
Padre Carlos.
Às vezes, a política local parece um filme que, de tanto ser reprisado, já conhecemos cada cena. E, mesmo assim, sempre aparece alguém agindo como se fosse a estreia. O atual debate sobre o novo empréstimo é um exemplo claro disso: muito barulho para algo que, na essência, já está no roteiro há bastante tempo.
Vamos rebobinar a fita da memória coletiva: logo após a última eleição, os próprios vereadores levantaram o assunto em reunião com a prefeita. Não foi um cochicho nos corredores, mas uma pauta aberta, discutida e registrada. A Câmara, inclusive, já aprovou o mesmo valor de operação, só que via empréstimo internacional.
O detalhe que muitos parecem ignorar — ou convenientemente esquecer — é que esse tal empréstimo internacional está há três anos tramitando, sem qualquer sinal de que vá sair do papel. É como esperar um trem que nunca parte: o tempo passa, o cenário muda, mas a locomotiva permanece no mesmo lugar.
A proposta do Executivo agora é simples: trocar o financiamento internacional por outro obtido junto a uma instituição financeira nacional, com aval da União. Ou seja, não há aumento de valor, não há “novo endividamento” além do já aprovado. O que há é uma mudança de rota para tentar fazer o recurso chegar, afinal, a cidade não pode viver de promessas que dependem de trâmites eternos no exterior.
O curioso é ver setores agindo como se estivéssemos diante de uma novidade bombástica. Não estamos. O que existe é a reedição de uma estratégia para viabilizar algo que já estava autorizado — apenas trocando o caminho burocrático por um mais curto e possível.
Portanto, antes de engrossar o coro do “escândalo”, vale lembrar: informação sem memória vira distorção. E, neste caso, a memória mostra que não há nada de novo, apenas a tentativa de fazer andar aquilo que já tinha sido decidido há anos.










