Política e Resenha

Jovem é encontrado morto dentro de veículo no bairro Primavera, em Vitória da Conquista

Um jovem foi encontrado morto na madrugada desta segunda-feira (27) no Residencial Europa Unida, localizado no Loteamento Nova Cidade, bairro Primavera, em Vitória da Conquista.

De acordo com informações, moradores acionaram a 77ª Companhia Independente de Polícia Militar, por meio do Centro Integrado de Comunicação (CICOM), após ouvirem disparos de arma de fogo por volta das 2h.

No local, a vítima foi encontrada sem vida no interior de um veículo, apresentando sinais de violência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionado, mas apenas constatou o óbito.

O Departamento de Polícia Técnica realizou a perícia e encaminhou o corpo ao Instituto Médico Legal para necropsia.

O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, que busca identificar a autoria e a motivação do crime.

Jovem é encontrado morto dentro de veículo no bairro Primavera, em Vitória da Conquista

Um jovem foi encontrado morto na madrugada desta segunda-feira (27) no Residencial Europa Unida, localizado no Loteamento Nova Cidade, bairro Primavera, em Vitória da Conquista.

De acordo com informações, moradores acionaram a 77ª Companhia Independente de Polícia Militar, por meio do Centro Integrado de Comunicação (CICOM), após ouvirem disparos de arma de fogo por volta das 2h.

No local, a vítima foi encontrada sem vida no interior de um veículo, apresentando sinais de violência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionado, mas apenas constatou o óbito.

O Departamento de Polícia Técnica realizou a perícia e encaminhou o corpo ao Instituto Médico Legal para necropsia.

O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, que busca identificar a autoria e a motivação do crime.

Jovem é baleado e socorrido na manhã desta segunda-feira no bairro Remanso, em Vitória da Conquista

Um jovem identificado preliminarmente como Gabriel foi baleado na manhã desta segunda-feira (27) no bairro Remanso, em Vitória da Conquista. O ataque ocorreu enquanto a vítima transitava pela localidade.

Moradores relataram ter ouvido disparos e acionaram o socorro. O jovem recebeu os primeiros atendimentos ainda no local e foi encaminhado a uma unidade hospitalar. O estado de saúde é considerado delicado.

Guarnições da Polícia Militar realizaram buscas na região, mas o autor dos disparos conseguiu fugir e, até o momento, não foi localizado.

O caso será investigado pela Polícia Civil, que busca identificar a autoria e a motivação do crime.

Jovem é baleado e socorrido na manhã desta segunda-feira no bairro Remanso, em Vitória da Conquista

Um jovem identificado preliminarmente como Gabriel foi baleado na manhã desta segunda-feira (27) no bairro Remanso, em Vitória da Conquista. O ataque ocorreu enquanto a vítima transitava pela localidade.

Moradores relataram ter ouvido disparos e acionaram o socorro. O jovem recebeu os primeiros atendimentos ainda no local e foi encaminhado a uma unidade hospitalar. O estado de saúde é considerado delicado.

Guarnições da Polícia Militar realizaram buscas na região, mas o autor dos disparos conseguiu fugir e, até o momento, não foi localizado.

O caso será investigado pela Polícia Civil, que busca identificar a autoria e a motivação do crime.

Princípio de incêndio no HGVC provoca remanejamento de pacientes em Vitória da Conquista

Um princípio de incêndio registrado na manhã desta segunda-feira (27) atingiu o setor de laboratório do Hospital Geral de Vitória da Conquista, provocando mudanças na rotina da unidade e o remanejamento de pacientes como medida de segurança.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, a ocorrência teve início por volta das 5h. Diante da presença de fumaça, áreas próximas ao local foram evacuadas de forma preventiva para garantir a segurança de pacientes, acompanhantes e profissionais.

Pacientes que estavam internados na UTI 2 foram transferidos para a UTI 3 e para setores da emergência, sem interrupção nos atendimentos. Dois pacientes que já se encontravam na emergência estão sendo encaminhados para outras unidades de saúde, sendo um para o município de Jequié.

O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia foi acionado e conseguiu controlar as chamas ainda no estágio inicial, evitando danos maiores à estrutura do hospital.

Após avaliação técnica, o centro cirúrgico foi liberado para funcionamento, já que não foi atingido diretamente. No entanto, procedimentos de maior porte foram temporariamente reprogramados até a completa normalização dos serviços.

Apesar do susto, não houve registro de feridos. As causas do incêndio serão investigadas.

Princípio de incêndio no HGVC provoca remanejamento de pacientes em Vitória da Conquista

Um princípio de incêndio registrado na manhã desta segunda-feira (27) atingiu o setor de laboratório do Hospital Geral de Vitória da Conquista, provocando mudanças na rotina da unidade e o remanejamento de pacientes como medida de segurança.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, a ocorrência teve início por volta das 5h. Diante da presença de fumaça, áreas próximas ao local foram evacuadas de forma preventiva para garantir a segurança de pacientes, acompanhantes e profissionais.

Pacientes que estavam internados na UTI 2 foram transferidos para a UTI 3 e para setores da emergência, sem interrupção nos atendimentos. Dois pacientes que já se encontravam na emergência estão sendo encaminhados para outras unidades de saúde, sendo um para o município de Jequié.

O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia foi acionado e conseguiu controlar as chamas ainda no estágio inicial, evitando danos maiores à estrutura do hospital.

Após avaliação técnica, o centro cirúrgico foi liberado para funcionamento, já que não foi atingido diretamente. No entanto, procedimentos de maior porte foram temporariamente reprogramados até a completa normalização dos serviços.

Apesar do susto, não houve registro de feridos. As causas do incêndio serão investigadas.

HOMENAGEM · MEDICINA & CIÊNCIA Antonio Costa Sturaro


Política e Resenha · Artigo de Opinião

Homenagem · Medicina & Ciência

Antonio Costa Sturaro

O Visionário que a História Não Pode Esperar Homenagear Depois que Ele Partir

Por Padre Carlos

Vitória da Conquista, Bahia · Política e Resenha

Há
uma hipocrisia silenciosa que nos acompanha há séculos: a de guardar as flores para os caixões. Esperamos que o homem se vá para então abrir os baús do elogio, distribuir as condecorações póstumas e pronunciar os discursos que ele jamais ouvirá. É uma forma de covardia travestida de reverência — e não raramente é também uma forma de conveniência, pois elogiar o vivo exige coragem que elogiar o morto dispensa. Vivo, o homem pode responder, pode incomodar, pode reclamar o que lhe é devido. Morto, basta-nos a pose da saudade.

Recuso esse costume. E é por essa recusa que escrevo hoje sobre o Dr. Antonio Costa Sturaro — um homem que, aos seus notáveis 95 anos, ainda trabalha, ainda pesquisa, ainda desafia o horizonte do conhecimento com a mesma obstinação dos que acreditam que a ciência não tem data de validade. Homenageemos em vida, para não sermos hipócritas.

“Elogiar o vivo exige coragem que elogiar o morto dispensa. Vivo, o homem pode responder, pode incomodar, pode reclamar o que lhe é devido.”

— Padre Carlos

Não é fácil ser pioneiro. Perguntai a Semmelweis, que morreu louco e desprezado antes de ver o mundo aceitar que as mãos dos médicos deveriam ser lavadas. Perguntai a Barry Marshall, que bebeu uma solução de bactérias para provar que o estômago humano não era estéril e levou décadas para receber o Nobel. A ciência tem memória longa, mas consciência lenta — e entre a descoberta e o reconhecimento, muitos homens bons são enterrados duas vezes: primeiro em vida, pela indiferença; depois na terra, com flores que chegam tarde demais.

Um Médico Que Ousa Mirar Aonde a Ciência Ainda Não Chegou

O Dr. Antonio Sturaro não é um charlatão. É um observador clínico rigoroso que, ao longo de mais de meio século de exercício da medicina, acumulou uma cartografia de achados que a medicina convencional — sempre demorada a sair do seu próprio mapa — ainda não teve coragem de explorar com a seriedade devida. Sua especialidade, se é que se pode reduzir a uma palavra um pensamento tão vasto, é a medicina integrativa: aquela que não descarta o paciente como soma de partes avulsas, mas o enxerga como um todo dinâmico, sujeito às leis da bioquímica, da nutrição, da natureza e do tempo.

No centro de sua pesquisa está o silício — não o silício das placas de computador, mas o silício orgânico, aquele que o corpo humano vai perdendo silenciosamente ao longo da vida, como se o tempo fosse um ladrão paciente que rouba não o ouro, mas a armação invisível que sustenta a nossa estrutura: colágeno, elastina, densidade óssea, integridade da pele. Louis Pasteur, gênio prematuro em tantas intuições, já havia especulado sobre a relevância do silício para a biologia humana. Sturaro foi mais longe: saiu do campo da especulação e entrou no da pesquisa aplicada.

“Todo silício é difícil, mas tem bastante. Eu extraio do branco do coco da piaçava, que é rico — tem muito na Bahia.”

— Dr. Antonio Costa Sturaro

Essas palavras, simples na forma mas imensas na substância, resumem décadas de investigação. Enquanto a indústria farmacêutica busca compostos sintéticos cada vez mais sofisticados — e cada vez mais distantes da natureza que nos gerou —, Sturaro volta os olhos para o que está ao redor, para o que a terra baiana oferece com generosidade e que ainda não sabemos usar. A piaçava, essa palmeira resistente e humilde que por gerações nos deu vassouras e telhados, guarda em seu coco um tesouro bioquímico que só agora começa a ser devidamente reconhecido.

A Piaçava e o Ouro Invisível da Bahia

Há algo profundamente baiano nessa descoberta — e não digo isso como elogio regional de ocasião. Digo porque a Bahia tem o dom de guardar riquezas à mostra que o mundo ainda não aprendeu a ver. O dendê, a aroeira, o umbu, o licuri — cada um deles uma enciclopédia de propriedades que a ciência ocidental descobre com a surpresa de quem acaba de entrar numa biblioteca que a avó sempre teve aberta. A piaçava é mais uma dessas enciclopédias. E Sturaro teve a rara sabedoria de sentar-se diante dela e ler.

A pesquisa sobre a fibra da piaçava revela dados que impressionam qualquer leitor atento: o silício presente em sua estrutura demonstra uma resistência extraordinária à degradação — mantendo-se íntegro mesmo após séculos de exposição ao ambiente. Sua biocompatibilidade abre caminhos na medicina regenerativa, em implantes e sistemas de liberação de medicamentos. Na engenharia, sua resistência mecânica rivaliza com materiais sintéticos de alta performance. Tudo isso extraído de uma palmeira que vive aqui, no nosso solo, que cresce sob o nosso sol, que é colhida por mãos baianas há gerações — e que a indústria global ainda não soube precificar como merece.

◆ O que a pesquisa indica sobre a piaçava

  • O silício extraído do coco da piaçava é uma das fontes naturais mais concentradas já catalogadas por Sturaro — superando o pepino e competindo com espécies de orquídeas ricas no mineral.
  • O tratamento da fibra com métodos simples — lavagem com água, processo alcalino — melhora sua resistência à tração para até 134,5 MPa, com alta flexibilidade residual.
  • A biocompatibilidade do material o torna candidato promissor para implantes, próteses e tecidos artificiais que integrem natureza e biotecnologia.
  • Há perspectivas de aplicação em componentes estruturais para aeronáutica e automobilismo de alta performance, em testes que superaram o desempenho do carbono em algumas métricas.

95 Anos e Nenhuma Concessão à Comodidade

Há algo que me comove profundamente na trajetória do Dr. Sturaro — e não é apenas a nobreza das suas descobertas. É a teimosia santa de quem, aos 95 anos, ainda não se contentou com o conforto da aposentadoria intelectual. Em uma cultura que descarta o idoso como se a idade fosse uma obsolescência, Sturaro é uma refutação viva e eloquente: um homem que envelhece como envelhece o bom vinho, ganhando complexidade, profundidade, e uma clareza que só o tempo sabe dar.

A medicina convencional, em sua pressa algorítmica, às vezes esquece que o clínico experiente carrega em si algo que nenhum protocolo consegue digitalizar: a memória de milhares de olhares, de queixas ouvidas, de melhoras inesperadas e de fracassos que ensinaram. Sturaro acumulou esse capital por mais de meio século. Cada paciente observado, cada mineral catalogado, cada fibra analisada é uma linha de um texto que ele vem escrevendo desde quando muitos dos seus críticos ainda não tinham nascido.

“A longevidade e a vitalidade do próprio Dr. Sturaro são o argumento mais eloquente que ele poderia apresentar — um tratado vivo escrito em décadas de prática e convicção.”

— Padre Carlos

A crítica legítima existe — e deve existir. Toda ciência séria vive de questionamento. É justo dizer que muitas das teses de Sturaro ainda aguardam validação em estudos controlados e de larga escala, e que a medicina baseada em evidências exige esse percurso. Mas há uma diferença fundamental entre o ceticismo saudável, que pede mais pesquisa, e o ceticismo de conveniência, que descarta sem investigar. O primeiro honra a ciência; o segundo a trai. E o que o trabalho de Sturaro merece — o que qualquer descoberta genuína merece — é o primeiro.

O Legado que Não Pode Se Perder

Existe uma urgência que precisa ser dita com clareza: o conhecimento que Sturaro acumulou corre o risco real de se dissolver no tempo, como acontece com tantos saberes de homens e mulheres que partem sem herdeiros acadêmicos, sem discípulos que tomem o bastão. Os registros etnobotânicos que ele vem catalogando, os protocolos de extração que desenvolveu, as correlações clínicas que observou — tudo isso precisa ser sistematizado, publicado, discutido, criticado e preservado antes que o tempo imponha o seu silêncio.

Aqui deixo um apelo direto à comunidade científica baiana e brasileira: aproximem-se. Universidades, institutos de pesquisa, departamentos de farmacologia, de etnobotânica, de medicina integrativa — há aqui uma mina que espera ser devidamente escavada. Não com o olhar do explorador que coloniza, mas com o olhar do discípulo que aprende. Sturaro não precisa de aplausos. Precisa de colaboradores. Precisa de pesquisadores que continuem o que ele começou, que transformem décadas de intuição clínica em protocolo publicável, em tese defendida, em medicamento acessível.

⚠ Um Chamado à Ciência Baiana

O saber de um homem de 92 anos não tem segunda edição. Pesquisadores, universidades e institutos de saúde têm o dever — e a oportunidade rara — de documentar, testar e ampliar o legado do Dr. Antonio Costa Sturaro antes que o tempo feche esse capítulo. Cada dia de omissão é uma página perdida da ciência brasileira.

A piaçava já nos deu vassouras para varrer o chão. Pode ser que nos dê, em breve, remédios para fortalecer os ossos, materiais para reconstruir tecidos, componentes para voar mais alto e correr mais rápido. O que a planta tem a oferecer, Sturaro começou a ver. Cabe a outros terminar de enxergar.

A Hora da Homenagem É Agora

 

Recuso-me a esperar. Recuso-me a guardar este texto para ser lido como necrológio. Escrevo-o enquanto o Dr. Antonio Costa Sturaro ainda respira, ainda pesquisa, ainda nos desafia com a sua curiosidade inesgotável e com a coragem de quem sabe que a vida é curta demais para se submeter ao medo de errar.

A homenagem verdadeira não é aquela que se presta ao caixão — é aquela que se presta ao rosto. Que ele nos veja, que ele saiba que não está sozinho na sua jornada, que os seus anos de perseverança não passaram em branco, que a semente que plantou encontrará solo fértil. Que a Bahia — terra que ele tanto amou ao ponto de encontrar nela o seu mais precioso mineral — saiba reconhecer o filho que a honrou com o melhor que um cientista pode oferecer: décadas de atenção honesta ao que o mundo ainda não aprendeu a ver.

Ao Dr. Antonio Costa Sturaro: obrigado por ainda estar aqui. Obrigado por ainda trabalhar. Obrigado por nos lembrar que a velhice com propósito é uma das formas mais belas de resistência. Que a sua piaçava floresça, que o seu silício persevere, que o seu legado se multiplique — agora, enquanto há tempo, enquanto há vida, enquanto há luz.

Padre Carlos

Teólogo, sacerdote e articulista

Vitória da Conquista, Bahia · Política e Resenha

As opiniões expressas são

de exclusiva responsabilidade do autor.

Política e Resenha · Vitória da Conquista · Bahia · Brasil

HOMENAGEM · MEDICINA & CIÊNCIA Antonio Costa Sturaro


Política e Resenha · Artigo de Opinião

Homenagem · Medicina & Ciência

Antonio Costa Sturaro

O Visionário que a História Não Pode Esperar Homenagear Depois que Ele Partir

Por Padre Carlos

Vitória da Conquista, Bahia · Política e Resenha

Há
uma hipocrisia silenciosa que nos acompanha há séculos: a de guardar as flores para os caixões. Esperamos que o homem se vá para então abrir os baús do elogio, distribuir as condecorações póstumas e pronunciar os discursos que ele jamais ouvirá. É uma forma de covardia travestida de reverência — e não raramente é também uma forma de conveniência, pois elogiar o vivo exige coragem que elogiar o morto dispensa. Vivo, o homem pode responder, pode incomodar, pode reclamar o que lhe é devido. Morto, basta-nos a pose da saudade.

Recuso esse costume. E é por essa recusa que escrevo hoje sobre o Dr. Antonio Costa Sturaro — um homem que, aos seus notáveis 95 anos, ainda trabalha, ainda pesquisa, ainda desafia o horizonte do conhecimento com a mesma obstinação dos que acreditam que a ciência não tem data de validade. Homenageemos em vida, para não sermos hipócritas.

“Elogiar o vivo exige coragem que elogiar o morto dispensa. Vivo, o homem pode responder, pode incomodar, pode reclamar o que lhe é devido.”

— Padre Carlos

Não é fácil ser pioneiro. Perguntai a Semmelweis, que morreu louco e desprezado antes de ver o mundo aceitar que as mãos dos médicos deveriam ser lavadas. Perguntai a Barry Marshall, que bebeu uma solução de bactérias para provar que o estômago humano não era estéril e levou décadas para receber o Nobel. A ciência tem memória longa, mas consciência lenta — e entre a descoberta e o reconhecimento, muitos homens bons são enterrados duas vezes: primeiro em vida, pela indiferença; depois na terra, com flores que chegam tarde demais.

Um Médico Que Ousa Mirar Aonde a Ciência Ainda Não Chegou

O Dr. Antonio Sturaro não é um charlatão. É um observador clínico rigoroso que, ao longo de mais de meio século de exercício da medicina, acumulou uma cartografia de achados que a medicina convencional — sempre demorada a sair do seu próprio mapa — ainda não teve coragem de explorar com a seriedade devida. Sua especialidade, se é que se pode reduzir a uma palavra um pensamento tão vasto, é a medicina integrativa: aquela que não descarta o paciente como soma de partes avulsas, mas o enxerga como um todo dinâmico, sujeito às leis da bioquímica, da nutrição, da natureza e do tempo.

No centro de sua pesquisa está o silício — não o silício das placas de computador, mas o silício orgânico, aquele que o corpo humano vai perdendo silenciosamente ao longo da vida, como se o tempo fosse um ladrão paciente que rouba não o ouro, mas a armação invisível que sustenta a nossa estrutura: colágeno, elastina, densidade óssea, integridade da pele. Louis Pasteur, gênio prematuro em tantas intuições, já havia especulado sobre a relevância do silício para a biologia humana. Sturaro foi mais longe: saiu do campo da especulação e entrou no da pesquisa aplicada.

“Todo silício é difícil, mas tem bastante. Eu extraio do branco do coco da piaçava, que é rico — tem muito na Bahia.”

— Dr. Antonio Costa Sturaro

Essas palavras, simples na forma mas imensas na substância, resumem décadas de investigação. Enquanto a indústria farmacêutica busca compostos sintéticos cada vez mais sofisticados — e cada vez mais distantes da natureza que nos gerou —, Sturaro volta os olhos para o que está ao redor, para o que a terra baiana oferece com generosidade e que ainda não sabemos usar. A piaçava, essa palmeira resistente e humilde que por gerações nos deu vassouras e telhados, guarda em seu coco um tesouro bioquímico que só agora começa a ser devidamente reconhecido.

A Piaçava e o Ouro Invisível da Bahia

Há algo profundamente baiano nessa descoberta — e não digo isso como elogio regional de ocasião. Digo porque a Bahia tem o dom de guardar riquezas à mostra que o mundo ainda não aprendeu a ver. O dendê, a aroeira, o umbu, o licuri — cada um deles uma enciclopédia de propriedades que a ciência ocidental descobre com a surpresa de quem acaba de entrar numa biblioteca que a avó sempre teve aberta. A piaçava é mais uma dessas enciclopédias. E Sturaro teve a rara sabedoria de sentar-se diante dela e ler.

A pesquisa sobre a fibra da piaçava revela dados que impressionam qualquer leitor atento: o silício presente em sua estrutura demonstra uma resistência extraordinária à degradação — mantendo-se íntegro mesmo após séculos de exposição ao ambiente. Sua biocompatibilidade abre caminhos na medicina regenerativa, em implantes e sistemas de liberação de medicamentos. Na engenharia, sua resistência mecânica rivaliza com materiais sintéticos de alta performance. Tudo isso extraído de uma palmeira que vive aqui, no nosso solo, que cresce sob o nosso sol, que é colhida por mãos baianas há gerações — e que a indústria global ainda não soube precificar como merece.

◆ O que a pesquisa indica sobre a piaçava

  • O silício extraído do coco da piaçava é uma das fontes naturais mais concentradas já catalogadas por Sturaro — superando o pepino e competindo com espécies de orquídeas ricas no mineral.
  • O tratamento da fibra com métodos simples — lavagem com água, processo alcalino — melhora sua resistência à tração para até 134,5 MPa, com alta flexibilidade residual.
  • A biocompatibilidade do material o torna candidato promissor para implantes, próteses e tecidos artificiais que integrem natureza e biotecnologia.
  • Há perspectivas de aplicação em componentes estruturais para aeronáutica e automobilismo de alta performance, em testes que superaram o desempenho do carbono em algumas métricas.

95 Anos e Nenhuma Concessão à Comodidade

Há algo que me comove profundamente na trajetória do Dr. Sturaro — e não é apenas a nobreza das suas descobertas. É a teimosia santa de quem, aos 95 anos, ainda não se contentou com o conforto da aposentadoria intelectual. Em uma cultura que descarta o idoso como se a idade fosse uma obsolescência, Sturaro é uma refutação viva e eloquente: um homem que envelhece como envelhece o bom vinho, ganhando complexidade, profundidade, e uma clareza que só o tempo sabe dar.

A medicina convencional, em sua pressa algorítmica, às vezes esquece que o clínico experiente carrega em si algo que nenhum protocolo consegue digitalizar: a memória de milhares de olhares, de queixas ouvidas, de melhoras inesperadas e de fracassos que ensinaram. Sturaro acumulou esse capital por mais de meio século. Cada paciente observado, cada mineral catalogado, cada fibra analisada é uma linha de um texto que ele vem escrevendo desde quando muitos dos seus críticos ainda não tinham nascido.

“A longevidade e a vitalidade do próprio Dr. Sturaro são o argumento mais eloquente que ele poderia apresentar — um tratado vivo escrito em décadas de prática e convicção.”

— Padre Carlos

A crítica legítima existe — e deve existir. Toda ciência séria vive de questionamento. É justo dizer que muitas das teses de Sturaro ainda aguardam validação em estudos controlados e de larga escala, e que a medicina baseada em evidências exige esse percurso. Mas há uma diferença fundamental entre o ceticismo saudável, que pede mais pesquisa, e o ceticismo de conveniência, que descarta sem investigar. O primeiro honra a ciência; o segundo a trai. E o que o trabalho de Sturaro merece — o que qualquer descoberta genuína merece — é o primeiro.

O Legado que Não Pode Se Perder

Existe uma urgência que precisa ser dita com clareza: o conhecimento que Sturaro acumulou corre o risco real de se dissolver no tempo, como acontece com tantos saberes de homens e mulheres que partem sem herdeiros acadêmicos, sem discípulos que tomem o bastão. Os registros etnobotânicos que ele vem catalogando, os protocolos de extração que desenvolveu, as correlações clínicas que observou — tudo isso precisa ser sistematizado, publicado, discutido, criticado e preservado antes que o tempo imponha o seu silêncio.

Aqui deixo um apelo direto à comunidade científica baiana e brasileira: aproximem-se. Universidades, institutos de pesquisa, departamentos de farmacologia, de etnobotânica, de medicina integrativa — há aqui uma mina que espera ser devidamente escavada. Não com o olhar do explorador que coloniza, mas com o olhar do discípulo que aprende. Sturaro não precisa de aplausos. Precisa de colaboradores. Precisa de pesquisadores que continuem o que ele começou, que transformem décadas de intuição clínica em protocolo publicável, em tese defendida, em medicamento acessível.

⚠ Um Chamado à Ciência Baiana

O saber de um homem de 92 anos não tem segunda edição. Pesquisadores, universidades e institutos de saúde têm o dever — e a oportunidade rara — de documentar, testar e ampliar o legado do Dr. Antonio Costa Sturaro antes que o tempo feche esse capítulo. Cada dia de omissão é uma página perdida da ciência brasileira.

A piaçava já nos deu vassouras para varrer o chão. Pode ser que nos dê, em breve, remédios para fortalecer os ossos, materiais para reconstruir tecidos, componentes para voar mais alto e correr mais rápido. O que a planta tem a oferecer, Sturaro começou a ver. Cabe a outros terminar de enxergar.

A Hora da Homenagem É Agora

 

Recuso-me a esperar. Recuso-me a guardar este texto para ser lido como necrológio. Escrevo-o enquanto o Dr. Antonio Costa Sturaro ainda respira, ainda pesquisa, ainda nos desafia com a sua curiosidade inesgotável e com a coragem de quem sabe que a vida é curta demais para se submeter ao medo de errar.

A homenagem verdadeira não é aquela que se presta ao caixão — é aquela que se presta ao rosto. Que ele nos veja, que ele saiba que não está sozinho na sua jornada, que os seus anos de perseverança não passaram em branco, que a semente que plantou encontrará solo fértil. Que a Bahia — terra que ele tanto amou ao ponto de encontrar nela o seu mais precioso mineral — saiba reconhecer o filho que a honrou com o melhor que um cientista pode oferecer: décadas de atenção honesta ao que o mundo ainda não aprendeu a ver.

Ao Dr. Antonio Costa Sturaro: obrigado por ainda estar aqui. Obrigado por ainda trabalhar. Obrigado por nos lembrar que a velhice com propósito é uma das formas mais belas de resistência. Que a sua piaçava floresça, que o seu silício persevere, que o seu legado se multiplique — agora, enquanto há tempo, enquanto há vida, enquanto há luz.

Padre Carlos

Teólogo, sacerdote e articulista

Vitória da Conquista, Bahia · Política e Resenha

As opiniões expressas são

de exclusiva responsabilidade do autor.

Política e Resenha · Vitória da Conquista · Bahia · Brasil

Quando o Sonho Ganha Endereço: o Sucesso da VCA e a Força da Casa Própria

 

Padre Carlos

Havia algo diferente no ar naquele sábado, 25. Não era apenas mais um evento imobiliário. Era o encontro entre expectativa e realização, entre desejo e possibilidade. A VCA Construtora não lançou apenas uma campanha — abriu portas para histórias que ainda serão escritas dentro de novos lares.

O evento que marcou o lançamento da campanha “Diz Sim pro Seu Lar” e a abertura oficial de vendas do Uni House não foi apenas um sucesso de público. Foi um retrato vivo de um Brasil que ainda acredita. Centenas de famílias, rostos atentos, olhares carregados de esperança. Gente simples, trabalhadores, pais e mães que carregam consigo o mesmo sonho ancestral: ter um lugar para chamar de seu.

E ali, naquele espaço cuidadosamente preparado, esse sonho parecia, finalmente, ao alcance das mãos.

O Uni House surge dentro de uma lógica inteligente do mercado imobiliário contemporâneo: casas soltas, dois quartos, área de lazer completa — uma proposta que dialoga diretamente com o conceito de qualidade de vida acessível. Não se trata apenas de construir casas, mas de projetar dignidade, segurança e pertencimento.

A VCA Construtora demonstra compreender algo que muitas empresas ainda ignoram: o imóvel não é um produto. É um marco na vida de uma família.

O clima do evento reforçou isso. Não havia frieza comercial. Havia acolhimento. Atendimento personalizado, brindes, interação — elementos que transformaram o lançamento em uma experiência emocional. E isso não é detalhe. É estratégia. É visão.

Porque quem compra um imóvel não está apenas fazendo uma transação financeira. Está dizendo “sim” a um futuro diferente.

E talvez seja exatamente isso que explica o sucesso expressivo do evento.

Em tempos de incertezas econômicas, inflação pressionando e desafios no acesso ao crédito, ver centenas de famílias mobilizadas em torno da casa própria revela algo poderoso: o sonho ainda resiste. E mais — ele continua sendo prioridade.

A campanha “Diz Sim pro Seu Lar” acerta ao tocar nesse ponto sensível. Ela não vende apenas imóveis. Ela ativa um sentimento coletivo profundamente enraizado na cultura brasileira: o de conquista, estabilidade e proteção familiar.

O sucesso do Uni House não é apenas comercial. É simbólico.

Ele mostra que, quando há alinhamento entre proposta, preço, localização e propósito, o mercado responde. E responde com força.

Mais do que números de vendas, o que se viu foi um movimento. Uma energia coletiva em torno da ideia de recomeço. Cada contrato assinado ali carrega uma história futura — aniversários, conquistas, desafios, risos e lágrimas que ainda virão.

No fim das contas, o que a VCA Construtora entregou naquele sábado foi mais do que um lançamento bem-sucedido.

Foi a materialização de um sonho que, para muitos brasileiros, nunca deixou de ser urgente.

E enquanto houver famílias dizendo “sim” ao seu lar, haverá também empresas que entenderão que construir casas é, acima de tudo, construir destinos.

Quando o Sonho Ganha Endereço: o Sucesso da VCA e a Força da Casa Própria

 

Padre Carlos

Havia algo diferente no ar naquele sábado, 25. Não era apenas mais um evento imobiliário. Era o encontro entre expectativa e realização, entre desejo e possibilidade. A VCA Construtora não lançou apenas uma campanha — abriu portas para histórias que ainda serão escritas dentro de novos lares.

O evento que marcou o lançamento da campanha “Diz Sim pro Seu Lar” e a abertura oficial de vendas do Uni House não foi apenas um sucesso de público. Foi um retrato vivo de um Brasil que ainda acredita. Centenas de famílias, rostos atentos, olhares carregados de esperança. Gente simples, trabalhadores, pais e mães que carregam consigo o mesmo sonho ancestral: ter um lugar para chamar de seu.

E ali, naquele espaço cuidadosamente preparado, esse sonho parecia, finalmente, ao alcance das mãos.

O Uni House surge dentro de uma lógica inteligente do mercado imobiliário contemporâneo: casas soltas, dois quartos, área de lazer completa — uma proposta que dialoga diretamente com o conceito de qualidade de vida acessível. Não se trata apenas de construir casas, mas de projetar dignidade, segurança e pertencimento.

A VCA Construtora demonstra compreender algo que muitas empresas ainda ignoram: o imóvel não é um produto. É um marco na vida de uma família.

O clima do evento reforçou isso. Não havia frieza comercial. Havia acolhimento. Atendimento personalizado, brindes, interação — elementos que transformaram o lançamento em uma experiência emocional. E isso não é detalhe. É estratégia. É visão.

Porque quem compra um imóvel não está apenas fazendo uma transação financeira. Está dizendo “sim” a um futuro diferente.

E talvez seja exatamente isso que explica o sucesso expressivo do evento.

Em tempos de incertezas econômicas, inflação pressionando e desafios no acesso ao crédito, ver centenas de famílias mobilizadas em torno da casa própria revela algo poderoso: o sonho ainda resiste. E mais — ele continua sendo prioridade.

A campanha “Diz Sim pro Seu Lar” acerta ao tocar nesse ponto sensível. Ela não vende apenas imóveis. Ela ativa um sentimento coletivo profundamente enraizado na cultura brasileira: o de conquista, estabilidade e proteção familiar.

O sucesso do Uni House não é apenas comercial. É simbólico.

Ele mostra que, quando há alinhamento entre proposta, preço, localização e propósito, o mercado responde. E responde com força.

Mais do que números de vendas, o que se viu foi um movimento. Uma energia coletiva em torno da ideia de recomeço. Cada contrato assinado ali carrega uma história futura — aniversários, conquistas, desafios, risos e lágrimas que ainda virão.

No fim das contas, o que a VCA Construtora entregou naquele sábado foi mais do que um lançamento bem-sucedido.

Foi a materialização de um sonho que, para muitos brasileiros, nunca deixou de ser urgente.

E enquanto houver famílias dizendo “sim” ao seu lar, haverá também empresas que entenderão que construir casas é, acima de tudo, construir destinos.

ARTIGO – Ivan Cordeiro e a Política que Caminha: Entre a Promessa e o Parto de uma Nova Realidade

 

 

 Padre Carlos

 

Há políticos que se acomodam na liturgia do cargo. E há aqueles que, inquietos, fazem do mandato uma travessia. Em Vitória da Conquista, o presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, parece ter escolhido o caminho mais árduo — e, justamente por isso, o mais revelador: o da peregrinação institucional.

Não se trata de simbolismo vazio. Trata-se de movimento real. De sair do gabinete, bater portas, articular apoios, insistir onde muitos já teriam recuado. Em um tempo em que grande parte da política se resume a discursos protocolares ou à vitrine das redes sociais, há algo de necessário — quase urgente — nessa disposição de agir.

No centro dessa jornada, destaca-se uma pauta que ultrapassa o campo administrativo e toca diretamente a dignidade humana: a construção de uma maternidade regional. O problema é concreto e crescente. O Hospital Esaú Matos já não comporta, sozinho, o fluxo de gestantes que chegam de toda a região Sudoeste, transformando a sobrecarga em rotina e o improviso em regra.

E é aqui que a realidade impõe sua verdade: Vitória da Conquista deixou de ser apenas uma cidade. Tornou-se um polo regional de saúde pública, responsável por acolher demandas que ultrapassam seus limites geográficos. Mas essa centralidade, embora estratégica, tem sido sustentada com estruturas insuficientes e pressão constante sobre os serviços existentes.

A maternidade regional surge, então, como mais do que uma obra. É uma necessidade estrutural. É planejamento. É gestão pública eficiente. É, acima de tudo, uma resposta à urgência de salvar vidas e garantir dignidade no momento mais sensível da existência.

Mas é preciso dizer o que muitos evitam: caminhar não basta.

A história recente da política municipal está repleta de boas intenções que nunca se concretizaram. A chamada peregrinação institucional de Ivan Cordeiro só encontrará sentido pleno se for capaz de produzir resultados reais. Porque, no fim, a população não mede esforço — mede entrega.

O desafio que se impõe é robusto. Exige articulação com diferentes esferas de poder, negociação firme e coerência entre discurso e prática. Exige transformar pauta em projeto, projeto em obra e obra em serviço público funcionando.

Ainda assim, há um mérito que não pode ser ignorado.

Ao se mover, ao tensionar o sistema e ao insistir em soluções estruturantes, Ivan Cordeiro recoloca a política no seu lugar original: o de instrumento de transformação social. Ele rompe com a inércia e reacende uma esperança cautelosa — aquela que não se alimenta de promessas, mas de possibilidades concretas.

Resta saber:

Essa peregrinação política terá destino ou se perderá nos corredores burocráticos que tantas vezes engolem boas iniciativas?

Porque Vitória da Conquista não precisa apenas de movimento.

Precisa de resultado.

E, agora, todos os olhos se voltam para quem decidiu caminhar.

ARTIGO – Ivan Cordeiro e a Política que Caminha: Entre a Promessa e o Parto de uma Nova Realidade

 

 

 Padre Carlos

 

Há políticos que se acomodam na liturgia do cargo. E há aqueles que, inquietos, fazem do mandato uma travessia. Em Vitória da Conquista, o presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, parece ter escolhido o caminho mais árduo — e, justamente por isso, o mais revelador: o da peregrinação institucional.

Não se trata de simbolismo vazio. Trata-se de movimento real. De sair do gabinete, bater portas, articular apoios, insistir onde muitos já teriam recuado. Em um tempo em que grande parte da política se resume a discursos protocolares ou à vitrine das redes sociais, há algo de necessário — quase urgente — nessa disposição de agir.

No centro dessa jornada, destaca-se uma pauta que ultrapassa o campo administrativo e toca diretamente a dignidade humana: a construção de uma maternidade regional. O problema é concreto e crescente. O Hospital Esaú Matos já não comporta, sozinho, o fluxo de gestantes que chegam de toda a região Sudoeste, transformando a sobrecarga em rotina e o improviso em regra.

E é aqui que a realidade impõe sua verdade: Vitória da Conquista deixou de ser apenas uma cidade. Tornou-se um polo regional de saúde pública, responsável por acolher demandas que ultrapassam seus limites geográficos. Mas essa centralidade, embora estratégica, tem sido sustentada com estruturas insuficientes e pressão constante sobre os serviços existentes.

A maternidade regional surge, então, como mais do que uma obra. É uma necessidade estrutural. É planejamento. É gestão pública eficiente. É, acima de tudo, uma resposta à urgência de salvar vidas e garantir dignidade no momento mais sensível da existência.

Mas é preciso dizer o que muitos evitam: caminhar não basta.

A história recente da política municipal está repleta de boas intenções que nunca se concretizaram. A chamada peregrinação institucional de Ivan Cordeiro só encontrará sentido pleno se for capaz de produzir resultados reais. Porque, no fim, a população não mede esforço — mede entrega.

O desafio que se impõe é robusto. Exige articulação com diferentes esferas de poder, negociação firme e coerência entre discurso e prática. Exige transformar pauta em projeto, projeto em obra e obra em serviço público funcionando.

Ainda assim, há um mérito que não pode ser ignorado.

Ao se mover, ao tensionar o sistema e ao insistir em soluções estruturantes, Ivan Cordeiro recoloca a política no seu lugar original: o de instrumento de transformação social. Ele rompe com a inércia e reacende uma esperança cautelosa — aquela que não se alimenta de promessas, mas de possibilidades concretas.

Resta saber:

Essa peregrinação política terá destino ou se perderá nos corredores burocráticos que tantas vezes engolem boas iniciativas?

Porque Vitória da Conquista não precisa apenas de movimento.

Precisa de resultado.

E, agora, todos os olhos se voltam para quem decidiu caminhar.

Entre o Discurso e a Omissão: O Vazio da Fiscalização Parlamentar

 

Quando o Mandato Falha, o Estado Some

Todo poder emana do povo — e essa não é uma frase decorativa. É o fundamento de uma responsabilidade concreta: o mandato parlamentar não é um título honorífico, é uma obrigação ativa de vigilância, cobrança e ação permanente.

O deputado, ao assumir seus quatro anos de mandato, não é apenas um intermediário político ou um emissor de discursos ocasionais. Ele é, por definição constitucional, um fiscal do Estado. Cabe a ele exercer o controle contábil, financeiro, orçamentário, operacional e patrimonial da máquina pública. Tem acesso irrestrito às repartições, pode realizar diligências, investigar, cobrar, pressionar. Em outras palavras: não lhe falta instrumento — falta, muitas vezes, postura.

É nesse ponto que o debate precisa ser reposicionado com honestidade. Quando serviços falham, quando decisões administrativas prejudicam regiões inteiras, quando setores estratégicos entram em declínio, a explicação não pode ser automaticamente atribuída a uma abstração chamada “Estado”. O Estado não é uma entidade autônoma que age por vontade própria — ele é conduzido, monitorado (ou negligenciado) por aqueles que receberam do povo a missão de fiscalizá-lo.

No caso recente da preocupação com a redução de voos e assentos na ligação entre a capital e o interior, o que se vê é uma reação tardia diante de um problema que não surgiu da noite para o dia. Mudanças em malhas aéreas, decisões de companhias e ajustes operacionais são processos previsíveis, acompanhados por indicadores e sinais claros ao longo do tempo. Não são surpresas imprevisíveis.

A movimentação política que agora busca dialogar com o governo e com agências reguladoras revela mais uma tentativa de contenção de danos do que propriamente uma ação preventiva. E isso levanta uma questão inevitável: onde estava a fiscalização contínua que o mandato exige?

Parlamentares que ocupam cargos há muitos anos acumulam não apenas experiência, mas também responsabilidade ampliada. Quanto maior o tempo no poder, menor é o espaço para justificativas baseadas em desconhecimento ou surpresa. A longevidade política deveria se traduzir em capacidade antecipatória, em leitura estratégica, em atuação preventiva — não em respostas reativas quando o problema já está instalado.

A ausência dessa atuação revela uma falha estrutural no exercício do mandato. Porque fiscalizar não é apenas denunciar depois que o dano acontece. Fiscalizar é acompanhar contratos, monitorar políticas públicas, prever impactos e agir antes que a população sinta as consequências.

Quando isso não acontece, o resultado é o que se vê: decisões que afetam diretamente o desenvolvimento regional, a mobilidade, o turismo, os negócios e a própria dignidade de uma população que depende dessas conexões para existir economicamente.

Portanto, é preciso dizer com clareza — sem rodeios e sem conveniências: a omissão também é uma forma de responsabilidade. E quando o parlamentar não exerce plenamente sua função fiscalizadora, ele não apenas falha individualmente, mas compromete o próprio funcionamento do Estado.

No fim, a equação é simples: se o deputado não cumpre seu papel, o Estado deixa de funcionar como deveria. E quando o Estado falha, quem paga a conta é sempre o povo.

Entre o Discurso e a Omissão: O Vazio da Fiscalização Parlamentar

 

Quando o Mandato Falha, o Estado Some

Todo poder emana do povo — e essa não é uma frase decorativa. É o fundamento de uma responsabilidade concreta: o mandato parlamentar não é um título honorífico, é uma obrigação ativa de vigilância, cobrança e ação permanente.

O deputado, ao assumir seus quatro anos de mandato, não é apenas um intermediário político ou um emissor de discursos ocasionais. Ele é, por definição constitucional, um fiscal do Estado. Cabe a ele exercer o controle contábil, financeiro, orçamentário, operacional e patrimonial da máquina pública. Tem acesso irrestrito às repartições, pode realizar diligências, investigar, cobrar, pressionar. Em outras palavras: não lhe falta instrumento — falta, muitas vezes, postura.

É nesse ponto que o debate precisa ser reposicionado com honestidade. Quando serviços falham, quando decisões administrativas prejudicam regiões inteiras, quando setores estratégicos entram em declínio, a explicação não pode ser automaticamente atribuída a uma abstração chamada “Estado”. O Estado não é uma entidade autônoma que age por vontade própria — ele é conduzido, monitorado (ou negligenciado) por aqueles que receberam do povo a missão de fiscalizá-lo.

No caso recente da preocupação com a redução de voos e assentos na ligação entre a capital e o interior, o que se vê é uma reação tardia diante de um problema que não surgiu da noite para o dia. Mudanças em malhas aéreas, decisões de companhias e ajustes operacionais são processos previsíveis, acompanhados por indicadores e sinais claros ao longo do tempo. Não são surpresas imprevisíveis.

A movimentação política que agora busca dialogar com o governo e com agências reguladoras revela mais uma tentativa de contenção de danos do que propriamente uma ação preventiva. E isso levanta uma questão inevitável: onde estava a fiscalização contínua que o mandato exige?

Parlamentares que ocupam cargos há muitos anos acumulam não apenas experiência, mas também responsabilidade ampliada. Quanto maior o tempo no poder, menor é o espaço para justificativas baseadas em desconhecimento ou surpresa. A longevidade política deveria se traduzir em capacidade antecipatória, em leitura estratégica, em atuação preventiva — não em respostas reativas quando o problema já está instalado.

A ausência dessa atuação revela uma falha estrutural no exercício do mandato. Porque fiscalizar não é apenas denunciar depois que o dano acontece. Fiscalizar é acompanhar contratos, monitorar políticas públicas, prever impactos e agir antes que a população sinta as consequências.

Quando isso não acontece, o resultado é o que se vê: decisões que afetam diretamente o desenvolvimento regional, a mobilidade, o turismo, os negócios e a própria dignidade de uma população que depende dessas conexões para existir economicamente.

Portanto, é preciso dizer com clareza — sem rodeios e sem conveniências: a omissão também é uma forma de responsabilidade. E quando o parlamentar não exerce plenamente sua função fiscalizadora, ele não apenas falha individualmente, mas compromete o próprio funcionamento do Estado.

No fim, a equação é simples: se o deputado não cumpre seu papel, o Estado deixa de funcionar como deveria. E quando o Estado falha, quem paga a conta é sempre o povo.

O Terço dos Homens: A Força Espiritual que Está Renovando as Paróquias

 

Quando os Homens se Ajoelham, o Mundo se Levanta

Padre Carlos

Há algo profundamente transformador quando um homem decide rezar.

Não é apenas um gesto religioso. É um rompimento silencioso com o peso do mundo. É quando o orgulho cede espaço à humildade, quando o silêncio vira oração, e quando mãos calejadas — acostumadas à luta diária — se unem não para o confronto, mas para a fé.

E foi exatamente isso que aconteceu ali, em meio à feira do Alto Maron.

Entre vozes de vendedores, passos apressados e o ritmo cotidiano da vida simples, algo extraordinário floresceu: o Terço dos Homens. Sem palco, sem holofotes, sem necessidade de aplausos. Apenas homens. Apenas fé. Apenas Deus.

E talvez seja justamente aí que mora a grandeza desse movimento.

Vivemos tempos em que a fé é frequentemente colocada à prova. O mundo, cansado, parece consumir a si mesmo na dor, na pressa e na ausência de sentido. Mas, de Veredinha ao Alto Maron, algo diferente está acontecendo. Homens estão se levantando. Não com gritos, não com imposição, mas com o rosário nas mãos e o coração aberto.

“Ó Mãe e Rainha do Santo Rosário…” — a oração ecoa não apenas como palavras, mas como um grito silencioso de quem pede ajuda, de quem reconhece seus limites, de quem sabe que sozinho não dá.

E que bonito é ver isso.

Porque por trás de cada homem ali existe uma história. Há dores não contadas, batalhas travadas em silêncio, responsabilidades que pesam. Mas, naquele momento, tudo isso se transforma em entrega. Em confiança. Em esperança.

O Terço dos Homens não é apenas um encontro religioso. É um refúgio espiritual. É um espaço de acolhimento, de reconstrução interior, de reencontro com Deus. É onde o homem descobre que ser forte não é carregar tudo sozinho, mas saber a hora de se ajoelhar.

E há algo de profundamente simbólico nisso.

Num mundo que ensina o homem a endurecer, o Terço ensina a sentir. Num tempo que exige respostas rápidas, ele ensina a esperar. Numa sociedade que valoriza o ter, ele resgata o ser.

As mãos que seguram o terço são, sim, duras — marcadas pela vida, pelo trabalho, pelas dificuldades. Mas também são mãos que aprendem a confiar, a pedir, a agradecer. São mãos que se tornam instrumento de graça.

E talvez seja isso que o mundo mais precise hoje: homens que rezam.

Homens que reconhecem que há algo maior. Homens que, mesmo em meio ao caos, escolhem parar e lembrar do que realmente sustenta tudo: a presença de Deus.

O que aconteceu no Alto Maron não foi apenas uma oração coletiva. Foi um testemunho vivo de fé. Foi um lembrete de que ainda há esperança. De que ainda há caminho. De que ainda há sentido.

E que esses momentos continuem.

Porque são eles que fortalecem a caminhada. São eles que curam feridas invisíveis. São eles que devolvem ao homem sua essência mais profunda.

Quando os homens se ajoelham, o mundo não enfraquece.

Ele se reergue.

O Terço dos Homens: A Força Espiritual que Está Renovando as Paróquias

 

Quando os Homens se Ajoelham, o Mundo se Levanta

Padre Carlos

Há algo profundamente transformador quando um homem decide rezar.

Não é apenas um gesto religioso. É um rompimento silencioso com o peso do mundo. É quando o orgulho cede espaço à humildade, quando o silêncio vira oração, e quando mãos calejadas — acostumadas à luta diária — se unem não para o confronto, mas para a fé.

E foi exatamente isso que aconteceu ali, em meio à feira do Alto Maron.

Entre vozes de vendedores, passos apressados e o ritmo cotidiano da vida simples, algo extraordinário floresceu: o Terço dos Homens. Sem palco, sem holofotes, sem necessidade de aplausos. Apenas homens. Apenas fé. Apenas Deus.

E talvez seja justamente aí que mora a grandeza desse movimento.

Vivemos tempos em que a fé é frequentemente colocada à prova. O mundo, cansado, parece consumir a si mesmo na dor, na pressa e na ausência de sentido. Mas, de Veredinha ao Alto Maron, algo diferente está acontecendo. Homens estão se levantando. Não com gritos, não com imposição, mas com o rosário nas mãos e o coração aberto.

“Ó Mãe e Rainha do Santo Rosário…” — a oração ecoa não apenas como palavras, mas como um grito silencioso de quem pede ajuda, de quem reconhece seus limites, de quem sabe que sozinho não dá.

E que bonito é ver isso.

Porque por trás de cada homem ali existe uma história. Há dores não contadas, batalhas travadas em silêncio, responsabilidades que pesam. Mas, naquele momento, tudo isso se transforma em entrega. Em confiança. Em esperança.

O Terço dos Homens não é apenas um encontro religioso. É um refúgio espiritual. É um espaço de acolhimento, de reconstrução interior, de reencontro com Deus. É onde o homem descobre que ser forte não é carregar tudo sozinho, mas saber a hora de se ajoelhar.

E há algo de profundamente simbólico nisso.

Num mundo que ensina o homem a endurecer, o Terço ensina a sentir. Num tempo que exige respostas rápidas, ele ensina a esperar. Numa sociedade que valoriza o ter, ele resgata o ser.

As mãos que seguram o terço são, sim, duras — marcadas pela vida, pelo trabalho, pelas dificuldades. Mas também são mãos que aprendem a confiar, a pedir, a agradecer. São mãos que se tornam instrumento de graça.

E talvez seja isso que o mundo mais precise hoje: homens que rezam.

Homens que reconhecem que há algo maior. Homens que, mesmo em meio ao caos, escolhem parar e lembrar do que realmente sustenta tudo: a presença de Deus.

O que aconteceu no Alto Maron não foi apenas uma oração coletiva. Foi um testemunho vivo de fé. Foi um lembrete de que ainda há esperança. De que ainda há caminho. De que ainda há sentido.

E que esses momentos continuem.

Porque são eles que fortalecem a caminhada. São eles que curam feridas invisíveis. São eles que devolvem ao homem sua essência mais profunda.

Quando os homens se ajoelham, o mundo não enfraquece.

Ele se reergue.

O PAPA SOB ATAQUE: QUEM QUER SILENCIAR ESTA VOZ?

 

Pòr Padre Carlos

Há um silêncio que incomoda mais do que o grito. Um silêncio cúmplice, denso, quase litúrgico — desses que ecoam nas paredes frias de sacristias esquecidas pelo tempo. É nesse ambiente abafado, impregnado de naftalina e medo, que ressurgem vozes que agora ousam atacar o Papa Leão.

Não é novidade. A história recente da Igreja Católica já assistiu ao mesmo espetáculo quando o Papa Francisco decidiu abrir janelas, arejar corredores e lembrar ao mundo que o Evangelho não combina com mofo. Foi atacado, ridicularizado e, muitas vezes, julgado por aqueles que se escondem atrás de uma fé seletiva — rígida para os outros, conveniente para si.

Agora, repete-se o roteiro.

O Papa Leão torna-se alvo de setores conservadores e políticos que, por muito tempo, permaneceram confortavelmente escondidos nas sombras da sacristia. De lá, observavam o mundo sem se comprometer com ele. De lá, julgavam sem tocar a dor humana. De lá, cultivavam uma religião que mais separa do que une.

O problema não é a tradição. A Igreja vive da tradição. O problema é quando a tradição vira trincheira ideológica. Quando a fé deixa de ser ponte e passa a ser muro. Quando o discurso religioso se torna ferramenta política — e não expressão do amor cristão.

Há algo profundamente contraditório nisso tudo: aqueles que mais falam em defender a Igreja são, muitas vezes, os primeiros a ferir sua unidade. Esquecem que a Igreja Católica não é um campo de batalha ideológico, mas uma comunidade de comunhão. Não é propriedade de grupos, mas casa de todos.

Onde estão, então, os freis, freiras, padres e leigos midiáticos? Onde estão as vozes que deveriam ecoar em defesa da unidade, da comunhão com o Papa, da fidelidade ao espírito do Evangelho? O silêncio, mais uma vez, revela muito.

Talvez porque defender o Papa hoje não renda curtidas. Talvez porque a coragem evangélica não combine com algoritmos. Ou talvez porque seja mais fácil permanecer no conforto das certezas antigas do que enfrentar o desconforto da renovação.

Mas a Igreja nunca foi feita de comodidade.

A crise atual não é apenas uma disputa interna. É um reflexo de algo maior: a tentativa de capturar a fé para projetos de poder. E quando a fé se submete à política, perde-se sua essência. O Cristo que caminhava entre os pobres não cabe em palanques.

O Papa Leão, assim como Francisco antes dele, não está sendo atacado apenas por suas ideias. Está sendo atacado porque representa movimento, mudança, vida. E tudo que é vivo incomoda aquilo que já se acostumou à imobilidade.

No fim, a pergunta permanece no ar, como um incenso que não se dissipa: a quem serve esse conservadorismo que tanto grita? À Igreja ou ao medo de perder espaço dentro dela?

Porque fé de verdade não tem cheiro de naftalina.

Tem cheiro de povo.

O PAPA SOB ATAQUE: QUEM QUER SILENCIAR ESTA VOZ?

 

Pòr Padre Carlos

Há um silêncio que incomoda mais do que o grito. Um silêncio cúmplice, denso, quase litúrgico — desses que ecoam nas paredes frias de sacristias esquecidas pelo tempo. É nesse ambiente abafado, impregnado de naftalina e medo, que ressurgem vozes que agora ousam atacar o Papa Leão.

Não é novidade. A história recente da Igreja Católica já assistiu ao mesmo espetáculo quando o Papa Francisco decidiu abrir janelas, arejar corredores e lembrar ao mundo que o Evangelho não combina com mofo. Foi atacado, ridicularizado e, muitas vezes, julgado por aqueles que se escondem atrás de uma fé seletiva — rígida para os outros, conveniente para si.

Agora, repete-se o roteiro.

O Papa Leão torna-se alvo de setores conservadores e políticos que, por muito tempo, permaneceram confortavelmente escondidos nas sombras da sacristia. De lá, observavam o mundo sem se comprometer com ele. De lá, julgavam sem tocar a dor humana. De lá, cultivavam uma religião que mais separa do que une.

O problema não é a tradição. A Igreja vive da tradição. O problema é quando a tradição vira trincheira ideológica. Quando a fé deixa de ser ponte e passa a ser muro. Quando o discurso religioso se torna ferramenta política — e não expressão do amor cristão.

Há algo profundamente contraditório nisso tudo: aqueles que mais falam em defender a Igreja são, muitas vezes, os primeiros a ferir sua unidade. Esquecem que a Igreja Católica não é um campo de batalha ideológico, mas uma comunidade de comunhão. Não é propriedade de grupos, mas casa de todos.

Onde estão, então, os freis, freiras, padres e leigos midiáticos? Onde estão as vozes que deveriam ecoar em defesa da unidade, da comunhão com o Papa, da fidelidade ao espírito do Evangelho? O silêncio, mais uma vez, revela muito.

Talvez porque defender o Papa hoje não renda curtidas. Talvez porque a coragem evangélica não combine com algoritmos. Ou talvez porque seja mais fácil permanecer no conforto das certezas antigas do que enfrentar o desconforto da renovação.

Mas a Igreja nunca foi feita de comodidade.

A crise atual não é apenas uma disputa interna. É um reflexo de algo maior: a tentativa de capturar a fé para projetos de poder. E quando a fé se submete à política, perde-se sua essência. O Cristo que caminhava entre os pobres não cabe em palanques.

O Papa Leão, assim como Francisco antes dele, não está sendo atacado apenas por suas ideias. Está sendo atacado porque representa movimento, mudança, vida. E tudo que é vivo incomoda aquilo que já se acostumou à imobilidade.

No fim, a pergunta permanece no ar, como um incenso que não se dissipa: a quem serve esse conservadorismo que tanto grita? À Igreja ou ao medo de perder espaço dentro dela?

Porque fé de verdade não tem cheiro de naftalina.

Tem cheiro de povo.

Lagoa das Bateias: Quando a Cidade Volta a Pertencer ao Seu Povo

 

 

 

Por Padre Carlos

O que se viu neste domingo no Parque Municipal Lagoa das Bateias não foi apenas um evento público, tampouco uma simples caminhada ecológica. O que se presenciou foi algo mais profundo, mais raro e mais transformador: o despertar de uma cidade para si mesma.

Vitória da Conquista, tantas vezes marcada por contrastes urbanos e desigualdades territoriais, deu sinais claros de que começa a resgatar um de seus valores mais essenciais — o pertencimento. E não há política pública mais poderosa do que aquela que devolve ao cidadão o sentimento de que ele faz parte do espaço onde vive.

A Lagoa das Bateias amanheceu viva. Não apenas cheia, mas significativa. Centenas de pessoas ocuparam o parque não como visitantes ocasionais, mas como protagonistas de uma nova narrativa urbana. Caminhada, mutirão de limpeza, atividades físicas, cultura, lazer e consciência ambiental se entrelaçaram numa dinâmica orgânica, onde o mais importante não era o evento em si, mas o que ele representava: a retomada do espaço público como extensão da vida comunitária.

É inevitável reconhecer o papel da gestão municipal nesse processo. A administração da prefeita Sheila Lemos tem apostado na requalificação urbana como instrumento de transformação social, e isso começa a produzir efeitos visíveis. No entanto, mais do que obras, o que se viu foi uma mudança de abordagem — uma política que entende que cidade não se constrói apenas com concreto, mas com vínculos.

Nesse contexto, emerge uma figura que compreende com sensibilidade o espírito do tempo: Lucas Batista. Ao afirmar que a Lagoa é “a casa das pessoas, o quintal das pessoas”, ele sintetiza uma visão moderna de gestão pública, onde o espaço urbano deixa de ser um equipamento e passa a ser uma experiência coletiva.

E foi exatamente isso que se viu. Não havia espectadores passivos. Havia cidadãos ativos. Pessoas que caminharam, dançaram, respiraram, mas também refletiram e agiram. A imagem de moradores retirando lixo, pneus e resíduos do parque é, ao mesmo tempo, um retrato do abandono passado e um símbolo potente de reconstrução social. É a cidadania deixando de ser discurso e se tornando prática.

A força do evento esteve, sobretudo, na participação popular. A Zona Oeste, historicamente esquecida em muitos aspectos, mostrou sua vitalidade, sua capacidade de mobilização e seu desejo de ser vista, ouvida e respeitada. Ali, naquele espaço revitalizado, não havia periferia — havia centralidade humana.

Outro ponto que merece destaque é a integração de políticas públicas. Meio ambiente, esporte, saúde, cultura e educação deixaram de atuar de forma isolada e passaram a dialogar entre si. Esse modelo integrado é, hoje, uma das principais tendências de gestão urbana inteligente e sustentável, capaz de gerar impacto real na qualidade de vida da população.

O sucesso da caminhada ecológica não pode ser medido apenas por números ou pela diversidade de atividades. Seu verdadeiro significado está na mudança de mentalidade que começa a germinar. Um parque revitalizado não se sustenta apenas com investimento público — ele depende do cuidado cotidiano da população. E isso, finalmente, começa a acontecer.

O que se viveu na Lagoa das Bateias foi mais do que um evento bem executado. Foi um marco simbólico. Um ponto de inflexão. A prova concreta de que, quando poder público e comunidade caminham juntos, a cidade deixa de ser um cenário inerte e se transforma em obra coletiva.

Se esse movimento persistir — com continuidade, responsabilidade e participação ativa — a Lagoa das Bateias não será apenas um espaço recuperado. Tornar-se-á um símbolo de transformação urbana, cidadania ativa e reconstrução do tecido social em Vitória da Conquista.

E talvez, no futuro, possamos olhar para este domingo não como um evento isolado, mas como o início de uma nova consciência urbana: aquela em que a cidade, finalmente, volta a pertencer ao seu povo.

Lagoa das Bateias: Quando a Cidade Volta a Pertencer ao Seu Povo

 

 

 

Por Padre Carlos

O que se viu neste domingo no Parque Municipal Lagoa das Bateias não foi apenas um evento público, tampouco uma simples caminhada ecológica. O que se presenciou foi algo mais profundo, mais raro e mais transformador: o despertar de uma cidade para si mesma.

Vitória da Conquista, tantas vezes marcada por contrastes urbanos e desigualdades territoriais, deu sinais claros de que começa a resgatar um de seus valores mais essenciais — o pertencimento. E não há política pública mais poderosa do que aquela que devolve ao cidadão o sentimento de que ele faz parte do espaço onde vive.

A Lagoa das Bateias amanheceu viva. Não apenas cheia, mas significativa. Centenas de pessoas ocuparam o parque não como visitantes ocasionais, mas como protagonistas de uma nova narrativa urbana. Caminhada, mutirão de limpeza, atividades físicas, cultura, lazer e consciência ambiental se entrelaçaram numa dinâmica orgânica, onde o mais importante não era o evento em si, mas o que ele representava: a retomada do espaço público como extensão da vida comunitária.

É inevitável reconhecer o papel da gestão municipal nesse processo. A administração da prefeita Sheila Lemos tem apostado na requalificação urbana como instrumento de transformação social, e isso começa a produzir efeitos visíveis. No entanto, mais do que obras, o que se viu foi uma mudança de abordagem — uma política que entende que cidade não se constrói apenas com concreto, mas com vínculos.

Nesse contexto, emerge uma figura que compreende com sensibilidade o espírito do tempo: Lucas Batista. Ao afirmar que a Lagoa é “a casa das pessoas, o quintal das pessoas”, ele sintetiza uma visão moderna de gestão pública, onde o espaço urbano deixa de ser um equipamento e passa a ser uma experiência coletiva.

E foi exatamente isso que se viu. Não havia espectadores passivos. Havia cidadãos ativos. Pessoas que caminharam, dançaram, respiraram, mas também refletiram e agiram. A imagem de moradores retirando lixo, pneus e resíduos do parque é, ao mesmo tempo, um retrato do abandono passado e um símbolo potente de reconstrução social. É a cidadania deixando de ser discurso e se tornando prática.

A força do evento esteve, sobretudo, na participação popular. A Zona Oeste, historicamente esquecida em muitos aspectos, mostrou sua vitalidade, sua capacidade de mobilização e seu desejo de ser vista, ouvida e respeitada. Ali, naquele espaço revitalizado, não havia periferia — havia centralidade humana.

Outro ponto que merece destaque é a integração de políticas públicas. Meio ambiente, esporte, saúde, cultura e educação deixaram de atuar de forma isolada e passaram a dialogar entre si. Esse modelo integrado é, hoje, uma das principais tendências de gestão urbana inteligente e sustentável, capaz de gerar impacto real na qualidade de vida da população.

O sucesso da caminhada ecológica não pode ser medido apenas por números ou pela diversidade de atividades. Seu verdadeiro significado está na mudança de mentalidade que começa a germinar. Um parque revitalizado não se sustenta apenas com investimento público — ele depende do cuidado cotidiano da população. E isso, finalmente, começa a acontecer.

O que se viveu na Lagoa das Bateias foi mais do que um evento bem executado. Foi um marco simbólico. Um ponto de inflexão. A prova concreta de que, quando poder público e comunidade caminham juntos, a cidade deixa de ser um cenário inerte e se transforma em obra coletiva.

Se esse movimento persistir — com continuidade, responsabilidade e participação ativa — a Lagoa das Bateias não será apenas um espaço recuperado. Tornar-se-á um símbolo de transformação urbana, cidadania ativa e reconstrução do tecido social em Vitória da Conquista.

E talvez, no futuro, possamos olhar para este domingo não como um evento isolado, mas como o início de uma nova consciência urbana: aquela em que a cidade, finalmente, volta a pertencer ao seu povo.