Política e Resenha

ARTIGO – Corações que Sangram em Silêncio: O Legado Invisível dos que Nos Deram Vida

 

Por Padre Carlos

Há na natureza uma cena que desafia nossa compreensão sobre o amor: a mãe escorpião, em seu último ato de entrega, permite que seus próprios filhotes se alimentem de seu corpo. Ela não foge. Não grita. Apenas permanece imóvel, sacrificando-se em silêncio enquanto sua carne é devorada pelos seres que trouxe ao mundo. Um espetáculo brutal e, ao mesmo tempo, profundamente comovente de abnegação absoluta.

Este fenômeno, tão distante de nossa realidade cotidiana, carrega um espelho doloroso para nossa própria humanidade. Quantos pais e mães humanos não vivem, diariamente, uma versão menos literal, mas igualmente profunda, desse sacrifício silencioso?

Eles são os escorpiões de nossa espécie – trabalhadores incansáveis que gradualmente consomem suas próprias forças, seus próprios sonhos, suas próprias vidas. Levantam-se antes do amanhecer, dormem depois de todos, sacrificam desejos pessoais, adiam projetos de vida. Envelhecem prematuramente sob o peso de responsabilidades que abraçaram não por obrigação, mas por um amor que transcende o instinto.

A mãe que abre mão da carreira promissora para criar os filhos. O pai que trabalha em dois empregos para pagar a faculdade dos descendentes. Os avós que assumem novamente o papel de pais quando seus próprios filhos não podem. Em cada esquina de nossa sociedade, há um escorpião humano permitindo ser consumido, dia após dia, para que outros possam florescer.

Mas diferente do aracnídeo, cujo sacrifício é honrado pela natureza em seu ciclo perfeito, quantos de nossos “escorpiões humanos” terminam abandonados? Quantos pais, após décadas de entrega silenciosa, encontram-se em asilos vazios de visitas? Quantas mães, de mãos enrugadas e corações ainda cheios de amor, aguardam ligações que raramente vêm?

O tempo passa. O corpo cansa. E quando aqueles que tudo deram já não podem mais oferecer, são frequentemente deixados à margem da vida que ajudaram a construir. Trocados por ambições, compromissos, pela ilusão de que haverá tempo depois. Como se o amor que nos gerou fosse um recurso infinito, um poço sem fundo do qual podemos sempre extrair sem jamais precisar repor.

Há uma crueldade peculiar em nossa espécie – a capacidade de esquecer. De normalizar o extraordinário. De receber sacrifícios como se fossem obrigações. De considerar natural que pais envelheçam sozinhos enquanto construímos nossas vidas “ocupadas demais” para incluí-los.

Talvez seja tempo de olharmos para os escorpiões não com repulsa por sua brutalidade, mas com humildade diante de sua sabedoria. Eles nos ensinam que o amor verdadeiro não pede nada em troca – mas isso não significa que não devamos oferecer.

Pergunto-te, então: o que tens feito com os escorpiões da tua vida? Aqueles que consumiram suas próprias forças para que pudesses ter as tuas? Aqueles que, talvez neste exato momento, sentados em uma poltrona desgastada, aguardam não presentes caros, não soluções mágicas, mas apenas o calor da tua presença, o som da tua voz, a certeza de que seu sacrifício não foi em vão?

Amanhã pode ser tarde demais. O arrependimento é uma sombra fria que não aquece corações solitários nem preenche ausências. Não espere pelo “um dia” para retribuir, ainda que parcialmente, o amor que te permitiu ser quem és hoje.

Eles entregaram sua vida por ti. Será que não merecem, ao menos, um pouco do teu tempo?

Cuida dos teus hoje, enquanto o relógio ainda permite escolhas. O escorpião não pode fugir de seu destino – mas nós, humanos dotados de consciência e escolha, podemos escrever um final diferente para nossa história.

 

ARTIGO – Corações que Sangram em Silêncio: O Legado Invisível dos que Nos Deram Vida

 

Por Padre Carlos

Há na natureza uma cena que desafia nossa compreensão sobre o amor: a mãe escorpião, em seu último ato de entrega, permite que seus próprios filhotes se alimentem de seu corpo. Ela não foge. Não grita. Apenas permanece imóvel, sacrificando-se em silêncio enquanto sua carne é devorada pelos seres que trouxe ao mundo. Um espetáculo brutal e, ao mesmo tempo, profundamente comovente de abnegação absoluta.

Este fenômeno, tão distante de nossa realidade cotidiana, carrega um espelho doloroso para nossa própria humanidade. Quantos pais e mães humanos não vivem, diariamente, uma versão menos literal, mas igualmente profunda, desse sacrifício silencioso?

Eles são os escorpiões de nossa espécie – trabalhadores incansáveis que gradualmente consomem suas próprias forças, seus próprios sonhos, suas próprias vidas. Levantam-se antes do amanhecer, dormem depois de todos, sacrificam desejos pessoais, adiam projetos de vida. Envelhecem prematuramente sob o peso de responsabilidades que abraçaram não por obrigação, mas por um amor que transcende o instinto.

A mãe que abre mão da carreira promissora para criar os filhos. O pai que trabalha em dois empregos para pagar a faculdade dos descendentes. Os avós que assumem novamente o papel de pais quando seus próprios filhos não podem. Em cada esquina de nossa sociedade, há um escorpião humano permitindo ser consumido, dia após dia, para que outros possam florescer.

Mas diferente do aracnídeo, cujo sacrifício é honrado pela natureza em seu ciclo perfeito, quantos de nossos “escorpiões humanos” terminam abandonados? Quantos pais, após décadas de entrega silenciosa, encontram-se em asilos vazios de visitas? Quantas mães, de mãos enrugadas e corações ainda cheios de amor, aguardam ligações que raramente vêm?

O tempo passa. O corpo cansa. E quando aqueles que tudo deram já não podem mais oferecer, são frequentemente deixados à margem da vida que ajudaram a construir. Trocados por ambições, compromissos, pela ilusão de que haverá tempo depois. Como se o amor que nos gerou fosse um recurso infinito, um poço sem fundo do qual podemos sempre extrair sem jamais precisar repor.

Há uma crueldade peculiar em nossa espécie – a capacidade de esquecer. De normalizar o extraordinário. De receber sacrifícios como se fossem obrigações. De considerar natural que pais envelheçam sozinhos enquanto construímos nossas vidas “ocupadas demais” para incluí-los.

Talvez seja tempo de olharmos para os escorpiões não com repulsa por sua brutalidade, mas com humildade diante de sua sabedoria. Eles nos ensinam que o amor verdadeiro não pede nada em troca – mas isso não significa que não devamos oferecer.

Pergunto-te, então: o que tens feito com os escorpiões da tua vida? Aqueles que consumiram suas próprias forças para que pudesses ter as tuas? Aqueles que, talvez neste exato momento, sentados em uma poltrona desgastada, aguardam não presentes caros, não soluções mágicas, mas apenas o calor da tua presença, o som da tua voz, a certeza de que seu sacrifício não foi em vão?

Amanhã pode ser tarde demais. O arrependimento é uma sombra fria que não aquece corações solitários nem preenche ausências. Não espere pelo “um dia” para retribuir, ainda que parcialmente, o amor que te permitiu ser quem és hoje.

Eles entregaram sua vida por ti. Será que não merecem, ao menos, um pouco do teu tempo?

Cuida dos teus hoje, enquanto o relógio ainda permite escolhas. O escorpião não pode fugir de seu destino – mas nós, humanos dotados de consciência e escolha, podemos escrever um final diferente para nossa história.

 

Ciência Ignorada: Quando o Brasil Ganha o “Nobel da Agricultura” e Escolhe Falar de Bets

 

Por Padre Carlos

Você sabia que uma brasileira venceu o “Nobel da Agricultura” em 2025?

Se a resposta for “não”, você não está sozinho. O feito histórico da Dra. Mariangela Hungria, cientista da Embrapa Soja, passou praticamente despercebido na grande mídia nacional — e não por falta de importância. Justamente no dia em que ela foi anunciada como vencedora do World Food Prize 2025, o mais prestigioso prêmio internacional na área de agricultura e segurança alimentar, os holofotes estavam voltados para outro “evento”: a visita de uma influenciadora digital de apostas esportivas ao Senado Federal. E adivinhe qual dos dois assuntos dominou as manchetes?

Pois é.

Enquanto a mídia debatia a presença performática de Virginia Fonseca nas dependências do poder público, um marco da ciência brasileira era ignorado. Uma cientista nascida e formada aqui, reconhecida internacionalmente por desenvolver soluções sustentáveis que podem literalmente alimentar o mundo com menos impacto ambiental, recebia o prêmio fundado por Norman Borlaug, Prêmio Nobel da Paz e criador da Revolução Verde. Mas quem celebrou isso fora dos círculos acadêmicos e especializados?

Dra. Mariangela Hungria não é apenas uma pesquisadora de excelência — é uma gigante silenciosa da ciência nacional. Engenheira agrônoma pela Esalq/USP, com doutorado e pós-doutorados em instituições como Cornell e UC Davis, atua na Embrapa desde 1982. Seu foco? Reduzir a dependência de fertilizantes químicos, substituindo-os por tecnologias biológicas de fixação de nitrogênio — uma abordagem que permite produzir mais com menos: menos poluição, menos gasto, menos destruição ambiental.

Com atuação em projetos da Fundação Bill & Melinda Gates na África, colaborações com universidades dos EUA, Europa, América Latina e Oceania, e presença constante em rankings de cientistas mais influentes do mundo, Mariangela é um nome que deveria estar estampado nas capas de jornais, inspirando meninas a seguirem na ciência, impulsionando o orgulho nacional e orientando políticas públicas. Mas em vez disso, o Brasil preferiu falar de apostas e selfies no Senado.

O que isso nos revela? Um problema crônico de prioridades.

A ausência de cobertura não é mero descuido. É reflexo da subvalorização estrutural da ciência no Brasil. Nossos melhores cérebros seguem invisíveis enquanto celebramos escândalos, frivolidades e distrações. No país em que o orçamento de ciência e tecnologia é sistematicamente cortado, não surpreende que os próprios meios de comunicação ajam como cúmplices desse apagamento simbólico.

Mas essa narrativa precisa mudar. Porque é justamente em nomes como o de Mariangela Hungria que está o futuro que queremos: um país capaz de inovar sem destruir, de alimentar sem contaminar, de crescer sem perder o que tem de mais valioso — sua gente e sua natureza.

Premiações como o World Food Prize não são apenas troféus. São alertas. O mundo reconhece nossa capacidade. E nós, aqui dentro, quando vamos começar a fazer o mesmo?

Parabéns, Dra. Mariangela Hungria. Sua conquista é, sim, notícia. Sua trajetória é, sim, um orgulho nacional. Que sua voz ecoe mais alto do que os ruídos que insistem em nos distrair do que realmente importa.

Compartilhem. Espalhem. Corrijam essa injustiça. Porque o Brasil precisa ouvir mais sobre quem planta o futuro — e menos sobre quem aposta no caos.

 

Ciência Ignorada: Quando o Brasil Ganha o “Nobel da Agricultura” e Escolhe Falar de Bets

 

Por Padre Carlos

Você sabia que uma brasileira venceu o “Nobel da Agricultura” em 2025?

Se a resposta for “não”, você não está sozinho. O feito histórico da Dra. Mariangela Hungria, cientista da Embrapa Soja, passou praticamente despercebido na grande mídia nacional — e não por falta de importância. Justamente no dia em que ela foi anunciada como vencedora do World Food Prize 2025, o mais prestigioso prêmio internacional na área de agricultura e segurança alimentar, os holofotes estavam voltados para outro “evento”: a visita de uma influenciadora digital de apostas esportivas ao Senado Federal. E adivinhe qual dos dois assuntos dominou as manchetes?

Pois é.

Enquanto a mídia debatia a presença performática de Virginia Fonseca nas dependências do poder público, um marco da ciência brasileira era ignorado. Uma cientista nascida e formada aqui, reconhecida internacionalmente por desenvolver soluções sustentáveis que podem literalmente alimentar o mundo com menos impacto ambiental, recebia o prêmio fundado por Norman Borlaug, Prêmio Nobel da Paz e criador da Revolução Verde. Mas quem celebrou isso fora dos círculos acadêmicos e especializados?

Dra. Mariangela Hungria não é apenas uma pesquisadora de excelência — é uma gigante silenciosa da ciência nacional. Engenheira agrônoma pela Esalq/USP, com doutorado e pós-doutorados em instituições como Cornell e UC Davis, atua na Embrapa desde 1982. Seu foco? Reduzir a dependência de fertilizantes químicos, substituindo-os por tecnologias biológicas de fixação de nitrogênio — uma abordagem que permite produzir mais com menos: menos poluição, menos gasto, menos destruição ambiental.

Com atuação em projetos da Fundação Bill & Melinda Gates na África, colaborações com universidades dos EUA, Europa, América Latina e Oceania, e presença constante em rankings de cientistas mais influentes do mundo, Mariangela é um nome que deveria estar estampado nas capas de jornais, inspirando meninas a seguirem na ciência, impulsionando o orgulho nacional e orientando políticas públicas. Mas em vez disso, o Brasil preferiu falar de apostas e selfies no Senado.

O que isso nos revela? Um problema crônico de prioridades.

A ausência de cobertura não é mero descuido. É reflexo da subvalorização estrutural da ciência no Brasil. Nossos melhores cérebros seguem invisíveis enquanto celebramos escândalos, frivolidades e distrações. No país em que o orçamento de ciência e tecnologia é sistematicamente cortado, não surpreende que os próprios meios de comunicação ajam como cúmplices desse apagamento simbólico.

Mas essa narrativa precisa mudar. Porque é justamente em nomes como o de Mariangela Hungria que está o futuro que queremos: um país capaz de inovar sem destruir, de alimentar sem contaminar, de crescer sem perder o que tem de mais valioso — sua gente e sua natureza.

Premiações como o World Food Prize não são apenas troféus. São alertas. O mundo reconhece nossa capacidade. E nós, aqui dentro, quando vamos começar a fazer o mesmo?

Parabéns, Dra. Mariangela Hungria. Sua conquista é, sim, notícia. Sua trajetória é, sim, um orgulho nacional. Que sua voz ecoe mais alto do que os ruídos que insistem em nos distrair do que realmente importa.

Compartilhem. Espalhem. Corrijam essa injustiça. Porque o Brasil precisa ouvir mais sobre quem planta o futuro — e menos sobre quem aposta no caos.

 

Infraestrutura com Dois Pesos e Duas Medidas: A Injustiça Contra o Sudoeste Baiano

 

Por Padre Carlos

A imagem do prefeito de Feira de Santana, ladeado pelo ministro dos Transportes Renan Filho e pelo governador Jerônimo Rodrigues, celebrando a duplicação do anel de contorno da cidade, representa mais do que um avanço de infraestrutura: ela simboliza o poder da articulação política e da vontade administrativa. Uma obra aguardada por anos, agora impulsionada por um investimento de R$ 179,42 milhões, com previsão de entrega em apenas um ano, é, sem dúvida, um marco para os feirenses. Contudo, essa imagem vibrante e otimista traz à tona uma dolorosa reflexão: e Vitória da Conquista?

Enquanto a Princesa do Sertão experimenta a concretização de um antigo sonho, a maior cidade do sudoeste baiano amarga um cenário de abandono e negligência. A duplicação da BR-116, a construção de viadutos e outras intervenções que garantiriam segurança e fluidez ao tráfego urbano foram postas de lado, soterradas pela ineficiência e falta de compromisso da ViaBahia – uma concessão que já deveria ter sido revogada por desrespeito às mínimas exigências de um contrato público. A prefeita Sheila Lemos tem se mostrado incansável nas cobranças, alertando para o caráter emergencial das intervenções. Mas, até aqui, clama no deserto de promessas não cumpridas.

O contraste é gritante – e inaceitável. Se em Feira de Santana a duplicação do anel rodoviário será finalizada em um ano, em Vitória da Conquista, projetos similares contam com prazos absurdos de oito anos, isso se saírem do papel. O descompasso entre as regiões não é técnico, mas político. E é aí que mora a indignação.

A injustiça se aprofunda ainda mais quando olhamos para o norte baiano. Em Juazeiro, o governo federal avança com a duplicação de uma ponte, a extensão do projeto até a rotatória da Ceasa e a construção de três viadutos. Tudo com recursos 100% públicos. Nada de pedágios, nada de concessões, nada de ônus adicional ao cidadão. Um investimento de R$ 180 milhões que escancara o verdadeiro divisor de águas: a prioridade política. Há, sim, dinheiro público. Falta é decisão para que ele chegue a quem também precisa – e merece.

Não se trata de apontar o dedo para o progresso de outras cidades. Feira de Santana e Juazeiro merecem seus avanços, assim como qualquer município que luta por dias melhores. O problema está na ausência de isonomia, no critério desigual com que o governo federal, por meio do DNIT, distribui os investimentos em infraestrutura. Vitória da Conquista não pode continuar sendo a exceção em um estado que avança em diferentes frentes com recursos públicos diretos.

É inaceitável que se insista na privatização como única solução para a malha viária conquistense, quando há provas concretas de que é possível realizar obras estruturantes sem recorrer à iniciativa privada. A concessão da ViaBahia é um fracasso evidente, um entrave ao desenvolvimento, e não pode continuar sendo o álibi para a inação.

Diante dessa realidade, Vitória da Conquista precisa reagir. A hora é de união. A sociedade civil, empresários, trabalhadores, lideranças religiosas, movimentos sociais e representantes políticos – independentemente de filiações partidárias – devem formar uma frente única e coesa em defesa do que é justo. Não se trata de clamar por benesses. Trata-se de reivindicar o que é de direito.

A infraestrutura é base do progresso. É ela que atrai investimentos, que gera empregos, que reduz desigualdades e salva vidas. A cada dia de descaso, a população paga com acidentes, perdas econômicas e a sensação constante de que vive à margem das prioridades do Estado.

Vitória da Conquista não implora – exige. E a exigência é clara: o mesmo tratamento que o DNIT dispensou a Juazeiro e a Feira de Santana deve ser estendido à nossa cidade. O mesmo comprometimento, os mesmos recursos, o mesmo respeito.

Chega de passividade. É tempo de mobilização. A desigualdade regional não se resolve com discursos, mas com ação. E, enquanto houver um conquistense consciente, engajado e disposto a lutar, essa cobrança seguirá viva.

Vitória da Conquista quer – e vai – ser protagonista do seu próprio destino. Porque desenvolvimento não se mendiga. Se conquista.

Infraestrutura com Dois Pesos e Duas Medidas: A Injustiça Contra o Sudoeste Baiano

 

Por Padre Carlos

A imagem do prefeito de Feira de Santana, ladeado pelo ministro dos Transportes Renan Filho e pelo governador Jerônimo Rodrigues, celebrando a duplicação do anel de contorno da cidade, representa mais do que um avanço de infraestrutura: ela simboliza o poder da articulação política e da vontade administrativa. Uma obra aguardada por anos, agora impulsionada por um investimento de R$ 179,42 milhões, com previsão de entrega em apenas um ano, é, sem dúvida, um marco para os feirenses. Contudo, essa imagem vibrante e otimista traz à tona uma dolorosa reflexão: e Vitória da Conquista?

Enquanto a Princesa do Sertão experimenta a concretização de um antigo sonho, a maior cidade do sudoeste baiano amarga um cenário de abandono e negligência. A duplicação da BR-116, a construção de viadutos e outras intervenções que garantiriam segurança e fluidez ao tráfego urbano foram postas de lado, soterradas pela ineficiência e falta de compromisso da ViaBahia – uma concessão que já deveria ter sido revogada por desrespeito às mínimas exigências de um contrato público. A prefeita Sheila Lemos tem se mostrado incansável nas cobranças, alertando para o caráter emergencial das intervenções. Mas, até aqui, clama no deserto de promessas não cumpridas.

O contraste é gritante – e inaceitável. Se em Feira de Santana a duplicação do anel rodoviário será finalizada em um ano, em Vitória da Conquista, projetos similares contam com prazos absurdos de oito anos, isso se saírem do papel. O descompasso entre as regiões não é técnico, mas político. E é aí que mora a indignação.

A injustiça se aprofunda ainda mais quando olhamos para o norte baiano. Em Juazeiro, o governo federal avança com a duplicação de uma ponte, a extensão do projeto até a rotatória da Ceasa e a construção de três viadutos. Tudo com recursos 100% públicos. Nada de pedágios, nada de concessões, nada de ônus adicional ao cidadão. Um investimento de R$ 180 milhões que escancara o verdadeiro divisor de águas: a prioridade política. Há, sim, dinheiro público. Falta é decisão para que ele chegue a quem também precisa – e merece.

Não se trata de apontar o dedo para o progresso de outras cidades. Feira de Santana e Juazeiro merecem seus avanços, assim como qualquer município que luta por dias melhores. O problema está na ausência de isonomia, no critério desigual com que o governo federal, por meio do DNIT, distribui os investimentos em infraestrutura. Vitória da Conquista não pode continuar sendo a exceção em um estado que avança em diferentes frentes com recursos públicos diretos.

É inaceitável que se insista na privatização como única solução para a malha viária conquistense, quando há provas concretas de que é possível realizar obras estruturantes sem recorrer à iniciativa privada. A concessão da ViaBahia é um fracasso evidente, um entrave ao desenvolvimento, e não pode continuar sendo o álibi para a inação.

Diante dessa realidade, Vitória da Conquista precisa reagir. A hora é de união. A sociedade civil, empresários, trabalhadores, lideranças religiosas, movimentos sociais e representantes políticos – independentemente de filiações partidárias – devem formar uma frente única e coesa em defesa do que é justo. Não se trata de clamar por benesses. Trata-se de reivindicar o que é de direito.

A infraestrutura é base do progresso. É ela que atrai investimentos, que gera empregos, que reduz desigualdades e salva vidas. A cada dia de descaso, a população paga com acidentes, perdas econômicas e a sensação constante de que vive à margem das prioridades do Estado.

Vitória da Conquista não implora – exige. E a exigência é clara: o mesmo tratamento que o DNIT dispensou a Juazeiro e a Feira de Santana deve ser estendido à nossa cidade. O mesmo comprometimento, os mesmos recursos, o mesmo respeito.

Chega de passividade. É tempo de mobilização. A desigualdade regional não se resolve com discursos, mas com ação. E, enquanto houver um conquistense consciente, engajado e disposto a lutar, essa cobrança seguirá viva.

Vitória da Conquista quer – e vai – ser protagonista do seu próprio destino. Porque desenvolvimento não se mendiga. Se conquista.

ARTIGO – A queda de Ednaldo e o xadrez da exclusão nordestina na CBF (Padre Carlos)

 

 

 

 

A crônica política do futebol brasileiro sempre teve um roteiro previsível e uma geografia viciada: os donos do poder vivem entre o Rio de Janeiro e São Paulo. É dali que se orquestra o jogo bruto, com passes curtos de bastidores, dribles na legalidade e gols contra o Brasil profundo. A recente queda de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF escancara o menosprezo sistemático às lideranças que emergem fora do eixo tradicional, especialmente quando elas brotam do sertão nordestino com sotaque firme e espinha ereta.

Ednaldo, nascido em Vitória da Conquista na Bahia, foi alvejado não apenas por articulações jurídicas, mas por um complô frio e estratégico dos “cartolas do asfalto”, aqueles que consideram o Nordeste um mero celeiro de craques e não uma fonte legítima de dirigentes. Não é coincidência que esta seja a segunda tentativa de excluí-lo do comando da CBF. A primeira, em dezembro de 2023, foi revertida apenas com a intervenção do Supremo Tribunal Federal, um recurso de última instância que, aliás, desagrada os barões do futebol, sempre avessos à fiscalização institucional.

Agora, com Fernando Sarney assumindo interinamente e novas eleições convocadas às pressas, o jogo de xadrez se intensifica. Samir Xaud, do longínquo — e politicamente discreto — estado de Roraima, surge como candidato único, quase um “peão dourado” movido no tabuleiro por mãos invisíveis. Ednaldo, cansado de enfrentar o sistema, decidiu não recorrer nem apoiar ninguém. Sua desistência é, em si, uma denúncia do processo viciado que se repete sob nova roupagem.

Esse movimento tem implicações profundas, inclusive na esfera técnica. A possível chegada do italiano Carlo Ancelotti como técnico da seleção agora paira sob incerteza. A CBF afirma que o contrato está mantido, mas o vácuo político pode implodir acordos e projetar um novo ciclo de instabilidade.

Mais do que a queda de um homem, o episódio de Ednaldo revela o fracasso do modelo de governança da CBF. Trata-se de uma entidade que opera sob a lógica feudal: presidentes são eleitos por presidentes de federações, com votos distribuídos em moedas simbólicas de lealdade e favorecimento. Os interesses do futebol brasileiro são reféns de uma elite anacrônica que recusa qualquer interferência vinda de fora do seu círculo.

A CBF precisa urgentemente de reformas. Mas enquanto as decisões continuarem sendo tomadas nos salões engomados do Sudeste, longe da realidade do torcedor comum, a queda de Ednaldo será apenas mais um capítulo do manual de exclusão das vozes nordestinas — vozes que, ironicamente, sempre deram alma e talento ao futebol do Brasil.

 

ARTIGO – A queda de Ednaldo e o xadrez da exclusão nordestina na CBF (Padre Carlos)

 

 

 

 

A crônica política do futebol brasileiro sempre teve um roteiro previsível e uma geografia viciada: os donos do poder vivem entre o Rio de Janeiro e São Paulo. É dali que se orquestra o jogo bruto, com passes curtos de bastidores, dribles na legalidade e gols contra o Brasil profundo. A recente queda de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF escancara o menosprezo sistemático às lideranças que emergem fora do eixo tradicional, especialmente quando elas brotam do sertão nordestino com sotaque firme e espinha ereta.

Ednaldo, nascido em Vitória da Conquista na Bahia, foi alvejado não apenas por articulações jurídicas, mas por um complô frio e estratégico dos “cartolas do asfalto”, aqueles que consideram o Nordeste um mero celeiro de craques e não uma fonte legítima de dirigentes. Não é coincidência que esta seja a segunda tentativa de excluí-lo do comando da CBF. A primeira, em dezembro de 2023, foi revertida apenas com a intervenção do Supremo Tribunal Federal, um recurso de última instância que, aliás, desagrada os barões do futebol, sempre avessos à fiscalização institucional.

Agora, com Fernando Sarney assumindo interinamente e novas eleições convocadas às pressas, o jogo de xadrez se intensifica. Samir Xaud, do longínquo — e politicamente discreto — estado de Roraima, surge como candidato único, quase um “peão dourado” movido no tabuleiro por mãos invisíveis. Ednaldo, cansado de enfrentar o sistema, decidiu não recorrer nem apoiar ninguém. Sua desistência é, em si, uma denúncia do processo viciado que se repete sob nova roupagem.

Esse movimento tem implicações profundas, inclusive na esfera técnica. A possível chegada do italiano Carlo Ancelotti como técnico da seleção agora paira sob incerteza. A CBF afirma que o contrato está mantido, mas o vácuo político pode implodir acordos e projetar um novo ciclo de instabilidade.

Mais do que a queda de um homem, o episódio de Ednaldo revela o fracasso do modelo de governança da CBF. Trata-se de uma entidade que opera sob a lógica feudal: presidentes são eleitos por presidentes de federações, com votos distribuídos em moedas simbólicas de lealdade e favorecimento. Os interesses do futebol brasileiro são reféns de uma elite anacrônica que recusa qualquer interferência vinda de fora do seu círculo.

A CBF precisa urgentemente de reformas. Mas enquanto as decisões continuarem sendo tomadas nos salões engomados do Sudeste, longe da realidade do torcedor comum, a queda de Ednaldo será apenas mais um capítulo do manual de exclusão das vozes nordestinas — vozes que, ironicamente, sempre deram alma e talento ao futebol do Brasil.

 

ARTIGO – O altar dos bebês Reborn: quando a fantasia vira surto coletivo

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história da humanidade em que o absurdo deixa de ser exceção e se converte em norma, celebrado com ternura, promovido por especialistas, ovacionado nas redes e transformado em indústria. Vivemos esse tempo. A febre dos bebês Reborn — bonecos hiper-realistas tratados como filhos — não é apenas uma excentricidade inofensiva, nem tampouco um modismo passageiro. É o retrato escancarado de um colapso emocional e espiritual de uma geração órfã de sentido.

Pergunto-me: em que ponto da estrada a civilização decidiu que seria normal fingir que um boneco é uma criança? Quando se tornou terapêutico oferecer mamadeira a um pedaço de silicone, trocar a fralda de um boneco sem órgãos, chorar diante de olhos de vidro e chamá-los de “meu bebê”? Isso não é amor. Isso não é arte. Isso é delírio.

Não falo aqui com desdém, mas com a preocupação de quem vê a humanidade afundar num pântano de fantasias disfarçadas de cura. Não há empatia verdadeira na simulação da dor, há fuga. Não há enfrentamento saudável quando se escolhe amar o que não tem alma, o que não exige sacrifício, o que não devolve olhar. Isso não é acolhimento da dor. É anestesia de um trauma que grita e não encontra eco.

Vivemos um tempo onde a realidade se tornou insuportável. A perda, a solidão, o luto, a frustração… tudo é tratado como patologia. E, como bons pacientes de uma era anestesiada, tomamos doses diárias de fantasia para não encarar o vazio. Os bebês Reborn são um placebo afetivo para um mundo em colapso. E o mais assustador: transformamos esse surto em indústria.

A indústria lucra. Influenciadores promovem. Psicólogos silenciam. E a sociedade aplaude. Chá de bebê para bonecos, carteirinha de vacinação fictícia, certidão de nascimento, creches de mentira, sessões fotográficas para olhos de vidro… Criamos todo um universo para sustentar o delírio. E o delírio, uma vez aceito em massa, vira norma.

Enquanto isso, crianças reais — de carne, alma e dor — são abortadas, esquecidas, violentadas, abandonadas. Mães reais, com filhos reais, enfrentam o peso da maternidade sem apoio, sem aplauso, sem chá revelação, sem curtidas. A maternidade autêntica é marginalizada. A de mentira é celebrada.

A quem interessa essa loucura?
A resposta é simples: ao mercado. Ao algoritmo. À sociedade que prefere o afeto sem risco, o amor sem dor, a maternidade sem sacrifício. O bebê Reborn é o símbolo da maternidade estéril do século XXI: limpa, previsível, sem alma. Uma maternidade de plástico para corações de vidro.

Isso não é apenas uma moda exótica. É um sintoma. Um grito sufocado de uma geração que perdeu o eixo, a transcendência, o contato com o real. Que trocou o sagrado pelo artificial. Que prefere amar o inanimado do que lidar com a dor de ser humano. Que enfeita o delírio e o transforma em estilo de vida.

Mas a pergunta que precisamos fazer com urgência é: e quando o último refúgio for só fantasia?
Quando a realidade se tornar insuportável para todos nós, qual será o próximo passo?

Os bebês Reborn não são apenas brinquedos. São espelhos. Mostram o quanto nos tornamos frágeis, infantis, anestesiados. São os novos ídolos de uma civilização que não sabe mais lidar com a dor, com o luto, com a ausência. E que, por isso, prefere embalar o delírio como consolo.

ARTIGO – O altar dos bebês Reborn: quando a fantasia vira surto coletivo

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história da humanidade em que o absurdo deixa de ser exceção e se converte em norma, celebrado com ternura, promovido por especialistas, ovacionado nas redes e transformado em indústria. Vivemos esse tempo. A febre dos bebês Reborn — bonecos hiper-realistas tratados como filhos — não é apenas uma excentricidade inofensiva, nem tampouco um modismo passageiro. É o retrato escancarado de um colapso emocional e espiritual de uma geração órfã de sentido.

Pergunto-me: em que ponto da estrada a civilização decidiu que seria normal fingir que um boneco é uma criança? Quando se tornou terapêutico oferecer mamadeira a um pedaço de silicone, trocar a fralda de um boneco sem órgãos, chorar diante de olhos de vidro e chamá-los de “meu bebê”? Isso não é amor. Isso não é arte. Isso é delírio.

Não falo aqui com desdém, mas com a preocupação de quem vê a humanidade afundar num pântano de fantasias disfarçadas de cura. Não há empatia verdadeira na simulação da dor, há fuga. Não há enfrentamento saudável quando se escolhe amar o que não tem alma, o que não exige sacrifício, o que não devolve olhar. Isso não é acolhimento da dor. É anestesia de um trauma que grita e não encontra eco.

Vivemos um tempo onde a realidade se tornou insuportável. A perda, a solidão, o luto, a frustração… tudo é tratado como patologia. E, como bons pacientes de uma era anestesiada, tomamos doses diárias de fantasia para não encarar o vazio. Os bebês Reborn são um placebo afetivo para um mundo em colapso. E o mais assustador: transformamos esse surto em indústria.

A indústria lucra. Influenciadores promovem. Psicólogos silenciam. E a sociedade aplaude. Chá de bebê para bonecos, carteirinha de vacinação fictícia, certidão de nascimento, creches de mentira, sessões fotográficas para olhos de vidro… Criamos todo um universo para sustentar o delírio. E o delírio, uma vez aceito em massa, vira norma.

Enquanto isso, crianças reais — de carne, alma e dor — são abortadas, esquecidas, violentadas, abandonadas. Mães reais, com filhos reais, enfrentam o peso da maternidade sem apoio, sem aplauso, sem chá revelação, sem curtidas. A maternidade autêntica é marginalizada. A de mentira é celebrada.

A quem interessa essa loucura?
A resposta é simples: ao mercado. Ao algoritmo. À sociedade que prefere o afeto sem risco, o amor sem dor, a maternidade sem sacrifício. O bebê Reborn é o símbolo da maternidade estéril do século XXI: limpa, previsível, sem alma. Uma maternidade de plástico para corações de vidro.

Isso não é apenas uma moda exótica. É um sintoma. Um grito sufocado de uma geração que perdeu o eixo, a transcendência, o contato com o real. Que trocou o sagrado pelo artificial. Que prefere amar o inanimado do que lidar com a dor de ser humano. Que enfeita o delírio e o transforma em estilo de vida.

Mas a pergunta que precisamos fazer com urgência é: e quando o último refúgio for só fantasia?
Quando a realidade se tornar insuportável para todos nós, qual será o próximo passo?

Os bebês Reborn não são apenas brinquedos. São espelhos. Mostram o quanto nos tornamos frágeis, infantis, anestesiados. São os novos ídolos de uma civilização que não sabe mais lidar com a dor, com o luto, com a ausência. E que, por isso, prefere embalar o delírio como consolo.

ARTIGO – Entre a floresta e a soberania: por que chegou a hora do Brasil explorar seu petróleo

 

 

(Padre Carlos)

Após anos de impasses regulatórios, embates ideológicos e sabotagens veladas, o Brasil finalmente deu um passo decisivo rumo à soberania energética. A aprovação pelo IBAMA do plano de pesquisa marítima da Petrobras para a Foz do Amazonas encerra, ou ao menos suspende, um ciclo de boicotes silenciosos e interesses contrariados.

Desde 2020, o Brasil tentou avançar na exploração da chamada margem equatorial — uma das últimas fronteiras energéticas do planeta. Mas foi impedido por uma combinação de discursos ambientalistas radicais, pressão internacional e inércia burocrática. Em muitos casos, o atraso interessava a quem teme um Brasil forte, autônomo e dono de suas riquezas.

A narrativa ambiental, legítima em sua essência, foi sequestrada. O cuidado com a biodiversidade se transformou em pretexto para paralisar decisões estratégicas, ignorando que as economias que mais defendem o meio ambiente também exploram suas riquezas naturais com inteligência e tecnologia.

A Petrobras, duramente cobrada, respondeu com protocolos inéditos e rigorosos. O Plano de Emergência Individual apresentado inclui planos de socorro à fauna oleada e um sistema robusto de resposta a incidentes. A empresa passou no teste. Mas o que se coloca agora é uma pergunta maior: o que faremos com essa riqueza?

Não basta extrair o petróleo. É preciso definir um projeto nacional. Educação, saúde e ciência precisam ser os destinos prioritários dessa nova fonte de recursos. O petróleo deve financiar o futuro, não apenas o presente. A tragédia seria transformar a nova chance em mais uma oportunidade perdida.

Que este marco na exploração da Amazônia legal não seja apenas uma vitória da Petrobras, mas do povo brasileiro. O país precisa avançar — com responsabilidade, mas também com coragem.

ARTIGO – Entre a floresta e a soberania: por que chegou a hora do Brasil explorar seu petróleo

 

 

(Padre Carlos)

Após anos de impasses regulatórios, embates ideológicos e sabotagens veladas, o Brasil finalmente deu um passo decisivo rumo à soberania energética. A aprovação pelo IBAMA do plano de pesquisa marítima da Petrobras para a Foz do Amazonas encerra, ou ao menos suspende, um ciclo de boicotes silenciosos e interesses contrariados.

Desde 2020, o Brasil tentou avançar na exploração da chamada margem equatorial — uma das últimas fronteiras energéticas do planeta. Mas foi impedido por uma combinação de discursos ambientalistas radicais, pressão internacional e inércia burocrática. Em muitos casos, o atraso interessava a quem teme um Brasil forte, autônomo e dono de suas riquezas.

A narrativa ambiental, legítima em sua essência, foi sequestrada. O cuidado com a biodiversidade se transformou em pretexto para paralisar decisões estratégicas, ignorando que as economias que mais defendem o meio ambiente também exploram suas riquezas naturais com inteligência e tecnologia.

A Petrobras, duramente cobrada, respondeu com protocolos inéditos e rigorosos. O Plano de Emergência Individual apresentado inclui planos de socorro à fauna oleada e um sistema robusto de resposta a incidentes. A empresa passou no teste. Mas o que se coloca agora é uma pergunta maior: o que faremos com essa riqueza?

Não basta extrair o petróleo. É preciso definir um projeto nacional. Educação, saúde e ciência precisam ser os destinos prioritários dessa nova fonte de recursos. O petróleo deve financiar o futuro, não apenas o presente. A tragédia seria transformar a nova chance em mais uma oportunidade perdida.

Que este marco na exploração da Amazônia legal não seja apenas uma vitória da Petrobras, mas do povo brasileiro. O país precisa avançar — com responsabilidade, mas também com coragem.

Manchetes dos principais jornais nacionais desta terça-feira

 

 

 

Da Redação
Publicado em 20 de maio de 2025

 

 

Folha de S. Paulo
Governo Lula veta curso a distância em carreiras de saúde e no direito

https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2025/05/o-que-muda-com-o-novo-decreto-de-lula-para-o-ensino-a-distancia.shtml

 

O Estado de S. Paulo
MEC veta ensino a distância em 5 carreiras e cria semipresencial

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-mec-veta-ensino-a-distancia-em-5-carreiras-e-cria-semipresencial/?srsltid=AfmBOoog3g-qn7xxIc7yL9kOyKl-_P4eszDjfKN_P1mlNRE6nmnKTdcI

 

Jornal do Commercio (PE)
MEC veta Medicina, Direito e mais três cursos a distância

https://www.jornaldocomercio.com/geral/2025/05/1203056-mec-proibe-educacao-a-distancia-ead-em-direito-medicina-e-mais-tres-graduacoes.html

 

Estado de Minas
UEMG
Futuro incerto

https://www.em.com.br/

 

A Tarde (BA)
Bahia terá R$ 67 milhões para estimular educação científica

https://atarde.com.br/politica/bahia/jeronimo-recebe-ministra-para-anunciar-investimento-de-r-67-milhoes-1318142

 

Diário do Nordeste (CE)
624 mil cearenses saem da pobreza em dois anos

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/

 

O Globo
Ao STF, ex-chefe do Exército confirma minuta golpista

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/05/19/freire-gomes-apresenta-versao-questionada-sobre-discussao-de-trama-golpista-nao-causou-especie.ghtml

 

Folha de Pernambuco
Ensino à distância tem novas regras

https://www.folhape.com.br/noticias/extincao-de-cursos-100-ead-e-provas-presenciais-entenda-o-que-muda/412234/

 

O Dia (RJ)
Policial da Core morre em operação na Cidade de Deus

https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2025/05/7058753-video-policial-da-core-morre-baleado-em-operacao-na-cidade-de-deus.html

 

Diário de Pernambuco
Brasil suspende exportações avícolas para 17 destinos

https://impresso.diariodepernambuco.com.br/noticia/cadernos/brasil/2025/05/gripe-aviaria-exportacoes-estao-suspensas.html

 

Correio Braziliense
Vidas destruídas pela covardia

https://www.correiobraziliense.com.br/

 

Correio do Povo (RS)
MEC proíbe cursos EAD para Medicina, Direito e Odonto

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADtica/mec-pro%C3%ADbe-educa%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-dist%C3%A2ncia-ead-em-medicina-direito-e-outros-tr%C3%AAs-cursos-1.1610228

 

Meia Hora (RJ)
Policial morre com tiro na cabeça na Cidade de Deus

https://www.meiahora.com.br/rio-de-janeiro/2018/05/5536957-video-policial-do-bope-e-baleado-em-operacao-na-cidade-de-deus.html

 

 

Manchetes dos principais jornais nacionais desta terça-feira

 

 

 

Da Redação
Publicado em 20 de maio de 2025

 

 

Folha de S. Paulo
Governo Lula veta curso a distância em carreiras de saúde e no direito

https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2025/05/o-que-muda-com-o-novo-decreto-de-lula-para-o-ensino-a-distancia.shtml

 

O Estado de S. Paulo
MEC veta ensino a distância em 5 carreiras e cria semipresencial

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-mec-veta-ensino-a-distancia-em-5-carreiras-e-cria-semipresencial/?srsltid=AfmBOoog3g-qn7xxIc7yL9kOyKl-_P4eszDjfKN_P1mlNRE6nmnKTdcI

 

Jornal do Commercio (PE)
MEC veta Medicina, Direito e mais três cursos a distância

https://www.jornaldocomercio.com/geral/2025/05/1203056-mec-proibe-educacao-a-distancia-ead-em-direito-medicina-e-mais-tres-graduacoes.html

 

Estado de Minas
UEMG
Futuro incerto

https://www.em.com.br/

 

A Tarde (BA)
Bahia terá R$ 67 milhões para estimular educação científica

https://atarde.com.br/politica/bahia/jeronimo-recebe-ministra-para-anunciar-investimento-de-r-67-milhoes-1318142

 

Diário do Nordeste (CE)
624 mil cearenses saem da pobreza em dois anos

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/

 

O Globo
Ao STF, ex-chefe do Exército confirma minuta golpista

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/05/19/freire-gomes-apresenta-versao-questionada-sobre-discussao-de-trama-golpista-nao-causou-especie.ghtml

 

Folha de Pernambuco
Ensino à distância tem novas regras

https://www.folhape.com.br/noticias/extincao-de-cursos-100-ead-e-provas-presenciais-entenda-o-que-muda/412234/

 

O Dia (RJ)
Policial da Core morre em operação na Cidade de Deus

https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2025/05/7058753-video-policial-da-core-morre-baleado-em-operacao-na-cidade-de-deus.html

 

Diário de Pernambuco
Brasil suspende exportações avícolas para 17 destinos

https://impresso.diariodepernambuco.com.br/noticia/cadernos/brasil/2025/05/gripe-aviaria-exportacoes-estao-suspensas.html

 

Correio Braziliense
Vidas destruídas pela covardia

https://www.correiobraziliense.com.br/

 

Correio do Povo (RS)
MEC proíbe cursos EAD para Medicina, Direito e Odonto

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADtica/mec-pro%C3%ADbe-educa%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-dist%C3%A2ncia-ead-em-medicina-direito-e-outros-tr%C3%AAs-cursos-1.1610228

 

Meia Hora (RJ)
Policial morre com tiro na cabeça na Cidade de Deus

https://www.meiahora.com.br/rio-de-janeiro/2018/05/5536957-video-policial-do-bope-e-baleado-em-operacao-na-cidade-de-deus.html

 

 

Prefeitura lança arraiá da conquista 2025 e anuncia atrações principais nesta terça ,20

O lançamento oficial do Arraiá da Conquista 2025 acontece nesta terça-feira (20), às 18h30, no Parque de Exposições Teopompo de Almeida, com a presença da imprensa, de membros do Governo Municipal e da Câmara. Na oportunidade, a prefeita Sheila Lemos anunciará as principais atrações musicais que vão compor esta edição do evento, que este ano será realizado no Parque de Exposições – local mais amplo, com mais conforto e segurança para a população e os visitantes, já que a festa ganhou, nos últimos anos, uma proporção muito grande.

O São João de Vitória da Conquista se tornou um dos principais destinos regionais, com projeção nacional, além de ser um importante símbolo cultural para a população da cidade e motivo de orgulho para os conquistenses. Em 2024, o Arraiá da Conquista recebeu um público recorde de 25 mil pessoas em uma das noites, e nas demais, a média de público foi de 20 mil.

Como sempre, os festejos juninos em Vitória da Conquista começam no Dia dos Namorados – 12 de junho – na praça Nove de Novembro, e seguem até o dia 18. No dia 20, a programação começa no Parque de Exposições e vai até 24 de junho.

Para animar a noite de lançamento, estarão presentes Erlan Forrozão, Forrozão da Arapuca e Quadrilha Junina Luz do Nordeste.

Prefeitura lança arraiá da conquista 2025 e anuncia atrações principais nesta terça ,20

O lançamento oficial do Arraiá da Conquista 2025 acontece nesta terça-feira (20), às 18h30, no Parque de Exposições Teopompo de Almeida, com a presença da imprensa, de membros do Governo Municipal e da Câmara. Na oportunidade, a prefeita Sheila Lemos anunciará as principais atrações musicais que vão compor esta edição do evento, que este ano será realizado no Parque de Exposições – local mais amplo, com mais conforto e segurança para a população e os visitantes, já que a festa ganhou, nos últimos anos, uma proporção muito grande.

O São João de Vitória da Conquista se tornou um dos principais destinos regionais, com projeção nacional, além de ser um importante símbolo cultural para a população da cidade e motivo de orgulho para os conquistenses. Em 2024, o Arraiá da Conquista recebeu um público recorde de 25 mil pessoas em uma das noites, e nas demais, a média de público foi de 20 mil.

Como sempre, os festejos juninos em Vitória da Conquista começam no Dia dos Namorados – 12 de junho – na praça Nove de Novembro, e seguem até o dia 18. No dia 20, a programação começa no Parque de Exposições e vai até 24 de junho.

Para animar a noite de lançamento, estarão presentes Erlan Forrozão, Forrozão da Arapuca e Quadrilha Junina Luz do Nordeste.

ARTIGO – Tocando em Frente: uma canção que nos atravessa

 

(Padre Carlos)

Ando devagar porque já tive pressa… Eis uma frase que não se ouve, se vive. E foi assim, sem esperar nada, que me vi, de repente, atravessado por uma melodia que parecia brotar do centro da terra — ou da alma. “Tocando em Frente”, música de Almir Sater e Renato Teixeira, chegou a mim como chegam os grandes encontros da vida: sem aviso, mas com a força serena de quem já morava no meu silêncio.

Descobrir essa canção é como encontrar um velho amigo que você nunca conheceu — mas que de alguma forma sempre esteve com você. Quando os primeiros acordes ecoaram, eu ainda não sabia o que viria. Um dedilhado simples, um ritmo que não pressiona, uma cadência que convida a respirar junto. E então, como um sopro, veio a voz rouca, limpa, ancestral. Uma voz que não canta para impressionar, mas para lembrar.

Essa música não foi feita, foi dada. Almir contou, quase com incredulidade, que ela nasceu ali, entre a cozinha e a sala de jantar, enquanto ele dedilhava um violão com corda faltando e Renato rabiscava versos entre um chamado para a mesa e outro. Tinha tudo para ser esquecida, mas foi lembrada por Betânia, a sacerdotisa da canção, que ao ouvi-la pelo telefone, apenas disse: “Essa música é minha”. E estava certa. Era dela. É nossa.

A letra é um rosário de sabedorias pequenas — mas que contêm o mundo. Fala de levar um sorriso porque já se chorou demais, de aprender a viver sem entender tudo, de aceitar o tempo da vida. Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs. Parece simples, mas é alquimia pura: transformar o cotidiano em sagrado. Verso após verso, a canção ensina que viver é seguir — e seguir é tocar em frente, mesmo sem entender, mesmo doendo, mesmo cansado.

Essa simplicidade é uma arte rara. Lembro-me da poesia de Manoel de Barros, que fazia do barro um universo. Ou da paleta de Cândido Portinari, que pintava a dor e a dignidade do povo com as cores do sertão. “Tocando em Frente” está nesse panteão das manifestações artísticas brasileiras que fazem da humildade uma grandeza, do comum uma epifania.

Mas há algo mais: essa música é uma oração. Não no sentido religioso formal, mas como meditação vivida. Ela nos convida a olhar para dentro, a aceitar o que somos com ternura. Fala de espiritualidade sem nomear deuses. Fala de fé como quem fala de estrada: longa, áspera, bela, incontrolável. Há nela uma reverência silenciosa pela existência. É o tipo de música que se escuta de olhos fechados — e coração aberto.

Num país que pulsa samba, choro, baião, forró, rap e tantas linguagens de alma, “Tocando em Frente” encontrou seu lugar como um hino íntimo. Ela não levanta multidões em estádio, mas junta famílias ao redor da fogueira, amigos ao redor do violão, gente ao redor de si mesma. Sua força está no silêncio que deixa depois que termina.

E quando acaba, a gente não aplaude. A gente respira. Porque percebe que ela não passou pela gente. Foi a gente que passou por ela.

Tocar em frente, afinal, é mais do que seguir. É continuar humano. É seguir amando, errando, aprendendo — e, acima de tudo, sentindo. Porque, no fim, como bem diz a canção, cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz.

E isso, meus amigos, é mais do que letra. É revelação.

ARTIGO – Tocando em Frente: uma canção que nos atravessa

 

(Padre Carlos)

Ando devagar porque já tive pressa… Eis uma frase que não se ouve, se vive. E foi assim, sem esperar nada, que me vi, de repente, atravessado por uma melodia que parecia brotar do centro da terra — ou da alma. “Tocando em Frente”, música de Almir Sater e Renato Teixeira, chegou a mim como chegam os grandes encontros da vida: sem aviso, mas com a força serena de quem já morava no meu silêncio.

Descobrir essa canção é como encontrar um velho amigo que você nunca conheceu — mas que de alguma forma sempre esteve com você. Quando os primeiros acordes ecoaram, eu ainda não sabia o que viria. Um dedilhado simples, um ritmo que não pressiona, uma cadência que convida a respirar junto. E então, como um sopro, veio a voz rouca, limpa, ancestral. Uma voz que não canta para impressionar, mas para lembrar.

Essa música não foi feita, foi dada. Almir contou, quase com incredulidade, que ela nasceu ali, entre a cozinha e a sala de jantar, enquanto ele dedilhava um violão com corda faltando e Renato rabiscava versos entre um chamado para a mesa e outro. Tinha tudo para ser esquecida, mas foi lembrada por Betânia, a sacerdotisa da canção, que ao ouvi-la pelo telefone, apenas disse: “Essa música é minha”. E estava certa. Era dela. É nossa.

A letra é um rosário de sabedorias pequenas — mas que contêm o mundo. Fala de levar um sorriso porque já se chorou demais, de aprender a viver sem entender tudo, de aceitar o tempo da vida. Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs. Parece simples, mas é alquimia pura: transformar o cotidiano em sagrado. Verso após verso, a canção ensina que viver é seguir — e seguir é tocar em frente, mesmo sem entender, mesmo doendo, mesmo cansado.

Essa simplicidade é uma arte rara. Lembro-me da poesia de Manoel de Barros, que fazia do barro um universo. Ou da paleta de Cândido Portinari, que pintava a dor e a dignidade do povo com as cores do sertão. “Tocando em Frente” está nesse panteão das manifestações artísticas brasileiras que fazem da humildade uma grandeza, do comum uma epifania.

Mas há algo mais: essa música é uma oração. Não no sentido religioso formal, mas como meditação vivida. Ela nos convida a olhar para dentro, a aceitar o que somos com ternura. Fala de espiritualidade sem nomear deuses. Fala de fé como quem fala de estrada: longa, áspera, bela, incontrolável. Há nela uma reverência silenciosa pela existência. É o tipo de música que se escuta de olhos fechados — e coração aberto.

Num país que pulsa samba, choro, baião, forró, rap e tantas linguagens de alma, “Tocando em Frente” encontrou seu lugar como um hino íntimo. Ela não levanta multidões em estádio, mas junta famílias ao redor da fogueira, amigos ao redor do violão, gente ao redor de si mesma. Sua força está no silêncio que deixa depois que termina.

E quando acaba, a gente não aplaude. A gente respira. Porque percebe que ela não passou pela gente. Foi a gente que passou por ela.

Tocar em frente, afinal, é mais do que seguir. É continuar humano. É seguir amando, errando, aprendendo — e, acima de tudo, sentindo. Porque, no fim, como bem diz a canção, cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz.

E isso, meus amigos, é mais do que letra. É revelação.

ARTIGO – O Supremo em cena: o teatro da memória e o julgamento da História

 

(Padre Carlos)

Começaram os interrogatórios. O Supremo Tribunal Federal acende os refletores sobre um dos palcos mais tensos da vida política nacional desde a redemocratização. Não se trata apenas de ouvir testemunhas. Trata-se de escavar memórias, de confrontar versões, de buscar uma verdade que se oculta entre as entrelinhas de discursos fardados e a retórica de um poder que flertou perigosamente com a ruptura institucional.

O primeiro ato tem protagonistas conhecidos: o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, figura central nas engrenagens da caserna; o ministro Alexandre de Moraes, condutor de uma audiência que mais parecia uma aula prática sobre os limites da memória e da omissão; e, pairando como sombra omnipresente, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o catalisador de toda essa engrenagem.

O general foi chamado a esclarecer o que dissera antes à Polícia Federal e o que, agora, dizia ao Supremo. E aí, caro leitor, entramos no campo pantanoso da “lembrança seletiva”, esse mecanismo tão comum aos que orbitam os centros do poder. Ontem ele dissera que o almirante Garnier teria se colocado à disposição do presidente ante uma proposta — velada ou explícita — de ruptura institucional. Hoje, o mesmo general “não se lembrava”, ou, no máximo, interpretava de modo diferente o que ouvira.

A advertência do ministro Moraes foi contundente. Não se brinca com a verdade em um tribunal. Não se joga xadrez com a memória quando se está sob juramento. Diante da dubiedade, Moraes, como um inquisidor moderno, forçou o general à encruzilhada: ou falseou antes, ou falseia agora.

Mas não nos enganemos. O que se desenrola nos salões do Supremo não é apenas a apuração de um crime, é o exame de uma tentativa, ou desejo, de golpe — palavra que já não se diz mais com o mesmo rubor do passado, mas que ainda carrega o peso de tanques, censuras e cadáveres históricos.

Bolsonaro, Braga Netto, Heleno, Paulo Sérgio. Todos estavam lá, assistindo em silêncio. Alguns ao lado dos advogados. Bolsonaro, sozinho. Uma imagem que vale mais do que mil editoriais. O comandante que tentou comandar a quebra da ordem, agora observando os ecos do que foi, ou tentou ser, o dia seguinte ao 30 de outubro de 2022.

A narrativa é complexa, mas a gravidade é simples. Estamos diante da possibilidade de que, entre dezembro e janeiro, tenha havido no coração da República uma articulação, ainda que desajeitada, para subverter a vontade popular. O fato de generais se reunirem com o presidente derrotado para discutir estados de sítio, defesa ou GLOs não é trivial. É gravíssimo.

Mas também é revelador que parte do alto comando não tenha embarcado. Que tenha resistido. E que hoje, mesmo com a voz embargada ou a memória trêmula, venham ao Supremo testemunhar. Isso diz algo sobre os limites das Forças Armadas, que não são instituições de um homem só.

O julgamento está apenas começando. E não, não é apenas de Bolsonaro ou dos seus ministros. É o julgamento de uma era. De uma mentalidade. De um tempo em que a verdade foi vilipendiada, as instituições testadas e a democracia flertou com a sua própria sombra.

Como num grande romance de Dostoiévski, todos ali têm algo a esconder, algo a confessar. Mas a História não se escreve com o que se esconde. Ela se escreve com o que, enfim, vem à luz.

ARTIGO – O Supremo em cena: o teatro da memória e o julgamento da História

 

(Padre Carlos)

Começaram os interrogatórios. O Supremo Tribunal Federal acende os refletores sobre um dos palcos mais tensos da vida política nacional desde a redemocratização. Não se trata apenas de ouvir testemunhas. Trata-se de escavar memórias, de confrontar versões, de buscar uma verdade que se oculta entre as entrelinhas de discursos fardados e a retórica de um poder que flertou perigosamente com a ruptura institucional.

O primeiro ato tem protagonistas conhecidos: o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, figura central nas engrenagens da caserna; o ministro Alexandre de Moraes, condutor de uma audiência que mais parecia uma aula prática sobre os limites da memória e da omissão; e, pairando como sombra omnipresente, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o catalisador de toda essa engrenagem.

O general foi chamado a esclarecer o que dissera antes à Polícia Federal e o que, agora, dizia ao Supremo. E aí, caro leitor, entramos no campo pantanoso da “lembrança seletiva”, esse mecanismo tão comum aos que orbitam os centros do poder. Ontem ele dissera que o almirante Garnier teria se colocado à disposição do presidente ante uma proposta — velada ou explícita — de ruptura institucional. Hoje, o mesmo general “não se lembrava”, ou, no máximo, interpretava de modo diferente o que ouvira.

A advertência do ministro Moraes foi contundente. Não se brinca com a verdade em um tribunal. Não se joga xadrez com a memória quando se está sob juramento. Diante da dubiedade, Moraes, como um inquisidor moderno, forçou o general à encruzilhada: ou falseou antes, ou falseia agora.

Mas não nos enganemos. O que se desenrola nos salões do Supremo não é apenas a apuração de um crime, é o exame de uma tentativa, ou desejo, de golpe — palavra que já não se diz mais com o mesmo rubor do passado, mas que ainda carrega o peso de tanques, censuras e cadáveres históricos.

Bolsonaro, Braga Netto, Heleno, Paulo Sérgio. Todos estavam lá, assistindo em silêncio. Alguns ao lado dos advogados. Bolsonaro, sozinho. Uma imagem que vale mais do que mil editoriais. O comandante que tentou comandar a quebra da ordem, agora observando os ecos do que foi, ou tentou ser, o dia seguinte ao 30 de outubro de 2022.

A narrativa é complexa, mas a gravidade é simples. Estamos diante da possibilidade de que, entre dezembro e janeiro, tenha havido no coração da República uma articulação, ainda que desajeitada, para subverter a vontade popular. O fato de generais se reunirem com o presidente derrotado para discutir estados de sítio, defesa ou GLOs não é trivial. É gravíssimo.

Mas também é revelador que parte do alto comando não tenha embarcado. Que tenha resistido. E que hoje, mesmo com a voz embargada ou a memória trêmula, venham ao Supremo testemunhar. Isso diz algo sobre os limites das Forças Armadas, que não são instituições de um homem só.

O julgamento está apenas começando. E não, não é apenas de Bolsonaro ou dos seus ministros. É o julgamento de uma era. De uma mentalidade. De um tempo em que a verdade foi vilipendiada, as instituições testadas e a democracia flertou com a sua própria sombra.

Como num grande romance de Dostoiévski, todos ali têm algo a esconder, algo a confessar. Mas a História não se escreve com o que se esconde. Ela se escreve com o que, enfim, vem à luz.