Política e Resenha

É amanhã: realize seu sonho da casa própria no lugar que você ama!

Se você sonha com um lar cheio de lazer sem sair de perto de quem você ama, essa notícia é pra você: sábado e domingo, 12 e 13 de julho, acontece o evento de abertura de vendas do Don Oeste Residencial, primeiro empreendimento da VCA Construtora no lado oeste da cidade.

 

O condomínio de casas de 2 quartos com suíte, quintal e mais de 10 opções de lazer traz a infraestrutura de qualidade que é um diferencial da construtora, além de uma excelente localização, pertinho da Avenida Brumado, uma das principais avenidas da cidade, e das principais atividades educacionais e de lazer.

 

Você pode conquistar o seu novo lar pelo Minha Casa Minha Vida, com entrada a partir de R$3 mil, parcelas menores que o aluguel e subsídio de até R$55 mil. Ou, se preferir, pode optar pelo financiamento direto com a construtora em até 60x.

 

Você não precisa sair de perto pra chegar mais longe. Cadastre-se no site https://bit.ly/4kweUdL ou fale agora com um corretor pelo whatsapp (77) 3025-1212 para reservar sua unidade. E não se esqueça: amanhã é dia de visitar uma loja VCA para dar o primeiro passo rumo à realização desse sonho

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O condomínio de casas de 2 quartos com suíte, quintal e mais de 10 opções de lazer traz a infraestrutura de qualidade que é um diferencial da construtora, além de uma excelente localização, pertinho da Avenida Brumado, uma das principais avenidas da cidade, e das principais atividades educacionais e de lazer.

 

Você pode conquistar o seu novo lar pelo Minha Casa Minha Vida, com entrada a partir de R$3 mil, parcelas menores que o aluguel e subsídio de até R$55 mil. Ou, se preferir, pode optar pelo financiamento direto com a construtora em até 60x.

 

Você não precisa sair de perto pra chegar mais longe. Cadastre-se no site https://bit.ly/4kweUdL ou fale agora com um corretor pelo whatsapp (77) 3025-1212 para reservar sua unidade. E não se esqueça: amanhã é dia de visitar uma loja VCA para dar o primeiro passo rumo à realização desse sonho

ARTIGO – O tarifaço de Trump empurra o Brasil para os braços da China

 

 

(Padre Carlos)

Quando Donald Trump impôs uma sobretaxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, não foi apenas a economia que sentiu o golpe — foi também a geopolítica. O gesto abrupto, com claro viés político, escancarou uma porta que já estava entreaberta: a do abraço diplomático e comercial do Brasil com a China, rival número um dos Estados Unidos no xadrez global.

Esse tarifaço, anunciado para entrar em vigor a partir de 1º de agosto, mais parece uma retaliação camuflada, um recado atravessado que ultrapassa os contornos econômicos. É uma bofetada diplomática, desferida com as luvas da arrogância imperial de quem ainda acha que o mundo gira ao redor da Casa Branca.

Enquanto Trump rosna do alto de seus discursos incendiários, Xi Jinping sorri discretamente em Pequim. O Brasil, que já tinha na China seu maior parceiro comercial, agora vê nesse parceiro um refúgio estratégico diante do rompante norte-americano. A fala da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, em defesa do Brasil, não foi apenas um gesto de solidariedade — foi um movimento calculado para estreitar laços e pavimentar novas rotas comerciais, diplomáticas e até militares.

Os números são inapeláveis. No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou superávit de quase US$ 12 bilhões com a China, enquanto amargou um déficit de US$ 1,7 bilhão com os EUA. O que Trump está fazendo, na prática, é empurrar o Brasil definitivamente para o lado do Dragão Asiático, num momento em que as alianças geoestratégicas se redesenham com rapidez.

Mas há um detalhe importante que não pode ser ignorado: os EUA compram do Brasil principalmente produtos industrializados — motores de crescimento com valor agregado. Já a China ainda concentra sua pauta em commodities, como soja, minério de ferro e carne. E aqui mora o risco. Não se trata de trocar um parceiro imperial por outro. Trata-se de exigir que essa nova aproximação se dê em bases mais equilibradas. O Brasil não pode continuar refém da exportação de matérias-primas. Precisa vender conhecimento, inovação e tecnologia.

A motivação de Trump é política. Ele busca criar fatos, alimentar tensões e agradar sua base eleitoral — especialmente os apoiadores de Jair Bolsonaro, seu aliado ideológico. Ao atacar Alexandre de Moraes e usar o STF como bode expiatório, Trump mistura os assuntos internos do Brasil com seus próprios interesses eleitorais. O resultado é um insulto à soberania brasileira e à diplomacia como prática civilizatória.

O governo Lula está diante de um dilema: retaliar ou dialogar. Até o momento, prevalece a moderação. Mas os estudos em curso sobre cassação de patentes americanas e aumento de tarifas sobre produtos culturais dos EUA mostram que o Brasil não está de joelhos. A ameaça de recorrer à OMC — ainda que a entidade esteja com as engrenagens enferrujadas desde que o próprio Trump sabotou o órgão — é um sinal de que Brasília sabe jogar com as armas da legalidade internacional.

O episódio escancara o esgotamento de um modelo de submissão. O Brasil precisa rever sua posição no mundo. Não somos quintal de Washington. E tampouco devemos ser linha de montagem de Pequim. É hora de construir uma política externa soberana, pragmática, diversificada e corajosa.

Trump, com sua prepotência habitual, acabou prestando um favor não intencional ao Brasil: nos obrigou a olhar para o Oriente com mais atenção e menos preconceito. Se vamos sair desse conflito fortalecidos ou enfraquecidos, dependerá da inteligência do Itamaraty, da coragem política do Planalto e da capacidade da nossa indústria em se reinventar.

O que é certo é que o mundo está mudando. E o Brasil não pode se apequenar numa guerra que não começou, mas da qual, agora, faz parte.

ARTIGO – O tarifaço de Trump empurra o Brasil para os braços da China

 

 

(Padre Carlos)

Quando Donald Trump impôs uma sobretaxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, não foi apenas a economia que sentiu o golpe — foi também a geopolítica. O gesto abrupto, com claro viés político, escancarou uma porta que já estava entreaberta: a do abraço diplomático e comercial do Brasil com a China, rival número um dos Estados Unidos no xadrez global.

Esse tarifaço, anunciado para entrar em vigor a partir de 1º de agosto, mais parece uma retaliação camuflada, um recado atravessado que ultrapassa os contornos econômicos. É uma bofetada diplomática, desferida com as luvas da arrogância imperial de quem ainda acha que o mundo gira ao redor da Casa Branca.

Enquanto Trump rosna do alto de seus discursos incendiários, Xi Jinping sorri discretamente em Pequim. O Brasil, que já tinha na China seu maior parceiro comercial, agora vê nesse parceiro um refúgio estratégico diante do rompante norte-americano. A fala da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, em defesa do Brasil, não foi apenas um gesto de solidariedade — foi um movimento calculado para estreitar laços e pavimentar novas rotas comerciais, diplomáticas e até militares.

Os números são inapeláveis. No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou superávit de quase US$ 12 bilhões com a China, enquanto amargou um déficit de US$ 1,7 bilhão com os EUA. O que Trump está fazendo, na prática, é empurrar o Brasil definitivamente para o lado do Dragão Asiático, num momento em que as alianças geoestratégicas se redesenham com rapidez.

Mas há um detalhe importante que não pode ser ignorado: os EUA compram do Brasil principalmente produtos industrializados — motores de crescimento com valor agregado. Já a China ainda concentra sua pauta em commodities, como soja, minério de ferro e carne. E aqui mora o risco. Não se trata de trocar um parceiro imperial por outro. Trata-se de exigir que essa nova aproximação se dê em bases mais equilibradas. O Brasil não pode continuar refém da exportação de matérias-primas. Precisa vender conhecimento, inovação e tecnologia.

A motivação de Trump é política. Ele busca criar fatos, alimentar tensões e agradar sua base eleitoral — especialmente os apoiadores de Jair Bolsonaro, seu aliado ideológico. Ao atacar Alexandre de Moraes e usar o STF como bode expiatório, Trump mistura os assuntos internos do Brasil com seus próprios interesses eleitorais. O resultado é um insulto à soberania brasileira e à diplomacia como prática civilizatória.

O governo Lula está diante de um dilema: retaliar ou dialogar. Até o momento, prevalece a moderação. Mas os estudos em curso sobre cassação de patentes americanas e aumento de tarifas sobre produtos culturais dos EUA mostram que o Brasil não está de joelhos. A ameaça de recorrer à OMC — ainda que a entidade esteja com as engrenagens enferrujadas desde que o próprio Trump sabotou o órgão — é um sinal de que Brasília sabe jogar com as armas da legalidade internacional.

O episódio escancara o esgotamento de um modelo de submissão. O Brasil precisa rever sua posição no mundo. Não somos quintal de Washington. E tampouco devemos ser linha de montagem de Pequim. É hora de construir uma política externa soberana, pragmática, diversificada e corajosa.

Trump, com sua prepotência habitual, acabou prestando um favor não intencional ao Brasil: nos obrigou a olhar para o Oriente com mais atenção e menos preconceito. Se vamos sair desse conflito fortalecidos ou enfraquecidos, dependerá da inteligência do Itamaraty, da coragem política do Planalto e da capacidade da nossa indústria em se reinventar.

O que é certo é que o mundo está mudando. E o Brasil não pode se apequenar numa guerra que não começou, mas da qual, agora, faz parte.

O Estadista e a Nação Ingrata: O Brasil Merece Lula?

 

 

 

Há perguntas que nos assaltam em silêncio, no intervalo de um telejornal ou na quietude da madrugada. Diante das recentes entrevistas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma delas ecoa com particular insistência: o Brasil, em sua atual configuração de afetos e ódios, realmente merece a figura que o governa?

Assisti, com o coração inquieto, a um homem de 78 anos que, longe de se apresentar como um mito ou salvador, revelou um líder que carrega nos ombros o peso de um país fraturado. Em sua fala, não havia o triunfalismo do poder, mas a lucidez de quem conhece as cicatrizes da nação e as suas próprias. Havia uma ternura teimosa, uma recusa em se render ao cinismo, mesmo quando o cenário convida à exaustão.

De um lado do ringue, temos o barulho ensurdecedor. Um coro de dissonâncias movido a ofensas, desinformação sistemática e o dogmatismo de uma extrema direita que não busca o debate, mas a aniquilação do adversário. Para este grupo, Lula não é um opositor político; é um inimigo a ser exterminado, um símbolo a ser demolido, custe o que custar à estabilidade democrática.

Como se não bastasse a trincheira interna, surgem as pressões externas, com a arrogância de sempre disfarçada de verniz diplomático. Os Estados Unidos, em uma demonstração de anacronismo colonial, se sentem no direito de opinar sobre as decisões soberanas do nosso Judiciário, questionando o julgamento de um ex-presidente que flertou abertamente com a ruptura institucional. Querem nos ditar as regras do jogo democrático como se ainda fôssemos seu quintal. E, para além da retórica, agem na prática, impondo tarifas que, sob o pretexto de uma geopolítica distante, golpeiam diretamente o nosso agronegócio e, na ponta da linha, o bolso do povo brasileiro.

E no centro de toda essa tempestade, o que vemos? Um presidente que se mantém de pé. Um homem cuja biografia recente é um tratado sobre resiliência. Lula foi alvo de uma perseguição implacável, condenado em um processo questionável por um juiz que, despido da toga, não hesitou em assumir um cargo no governo de seu principal adversário político. Foi preso, humilhado e viu seu nome ser arrastado na lama.

Quantos de nós suportariam tal calvário e emergiriam dispostos ao diálogo? Quantos, depois de tamanha injustiça, voltariam ao poder sem o veneno do rancor, sem o desejo irrefreável da vingança? Lula voltou. E voltou não para um acerto de contas, mas com a obsessão de reconstruir pontes e, em suas próprias palavras, “colocar comida no prato do povo”.

É evidente que Lula não é perfeito. Nenhum líder o é, e a idealização é o primeiro passo para a decepção. Contudo, é preciso uma couraça de insensibilidade para não enxergar a dimensão humana e a grandeza política de alguém que, tendo todos os motivos para odiar, escolhe governar com a esperança de unir.

Quando me deparo com as críticas rasas, com a agressividade fantasiada de opinião, com a torcida explícita pelo “quanto pior, melhor”, a pergunta retorna, mais forte. Quando vejo o esforço para deslegitimar um governo cujo norte é a inclusão dos mais vulneráveis, questiono se a nação está à altura do líder que tem.

Talvez a resposta seja não. Talvez o Brasil, hoje tão viciado no conflito, não mereça a obstinação de Lula. Mas o fato mais comovente é que ele, com sua trajetória improvável e sua fé inabalável no potencial deste povo, insiste em acreditar que sim. E por essa crença, ele segue. Com as marcas que a vida lhe impôs, mas com a coragem de quem, mesmo ferido, nunca deixou de amar e lutar por este país. E essa, talvez, seja a sua maior e mais incompreendida força.

O Estadista e a Nação Ingrata: O Brasil Merece Lula?

 

 

 

Há perguntas que nos assaltam em silêncio, no intervalo de um telejornal ou na quietude da madrugada. Diante das recentes entrevistas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma delas ecoa com particular insistência: o Brasil, em sua atual configuração de afetos e ódios, realmente merece a figura que o governa?

Assisti, com o coração inquieto, a um homem de 78 anos que, longe de se apresentar como um mito ou salvador, revelou um líder que carrega nos ombros o peso de um país fraturado. Em sua fala, não havia o triunfalismo do poder, mas a lucidez de quem conhece as cicatrizes da nação e as suas próprias. Havia uma ternura teimosa, uma recusa em se render ao cinismo, mesmo quando o cenário convida à exaustão.

De um lado do ringue, temos o barulho ensurdecedor. Um coro de dissonâncias movido a ofensas, desinformação sistemática e o dogmatismo de uma extrema direita que não busca o debate, mas a aniquilação do adversário. Para este grupo, Lula não é um opositor político; é um inimigo a ser exterminado, um símbolo a ser demolido, custe o que custar à estabilidade democrática.

Como se não bastasse a trincheira interna, surgem as pressões externas, com a arrogância de sempre disfarçada de verniz diplomático. Os Estados Unidos, em uma demonstração de anacronismo colonial, se sentem no direito de opinar sobre as decisões soberanas do nosso Judiciário, questionando o julgamento de um ex-presidente que flertou abertamente com a ruptura institucional. Querem nos ditar as regras do jogo democrático como se ainda fôssemos seu quintal. E, para além da retórica, agem na prática, impondo tarifas que, sob o pretexto de uma geopolítica distante, golpeiam diretamente o nosso agronegócio e, na ponta da linha, o bolso do povo brasileiro.

E no centro de toda essa tempestade, o que vemos? Um presidente que se mantém de pé. Um homem cuja biografia recente é um tratado sobre resiliência. Lula foi alvo de uma perseguição implacável, condenado em um processo questionável por um juiz que, despido da toga, não hesitou em assumir um cargo no governo de seu principal adversário político. Foi preso, humilhado e viu seu nome ser arrastado na lama.

Quantos de nós suportariam tal calvário e emergiriam dispostos ao diálogo? Quantos, depois de tamanha injustiça, voltariam ao poder sem o veneno do rancor, sem o desejo irrefreável da vingança? Lula voltou. E voltou não para um acerto de contas, mas com a obsessão de reconstruir pontes e, em suas próprias palavras, “colocar comida no prato do povo”.

É evidente que Lula não é perfeito. Nenhum líder o é, e a idealização é o primeiro passo para a decepção. Contudo, é preciso uma couraça de insensibilidade para não enxergar a dimensão humana e a grandeza política de alguém que, tendo todos os motivos para odiar, escolhe governar com a esperança de unir.

Quando me deparo com as críticas rasas, com a agressividade fantasiada de opinião, com a torcida explícita pelo “quanto pior, melhor”, a pergunta retorna, mais forte. Quando vejo o esforço para deslegitimar um governo cujo norte é a inclusão dos mais vulneráveis, questiono se a nação está à altura do líder que tem.

Talvez a resposta seja não. Talvez o Brasil, hoje tão viciado no conflito, não mereça a obstinação de Lula. Mas o fato mais comovente é que ele, com sua trajetória improvável e sua fé inabalável no potencial deste povo, insiste em acreditar que sim. E por essa crença, ele segue. Com as marcas que a vida lhe impôs, mas com a coragem de quem, mesmo ferido, nunca deixou de amar e lutar por este país. E essa, talvez, seja a sua maior e mais incompreendida força.

ARTIGO – Quando parte um filho da terra, é a alma da cidade que se despede

 

 


(Padre Carlos)

São Miguel das Matas está de luto. Não oficialmente, mas profundamente. Porque quando um filho da terra, como o empresário José Paulo Couto, parte de forma tão brutal, é como se o próprio coração da cidade parasse por instantes.

José Paulo não era apenas mais um nome no noticiário trágico da violência no Brasil. Ele era um símbolo do miguelense que parte em busca de oportunidades, mas nunca abandona suas raízes. Levava o nome da cidade por onde passava. Sua trajetória como comerciante, agropecuarista e líder político foi marcada por dignidade, respeito e compromisso com a comunidade.

Agora, sua morte — violenta, covarde, amarrado e descartado sob uma ponte em Araguaína — nos fere duplamente: pela perda de uma vida valiosa e pelo retrato da insegurança que assombra o país.

Mas mais que indignação, o que nos resta é saudade e respeito. Saudade de um conterrâneo que nos representava com altivez. Respeito por sua história, seu legado e sua firmeza moral.

Em cada miguelense que lê essa notícia, acende-se uma centelha de memória, de reconhecimento e de dor. Que a justiça venha, mas que a lembrança permaneça. José Paulo Couto vive em nós — como vivem todos os filhos da terra que partem, mas jamais nos deixam de verdade.

ARTIGO – Quando parte um filho da terra, é a alma da cidade que se despede

 

 


(Padre Carlos)

São Miguel das Matas está de luto. Não oficialmente, mas profundamente. Porque quando um filho da terra, como o empresário José Paulo Couto, parte de forma tão brutal, é como se o próprio coração da cidade parasse por instantes.

José Paulo não era apenas mais um nome no noticiário trágico da violência no Brasil. Ele era um símbolo do miguelense que parte em busca de oportunidades, mas nunca abandona suas raízes. Levava o nome da cidade por onde passava. Sua trajetória como comerciante, agropecuarista e líder político foi marcada por dignidade, respeito e compromisso com a comunidade.

Agora, sua morte — violenta, covarde, amarrado e descartado sob uma ponte em Araguaína — nos fere duplamente: pela perda de uma vida valiosa e pelo retrato da insegurança que assombra o país.

Mas mais que indignação, o que nos resta é saudade e respeito. Saudade de um conterrâneo que nos representava com altivez. Respeito por sua história, seu legado e sua firmeza moral.

Em cada miguelense que lê essa notícia, acende-se uma centelha de memória, de reconhecimento e de dor. Que a justiça venha, mas que a lembrança permaneça. José Paulo Couto vive em nós — como vivem todos os filhos da terra que partem, mas jamais nos deixam de verdade.

ARTIGO – Ivan Cordeiro e os Vinte Anos do SUAS: Compromisso que Precisa Sair do Papel

 

(Padre Carlos)

A 14ª Conferência Municipal de Assistência Social foi aberta com o peso simbólico de duas décadas do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), uma política que, ao longo dos anos, vem tentando reescrever a história dos excluídos no Brasil. Mas não basta celebrar: é preciso transformar. E nessa tarefa, a presença e o compromisso do presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro, merecem atenção e responsabilidade redobrada.

Ivan Cordeiro não foi apenas mais uma autoridade entre as cadeiras do auditório Lúcia Maria Dórea. Ele foi, naquele momento, a voz do Legislativo local afirmando, com todas as letras, que “o SUAS é um instrumento poderoso de proteção e emancipação social” e que é dever do poder público “garantir segurança de renda, acolhimento, convivência e cidadania para todos”. Palavras importantes, que criam expectativa e geram cobrança. Porque compromisso, na política, não se mede pelo discurso, mas pela prática concreta.

O Legislativo, presidido por Ivan, tem um papel vital: fiscalizar o Executivo, propor políticas, abrir canais de diálogo e garantir que o orçamento não esqueça os pobres. E se o presidente da Câmara afirma estar ao lado do SUAS, é preciso que sua gestão faça eco disso nas comissões, nos debates em plenário e, sobretudo, na destinação de emendas e recursos para fortalecer os CRAS, CREAS e os equipamentos sociais que ainda sofrem com carências estruturais.

Lêda Freitas, presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, apontou com lucidez que a assistência social ainda é “uma política tímida, pouco conhecida”. E talvez esteja aí o maior desafio de Ivan Cordeiro e dos vereadores: fazer com que o SUAS entre de vez na centralidade do debate político e orçamentário da cidade. É preciso tornar visível o invisível, romper com o velho assistencialismo e construir, com coragem, uma rede de proteção que promova autonomia, e não dependência.

A conferência reuniu técnicos, usuários, lideranças comunitárias e especialistas como José Crus, que destacou a grandiosidade do SUAS como um dos maiores sistemas de proteção social do mundo. Mas também alertou: é hora de avaliar, corrigir rumos e adaptar políticas às realidades do povo. E quem conhece Vitória da Conquista sabe: entre a cidade e a zona rural há abismos que o SUAS precisa, com urgência, atravessar.

Ivan Cordeiro se comprometeu publicamente. E isso tem um peso. Que esse compromisso se traduza em ações concretas, como a valorização dos trabalhadores da assistência, o fortalecimento das parcerias com organizações sociais e o combate à burocracia que muitas vezes sufoca os usuários. Que o Legislativo, sob sua presidência, seja de fato um aliado da transformação social.

Os vinte anos do SUAS não são apenas uma efeméride. São um chamado. Um chamado a Ivan, ao Executivo, aos conselhos, à sociedade. Um chamado à coragem. Porque proteger o povo é mais do que administrar recursos: é reconhecer direitos. E se há um tempo para agir, é agora. O futuro não espera. E a dignidade é urgente.

ARTIGO – Ivan Cordeiro e os Vinte Anos do SUAS: Compromisso que Precisa Sair do Papel

 

(Padre Carlos)

A 14ª Conferência Municipal de Assistência Social foi aberta com o peso simbólico de duas décadas do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), uma política que, ao longo dos anos, vem tentando reescrever a história dos excluídos no Brasil. Mas não basta celebrar: é preciso transformar. E nessa tarefa, a presença e o compromisso do presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro, merecem atenção e responsabilidade redobrada.

Ivan Cordeiro não foi apenas mais uma autoridade entre as cadeiras do auditório Lúcia Maria Dórea. Ele foi, naquele momento, a voz do Legislativo local afirmando, com todas as letras, que “o SUAS é um instrumento poderoso de proteção e emancipação social” e que é dever do poder público “garantir segurança de renda, acolhimento, convivência e cidadania para todos”. Palavras importantes, que criam expectativa e geram cobrança. Porque compromisso, na política, não se mede pelo discurso, mas pela prática concreta.

O Legislativo, presidido por Ivan, tem um papel vital: fiscalizar o Executivo, propor políticas, abrir canais de diálogo e garantir que o orçamento não esqueça os pobres. E se o presidente da Câmara afirma estar ao lado do SUAS, é preciso que sua gestão faça eco disso nas comissões, nos debates em plenário e, sobretudo, na destinação de emendas e recursos para fortalecer os CRAS, CREAS e os equipamentos sociais que ainda sofrem com carências estruturais.

Lêda Freitas, presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, apontou com lucidez que a assistência social ainda é “uma política tímida, pouco conhecida”. E talvez esteja aí o maior desafio de Ivan Cordeiro e dos vereadores: fazer com que o SUAS entre de vez na centralidade do debate político e orçamentário da cidade. É preciso tornar visível o invisível, romper com o velho assistencialismo e construir, com coragem, uma rede de proteção que promova autonomia, e não dependência.

A conferência reuniu técnicos, usuários, lideranças comunitárias e especialistas como José Crus, que destacou a grandiosidade do SUAS como um dos maiores sistemas de proteção social do mundo. Mas também alertou: é hora de avaliar, corrigir rumos e adaptar políticas às realidades do povo. E quem conhece Vitória da Conquista sabe: entre a cidade e a zona rural há abismos que o SUAS precisa, com urgência, atravessar.

Ivan Cordeiro se comprometeu publicamente. E isso tem um peso. Que esse compromisso se traduza em ações concretas, como a valorização dos trabalhadores da assistência, o fortalecimento das parcerias com organizações sociais e o combate à burocracia que muitas vezes sufoca os usuários. Que o Legislativo, sob sua presidência, seja de fato um aliado da transformação social.

Os vinte anos do SUAS não são apenas uma efeméride. São um chamado. Um chamado a Ivan, ao Executivo, aos conselhos, à sociedade. Um chamado à coragem. Porque proteger o povo é mais do que administrar recursos: é reconhecer direitos. E se há um tempo para agir, é agora. O futuro não espera. E a dignidade é urgente.

Entre a História e o Coração: Sarney, o Filho, o Homem, o Político

 

 

 

José Sarney, aos 95 anos, volta à cena pública não como o ex-presidente, o senador influente ou o escritor premiado, mas como filho. Em “História de Amor e Saudade”, ele abre mão da couraça política para escrever com a vulnerabilidade de quem revisita as raízes mais profundas da alma: o amor à mãe. O resultado é um artigo comovente, cuja força reside justamente na ausência de artifícios retóricos — é uma confissão simples, carregada de fé, saudade e reverência.

Durante décadas, Sarney foi uma figura central da política brasileira, transitando entre regimes, partidos e ideologias. Mas neste texto, ele não discute a História; ele a vive intimamente. Ao narrar lembranças da mãe — seus gestos discretos, sua espiritualidade sincera, seu silêncio eloquente — Sarney humaniza-se. E nos lembra que, por trás do homem público, sempre houve um filho, que mesmo aos 95 anos ainda chora pela ausência da mulher que o ensinou a viver.

Sarney não apenas sobreviveu a sete décadas de vida pública — ele as testemunhou com a inteligência rara de quem escreve, observa e reflete. Ao falar de sua mãe, ele também fala de si, como se finalmente pudesse romper com o personagem construído ao longo de uma vida institucional. Ali está o homem que viu o Brasil se transformar, que enfrentou tempestades políticas, e agora, ao escrever sobre a própria dor, revela sua essência: a de alguém que sente, acredita, e que guarda a memória como forma de resistência.

É tocante perceber como o texto de Sarney transcende a saudade pessoal. Ele fala da mãe como quem descreve uma oração vivida — não recitada. E ao fazer isso, ele dialoga com o Brasil mais profundo, aquele das famílias que constroem sua fé dentro de casa, entre panelas e terços. A crônica é uma aula silenciosa de valores, transmitidos não em discursos, mas em exemplos que formam o caráter de um filho que se tornou estadista.

Sarney não precisa citar feitos grandiosos. Basta dizer que sua mãe rezava à noite, que seus conselhos vinham em forma de silêncio, e que seu amor era discreto como a fé. Nesse retrato, o Brasil se vê: um país de pessoas resilientes, que sustentam gerações com gestos miúdos e corações imensos.

Esse artigo nos convida a olhar para os homens públicos com outra lente — a que reconhece que, por trás de toda biografia política, há uma história de amor e saudade. E talvez seja essa a mais verdadeira de todas.

 

Entre a História e o Coração: Sarney, o Filho, o Homem, o Político

 

 

 

José Sarney, aos 95 anos, volta à cena pública não como o ex-presidente, o senador influente ou o escritor premiado, mas como filho. Em “História de Amor e Saudade”, ele abre mão da couraça política para escrever com a vulnerabilidade de quem revisita as raízes mais profundas da alma: o amor à mãe. O resultado é um artigo comovente, cuja força reside justamente na ausência de artifícios retóricos — é uma confissão simples, carregada de fé, saudade e reverência.

Durante décadas, Sarney foi uma figura central da política brasileira, transitando entre regimes, partidos e ideologias. Mas neste texto, ele não discute a História; ele a vive intimamente. Ao narrar lembranças da mãe — seus gestos discretos, sua espiritualidade sincera, seu silêncio eloquente — Sarney humaniza-se. E nos lembra que, por trás do homem público, sempre houve um filho, que mesmo aos 95 anos ainda chora pela ausência da mulher que o ensinou a viver.

Sarney não apenas sobreviveu a sete décadas de vida pública — ele as testemunhou com a inteligência rara de quem escreve, observa e reflete. Ao falar de sua mãe, ele também fala de si, como se finalmente pudesse romper com o personagem construído ao longo de uma vida institucional. Ali está o homem que viu o Brasil se transformar, que enfrentou tempestades políticas, e agora, ao escrever sobre a própria dor, revela sua essência: a de alguém que sente, acredita, e que guarda a memória como forma de resistência.

É tocante perceber como o texto de Sarney transcende a saudade pessoal. Ele fala da mãe como quem descreve uma oração vivida — não recitada. E ao fazer isso, ele dialoga com o Brasil mais profundo, aquele das famílias que constroem sua fé dentro de casa, entre panelas e terços. A crônica é uma aula silenciosa de valores, transmitidos não em discursos, mas em exemplos que formam o caráter de um filho que se tornou estadista.

Sarney não precisa citar feitos grandiosos. Basta dizer que sua mãe rezava à noite, que seus conselhos vinham em forma de silêncio, e que seu amor era discreto como a fé. Nesse retrato, o Brasil se vê: um país de pessoas resilientes, que sustentam gerações com gestos miúdos e corações imensos.

Esse artigo nos convida a olhar para os homens públicos com outra lente — a que reconhece que, por trás de toda biografia política, há uma história de amor e saudade. E talvez seja essa a mais verdadeira de todas.

 

ARTIGO – A Corda do Crime: Vitória da Conquista Refém da Bandidagem Noturna

 

(Padre Carlos)

Enquanto Vitória da Conquista dormia, o crime acordava cedo. Às 3h20 da madrugada, uma cena macabra se desenrolava nas sombras da Rua 22, no bairro Conveima: um homem, corda em punho, tentava empurrar o caos para dentro do Presídio Nilton Gonçalves. Uma corda. Um saco. Um presídio. A equação do terror estava armada.

A ação criminosa, flagrada por equipes do PETO da 78ª CIPM, sob o comando do tenente-coronel Pontes, revelou mais que um ato isolado: escancarou as vísceras de um sistema carcomido, frouxo, cúmplice pela omissão. O criminoso foi surpreendido no momento exato em que alimentava o ventre faminto do crime institucionalizado. Mas e os que passaram despercebidos? Quantas cordas, quantos sacos, quantas mãos invisíveis estão operando nas madrugadas conquistenses?

Dentro do saco da vergonha: drogas, celulares, carregadores, massa de epóxi, comida. Uma lista digna de supermercado do submundo. O material seria entregue aos internos, que seguem comandando operações como se estivessem em suas casas — ou melhor, em seus escritórios do crime. E tudo isso por apenas R$ 300. O preço da moral virou trocado. A consciência social, um artigo em extinção.

Vitória da Conquista, outrora referência de progresso no sudoeste baiano, virou quintal de facções? O Nilton Gonçalves é ainda um presídio ou já se converteu em base de operações de uma criminalidade que ri das instituições e tripudia da sociedade?

O comparsa fugiu de moto. Escapou da polícia, mas não escapa da nossa memória. Ele é o símbolo do sistema que vaza pelos poros da impunidade. Que Estado é esse que permite que, com corda e epóxi, se burle um sistema prisional? Quem responde por essa brecha? Onde estão as câmeras? Os agentes? O controle?

A população, acuada, se tranca em casa enquanto o crime passeia pela madrugada. A rua virou território de guerra. O presídio, um centro de logística. E a polícia? Corajosa, sim, mas sozinha. Sozinha contra um aparato criminoso que parece rir do lado de lá das grades.

Essa corda lançada ao presídio é símbolo de algo muito maior: é o fio invisível que liga o abandono da segurança pública à audácia das facções. É o elo entre a fragilidade das instituições e a força crescente do crime. Até quando viveremos assim, reféns da escuridão? Até quando vamos naturalizar o absurdo?

Este caso não é banal. É sinal. Alerta. É o grito sufocado de uma cidade cansada de promessas e rendida aos bandidos. Ou enfrentamos agora esse sistema podre — com inteligência, coragem e investimento — ou entregaremos o futuro aos que já dominam o presente.

E você, cidadão de Vitória da Conquista, vai continuar dormindo tranquilo enquanto cordas do crime atravessam os muros da lei?

ARTIGO – A Corda do Crime: Vitória da Conquista Refém da Bandidagem Noturna

 

(Padre Carlos)

Enquanto Vitória da Conquista dormia, o crime acordava cedo. Às 3h20 da madrugada, uma cena macabra se desenrolava nas sombras da Rua 22, no bairro Conveima: um homem, corda em punho, tentava empurrar o caos para dentro do Presídio Nilton Gonçalves. Uma corda. Um saco. Um presídio. A equação do terror estava armada.

A ação criminosa, flagrada por equipes do PETO da 78ª CIPM, sob o comando do tenente-coronel Pontes, revelou mais que um ato isolado: escancarou as vísceras de um sistema carcomido, frouxo, cúmplice pela omissão. O criminoso foi surpreendido no momento exato em que alimentava o ventre faminto do crime institucionalizado. Mas e os que passaram despercebidos? Quantas cordas, quantos sacos, quantas mãos invisíveis estão operando nas madrugadas conquistenses?

Dentro do saco da vergonha: drogas, celulares, carregadores, massa de epóxi, comida. Uma lista digna de supermercado do submundo. O material seria entregue aos internos, que seguem comandando operações como se estivessem em suas casas — ou melhor, em seus escritórios do crime. E tudo isso por apenas R$ 300. O preço da moral virou trocado. A consciência social, um artigo em extinção.

Vitória da Conquista, outrora referência de progresso no sudoeste baiano, virou quintal de facções? O Nilton Gonçalves é ainda um presídio ou já se converteu em base de operações de uma criminalidade que ri das instituições e tripudia da sociedade?

O comparsa fugiu de moto. Escapou da polícia, mas não escapa da nossa memória. Ele é o símbolo do sistema que vaza pelos poros da impunidade. Que Estado é esse que permite que, com corda e epóxi, se burle um sistema prisional? Quem responde por essa brecha? Onde estão as câmeras? Os agentes? O controle?

A população, acuada, se tranca em casa enquanto o crime passeia pela madrugada. A rua virou território de guerra. O presídio, um centro de logística. E a polícia? Corajosa, sim, mas sozinha. Sozinha contra um aparato criminoso que parece rir do lado de lá das grades.

Essa corda lançada ao presídio é símbolo de algo muito maior: é o fio invisível que liga o abandono da segurança pública à audácia das facções. É o elo entre a fragilidade das instituições e a força crescente do crime. Até quando viveremos assim, reféns da escuridão? Até quando vamos naturalizar o absurdo?

Este caso não é banal. É sinal. Alerta. É o grito sufocado de uma cidade cansada de promessas e rendida aos bandidos. Ou enfrentamos agora esse sistema podre — com inteligência, coragem e investimento — ou entregaremos o futuro aos que já dominam o presente.

E você, cidadão de Vitória da Conquista, vai continuar dormindo tranquilo enquanto cordas do crime atravessam os muros da lei?

ARTIGO – Justiça para poucos, silêncio para muitos

 

(Padre Carlos)

Enquanto milhares de servidores públicos da Bahia enfrentam um PLASERV falido,  filas no SUS, ônibus lotados, salários achatados, carga horária exaustiva e uma crônica desvalorização, o Tribunal de Justiça do Estado segue habitando outro planeta – talvez uma Bahia paralela, uma monarquia dentro da república.

Na calada de um sistema que se pretende democrático, o TJ-BA aprovou por unanimidade – e sem qualquer constrangimento – um reajuste de R$ 700 reais para vantagens pessoais de seus servidores. Sim, um aumento nominal gordo, generoso, elegante, com efeitos retroativos desde maio. O projeto agora caminha para a Assembleia Legislativa da Bahia, onde o jogo é sempre conhecido: aprova-se o que interessa à casta, silencia-se sobre o que aflige o restante do funcionalismo.

O problema aqui não é o reajuste em si. Ninguém pode ser contra a valorização dos trabalhadores. A questão é a seletividade da justiça. Porque justiça de verdade começa dentro de casa – e neste caso, dentro do Estado. Pergunte a um policial civil, a um técnico de enfermagem, a um professor da rede estadual ou a um servidor da UNEB quando foi seu último reajuste digno. Quando recebeu algum retroativo. Quando teve sua luta sequer reconhecida.

O funcionalismo público da Bahia, fora o “clero togado”, vive em permanente jejum de valorização. São os invisíveis de um sistema que os consome, mas não os enxerga. O discurso do equilíbrio fiscal só vale para eles. Já para os tribunais, as contas sempre fecham. Milagrosamente.

A verdade é que há duas categorias de servidores no serviço público: os da casta e os da labuta. Uns, com sindicatos poderosos, acesso direto ao parlamento e salários que escorrem pelos corredores de mármore. Outros, abandonados, esperando anos por um reenquadramento ou uma reposição inflacionária.

E não se trata de inveja ou ressentimento. Trata-se de isonomia, princípio basilar da Constituição. Ou será que a Carta Magna também virou letra morta no Diário Oficial?

O governo Jerônimo Rodrigues, se quiser ser diferente dos seus antecessores, precisa parar de agir como mordomo das elites do funcionalismo. Precisa ter coragem de dizer não a privilégios e sim à justiça distributiva. Porque, afinal, governar não é agradar aos mais fortes, é proteger os mais frágeis.

Não há como falar de justiça social quando a própria Justiça se fecha em castelos de privilégios. E o povo, como sempre, assiste da plateia – sem reajuste, sem retroativo, sem respeito.

ARTIGO – Justiça para poucos, silêncio para muitos

 

(Padre Carlos)

Enquanto milhares de servidores públicos da Bahia enfrentam um PLASERV falido,  filas no SUS, ônibus lotados, salários achatados, carga horária exaustiva e uma crônica desvalorização, o Tribunal de Justiça do Estado segue habitando outro planeta – talvez uma Bahia paralela, uma monarquia dentro da república.

Na calada de um sistema que se pretende democrático, o TJ-BA aprovou por unanimidade – e sem qualquer constrangimento – um reajuste de R$ 700 reais para vantagens pessoais de seus servidores. Sim, um aumento nominal gordo, generoso, elegante, com efeitos retroativos desde maio. O projeto agora caminha para a Assembleia Legislativa da Bahia, onde o jogo é sempre conhecido: aprova-se o que interessa à casta, silencia-se sobre o que aflige o restante do funcionalismo.

O problema aqui não é o reajuste em si. Ninguém pode ser contra a valorização dos trabalhadores. A questão é a seletividade da justiça. Porque justiça de verdade começa dentro de casa – e neste caso, dentro do Estado. Pergunte a um policial civil, a um técnico de enfermagem, a um professor da rede estadual ou a um servidor da UNEB quando foi seu último reajuste digno. Quando recebeu algum retroativo. Quando teve sua luta sequer reconhecida.

O funcionalismo público da Bahia, fora o “clero togado”, vive em permanente jejum de valorização. São os invisíveis de um sistema que os consome, mas não os enxerga. O discurso do equilíbrio fiscal só vale para eles. Já para os tribunais, as contas sempre fecham. Milagrosamente.

A verdade é que há duas categorias de servidores no serviço público: os da casta e os da labuta. Uns, com sindicatos poderosos, acesso direto ao parlamento e salários que escorrem pelos corredores de mármore. Outros, abandonados, esperando anos por um reenquadramento ou uma reposição inflacionária.

E não se trata de inveja ou ressentimento. Trata-se de isonomia, princípio basilar da Constituição. Ou será que a Carta Magna também virou letra morta no Diário Oficial?

O governo Jerônimo Rodrigues, se quiser ser diferente dos seus antecessores, precisa parar de agir como mordomo das elites do funcionalismo. Precisa ter coragem de dizer não a privilégios e sim à justiça distributiva. Porque, afinal, governar não é agradar aos mais fortes, é proteger os mais frágeis.

Não há como falar de justiça social quando a própria Justiça se fecha em castelos de privilégios. E o povo, como sempre, assiste da plateia – sem reajuste, sem retroativo, sem respeito.

ARTIGO – A Reforma do Imposto de Renda: um passo tímido rumo à justiça tributária (Padre Carlos)

Há quem diga que o Brasil começa a se mover em direção a um sistema tributário mais justo. Outros preferem chamar o movimento de um “ajuste estético” no velho pacto fiscal que protege os que mais têm e castiga os que mal sobrevivem. O parecer apresentado pelo deputado Arthur Lira sobre o projeto de reforma do Imposto de Renda pode ser visto pelos dois ângulos — mas, sejamos francos, parece muito mais um arranjo técnico-político para apaziguar os ânimos do andar de cima do que uma reforma tributária com alma de justiça social.

A proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais é, sem dúvida, uma medida positiva. Em um país onde a maioria da população vive com salários que mal cobrem o básico, aliviar essa faixa é um gesto que soa como alívio — ainda que tardio. Também há méritos na correção da faixa de R$ 7 mil para R$ 7.350, que suaviza o impacto para a classe média. Porém, o grande dilema não está nos que ganham pouco, mas sim nos que ganham muito — e ainda pagam pouco.

Lira decidiu manter a alíquota máxima em 10% para aqueles que ganham mais de R$ 1,2 milhão por ano. Isso mesmo. Milionários continuarão contribuindo com uma porcentagem módica, inferior ao que muitos trabalhadores da classe média pagam proporcionalmente. Nos últimos dias, chegou-se a cogitar uma redução dessa alíquota para 8%. Sim, o Brasil quase premiou ainda mais seus ricos com um desconto tributário — como se já não fossem suficientemente blindados.

O relator também fez questão de retirar os títulos incentivados da base de cálculo do imposto mínimo. Ou seja, os ricos continuarão ganhando com seus papéis financeiros sem contribuir com o erário na proporção que deveriam. O discurso de justiça tributária se esvazia quando os rendimentos milionários continuam livres de uma tributação mais robusta.

E o que dizer da tributação sobre dividendos? É verdade que a proposta de taxar em 10% os dividendos recebidos por pessoas físicas é uma novidade importante, já que esses rendimentos estão isentos desde a década de 1990. Mas convenhamos: 10% ainda é pouco. Países desenvolvidos tributam dividendos em faixas progressivas que podem ultrapassar os 30%. O Brasil começa a corrigir uma distorção histórica, mas o faz com passos de formiga.

A retirada do dispositivo que limitava a carga tributária combinada entre pessoas físicas e jurídicas também mostra que a prioridade do relatório é reforçar a arrecadação federal — e não exatamente redistribuir melhor os tributos. Essa decisão parece atender mais aos cofres públicos do que ao princípio da equidade fiscal.

Arthur Lira, sempre hábil nas negociações, conseguiu apresentar um texto que tenta agradar a todos — ou, pelo menos, não desagradar ninguém demais. O problema é que a neutralidade tributária de que tanto fala o relator acaba se tornando um escudo para manter as desigualdades onde estão. A reforma pode até abrir um debate necessário sobre a renda no Brasil, mas dificilmente será lembrada como uma guinada estrutural.

Enquanto isso, os que vivem do suor do trabalho continuarão pagando mais do que os que vivem da renda do capital. No Brasil, essa é uma constante que nem as reformas conseguem reformar.

ARTIGO – A Reforma do Imposto de Renda: um passo tímido rumo à justiça tributária (Padre Carlos)

Há quem diga que o Brasil começa a se mover em direção a um sistema tributário mais justo. Outros preferem chamar o movimento de um “ajuste estético” no velho pacto fiscal que protege os que mais têm e castiga os que mal sobrevivem. O parecer apresentado pelo deputado Arthur Lira sobre o projeto de reforma do Imposto de Renda pode ser visto pelos dois ângulos — mas, sejamos francos, parece muito mais um arranjo técnico-político para apaziguar os ânimos do andar de cima do que uma reforma tributária com alma de justiça social.

A proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais é, sem dúvida, uma medida positiva. Em um país onde a maioria da população vive com salários que mal cobrem o básico, aliviar essa faixa é um gesto que soa como alívio — ainda que tardio. Também há méritos na correção da faixa de R$ 7 mil para R$ 7.350, que suaviza o impacto para a classe média. Porém, o grande dilema não está nos que ganham pouco, mas sim nos que ganham muito — e ainda pagam pouco.

Lira decidiu manter a alíquota máxima em 10% para aqueles que ganham mais de R$ 1,2 milhão por ano. Isso mesmo. Milionários continuarão contribuindo com uma porcentagem módica, inferior ao que muitos trabalhadores da classe média pagam proporcionalmente. Nos últimos dias, chegou-se a cogitar uma redução dessa alíquota para 8%. Sim, o Brasil quase premiou ainda mais seus ricos com um desconto tributário — como se já não fossem suficientemente blindados.

O relator também fez questão de retirar os títulos incentivados da base de cálculo do imposto mínimo. Ou seja, os ricos continuarão ganhando com seus papéis financeiros sem contribuir com o erário na proporção que deveriam. O discurso de justiça tributária se esvazia quando os rendimentos milionários continuam livres de uma tributação mais robusta.

E o que dizer da tributação sobre dividendos? É verdade que a proposta de taxar em 10% os dividendos recebidos por pessoas físicas é uma novidade importante, já que esses rendimentos estão isentos desde a década de 1990. Mas convenhamos: 10% ainda é pouco. Países desenvolvidos tributam dividendos em faixas progressivas que podem ultrapassar os 30%. O Brasil começa a corrigir uma distorção histórica, mas o faz com passos de formiga.

A retirada do dispositivo que limitava a carga tributária combinada entre pessoas físicas e jurídicas também mostra que a prioridade do relatório é reforçar a arrecadação federal — e não exatamente redistribuir melhor os tributos. Essa decisão parece atender mais aos cofres públicos do que ao princípio da equidade fiscal.

Arthur Lira, sempre hábil nas negociações, conseguiu apresentar um texto que tenta agradar a todos — ou, pelo menos, não desagradar ninguém demais. O problema é que a neutralidade tributária de que tanto fala o relator acaba se tornando um escudo para manter as desigualdades onde estão. A reforma pode até abrir um debate necessário sobre a renda no Brasil, mas dificilmente será lembrada como uma guinada estrutural.

Enquanto isso, os que vivem do suor do trabalho continuarão pagando mais do que os que vivem da renda do capital. No Brasil, essa é uma constante que nem as reformas conseguem reformar.

ARTIGO – O plano de fuga de Bolsonaro e o dedo de Trump

 

(Padre Carlos)

Nos bastidores do poder em Brasília, onde as verdades se escondem por trás de discursos e os acordos se firmam no silêncio das sombras, cresce uma certeza incômoda: Bolsonaro está preparando sua fuga. Não é mais especulação, nem teoria conspiratória. É percepção clara entre ministros do STF e analistas políticos atentos aos movimentos recentes do ex-presidente e de seus aliados.

Tudo indica que estamos diante de um plano em curso, cuidadosamente desenhado. Bolsonaro, segundo relatos de bastidores, vive hoje um verdadeiro pânico com a possibilidade de prisão. E não é sem motivo. Seus advogados já admitem que o risco é real e pode se concretizar até outubro. O cerco da justiça brasileira se fechou. E, quando a corda aperta, o medo vira combustível para decisões desesperadas.

Nesse enredo, Donald Trump não é um espectador. É peça central. Suas falas inflamadas, aparentemente feitas para animar plateias de eleitores nos Estados Unidos, cumprem um papel estratégico: construir uma narrativa de perseguição política contra Bolsonaro. Quando Trump diz que o julgamento do aliado brasileiro é uma “vergonha” ou uma “caça às bruxas”, ele não está apenas fazendo média. Está preparando o terreno para um pedido formal de asilo político. Sim, Bolsonaro quer fugir, e Trump quer acolher.

Quem conhece a trajetória recente do ex-presidente percebe os sinais. A ida apressada aos Estados Unidos antes da posse de Lula, o pernoite misterioso na embaixada da Hungria, a constante presença do filho Eduardo Bolsonaro em solo americano, dizendo-se “exilado” — tudo isso mostra que a rota de fuga está desenhada. O Brasil, nesse momento, assiste à montagem de um teatro grotesco.

Mas Trump foi além. Sua decisão de sobretaxar os produtos brasileiros em 50% é uma jogada suja. É transformar a política comercial em arma para proteger um aliado. É chantagem pura. O recado é claro: ou o Brasil cede e interrompe o processo contra Bolsonaro, ou pagará o preço na economia. A pressão é indecente e perigosa. É uma tentativa explícita de interferir no funcionamento do sistema de justiça brasileiro.

O problema é que essa tática pode sair pela culatra. Ao atacar o Brasil com tarifas, Trump oferece ao presidente Lula uma bandeira que todo líder gosta de empunhar em momentos de crise: a da soberania nacional. De repente, Trump se torna o “inimigo externo” ideal. E sabemos bem o peso histórico desse tipo de figura no imaginário brasileiro. Basta lembrar do papel dos Estados Unidos no golpe militar de 1964. A memória não esquece.

O que está em jogo aqui vai muito além do destino de Bolsonaro. É a dignidade de um país. É a independência de suas instituições. A Justiça brasileira não pode se curvar diante de pressões vindas de fora, nem de ameaças disfarçadas de acordos comerciais. O Brasil não pode aceitar que sua democracia vire refém das vontades de um ex-presidente norte-americano e de um político brasileiro acuado.

Bolsonaro pode até sonhar com um exílio confortável, à beira da piscina na Flórida, protegido por discursos inflamados e bajulações. Mas o Brasil precisa fazer valer sua soberania. A Justiça precisa seguir seu curso, sem medo, sem concessões, sem recuos. Não há democracia forte sem instituições fortes. E não há nação respeitada se ela negocia seus princípios por isenções fiscais ou alianças ideológicas.

É hora de escolher: ou defendemos a soberania do Brasil, ou nos ajoelhamos diante de interesses estrangeiros. A história vai cobrar essa resposta.

ARTIGO – O plano de fuga de Bolsonaro e o dedo de Trump

 

(Padre Carlos)

Nos bastidores do poder em Brasília, onde as verdades se escondem por trás de discursos e os acordos se firmam no silêncio das sombras, cresce uma certeza incômoda: Bolsonaro está preparando sua fuga. Não é mais especulação, nem teoria conspiratória. É percepção clara entre ministros do STF e analistas políticos atentos aos movimentos recentes do ex-presidente e de seus aliados.

Tudo indica que estamos diante de um plano em curso, cuidadosamente desenhado. Bolsonaro, segundo relatos de bastidores, vive hoje um verdadeiro pânico com a possibilidade de prisão. E não é sem motivo. Seus advogados já admitem que o risco é real e pode se concretizar até outubro. O cerco da justiça brasileira se fechou. E, quando a corda aperta, o medo vira combustível para decisões desesperadas.

Nesse enredo, Donald Trump não é um espectador. É peça central. Suas falas inflamadas, aparentemente feitas para animar plateias de eleitores nos Estados Unidos, cumprem um papel estratégico: construir uma narrativa de perseguição política contra Bolsonaro. Quando Trump diz que o julgamento do aliado brasileiro é uma “vergonha” ou uma “caça às bruxas”, ele não está apenas fazendo média. Está preparando o terreno para um pedido formal de asilo político. Sim, Bolsonaro quer fugir, e Trump quer acolher.

Quem conhece a trajetória recente do ex-presidente percebe os sinais. A ida apressada aos Estados Unidos antes da posse de Lula, o pernoite misterioso na embaixada da Hungria, a constante presença do filho Eduardo Bolsonaro em solo americano, dizendo-se “exilado” — tudo isso mostra que a rota de fuga está desenhada. O Brasil, nesse momento, assiste à montagem de um teatro grotesco.

Mas Trump foi além. Sua decisão de sobretaxar os produtos brasileiros em 50% é uma jogada suja. É transformar a política comercial em arma para proteger um aliado. É chantagem pura. O recado é claro: ou o Brasil cede e interrompe o processo contra Bolsonaro, ou pagará o preço na economia. A pressão é indecente e perigosa. É uma tentativa explícita de interferir no funcionamento do sistema de justiça brasileiro.

O problema é que essa tática pode sair pela culatra. Ao atacar o Brasil com tarifas, Trump oferece ao presidente Lula uma bandeira que todo líder gosta de empunhar em momentos de crise: a da soberania nacional. De repente, Trump se torna o “inimigo externo” ideal. E sabemos bem o peso histórico desse tipo de figura no imaginário brasileiro. Basta lembrar do papel dos Estados Unidos no golpe militar de 1964. A memória não esquece.

O que está em jogo aqui vai muito além do destino de Bolsonaro. É a dignidade de um país. É a independência de suas instituições. A Justiça brasileira não pode se curvar diante de pressões vindas de fora, nem de ameaças disfarçadas de acordos comerciais. O Brasil não pode aceitar que sua democracia vire refém das vontades de um ex-presidente norte-americano e de um político brasileiro acuado.

Bolsonaro pode até sonhar com um exílio confortável, à beira da piscina na Flórida, protegido por discursos inflamados e bajulações. Mas o Brasil precisa fazer valer sua soberania. A Justiça precisa seguir seu curso, sem medo, sem concessões, sem recuos. Não há democracia forte sem instituições fortes. E não há nação respeitada se ela negocia seus princípios por isenções fiscais ou alianças ideológicas.

É hora de escolher: ou defendemos a soberania do Brasil, ou nos ajoelhamos diante de interesses estrangeiros. A história vai cobrar essa resposta.