Política e Resenha

Entre o Cristo e o Entardecer: A Poesia Viva de Vitória da Conquista

 

 

Vitória da Conquista

No alto do planalto, onde o vento pensa,
Vitória da Conquista acorda em silêncio antigo.
As manhãs chegam frias como oração,
e o dia se abre devagar,
como quem respeita a própria história.

Mas é ao entardecer que a cidade se revela.
O sol, cansado de caminhar o mundo,
vem morrer manso atrás do Cristo Operário,
tingindo de ouro e cobre o céu da cidade.
Seus braços abertos não pedem aplauso,
apenas acolhem:
o trabalhador, o sonhador, o cansado,
o que ainda espera.

Ali, o pôr do sol não é paisagem:
é liturgia.
O céu se ajoelha em tons de fogo e violeta,
e a cidade aprende, mais uma vez,
que resistir também é belo.

E quando os sinos do tempo ecoam,
Nossa Senhora das Vitórias caminha invisível
pelas ruas,
abençoando casas simples e corações complexos.
Ela conhece cada dor escondida,
cada promessa feita em segredo,
cada mãe que reza baixinho
para que a vida seja menos dura que o inverno.

As flores de Conquista não gritam cores,
elas sussurram.
Nascem firmes, discretas,
como quem aprendeu a florescer apesar do frio.
Em praças, jardins e quintais,
ensinam que beleza também é resistência.

E as mulheres…
ah, as mulheres de Vitória da Conquista.
Não são apenas belas —
são inteiras.
Carregam no olhar a coragem do sertão,
na fala a doçura que não se rende,
no passo a elegância de quem sabe
de onde veio e para onde vai.
São, sem exagero,
algumas das mulheres mais lindas do Brasil
porque misturam força e ternura
como quem transforma vida em poesia.

Vitória da Conquista não se explica.
Se sente.
É cidade que reza com os pés no chão
e os olhos no horizonte.
Onde o sol se despede com dignidade,
o Cristo acolhe em silêncio,
Nossa Senhora vela em amor,
e o povo — flor, mulher, trabalhador —
segue fazendo da vida
um ato diário de esperança.

Entre o Cristo e o Entardecer: A Poesia Viva de Vitória da Conquista

 

 

Vitória da Conquista

No alto do planalto, onde o vento pensa,
Vitória da Conquista acorda em silêncio antigo.
As manhãs chegam frias como oração,
e o dia se abre devagar,
como quem respeita a própria história.

Mas é ao entardecer que a cidade se revela.
O sol, cansado de caminhar o mundo,
vem morrer manso atrás do Cristo Operário,
tingindo de ouro e cobre o céu da cidade.
Seus braços abertos não pedem aplauso,
apenas acolhem:
o trabalhador, o sonhador, o cansado,
o que ainda espera.

Ali, o pôr do sol não é paisagem:
é liturgia.
O céu se ajoelha em tons de fogo e violeta,
e a cidade aprende, mais uma vez,
que resistir também é belo.

E quando os sinos do tempo ecoam,
Nossa Senhora das Vitórias caminha invisível
pelas ruas,
abençoando casas simples e corações complexos.
Ela conhece cada dor escondida,
cada promessa feita em segredo,
cada mãe que reza baixinho
para que a vida seja menos dura que o inverno.

As flores de Conquista não gritam cores,
elas sussurram.
Nascem firmes, discretas,
como quem aprendeu a florescer apesar do frio.
Em praças, jardins e quintais,
ensinam que beleza também é resistência.

E as mulheres…
ah, as mulheres de Vitória da Conquista.
Não são apenas belas —
são inteiras.
Carregam no olhar a coragem do sertão,
na fala a doçura que não se rende,
no passo a elegância de quem sabe
de onde veio e para onde vai.
São, sem exagero,
algumas das mulheres mais lindas do Brasil
porque misturam força e ternura
como quem transforma vida em poesia.

Vitória da Conquista não se explica.
Se sente.
É cidade que reza com os pés no chão
e os olhos no horizonte.
Onde o sol se despede com dignidade,
o Cristo acolhe em silêncio,
Nossa Senhora vela em amor,
e o povo — flor, mulher, trabalhador —
segue fazendo da vida
um ato diário de esperança.

ARTIGO – Política não é capricho: alianças, maturidade e o sentido antigo de ser companheiro

 

 

Padre Carlos

 

A política, quando observada com serenidade histórica, não é um território de impulsos nem de gestos movidos por suscetibilidades pessoais. Ela é, antes de tudo, a arte da negociação. Alianças não nascem do acaso, não se sustentam por vaidade e muito menos se desfazem por capricho. Trocar uma construção de décadas por razões subjetivas é sempre um gesto que levanta mais perguntas do que respostas — especialmente quando envolve trajetórias coletivas, projetos comuns e amizades políticas forjadas no tempo.

A decisão de romper com uma aliança histórica não pode ser analisada apenas como um movimento estratégico. Ela carrega implicações éticas, simbólicas e humanas. Quando o ego se sobrepõe à maturidade política, o risco é transformar divergências naturais em rupturas desnecessárias. A política exige grandeza para negociar perdas, administrar frustrações e compreender que o projeto coletivo é sempre maior do que a ambição individual.

Nesse ponto, a pergunta inevitável se impõe: como ficam os velhos amigos? Aqueles que caminharam juntos por décadas, que dividiram vitórias, derrotas, riscos e sacrifícios? A política não é feita apenas de cargos e chapas; ela é feita de confiança acumulada, de lealdades testadas e de histórias compartilhadas. Romper esse fio exige mais do que cálculo eleitoral — exige justificativa moral.

Há também um dilema que não pode ser ignorado. Ao mudar de campo, o político se vê diante de uma encruzilhada ética: subir no palanque para falar mal de antigos aliados, de pessoas com quem construiu um projeto, de companheiros de caminhada? A crítica política é legítima, mas a desqualificação pessoal de antigos parceiros costuma soar menos como convicção e mais como necessidade de autojustificação.

Na Roma Antiga, a palavra companheiro tinha um sentido profundamente simbólico. Vinha do latim cum panis — aquele com quem se reparte o pão. Companheiro não era apenas alguém que caminhava ao lado, mas alguém com quem se dividia o essencial, o sustento, o risco e a sobrevivência. Romper com um companio não era um gesto trivial; significava desfazer um laço que ultrapassava a conveniência momentânea.

Transportar esse sentido para a política contemporânea ajuda a iluminar o debate. Alianças duradouras são pactos de pão partilhado, de projetos comuns, de confiança mútua. Elas podem — e às vezes devem — ser renegociadas. Mas a renegociação pressupõe diálogo, respeito e maturidade. Quando a ruptura se dá por ressentimento ou por vaidade ferida, o gesto perde densidade política e ganha contornos pessoais.

A política, em sua forma mais nobre, é a capacidade de negociar sem destruir, de divergir sem aniquilar, de sair sem cuspir no prato em que se comeu por tantos anos. Quando o ego fala mais alto que a história construída, o preço costuma ser alto — não apenas para quem sai, mas para todos que caminharam juntos.

No fim, o julgamento não será apenas eleitoral. Ele será também histórico e moral. Porque projetos passam, cargos passam, mas a forma como se tratam os companheiros — aqueles com quem se repartiu o pão — permanece como marca indelével na biografia política de qualquer homem público.

ARTIGO – Política não é capricho: alianças, maturidade e o sentido antigo de ser companheiro

 

 

Padre Carlos

 

A política, quando observada com serenidade histórica, não é um território de impulsos nem de gestos movidos por suscetibilidades pessoais. Ela é, antes de tudo, a arte da negociação. Alianças não nascem do acaso, não se sustentam por vaidade e muito menos se desfazem por capricho. Trocar uma construção de décadas por razões subjetivas é sempre um gesto que levanta mais perguntas do que respostas — especialmente quando envolve trajetórias coletivas, projetos comuns e amizades políticas forjadas no tempo.

A decisão de romper com uma aliança histórica não pode ser analisada apenas como um movimento estratégico. Ela carrega implicações éticas, simbólicas e humanas. Quando o ego se sobrepõe à maturidade política, o risco é transformar divergências naturais em rupturas desnecessárias. A política exige grandeza para negociar perdas, administrar frustrações e compreender que o projeto coletivo é sempre maior do que a ambição individual.

Nesse ponto, a pergunta inevitável se impõe: como ficam os velhos amigos? Aqueles que caminharam juntos por décadas, que dividiram vitórias, derrotas, riscos e sacrifícios? A política não é feita apenas de cargos e chapas; ela é feita de confiança acumulada, de lealdades testadas e de histórias compartilhadas. Romper esse fio exige mais do que cálculo eleitoral — exige justificativa moral.

Há também um dilema que não pode ser ignorado. Ao mudar de campo, o político se vê diante de uma encruzilhada ética: subir no palanque para falar mal de antigos aliados, de pessoas com quem construiu um projeto, de companheiros de caminhada? A crítica política é legítima, mas a desqualificação pessoal de antigos parceiros costuma soar menos como convicção e mais como necessidade de autojustificação.

Na Roma Antiga, a palavra companheiro tinha um sentido profundamente simbólico. Vinha do latim cum panis — aquele com quem se reparte o pão. Companheiro não era apenas alguém que caminhava ao lado, mas alguém com quem se dividia o essencial, o sustento, o risco e a sobrevivência. Romper com um companio não era um gesto trivial; significava desfazer um laço que ultrapassava a conveniência momentânea.

Transportar esse sentido para a política contemporânea ajuda a iluminar o debate. Alianças duradouras são pactos de pão partilhado, de projetos comuns, de confiança mútua. Elas podem — e às vezes devem — ser renegociadas. Mas a renegociação pressupõe diálogo, respeito e maturidade. Quando a ruptura se dá por ressentimento ou por vaidade ferida, o gesto perde densidade política e ganha contornos pessoais.

A política, em sua forma mais nobre, é a capacidade de negociar sem destruir, de divergir sem aniquilar, de sair sem cuspir no prato em que se comeu por tantos anos. Quando o ego fala mais alto que a história construída, o preço costuma ser alto — não apenas para quem sai, mas para todos que caminharam juntos.

No fim, o julgamento não será apenas eleitoral. Ele será também histórico e moral. Porque projetos passam, cargos passam, mas a forma como se tratam os companheiros — aqueles com quem se repartiu o pão — permanece como marca indelével na biografia política de qualquer homem público.

ARTIGO – OS MILAGRES DO POVO: QUANDO A VIDA DESMENTE A LÓGICA

 

 

(Padre Carlos)

Caro leitor, há expressões que não passam por nós — elas nos atravessam. “Milagres do povo” é uma delas. Não porque carregue o peso solene dos dogmas, mas porque nasce do chão da vida, da poeira das ruas, da experiência concreta de quem aprendeu a sobreviver quando tudo conspirava contra. Caetano Veloso, ecoando a imaginação visceral de Jorge Amado, nos oferece uma dessas frases que parecem simples, mas escondem um abismo filosófico: “quem é ateu e viu milagres como eu…”.

À primeira escuta, a frase soa como uma provocação lógica. Ateus não veem milagres. Milagres exigiriam Deus. Deus exigiria fé. Mas a vida, essa velha indisciplinada, raramente respeita silogismos. E é justamente aí que o verso se transforma em chave interpretativa do Brasil profundo, da religiosidade popular, da cultura viva que não cabe nos manuais nem nas teorias bem comportadas.

O milagre, aqui, não é o espetáculo sobrenatural que suspende as leis da física. É outra coisa. É o improvável que insiste em acontecer. É a dignidade que resiste onde só havia abandono. É o pão repartido quando a fome parecia definitiva. É o riso que brota em meio ao luto. É a mãe que cria sozinha, o trabalhador que não desiste, o povo que sobrevive apesar do Estado ausente, da injustiça histórica, da desigualdade estrutural.

Os milagres do povo não descem do céu — eles sobem da terra.

São fenômenos que a ciência pode até descrever, mas não consegue esgotar. A cura inesperada, o encontro que muda um destino, a solidariedade espontânea em tempos de catástrofe, a força anônima das periferias, dos sertões, das comunidades esquecidas. Nada disso exige fé religiosa para ser reconhecido. Exige, antes, sensibilidade. Exige olhos treinados para enxergar além do cinismo e do cálculo frio.

Nossa época, embriagada pela tecnologia, pela inteligência artificial, pelos dados e algoritmos, corre o risco de perder algo essencial: a capacidade de se espantar. Reduzimos a existência a gráficos, estatísticas e explicações técnicas, como se compreender fosse o mesmo que esvaziar de sentido. Mas há dimensões da experiência humana — a dor, o amor, a esperança, a resistência — que não cabem em planilhas.

É nesse ponto que Caetano nos desafia, sem levantar a voz. Ele não prega. Ele sugere. Ele nos diz que é possível viver a experiência do milagre sem a necessidade da fé institucional. Que há uma espiritualidade laica, uma mística do cotidiano, uma transcendência que nasce do humano quando o humano se recusa a se render.

Os “milagres do povo” são, no fundo, uma crítica silenciosa ao elitismo da razão que despreza o saber popular, a fé simples, a intuição coletiva. São também um lembrete incômodo: se tantos milagres acontecem apesar das estruturas injustas, imagine o que poderia florescer se a política, a economia e as instituições estivessem a serviço da vida — e não o contrário.

Por isso, caro leitor, não se trata de convencer você a acreditar em Deus, mas de convidá-lo a não desacreditar da vida. A não perder a capacidade de perceber o extraordinário no ordinário. A reconhecer que, mesmo em um mundo duro, desigual e frequentemente desumano, o povo segue produzindo sentido, beleza e resistência.

Talvez, no fim das contas, o maior milagre seja este: continuar humano quando tudo empurra para a indiferença. E se até os ateus podem ver milagres, talvez seja porque os milagres nunca foram propriedade do céu — sempre foram patrimônio do povo.

ARTIGO – OS MILAGRES DO POVO: QUANDO A VIDA DESMENTE A LÓGICA

 

 

(Padre Carlos)

Caro leitor, há expressões que não passam por nós — elas nos atravessam. “Milagres do povo” é uma delas. Não porque carregue o peso solene dos dogmas, mas porque nasce do chão da vida, da poeira das ruas, da experiência concreta de quem aprendeu a sobreviver quando tudo conspirava contra. Caetano Veloso, ecoando a imaginação visceral de Jorge Amado, nos oferece uma dessas frases que parecem simples, mas escondem um abismo filosófico: “quem é ateu e viu milagres como eu…”.

À primeira escuta, a frase soa como uma provocação lógica. Ateus não veem milagres. Milagres exigiriam Deus. Deus exigiria fé. Mas a vida, essa velha indisciplinada, raramente respeita silogismos. E é justamente aí que o verso se transforma em chave interpretativa do Brasil profundo, da religiosidade popular, da cultura viva que não cabe nos manuais nem nas teorias bem comportadas.

O milagre, aqui, não é o espetáculo sobrenatural que suspende as leis da física. É outra coisa. É o improvável que insiste em acontecer. É a dignidade que resiste onde só havia abandono. É o pão repartido quando a fome parecia definitiva. É o riso que brota em meio ao luto. É a mãe que cria sozinha, o trabalhador que não desiste, o povo que sobrevive apesar do Estado ausente, da injustiça histórica, da desigualdade estrutural.

Os milagres do povo não descem do céu — eles sobem da terra.

São fenômenos que a ciência pode até descrever, mas não consegue esgotar. A cura inesperada, o encontro que muda um destino, a solidariedade espontânea em tempos de catástrofe, a força anônima das periferias, dos sertões, das comunidades esquecidas. Nada disso exige fé religiosa para ser reconhecido. Exige, antes, sensibilidade. Exige olhos treinados para enxergar além do cinismo e do cálculo frio.

Nossa época, embriagada pela tecnologia, pela inteligência artificial, pelos dados e algoritmos, corre o risco de perder algo essencial: a capacidade de se espantar. Reduzimos a existência a gráficos, estatísticas e explicações técnicas, como se compreender fosse o mesmo que esvaziar de sentido. Mas há dimensões da experiência humana — a dor, o amor, a esperança, a resistência — que não cabem em planilhas.

É nesse ponto que Caetano nos desafia, sem levantar a voz. Ele não prega. Ele sugere. Ele nos diz que é possível viver a experiência do milagre sem a necessidade da fé institucional. Que há uma espiritualidade laica, uma mística do cotidiano, uma transcendência que nasce do humano quando o humano se recusa a se render.

Os “milagres do povo” são, no fundo, uma crítica silenciosa ao elitismo da razão que despreza o saber popular, a fé simples, a intuição coletiva. São também um lembrete incômodo: se tantos milagres acontecem apesar das estruturas injustas, imagine o que poderia florescer se a política, a economia e as instituições estivessem a serviço da vida — e não o contrário.

Por isso, caro leitor, não se trata de convencer você a acreditar em Deus, mas de convidá-lo a não desacreditar da vida. A não perder a capacidade de perceber o extraordinário no ordinário. A reconhecer que, mesmo em um mundo duro, desigual e frequentemente desumano, o povo segue produzindo sentido, beleza e resistência.

Talvez, no fim das contas, o maior milagre seja este: continuar humano quando tudo empurra para a indiferença. E se até os ateus podem ver milagres, talvez seja porque os milagres nunca foram propriedade do céu — sempre foram patrimônio do povo.

ARTIGO – O Equilíbrio de Otto Alencar no Cenário Político Baiano

 

 

(Padre Carlos)

Se há um político na Bahia que merece consideração e respeito pela forma como conduz as relações partidárias, esse é o senador Otto Alencar. Ao longo de todo o processo em que o PT decidiu lançar uma chapa própria, deixando o senador Angelo Coronel fora da composição majoritária, a postura de Otto foi a de um líder experiente, comprometido com a estabilidade política e com a preservação dos acordos estratégicos construídos ao longo dos anos.

Em nenhum momento houve qualquer movimento de exclusão ou tentativa de isolamento político de Angelo Coronel. Pelo contrário: Otto colocou o PSD à disposição para que o senador pudesse construir uma candidatura independente, caso assim desejasse. Essa iniciativa teve como objetivo oferecer uma saída politicamente digna, sem comprometer a aliança do partido com o governo federal, com o presidente Lula, com o governador Jerônimo Rodrigues e com o senador Jaques Wagner. O PSD, como estrutura partidária, não gira em torno de um único nome, e seus deputados federais e estaduais dependem diretamente dessa aliança para manter governabilidade e viabilidade eleitoral.

O que se viu, posteriormente, foi a tentativa de Angelo Coronel de buscar, junto à direção nacional do partido, uma mudança na linha política do PSD na Bahia. Na prática, isso significaria enfraquecer a liderança de Otto Alencar no estado e rever compromissos já firmados com o campo governista. Sem encontrar apoio suficiente para essa estratégia, Coronel reagiu de forma pública e crítica, afirmando ter sido “defenestrado” do processo político — uma interpretação que não corresponde aos fatos.

Otto Alencar jamais adotou postura de hostilidade ou ruptura com um colega de partido e de Senado. Sua atuação sempre foi marcada pelo diálogo, pela lealdade aos acordos firmados e pela busca de soluções que preservassem tanto os indivíduos quanto o projeto político coletivo.

A experiência recente da política baiana demonstra que projetos construídos fora das alianças majoritárias tendem a enfrentar grandes dificuldades. Casos como os de João Leão e Marcelo Nilo ilustram como a tentativa de seguir caminhos isolados pode resultar em perda de espaço e influência. Esse histórico reforça que a política na Bahia se organiza a partir de pactos amplos, nos quais liderança, articulação e coerência estratégica são determinantes.

Nesse contexto, a condução de Otto Alencar se mostra equilibrada e responsável, ao priorizar o interesse do partido e da aliança maior, sem recorrer a gestos de exclusão ou confronto desnecessário. A situação envolvendo Angelo Coronel revela, sobretudo, os limites das iniciativas individuais quando não encontram respaldo no conjunto do projeto político vigente.

ARTIGO – O Equilíbrio de Otto Alencar no Cenário Político Baiano

 

 

(Padre Carlos)

Se há um político na Bahia que merece consideração e respeito pela forma como conduz as relações partidárias, esse é o senador Otto Alencar. Ao longo de todo o processo em que o PT decidiu lançar uma chapa própria, deixando o senador Angelo Coronel fora da composição majoritária, a postura de Otto foi a de um líder experiente, comprometido com a estabilidade política e com a preservação dos acordos estratégicos construídos ao longo dos anos.

Em nenhum momento houve qualquer movimento de exclusão ou tentativa de isolamento político de Angelo Coronel. Pelo contrário: Otto colocou o PSD à disposição para que o senador pudesse construir uma candidatura independente, caso assim desejasse. Essa iniciativa teve como objetivo oferecer uma saída politicamente digna, sem comprometer a aliança do partido com o governo federal, com o presidente Lula, com o governador Jerônimo Rodrigues e com o senador Jaques Wagner. O PSD, como estrutura partidária, não gira em torno de um único nome, e seus deputados federais e estaduais dependem diretamente dessa aliança para manter governabilidade e viabilidade eleitoral.

O que se viu, posteriormente, foi a tentativa de Angelo Coronel de buscar, junto à direção nacional do partido, uma mudança na linha política do PSD na Bahia. Na prática, isso significaria enfraquecer a liderança de Otto Alencar no estado e rever compromissos já firmados com o campo governista. Sem encontrar apoio suficiente para essa estratégia, Coronel reagiu de forma pública e crítica, afirmando ter sido “defenestrado” do processo político — uma interpretação que não corresponde aos fatos.

Otto Alencar jamais adotou postura de hostilidade ou ruptura com um colega de partido e de Senado. Sua atuação sempre foi marcada pelo diálogo, pela lealdade aos acordos firmados e pela busca de soluções que preservassem tanto os indivíduos quanto o projeto político coletivo.

A experiência recente da política baiana demonstra que projetos construídos fora das alianças majoritárias tendem a enfrentar grandes dificuldades. Casos como os de João Leão e Marcelo Nilo ilustram como a tentativa de seguir caminhos isolados pode resultar em perda de espaço e influência. Esse histórico reforça que a política na Bahia se organiza a partir de pactos amplos, nos quais liderança, articulação e coerência estratégica são determinantes.

Nesse contexto, a condução de Otto Alencar se mostra equilibrada e responsável, ao priorizar o interesse do partido e da aliança maior, sem recorrer a gestos de exclusão ou confronto desnecessário. A situação envolvendo Angelo Coronel revela, sobretudo, os limites das iniciativas individuais quando não encontram respaldo no conjunto do projeto político vigente.

Milano Mediadores de Negócios & Associados surge como nova aposta para fortalecer o ambiente empresarial na Bahia

 

 

 

Por Padre Carlos

 

Em um cenário econômico cada vez mais desafiador, marcado por instabilidade, alta complexidade regulatória e relações comerciais mais sensíveis, empresários e profissionais da área contábil em toda a Bahia têm sido pressionados a buscar soluções inovadoras para garantir sustentabilidade, crescimento e segurança jurídica. É nesse contexto que surge a Milano Mediadores de Negócios & Associados, iniciativa liderada pelo empresário Edvaldo Araújo, voltada especialmente para atender empresários e escritórios contábeis em âmbito estadual.

A economia baiana, fortemente sustentada por pequenos e médios empreendedores espalhados por diversas regiões do estado, enfrenta gargalos recorrentes: conflitos societários, dificuldades de negociação, ruídos entre empresas e prestadores de serviços, além de entraves que muitas vezes acabam judicializados, gerando custos elevados e desgaste nas relações. Para os profissionais contábeis, que atuam como verdadeiros pilares da gestão empresarial na Bahia, esses conflitos impactam diretamente o planejamento, a governança e a saúde financeira dos negócios.

É nesse ponto que a Milano Mediadores de Negócios & Associados se apresenta como uma solução estratégica em nível estadual. A proposta é atuar de forma preventiva e resolutiva, oferecendo mediação de negócios, negociação empresarial qualificada e resolução estratégica de conflitos, sempre com foco no diálogo, na construção de consensos e na preservação das relações comerciais entre empresas baianas.

A mediação de negócios é um método moderno e eficiente que busca solucionar divergências de forma técnica, confidencial e colaborativa, evitando longos processos judiciais. Diferentemente da lógica do confronto, a mediação prioriza interesses comuns, reduz riscos, preserva parcerias e contribui para um ambiente de negócios mais saudável em todo o estado. Para empresários e profissionais contábeis da Bahia, trata-se de uma ferramenta essencial de gestão estratégica, capaz de proteger ativos, reputações e relações de longo prazo.

A iniciativa liderada por Edvaldo Araújo também se destaca pelo foco em inovação empresarial e profissionalização. A Milano Mediadores de Negócios & Associados propõe integrar práticas modernas de governança, segurança jurídica e inteligência negocial, alinhadas às demandas de um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo no cenário baiano. Ao dialogar diretamente com o setor contábil, a empresa reconhece o papel estratégico desses profissionais como mediadores naturais entre números, decisões e pessoas.

Outro ponto central da proposta é o fortalecimento do ambiente de negócios da Bahia. Ao reduzir conflitos, melhorar a comunicação empresarial e criar soluções negociadas, a mediação contribui para o desenvolvimento empresarial em nível estadual, estimula a confiança entre agentes econômicos e fortalece a economia baiana como um todo.

Sem apelos promocionais excessivos, a Milano Mediadores de Negócios & Associados se posiciona como uma iniciativa alinhada ao interesse público, ao apostar na cultura do diálogo, da responsabilidade e da solução inteligente de conflitos. Trata-se de um movimento que dialoga com tendências nacionais e internacionais de desjudicialização e eficiência nas relações empresariais, agora aplicado à realidade da Bahia.

O lançamento da Milano Mediadores de Negócios & Associados aponta para um futuro em que a mediação profissional deixa de ser exceção e passa a ocupar papel central na gestão moderna dos negócios baianos. Em um ambiente empresarial cada vez mais interdependente, iniciativas como essa indicam que o caminho do crescimento sustentável passa, necessariamente, pela capacidade de negociar, mediar e construir soluções conjuntas em todo o estado.

Milano Mediadores de Negócios & Associados surge como nova aposta para fortalecer o ambiente empresarial na Bahia

 

 

 

Por Padre Carlos

 

Em um cenário econômico cada vez mais desafiador, marcado por instabilidade, alta complexidade regulatória e relações comerciais mais sensíveis, empresários e profissionais da área contábil em toda a Bahia têm sido pressionados a buscar soluções inovadoras para garantir sustentabilidade, crescimento e segurança jurídica. É nesse contexto que surge a Milano Mediadores de Negócios & Associados, iniciativa liderada pelo empresário Edvaldo Araújo, voltada especialmente para atender empresários e escritórios contábeis em âmbito estadual.

A economia baiana, fortemente sustentada por pequenos e médios empreendedores espalhados por diversas regiões do estado, enfrenta gargalos recorrentes: conflitos societários, dificuldades de negociação, ruídos entre empresas e prestadores de serviços, além de entraves que muitas vezes acabam judicializados, gerando custos elevados e desgaste nas relações. Para os profissionais contábeis, que atuam como verdadeiros pilares da gestão empresarial na Bahia, esses conflitos impactam diretamente o planejamento, a governança e a saúde financeira dos negócios.

É nesse ponto que a Milano Mediadores de Negócios & Associados se apresenta como uma solução estratégica em nível estadual. A proposta é atuar de forma preventiva e resolutiva, oferecendo mediação de negócios, negociação empresarial qualificada e resolução estratégica de conflitos, sempre com foco no diálogo, na construção de consensos e na preservação das relações comerciais entre empresas baianas.

A mediação de negócios é um método moderno e eficiente que busca solucionar divergências de forma técnica, confidencial e colaborativa, evitando longos processos judiciais. Diferentemente da lógica do confronto, a mediação prioriza interesses comuns, reduz riscos, preserva parcerias e contribui para um ambiente de negócios mais saudável em todo o estado. Para empresários e profissionais contábeis da Bahia, trata-se de uma ferramenta essencial de gestão estratégica, capaz de proteger ativos, reputações e relações de longo prazo.

A iniciativa liderada por Edvaldo Araújo também se destaca pelo foco em inovação empresarial e profissionalização. A Milano Mediadores de Negócios & Associados propõe integrar práticas modernas de governança, segurança jurídica e inteligência negocial, alinhadas às demandas de um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo no cenário baiano. Ao dialogar diretamente com o setor contábil, a empresa reconhece o papel estratégico desses profissionais como mediadores naturais entre números, decisões e pessoas.

Outro ponto central da proposta é o fortalecimento do ambiente de negócios da Bahia. Ao reduzir conflitos, melhorar a comunicação empresarial e criar soluções negociadas, a mediação contribui para o desenvolvimento empresarial em nível estadual, estimula a confiança entre agentes econômicos e fortalece a economia baiana como um todo.

Sem apelos promocionais excessivos, a Milano Mediadores de Negócios & Associados se posiciona como uma iniciativa alinhada ao interesse público, ao apostar na cultura do diálogo, da responsabilidade e da solução inteligente de conflitos. Trata-se de um movimento que dialoga com tendências nacionais e internacionais de desjudicialização e eficiência nas relações empresariais, agora aplicado à realidade da Bahia.

O lançamento da Milano Mediadores de Negócios & Associados aponta para um futuro em que a mediação profissional deixa de ser exceção e passa a ocupar papel central na gestão moderna dos negócios baianos. Em um ambiente empresarial cada vez mais interdependente, iniciativas como essa indicam que o caminho do crescimento sustentável passa, necessariamente, pela capacidade de negociar, mediar e construir soluções conjuntas em todo o estado.

ARTIGO – O silêncio regulatório que custa caro: as digitais de Roberto Campos Neto no caso Banco Master

 

 

(Padre Carlos)

Finalmente, começam a aparecer as digitais do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no escândalo do Banco Master. O que antes era tratado como suspeita, hoje ganha contornos de evidência política e regulatória. O jornal GGN já havia apontado o caminho. Agora, o Estadão confirma: em outubro de 2023, quando se esperava rigor, fiscalização e prudência, o Banco Central fez o oposto — afrouxou regras.

Em vez de apertar o cerco diante de sinais evidentes de risco, o BC editou normas sobre precatórios que permitiram ao Banco Master não ajustar imediatamente seu balanço. Na prática, a decisão regulatória funcionou como um escudo contábil: o banco pôde adiar o reconhecimento de perdas, evitar aportes de capital, não vender ativos e seguir crescendo como se nada estivesse errado. É o tipo de intervenção que não aparece em discursos, mas pesa toneladas quando a conta chega.

Esse gesto — que muitos já chamam de “presentão regulatório” — ajudou a ocultar um problema estrutural que agora explode no colo do sistema financeiro. A pergunta que se impõe não é retórica: por que flexibilizar justamente quando a prudência exigia firmeza? Em um país marcado por crises bancárias, a função do regulador é prevenir incêndios, não trocar o extintor por cortinas.

O caso revela algo mais profundo e perigoso: a captura do regulador. Quando normas são desenhadas sob medida para aliviar um banco específico, a fronteira entre técnica e política se dissolve. A independência do Banco Central — valor essencial à estabilidade econômica — perde sentido se não vier acompanhada de responsabilidade pública, transparência e isonomia. Independência não é licença para decidir no escuro nem para beneficiar poucos em detrimento do sistema.

O efeito colateral é devastador. A postergação artificial das perdas enganou o mercado, confundiu investidores e protelou decisões duras, mas necessárias. O custo da omissão regulatória não desaparece; ele se acumula, se capitaliza e explode. Quando explode, quem paga é a confiança — ativo mais precioso de qualquer sistema financeiro.

Há, ainda, o dano institucional. O episódio lança sombras sobre a gestão de Campos Neto e sobre a governança do Banco Central no período. Não se trata de criminalizar a divergência técnica, mas de exigir explicações públicas. Por que aquela norma, naquele momento, com aqueles efeitos? Em democracias maduras, decisões dessa magnitude não passam sem escrutínio.

O Brasil precisa aprender com seus próprios erros. Regulação bancária, supervisão financeira, precatórios, balanços, capitalização, risco sistêmico — essas não são palavras técnicas distantes da vida real. São engrenagens que, quando manipuladas para ganhar tempo político, cobram juros altos da sociedade.

O escândalo do Banco Master não é um raio em céu azul. Ele foi adiado, maquiado e tolerado. Agora, com os fatos à mesa, resta ao país fazer o que não foi feito lá atrás: iluminar decisões, responsabilizar agentes e reafirmar que o interesse público deve sempre prevalecer. O silêncio regulatório, como se vê, custa caro — e a conta, invariavelmente, chega.

ARTIGO – O silêncio regulatório que custa caro: as digitais de Roberto Campos Neto no caso Banco Master

 

 

(Padre Carlos)

Finalmente, começam a aparecer as digitais do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no escândalo do Banco Master. O que antes era tratado como suspeita, hoje ganha contornos de evidência política e regulatória. O jornal GGN já havia apontado o caminho. Agora, o Estadão confirma: em outubro de 2023, quando se esperava rigor, fiscalização e prudência, o Banco Central fez o oposto — afrouxou regras.

Em vez de apertar o cerco diante de sinais evidentes de risco, o BC editou normas sobre precatórios que permitiram ao Banco Master não ajustar imediatamente seu balanço. Na prática, a decisão regulatória funcionou como um escudo contábil: o banco pôde adiar o reconhecimento de perdas, evitar aportes de capital, não vender ativos e seguir crescendo como se nada estivesse errado. É o tipo de intervenção que não aparece em discursos, mas pesa toneladas quando a conta chega.

Esse gesto — que muitos já chamam de “presentão regulatório” — ajudou a ocultar um problema estrutural que agora explode no colo do sistema financeiro. A pergunta que se impõe não é retórica: por que flexibilizar justamente quando a prudência exigia firmeza? Em um país marcado por crises bancárias, a função do regulador é prevenir incêndios, não trocar o extintor por cortinas.

O caso revela algo mais profundo e perigoso: a captura do regulador. Quando normas são desenhadas sob medida para aliviar um banco específico, a fronteira entre técnica e política se dissolve. A independência do Banco Central — valor essencial à estabilidade econômica — perde sentido se não vier acompanhada de responsabilidade pública, transparência e isonomia. Independência não é licença para decidir no escuro nem para beneficiar poucos em detrimento do sistema.

O efeito colateral é devastador. A postergação artificial das perdas enganou o mercado, confundiu investidores e protelou decisões duras, mas necessárias. O custo da omissão regulatória não desaparece; ele se acumula, se capitaliza e explode. Quando explode, quem paga é a confiança — ativo mais precioso de qualquer sistema financeiro.

Há, ainda, o dano institucional. O episódio lança sombras sobre a gestão de Campos Neto e sobre a governança do Banco Central no período. Não se trata de criminalizar a divergência técnica, mas de exigir explicações públicas. Por que aquela norma, naquele momento, com aqueles efeitos? Em democracias maduras, decisões dessa magnitude não passam sem escrutínio.

O Brasil precisa aprender com seus próprios erros. Regulação bancária, supervisão financeira, precatórios, balanços, capitalização, risco sistêmico — essas não são palavras técnicas distantes da vida real. São engrenagens que, quando manipuladas para ganhar tempo político, cobram juros altos da sociedade.

O escândalo do Banco Master não é um raio em céu azul. Ele foi adiado, maquiado e tolerado. Agora, com os fatos à mesa, resta ao país fazer o que não foi feito lá atrás: iluminar decisões, responsabilizar agentes e reafirmar que o interesse público deve sempre prevalecer. O silêncio regulatório, como se vê, custa caro — e a conta, invariavelmente, chega.

ARTIGO – Uma Mão Cheia de Misericórdia Sobre Todos

 

 

(Padre Carlos)

O que sustenta uma pessoa quando tudo parece ruir? O que mantém de pé alguém que caminha entre dores, perdas, frustrações e silêncios? A resposta não costuma fazer barulho. Ela não vem em discursos inflamados nem em promessas fáceis. Vem, quase sempre, como um sussurro ao coração: uma mão estendida, cheia de misericórdia.

A Palavra de Deus nunca caminha sozinha. Ela acompanha, ilumina e dá sentido aos passos daqueles que realmente conhecem a Pessoa de Jesus. E aqui é preciso dizer com clareza: conhecer Jesus não é decorar doutrinas nem repetir fórmulas religiosas. Conhecer Jesus é entrar em relação com o seu coração concreto, humano, ferido de amor pela humanidade. É deixar-se tocar por Ele.

A vida cristã é um caminho. Longo, exigente, às vezes árido. Um caminho de fé que passa, inevitavelmente, pelas bem-aventuranças proclamadas no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a). Não como um ideal abstrato, mas como um projeto real de vida.

A cena é simples e profundamente humana. Jesus sobe à montanha, senta-se, aproxima-se dos discípulos e começa a ensinar. Não grita. Não ameaça. Não seduz pelo espetáculo. Ele fala com autoridade serena, com proximidade e cuidado. Fala ao coração de quem deseja escutar. O destino de suas palavras é a vida interior, esse território silencioso onde se decide quem somos de verdade.

Ali, Jesus apresenta uma inversão radical de valores. Chama felizes aqueles que o mundo costuma chamar de fracos, derrotados ou invisíveis. Felizes os pobres de espírito. Felizes os que choram. Felizes os mansos. Felizes os que têm fome e sede de justiça. Felizes os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os perseguidos por causa da justiça. É um choque. Um ponto de virada. Uma provocação direta à lógica do poder, do sucesso e da aparência.

Não se trata de glorificar o sofrimento nem de romantizar a dor. Trata-se de revelar que um coração voltado para Deus, humilde, justo e misericordioso, já participa da alegria do Reino. A felicidade anunciada por Jesus não depende das circunstâncias externas, mas da profundidade da relação com Deus.

O caminho das bem-aventuranças conduz à eternidade, mas passa pela cruz. Não é um caminho confortável. É discipulado. É aprendizado diário. É cair e levantar. É confiar mesmo quando não se entende. O sofrimento pode acompanhar a peregrinação da vida, mas ele não tem a última palavra. Deus prometeu justiça. Prometeu restauração. Prometeu enxugar toda lágrima.

Nada pode roubar a paz interior de quem vive unido a Deus e procura realizar a sua vontade. Essa paz não é ausência de conflitos, mas presença de sentido. É discreta. Não faz propaganda de si mesma. Não se impõe. Cresce no silêncio do coração fiel nas pequenas coisas de cada dia.

Santa Teresa de Calcutá compreendeu isso com clareza desconcertante: “Deus não nos pede sucesso, mas fidelidade.” Essa fidelidade cotidiana, escondida aos olhos do mundo e ignorada pelos algoritmos da vaidade, é o solo onde o Reino de Deus já floresce.

Como recordava o Papa Leão, “O Senhor não faz barulho, mas o seu Reino brota e cresce em todos os recantos do mundo.” Deus age assim: silencioso, paciente, profundo. Não conquista corações pela força, mas pela misericórdia. Não busca aplausos, mas conversões interiores.

Cada gesto de misericórdia, cada perdão concedido, cada fidelidade vivida no anonimato, cada sofrimento oferecido com amor faz o Reino crescer de forma real e eficaz. Mesmo quando nada parece mudar por fora, Deus trabalha por dentro, na trama invisível da história, fazendo germinar uma vida nova.

O Papa Francisco ensina que as bem-aventuranças revelam o próprio rosto de Cristo e, por isso, desenham o perfil do verdadeiro cristão. Não há outro caminho. Ainda que seja exigente, é nele que se encontra a verdadeira felicidade.

As provações e perseguições tornam-se, paradoxalmente, oportunidades de testemunho. E mesmo quando caímos — porque caímos — Deus permanece fiel. Ele estende a mão. Uma mão forte, mas terna. Uma mão cheia de misericórdia derramada sobre todos.

Ser bem-aventurado é isso: confiar a própria vida ao Senhor, todos os dias. Mesmo sem garantias humanas. Mesmo sem aplausos. Sigamos o caminho das bem-aventuranças. É nele que, silenciosamente, encontramos essa mão de Deus — sempre aberta, sempre misericordiosa, sempre sobre todos.

ARTIGO – Uma Mão Cheia de Misericórdia Sobre Todos

 

 

(Padre Carlos)

O que sustenta uma pessoa quando tudo parece ruir? O que mantém de pé alguém que caminha entre dores, perdas, frustrações e silêncios? A resposta não costuma fazer barulho. Ela não vem em discursos inflamados nem em promessas fáceis. Vem, quase sempre, como um sussurro ao coração: uma mão estendida, cheia de misericórdia.

A Palavra de Deus nunca caminha sozinha. Ela acompanha, ilumina e dá sentido aos passos daqueles que realmente conhecem a Pessoa de Jesus. E aqui é preciso dizer com clareza: conhecer Jesus não é decorar doutrinas nem repetir fórmulas religiosas. Conhecer Jesus é entrar em relação com o seu coração concreto, humano, ferido de amor pela humanidade. É deixar-se tocar por Ele.

A vida cristã é um caminho. Longo, exigente, às vezes árido. Um caminho de fé que passa, inevitavelmente, pelas bem-aventuranças proclamadas no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a). Não como um ideal abstrato, mas como um projeto real de vida.

A cena é simples e profundamente humana. Jesus sobe à montanha, senta-se, aproxima-se dos discípulos e começa a ensinar. Não grita. Não ameaça. Não seduz pelo espetáculo. Ele fala com autoridade serena, com proximidade e cuidado. Fala ao coração de quem deseja escutar. O destino de suas palavras é a vida interior, esse território silencioso onde se decide quem somos de verdade.

Ali, Jesus apresenta uma inversão radical de valores. Chama felizes aqueles que o mundo costuma chamar de fracos, derrotados ou invisíveis. Felizes os pobres de espírito. Felizes os que choram. Felizes os mansos. Felizes os que têm fome e sede de justiça. Felizes os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os perseguidos por causa da justiça. É um choque. Um ponto de virada. Uma provocação direta à lógica do poder, do sucesso e da aparência.

Não se trata de glorificar o sofrimento nem de romantizar a dor. Trata-se de revelar que um coração voltado para Deus, humilde, justo e misericordioso, já participa da alegria do Reino. A felicidade anunciada por Jesus não depende das circunstâncias externas, mas da profundidade da relação com Deus.

O caminho das bem-aventuranças conduz à eternidade, mas passa pela cruz. Não é um caminho confortável. É discipulado. É aprendizado diário. É cair e levantar. É confiar mesmo quando não se entende. O sofrimento pode acompanhar a peregrinação da vida, mas ele não tem a última palavra. Deus prometeu justiça. Prometeu restauração. Prometeu enxugar toda lágrima.

Nada pode roubar a paz interior de quem vive unido a Deus e procura realizar a sua vontade. Essa paz não é ausência de conflitos, mas presença de sentido. É discreta. Não faz propaganda de si mesma. Não se impõe. Cresce no silêncio do coração fiel nas pequenas coisas de cada dia.

Santa Teresa de Calcutá compreendeu isso com clareza desconcertante: “Deus não nos pede sucesso, mas fidelidade.” Essa fidelidade cotidiana, escondida aos olhos do mundo e ignorada pelos algoritmos da vaidade, é o solo onde o Reino de Deus já floresce.

Como recordava o Papa Leão, “O Senhor não faz barulho, mas o seu Reino brota e cresce em todos os recantos do mundo.” Deus age assim: silencioso, paciente, profundo. Não conquista corações pela força, mas pela misericórdia. Não busca aplausos, mas conversões interiores.

Cada gesto de misericórdia, cada perdão concedido, cada fidelidade vivida no anonimato, cada sofrimento oferecido com amor faz o Reino crescer de forma real e eficaz. Mesmo quando nada parece mudar por fora, Deus trabalha por dentro, na trama invisível da história, fazendo germinar uma vida nova.

O Papa Francisco ensina que as bem-aventuranças revelam o próprio rosto de Cristo e, por isso, desenham o perfil do verdadeiro cristão. Não há outro caminho. Ainda que seja exigente, é nele que se encontra a verdadeira felicidade.

As provações e perseguições tornam-se, paradoxalmente, oportunidades de testemunho. E mesmo quando caímos — porque caímos — Deus permanece fiel. Ele estende a mão. Uma mão forte, mas terna. Uma mão cheia de misericórdia derramada sobre todos.

Ser bem-aventurado é isso: confiar a própria vida ao Senhor, todos os dias. Mesmo sem garantias humanas. Mesmo sem aplausos. Sigamos o caminho das bem-aventuranças. É nele que, silenciosamente, encontramos essa mão de Deus — sempre aberta, sempre misericordiosa, sempre sobre todos.

ARTIGO – Libelu: quando a juventude ousou dizer “Abaixo a Ditadura” e pagou o preço da história

 

 

(Padre Carlos)

Há documentários que chegam tarde. Outros chegam cedo demais. Libelu – Abaixo a Ditadura, vencedor da mostra É Tudo Verdade, chega exatamente na hora certa. Num país que flerta perigosamente com a amnésia histórica, revisitar a experiência da Liberdade e Luta (Libelu) não é exercício de nostalgia, mas um gesto político de memória, crítica e provocação intelectual.

A escolha de Mino Carta, o jornalista “neutro” por excelência, para abrir o filme já é um comentário irônico por si só. Nada mais apropriado para falar de um movimento que nunca acreditou na neutralidade como virtude, mas sempre a tratou como disfarce ideológico. A Libelu foi, na segunda metade dos anos 1970, uma ruptura consciente com o movimento estudantil moldado pela guerrilha, pelo stalinismo e pelo maoísmo. Rompeu politicamente, rompeu esteticamente e, sobretudo, rompeu com o medo.

O cenário do documentário é simbólico ao extremo: o mezanino da FAU-USP, espaço onde aqueles jovens foram tribunos inflamados contra a ditadura militar, hoje abriga homens maduros revisitando suas próprias contradições. A montagem cria uma tensão poderosa entre passado e presente, imagens de cartazes, assembleias e enfrentamentos se chocam com rostos marcados pelo tempo e pela história. O filme não apenas narra: ele interpela.

Como lembra Diógenes Muniz, os atos estudantis de 1977 foram o ensaio geral das greves operárias do ABC. Os estudantes atuaram como batedores da insurreição operária que, entre 1978 e 1980, feriu mortalmente a ditadura. E a Libelu estava na linha de frente. A ousadia de retomar o grito “Abaixo a Ditadura”, quando grande parte da esquerda temia a repressão, foi um divisor de águas. Não se tratava de bravata, mas de leitura política: os tempos não eram 1968, e a estratégia também não poderia ser.

A influência da OSI (Organização Socialista Internacionalista) foi decisiva nesse ponto. Ao criticar o foquismo guerrilheiro e a política isolada das massas, a Libelu apostou na aliança operário-estudantil e na ação coletiva como motor da transformação social. Derrubar a ditadura não seria tarefa de iluminados armados, mas de um movimento de massas consciente e organizado. Essa foi, talvez, sua maior virtude — e também uma de suas maiores ilusões.

A Libelu também foi uma rebelião cultural. Enquanto correntes stalinistas e maoístas demonizavam o rock, a guitarra elétrica, o soul e o funk como “imperialismo cultural”, os libelus liam Trótski, citavam Breton, dialogavam com a Tropicália e defendiam a liberdade radical da arte. Não por acaso, Caetano Veloso reconheceu que foram eles que “habilitaram” sua imagem junto à esquerda brasileira. Era política, mas também era estética, desejo, invenção.

Comparar a Libelu à Semana de Arte Moderna de 1922 pode soar exagero, como sugere José Arbex, mas talvez a analogia correta seja outra: a Libelu foi para a política o que o tropicalismo foi para a cultura — uma ruptura com a caretice, o nacionalismo obtuso e a disciplina autoritária travestida de virtude revolucionária. “Toda licença em arte”, diziam Trótski e Breton. A Libelu tentou aplicar essa máxima também à política.

Mas a história raramente é generosa com seus ousados. Ao defender o boicote às eleições de 1978, o voto nulo e a construção de um Partido Operário Independente, a Libelu entrou em rota de colisão não apenas com a ditadura, mas com a transição pactuada conduzida por Geisel e Golbery — e aceita, com entusiasmo constrangedor, pela maior parte da esquerda. Nesse ponto, a Libelu estava certa. E foi derrotada.

O documentário acerta ao evitar a tentação moralista de julgar trajetórias individuais, mas não escapa de um tom melancólico. Antonio Palocci e Demétrio Magnoli simbolizam, cada um à sua maneira, a migração da rebeldia juvenil para o pragmatismo — ou cinismo — adulto. A leitura do poema de Paulo Leminski, gesto brilhante do diretor, expõe os personagens diante de sua própria memória, como se a poesia cobrasse uma dívida histórica que nunca foi paga.

O problema não é que a revolução permanente tenha fracassado. O problema é que seus protagonistas desistiram de perguntar por que fracassaram. A Libelu desapareceu não apenas por repressão externa, mas por limites internos: sectarismo, incapacidade de dialogar com a juventude negra, dificuldade real de enraizamento no movimento operário e uma leitura esquemática da realidade brasileira. A história mostrou, como sempre, ser mais forte que os modelos abstratos.

Ao integrar-se ao processo que levou ao PT, a Libelu perdeu seu caráter disruptivo. Aquilo que nasceu para confrontar a transição pactuada acabou absorvido por ela. O resultado está aí: uma geração que lutou contra a ditadura e viu seus sonhos desembocarem no neoliberalismo, na institucionalização da esquerda e na erosão de seus próprios ideais.

Ainda assim, reduzir a Libelu a um fracasso seria injusto e intelectualmente preguiçoso. Sua experiência permanece como alerta e inspiração. Mostra que a juventude pode, sim, ser sujeito histórico; que política sem ousadia vira administração da miséria; e que memória é arma contra a repetição dos erros.

Em tempos de crises democráticas, autoritarismos reciclados e uma juventude novamente inquieta, revisitar a Libelu é mais do que olhar para trás. É perguntar, com honestidade brutal: onde erramos, por que erramos e o que ainda pode ser salvo? Essa talvez seja a herança mais valiosa deixada por aqueles jovens que, um dia, ousaram gritar — sem pedir licença — abaixo a ditadura.

ARTIGO – Libelu: quando a juventude ousou dizer “Abaixo a Ditadura” e pagou o preço da história

 

 

(Padre Carlos)

Há documentários que chegam tarde. Outros chegam cedo demais. Libelu – Abaixo a Ditadura, vencedor da mostra É Tudo Verdade, chega exatamente na hora certa. Num país que flerta perigosamente com a amnésia histórica, revisitar a experiência da Liberdade e Luta (Libelu) não é exercício de nostalgia, mas um gesto político de memória, crítica e provocação intelectual.

A escolha de Mino Carta, o jornalista “neutro” por excelência, para abrir o filme já é um comentário irônico por si só. Nada mais apropriado para falar de um movimento que nunca acreditou na neutralidade como virtude, mas sempre a tratou como disfarce ideológico. A Libelu foi, na segunda metade dos anos 1970, uma ruptura consciente com o movimento estudantil moldado pela guerrilha, pelo stalinismo e pelo maoísmo. Rompeu politicamente, rompeu esteticamente e, sobretudo, rompeu com o medo.

O cenário do documentário é simbólico ao extremo: o mezanino da FAU-USP, espaço onde aqueles jovens foram tribunos inflamados contra a ditadura militar, hoje abriga homens maduros revisitando suas próprias contradições. A montagem cria uma tensão poderosa entre passado e presente, imagens de cartazes, assembleias e enfrentamentos se chocam com rostos marcados pelo tempo e pela história. O filme não apenas narra: ele interpela.

Como lembra Diógenes Muniz, os atos estudantis de 1977 foram o ensaio geral das greves operárias do ABC. Os estudantes atuaram como batedores da insurreição operária que, entre 1978 e 1980, feriu mortalmente a ditadura. E a Libelu estava na linha de frente. A ousadia de retomar o grito “Abaixo a Ditadura”, quando grande parte da esquerda temia a repressão, foi um divisor de águas. Não se tratava de bravata, mas de leitura política: os tempos não eram 1968, e a estratégia também não poderia ser.

A influência da OSI (Organização Socialista Internacionalista) foi decisiva nesse ponto. Ao criticar o foquismo guerrilheiro e a política isolada das massas, a Libelu apostou na aliança operário-estudantil e na ação coletiva como motor da transformação social. Derrubar a ditadura não seria tarefa de iluminados armados, mas de um movimento de massas consciente e organizado. Essa foi, talvez, sua maior virtude — e também uma de suas maiores ilusões.

A Libelu também foi uma rebelião cultural. Enquanto correntes stalinistas e maoístas demonizavam o rock, a guitarra elétrica, o soul e o funk como “imperialismo cultural”, os libelus liam Trótski, citavam Breton, dialogavam com a Tropicália e defendiam a liberdade radical da arte. Não por acaso, Caetano Veloso reconheceu que foram eles que “habilitaram” sua imagem junto à esquerda brasileira. Era política, mas também era estética, desejo, invenção.

Comparar a Libelu à Semana de Arte Moderna de 1922 pode soar exagero, como sugere José Arbex, mas talvez a analogia correta seja outra: a Libelu foi para a política o que o tropicalismo foi para a cultura — uma ruptura com a caretice, o nacionalismo obtuso e a disciplina autoritária travestida de virtude revolucionária. “Toda licença em arte”, diziam Trótski e Breton. A Libelu tentou aplicar essa máxima também à política.

Mas a história raramente é generosa com seus ousados. Ao defender o boicote às eleições de 1978, o voto nulo e a construção de um Partido Operário Independente, a Libelu entrou em rota de colisão não apenas com a ditadura, mas com a transição pactuada conduzida por Geisel e Golbery — e aceita, com entusiasmo constrangedor, pela maior parte da esquerda. Nesse ponto, a Libelu estava certa. E foi derrotada.

O documentário acerta ao evitar a tentação moralista de julgar trajetórias individuais, mas não escapa de um tom melancólico. Antonio Palocci e Demétrio Magnoli simbolizam, cada um à sua maneira, a migração da rebeldia juvenil para o pragmatismo — ou cinismo — adulto. A leitura do poema de Paulo Leminski, gesto brilhante do diretor, expõe os personagens diante de sua própria memória, como se a poesia cobrasse uma dívida histórica que nunca foi paga.

O problema não é que a revolução permanente tenha fracassado. O problema é que seus protagonistas desistiram de perguntar por que fracassaram. A Libelu desapareceu não apenas por repressão externa, mas por limites internos: sectarismo, incapacidade de dialogar com a juventude negra, dificuldade real de enraizamento no movimento operário e uma leitura esquemática da realidade brasileira. A história mostrou, como sempre, ser mais forte que os modelos abstratos.

Ao integrar-se ao processo que levou ao PT, a Libelu perdeu seu caráter disruptivo. Aquilo que nasceu para confrontar a transição pactuada acabou absorvido por ela. O resultado está aí: uma geração que lutou contra a ditadura e viu seus sonhos desembocarem no neoliberalismo, na institucionalização da esquerda e na erosão de seus próprios ideais.

Ainda assim, reduzir a Libelu a um fracasso seria injusto e intelectualmente preguiçoso. Sua experiência permanece como alerta e inspiração. Mostra que a juventude pode, sim, ser sujeito histórico; que política sem ousadia vira administração da miséria; e que memória é arma contra a repetição dos erros.

Em tempos de crises democráticas, autoritarismos reciclados e uma juventude novamente inquieta, revisitar a Libelu é mais do que olhar para trás. É perguntar, com honestidade brutal: onde erramos, por que erramos e o que ainda pode ser salvo? Essa talvez seja a herança mais valiosa deixada por aqueles jovens que, um dia, ousaram gritar — sem pedir licença — abaixo a ditadura.

ARTIGO – Amigo é Casa: quando o afeto vira abrigo num mundo em ruínas

 

 

(Padre Carlos)

Vivemos tempos em que as pessoas têm endereço, mas não têm morada. Casas cheias, corações vazios. Redes sociais lotadas, vínculos frágeis. É nesse cenário de solidão disfarçada de modernidade que a ideia de que amigo é casa ganha uma força quase revolucionária.

Amigo não é passagem. Amigo é permanência. É o lugar onde se pode entrar sem bater, sentar sem pedir licença e ficar em silêncio sem constrangimento. Em um mundo que cobra performance, produtividade e sucesso, a amizade verdadeira é o raro espaço onde não se exige nada além de ser quem se é.

A amizade, quando é real, funciona como abrigo emocional. Ela protege da intempérie da vida, do frio da indiferença social e da violência simbólica que transforma pessoas em números. Ter um amigo é ter onde repousar a alma quando o mundo se torna excessivamente duro.

Num tempo marcado pelo individualismo e pela fragilidade das relações humanas, a amizade é um ato de resistência. É ali que se aprende a escutar sem julgar, a acolher sem corrigir, a permanecer sem abandonar. Amigo não resolve tudo — mas permanece. E, muitas vezes, permanecer já é salvar.

Há algo profundamente humano na amizade: ela não se compra, não se impõe, não se agenda. Ela acontece. Cresce no cotidiano, no cuidado silencioso, na presença fiel. Por isso, quando a vida desmorona, é ao amigo que se retorna — como quem volta para casa depois de uma longa guerra.

Talvez o maior empobrecimento da nossa era não seja econômico, mas afetivo. Perdemos tempo acumulando coisas e esquecemos de cultivar pessoas. Recuperar o valor da amizade é também recuperar nossa própria humanidade, nossa saúde emocional e nossa capacidade de pertencimento.

No fim das contas, casa não é parede. Casa é gente.
E amigo — quando é de verdade — é teto, chão e porto seguro.

(Padre Carlos)

ARTIGO – Amigo é Casa: quando o afeto vira abrigo num mundo em ruínas

 

 

(Padre Carlos)

Vivemos tempos em que as pessoas têm endereço, mas não têm morada. Casas cheias, corações vazios. Redes sociais lotadas, vínculos frágeis. É nesse cenário de solidão disfarçada de modernidade que a ideia de que amigo é casa ganha uma força quase revolucionária.

Amigo não é passagem. Amigo é permanência. É o lugar onde se pode entrar sem bater, sentar sem pedir licença e ficar em silêncio sem constrangimento. Em um mundo que cobra performance, produtividade e sucesso, a amizade verdadeira é o raro espaço onde não se exige nada além de ser quem se é.

A amizade, quando é real, funciona como abrigo emocional. Ela protege da intempérie da vida, do frio da indiferença social e da violência simbólica que transforma pessoas em números. Ter um amigo é ter onde repousar a alma quando o mundo se torna excessivamente duro.

Num tempo marcado pelo individualismo e pela fragilidade das relações humanas, a amizade é um ato de resistência. É ali que se aprende a escutar sem julgar, a acolher sem corrigir, a permanecer sem abandonar. Amigo não resolve tudo — mas permanece. E, muitas vezes, permanecer já é salvar.

Há algo profundamente humano na amizade: ela não se compra, não se impõe, não se agenda. Ela acontece. Cresce no cotidiano, no cuidado silencioso, na presença fiel. Por isso, quando a vida desmorona, é ao amigo que se retorna — como quem volta para casa depois de uma longa guerra.

Talvez o maior empobrecimento da nossa era não seja econômico, mas afetivo. Perdemos tempo acumulando coisas e esquecemos de cultivar pessoas. Recuperar o valor da amizade é também recuperar nossa própria humanidade, nossa saúde emocional e nossa capacidade de pertencimento.

No fim das contas, casa não é parede. Casa é gente.
E amigo — quando é de verdade — é teto, chão e porto seguro.

(Padre Carlos)

ARTIGO – O Banco Master e a Política: quando o Cofre Aprende a Falar Brasília

 

 

(Padre Carlos)

No Brasil, bancos não quebram — eles conversam. Conversam com políticos, com gabinetes, com partidos, com o poder. A revelação de que a Polícia Federal encontrou indícios de ligação entre políticos e o Banco Master não chega exatamente como surpresa. Chega mais como confirmação. É aquele momento constrangedor em que o espelho é colocado à frente da política brasileira e, infelizmente, o reflexo não mente.

O banqueiro Daniel Vorcaro, agora protagonista da operação Compliance Zero, já era figura conhecida nos círculos certos — ou errados, depende do ponto de vista. Sua mansão em Brasília não era apenas uma residência de luxo; era uma extensão informal do Congresso, uma espécie de “anexo VIP” onde decisões não eram votadas, mas alinhadas. Afinal, no Brasil, o poder gosta de sofá confortável, taça cheia e portas fechadas.

Dizem que dinheiro não fala. No Brasil, ele discursa, articula, financia e, se necessário, redige emendas. O Banco Master entra nessa história não apenas como instituição financeira sob suspeita, mas como metáfora perfeita de um sistema onde o crédito flui com mais facilidade para quem tem mandato, foro privilegiado ou trânsito nos corredores certos. Fraudes em crédito consignado? Irregularidades bancárias? Lavagem de dinheiro? Tudo isso parece quase detalhe quando comparado ao espetáculo maior: a promiscuidade institucionalizada entre poder econômico e poder político.

O silêncio em torno dos nomes envolvidos — protegido pelo verniz jurídico do sigilo — é compreensível na letra da lei, mas indigesto na ética pública. O cidadão comum, que enfrenta juros abusivos, impostos altos e serviços públicos precários, assiste a tudo como quem paga ingresso caro para um teatro onde nunca pode subir ao palco. Transparência, no Brasil, continua sendo promessa de campanha e exceção prática.

Agora, o STF entra em cena para cuidar da parte nobre do processo: aquela que envolve autoridades com foro privilegiado. Eis a grande oportunidade. Ou o Supremo mostra que a justiça não distingue CPF comum de crachá parlamentar, ou reforça a sensação de que há duas leis no país — uma para quem paga a conta e outra para quem escolhe o vinho.

O caso do Banco Master não é um raio em céu azul. É o clima. Hoje é um banco, amanhã será outro. Ontem foi outro ainda. O problema não está apenas nos nomes, mas no modelo. Enquanto a política brasileira continuar tratando o dinheiro como aliado estratégico e não como risco democrático, seguiremos presos a escândalos financeiros, operações policiais cinematográficas e discursos indignados que duram até a próxima manchete.

No fim das contas, o Banco Master é só o espelho. O incômodo mesmo é reconhecer quem aparece refletido nele.

ARTIGO – O Banco Master e a Política: quando o Cofre Aprende a Falar Brasília

 

 

(Padre Carlos)

No Brasil, bancos não quebram — eles conversam. Conversam com políticos, com gabinetes, com partidos, com o poder. A revelação de que a Polícia Federal encontrou indícios de ligação entre políticos e o Banco Master não chega exatamente como surpresa. Chega mais como confirmação. É aquele momento constrangedor em que o espelho é colocado à frente da política brasileira e, infelizmente, o reflexo não mente.

O banqueiro Daniel Vorcaro, agora protagonista da operação Compliance Zero, já era figura conhecida nos círculos certos — ou errados, depende do ponto de vista. Sua mansão em Brasília não era apenas uma residência de luxo; era uma extensão informal do Congresso, uma espécie de “anexo VIP” onde decisões não eram votadas, mas alinhadas. Afinal, no Brasil, o poder gosta de sofá confortável, taça cheia e portas fechadas.

Dizem que dinheiro não fala. No Brasil, ele discursa, articula, financia e, se necessário, redige emendas. O Banco Master entra nessa história não apenas como instituição financeira sob suspeita, mas como metáfora perfeita de um sistema onde o crédito flui com mais facilidade para quem tem mandato, foro privilegiado ou trânsito nos corredores certos. Fraudes em crédito consignado? Irregularidades bancárias? Lavagem de dinheiro? Tudo isso parece quase detalhe quando comparado ao espetáculo maior: a promiscuidade institucionalizada entre poder econômico e poder político.

O silêncio em torno dos nomes envolvidos — protegido pelo verniz jurídico do sigilo — é compreensível na letra da lei, mas indigesto na ética pública. O cidadão comum, que enfrenta juros abusivos, impostos altos e serviços públicos precários, assiste a tudo como quem paga ingresso caro para um teatro onde nunca pode subir ao palco. Transparência, no Brasil, continua sendo promessa de campanha e exceção prática.

Agora, o STF entra em cena para cuidar da parte nobre do processo: aquela que envolve autoridades com foro privilegiado. Eis a grande oportunidade. Ou o Supremo mostra que a justiça não distingue CPF comum de crachá parlamentar, ou reforça a sensação de que há duas leis no país — uma para quem paga a conta e outra para quem escolhe o vinho.

O caso do Banco Master não é um raio em céu azul. É o clima. Hoje é um banco, amanhã será outro. Ontem foi outro ainda. O problema não está apenas nos nomes, mas no modelo. Enquanto a política brasileira continuar tratando o dinheiro como aliado estratégico e não como risco democrático, seguiremos presos a escândalos financeiros, operações policiais cinematográficas e discursos indignados que duram até a próxima manchete.

No fim das contas, o Banco Master é só o espelho. O incômodo mesmo é reconhecer quem aparece refletido nele.