Política e Resenha

ARTIGO – Federalizar é Romper a Lógica da Morte: por justiça diante das chacinas policiais

(Padre Carlos)

A cada novo massacre estampado nos jornais — quando estampa —, o Brasil revela a podridão de suas entranhas. No país da cordialidade seletiva, onde os direitos humanos são acusados e os direitos dos mortos ignorados, o sangue de jovens negros segue regando os becos das periferias. Chacinas como as do Cabula (Bahia), do Jacarezinho (Rio de Janeiro) e da Operação Escuro (São Paulo) não são incidentes isolados. São faces de uma engrenagem que opera cotidianamente, sob o manto da legalidade e com o silêncio cúmplice do Estado.

A violência policial no Brasil alcançou níveis de barbárie institucionalizada. A polícia letal, que deveria proteger, tornou-se a principal ameaça à vida nas comunidades pobres. A estatística choca: em 2023, a Bahia registrou quase 2000 mortes causadas pela polícia; número é maior que o do RJ e SP

. No Rio, o massacre do Jacarezinho, que vitimou 28 pessoas, foi tratado pelo governo como “operação bem-sucedida”. O que essas mortes têm em comum? A cor das vítimas, a localização dos crimes e a impunidade que os cerca.

Quando o Estado investiga a si mesmo, o resultado é previsível: absolvição. As chacinas policiais são arquivadas nos escaninhos do esquecimento institucional. A lógica da “investigação interna” — feita por corregedorias ligadas à própria estrutura policial — é uma paródia de justiça. O que se perpetua é a impunidade no Brasil, sobretudo quando os mortos são os de sempre: jovens negros das periferias.

Nesse cenário, a federalização das investigações emerge como uma medida necessária e urgente. Transferir a apuração de crimes cometidos por agentes de segurança para a esfera federal é romper com o ciclo de autoblindagem. É permitir que outras instituições, como o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, conduzam investigações isentas, com metodologia, perícia e — principalmente — compromisso com a verdade. Federalizar é garantir que os crimes não sejam julgados pelas mesmas mãos que os cometeram.

Não se trata de enfraquecer a polícia, mas de fortalecer o Estado Democrático de Direito. A federalização de investigações é instrumento previsto na Constituição, voltado para casos em que há violações sistemáticas de direitos humanos ou omissão das instâncias locais. E é exatamente isso que temos: uma política de segurança pública fundada na lógica da guerra, onde o inimigo interno tem cor, moradia e sobrenome invisível.

O racismo estrutural não é uma abstração acadêmica — ele é a chave que destranca o gatilho fácil. Ele autoriza a polícia a entrar atirando. Ele justifica os corpos no chão. Ele silencia os inquéritos. E é contra essa estrutura que a sociedade precisa se insurgir. Não com indignações episódicas, mas com mobilização política, pressão institucional e luta jurídica.

Não há país justo sem responsabilização. Não há democracia com cemitérios lotados de inocentes. Federalizar as investigações das chacinas policiais não é apenas um ato técnico, é um grito ético. É dizer ao poder que o tempo da impunidade acabou. É fazer da justiça uma ponte — e não uma lápide.

Porque, no Brasil, a bala tem destino certo. E a justiça precisa, urgentemente, mudar essa rota.

 

ARTIGO – Federalizar é Romper a Lógica da Morte: por justiça diante das chacinas policiais

(Padre Carlos)

A cada novo massacre estampado nos jornais — quando estampa —, o Brasil revela a podridão de suas entranhas. No país da cordialidade seletiva, onde os direitos humanos são acusados e os direitos dos mortos ignorados, o sangue de jovens negros segue regando os becos das periferias. Chacinas como as do Cabula (Bahia), do Jacarezinho (Rio de Janeiro) e da Operação Escuro (São Paulo) não são incidentes isolados. São faces de uma engrenagem que opera cotidianamente, sob o manto da legalidade e com o silêncio cúmplice do Estado.

A violência policial no Brasil alcançou níveis de barbárie institucionalizada. A polícia letal, que deveria proteger, tornou-se a principal ameaça à vida nas comunidades pobres. A estatística choca: em 2023, a Bahia registrou quase 2000 mortes causadas pela polícia; número é maior que o do RJ e SP

. No Rio, o massacre do Jacarezinho, que vitimou 28 pessoas, foi tratado pelo governo como “operação bem-sucedida”. O que essas mortes têm em comum? A cor das vítimas, a localização dos crimes e a impunidade que os cerca.

Quando o Estado investiga a si mesmo, o resultado é previsível: absolvição. As chacinas policiais são arquivadas nos escaninhos do esquecimento institucional. A lógica da “investigação interna” — feita por corregedorias ligadas à própria estrutura policial — é uma paródia de justiça. O que se perpetua é a impunidade no Brasil, sobretudo quando os mortos são os de sempre: jovens negros das periferias.

Nesse cenário, a federalização das investigações emerge como uma medida necessária e urgente. Transferir a apuração de crimes cometidos por agentes de segurança para a esfera federal é romper com o ciclo de autoblindagem. É permitir que outras instituições, como o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, conduzam investigações isentas, com metodologia, perícia e — principalmente — compromisso com a verdade. Federalizar é garantir que os crimes não sejam julgados pelas mesmas mãos que os cometeram.

Não se trata de enfraquecer a polícia, mas de fortalecer o Estado Democrático de Direito. A federalização de investigações é instrumento previsto na Constituição, voltado para casos em que há violações sistemáticas de direitos humanos ou omissão das instâncias locais. E é exatamente isso que temos: uma política de segurança pública fundada na lógica da guerra, onde o inimigo interno tem cor, moradia e sobrenome invisível.

O racismo estrutural não é uma abstração acadêmica — ele é a chave que destranca o gatilho fácil. Ele autoriza a polícia a entrar atirando. Ele justifica os corpos no chão. Ele silencia os inquéritos. E é contra essa estrutura que a sociedade precisa se insurgir. Não com indignações episódicas, mas com mobilização política, pressão institucional e luta jurídica.

Não há país justo sem responsabilização. Não há democracia com cemitérios lotados de inocentes. Federalizar as investigações das chacinas policiais não é apenas um ato técnico, é um grito ético. É dizer ao poder que o tempo da impunidade acabou. É fazer da justiça uma ponte — e não uma lápide.

Porque, no Brasil, a bala tem destino certo. E a justiça precisa, urgentemente, mudar essa rota.

 

LINHA R70 (Capinal x central) opera com horários estendidos neste sábado ,27

A fim de fomentar a cultura, o lazer e o turismo no município, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana informa que neste sábado, a linha R70 (Capinal x Centro) irá operar com horários estendidos conforme tabela abaixo, devido ao evento Arraiá do Rancho que será realizado no Rancho Pamonha do Marçal.

Outros horários e linhas podem ser acessados pelo site https://vodebuzu.pmvc.ba.gov.br/.

LINHA R70 (Capinal x central) opera com horários estendidos neste sábado ,27

A fim de fomentar a cultura, o lazer e o turismo no município, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana informa que neste sábado, a linha R70 (Capinal x Centro) irá operar com horários estendidos conforme tabela abaixo, devido ao evento Arraiá do Rancho que será realizado no Rancho Pamonha do Marçal.

Outros horários e linhas podem ser acessados pelo site https://vodebuzu.pmvc.ba.gov.br/.

ARTIGO – Comunicação: o elo perdido do governo Lula

 

 

(Padre Carlos)

Em pleno 2025, o governo federal ainda parece operar sua comunicação como se estivéssemos em 2003. Enquanto a extrema-direita se sofisticou e construiu uma presença digital onipresente — com cortes virais, lives diárias, linguagem emocional e mobilização constante —, o Planalto continua preso ao modelo analógico do palanque físico, da fala improvisada e dos eventos que mal repercutem fora do jornal oficial.

A consequência? Uma gestão com realizações que não reverberam. Um presidente ativo que não se faz presente nas redes. Uma militância progressista potente, mas desarticulada por falta de conteúdo coordenado e contínuo.

É preciso dizer com todas as letras: a comunicação é o calcanhar de Aquiles do governo. Não se trata de criar um novo “cercadinho”, nem uma versão petista do “gabinete do ódio”. Não se deseja propaganda ou seitas digitais. O que se exige é profissionalismo, estratégia, linguagem adequada ao tempo presente.

Lula poderia — e deveria — utilizar as ferramentas disponíveis com a mesma ousadia com que fez política nos anos 1980. Lives breves, recortes com posicionamentos firmes, desmentidos diários às fake news, explicações simples sobre temas complexos como o IOF ou o aumento do número de parlamentares. Isso custa pouco, tem impacto gigantesco e pode resgatar a narrativa pública do governo.

Hoje, o que se vê é um esforço institucional que se perde por falta de visibilidade. É trabalho sem retorno. É enxugar gelo.

A comunicação governamental precisa deixar o século XX. Precisa entrar na era dos algoritmos. E precisa fazer isso agora — antes que as redes sociais, dominadas por vozes conservadoras organizadas, consolidem uma realidade paralela onde a verdade se cala por falta de quem a diga com coragem, clareza e constância.

Se o governo quer governar de fato, precisa ocupar a arena digital com a mesma seriedade com que ocupa ministérios. Porque hoje, quem não comunica… não governa.

ARTIGO – Comunicação: o elo perdido do governo Lula

 

 

(Padre Carlos)

Em pleno 2025, o governo federal ainda parece operar sua comunicação como se estivéssemos em 2003. Enquanto a extrema-direita se sofisticou e construiu uma presença digital onipresente — com cortes virais, lives diárias, linguagem emocional e mobilização constante —, o Planalto continua preso ao modelo analógico do palanque físico, da fala improvisada e dos eventos que mal repercutem fora do jornal oficial.

A consequência? Uma gestão com realizações que não reverberam. Um presidente ativo que não se faz presente nas redes. Uma militância progressista potente, mas desarticulada por falta de conteúdo coordenado e contínuo.

É preciso dizer com todas as letras: a comunicação é o calcanhar de Aquiles do governo. Não se trata de criar um novo “cercadinho”, nem uma versão petista do “gabinete do ódio”. Não se deseja propaganda ou seitas digitais. O que se exige é profissionalismo, estratégia, linguagem adequada ao tempo presente.

Lula poderia — e deveria — utilizar as ferramentas disponíveis com a mesma ousadia com que fez política nos anos 1980. Lives breves, recortes com posicionamentos firmes, desmentidos diários às fake news, explicações simples sobre temas complexos como o IOF ou o aumento do número de parlamentares. Isso custa pouco, tem impacto gigantesco e pode resgatar a narrativa pública do governo.

Hoje, o que se vê é um esforço institucional que se perde por falta de visibilidade. É trabalho sem retorno. É enxugar gelo.

A comunicação governamental precisa deixar o século XX. Precisa entrar na era dos algoritmos. E precisa fazer isso agora — antes que as redes sociais, dominadas por vozes conservadoras organizadas, consolidem uma realidade paralela onde a verdade se cala por falta de quem a diga com coragem, clareza e constância.

Se o governo quer governar de fato, precisa ocupar a arena digital com a mesma seriedade com que ocupa ministérios. Porque hoje, quem não comunica… não governa.

ARTIGO – O Maior São João da Bahia e o Menor Investimento do Estado

 

(Padre Carlos)

Enquanto Paraíba e Pernambuco transformam o São João em vitrine internacional com investimentos robustos e uma política cultural consistente, a Bahia, infelizmente, segue na contramão dessa rota de valorização. É contraditório afirmar que Vitória da Conquista realiza “o maior São João da Bahia” quando o apoio do Governo do Estado não acompanha a grandiosidade do evento. Como se pode realizar uma festa desse porte com apenas R$ 500 mil? Não há milagre cultural que transforme centavos em espetáculo.

Os números falam por si. Em Vitória da Conquista, mais de 763 mil pessoas passaram pelos portais de abordagem com reconhecimento facial da SSP. Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus ultrapassaram os 600 mil visitantes. Esses dados não são apenas estatísticas — são provas irrefutáveis da potência cultural e turística dessas festas. Em qualquer lugar do Brasil, isso seria suficiente para garantir investimentos milionários.

Pernambuco e Paraíba entendem a equação: cultura gera turismo, que gera emprego, que gera desenvolvimento. A Bahia parece ainda não ter entendido isso. Não estamos pedindo luxo, mas proporcionalidade. Um investimento que respeite o tamanho do público, a projeção dos artistas e o esforço das prefeituras, especialmente de Vitória da Conquista, que segura praticamente sozinha a estrutura do maior São João do estado.

O governador precisa rever sua política cultural. Conquista exige atenção. E não se trata apenas de um apelo emocional: trata-se de justiça federativa. Trata-se de reconhecer o que os números não deixam esconder — que menos de um real por pessoa para um evento dessa magnitude beira o desrespeito. O Estado precisa entender que investir em São João é investir na Bahia que dá certo.

ARTIGO – O Maior São João da Bahia e o Menor Investimento do Estado

 

(Padre Carlos)

Enquanto Paraíba e Pernambuco transformam o São João em vitrine internacional com investimentos robustos e uma política cultural consistente, a Bahia, infelizmente, segue na contramão dessa rota de valorização. É contraditório afirmar que Vitória da Conquista realiza “o maior São João da Bahia” quando o apoio do Governo do Estado não acompanha a grandiosidade do evento. Como se pode realizar uma festa desse porte com apenas R$ 500 mil? Não há milagre cultural que transforme centavos em espetáculo.

Os números falam por si. Em Vitória da Conquista, mais de 763 mil pessoas passaram pelos portais de abordagem com reconhecimento facial da SSP. Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus ultrapassaram os 600 mil visitantes. Esses dados não são apenas estatísticas — são provas irrefutáveis da potência cultural e turística dessas festas. Em qualquer lugar do Brasil, isso seria suficiente para garantir investimentos milionários.

Pernambuco e Paraíba entendem a equação: cultura gera turismo, que gera emprego, que gera desenvolvimento. A Bahia parece ainda não ter entendido isso. Não estamos pedindo luxo, mas proporcionalidade. Um investimento que respeite o tamanho do público, a projeção dos artistas e o esforço das prefeituras, especialmente de Vitória da Conquista, que segura praticamente sozinha a estrutura do maior São João do estado.

O governador precisa rever sua política cultural. Conquista exige atenção. E não se trata apenas de um apelo emocional: trata-se de justiça federativa. Trata-se de reconhecer o que os números não deixam esconder — que menos de um real por pessoa para um evento dessa magnitude beira o desrespeito. O Estado precisa entender que investir em São João é investir na Bahia que dá certo.

Título: “Dinheiro em Gavetas, Manchetes Repetidas: Quando a Sutileza da Imprensa Desinforma”

 

 

 

Por Padre Carlos

 

É cada vez mais necessário termos olhos atentos e senso crítico diante da avalanche de informações que nos bombardeiam diariamente. Em tempos onde manchetes são desenhadas mais para cliques do que para esclarecimentos, o compromisso com a verdade muitas vezes cede lugar à ambiguidade premeditada. A recente cobertura de operações policiais no sudoeste baiano nos oferece um exemplo claro dessa distorção sutil, mas poderosa.

 

Sob o título genérico “Resumo do Dia | Operação da PF na região Sudoeste; Polícia no Esaú Matos; PC em ação em Conquista”, o leitor desavisado é conduzido a uma perigosa associação automática: dinheiro escondido, cenas de escândalo e o nome de Vitória da Conquista lado a lado. Seria mesmo este o cenário descoberto na cidade? O que parece ser uma manchete informativa revela-se, na prática, um texto que não menciona Conquista nos episódios mais graves — e tampouco os relaciona com a imagem impactante de maços de dinheiro em gavetas.

 

Aqui, a ambiguidade não é inocente. A sugestão de que os episódios se conectam — quando, na realidade, tratam-se de operações distintas em localidades diferentes — fere o princípio básico do jornalismo: informar com precisão. Quando uma manchete embaralha os fatos, distorce a percepção pública e compromete a reputação de cidades e instituições. É o tipo de erro (ou será estratégia?) que alimenta boatos, enfraquece o debate e dá munição à desinformação.

 

A imprensa tem um papel social imprescindível: fiscalizar o poder, dar voz aos silenciados, informar com responsabilidade. Mas isso exige rigor. Vitória da Conquista, cidade de importância estratégica e histórica para o interior da Bahia, não pode ser arrastada por enganos editoriais nem ser usada como pano de fundo para manchetes sensacionalistas. A verdade, mesmo quando dolorosa, deve ser clara. E a clareza começa pelo título.

 

É preciso cobrar mais da imprensa — especialmente em tempos onde a confiança nas instituições está em xeque. Um título não é apenas uma chamada; é o convite à narrativa. E quando esse convite é feito com meias-verdades ou sugestões dúbias, o leitor sai iludido e a sociedade, desinformada.

 

Que se investigue, que se combata a corrupção onde ela existir. Mas que se informe com responsabilidade, nomeando os lugares certos, separando fatos distintos e, acima de tudo, respeitando o direito do público de saber o que, de fato, está acontecendo — sem jogos de palavras ou induções disfarçadas.

 

Afinal, entre o jornalismo e o sensacionalismo, há uma linha tênue. E hoje, mais do que nunca, é preciso saber em que lado se pisa.

Título: “Dinheiro em Gavetas, Manchetes Repetidas: Quando a Sutileza da Imprensa Desinforma”

 

 

 

Por Padre Carlos

 

É cada vez mais necessário termos olhos atentos e senso crítico diante da avalanche de informações que nos bombardeiam diariamente. Em tempos onde manchetes são desenhadas mais para cliques do que para esclarecimentos, o compromisso com a verdade muitas vezes cede lugar à ambiguidade premeditada. A recente cobertura de operações policiais no sudoeste baiano nos oferece um exemplo claro dessa distorção sutil, mas poderosa.

 

Sob o título genérico “Resumo do Dia | Operação da PF na região Sudoeste; Polícia no Esaú Matos; PC em ação em Conquista”, o leitor desavisado é conduzido a uma perigosa associação automática: dinheiro escondido, cenas de escândalo e o nome de Vitória da Conquista lado a lado. Seria mesmo este o cenário descoberto na cidade? O que parece ser uma manchete informativa revela-se, na prática, um texto que não menciona Conquista nos episódios mais graves — e tampouco os relaciona com a imagem impactante de maços de dinheiro em gavetas.

 

Aqui, a ambiguidade não é inocente. A sugestão de que os episódios se conectam — quando, na realidade, tratam-se de operações distintas em localidades diferentes — fere o princípio básico do jornalismo: informar com precisão. Quando uma manchete embaralha os fatos, distorce a percepção pública e compromete a reputação de cidades e instituições. É o tipo de erro (ou será estratégia?) que alimenta boatos, enfraquece o debate e dá munição à desinformação.

 

A imprensa tem um papel social imprescindível: fiscalizar o poder, dar voz aos silenciados, informar com responsabilidade. Mas isso exige rigor. Vitória da Conquista, cidade de importância estratégica e histórica para o interior da Bahia, não pode ser arrastada por enganos editoriais nem ser usada como pano de fundo para manchetes sensacionalistas. A verdade, mesmo quando dolorosa, deve ser clara. E a clareza começa pelo título.

 

É preciso cobrar mais da imprensa — especialmente em tempos onde a confiança nas instituições está em xeque. Um título não é apenas uma chamada; é o convite à narrativa. E quando esse convite é feito com meias-verdades ou sugestões dúbias, o leitor sai iludido e a sociedade, desinformada.

 

Que se investigue, que se combata a corrupção onde ela existir. Mas que se informe com responsabilidade, nomeando os lugares certos, separando fatos distintos e, acima de tudo, respeitando o direito do público de saber o que, de fato, está acontecendo — sem jogos de palavras ou induções disfarçadas.

 

Afinal, entre o jornalismo e o sensacionalismo, há uma linha tênue. E hoje, mais do que nunca, é preciso saber em que lado se pisa.

Artigo de Opinião – A Comunicação que Humaniza: Luiz Fernando e o Legado que Fica

 

 

 

Não é fácil escrever estas linhas. Elas pesam. Não por falta de palavras — mas porque elas carregam algo mais denso que tinta: a emoção de uma despedida, o nó na garganta de um ciclo que se encerra, e a gratidão sincera por um amigo e profissional que deixa marcas profundas, onde passou.

Hoje, Vitória da Conquista se despede, institucionalmente, de Luiz Fernando. Mas o sentimento que nos atravessa é de uma saudade que começa antes mesmo da partida. Saudade do jornalista de raciocínio ágil, do estrategista de fala mansa, do articulador silencioso que, sem estardalhaço, redesenhou a comunicação pública da nossa cidade.

Luiz não fez da Secretaria de Comunicação um palco para vaidades. Fez dela uma ponte. Uma ponte entre a Prefeitura e o povo. Uma ponte entre as ações de governo e a linguagem da vida real. Uma ponte entre o poder e a escuta. E isso, num tempo em que tantos gritam e poucos escutam, é uma revolução.

Seu trabalho nunca foi sobre propaganda — foi sobre diálogo. Nunca foi sobre convencer — foi sobre comunicar. Ele compreendeu como poucos que a boa política se faz com palavras que criam confiança, e não com slogans que iludem. Sob sua liderança, a Secom virou referência, não apenas por sua competência técnica, mas por sua integridade ética.

Mais do que um secretário, Luiz foi um companheiro de bastidores. Um amigo leal nos momentos difíceis. Um defensor da boa palavra e da política feita com propósito. Ele humanizou a máquina pública. E quando se humaniza a máquina, ela começa a servir de verdade.

Seu legado está nos conteúdos bem feitos, sim. Mas está, sobretudo, nos afetos que ele cultivou, nos profissionais que ele formou, nas relações que ele tratou com respeito, e na confiança que sua presença gerava, mesmo entre os críticos mais severos. Poucos sabem sair com tanto respeito quanto ele soube permanecer.

Agora, Luiz retorna à ALBA, e sei que onde ele estiver, levará o mesmo compromisso com a verdade, a mesma paixão pela boa política e a mesma capacidade de construir pontes onde outros constroem muros. Sua saída deixa uma lacuna, mas seu exemplo deixa um norte.

A política precisa de mais pessoas assim — que saibam comunicar com o coração e com a razão. Que saibam liderar com humildade e se retirar com elegância.

Luiz, você sai da cadeira, mas não sai da história que ajudou a escrever. Nem dos corações dos que tiveram o privilégio de caminhar com você.

Vá em paz, siga firme, e saiba: por aqui fica não apenas a saudade, mas um amigo que torce pelo seu sucesso e aplaude, de pé, o que você foi e sempre será.

Com estima e gratidão,

Carlos Roberto (Padre Carlos)

Artigo de Opinião – A Comunicação que Humaniza: Luiz Fernando e o Legado que Fica

 

 

 

Não é fácil escrever estas linhas. Elas pesam. Não por falta de palavras — mas porque elas carregam algo mais denso que tinta: a emoção de uma despedida, o nó na garganta de um ciclo que se encerra, e a gratidão sincera por um amigo e profissional que deixa marcas profundas, onde passou.

Hoje, Vitória da Conquista se despede, institucionalmente, de Luiz Fernando. Mas o sentimento que nos atravessa é de uma saudade que começa antes mesmo da partida. Saudade do jornalista de raciocínio ágil, do estrategista de fala mansa, do articulador silencioso que, sem estardalhaço, redesenhou a comunicação pública da nossa cidade.

Luiz não fez da Secretaria de Comunicação um palco para vaidades. Fez dela uma ponte. Uma ponte entre a Prefeitura e o povo. Uma ponte entre as ações de governo e a linguagem da vida real. Uma ponte entre o poder e a escuta. E isso, num tempo em que tantos gritam e poucos escutam, é uma revolução.

Seu trabalho nunca foi sobre propaganda — foi sobre diálogo. Nunca foi sobre convencer — foi sobre comunicar. Ele compreendeu como poucos que a boa política se faz com palavras que criam confiança, e não com slogans que iludem. Sob sua liderança, a Secom virou referência, não apenas por sua competência técnica, mas por sua integridade ética.

Mais do que um secretário, Luiz foi um companheiro de bastidores. Um amigo leal nos momentos difíceis. Um defensor da boa palavra e da política feita com propósito. Ele humanizou a máquina pública. E quando se humaniza a máquina, ela começa a servir de verdade.

Seu legado está nos conteúdos bem feitos, sim. Mas está, sobretudo, nos afetos que ele cultivou, nos profissionais que ele formou, nas relações que ele tratou com respeito, e na confiança que sua presença gerava, mesmo entre os críticos mais severos. Poucos sabem sair com tanto respeito quanto ele soube permanecer.

Agora, Luiz retorna à ALBA, e sei que onde ele estiver, levará o mesmo compromisso com a verdade, a mesma paixão pela boa política e a mesma capacidade de construir pontes onde outros constroem muros. Sua saída deixa uma lacuna, mas seu exemplo deixa um norte.

A política precisa de mais pessoas assim — que saibam comunicar com o coração e com a razão. Que saibam liderar com humildade e se retirar com elegância.

Luiz, você sai da cadeira, mas não sai da história que ajudou a escrever. Nem dos corações dos que tiveram o privilégio de caminhar com você.

Vá em paz, siga firme, e saiba: por aqui fica não apenas a saudade, mas um amigo que torce pelo seu sucesso e aplaude, de pé, o que você foi e sempre será.

Com estima e gratidão,

Carlos Roberto (Padre Carlos)

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta sexta-feira

 

 

Da Redação
Publicado em 27 de junho de 2025

 

 

Folha de S.Paulo
Haddad diz que saída para IOF é ir ao STF, fazer cortes ou buscar nova receita

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/haddad-diz-que-saida-para-iof-e-ir-ao-stf-fazer-cortes-para-todo-mundo-ou-buscar-nova-receita-assista.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Big techs responderão por postagem criminosa de usuário, decide o STF

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-big-techs-responderao-por-postagem-criminosa-de-usuario-decide-o-stf/?srsltid=AfmBOopVtr_DblfolgHtMH8fNks-gMnhlcp55ieEHbHhtdcliRQLgQok

 

Valor Econômico (SP)
Crise política ameaça pautas de interesse do governo no Congresso

https://valor.globo.com/impresso/20250627/

 

O Globo (RJ)
STF amplia responsabilização das redes pelo que publicam

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/06/27/stf-amplia-responsabilizacao-das-redes-e-apela-ao-congresso-por-nova-legislacao.ghtml

 

Correio Braziliense
Desvios do INSS: “O aposentado deve buscar os canais oficiais”

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2025/05/7137543-inss-fara-devolucao-automatica-de-descontos-indevidos.html

 

Zero Hora (RS)
Redes sociais devem responder por publicações criminosas de usuários, decide STF

https://gauchazh.clicrbs.com.br/tecnologia/noticia/2025/06/como-a-decisao-do-stf-impacta-as-redes-sociais-cmcdyw8lc01vi0156vk9ffn4c.html

 

Diário de Pernambuco
Governo analisa saídas para IOF; judicialização é considerada

https://impresso.diariodepernambuco.com.br/

 

Jornal do Commercio (PE)
Governo Lula estuda levar ao STF derrubada do IOF

https://digital.jc.uol.com.br/edicao?ed=2353

 

A Tarde (BA)
Demolição de casarão acende alerta para 287 imóveis de alto risco

https://atarde.com.br/tags/risco?d=1

 

Diário do Nordeste (CE)
Nova vaga de deputado federal no Ceará custará R$ 2 milhões

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/pontopoder/quanto-vai-custar-a-nova-vaga-de-deputado-federal-do-ceara-que-sera-disputada-em-2026-1.3663692

 

 

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta sexta-feira

 

 

Da Redação
Publicado em 27 de junho de 2025

 

 

Folha de S.Paulo
Haddad diz que saída para IOF é ir ao STF, fazer cortes ou buscar nova receita

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/haddad-diz-que-saida-para-iof-e-ir-ao-stf-fazer-cortes-para-todo-mundo-ou-buscar-nova-receita-assista.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Big techs responderão por postagem criminosa de usuário, decide o STF

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-big-techs-responderao-por-postagem-criminosa-de-usuario-decide-o-stf/?srsltid=AfmBOopVtr_DblfolgHtMH8fNks-gMnhlcp55ieEHbHhtdcliRQLgQok

 

Valor Econômico (SP)
Crise política ameaça pautas de interesse do governo no Congresso

https://valor.globo.com/impresso/20250627/

 

O Globo (RJ)
STF amplia responsabilização das redes pelo que publicam

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/06/27/stf-amplia-responsabilizacao-das-redes-e-apela-ao-congresso-por-nova-legislacao.ghtml

 

Correio Braziliense
Desvios do INSS: “O aposentado deve buscar os canais oficiais”

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2025/05/7137543-inss-fara-devolucao-automatica-de-descontos-indevidos.html

 

Zero Hora (RS)
Redes sociais devem responder por publicações criminosas de usuários, decide STF

https://gauchazh.clicrbs.com.br/tecnologia/noticia/2025/06/como-a-decisao-do-stf-impacta-as-redes-sociais-cmcdyw8lc01vi0156vk9ffn4c.html

 

Diário de Pernambuco
Governo analisa saídas para IOF; judicialização é considerada

https://impresso.diariodepernambuco.com.br/

 

Jornal do Commercio (PE)
Governo Lula estuda levar ao STF derrubada do IOF

https://digital.jc.uol.com.br/edicao?ed=2353

 

A Tarde (BA)
Demolição de casarão acende alerta para 287 imóveis de alto risco

https://atarde.com.br/tags/risco?d=1

 

Diário do Nordeste (CE)
Nova vaga de deputado federal no Ceará custará R$ 2 milhões

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/pontopoder/quanto-vai-custar-a-nova-vaga-de-deputado-federal-do-ceara-que-sera-disputada-em-2026-1.3663692

 

 

Perdeu, PlayBoy: O TJDFT e a Lista Exclusivamente Feminina

 

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) acaba de receber um puxão de orelha do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, com o rabo entre as pernas, acatou a ordem: a próxima lista para o cargo de desembargador será exclusivamente feminina. Sim, senhoras e senhores, o critério de alternância, defendido com unhas e dentes pelo presidente do CNJ, ministro Luís Roberto Barroso, venceu a parada. E o juiz Demetrius Cavalcanti, que já se via na cadeira de desembargador, ficou a ver navios. Perdeu, PlayBoy!

A história é simples, mas tem aquele sabor de novela jurídica com pitadas de reviravolta. O TJDFT, em sua composição predominantemente masculina, achou que poderia seguir o baile como de costume, promovendo Cavalcanti ao cargo. Mas o CNJ, com Barroso e o corregedor Mauro Campbell Marques à frente, disse um sonoro “não”. A promoção foi suspensa, e o tribunal do DF, mais rápido que Usain Bolt, enviou as informações solicitadas sobre o processo de promoção antes mesmo do prazo de cinco dias, que começara a contar na quarta-feira, 25 de junho. A sessão para escolher a nova desembargadora? Ainda sem data, mas já dá para ouvir o som das cadeiras sendo rearrumadas.

O que está em jogo aqui não é apenas uma cadeira no TJDFT, mas um princípio maior: a alternância de gênero como ferramenta para corrigir desigualdades históricas. Barroso, com sua verve de jurista e habilidade de comunicador, já deixou claro que o critério não é mera cortesia, mas uma resposta a um sistema que, por décadas, privilegiou os “playboys” de toga em detrimento de mulheres igualmente — ou mais — qualificadas. É o famoso “fazer o certo pelo motivo certo”. E, cá entre nós, o TJDFT não tinha como dar um passo em falso sem que o CNJ, com sua lupa afiada, percebesse.

A decisão do CNJ é um recado claro: as instituições judiciais não podem mais operar como clubes do bolinha, onde o compadrio e a inércia perpetuam a exclusão. A lista exclusivamente feminina não é só uma reparação simbólica; é um movimento concreto para que o Judiciário espelhe melhor a sociedade que ele serve. E, convenhamos, se o critério de mérito fosse tão absoluto quanto alguns defensores do status quo gostam de bradar, por que as mulheres, que lotam as faculdades de Direito e brilham nos concursos, ainda são minoria nos escalões mais altos?

Claro, não faltarão os que gritarão “discriminação reversa” ou “ataque à meritocracia”. Para esses, um lembrete: o mérito não é uma ilha isolada, imune às distorções do contexto social. Quando as regras do jogo foram escritas para favorecer um grupo, corrigir o tabuleiro não é privilégio, é justiça. E justiça, meus caros, não é sinônimo de manter tudo como está.

O TJDFT agora tem a chance de mostrar que entendeu o recado. A lista feminina será formada, e uma nova desembargadora assumirá o cargo. Quem será? Ainda não sabemos. Mas uma coisa é certa: o tempo dos “playboys” reinando sozinhos no Judiciário está com os dias contados. E que venha a sessão, com data ou sem data, porque o futuro — esse, sim — já está marcado: é delas.

Perdeu, PlayBoy: O TJDFT e a Lista Exclusivamente Feminina

 

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) acaba de receber um puxão de orelha do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, com o rabo entre as pernas, acatou a ordem: a próxima lista para o cargo de desembargador será exclusivamente feminina. Sim, senhoras e senhores, o critério de alternância, defendido com unhas e dentes pelo presidente do CNJ, ministro Luís Roberto Barroso, venceu a parada. E o juiz Demetrius Cavalcanti, que já se via na cadeira de desembargador, ficou a ver navios. Perdeu, PlayBoy!

A história é simples, mas tem aquele sabor de novela jurídica com pitadas de reviravolta. O TJDFT, em sua composição predominantemente masculina, achou que poderia seguir o baile como de costume, promovendo Cavalcanti ao cargo. Mas o CNJ, com Barroso e o corregedor Mauro Campbell Marques à frente, disse um sonoro “não”. A promoção foi suspensa, e o tribunal do DF, mais rápido que Usain Bolt, enviou as informações solicitadas sobre o processo de promoção antes mesmo do prazo de cinco dias, que começara a contar na quarta-feira, 25 de junho. A sessão para escolher a nova desembargadora? Ainda sem data, mas já dá para ouvir o som das cadeiras sendo rearrumadas.

O que está em jogo aqui não é apenas uma cadeira no TJDFT, mas um princípio maior: a alternância de gênero como ferramenta para corrigir desigualdades históricas. Barroso, com sua verve de jurista e habilidade de comunicador, já deixou claro que o critério não é mera cortesia, mas uma resposta a um sistema que, por décadas, privilegiou os “playboys” de toga em detrimento de mulheres igualmente — ou mais — qualificadas. É o famoso “fazer o certo pelo motivo certo”. E, cá entre nós, o TJDFT não tinha como dar um passo em falso sem que o CNJ, com sua lupa afiada, percebesse.

A decisão do CNJ é um recado claro: as instituições judiciais não podem mais operar como clubes do bolinha, onde o compadrio e a inércia perpetuam a exclusão. A lista exclusivamente feminina não é só uma reparação simbólica; é um movimento concreto para que o Judiciário espelhe melhor a sociedade que ele serve. E, convenhamos, se o critério de mérito fosse tão absoluto quanto alguns defensores do status quo gostam de bradar, por que as mulheres, que lotam as faculdades de Direito e brilham nos concursos, ainda são minoria nos escalões mais altos?

Claro, não faltarão os que gritarão “discriminação reversa” ou “ataque à meritocracia”. Para esses, um lembrete: o mérito não é uma ilha isolada, imune às distorções do contexto social. Quando as regras do jogo foram escritas para favorecer um grupo, corrigir o tabuleiro não é privilégio, é justiça. E justiça, meus caros, não é sinônimo de manter tudo como está.

O TJDFT agora tem a chance de mostrar que entendeu o recado. A lista feminina será formada, e uma nova desembargadora assumirá o cargo. Quem será? Ainda não sabemos. Mas uma coisa é certa: o tempo dos “playboys” reinando sozinhos no Judiciário está com os dias contados. E que venha a sessão, com data ou sem data, porque o futuro — esse, sim — já está marcado: é delas.

ARTIGO – O Julgamento que a História ainda Não Fez (Padre Carlos)

 

 

Há vozes na política brasileira que, ao ecoarem após décadas de silêncio ou condenação, parecem vindas do fundo de uma consciência nacional que se recusa a morrer. Uma dessas vozes é a de José Dirceu, figura central na história recente do país, que voltou à cena com declarações contundentes sobre o processo que o transformou de herói da resistência contra a ditadura a símbolo da corrupção institucionalizada. Um ciclo que, se não for revisto, continuará a nos assombrar como um erro que a democracia cometeu contra si mesma.

Em 16 de junho, completaram-se 20 anos desde que Dirceu deixou o governo, e ele mesmo nos recorda: “Fui transformado em bandido em 24 horas.” Uma frase que, dita por qualquer outro, talvez soasse como autopiedade. Mas no caso de Dirceu, envolve o peso da História – a que ele ajudou a escrever, mas também a que se escreveu sobre ele.

O “Mensalão” foi o primeiro grande espetáculo judicial da era digital, e Dirceu foi o protagonista vilanizado. O que muitos ignoram – ou preferem esquecer – é que o Supremo Tribunal Federal o absolveu de formação de quadrilha, e nunca o acusou de peculato ou lavagem de dinheiro. O próprio jurista Klaus Roxin, criador da doutrina do domínio do fato, veio ao Brasil afirmar que ela fora mal aplicada em seu caso.

Se justiça é dar a cada um o que é seu, o que foi dado a Dirceu foi linchamento político e jurídico. E o que é pior: sua cassação e condenação sustentaram um teatro moral que encobriu muitos outros escândalos ainda mais graves e sistemáticos que se seguiram nos anos seguintes – com provas, cifras, e efeitos devastadores para a economia nacional.

Dirceu promete agora uma revisão criminal, não apenas como direito pessoal, mas como legado para seus herdeiros. E está certo. Porque enquanto a História não for recontada com honestidade, ela continuará servindo de cortina para farsas convenientes.

A condenação de José Dirceu, à luz dos fatos posteriores, revela mais sobre o funcionamento político da Justiça brasileira do que sobre a culpa individual do acusado. Por isso, cabe sim perguntar: quem pagará pela injustiça que o condenou? E mais: quantas outras biografias seguem manchadas por conveniências políticas travestidas de julgamento técnico?

Que a revisão venha. Para ele, para a História – e para nós.

ARTIGO – O Julgamento que a História ainda Não Fez (Padre Carlos)

 

 

Há vozes na política brasileira que, ao ecoarem após décadas de silêncio ou condenação, parecem vindas do fundo de uma consciência nacional que se recusa a morrer. Uma dessas vozes é a de José Dirceu, figura central na história recente do país, que voltou à cena com declarações contundentes sobre o processo que o transformou de herói da resistência contra a ditadura a símbolo da corrupção institucionalizada. Um ciclo que, se não for revisto, continuará a nos assombrar como um erro que a democracia cometeu contra si mesma.

Em 16 de junho, completaram-se 20 anos desde que Dirceu deixou o governo, e ele mesmo nos recorda: “Fui transformado em bandido em 24 horas.” Uma frase que, dita por qualquer outro, talvez soasse como autopiedade. Mas no caso de Dirceu, envolve o peso da História – a que ele ajudou a escrever, mas também a que se escreveu sobre ele.

O “Mensalão” foi o primeiro grande espetáculo judicial da era digital, e Dirceu foi o protagonista vilanizado. O que muitos ignoram – ou preferem esquecer – é que o Supremo Tribunal Federal o absolveu de formação de quadrilha, e nunca o acusou de peculato ou lavagem de dinheiro. O próprio jurista Klaus Roxin, criador da doutrina do domínio do fato, veio ao Brasil afirmar que ela fora mal aplicada em seu caso.

Se justiça é dar a cada um o que é seu, o que foi dado a Dirceu foi linchamento político e jurídico. E o que é pior: sua cassação e condenação sustentaram um teatro moral que encobriu muitos outros escândalos ainda mais graves e sistemáticos que se seguiram nos anos seguintes – com provas, cifras, e efeitos devastadores para a economia nacional.

Dirceu promete agora uma revisão criminal, não apenas como direito pessoal, mas como legado para seus herdeiros. E está certo. Porque enquanto a História não for recontada com honestidade, ela continuará servindo de cortina para farsas convenientes.

A condenação de José Dirceu, à luz dos fatos posteriores, revela mais sobre o funcionamento político da Justiça brasileira do que sobre a culpa individual do acusado. Por isso, cabe sim perguntar: quem pagará pela injustiça que o condenou? E mais: quantas outras biografias seguem manchadas por conveniências políticas travestidas de julgamento técnico?

Que a revisão venha. Para ele, para a História – e para nós.

ARTIGO – Quando o Supremo bate à porta do algoritmo (Padre Carlos)

 

 

A decisão do Supremo Tribunal Federal de responsabilizar redes sociais por conteúdos ofensivos, independentemente de ordem judicial, representa uma guinada histórica no relacionamento entre a Justiça brasileira, as grandes plataformas tecnológicas e os direitos fundamentais. O placar de 8 a 3 demonstra que a maioria dos ministros compreende que o mundo digital não pode mais ser tratado como um território sem lei, onde a desinformação, o discurso de ódio e a violência simbólica florescem sob a sombra da “liberdade de expressão”.

Mas aqui reside a sutileza – e também a armadilha. A Constituição de 1988 nos garante a liberdade de pensamento e expressão. No entanto, nenhuma liberdade é absoluta, especialmente quando fere a dignidade alheia ou compromete a saúde democrática da sociedade. O artigo 19 do Marco Civil da Internet previa que uma plataforma só poderia ser responsabilizada após decisão judicial. Era, de certo modo, um escudo protetivo às big techs. Agora, o STF decide reformular esse pacto, apontando que, em casos de notificação e omissão, as plataformas podem sim ser chamadas a responder pelos danos.

O ministro Nunes Marques, com seu voto vencido, reafirmou o espírito original do Marco Civil: preservar a internet como espaço livre, com reparação a posteriori. Sua leitura, embora coerente com a tradição jurídica liberal, parece ignorar o volume, a velocidade e a virulência das novas formas de violência digital. Num ambiente em que uma mentira ganha mil compartilhamentos antes que a verdade calce os sapatos, esperar uma decisão judicial é o mesmo que deixar o veneno circular livremente pela corrente sanguínea da sociedade.

Já os ministros que compuseram a maioria entenderam que as plataformas, ao se tornarem editoras algorítmicas de conteúdos, com critérios próprios de visibilidade e monetização, também devem assumir responsabilidades proporcionais ao poder que exercem. Quem lucra com o tráfego tóxico, também deve pagar pelos destroços.

O julgamento, embora envolva apenas dois casos específicos, tem implicações que extrapolam o jurídico. Ele nos força a perguntar: a quem serve o silêncio das plataformas diante de ataques coordenados à democracia, da humilhação pública de minorias e da proliferação de teorias conspiratórias? E mais: o Congresso, com sua morosidade habitual, será capaz de legislar com a urgência e o rigor que o tema exige?

Há quem acuse o STF de estar “legislando”. Mas, como bem lembrou o ministro Barroso, o Supremo decidiu casos concretos à espera de uma resposta parlamentar que nunca chegou. Em tempos de omissão legislativa crônica, a judicialização se torna inevitável. E, se há um pecado, talvez seja o de tentar preservar a civilidade em meio ao caos algorítmico.

O Brasil precisa de regulação das redes, mas também de vigilância sobre os vigilantes. Que a responsabilização não se torne censura, e que a liberdade de expressão não continue servindo de biombo para o crime.

No fim, o que está em jogo é a alma da nossa democracia. E ela, mais do que nunca, precisa ser protegida – até nas linhas invisíveis do código binário.

ARTIGO – Quando o Supremo bate à porta do algoritmo (Padre Carlos)

 

 

A decisão do Supremo Tribunal Federal de responsabilizar redes sociais por conteúdos ofensivos, independentemente de ordem judicial, representa uma guinada histórica no relacionamento entre a Justiça brasileira, as grandes plataformas tecnológicas e os direitos fundamentais. O placar de 8 a 3 demonstra que a maioria dos ministros compreende que o mundo digital não pode mais ser tratado como um território sem lei, onde a desinformação, o discurso de ódio e a violência simbólica florescem sob a sombra da “liberdade de expressão”.

Mas aqui reside a sutileza – e também a armadilha. A Constituição de 1988 nos garante a liberdade de pensamento e expressão. No entanto, nenhuma liberdade é absoluta, especialmente quando fere a dignidade alheia ou compromete a saúde democrática da sociedade. O artigo 19 do Marco Civil da Internet previa que uma plataforma só poderia ser responsabilizada após decisão judicial. Era, de certo modo, um escudo protetivo às big techs. Agora, o STF decide reformular esse pacto, apontando que, em casos de notificação e omissão, as plataformas podem sim ser chamadas a responder pelos danos.

O ministro Nunes Marques, com seu voto vencido, reafirmou o espírito original do Marco Civil: preservar a internet como espaço livre, com reparação a posteriori. Sua leitura, embora coerente com a tradição jurídica liberal, parece ignorar o volume, a velocidade e a virulência das novas formas de violência digital. Num ambiente em que uma mentira ganha mil compartilhamentos antes que a verdade calce os sapatos, esperar uma decisão judicial é o mesmo que deixar o veneno circular livremente pela corrente sanguínea da sociedade.

Já os ministros que compuseram a maioria entenderam que as plataformas, ao se tornarem editoras algorítmicas de conteúdos, com critérios próprios de visibilidade e monetização, também devem assumir responsabilidades proporcionais ao poder que exercem. Quem lucra com o tráfego tóxico, também deve pagar pelos destroços.

O julgamento, embora envolva apenas dois casos específicos, tem implicações que extrapolam o jurídico. Ele nos força a perguntar: a quem serve o silêncio das plataformas diante de ataques coordenados à democracia, da humilhação pública de minorias e da proliferação de teorias conspiratórias? E mais: o Congresso, com sua morosidade habitual, será capaz de legislar com a urgência e o rigor que o tema exige?

Há quem acuse o STF de estar “legislando”. Mas, como bem lembrou o ministro Barroso, o Supremo decidiu casos concretos à espera de uma resposta parlamentar que nunca chegou. Em tempos de omissão legislativa crônica, a judicialização se torna inevitável. E, se há um pecado, talvez seja o de tentar preservar a civilidade em meio ao caos algorítmico.

O Brasil precisa de regulação das redes, mas também de vigilância sobre os vigilantes. Que a responsabilização não se torne censura, e que a liberdade de expressão não continue servindo de biombo para o crime.

No fim, o que está em jogo é a alma da nossa democracia. E ela, mais do que nunca, precisa ser protegida – até nas linhas invisíveis do código binário.