Política e Resenha

Entre o Servir e o Escutar: A Complementaridade de Marta e Maria

 

 

Por Padre Carlos

“Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada” (Lc 10,42)

Irmãos e irmãs, quando contemplamos o Evangelho de Lucas que nos apresenta Jesus na casa de Marta e Maria, somos convidados a mergulhar em uma das mais profundas lições sobre a vida cristã autêntica. Ali, naquela casa em Betânia, desenrola-se um drama que ecoa em nossas vidas cotidianas: o eterno dilema entre a ação e a contemplação, entre o servir e o escutar.

Duas Mulheres, Uma Só Verdade

Marta e Maria não são apenas duas personalidades distintas; elas representam duas dimensões essenciais da experiência cristã. Marta, solícita e dedicada, encarna a ação amorosa, o cuidado concreto, a hospitalidade que se faz serviço. Maria, aos pés do Mestre, personifica a contemplação, a escuta atenta, a sede da Palavra que transforma.

Quantas vezes não nos vemos divididos entre essas duas atitudes! Quantas vezes não sentimos o peso das responsabilidades práticas competindo com o chamado à oração e ao silêncio interior! Jesus, porém, não veio para criar divisões, mas para mostrar-nos que ambas as dimensões são necessárias e se complementam.

O Reino em Primeiro Lugar

Quando o Senhor nos ensina a buscar “primeiro o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6,33), Ele não está desprezando nossas responsabilidades terrenas. Pelo contrário, está nos ensinando a hierarquia dos valores que deve orientar nossa vida. O Reino se manifesta tanto na contemplação silenciosa quanto na ação caridosa, tanto no momento de oração quanto no gesto de serviço.

Para o cristão leigo, o mundo se torna seu altar. Nas realidades temporais – a família, o trabalho, a sociedade – ele é chamado a fazer o Reino acontecer. Não é uma fuga do mundo, mas uma santificação do mundo através de sua presença consciente e amorosa.

O Perigo do Ativismo Estéril

Aqui reside uma armadilha sutil que o Padre Johan Konings nos ajuda a compreender: “O ativismo, mesmo a serviço dos outros, corre o perigo de ser um serviço a si mesmo: autoafirmação à custa de quem é ‘objeto’ de nossa caridade.”

Quando Marta se queixa de Maria, ela revela uma preocupação que vai além do serviço. Há uma busca de reconhecimento, uma necessidade de validação que contamina a pureza do seu gesto. Jesus não repreende Marta por servir, mas por querer que Maria abandonasse a escuta para se igualar às suas preocupações.

Quantas vezes nosso ativismo pastoral, nosso envolvimento nas ações da Igreja, pode se tornar uma forma disfarçada de alimentarmos nosso ego ao invés de alimentarmos a fé dos outros! A pergunta que devemos nos fazer é penetrante: Estamos alimentando o Senhor com nosso ativismo ou sendo por Ele alimentados?

A Eucaristia: Síntese Perfeita

Na Eucaristia encontramos a resposta para essa aparente dicotomia. Ali, todos somos hóspedes, todos somos convidados à mesa do Senhor. E o que Ele nos oferece é precisamente a síntese perfeita entre contemplação e ação: a Palavra e o Pão.

A Palavra nos alimenta na contemplação, nos ensina, nos transforma. O Pão nos fortalece para a ação, nos une em comunidade, nos envia em missão. Maria não escolheu simplesmente “a melhor parte” porque optou pela contemplação, mas porque compreendeu que toda ação autêntica deve brotar da escuta atenta ao Mestre.

O Trabalho Santificado

Jesus, que se apresenta como aquele que trabalha juntamente com o Pai (“Meu Pai trabalha até agora e eu também trabalho” – Jo 5,17), nos ensina que o trabalho é participação na obra da criação e da redenção. Não se trata de escolher entre trabalhar ou orar, mas de trabalhar orando e orar trabalhando.

O trabalho humano, quando orientado pela escuta da Palavra, torna-se meio de santificação e instrumento de construção do bem comum. Não trabalhamos apenas para nossa própria grandeza, mas para que o Reino de Deus se manifeste através de nossas mãos, de nossa competência, de nosso amor.

A Proximidade que Transforma

Na vida eclesial, seja na celebração da Palavra, na Santa Missa, nas pastorais ou demais ações, somos chamados a criar espaços onde as pessoas saiam do anonimato e da solidão. Mais do que providenciar coisas práticas, devemos proporcionar relacionamentos solidários onde cada pessoa seja um dom para a outra.

É nessa proximidade, nesse afeto, nessa ternura concreta que o mistério de Deus se revela. Como Maria soube enxergar em Jesus o porta-voz de Deus, nós devemos aprender a ver o rosto de Cristo em cada pessoa que encontramos, especialmente nos mais necessitados.

Um Chamado à Integração

O Evangelho de Marta e Maria não nos convida a escolher entre contemplação e ação, mas a integrar ambas em nossa vida cristã. A contemplação sem ação pode se tornar egoísmo espiritual; a ação sem contemplação pode se transformar em ativismo estéril.

A “melhor parte” que Maria escolheu não é a contemplação em si, mas a atitude de escuta que purifica e orienta toda ação posterior. É a capacidade de se deixar alimentar por Deus para, então, alimentar os irmãos com autenticidade e amor.

Conclusão: Frutos para o Reino

Que possamos, como discípulos de Jesus, encontrar o equilíbrio entre o servir e o escutar, entre o cuidar das necessidades práticas e o cultivo da vida interior. Que nossas ações brotem da contemplação e que nossa contemplação se traduza em ações concretas de amor.

Somente assim produziremos frutos abundantes para o Reino de Deus, sendo, ao mesmo tempo, Marta e Maria em nossa caminhada de fé. Pois o Senhor não nos pede para escolher entre essas duas dimensões, mas para vivê-las em harmonia, permitindo que uma purifique e potencialize a outra.

Que a Virgem Maria, que soube contemplar e agir, escutar e servir, seja nosso modelo e nossa intercessora neste caminho de crescimento espiritual e apostólico.

Amém.

Entre o Servir e o Escutar: A Complementaridade de Marta e Maria

 

 

Por Padre Carlos

“Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada” (Lc 10,42)

Irmãos e irmãs, quando contemplamos o Evangelho de Lucas que nos apresenta Jesus na casa de Marta e Maria, somos convidados a mergulhar em uma das mais profundas lições sobre a vida cristã autêntica. Ali, naquela casa em Betânia, desenrola-se um drama que ecoa em nossas vidas cotidianas: o eterno dilema entre a ação e a contemplação, entre o servir e o escutar.

Duas Mulheres, Uma Só Verdade

Marta e Maria não são apenas duas personalidades distintas; elas representam duas dimensões essenciais da experiência cristã. Marta, solícita e dedicada, encarna a ação amorosa, o cuidado concreto, a hospitalidade que se faz serviço. Maria, aos pés do Mestre, personifica a contemplação, a escuta atenta, a sede da Palavra que transforma.

Quantas vezes não nos vemos divididos entre essas duas atitudes! Quantas vezes não sentimos o peso das responsabilidades práticas competindo com o chamado à oração e ao silêncio interior! Jesus, porém, não veio para criar divisões, mas para mostrar-nos que ambas as dimensões são necessárias e se complementam.

O Reino em Primeiro Lugar

Quando o Senhor nos ensina a buscar “primeiro o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6,33), Ele não está desprezando nossas responsabilidades terrenas. Pelo contrário, está nos ensinando a hierarquia dos valores que deve orientar nossa vida. O Reino se manifesta tanto na contemplação silenciosa quanto na ação caridosa, tanto no momento de oração quanto no gesto de serviço.

Para o cristão leigo, o mundo se torna seu altar. Nas realidades temporais – a família, o trabalho, a sociedade – ele é chamado a fazer o Reino acontecer. Não é uma fuga do mundo, mas uma santificação do mundo através de sua presença consciente e amorosa.

O Perigo do Ativismo Estéril

Aqui reside uma armadilha sutil que o Padre Johan Konings nos ajuda a compreender: “O ativismo, mesmo a serviço dos outros, corre o perigo de ser um serviço a si mesmo: autoafirmação à custa de quem é ‘objeto’ de nossa caridade.”

Quando Marta se queixa de Maria, ela revela uma preocupação que vai além do serviço. Há uma busca de reconhecimento, uma necessidade de validação que contamina a pureza do seu gesto. Jesus não repreende Marta por servir, mas por querer que Maria abandonasse a escuta para se igualar às suas preocupações.

Quantas vezes nosso ativismo pastoral, nosso envolvimento nas ações da Igreja, pode se tornar uma forma disfarçada de alimentarmos nosso ego ao invés de alimentarmos a fé dos outros! A pergunta que devemos nos fazer é penetrante: Estamos alimentando o Senhor com nosso ativismo ou sendo por Ele alimentados?

A Eucaristia: Síntese Perfeita

Na Eucaristia encontramos a resposta para essa aparente dicotomia. Ali, todos somos hóspedes, todos somos convidados à mesa do Senhor. E o que Ele nos oferece é precisamente a síntese perfeita entre contemplação e ação: a Palavra e o Pão.

A Palavra nos alimenta na contemplação, nos ensina, nos transforma. O Pão nos fortalece para a ação, nos une em comunidade, nos envia em missão. Maria não escolheu simplesmente “a melhor parte” porque optou pela contemplação, mas porque compreendeu que toda ação autêntica deve brotar da escuta atenta ao Mestre.

O Trabalho Santificado

Jesus, que se apresenta como aquele que trabalha juntamente com o Pai (“Meu Pai trabalha até agora e eu também trabalho” – Jo 5,17), nos ensina que o trabalho é participação na obra da criação e da redenção. Não se trata de escolher entre trabalhar ou orar, mas de trabalhar orando e orar trabalhando.

O trabalho humano, quando orientado pela escuta da Palavra, torna-se meio de santificação e instrumento de construção do bem comum. Não trabalhamos apenas para nossa própria grandeza, mas para que o Reino de Deus se manifeste através de nossas mãos, de nossa competência, de nosso amor.

A Proximidade que Transforma

Na vida eclesial, seja na celebração da Palavra, na Santa Missa, nas pastorais ou demais ações, somos chamados a criar espaços onde as pessoas saiam do anonimato e da solidão. Mais do que providenciar coisas práticas, devemos proporcionar relacionamentos solidários onde cada pessoa seja um dom para a outra.

É nessa proximidade, nesse afeto, nessa ternura concreta que o mistério de Deus se revela. Como Maria soube enxergar em Jesus o porta-voz de Deus, nós devemos aprender a ver o rosto de Cristo em cada pessoa que encontramos, especialmente nos mais necessitados.

Um Chamado à Integração

O Evangelho de Marta e Maria não nos convida a escolher entre contemplação e ação, mas a integrar ambas em nossa vida cristã. A contemplação sem ação pode se tornar egoísmo espiritual; a ação sem contemplação pode se transformar em ativismo estéril.

A “melhor parte” que Maria escolheu não é a contemplação em si, mas a atitude de escuta que purifica e orienta toda ação posterior. É a capacidade de se deixar alimentar por Deus para, então, alimentar os irmãos com autenticidade e amor.

Conclusão: Frutos para o Reino

Que possamos, como discípulos de Jesus, encontrar o equilíbrio entre o servir e o escutar, entre o cuidar das necessidades práticas e o cultivo da vida interior. Que nossas ações brotem da contemplação e que nossa contemplação se traduza em ações concretas de amor.

Somente assim produziremos frutos abundantes para o Reino de Deus, sendo, ao mesmo tempo, Marta e Maria em nossa caminhada de fé. Pois o Senhor não nos pede para escolher entre essas duas dimensões, mas para vivê-las em harmonia, permitindo que uma purifique e potencialize a outra.

Que a Virgem Maria, que soube contemplar e agir, escutar e servir, seja nosso modelo e nossa intercessora neste caminho de crescimento espiritual e apostólico.

Amém.

Vila do Servidor abre vendas neste sábado com condições facilitadas e localização estratégica

A partir de sábado, 19 de julho, servidores públicos de Vitória da Conquista terão acesso a uma oportunidade única de moradia. A Vila do Servidor, projeto desenvolvido pela VCA Construtora em parceria com a Prefeitura, chega ao mercado como o primeiro empreendimento da cidade voltado exclusivamente ao funcionalismo municipal.

O projeto começou a ser pensado há mais de 20 anos e, agora, toma forma com uma proposta inédita. As condições foram cuidadosamente pensadas para garantir acesso real à casa própria. Os servidores contarão com subsídios federais que podem alcançar até 55 mil reais, descontos de até 25 mil reais da Prefeitura e uma contribuição adicional da VCA Construtora. Há também facilidades como entrada parcelada e uso do FGTS.

A localização é outro diferencial importante. Situada no bairro Boa Vista, a Vila do Servidor está a poucos minutos dos shoppings Conquista Sul e Boulevard, em uma área valorizada e de fácil acesso. Os atendimentos já podem ser agendados pelo número (77) 3025-1212.

Vila do Servidor abre vendas neste sábado com condições facilitadas e localização estratégica

A partir de sábado, 19 de julho, servidores públicos de Vitória da Conquista terão acesso a uma oportunidade única de moradia. A Vila do Servidor, projeto desenvolvido pela VCA Construtora em parceria com a Prefeitura, chega ao mercado como o primeiro empreendimento da cidade voltado exclusivamente ao funcionalismo municipal.

O projeto começou a ser pensado há mais de 20 anos e, agora, toma forma com uma proposta inédita. As condições foram cuidadosamente pensadas para garantir acesso real à casa própria. Os servidores contarão com subsídios federais que podem alcançar até 55 mil reais, descontos de até 25 mil reais da Prefeitura e uma contribuição adicional da VCA Construtora. Há também facilidades como entrada parcelada e uso do FGTS.

A localização é outro diferencial importante. Situada no bairro Boa Vista, a Vila do Servidor está a poucos minutos dos shoppings Conquista Sul e Boulevard, em uma área valorizada e de fácil acesso. Os atendimentos já podem ser agendados pelo número (77) 3025-1212.

Quando o Sagrado É Violado: A Invasão da Igreja Matriz de Planalto e o Limite da Barbárie

 

 

A invasão ocorrida na Igreja Matriz do Senhor do Bonfim, em Planalto, região sudoeste da Bahia, representa muito mais que um simples caso de vandalismo. É um ataque direto aos valores fundamentais que sustentam qualquer sociedade civilizada: o respeito ao sagrado, ao patrimônio comunitário e à fé de milhares de pessoas.

O Crime Que Choca pela Audácia

As imagens captadas pelas câmeras de segurança revelam a dimensão da barbárie: criminosos invadindo um espaço sagrado, mexendo em objetos litúrgicos, violando a santidade de um local que representa, para toda uma comunidade, muito mais que pedra e cal. Ali está depositada a fé, a tradição, a história de gerações que encontraram naquele templo um refúgio espiritual e um ponto de encontro comunitário.

A Arquidiocese de Vitória da Conquista, ao informar que a sacristia foi invadida e danificada, com o cofre da paróquia sendo violado e valores subtraídos, expõe apenas a face material de um crime que tem dimensões muito mais profundas. O que foi roubado não foram apenas recursos financeiros – foi a sensação de segurança, a confiança no respeito aos espaços sagrados e a certeza de que ainda existem limites que mesmo os mais vis criminosos não ousariam ultrapassar.

A Falência dos Valores

Estamos diante de um sintoma alarmante da deterioração moral que assola nossa sociedade. Quando nem mesmo os templos religiosos são respeitados, quando a sacralidade de um espaço de oração não representa mais uma barreira intransponível para a criminalidade, é preciso questionar que tipo de sociedade estamos construindo para as futuras gerações.

O pároco Pe. Alexandre Márcio, ao acionar prontamente a Polícia Militar e dar início às medidas cabíveis para investigação, demonstra que a Igreja não se curvará diante da intimidação. Mas sua dor – e a dor de toda a comunidade paroquial – ecoa um lamento que transcende as fronteiras de Planalto: até quando teremos que conviver com tamanha degradação?

O Impacto na Comunidade

Uma igreja não é apenas um edifício. É o coração espiritual de uma comunidade, o lugar onde se celebram os momentos mais importantes da vida: batizados, casamentos, funerais. É onde as famílias se reúnem em busca de consolo, orientação e esperança. Violar esse espaço é atacar a alma de um povo.

O episódio deixa feridas que vão além do prejuízo material. Gera insegurança, revolta e uma sensação de desamparo que pode abalar profundamente a fé daqueles que veem no templo um porto seguro em meio às tempestades da vida.

A Necessidade de uma Resposta Firme

É fundamental que as autoridades competentes tratem este caso com a seriedade que ele merece. Não se trata de um crime comum – é um ataque ao patrimônio religioso, cultural e histórico de uma comunidade. A investigação da Polícia Civil, utilizando as imagens das câmeras de segurança, deve ser conduzida com máximo rigor para identificar e responsabilizar os autores deste ato covarde.

Mais do que isso, é preciso que a sociedade como um todo reflita sobre os valores que queremos preservar. Se permitirmos que a violência e o desrespeito alcancem até mesmo nossos espaços mais sagrados, estaremos sinalizando que nada mais está protegido, que não existem limites para a degradação moral.

Um Chamado à Reflexão

O caso da Igreja Matriz do Senhor do Bonfim deve servir como um alerta vermelho para toda a sociedade. Não podemos normalizar a violação do sagrado, não podemos aceitar passivamente que criminosos transformem templos religiosos em alvos de suas ações desprezíveis.

É hora de reafirmarmos nosso compromisso com o respeito, com a civilidade, com a proteção daquilo que une uma comunidade em torno de valores superiores. A fé de um povo não pode ser refém da criminalidade, e os espaços sagrados devem continuar sendo exatamente isso: sagrados e invioláveis.

Que este episódio lamentável seja o último de uma série que jamais deveria ter começado. E que a justiça, terrena e divina, se encarregue de dar a resposta adequada a quem ousa profanar aquilo que uma comunidade inteira considera mais precioso que qualquer tesouro material.

Quando o Sagrado É Violado: A Invasão da Igreja Matriz de Planalto e o Limite da Barbárie

 

 

A invasão ocorrida na Igreja Matriz do Senhor do Bonfim, em Planalto, região sudoeste da Bahia, representa muito mais que um simples caso de vandalismo. É um ataque direto aos valores fundamentais que sustentam qualquer sociedade civilizada: o respeito ao sagrado, ao patrimônio comunitário e à fé de milhares de pessoas.

O Crime Que Choca pela Audácia

As imagens captadas pelas câmeras de segurança revelam a dimensão da barbárie: criminosos invadindo um espaço sagrado, mexendo em objetos litúrgicos, violando a santidade de um local que representa, para toda uma comunidade, muito mais que pedra e cal. Ali está depositada a fé, a tradição, a história de gerações que encontraram naquele templo um refúgio espiritual e um ponto de encontro comunitário.

A Arquidiocese de Vitória da Conquista, ao informar que a sacristia foi invadida e danificada, com o cofre da paróquia sendo violado e valores subtraídos, expõe apenas a face material de um crime que tem dimensões muito mais profundas. O que foi roubado não foram apenas recursos financeiros – foi a sensação de segurança, a confiança no respeito aos espaços sagrados e a certeza de que ainda existem limites que mesmo os mais vis criminosos não ousariam ultrapassar.

A Falência dos Valores

Estamos diante de um sintoma alarmante da deterioração moral que assola nossa sociedade. Quando nem mesmo os templos religiosos são respeitados, quando a sacralidade de um espaço de oração não representa mais uma barreira intransponível para a criminalidade, é preciso questionar que tipo de sociedade estamos construindo para as futuras gerações.

O pároco Pe. Alexandre Márcio, ao acionar prontamente a Polícia Militar e dar início às medidas cabíveis para investigação, demonstra que a Igreja não se curvará diante da intimidação. Mas sua dor – e a dor de toda a comunidade paroquial – ecoa um lamento que transcende as fronteiras de Planalto: até quando teremos que conviver com tamanha degradação?

O Impacto na Comunidade

Uma igreja não é apenas um edifício. É o coração espiritual de uma comunidade, o lugar onde se celebram os momentos mais importantes da vida: batizados, casamentos, funerais. É onde as famílias se reúnem em busca de consolo, orientação e esperança. Violar esse espaço é atacar a alma de um povo.

O episódio deixa feridas que vão além do prejuízo material. Gera insegurança, revolta e uma sensação de desamparo que pode abalar profundamente a fé daqueles que veem no templo um porto seguro em meio às tempestades da vida.

A Necessidade de uma Resposta Firme

É fundamental que as autoridades competentes tratem este caso com a seriedade que ele merece. Não se trata de um crime comum – é um ataque ao patrimônio religioso, cultural e histórico de uma comunidade. A investigação da Polícia Civil, utilizando as imagens das câmeras de segurança, deve ser conduzida com máximo rigor para identificar e responsabilizar os autores deste ato covarde.

Mais do que isso, é preciso que a sociedade como um todo reflita sobre os valores que queremos preservar. Se permitirmos que a violência e o desrespeito alcancem até mesmo nossos espaços mais sagrados, estaremos sinalizando que nada mais está protegido, que não existem limites para a degradação moral.

Um Chamado à Reflexão

O caso da Igreja Matriz do Senhor do Bonfim deve servir como um alerta vermelho para toda a sociedade. Não podemos normalizar a violação do sagrado, não podemos aceitar passivamente que criminosos transformem templos religiosos em alvos de suas ações desprezíveis.

É hora de reafirmarmos nosso compromisso com o respeito, com a civilidade, com a proteção daquilo que une uma comunidade em torno de valores superiores. A fé de um povo não pode ser refém da criminalidade, e os espaços sagrados devem continuar sendo exatamente isso: sagrados e invioláveis.

Que este episódio lamentável seja o último de uma série que jamais deveria ter começado. E que a justiça, terrena e divina, se encarregue de dar a resposta adequada a quem ousa profanar aquilo que uma comunidade inteira considera mais precioso que qualquer tesouro material.

🗞️ ARTIGO – Quando a Justiça Eleitoral Penaliza o Voto Popular: Viva Natan! Viva o povo do Coveima e Patagônia!

 

 

(Padre Carlos)

A recente decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que cassou o mandato de Natan da Carroceria e determinou a recontagem dos votos do partido Avante, não é apenas uma medida jurídica — é, sobretudo, um abalo na representação simbólica e concreta das periferias de Vitória da Conquista. O que está em jogo não é somente um assento na Câmara, mas a voz de bairros historicamente esquecidos como o Coveima e a Patagônia. Viva Natan! Viva o povo que, com suor e esperança, ousou acreditar na política.

Não se discute aqui o rigor da lei eleitoral. A denúncia da Federação Brasil da Esperança, que apontou a utilização de uma candidatura fictícia pelo Avante para atingir a cota de gênero, encontrou respaldo jurídico. A candidata laranja, de fato, não teve movimentação de campanha, nem contas registradas, nem presença nas redes sociais — e isso, convenhamos, não passa incólume pelo crivo da legalidade. Mas a pergunta que grita é: quem está sendo punido de fato?

Natan, liderança forjada na labuta, nas feiras, nas rodas de conversa nos bairros mais humildes, acaba penalizado pelos erros alheios. E mais do que ele, é seu eleitorado que sente o peso de uma decisão que, embora legal, soa como injusta do ponto de vista social e político. O Coveima e a Patagônia não têm representação fácil. Quando conseguem eleger alguém que conhece suas dores, logo o tapete é puxado, não por má conduta pessoal, mas por artimanhas partidárias que ele próprio pode não ter tido controle.

Aqui reside o drama: enquanto figuras da elite política escapam ilesas de acusações muito mais graves, um representante popular vê seu mandato ruir por erros que, em muitos casos, são fabricados nos bastidores e atribuídos coletivamente. A política brasileira, em sua engenharia institucional, ainda não aprendeu a proteger os votos da periferia com o mesmo zelo com que protege os dos gabinetes refrigerados.

Gabriela Garrido, que deve assumir a vaga, é uma candidata do Partido Verde, ligada à Federação Brasil da Esperança. Não se questiona sua legitimidade eleitoral, tampouco sua competência. Mas é inegável que a substituição de Natan por ela muda completamente o perfil da representação. Sai o homem das feiras, entra a delegada. Sai o povo, entra a burocracia. Sai o grito do gueto, entra a fala técnica.

Se Natan conseguir recorrer com sucesso ao TSE até o dia 25, poderá reverter esse cenário. Mas, independentemente do resultado, a mensagem está dada: nossos sistemas precisam urgentemente de mecanismos que diferenciem erro partidário de culpa individual. Precisamos de uma Justiça Eleitoral que saiba equilibrar a balança entre a letra da lei e o espírito da democracia.

Porque, no fim das contas, quando Natan cai, não é apenas um político que perde o cargo. É o Coveima que perde um rosto. É a Patagônia que perde uma voz. E é o povo, mais uma vez, que perde a esperança. Viva Natan! Viva o povo da periferia!

🗞️ ARTIGO – Quando a Justiça Eleitoral Penaliza o Voto Popular: Viva Natan! Viva o povo do Coveima e Patagônia!

 

 

(Padre Carlos)

A recente decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que cassou o mandato de Natan da Carroceria e determinou a recontagem dos votos do partido Avante, não é apenas uma medida jurídica — é, sobretudo, um abalo na representação simbólica e concreta das periferias de Vitória da Conquista. O que está em jogo não é somente um assento na Câmara, mas a voz de bairros historicamente esquecidos como o Coveima e a Patagônia. Viva Natan! Viva o povo que, com suor e esperança, ousou acreditar na política.

Não se discute aqui o rigor da lei eleitoral. A denúncia da Federação Brasil da Esperança, que apontou a utilização de uma candidatura fictícia pelo Avante para atingir a cota de gênero, encontrou respaldo jurídico. A candidata laranja, de fato, não teve movimentação de campanha, nem contas registradas, nem presença nas redes sociais — e isso, convenhamos, não passa incólume pelo crivo da legalidade. Mas a pergunta que grita é: quem está sendo punido de fato?

Natan, liderança forjada na labuta, nas feiras, nas rodas de conversa nos bairros mais humildes, acaba penalizado pelos erros alheios. E mais do que ele, é seu eleitorado que sente o peso de uma decisão que, embora legal, soa como injusta do ponto de vista social e político. O Coveima e a Patagônia não têm representação fácil. Quando conseguem eleger alguém que conhece suas dores, logo o tapete é puxado, não por má conduta pessoal, mas por artimanhas partidárias que ele próprio pode não ter tido controle.

Aqui reside o drama: enquanto figuras da elite política escapam ilesas de acusações muito mais graves, um representante popular vê seu mandato ruir por erros que, em muitos casos, são fabricados nos bastidores e atribuídos coletivamente. A política brasileira, em sua engenharia institucional, ainda não aprendeu a proteger os votos da periferia com o mesmo zelo com que protege os dos gabinetes refrigerados.

Gabriela Garrido, que deve assumir a vaga, é uma candidata do Partido Verde, ligada à Federação Brasil da Esperança. Não se questiona sua legitimidade eleitoral, tampouco sua competência. Mas é inegável que a substituição de Natan por ela muda completamente o perfil da representação. Sai o homem das feiras, entra a delegada. Sai o povo, entra a burocracia. Sai o grito do gueto, entra a fala técnica.

Se Natan conseguir recorrer com sucesso ao TSE até o dia 25, poderá reverter esse cenário. Mas, independentemente do resultado, a mensagem está dada: nossos sistemas precisam urgentemente de mecanismos que diferenciem erro partidário de culpa individual. Precisamos de uma Justiça Eleitoral que saiba equilibrar a balança entre a letra da lei e o espírito da democracia.

Porque, no fim das contas, quando Natan cai, não é apenas um político que perde o cargo. É o Coveima que perde um rosto. É a Patagônia que perde uma voz. E é o povo, mais uma vez, que perde a esperança. Viva Natan! Viva o povo da periferia!

ARTIGO – Quando o Tiro Sai Pela Culatra: Trump, o Pix e o Bolsonarismo em Frangalhos

 

 

(Padre Carlos)

Donald Trump, esse mestre do improviso diplomático, resolveu estender sua “grandeza” até o Brasil — país que, ironicamente, não pertence aos Estados Unidos, embora alguns ainda confundam a bandeira nacional com a do Texas. Com sua conhecida delicadeza geopolítica, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e — pasmem! — abriu uma investigação comercial contra o Pix e a rua 25 de Março. Sim, caro leitor, a 25. A rua. Com barraquinhas, ambulantes, sacoleiros e uma pátria informal que sobrevive à base do “dinheiro na mão e mercadoria no carrinho”.

Ao que tudo indica, Trump, na ânsia de dar uma força a seu velho amigo Jair Bolsonaro — aquele que bate continência até para o segurança da Casa Branca — acabou jogando uma granada no colo do ex-presidente. E não foi daquelas de efeito moral, não. Foi uma de fragmentação política, com estilhaços ideológicos que já estão atingindo aliados históricos e, veja só, até Hamilton Mourão resolveu tirar o capacete e sair da trincheira.

O Pix, esse milagre tecnológico tupiniquim, virou alvo do trumpismo. Um sistema bancário gratuito, eficaz, popular, transversal, moderno — ou seja, tudo o que o bolsonarismo odeia. E atacar o Pix no Brasil é mais ou menos como tentar proibir o feijão com arroz ou colocar senha para assistir ao futebol de domingo. É pedir para ser vaiado até por quem ainda tem o “mito” no adesivo do carro.

Mais genial ainda foi escolher a 25 de Março como símbolo de “práticas comerciais suspeitas”. Aparentemente, o gabinete de Trump confundiu a economia informal com uma célula de espionagem chinesa. Fosse por ignorância, seria apenas cômico. Mas como tudo indica um cálculo político de apoio a Bolsonaro, torna-se tragicômico — porque o resultado é o oposto: fortaleceu Lula.

Sim, Lula, aquele mesmo que em outros tempos era acusado de entregar o país ao “comunismo global”, hoje empunha a bandeira da soberania nacional contra o império americano. A ironia não poderia ser mais perfeita. De líder sindical perseguido pelo sistema a defensor do Pix contra o império digital de Washington. O Brasil é mesmo um país que se recusa a ser coerente.

O Palácio do Planalto reagiu com a astúcia de quem sabe farejar oportunidade no meio da crise. Lançou campanha com o slogan “O Pix é do Brasil e dos brasileiros”, convocando até o caboclo do interior e o CEO da Faria Lima para se unirem contra a ameaça externa. Nacionalismo na veia, com direito a trilha sonora de Alceu Valença e memes de Zé Gotinha segurando um QR Code.

Enquanto isso, no campo adversário, o centrão — essa geleia real da política brasileira — começa a se afastar do ex-capitão. A última coisa que querem é apoiar alguém que está sendo chamado de entreguista até por setores que ainda cultivam o “kit verde e amarelo” no armário.

Tarcísio de Freitas, sempre em busca de equilíbrio entre a devoção bolsonarista e a realidade paulista, chegou a aplaudir Trump em um primeiro momento. Mas, percebendo a tempestade midiática que se armava, tratou de ajustar o discurso. Ninguém quer ser lembrado como o gestor que viu o comércio popular de São Paulo ser atacado por um americano de gravata vermelha.

Analistas econômicos, até os mais ortodoxos, são unânimes: as tarifas são tecnicamente absurdas. O Pix é referência mundial, e sua eficácia já é estudada por sistemas bancários da Europa e da Ásia. Trata-se de uma tentativa política, mal calculada, de interferência externa — daquelas que os bolsonaristas juravam combater com a Bíblia numa mão e a Constituição na outra.

Resultado? O que era para ser uma ajuda virou um presente de Natal para Lula, entregue com laço e tudo. O bolsonarismo, que adorava posar de defensor da pátria, agora se vê no papel de cúmplice involuntário de uma potência estrangeira que ataca símbolos nacionais. O povo percebe. E cobra.

Trump, com sua habitual sutileza de elefante em loja de cristais, ofereceu a Lula o que nem o marketing político poderia prever: uma causa nobre, simples, popular e, sobretudo, nacionalista.

Se continuar assim, é capaz de o próximo slogan do governo ser:
“Pix é nosso, 25 também. E o resto, Trump que lute.”

ARTIGO – Quando o Tiro Sai Pela Culatra: Trump, o Pix e o Bolsonarismo em Frangalhos

 

 

(Padre Carlos)

Donald Trump, esse mestre do improviso diplomático, resolveu estender sua “grandeza” até o Brasil — país que, ironicamente, não pertence aos Estados Unidos, embora alguns ainda confundam a bandeira nacional com a do Texas. Com sua conhecida delicadeza geopolítica, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e — pasmem! — abriu uma investigação comercial contra o Pix e a rua 25 de Março. Sim, caro leitor, a 25. A rua. Com barraquinhas, ambulantes, sacoleiros e uma pátria informal que sobrevive à base do “dinheiro na mão e mercadoria no carrinho”.

Ao que tudo indica, Trump, na ânsia de dar uma força a seu velho amigo Jair Bolsonaro — aquele que bate continência até para o segurança da Casa Branca — acabou jogando uma granada no colo do ex-presidente. E não foi daquelas de efeito moral, não. Foi uma de fragmentação política, com estilhaços ideológicos que já estão atingindo aliados históricos e, veja só, até Hamilton Mourão resolveu tirar o capacete e sair da trincheira.

O Pix, esse milagre tecnológico tupiniquim, virou alvo do trumpismo. Um sistema bancário gratuito, eficaz, popular, transversal, moderno — ou seja, tudo o que o bolsonarismo odeia. E atacar o Pix no Brasil é mais ou menos como tentar proibir o feijão com arroz ou colocar senha para assistir ao futebol de domingo. É pedir para ser vaiado até por quem ainda tem o “mito” no adesivo do carro.

Mais genial ainda foi escolher a 25 de Março como símbolo de “práticas comerciais suspeitas”. Aparentemente, o gabinete de Trump confundiu a economia informal com uma célula de espionagem chinesa. Fosse por ignorância, seria apenas cômico. Mas como tudo indica um cálculo político de apoio a Bolsonaro, torna-se tragicômico — porque o resultado é o oposto: fortaleceu Lula.

Sim, Lula, aquele mesmo que em outros tempos era acusado de entregar o país ao “comunismo global”, hoje empunha a bandeira da soberania nacional contra o império americano. A ironia não poderia ser mais perfeita. De líder sindical perseguido pelo sistema a defensor do Pix contra o império digital de Washington. O Brasil é mesmo um país que se recusa a ser coerente.

O Palácio do Planalto reagiu com a astúcia de quem sabe farejar oportunidade no meio da crise. Lançou campanha com o slogan “O Pix é do Brasil e dos brasileiros”, convocando até o caboclo do interior e o CEO da Faria Lima para se unirem contra a ameaça externa. Nacionalismo na veia, com direito a trilha sonora de Alceu Valença e memes de Zé Gotinha segurando um QR Code.

Enquanto isso, no campo adversário, o centrão — essa geleia real da política brasileira — começa a se afastar do ex-capitão. A última coisa que querem é apoiar alguém que está sendo chamado de entreguista até por setores que ainda cultivam o “kit verde e amarelo” no armário.

Tarcísio de Freitas, sempre em busca de equilíbrio entre a devoção bolsonarista e a realidade paulista, chegou a aplaudir Trump em um primeiro momento. Mas, percebendo a tempestade midiática que se armava, tratou de ajustar o discurso. Ninguém quer ser lembrado como o gestor que viu o comércio popular de São Paulo ser atacado por um americano de gravata vermelha.

Analistas econômicos, até os mais ortodoxos, são unânimes: as tarifas são tecnicamente absurdas. O Pix é referência mundial, e sua eficácia já é estudada por sistemas bancários da Europa e da Ásia. Trata-se de uma tentativa política, mal calculada, de interferência externa — daquelas que os bolsonaristas juravam combater com a Bíblia numa mão e a Constituição na outra.

Resultado? O que era para ser uma ajuda virou um presente de Natal para Lula, entregue com laço e tudo. O bolsonarismo, que adorava posar de defensor da pátria, agora se vê no papel de cúmplice involuntário de uma potência estrangeira que ataca símbolos nacionais. O povo percebe. E cobra.

Trump, com sua habitual sutileza de elefante em loja de cristais, ofereceu a Lula o que nem o marketing político poderia prever: uma causa nobre, simples, popular e, sobretudo, nacionalista.

Se continuar assim, é capaz de o próximo slogan do governo ser:
“Pix é nosso, 25 também. E o resto, Trump que lute.”

A Vulnerabilidade Digital dos Jovens: Um Chamado à Proteção Urgente

 

 

 

Por Padre Carlos

O caso recente envolvendo um adolescente de Vitória da Conquista, vítima de extorsão digital após ter conteúdo íntimo vazado, representa apenas a ponta do iceberg de um fenômeno alarmante que assola nossa sociedade digital. Este episódio não é isolado – é sintoma de uma crise mais ampla que exige nossa atenção imediata e ação coordenada.

A Nova Face da Vulnerabilidade Juvenil

A geração atual cresceu imersa no mundo digital, onde a fronteira entre o público e o privado se tornou perigosamente tênue. Para muitos jovens, compartilhar momentos íntimos através de plataformas digitais faz parte de sua linguagem afetiva natural. No entanto, essa naturalidade digital contrasta brutalmente com a falta de consciência sobre os riscos envolvidos.

O que presenciamos não é apenas um crime contra um indivíduo, mas um ataque à dignidade humana que se amplia exponencialmente através das redes sociais. A vítima não enfrenta apenas a violação inicial, mas a perpetuação infinita dessa violência a cada compartilhamento, a cada visualização não consentida.

O Círculo Vicioso da Revitimização

A extorsão digital cria um ciclo perverso. O agressor não apenas viola a privacidade da vítima, mas a mantém refém através do medo da exposição. É uma forma moderna de tortura psicológica que pode causar danos irreparáveis à saúde mental, especialmente em jovens ainda em formação identitária.

O fato de este ser o segundo caso registrado na região em pouco tempo indica que estamos diante de um padrão criminoso que pode estar se espalhando. Criminosos percebem a vulnerabilidade dos jovens e a eficácia dessa forma de chantagem, criando um ambiente de terror digital que precisa ser combatido com urgência.

A Responsabilidade Coletiva

Este problema não pode ser enfrentado apenas pelo sistema de justiça criminal. Requer uma abordagem multidisciplinar que envolva família, escola, tecnologia e sociedade civil. As plataformas digitais precisam implementar mecanismos mais eficazes de proteção e denúncia. As escolas devem integrar educação digital crítica em seus currículos. As famílias precisam dialogar abertamente sobre segurança online, superando tabus e constrangimentos.

Além da Punição: Prevenção e Acolhimento

Embora seja fundamental que os criminosos sejam rigorosamente punidos, nossa resposta não pode se limitar ao aspecto punitivo. Precisamos criar redes de apoio psicológico especializadas para vítimas desse tipo de crime, desenvolver campanhas educativas efetivas sobre segurança digital e estabelecer protocolos de resposta rápida para casos de vazamento de conteúdo íntimo.

O Papel da Tecnologia na Solução

A mesma tecnologia que facilita esses crimes pode ser parte da solução. Ferramentas de detecção automática de conteúdo não consensual, sistemas de remoção rápida e mecanismos de rastreabilidade de origem podem ser desenvolvidos e implementados. É inadmissível que plataformas lucrem com engajamento gerado por conteúdo obtido através de chantagem e violência.

Um Futuro Mais Seguro

O caso de Vitória da Conquista deve servir como alerta para toda a sociedade brasileira. Não podemos normalizar a violência digital nem aceitar que nossos jovens cresçam em um ambiente onde sua intimidade pode ser transformada em arma contra eles próprios.

Precisamos de leis mais rigorosas, aplicação efetiva da justiça, educação digital abrangente e, principalmente, uma mudança cultural que reconheça a gravidade desses crimes. A dignidade humana não pode ser negociável no mundo digital.

A proteção dos jovens no ambiente digital não é apenas uma questão de segurança pública – é uma questão de direitos humanos fundamentais. O futuro de nossa sociedade digital depende de como responderemos a esses desafios hoje. Não podemos falhar com esta geração.

A Vulnerabilidade Digital dos Jovens: Um Chamado à Proteção Urgente

 

 

 

Por Padre Carlos

O caso recente envolvendo um adolescente de Vitória da Conquista, vítima de extorsão digital após ter conteúdo íntimo vazado, representa apenas a ponta do iceberg de um fenômeno alarmante que assola nossa sociedade digital. Este episódio não é isolado – é sintoma de uma crise mais ampla que exige nossa atenção imediata e ação coordenada.

A Nova Face da Vulnerabilidade Juvenil

A geração atual cresceu imersa no mundo digital, onde a fronteira entre o público e o privado se tornou perigosamente tênue. Para muitos jovens, compartilhar momentos íntimos através de plataformas digitais faz parte de sua linguagem afetiva natural. No entanto, essa naturalidade digital contrasta brutalmente com a falta de consciência sobre os riscos envolvidos.

O que presenciamos não é apenas um crime contra um indivíduo, mas um ataque à dignidade humana que se amplia exponencialmente através das redes sociais. A vítima não enfrenta apenas a violação inicial, mas a perpetuação infinita dessa violência a cada compartilhamento, a cada visualização não consentida.

O Círculo Vicioso da Revitimização

A extorsão digital cria um ciclo perverso. O agressor não apenas viola a privacidade da vítima, mas a mantém refém através do medo da exposição. É uma forma moderna de tortura psicológica que pode causar danos irreparáveis à saúde mental, especialmente em jovens ainda em formação identitária.

O fato de este ser o segundo caso registrado na região em pouco tempo indica que estamos diante de um padrão criminoso que pode estar se espalhando. Criminosos percebem a vulnerabilidade dos jovens e a eficácia dessa forma de chantagem, criando um ambiente de terror digital que precisa ser combatido com urgência.

A Responsabilidade Coletiva

Este problema não pode ser enfrentado apenas pelo sistema de justiça criminal. Requer uma abordagem multidisciplinar que envolva família, escola, tecnologia e sociedade civil. As plataformas digitais precisam implementar mecanismos mais eficazes de proteção e denúncia. As escolas devem integrar educação digital crítica em seus currículos. As famílias precisam dialogar abertamente sobre segurança online, superando tabus e constrangimentos.

Além da Punição: Prevenção e Acolhimento

Embora seja fundamental que os criminosos sejam rigorosamente punidos, nossa resposta não pode se limitar ao aspecto punitivo. Precisamos criar redes de apoio psicológico especializadas para vítimas desse tipo de crime, desenvolver campanhas educativas efetivas sobre segurança digital e estabelecer protocolos de resposta rápida para casos de vazamento de conteúdo íntimo.

O Papel da Tecnologia na Solução

A mesma tecnologia que facilita esses crimes pode ser parte da solução. Ferramentas de detecção automática de conteúdo não consensual, sistemas de remoção rápida e mecanismos de rastreabilidade de origem podem ser desenvolvidos e implementados. É inadmissível que plataformas lucrem com engajamento gerado por conteúdo obtido através de chantagem e violência.

Um Futuro Mais Seguro

O caso de Vitória da Conquista deve servir como alerta para toda a sociedade brasileira. Não podemos normalizar a violência digital nem aceitar que nossos jovens cresçam em um ambiente onde sua intimidade pode ser transformada em arma contra eles próprios.

Precisamos de leis mais rigorosas, aplicação efetiva da justiça, educação digital abrangente e, principalmente, uma mudança cultural que reconheça a gravidade desses crimes. A dignidade humana não pode ser negociável no mundo digital.

A proteção dos jovens no ambiente digital não é apenas uma questão de segurança pública – é uma questão de direitos humanos fundamentais. O futuro de nossa sociedade digital depende de como responderemos a esses desafios hoje. Não podemos falhar com esta geração.

O PAC é Nosso: Não Deixemos os “Pais da Criação” Roubarem o Show

 

 

 

 

`Por Padre Carlos

 

Vitória da Conquista acaba de receber uma excelente notícia: três propostas municipais foram selecionadas para o Novo PAC Seleções 2025, na área da saúde. São investimentos que chegam a aproximadamente R$ 100 milhões, contemplando desde drenagem de águas pluviais até a construção de unidades básicas de saúde e uma unidade odontológica móvel. Uma conquista significativa que merece ser celebrada e, principalmente, ter sua autoria devidamente reconhecida.

Mas já conhecemos o roteiro. Em breve, quando os holofotes se acenderem e as máquinas fotográficas começarem a disparar, surgirão de todos os cantos os famosos “pais da criação” – aqueles políticos que, magicamente, descobrem que sempre foram os verdadeiros articuladores de projetos nos quais nunca colocaram um dedo.

A Síndrome do Paizinho Oportunista

É um fenômeno que se repete ad nauseam na política brasileira, e Vitória da Conquista não é exceção. Enquanto técnicos da prefeitura queimaram pestanas elaborando projetos, fazendo estudos de viabilidade, adequando propostas às exigências federais e correndo atrás de documentação, alguns parlamentares estavam… bem, fazendo o que parlamentares costumam fazer quando não há câmeras por perto.

Mas agora que os recursos estão garantidos, prepare-se para ver deputados federais e estaduais disputando a paternidade desses projetos como se fossem pais biológicos brigando por DNA. Surgirão releases de imprensa, posts nas redes sociais e até mesmo placas de obra com rostos sorridentes de quem “viabilizou” os investimentos.

O Verdadeiro Mérito

É preciso deixar claro: o mérito principal dessa conquista é da administração municipal, que soube identificar as demandas da cidade e transformá-las em propostas técnicas consistentes. Os investimentos em drenagem pluvial dos bairros Panorama e Recreio, a renovação da frota de ônibus, a construção do Centro de Atenção Psicossocial e das Unidades Básicas de Saúde não são frutos de “pistolões” ou “influências”, mas sim de competência técnica e planejamento.

O Novo PAC Seleções funciona exatamente assim: não é uma distribuição clientelista de recursos, mas uma seleção baseada em critérios técnicos e na capacidade dos municípios de apresentar projetos bem estruturados. Vitória da Conquista foi contemplada porque fez o dever de casa.

Fiquemos de Olho

Por isso, é fundamental que a população conquistense fique atenta. Quando começarem as inaugurações, quando as obras estiverem prontas, lembremos sempre: os verdadeiros responsáveis por essa conquista são os servidores municipais que elaboraram os projetos e a gestão municipal que priorizou essas demandas.

Não que deputados e senadores não tenham seu papel no processo legislativo e no acompanhamento da execução das políticas públicas federais. Têm sim, e é importante. Mas uma coisa é acompanhar e fiscalizar; outra bem diferente é aparecer como protagonista de uma história na qual se foi, no máximo, coadjuvante.

Uma Questão de Honestidade Intelectual

O que está em jogo aqui não é apenas o reconhecimento do mérito – embora isso seja importante para motivar quem realmente trabalha. É uma questão mais ampla de honestidade na política e de educação democrática da população.

Quando permitimos que políticos se apropriem indevidamente de conquistas alheias, estamos contribuindo para a perpetuação de uma cultura política viciada, onde o marketing vale mais que o trabalho real, onde a aparência supera a substância.

Vitória da Conquista tem muito a comemorar com esses R$ 100 milhões do PAC. São recursos que vão melhorar concretamente a vida dos conquistenses, desde a prevenção de alagamentos até o fortalecimento da rede de saúde pública. Mas que essa festa seja feita com honestidade, dando crédito a quem realmente trabalhou para que ela acontecesse.

Os “pais da criação” que esperem sentados. Desta vez, vamos ficar de olho.

O PAC é Nosso: Não Deixemos os “Pais da Criação” Roubarem o Show

 

 

 

 

`Por Padre Carlos

 

Vitória da Conquista acaba de receber uma excelente notícia: três propostas municipais foram selecionadas para o Novo PAC Seleções 2025, na área da saúde. São investimentos que chegam a aproximadamente R$ 100 milhões, contemplando desde drenagem de águas pluviais até a construção de unidades básicas de saúde e uma unidade odontológica móvel. Uma conquista significativa que merece ser celebrada e, principalmente, ter sua autoria devidamente reconhecida.

Mas já conhecemos o roteiro. Em breve, quando os holofotes se acenderem e as máquinas fotográficas começarem a disparar, surgirão de todos os cantos os famosos “pais da criação” – aqueles políticos que, magicamente, descobrem que sempre foram os verdadeiros articuladores de projetos nos quais nunca colocaram um dedo.

A Síndrome do Paizinho Oportunista

É um fenômeno que se repete ad nauseam na política brasileira, e Vitória da Conquista não é exceção. Enquanto técnicos da prefeitura queimaram pestanas elaborando projetos, fazendo estudos de viabilidade, adequando propostas às exigências federais e correndo atrás de documentação, alguns parlamentares estavam… bem, fazendo o que parlamentares costumam fazer quando não há câmeras por perto.

Mas agora que os recursos estão garantidos, prepare-se para ver deputados federais e estaduais disputando a paternidade desses projetos como se fossem pais biológicos brigando por DNA. Surgirão releases de imprensa, posts nas redes sociais e até mesmo placas de obra com rostos sorridentes de quem “viabilizou” os investimentos.

O Verdadeiro Mérito

É preciso deixar claro: o mérito principal dessa conquista é da administração municipal, que soube identificar as demandas da cidade e transformá-las em propostas técnicas consistentes. Os investimentos em drenagem pluvial dos bairros Panorama e Recreio, a renovação da frota de ônibus, a construção do Centro de Atenção Psicossocial e das Unidades Básicas de Saúde não são frutos de “pistolões” ou “influências”, mas sim de competência técnica e planejamento.

O Novo PAC Seleções funciona exatamente assim: não é uma distribuição clientelista de recursos, mas uma seleção baseada em critérios técnicos e na capacidade dos municípios de apresentar projetos bem estruturados. Vitória da Conquista foi contemplada porque fez o dever de casa.

Fiquemos de Olho

Por isso, é fundamental que a população conquistense fique atenta. Quando começarem as inaugurações, quando as obras estiverem prontas, lembremos sempre: os verdadeiros responsáveis por essa conquista são os servidores municipais que elaboraram os projetos e a gestão municipal que priorizou essas demandas.

Não que deputados e senadores não tenham seu papel no processo legislativo e no acompanhamento da execução das políticas públicas federais. Têm sim, e é importante. Mas uma coisa é acompanhar e fiscalizar; outra bem diferente é aparecer como protagonista de uma história na qual se foi, no máximo, coadjuvante.

Uma Questão de Honestidade Intelectual

O que está em jogo aqui não é apenas o reconhecimento do mérito – embora isso seja importante para motivar quem realmente trabalha. É uma questão mais ampla de honestidade na política e de educação democrática da população.

Quando permitimos que políticos se apropriem indevidamente de conquistas alheias, estamos contribuindo para a perpetuação de uma cultura política viciada, onde o marketing vale mais que o trabalho real, onde a aparência supera a substância.

Vitória da Conquista tem muito a comemorar com esses R$ 100 milhões do PAC. São recursos que vão melhorar concretamente a vida dos conquistenses, desde a prevenção de alagamentos até o fortalecimento da rede de saúde pública. Mas que essa festa seja feita com honestidade, dando crédito a quem realmente trabalhou para que ela acontecesse.

Os “pais da criação” que esperem sentados. Desta vez, vamos ficar de olho.

ARTIGO – Quando um deputado brinca com fogo (Padre Carlos)

 

 

Há palavras que não apenas denunciam o pensamento de quem as profere, mas que expõem perigosamente toda a estrutura que essa pessoa representa. Foi o que ocorreu com a fala do deputado federal Coronel Chrisóstomo, vice-líder da oposição na Câmara dos Deputados, ao comentar a mais recente operação da Polícia Federal que atingiu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um arroubo retórico, o deputado pediu que as Forças Armadas “atuem em favor do povo brasileiro” e, como se não bastasse, traçou paralelos com 1964 — o ano em que o país mergulhou num regime de exceção.

É preciso dizer com todas as letras: essa fala não é apenas irresponsável. Ela é perigosa, comprometedora e, sobretudo, reveladora. Compromete o próprio deputado, que demonstra não compreender os fundamentos da Constituição que rege o país. Compromete a oposição como um todo, que vê seu líder direto (ou melhor, seu vice-líder formal e porta-voz mais exaltado) insuflar a quebra da ordem institucional. E compromete ainda mais o campo bolsonarista, que, no desespero diante do cerco jurídico, volta a flertar com a ruptura democrática.

Ao dizer que “o povo brasileiro não aceita isso”, o deputado presume falar por todos. Não fala. Fala, no máximo, por uma fração cada vez mais minoritária da população que ainda insiste em ler ações legais — com ordem judicial, provas e ritos — como “perseguição política”. E ao convocar Forças Armadas e imprensa para “intervir”, resgata um vocabulário de quartel que deveria ter sido sepultado junto com a ditadura militar.

Invocar 1964 é mais do que nostalgia revisionista: é sinal de que há setores que ainda sonham com tanques nas ruas, censura nas redações e silêncio nos plenários. O Brasil não quer — e não pode — voltar a esse passado. A fala do deputado insinua que o Judiciário se comporta como “uma autoridade única”, anulando atos do Legislativo. Ora, essa é justamente a função constitucional do Supremo Tribunal Federal: avaliar a constitucionalidade dos atos dos demais Poderes. Esse sistema de freios e contrapesos existe para evitar os excessos — inclusive os cometidos por parlamentares que se esquecem que não estão acima da lei.

A oposição precisa fazer uma escolha histórica: quer ser relevante no jogo democrático, apresentando projetos, críticas e alternativas legítimas, ou quer se perder no discurso inflamado, militarizado e conspiratório? Porque cada vez que um de seus líderes invoca 1964, a Constituição chora e a democracia se retrai.

E a quem ainda se pergunta se essa fala traz consequências reais, a resposta é clara: sim, traz. Porque palavras têm peso, têm destinatários, têm consequências jurídicas e políticas. E quando saem da boca de um deputado, ainda mais um com função de liderança na oposição, reverberam como ecos de um país dividido entre a razão e a ruptura.

O povo brasileiro quer justiça, não ruptura. Quer responsabilidade, não bravatas. E quer líderes que respeitem o voto — mas também as instituições que garantem que esse voto seja soberano.

ARTIGO – Quando um deputado brinca com fogo (Padre Carlos)

 

 

Há palavras que não apenas denunciam o pensamento de quem as profere, mas que expõem perigosamente toda a estrutura que essa pessoa representa. Foi o que ocorreu com a fala do deputado federal Coronel Chrisóstomo, vice-líder da oposição na Câmara dos Deputados, ao comentar a mais recente operação da Polícia Federal que atingiu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um arroubo retórico, o deputado pediu que as Forças Armadas “atuem em favor do povo brasileiro” e, como se não bastasse, traçou paralelos com 1964 — o ano em que o país mergulhou num regime de exceção.

É preciso dizer com todas as letras: essa fala não é apenas irresponsável. Ela é perigosa, comprometedora e, sobretudo, reveladora. Compromete o próprio deputado, que demonstra não compreender os fundamentos da Constituição que rege o país. Compromete a oposição como um todo, que vê seu líder direto (ou melhor, seu vice-líder formal e porta-voz mais exaltado) insuflar a quebra da ordem institucional. E compromete ainda mais o campo bolsonarista, que, no desespero diante do cerco jurídico, volta a flertar com a ruptura democrática.

Ao dizer que “o povo brasileiro não aceita isso”, o deputado presume falar por todos. Não fala. Fala, no máximo, por uma fração cada vez mais minoritária da população que ainda insiste em ler ações legais — com ordem judicial, provas e ritos — como “perseguição política”. E ao convocar Forças Armadas e imprensa para “intervir”, resgata um vocabulário de quartel que deveria ter sido sepultado junto com a ditadura militar.

Invocar 1964 é mais do que nostalgia revisionista: é sinal de que há setores que ainda sonham com tanques nas ruas, censura nas redações e silêncio nos plenários. O Brasil não quer — e não pode — voltar a esse passado. A fala do deputado insinua que o Judiciário se comporta como “uma autoridade única”, anulando atos do Legislativo. Ora, essa é justamente a função constitucional do Supremo Tribunal Federal: avaliar a constitucionalidade dos atos dos demais Poderes. Esse sistema de freios e contrapesos existe para evitar os excessos — inclusive os cometidos por parlamentares que se esquecem que não estão acima da lei.

A oposição precisa fazer uma escolha histórica: quer ser relevante no jogo democrático, apresentando projetos, críticas e alternativas legítimas, ou quer se perder no discurso inflamado, militarizado e conspiratório? Porque cada vez que um de seus líderes invoca 1964, a Constituição chora e a democracia se retrai.

E a quem ainda se pergunta se essa fala traz consequências reais, a resposta é clara: sim, traz. Porque palavras têm peso, têm destinatários, têm consequências jurídicas e políticas. E quando saem da boca de um deputado, ainda mais um com função de liderança na oposição, reverberam como ecos de um país dividido entre a razão e a ruptura.

O povo brasileiro quer justiça, não ruptura. Quer responsabilidade, não bravatas. E quer líderes que respeitem o voto — mas também as instituições que garantem que esse voto seja soberano.

ARTIGO – Eu quero os meus brinquedos (Padre Carlos)

 

 

Dizia Mario Quintana, com a leveza de quem escreve com a alma:
“O menino que fui chora na estrada. O homem que sou o consola…”

E é nessa estrada, tantas vezes asfaltada de lembranças e poeira do tempo, que hoje me vejo buscando… meus brinquedos.

Não me refiro aos objetos em si — piões de madeira, bolas de meia, o cavalinho manco de pau que galopava sobre o chão de terra batida da rua de casa. Falo daquilo que eles carregavam: a fantasia do menino que acredita que tudo é possível, que constrói castelos de areia com mais fé que muito arquiteto moderno.

Eu quero os meus brinquedos.

Quero de volta aquele tempo em que a tarde era infinita, o céu parecia mais azul e as dores tinham cura com um beijo de mãe. Hoje, o tempo corre apressado. Ontem é um vulto. Amanhã é uma inquietação. Mas a infância… ah, essa mora numa caixinha trancada dentro da memória, onde moram também os cheiros, os risos e os silêncios daquele tempo.

Não se trata de nostalgia barata. Trata-se de gratidão.
Gratidão por ter vivido num tempo em que a felicidade não dependia de wi-fi, nem de curtidas. Dependia de um amigo pra brincar, de uma goiabeira no quintal, de um fim de tarde de chuva e banho de biqueira.

O poeta sabia:

“A vida é feita de nadas. Pequenas coisas que o tempo transforma em eternidades.”

E foi assim que os brinquedos da minha infância viraram eternidade. Estão lá, numa prateleira do coração, ao lado das vozes que o tempo não conseguiu calar, das brincadeiras que ninguém mais entende, dos medos bobos e das alegrias sinceras.

Hoje, escrevo não só como homem, pai e cronista.
Escrevo como aquele menino que um dia fui, e que de vez em quando bate à porta da alma dizendo:

“Eu quero os meus brinquedos.”

E você?
Onde guardou os seus?

ARTIGO – Eu quero os meus brinquedos (Padre Carlos)

 

 

Dizia Mario Quintana, com a leveza de quem escreve com a alma:
“O menino que fui chora na estrada. O homem que sou o consola…”

E é nessa estrada, tantas vezes asfaltada de lembranças e poeira do tempo, que hoje me vejo buscando… meus brinquedos.

Não me refiro aos objetos em si — piões de madeira, bolas de meia, o cavalinho manco de pau que galopava sobre o chão de terra batida da rua de casa. Falo daquilo que eles carregavam: a fantasia do menino que acredita que tudo é possível, que constrói castelos de areia com mais fé que muito arquiteto moderno.

Eu quero os meus brinquedos.

Quero de volta aquele tempo em que a tarde era infinita, o céu parecia mais azul e as dores tinham cura com um beijo de mãe. Hoje, o tempo corre apressado. Ontem é um vulto. Amanhã é uma inquietação. Mas a infância… ah, essa mora numa caixinha trancada dentro da memória, onde moram também os cheiros, os risos e os silêncios daquele tempo.

Não se trata de nostalgia barata. Trata-se de gratidão.
Gratidão por ter vivido num tempo em que a felicidade não dependia de wi-fi, nem de curtidas. Dependia de um amigo pra brincar, de uma goiabeira no quintal, de um fim de tarde de chuva e banho de biqueira.

O poeta sabia:

“A vida é feita de nadas. Pequenas coisas que o tempo transforma em eternidades.”

E foi assim que os brinquedos da minha infância viraram eternidade. Estão lá, numa prateleira do coração, ao lado das vozes que o tempo não conseguiu calar, das brincadeiras que ninguém mais entende, dos medos bobos e das alegrias sinceras.

Hoje, escrevo não só como homem, pai e cronista.
Escrevo como aquele menino que um dia fui, e que de vez em quando bate à porta da alma dizendo:

“Eu quero os meus brinquedos.”

E você?
Onde guardou os seus?

ARTIGO – Tragédias nas Estradas e a Responsabilidade Pública (Padre Carlos)

 

 

Mais uma vida ceifada nas estradas da Bahia. Na noite da última quinta-feira (17), uma colisão entre uma motocicleta e um ônibus da Policlínica Regional resultou na morte de um homem identificado como Demilson, e deixou outro ferido. O acidente ocorreu no município de Itambé e envolveu um ônibus que saiu de Vitória da Conquista com destino a Itapetinga.

Notícias como essa, infelizmente, deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte do cotidiano. O trânsito tornou-se uma roleta russa para motociclistas e motoristas. Mas, nesse caso específico, há um elemento que exige reflexão mais profunda: o envolvimento de um veículo da rede pública de saúde. Quando um ônibus da Policlínica — que deveria simbolizar cuidado, prevenção e vida — se vê no centro de um acidente com vítima fatal, somos forçados a encarar a fragilidade do sistema.

Não basta apenas lamentar. É preciso discutir responsabilidade, fiscalização e treinamento. Há câmeras nos veículos públicos? Há controle da jornada dos motoristas? E, principalmente: os contratos terceirizados priorizam a segurança ou apenas o menor preço?

A colisão, ocorrida entre Itambé e Itapetinga, revela também a precariedade das rodovias da região. Quem percorre esses trechos sabe: buracos, sinalização deficiente e ausência de iluminação são parte do trajeto. A má conservação das estradas tem custo — e ele se mede em vidas humanas.

A população de Vitória da Conquista, Itapetinga, Itambé e demais municípios atendidos pela Policlínica Regional deve exigir respostas. A morte de Demilson não pode ser tratada como estatística. É dever do poder público, da imprensa local e da sociedade civil cobrar transparência e ações preventivas.

Enquanto a política de mobilidade e transporte público for tratada com negligência, tragédias como essa continuarão se repetindo, transformando nossas estradas em túmulos a céu aberto.

ARTIGO – Tragédias nas Estradas e a Responsabilidade Pública (Padre Carlos)

 

 

Mais uma vida ceifada nas estradas da Bahia. Na noite da última quinta-feira (17), uma colisão entre uma motocicleta e um ônibus da Policlínica Regional resultou na morte de um homem identificado como Demilson, e deixou outro ferido. O acidente ocorreu no município de Itambé e envolveu um ônibus que saiu de Vitória da Conquista com destino a Itapetinga.

Notícias como essa, infelizmente, deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte do cotidiano. O trânsito tornou-se uma roleta russa para motociclistas e motoristas. Mas, nesse caso específico, há um elemento que exige reflexão mais profunda: o envolvimento de um veículo da rede pública de saúde. Quando um ônibus da Policlínica — que deveria simbolizar cuidado, prevenção e vida — se vê no centro de um acidente com vítima fatal, somos forçados a encarar a fragilidade do sistema.

Não basta apenas lamentar. É preciso discutir responsabilidade, fiscalização e treinamento. Há câmeras nos veículos públicos? Há controle da jornada dos motoristas? E, principalmente: os contratos terceirizados priorizam a segurança ou apenas o menor preço?

A colisão, ocorrida entre Itambé e Itapetinga, revela também a precariedade das rodovias da região. Quem percorre esses trechos sabe: buracos, sinalização deficiente e ausência de iluminação são parte do trajeto. A má conservação das estradas tem custo — e ele se mede em vidas humanas.

A população de Vitória da Conquista, Itapetinga, Itambé e demais municípios atendidos pela Policlínica Regional deve exigir respostas. A morte de Demilson não pode ser tratada como estatística. É dever do poder público, da imprensa local e da sociedade civil cobrar transparência e ações preventivas.

Enquanto a política de mobilidade e transporte público for tratada com negligência, tragédias como essa continuarão se repetindo, transformando nossas estradas em túmulos a céu aberto.