Política e Resenha

Oração de Quinta-Feira


Senhor da Vida e do Tempo,
nesta quinta-feira que desperta sob Teu olhar, coloco diante de Ti o meu coração ainda em construção. Antes que o mundo me cobre respostas, eu me recolho em Tua presença e entrego cada passo que darei, cada decisão que precisarei tomar e cada palavra que sairá da minha boca.
Ilumina meus caminhos com Tua luz serena. Que eu não caminhe guiado apenas pela urgência das horas, mas pela consciência do propósito. Afasta de mim a pressa sem sentido, a ansiedade que sufoca a alma e o medo que paralisa. Em seu lugar, derrama paz, equilíbrio emocional e confiança profunda em Teu cuidado.
Que nesta quinta-feira eu seja instrumento de bondade. Que minhas atitudes reflitam amor, respeito e maturidade espiritual. Que eu saiba ouvir mais do que falar, compreender antes de julgar e agir com justiça mesmo quando ninguém estiver olhando. Dá-me sabedoria para escolher sempre o bem, ainda que o caminho mais fácil me seduza.
Se surgirem obstáculos, que eu os veja como oportunidades de crescimento. Se vierem dificuldades, que elas fortaleçam minha fé. Se houver desafios inesperados, que eu os enfrente com coragem e esperança renovadas. Ensina-me a transformar problemas em aprendizado e quedas em recomeços.
Que minha casa seja abençoada, meu trabalho seja produtivo, minha mente esteja clara e meu coração permaneça leve. Que eu leve paz por onde passar e que, ao final deste dia, eu possa agradecer pelas pequenas e grandes vitórias concedidas por Tua graça.
Senhor, segura minha mão nesta quinta-feira. Conduz-me com firmeza e amor. E que tudo o que eu fizer seja para a Tua honra e para o bem daqueles que cruzarem meu caminho.
Amém. 🙏

Oração de Quinta-Feira


Senhor da Vida e do Tempo,
nesta quinta-feira que desperta sob Teu olhar, coloco diante de Ti o meu coração ainda em construção. Antes que o mundo me cobre respostas, eu me recolho em Tua presença e entrego cada passo que darei, cada decisão que precisarei tomar e cada palavra que sairá da minha boca.
Ilumina meus caminhos com Tua luz serena. Que eu não caminhe guiado apenas pela urgência das horas, mas pela consciência do propósito. Afasta de mim a pressa sem sentido, a ansiedade que sufoca a alma e o medo que paralisa. Em seu lugar, derrama paz, equilíbrio emocional e confiança profunda em Teu cuidado.
Que nesta quinta-feira eu seja instrumento de bondade. Que minhas atitudes reflitam amor, respeito e maturidade espiritual. Que eu saiba ouvir mais do que falar, compreender antes de julgar e agir com justiça mesmo quando ninguém estiver olhando. Dá-me sabedoria para escolher sempre o bem, ainda que o caminho mais fácil me seduza.
Se surgirem obstáculos, que eu os veja como oportunidades de crescimento. Se vierem dificuldades, que elas fortaleçam minha fé. Se houver desafios inesperados, que eu os enfrente com coragem e esperança renovadas. Ensina-me a transformar problemas em aprendizado e quedas em recomeços.
Que minha casa seja abençoada, meu trabalho seja produtivo, minha mente esteja clara e meu coração permaneça leve. Que eu leve paz por onde passar e que, ao final deste dia, eu possa agradecer pelas pequenas e grandes vitórias concedidas por Tua graça.
Senhor, segura minha mão nesta quinta-feira. Conduz-me com firmeza e amor. E que tudo o que eu fizer seja para a Tua honra e para o bem daqueles que cruzarem meu caminho.
Amém. 🙏

ARTIGO – A Mulher de César, o Banco Master e as Ilações Muito Convenientes

 

Padre Carlos

 

Há momentos na República em que a ironia se escreve sozinha. Basta reunir os fatos, colocá-los sobre a mesa e observar o espetáculo. O caso Banco Master, liquidado pelo Banco Central, ganhou novos capítulos quando a Polícia Federal teria solicitado a suspeição do ministro Dias Toffoli no inquérito que apura as fraudes envolvendo a instituição financeira. Motivo? Conversas encontradas em celulares periciados, menções a pagamentos e mensagens que, segundo divulgado, teriam sido apagadas — mas recuperadas.

E então vem a nota oficial. Elegante, técnica, jurídica. A Polícia Federal não teria legitimidade para pedir a suspeição. Seriam “ilações”. O artigo 145 do Código de Processo Civil é invocado como escudo. Tudo muito formal. Tudo muito correto.

Mas a República não vive apenas de formalidades. Vive de confiança pública.

E é aqui que a história encontra Roma.

Dizia-se que a mulher de César não precisava apenas ser honesta; precisava parecer honesta. Não bastava a virtude privada — era necessário o brilho público da integridade incontestável. Porque, quando se ocupa o topo da pirâmide institucional, a suspeita é tão corrosiva quanto a culpa.

No caso Master, o que se discute não é uma sentença. Não há condenação. Há investigação. Há mensagens mencionando pagamentos. Há relatos de conversas entre um investigado e um ministro da Suprema Corte. Há pedidos de suspeição. Há uma negativa formal baseada na letra fria da lei.

Tudo isso pode, juridicamente, ser discutível. Mas politicamente — e moralmente — é devastador.

O cidadão comum, aquele que paga imposto, enfrenta fila no SUS e assiste aos noticiários perplexo, não lê o artigo 145 do CPC antes do café da manhã. Ele lê manchetes: “mensagens”, “pagamentos”, “suspeição”, “ministro relator”. E pergunta, com razão desconfortável: isso parece adequado?

A nota fala em “ilações”. Palavra elegante para designar conjecturas. Mas ilações costumam nascer de fatos concretos, ainda que mal explicados. Se não há nada, por que tanto ruído? Se tudo é transparente, por que a névoa?

O problema não é apenas jurídico. É simbólico. O Supremo Tribunal Federal não é uma repartição qualquer. É o vértice do sistema. É o guardião da Constituição. Quando um de seus membros aparece citado em mensagens recuperadas de um celular apagado, o dano institucional já está feito — ainda que, ao final, tudo se esclareça.

Vivemos um tempo em que a credibilidade das instituições é frágil. A confiança pública no Judiciário, no Congresso, no Executivo, oscila como gráfico de bolsa em dia de crise. Nesse cenário, a prudência deveria ser virtude cardinal.

A pergunta que ecoa não é se há legitimidade processual para a PF pedir suspeição. A pergunta é: há conveniência ética em permanecer? Há prudência institucional em insistir? Há sabedoria republicana em ignorar o princípio da aparência?

A mulher de César não se defendia com artigos de lei. Ela se afastava da sombra.

Porque, no topo da República, não basta ser honesto. É preciso que não reste sequer a possibilidade de dúvida razoável.

O caso Master pode, no fim, revelar apenas ruído. Pode confirmar irregularidades graves. Pode não confirmar nada. Mas uma coisa já confirmou: o Brasil continua prisioneiro da desconfiança.

E quando a desconfiança se instala na Suprema Corte, não é apenas um ministro que está sob suspeita — é a própria República que entra em julgamento silencioso diante da opinião pública.

No teatro político brasileiro, talvez o maior erro não seja o ilícito. É o desprezo pela aparência da virtude.

E nisso, Roma continua mais atual do que nunca.

ARTIGO – A Mulher de César, o Banco Master e as Ilações Muito Convenientes

 

Padre Carlos

 

Há momentos na República em que a ironia se escreve sozinha. Basta reunir os fatos, colocá-los sobre a mesa e observar o espetáculo. O caso Banco Master, liquidado pelo Banco Central, ganhou novos capítulos quando a Polícia Federal teria solicitado a suspeição do ministro Dias Toffoli no inquérito que apura as fraudes envolvendo a instituição financeira. Motivo? Conversas encontradas em celulares periciados, menções a pagamentos e mensagens que, segundo divulgado, teriam sido apagadas — mas recuperadas.

E então vem a nota oficial. Elegante, técnica, jurídica. A Polícia Federal não teria legitimidade para pedir a suspeição. Seriam “ilações”. O artigo 145 do Código de Processo Civil é invocado como escudo. Tudo muito formal. Tudo muito correto.

Mas a República não vive apenas de formalidades. Vive de confiança pública.

E é aqui que a história encontra Roma.

Dizia-se que a mulher de César não precisava apenas ser honesta; precisava parecer honesta. Não bastava a virtude privada — era necessário o brilho público da integridade incontestável. Porque, quando se ocupa o topo da pirâmide institucional, a suspeita é tão corrosiva quanto a culpa.

No caso Master, o que se discute não é uma sentença. Não há condenação. Há investigação. Há mensagens mencionando pagamentos. Há relatos de conversas entre um investigado e um ministro da Suprema Corte. Há pedidos de suspeição. Há uma negativa formal baseada na letra fria da lei.

Tudo isso pode, juridicamente, ser discutível. Mas politicamente — e moralmente — é devastador.

O cidadão comum, aquele que paga imposto, enfrenta fila no SUS e assiste aos noticiários perplexo, não lê o artigo 145 do CPC antes do café da manhã. Ele lê manchetes: “mensagens”, “pagamentos”, “suspeição”, “ministro relator”. E pergunta, com razão desconfortável: isso parece adequado?

A nota fala em “ilações”. Palavra elegante para designar conjecturas. Mas ilações costumam nascer de fatos concretos, ainda que mal explicados. Se não há nada, por que tanto ruído? Se tudo é transparente, por que a névoa?

O problema não é apenas jurídico. É simbólico. O Supremo Tribunal Federal não é uma repartição qualquer. É o vértice do sistema. É o guardião da Constituição. Quando um de seus membros aparece citado em mensagens recuperadas de um celular apagado, o dano institucional já está feito — ainda que, ao final, tudo se esclareça.

Vivemos um tempo em que a credibilidade das instituições é frágil. A confiança pública no Judiciário, no Congresso, no Executivo, oscila como gráfico de bolsa em dia de crise. Nesse cenário, a prudência deveria ser virtude cardinal.

A pergunta que ecoa não é se há legitimidade processual para a PF pedir suspeição. A pergunta é: há conveniência ética em permanecer? Há prudência institucional em insistir? Há sabedoria republicana em ignorar o princípio da aparência?

A mulher de César não se defendia com artigos de lei. Ela se afastava da sombra.

Porque, no topo da República, não basta ser honesto. É preciso que não reste sequer a possibilidade de dúvida razoável.

O caso Master pode, no fim, revelar apenas ruído. Pode confirmar irregularidades graves. Pode não confirmar nada. Mas uma coisa já confirmou: o Brasil continua prisioneiro da desconfiança.

E quando a desconfiança se instala na Suprema Corte, não é apenas um ministro que está sob suspeita — é a própria República que entra em julgamento silencioso diante da opinião pública.

No teatro político brasileiro, talvez o maior erro não seja o ilícito. É o desprezo pela aparência da virtude.

E nisso, Roma continua mais atual do que nunca.

ARTIGO – DA PERIFERIA AO CONTRATO SOCIAL: QUANDO A FILOSOFIA ME DEU LENTES PARA ENTENDER A LUTA

 

 

Padre Carlos

 

Eu vim da periferia.

Vim da rua de barro, da casa simples, da luta diária para sobreviver. Vim da Pastoral Operária, onde aprendi cedo que fé e justiça social não podem andar separadas. A militância corria nas veias antes mesmo de eu saber explicar o que era militância. Eu sentia a injustiça na pele. Eu via a desigualdade na mesa vazia de muita gente. Eu conhecia o peso da exclusão muito antes de ouvir a palavra “estrutura”.

Mas foi no seminário, estudando filosofia, que algo mudou dentro de mim.

Até ali, eu tinha indignação. Tinha vontade de lutar. Tinha discurso inflamado. O que me faltava era teoria. Faltava entender o que estava por trás das engrenagens invisíveis que produzem desigualdade social, pobreza estrutural e concentração de poder. Foi ali, mergulhando nos clássicos da filosofia política, que encontrei Rousseau — e encontrei também uma chave para interpretar o mundo.

Jean-Jacques Rousseau não era um revolucionário de barricada. Era um pensador. Mas suas ideias incendiaram séculos. Ele escreveu algo que nunca mais saiu da minha cabeça: “O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado.”

Quando li isso pela primeira vez, não pensei na França do século XVIII. Pensei na periferia. Pensei no trabalhador que acorda às quatro da manhã e continua preso a um sistema que nunca foi feito para ele. Pensei na liberdade que nos vendem nos discursos, mas que não chega na vida real.

Rousseau me ajudou a entender uma coisa essencial: o problema não é que o povo seja incapaz. O problema é que as estruturas são montadas para proteger privilégios. Ele dizia que o homem, em seu estado natural, é bom. Que é a sociedade desigual que o corrompe. E quando ele critica a propriedade privada como origem das grandes desigualdades, ele está falando de algo que nós, da periferia, sempre soubemos intuitivamente.

Não é que o pobre não trabalhe. É que o jogo já começa desigual.

Antes de estudar Hobbes, Locke e Rousseau, eu já tinha lado. Mas foi na filosofia que compreendi o embate teórico por trás da luta social. Hobbes dizia que o homem é lobo do homem. Rousseau respondia: não, o homem se torna lobo dentro de uma sociedade injusta. Aquilo fez sentido imediato para mim.

Eu nunca vi solidariedade nascer dos palácios. Eu vi solidariedade nascer na comunidade, no mutirão, na partilha do pouco que se tem. Rousseau falava da vontade geral, da soberania popular, da ideia de que o povo deve governar. Não como massa manipulada, mas como cidadão consciente.

Ali, no silêncio da biblioteca do seminário, eu entendi que militância sem formação corre o risco de virar só grito. E teoria sem compromisso social vira só vaidade acadêmica. A força está quando as duas se encontram.

Rousseau influenciou a Revolução Francesa, inspirou o debate sobre democracia direta, soberania popular, cidadania participativa. Suas ideias atravessaram Marx, atravessaram o socialismo, atravessaram o tempo. E chegaram até mim — um jovem da periferia tentando compreender por que o mundo era tão desigual.

Foi ali que percebi: a luta precisa de fundamento. Não basta denunciar injustiça social. É preciso entender o contrato social que sustenta o sistema. É preciso questionar quem escreve as leis, a quem elas servem e por que a democracia representativa muitas vezes se distancia do povo.

Quando Rousseau afirma que a verdadeira democracia exige participação, ele está dizendo que política não pode ser terceirizada. Não existe cidadania sem envolvimento. Não existe soberania popular sem consciência política.

Hoje, olhando para trás, vejo que a Pastoral Operária me deu o chão. A filosofia me deu as lentes. A militância estava no sangue, mas foi no estudo que ela ganhou direção. Foi ali que compreendi que desigualdade social não é acidente — é projeto. E que transformar a sociedade exige mais do que indignação: exige pensamento crítico, formação política e compromisso coletivo.

Se Napoleão não teria existido sem Rousseau, muitos de nós também não seríamos os mesmos sem o encontro com as ideias que nos ajudam a entender o mundo.

A periferia me ensinou a lutar. A filosofia me ensinou por quê.

ARTIGO – DA PERIFERIA AO CONTRATO SOCIAL: QUANDO A FILOSOFIA ME DEU LENTES PARA ENTENDER A LUTA

 

 

Padre Carlos

 

Eu vim da periferia.

Vim da rua de barro, da casa simples, da luta diária para sobreviver. Vim da Pastoral Operária, onde aprendi cedo que fé e justiça social não podem andar separadas. A militância corria nas veias antes mesmo de eu saber explicar o que era militância. Eu sentia a injustiça na pele. Eu via a desigualdade na mesa vazia de muita gente. Eu conhecia o peso da exclusão muito antes de ouvir a palavra “estrutura”.

Mas foi no seminário, estudando filosofia, que algo mudou dentro de mim.

Até ali, eu tinha indignação. Tinha vontade de lutar. Tinha discurso inflamado. O que me faltava era teoria. Faltava entender o que estava por trás das engrenagens invisíveis que produzem desigualdade social, pobreza estrutural e concentração de poder. Foi ali, mergulhando nos clássicos da filosofia política, que encontrei Rousseau — e encontrei também uma chave para interpretar o mundo.

Jean-Jacques Rousseau não era um revolucionário de barricada. Era um pensador. Mas suas ideias incendiaram séculos. Ele escreveu algo que nunca mais saiu da minha cabeça: “O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado.”

Quando li isso pela primeira vez, não pensei na França do século XVIII. Pensei na periferia. Pensei no trabalhador que acorda às quatro da manhã e continua preso a um sistema que nunca foi feito para ele. Pensei na liberdade que nos vendem nos discursos, mas que não chega na vida real.

Rousseau me ajudou a entender uma coisa essencial: o problema não é que o povo seja incapaz. O problema é que as estruturas são montadas para proteger privilégios. Ele dizia que o homem, em seu estado natural, é bom. Que é a sociedade desigual que o corrompe. E quando ele critica a propriedade privada como origem das grandes desigualdades, ele está falando de algo que nós, da periferia, sempre soubemos intuitivamente.

Não é que o pobre não trabalhe. É que o jogo já começa desigual.

Antes de estudar Hobbes, Locke e Rousseau, eu já tinha lado. Mas foi na filosofia que compreendi o embate teórico por trás da luta social. Hobbes dizia que o homem é lobo do homem. Rousseau respondia: não, o homem se torna lobo dentro de uma sociedade injusta. Aquilo fez sentido imediato para mim.

Eu nunca vi solidariedade nascer dos palácios. Eu vi solidariedade nascer na comunidade, no mutirão, na partilha do pouco que se tem. Rousseau falava da vontade geral, da soberania popular, da ideia de que o povo deve governar. Não como massa manipulada, mas como cidadão consciente.

Ali, no silêncio da biblioteca do seminário, eu entendi que militância sem formação corre o risco de virar só grito. E teoria sem compromisso social vira só vaidade acadêmica. A força está quando as duas se encontram.

Rousseau influenciou a Revolução Francesa, inspirou o debate sobre democracia direta, soberania popular, cidadania participativa. Suas ideias atravessaram Marx, atravessaram o socialismo, atravessaram o tempo. E chegaram até mim — um jovem da periferia tentando compreender por que o mundo era tão desigual.

Foi ali que percebi: a luta precisa de fundamento. Não basta denunciar injustiça social. É preciso entender o contrato social que sustenta o sistema. É preciso questionar quem escreve as leis, a quem elas servem e por que a democracia representativa muitas vezes se distancia do povo.

Quando Rousseau afirma que a verdadeira democracia exige participação, ele está dizendo que política não pode ser terceirizada. Não existe cidadania sem envolvimento. Não existe soberania popular sem consciência política.

Hoje, olhando para trás, vejo que a Pastoral Operária me deu o chão. A filosofia me deu as lentes. A militância estava no sangue, mas foi no estudo que ela ganhou direção. Foi ali que compreendi que desigualdade social não é acidente — é projeto. E que transformar a sociedade exige mais do que indignação: exige pensamento crítico, formação política e compromisso coletivo.

Se Napoleão não teria existido sem Rousseau, muitos de nós também não seríamos os mesmos sem o encontro com as ideias que nos ajudam a entender o mundo.

A periferia me ensinou a lutar. A filosofia me ensinou por quê.

ARTIGO – As Doze Badaladas da Ausência

 

 

Padre Carlos

 

Há perdas que não cabem no calendário.

Dizem que o tempo cura. Mentem — ou não compreenderam a natureza da ausência. Porque há dias que não passam. Eles se repetem. Retornam como um eco insistente dentro do peito. O dia em que te perdi não ficou no passado. Ele mora no presente. E ameaça o futuro.

Eu me lembro — e é aqui que preciso sussurrar ao leitor — de como a vida parecia absolutamente normal naquela manhã. O sol não hesitou. O trânsito seguiu seu curso. O mundo não suspendeu o ar. Só o meu mundo desabou. E desabou em silêncio.

No dia em que te perdi, ouvi os sinos do teu coração marcarem doze badaladas. Meio-dia. Hora alta. Hora crua. Hora definitiva. Cada badalada foi como um martelo invisível quebrando a estrutura do que eu acreditava ser eterno.

Perder alguém não é apenas enfrentar a morte. É enfrentar a permanência da memória.

A psicologia do luto explica que o cérebro humano não aceita facilmente a ruptura brusca de vínculos profundos. Estudos sobre o processo de luto mostram que a dor emocional ativa áreas cerebrais semelhantes às da dor física. Não é metáfora. É biologia. A ausência dói no corpo. No estômago. No peito. No sono que não vem.

Mas há algo que a ciência não mede: o peso das lembranças ao amanhecer.

A memória obriga-me à dor incessante do teu desaparecimento, como se morresse várias mortes. Morro quando lembro da tua voz. Morro quando encontro objetos que ainda carregam tua impressão digital invisível. Morro quando o silêncio da casa se torna alto demais.

E aqui reside o ponto de virada: a ausência não é apenas sofrimento. Ela é prova de amor.

Só sofre assim quem amou profundamente. Só carrega essa ferida quem viveu intensidade verdadeira. A cultura contemporânea tenta nos anestesiar. Fala de superação rápida. De produtividade emocional. De “seguir em frente”. Mas há amores que não se superam. Eles se transformam.

Transformam-se em memória viva. Em responsabilidade. Em legado.

Perder alguém nos obriga a reorganizar a própria identidade. Porque quem partiu levou consigo uma parte do que éramos. E é preciso reconstruir-se com pedaços faltando. Isso exige coragem moral. Exige maturidade emocional. Exige aceitar que a dor não é fraqueza — é humanidade.

Vivemos numa sociedade que evita falar sobre morte, luto e ausência. No entanto, as buscas sobre “como lidar com o luto”, “superar a perda de alguém”, “dor da saudade” crescem silenciosamente nos mecanismos de pesquisa todos os dias. Há uma multidão sofrendo em silêncio. Uma multidão que não sabe onde colocar a própria dor.

Eu digo: coloque-a na memória com dignidade.

Não transforme a ausência em desespero. Transforme-a em presença interior. Porque há um tipo de presença que não depende do corpo. Depende do amor sedimentado na alma.

Sim, o dia em que te perdi será para sempre presente, passado e futuro. Mas não como sentença. Como marca.

E marcas contam histórias.

Talvez o verdadeiro sentido do luto não seja esquecer — mas aprender a carregar. Carregar com ternura. Carregar com respeito. Carregar com a consciência de que amar foi um privilégio.

Há doze badaladas que ecoam em mim até hoje. Mas já não soam como sentença de morte. Soam como testemunho de que existiu um amor grande o bastante para atravessar o tempo.

E, no fim, é isso que nos salva: não a ausência, mas a intensidade do que vivemos antes dela.

Porque quem ama profundamente jamais perde por completo.

Perde o toque.
Perde a voz.
Mas não perde o amor.

E o amor — este, sim — não obedece às doze badaladas do relógio.

ARTIGO – As Doze Badaladas da Ausência

 

 

Padre Carlos

 

Há perdas que não cabem no calendário.

Dizem que o tempo cura. Mentem — ou não compreenderam a natureza da ausência. Porque há dias que não passam. Eles se repetem. Retornam como um eco insistente dentro do peito. O dia em que te perdi não ficou no passado. Ele mora no presente. E ameaça o futuro.

Eu me lembro — e é aqui que preciso sussurrar ao leitor — de como a vida parecia absolutamente normal naquela manhã. O sol não hesitou. O trânsito seguiu seu curso. O mundo não suspendeu o ar. Só o meu mundo desabou. E desabou em silêncio.

No dia em que te perdi, ouvi os sinos do teu coração marcarem doze badaladas. Meio-dia. Hora alta. Hora crua. Hora definitiva. Cada badalada foi como um martelo invisível quebrando a estrutura do que eu acreditava ser eterno.

Perder alguém não é apenas enfrentar a morte. É enfrentar a permanência da memória.

A psicologia do luto explica que o cérebro humano não aceita facilmente a ruptura brusca de vínculos profundos. Estudos sobre o processo de luto mostram que a dor emocional ativa áreas cerebrais semelhantes às da dor física. Não é metáfora. É biologia. A ausência dói no corpo. No estômago. No peito. No sono que não vem.

Mas há algo que a ciência não mede: o peso das lembranças ao amanhecer.

A memória obriga-me à dor incessante do teu desaparecimento, como se morresse várias mortes. Morro quando lembro da tua voz. Morro quando encontro objetos que ainda carregam tua impressão digital invisível. Morro quando o silêncio da casa se torna alto demais.

E aqui reside o ponto de virada: a ausência não é apenas sofrimento. Ela é prova de amor.

Só sofre assim quem amou profundamente. Só carrega essa ferida quem viveu intensidade verdadeira. A cultura contemporânea tenta nos anestesiar. Fala de superação rápida. De produtividade emocional. De “seguir em frente”. Mas há amores que não se superam. Eles se transformam.

Transformam-se em memória viva. Em responsabilidade. Em legado.

Perder alguém nos obriga a reorganizar a própria identidade. Porque quem partiu levou consigo uma parte do que éramos. E é preciso reconstruir-se com pedaços faltando. Isso exige coragem moral. Exige maturidade emocional. Exige aceitar que a dor não é fraqueza — é humanidade.

Vivemos numa sociedade que evita falar sobre morte, luto e ausência. No entanto, as buscas sobre “como lidar com o luto”, “superar a perda de alguém”, “dor da saudade” crescem silenciosamente nos mecanismos de pesquisa todos os dias. Há uma multidão sofrendo em silêncio. Uma multidão que não sabe onde colocar a própria dor.

Eu digo: coloque-a na memória com dignidade.

Não transforme a ausência em desespero. Transforme-a em presença interior. Porque há um tipo de presença que não depende do corpo. Depende do amor sedimentado na alma.

Sim, o dia em que te perdi será para sempre presente, passado e futuro. Mas não como sentença. Como marca.

E marcas contam histórias.

Talvez o verdadeiro sentido do luto não seja esquecer — mas aprender a carregar. Carregar com ternura. Carregar com respeito. Carregar com a consciência de que amar foi um privilégio.

Há doze badaladas que ecoam em mim até hoje. Mas já não soam como sentença de morte. Soam como testemunho de que existiu um amor grande o bastante para atravessar o tempo.

E, no fim, é isso que nos salva: não a ausência, mas a intensidade do que vivemos antes dela.

Porque quem ama profundamente jamais perde por completo.

Perde o toque.
Perde a voz.
Mas não perde o amor.

E o amor — este, sim — não obedece às doze badaladas do relógio.

ARTIGO – Começar de Novo: Quando a Justiça se Humaniza e a Esperança Ganha Rosto

 

 

Padre Carlos

 

Há imagens que falam mais alto que relatórios técnicos, estatísticas ou discursos institucionais. A fotografia do encontro entre a secretária municipal de Governo, Geanne Oliveira, e o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador José Edivaldo Rotondano, não é apenas um registro formal. É símbolo. É mensagem. É posicionamento político e moral.

Ali estão duas lideranças públicas, lado a lado, em um ambiente institucional sóbrio, mas com semblantes que não expressam frieza burocrática — expressam convicção. A imagem transmite serenidade, parceria e propósito. Não há tensão. Há alinhamento. Não há distanciamento. Há cooperação.

E é exatamente disso que trata o programa Começar de Novo: alinhamento entre Justiça, Município e sistema penitenciário para transformar a lógica do encarceramento em política pública de reintegração social.

Vivemos tempos em que a sociedade oscila entre o clamor por punição severa e a descrença nas instituições. O sistema prisional brasileiro é frequentemente associado à superlotação, reincidência criminal e falhas estruturais. Nesse cenário, falar em ressocialização de apenados, reintegração social e política pública humanizada pode soar ingênuo para alguns. Mas não é ingenuidade — é estratégia.

Criado em 2018, o programa Começar de Novo tem um desenho claro: apenados selecionados pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) e pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) recebem treinamento, atuam em serviços municipais e têm direito à remuneração de um salário mínimo, depositado e restituído ao final da pena.

Isso não é favor. É política pública inteligente.

A fotografia reforça essa ideia. Ao observarmos os dois representantes institucionais juntos, percebemos algo que vai além da formalidade: há uma construção de confiança. E confiança institucional é a base de qualquer política pública duradoura.

O presidente do TJBA destacou a importância de Vitória da Conquista como polo do projeto, ressaltando o resgate da cidadania e o sentimento de pertencimento. Essa palavra — pertencimento — é central.

O maior risco de um sistema prisional falido não é apenas o encarceramento em massa. É a produção de indivíduos que retornam à sociedade sem identidade, sem perspectiva e sem vínculo social. Quando o Estado oferece trabalho, qualificação profissional e dignidade, ele não está “premiando” o erro. Está prevenindo a reincidência.

E aqui é preciso enquadrar corretamente o debate.

Segurança pública não se faz apenas com mais prisões. Faz-se com menos reincidência. Faz-se com oportunidade. Faz-se com responsabilidade institucional compartilhada. O encontro entre Município e Tribunal simboliza exatamente isso: planejamento estratégico, cooperação e visão de longo prazo.

A imagem transmite sobriedade. Mas também transmite esperança. Não é uma fotografia de espetáculo político. É um registro de articulação concreta. E articulação é o que diferencia promessa de resultado.

Programas como o Começar de Novo reduzem custos sociais futuros, diminuem índices de retorno ao crime e fortalecem o tecido urbano. Ao trabalhar em serviços municipais, o apenado não apenas cumpre sua pena. Ele reconstrói sua autoestima. Ele passa a enxergar-se como parte da cidade — não como inimigo dela.

Em um país marcado por polarizações e discursos simplistas, essa é uma abordagem madura. Firme, mas humana. Legalista, mas consciente da complexidade social.

Vitória da Conquista, ao completar sete anos desse projeto, precisa mais do que comemorar. Precisa consolidar, ampliar parcerias, apresentar resultados, reforçar transparência e comunicar à sociedade que investir em ressocialização é investir em segurança pública de verdade.

A imagem que vemos não é apenas institucional. É pedagógica. Ela ensina que Justiça não é sinônimo de vingança. Justiça é equilíbrio. Justiça é responsabilidade. Justiça é reconstrução.

E talvez seja essa a grande mensagem do programa Começar de Novo: ninguém pode apagar o erro cometido, mas é possível escrever um novo capítulo.

Uma cidade que acredita nisso demonstra maturidade civilizatória. Porque uma sociedade forte não é aquela que apenas pune — é aquela que transforma.

E quando a Justiça decide humanizar seus caminhos, a esperança deixa de ser discurso. Ela ganha rosto.

ARTIGO – Começar de Novo: Quando a Justiça se Humaniza e a Esperança Ganha Rosto

 

 

Padre Carlos

 

Há imagens que falam mais alto que relatórios técnicos, estatísticas ou discursos institucionais. A fotografia do encontro entre a secretária municipal de Governo, Geanne Oliveira, e o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador José Edivaldo Rotondano, não é apenas um registro formal. É símbolo. É mensagem. É posicionamento político e moral.

Ali estão duas lideranças públicas, lado a lado, em um ambiente institucional sóbrio, mas com semblantes que não expressam frieza burocrática — expressam convicção. A imagem transmite serenidade, parceria e propósito. Não há tensão. Há alinhamento. Não há distanciamento. Há cooperação.

E é exatamente disso que trata o programa Começar de Novo: alinhamento entre Justiça, Município e sistema penitenciário para transformar a lógica do encarceramento em política pública de reintegração social.

Vivemos tempos em que a sociedade oscila entre o clamor por punição severa e a descrença nas instituições. O sistema prisional brasileiro é frequentemente associado à superlotação, reincidência criminal e falhas estruturais. Nesse cenário, falar em ressocialização de apenados, reintegração social e política pública humanizada pode soar ingênuo para alguns. Mas não é ingenuidade — é estratégia.

Criado em 2018, o programa Começar de Novo tem um desenho claro: apenados selecionados pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) e pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) recebem treinamento, atuam em serviços municipais e têm direito à remuneração de um salário mínimo, depositado e restituído ao final da pena.

Isso não é favor. É política pública inteligente.

A fotografia reforça essa ideia. Ao observarmos os dois representantes institucionais juntos, percebemos algo que vai além da formalidade: há uma construção de confiança. E confiança institucional é a base de qualquer política pública duradoura.

O presidente do TJBA destacou a importância de Vitória da Conquista como polo do projeto, ressaltando o resgate da cidadania e o sentimento de pertencimento. Essa palavra — pertencimento — é central.

O maior risco de um sistema prisional falido não é apenas o encarceramento em massa. É a produção de indivíduos que retornam à sociedade sem identidade, sem perspectiva e sem vínculo social. Quando o Estado oferece trabalho, qualificação profissional e dignidade, ele não está “premiando” o erro. Está prevenindo a reincidência.

E aqui é preciso enquadrar corretamente o debate.

Segurança pública não se faz apenas com mais prisões. Faz-se com menos reincidência. Faz-se com oportunidade. Faz-se com responsabilidade institucional compartilhada. O encontro entre Município e Tribunal simboliza exatamente isso: planejamento estratégico, cooperação e visão de longo prazo.

A imagem transmite sobriedade. Mas também transmite esperança. Não é uma fotografia de espetáculo político. É um registro de articulação concreta. E articulação é o que diferencia promessa de resultado.

Programas como o Começar de Novo reduzem custos sociais futuros, diminuem índices de retorno ao crime e fortalecem o tecido urbano. Ao trabalhar em serviços municipais, o apenado não apenas cumpre sua pena. Ele reconstrói sua autoestima. Ele passa a enxergar-se como parte da cidade — não como inimigo dela.

Em um país marcado por polarizações e discursos simplistas, essa é uma abordagem madura. Firme, mas humana. Legalista, mas consciente da complexidade social.

Vitória da Conquista, ao completar sete anos desse projeto, precisa mais do que comemorar. Precisa consolidar, ampliar parcerias, apresentar resultados, reforçar transparência e comunicar à sociedade que investir em ressocialização é investir em segurança pública de verdade.

A imagem que vemos não é apenas institucional. É pedagógica. Ela ensina que Justiça não é sinônimo de vingança. Justiça é equilíbrio. Justiça é responsabilidade. Justiça é reconstrução.

E talvez seja essa a grande mensagem do programa Começar de Novo: ninguém pode apagar o erro cometido, mas é possível escrever um novo capítulo.

Uma cidade que acredita nisso demonstra maturidade civilizatória. Porque uma sociedade forte não é aquela que apenas pune — é aquela que transforma.

E quando a Justiça decide humanizar seus caminhos, a esperança deixa de ser discurso. Ela ganha rosto.

ARTIGO – O Fim de um Grande Amor e as Lições que a Vida Ensina

 

 

Padre Carlos

 

Há silêncios que fazem mais barulho que uma tempestade.

O fim de um grande amor é assim. Ele não chega gritando. Ele chega como uma casa que, de repente, perde os móveis, as cores, o cheiro do café compartilhado nas manhãs apressadas. O término de uma relação não leva apenas uma pessoa. Ele leva uma história inteira. Leva memórias que ainda ecoam nas paredes da alma. Leva planos rabiscados em guardanapos. Leva risadas que agora sobrevivem apenas como lembrança.

E, depois da morte, talvez seja o rompimento mais brutal que um ser humano pode conhecer.

Quando um grande amor termina, não é só o presente que se quebra. É o futuro que se desfaz. A psicologia dos relacionamentos explica que o vínculo afetivo cria uma identidade compartilhada. Nós deixamos de ser apenas “eu” e passamos a ser “nós”. E quando o “nós” acaba, algo dentro de nós também se desestrutura.

É como se arrancassem uma parte invisível do corpo.

A dor do término amoroso não é fraqueza. É luto. E o luto exige tempo, exige coragem e exige verdade. Estudos sobre saúde emocional mostram que o fim de um relacionamento pode provocar sintomas semelhantes aos de uma perda física. Ansiedade, insônia, sensação de vazio. O coração aprende, na marra, que nada é garantido.

Mas há algo que essa dor ensina.

E ensina com rigor.

O que antes era motivo de discussão passa a parecer pequeno diante da ausência. A toalha fora do lugar, a palavra mal colocada, o orgulho desnecessário — tudo isso perde importância quando não há mais abraço. O tempo que parecia longo revela-se curto demais para não ser vivido com intensidade.

A vida é agora.

Essa não é uma frase de efeito. É um diagnóstico existencial. Vivemos como se tivéssemos crédito ilimitado de dias. Como se o amanhã fosse contrato assinado. Mas a verdade é que o amanhã é uma hipótese. O hoje é a única garantia.

O fim de um amor nos confronta com a finitude. Não apenas dos relacionamentos, mas da própria vida. E é nesse confronto que nasce o aprendizado mais duro — e mais libertador.

Cada instante importa.
Cada gesto importa.
Cada palavra importa.

Quantas vezes deixamos de dizer “eu te amo” por economia emocional? Quantas vezes adiamos um pedido de perdão? Quantas vezes trocamos presença por distração? A tecnologia avança, a inteligência artificial evolui, o mundo se transforma em velocidade digital — mas o coração humano continua precisando das mesmas coisas ancestrais: atenção, afeto, presença.

O fim de um grande amor é uma escola. Uma escola severa, mas honesta. Ela ensina que nada é eterno. Nem as dores, nem as alegrias, nem as pessoas. E essa constatação não deveria nos paralisar — deveria nos despertar.

Saudade é o preço de quem viveu algo verdadeiro. Saudade de um tempo. Saudade da juventude. Saudade de você.

Mas a saudade também é prova de que houve intensidade. Houve entrega. Houve verdade.

E se houve verdade, houve vida.

Talvez o maior aprendizado do término seja este: amar nunca é desperdício, mesmo quando termina. Amar nos expande. Nos amadurece. Nos humaniza. Nos torna mais conscientes da fragilidade da existência.

Depois que um grande amor acaba, ficamos diante de uma escolha: endurecer ou aprofundar. Muitos endurecem. Constroem muros. Juram não sentir novamente. Outros, mesmo com cicatrizes, escolhem permanecer sensíveis.

Eu prefiro os que permanecem sensíveis.

Porque a vida não espera. A felicidade não agenda horário. O reencontro com o amor — seja ele novo, renovado ou simplesmente mais maduro — pode acontecer quando menos se espera. Mas só acontece para quem continua aberto.

Viva hoje.
Ame hoje.
Diga hoje.

A reconciliação pode ser agora. O abraço pode ser agora. O pedido de desculpas pode ser agora. O recomeço pode ser agora.

O amanhã é incerto.
O hoje é a sua garantia.

Se o fim de um grande amor me ensinou algo, foi isto: não adiar a vida. Não economizar sentimento. Não tratar o essencial como detalhe.

Porque, no final, não são os argumentos que ficam.
São os momentos.

E que eles nunca sejam pequenos demais para caber na memória.

ARTIGO – O Fim de um Grande Amor e as Lições que a Vida Ensina

 

 

Padre Carlos

 

Há silêncios que fazem mais barulho que uma tempestade.

O fim de um grande amor é assim. Ele não chega gritando. Ele chega como uma casa que, de repente, perde os móveis, as cores, o cheiro do café compartilhado nas manhãs apressadas. O término de uma relação não leva apenas uma pessoa. Ele leva uma história inteira. Leva memórias que ainda ecoam nas paredes da alma. Leva planos rabiscados em guardanapos. Leva risadas que agora sobrevivem apenas como lembrança.

E, depois da morte, talvez seja o rompimento mais brutal que um ser humano pode conhecer.

Quando um grande amor termina, não é só o presente que se quebra. É o futuro que se desfaz. A psicologia dos relacionamentos explica que o vínculo afetivo cria uma identidade compartilhada. Nós deixamos de ser apenas “eu” e passamos a ser “nós”. E quando o “nós” acaba, algo dentro de nós também se desestrutura.

É como se arrancassem uma parte invisível do corpo.

A dor do término amoroso não é fraqueza. É luto. E o luto exige tempo, exige coragem e exige verdade. Estudos sobre saúde emocional mostram que o fim de um relacionamento pode provocar sintomas semelhantes aos de uma perda física. Ansiedade, insônia, sensação de vazio. O coração aprende, na marra, que nada é garantido.

Mas há algo que essa dor ensina.

E ensina com rigor.

O que antes era motivo de discussão passa a parecer pequeno diante da ausência. A toalha fora do lugar, a palavra mal colocada, o orgulho desnecessário — tudo isso perde importância quando não há mais abraço. O tempo que parecia longo revela-se curto demais para não ser vivido com intensidade.

A vida é agora.

Essa não é uma frase de efeito. É um diagnóstico existencial. Vivemos como se tivéssemos crédito ilimitado de dias. Como se o amanhã fosse contrato assinado. Mas a verdade é que o amanhã é uma hipótese. O hoje é a única garantia.

O fim de um amor nos confronta com a finitude. Não apenas dos relacionamentos, mas da própria vida. E é nesse confronto que nasce o aprendizado mais duro — e mais libertador.

Cada instante importa.
Cada gesto importa.
Cada palavra importa.

Quantas vezes deixamos de dizer “eu te amo” por economia emocional? Quantas vezes adiamos um pedido de perdão? Quantas vezes trocamos presença por distração? A tecnologia avança, a inteligência artificial evolui, o mundo se transforma em velocidade digital — mas o coração humano continua precisando das mesmas coisas ancestrais: atenção, afeto, presença.

O fim de um grande amor é uma escola. Uma escola severa, mas honesta. Ela ensina que nada é eterno. Nem as dores, nem as alegrias, nem as pessoas. E essa constatação não deveria nos paralisar — deveria nos despertar.

Saudade é o preço de quem viveu algo verdadeiro. Saudade de um tempo. Saudade da juventude. Saudade de você.

Mas a saudade também é prova de que houve intensidade. Houve entrega. Houve verdade.

E se houve verdade, houve vida.

Talvez o maior aprendizado do término seja este: amar nunca é desperdício, mesmo quando termina. Amar nos expande. Nos amadurece. Nos humaniza. Nos torna mais conscientes da fragilidade da existência.

Depois que um grande amor acaba, ficamos diante de uma escolha: endurecer ou aprofundar. Muitos endurecem. Constroem muros. Juram não sentir novamente. Outros, mesmo com cicatrizes, escolhem permanecer sensíveis.

Eu prefiro os que permanecem sensíveis.

Porque a vida não espera. A felicidade não agenda horário. O reencontro com o amor — seja ele novo, renovado ou simplesmente mais maduro — pode acontecer quando menos se espera. Mas só acontece para quem continua aberto.

Viva hoje.
Ame hoje.
Diga hoje.

A reconciliação pode ser agora. O abraço pode ser agora. O pedido de desculpas pode ser agora. O recomeço pode ser agora.

O amanhã é incerto.
O hoje é a sua garantia.

Se o fim de um grande amor me ensinou algo, foi isto: não adiar a vida. Não economizar sentimento. Não tratar o essencial como detalhe.

Porque, no final, não são os argumentos que ficam.
São os momentos.

E que eles nunca sejam pequenos demais para caber na memória.

Preso em Congonhas: Piloto é Investigado por Abuso Sexual Infantil e Polícia Apura Rede com Seis Vítimas

A prisão de um piloto de avião dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, trouxe à tona uma investigação conduzida pela Polícia Civil que apura suspeitas de abuso e exploração sexual infantil. O caso, que corre sob responsabilidade da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), envolve ao menos seis vítimas já identificadas, todas menores de idade.

Sérgio Antônio Lopes foi detido na última segunda-feira (9), momentos antes de decolar para o Rio de Janeiro. A Justiça manteve sua prisão temporária por 30 dias durante audiência de custódia realizada na terça-feira (10). Ele permanece em cela isolada no 26º Distrito Policial, no Sacomã.

Segundo policiais ouvidos pela imprensa, o investigado admitiu informalmente conhecer as meninas citadas no inquérito, mas não confessou os crimes. A conversa foi gravada. Até o momento, ele não foi interrogado formalmente nem indiciado. A defesa do piloto ainda não foi localizada.

O celular do suspeito foi apreendido e passará por perícia técnica. De acordo com investigadores, foram encontrados indícios de material relacionado a abuso sexual infantil no aparelho. As apurações incluem suspeitas de estupro de vulnerável, estupro, produção, compartilhamento e armazenamento de pornografia infantil.

A investigação teve início há cerca de quatro meses, após a mãe de uma menina de 11 anos procurar a polícia para registrar denúncia. A partir desse relato, a Delegacia especializada passou a aprofundar diligências que levaram à identificação de outras cinco vítimas. A Polícia Civil trabalha agora para verificar se há mais crianças envolvidas e se outras pessoas participaram do esquema.

Conforme informações preliminares da investigação, o piloto utilizava estratégias para se aproximar das vítimas, iniciando contato com familiares, especialmente mães. Duas mulheres também foram presas no contexto do inquérito.

A avó de duas das vítimas foi detida e está no 6º Distrito Policial, no Cambuci. Ela não foi interrogada nem indiciada até o momento, não constituiu advogado e teve o celular apreendido. Sua prisão temporária também foi mantida pela Justiça.

Já a mãe de uma das meninas foi presa em flagrante após a polícia encontrar material de abuso sexual infantil em seu telefone celular. A prisão foi convertida em preventiva, e ela foi encaminhada a um Centro de Detenção Provisória (CDP) na capital. Assim como os demais investigados, ainda não prestou depoimento formal.

Não há, até o momento, data definida para os interrogatórios oficiais dos três presos. A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer a extensão do caso, identificar possíveis novas vítimas e apurar eventuais responsabilidades adicionais.

O episódio reacende o debate público sobre crimes de exploração sexual infantil, a atuação das delegacias especializadas e os mecanismos de proteção à infância. As autoridades reforçam que denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio dos canais oficiais.

(maria clara)

Preso em Congonhas: Piloto é Investigado por Abuso Sexual Infantil e Polícia Apura Rede com Seis Vítimas

A prisão de um piloto de avião dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, trouxe à tona uma investigação conduzida pela Polícia Civil que apura suspeitas de abuso e exploração sexual infantil. O caso, que corre sob responsabilidade da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), envolve ao menos seis vítimas já identificadas, todas menores de idade.

Sérgio Antônio Lopes foi detido na última segunda-feira (9), momentos antes de decolar para o Rio de Janeiro. A Justiça manteve sua prisão temporária por 30 dias durante audiência de custódia realizada na terça-feira (10). Ele permanece em cela isolada no 26º Distrito Policial, no Sacomã.

Segundo policiais ouvidos pela imprensa, o investigado admitiu informalmente conhecer as meninas citadas no inquérito, mas não confessou os crimes. A conversa foi gravada. Até o momento, ele não foi interrogado formalmente nem indiciado. A defesa do piloto ainda não foi localizada.

O celular do suspeito foi apreendido e passará por perícia técnica. De acordo com investigadores, foram encontrados indícios de material relacionado a abuso sexual infantil no aparelho. As apurações incluem suspeitas de estupro de vulnerável, estupro, produção, compartilhamento e armazenamento de pornografia infantil.

A investigação teve início há cerca de quatro meses, após a mãe de uma menina de 11 anos procurar a polícia para registrar denúncia. A partir desse relato, a Delegacia especializada passou a aprofundar diligências que levaram à identificação de outras cinco vítimas. A Polícia Civil trabalha agora para verificar se há mais crianças envolvidas e se outras pessoas participaram do esquema.

Conforme informações preliminares da investigação, o piloto utilizava estratégias para se aproximar das vítimas, iniciando contato com familiares, especialmente mães. Duas mulheres também foram presas no contexto do inquérito.

A avó de duas das vítimas foi detida e está no 6º Distrito Policial, no Cambuci. Ela não foi interrogada nem indiciada até o momento, não constituiu advogado e teve o celular apreendido. Sua prisão temporária também foi mantida pela Justiça.

Já a mãe de uma das meninas foi presa em flagrante após a polícia encontrar material de abuso sexual infantil em seu telefone celular. A prisão foi convertida em preventiva, e ela foi encaminhada a um Centro de Detenção Provisória (CDP) na capital. Assim como os demais investigados, ainda não prestou depoimento formal.

Não há, até o momento, data definida para os interrogatórios oficiais dos três presos. A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer a extensão do caso, identificar possíveis novas vítimas e apurar eventuais responsabilidades adicionais.

O episódio reacende o debate público sobre crimes de exploração sexual infantil, a atuação das delegacias especializadas e os mecanismos de proteção à infância. As autoridades reforçam que denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio dos canais oficiais.

(maria clara)

Arraiá da Conquista 2026 bate recorde histórico e amplia expectativa para o maior São João do interior da Bahia

O Arraiá da Conquista 2026 já começa antes mesmo de acender as luzes do palco principal — e com números que chamam atenção. A edição deste ano registrou 127 inscrições para a seleção de artistas e intérpretes de Libras, superando o recorde de propostas já apresentadas para integrar a programação oficial do festejo junino promovido pela Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult).

Do total de inscritos, 60 candidatos serão selecionados para apresentações em praça pública. Os dias, locais e horários serão definidos conforme os critérios estabelecidos no edital de credenciamento. A próxima etapa do processo está sob responsabilidade da Comissão de Licitação, que fará a análise da documentação exigida. Após essa fase, os envelopes contendo o material artístico dos candidatos habilitados serão encaminhados às curadorias nomeadas pela Secretaria Municipal de Gestão e Inovação (Semgi).

A lista oficial com os nomes dos inscritos que tiverem suas propostas aprovadas será publicada no Diário Oficial do Município.

O assessor especial de Cultura, Alecxandre Magno, destacou a importância da participação dos artistas locais e o planejamento antecipado da festa. Segundo ele, a organização adiantada do cronograma permite que os selecionados preparem seus shows com mais tempo e também participem das ações de divulgação do evento.

A iniciativa do Governo Municipal tem como objetivo fortalecer a identidade nordestina, valorizar artistas, grupos e bandas de forró, além de impulsionar o turismo e a economia local durante o período junino. Outro ponto ressaltado pela gestão é a inclusão: as apresentações contarão com intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), ampliando o acesso para a comunidade surda.

O edital de credenciamento com todas as informações detalhadas está disponível para consulta pública. Pedidos de esclarecimentos podem ser encaminhados para o e-mail [email protected] ou pelo telefone (77) 3229-3326.

Com recorde de inscrições e expectativa elevada, o Arraiá da Conquista 2026 sinaliza um início promissor para um dos eventos mais tradicionais do calendário cultural e econômico de Vitória da Conquista.

(maria clara)

Arraiá da Conquista 2026 bate recorde histórico e amplia expectativa para o maior São João do interior da Bahia

O Arraiá da Conquista 2026 já começa antes mesmo de acender as luzes do palco principal — e com números que chamam atenção. A edição deste ano registrou 127 inscrições para a seleção de artistas e intérpretes de Libras, superando o recorde de propostas já apresentadas para integrar a programação oficial do festejo junino promovido pela Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult).

Do total de inscritos, 60 candidatos serão selecionados para apresentações em praça pública. Os dias, locais e horários serão definidos conforme os critérios estabelecidos no edital de credenciamento. A próxima etapa do processo está sob responsabilidade da Comissão de Licitação, que fará a análise da documentação exigida. Após essa fase, os envelopes contendo o material artístico dos candidatos habilitados serão encaminhados às curadorias nomeadas pela Secretaria Municipal de Gestão e Inovação (Semgi).

A lista oficial com os nomes dos inscritos que tiverem suas propostas aprovadas será publicada no Diário Oficial do Município.

O assessor especial de Cultura, Alecxandre Magno, destacou a importância da participação dos artistas locais e o planejamento antecipado da festa. Segundo ele, a organização adiantada do cronograma permite que os selecionados preparem seus shows com mais tempo e também participem das ações de divulgação do evento.

A iniciativa do Governo Municipal tem como objetivo fortalecer a identidade nordestina, valorizar artistas, grupos e bandas de forró, além de impulsionar o turismo e a economia local durante o período junino. Outro ponto ressaltado pela gestão é a inclusão: as apresentações contarão com intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), ampliando o acesso para a comunidade surda.

O edital de credenciamento com todas as informações detalhadas está disponível para consulta pública. Pedidos de esclarecimentos podem ser encaminhados para o e-mail [email protected] ou pelo telefone (77) 3229-3326.

Com recorde de inscrições e expectativa elevada, o Arraiá da Conquista 2026 sinaliza um início promissor para um dos eventos mais tradicionais do calendário cultural e econômico de Vitória da Conquista.

(maria clara)

Entre a Polêmica e o Direito: Câmara Discute Acesso Gratuito à Cannabis Medicinal pelo SUS em Vitória da Conquista

A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista passou a analisar um projeto de lei que propõe a criação da Política Municipal de Cannabis para fins medicinais. A iniciativa, protocolada pela vereadora Gabriela Garrido (PV), tem como objetivo autorizar a distribuição gratuita de medicamentos à base de Canabidiol (CBD) e Tetraidrocanabinol (THC) nas unidades de saúde municipais e conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta surge em meio a um debate que envolve saúde pública, regulação sanitária, acesso a tratamentos de alta complexidade e impactos orçamentários. Segundo a justificativa apresentada, a medida busca atender pacientes diagnosticados com patologias severas, entre elas epilepsia refratária, Transtorno do Espectro Autista (TEA), esclerose múltipla, Parkinson, Alzheimer e dores crônicas, especialmente nos casos em que os tratamentos convencionais não apresentam resultados satisfatórios.

Atualmente, medicamentos à base de Cannabis possuem autorização regulatória no Brasil sob normas específicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas o custo elevado — seja por importação ou aquisição em farmácias autorizadas — limita o acesso de grande parte da população. De acordo com a parlamentar, essa barreira econômica cria desigualdade no acesso terapêutico, restringindo o tratamento a quem dispõe de recursos financeiros.

O projeto estabelece critérios rigorosos para a dispensação dos medicamentos. O paciente deverá apresentar prescrição emitida por profissional legalmente habilitado na rede pública, acompanhada de laudo médico detalhado com indicação da Classificação Internacional de Doenças (CID) e comprovação de que terapias convencionais foram ineficazes. Também está prevista a exigência de acompanhamento ambulatorial regular para manutenção do benefício.

O texto propõe ainda que o município possa firmar convênios com instituições de pesquisa e associações sem fins lucrativos, com o objetivo de capacitar profissionais da saúde e estimular a produção de conhecimento científico sobre o uso terapêutico da Cannabis. Está prevista a criação de uma Comissão Técnica Consultiva em até 60 dias após eventual aprovação da lei, responsável por auxiliar na implementação, acompanhamento e fiscalização da política pública.

A tramitação do projeto ocorre em um contexto nacional de expansão do debate sobre Cannabis medicinal no SUS, envolvendo discussões jurídicas, médicas e administrativas. Caso aprovado, o programa poderá posicionar Vitória da Conquista entre os municípios que adotam políticas públicas específicas voltadas ao acesso regulado a esses tratamentos.

A proposta segue agora para análise das comissões permanentes da Câmara antes de eventual votação em plenário.

(maria clara)

Entre a Polêmica e o Direito: Câmara Discute Acesso Gratuito à Cannabis Medicinal pelo SUS em Vitória da Conquista

A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista passou a analisar um projeto de lei que propõe a criação da Política Municipal de Cannabis para fins medicinais. A iniciativa, protocolada pela vereadora Gabriela Garrido (PV), tem como objetivo autorizar a distribuição gratuita de medicamentos à base de Canabidiol (CBD) e Tetraidrocanabinol (THC) nas unidades de saúde municipais e conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta surge em meio a um debate que envolve saúde pública, regulação sanitária, acesso a tratamentos de alta complexidade e impactos orçamentários. Segundo a justificativa apresentada, a medida busca atender pacientes diagnosticados com patologias severas, entre elas epilepsia refratária, Transtorno do Espectro Autista (TEA), esclerose múltipla, Parkinson, Alzheimer e dores crônicas, especialmente nos casos em que os tratamentos convencionais não apresentam resultados satisfatórios.

Atualmente, medicamentos à base de Cannabis possuem autorização regulatória no Brasil sob normas específicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas o custo elevado — seja por importação ou aquisição em farmácias autorizadas — limita o acesso de grande parte da população. De acordo com a parlamentar, essa barreira econômica cria desigualdade no acesso terapêutico, restringindo o tratamento a quem dispõe de recursos financeiros.

O projeto estabelece critérios rigorosos para a dispensação dos medicamentos. O paciente deverá apresentar prescrição emitida por profissional legalmente habilitado na rede pública, acompanhada de laudo médico detalhado com indicação da Classificação Internacional de Doenças (CID) e comprovação de que terapias convencionais foram ineficazes. Também está prevista a exigência de acompanhamento ambulatorial regular para manutenção do benefício.

O texto propõe ainda que o município possa firmar convênios com instituições de pesquisa e associações sem fins lucrativos, com o objetivo de capacitar profissionais da saúde e estimular a produção de conhecimento científico sobre o uso terapêutico da Cannabis. Está prevista a criação de uma Comissão Técnica Consultiva em até 60 dias após eventual aprovação da lei, responsável por auxiliar na implementação, acompanhamento e fiscalização da política pública.

A tramitação do projeto ocorre em um contexto nacional de expansão do debate sobre Cannabis medicinal no SUS, envolvendo discussões jurídicas, médicas e administrativas. Caso aprovado, o programa poderá posicionar Vitória da Conquista entre os municípios que adotam políticas públicas específicas voltadas ao acesso regulado a esses tratamentos.

A proposta segue agora para análise das comissões permanentes da Câmara antes de eventual votação em plenário.

(maria clara)

Operação Pré-Carnaval: A Prisão que Pode Redesenhar o Mapa do Tráfico no Sudoeste Baiano

A Polícia Civil da Bahia, por meio do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), através da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), deflagrou na manhã desta terça-feira (10) a chamada Operação Pré-Carnaval, com foco no enfrentamento ao tráfico de drogas em Vitória da Conquista e cidades vizinhas.

Durante a ação, foi preso A.J.S., de 43 anos, apontado pelas investigações como um dos principais distribuidores de entorpecentes da região Sudoeste. A identidade completa do suspeito não foi divulgada pelas autoridades. Ele foi localizado em um apartamento situado em um condomínio no bairro Alto da Boa Vista, área considerada nobre da cidade.

De acordo com informações da Polícia Civil, o investigado já possuía antecedentes relevantes relacionados ao tráfico. Em 2022, ele foi preso após uma apreensão expressiva de aproximadamente 400 quilos de maconha e 10 quilos de cocaína — uma das maiores registradas na região nos últimos anos. Mesmo após a operação anterior, as investigações apontam que o suspeito teria retomado as atividades ilícitas, mantendo atuação no abastecimento do mercado ilegal de drogas no Sudoeste baiano.

A atual operação integra um planejamento estratégico da Polícia Civil voltado à intensificação do combate ao tráfico de drogas no período que antecede o Carnaval. Historicamente, as forças de segurança ampliam as ações nesse intervalo, considerando o aumento do fluxo de pessoas e, consequentemente, a elevação dos índices de circulação e consumo de substâncias ilícitas.

Segundo a corporação, a retirada de circulação de um investigado classificado como “peça-chave” na cadeia de distribuição representa impacto significativo na logística do crime organizado local. A expectativa é que a ação contribua para a redução da oferta de entorpecentes durante o período festivo.

Após a prisão, A.J.S. foi conduzido à unidade especializada da DTE, onde foi interrogado. Em seguida, foi transferido para o presídio, permanecendo à disposição do Poder Judiciário.

A Operação Pré-Carnaval segue em andamento, e novas diligências não estão descartadas.

(Maria Clara)

Operação Pré-Carnaval: A Prisão que Pode Redesenhar o Mapa do Tráfico no Sudoeste Baiano

A Polícia Civil da Bahia, por meio do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), através da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), deflagrou na manhã desta terça-feira (10) a chamada Operação Pré-Carnaval, com foco no enfrentamento ao tráfico de drogas em Vitória da Conquista e cidades vizinhas.

Durante a ação, foi preso A.J.S., de 43 anos, apontado pelas investigações como um dos principais distribuidores de entorpecentes da região Sudoeste. A identidade completa do suspeito não foi divulgada pelas autoridades. Ele foi localizado em um apartamento situado em um condomínio no bairro Alto da Boa Vista, área considerada nobre da cidade.

De acordo com informações da Polícia Civil, o investigado já possuía antecedentes relevantes relacionados ao tráfico. Em 2022, ele foi preso após uma apreensão expressiva de aproximadamente 400 quilos de maconha e 10 quilos de cocaína — uma das maiores registradas na região nos últimos anos. Mesmo após a operação anterior, as investigações apontam que o suspeito teria retomado as atividades ilícitas, mantendo atuação no abastecimento do mercado ilegal de drogas no Sudoeste baiano.

A atual operação integra um planejamento estratégico da Polícia Civil voltado à intensificação do combate ao tráfico de drogas no período que antecede o Carnaval. Historicamente, as forças de segurança ampliam as ações nesse intervalo, considerando o aumento do fluxo de pessoas e, consequentemente, a elevação dos índices de circulação e consumo de substâncias ilícitas.

Segundo a corporação, a retirada de circulação de um investigado classificado como “peça-chave” na cadeia de distribuição representa impacto significativo na logística do crime organizado local. A expectativa é que a ação contribua para a redução da oferta de entorpecentes durante o período festivo.

Após a prisão, A.J.S. foi conduzido à unidade especializada da DTE, onde foi interrogado. Em seguida, foi transferido para o presídio, permanecendo à disposição do Poder Judiciário.

A Operação Pré-Carnaval segue em andamento, e novas diligências não estão descartadas.

(Maria Clara)