Política e Resenha

Senador Otto Alencar ecoou no Congresso e nos tribunais na defesa da vaquejada

 

(Padre Carlos)

A decisão recente do Supremo Tribunal Federal, garantindo a legalidade da vaquejada e de outros esportes equestres tradicionais, é mais que um veredito jurídico: é a consagração de uma luta histórica pela preservação da alma sertaneja. No centro dessa batalha, a voz firme e determinada do senador Otto Alencar ecoou no Congresso e nos tribunais, conduzindo uma causa que ultrapassa fronteiras políticas e se inscreve no patrimônio imaterial do Brasil.

Quando Otto apresentou a emenda constitucional autorizando práticas como a vaquejada, a corrida de reta e a argolinha, não defendia apenas um esporte. Defendia a ligação ancestral entre o vaqueiro, o cavalo e o boi — uma tríade que moldou gerações e construiu a identidade do sertão. Cada prova, cada desafio, cada vaqueiro que encara a pista leva consigo séculos de tradição, coragem e respeito pela terra e pelos animais.

A batalha no STF foi dura. Ao lado de nomes como Vardinho Serra, Serrinha e Jônatas Dantas, o senador mostrou que a cultura não se protege com discursos vazios, mas com mobilização, estratégia jurídica e unidade. Produtores rurais, apaixonados pela vaquejada e defensores da diversidade cultural se uniram em um só movimento. Não era apenas a defesa de uma prática esportiva, mas de um modo de viver.

A vitória no Supremo é um marco. Mostra que a Constituição deve ser escudo da diversidade e não ferramenta de uniformização cultural. Quando regulada e fiscalizada, a vaquejada é legítima, segura e representa a resistência inteligente de um povo diante de um mundo cada vez mais padronizado.

Otto Alencar deixa, assim, um legado que vai muito além de um mandato. Garantiu às futuras gerações de vaqueiros e amantes do sertão o direito de manter vivas as tradições, sem medo de perseguições jurídicas. E estabeleceu um precedente valioso para outras manifestações culturais ameaçadas.

O sorriso do senador, ao anunciar a vitória, não era apenas pessoal. Era o reflexo da alegria de um sertão inteiro, que se viu respeitado e reconhecido. A vaquejada seguirá sendo o que sempre foi: expressão autêntica da alma nordestina, homenagem às raízes e promessa de continuidade no futuro.

O sertão venceu. A cultura venceu. E com ela venceu o Brasil que não abre mão de sua própria identidade.

Senador Otto Alencar ecoou no Congresso e nos tribunais na defesa da vaquejada

 

(Padre Carlos)

A decisão recente do Supremo Tribunal Federal, garantindo a legalidade da vaquejada e de outros esportes equestres tradicionais, é mais que um veredito jurídico: é a consagração de uma luta histórica pela preservação da alma sertaneja. No centro dessa batalha, a voz firme e determinada do senador Otto Alencar ecoou no Congresso e nos tribunais, conduzindo uma causa que ultrapassa fronteiras políticas e se inscreve no patrimônio imaterial do Brasil.

Quando Otto apresentou a emenda constitucional autorizando práticas como a vaquejada, a corrida de reta e a argolinha, não defendia apenas um esporte. Defendia a ligação ancestral entre o vaqueiro, o cavalo e o boi — uma tríade que moldou gerações e construiu a identidade do sertão. Cada prova, cada desafio, cada vaqueiro que encara a pista leva consigo séculos de tradição, coragem e respeito pela terra e pelos animais.

A batalha no STF foi dura. Ao lado de nomes como Vardinho Serra, Serrinha e Jônatas Dantas, o senador mostrou que a cultura não se protege com discursos vazios, mas com mobilização, estratégia jurídica e unidade. Produtores rurais, apaixonados pela vaquejada e defensores da diversidade cultural se uniram em um só movimento. Não era apenas a defesa de uma prática esportiva, mas de um modo de viver.

A vitória no Supremo é um marco. Mostra que a Constituição deve ser escudo da diversidade e não ferramenta de uniformização cultural. Quando regulada e fiscalizada, a vaquejada é legítima, segura e representa a resistência inteligente de um povo diante de um mundo cada vez mais padronizado.

Otto Alencar deixa, assim, um legado que vai muito além de um mandato. Garantiu às futuras gerações de vaqueiros e amantes do sertão o direito de manter vivas as tradições, sem medo de perseguições jurídicas. E estabeleceu um precedente valioso para outras manifestações culturais ameaçadas.

O sorriso do senador, ao anunciar a vitória, não era apenas pessoal. Era o reflexo da alegria de um sertão inteiro, que se viu respeitado e reconhecido. A vaquejada seguirá sendo o que sempre foi: expressão autêntica da alma nordestina, homenagem às raízes e promessa de continuidade no futuro.

O sertão venceu. A cultura venceu. E com ela venceu o Brasil que não abre mão de sua própria identidade.

Participação Cidadã: O Caminho para uma Lei Orgânica mais Democrática

 

 

A iniciativa da Câmara Municipal de Vitória da Conquista de promover uma audiência pública específica com os conselhos municipais para debater a reforma da Lei Orgânica representa um movimento louvável em direção à democratização dos processos legislativos locais. Mais do que um protocolo burocrático, essa convocação simboliza o reconhecimento de que as transformações jurídicas de uma cidade devem refletir genuinamente as necessidades e aspirações de seus cidadãos.

A Lei Orgânica Como Espinha Dorsal Municipal

A Lei Orgânica Municipal funciona como a constituição local, estabelecendo os pilares fundamentais sobre os quais se estrutura toda a administração pública municipal. Quando o vereador Luis Carlos Dudé afirma que a reforma é “fundamental para modernizar e aprimorar o funcionamento do município”, ele toca no cerne de uma questão crucial: leis desatualizadas podem se tornar obstáculos ao desenvolvimento e à eficiência administrativa.

No entanto, modernizar não significa apenas adequar dispositivos legais às novas tecnologias ou procedimentos administrativos. Significa, sobretudo, aproximar a norma jurídica da realidade social contemporânea, incorporando demandas emergentes e mecanismos de participação que ampliem o controle social sobre a coisa pública.

O Papel dos Conselhos na Democracia Participativa

A escolha de convocar especificamente os conselhos municipais para esta audiência pública não é casual. Esses colegiados representam a materialização mais concreta da democracia participativa no âmbito local, reunindo representantes da sociedade civil organizada, poder público e, em muitos casos, usuários diretos dos serviços públicos.

Os conselhos municipais possuem uma legitimidade diferenciada para contribuir com esse processo, pois conhecem intimamente as deficiências e potencialidades da gestão municipal em suas respectivas áreas de atuação. Seja o Conselho de Saúde, da Educação, da Assistência Social ou do Meio Ambiente, cada um carrega consigo um acúmulo de experiências práticas que podem enriquecer substancialmente o texto da nova Lei Orgânica.

Transparência Como Elemento Legitimador

O fato de esta ser a quinta audiência do processo – as quatro anteriores já realizadas desde abril – demonstra um compromisso com a transparência que merece reconhecimento. Em tempos de crescente desconfiança nas instituições políticas, a abertura de canais efetivos de participação popular surge como antídoto necessário ao distanciamento entre representantes e representados.

Contudo, é preciso que essas audiências não se transformem em meros rituais de legitimação de decisões já tomadas. A verdadeira participação democrática exige que as contribuições dos conselhos sejam efetivamente consideradas e incorporadas ao texto final, quando pertinentes e juridicamente viáveis.

Desafios e Oportunidades

A reforma da Lei Orgânica apresenta uma oportunidade única para que Vitória da Conquista se posicione na vanguarda da inovação democrática municipal. Instrumentos como o orçamento participativo, conselhos gestores de políticas públicas, ouvidorias ativas e mecanismos de prestação de contas podem encontrar na nova lei um ambiente normativo mais propício ao seu florescimento.

Por outro lado, o desafio está em equilibrar a necessária modernização com a preservação de conquistas históricas da democracia local. A reforma não pode servir como pretexto para reduzir espaços de participação ou enfraquecer mecanismos de controle social já existentes.

Um Convite à Mobilização

A audiência pública do dia 11 de agosto representa mais que uma formalidade legal – é um convite à mobilização cidadã. Os conselhos municipais têm a responsabilidade de preparar-se adequadamente para este momento, levando propostas concretas, fundamentadas e alinhadas com os anseios dos segmentos que representam.

É fundamental que cada conselho mobilize seus membros, estude o texto atual da Lei Orgânica, identifique lacunas e oportunidades de melhoria, e compareça à audiência com contribuições substanciais. Não basta apenas estar presente; é preciso participar de forma qualificada e propositiva.

Conclusão: Democracia em Construção

A reforma da Lei Orgânica de Vitória da Conquista pode se tornar um marco na história da democracia local, desde que seja conduzida com genuíno espírito participativo. A iniciativa da Câmara Municipal, ao convocar os conselhos para este debate, sinaliza um caminho promissor.

Cabe agora à sociedade civil organizada responder à altura deste chamado, transformando a audiência pública de 11 de agosto em um momento de efetiva construção coletiva das regras que nortearão o futuro da cidade. Afinal, uma Lei Orgânica verdadeiramente democrática só pode nascer de um processo igualmente democrático, onde a voz dos cidadãos ecoe não apenas no auditório da Câmara, mas no próprio texto da lei que emergirá desse diálogo.

Participação Cidadã: O Caminho para uma Lei Orgânica mais Democrática

 

 

A iniciativa da Câmara Municipal de Vitória da Conquista de promover uma audiência pública específica com os conselhos municipais para debater a reforma da Lei Orgânica representa um movimento louvável em direção à democratização dos processos legislativos locais. Mais do que um protocolo burocrático, essa convocação simboliza o reconhecimento de que as transformações jurídicas de uma cidade devem refletir genuinamente as necessidades e aspirações de seus cidadãos.

A Lei Orgânica Como Espinha Dorsal Municipal

A Lei Orgânica Municipal funciona como a constituição local, estabelecendo os pilares fundamentais sobre os quais se estrutura toda a administração pública municipal. Quando o vereador Luis Carlos Dudé afirma que a reforma é “fundamental para modernizar e aprimorar o funcionamento do município”, ele toca no cerne de uma questão crucial: leis desatualizadas podem se tornar obstáculos ao desenvolvimento e à eficiência administrativa.

No entanto, modernizar não significa apenas adequar dispositivos legais às novas tecnologias ou procedimentos administrativos. Significa, sobretudo, aproximar a norma jurídica da realidade social contemporânea, incorporando demandas emergentes e mecanismos de participação que ampliem o controle social sobre a coisa pública.

O Papel dos Conselhos na Democracia Participativa

A escolha de convocar especificamente os conselhos municipais para esta audiência pública não é casual. Esses colegiados representam a materialização mais concreta da democracia participativa no âmbito local, reunindo representantes da sociedade civil organizada, poder público e, em muitos casos, usuários diretos dos serviços públicos.

Os conselhos municipais possuem uma legitimidade diferenciada para contribuir com esse processo, pois conhecem intimamente as deficiências e potencialidades da gestão municipal em suas respectivas áreas de atuação. Seja o Conselho de Saúde, da Educação, da Assistência Social ou do Meio Ambiente, cada um carrega consigo um acúmulo de experiências práticas que podem enriquecer substancialmente o texto da nova Lei Orgânica.

Transparência Como Elemento Legitimador

O fato de esta ser a quinta audiência do processo – as quatro anteriores já realizadas desde abril – demonstra um compromisso com a transparência que merece reconhecimento. Em tempos de crescente desconfiança nas instituições políticas, a abertura de canais efetivos de participação popular surge como antídoto necessário ao distanciamento entre representantes e representados.

Contudo, é preciso que essas audiências não se transformem em meros rituais de legitimação de decisões já tomadas. A verdadeira participação democrática exige que as contribuições dos conselhos sejam efetivamente consideradas e incorporadas ao texto final, quando pertinentes e juridicamente viáveis.

Desafios e Oportunidades

A reforma da Lei Orgânica apresenta uma oportunidade única para que Vitória da Conquista se posicione na vanguarda da inovação democrática municipal. Instrumentos como o orçamento participativo, conselhos gestores de políticas públicas, ouvidorias ativas e mecanismos de prestação de contas podem encontrar na nova lei um ambiente normativo mais propício ao seu florescimento.

Por outro lado, o desafio está em equilibrar a necessária modernização com a preservação de conquistas históricas da democracia local. A reforma não pode servir como pretexto para reduzir espaços de participação ou enfraquecer mecanismos de controle social já existentes.

Um Convite à Mobilização

A audiência pública do dia 11 de agosto representa mais que uma formalidade legal – é um convite à mobilização cidadã. Os conselhos municipais têm a responsabilidade de preparar-se adequadamente para este momento, levando propostas concretas, fundamentadas e alinhadas com os anseios dos segmentos que representam.

É fundamental que cada conselho mobilize seus membros, estude o texto atual da Lei Orgânica, identifique lacunas e oportunidades de melhoria, e compareça à audiência com contribuições substanciais. Não basta apenas estar presente; é preciso participar de forma qualificada e propositiva.

Conclusão: Democracia em Construção

A reforma da Lei Orgânica de Vitória da Conquista pode se tornar um marco na história da democracia local, desde que seja conduzida com genuíno espírito participativo. A iniciativa da Câmara Municipal, ao convocar os conselhos para este debate, sinaliza um caminho promissor.

Cabe agora à sociedade civil organizada responder à altura deste chamado, transformando a audiência pública de 11 de agosto em um momento de efetiva construção coletiva das regras que nortearão o futuro da cidade. Afinal, uma Lei Orgânica verdadeiramente democrática só pode nascer de um processo igualmente democrático, onde a voz dos cidadãos ecoe não apenas no auditório da Câmara, mas no próprio texto da lei que emergirá desse diálogo.

Gatilhos da Memória de uma vida

 

 

 

Às vezes basta um cheiro esquecido no tempo.

Um aroma vindo de longe, trazendo a infância dobrada no bolso da lembrança — como se a vida abrisse, de repente, uma janela para um ontem que nunca deixou de existir.

Outras vezes, é uma frase solta, dita no meio de uma conversa qualquer, mas que encontra um eco antigo dentro de mim.

Um olhar.

Uma canção antiga que não se importa com calendários, que entra sem pedir licença e acende, no instante, um universo inteiro na minha alma.

 

Os gatilhos da minha memória não obedecem relógios.

Surgem como quem vem visitar, de mansinho, nos intervalos da rotina.

Eles nascem de saudades que não pedi, de alegrias que chegam inesperadas, de dores que insistem em morar comigo, de belezas tão grandes que o coração, sem saber o que fazer, se vê obrigado a transformá-las em palavras.

Às vezes vêm de um encontro inesperado, desses que parecem ter sido escritos muito antes de acontecer — e, quando chegam, deixam a alma encantada por dias.

 

Há dias em que é a solidão que me escreve.

Em outros, é o amor que transborda e, não cabendo mais em mim, escorre pelas margens do papel.

Às vezes é um pôr do sol que traduz, em cores e silêncios, tudo o que eu sentia e não sabia nomear.

Ou uma frase lida num livro esquecido, dita por alguém distraído, ou ouvida num sonho — e que só faz sentido para quem está pronto para sentir.

Como aquele fado antigo que me sussurra, com voz de segredo: “nem às paredes eu confesso”.

 

O menino Bel é assim.

Ele carrega nos olhos a mania de tocar o invisível.

É o sopro que chega no momento certo, o recado que vem da alma, a resposta que desce das estrelas.

Bel é quando a vida pede para ser escrita.

E, diante desse chamado, o coração — sempre obediente — pega a caneta e se deixa levar.

 

 

 

 

Gatilhos da Memória de uma vida

 

 

 

Às vezes basta um cheiro esquecido no tempo.

Um aroma vindo de longe, trazendo a infância dobrada no bolso da lembrança — como se a vida abrisse, de repente, uma janela para um ontem que nunca deixou de existir.

Outras vezes, é uma frase solta, dita no meio de uma conversa qualquer, mas que encontra um eco antigo dentro de mim.

Um olhar.

Uma canção antiga que não se importa com calendários, que entra sem pedir licença e acende, no instante, um universo inteiro na minha alma.

 

Os gatilhos da minha memória não obedecem relógios.

Surgem como quem vem visitar, de mansinho, nos intervalos da rotina.

Eles nascem de saudades que não pedi, de alegrias que chegam inesperadas, de dores que insistem em morar comigo, de belezas tão grandes que o coração, sem saber o que fazer, se vê obrigado a transformá-las em palavras.

Às vezes vêm de um encontro inesperado, desses que parecem ter sido escritos muito antes de acontecer — e, quando chegam, deixam a alma encantada por dias.

 

Há dias em que é a solidão que me escreve.

Em outros, é o amor que transborda e, não cabendo mais em mim, escorre pelas margens do papel.

Às vezes é um pôr do sol que traduz, em cores e silêncios, tudo o que eu sentia e não sabia nomear.

Ou uma frase lida num livro esquecido, dita por alguém distraído, ou ouvida num sonho — e que só faz sentido para quem está pronto para sentir.

Como aquele fado antigo que me sussurra, com voz de segredo: “nem às paredes eu confesso”.

 

O menino Bel é assim.

Ele carrega nos olhos a mania de tocar o invisível.

É o sopro que chega no momento certo, o recado que vem da alma, a resposta que desce das estrelas.

Bel é quando a vida pede para ser escrita.

E, diante desse chamado, o coração — sempre obediente — pega a caneta e se deixa levar.

 

 

 

 

A Vigilância do Coração: Onde Repousa o Nosso Verdadeiro Tesouro?

 

 

 

Por Padre Carlos

 

No cerne do Evangelho de Lucas (12,32-48), Jesus nos presenteia com uma profunda e, por vezes, desconcertante reflexão sobre a nossa existência terrena e o seu propósito último. Longe de ser um manual de regras sobre o que fazer ou não com nossos bens, o texto é um convite à sabedoria, um chamado à vigilância do coração. Trata-se de uma orientação sobre como viver neste mundo sem pertencer a ele, utilizando as realidades temporais como degraus para a eternidade.

A passagem nos introduz à “vigilância escatológica”, um termo que pode soar distante, mas cuja essência é surpreendentemente prática: como aguardamos o nosso fim? Ou, mais precisamente, como vivemos cada dia na expectativa do encontro definitivo com o Senhor? A resposta de Jesus é clara e se desdobra em uma série de imagens poderosas. Ele nos conclama a ter “os rins cingidos e as lâmpadas acesas”, uma metáfora para a prontidão e a prontidão para o serviço.

Esta não é uma espera passiva, de braços cruzados, mas uma fidelidade ativa no serviço que a cada um de nós foi confiado. Jesus nos posiciona como administradores, não como proprietários absolutos dos bens, talentos e oportunidades que possuímos. A nossa vida, em sua efemeridade, é um tempo de gestão, um período de peregrinação em que nossas ações ecoam para a eternidade. Neste sentido, a célebre frase “no entardecer da existência, não será Deus a nos julgar e sim nossos atos” encontra um profundo sentido. Nossas escolhas diárias, nossas prioridades e a forma como nos relacionamos com o próximo tecem a tapeçaria do nosso juízo.

A pergunta crucial que emerge do ensinamento de Cristo é, portanto, inevitável: “No que estamos investindo?”. Se a vida eterna é o valor supremo, onde aplicamos nossos recursos mais preciosos – nosso tempo, nossa energia, nosso afeto? As respostas a essas questões revelam, sem máscaras, o local do nosso verdadeiro tesouro. “Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”, adverte-nos Jesus. Um coração depositado nos tesouros que a traça corrói e o ladrão rouba é um coração inquieto, inseguro e, em última análise, insatisfeito. Em contrapartida, um coração ancorado no Reino de Deus encontra a paz que transcende as vicissitudes deste mundo.

Esta perspectiva nos impulsiona para além de uma espiritualidade individualista. A nossa responsabilidade é ampliada pela graça do conhecimento da vontade do Senhor. Não podemos, em sã consciência, permanecer indiferentes ao clamor por justiça e dignidade de tantos irmãos e irmãs. A parábola do administrador fiel e do infiel serve como um alerta contundente: a omissão e a indiferença diante do sofrimento alheio são atitudes de quem se esqueceu da iminente volta do seu Senhor.

A sentença final de Jesus ressoa com um peso solene e inegável: “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”. Esta não é uma ameaça, mas uma declaração da grandeza da nossa vocação. O conhecimento do Evangelho, a participação nos sacramentos, os dons e talentos que recebemos não são privilégios para nosso deleite exclusivo, mas ferramentas para a construção do Reino.

Que esta reflexão nos desperte para uma vida de vigilância ativa e alegre. Que possamos examinar, com honestidade, onde repousa o nosso coração e redirecionar nossos investimentos para o tesouro que não se acaba. Ao fazê-lo, não apenas nos preparamos para o encontro definitivo com o Senhor, mas transformamos o presente em um autêntico serviço, produzindo frutos de justiça, caridade e paz para o Reino de Deus. Pois Deus não é uma figura distante que nos aguarda no fim dos tempos; Ele está sempre chegando, nos encontros, nos desafios e na oportunidade de amar e servir a cada instante.

A Vigilância do Coração: Onde Repousa o Nosso Verdadeiro Tesouro?

 

 

 

Por Padre Carlos

 

No cerne do Evangelho de Lucas (12,32-48), Jesus nos presenteia com uma profunda e, por vezes, desconcertante reflexão sobre a nossa existência terrena e o seu propósito último. Longe de ser um manual de regras sobre o que fazer ou não com nossos bens, o texto é um convite à sabedoria, um chamado à vigilância do coração. Trata-se de uma orientação sobre como viver neste mundo sem pertencer a ele, utilizando as realidades temporais como degraus para a eternidade.

A passagem nos introduz à “vigilância escatológica”, um termo que pode soar distante, mas cuja essência é surpreendentemente prática: como aguardamos o nosso fim? Ou, mais precisamente, como vivemos cada dia na expectativa do encontro definitivo com o Senhor? A resposta de Jesus é clara e se desdobra em uma série de imagens poderosas. Ele nos conclama a ter “os rins cingidos e as lâmpadas acesas”, uma metáfora para a prontidão e a prontidão para o serviço.

Esta não é uma espera passiva, de braços cruzados, mas uma fidelidade ativa no serviço que a cada um de nós foi confiado. Jesus nos posiciona como administradores, não como proprietários absolutos dos bens, talentos e oportunidades que possuímos. A nossa vida, em sua efemeridade, é um tempo de gestão, um período de peregrinação em que nossas ações ecoam para a eternidade. Neste sentido, a célebre frase “no entardecer da existência, não será Deus a nos julgar e sim nossos atos” encontra um profundo sentido. Nossas escolhas diárias, nossas prioridades e a forma como nos relacionamos com o próximo tecem a tapeçaria do nosso juízo.

A pergunta crucial que emerge do ensinamento de Cristo é, portanto, inevitável: “No que estamos investindo?”. Se a vida eterna é o valor supremo, onde aplicamos nossos recursos mais preciosos – nosso tempo, nossa energia, nosso afeto? As respostas a essas questões revelam, sem máscaras, o local do nosso verdadeiro tesouro. “Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”, adverte-nos Jesus. Um coração depositado nos tesouros que a traça corrói e o ladrão rouba é um coração inquieto, inseguro e, em última análise, insatisfeito. Em contrapartida, um coração ancorado no Reino de Deus encontra a paz que transcende as vicissitudes deste mundo.

Esta perspectiva nos impulsiona para além de uma espiritualidade individualista. A nossa responsabilidade é ampliada pela graça do conhecimento da vontade do Senhor. Não podemos, em sã consciência, permanecer indiferentes ao clamor por justiça e dignidade de tantos irmãos e irmãs. A parábola do administrador fiel e do infiel serve como um alerta contundente: a omissão e a indiferença diante do sofrimento alheio são atitudes de quem se esqueceu da iminente volta do seu Senhor.

A sentença final de Jesus ressoa com um peso solene e inegável: “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”. Esta não é uma ameaça, mas uma declaração da grandeza da nossa vocação. O conhecimento do Evangelho, a participação nos sacramentos, os dons e talentos que recebemos não são privilégios para nosso deleite exclusivo, mas ferramentas para a construção do Reino.

Que esta reflexão nos desperte para uma vida de vigilância ativa e alegre. Que possamos examinar, com honestidade, onde repousa o nosso coração e redirecionar nossos investimentos para o tesouro que não se acaba. Ao fazê-lo, não apenas nos preparamos para o encontro definitivo com o Senhor, mas transformamos o presente em um autêntico serviço, produzindo frutos de justiça, caridade e paz para o Reino de Deus. Pois Deus não é uma figura distante que nos aguarda no fim dos tempos; Ele está sempre chegando, nos encontros, nos desafios e na oportunidade de amar e servir a cada instante.

A Indispensável Paternidade na Construção de um Futuro Sadio

 

Padre Carlos

 

“Toda família tem necessidade do pai. Hoje nos detemos no valor do seu papel”. A frase do Papa Francisco, proferida em uma de suas audiências, ecoa com uma simplicidade desconcertante e uma profundidade avassaladora. Em um mundo de configurações familiares cada vez mais diversas e de papéis sociais em constante redefinição, a reflexão sobre a figura paterna transcende o debate religioso e se impõe como uma questão central para a saúde do nosso tecido social. A missão da paternidade, longe de ser um anacronismo ou um papel meramente acessório, revela-se indispensável na consolidação de indivíduos e, por consequência, de sociedades mais equilibradas e sadias.

A ausência paterna, uma epidemia silenciosa, deixa marcas profundas. As estatísticas brasileiras, que revelam milhões de crianças registradas sem o nome do pai no documento, são mais do que meros dados; são o retrato de um vazio que reverbera por toda a vida. Estudos nas mais diversas áreas do conhecimento, da psicologia à sociologia, convergem para um diagnóstico preocupante: a carência da figura paterna está frequentemente associada a maiores índices de insegurança emocional, dificuldades de aprendizado, problemas de comportamento e uma maior propensão ao envolvimento em atividades de risco na adolescência e vida adulta.

O pai, em sua essência, é o primeiro embaixador do mundo externo para a criança. Enquanto a figura materna, com sua conexão primordial, oferece o ninho, o acolhimento e a segurança afetiva inicial, o pai representa o convite à exploração, ao desafio, à descoberta das regras e dos limites que regem a vida em sociedade. É ele quem, muitas vezes, ensina a pedalar a bicicleta, a cair e a levantar. Nessa metáfora singela, reside uma lição complexa: a de que o erro faz parte do percurso e de que a resiliência se constrói na superação.

A paternidade responsável é um pilar na formação do caráter. É na convivência diária, no exemplo silencioso, no diálogo firme, mas amoroso, que se internalizam valores como a honra, o respeito, a responsabilidade e a justiça. O pai não é apenas o provedor material, como um estereótipo anacrônico poderia sugerir, mas o provedor de um senso de ordem, de autoridade legítima e de segurança. A sua presença ensina sobre a alteridade, sobre a necessidade de negociar desejos e de compreender que o mundo não gira em torno de um único umbigo.

É crucial entender que a função paterna não se restringe à figura biológica. Avós, tios, padrastos e outros homens presentes e comprometidos podem e devem exercer esse papel vital, oferecendo o referencial masculino fundamental para o desenvolvimento equilibrado de meninos e meninas. Para os meninos, o pai é o espelho onde se projeta a masculinidade sadia, distante dos arquétipos tóxicos da agressividade e da insensibilidade. Para as meninas, ele é a primeira e mais impactante referência do masculino, influenciando diretamente na forma como elas construirão seus relacionamentos futuros e sua própria autoestima.

Ignorar a indispensabilidade da missão paterna é fechar os olhos para uma das raízes de muitas de nossas mazelas sociais. Uma sociedade com pais ausentes é uma sociedade que tende a formar cidadãos mais inseguros, com dificuldades de estabelecer vínculos duradouros e de respeitar a autoridade e o bem comum. Não se trata de culpar as mães, que heroicamente assumem duplas e triplas jornadas, mas de reconhecer que a equação do desenvolvimento humano é mais completa e equilibrada quando ambos os polos, o materno e o paterno, estão presentes e atuantes.

Resgatar o valor da paternidade é, portanto, uma tarefa urgente e coletiva. Passa por políticas públicas que incentivem a presença do pai, por uma mudança cultural que desconstrua a ideia do “pai como ajudante” e o coloque no centro do cuidado, e, fundamentalmente, por uma tomada de consciência de cada homem sobre a magnitude e a beleza de sua missão.

A afirmação do Papa Francisco não é um mero postulado de fé, mas uma constatação que encontra respaldo na mais pura observação da realidade humana. Uma família que conta com a presença ativa, amorosa e responsável do pai é uma célula mais forte, capaz de gerar indivíduos mais preparados para os desafios da vida. E uma sociedade tecida por famílias assim é, inquestionavelmente, uma sociedade com um futuro mais promissor e sadio para todos. A missão da paternidade não é uma opção, é um alicerce. E sobre ele, construímos o amanhã.

A Indispensável Paternidade na Construção de um Futuro Sadio

 

Padre Carlos

 

“Toda família tem necessidade do pai. Hoje nos detemos no valor do seu papel”. A frase do Papa Francisco, proferida em uma de suas audiências, ecoa com uma simplicidade desconcertante e uma profundidade avassaladora. Em um mundo de configurações familiares cada vez mais diversas e de papéis sociais em constante redefinição, a reflexão sobre a figura paterna transcende o debate religioso e se impõe como uma questão central para a saúde do nosso tecido social. A missão da paternidade, longe de ser um anacronismo ou um papel meramente acessório, revela-se indispensável na consolidação de indivíduos e, por consequência, de sociedades mais equilibradas e sadias.

A ausência paterna, uma epidemia silenciosa, deixa marcas profundas. As estatísticas brasileiras, que revelam milhões de crianças registradas sem o nome do pai no documento, são mais do que meros dados; são o retrato de um vazio que reverbera por toda a vida. Estudos nas mais diversas áreas do conhecimento, da psicologia à sociologia, convergem para um diagnóstico preocupante: a carência da figura paterna está frequentemente associada a maiores índices de insegurança emocional, dificuldades de aprendizado, problemas de comportamento e uma maior propensão ao envolvimento em atividades de risco na adolescência e vida adulta.

O pai, em sua essência, é o primeiro embaixador do mundo externo para a criança. Enquanto a figura materna, com sua conexão primordial, oferece o ninho, o acolhimento e a segurança afetiva inicial, o pai representa o convite à exploração, ao desafio, à descoberta das regras e dos limites que regem a vida em sociedade. É ele quem, muitas vezes, ensina a pedalar a bicicleta, a cair e a levantar. Nessa metáfora singela, reside uma lição complexa: a de que o erro faz parte do percurso e de que a resiliência se constrói na superação.

A paternidade responsável é um pilar na formação do caráter. É na convivência diária, no exemplo silencioso, no diálogo firme, mas amoroso, que se internalizam valores como a honra, o respeito, a responsabilidade e a justiça. O pai não é apenas o provedor material, como um estereótipo anacrônico poderia sugerir, mas o provedor de um senso de ordem, de autoridade legítima e de segurança. A sua presença ensina sobre a alteridade, sobre a necessidade de negociar desejos e de compreender que o mundo não gira em torno de um único umbigo.

É crucial entender que a função paterna não se restringe à figura biológica. Avós, tios, padrastos e outros homens presentes e comprometidos podem e devem exercer esse papel vital, oferecendo o referencial masculino fundamental para o desenvolvimento equilibrado de meninos e meninas. Para os meninos, o pai é o espelho onde se projeta a masculinidade sadia, distante dos arquétipos tóxicos da agressividade e da insensibilidade. Para as meninas, ele é a primeira e mais impactante referência do masculino, influenciando diretamente na forma como elas construirão seus relacionamentos futuros e sua própria autoestima.

Ignorar a indispensabilidade da missão paterna é fechar os olhos para uma das raízes de muitas de nossas mazelas sociais. Uma sociedade com pais ausentes é uma sociedade que tende a formar cidadãos mais inseguros, com dificuldades de estabelecer vínculos duradouros e de respeitar a autoridade e o bem comum. Não se trata de culpar as mães, que heroicamente assumem duplas e triplas jornadas, mas de reconhecer que a equação do desenvolvimento humano é mais completa e equilibrada quando ambos os polos, o materno e o paterno, estão presentes e atuantes.

Resgatar o valor da paternidade é, portanto, uma tarefa urgente e coletiva. Passa por políticas públicas que incentivem a presença do pai, por uma mudança cultural que desconstrua a ideia do “pai como ajudante” e o coloque no centro do cuidado, e, fundamentalmente, por uma tomada de consciência de cada homem sobre a magnitude e a beleza de sua missão.

A afirmação do Papa Francisco não é um mero postulado de fé, mas uma constatação que encontra respaldo na mais pura observação da realidade humana. Uma família que conta com a presença ativa, amorosa e responsável do pai é uma célula mais forte, capaz de gerar indivíduos mais preparados para os desafios da vida. E uma sociedade tecida por famílias assim é, inquestionavelmente, uma sociedade com um futuro mais promissor e sadio para todos. A missão da paternidade não é uma opção, é um alicerce. E sobre ele, construímos o amanhã.

Luto: Falecimento de Letícia de Ramos Brito

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento da Sra. Letícia de Ramos Brito, ocorrido neste sábado, em decorrência de problemas de saúde. Moradora do povoado do Capinal, Letícia também viveu por muitos anos no bairro Vila América, onde manteve um restaurante e conquistou grandes amizades.

O velório será realizado neste sábado, a partir das 14h, no Capinal, e o sepultamento acontecerá neste domingo, no cemitério local.

Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

Luto: Falecimento de Letícia de Ramos Brito

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento da Sra. Letícia de Ramos Brito, ocorrido neste sábado, em decorrência de problemas de saúde. Moradora do povoado do Capinal, Letícia também viveu por muitos anos no bairro Vila América, onde manteve um restaurante e conquistou grandes amizades.

O velório será realizado neste sábado, a partir das 14h, no Capinal, e o sepultamento acontecerá neste domingo, no cemitério local.

Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

A Ilusão da Escolha: Livre-Arbítrio na Era dos Algoritmos

 

 

Por: Padre Carlos

A liberdade — essa “condenação sublime” que Sartre tão bem descreveu — nunca esteve tão em xeque. Entre a vontade divina e a engenharia digital, nossa capacidade de decidir tornou-se o campo de batalha silencioso onde se disputa a própria essência humana.

Há algo de profundamente trágico e, ao mesmo tempo, magnífico na famosa cena pintada por Michelangelo no teto da Capela Sistina. O dedo de Deus, estendido em plenitude, busca o contato. O de Adão, repousando, mantém a última falange levemente contraída. Nesse minúsculo espaço entre os dois dedos está condensada uma das mais antigas e complexas questões da humanidade: o livre-arbítrio. Deus oferece a conexão; mas o gesto final — o ato de esticar o dedo — cabe unicamente ao homem. Essa falange dobrada é metáfora da nossa liberdade, mas também do peso que ela carrega.

Por séculos, esse debate pertenceu ao território da teologia e da filosofia. Hoje, enfrenta um novo adversário: a inteligência artificial. Se o livre-arbítrio é o poder de escolher nossos próprios caminhos, o que resta dele quando esses caminhos já vêm pavimentados, iluminados e estrategicamente cercados por algoritmos que nos conduzem, muitas vezes sem percebermos, a destinos previamente calculados? A pergunta já não é apenas se Deus nos deu o livre-arbítrio — mas se a tecnologia não está, pouco a pouco, retirando-o de nós.

As plataformas digitais, a nova ágora do século XXI, operam segundo uma lógica sedutora e implacável. Não vendem apenas produtos; vendem versões de nós mesmos. Cada clique, cada curtida, cada segundo diante da tela constrói um retrato detalhado de quem somos, do que desejamos e, principalmente, do que nos influencia. O que vemos online não é a representação pura do mundo, mas um reflexo moldado para reforçar nossas inclinações — um espelho que, ao invés de ampliar horizontes, ergue paredes invisíveis, criando bolhas e câmaras de eco.

Assim, a escolha começa a se diluir. Como decidir livremente entre o bem e o mal, como nas reflexões clássicas, se o “mal” — seja ele desinformação, discurso de ódio ou polarização — nos é entregue de forma contínua e atrativa por ser o que mais retém nossa atenção? Até o processo eleitoral, que deveria ser ápice do livre-arbítrio democrático, transforma-se em campo de batalha de narrativas manipuladas. A propaganda irrestrita, o assistencialismo digital e o desencanto com a política não são acidentes — são engrenagens funcionais de um sistema que lucra com a nossa distração.

Um velho político baiano dizia: “O erro de um dia se paga por quatro anos”. Hoje, o erro de um clique pode custar muito mais: deteriora a confiança, corrói o tecido social e nos deixa expostos a crises econômicas, sanitárias e de direitos — como já experimentamos, dolorosamente, no Brasil e no mundo. Acreditamos que decidimos com autonomia, mas, na maioria das vezes, apenas reagimos a estímulos calibrados para nós.

Sartre tinha razão: “O homem está condenado a ser livre”. Não escolhemos nascer, nem as condições iniciais da nossa vida — se ricos ou pobres, latino-americanos ou europeus —, mas somos absolutamente responsáveis pelo que fazemos a partir daí. Essa responsabilidade, na era digital, exige vigilância constante. É preciso perguntar: minhas escolhas contribuem para proteger os mais vulneráveis — os “órfãos e viúvas” do nosso tempo? Quem são os excluídos digitais? Estou usando minha ação, mesmo virtual, para combater injustiças ou para fortalecer as novas “cortes palacianas” — que não reinam em tronos, mas em servidores e nuvens de dados?

A maturidade vem quando percebemos que cada escolha tem um custo. Optar por ser político, por exemplo, significa abdicar de ser poeta. O risco contemporâneo, no entanto, é mais sutil: é pagar o preço de uma escolha que nunca foi nossa, convencidos de que trilhamos um caminho quando, na verdade, fomos conduzidos até ele.

A resposta não está em rejeitar a tecnologia, mas em submeter suas engrenagens à nossa consciência. Como Adão, precisamos decidir conscientemente esticar o dedo. Isso implica buscar deliberadamente visões divergentes, questionar as fontes de informação e exigir transparência dos algoritmos que moldam nossa experiência.

O livre-arbítrio não é um presente imutável, concedido num Éden perdido. É uma conquista diária — uma disputa permanente contra forças que tentam limitar nossa capacidade de decidir. Na encruzilhada digital, a última falange de Adão se torna o mais potente dos símbolos. Esticá-la, hoje, é o ato mais revolucionário que podemos realizar.

A Ilusão da Escolha: Livre-Arbítrio na Era dos Algoritmos

 

 

Por: Padre Carlos

A liberdade — essa “condenação sublime” que Sartre tão bem descreveu — nunca esteve tão em xeque. Entre a vontade divina e a engenharia digital, nossa capacidade de decidir tornou-se o campo de batalha silencioso onde se disputa a própria essência humana.

Há algo de profundamente trágico e, ao mesmo tempo, magnífico na famosa cena pintada por Michelangelo no teto da Capela Sistina. O dedo de Deus, estendido em plenitude, busca o contato. O de Adão, repousando, mantém a última falange levemente contraída. Nesse minúsculo espaço entre os dois dedos está condensada uma das mais antigas e complexas questões da humanidade: o livre-arbítrio. Deus oferece a conexão; mas o gesto final — o ato de esticar o dedo — cabe unicamente ao homem. Essa falange dobrada é metáfora da nossa liberdade, mas também do peso que ela carrega.

Por séculos, esse debate pertenceu ao território da teologia e da filosofia. Hoje, enfrenta um novo adversário: a inteligência artificial. Se o livre-arbítrio é o poder de escolher nossos próprios caminhos, o que resta dele quando esses caminhos já vêm pavimentados, iluminados e estrategicamente cercados por algoritmos que nos conduzem, muitas vezes sem percebermos, a destinos previamente calculados? A pergunta já não é apenas se Deus nos deu o livre-arbítrio — mas se a tecnologia não está, pouco a pouco, retirando-o de nós.

As plataformas digitais, a nova ágora do século XXI, operam segundo uma lógica sedutora e implacável. Não vendem apenas produtos; vendem versões de nós mesmos. Cada clique, cada curtida, cada segundo diante da tela constrói um retrato detalhado de quem somos, do que desejamos e, principalmente, do que nos influencia. O que vemos online não é a representação pura do mundo, mas um reflexo moldado para reforçar nossas inclinações — um espelho que, ao invés de ampliar horizontes, ergue paredes invisíveis, criando bolhas e câmaras de eco.

Assim, a escolha começa a se diluir. Como decidir livremente entre o bem e o mal, como nas reflexões clássicas, se o “mal” — seja ele desinformação, discurso de ódio ou polarização — nos é entregue de forma contínua e atrativa por ser o que mais retém nossa atenção? Até o processo eleitoral, que deveria ser ápice do livre-arbítrio democrático, transforma-se em campo de batalha de narrativas manipuladas. A propaganda irrestrita, o assistencialismo digital e o desencanto com a política não são acidentes — são engrenagens funcionais de um sistema que lucra com a nossa distração.

Um velho político baiano dizia: “O erro de um dia se paga por quatro anos”. Hoje, o erro de um clique pode custar muito mais: deteriora a confiança, corrói o tecido social e nos deixa expostos a crises econômicas, sanitárias e de direitos — como já experimentamos, dolorosamente, no Brasil e no mundo. Acreditamos que decidimos com autonomia, mas, na maioria das vezes, apenas reagimos a estímulos calibrados para nós.

Sartre tinha razão: “O homem está condenado a ser livre”. Não escolhemos nascer, nem as condições iniciais da nossa vida — se ricos ou pobres, latino-americanos ou europeus —, mas somos absolutamente responsáveis pelo que fazemos a partir daí. Essa responsabilidade, na era digital, exige vigilância constante. É preciso perguntar: minhas escolhas contribuem para proteger os mais vulneráveis — os “órfãos e viúvas” do nosso tempo? Quem são os excluídos digitais? Estou usando minha ação, mesmo virtual, para combater injustiças ou para fortalecer as novas “cortes palacianas” — que não reinam em tronos, mas em servidores e nuvens de dados?

A maturidade vem quando percebemos que cada escolha tem um custo. Optar por ser político, por exemplo, significa abdicar de ser poeta. O risco contemporâneo, no entanto, é mais sutil: é pagar o preço de uma escolha que nunca foi nossa, convencidos de que trilhamos um caminho quando, na verdade, fomos conduzidos até ele.

A resposta não está em rejeitar a tecnologia, mas em submeter suas engrenagens à nossa consciência. Como Adão, precisamos decidir conscientemente esticar o dedo. Isso implica buscar deliberadamente visões divergentes, questionar as fontes de informação e exigir transparência dos algoritmos que moldam nossa experiência.

O livre-arbítrio não é um presente imutável, concedido num Éden perdido. É uma conquista diária — uma disputa permanente contra forças que tentam limitar nossa capacidade de decidir. Na encruzilhada digital, a última falange de Adão se torna o mais potente dos símbolos. Esticá-la, hoje, é o ato mais revolucionário que podemos realizar.

Papagaio come milho, periquito leva a fama: a verdade sobre as obras do Jatobá

 

 

No velho ditado popular, “papagaio come milho e periquito leva a fama”, a injustiça se resume numa frase. E é exatamente isso que está acontecendo com as obras de pavimentação no bairro Jatobá, em Vitória da Conquista. Um projeto desenvolvido com recursos federais e executado por uma autarquia do próprio governo federal — a Codevasf — foi paralisado, trazendo transtornos diários para a população. Mas, ao invés de apontar o dedo para quem realmente é responsável, preferem transformar a dor da comunidade em palanque político.

É preciso clareza: a responsabilidade por retomar as obras é do governo federal, que, por meio de emenda parlamentar e repasse de verbas, iniciou o projeto. Não se trata aqui de defender ou atacar a prefeita Sheila Lemos, mas de colocar cada ator no seu devido papel. Cobrar de quem não tem poder para liberar os recursos é, no mínimo, um desperdício de energia — e, no máximo, um jogo político que só piora o cenário.

A prefeitura, é verdade, tem o dever de acompanhar, fiscalizar e cobrar. E isso precisa ser feito com firmeza. Mas o gatilho para a retomada não está no gabinete municipal; está em Brasília. É lá que o destravamento do orçamento e a ordem de serviço devem ser resolvidos.

Transformar o desespero de quem mora no Jatobá em arma eleitoral é desrespeitoso. As ruas sem pavimento, o barro na chuva e a poeira na seca não são cenário para disputa de narrativa, mas para ação coordenada. Moradores, prefeitura e lideranças locais precisam se unir para exigir do governo federal o cumprimento do compromisso assumido.

Enquanto ficamos jogando a culpa no periquito, o papagaio continua livre, sem prestar contas. A população não quer saber de metáforas: quer as máquinas de volta ao trabalho. E isso, gostemos ou não, só vai acontecer se a pressão for feita no endereço certo.

Papagaio come milho, periquito leva a fama: a verdade sobre as obras do Jatobá

 

 

No velho ditado popular, “papagaio come milho e periquito leva a fama”, a injustiça se resume numa frase. E é exatamente isso que está acontecendo com as obras de pavimentação no bairro Jatobá, em Vitória da Conquista. Um projeto desenvolvido com recursos federais e executado por uma autarquia do próprio governo federal — a Codevasf — foi paralisado, trazendo transtornos diários para a população. Mas, ao invés de apontar o dedo para quem realmente é responsável, preferem transformar a dor da comunidade em palanque político.

É preciso clareza: a responsabilidade por retomar as obras é do governo federal, que, por meio de emenda parlamentar e repasse de verbas, iniciou o projeto. Não se trata aqui de defender ou atacar a prefeita Sheila Lemos, mas de colocar cada ator no seu devido papel. Cobrar de quem não tem poder para liberar os recursos é, no mínimo, um desperdício de energia — e, no máximo, um jogo político que só piora o cenário.

A prefeitura, é verdade, tem o dever de acompanhar, fiscalizar e cobrar. E isso precisa ser feito com firmeza. Mas o gatilho para a retomada não está no gabinete municipal; está em Brasília. É lá que o destravamento do orçamento e a ordem de serviço devem ser resolvidos.

Transformar o desespero de quem mora no Jatobá em arma eleitoral é desrespeitoso. As ruas sem pavimento, o barro na chuva e a poeira na seca não são cenário para disputa de narrativa, mas para ação coordenada. Moradores, prefeitura e lideranças locais precisam se unir para exigir do governo federal o cumprimento do compromisso assumido.

Enquanto ficamos jogando a culpa no periquito, o papagaio continua livre, sem prestar contas. A população não quer saber de metáforas: quer as máquinas de volta ao trabalho. E isso, gostemos ou não, só vai acontecer se a pressão for feita no endereço certo.

Ônibus “Boobie Goods” leva o Universo VCA para a Av. Olívia Flores no Dia dos Pais

A VCA Construtora prepara uma ação especial para celebrar o Dia dos Pais e aproximar ainda mais o público do seu conceito no FIB: o Universo VCA. Neste domingo, um ônibus totalmente personalizado e recheado de “boobie goods” vai estacionar na Av. Olívia Flores, criando um espaço interativo e acolhedor, onde todos poderão vivenciar um pouco desse universo. A proposta é traduzir, fora dos estandes do festival, o jeito VCA de se conectar com as pessoas — com leveza, criatividade e experiências marcantes.

 

A ideia é convidar todos a entrarem nessa órbita, aproveitando o clima familiar da data para fortalecer laços e criar novas memórias. Pais e filhos são especialmente bem-vindos para conhecer de perto essa atmosfera que une diversão, cuidado e inovação, marcando mais um momento em que a VCA reforça sua presença no dia a dia da cidade, dentro e fora dos grandes eventos.

Ônibus “Boobie Goods” leva o Universo VCA para a Av. Olívia Flores no Dia dos Pais

A VCA Construtora prepara uma ação especial para celebrar o Dia dos Pais e aproximar ainda mais o público do seu conceito no FIB: o Universo VCA. Neste domingo, um ônibus totalmente personalizado e recheado de “boobie goods” vai estacionar na Av. Olívia Flores, criando um espaço interativo e acolhedor, onde todos poderão vivenciar um pouco desse universo. A proposta é traduzir, fora dos estandes do festival, o jeito VCA de se conectar com as pessoas — com leveza, criatividade e experiências marcantes.

 

A ideia é convidar todos a entrarem nessa órbita, aproveitando o clima familiar da data para fortalecer laços e criar novas memórias. Pais e filhos são especialmente bem-vindos para conhecer de perto essa atmosfera que une diversão, cuidado e inovação, marcando mais um momento em que a VCA reforça sua presença no dia a dia da cidade, dentro e fora dos grandes eventos.

Vitória da Conquista e o eco necessário da diversidade

 

 

 

Neste sábado, 9, Vitória da Conquista será palco de mais que um evento: será cenário de uma afirmação coletiva de existência. A 4ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ chega com o tema “Fortalecimento das Políticas Públicas no Território de Vitória da Conquista”, reafirmando que igualdade e dignidade não são concessões, mas direitos inegociáveis.

Num tempo em que discursos de ódio ainda encontram microfones generosos, cada passo dado da Praça da Escola Normal até a Praça do Gil ecoará como resistência. Não se trata apenas de celebrar cores e ritmos, mas de lembrar que a vida — em todas as suas formas de amar, ser e se expressar — merece espaço, proteção e políticas públicas que a sustentem.

A programação, que mistura música, arte, gastronomia e economia criativa, mostra que diversidade não é fragmentação, mas soma. Quando bandas, cantores, DJs e expositores dividem o mesmo chão, o recado é claro: a pluralidade cultural é um patrimônio a ser cultivado, não combatido.

O apoio institucional da Prefeitura, via Coordenação de Políticas LGBT, é um passo importante, mas não basta que governos abram as portas uma vez por ano. É preciso manter o diálogo vivo e as ações concretas durante os 365 dias, pois o preconceito não tira férias.

Que esta marcha, além de celebrar, inspire. Que o batuque dos tambores, o brilho das bandeiras e o calor das vozes lembrem que uma cidade só é grande quando todos podem caminhar pelas suas ruas sem medo — e com orgulho.

Vitória da Conquista e o eco necessário da diversidade

 

 

 

Neste sábado, 9, Vitória da Conquista será palco de mais que um evento: será cenário de uma afirmação coletiva de existência. A 4ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ chega com o tema “Fortalecimento das Políticas Públicas no Território de Vitória da Conquista”, reafirmando que igualdade e dignidade não são concessões, mas direitos inegociáveis.

Num tempo em que discursos de ódio ainda encontram microfones generosos, cada passo dado da Praça da Escola Normal até a Praça do Gil ecoará como resistência. Não se trata apenas de celebrar cores e ritmos, mas de lembrar que a vida — em todas as suas formas de amar, ser e se expressar — merece espaço, proteção e políticas públicas que a sustentem.

A programação, que mistura música, arte, gastronomia e economia criativa, mostra que diversidade não é fragmentação, mas soma. Quando bandas, cantores, DJs e expositores dividem o mesmo chão, o recado é claro: a pluralidade cultural é um patrimônio a ser cultivado, não combatido.

O apoio institucional da Prefeitura, via Coordenação de Políticas LGBT, é um passo importante, mas não basta que governos abram as portas uma vez por ano. É preciso manter o diálogo vivo e as ações concretas durante os 365 dias, pois o preconceito não tira férias.

Que esta marcha, além de celebrar, inspire. Que o batuque dos tambores, o brilho das bandeiras e o calor das vozes lembrem que uma cidade só é grande quando todos podem caminhar pelas suas ruas sem medo — e com orgulho.