Política e Resenha

ARTIGO – Luiz Fux, o juiz do Mickey e os riscos da democracia brasileira (Padre Carlos)

 

 

Sessão plenária do STF realizada em 5 de junho de 2024. Foto: Andressa Anholete/SCO/STF

 

 

O Brasil acordou atordoado com mais uma cena tragicômica de nossa democracia: ministros do STF sob ataques públicos enquanto alguns — como Luiz Fux — parecem mais preocupados em proteger os supostos golpistas do que resguardar a Constituição.

Em meio a um contexto explosivo de tentativa de golpe de Estado, chantagens institucionais e financiamento ilícito revelado em vídeo, Fux prefere tratar como “suposto” aquilo que até Jair Bolsonaro já admitiu: que banca, via Pix, a estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA — ele mesmo investigado por articulações antidemocráticas.

Enquanto Alexandre de Moraes age com firmeza, Fux surge como o ministro que vacila. Disse que não há “risco de fuga”. Mas quem falou em fuga? O que está em jogo são crimes contemporâneos, chantagens a ministros da Suprema Corte e conspirações em território estrangeiro. Fingir que não vê é, no mínimo, conivência institucional.

É o mesmo Fux que, em 2018, censurou Lula em plena campanha eleitoral, vetando entrevistas à imprensa. O mesmo que segurou por cinco anos a liminar do auxílio-moradia para juízes, custando bilhões aos cofres públicos. Agora, ele aparece como defensor de uma liberdade de expressão seletiva e de um ex-presidente que sonha em sabotar o Judiciário com ajuda de aliados internacionais.

A simbologia dos memes é brutal. Fux com orelhas do Mickey. Eduardo Bolsonaro como Minnie. Trump ameaçando tirar o visto e a peruca do ministro. A internet não perdoa, mas faz mais: denuncia em linguagem popular o que o povo já percebeu — há ministros que não estão à altura da toga que vestem.

E o pior: ao relativizar crimes, o STF se enfraquece. Ao proteger golpistas, perde autoridade. Ao acovardar-se diante da pressão internacional, renuncia à própria soberania.

O Brasil precisa de juízes corajosos. Não de celebridades disfarçadas de ministros.

ARTIGO – Luiz Fux, o juiz do Mickey e os riscos da democracia brasileira (Padre Carlos)

 

 

Sessão plenária do STF realizada em 5 de junho de 2024. Foto: Andressa Anholete/SCO/STF

 

 

O Brasil acordou atordoado com mais uma cena tragicômica de nossa democracia: ministros do STF sob ataques públicos enquanto alguns — como Luiz Fux — parecem mais preocupados em proteger os supostos golpistas do que resguardar a Constituição.

Em meio a um contexto explosivo de tentativa de golpe de Estado, chantagens institucionais e financiamento ilícito revelado em vídeo, Fux prefere tratar como “suposto” aquilo que até Jair Bolsonaro já admitiu: que banca, via Pix, a estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA — ele mesmo investigado por articulações antidemocráticas.

Enquanto Alexandre de Moraes age com firmeza, Fux surge como o ministro que vacila. Disse que não há “risco de fuga”. Mas quem falou em fuga? O que está em jogo são crimes contemporâneos, chantagens a ministros da Suprema Corte e conspirações em território estrangeiro. Fingir que não vê é, no mínimo, conivência institucional.

É o mesmo Fux que, em 2018, censurou Lula em plena campanha eleitoral, vetando entrevistas à imprensa. O mesmo que segurou por cinco anos a liminar do auxílio-moradia para juízes, custando bilhões aos cofres públicos. Agora, ele aparece como defensor de uma liberdade de expressão seletiva e de um ex-presidente que sonha em sabotar o Judiciário com ajuda de aliados internacionais.

A simbologia dos memes é brutal. Fux com orelhas do Mickey. Eduardo Bolsonaro como Minnie. Trump ameaçando tirar o visto e a peruca do ministro. A internet não perdoa, mas faz mais: denuncia em linguagem popular o que o povo já percebeu — há ministros que não estão à altura da toga que vestem.

E o pior: ao relativizar crimes, o STF se enfraquece. Ao proteger golpistas, perde autoridade. Ao acovardar-se diante da pressão internacional, renuncia à própria soberania.

O Brasil precisa de juízes corajosos. Não de celebridades disfarçadas de ministros.

ARTIGO – A Memória que Evangeliza: O Lançamento da História da Arquidiocese de Vitória da Conquista

 

 

(Padre Carlos)

A história não é apenas um relicário do passado, mas um farol para o presente e um mapa para o futuro. Quando se trata da Igreja Católica, essa verdade se torna ainda mais eloquente, pois suas raízes fincam-se na alma de um povo. Por isso, o lançamento do livro História e Memória da Arquidiocese de Vitória da Conquista não é apenas um evento editorial: é um ato de resgate, valorização e reconhecimento de um patrimônio espiritual, social e cultural.

Na próxima terça-feira, dia 29 de julho, às 19 horas, a Câmara Municipal será palco dessa celebração da memória viva da fé conquistense. O livro, com 463 páginas ricamente organizadas, marca dois momentos cruciais: os 70 anos de criação da Diocese e os 25 anos da constituição da Província Eclesiástica, marcos que não apenas delimitam datas, mas também traduzem décadas de evangelização, compromisso pastoral e atuação transformadora.

A iniciativa, proposta pelo ex-arcebispo Dom Josafá Menezes, com a organização cuidadosa do diácono Luciano Lima Santana e da professora Ana Palmira Casimiro, mergulha em arquivos, entrevistas, símbolos e relatos de fé. É um verdadeiro “evangelho da memória”, dividido em três seções — História, Memória e Dados — que permitem ao leitor transitar entre o testemunho institucional e a vivência popular da fé.

É essencial ressaltar que o livro não se limita à narrativa clerical. Ele ecoa vozes de fiéis, relatos de resistência, momentos de dor e de festa. Traz registros sobre a criação de paróquias, atuação de religiosos e religiosas, bispos e arcebispos, além de um inventário de símbolos e hinos que compõem a identidade da Igreja local. Um tesouro para os que se dedicam à pesquisa histórica, à educação religiosa e ao fortalecimento da identidade católica em nossa região.

Como destacou Dom Vitor Agnaldo de Menezes, atual arcebispo, o material é resultado da colaboração de vários segmentos da Igreja. Isso amplia a representatividade e garante que a obra seja um espelho da pluralidade que forma o rosto da Arquidiocese.

Mais que um livro, esse lançamento é um chamado à memória. Em tempos de tanta superficialidade, recordar a história da Igreja é também recordar a luta por justiça social, o acolhimento dos pobres, a resistência diante das ditaduras e o protagonismo em momentos cruciais da história da Bahia.

Ao abrir esse evento à população, a Arquidiocese convida toda a sociedade a olhar com respeito para sua trajetória e reconhecer que, sim, a Igreja teve e tem um papel determinante na formação ética, cultural e espiritual de Vitória da Conquista e seu entorno.

Que este livro não seja apenas lido, mas celebrado. Que ele inspire novas gerações de cristãos, intelectuais, religiosos e líderes comunitários. Porque uma Igreja que sabe contar sua história é também uma Igreja que sabe construir o futuro.

ARTIGO – A Memória que Evangeliza: O Lançamento da História da Arquidiocese de Vitória da Conquista

 

 

(Padre Carlos)

A história não é apenas um relicário do passado, mas um farol para o presente e um mapa para o futuro. Quando se trata da Igreja Católica, essa verdade se torna ainda mais eloquente, pois suas raízes fincam-se na alma de um povo. Por isso, o lançamento do livro História e Memória da Arquidiocese de Vitória da Conquista não é apenas um evento editorial: é um ato de resgate, valorização e reconhecimento de um patrimônio espiritual, social e cultural.

Na próxima terça-feira, dia 29 de julho, às 19 horas, a Câmara Municipal será palco dessa celebração da memória viva da fé conquistense. O livro, com 463 páginas ricamente organizadas, marca dois momentos cruciais: os 70 anos de criação da Diocese e os 25 anos da constituição da Província Eclesiástica, marcos que não apenas delimitam datas, mas também traduzem décadas de evangelização, compromisso pastoral e atuação transformadora.

A iniciativa, proposta pelo ex-arcebispo Dom Josafá Menezes, com a organização cuidadosa do diácono Luciano Lima Santana e da professora Ana Palmira Casimiro, mergulha em arquivos, entrevistas, símbolos e relatos de fé. É um verdadeiro “evangelho da memória”, dividido em três seções — História, Memória e Dados — que permitem ao leitor transitar entre o testemunho institucional e a vivência popular da fé.

É essencial ressaltar que o livro não se limita à narrativa clerical. Ele ecoa vozes de fiéis, relatos de resistência, momentos de dor e de festa. Traz registros sobre a criação de paróquias, atuação de religiosos e religiosas, bispos e arcebispos, além de um inventário de símbolos e hinos que compõem a identidade da Igreja local. Um tesouro para os que se dedicam à pesquisa histórica, à educação religiosa e ao fortalecimento da identidade católica em nossa região.

Como destacou Dom Vitor Agnaldo de Menezes, atual arcebispo, o material é resultado da colaboração de vários segmentos da Igreja. Isso amplia a representatividade e garante que a obra seja um espelho da pluralidade que forma o rosto da Arquidiocese.

Mais que um livro, esse lançamento é um chamado à memória. Em tempos de tanta superficialidade, recordar a história da Igreja é também recordar a luta por justiça social, o acolhimento dos pobres, a resistência diante das ditaduras e o protagonismo em momentos cruciais da história da Bahia.

Ao abrir esse evento à população, a Arquidiocese convida toda a sociedade a olhar com respeito para sua trajetória e reconhecer que, sim, a Igreja teve e tem um papel determinante na formação ética, cultural e espiritual de Vitória da Conquista e seu entorno.

Que este livro não seja apenas lido, mas celebrado. Que ele inspire novas gerações de cristãos, intelectuais, religiosos e líderes comunitários. Porque uma Igreja que sabe contar sua história é também uma Igreja que sabe construir o futuro.

ARTIGO – Uma Comenda, uma História e a Luz da Maçonaria em Conquista (Padre Carlos)

 

 

Receber a Comenda dos 80 anos da Maçonaria Fraternidade Conquistense não é apenas um gesto de gentileza simbólica. É, sobretudo, um reconhecimento público de uma história construída com trabalho silencioso, valores inegociáveis e um compromisso permanente com a transformação social de Vitória da Conquista.

Ao longo de oito décadas, a Loja Maçônica Fraternidade Conquistense tem sido farol em meio às incertezas de nossa sociedade. Enquanto muitos falam, eles agem. Agem na assistência, na educação, na promoção da justiça e na defesa da liberdade — esse tripé que sustenta toda sociedade que almeja progresso com dignidade.

O gesto da Prefeita Sheila, ao enviar vídeo de homenagem à Loja, é mais que cordialidade institucional. É um reconhecimento legítimo de que a Maçonaria faz parte do tecido moral, cultural e social de nossa cidade. E é preciso dizer com todas as letras: o poder público, quando se alia a instituições que promovem o bem comum, cria pontes e não muros.

Ser homenageado nesta celebração foi para mim motivo de honra e responsabilidade. Afinal, em tempos de tanta indiferença, ser reconhecido por uma irmandade que se pauta por princípios de liberdade, igualdade e fraternidade é um chamado para servir ainda mais, com ainda mais lucidez, coragem e humildade.

Vida longa à Maçonaria Fraternidade Conquistense! Que sua luz continue iluminando os caminhos desta terra conquistense, que tanto precisa de esperança ativa e de exemplos concretos de cidadania.

ARTIGO – Uma Comenda, uma História e a Luz da Maçonaria em Conquista (Padre Carlos)

 

 

Receber a Comenda dos 80 anos da Maçonaria Fraternidade Conquistense não é apenas um gesto de gentileza simbólica. É, sobretudo, um reconhecimento público de uma história construída com trabalho silencioso, valores inegociáveis e um compromisso permanente com a transformação social de Vitória da Conquista.

Ao longo de oito décadas, a Loja Maçônica Fraternidade Conquistense tem sido farol em meio às incertezas de nossa sociedade. Enquanto muitos falam, eles agem. Agem na assistência, na educação, na promoção da justiça e na defesa da liberdade — esse tripé que sustenta toda sociedade que almeja progresso com dignidade.

O gesto da Prefeita Sheila, ao enviar vídeo de homenagem à Loja, é mais que cordialidade institucional. É um reconhecimento legítimo de que a Maçonaria faz parte do tecido moral, cultural e social de nossa cidade. E é preciso dizer com todas as letras: o poder público, quando se alia a instituições que promovem o bem comum, cria pontes e não muros.

Ser homenageado nesta celebração foi para mim motivo de honra e responsabilidade. Afinal, em tempos de tanta indiferença, ser reconhecido por uma irmandade que se pauta por princípios de liberdade, igualdade e fraternidade é um chamado para servir ainda mais, com ainda mais lucidez, coragem e humildade.

Vida longa à Maçonaria Fraternidade Conquistense! Que sua luz continue iluminando os caminhos desta terra conquistense, que tanto precisa de esperança ativa e de exemplos concretos de cidadania.

ARTIGO – Não, não precisamos de uma “Lei João da Penha”

 

(Padre Carlos)

Eu não consigo mais naturalizar o que virou cotidiano no Brasil: a violência contra a mulher. Cada vez que leio os dados, que escuto os relatos, que vejo os rostos — ou que noto os silêncios — sinto que temos fracassado como sociedade. Quando um jurista amigo afirmou que “mais de 28 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses”, eu parei. Respirei fundo. E me perguntei: como conseguimos seguir em frente como se isso fosse apenas mais uma estatística?

A Lei Maria da Penha, para mim, não é apenas uma norma jurídica. É um grito de socorro que virou lei. Uma lei que tenta responder à dor de mulheres que, durante décadas — séculos! — foram caladas, culpabilizadas, ignoradas. É uma legislação que protege, mas também educa. Que pune, mas também previne. Que salva vidas, quando é bem aplicada.

Eu já ouvi muitas vezes aquela velha cantilena: “E os homens? Não deveriam ter uma ‘Lei João da Penha’?”. Me perdoem, mas essa comparação é injusta e, francamente, desonesta. Os homens, nós homens, já temos a estrutura da lei ao nosso favor desde sempre. Temos privilégios históricos, sociais, simbólicos. A Lei Maria da Penha não nos ameaça — ela corrige um desequilíbrio brutal que naturalizamos por tempo demais.

Quando este profissional do Direito e da Justiça me falou que a lei não oprime os homens, ele não estava fazendo um discurso ideológico. Ele estava fazendo um apelo à razão. Ele estava dizendo o óbvio que muitos não querem ouvir: as mulheres ainda vivem sob risco, dentro de suas próprias casas. E isso precisa parar. E só vai parar se homens também deixarem de se sentir ameaçados pela ideia de justiça.

A Maria da Penha — mulher, cidadã, vítima de uma tentativa de feminicídio brutal — virou símbolo porque teve coragem de não se calar. Mas quantas Marias existem ao nosso redor que ainda não conseguiram falar? Quantas têm medo, vergonha, culpa? Quantas continuam vivendo com seus agressores porque não têm para onde ir? Por isso, eu digo: a lei é necessária, é urgente, é civilizatória.

Sei que há quem diga que a lei é dura. Que às vezes é usada de forma injusta. Pode ser. Nenhuma legislação é perfeita. Mas me dói mais saber que, mesmo com todos os mecanismos legais disponíveis, ainda estamos perdendo mulheres para o feminicídio, para o suicídio, para a depressão causada por anos de abuso.

Não, não precisamos de uma “Lei João da Penha”. Precisamos, sim, de consciência. Precisamos olhar para nossas filhas, esposas, mães, amigas — e garantir a elas o mínimo: dignidade, segurança, autonomia.

Como homem, como pai, como irmão, como cidadão e como padre-casado, eu digo: é nosso dever defender essa lei. Não por ideologia, mas por humanidade.

E, se isso ainda não for suficiente para comover, que ao menos nos reste a vergonha. Porque uma sociedade que falha com suas mulheres, falha com seu próprio futuro.

 

ARTIGO – Não, não precisamos de uma “Lei João da Penha”

 

(Padre Carlos)

Eu não consigo mais naturalizar o que virou cotidiano no Brasil: a violência contra a mulher. Cada vez que leio os dados, que escuto os relatos, que vejo os rostos — ou que noto os silêncios — sinto que temos fracassado como sociedade. Quando um jurista amigo afirmou que “mais de 28 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses”, eu parei. Respirei fundo. E me perguntei: como conseguimos seguir em frente como se isso fosse apenas mais uma estatística?

A Lei Maria da Penha, para mim, não é apenas uma norma jurídica. É um grito de socorro que virou lei. Uma lei que tenta responder à dor de mulheres que, durante décadas — séculos! — foram caladas, culpabilizadas, ignoradas. É uma legislação que protege, mas também educa. Que pune, mas também previne. Que salva vidas, quando é bem aplicada.

Eu já ouvi muitas vezes aquela velha cantilena: “E os homens? Não deveriam ter uma ‘Lei João da Penha’?”. Me perdoem, mas essa comparação é injusta e, francamente, desonesta. Os homens, nós homens, já temos a estrutura da lei ao nosso favor desde sempre. Temos privilégios históricos, sociais, simbólicos. A Lei Maria da Penha não nos ameaça — ela corrige um desequilíbrio brutal que naturalizamos por tempo demais.

Quando este profissional do Direito e da Justiça me falou que a lei não oprime os homens, ele não estava fazendo um discurso ideológico. Ele estava fazendo um apelo à razão. Ele estava dizendo o óbvio que muitos não querem ouvir: as mulheres ainda vivem sob risco, dentro de suas próprias casas. E isso precisa parar. E só vai parar se homens também deixarem de se sentir ameaçados pela ideia de justiça.

A Maria da Penha — mulher, cidadã, vítima de uma tentativa de feminicídio brutal — virou símbolo porque teve coragem de não se calar. Mas quantas Marias existem ao nosso redor que ainda não conseguiram falar? Quantas têm medo, vergonha, culpa? Quantas continuam vivendo com seus agressores porque não têm para onde ir? Por isso, eu digo: a lei é necessária, é urgente, é civilizatória.

Sei que há quem diga que a lei é dura. Que às vezes é usada de forma injusta. Pode ser. Nenhuma legislação é perfeita. Mas me dói mais saber que, mesmo com todos os mecanismos legais disponíveis, ainda estamos perdendo mulheres para o feminicídio, para o suicídio, para a depressão causada por anos de abuso.

Não, não precisamos de uma “Lei João da Penha”. Precisamos, sim, de consciência. Precisamos olhar para nossas filhas, esposas, mães, amigas — e garantir a elas o mínimo: dignidade, segurança, autonomia.

Como homem, como pai, como irmão, como cidadão e como padre-casado, eu digo: é nosso dever defender essa lei. Não por ideologia, mas por humanidade.

E, se isso ainda não for suficiente para comover, que ao menos nos reste a vergonha. Porque uma sociedade que falha com suas mulheres, falha com seu próprio futuro.

 

Deputados Votam Contra o Povo: Bilhões Saem da Saúde para Salvar Latifundiários

 

 

Por Padre Carlos

Se houvesse um Prêmio Nobel da Insensatez Legislativa, a Câmara dos Deputados do Brasil já teria levado uns bons pares de troféus. Mas, desta vez, o feito supera as proezas anteriores: em um gesto de desapego absoluto à lógica republicana, os nossos excelsos representantes decidiram tirar R$ 30 bilhões da saúde e da educação — áreas supostamente prioritárias para um país civilizado — para saldar dívidas do agronegócio. Sim, você leu certo. O futuro das crianças e o alívio dos enfermos agora servem de lastro para o cheque especial do latifúndio.

É o tipo de medida que, em outro país, derrubaria ministros, partidos e presidentes. Aqui, é só mais uma quarta-feira. Com direito a discursos inflamados e palmas entusiasmadas na galeria. No Brasil, onde se fala tanto em “pátria educadora” e “mais médicos”, descobrimos que os verdadeiros doentes são os que votam. E os que votam, digo, não são os cidadãos — esses andam anestesiados demais para reagir —, mas os deputados que apertam o botão e injetam bilhões no pulmão da bancada ruralista, deixando a UTI da saúde pública sem oxigênio e a sala de aula sem giz.

E, veja bem, nada contra o agro. Que seja pujante, moderno, competitivo, próspero. Mas se ele é “pop”, como diz a propaganda, por que precisa do socorro de um orçamento que já sangra? O agronegócio brasileiro exporta, lucra, financia campanhas — mas, quando a conta aperta, quem paga é o professor com salário congelado e o paciente na fila do SUS. É como se o padeiro pedisse dinheiro ao mendigo para comprar fermento.

Há, nesse teatro de absurdos, um componente de cinismo estrutural. A mesma Câmara que esmaga universidades e hospitais públicos em nome do “teto de gastos”, do “equilíbrio fiscal” e da “responsabilidade”, agora rasga a fantasia técnica para agradar os amigos do trator. Mas como dizem alguns: “Não tem dinheiro pra merenda, mas tem pra semente de soja”.

Pior: ninguém parece se incomodar. Nem os que votaram, nem os que assistiram. A passividade virou política de Estado. E o eleitor, esse personagem que só aparece de quatro em quatro anos, vai se esquecendo que tem poder. Ou deveria ter.

Por isso, leitor, é hora de dizer com todas as letras: não dá mais para aturar uma Câmara como essa. Não dá mais para fingir que vivemos numa democracia funcional enquanto as prioridades nacionais são decididas no compadrio de lobbies e conchavos. O Brasil está sendo administrado como se fosse um silo: fechado, abafado, e com cheiro de mofo.

A solução? Começa no voto. Mas não esse voto amnésico, conformado, passivo. Falo de um voto lúcido, rancoroso, consciente — o voto de quem perdeu um parente por falta de leito, de quem vê o filho estudar em sala sem ventilador, de quem se sente enganado.

O Brasil não vai mudar enquanto os currais eleitorais forem mais valorizados que as salas de aula. Nem enquanto o gado valer mais que o paciente. E, convenhamos, essa Câmara já passou do prazo de validade. A única dívida que deveríamos pagar, neste momento, é com a consciência.

Deputados Votam Contra o Povo: Bilhões Saem da Saúde para Salvar Latifundiários

 

 

Por Padre Carlos

Se houvesse um Prêmio Nobel da Insensatez Legislativa, a Câmara dos Deputados do Brasil já teria levado uns bons pares de troféus. Mas, desta vez, o feito supera as proezas anteriores: em um gesto de desapego absoluto à lógica republicana, os nossos excelsos representantes decidiram tirar R$ 30 bilhões da saúde e da educação — áreas supostamente prioritárias para um país civilizado — para saldar dívidas do agronegócio. Sim, você leu certo. O futuro das crianças e o alívio dos enfermos agora servem de lastro para o cheque especial do latifúndio.

É o tipo de medida que, em outro país, derrubaria ministros, partidos e presidentes. Aqui, é só mais uma quarta-feira. Com direito a discursos inflamados e palmas entusiasmadas na galeria. No Brasil, onde se fala tanto em “pátria educadora” e “mais médicos”, descobrimos que os verdadeiros doentes são os que votam. E os que votam, digo, não são os cidadãos — esses andam anestesiados demais para reagir —, mas os deputados que apertam o botão e injetam bilhões no pulmão da bancada ruralista, deixando a UTI da saúde pública sem oxigênio e a sala de aula sem giz.

E, veja bem, nada contra o agro. Que seja pujante, moderno, competitivo, próspero. Mas se ele é “pop”, como diz a propaganda, por que precisa do socorro de um orçamento que já sangra? O agronegócio brasileiro exporta, lucra, financia campanhas — mas, quando a conta aperta, quem paga é o professor com salário congelado e o paciente na fila do SUS. É como se o padeiro pedisse dinheiro ao mendigo para comprar fermento.

Há, nesse teatro de absurdos, um componente de cinismo estrutural. A mesma Câmara que esmaga universidades e hospitais públicos em nome do “teto de gastos”, do “equilíbrio fiscal” e da “responsabilidade”, agora rasga a fantasia técnica para agradar os amigos do trator. Mas como dizem alguns: “Não tem dinheiro pra merenda, mas tem pra semente de soja”.

Pior: ninguém parece se incomodar. Nem os que votaram, nem os que assistiram. A passividade virou política de Estado. E o eleitor, esse personagem que só aparece de quatro em quatro anos, vai se esquecendo que tem poder. Ou deveria ter.

Por isso, leitor, é hora de dizer com todas as letras: não dá mais para aturar uma Câmara como essa. Não dá mais para fingir que vivemos numa democracia funcional enquanto as prioridades nacionais são decididas no compadrio de lobbies e conchavos. O Brasil está sendo administrado como se fosse um silo: fechado, abafado, e com cheiro de mofo.

A solução? Começa no voto. Mas não esse voto amnésico, conformado, passivo. Falo de um voto lúcido, rancoroso, consciente — o voto de quem perdeu um parente por falta de leito, de quem vê o filho estudar em sala sem ventilador, de quem se sente enganado.

O Brasil não vai mudar enquanto os currais eleitorais forem mais valorizados que as salas de aula. Nem enquanto o gado valer mais que o paciente. E, convenhamos, essa Câmara já passou do prazo de validade. A única dívida que deveríamos pagar, neste momento, é com a consciência.

ARTIGO – Bolsa Família: quando deixar de receber ?

 

(Padre Carlos)

Num Brasil tantas vezes ferido pela desigualdade, a notícia de que mais de 900 mil famílias estão deixando o Bolsa Família por melhora de renda deveria ocupar as manchetes com orgulho e esperança. Afinal, o que se espera de um programa de transferência de renda não é a dependência eterna, mas a travessia. É quando o auxílio temporário cumpre sua missão — ser ponte e não prisão.

Segundo o ministro Wellington Dias, 958 mil famílias deixaram o programa apenas em julho, o que representa 3,5 milhões de pessoas. E o motivo não foi corte ou abandono: foi progresso. Foram empregos formais, pequenos negócios que floresceram, capacitação profissional e principalmente o esforço cotidiano de quem, mesmo com pouco, não desistiu de tentar mais.

Esse êxodo positivo se dá em boa parte graças à chamada “regra de proteção” — mecanismo que permite às famílias, mesmo após ultrapassarem a linha da pobreza, continuarem recebendo parte do benefício por até dois anos. Um colchão de transição que evita a recaída. E entre essas, 536 mil famílias chegaram ao limite dos 24 meses e agora podem caminhar sozinhas.

Contudo, essa boa notícia precisa ser sublinhada diante de um preconceito que ainda resiste: o de que o Bolsa Família acomoda, que seus beneficiários “não querem trabalhar”. É um mito cruel que ignora a realidade de quem acorda antes do sol para vender bolos, varrer ruas, cuidar de filhos e estudar à noite. Não é a renda que prende o povo à pobreza. É a ausência de oportunidades.

Desde o início do atual governo, mais de 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza, sendo 3,5 milhões só neste ano. São brasileiros que agora deixam o programa por cima, não por decreto ou exclusão. Saem de cabeça erguida, com a dignidade de quem venceu.

É preciso reconhecer o papel do Estado — não como provedor paternalista, mas como indutor de liberdade. Quando o governo investe em qualificação profissional, apoio ao pequeno empreendedor e fortalecimento da educação, está mudando estruturas. Está plantando autonomia.

O Bolsa Família é, sim, um programa de combate à pobreza, mas pode ser também um trampolim para a classe média, como afirmou o próprio ministro. E isso está acontecendo. Lentamente, com muito chão pela frente, mas está.

Que não falte aos gestores sensibilidade e coragem para manter esse ciclo virtuoso. E que não falte ao povo brasileiro o olhar limpo para reconhecer que deixar de receber o Bolsa Família, neste caso, não é perda. É conquista.

Bolsa Família: quase um milhão de famílias serão obrigadas a deixar o programa

ARTIGO – Bolsa Família: quando deixar de receber ?

 

(Padre Carlos)

Num Brasil tantas vezes ferido pela desigualdade, a notícia de que mais de 900 mil famílias estão deixando o Bolsa Família por melhora de renda deveria ocupar as manchetes com orgulho e esperança. Afinal, o que se espera de um programa de transferência de renda não é a dependência eterna, mas a travessia. É quando o auxílio temporário cumpre sua missão — ser ponte e não prisão.

Segundo o ministro Wellington Dias, 958 mil famílias deixaram o programa apenas em julho, o que representa 3,5 milhões de pessoas. E o motivo não foi corte ou abandono: foi progresso. Foram empregos formais, pequenos negócios que floresceram, capacitação profissional e principalmente o esforço cotidiano de quem, mesmo com pouco, não desistiu de tentar mais.

Esse êxodo positivo se dá em boa parte graças à chamada “regra de proteção” — mecanismo que permite às famílias, mesmo após ultrapassarem a linha da pobreza, continuarem recebendo parte do benefício por até dois anos. Um colchão de transição que evita a recaída. E entre essas, 536 mil famílias chegaram ao limite dos 24 meses e agora podem caminhar sozinhas.

Contudo, essa boa notícia precisa ser sublinhada diante de um preconceito que ainda resiste: o de que o Bolsa Família acomoda, que seus beneficiários “não querem trabalhar”. É um mito cruel que ignora a realidade de quem acorda antes do sol para vender bolos, varrer ruas, cuidar de filhos e estudar à noite. Não é a renda que prende o povo à pobreza. É a ausência de oportunidades.

Desde o início do atual governo, mais de 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza, sendo 3,5 milhões só neste ano. São brasileiros que agora deixam o programa por cima, não por decreto ou exclusão. Saem de cabeça erguida, com a dignidade de quem venceu.

É preciso reconhecer o papel do Estado — não como provedor paternalista, mas como indutor de liberdade. Quando o governo investe em qualificação profissional, apoio ao pequeno empreendedor e fortalecimento da educação, está mudando estruturas. Está plantando autonomia.

O Bolsa Família é, sim, um programa de combate à pobreza, mas pode ser também um trampolim para a classe média, como afirmou o próprio ministro. E isso está acontecendo. Lentamente, com muito chão pela frente, mas está.

Que não falte aos gestores sensibilidade e coragem para manter esse ciclo virtuoso. E que não falte ao povo brasileiro o olhar limpo para reconhecer que deixar de receber o Bolsa Família, neste caso, não é perda. É conquista.

Bolsa Família: quase um milhão de famílias serão obrigadas a deixar o programa

ARTIGO – “Mesmo velha, gagá”: O Último Desejo de Preta Gil (Padre Carlos)

 

 

Poucos artistas brasileiros conseguiram, em vida, carregar com tanta dignidade a palavra liberdade quanto Preta Gil. E poucos, na morte, conseguiram celebrar a própria travessia com tanto amor à vida. A cantora, atriz, apresentadora e ícone da diversidade nos deixou aos 50 anos, vítima de um câncer que enfrentou com uma força comovente e uma franqueza ainda mais rara. Mas não sem antes desenhar, com traços firmes e bem-humorados, o roteiro de sua despedida.

Há dez anos, numa entrevista despretensiosa ao canal Põe na Roda, Preta disse com a leveza que sempre a acompanhou: “Mesmo velha, gagá, me bota em cima do trio!” Referia-se, claro, ao seu funeral. Não queria flores frias e silêncios engasgados. Queria axé, batuque, alegria. Queria ser lembrada como viveu: cercada de música, de amigos e da energia que só o povo brasileiro é capaz de gerar quando se despede dos seus com festa.

Esse pedido, que poderia parecer inusitado aos desavisados, é profundamente coerente com a mulher que Preta foi: intensa, generosa, corajosa. Foi filha de Gilberto Gil, sim, mas não se escondeu atrás do sobrenome. Cantou o corpo, a liberdade, o amor em todas as suas formas. Enfrentou o preconceito, a gordofobia, o machismo e as tentativas constantes de silenciá-la – tudo isso sem abrir mão do brilho, do humor e da dignidade.

Nos últimos dois anos, Preta travou a batalha mais dura: o enfrentamento de um câncer agressivo que a levou a cirurgias, tratamentos experimentais e à adoção de uma bolsa de colostomia definitiva. Ela, que sempre fez de si um palco de representação, expôs esse processo com franqueza e sem vitimismo. Mostrou nas redes que seu corpo era casa sagrada, mesmo ferido. Disse ao mundo que viver vale a pena, mesmo quando é difícil respirar.

E foi nessa trilha que seguiu até o fim. Em maio deste ano, partiu para os Estados Unidos em busca de tratamentos que já não estavam disponíveis no Brasil. Sua fé na vida era mais forte que a lógica médica. “Tem muita coisa pra fazer aqui nessa vida. Eu me recuso a aceitar que se findou pra mim agora”, escreveu. Palavras que, agora, ecoam com ainda mais força.

Mas findou. E mesmo assim, não findou. Porque Preta pediu que não houvesse lamento, mas sim trio elétrico. Que sua morte não fosse notícia de tragédia, mas de celebração. E que uma amiga famosa – não importa quem, pois o afeto é quem comanda o palco – conduzisse esse cortejo como se conduz um Carnaval.

Esse desejo – de ser levada pela multidão, com música e amor – é mais que uma escolha pessoal. É um manifesto. Num Brasil que tantas vezes criminaliza a alegria, Preta nos ensina que até a morte pode ser celebrada com beleza. Que chorar é legítimo, mas cantar também é. Que dançar com os pés no chão, mesmo doendo, é uma forma de oração.

Talvez um dia todos nós devêssemos escrever, como ela, o roteiro do nosso adeus. Não por vaidade, mas por sabedoria. Para que a nossa memória fique menos à mercê do acaso e mais à altura daquilo que amamos.

Preta Gil, mesmo velha, mesmo gagá, será colocada em cima do trio. Não para um último show, mas para um eterno desfile. E nós, aqui embaixo, aplaudiremos de pé. Porque ela viveu como poucos: com intensidade, com coragem, com verdade.

E agora, canta o céu. Mas o chão ainda ecoa seu batuque.

ARTIGO – “Mesmo velha, gagá”: O Último Desejo de Preta Gil (Padre Carlos)

 

 

Poucos artistas brasileiros conseguiram, em vida, carregar com tanta dignidade a palavra liberdade quanto Preta Gil. E poucos, na morte, conseguiram celebrar a própria travessia com tanto amor à vida. A cantora, atriz, apresentadora e ícone da diversidade nos deixou aos 50 anos, vítima de um câncer que enfrentou com uma força comovente e uma franqueza ainda mais rara. Mas não sem antes desenhar, com traços firmes e bem-humorados, o roteiro de sua despedida.

Há dez anos, numa entrevista despretensiosa ao canal Põe na Roda, Preta disse com a leveza que sempre a acompanhou: “Mesmo velha, gagá, me bota em cima do trio!” Referia-se, claro, ao seu funeral. Não queria flores frias e silêncios engasgados. Queria axé, batuque, alegria. Queria ser lembrada como viveu: cercada de música, de amigos e da energia que só o povo brasileiro é capaz de gerar quando se despede dos seus com festa.

Esse pedido, que poderia parecer inusitado aos desavisados, é profundamente coerente com a mulher que Preta foi: intensa, generosa, corajosa. Foi filha de Gilberto Gil, sim, mas não se escondeu atrás do sobrenome. Cantou o corpo, a liberdade, o amor em todas as suas formas. Enfrentou o preconceito, a gordofobia, o machismo e as tentativas constantes de silenciá-la – tudo isso sem abrir mão do brilho, do humor e da dignidade.

Nos últimos dois anos, Preta travou a batalha mais dura: o enfrentamento de um câncer agressivo que a levou a cirurgias, tratamentos experimentais e à adoção de uma bolsa de colostomia definitiva. Ela, que sempre fez de si um palco de representação, expôs esse processo com franqueza e sem vitimismo. Mostrou nas redes que seu corpo era casa sagrada, mesmo ferido. Disse ao mundo que viver vale a pena, mesmo quando é difícil respirar.

E foi nessa trilha que seguiu até o fim. Em maio deste ano, partiu para os Estados Unidos em busca de tratamentos que já não estavam disponíveis no Brasil. Sua fé na vida era mais forte que a lógica médica. “Tem muita coisa pra fazer aqui nessa vida. Eu me recuso a aceitar que se findou pra mim agora”, escreveu. Palavras que, agora, ecoam com ainda mais força.

Mas findou. E mesmo assim, não findou. Porque Preta pediu que não houvesse lamento, mas sim trio elétrico. Que sua morte não fosse notícia de tragédia, mas de celebração. E que uma amiga famosa – não importa quem, pois o afeto é quem comanda o palco – conduzisse esse cortejo como se conduz um Carnaval.

Esse desejo – de ser levada pela multidão, com música e amor – é mais que uma escolha pessoal. É um manifesto. Num Brasil que tantas vezes criminaliza a alegria, Preta nos ensina que até a morte pode ser celebrada com beleza. Que chorar é legítimo, mas cantar também é. Que dançar com os pés no chão, mesmo doendo, é uma forma de oração.

Talvez um dia todos nós devêssemos escrever, como ela, o roteiro do nosso adeus. Não por vaidade, mas por sabedoria. Para que a nossa memória fique menos à mercê do acaso e mais à altura daquilo que amamos.

Preta Gil, mesmo velha, mesmo gagá, será colocada em cima do trio. Não para um último show, mas para um eterno desfile. E nós, aqui embaixo, aplaudiremos de pé. Porque ela viveu como poucos: com intensidade, com coragem, com verdade.

E agora, canta o céu. Mas o chão ainda ecoa seu batuque.

ARTIGO: Vacinação Antirrábica em Conquista – Proteja seu Pet, Proteja sua Família. Saiba Tudo Sobre a Campanha.

 

 

 

(Por Política & Resenha)

A Secretaria Municipal de Saúde de Vitória da Conquista anunciou uma de suas mais importantes ações de saúde pública do ano: a Campanha de Vacinação Antirrábica para cães e gatos, que terá início no dia 28 de julho. Mais do que um simples procedimento veterinário, esta campanha é uma barreira de proteção essencial para toda a nossa comunidade. Entender a importância deste gesto é um ato de cidadania.

O Que é a Raiva e Por Que a Vacina é Essencial?

A raiva é uma doença infecciosa causada por um vírus, sendo uma das zoonoses mais perigosas que existem. Ela ataca o sistema nervoso central de mamíferos, incluindo cães, gatos e, crucialmente, seres humanos. A transmissão ocorre principalmente pela saliva de um animal infectado, através de mordidas, arranhões ou mesmo lambeduras em feridas abertas.

O dado mais alarmante sobre a raiva é este: uma vez que os sintomas aparecem, a taxa de letalidade é de praticamente 100%. Não há cura. No entanto, a doença é totalmente prevenível através de uma medida simples e eficaz: a vacinação dos nossos animais de estimação. Ao vacinar cães e gatos, criamos um escudo que impede o vírus de circular no ambiente urbano, protegendo não apenas os animais, mas toda a população.

Quem Deve Ser Vacinado?

A orientação da Secretaria de Saúde é clara. Devem ser vacinados:

  • Cães e Gatos a partir de 3 meses de idade.
  • Animais saudáveis. Fêmeas prenhas, amamentando ou no cio, e animais que estejam doentes ou em tratamento devem aguardar a recuperação antes de receber a dose.

A vacinação é anual. Se o seu pet já foi vacinado no ano passado, ele deve receber o reforço para garantir a continuidade da proteção.

Como Vai Funcionar a Campanha?

A campanha terá início na próxima segunda-feira, 28 de julho. Para garantir que todos os animais sejam alcançados, a Coordenação de Zoonoses da Secretaria de Saúde irá operar com equipes volantes.

  • Onde: Os postos de vacinação serão distribuídos estrategicamente por diversos bairros da zona urbana e também na zona rural.
  • Cronograma: A Prefeitura de Vitória da Conquista divulgará nos próximos dias o cronograma detalhado, com as datas e os locais exatos onde as equipes estarão a cada dia. Fique atento aos canais oficiais de comunicação da prefeitura para saber quando a vacinação chegará ao seu bairro.
  • Recomendações: Para a segurança de todos no dia da vacinação, lembre-se de levar os cães com coleira e guia. Gatos, por serem mais assustados, devem ser transportados em caixas de transporte apropriadas ou em sacos de linhagem para evitar fugas e acidentes.

Um Ato de Amor e Responsabilidade Cívica

A Campanha de Vacinação Antirrábica é um esforço coletivo. A Prefeitura faz a sua parte ao disponibilizar a vacina e as equipes de forma gratuita. Cabe a cada um de nós, donos de animais, fazer a nossa.

Levar seu cão ou gato para vacinar é um gesto rápido, que não custa nada, e que representa um ato de amor pelo seu animal de estimação e de imensa responsabilidade com a saúde de toda a nossa cidade.

Participe. Proteja quem você ama.

ARTIGO: Vacinação Antirrábica em Conquista – Proteja seu Pet, Proteja sua Família. Saiba Tudo Sobre a Campanha.

 

 

 

(Por Política & Resenha)

A Secretaria Municipal de Saúde de Vitória da Conquista anunciou uma de suas mais importantes ações de saúde pública do ano: a Campanha de Vacinação Antirrábica para cães e gatos, que terá início no dia 28 de julho. Mais do que um simples procedimento veterinário, esta campanha é uma barreira de proteção essencial para toda a nossa comunidade. Entender a importância deste gesto é um ato de cidadania.

O Que é a Raiva e Por Que a Vacina é Essencial?

A raiva é uma doença infecciosa causada por um vírus, sendo uma das zoonoses mais perigosas que existem. Ela ataca o sistema nervoso central de mamíferos, incluindo cães, gatos e, crucialmente, seres humanos. A transmissão ocorre principalmente pela saliva de um animal infectado, através de mordidas, arranhões ou mesmo lambeduras em feridas abertas.

O dado mais alarmante sobre a raiva é este: uma vez que os sintomas aparecem, a taxa de letalidade é de praticamente 100%. Não há cura. No entanto, a doença é totalmente prevenível através de uma medida simples e eficaz: a vacinação dos nossos animais de estimação. Ao vacinar cães e gatos, criamos um escudo que impede o vírus de circular no ambiente urbano, protegendo não apenas os animais, mas toda a população.

Quem Deve Ser Vacinado?

A orientação da Secretaria de Saúde é clara. Devem ser vacinados:

  • Cães e Gatos a partir de 3 meses de idade.
  • Animais saudáveis. Fêmeas prenhas, amamentando ou no cio, e animais que estejam doentes ou em tratamento devem aguardar a recuperação antes de receber a dose.

A vacinação é anual. Se o seu pet já foi vacinado no ano passado, ele deve receber o reforço para garantir a continuidade da proteção.

Como Vai Funcionar a Campanha?

A campanha terá início na próxima segunda-feira, 28 de julho. Para garantir que todos os animais sejam alcançados, a Coordenação de Zoonoses da Secretaria de Saúde irá operar com equipes volantes.

  • Onde: Os postos de vacinação serão distribuídos estrategicamente por diversos bairros da zona urbana e também na zona rural.
  • Cronograma: A Prefeitura de Vitória da Conquista divulgará nos próximos dias o cronograma detalhado, com as datas e os locais exatos onde as equipes estarão a cada dia. Fique atento aos canais oficiais de comunicação da prefeitura para saber quando a vacinação chegará ao seu bairro.
  • Recomendações: Para a segurança de todos no dia da vacinação, lembre-se de levar os cães com coleira e guia. Gatos, por serem mais assustados, devem ser transportados em caixas de transporte apropriadas ou em sacos de linhagem para evitar fugas e acidentes.

Um Ato de Amor e Responsabilidade Cívica

A Campanha de Vacinação Antirrábica é um esforço coletivo. A Prefeitura faz a sua parte ao disponibilizar a vacina e as equipes de forma gratuita. Cabe a cada um de nós, donos de animais, fazer a nossa.

Levar seu cão ou gato para vacinar é um gesto rápido, que não custa nada, e que representa um ato de amor pelo seu animal de estimação e de imensa responsabilidade com a saúde de toda a nossa cidade.

Participe. Proteja quem você ama.

Micareta de Conquista: A Saga de um Sonho que Venceu o Impossível

 

 

Há histórias que transcendem o mero entretenimento e se transformam em lições sobre coragem, amizade e a força transformadora dos sonhos coletivos. A saga da contratação do Chiclete com Banana para a micareta de Vitória da Conquista é uma dessas narrativas que merecem ser contadas e recontadas, não apenas pelos seus aspectos pitorescos, mas pelo que revelam sobre o espírito empreendedor e a paixão cultural do povo baiano.

O Nascimento de um Sonho Impossível

Tudo começou com um “não” que se transformou em “massicas”. Quando cinco jovens desafiaram o impossível, quando Daniela Mercury não pôde estar presente, quando as condições financeiras eram precárias demais para sustentar um sonho daquele tamanho. Foi no apartamento das Flores, em uma reunião que parecia mais um velório de esperanças mortas, que nasceu a determinação de fazer o impossível acontecer.

A história de Marcinha – como é conhecido o protagonista desta epopeia – é emblemática do que significa acreditar contra todas as evidências. Quando não se tem recursos, quando o adversário oferece 80 mil dólares contra os seus parcos 15 mil, quando até o voo é perdido por um triz, só resta uma coisa: a força dos laços humanos e a convicção de que alguns sonhos valem mais que qualquer cálculo racional.

A Diplomacia dos Afetos

O episódio da venda do Fusquinha para honrar um compromisso financeiro não é apenas um detalhe pitoresco. É a síntese de uma filosofia de vida que coloca a palavra empenhada acima do conforto pessoal. Quando Bel Marques, líder do Chiclete com Banana, ouviu sobre o sacrifício do pequeno carro, sua resposta foi imediata e reveladora: “Se eu não vier com uma caminhonete possível depois da micareta, vou ficar arretado com você”.

Ali estava selado muito mais que um contrato comercial. Estabelecia-se um pacto de honra, uma aliança baseada no reconhecimento mútuo de valores que o mercado raramente consegue precificar. Bel enxergou em Marcinha não apenas um contratante, mas um sonhador disposto a tudo por sua paixão.

O Teatro dos Bastidores

A sequência de eventos que se seguiu – o voo perdido, a corrida até Belém, o bloqueio da conta bancária, o dinheiro sacado em espécie – lê-se como um roteiro de comédia, mas carrega a tensão dramática de quem joga tudo numa única cartada. O fato de que o bloco rival tenha chegado ao extremo de sacar dinheiro vivo para tentar interceptar a negociação mostra que esta não era apenas uma disputa comercial, mas uma batalha pela alma cultural da cidade.

É reconfortante saber que, no final, as amizades sobreviveram à competição. Arnaldo, presidente do bloco rival, permaneceu amigo de Marcinha, provando que quando a disputa é movida por paixão genuína e não por mesquinhez, até os adversários podem se respeitar mutuamente.

A Invenção da Tradição

Talvez o momento mais genial desta história seja quando surge o impasse dos dates conflitantes. A micareta de Conquista coincidia com outros compromissos do Chiclete com Banana, e parecia que tudo desmoronaria. A solução encontrada – estender a festa para quatro dias – foi mais que um arranjo logístico. Foi um ato de reinvenção cultural que demonstra como as tradições não são prisões imutáveis, mas construções vivas que podem ser adaptadas quando a necessidade e a criatividade se encontram.

O prefeito Pedral e o diretor de turismo Vilas Boas, ao toparem o desafio de criar um quarto dia de festa, não estavam apenas resolvendo um problema administrativo. Estavam participando de um momento histórico em que uma cidade inteira decidiu esticar os limites do possível.

Lições para Além da Festa

Esta história nos ensina que os grandes momentos culturais de uma comunidade raramente nascem de planejamentos burocráticos ou investimentos milionários. Nascem da combinação explosiva entre sonho, coragem, improviso e, fundamentalmente, da capacidade de transformar obstáculos em oportunidades criativas.

Micareta de Conquista: A Saga de um Sonho que Venceu o Impossível

 

 

Há histórias que transcendem o mero entretenimento e se transformam em lições sobre coragem, amizade e a força transformadora dos sonhos coletivos. A saga da contratação do Chiclete com Banana para a micareta de Vitória da Conquista é uma dessas narrativas que merecem ser contadas e recontadas, não apenas pelos seus aspectos pitorescos, mas pelo que revelam sobre o espírito empreendedor e a paixão cultural do povo baiano.

O Nascimento de um Sonho Impossível

Tudo começou com um “não” que se transformou em “massicas”. Quando cinco jovens desafiaram o impossível, quando Daniela Mercury não pôde estar presente, quando as condições financeiras eram precárias demais para sustentar um sonho daquele tamanho. Foi no apartamento das Flores, em uma reunião que parecia mais um velório de esperanças mortas, que nasceu a determinação de fazer o impossível acontecer.

A história de Marcinha – como é conhecido o protagonista desta epopeia – é emblemática do que significa acreditar contra todas as evidências. Quando não se tem recursos, quando o adversário oferece 80 mil dólares contra os seus parcos 15 mil, quando até o voo é perdido por um triz, só resta uma coisa: a força dos laços humanos e a convicção de que alguns sonhos valem mais que qualquer cálculo racional.

A Diplomacia dos Afetos

O episódio da venda do Fusquinha para honrar um compromisso financeiro não é apenas um detalhe pitoresco. É a síntese de uma filosofia de vida que coloca a palavra empenhada acima do conforto pessoal. Quando Bel Marques, líder do Chiclete com Banana, ouviu sobre o sacrifício do pequeno carro, sua resposta foi imediata e reveladora: “Se eu não vier com uma caminhonete possível depois da micareta, vou ficar arretado com você”.

Ali estava selado muito mais que um contrato comercial. Estabelecia-se um pacto de honra, uma aliança baseada no reconhecimento mútuo de valores que o mercado raramente consegue precificar. Bel enxergou em Marcinha não apenas um contratante, mas um sonhador disposto a tudo por sua paixão.

O Teatro dos Bastidores

A sequência de eventos que se seguiu – o voo perdido, a corrida até Belém, o bloqueio da conta bancária, o dinheiro sacado em espécie – lê-se como um roteiro de comédia, mas carrega a tensão dramática de quem joga tudo numa única cartada. O fato de que o bloco rival tenha chegado ao extremo de sacar dinheiro vivo para tentar interceptar a negociação mostra que esta não era apenas uma disputa comercial, mas uma batalha pela alma cultural da cidade.

É reconfortante saber que, no final, as amizades sobreviveram à competição. Arnaldo, presidente do bloco rival, permaneceu amigo de Marcinha, provando que quando a disputa é movida por paixão genuína e não por mesquinhez, até os adversários podem se respeitar mutuamente.

A Invenção da Tradição

Talvez o momento mais genial desta história seja quando surge o impasse dos dates conflitantes. A micareta de Conquista coincidia com outros compromissos do Chiclete com Banana, e parecia que tudo desmoronaria. A solução encontrada – estender a festa para quatro dias – foi mais que um arranjo logístico. Foi um ato de reinvenção cultural que demonstra como as tradições não são prisões imutáveis, mas construções vivas que podem ser adaptadas quando a necessidade e a criatividade se encontram.

O prefeito Pedral e o diretor de turismo Vilas Boas, ao toparem o desafio de criar um quarto dia de festa, não estavam apenas resolvendo um problema administrativo. Estavam participando de um momento histórico em que uma cidade inteira decidiu esticar os limites do possível.

Lições para Além da Festa

Esta história nos ensina que os grandes momentos culturais de uma comunidade raramente nascem de planejamentos burocráticos ou investimentos milionários. Nascem da combinação explosiva entre sonho, coragem, improviso e, fundamentalmente, da capacidade de transformar obstáculos em oportunidades criativas.

ARTIGO: Justiça para Madalena – A Apóstola que o Patriarcado Tentou Apagar

 

 

 

(Padre Carlos)

Feche os olhos e pense em Maria Madalena. Qual a primeira imagem que sua mente projeta? Para séculos de cristãos, a resposta seria a da prostituta arrependida, a pecadora redimida aos pés de Cristo. Uma imagem poderosa, sim, mas fundamentalmente falsa. Uma calúnia teológica que serviu, por quase dois milênios, para ofuscar a verdade registrada nos próprios Evangelhos. A verdade de que Maria de Magdala foi, nas palavras da própria Igreja hoje, a “Apóstola dos Apóstolos”.

Celebrar a sua festa, no dia 22 de julho, é mais do que uma obrigação litúrgica; é um ato de justiça. É um convite para que nos perguntemos: como a testemunha mais importante da Ressurreição foi transformada na figura mais desprezada e mistificada da história cristã?

Para entender, é preciso voltar à cena mais sombria e mais sagrada de nossa fé. Quando o medo dispersou os discípulos homens, os Evangelhos são explícitos: as mulheres permaneceram. Ao pé da cruz, de longe, mas presentes, elas velavam. Eram elas, lideradas por Maria de Magdala, que não abandonaram seu Mestre na hora da agonia.

E foram elas, as fiéis, que, passado o sábado, moveram-se na madrugada para cuidar do corpo. É no túmulo vazio que a lealdade de Madalena é recompensada. Ela é a primeira a ver, a primeira a ouvir, a primeira a receber a missão mais importante da história: “Vá e anuncie aos meus irmãos”. Ela, uma mulher, foi a escolhida para anunciar aos homens que o Cristo estava vivo. Ela foi a primeira evangelista.

Como, então, essa figura central foi relegada à margem, sua identidade fundida à de outras mulheres e sua liderança reescrita como um conto de pecado e perdão? A resposta, dolorosa, reside na ascensão de uma estrutura patriarcal que, desconfortável com o poder feminino, precisava diminuir a mais poderosa das discípulas. Para justificar a exclusão das mulheres do sacerdócio e da liderança, foi preciso transformar a Apóstola em prostituta. Foi preciso apagar a líder para criar um mito de submissão.

A história de Maria de Magdala, portanto, se conecta à história de todas as mulheres cujas vozes foram silenciadas, cuja competência foi questionada e cuja liderança foi temida.

Felizmente, a verdade, como o corpo de Cristo, não pode ser contida em um túmulo para sempre. O gesto do Papa Francisco, em 2016, ao elevar sua celebração à categoria de Festa, foi um ato monumental de reparação. Foi a Igreja, em sua mais alta instância, começando a corrigir um erro histórico e a reconhecer o óbvio: Maria de Magdala não era a pecadora anônima, mas a amiga fiel, a discípula perspicaz, a líder da primeira comunidade e a testemunha ocular que fundou a nossa fé na Ressurreição.

Celebrar a festa de Maria de Magdala, hoje, é celebrar a ressurreição da verdade. É pedir perdão pela calúnia e, finalmente, com dois mil anos de atraso, silenciar para ouvir, com respeito e gratidão, a voz da primeira e mais corajosa das apóstolas.

ARTIGO: Justiça para Madalena – A Apóstola que o Patriarcado Tentou Apagar

 

 

 

(Padre Carlos)

Feche os olhos e pense em Maria Madalena. Qual a primeira imagem que sua mente projeta? Para séculos de cristãos, a resposta seria a da prostituta arrependida, a pecadora redimida aos pés de Cristo. Uma imagem poderosa, sim, mas fundamentalmente falsa. Uma calúnia teológica que serviu, por quase dois milênios, para ofuscar a verdade registrada nos próprios Evangelhos. A verdade de que Maria de Magdala foi, nas palavras da própria Igreja hoje, a “Apóstola dos Apóstolos”.

Celebrar a sua festa, no dia 22 de julho, é mais do que uma obrigação litúrgica; é um ato de justiça. É um convite para que nos perguntemos: como a testemunha mais importante da Ressurreição foi transformada na figura mais desprezada e mistificada da história cristã?

Para entender, é preciso voltar à cena mais sombria e mais sagrada de nossa fé. Quando o medo dispersou os discípulos homens, os Evangelhos são explícitos: as mulheres permaneceram. Ao pé da cruz, de longe, mas presentes, elas velavam. Eram elas, lideradas por Maria de Magdala, que não abandonaram seu Mestre na hora da agonia.

E foram elas, as fiéis, que, passado o sábado, moveram-se na madrugada para cuidar do corpo. É no túmulo vazio que a lealdade de Madalena é recompensada. Ela é a primeira a ver, a primeira a ouvir, a primeira a receber a missão mais importante da história: “Vá e anuncie aos meus irmãos”. Ela, uma mulher, foi a escolhida para anunciar aos homens que o Cristo estava vivo. Ela foi a primeira evangelista.

Como, então, essa figura central foi relegada à margem, sua identidade fundida à de outras mulheres e sua liderança reescrita como um conto de pecado e perdão? A resposta, dolorosa, reside na ascensão de uma estrutura patriarcal que, desconfortável com o poder feminino, precisava diminuir a mais poderosa das discípulas. Para justificar a exclusão das mulheres do sacerdócio e da liderança, foi preciso transformar a Apóstola em prostituta. Foi preciso apagar a líder para criar um mito de submissão.

A história de Maria de Magdala, portanto, se conecta à história de todas as mulheres cujas vozes foram silenciadas, cuja competência foi questionada e cuja liderança foi temida.

Felizmente, a verdade, como o corpo de Cristo, não pode ser contida em um túmulo para sempre. O gesto do Papa Francisco, em 2016, ao elevar sua celebração à categoria de Festa, foi um ato monumental de reparação. Foi a Igreja, em sua mais alta instância, começando a corrigir um erro histórico e a reconhecer o óbvio: Maria de Magdala não era a pecadora anônima, mas a amiga fiel, a discípula perspicaz, a líder da primeira comunidade e a testemunha ocular que fundou a nossa fé na Ressurreição.

Celebrar a festa de Maria de Magdala, hoje, é celebrar a ressurreição da verdade. É pedir perdão pela calúnia e, finalmente, com dois mil anos de atraso, silenciar para ouvir, com respeito e gratidão, a voz da primeira e mais corajosa das apóstolas.