Política e Resenha

ARTIGO – A indiferença parlamentar e a solidão de Vitória da Conquista (Padre Carlos)

 

 

Vitória da Conquista, terceira maior cidade da Bahia e uma das mais importantes do interior nordestino, segue sendo tratada com descaso pelos parlamentares que, ironicamente, conquistaram parte expressiva de seus votos aqui. O município, com população superior a 343 mil habitantes, amarga o 13º lugar no ranking de emendas parlamentares recebidas entre os 118 municípios baianos com mais de 100 mil habitantes. Um dado que envergonha.

Enquanto cidades como Camaçari (R$ 101,6 milhões) e Itabuna (R$ 70,1 milhões) arrecadaram cifras expressivas em emendas individuais e de bancada, Conquista somou apenas R$ 18 milhões entre 2021 e 2025. Um valor muito aquém da nossa importância política, econômica e histórica. E o que é ainda mais grave: cidades com população menor, como Santo Antônio de Jesus e Jequié, conseguiram valores até 2,35 vezes maiores. Qual a explicação para essa distorção?

A resposta parece clara. Muitos dos deputados federais e senadores mais votados em nossa cidade não nos enxergam como prioridade. Quando estão em campanha, visitam bairros, fazem promessas e garantem que vão lutar por Conquista. Mas, ao tomarem posse, silenciam. E mais grave: se a gestão municipal for de partido adversário, parte desses parlamentares simplesmente ignora o município, numa postura mesquinha e irresponsável. Retêm recursos e depois tentam posar de “salvadores da pátria” em visitas estratégicas.

Vitória da Conquista não pode continuar sendo penalizada por disputas partidárias e projetos pessoais. A cidade tem demandas urgentes nas áreas da saúde, infraestrutura, educação e mobilidade urbana. E, diante da ausência de apoio federal, coube à Prefeitura arcar com o peso da máquina pública, muitas vezes realizando obras com recursos próprios que, em outros municípios, seriam bancadas por emendas parlamentares.

A prefeita Sheila Lemos tem conduzido sua gestão com firmeza, mesmo diante da omissão deliberada de deputados que deveriam representar a cidade. Liderou a revitalização da Lagoa das Bateias, ampliou o sistema de saúde e deu continuidade a obras estruturantes. Tudo isso com recursos escassos e criatividade administrativa.

A população precisa estar atenta. Não basta votar em quem promete. É preciso acompanhar, cobrar e, se necessário, mudar. Deputados que só lembram de Conquista em período eleitoral, mas não destinam um centavo em emenda para o município, devem ser desmascarados. A política precisa voltar a ter sentido de compromisso e não de conveniência.

Vitória da Conquista é uma cidade forte, mas não merece continuar sozinha. É hora de exigir respeito.

 

ARTIGO – A indiferença parlamentar e a solidão de Vitória da Conquista (Padre Carlos)

 

 

Vitória da Conquista, terceira maior cidade da Bahia e uma das mais importantes do interior nordestino, segue sendo tratada com descaso pelos parlamentares que, ironicamente, conquistaram parte expressiva de seus votos aqui. O município, com população superior a 343 mil habitantes, amarga o 13º lugar no ranking de emendas parlamentares recebidas entre os 118 municípios baianos com mais de 100 mil habitantes. Um dado que envergonha.

Enquanto cidades como Camaçari (R$ 101,6 milhões) e Itabuna (R$ 70,1 milhões) arrecadaram cifras expressivas em emendas individuais e de bancada, Conquista somou apenas R$ 18 milhões entre 2021 e 2025. Um valor muito aquém da nossa importância política, econômica e histórica. E o que é ainda mais grave: cidades com população menor, como Santo Antônio de Jesus e Jequié, conseguiram valores até 2,35 vezes maiores. Qual a explicação para essa distorção?

A resposta parece clara. Muitos dos deputados federais e senadores mais votados em nossa cidade não nos enxergam como prioridade. Quando estão em campanha, visitam bairros, fazem promessas e garantem que vão lutar por Conquista. Mas, ao tomarem posse, silenciam. E mais grave: se a gestão municipal for de partido adversário, parte desses parlamentares simplesmente ignora o município, numa postura mesquinha e irresponsável. Retêm recursos e depois tentam posar de “salvadores da pátria” em visitas estratégicas.

Vitória da Conquista não pode continuar sendo penalizada por disputas partidárias e projetos pessoais. A cidade tem demandas urgentes nas áreas da saúde, infraestrutura, educação e mobilidade urbana. E, diante da ausência de apoio federal, coube à Prefeitura arcar com o peso da máquina pública, muitas vezes realizando obras com recursos próprios que, em outros municípios, seriam bancadas por emendas parlamentares.

A prefeita Sheila Lemos tem conduzido sua gestão com firmeza, mesmo diante da omissão deliberada de deputados que deveriam representar a cidade. Liderou a revitalização da Lagoa das Bateias, ampliou o sistema de saúde e deu continuidade a obras estruturantes. Tudo isso com recursos escassos e criatividade administrativa.

A população precisa estar atenta. Não basta votar em quem promete. É preciso acompanhar, cobrar e, se necessário, mudar. Deputados que só lembram de Conquista em período eleitoral, mas não destinam um centavo em emenda para o município, devem ser desmascarados. A política precisa voltar a ter sentido de compromisso e não de conveniência.

Vitória da Conquista é uma cidade forte, mas não merece continuar sozinha. É hora de exigir respeito.

 

O Silêncio Eloquente das Almas Luminosas Reflexões sobre o legado de Dona Menas Ribeiro Vieira

 

 

 

Por Padre Carlos

Há pessoas que atravessam a vida como sussurros sagrados, deixando pegadas invisíveis que se transformam em caminhos de luz para os que ficam. Dona Menas Ribeiro Vieira foi uma dessas presenças raras – daquelas que fazem do ordinário algo extraordinário, que transformam o cotidiano em altar de amor.

Aos 83 anos, quando sua alma se despediu desta dimensão terrena, não foi apenas uma vida que se encerrou. Foi todo um universo de cuidado, oração e serviço que encontrou seu ponto de transição. E nós, que permanecemos aqui, sentimos o vazio peculiar que deixam aqueles que viveram intensamente o amor como verbo de ação.

O Jardim Secreto da Fé

Imaginem por um momento a delicadeza de uma mulher que dedicou décadas à Legião de Maria, tecendo orações como quem borda flores em tecido sagrado. Dona Menas não era apenas uma participante; era uma jardineira espiritual, cultivando em solo comunitário as sementes da compaixão e da esperança.

Sua fé não era performance nem espetáculo – era respiração. Natural, constante, vital. Era o tipo de fé que se manifesta no gesto acolhedor, no olhar que compreende, na presença que acalma. Quantas lágrimas ela deve ter enxugado sem que ninguém soubesse? Quantas orações silenciosas ela ofereceu por pessoas que talvez nunca descobrissem que eram lembradas em suas súplicas?

A Maternidade Como Missão Cósmica

Mãe do Frei Aroldo, frade capuchinho, Dona Menas compreendeu que a maternidade transcende o biológico. Ela não apenas gerou filhos; ela cultivou vocações. Não apenas alimentou corpos; ela nutriu almas. Sua casa deve ter sido um santuário onde o sagrado e o cotidiano dançavam juntos, onde a oração matinal se misturava ao café e onde cada refeição era uma eucaristia doméstica.

Pensem na coragem silenciosa necessária para educar um filho para o serviço religioso. É entregar ao mundo, com as mãos abertas, aquilo que mais se ama, confiando que o amor verdadeiro é sempre libertador. É compreender que algumas sementes são plantadas para florescer em jardins que não nos pertencem, mas que embelezam toda a humanidade.

O Poder dos Anônimos Luminosos

Vivemos em uma época obcecada por holofotes, por reconhecimento público, por métricas de sucesso que ignoram a profundidade da alma. Dona Menas nos ensina uma lição revolucionária: o verdadeiro impacto acontece na penumbra dos gestos discretos, na constância dos pequenos atos de amor.

Ela não precisava de palcos para ser protagonista. Seu palco era a vida mesmo – a vida de quem estava ao seu lado, a vida da comunidade que ela ajudava a sustentar com sua presença firme e amorosa. Era uma revolucionária silenciosa, transformando o mundo um coração de cada vez.

A Arquitetura Invisível da Comunidade

Quando pessoas como Dona Menas partem, percebemos a arquitetura invisível que sustentava nossa vida comunitária. Ela era uma das colunas – não as colunas de mármore que se exibem, mas as colunas de carne e osso que realmente sustentam o peso da convivência humana.

A Arquidiocese de Vitória da Conquista e o Arcebispo Dom Vitor reconheceram oficialmente seu valor. O vereador Dudé prestou solidariedade à família. Mas para além dos reconhecimentos institucionais, há o reconhecimento mais profundo: o de todas as almas que foram tocadas por sua presença, que se sentiram acolhidas em seu olhar, que encontraram força em sua oração.

A Memória Como Compromisso

Não basta chorar a ausência; é preciso honrar a presença que ela ainda exerce entre nós. Dona Menas não morreu – ela apenas mudou de endereço. Continua viva em cada valor que plantou, em cada oração que ensinou, em cada gesto de amor que inspirou.

Sua despedida na Paróquia Sagrado Coração de Jesus foi um encontro entre céu e terra, um momento onde o tempo se curvou para acolher uma alma que soube fazer da vida inteira um ato de adoração.

O Convite Silencioso

Hoje, enquanto processamos a saudade e celebramos a memória, Dona Menas nos faz um convite silencioso: que sejamos, nós também, presenças que edificam. Que nossa fé seja respiração, não performance. Que nossa maternidade e paternidade – biológica ou espiritual – sejam exercícios de libertação amorosa. Que nossos gestos cotidianos sejam orações em movimento.

Em tempos de valores líquidos, como bem observou o Padre Carlos, a firmeza espiritual de Dona Menas é uma âncora. Não uma âncora que nos prende ao passado, mas uma âncora que nos dá estabilidade para navegar com coragem em direção ao futuro.

A Eternidade dos Gestos Simples

Enquanto o mundo grita, as almas luminosas como Dona Menas sussurram. E é no sussurro que mora a eternidade. É no gesto simples que se esconde a revolução. É na oração discreta que se tece o milagre.

Dona Menas Ribeiro Vieira não foi apenas uma mulher que viveu 83 anos. Foi uma professora de vida, uma mestra da fé, uma artista da compaixão. Sua obra-prima não está em museus – está em cada coração que ela tocou, em cada vida que ela ajudou a moldar, em cada oração que ela ensinou.

Que sua memória seja bênção. Que seu exemplo seja inspiração. Que seu legado seja compromisso.

E que nós, todos nós, aprendamos a viver com a mesma intensidade silenciosa, a mesma fé respiratória, a mesma capacidade de fazer do amor um verbo conjugado no presente contínuo.

Obrigado, Dona Menas, por nos ensinar que a santidade não mora nos altares de pedra, mas nos corações que se abrem para acolher a vida em sua plenitude.

A saudade é a prova de que o amor transcende o tempo. E o amor de Dona Menas é eterno.

O Silêncio Eloquente das Almas Luminosas Reflexões sobre o legado de Dona Menas Ribeiro Vieira

 

 

 

Por Padre Carlos

Há pessoas que atravessam a vida como sussurros sagrados, deixando pegadas invisíveis que se transformam em caminhos de luz para os que ficam. Dona Menas Ribeiro Vieira foi uma dessas presenças raras – daquelas que fazem do ordinário algo extraordinário, que transformam o cotidiano em altar de amor.

Aos 83 anos, quando sua alma se despediu desta dimensão terrena, não foi apenas uma vida que se encerrou. Foi todo um universo de cuidado, oração e serviço que encontrou seu ponto de transição. E nós, que permanecemos aqui, sentimos o vazio peculiar que deixam aqueles que viveram intensamente o amor como verbo de ação.

O Jardim Secreto da Fé

Imaginem por um momento a delicadeza de uma mulher que dedicou décadas à Legião de Maria, tecendo orações como quem borda flores em tecido sagrado. Dona Menas não era apenas uma participante; era uma jardineira espiritual, cultivando em solo comunitário as sementes da compaixão e da esperança.

Sua fé não era performance nem espetáculo – era respiração. Natural, constante, vital. Era o tipo de fé que se manifesta no gesto acolhedor, no olhar que compreende, na presença que acalma. Quantas lágrimas ela deve ter enxugado sem que ninguém soubesse? Quantas orações silenciosas ela ofereceu por pessoas que talvez nunca descobrissem que eram lembradas em suas súplicas?

A Maternidade Como Missão Cósmica

Mãe do Frei Aroldo, frade capuchinho, Dona Menas compreendeu que a maternidade transcende o biológico. Ela não apenas gerou filhos; ela cultivou vocações. Não apenas alimentou corpos; ela nutriu almas. Sua casa deve ter sido um santuário onde o sagrado e o cotidiano dançavam juntos, onde a oração matinal se misturava ao café e onde cada refeição era uma eucaristia doméstica.

Pensem na coragem silenciosa necessária para educar um filho para o serviço religioso. É entregar ao mundo, com as mãos abertas, aquilo que mais se ama, confiando que o amor verdadeiro é sempre libertador. É compreender que algumas sementes são plantadas para florescer em jardins que não nos pertencem, mas que embelezam toda a humanidade.

O Poder dos Anônimos Luminosos

Vivemos em uma época obcecada por holofotes, por reconhecimento público, por métricas de sucesso que ignoram a profundidade da alma. Dona Menas nos ensina uma lição revolucionária: o verdadeiro impacto acontece na penumbra dos gestos discretos, na constância dos pequenos atos de amor.

Ela não precisava de palcos para ser protagonista. Seu palco era a vida mesmo – a vida de quem estava ao seu lado, a vida da comunidade que ela ajudava a sustentar com sua presença firme e amorosa. Era uma revolucionária silenciosa, transformando o mundo um coração de cada vez.

A Arquitetura Invisível da Comunidade

Quando pessoas como Dona Menas partem, percebemos a arquitetura invisível que sustentava nossa vida comunitária. Ela era uma das colunas – não as colunas de mármore que se exibem, mas as colunas de carne e osso que realmente sustentam o peso da convivência humana.

A Arquidiocese de Vitória da Conquista e o Arcebispo Dom Vitor reconheceram oficialmente seu valor. O vereador Dudé prestou solidariedade à família. Mas para além dos reconhecimentos institucionais, há o reconhecimento mais profundo: o de todas as almas que foram tocadas por sua presença, que se sentiram acolhidas em seu olhar, que encontraram força em sua oração.

A Memória Como Compromisso

Não basta chorar a ausência; é preciso honrar a presença que ela ainda exerce entre nós. Dona Menas não morreu – ela apenas mudou de endereço. Continua viva em cada valor que plantou, em cada oração que ensinou, em cada gesto de amor que inspirou.

Sua despedida na Paróquia Sagrado Coração de Jesus foi um encontro entre céu e terra, um momento onde o tempo se curvou para acolher uma alma que soube fazer da vida inteira um ato de adoração.

O Convite Silencioso

Hoje, enquanto processamos a saudade e celebramos a memória, Dona Menas nos faz um convite silencioso: que sejamos, nós também, presenças que edificam. Que nossa fé seja respiração, não performance. Que nossa maternidade e paternidade – biológica ou espiritual – sejam exercícios de libertação amorosa. Que nossos gestos cotidianos sejam orações em movimento.

Em tempos de valores líquidos, como bem observou o Padre Carlos, a firmeza espiritual de Dona Menas é uma âncora. Não uma âncora que nos prende ao passado, mas uma âncora que nos dá estabilidade para navegar com coragem em direção ao futuro.

A Eternidade dos Gestos Simples

Enquanto o mundo grita, as almas luminosas como Dona Menas sussurram. E é no sussurro que mora a eternidade. É no gesto simples que se esconde a revolução. É na oração discreta que se tece o milagre.

Dona Menas Ribeiro Vieira não foi apenas uma mulher que viveu 83 anos. Foi uma professora de vida, uma mestra da fé, uma artista da compaixão. Sua obra-prima não está em museus – está em cada coração que ela tocou, em cada vida que ela ajudou a moldar, em cada oração que ela ensinou.

Que sua memória seja bênção. Que seu exemplo seja inspiração. Que seu legado seja compromisso.

E que nós, todos nós, aprendamos a viver com a mesma intensidade silenciosa, a mesma fé respiratória, a mesma capacidade de fazer do amor um verbo conjugado no presente contínuo.

Obrigado, Dona Menas, por nos ensinar que a santidade não mora nos altares de pedra, mas nos corações que se abrem para acolher a vida em sua plenitude.

A saudade é a prova de que o amor transcende o tempo. E o amor de Dona Menas é eterno.

Quando o bolso fala mais alto que a ideologia

 

Por Padre Carlos

A recente reação do empresariado brasileiro ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos revela uma verdade incômoda, porém recorrente: a polarização política só incomoda quando começa a doer no bolso. Durante anos, muitos setores produtivos assistiram — e em alguns casos, incentivaram — a escalada da retórica ideológica que contaminou o debate público. Agora, diante da ameaça concreta de prejuízos bilionários, o discurso muda. O que antes era silêncio cúmplice, transforma-se em apelo por diplomacia.

O artigo da Folha de S. Paulo mostra empresários assustados com a decisão de Donald Trump de sobretaxar produtos brasileiros em 50%. A medida, claramente contaminada por motivações políticas, expõe o Brasil a riscos comerciais severos. E é nesse momento que o setor privado, antes ausente das discussões sobre moderação e institucionalidade, clama por pontes, diálogo e serenidade.

Como diz o ditado português, “agora Inês é morta”. A polarização já fez estragos: deteriorou relações internacionais, minou a previsibilidade jurídica e afastou investidores. A tentativa de reverter o tarifaço por meio de diplomacia é legítima — e necessária — mas chega tarde. O empresariado, que agora pede cautela, talvez pudesse ter exercido esse papel moderador antes que o cenário se tornasse tão tóxico.

A lição que fica é clara: não há neutralidade possível quando o extremismo se instala. O setor produtivo precisa entender que estabilidade política e institucional não são apenas abstrações democráticas — são pilares do ambiente de negócios. E quando esses pilares ruem, não há margem de lucro que resista.

Se o empresariado quiser evitar novos tarifaços, sanções ou rupturas comerciais, terá que assumir um papel mais ativo na defesa da racionalidade. Porque, como se vê, quando a polarização deixa de ser um debate e vira uma fatura, o mercado não perdoa.

 

Quando o bolso fala mais alto que a ideologia

 

Por Padre Carlos

A recente reação do empresariado brasileiro ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos revela uma verdade incômoda, porém recorrente: a polarização política só incomoda quando começa a doer no bolso. Durante anos, muitos setores produtivos assistiram — e em alguns casos, incentivaram — a escalada da retórica ideológica que contaminou o debate público. Agora, diante da ameaça concreta de prejuízos bilionários, o discurso muda. O que antes era silêncio cúmplice, transforma-se em apelo por diplomacia.

O artigo da Folha de S. Paulo mostra empresários assustados com a decisão de Donald Trump de sobretaxar produtos brasileiros em 50%. A medida, claramente contaminada por motivações políticas, expõe o Brasil a riscos comerciais severos. E é nesse momento que o setor privado, antes ausente das discussões sobre moderação e institucionalidade, clama por pontes, diálogo e serenidade.

Como diz o ditado português, “agora Inês é morta”. A polarização já fez estragos: deteriorou relações internacionais, minou a previsibilidade jurídica e afastou investidores. A tentativa de reverter o tarifaço por meio de diplomacia é legítima — e necessária — mas chega tarde. O empresariado, que agora pede cautela, talvez pudesse ter exercido esse papel moderador antes que o cenário se tornasse tão tóxico.

A lição que fica é clara: não há neutralidade possível quando o extremismo se instala. O setor produtivo precisa entender que estabilidade política e institucional não são apenas abstrações democráticas — são pilares do ambiente de negócios. E quando esses pilares ruem, não há margem de lucro que resista.

Se o empresariado quiser evitar novos tarifaços, sanções ou rupturas comerciais, terá que assumir um papel mais ativo na defesa da racionalidade. Porque, como se vê, quando a polarização deixa de ser um debate e vira uma fatura, o mercado não perdoa.

 

ARTIGO – Flávio Bolsonaro, bomba atômica e a rendição do Brasil: falta de decoro e traição ao patriotismo

 

(Padre Carlos)

As palavras têm peso, sobretudo quando proferidas por figuras públicas. No caso de um senador da República, espera-se que a fala seja fruto de ponderação, lucidez e profundo compromisso com o interesse nacional. No entanto, o que vimos recentemente em declarações do senador Flávio Bolsonaro, ao comentar as tarifas impostas por Donald Trump aos produtos brasileiros, foi um espetáculo de submissão constrangedora, ausência de ética pública e uma vergonhosa falta de decoro.

Ao comparar a situação do Brasil com a do Japão na Segunda Guerra Mundial, evocando os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, Flávio não apenas demonstrou um total despreparo histórico e diplomático, mas também desrespeitou a memória de uma das maiores tragédias humanas do século XX. A analogia foi feita de forma fria, como se a destruição de centenas de milhares de vidas pudesse servir de exemplo para justificar a passividade do Brasil diante de agressões comerciais.

Mais do que uma infeliz escolha de palavras, a fala do senador revela um espírito antinacional, rendido à lógica imperial e alheio ao interesse soberano do país. Ao dizer que Trump “vai fazer o que quiser” e que o Brasil não pode “exigir nada”, o senador nega, com todas as letras, o papel estratégico do Estado brasileiro em negociações internacionais. É um gesto de resignação, de abdicação do dever constitucional de defender o povo que representa.

Na política externa, existe uma máxima: nenhum país respeita quem se ajoelha antes da negociação começar. E foi exatamente isso que Flávio Bolsonaro fez — rastejou verbalmente diante do governo de uma potência estrangeira, num gesto que em qualquer democracia madura seria entendido como quebra de decoro parlamentar e possível crime de responsabilidade política. O que se espera de um senador é resistência diplomática, firmeza argumentativa e defesa intransigente dos interesses nacionais, mesmo em momentos difíceis.

Ao referir-se à possível “queda de bombas atômicas no Brasil” como metáfora para o agravamento da crise econômica, o senador flerta perigosamente com o terrorismo simbólico, promovendo o medo como estratégia de convencimento. É a política do pânico, da chantagem emocional, da distorção dos fatos. Nenhuma dessas posturas condiz com a ética republicana ou com o patriotismo genuíno.

Ser patriota, senador, não é repetir jargões militares nem prestar continência a potências estrangeiras. Ser patriota é lutar pela soberania nacional, defender a indústria brasileira, proteger o trabalhador diante de ameaças externas. O Brasil precisa de líderes que dialoguem com o mundo de igual para igual, que respeitem a memória histórica e que não relativizem genocídios em nome de uma rendição covarde aos interesses de outros países.

As declarações de Flávio Bolsonaro não são apenas desastrosas; são inaceitáveis. Elas merecem o repúdio público, uma resposta institucional à altura e a cobrança ética dos pares do Senado. Porque quando um senador fala, não é apenas a sua voz que ecoa — é a imagem do país que está em jogo.

ARTIGO – Flávio Bolsonaro, bomba atômica e a rendição do Brasil: falta de decoro e traição ao patriotismo

 

(Padre Carlos)

As palavras têm peso, sobretudo quando proferidas por figuras públicas. No caso de um senador da República, espera-se que a fala seja fruto de ponderação, lucidez e profundo compromisso com o interesse nacional. No entanto, o que vimos recentemente em declarações do senador Flávio Bolsonaro, ao comentar as tarifas impostas por Donald Trump aos produtos brasileiros, foi um espetáculo de submissão constrangedora, ausência de ética pública e uma vergonhosa falta de decoro.

Ao comparar a situação do Brasil com a do Japão na Segunda Guerra Mundial, evocando os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, Flávio não apenas demonstrou um total despreparo histórico e diplomático, mas também desrespeitou a memória de uma das maiores tragédias humanas do século XX. A analogia foi feita de forma fria, como se a destruição de centenas de milhares de vidas pudesse servir de exemplo para justificar a passividade do Brasil diante de agressões comerciais.

Mais do que uma infeliz escolha de palavras, a fala do senador revela um espírito antinacional, rendido à lógica imperial e alheio ao interesse soberano do país. Ao dizer que Trump “vai fazer o que quiser” e que o Brasil não pode “exigir nada”, o senador nega, com todas as letras, o papel estratégico do Estado brasileiro em negociações internacionais. É um gesto de resignação, de abdicação do dever constitucional de defender o povo que representa.

Na política externa, existe uma máxima: nenhum país respeita quem se ajoelha antes da negociação começar. E foi exatamente isso que Flávio Bolsonaro fez — rastejou verbalmente diante do governo de uma potência estrangeira, num gesto que em qualquer democracia madura seria entendido como quebra de decoro parlamentar e possível crime de responsabilidade política. O que se espera de um senador é resistência diplomática, firmeza argumentativa e defesa intransigente dos interesses nacionais, mesmo em momentos difíceis.

Ao referir-se à possível “queda de bombas atômicas no Brasil” como metáfora para o agravamento da crise econômica, o senador flerta perigosamente com o terrorismo simbólico, promovendo o medo como estratégia de convencimento. É a política do pânico, da chantagem emocional, da distorção dos fatos. Nenhuma dessas posturas condiz com a ética republicana ou com o patriotismo genuíno.

Ser patriota, senador, não é repetir jargões militares nem prestar continência a potências estrangeiras. Ser patriota é lutar pela soberania nacional, defender a indústria brasileira, proteger o trabalhador diante de ameaças externas. O Brasil precisa de líderes que dialoguem com o mundo de igual para igual, que respeitem a memória histórica e que não relativizem genocídios em nome de uma rendição covarde aos interesses de outros países.

As declarações de Flávio Bolsonaro não são apenas desastrosas; são inaceitáveis. Elas merecem o repúdio público, uma resposta institucional à altura e a cobrança ética dos pares do Senado. Porque quando um senador fala, não é apenas a sua voz que ecoa — é a imagem do país que está em jogo.

ARTIGO – Humanizar é, também, Evangelizar

(Padre Carlos)

Na Liturgia do XV Domingo do Tempo Comum, os textos bíblicos nos provocam a uma profunda revisão de vida. Moisés nos convida à escuta da voz de Deus, Paulo nos exorta a reconhecer Cristo como centro da criação, e o Evangelho nos aponta para a figura surpreendente do samaritano, estrangeiro rejeitado que se torna modelo de misericórdia. A síntese dessa tríplice interpelação é clara: humanizar é, também, evangelizar.

Vivemos tempos marcados por discursos vazios de afeto, práticas religiosas que perderam a conexão com o sofrimento real das pessoas e uma espiritualidade sem ética. Mas o Evangelho deste domingo é um soco na alma de quem tenta viver a fé como mero ritual. Jesus desmonta qualquer tentativa de uma religião indiferente, de uma piedade desumana, e coloca no centro da experiência religiosa a compaixão ativa, concreta, transformadora.

O samaritano é a parábola viva do Evangelho: não importa a origem, a filiação religiosa, ou a pertença étnica. Importa o gesto. A dor do outro é o altar onde Deus se revela. A estrada entre Jerusalém e Jericó é o palco da verdadeira liturgia cristã: não um templo isolado da vida, mas o mundo onde pessoas caídas precisam de mãos que levantem, de olhos que vejam, de corações que sintam.

Moisés já havia nos advertido: a Lei de Deus está ao nosso alcance. Não está no céu, inacessível, nem além-mar. Está próxima, nos lábios e no coração. Isso significa que não precisamos de intermediários técnicos da fé para discernir o bem: o próprio coração humano, tocado pela Palavra, é capaz de reconhecer o que promove vida, dignidade e justiça. A Lei é dom, não opressão. É caminho, não prisão.

Paulo, em sua carta aos colossenses, recorda que tudo foi criado em Cristo e para Cristo. Se é assim, então toda a criação é lugar sagrado. Cada vida humana, em especial as mais vulneráveis, manifesta algo da glória de Deus. Ignorar isso é negar o próprio Cristo. E Paulo é categórico: reconciliar o mundo com Deus passa por eliminar a indiferença, superar a exclusão, abraçar o amor como critério último da fé.

A fé cristã não é adorno litúrgico, nem seguro espiritual para a vida eterna. É, antes, compromisso radical com o presente. E o presente nos exige decisões: podemos deixar para fazer o bem outro dia? Quando tivermos mais tempo? Mais dinheiro? Não. O tempo de Deus é o hoje. O Evangelho é sempre urgente.

Jesus, com sua vida e palavras, nos ensinou que a verdadeira religião se manifesta no combate à fome, à ignorância, à opressão, ao preconceito. Ele não se acovardou diante do poder político ou religioso. Denunciou, incomodou, enfrentou. Rejeitou os silêncios convenientes que esqueciam os pobres, as mulheres, os doentes, os estrangeiros. Lembrou a todos que o Reino de Deus começa exatamente aí: nos esquecidos da história.

Por isso, humanizar é evangelizar. Significa olhar para a dor do outro não com pena, mas com compromisso. É transformar estruturas, combater desigualdades, exigir justiça. Isso se faz pelas mãos de cada um, mas também pelas mãos da coletividade: através das políticas públicas, da atuação pastoral, do engajamento cidadão. Não há Evangelho verdadeiro sem uma prática libertadora.

Amartya Sen, ao afirmar que desenvolvimento é liberdade, nos aponta um caminho ético e político para a fé cristã: não basta acumular riquezas, é preciso desenvolver as pessoas. A pobreza não é apenas a falta de renda, é a ausência de autoestima, de voz, de oportunidades. Evangelizar, então, é lutar contra a miséria em todas as suas formas. E isso se faz, também, na política.

O Papa Francisco, na Evangelii Gaudium, nos lembra que a política, longe de ser suja por natureza, é uma das formas mais preciosas da caridade. Porque busca o bem comum. Porque exige coragem, ética e paixão pelo povo. Ser cidadão fiel é virtude cristã. Participar da vida política é obrigação moral.

O Evangelho do bom samaritano nos desinstala: ele foi o único que não desviou o olhar. Que não buscou justificativas religiosas para a omissão. Que não terceirizou o cuidado. Ele agiu. Ele viu. Ele sentiu. E ele se aproximou.

A Igreja que anuncia o Evangelho tem de ser samaritana. Não basta pregar belas homilias nem organizar festas litúrgicas. É preciso estar na estrada, entre os caídos. E ali, fazer brotar a esperança.

Humanizar é evangelizar. Porque Deus se fez humano. Porque o Verbo se fez carne. Porque o amor se faz gesto. E porque o Reino se faz aqui.

ARTIGO – Humanizar é, também, Evangelizar

(Padre Carlos)

Na Liturgia do XV Domingo do Tempo Comum, os textos bíblicos nos provocam a uma profunda revisão de vida. Moisés nos convida à escuta da voz de Deus, Paulo nos exorta a reconhecer Cristo como centro da criação, e o Evangelho nos aponta para a figura surpreendente do samaritano, estrangeiro rejeitado que se torna modelo de misericórdia. A síntese dessa tríplice interpelação é clara: humanizar é, também, evangelizar.

Vivemos tempos marcados por discursos vazios de afeto, práticas religiosas que perderam a conexão com o sofrimento real das pessoas e uma espiritualidade sem ética. Mas o Evangelho deste domingo é um soco na alma de quem tenta viver a fé como mero ritual. Jesus desmonta qualquer tentativa de uma religião indiferente, de uma piedade desumana, e coloca no centro da experiência religiosa a compaixão ativa, concreta, transformadora.

O samaritano é a parábola viva do Evangelho: não importa a origem, a filiação religiosa, ou a pertença étnica. Importa o gesto. A dor do outro é o altar onde Deus se revela. A estrada entre Jerusalém e Jericó é o palco da verdadeira liturgia cristã: não um templo isolado da vida, mas o mundo onde pessoas caídas precisam de mãos que levantem, de olhos que vejam, de corações que sintam.

Moisés já havia nos advertido: a Lei de Deus está ao nosso alcance. Não está no céu, inacessível, nem além-mar. Está próxima, nos lábios e no coração. Isso significa que não precisamos de intermediários técnicos da fé para discernir o bem: o próprio coração humano, tocado pela Palavra, é capaz de reconhecer o que promove vida, dignidade e justiça. A Lei é dom, não opressão. É caminho, não prisão.

Paulo, em sua carta aos colossenses, recorda que tudo foi criado em Cristo e para Cristo. Se é assim, então toda a criação é lugar sagrado. Cada vida humana, em especial as mais vulneráveis, manifesta algo da glória de Deus. Ignorar isso é negar o próprio Cristo. E Paulo é categórico: reconciliar o mundo com Deus passa por eliminar a indiferença, superar a exclusão, abraçar o amor como critério último da fé.

A fé cristã não é adorno litúrgico, nem seguro espiritual para a vida eterna. É, antes, compromisso radical com o presente. E o presente nos exige decisões: podemos deixar para fazer o bem outro dia? Quando tivermos mais tempo? Mais dinheiro? Não. O tempo de Deus é o hoje. O Evangelho é sempre urgente.

Jesus, com sua vida e palavras, nos ensinou que a verdadeira religião se manifesta no combate à fome, à ignorância, à opressão, ao preconceito. Ele não se acovardou diante do poder político ou religioso. Denunciou, incomodou, enfrentou. Rejeitou os silêncios convenientes que esqueciam os pobres, as mulheres, os doentes, os estrangeiros. Lembrou a todos que o Reino de Deus começa exatamente aí: nos esquecidos da história.

Por isso, humanizar é evangelizar. Significa olhar para a dor do outro não com pena, mas com compromisso. É transformar estruturas, combater desigualdades, exigir justiça. Isso se faz pelas mãos de cada um, mas também pelas mãos da coletividade: através das políticas públicas, da atuação pastoral, do engajamento cidadão. Não há Evangelho verdadeiro sem uma prática libertadora.

Amartya Sen, ao afirmar que desenvolvimento é liberdade, nos aponta um caminho ético e político para a fé cristã: não basta acumular riquezas, é preciso desenvolver as pessoas. A pobreza não é apenas a falta de renda, é a ausência de autoestima, de voz, de oportunidades. Evangelizar, então, é lutar contra a miséria em todas as suas formas. E isso se faz, também, na política.

O Papa Francisco, na Evangelii Gaudium, nos lembra que a política, longe de ser suja por natureza, é uma das formas mais preciosas da caridade. Porque busca o bem comum. Porque exige coragem, ética e paixão pelo povo. Ser cidadão fiel é virtude cristã. Participar da vida política é obrigação moral.

O Evangelho do bom samaritano nos desinstala: ele foi o único que não desviou o olhar. Que não buscou justificativas religiosas para a omissão. Que não terceirizou o cuidado. Ele agiu. Ele viu. Ele sentiu. E ele se aproximou.

A Igreja que anuncia o Evangelho tem de ser samaritana. Não basta pregar belas homilias nem organizar festas litúrgicas. É preciso estar na estrada, entre os caídos. E ali, fazer brotar a esperança.

Humanizar é evangelizar. Porque Deus se fez humano. Porque o Verbo se fez carne. Porque o amor se faz gesto. E porque o Reino se faz aqui.

*Comemorando com pizza: ação da VCA surpreende moradores e trabalhadores

O Dia Mundial da Pizza foi celebrado de maneira inusitada por moradores, trabalhadores e motoristas que passaram por alguns pontos da cidade nesta sexta-feira. Uma ação da construtora VCA levou pizzas até canteiros de obras, condomínios e ruas próximas da sede da empresa.

A iniciativa, em seu quarto ano consecutivo, tem se caracterizado por um formato direto: distribuição gratuita e discreta de pizzas em locais de circulação cotidiana, sem eventos ou anúncios prévios. Além dos pontos fixos, colaboradores e clientes da empresa receberam as entregas em casa.

A logística da ação envolveu uma programação prévia para que as entregas ocorressem de forma rápida e organizada. A iniciativa reafirmou o uso de datas simbólicas como oportunidades de interação direta com públicos diversos.

*Comemorando com pizza: ação da VCA surpreende moradores e trabalhadores

O Dia Mundial da Pizza foi celebrado de maneira inusitada por moradores, trabalhadores e motoristas que passaram por alguns pontos da cidade nesta sexta-feira. Uma ação da construtora VCA levou pizzas até canteiros de obras, condomínios e ruas próximas da sede da empresa.

A iniciativa, em seu quarto ano consecutivo, tem se caracterizado por um formato direto: distribuição gratuita e discreta de pizzas em locais de circulação cotidiana, sem eventos ou anúncios prévios. Além dos pontos fixos, colaboradores e clientes da empresa receberam as entregas em casa.

A logística da ação envolveu uma programação prévia para que as entregas ocorressem de forma rápida e organizada. A iniciativa reafirmou o uso de datas simbólicas como oportunidades de interação direta com públicos diversos.

*Governo do Estado entrega obras e fortalece educação, segurança e infraestrutura hídrica, urbana e rural de Anagé*

Na manhã deste sábado (12), o governador Jerônimo Rodrigues esteve no município de Anagé, no Sudoeste baiano, onde realizou uma série de ações voltadas ao fortalecimento da educação, segurança, abastecimento de água e infraestrutura urbana e rural. Entre os destaques da agenda, estão a inauguração da nova sede do Colégio Estadual de Tempo Integral, da Unidade Integrada da Delegacia Territorial e do Pelotão da Polícia Militar, e das obras que reforçam a infraestrutura hídrica da cidade e de municípios da região.

Com investimento de mais de R$ 26 milhões, o novo colégio conta com estrutura moderna e voltada à formação integral dos estudantes. São 17 salas de aula, biblioteca, laboratórios, sala de dança, sala de atendimento educacional especializado, teatro com 200 lugares, restaurante estudantil, campo de futebol society com pista de atletismo, quadra poliesportiva coberta e vestiário. “Essa escola vai oferecer aos jovens um ensino completo, com mais tempo de aprendizado, acesso à cultura, esporte e formação para a vida. Educação é uma das maiores garantias de futuro que podemos oferecer”, afirmou o governador durante a entrega.

“Agora a gente passa o dia todo na escola, tem aula, tem esporte, música, teatro. Está tudo novo e dá gosto de estudar aqui”, contou a estudante Raiane Santos. Segundo a secretária da educação do Estado, Rowenna Brito, o modelo de tempo integral amplia as possibilidades de desenvolvimento dos alunos. “É uma escola que cuida do conhecimento, mas também do bem-estar emocional e social dos estudantes”, explicou.

A nova Unidade Integrada da Delegacia Territorial e o Pelotão da Polícia Militar reforçam a presença das forças de segurança, aumentando a sensação de proteção da população. O governador Jerônimo Rodrigues entregou ainda duas ambulâncias e equipamentos para o Hospital Municipal de Anagé. Também foram inauguradas as requalificações da Praça São João Batista e da Praça do Estádio Municipal Augusto Vieira.

*Água e mais investimentos*

O abastecimento de água foi ampliado com a entrega de duas importantes obras: a primeira etapa do Sistema Produtor e Adutor do Sistema Integrado de Abastecimento de Água (SIAA), beneficiando Anagé, Caraíbas, Maetinga e Presidente Jânio Quadros, e o SIAA para 17 localidades da zona rural de Anagé. Com investimentos que somam mais de R$ 175 milhões, as intervenções levam água de qualidade a mais de 26 mil pessoas. Produtores rurais também foram contemplados com a entrega de 50 barracas de feira e com a reforma da Unidade de Beneficiamento de Mel na localidade de Vaquetal, fortalecendo a agricultura familiar e a economia local.

A agenda incluiu ainda a autorização de novas obras no município, como a implantação de rede de água para o Loteamento Tamburil, pavimentação em ruas do centro e do bairro São João Batista, além da construção e recuperação de pontes na localidade de Olho D’Água do Vital. As ações reforçam o compromisso com o desenvolvimento regional, promovendo mais qualidade de vida e acesso a serviços essenciais.

_*Repórter: Tácio Santos/ GOVBA*

*Governo do Estado entrega obras e fortalece educação, segurança e infraestrutura hídrica, urbana e rural de Anagé*

Na manhã deste sábado (12), o governador Jerônimo Rodrigues esteve no município de Anagé, no Sudoeste baiano, onde realizou uma série de ações voltadas ao fortalecimento da educação, segurança, abastecimento de água e infraestrutura urbana e rural. Entre os destaques da agenda, estão a inauguração da nova sede do Colégio Estadual de Tempo Integral, da Unidade Integrada da Delegacia Territorial e do Pelotão da Polícia Militar, e das obras que reforçam a infraestrutura hídrica da cidade e de municípios da região.

Com investimento de mais de R$ 26 milhões, o novo colégio conta com estrutura moderna e voltada à formação integral dos estudantes. São 17 salas de aula, biblioteca, laboratórios, sala de dança, sala de atendimento educacional especializado, teatro com 200 lugares, restaurante estudantil, campo de futebol society com pista de atletismo, quadra poliesportiva coberta e vestiário. “Essa escola vai oferecer aos jovens um ensino completo, com mais tempo de aprendizado, acesso à cultura, esporte e formação para a vida. Educação é uma das maiores garantias de futuro que podemos oferecer”, afirmou o governador durante a entrega.

“Agora a gente passa o dia todo na escola, tem aula, tem esporte, música, teatro. Está tudo novo e dá gosto de estudar aqui”, contou a estudante Raiane Santos. Segundo a secretária da educação do Estado, Rowenna Brito, o modelo de tempo integral amplia as possibilidades de desenvolvimento dos alunos. “É uma escola que cuida do conhecimento, mas também do bem-estar emocional e social dos estudantes”, explicou.

A nova Unidade Integrada da Delegacia Territorial e o Pelotão da Polícia Militar reforçam a presença das forças de segurança, aumentando a sensação de proteção da população. O governador Jerônimo Rodrigues entregou ainda duas ambulâncias e equipamentos para o Hospital Municipal de Anagé. Também foram inauguradas as requalificações da Praça São João Batista e da Praça do Estádio Municipal Augusto Vieira.

*Água e mais investimentos*

O abastecimento de água foi ampliado com a entrega de duas importantes obras: a primeira etapa do Sistema Produtor e Adutor do Sistema Integrado de Abastecimento de Água (SIAA), beneficiando Anagé, Caraíbas, Maetinga e Presidente Jânio Quadros, e o SIAA para 17 localidades da zona rural de Anagé. Com investimentos que somam mais de R$ 175 milhões, as intervenções levam água de qualidade a mais de 26 mil pessoas. Produtores rurais também foram contemplados com a entrega de 50 barracas de feira e com a reforma da Unidade de Beneficiamento de Mel na localidade de Vaquetal, fortalecendo a agricultura familiar e a economia local.

A agenda incluiu ainda a autorização de novas obras no município, como a implantação de rede de água para o Loteamento Tamburil, pavimentação em ruas do centro e do bairro São João Batista, além da construção e recuperação de pontes na localidade de Olho D’Água do Vital. As ações reforçam o compromisso com o desenvolvimento regional, promovendo mais qualidade de vida e acesso a serviços essenciais.

_*Repórter: Tácio Santos/ GOVBA*

O Desespero Bate à Porta: A Fuga como Última Carta

 

 

Por Padre Carlos

 

Num enredo que beira o realismo fantástico, a política brasileira nos presenteia com mais um capítulo de sua tragicomédia. A recente sugestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ex-presidente Jair Bolsonaro viaje aos Estados Unidos a fim de “discutir o tarifaço com Donald Trump” não é apenas uma anedota; é um sintoma agudo do desespero que assola o bolsonarismo.

Fica a dúvida sobre quem peca mais pela ingenuidade: o governador, ao acreditar que uma proposta tão esdrúxula seria acolhida pela mais alta corte do país, ou o ex-presidente, ao supor que sua ânsia por deixar o território nacional passaria despercebida sob um pretexto tão frágil. A verdade, contudo, é que ambos parecem subestimar, e muito, a inteligência do povo brasileiro e a liturgia do poder Judiciário.

A manobra é transparente. Tudo o que Jair Bolsonaro mais deseja, no atual cenário de investigações que se avolumam e cercam seu núcleo político e familiar, é encontrar uma rota de fuga. Impedido de deixar o país por decisão judicial, qualquer pretexto se torna uma oportunidade, qualquer articulação se transforma numa potencial tábua de salvação. A ideia de que o ex-mandatário, hoje uma figura sem poder institucional, pudesse negociar uma política tarifária com um ex-presidente americano (e atual candidato) é tão absurda que só pode ser interpretada de uma maneira: um teste, uma armadilha mal disfarçada para ver se a porta da gaiola se abria.

O plano, como era de se esperar, foi considerado “fora de propósito e do rito institucional” pelos ministros do STF. Não poderia ser diferente. A sugestão ignora a diplomacia, os canais oficiais e, mais grave, a própria condição legal de Bolsonaro. É uma jogada que expõe o nervosismo e a falta de opções de um grupo político que vê o cerco se fechar.

Tarcísio, ao se prestar a esse papel, busca talvez um duplo movimento: agradar sua base mais radical, mostrando-se leal ao seu padrinho político, e, ao mesmo tempo, tentar construir uma imagem de negociador. O resultado, porém, é um desgaste de sua própria imagem como gestor. Ao embarcar em uma aventura jurídica e diplomática com pouquíssimo fundamento, o governador de São Paulo se apequena, colocando os interesses de seu aliado acima da lógica e do bom senso.

Este episódio serve como um retrato fiel do momento. De um lado, um ex-presidente que, acuado, flerta com a ideia de exílio. Do outro, seus aliados tentando criar narrativas e saídas mirabolantes. No meio, a nação, que assiste atônita a mais uma tentativa de brincar com sua capacidade de discernimento.

Não, não somos ingênuos. A ânsia de Bolsonaro por ares internacionais não tem nada a ver com tarifas ou com o bem-estar do Brasil. Tem a ver com o medo da Justiça e com a busca desesperada por um refúgio. A armadilha foi montada, mas, para o infortúnio de seus arquitetos, era por demais evidente. O Brasil, felizmente, não caiu.

O Desespero Bate à Porta: A Fuga como Última Carta

 

 

Por Padre Carlos

 

Num enredo que beira o realismo fantástico, a política brasileira nos presenteia com mais um capítulo de sua tragicomédia. A recente sugestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ex-presidente Jair Bolsonaro viaje aos Estados Unidos a fim de “discutir o tarifaço com Donald Trump” não é apenas uma anedota; é um sintoma agudo do desespero que assola o bolsonarismo.

Fica a dúvida sobre quem peca mais pela ingenuidade: o governador, ao acreditar que uma proposta tão esdrúxula seria acolhida pela mais alta corte do país, ou o ex-presidente, ao supor que sua ânsia por deixar o território nacional passaria despercebida sob um pretexto tão frágil. A verdade, contudo, é que ambos parecem subestimar, e muito, a inteligência do povo brasileiro e a liturgia do poder Judiciário.

A manobra é transparente. Tudo o que Jair Bolsonaro mais deseja, no atual cenário de investigações que se avolumam e cercam seu núcleo político e familiar, é encontrar uma rota de fuga. Impedido de deixar o país por decisão judicial, qualquer pretexto se torna uma oportunidade, qualquer articulação se transforma numa potencial tábua de salvação. A ideia de que o ex-mandatário, hoje uma figura sem poder institucional, pudesse negociar uma política tarifária com um ex-presidente americano (e atual candidato) é tão absurda que só pode ser interpretada de uma maneira: um teste, uma armadilha mal disfarçada para ver se a porta da gaiola se abria.

O plano, como era de se esperar, foi considerado “fora de propósito e do rito institucional” pelos ministros do STF. Não poderia ser diferente. A sugestão ignora a diplomacia, os canais oficiais e, mais grave, a própria condição legal de Bolsonaro. É uma jogada que expõe o nervosismo e a falta de opções de um grupo político que vê o cerco se fechar.

Tarcísio, ao se prestar a esse papel, busca talvez um duplo movimento: agradar sua base mais radical, mostrando-se leal ao seu padrinho político, e, ao mesmo tempo, tentar construir uma imagem de negociador. O resultado, porém, é um desgaste de sua própria imagem como gestor. Ao embarcar em uma aventura jurídica e diplomática com pouquíssimo fundamento, o governador de São Paulo se apequena, colocando os interesses de seu aliado acima da lógica e do bom senso.

Este episódio serve como um retrato fiel do momento. De um lado, um ex-presidente que, acuado, flerta com a ideia de exílio. Do outro, seus aliados tentando criar narrativas e saídas mirabolantes. No meio, a nação, que assiste atônita a mais uma tentativa de brincar com sua capacidade de discernimento.

Não, não somos ingênuos. A ânsia de Bolsonaro por ares internacionais não tem nada a ver com tarifas ou com o bem-estar do Brasil. Tem a ver com o medo da Justiça e com a busca desesperada por um refúgio. A armadilha foi montada, mas, para o infortúnio de seus arquitetos, era por demais evidente. O Brasil, felizmente, não caiu.

ARTIGO – A Obra do Coração: A Revitalização da Lagoa das Bateias é o Maior Legado da Gestão Sheila Lemos

 

(Padre Carlos)

Se eu tivesse que escolher, entre tantas obras da atual gestão municipal, uma que realmente traduzisse a transformação de Vitória da Conquista nos últimos anos, eu não hesitaria: a revitalização da Lagoa das Bateias. Trata-se, sem dúvida, da obra que fala à alma da cidade, que une preservação ambiental com cidadania, lazer com sustentabilidade, vida urbana com respeito à natureza.

A Lagoa das Bateias é muito mais do que um espelho d’água. Ela é símbolo de resistência ecológica em meio ao crescimento urbano desordenado. Localizada na zona urbana da nossa cidade, ela integra a sub-bacia do Rio Santa Rita, que por sua vez é parte da grande Bacia do Rio Verruga. Uma área de 53 hectares que, por décadas, foi deixada à margem do planejamento urbano, sofrendo com o descaso, a poluição e a invisibilidade.

Mas essa realidade mudou. E mudou porque houve visão política, coragem administrativa e, acima de tudo, sensibilidade humana por parte da prefeita Sheila Lemos. Como diz o velho ditado: atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher. E, no caso da nossa cidade, atrás de uma grande gestora, há uma equipe técnica que sabe onde pisa, que conhece a cidade e que não tem medo de fazer o que precisa ser feito.

No caso da Lagoa, houve um nome que brilhou com luz própria: Lucas Batista, coordenador da obra, exemplo de dedicação, capacidade técnica e espírito empreendedor. Seu trabalho, discreto para alguns, mas eficiente e profundo para quem conhece os bastidores da gestão pública, foi essencial para que essa intervenção se tornasse modelo de revitalização urbana e ambiental.

Hoje, a Lagoa das Bateias é uma Unidade de Conservação. Isso significa que ela ganhou status legal de proteção ambiental, integrando ações de saneamento básico, conservação de mananciais hídricos, educação ambiental, turismo sustentável e espaço para lazer público de qualidade. Não é exagero dizer que o local virou um monumento paisagístico da cidade, um novo cartão-postal e uma referência para outras gestões municipais no interior da Bahia.

Mais do que uma obra de pedra, concreto e paisagismo, a nova Lagoa das Bateias é um pacto com o futuro. É uma afirmação de que é possível cuidar da cidade com responsabilidade, ouvindo a população, respeitando a natureza e promovendo inclusão social por meio do espaço público qualificado.

A revitalização da Lagoa das Bateias não apenas elevou o padrão urbanístico da cidade; ela devolveu dignidade a uma área esquecida e mostrou que a administração pública, quando bem feita, pode e deve ser instrumento de transformação social.

Por isso, se me perguntarem qual é a obra mais simbólica da gestão Sheila Lemos, responderei sem hesitar: é essa. Porque ela não apenas embeleza a cidade — ela cura feridas antigas, une comunidades, protege o meio ambiente e constrói cidadania.

ARTIGO – A Obra do Coração: A Revitalização da Lagoa das Bateias é o Maior Legado da Gestão Sheila Lemos

 

(Padre Carlos)

Se eu tivesse que escolher, entre tantas obras da atual gestão municipal, uma que realmente traduzisse a transformação de Vitória da Conquista nos últimos anos, eu não hesitaria: a revitalização da Lagoa das Bateias. Trata-se, sem dúvida, da obra que fala à alma da cidade, que une preservação ambiental com cidadania, lazer com sustentabilidade, vida urbana com respeito à natureza.

A Lagoa das Bateias é muito mais do que um espelho d’água. Ela é símbolo de resistência ecológica em meio ao crescimento urbano desordenado. Localizada na zona urbana da nossa cidade, ela integra a sub-bacia do Rio Santa Rita, que por sua vez é parte da grande Bacia do Rio Verruga. Uma área de 53 hectares que, por décadas, foi deixada à margem do planejamento urbano, sofrendo com o descaso, a poluição e a invisibilidade.

Mas essa realidade mudou. E mudou porque houve visão política, coragem administrativa e, acima de tudo, sensibilidade humana por parte da prefeita Sheila Lemos. Como diz o velho ditado: atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher. E, no caso da nossa cidade, atrás de uma grande gestora, há uma equipe técnica que sabe onde pisa, que conhece a cidade e que não tem medo de fazer o que precisa ser feito.

No caso da Lagoa, houve um nome que brilhou com luz própria: Lucas Batista, coordenador da obra, exemplo de dedicação, capacidade técnica e espírito empreendedor. Seu trabalho, discreto para alguns, mas eficiente e profundo para quem conhece os bastidores da gestão pública, foi essencial para que essa intervenção se tornasse modelo de revitalização urbana e ambiental.

Hoje, a Lagoa das Bateias é uma Unidade de Conservação. Isso significa que ela ganhou status legal de proteção ambiental, integrando ações de saneamento básico, conservação de mananciais hídricos, educação ambiental, turismo sustentável e espaço para lazer público de qualidade. Não é exagero dizer que o local virou um monumento paisagístico da cidade, um novo cartão-postal e uma referência para outras gestões municipais no interior da Bahia.

Mais do que uma obra de pedra, concreto e paisagismo, a nova Lagoa das Bateias é um pacto com o futuro. É uma afirmação de que é possível cuidar da cidade com responsabilidade, ouvindo a população, respeitando a natureza e promovendo inclusão social por meio do espaço público qualificado.

A revitalização da Lagoa das Bateias não apenas elevou o padrão urbanístico da cidade; ela devolveu dignidade a uma área esquecida e mostrou que a administração pública, quando bem feita, pode e deve ser instrumento de transformação social.

Por isso, se me perguntarem qual é a obra mais simbólica da gestão Sheila Lemos, responderei sem hesitar: é essa. Porque ela não apenas embeleza a cidade — ela cura feridas antigas, une comunidades, protege o meio ambiente e constrói cidadania.

ARTIGO – A chacina silenciosa de Itarantim e o Estado que assiste de braços cruzados

 

(Padre Carlos)

Em apenas sete dias, três vidas foram ceifadas brutalmente no município de Itarantim, no Centro Sul baiano. Não foi em emboscadas em estradas desertas, nem em brigas de bar: os crimes aconteceram dentro das casas das vítimas. Três lares foram invadidos por homens armados e encapuzados, que chegaram atirando, como se a vida humana tivesse o mesmo valor de uma folha seca ao vento.

Essa não é uma história de ficção policial. É a realidade nua, crua e sangrenta de uma cidade que vive aterrorizada. E o mais grave: não é a única. Itarantim se tornou apenas mais um nome na longa lista de municípios baianos onde a insegurança virou rotina. Até quando vamos aceitar isso?

O primeiro a tombar foi Caik Santos Fernandes, de apenas 19 anos, assassinado no sábado à noite por dois homens que chegaram numa moto e invadiram sua casa atirando. Caik ainda foi socorrido, levado ao hospital, mas não resistiu. Dias depois, já na madrugada da quarta-feira (9), foi a vez de Aline Lima Souza, 33 anos, ser executada na frente dos três filhos — uma criança de 5 anos e dois adolescentes, de 15 e 17. Quatro criminosos armados invadiram sua residência no bairro Bob Kennedy e dispararam várias vezes. O terror se instalou.

Menos de 24 horas depois, a adolescente Nathalia Santana Almeida, de 17 anos, foi assassinada em sua casa, no centro da cidade, também a tiros. A mesma frieza. A mesma crueldade. O mesmo roteiro macabro que parece ter se tornado padrão no interior da Bahia. Um padrão que, segundo a Polícia Civil, está ligado ao tráfico de drogas e à disputa por territórios criminosos. Mas isso não é justificativa. É denúncia.

Se sabemos que a causa é o tráfico, por que o Estado não age com a firmeza que o momento exige? Se a prefeitura reconhece o colapso da segurança e diz que se reuniu com autoridades, cadê os resultados práticos? A verdade é que o povo está cansado de notas oficiais. O que se espera é presença real do Estado, inteligência policial, ação preventiva e repressiva contra o crime organizado.

Não estamos mais falando de pequenos furtos ou assaltos pontuais. Estamos diante de execuções planejadas, com características de grupo de extermínio. O crime está tomando conta das cidades pequenas com a mesma ousadia com que já domina as grandes. O interior, antes sinônimo de tranquilidade, agora vive sob o medo constante da próxima invasão, do próximo tiro, da próxima vítima.

E o governo? Vai continuar fingindo que é só mais um caso isolado? Vai continuar apostando no esquecimento da população, no silêncio das famílias, na passividade da imprensa?

Não podemos mais aceitar a normalização da barbárie. Não podemos assistir à escalada da violência como quem vê uma novela. Cada vítima tem nome, tem história, tem gente chorando por elas. O sangue derramado em Itarantim grita por justiça. Grita por uma política pública séria e estruturada de segurança. Grita por um Estado que não seja apenas retórico, mas presente.

Itarantim não pode ser mais uma estatística. A Bahia não pode continuar virando território livre para o crime. A omissão também mata. E neste caso, quem se cala diante da morte se torna cúmplice da violência.

ARTIGO – A chacina silenciosa de Itarantim e o Estado que assiste de braços cruzados

 

(Padre Carlos)

Em apenas sete dias, três vidas foram ceifadas brutalmente no município de Itarantim, no Centro Sul baiano. Não foi em emboscadas em estradas desertas, nem em brigas de bar: os crimes aconteceram dentro das casas das vítimas. Três lares foram invadidos por homens armados e encapuzados, que chegaram atirando, como se a vida humana tivesse o mesmo valor de uma folha seca ao vento.

Essa não é uma história de ficção policial. É a realidade nua, crua e sangrenta de uma cidade que vive aterrorizada. E o mais grave: não é a única. Itarantim se tornou apenas mais um nome na longa lista de municípios baianos onde a insegurança virou rotina. Até quando vamos aceitar isso?

O primeiro a tombar foi Caik Santos Fernandes, de apenas 19 anos, assassinado no sábado à noite por dois homens que chegaram numa moto e invadiram sua casa atirando. Caik ainda foi socorrido, levado ao hospital, mas não resistiu. Dias depois, já na madrugada da quarta-feira (9), foi a vez de Aline Lima Souza, 33 anos, ser executada na frente dos três filhos — uma criança de 5 anos e dois adolescentes, de 15 e 17. Quatro criminosos armados invadiram sua residência no bairro Bob Kennedy e dispararam várias vezes. O terror se instalou.

Menos de 24 horas depois, a adolescente Nathalia Santana Almeida, de 17 anos, foi assassinada em sua casa, no centro da cidade, também a tiros. A mesma frieza. A mesma crueldade. O mesmo roteiro macabro que parece ter se tornado padrão no interior da Bahia. Um padrão que, segundo a Polícia Civil, está ligado ao tráfico de drogas e à disputa por territórios criminosos. Mas isso não é justificativa. É denúncia.

Se sabemos que a causa é o tráfico, por que o Estado não age com a firmeza que o momento exige? Se a prefeitura reconhece o colapso da segurança e diz que se reuniu com autoridades, cadê os resultados práticos? A verdade é que o povo está cansado de notas oficiais. O que se espera é presença real do Estado, inteligência policial, ação preventiva e repressiva contra o crime organizado.

Não estamos mais falando de pequenos furtos ou assaltos pontuais. Estamos diante de execuções planejadas, com características de grupo de extermínio. O crime está tomando conta das cidades pequenas com a mesma ousadia com que já domina as grandes. O interior, antes sinônimo de tranquilidade, agora vive sob o medo constante da próxima invasão, do próximo tiro, da próxima vítima.

E o governo? Vai continuar fingindo que é só mais um caso isolado? Vai continuar apostando no esquecimento da população, no silêncio das famílias, na passividade da imprensa?

Não podemos mais aceitar a normalização da barbárie. Não podemos assistir à escalada da violência como quem vê uma novela. Cada vítima tem nome, tem história, tem gente chorando por elas. O sangue derramado em Itarantim grita por justiça. Grita por uma política pública séria e estruturada de segurança. Grita por um Estado que não seja apenas retórico, mas presente.

Itarantim não pode ser mais uma estatística. A Bahia não pode continuar virando território livre para o crime. A omissão também mata. E neste caso, quem se cala diante da morte se torna cúmplice da violência.