

Não estamos apenas diante da escolha de um vice.

Estamos assistindo a reorganização silenciosa de forças dentro da base governista.

Se confirmado, o nome de Quinho pode representar:

  • fortalecimento do municipalismo no governo;

  • reacomodação de partidos da base;

  • preparação de novas lideranças para o futuro.

Ou, dito de forma mais simples:

o tabuleiro está sendo rearrumado.

E, como sempre acontece na política baiana, quando Rui Costa move uma peça, é porque a partida verdadeira já começou — mesmo que o público ainda esteja olhando apenas para o tabuleiro.

A Nova Doença Nacional: “Conversei com Vorcaro”

 

Há momentos na vida pública brasileira em que o absurdo não apenas bate à porta — ele entra, senta no sofá, pede café e ainda exige manchete. O episódio mais recente envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, citado em mensagens privadas trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro e sua então noiva, Martha Graeff.

A revelação veio pela pena diligente do jornalista Tácio Lorran, em coluna publicada no portal Metrópoles. E pronto: temos o novo vírus político nacional.

Sim, senhoras e senhores: conversar com Vorcaro virou doença contagiosa.

Pelo padrão que alguns setores da imprensa e do submundo político parecem querer impor, o diagnóstico funciona assim:
— Falou com Vorcaro? Infectado.
— Encontrou Vorcaro? Condenado.
— Respira o mesmo ar que Vorcaro? Caso gravíssimo.

É a epidemiologia da malícia.

Vamos aos fatos, essa entidade que anda em falta em certos ambientes. Nas mensagens divulgadas, Vorcaro diz à noiva que iria encontrar Alexandre de Moraes “aqui perto de casa”. Dias depois, ao fazer uma videochamada, identifica um dos presentes como sendo o ministro.

Pronto. É isso.

Nenhum indício de irregularidade. Nenhuma evidência de favorecimento. Nenhum ato ilícito. Apenas a menção — numa conversa privada — de que duas pessoas adultas se encontraram.

Mas, no Brasil das narrativas delirantes, isso basta para alguns tentarem construir uma teoria conspiratória com a solidez intelectual de um castelo de cartas construído em dia de vendaval.

E aqui entra a pergunta inevitável: qual é exatamente o crime?

Ministros do Supremo são proibidos de encontrar pessoas? Estão em regime de clausura? Devem viver como monges cartuxos, em absoluto silêncio social, para não ferir a sensibilidade dos conspiracionistas de plantão?

Ora, façam-me o favor.

Se formos adotar esse critério, metade de Brasília terá de ser interditada pela vigilância sanitária da paranoia.

Porque a lógica implícita nesse tipo de “insinuação jornalística” é grotesca: basta um investigado mencionar o nome de alguém para que essa pessoa passe automaticamente a carregar uma suspeita.

Seguindo essa linha de raciocínio, se amanhã um estelionatário disser numa mensagem que tomou café olhando para o retrato de Rui Barbosa, alguém concluirá que o jurista participou do golpe.

É uma lógica que ofende o direito, a razão e até o senso de ridículo.

Mas há algo mais profundo aqui. Não se trata apenas de fofoca elevada à condição de manchete. Existe um esforço persistente de certos grupos — políticos, midiáticos e digitais — para tentar desgastar uma figura específica do Supremo Tribunal Federal.

E não é difícil entender por quê.

Alexandre de Moraes tornou-se um dos principais alvos daqueles que sonham com um país onde a lei seja opcional para quem grita mais alto. Desde os ataques golpistas ligados ao Ataques de 8 de janeiro de 2023 no Brasil, o ministro virou personagem central no enfrentamento de redes que apostam na desinformação como método político.

E quando não se consegue derrubar alguém pelos fatos, tenta-se criar sombras.

É o velho truque: não acuse diretamente — insinue.
Não prove — sugira.
Não demonstre — sopre a dúvida.

Assim nasce o jornalismo do cochicho.

A ironia é que o próprio material divulgado demonstra apenas uma banalidade da vida social: pessoas se encontram. Conversam. Visitam casas. Passam feriados.

É chocante, eu sei. Talvez seja preciso convocar uma CPI das conversas.

No fundo, o que certos setores parecem desejar é transformar qualquer interação humana em prova de conspiração. É a versão política do “meu primo me contou”.

Mas o Estado de Direito não funciona assim. Nem deveria.

Um ministro do Supremo não pode ser transformado em suspeito por aparecer no WhatsApp de alguém. Caso contrário, bastaria a qualquer investigado espalhar nomes ao vento para criar uma crise institucional em cadeia.

Seria o terrorismo da citação.

O Brasil precisa decidir se quer viver num país regido por provas ou por prints de conversas privadas interpretadas por comentaristas de ocasião.

Porque, se a regra passar a ser esta — “falou com Vorcaro, está condenado” —, convém preparar a quarentena institucional.

E talvez também um novo Ministério: o da Epidemiologia das Conversas.

Autor: Padre Carlos.

A Nova Doença Nacional: “Conversei com Vorcaro”

 

Há momentos na vida pública brasileira em que o absurdo não apenas bate à porta — ele entra, senta no sofá, pede café e ainda exige manchete. O episódio mais recente envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, citado em mensagens privadas trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro e sua então noiva, Martha Graeff.

A revelação veio pela pena diligente do jornalista Tácio Lorran, em coluna publicada no portal Metrópoles. E pronto: temos o novo vírus político nacional.

Sim, senhoras e senhores: conversar com Vorcaro virou doença contagiosa.

Pelo padrão que alguns setores da imprensa e do submundo político parecem querer impor, o diagnóstico funciona assim:
— Falou com Vorcaro? Infectado.
— Encontrou Vorcaro? Condenado.
— Respira o mesmo ar que Vorcaro? Caso gravíssimo.

É a epidemiologia da malícia.

Vamos aos fatos, essa entidade que anda em falta em certos ambientes. Nas mensagens divulgadas, Vorcaro diz à noiva que iria encontrar Alexandre de Moraes “aqui perto de casa”. Dias depois, ao fazer uma videochamada, identifica um dos presentes como sendo o ministro.

Pronto. É isso.

Nenhum indício de irregularidade. Nenhuma evidência de favorecimento. Nenhum ato ilícito. Apenas a menção — numa conversa privada — de que duas pessoas adultas se encontraram.

Mas, no Brasil das narrativas delirantes, isso basta para alguns tentarem construir uma teoria conspiratória com a solidez intelectual de um castelo de cartas construído em dia de vendaval.

E aqui entra a pergunta inevitável: qual é exatamente o crime?

Ministros do Supremo são proibidos de encontrar pessoas? Estão em regime de clausura? Devem viver como monges cartuxos, em absoluto silêncio social, para não ferir a sensibilidade dos conspiracionistas de plantão?

Ora, façam-me o favor.

Se formos adotar esse critério, metade de Brasília terá de ser interditada pela vigilância sanitária da paranoia.

Porque a lógica implícita nesse tipo de “insinuação jornalística” é grotesca: basta um investigado mencionar o nome de alguém para que essa pessoa passe automaticamente a carregar uma suspeita.

Seguindo essa linha de raciocínio, se amanhã um estelionatário disser numa mensagem que tomou café olhando para o retrato de Rui Barbosa, alguém concluirá que o jurista participou do golpe.

É uma lógica que ofende o direito, a razão e até o senso de ridículo.

Mas há algo mais profundo aqui. Não se trata apenas de fofoca elevada à condição de manchete. Existe um esforço persistente de certos grupos — políticos, midiáticos e digitais — para tentar desgastar uma figura específica do Supremo Tribunal Federal.

E não é difícil entender por quê.

Alexandre de Moraes tornou-se um dos principais alvos daqueles que sonham com um país onde a lei seja opcional para quem grita mais alto. Desde os ataques golpistas ligados ao Ataques de 8 de janeiro de 2023 no Brasil, o ministro virou personagem central no enfrentamento de redes que apostam na desinformação como método político.

E quando não se consegue derrubar alguém pelos fatos, tenta-se criar sombras.

É o velho truque: não acuse diretamente — insinue.
Não prove — sugira.
Não demonstre — sopre a dúvida.

Assim nasce o jornalismo do cochicho.

A ironia é que o próprio material divulgado demonstra apenas uma banalidade da vida social: pessoas se encontram. Conversam. Visitam casas. Passam feriados.

É chocante, eu sei. Talvez seja preciso convocar uma CPI das conversas.

No fundo, o que certos setores parecem desejar é transformar qualquer interação humana em prova de conspiração. É a versão política do “meu primo me contou”.

Mas o Estado de Direito não funciona assim. Nem deveria.

Um ministro do Supremo não pode ser transformado em suspeito por aparecer no WhatsApp de alguém. Caso contrário, bastaria a qualquer investigado espalhar nomes ao vento para criar uma crise institucional em cadeia.

Seria o terrorismo da citação.

O Brasil precisa decidir se quer viver num país regido por provas ou por prints de conversas privadas interpretadas por comentaristas de ocasião.

Porque, se a regra passar a ser esta — “falou com Vorcaro, está condenado” —, convém preparar a quarentena institucional.

E talvez também um novo Ministério: o da Epidemiologia das Conversas.

Autor: Padre Carlos.

BELO CAMPO E O NOVO PAC: QUANDO A SAÚDE PÚBLICA DEIXA DE SER PROMESSA E VIRA CONCRETO

 

Padre Carlos

 

Já passava das dez quando o celular vibrou no bolso de Quinho Tigre.
No escritório ainda aceso, em Salvador, ele permanecia curvado sobre papéis, projetos e planilhas — enquanto do lado de fora a chuva riscava o asfalto e os faróis dos carros atravessavam a noite como lampejos de incerteza.

Ele poderia já estar em casa. Poderia ter encerrado o dia. Mas quem carrega um projeto regional no peito não desliga a luz cedo.

Quinho olhou pela janela. Pensou nas comunidades de Belo Campo. Pensou nas mães que acordam antes do sol. Nos idosos que dependem de atendimento digno. Nas crianças que precisam de cuidado antes que a doença chegue. E, em silêncio, fez o que sempre faz quando o peso da responsabilidade aperta: pediu a Deus que protegesse o seu povo.

Foi então que a ligação entrou.

Do outro lado da linha, a voz firme do ministro Rui Costa trouxe a confirmação que mudaria o ritmo daquela noite: na próxima quarta-feira, dia 11, às 8h30 da manhã, estaria em Belo Campo para inaugurar uma grande obra.

Não qualquer obra.

A primeira Unidade Básica de Saúde Tipo 2 do novo PAC do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ser inaugurada em todo o Brasil.

Quinho permaneceu em silêncio por alguns segundos. Não era vaidade o que ele sentia. Era responsabilidade. Porque ele sabia que aquela ligação não celebrava apenas concreto e tijolo — celebrava dignidade, acesso à saúde pública, cuidado para quem mais precisa.

Naquela noite chuvosa, enquanto Salvador seguia seu curso apressado, uma cidade do interior da Bahia ganhava um novo capítulo de esperança. E Quinho Tigre, ainda no escritório, compreendeu que algumas ligações não tocam apenas o celular.

Elas tocam a história.

O que está em jogo

Estamos falando de 500 metros quadrados de área construída. Um investimento de R$ 2.480.000. Estrutura moderna. Inovação tecnológica. Eficiência ambiental. Mais conforto para a população. Melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde.

Mas, sobretudo, estamos falando de acesso. De prevenção. De dignidade.

O novo PAC, impulsionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem como eixo estratégico transformar recursos públicos em infraestrutura que impacte diretamente a vida das pessoas. Saúde pública não é gasto. É investimento social de alto retorno. Cada real aplicado em atenção básica reduz custos hospitalares futuros, diminui internações evitáveis e fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS).

Essa UBS Tipo 2 não é apenas uma construção física. É uma engrenagem dentro de um modelo de desenvolvimento que entende que cuidar das pessoas é a forma mais inteligente de governar.

O ponto de virada: quando o interior vira prioridade

Durante décadas, cidades pequenas aprenderam a esperar. Esperar o recurso. Esperar o convênio. Esperar o olhar do Estado.

Belo Campo, agora, não espera. Entrega.

E aqui está o ponto de virada dessa história: o Brasil começa a inverter a lógica da concentração. A primeira unidade do novo PAC não foi inaugurada em uma capital. Não foi em um grande centro urbano. Foi em um município do interior. Isso é simbólico. E política também se faz com símbolos.

É preciso reconhecer o empenho do prefeito Neto Fidelis e de sua equipe. Obras públicas não acontecem por acaso. Exigem projeto técnico, articulação institucional, capacidade de execução e responsabilidade fiscal. Exigem, sobretudo, compromisso.

Há quem trate inauguração como palanque. Eu prefiro tratá-la como prestação de contas.

A força do trabalho conjunto

Quando o ministro Rui Costa confirmou presença para a inauguração, o gesto carregou mais do que formalidade institucional. Carregou alinhamento. Governo Federal e gestão municipal trabalhando em cooperação.

Essa parceria entre o Ministério da Saúde, a Casa Civil e a administração local materializa um princípio fundamental do federalismo brasileiro: os entes federativos não competem entre si quando o objetivo é melhorar a vida do cidadão.

Competem apenas com o atraso.

E aqui está um dado importante para quem analisa política pública com seriedade: a atenção primária resolve até 80% das demandas de saúde quando estruturada adequadamente. Isso significa menos filas, menos sobrecarga hospitalar, mais prevenção, mais acompanhamento contínuo de gestantes, crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas.

Uma UBS eficiente salva vidas silenciosamente. Todos os dias.

Mais do que concreto: cuidado

Imagine uma mãe chegando com seu filho para vacinação. Um idoso acompanhando sua pressão arterial regularmente. Uma gestante realizando pré-natal com segurança. Um profissional de saúde trabalhando em ambiente adequado, com estrutura digna.

Isso é política pública de verdade. Isso é SUS fortalecido.

E é preciso dizer com clareza: quando o Governo Federal investe, quando o município executa com responsabilidade, quando a comunidade participa, quem ganha é a coletividade. Não é partido. Não é grupo. É gente.

Um convite que é também compromisso

A inauguração da nova UBS Tipo 2 de Belo Campo não é apenas um evento institucional. É um marco para a saúde pública no Brasil. É a demonstração de que o novo PAC começa a sair do papel e ocupar territórios concretos.

Por isso, o convite é mais do que protocolar. É cívico.

Prefeitos, vereadores, lideranças, profissionais de saúde, famílias: estejam presentes. Porque cada obra pública precisa ser testemunhada pela população que a sustenta com seus impostos.

A democracia se fortalece quando a sociedade acompanha, participa e fiscaliza.

O que ficará depois da cerimônia

As autoridades irão embora. Os discursos acabarão. As fotos serão arquivadas.

Mas a unidade permanecerá.

E permanecerá atendendo, prevenindo, acolhendo. Permanecerá como símbolo de uma cidade que não se resignou à escassez. Permanecerá como prova de que o interior também pode ser pioneiro.

Belo Campo não está apenas inaugurando uma UBS. Está afirmando um princípio: desenvolvimento se mede pela capacidade de cuidar das pessoas.

E quando a saúde pública deixa de ser promessa e vira concreto, o futuro começa a ser tratado no presente.

Que venham mais obras. Que venham mais investimentos. Que venham mais gestões comprometidas.

Porque, no fim das contas, uma cidade grande não é a que tem prédios altos.

É a que tem cuidado alto.

 

 

 

BELO CAMPO E O NOVO PAC: QUANDO A SAÚDE PÚBLICA DEIXA DE SER PROMESSA E VIRA CONCRETO

 

Padre Carlos

 

Já passava das dez quando o celular vibrou no bolso de Quinho Tigre.
No escritório ainda aceso, em Salvador, ele permanecia curvado sobre papéis, projetos e planilhas — enquanto do lado de fora a chuva riscava o asfalto e os faróis dos carros atravessavam a noite como lampejos de incerteza.

Ele poderia já estar em casa. Poderia ter encerrado o dia. Mas quem carrega um projeto regional no peito não desliga a luz cedo.

Quinho olhou pela janela. Pensou nas comunidades de Belo Campo. Pensou nas mães que acordam antes do sol. Nos idosos que dependem de atendimento digno. Nas crianças que precisam de cuidado antes que a doença chegue. E, em silêncio, fez o que sempre faz quando o peso da responsabilidade aperta: pediu a Deus que protegesse o seu povo.

Foi então que a ligação entrou.

Do outro lado da linha, a voz firme do ministro Rui Costa trouxe a confirmação que mudaria o ritmo daquela noite: na próxima quarta-feira, dia 11, às 8h30 da manhã, estaria em Belo Campo para inaugurar uma grande obra.

Não qualquer obra.

A primeira Unidade Básica de Saúde Tipo 2 do novo PAC do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ser inaugurada em todo o Brasil.

Quinho permaneceu em silêncio por alguns segundos. Não era vaidade o que ele sentia. Era responsabilidade. Porque ele sabia que aquela ligação não celebrava apenas concreto e tijolo — celebrava dignidade, acesso à saúde pública, cuidado para quem mais precisa.

Naquela noite chuvosa, enquanto Salvador seguia seu curso apressado, uma cidade do interior da Bahia ganhava um novo capítulo de esperança. E Quinho Tigre, ainda no escritório, compreendeu que algumas ligações não tocam apenas o celular.

Elas tocam a história.

O que está em jogo

Estamos falando de 500 metros quadrados de área construída. Um investimento de R$ 2.480.000. Estrutura moderna. Inovação tecnológica. Eficiência ambiental. Mais conforto para a população. Melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde.

Mas, sobretudo, estamos falando de acesso. De prevenção. De dignidade.

O novo PAC, impulsionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem como eixo estratégico transformar recursos públicos em infraestrutura que impacte diretamente a vida das pessoas. Saúde pública não é gasto. É investimento social de alto retorno. Cada real aplicado em atenção básica reduz custos hospitalares futuros, diminui internações evitáveis e fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS).

Essa UBS Tipo 2 não é apenas uma construção física. É uma engrenagem dentro de um modelo de desenvolvimento que entende que cuidar das pessoas é a forma mais inteligente de governar.

O ponto de virada: quando o interior vira prioridade

Durante décadas, cidades pequenas aprenderam a esperar. Esperar o recurso. Esperar o convênio. Esperar o olhar do Estado.

Belo Campo, agora, não espera. Entrega.

E aqui está o ponto de virada dessa história: o Brasil começa a inverter a lógica da concentração. A primeira unidade do novo PAC não foi inaugurada em uma capital. Não foi em um grande centro urbano. Foi em um município do interior. Isso é simbólico. E política também se faz com símbolos.

É preciso reconhecer o empenho do prefeito Neto Fidelis e de sua equipe. Obras públicas não acontecem por acaso. Exigem projeto técnico, articulação institucional, capacidade de execução e responsabilidade fiscal. Exigem, sobretudo, compromisso.

Há quem trate inauguração como palanque. Eu prefiro tratá-la como prestação de contas.

A força do trabalho conjunto

Quando o ministro Rui Costa confirmou presença para a inauguração, o gesto carregou mais do que formalidade institucional. Carregou alinhamento. Governo Federal e gestão municipal trabalhando em cooperação.

Essa parceria entre o Ministério da Saúde, a Casa Civil e a administração local materializa um princípio fundamental do federalismo brasileiro: os entes federativos não competem entre si quando o objetivo é melhorar a vida do cidadão.

Competem apenas com o atraso.

E aqui está um dado importante para quem analisa política pública com seriedade: a atenção primária resolve até 80% das demandas de saúde quando estruturada adequadamente. Isso significa menos filas, menos sobrecarga hospitalar, mais prevenção, mais acompanhamento contínuo de gestantes, crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas.

Uma UBS eficiente salva vidas silenciosamente. Todos os dias.

Mais do que concreto: cuidado

Imagine uma mãe chegando com seu filho para vacinação. Um idoso acompanhando sua pressão arterial regularmente. Uma gestante realizando pré-natal com segurança. Um profissional de saúde trabalhando em ambiente adequado, com estrutura digna.

Isso é política pública de verdade. Isso é SUS fortalecido.

E é preciso dizer com clareza: quando o Governo Federal investe, quando o município executa com responsabilidade, quando a comunidade participa, quem ganha é a coletividade. Não é partido. Não é grupo. É gente.

Um convite que é também compromisso

A inauguração da nova UBS Tipo 2 de Belo Campo não é apenas um evento institucional. É um marco para a saúde pública no Brasil. É a demonstração de que o novo PAC começa a sair do papel e ocupar territórios concretos.

Por isso, o convite é mais do que protocolar. É cívico.

Prefeitos, vereadores, lideranças, profissionais de saúde, famílias: estejam presentes. Porque cada obra pública precisa ser testemunhada pela população que a sustenta com seus impostos.

A democracia se fortalece quando a sociedade acompanha, participa e fiscaliza.

O que ficará depois da cerimônia

As autoridades irão embora. Os discursos acabarão. As fotos serão arquivadas.

Mas a unidade permanecerá.

E permanecerá atendendo, prevenindo, acolhendo. Permanecerá como símbolo de uma cidade que não se resignou à escassez. Permanecerá como prova de que o interior também pode ser pioneiro.

Belo Campo não está apenas inaugurando uma UBS. Está afirmando um princípio: desenvolvimento se mede pela capacidade de cuidar das pessoas.

E quando a saúde pública deixa de ser promessa e vira concreto, o futuro começa a ser tratado no presente.

Que venham mais obras. Que venham mais investimentos. Que venham mais gestões comprometidas.

Porque, no fim das contas, uma cidade grande não é a que tem prédios altos.

É a que tem cuidado alto.

 

 

 

Reler O Partido com Paredes de Vidro: Transparência ou Ilusão Óptica?

 

Há livros que explicam uma organização. Outros tentam justificá-la. E há ainda aqueles que procuram salvá-la da história.
Quando Álvaro Cunhal publicou O Partido com Paredes de Vidro, no verão de 1985, não escrevia apenas um ensaio sobre o funcionamento interno do Partido Comunista Português. Escrevia um gesto político. Um gesto de afirmação identitária num momento em que o mundo começava a tremer sob os pés do socialismo real.

A promessa era grandiosa: tornar o Partido transparente “como se as suas paredes fossem de vidro”. Tudo seria dito. Tudo seria explicado. Tudo seria iluminado pela razão. A metáfora da luz, herdada de Platão e consolidada no imaginário moderno — essa fé iluminista na racionalidade que dissipa as trevas — encontrava aqui a sua versão marxista-leninista. Como no refrão da Internacional, o sol haveria de brilhar para todos.

Mas o que significa, politicamente, uma organização totalmente transparente? E mais: é possível sê-lo?

1985: o ano da estabilização e da inquietação

O livro surge num ano decisivo. Portugal consolidava o seu regime liberal-parlamentar, preparando-se para o longo consulado de Aníbal Cavaco Silva. O país integrava-se na Comunidade Europeia. O horizonte deixava de ser revolucionário para se tornar estabilizador.

Internamente, o PCP conhecia um paradoxo: uma estrutura gigantesca — mais de 200 mil inscritos após o 25 de Abril — mas eleitoralmente incapaz de crescer. Pelo contrário, começava a definhar. A publicação do ensaio antecede uma quebra significativa de votos que não mais seria revertida.

Externamente, no mesmo 1985, Mikhail Gorbachev lançava a Perestroika e a Glasnost. A palavra “transparência” ganhava outro peso histórico. Já não era apenas metáfora de esclarecimento; tornava-se política de sobrevivência. E acabaria por ser o prólogo do colapso.

Reler O Partido com Paredes de Vidro à luz desse desfecho histórico é inevitável. Em 2002, num prefácio tardio, Cunhal reconheceria que o capitalismo não entrara na “agonia” prevista. O avanço revolucionário não fora irreversível. Mas reafirmaria, com notável inflexibilidade, o centralismo democrático como eixo identitário inegociável.

É aqui que o ensaio se torna mais interessante — e mais problemático.

Democracia sem voto?

Cunhal descreve um processo democrático interno intenso, participativo, envolvente. Mas relativiza o momento do voto. Se houver verdadeiro trabalho coletivo, diz ele, a votação torna-se desnecessária. A pluralidade seria ponto de partida, não de chegada. A discussão, bem conduzida, culminaria naturalmente na unanimidade.

Soa harmonioso. Mas é inquietante.

A democracia moderna não é apenas método de alcançar consenso; é também mecanismo de administrar o dissenso. O voto não é falha do processo — é reconhecimento de que a divergência é estrutural, não transitória. Ao desvalorizar o voto, substituindo-o pela expectativa de convergência racional, o modelo aproxima-se de uma visão ontologicamente pacificada da política.

Ora, a realidade social é conflituosa por natureza. Não porque falte tempo para discutir. Mas porque a pluralidade não é imperfeição a superar — é condição permanente.

Transparência e poder

A metáfora da luz é sedutora. Mas como alertou Michel Foucault em Vigiar e Punir, a visibilidade pode ser também armadilha. O panóptico é precisamente a máquina que organiza o poder pela exposição.

Quando Cunhal afirma a necessidade de conhecer os quadros “em todas as facetas do seu carácter”, mesmo impondo limites à intrusão na vida privada, abre-se uma tensão delicada: quem decide o que deve ser visível? Quem controla a fronteira entre transparência e vigilância?

A resposta de Cunhal é orgânica: o Partido não é máquina que domina os seus membros; são os membros que determinam o funcionamento da máquina. Cada peça é um ser humano com inteligência e vontade.

Mas a metáfora maquínica permanece. E com ela, a dúvida: pode um dispositivo organizacional escapar totalmente à lógica do poder que ele próprio estrutura?

Identidade como sobrevivência

Talvez o maior mérito — e simultaneamente a maior limitação — de O Partido com Paredes de Vidro esteja na sua função histórica: preservar identidade num mundo em transformação acelerada.

Quando a URSS colapsou, muitos partidos comunistas europeus dissolveram-se ou reinventaram-se radicalmente. O PCP optou por resistir. Preservar o leninismo como núcleo organizador foi, para Cunhal, o único caminho possível para evitar a diluição.

Mas preservar identidade não equivale necessariamente a preservar vitalidade.

Hoje, décadas depois, o PCP mantém uma estabilidade eleitoral modesta. As paredes talvez continuem de vidro. Mas o mundo ao redor mudou de tal modo que já não é a transparência que define o debate político — é a capacidade de dialogar com novas linguagens, novas causas, novas subjetividades.

Entre a luz e a sombra

Reler O Partido com Paredes de Vidro não é exercício de arqueologia ideológica. É reflexão sobre um dilema que permanece atual: como combinar unidade e pluralidade? Como conjugar disciplina organizativa com liberdade crítica? Como evitar que a transparência se transforme em mecanismo de controle?

A metáfora da luz continua poderosa. Mas talvez a maturidade democrática exija aceitar que nem toda sombra é treva, nem toda divergência é erro a corrigir.

A verdadeira transparência política não está na promessa de unanimidade futura, mas na coragem de reconhecer o dissenso como parte constitutiva da vida coletiva.

E talvez seja essa a releitura mais fecunda do ensaio de Cunhal: não a de um partido sem opacidade, mas a de uma organização capaz de conviver com a luz e com as sombras — sem medo de nenhuma delas.

Reler O Partido com Paredes de Vidro: Transparência ou Ilusão Óptica?

 

Há livros que explicam uma organização. Outros tentam justificá-la. E há ainda aqueles que procuram salvá-la da história.
Quando Álvaro Cunhal publicou O Partido com Paredes de Vidro, no verão de 1985, não escrevia apenas um ensaio sobre o funcionamento interno do Partido Comunista Português. Escrevia um gesto político. Um gesto de afirmação identitária num momento em que o mundo começava a tremer sob os pés do socialismo real.

A promessa era grandiosa: tornar o Partido transparente “como se as suas paredes fossem de vidro”. Tudo seria dito. Tudo seria explicado. Tudo seria iluminado pela razão. A metáfora da luz, herdada de Platão e consolidada no imaginário moderno — essa fé iluminista na racionalidade que dissipa as trevas — encontrava aqui a sua versão marxista-leninista. Como no refrão da Internacional, o sol haveria de brilhar para todos.

Mas o que significa, politicamente, uma organização totalmente transparente? E mais: é possível sê-lo?

1985: o ano da estabilização e da inquietação

O livro surge num ano decisivo. Portugal consolidava o seu regime liberal-parlamentar, preparando-se para o longo consulado de Aníbal Cavaco Silva. O país integrava-se na Comunidade Europeia. O horizonte deixava de ser revolucionário para se tornar estabilizador.

Internamente, o PCP conhecia um paradoxo: uma estrutura gigantesca — mais de 200 mil inscritos após o 25 de Abril — mas eleitoralmente incapaz de crescer. Pelo contrário, começava a definhar. A publicação do ensaio antecede uma quebra significativa de votos que não mais seria revertida.

Externamente, no mesmo 1985, Mikhail Gorbachev lançava a Perestroika e a Glasnost. A palavra “transparência” ganhava outro peso histórico. Já não era apenas metáfora de esclarecimento; tornava-se política de sobrevivência. E acabaria por ser o prólogo do colapso.

Reler O Partido com Paredes de Vidro à luz desse desfecho histórico é inevitável. Em 2002, num prefácio tardio, Cunhal reconheceria que o capitalismo não entrara na “agonia” prevista. O avanço revolucionário não fora irreversível. Mas reafirmaria, com notável inflexibilidade, o centralismo democrático como eixo identitário inegociável.

É aqui que o ensaio se torna mais interessante — e mais problemático.

Democracia sem voto?

Cunhal descreve um processo democrático interno intenso, participativo, envolvente. Mas relativiza o momento do voto. Se houver verdadeiro trabalho coletivo, diz ele, a votação torna-se desnecessária. A pluralidade seria ponto de partida, não de chegada. A discussão, bem conduzida, culminaria naturalmente na unanimidade.

Soa harmonioso. Mas é inquietante.

A democracia moderna não é apenas método de alcançar consenso; é também mecanismo de administrar o dissenso. O voto não é falha do processo — é reconhecimento de que a divergência é estrutural, não transitória. Ao desvalorizar o voto, substituindo-o pela expectativa de convergência racional, o modelo aproxima-se de uma visão ontologicamente pacificada da política.

Ora, a realidade social é conflituosa por natureza. Não porque falte tempo para discutir. Mas porque a pluralidade não é imperfeição a superar — é condição permanente.

Transparência e poder

A metáfora da luz é sedutora. Mas como alertou Michel Foucault em Vigiar e Punir, a visibilidade pode ser também armadilha. O panóptico é precisamente a máquina que organiza o poder pela exposição.

Quando Cunhal afirma a necessidade de conhecer os quadros “em todas as facetas do seu carácter”, mesmo impondo limites à intrusão na vida privada, abre-se uma tensão delicada: quem decide o que deve ser visível? Quem controla a fronteira entre transparência e vigilância?

A resposta de Cunhal é orgânica: o Partido não é máquina que domina os seus membros; são os membros que determinam o funcionamento da máquina. Cada peça é um ser humano com inteligência e vontade.

Mas a metáfora maquínica permanece. E com ela, a dúvida: pode um dispositivo organizacional escapar totalmente à lógica do poder que ele próprio estrutura?

Identidade como sobrevivência

Talvez o maior mérito — e simultaneamente a maior limitação — de O Partido com Paredes de Vidro esteja na sua função histórica: preservar identidade num mundo em transformação acelerada.

Quando a URSS colapsou, muitos partidos comunistas europeus dissolveram-se ou reinventaram-se radicalmente. O PCP optou por resistir. Preservar o leninismo como núcleo organizador foi, para Cunhal, o único caminho possível para evitar a diluição.

Mas preservar identidade não equivale necessariamente a preservar vitalidade.

Hoje, décadas depois, o PCP mantém uma estabilidade eleitoral modesta. As paredes talvez continuem de vidro. Mas o mundo ao redor mudou de tal modo que já não é a transparência que define o debate político — é a capacidade de dialogar com novas linguagens, novas causas, novas subjetividades.

Entre a luz e a sombra

Reler O Partido com Paredes de Vidro não é exercício de arqueologia ideológica. É reflexão sobre um dilema que permanece atual: como combinar unidade e pluralidade? Como conjugar disciplina organizativa com liberdade crítica? Como evitar que a transparência se transforme em mecanismo de controle?

A metáfora da luz continua poderosa. Mas talvez a maturidade democrática exija aceitar que nem toda sombra é treva, nem toda divergência é erro a corrigir.

A verdadeira transparência política não está na promessa de unanimidade futura, mas na coragem de reconhecer o dissenso como parte constitutiva da vida coletiva.

E talvez seja essa a releitura mais fecunda do ensaio de Cunhal: não a de um partido sem opacidade, mas a de uma organização capaz de conviver com a luz e com as sombras — sem medo de nenhuma delas.

Quando a Chuva Cai e a República se Levanta: Uma Lição de Unidade em Vitória da Conquista

 

 

Há momentos em que a política deixa de ser palco — e se torna ponte.

Quando a chuva cai forte sobre uma cidade, ela não escolhe ideologia. Não pergunta partido. Não respeita calendário eleitoral. A água simplesmente desce, invade ruas, testa a infraestrutura, expõe fragilidades e revela, sem filtros, o que foi feito — e o que ainda precisa ser feito.

Foi nesse cenário que a prefeita Sheila Lemos e o presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro, decidiram caminhar juntos pelos loteamentos afetados pelas fortes chuvas dos últimos dias. Não foi apenas uma visita institucional. Foi um gesto político carregado de simbolismo republicano.

E, permita-me sussurrar ao leitor: símbolos importam.

A política quando cumpre seu papel

Ao percorrerem áreas impactadas pelas chuvas — como os loteamentos Cidade Serrinha, Leblon e Conquista — a prefeita Sheila Lemos e o presidente da Câmara Ivan Cordeiro enviaram uma mensagem clara: os poderes públicos municipais estão alinhados para enfrentar a crise.

Em tempos de polarização permanente, essa imagem vale mais que discursos inflamados.

Ela disse, com sobriedade, que o município recebeu chuvas intensas nos últimos dias, afetando loteamentos que aguardam infraestrutura de drenagem e pavimentação. E acrescentou que, assim que aprovado o financiamento junto à Caixa Econômica Federal, os investimentos do programa Acelera Conquista 2026 chegarão a essas áreas.

Aqui está o ponto central: planejamento.

A política pública não pode ser apenas reação ao desastre. Precisa ser prevenção estruturada. Drenagem urbana, pavimentação adequada, obras de infraestrutura — esses termos técnicos não rendem manchetes sensacionalistas, mas salvam patrimônios, preservam dignidade e evitam sofrimento.

O ponto de virada: mais que visita, compromisso

Mas há algo que me chamou mais atenção.

Enquanto caminhavam, não estavam apenas inspecionando problemas. Estavam também mostrando bairros que já receberam melhorias, como Bateias II e Jardim Guanabara, onde, segundo relataram, tudo corre dentro da normalidade.

Esse é o ponto de virada da narrativa.

Não se trata apenas de prometer o que virá. Trata-se de apresentar o que já foi entregue.

A diferença entre retórica e responsabilidade está exatamente aí.

E aqui cabe uma reflexão serena: a governança municipal eficiente nasce da harmonia institucional. Executivo e Legislativo não são adversários naturais; são engrenagens de uma mesma máquina republicana. Quando funcionam em sintonia, quem ganha é a população.

Republicanismo não é discurso — é prática

A palavra “republicanismo” anda desgastada no Brasil. Tornou-se, muitas vezes, um jargão vazio.

Mas republicanismo verdadeiro é isso: prefeita e presidente da Câmara caminhando lado a lado em bairros afetados, ouvindo moradores, assumindo compromissos públicos e compartilhando responsabilidade.

Sem palanque.
Sem espetáculo.
Sem divisão.

Há uma pedagogia silenciosa nesse gesto. A cidade aprende pelo exemplo. Aprende que divergências políticas não podem paralisar soluções. Aprende que instituições maduras dialogam. Aprende que crise se enfrenta com presença, não com postagem.

E permita-me insistir: presença importa.

A cidade que resiste à chuva e à desunião

Vitória da Conquista conhece bem o desafio das chuvas intensas. Sabe o que é lama na porta, rua alagada, medo de perder o pouco que se tem. Cada morador desses loteamentos carrega histórias de esforço — gente que trabalhou anos para construir sua casa, tijolo por tijolo.

Quando a água invade, ela não atinge apenas o chão. Ela invade sonhos.

Por isso, políticas públicas de infraestrutura urbana, drenagem e pavimentação não são apenas obras físicas. São instrumentos de justiça social.

E aqui está a essência do debate: gestão municipal responsável não é espetáculo. É continuidade, planejamento, financiamento estruturado, parceria institucional.

O programa Acelera Conquista 2026, se aprovado o financiamento, representa exatamente essa aposta: investimento estruturante para reduzir vulnerabilidades históricas e organizar loteamentos que cresceram sem infraestrutura adequada.

Uma aula silenciosa

Sim, foi uma aula.

Não no sentido retórico, mas no sentido cívico.

Quando Executivo e Legislativo caminham juntos diante da adversidade climática, mostram à cidade que o interesse público está acima das disputas menores. Mostram maturidade política. Mostram que a política pode, sim, ser instrumento de construção.

E em tempos de descrença generalizada na classe política, isso não é pouco.

A chuva pode ter sido forte. Mas mais forte precisa ser a capacidade institucional de resposta.

Se essa sintonia continuar — com planejamento, responsabilidade fiscal e transparência — Vitória da Conquista não apenas enfrentará as chuvas. Ela crescerá mais organizada, mais estruturada, mais preparada.

Porque, no fim das contas, cidades não se constroem apenas com concreto e asfalto.

Constroem-se com responsabilidade compartilhada.

E quando a República funciona, até a chuva encontra uma cidade mais forte para resistir.

Quando a Chuva Cai e a República se Levanta: Uma Lição de Unidade em Vitória da Conquista

 

 

Há momentos em que a política deixa de ser palco — e se torna ponte.

Quando a chuva cai forte sobre uma cidade, ela não escolhe ideologia. Não pergunta partido. Não respeita calendário eleitoral. A água simplesmente desce, invade ruas, testa a infraestrutura, expõe fragilidades e revela, sem filtros, o que foi feito — e o que ainda precisa ser feito.

Foi nesse cenário que a prefeita Sheila Lemos e o presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro, decidiram caminhar juntos pelos loteamentos afetados pelas fortes chuvas dos últimos dias. Não foi apenas uma visita institucional. Foi um gesto político carregado de simbolismo republicano.

E, permita-me sussurrar ao leitor: símbolos importam.

A política quando cumpre seu papel

Ao percorrerem áreas impactadas pelas chuvas — como os loteamentos Cidade Serrinha, Leblon e Conquista — a prefeita Sheila Lemos e o presidente da Câmara Ivan Cordeiro enviaram uma mensagem clara: os poderes públicos municipais estão alinhados para enfrentar a crise.

Em tempos de polarização permanente, essa imagem vale mais que discursos inflamados.

Ela disse, com sobriedade, que o município recebeu chuvas intensas nos últimos dias, afetando loteamentos que aguardam infraestrutura de drenagem e pavimentação. E acrescentou que, assim que aprovado o financiamento junto à Caixa Econômica Federal, os investimentos do programa Acelera Conquista 2026 chegarão a essas áreas.

Aqui está o ponto central: planejamento.

A política pública não pode ser apenas reação ao desastre. Precisa ser prevenção estruturada. Drenagem urbana, pavimentação adequada, obras de infraestrutura — esses termos técnicos não rendem manchetes sensacionalistas, mas salvam patrimônios, preservam dignidade e evitam sofrimento.

O ponto de virada: mais que visita, compromisso

Mas há algo que me chamou mais atenção.

Enquanto caminhavam, não estavam apenas inspecionando problemas. Estavam também mostrando bairros que já receberam melhorias, como Bateias II e Jardim Guanabara, onde, segundo relataram, tudo corre dentro da normalidade.

Esse é o ponto de virada da narrativa.

Não se trata apenas de prometer o que virá. Trata-se de apresentar o que já foi entregue.

A diferença entre retórica e responsabilidade está exatamente aí.

E aqui cabe uma reflexão serena: a governança municipal eficiente nasce da harmonia institucional. Executivo e Legislativo não são adversários naturais; são engrenagens de uma mesma máquina republicana. Quando funcionam em sintonia, quem ganha é a população.

Republicanismo não é discurso — é prática

A palavra “republicanismo” anda desgastada no Brasil. Tornou-se, muitas vezes, um jargão vazio.

Mas republicanismo verdadeiro é isso: prefeita e presidente da Câmara caminhando lado a lado em bairros afetados, ouvindo moradores, assumindo compromissos públicos e compartilhando responsabilidade.

Sem palanque.
Sem espetáculo.
Sem divisão.

Há uma pedagogia silenciosa nesse gesto. A cidade aprende pelo exemplo. Aprende que divergências políticas não podem paralisar soluções. Aprende que instituições maduras dialogam. Aprende que crise se enfrenta com presença, não com postagem.

E permita-me insistir: presença importa.

A cidade que resiste à chuva e à desunião

Vitória da Conquista conhece bem o desafio das chuvas intensas. Sabe o que é lama na porta, rua alagada, medo de perder o pouco que se tem. Cada morador desses loteamentos carrega histórias de esforço — gente que trabalhou anos para construir sua casa, tijolo por tijolo.

Quando a água invade, ela não atinge apenas o chão. Ela invade sonhos.

Por isso, políticas públicas de infraestrutura urbana, drenagem e pavimentação não são apenas obras físicas. São instrumentos de justiça social.

E aqui está a essência do debate: gestão municipal responsável não é espetáculo. É continuidade, planejamento, financiamento estruturado, parceria institucional.

O programa Acelera Conquista 2026, se aprovado o financiamento, representa exatamente essa aposta: investimento estruturante para reduzir vulnerabilidades históricas e organizar loteamentos que cresceram sem infraestrutura adequada.

Uma aula silenciosa

Sim, foi uma aula.

Não no sentido retórico, mas no sentido cívico.

Quando Executivo e Legislativo caminham juntos diante da adversidade climática, mostram à cidade que o interesse público está acima das disputas menores. Mostram maturidade política. Mostram que a política pode, sim, ser instrumento de construção.

E em tempos de descrença generalizada na classe política, isso não é pouco.

A chuva pode ter sido forte. Mas mais forte precisa ser a capacidade institucional de resposta.

Se essa sintonia continuar — com planejamento, responsabilidade fiscal e transparência — Vitória da Conquista não apenas enfrentará as chuvas. Ela crescerá mais organizada, mais estruturada, mais preparada.

Porque, no fim das contas, cidades não se constroem apenas com concreto e asfalto.

Constroem-se com responsabilidade compartilhada.

E quando a República funciona, até a chuva encontra uma cidade mais forte para resistir.

Quando a Chuva Cai, o Coração Volta para Casa

 

Por Padre Carlos

Há dias em que o corpo está em um lugar…
mas o coração insiste em permanecer em outro.

Enquanto o trânsito pesado de Salvador engole as avenidas e os compromissos´do Deputado Fabrício Falção na Assembleia se acumulam na agenda, o pensamento de um deputado atravessa quilômetros. Ele não está apenas no asfalto quente da capital. Está nas ruas encharcadas de Vitória da Conquista, nas estradas castigadas de Poções, nas casas simples de Correntina, nos quintais inundados de Encruzilhada.

Porque quando a chuva cai forte sobre o sudoeste baiano, não é apenas água que desce do céu. É angústia. É preocupação. É responsabilidade.

A Bahia sob um dos maiores volumes de chuva dos últimos anos

A região enfrenta um dos maiores volumes de chuva dos últimos anos. Ruas alagadas. Comunidades isoladas. Famílias em alerta. A natureza impõe seu ritmo — e ele é implacável.

Mas em meio ao cenário cinzento, há também movimento político. E aqui é preciso reconhecer: mesmo estando fisicamente em Salvador, o deputado não se ausenta da sua gente.

Ele trabalha.

E trabalha com urgência.

Mandato é presença — mesmo à distância

“Nosso mandato é o mandato do povo.”
A frase pode soar comum na política brasileira. Mas, nestes dias, ela ganha peso concreto.

Do gabinete na capital, o deputado articula junto ao governador, mantém diálogo constante com a Defesa Civil, conversa com secretários de Estado e liga, pessoalmente, para cada prefeito da região atingida. Não é protocolo. É insistência. É cobrança. É acompanhamento.

Porque em momentos de crise, a política deixa de ser palanque e vira ponte.

A agenda em Salvador não é conforto. É trincheira.
É ali que se destravam recursos.
É ali que se pressionam secretarias.
É ali que se transformam pedidos em providências.

O trabalho institucional é silencioso. Não aparece na lama das ruas. Mas sem ele, a lama permanece por mais tempo.

O coração dividido

Imagine a cena.

O deputado dentro do carro oficial, parado no trânsito da capital. Buzinas ao fundo. O relógio avançando. Mas a mente está longe dali. Está na dona Maria que mora perto do córrego. Está no comerciante que teme perder o estoque. Está na mãe que protege os filhos enquanto a água sobe pelo quintal.

Ele sabe que sua presença física ali faria diferença simbólica. Sabe que abraçar o povo, olhar nos olhos, caminhar pelas áreas afetadas é parte essencial do mandato.

E por isso mesmo já articula o retorno.
Porque compromisso não é apenas discurso — é proximidade.

Política pública exige ação coordenada

Em situações como esta, nenhum mandato age sozinho. É preciso integração entre Estado e municípios. Defesa Civil mobilizada. Recursos emergenciais liberados. Máquinas nas ruas. Assistência social ativa. Planejamento para reconstrução.

O deputado cumpre seu papel institucional: articula, pressiona, acompanha. Mas também assume um compromisso moral: estar presente fisicamente o mais rápido possível.

Porque liderança verdadeira não se esconde atrás da distância geográfica. Ela transforma a distância em estratégia de ação — e depois retorna para junto do povo.

Fé, trabalho e responsabilidade

Ao dizer “que Deus abençoe todos vocês”, ele não terceiriza a solução aos céus. Ele soma fé ao esforço humano. Reconhece que a força espiritual sustenta — mas a solução concreta depende de gestão, recursos e trabalho.

E é isso que está sendo feito.

Com o governo do estado.
Com os secretários.
Com os prefeitos.
Com a Defesa Civil.

Trabalho constante.
Sem descanso.
Sem espetáculo.

Quando a chuva passar

A chuva vai cessar. Sempre cessa.

Mas o que ficará na memória das pessoas não será apenas o volume de água. Será quem esteve ao lado delas — mesmo quando estava longe.

Estar em Salvador hoje não significa ausência. Significa responsabilidade institucional. Significa buscar soluções na fonte das decisões.

E voltar. Voltar rápido. Voltar para perto. Voltar para caminhar nas ruas que a chuva castigou.

Porque mandato não é endereço fixo.

É compromisso permanente.

E quando a água sobe, o verdadeiro representante não foge — ele trabalha onde for necessário… e volta para casa assim que pode, para abraçar sua gente de perto.

Quando a Chuva Cai, o Coração Volta para Casa

 

Por Padre Carlos

Há dias em que o corpo está em um lugar…
mas o coração insiste em permanecer em outro.

Enquanto o trânsito pesado de Salvador engole as avenidas e os compromissos´do Deputado Fabrício Falção na Assembleia se acumulam na agenda, o pensamento de um deputado atravessa quilômetros. Ele não está apenas no asfalto quente da capital. Está nas ruas encharcadas de Vitória da Conquista, nas estradas castigadas de Poções, nas casas simples de Correntina, nos quintais inundados de Encruzilhada.

Porque quando a chuva cai forte sobre o sudoeste baiano, não é apenas água que desce do céu. É angústia. É preocupação. É responsabilidade.

A Bahia sob um dos maiores volumes de chuva dos últimos anos

A região enfrenta um dos maiores volumes de chuva dos últimos anos. Ruas alagadas. Comunidades isoladas. Famílias em alerta. A natureza impõe seu ritmo — e ele é implacável.

Mas em meio ao cenário cinzento, há também movimento político. E aqui é preciso reconhecer: mesmo estando fisicamente em Salvador, o deputado não se ausenta da sua gente.

Ele trabalha.

E trabalha com urgência.

Mandato é presença — mesmo à distância

“Nosso mandato é o mandato do povo.”
A frase pode soar comum na política brasileira. Mas, nestes dias, ela ganha peso concreto.

Do gabinete na capital, o deputado articula junto ao governador, mantém diálogo constante com a Defesa Civil, conversa com secretários de Estado e liga, pessoalmente, para cada prefeito da região atingida. Não é protocolo. É insistência. É cobrança. É acompanhamento.

Porque em momentos de crise, a política deixa de ser palanque e vira ponte.

A agenda em Salvador não é conforto. É trincheira.
É ali que se destravam recursos.
É ali que se pressionam secretarias.
É ali que se transformam pedidos em providências.

O trabalho institucional é silencioso. Não aparece na lama das ruas. Mas sem ele, a lama permanece por mais tempo.

O coração dividido

Imagine a cena.

O deputado dentro do carro oficial, parado no trânsito da capital. Buzinas ao fundo. O relógio avançando. Mas a mente está longe dali. Está na dona Maria que mora perto do córrego. Está no comerciante que teme perder o estoque. Está na mãe que protege os filhos enquanto a água sobe pelo quintal.

Ele sabe que sua presença física ali faria diferença simbólica. Sabe que abraçar o povo, olhar nos olhos, caminhar pelas áreas afetadas é parte essencial do mandato.

E por isso mesmo já articula o retorno.
Porque compromisso não é apenas discurso — é proximidade.

Política pública exige ação coordenada

Em situações como esta, nenhum mandato age sozinho. É preciso integração entre Estado e municípios. Defesa Civil mobilizada. Recursos emergenciais liberados. Máquinas nas ruas. Assistência social ativa. Planejamento para reconstrução.

O deputado cumpre seu papel institucional: articula, pressiona, acompanha. Mas também assume um compromisso moral: estar presente fisicamente o mais rápido possível.

Porque liderança verdadeira não se esconde atrás da distância geográfica. Ela transforma a distância em estratégia de ação — e depois retorna para junto do povo.

Fé, trabalho e responsabilidade

Ao dizer “que Deus abençoe todos vocês”, ele não terceiriza a solução aos céus. Ele soma fé ao esforço humano. Reconhece que a força espiritual sustenta — mas a solução concreta depende de gestão, recursos e trabalho.

E é isso que está sendo feito.

Com o governo do estado.
Com os secretários.
Com os prefeitos.
Com a Defesa Civil.

Trabalho constante.
Sem descanso.
Sem espetáculo.

Quando a chuva passar

A chuva vai cessar. Sempre cessa.

Mas o que ficará na memória das pessoas não será apenas o volume de água. Será quem esteve ao lado delas — mesmo quando estava longe.

Estar em Salvador hoje não significa ausência. Significa responsabilidade institucional. Significa buscar soluções na fonte das decisões.

E voltar. Voltar rápido. Voltar para perto. Voltar para caminhar nas ruas que a chuva castigou.

Porque mandato não é endereço fixo.

É compromisso permanente.

E quando a água sobe, o verdadeiro representante não foge — ele trabalha onde for necessário… e volta para casa assim que pode, para abraçar sua gente de perto.

Quando uma Matriarca se Vai: A História Silenciosa por Trás de um Nome que Mobilizou Conquista e Itambé

A cidade de Vitória da Conquista foi oficialmente informada, nesta semana, sobre o falecimento de Dona Lourdes Farias, aos 96 anos. A nota divulgada pelo Governo Municipal registrou o pesar da administração pública e destacou a trajetória familiar da matriarca, cujo nome está ligado a diferentes gerações e a figuras conhecidas da região.

Dona Lourdes era mãe de dez filhos, entre eles o ex-prefeito de Itambé, Moacir Andrade. Ao longo de sua vida, construiu uma família numerosa: 16 netos e 9 bisnetos. Entre os bisnetos está Lucas Batista, assessor especial da Prefeitura de Vitória da Conquista. Dona Lourdes também era sogra da ex-assessora Cléa Malta.

Aos 96 anos, sua história atravessou quase um século de transformações sociais, políticas e culturais no interior baiano. A nota oficial ressalta seu legado marcado por simplicidade, cuidado e vínculos afetivos — características frequentemente associadas à figura das matriarcas que sustentam, em silêncio, a base familiar.

O velório está sendo realizado na Avenida Presidente Vargas, nº 106, em Itambé. O sepultamento ocorrerá nesta quarta-feira (4), às 17h, no cemitério local.

Em manifestação pública, a prefeita Sheila Lemos, em nome de toda a equipe do Governo Municipal, expressou solidariedade aos familiares e amigos neste momento de luto.

Mais do que uma despedida formal, o comunicado evidencia o papel que determinadas figuras exercem dentro de suas comunidades: pessoas cuja influência não se mede por cargos ocupados, mas pela extensão dos laços que ajudaram a construir ao longo da vida.

A história de Dona Lourdes Farias insere-se nesse contexto — o de uma mulher que atravessou gerações e cuja memória agora passa a integrar o patrimônio afetivo de familiares e da comunidade que a conheceu.

(Maria Clara)

Quando uma Matriarca se Vai: A História Silenciosa por Trás de um Nome que Mobilizou Conquista e Itambé

A cidade de Vitória da Conquista foi oficialmente informada, nesta semana, sobre o falecimento de Dona Lourdes Farias, aos 96 anos. A nota divulgada pelo Governo Municipal registrou o pesar da administração pública e destacou a trajetória familiar da matriarca, cujo nome está ligado a diferentes gerações e a figuras conhecidas da região.

Dona Lourdes era mãe de dez filhos, entre eles o ex-prefeito de Itambé, Moacir Andrade. Ao longo de sua vida, construiu uma família numerosa: 16 netos e 9 bisnetos. Entre os bisnetos está Lucas Batista, assessor especial da Prefeitura de Vitória da Conquista. Dona Lourdes também era sogra da ex-assessora Cléa Malta.

Aos 96 anos, sua história atravessou quase um século de transformações sociais, políticas e culturais no interior baiano. A nota oficial ressalta seu legado marcado por simplicidade, cuidado e vínculos afetivos — características frequentemente associadas à figura das matriarcas que sustentam, em silêncio, a base familiar.

O velório está sendo realizado na Avenida Presidente Vargas, nº 106, em Itambé. O sepultamento ocorrerá nesta quarta-feira (4), às 17h, no cemitério local.

Em manifestação pública, a prefeita Sheila Lemos, em nome de toda a equipe do Governo Municipal, expressou solidariedade aos familiares e amigos neste momento de luto.

Mais do que uma despedida formal, o comunicado evidencia o papel que determinadas figuras exercem dentro de suas comunidades: pessoas cuja influência não se mede por cargos ocupados, mas pela extensão dos laços que ajudaram a construir ao longo da vida.

A história de Dona Lourdes Farias insere-se nesse contexto — o de uma mulher que atravessou gerações e cuja memória agora passa a integrar o patrimônio afetivo de familiares e da comunidade que a conheceu.

(Maria Clara)

O Banqueiro, o Sicário e o Espelho do Brasil

Por Padre Carlos

Há algo de profundamente rodrigueano nesta história.

Se Nelson Rodrigues estivesse vivo, talvez não precisasse inventar Palhares. Bastaria abrir o noticiário. A realidade brasileira, vez por outra, ultrapassa a ficção e se impõe com um enredo que mistura tragédia, cinismo e grotesco.

Daniel Vorcaro, preso por ordem do ministro André Mendonça, surge nesse palco como personagem que parece saído de um roteiro híbrido: metade crônica suburbana de Nelson, metade filme de Quentin Tarantino. Um vilão que conversa pelo WhatsApp sobre “quebrar todos os dentes” de um jornalista, “num assalto”, enquanto articula, segundo as investigações, uma rede que envolveria intimidação, manipulação e uso indevido de estruturas estatais.

Mas o escândalo não está apenas no indivíduo. Está no ambiente que permite que personagens assim floresçam.

As mensagens atribuídas ao banqueiro e ao policial aposentado Luiz Phillipi de Moraes Mourão — apelidado de “Sicário” — são mais que diálogos comprometedores. São retratos de uma mentalidade. Quando se fala em “colocar gente seguindo esse cara para pegar tudo dele” ou em “mandar dar um pau nele”, não se trata apenas de bravata de bastidor. Trata-se de uma cultura de poder que naturaliza a intimidação como método.

E o que mais choca não é apenas a suposta intenção de violência física contra um jornalista. É a ideia de instrumentalizar sistemas, simular ordens oficiais, derrubar perfis e publicações críticas. Se confirmado, não é apenas abuso de poder privado. É corrosão institucional.

O Brasil vive um momento em que a linha entre o público e o privado, entre a força da lei e a força da influência, tornou-se perigosamente turva.

A República sob Suspeita

Vivemos numa espécie de “cães de aluguel” institucional. Uma roda de personagens armados — metaforicamente ou não — apontando suas armas uns para os outros. Banqueiros, políticos, agentes públicos, influenciadores, jornalistas. Todos sob desconfiança. Todos vulneráveis.

Quando um banqueiro conversa com um ex-policial sobre intimidar um jornalista, não estamos diante apenas de um conflito pessoal. Estamos diante de uma ameaça ao princípio mais elementar de uma democracia: o direito à crítica.

Não importa se o jornalista “bate cartão todo domingo”. Não importa se é incômodo, insistente ou duro nas palavras. Democracia não é um condomínio de elogios. É o espaço do dissenso.

E se há indícios de acesso indevido a sistemas restritos, de simulação de ordens para plataformas digitais, estamos diante de algo ainda mais grave: a captura tecnológica do debate público. Não se trata apenas de silenciar uma voz. Trata-se de fabricar silêncio.

O Vilão Não é Só o Homem

É fácil transformar Daniel Vorcaro em caricatura. O banqueiro com uísque e charuto, dando ordens no conforto do poder financeiro. Mas isso seria confortável demais. O problema não é apenas o indivíduo — é a engrenagem.

Quantas vezes o Brasil já viu figuras poderosas usarem influência para calar críticos? Quantas vezes vimos o dinheiro tentar comprar reputações ou destruí-las?

O que muda, agora, é a sofisticação: WhatsApp, sistemas digitais, plataformas, supostas conexões internacionais. O velho coronelismo ganhou wi-fi.

E aqui reside a pergunta incômoda: estamos escandalizados porque foi descoberto ou porque sempre soubemos que funciona assim?

O Jornalista e os Dentes

Há algo simbolicamente brutal na frase atribuída: “quebrar todos os dentes dele”.

Dentes servem para morder, mastigar, falar com firmeza. Quebrar dentes é calar pela dor. É impedir a fala pela violência.

Quando alguém poderoso deseja quebrar os dentes de um jornalista, deseja quebrar a palavra. E quando se deseja quebrar a palavra, deseja-se quebrar a democracia.

Não importa o nome do jornalista. Importa o princípio.

A Hora da Lei

A prisão, determinada por ministro da Suprema Corte, coloca a história em outro patamar. Agora não é apenas narrativa de bastidor. É matéria de Estado. É teste institucional.

Se houver provas robustas, que a lei avance. Se houver exageros, que o devido processo esclareça. O que não pode haver é seletividade moral.

O Brasil está cansado de heróis e vilões de ocasião. Precisamos de instituições que funcionem — contra banqueiros, contra políticos, contra qualquer um que ultrapasse a linha.

O Espelho Incômodo

No fundo, Daniel Vorcaro é menos um personagem isolado e mais um espelho.

Ele revela o Brasil que naturaliza o privilégio. O Brasil que acredita que poder compra silêncio. O Brasil que acha que crítica se resolve “num assalto”. O Brasil que confunde influência com impunidade.

Se quisermos romper esse ciclo, não basta celebrar prisões. É preciso transformar a cultura que produz esses enredos.

Nelson Rodrigues dizia que o brasileiro tem vocação para o escândalo, mas dificuldade com a virtude cotidiana.

Talvez esteja na hora de escolhermos qual papel queremos desempenhar nessa peça.

Porque, no fim das contas, o maior vilão não é o banqueiro preso.
É o sistema que permite que ele acredite que poderia nunca ser.

O Banqueiro, o Sicário e o Espelho do Brasil

Por Padre Carlos

Há algo de profundamente rodrigueano nesta história.

Se Nelson Rodrigues estivesse vivo, talvez não precisasse inventar Palhares. Bastaria abrir o noticiário. A realidade brasileira, vez por outra, ultrapassa a ficção e se impõe com um enredo que mistura tragédia, cinismo e grotesco.

Daniel Vorcaro, preso por ordem do ministro André Mendonça, surge nesse palco como personagem que parece saído de um roteiro híbrido: metade crônica suburbana de Nelson, metade filme de Quentin Tarantino. Um vilão que conversa pelo WhatsApp sobre “quebrar todos os dentes” de um jornalista, “num assalto”, enquanto articula, segundo as investigações, uma rede que envolveria intimidação, manipulação e uso indevido de estruturas estatais.

Mas o escândalo não está apenas no indivíduo. Está no ambiente que permite que personagens assim floresçam.

As mensagens atribuídas ao banqueiro e ao policial aposentado Luiz Phillipi de Moraes Mourão — apelidado de “Sicário” — são mais que diálogos comprometedores. São retratos de uma mentalidade. Quando se fala em “colocar gente seguindo esse cara para pegar tudo dele” ou em “mandar dar um pau nele”, não se trata apenas de bravata de bastidor. Trata-se de uma cultura de poder que naturaliza a intimidação como método.

E o que mais choca não é apenas a suposta intenção de violência física contra um jornalista. É a ideia de instrumentalizar sistemas, simular ordens oficiais, derrubar perfis e publicações críticas. Se confirmado, não é apenas abuso de poder privado. É corrosão institucional.

O Brasil vive um momento em que a linha entre o público e o privado, entre a força da lei e a força da influência, tornou-se perigosamente turva.

A República sob Suspeita

Vivemos numa espécie de “cães de aluguel” institucional. Uma roda de personagens armados — metaforicamente ou não — apontando suas armas uns para os outros. Banqueiros, políticos, agentes públicos, influenciadores, jornalistas. Todos sob desconfiança. Todos vulneráveis.

Quando um banqueiro conversa com um ex-policial sobre intimidar um jornalista, não estamos diante apenas de um conflito pessoal. Estamos diante de uma ameaça ao princípio mais elementar de uma democracia: o direito à crítica.

Não importa se o jornalista “bate cartão todo domingo”. Não importa se é incômodo, insistente ou duro nas palavras. Democracia não é um condomínio de elogios. É o espaço do dissenso.

E se há indícios de acesso indevido a sistemas restritos, de simulação de ordens para plataformas digitais, estamos diante de algo ainda mais grave: a captura tecnológica do debate público. Não se trata apenas de silenciar uma voz. Trata-se de fabricar silêncio.

O Vilão Não é Só o Homem

É fácil transformar Daniel Vorcaro em caricatura. O banqueiro com uísque e charuto, dando ordens no conforto do poder financeiro. Mas isso seria confortável demais. O problema não é apenas o indivíduo — é a engrenagem.

Quantas vezes o Brasil já viu figuras poderosas usarem influência para calar críticos? Quantas vezes vimos o dinheiro tentar comprar reputações ou destruí-las?

O que muda, agora, é a sofisticação: WhatsApp, sistemas digitais, plataformas, supostas conexões internacionais. O velho coronelismo ganhou wi-fi.

E aqui reside a pergunta incômoda: estamos escandalizados porque foi descoberto ou porque sempre soubemos que funciona assim?

O Jornalista e os Dentes

Há algo simbolicamente brutal na frase atribuída: “quebrar todos os dentes dele”.

Dentes servem para morder, mastigar, falar com firmeza. Quebrar dentes é calar pela dor. É impedir a fala pela violência.

Quando alguém poderoso deseja quebrar os dentes de um jornalista, deseja quebrar a palavra. E quando se deseja quebrar a palavra, deseja-se quebrar a democracia.

Não importa o nome do jornalista. Importa o princípio.

A Hora da Lei

A prisão, determinada por ministro da Suprema Corte, coloca a história em outro patamar. Agora não é apenas narrativa de bastidor. É matéria de Estado. É teste institucional.

Se houver provas robustas, que a lei avance. Se houver exageros, que o devido processo esclareça. O que não pode haver é seletividade moral.

O Brasil está cansado de heróis e vilões de ocasião. Precisamos de instituições que funcionem — contra banqueiros, contra políticos, contra qualquer um que ultrapasse a linha.

O Espelho Incômodo

No fundo, Daniel Vorcaro é menos um personagem isolado e mais um espelho.

Ele revela o Brasil que naturaliza o privilégio. O Brasil que acredita que poder compra silêncio. O Brasil que acha que crítica se resolve “num assalto”. O Brasil que confunde influência com impunidade.

Se quisermos romper esse ciclo, não basta celebrar prisões. É preciso transformar a cultura que produz esses enredos.

Nelson Rodrigues dizia que o brasileiro tem vocação para o escândalo, mas dificuldade com a virtude cotidiana.

Talvez esteja na hora de escolhermos qual papel queremos desempenhar nessa peça.

Porque, no fim das contas, o maior vilão não é o banqueiro preso.
É o sistema que permite que ele acredite que poderia nunca ser.

Um Marco que Pode Redefinir a Política Habitacional de Conquista: O Que Está Por Trás do Primeiro Programa 100% Municipal?

Vitória da Conquista se prepara para um anúncio que promete inaugurar uma nova etapa na política pública de moradia do município. Nesta quinta-feira (5), às 15h, será lançado oficialmente o primeiro programa habitacional 100% financiado com recursos municipais, iniciativa apresentada pela prefeita Sheila Lemos.

O evento ocorrerá no Planetário Everardo Públio de Castro, espaço localizado no Centro Cultural Glauber Rocha. A escolha do local reforça o caráter institucional e simbólico do lançamento, considerado pela administração municipal um marco histórico para a cidade.

Um programa com identidade municipal

A proposta se diferencia por ser integralmente custeada pelo orçamento do próprio município, sem dependência direta de programas federais ou estaduais. Trata-se de uma iniciativa que busca ampliar a autonomia local na formulação e execução de políticas habitacionais.

De acordo com as informações divulgadas, o programa contemplará famílias em situação de vulnerabilidade social e econômica, especialmente aquelas que não possuem casa própria e enfrentam condições de moradia consideradas precárias ou de risco.

Infraestrutura completa como diretriz

Um dos pontos centrais do anúncio é a entrega das unidades habitacionais com infraestrutura completa. Isso significa que, além das moradias, o projeto prevê a implantação de serviços essenciais, como:

  • Pavimentação
  • Rede de água e esgoto
  • Energia elétrica
  • Acesso viário adequado

A proposta segue uma tendência contemporânea das políticas urbanas, que compreendem a habitação não apenas como construção de casas, mas como parte de um conjunto estruturado de garantias urbanísticas.

Continuidade de uma política habitacional mais ampla

O lançamento também dialoga com ações já em curso na cidade, como o programa de regularização fundiária urbana Morar Legal. Enquanto a regularização busca assegurar segurança jurídica para famílias que já ocupam imóveis, o novo programa amplia o foco para a construção de novas unidades habitacionais.

Nesse contexto, a moradia é tratada como direito fundamental e instrumento de transformação social — princípio previsto na Constituição Federal e frequentemente destacado em políticas públicas voltadas à inclusão social.

Expectativa e impacto

A criação de um programa habitacional 100% municipal pode representar um novo modelo de atuação para cidades de porte médio no interior do país, especialmente em um cenário em que a demanda por moradia digna continua sendo um dos principais desafios urbanos.

O lançamento oficial deverá detalhar critérios de seleção, número de unidades, cronograma de execução e áreas contempladas, informações aguardadas com expectativa por parte da população.

Se confirmado o escopo anunciado, o programa poderá se consolidar como um divisor de águas na história administrativa de Vitória da Conquista, ampliando o alcance das políticas sociais e reforçando o papel do município na promoção do direito à moradia.

(Maria Clara)

Um Marco que Pode Redefinir a Política Habitacional de Conquista: O Que Está Por Trás do Primeiro Programa 100% Municipal?

Vitória da Conquista se prepara para um anúncio que promete inaugurar uma nova etapa na política pública de moradia do município. Nesta quinta-feira (5), às 15h, será lançado oficialmente o primeiro programa habitacional 100% financiado com recursos municipais, iniciativa apresentada pela prefeita Sheila Lemos.

O evento ocorrerá no Planetário Everardo Públio de Castro, espaço localizado no Centro Cultural Glauber Rocha. A escolha do local reforça o caráter institucional e simbólico do lançamento, considerado pela administração municipal um marco histórico para a cidade.

Um programa com identidade municipal

A proposta se diferencia por ser integralmente custeada pelo orçamento do próprio município, sem dependência direta de programas federais ou estaduais. Trata-se de uma iniciativa que busca ampliar a autonomia local na formulação e execução de políticas habitacionais.

De acordo com as informações divulgadas, o programa contemplará famílias em situação de vulnerabilidade social e econômica, especialmente aquelas que não possuem casa própria e enfrentam condições de moradia consideradas precárias ou de risco.

Infraestrutura completa como diretriz

Um dos pontos centrais do anúncio é a entrega das unidades habitacionais com infraestrutura completa. Isso significa que, além das moradias, o projeto prevê a implantação de serviços essenciais, como:

  • Pavimentação
  • Rede de água e esgoto
  • Energia elétrica
  • Acesso viário adequado

A proposta segue uma tendência contemporânea das políticas urbanas, que compreendem a habitação não apenas como construção de casas, mas como parte de um conjunto estruturado de garantias urbanísticas.

Continuidade de uma política habitacional mais ampla

O lançamento também dialoga com ações já em curso na cidade, como o programa de regularização fundiária urbana Morar Legal. Enquanto a regularização busca assegurar segurança jurídica para famílias que já ocupam imóveis, o novo programa amplia o foco para a construção de novas unidades habitacionais.

Nesse contexto, a moradia é tratada como direito fundamental e instrumento de transformação social — princípio previsto na Constituição Federal e frequentemente destacado em políticas públicas voltadas à inclusão social.

Expectativa e impacto

A criação de um programa habitacional 100% municipal pode representar um novo modelo de atuação para cidades de porte médio no interior do país, especialmente em um cenário em que a demanda por moradia digna continua sendo um dos principais desafios urbanos.

O lançamento oficial deverá detalhar critérios de seleção, número de unidades, cronograma de execução e áreas contempladas, informações aguardadas com expectativa por parte da população.

Se confirmado o escopo anunciado, o programa poderá se consolidar como um divisor de águas na história administrativa de Vitória da Conquista, ampliando o alcance das políticas sociais e reforçando o papel do município na promoção do direito à moradia.

(Maria Clara)