
O Brasil acordou atordoado com mais uma cena tragicômica de nossa democracia: ministros do STF sob ataques públicos enquanto alguns — como Luiz Fux — parecem mais preocupados em proteger os supostos golpistas do que resguardar a Constituição.
Em meio a um contexto explosivo de tentativa de golpe de Estado, chantagens institucionais e financiamento ilícito revelado em vídeo, Fux prefere tratar como “suposto” aquilo que até Jair Bolsonaro já admitiu: que banca, via Pix, a estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA — ele mesmo investigado por articulações antidemocráticas.
Enquanto Alexandre de Moraes age com firmeza, Fux surge como o ministro que vacila. Disse que não há “risco de fuga”. Mas quem falou em fuga? O que está em jogo são crimes contemporâneos, chantagens a ministros da Suprema Corte e conspirações em território estrangeiro. Fingir que não vê é, no mínimo, conivência institucional.
É o mesmo Fux que, em 2018, censurou Lula em plena campanha eleitoral, vetando entrevistas à imprensa. O mesmo que segurou por cinco anos a liminar do auxílio-moradia para juízes, custando bilhões aos cofres públicos. Agora, ele aparece como defensor de uma liberdade de expressão seletiva e de um ex-presidente que sonha em sabotar o Judiciário com ajuda de aliados internacionais.
A simbologia dos memes é brutal. Fux com orelhas do Mickey. Eduardo Bolsonaro como Minnie. Trump ameaçando tirar o visto e a peruca do ministro. A internet não perdoa, mas faz mais: denuncia em linguagem popular o que o povo já percebeu — há ministros que não estão à altura da toga que vestem.
E o pior: ao relativizar crimes, o STF se enfraquece. Ao proteger golpistas, perde autoridade. Ao acovardar-se diante da pressão internacional, renuncia à própria soberania.
O Brasil precisa de juízes corajosos. Não de celebridades disfarçadas de ministros.











