Política e Resenha

ARTIGO – A hipocrisia dos EUA ao querer dar lições de democracia ao Brasil

(Padre Carlos)

É no mínimo irônico que os Estados Unidos da América, historicamente conhecidos por intervencionismos diplomáticos e manipulações políticas em diversas partes do mundo, tentem agora impor juízo de valor sobre as decisões soberanas do Supremo Tribunal Federal do Brasil. A fala recente do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, cogitando sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e outros membros do STF, revela não apenas um desconhecimento grosseiro da realidade brasileira, mas também uma incoerência gritante de um governo que persegue adversários internos e bajula ditadores ao redor do mundo.

É importante pontuar: o Brasil é uma democracia sólida, com instituições que funcionam — e o STF, goste-se ou não de suas decisões, tem exercido um papel crucial na defesa da Constituição e no enfrentamento de ameaças golpistas. Quando os EUA se colocam como “polícia do mundo” e tentam intervir em processos jurídicos de outro país soberano, expõem o que há de mais perverso no imperialismo moderno.

Rubio, porta-voz de um setor radical do Partido Republicano, ignora convenientemente o histórico recente de seu próprio país. Sob Donald Trump, a América viveu episódios sombrios: incitação à invasão do Capitólio, perseguições a adversários políticos, retaliações econômicas a instituições de ensino como Harvard, e um clima de ódio fomentado por teorias conspiratórias e fake news. O mesmo governo que flerta com a extrema-direita mundial e afaga regimes autocráticos como os de Viktor Orbán, na Hungria, ou Mohammed Bin Salman, na Arábia Saudita, não tem autoridade moral para querer ensinar democracia a ninguém.

Chama a atenção o oportunismo: enquanto tenta intimidar ministros do Supremo brasileiro, Rubio e sua turma silenciam diante de violações grotescas dos direitos humanos em países aliados. Em vez de aplicar sanções a um juiz brasileiro que age dentro da legalidade, por que não sancionar líderes que mandam matar jornalistas, censuram mulheres e exterminam opositores?

A real motivação dessa ofensiva americana não está na defesa da liberdade, mas no incômodo com a autonomia crescente da política externa brasileira, que, sob uma diplomacia altiva, busca o multilateralismo e não se submete aos interesses de Washington. O Brasil não é colônia. Temos instituições, temos leis e temos voz própria.

Democracia não é um produto de exportação dos EUA. Ela se constrói com base na soberania, no respeito às instituições nacionais e no repúdio a qualquer forma de pressão externa. Que fique claro: o Supremo Tribunal Federal brasileiro não está à venda.

ARTIGO – A hipocrisia dos EUA ao querer dar lições de democracia ao Brasil

(Padre Carlos)

É no mínimo irônico que os Estados Unidos da América, historicamente conhecidos por intervencionismos diplomáticos e manipulações políticas em diversas partes do mundo, tentem agora impor juízo de valor sobre as decisões soberanas do Supremo Tribunal Federal do Brasil. A fala recente do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, cogitando sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e outros membros do STF, revela não apenas um desconhecimento grosseiro da realidade brasileira, mas também uma incoerência gritante de um governo que persegue adversários internos e bajula ditadores ao redor do mundo.

É importante pontuar: o Brasil é uma democracia sólida, com instituições que funcionam — e o STF, goste-se ou não de suas decisões, tem exercido um papel crucial na defesa da Constituição e no enfrentamento de ameaças golpistas. Quando os EUA se colocam como “polícia do mundo” e tentam intervir em processos jurídicos de outro país soberano, expõem o que há de mais perverso no imperialismo moderno.

Rubio, porta-voz de um setor radical do Partido Republicano, ignora convenientemente o histórico recente de seu próprio país. Sob Donald Trump, a América viveu episódios sombrios: incitação à invasão do Capitólio, perseguições a adversários políticos, retaliações econômicas a instituições de ensino como Harvard, e um clima de ódio fomentado por teorias conspiratórias e fake news. O mesmo governo que flerta com a extrema-direita mundial e afaga regimes autocráticos como os de Viktor Orbán, na Hungria, ou Mohammed Bin Salman, na Arábia Saudita, não tem autoridade moral para querer ensinar democracia a ninguém.

Chama a atenção o oportunismo: enquanto tenta intimidar ministros do Supremo brasileiro, Rubio e sua turma silenciam diante de violações grotescas dos direitos humanos em países aliados. Em vez de aplicar sanções a um juiz brasileiro que age dentro da legalidade, por que não sancionar líderes que mandam matar jornalistas, censuram mulheres e exterminam opositores?

A real motivação dessa ofensiva americana não está na defesa da liberdade, mas no incômodo com a autonomia crescente da política externa brasileira, que, sob uma diplomacia altiva, busca o multilateralismo e não se submete aos interesses de Washington. O Brasil não é colônia. Temos instituições, temos leis e temos voz própria.

Democracia não é um produto de exportação dos EUA. Ela se constrói com base na soberania, no respeito às instituições nacionais e no repúdio a qualquer forma de pressão externa. Que fique claro: o Supremo Tribunal Federal brasileiro não está à venda.

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta segunda-feira

 

 

Da Redação
Publicado em 26 de maio de 2025

 

Folha de S.Paulo
Apagão de servidores ameaça programas de infraestrutura no país

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/05/apagao-de-servidores-ameaca-travar-projetos-de-infraestrutura-e-concessoes.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Vício em aposta online tira foco do trabalho e produtividade cai

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-vicio-em-aposta-online-tira-foco-do-trabalho-e-produtividade-cai/?srsltid=AfmBOorKATa2B2Bgkz0A2voSZc7RBJQB4W8VDV_r4SNv7bMRK8904uCe

 

Valor Econômico (SP)
IOF mais alto encarece crédito em quadro de juro já elevado

https://valor.globo.com/financas/noticia/2025/05/23/aumento-do-iof-se-refletir-em-taxas-de-cartes-de-crdito-e-dbito-para-viagens.ghtml

 

O Globo (RJ)
FRAUDES NO INSS
Fazenda calcula ressarcimento de aposentados em até R$ 2 bilhões

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/05/26/devolucao-de-descontos-do-inss-deve-ser-de-no-maximo-r-2-bi-estima-haddad.ghtml

 

O Dia (RJ)
CARROS ELÉTRICOS
Número de pontos de recarga não acompanha a demanda

https://odia.ig.com.br/economia/2025/05/7061032-mercado-de-carros-eletricos-cresce-mas-instalacao-de-pontos-de-recarga-ainda-e-desafio.html

 

Correio Braziliense
A inteligência no combate às facções criminosas

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/07/21/interna_politica,772501/inteligencia-no-combate-ao-crime.shtml

 

Estado de Minas
INFRAESTRUTURA
Área ligada à duplicação da 381 cria embate entre PBH e Dnit

https://www.em.com.br/politica/2025/05/7156164-terreno-ocupado-causa-impasse-entre-pbh-e-dnit.html

 

Zero Hora (RS)
AUMENTO DO DÉFICIT
Rombo da Previdência avança 60% em nove anos e pressiona orçamento

https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/marta-sfredo/noticia/2025/05/apenas-10-da-verba-de-emendas-parlamentares-pode-ressarcir-aposentados-cma5f8h4d01hx014o0vz68ja3.html

 

Diário de Pernambuco
Palmas para um cinema cada vez mais brasileiro

https://www.diariodepernambuco.com.br/viver/2025/04/3894208-brasil-chega-bem-cotado-na-disputa-pela-palma-de-ouro.html

 

Jornal do Commercio (PE)
Santa bate Sousa fora de casa e segue imparável na Série D

https://digital.jc.uol.com.br/edicao?ed=2321

 

A Tarde (BA)
Venda casada de material escolar mobiliza a sociedade

https://atarde.com.br/salvador/venda-casada-de-material-escolar-mobiliza-pais-de-escolas-particulares-1328869

 

Diário do Nordeste (CE)
Acordo estabelece novos limites entre cidades do Ceará

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/pontopoder/mudanca-de-limites-entre-cidades-do-ceara-foi-feita-em-acordo-com-prefeitos-veja-o-que-muda-1.3653135

 

 

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta segunda-feira

 

 

Da Redação
Publicado em 26 de maio de 2025

 

Folha de S.Paulo
Apagão de servidores ameaça programas de infraestrutura no país

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/05/apagao-de-servidores-ameaca-travar-projetos-de-infraestrutura-e-concessoes.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Vício em aposta online tira foco do trabalho e produtividade cai

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-vicio-em-aposta-online-tira-foco-do-trabalho-e-produtividade-cai/?srsltid=AfmBOorKATa2B2Bgkz0A2voSZc7RBJQB4W8VDV_r4SNv7bMRK8904uCe

 

Valor Econômico (SP)
IOF mais alto encarece crédito em quadro de juro já elevado

https://valor.globo.com/financas/noticia/2025/05/23/aumento-do-iof-se-refletir-em-taxas-de-cartes-de-crdito-e-dbito-para-viagens.ghtml

 

O Globo (RJ)
FRAUDES NO INSS
Fazenda calcula ressarcimento de aposentados em até R$ 2 bilhões

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/05/26/devolucao-de-descontos-do-inss-deve-ser-de-no-maximo-r-2-bi-estima-haddad.ghtml

 

O Dia (RJ)
CARROS ELÉTRICOS
Número de pontos de recarga não acompanha a demanda

https://odia.ig.com.br/economia/2025/05/7061032-mercado-de-carros-eletricos-cresce-mas-instalacao-de-pontos-de-recarga-ainda-e-desafio.html

 

Correio Braziliense
A inteligência no combate às facções criminosas

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/07/21/interna_politica,772501/inteligencia-no-combate-ao-crime.shtml

 

Estado de Minas
INFRAESTRUTURA
Área ligada à duplicação da 381 cria embate entre PBH e Dnit

https://www.em.com.br/politica/2025/05/7156164-terreno-ocupado-causa-impasse-entre-pbh-e-dnit.html

 

Zero Hora (RS)
AUMENTO DO DÉFICIT
Rombo da Previdência avança 60% em nove anos e pressiona orçamento

https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/marta-sfredo/noticia/2025/05/apenas-10-da-verba-de-emendas-parlamentares-pode-ressarcir-aposentados-cma5f8h4d01hx014o0vz68ja3.html

 

Diário de Pernambuco
Palmas para um cinema cada vez mais brasileiro

https://www.diariodepernambuco.com.br/viver/2025/04/3894208-brasil-chega-bem-cotado-na-disputa-pela-palma-de-ouro.html

 

Jornal do Commercio (PE)
Santa bate Sousa fora de casa e segue imparável na Série D

https://digital.jc.uol.com.br/edicao?ed=2321

 

A Tarde (BA)
Venda casada de material escolar mobiliza a sociedade

https://atarde.com.br/salvador/venda-casada-de-material-escolar-mobiliza-pais-de-escolas-particulares-1328869

 

Diário do Nordeste (CE)
Acordo estabelece novos limites entre cidades do Ceará

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/pontopoder/mudanca-de-limites-entre-cidades-do-ceara-foi-feita-em-acordo-com-prefeitos-veja-o-que-muda-1.3653135

 

 

ARTIGO – Os Caminhos Tortuosos da Alma Política: Aldo Rebelo e Cabo Anselmo

 

 

 

Quando a convicção se transforma em traição, quando o ideário se fragmenta como vidro ao vento

Há feridas na história brasileira que não cicatrizam completamente. São cicatrizes que latejam na memória coletiva, recordando-nos que a política, essa arte complexa e muitas vezes cruel, pode transformar heróis em vilões, companheiros em adversários, sonhos revolucionários em pesadelos de traição política. As trajetórias de Aldo Rebelo e José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, são como espelhos partidos que refletem os dilemas mais profundos da alma política brasileira.

A Dança das Convicções: Quando a Ideologia se Fragmenta

Imagine por um momento a dor silenciosa de quem desperta um dia e não mais se reconhece no espelho de suas próprias convicções. Aldo Rebelo, outrora uma das vozes mais vibrantes do Partido Comunista do Brasil, viveu essa ruptura ideológica de forma quase cinematográfica. Sua metamorfose política – do jovem militante comunista a colaborador de Jair Bolsonaro – não foi apenas uma mudança de partido, mas um rearranjo profundo da própria identidade.

Da mesma forma, Cabo Anselmo carrega em sua biografia uma das páginas mais sombrias da esquerda brasileira. Líder da revolta dos marinheiros, admirado, comandante da luta armada, transformou-se naquilo que seus companheiros mais temiam: um infiltrado no movimento de esquerda, cujas informações ao regime militar custaram vidas e sonhos de uma geração inteira.

O Peso das Escolhas: Personagens Controversos do Brasil

A história brasileira está repleta de figuras que desafiam nossas tentativas de classificação moral simples. Aldo Rebelo e Cabo Anselmo representam essa ambiguidade histórica que nos desconforta porque espelha nossas próprias contradições. Não são vilões de desenho animado, mas homens de carne e osso que, em momentos cruciais, fizeram escolhas que redefiniriam não apenas seus destinos pessoais, mas o curso da política nacional.

Rebelo, com sua eloquência peculiar e sua capacidade de navegar entre correntes ideológicas aparentemente incompatíveis, tornou-se uma figura que desperta tanto admiração quanto repulsa. Sua defesa apaixonada do novo Código Florestal, sua crítica às ONGs ambientais, sua aproximação com setores conservadores – cada movimento parecia uma nova camada de tinta sobre o retrato de quem ele um dia foi.

Cabo Anselmo carrega um fardo ainda mais pesado: o sangue de companheiros que confiaram nele. Sua transformação de identidade política não foi gradual como a de Rebelo, mas abrupta e devastadora. De líder revolucionário a agente duplo, sua trajetória é um lembrete doloroso de como as circunstâncias extremas podem corromper até mesmo os ideais mais nobres.

Ex-comunistas e os Dilemas do Presente

O que essas duas trajetórias nos revelam sobre os dilemas contemporâneos da política brasileira? Talvez a resposta esteja na própria natureza fragmentária de nosso tempo. Vivemos uma época em que as certezas ideológicas se dissolvem como sal na água, onde antigas categorias políticas já não conseguem conter a complexidade das escolhas que enfrentamos.

Aldo Rebelo, ao migrar do comunismo para o bolsonarismo, espelha uma confusão mais ampla da esquerda brasileira diante das transformações do século XXI. Sua trajetória sugere que, para alguns, a lealdade à nação pode superar a fidelidade a uma ideologia específica. Mas essa explicação, por mais generosa que seja, não apaga a dor daqueles que se sentiram traídos por quem consideravam um companheiro de luta.

A Memória Como Tribunal da História

Cabo Anselmo vive há décadas com o peso de suas escolhas. Seus ex-companheiros não o perdoaram, e talvez nunca o perdoem. Sua história serve como um alerta sobre os perigos da radicalização e da violência política, mas também sobre a fragilidade das alianças humanas quando testadas pelos extremos.

A diferença entre Rebelo e Anselmo talvez esteja na natureza de suas “traições”. Rebelo traiu uma ideologia; Anselmo traiu pessoas. Um abandonou princípios abstratos; o outro entregou companheiros de carne e osso à repressão e à morte. Ambas as traições doem, mas uma delas mancha as mãos de sangue.

Os Espelhos Partidos da Contemporaneidade

Hoje, quando assistimos à polarização extrema da política brasileira, as figuras de Aldo Rebelo e Cabo Anselmo surgem como fantasmas do passado que nos assombram com suas lições não aprendidas. Eles nos lembram que a política não é um jogo abstrato de ideias, mas um campo de batalha onde as escolhas têm consequências reais na vida de pessoas reais.

A saga desses dois homens nos confronta com perguntas incômodas: O que significa ser fiel aos próprios princípios? É possível reinventar-se politicamente sem trair aqueles que confiaram em nós? Como distinguir entre evolução ideológica legítima e oportunismo puro?

O Eco das Escolhas no Presente

Em tempos de redes sociais e cancel culture, as transformações políticas de Rebelo e as traições de Anselmo ganham nova relevância. Eles nos mostram que a redenção política é possível, mas que algumas feridas nunca cicatrizam completamente. Suas histórias são um espelho onde a política brasileira contemporânea pode se olhar e reconhecer seus próprios demônios.

Talvez a lição mais profunda que essas duas trajetórias nos oferecem seja a compreensão de que a política é, antes de tudo, uma atividade profundamente humana – com todas as contradições, fraquezas e possibilidades de transformação que isso implica. Aldo Rebelo e Cabo Anselmo são, cada um à sua maneira, produtos e produtores dos dilemas de seu tempo, espelhos partidos de uma nação que ainda luta para compreender sua própria identidade política.

Suas histórias ecoam no presente como um lembrete de que, na política como na vida, nossas escolhas nos definem – e às vezes nos assombram – para sempre.

Padre Carlos

ARTIGO – Os Caminhos Tortuosos da Alma Política: Aldo Rebelo e Cabo Anselmo

 

 

 

Quando a convicção se transforma em traição, quando o ideário se fragmenta como vidro ao vento

Há feridas na história brasileira que não cicatrizam completamente. São cicatrizes que latejam na memória coletiva, recordando-nos que a política, essa arte complexa e muitas vezes cruel, pode transformar heróis em vilões, companheiros em adversários, sonhos revolucionários em pesadelos de traição política. As trajetórias de Aldo Rebelo e José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, são como espelhos partidos que refletem os dilemas mais profundos da alma política brasileira.

A Dança das Convicções: Quando a Ideologia se Fragmenta

Imagine por um momento a dor silenciosa de quem desperta um dia e não mais se reconhece no espelho de suas próprias convicções. Aldo Rebelo, outrora uma das vozes mais vibrantes do Partido Comunista do Brasil, viveu essa ruptura ideológica de forma quase cinematográfica. Sua metamorfose política – do jovem militante comunista a colaborador de Jair Bolsonaro – não foi apenas uma mudança de partido, mas um rearranjo profundo da própria identidade.

Da mesma forma, Cabo Anselmo carrega em sua biografia uma das páginas mais sombrias da esquerda brasileira. Líder da revolta dos marinheiros, admirado, comandante da luta armada, transformou-se naquilo que seus companheiros mais temiam: um infiltrado no movimento de esquerda, cujas informações ao regime militar custaram vidas e sonhos de uma geração inteira.

O Peso das Escolhas: Personagens Controversos do Brasil

A história brasileira está repleta de figuras que desafiam nossas tentativas de classificação moral simples. Aldo Rebelo e Cabo Anselmo representam essa ambiguidade histórica que nos desconforta porque espelha nossas próprias contradições. Não são vilões de desenho animado, mas homens de carne e osso que, em momentos cruciais, fizeram escolhas que redefiniriam não apenas seus destinos pessoais, mas o curso da política nacional.

Rebelo, com sua eloquência peculiar e sua capacidade de navegar entre correntes ideológicas aparentemente incompatíveis, tornou-se uma figura que desperta tanto admiração quanto repulsa. Sua defesa apaixonada do novo Código Florestal, sua crítica às ONGs ambientais, sua aproximação com setores conservadores – cada movimento parecia uma nova camada de tinta sobre o retrato de quem ele um dia foi.

Cabo Anselmo carrega um fardo ainda mais pesado: o sangue de companheiros que confiaram nele. Sua transformação de identidade política não foi gradual como a de Rebelo, mas abrupta e devastadora. De líder revolucionário a agente duplo, sua trajetória é um lembrete doloroso de como as circunstâncias extremas podem corromper até mesmo os ideais mais nobres.

Ex-comunistas e os Dilemas do Presente

O que essas duas trajetórias nos revelam sobre os dilemas contemporâneos da política brasileira? Talvez a resposta esteja na própria natureza fragmentária de nosso tempo. Vivemos uma época em que as certezas ideológicas se dissolvem como sal na água, onde antigas categorias políticas já não conseguem conter a complexidade das escolhas que enfrentamos.

Aldo Rebelo, ao migrar do comunismo para o bolsonarismo, espelha uma confusão mais ampla da esquerda brasileira diante das transformações do século XXI. Sua trajetória sugere que, para alguns, a lealdade à nação pode superar a fidelidade a uma ideologia específica. Mas essa explicação, por mais generosa que seja, não apaga a dor daqueles que se sentiram traídos por quem consideravam um companheiro de luta.

A Memória Como Tribunal da História

Cabo Anselmo vive há décadas com o peso de suas escolhas. Seus ex-companheiros não o perdoaram, e talvez nunca o perdoem. Sua história serve como um alerta sobre os perigos da radicalização e da violência política, mas também sobre a fragilidade das alianças humanas quando testadas pelos extremos.

A diferença entre Rebelo e Anselmo talvez esteja na natureza de suas “traições”. Rebelo traiu uma ideologia; Anselmo traiu pessoas. Um abandonou princípios abstratos; o outro entregou companheiros de carne e osso à repressão e à morte. Ambas as traições doem, mas uma delas mancha as mãos de sangue.

Os Espelhos Partidos da Contemporaneidade

Hoje, quando assistimos à polarização extrema da política brasileira, as figuras de Aldo Rebelo e Cabo Anselmo surgem como fantasmas do passado que nos assombram com suas lições não aprendidas. Eles nos lembram que a política não é um jogo abstrato de ideias, mas um campo de batalha onde as escolhas têm consequências reais na vida de pessoas reais.

A saga desses dois homens nos confronta com perguntas incômodas: O que significa ser fiel aos próprios princípios? É possível reinventar-se politicamente sem trair aqueles que confiaram em nós? Como distinguir entre evolução ideológica legítima e oportunismo puro?

O Eco das Escolhas no Presente

Em tempos de redes sociais e cancel culture, as transformações políticas de Rebelo e as traições de Anselmo ganham nova relevância. Eles nos mostram que a redenção política é possível, mas que algumas feridas nunca cicatrizam completamente. Suas histórias são um espelho onde a política brasileira contemporânea pode se olhar e reconhecer seus próprios demônios.

Talvez a lição mais profunda que essas duas trajetórias nos oferecem seja a compreensão de que a política é, antes de tudo, uma atividade profundamente humana – com todas as contradições, fraquezas e possibilidades de transformação que isso implica. Aldo Rebelo e Cabo Anselmo são, cada um à sua maneira, produtos e produtores dos dilemas de seu tempo, espelhos partidos de uma nação que ainda luta para compreender sua própria identidade política.

Suas histórias ecoam no presente como um lembrete de que, na política como na vida, nossas escolhas nos definem – e às vezes nos assombram – para sempre.

Padre Carlos

ARTIGO – EM BRASÍLIA POR CONQUISTA: A LUTA PELOS VIADUTOS E PASSARELAS NO ANEL VIÁRIO

 

 

 

(Vereador Ivan Cordeiro)

Nos próximos dias, estarei em Brasília com um propósito claro e inadiável: buscar investimentos federais para a construção de viadutos e passarelas no Anel Viário de Vitória da Conquista. Essa é uma pauta que carrego com firmeza porque sei o quanto ela impacta diretamente na vida de milhares de conquistenses que enfrentam, todos os dias, os desafios de uma mobilidade urbana precária.

A cidade cresceu, o trânsito aumentou, e os riscos também. Não podemos mais conviver com acidentes evitáveis, com travessias perigosas, com o sufocamento do tráfego em uma das principais artérias da cidade. É hora de agir com responsabilidade e planejamento. O que está em jogo é a infraestrutura urbana, a segurança viária e a qualidade de vida da nossa gente.

Minha agenda na capital federal inclui visitas a órgãos estratégicos, como o Ministério dos Transportes e a Bancada Baiana no Congresso Nacional. Vamos apresentar projetos, buscar parcerias institucionais e lutar por recursos que permitam tirar do papel obras que são essenciais para o futuro de Conquista.

Sei que grandes obras públicas não se constroem apenas com boas intenções. Elas exigem articulação política, projetos técnicos bem elaborados e, principalmente, união de esforços. Por isso, não estou indo como um representante de partido, mas como presidente da Câmara Municipal, ao lado de outros vereadores, que colocam os interesses da cidade acima de qualquer divisão ideológica. Essa é uma causa suprapartidária, que deve mobilizar todos que amam e defendem Conquista.

Tenho convicção de que nosso papel é abrir caminhos, derrubar muros e construir pontes — no sentido físico e também simbólico. Viadutos e passarelas são mais do que estruturas de concreto: são soluções para um trânsito mais humano, são respostas à espera de quem quer viver com mais segurança, são marcas de um planejamento urbano eficiente e conectado com as demandas da população.

Vitória da Conquista merece estar no mapa dos grandes investimentos federais. Merece um olhar atento do Governo Federal para suas demandas reais, urgentes e legítimas. E é isso que vou reivindicar com firmeza e respeito: que a nossa cidade seja ouvida, considerada e incluída nas ações de desenvolvimento regional.

Volto a afirmar: essa luta não é minha, é nossa. É da cidade que acredita no futuro. É do povo que espera, há anos, por obras que transformem sua rotina. Sigo com fé, com coragem e com o compromisso de honrar cada voto de confiança que recebi.

Vamos juntos nessa caminhada. Porque Conquista pode mais. E nós vamos à luta para fazer isso acontecer.

ARTIGO – EM BRASÍLIA POR CONQUISTA: A LUTA PELOS VIADUTOS E PASSARELAS NO ANEL VIÁRIO

 

 

 

(Vereador Ivan Cordeiro)

Nos próximos dias, estarei em Brasília com um propósito claro e inadiável: buscar investimentos federais para a construção de viadutos e passarelas no Anel Viário de Vitória da Conquista. Essa é uma pauta que carrego com firmeza porque sei o quanto ela impacta diretamente na vida de milhares de conquistenses que enfrentam, todos os dias, os desafios de uma mobilidade urbana precária.

A cidade cresceu, o trânsito aumentou, e os riscos também. Não podemos mais conviver com acidentes evitáveis, com travessias perigosas, com o sufocamento do tráfego em uma das principais artérias da cidade. É hora de agir com responsabilidade e planejamento. O que está em jogo é a infraestrutura urbana, a segurança viária e a qualidade de vida da nossa gente.

Minha agenda na capital federal inclui visitas a órgãos estratégicos, como o Ministério dos Transportes e a Bancada Baiana no Congresso Nacional. Vamos apresentar projetos, buscar parcerias institucionais e lutar por recursos que permitam tirar do papel obras que são essenciais para o futuro de Conquista.

Sei que grandes obras públicas não se constroem apenas com boas intenções. Elas exigem articulação política, projetos técnicos bem elaborados e, principalmente, união de esforços. Por isso, não estou indo como um representante de partido, mas como presidente da Câmara Municipal, ao lado de outros vereadores, que colocam os interesses da cidade acima de qualquer divisão ideológica. Essa é uma causa suprapartidária, que deve mobilizar todos que amam e defendem Conquista.

Tenho convicção de que nosso papel é abrir caminhos, derrubar muros e construir pontes — no sentido físico e também simbólico. Viadutos e passarelas são mais do que estruturas de concreto: são soluções para um trânsito mais humano, são respostas à espera de quem quer viver com mais segurança, são marcas de um planejamento urbano eficiente e conectado com as demandas da população.

Vitória da Conquista merece estar no mapa dos grandes investimentos federais. Merece um olhar atento do Governo Federal para suas demandas reais, urgentes e legítimas. E é isso que vou reivindicar com firmeza e respeito: que a nossa cidade seja ouvida, considerada e incluída nas ações de desenvolvimento regional.

Volto a afirmar: essa luta não é minha, é nossa. É da cidade que acredita no futuro. É do povo que espera, há anos, por obras que transformem sua rotina. Sigo com fé, com coragem e com o compromisso de honrar cada voto de confiança que recebi.

Vamos juntos nessa caminhada. Porque Conquista pode mais. E nós vamos à luta para fazer isso acontecer.

Wagner Não Arreda Pé: Senador se Declara Candidatíssimo e Complica Planos de Adversários

 

(Padre Carlos)

O anúncio feito pelo senador Jaques Wagner nas redes sociais neste domingo (25) soa como um recado claro aos aliados e aos adversários: ele não pretende sair de cena tão cedo. Em meio a especulações sobre sua desistência da disputa pela reeleição ao Senado Federal em 2026, o experiente político baiano reafirmou publicamente que segue firme no projeto.

A declaração, feita de forma direta, ganha ainda mais relevância porque rompe com o silêncio estratégico que muitos costumam adotar em meio às negociações políticas. Jaques Wagner prefere se antecipar às narrativas paralelas e ocupa o centro da cena, como é do seu feitio. Não é a primeira vez que o senador se coloca com clareza em momentos decisivos. E isso revela muito da lógica do jogo que se desenha nos bastidores do governo da Bahia.

O tabuleiro de 2026 está sendo montado com peças sensíveis. A base aliada ao governador Jerônimo Rodrigues precisa fazer ajustes finos entre o PT, PSD, MDB e demais partidos do campo progressista. A disputa por espaço é intensa. E há uma matemática implacável: são apenas duas vagas para o Senado. Com Angelo Coronel também mirando a reeleição e com novos nomes querendo ascender, o espaço se afunila.

É nesse contexto que Jaques Wagner joga com a autoridade de quem tem história, peso político e voto. Governador por dois mandatos, articulador nos bastidores do Planalto, Wagner tem o que poucos têm: trânsito nacional e respeito das bases. Sua permanência na disputa, portanto, não é capricho — é cálculo estratégico, é resistência política.

A antecipação de sua intenção é também um sinal para os que, dentro do próprio grupo, cogitavam uma “renovação” forçada. Wagner diz, com todas as letras, que ainda tem lenha para queimar. E ao fazer isso, reforça a ideia de que a política é, antes de tudo, permanência. Resistir, muitas vezes, é o maior ato de liderança.

As palavras do senador movimentam a internet, mobilizam os algoritmos, alimentam os blogs de política e reconfiguram as conversas de bastidores. Afinal, quando um nome forte como o de Jaques Wagner se posiciona, o jogo muda. E muda para valer.

Wagner Não Arreda Pé: Senador se Declara Candidatíssimo e Complica Planos de Adversários

 

(Padre Carlos)

O anúncio feito pelo senador Jaques Wagner nas redes sociais neste domingo (25) soa como um recado claro aos aliados e aos adversários: ele não pretende sair de cena tão cedo. Em meio a especulações sobre sua desistência da disputa pela reeleição ao Senado Federal em 2026, o experiente político baiano reafirmou publicamente que segue firme no projeto.

A declaração, feita de forma direta, ganha ainda mais relevância porque rompe com o silêncio estratégico que muitos costumam adotar em meio às negociações políticas. Jaques Wagner prefere se antecipar às narrativas paralelas e ocupa o centro da cena, como é do seu feitio. Não é a primeira vez que o senador se coloca com clareza em momentos decisivos. E isso revela muito da lógica do jogo que se desenha nos bastidores do governo da Bahia.

O tabuleiro de 2026 está sendo montado com peças sensíveis. A base aliada ao governador Jerônimo Rodrigues precisa fazer ajustes finos entre o PT, PSD, MDB e demais partidos do campo progressista. A disputa por espaço é intensa. E há uma matemática implacável: são apenas duas vagas para o Senado. Com Angelo Coronel também mirando a reeleição e com novos nomes querendo ascender, o espaço se afunila.

É nesse contexto que Jaques Wagner joga com a autoridade de quem tem história, peso político e voto. Governador por dois mandatos, articulador nos bastidores do Planalto, Wagner tem o que poucos têm: trânsito nacional e respeito das bases. Sua permanência na disputa, portanto, não é capricho — é cálculo estratégico, é resistência política.

A antecipação de sua intenção é também um sinal para os que, dentro do próprio grupo, cogitavam uma “renovação” forçada. Wagner diz, com todas as letras, que ainda tem lenha para queimar. E ao fazer isso, reforça a ideia de que a política é, antes de tudo, permanência. Resistir, muitas vezes, é o maior ato de liderança.

As palavras do senador movimentam a internet, mobilizam os algoritmos, alimentam os blogs de política e reconfiguram as conversas de bastidores. Afinal, quando um nome forte como o de Jaques Wagner se posiciona, o jogo muda. E muda para valer.

ARTIGO – O Papa que o Brasil Quase Teve

(Padre Carlos)

Em 1978, a Igreja Católica vivenciou um momento singular: um brasileiro, Dom Aloísio Lorscheider, esteve a um passo de se tornar papa. Com dois terços dos votos no conclave, sua eleição parecia certa. No entanto, sua recusa, motivada por questões de saúde e pela recente perda de João Paulo I, demonstrou uma profunda responsabilidade pastoral.

Dom Aloísio não apenas declinou do papado, mas também desempenhou papel fundamental na eleição de João Paulo II, articulando apoio entre cardeais latino-americanos e africanos. Sua decisão refletiu um compromisso com a estabilidade da Igreja e uma visão além das ambições pessoais.

Sua trajetória é marcada por uma defesa incansável dos direitos humanos e uma liderança progressista, especialmente durante o regime militar brasileiro. Mesmo sem ter ocupado o trono de Pedro, Dom Aloísio deixou um legado que transcende títulos, sendo lembrado como um verdadeiro pastor comprometido com o bem comum.

A história de Dom Aloísio Lorscheider nos convida a refletir sobre o verdadeiro significado de liderança e serviço na Igreja, destacando que a grandeza de um líder não está no cargo que ocupa, mas na integridade de suas ações e na profundidade de seu compromisso com os valores cristãos.

ARTIGO – O Papa que o Brasil Quase Teve

(Padre Carlos)

Em 1978, a Igreja Católica vivenciou um momento singular: um brasileiro, Dom Aloísio Lorscheider, esteve a um passo de se tornar papa. Com dois terços dos votos no conclave, sua eleição parecia certa. No entanto, sua recusa, motivada por questões de saúde e pela recente perda de João Paulo I, demonstrou uma profunda responsabilidade pastoral.

Dom Aloísio não apenas declinou do papado, mas também desempenhou papel fundamental na eleição de João Paulo II, articulando apoio entre cardeais latino-americanos e africanos. Sua decisão refletiu um compromisso com a estabilidade da Igreja e uma visão além das ambições pessoais.

Sua trajetória é marcada por uma defesa incansável dos direitos humanos e uma liderança progressista, especialmente durante o regime militar brasileiro. Mesmo sem ter ocupado o trono de Pedro, Dom Aloísio deixou um legado que transcende títulos, sendo lembrado como um verdadeiro pastor comprometido com o bem comum.

A história de Dom Aloísio Lorscheider nos convida a refletir sobre o verdadeiro significado de liderança e serviço na Igreja, destacando que a grandeza de um líder não está no cargo que ocupa, mas na integridade de suas ações e na profundidade de seu compromisso com os valores cristãos.

ARTIGO – Um Novo Horizonte para Vitória da Conquista: A Era Pós-Aeroporto

 

 

(Padre Carlos)

A área do antigo Aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, em Vitória da Conquista, ganha, enfim, contornos de esperança e ousadia. O recente encontro entre a prefeita Sheila Lemos e a secretária estadual Jusmari Oliveira acende um sinal positivo: quando governo municipal e estadual se sentam à mesma mesa para pensar o futuro da cidade, o povo é quem mais ganha.

O projeto chamado “Masterplan” não é apenas um exercício técnico de urbanismo. Ele simboliza uma encruzilhada histórica. Ali onde antes pousavam aeronaves, agora aterrissam ideias. Ideias de reconfiguração urbana, desenvolvimento sustentável, mobilidade inteligente e infraestrutura moderna. O novo bairro que se desenha pretende integrar espaços administrativos, centro de convenções, áreas residenciais e comerciais. Tudo isso cercado por corredores de ônibus, áreas verdes e um planejamento digno de uma cidade que quer deixar de ser grande para se tornar metropolitana.

É preciso reconhecer que, ao contrário do passado marcado por disputas políticas miúdas, desta vez há um esforço de convergência. A prefeita apresentou uma proposta em Brasília, o Governo do Estado apresentou outra, mas o que poderia virar um impasse virou cooperação. É esse espírito que Vitória da Conquista precisa cultivar: o da unidade pelo bem comum.

O projeto ainda está no papel, é verdade. Mas como dizia o arquiteto Oscar Niemeyer, “a arquitetura só tem sentido se for voltada para o povo”. Que o Masterplan não seja mais uma promessa jogada na pista de decolagem dos sonhos frustrados. Que ele seja o plano-mestre da justiça social, da inclusão urbana e do desenvolvimento econômico sustentável.

Transformar 1.400.000 m² de área ociosa num espaço pulsante de vida, trabalho, cultura e moradia exige mais do que cimento e asfalto. Exige visão, escuta popular, transparência e compromisso. E, sobretudo, exige que cada passo desse projeto seja compartilhado com a população, que precisa deixar de ser apenas espectadora das decisões e passar a ser protagonista.

Vitória da Conquista tem agora a chance de reescrever seu mapa urbano com traços de modernidade, sensibilidade ambiental e inteligência coletiva. Se feito com coragem e responsabilidade, esse Masterplan pode se tornar uma verdadeira obra-prima da cidade.

ARTIGO – Um Novo Horizonte para Vitória da Conquista: A Era Pós-Aeroporto

 

 

(Padre Carlos)

A área do antigo Aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, em Vitória da Conquista, ganha, enfim, contornos de esperança e ousadia. O recente encontro entre a prefeita Sheila Lemos e a secretária estadual Jusmari Oliveira acende um sinal positivo: quando governo municipal e estadual se sentam à mesma mesa para pensar o futuro da cidade, o povo é quem mais ganha.

O projeto chamado “Masterplan” não é apenas um exercício técnico de urbanismo. Ele simboliza uma encruzilhada histórica. Ali onde antes pousavam aeronaves, agora aterrissam ideias. Ideias de reconfiguração urbana, desenvolvimento sustentável, mobilidade inteligente e infraestrutura moderna. O novo bairro que se desenha pretende integrar espaços administrativos, centro de convenções, áreas residenciais e comerciais. Tudo isso cercado por corredores de ônibus, áreas verdes e um planejamento digno de uma cidade que quer deixar de ser grande para se tornar metropolitana.

É preciso reconhecer que, ao contrário do passado marcado por disputas políticas miúdas, desta vez há um esforço de convergência. A prefeita apresentou uma proposta em Brasília, o Governo do Estado apresentou outra, mas o que poderia virar um impasse virou cooperação. É esse espírito que Vitória da Conquista precisa cultivar: o da unidade pelo bem comum.

O projeto ainda está no papel, é verdade. Mas como dizia o arquiteto Oscar Niemeyer, “a arquitetura só tem sentido se for voltada para o povo”. Que o Masterplan não seja mais uma promessa jogada na pista de decolagem dos sonhos frustrados. Que ele seja o plano-mestre da justiça social, da inclusão urbana e do desenvolvimento econômico sustentável.

Transformar 1.400.000 m² de área ociosa num espaço pulsante de vida, trabalho, cultura e moradia exige mais do que cimento e asfalto. Exige visão, escuta popular, transparência e compromisso. E, sobretudo, exige que cada passo desse projeto seja compartilhado com a população, que precisa deixar de ser apenas espectadora das decisões e passar a ser protagonista.

Vitória da Conquista tem agora a chance de reescrever seu mapa urbano com traços de modernidade, sensibilidade ambiental e inteligência coletiva. Se feito com coragem e responsabilidade, esse Masterplan pode se tornar uma verdadeira obra-prima da cidade.

ARTIGO – Wilson Aragão: o trovador do sertão baiano

 

(Padre Carlos)

No coração do sertão da Bahia, nasceu uma voz que nunca se calou: Wilson Aragão, cantor, compositor e poeta nordestino que transformou o chão seco em música e a vida dura em poesia. Nascido em Piritiba, em 25 de abril de 1950, Aragão foi um dos maiores representantes da música nordestina de raiz, levando o som e a alma do sertão para os palcos do Brasil.

Filho de um pedreiro e de uma professora primária, teve cedo contato com a palavra e o ritmo. Na adolescência, publicou sua primeira poesia no Correio do Sertão e mais tarde atuou como chargista em jornais como o Diário de Sorocaba. Sua formação musical começou nos corais da igreja, mas foi nos bares, nas praças e nos discos que sua obra ganhou o povo.

Wilson Aragão ficou nacionalmente conhecido a partir da década de 1980, quando Raul Seixas gravou sua música “Capim Guiné” — uma canção emblemática, símbolo da cultura sertaneja baiana, que mais tarde foi regravada por Tânia Alves. Outra de suas grandes composições, “Guerra de Facão”, percorreu o Brasil nas vozes de Zé Ramalho, Falcão e Roberto Seixas.

Suas músicas são verdadeiros retratos do sertão. Obras como Tecendo o Amanhecer, Sertões e Sertões, O Sertão Chora, Cuide Bem da Sua Estrada e Mosaicos exploram a vida rural, a religiosidade popular, a crítica social e a resistência cultural. Com seu estilo inconfundível — um misto de xote, toada, martelo e balada — Aragão se tornou um guardião da identidade nordestina.

Wilson Aragão não foi apenas um compositor de sucesso, mas também um poeta do povo. Sua obra está carregada de inteligência, ironia e denúncia, mas sempre envolta na leveza de quem conhece a força do riso sertanejo. Em cada letra, ele transformava o sofrimento em arte, e a alegria em resistência.

Faleceu em 24 de maio de 2025, aos 75 anos, em Salvador, vítima de câncer no fígado. Mas seu legado permanece vivo na memória de quem ama a música brasileira de raiz, a poesia nordestina, e o sertão baiano que chora e canta ao mesmo tempo.

Num tempo de canções descartáveis e de cultura pasteurizada, Wilson Aragão é farol. Não apenas por sua música, mas pelo que ela representa: um povo que canta a própria dor com orgulho e que transforma o esquecimento em memória viva.

ARTIGO – Wilson Aragão: o trovador do sertão baiano

 

(Padre Carlos)

No coração do sertão da Bahia, nasceu uma voz que nunca se calou: Wilson Aragão, cantor, compositor e poeta nordestino que transformou o chão seco em música e a vida dura em poesia. Nascido em Piritiba, em 25 de abril de 1950, Aragão foi um dos maiores representantes da música nordestina de raiz, levando o som e a alma do sertão para os palcos do Brasil.

Filho de um pedreiro e de uma professora primária, teve cedo contato com a palavra e o ritmo. Na adolescência, publicou sua primeira poesia no Correio do Sertão e mais tarde atuou como chargista em jornais como o Diário de Sorocaba. Sua formação musical começou nos corais da igreja, mas foi nos bares, nas praças e nos discos que sua obra ganhou o povo.

Wilson Aragão ficou nacionalmente conhecido a partir da década de 1980, quando Raul Seixas gravou sua música “Capim Guiné” — uma canção emblemática, símbolo da cultura sertaneja baiana, que mais tarde foi regravada por Tânia Alves. Outra de suas grandes composições, “Guerra de Facão”, percorreu o Brasil nas vozes de Zé Ramalho, Falcão e Roberto Seixas.

Suas músicas são verdadeiros retratos do sertão. Obras como Tecendo o Amanhecer, Sertões e Sertões, O Sertão Chora, Cuide Bem da Sua Estrada e Mosaicos exploram a vida rural, a religiosidade popular, a crítica social e a resistência cultural. Com seu estilo inconfundível — um misto de xote, toada, martelo e balada — Aragão se tornou um guardião da identidade nordestina.

Wilson Aragão não foi apenas um compositor de sucesso, mas também um poeta do povo. Sua obra está carregada de inteligência, ironia e denúncia, mas sempre envolta na leveza de quem conhece a força do riso sertanejo. Em cada letra, ele transformava o sofrimento em arte, e a alegria em resistência.

Faleceu em 24 de maio de 2025, aos 75 anos, em Salvador, vítima de câncer no fígado. Mas seu legado permanece vivo na memória de quem ama a música brasileira de raiz, a poesia nordestina, e o sertão baiano que chora e canta ao mesmo tempo.

Num tempo de canções descartáveis e de cultura pasteurizada, Wilson Aragão é farol. Não apenas por sua música, mas pelo que ela representa: um povo que canta a própria dor com orgulho e que transforma o esquecimento em memória viva.