Política e Resenha

Inmet renova Alerta Amarelo e reforça atenção para chuvas intensas em Vitória da Conquista

A renovação do Alerta Amarelo pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para Vitória da Conquista recoloca no centro do debate público a importância da informação meteorológica como instrumento de prevenção e cuidado coletivo. O aviso, válido desta terça-feira (20) até as 23h59 do domingo (25), indica a possibilidade de chuvas intensas acompanhadas de ventos fortes, fenômenos comuns neste período do ano, mas que exigem atenção redobrada da população e das autoridades locais.

De acordo com o Inmet, o volume de chuva pode variar entre 20 e 30 milímetros por hora, ou alcançar até 50 milímetros por dia, com ventos entre 40 e 60 km/h. Embora o órgão classifique o alerta como de perigo potencial, o que indica baixo risco, os efeitos associados a esse tipo de instabilidade climática não devem ser subestimados. Situações como alagamentos pontuais, queda de galhos de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica e descargas elétricas fazem parte do cenário previsto.

A função principal de um alerta meteorológico não é causar alarme, mas orientar. Nesse sentido, as recomendações do Inmet são claras e baseadas em protocolos de segurança amplamente reconhecidos. Evitar abrigo sob árvores durante rajadas de vento, não estacionar veículos próximos a torres de transmissão ou estruturas metálicas e reduzir o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada são medidas simples que podem minimizar riscos em momentos de instabilidade atmosférica.

O episódio também evidencia o papel estratégico da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros na gestão de eventos climáticos. A disponibilidade de canais diretos de comunicação com a população, como os contatos da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) e o número de emergência 193, reforça a necessidade de integração entre informação, prevenção e resposta rápida.

Em um contexto de mudanças climáticas e maior frequência de eventos extremos, alertas como este fazem parte de uma nova normalidade. A leitura atenta dos boletins do Inmet, aliada a uma postura preventiva da sociedade, contribui para reduzir impactos e preservar vidas. Informação qualificada, neste caso, não é apenas dado técnico: é um serviço público essencial.

(Maria Clara)

Inmet renova Alerta Amarelo e reforça atenção para chuvas intensas em Vitória da Conquista

A renovação do Alerta Amarelo pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para Vitória da Conquista recoloca no centro do debate público a importância da informação meteorológica como instrumento de prevenção e cuidado coletivo. O aviso, válido desta terça-feira (20) até as 23h59 do domingo (25), indica a possibilidade de chuvas intensas acompanhadas de ventos fortes, fenômenos comuns neste período do ano, mas que exigem atenção redobrada da população e das autoridades locais.

De acordo com o Inmet, o volume de chuva pode variar entre 20 e 30 milímetros por hora, ou alcançar até 50 milímetros por dia, com ventos entre 40 e 60 km/h. Embora o órgão classifique o alerta como de perigo potencial, o que indica baixo risco, os efeitos associados a esse tipo de instabilidade climática não devem ser subestimados. Situações como alagamentos pontuais, queda de galhos de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica e descargas elétricas fazem parte do cenário previsto.

A função principal de um alerta meteorológico não é causar alarme, mas orientar. Nesse sentido, as recomendações do Inmet são claras e baseadas em protocolos de segurança amplamente reconhecidos. Evitar abrigo sob árvores durante rajadas de vento, não estacionar veículos próximos a torres de transmissão ou estruturas metálicas e reduzir o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada são medidas simples que podem minimizar riscos em momentos de instabilidade atmosférica.

O episódio também evidencia o papel estratégico da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros na gestão de eventos climáticos. A disponibilidade de canais diretos de comunicação com a população, como os contatos da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) e o número de emergência 193, reforça a necessidade de integração entre informação, prevenção e resposta rápida.

Em um contexto de mudanças climáticas e maior frequência de eventos extremos, alertas como este fazem parte de uma nova normalidade. A leitura atenta dos boletins do Inmet, aliada a uma postura preventiva da sociedade, contribui para reduzir impactos e preservar vidas. Informação qualificada, neste caso, não é apenas dado técnico: é um serviço público essencial.

(Maria Clara)

 Confronto com a Caesg termina em morte no bairro Alegria

Um homem morreu na tarde desta terça-feira (20) após uma troca de tiros com uma guarnição da Companhia de Ações Especiais do Sudoeste da Bahia (Caesg), na Rua Diamantina, no bairro Alegria. A ocorrência mobilizou equipes policiais e chamou a atenção de moradores e transeuntes da região.

De acordo com informações preliminares, o confronto teve início quando os policiais tentaram realizar uma abordagem de rotina. Ao perceber a presença da guarnição, o homem teria reagido de forma violenta, tentando fugir e efetuando disparos de arma de fogo contra os agentes. Diante da situação, os policiais revidaram, e o suspeito acabou sendo atingido.

O tiroteio provocou momentos de tensão e apreensão no bairro, com grande movimentação nas imediações da Rua Diamantina. Moradores relataram susto com os disparos e a interrupção temporária do fluxo de pessoas no local.

Após o confronto, foi constatado o óbito do homem ainda na cena. O corpo será removido para o Instituto Médico Legal (IML) por uma equipe do Departamento de Polícia Técnica (DPT), onde serão realizados os procedimentos periciais necessários. Até o momento, não há informações confirmadas sobre a identidade do indivíduo.

A ocorrência deverá ser apurada pelas autoridades competentes, seguindo os protocolos legais, para esclarecimento completo das circunstâncias do fato.

(Maria Clara)

 Confronto com a Caesg termina em morte no bairro Alegria

Um homem morreu na tarde desta terça-feira (20) após uma troca de tiros com uma guarnição da Companhia de Ações Especiais do Sudoeste da Bahia (Caesg), na Rua Diamantina, no bairro Alegria. A ocorrência mobilizou equipes policiais e chamou a atenção de moradores e transeuntes da região.

De acordo com informações preliminares, o confronto teve início quando os policiais tentaram realizar uma abordagem de rotina. Ao perceber a presença da guarnição, o homem teria reagido de forma violenta, tentando fugir e efetuando disparos de arma de fogo contra os agentes. Diante da situação, os policiais revidaram, e o suspeito acabou sendo atingido.

O tiroteio provocou momentos de tensão e apreensão no bairro, com grande movimentação nas imediações da Rua Diamantina. Moradores relataram susto com os disparos e a interrupção temporária do fluxo de pessoas no local.

Após o confronto, foi constatado o óbito do homem ainda na cena. O corpo será removido para o Instituto Médico Legal (IML) por uma equipe do Departamento de Polícia Técnica (DPT), onde serão realizados os procedimentos periciais necessários. Até o momento, não há informações confirmadas sobre a identidade do indivíduo.

A ocorrência deverá ser apurada pelas autoridades competentes, seguindo os protocolos legais, para esclarecimento completo das circunstâncias do fato.

(Maria Clara)

Quando a Tragédia Entra em Casa: Infância, Negligência e o Dever Coletivo de Cuidar

Há acontecimentos que suspendem o tempo de uma cidade inteira. O caso dos pequenos João Lucas Ferreira Bispo, de apenas 4 anos, e do primo Lorenzo Ferreira Brito, de 5, vítimas de um incêndio doméstico no bairro Jurema, em Vitória da Conquista, é um desses episódios que rasgam a rotina e expõem feridas profundas da nossa vida social. Não se trata apenas de um acidente doméstico. Trata-se de um espelho incômodo que nos obriga a refletir sobre infância, responsabilidade, vulnerabilidade social e políticas públicas de proteção à criança.

João Lucas segue internado na UTI do Hospital de Base, em um delicado processo de constatação de morte cerebral. Lorenzo, igualmente atingido, luta pela vida desde o dia 13 de janeiro, quando ambos foram encontrados escondidos embaixo da cama, tentando escapar das chamas que consumiram a casa na Avenida Bogotá. O fogo, segundo o Corpo de Bombeiros, teria começado enquanto as crianças brincavam com fósforos na sala. Um gesto infantil, ingênuo, mas fatal. A sala foi completamente destruída. A infância, ali, também.

É impossível falar desse drama sem reconhecer o peso da comoção social que tomou conta de Vitória da Conquista. Vizinhos, amigos e até desconhecidos se uniram em uma corrente de oração diante do hospital. Esse movimento revela o melhor do espírito comunitário, mas também denuncia o quanto ainda reagimos mais à tragédia do que à prevenção. Choramos juntos depois, quando deveríamos agir antes.

O episódio escancara uma realidade muitas vezes silenciada: a falta de orientação, de acompanhamento e de políticas eficazes voltadas à segurança doméstica e à proteção da infância. Em muitos lares brasileiros, especialmente nas periferias urbanas, objetos perigosos convivem com crianças pequenas sem qualquer mediação adequada. Não por maldade, mas por exaustão, desinformação e abandono estrutural do Estado.

A responsabilidade não pode recair exclusivamente sobre a família, tampouco pode ser diluída em discursos genéricos. É dever do poder público investir em campanhas educativas, fortalecer a atenção básica, ampliar a atuação dos conselhos tutelares e tratar a segurança infantil como tema de saúde pública. Tragédias como essa não são meras fatalidades: são sintomas de um sistema que falha em proteger os mais frágeis.

João Lucas e Lorenzo não são apenas nomes em uma notícia triste. São símbolos de uma infância que pede socorro. Que a dor desta família e a comoção desta cidade não se percam no esquecimento rápido das redes sociais. Que esse episódio gere reflexão, ação e compromisso. Porque quando uma criança sofre, toda a sociedade fracassa um pouco junto.

(Maria Clara)

Quando a Tragédia Entra em Casa: Infância, Negligência e o Dever Coletivo de Cuidar

Há acontecimentos que suspendem o tempo de uma cidade inteira. O caso dos pequenos João Lucas Ferreira Bispo, de apenas 4 anos, e do primo Lorenzo Ferreira Brito, de 5, vítimas de um incêndio doméstico no bairro Jurema, em Vitória da Conquista, é um desses episódios que rasgam a rotina e expõem feridas profundas da nossa vida social. Não se trata apenas de um acidente doméstico. Trata-se de um espelho incômodo que nos obriga a refletir sobre infância, responsabilidade, vulnerabilidade social e políticas públicas de proteção à criança.

João Lucas segue internado na UTI do Hospital de Base, em um delicado processo de constatação de morte cerebral. Lorenzo, igualmente atingido, luta pela vida desde o dia 13 de janeiro, quando ambos foram encontrados escondidos embaixo da cama, tentando escapar das chamas que consumiram a casa na Avenida Bogotá. O fogo, segundo o Corpo de Bombeiros, teria começado enquanto as crianças brincavam com fósforos na sala. Um gesto infantil, ingênuo, mas fatal. A sala foi completamente destruída. A infância, ali, também.

É impossível falar desse drama sem reconhecer o peso da comoção social que tomou conta de Vitória da Conquista. Vizinhos, amigos e até desconhecidos se uniram em uma corrente de oração diante do hospital. Esse movimento revela o melhor do espírito comunitário, mas também denuncia o quanto ainda reagimos mais à tragédia do que à prevenção. Choramos juntos depois, quando deveríamos agir antes.

O episódio escancara uma realidade muitas vezes silenciada: a falta de orientação, de acompanhamento e de políticas eficazes voltadas à segurança doméstica e à proteção da infância. Em muitos lares brasileiros, especialmente nas periferias urbanas, objetos perigosos convivem com crianças pequenas sem qualquer mediação adequada. Não por maldade, mas por exaustão, desinformação e abandono estrutural do Estado.

A responsabilidade não pode recair exclusivamente sobre a família, tampouco pode ser diluída em discursos genéricos. É dever do poder público investir em campanhas educativas, fortalecer a atenção básica, ampliar a atuação dos conselhos tutelares e tratar a segurança infantil como tema de saúde pública. Tragédias como essa não são meras fatalidades: são sintomas de um sistema que falha em proteger os mais frágeis.

João Lucas e Lorenzo não são apenas nomes em uma notícia triste. São símbolos de uma infância que pede socorro. Que a dor desta família e a comoção desta cidade não se percam no esquecimento rápido das redes sociais. Que esse episódio gere reflexão, ação e compromisso. Porque quando uma criança sofre, toda a sociedade fracassa um pouco junto.

(Maria Clara)

Vitória da Conquista no Radar Internacional: Portugal Bate à Porta do Sudoeste Baiano

Vitória da Conquista vive um daqueles momentos simbólicos que, muitas vezes, passam despercebidos no cotidiano político, mas que carregam um forte significado histórico e estratégico. Pela primeira vez, o Cônsul-Geral de Portugal em Salvador, Ricardo Cortez, realiza uma visita oficial ao município. Não se trata apenas de um gesto protocolar. É um sinal claro de que a cidade começa a ser enxergada para além de suas fronteiras regionais, assumindo um lugar relevante no cenário das relações internacionais, do desenvolvimento econômico e da diplomacia institucional.

A recepção no gabinete da Prefeitura Municipal, conduzida pelo vice-prefeito Dr. Aloísio Alan, ao lado do chefe da Casa Civil Ivanildo Silva e de secretários estratégicos, revela maturidade administrativa e visão de futuro. Quando uma cidade do interior atrai a atenção de um representante diplomático de um país europeu, com laços históricos profundos com o Brasil, algo importante está em curso. Vitória da Conquista deixa de ser apenas um polo regional para se apresentar como um território de oportunidades, investimentos, inovação e intercâmbio cultural.

O contexto dessa visita é ainda mais relevante quando se observa o momento de crescimento contínuo vivido pelo município. Desenvolvimento econômico, fortalecimento do comércio, expansão do setor de serviços, potencial agrícola — especialmente no café — e a presença de universidades e centros de formação fazem da cidade um ambiente propício para parcerias internacionais. A diplomacia moderna, como bem destacou o cônsul, não se limita às capitais. Ela se interioriza, conecta pessoas, instituições e projetos, aproximando realidades que antes pareciam distantes.

A agenda intensa do representante português, com visitas institucionais, reuniões com empresários, passagem por fazendas produtivas e encontros com lideranças políticas, demonstra interesse concreto, não apenas cordialidade. Portugal surge como um parceiro estratégico em áreas como inovação tecnológica, parques tecnológicos, intercâmbio educacional, investimentos produtivos e fortalecimento do empreendedorismo local. Essa aproximação pode representar novas portas para empresas conquistenses que desejam se internacionalizar e, ao mesmo tempo, atrair capital estrangeiro para o município.

Outro aspecto que não pode ser ignorado é o valor simbólico dessa relação histórica. Brasil e Portugal compartilham raízes culturais, linguísticas e sociais profundas. Quando essa herança se transforma em cooperação econômica e institucional, ganha contornos contemporâneos e pragmáticos. A presença do vice-presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, Bruno Pena, conquistense, reforça essa ponte entre passado, presente e futuro.

A recepção que será oferecida pela prefeita Sheila Lemos encerra não apenas uma visita oficial, mas marca um novo capítulo na inserção de Vitória da Conquista em circuitos mais amplos de diálogo internacional. A cidade se apresenta, com legitimidade, como um polo estratégico do interior do Nordeste, capaz de dialogar com o mundo globalizado sem perder sua identidade regional.

Registrar esse momento é mais do que uma formalidade jornalística. É reconhecer que Vitória da Conquista avança, amadurece politicamente e se projeta para além de seus limites geográficos. Quando a diplomacia bate à porta, é sinal de que a cidade já não é apenas observadora da história — ela começa, cada vez mais, a fazer parte dela.

(Maria Clara)

Vitória da Conquista no Radar Internacional: Portugal Bate à Porta do Sudoeste Baiano

Vitória da Conquista vive um daqueles momentos simbólicos que, muitas vezes, passam despercebidos no cotidiano político, mas que carregam um forte significado histórico e estratégico. Pela primeira vez, o Cônsul-Geral de Portugal em Salvador, Ricardo Cortez, realiza uma visita oficial ao município. Não se trata apenas de um gesto protocolar. É um sinal claro de que a cidade começa a ser enxergada para além de suas fronteiras regionais, assumindo um lugar relevante no cenário das relações internacionais, do desenvolvimento econômico e da diplomacia institucional.

A recepção no gabinete da Prefeitura Municipal, conduzida pelo vice-prefeito Dr. Aloísio Alan, ao lado do chefe da Casa Civil Ivanildo Silva e de secretários estratégicos, revela maturidade administrativa e visão de futuro. Quando uma cidade do interior atrai a atenção de um representante diplomático de um país europeu, com laços históricos profundos com o Brasil, algo importante está em curso. Vitória da Conquista deixa de ser apenas um polo regional para se apresentar como um território de oportunidades, investimentos, inovação e intercâmbio cultural.

O contexto dessa visita é ainda mais relevante quando se observa o momento de crescimento contínuo vivido pelo município. Desenvolvimento econômico, fortalecimento do comércio, expansão do setor de serviços, potencial agrícola — especialmente no café — e a presença de universidades e centros de formação fazem da cidade um ambiente propício para parcerias internacionais. A diplomacia moderna, como bem destacou o cônsul, não se limita às capitais. Ela se interioriza, conecta pessoas, instituições e projetos, aproximando realidades que antes pareciam distantes.

A agenda intensa do representante português, com visitas institucionais, reuniões com empresários, passagem por fazendas produtivas e encontros com lideranças políticas, demonstra interesse concreto, não apenas cordialidade. Portugal surge como um parceiro estratégico em áreas como inovação tecnológica, parques tecnológicos, intercâmbio educacional, investimentos produtivos e fortalecimento do empreendedorismo local. Essa aproximação pode representar novas portas para empresas conquistenses que desejam se internacionalizar e, ao mesmo tempo, atrair capital estrangeiro para o município.

Outro aspecto que não pode ser ignorado é o valor simbólico dessa relação histórica. Brasil e Portugal compartilham raízes culturais, linguísticas e sociais profundas. Quando essa herança se transforma em cooperação econômica e institucional, ganha contornos contemporâneos e pragmáticos. A presença do vice-presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, Bruno Pena, conquistense, reforça essa ponte entre passado, presente e futuro.

A recepção que será oferecida pela prefeita Sheila Lemos encerra não apenas uma visita oficial, mas marca um novo capítulo na inserção de Vitória da Conquista em circuitos mais amplos de diálogo internacional. A cidade se apresenta, com legitimidade, como um polo estratégico do interior do Nordeste, capaz de dialogar com o mundo globalizado sem perder sua identidade regional.

Registrar esse momento é mais do que uma formalidade jornalística. É reconhecer que Vitória da Conquista avança, amadurece politicamente e se projeta para além de seus limites geográficos. Quando a diplomacia bate à porta, é sinal de que a cidade já não é apenas observadora da história — ela começa, cada vez mais, a fazer parte dela.

(Maria Clara)

Barra Nova entre a repressão policial e o desafio social do combate às drogas

A operação realizada pela 92ª CIPM Rural na noite de segunda-feira, 19, no distrito de Barra Nova, não pode ser lida apenas como mais um registro policial de apreensão de drogas. Ela precisa ser compreendida como um retrato complexo da realidade social que atravessa pequenas comunidades brasileiras, onde o tráfico de drogas, a violência urbana, a vulnerabilidade social e a ausência de políticas públicas eficazes se encontram de forma dramática.

A apreensão de porções de substância análoga à cocaína, maconha, embalagens para acondicionamento de entorpecentes e um aparelho celular revela que o crime organizado, mesmo em escala local, atua de maneira estruturada. Não se trata de um fenômeno isolado, mas de um modelo que se repete em diversos distritos rurais e periféricos do país, impulsionado pela falta de oportunidades, pelo desemprego e pela fragilidade das redes de proteção social.

É inegável o papel fundamental da Polícia Militar da Bahia e, em especial, da 92ª CIPM Rural, que cumpre sua missão constitucional de preservar a ordem pública e garantir a segurança da população. A atuação rápida, a condução dos suspeitos ao Distrito Integrado de Segurança Pública e o cumprimento rigoroso dos protocolos legais demonstram profissionalismo e compromisso institucional. A repressão qualificada ao tráfico é necessária, urgente e salva vidas.

No entanto, limitar o debate à eficiência policial seria um erro estratégico. O combate às drogas não se sustenta apenas com operações, apreensões e prisões. Ele exige políticas públicas integradas, investimentos em educação, geração de emprego, saúde mental e assistência social. Enquanto o Estado estiver presente apenas com a força da lei e ausente com políticas de inclusão, o ciclo da criminalidade tende a se renovar.

Barra Nova, como tantos outros distritos, precisa ser enxergada além das estatísticas policiais. Precisa de escolas fortalecidas, projetos para a juventude, acesso à cultura, ao esporte e a oportunidades reais de ascensão social. O tráfico se alimenta do vazio deixado pelo poder público. Onde falta o Estado, o crime ocupa espaço, cria vínculos e oferece falsas soluções.

A operação da 92ª CIPM Rural deve ser reconhecida e valorizada, mas também deve servir como ponto de reflexão coletiva. Segurança pública eficaz não se constrói apenas com repressão, mas com prevenção, inteligência, políticas sociais e compromisso permanente com a dignidade humana. Sem isso, novas ocorrências continuarão a ocupar as páginas dos noticiários, enquanto o problema real segue intacto.

(Maria Clara)

Barra Nova entre a repressão policial e o desafio social do combate às drogas

A operação realizada pela 92ª CIPM Rural na noite de segunda-feira, 19, no distrito de Barra Nova, não pode ser lida apenas como mais um registro policial de apreensão de drogas. Ela precisa ser compreendida como um retrato complexo da realidade social que atravessa pequenas comunidades brasileiras, onde o tráfico de drogas, a violência urbana, a vulnerabilidade social e a ausência de políticas públicas eficazes se encontram de forma dramática.

A apreensão de porções de substância análoga à cocaína, maconha, embalagens para acondicionamento de entorpecentes e um aparelho celular revela que o crime organizado, mesmo em escala local, atua de maneira estruturada. Não se trata de um fenômeno isolado, mas de um modelo que se repete em diversos distritos rurais e periféricos do país, impulsionado pela falta de oportunidades, pelo desemprego e pela fragilidade das redes de proteção social.

É inegável o papel fundamental da Polícia Militar da Bahia e, em especial, da 92ª CIPM Rural, que cumpre sua missão constitucional de preservar a ordem pública e garantir a segurança da população. A atuação rápida, a condução dos suspeitos ao Distrito Integrado de Segurança Pública e o cumprimento rigoroso dos protocolos legais demonstram profissionalismo e compromisso institucional. A repressão qualificada ao tráfico é necessária, urgente e salva vidas.

No entanto, limitar o debate à eficiência policial seria um erro estratégico. O combate às drogas não se sustenta apenas com operações, apreensões e prisões. Ele exige políticas públicas integradas, investimentos em educação, geração de emprego, saúde mental e assistência social. Enquanto o Estado estiver presente apenas com a força da lei e ausente com políticas de inclusão, o ciclo da criminalidade tende a se renovar.

Barra Nova, como tantos outros distritos, precisa ser enxergada além das estatísticas policiais. Precisa de escolas fortalecidas, projetos para a juventude, acesso à cultura, ao esporte e a oportunidades reais de ascensão social. O tráfico se alimenta do vazio deixado pelo poder público. Onde falta o Estado, o crime ocupa espaço, cria vínculos e oferece falsas soluções.

A operação da 92ª CIPM Rural deve ser reconhecida e valorizada, mas também deve servir como ponto de reflexão coletiva. Segurança pública eficaz não se constrói apenas com repressão, mas com prevenção, inteligência, políticas sociais e compromisso permanente com a dignidade humana. Sem isso, novas ocorrências continuarão a ocupar as páginas dos noticiários, enquanto o problema real segue intacto.

(Maria Clara)

Caixas d’água desviadas, peculato escancarado e a política que trai o sertão

A operação policial que desarticulou o esquema de desvio e venda ilegal de caixas d’água da CODEVASF em Poções não é apenas mais uma notícia policial. Ela expõe, de forma crua e dolorosa, uma prática antiga que insiste em sobreviver no sertão baiano: a apropriação privada de bens públicos destinados aos mais pobres, travestida de “ajuda política” ou “benefício eleitoral”.

Estamos falando de 41 reservatórios de água, avaliados em cerca de R$ 120 mil, doados pelo Governo Federal por meio da CODEVASF para fins sociais. Não eram mercadorias. Eram instrumentos de dignidade, pensados para garantir acesso à água, minimizar os efeitos da seca e assegurar condições mínimas de sobrevivência a comunidades historicamente esquecidas pelo poder público.

Segundo as investigações da Polícia Civil da Bahia, parte desse patrimônio público foi comercializada de forma criminosa. Dois irmãos foram presos em flagrante por receptação em Poções e confessaram ter adquirido as caixas d’água de um vereador do município de Manoel Vitorino. Mais grave ainda: há indícios de que as marcas do Governo Federal foram retiradas deliberadamente, numa tentativa clara de apagar a origem pública do bem e esconder o rastro do crime.

Aqui não se trata de um simples desvio administrativo. O que está em apuração é o crime de peculato, tipificado no Código Penal, quando um agente público se apropria ou desvia bens sob sua responsabilidade para benefício próprio ou de terceiros. É a traição máxima da função pública. É o uso do mandato não para servir, mas para se servir.

O esquema revelado indica uma lógica perversa: parte das caixas seria vendida, gerando lucro ilegal, enquanto outras seriam distribuídas a moradores previamente indicados pelo político, especialmente no distrito de Salgado. Essa prática, infelizmente comum, cria dependência, confunde favor com direito e transforma políticas públicas em moeda eleitoral. O que deveria ser política de Estado vira instrumento de dominação política.

Casos como este ferem diretamente a credibilidade de programas sociais, alimentam o descrédito da população nas instituições e aprofundam o abismo entre o cidadão e o poder público. Quando recursos da União, destinados ao combate à escassez de água e ao desenvolvimento regional, são desviados, não é apenas o erário que sofre prejuízo. É a vida concreta de famílias inteiras que permanece refém da seca, da pobreza e da negligência.

A importância da operação policial vai além das prisões em flagrante. Ela reafirma que há vigilância, que o patrimônio público não é terra sem lei e que o sertão não pode continuar sendo tratado como quintal eleitoral de políticos sem compromisso ético. A apresentação dos suspeitos no Distrito Integrado de Segurança Pública em Vitória da Conquista e o aprofundamento das oitivas demonstram que a responsabilização precisa alcançar todos os envolvidos, doa a quem doer.

A Joia do Sertão Baiano merece mais do que escândalos recorrentes. Merece respeito, transparência, políticas públicas executadas com seriedade e representantes que compreendam que recursos da CODEVASF, da União ou de qualquer órgão público pertencem ao povo, não a projetos pessoais de poder.

Que as caixas d’água retornem à comunidade. Que a água volte a cumprir sua função de gerar vida, e não corrupção. E que este episódio sirva como um divisor de águas: no sertão, a política precisa deixar de ser negócio e voltar a ser serviço público.

(Maria Clara)

Caixas d’água desviadas, peculato escancarado e a política que trai o sertão

A operação policial que desarticulou o esquema de desvio e venda ilegal de caixas d’água da CODEVASF em Poções não é apenas mais uma notícia policial. Ela expõe, de forma crua e dolorosa, uma prática antiga que insiste em sobreviver no sertão baiano: a apropriação privada de bens públicos destinados aos mais pobres, travestida de “ajuda política” ou “benefício eleitoral”.

Estamos falando de 41 reservatórios de água, avaliados em cerca de R$ 120 mil, doados pelo Governo Federal por meio da CODEVASF para fins sociais. Não eram mercadorias. Eram instrumentos de dignidade, pensados para garantir acesso à água, minimizar os efeitos da seca e assegurar condições mínimas de sobrevivência a comunidades historicamente esquecidas pelo poder público.

Segundo as investigações da Polícia Civil da Bahia, parte desse patrimônio público foi comercializada de forma criminosa. Dois irmãos foram presos em flagrante por receptação em Poções e confessaram ter adquirido as caixas d’água de um vereador do município de Manoel Vitorino. Mais grave ainda: há indícios de que as marcas do Governo Federal foram retiradas deliberadamente, numa tentativa clara de apagar a origem pública do bem e esconder o rastro do crime.

Aqui não se trata de um simples desvio administrativo. O que está em apuração é o crime de peculato, tipificado no Código Penal, quando um agente público se apropria ou desvia bens sob sua responsabilidade para benefício próprio ou de terceiros. É a traição máxima da função pública. É o uso do mandato não para servir, mas para se servir.

O esquema revelado indica uma lógica perversa: parte das caixas seria vendida, gerando lucro ilegal, enquanto outras seriam distribuídas a moradores previamente indicados pelo político, especialmente no distrito de Salgado. Essa prática, infelizmente comum, cria dependência, confunde favor com direito e transforma políticas públicas em moeda eleitoral. O que deveria ser política de Estado vira instrumento de dominação política.

Casos como este ferem diretamente a credibilidade de programas sociais, alimentam o descrédito da população nas instituições e aprofundam o abismo entre o cidadão e o poder público. Quando recursos da União, destinados ao combate à escassez de água e ao desenvolvimento regional, são desviados, não é apenas o erário que sofre prejuízo. É a vida concreta de famílias inteiras que permanece refém da seca, da pobreza e da negligência.

A importância da operação policial vai além das prisões em flagrante. Ela reafirma que há vigilância, que o patrimônio público não é terra sem lei e que o sertão não pode continuar sendo tratado como quintal eleitoral de políticos sem compromisso ético. A apresentação dos suspeitos no Distrito Integrado de Segurança Pública em Vitória da Conquista e o aprofundamento das oitivas demonstram que a responsabilização precisa alcançar todos os envolvidos, doa a quem doer.

A Joia do Sertão Baiano merece mais do que escândalos recorrentes. Merece respeito, transparência, políticas públicas executadas com seriedade e representantes que compreendam que recursos da CODEVASF, da União ou de qualquer órgão público pertencem ao povo, não a projetos pessoais de poder.

Que as caixas d’água retornem à comunidade. Que a água volte a cumprir sua função de gerar vida, e não corrupção. E que este episódio sirva como um divisor de águas: no sertão, a política precisa deixar de ser negócio e voltar a ser serviço público.

(Maria Clara)

PM no Pôr do Sol: quando segurança, cultura e cidade se encontram no horizonte de Vitória da Conquista

Há acontecimentos que vão além do entretenimento e se transformam em sinais claros de maturidade urbana, de pertencimento e de reconciliação do cidadão com os espaços públicos. O retorno do projeto “PM no Pôr do Sol”, após cinco anos de interrupção, no alto do Cristo Crucificado de Vitória da Conquista, é exatamente isso: um gesto simbólico e concreto de que a cidade pode — e deve — ser vivida com segurança, cultura, lazer e convivência social.

Não se trata apenas de música ao entardecer ou de um evento bem organizado. Trata-se da ressignificação de um dos principais cartões-postais de Vitória da Conquista, uma obra icônica de Mário Cravo Júnior, que carrega em si fé, identidade nordestina e memória coletiva. O Cristo, com suas feições sertanejas, deixa de ser apenas monumento e volta a ser espaço vivo, pulsante, acessível, humano. Isso tem um peso cultural e simbólico imenso para a chamada Joia do Sertão Baiano.

O que chama atenção, e merece destaque em um artigo de opinião honesto, é a inversão de uma lógica historicamente equivocada no debate sobre segurança pública. Aqui, a Polícia Militar da Bahia não aparece apenas como força repressiva, mas como agente de integração social, promotora de cultura, lazer e convivência comunitária. O apoio do Governo Municipal de Vitória da Conquista, por meio de diversas secretarias, reforça a ideia de que políticas públicas eficazes nascem da cooperação institucional e do planejamento.

O ambiente seguro, citado repetidamente pelos frequentadores, não é um detalhe. Em tempos em que o medo sequestra o direito de ir e vir, ver famílias inteiras, crianças, idosos, jovens e até pets ocupando o espaço público é um sinal poderoso. Segurança pública não se constrói apenas com viaturas e armamentos, mas com presença do Estado, iluminação adequada, acessibilidade, urbanismo inteligente, cultura e sentimento de pertencimento. O evento mostrou, na prática, o que muitos teóricos defendem há décadas.

A revitalização do sítio histórico, com mirantes, iluminação em LED, paisagismo, piso drenante, acessibilidade e mobilidade urbana, revela uma compreensão moderna de cidade. Espaços bem cuidados afastam o abandono, reduzem a criminalidade e fortalecem o turismo urbano. Vitória da Conquista ganha não apenas um evento, mas um novo ponto de encontro, um novo orgulho coletivo e um ativo cultural que dialoga com moradores e visitantes.

Os depoimentos colhidos durante o evento são reveladores. Pessoas que nunca haviam visitado o Cristo, moradores da própria cidade e visitantes de fora, como a empresária vinda de Salvador, reforçam algo essencial: o espaço público precisa ser democrático, organizado e seguro para ser verdadeiramente público. Quando isso acontece, o cidadão responde positivamente. A “casa cheia” não é acaso; é consequência.

O “PM no Pôr do Sol” também aponta para um modelo de política pública que deveria inspirar outras cidades do interior da Bahia e do Brasil: eventos culturais descentralizados, valorização do patrimônio histórico, integração entre segurança, cultura, turismo e desenvolvimento urbano. Não é espetáculo vazio; é política pública com impacto social real.

Que esse projeto não seja apenas um evento sazonal, mas um marco de uma nova relação entre cidade, população e Estado. Vitória da Conquista mostrou que é possível unir fé, cultura, segurança, lazer e beleza natural em um mesmo pôr do sol. Quando isso acontece, a cidade cresce — não apenas em números, mas em alma, identidade e esperança.

(Maria Clara)

PM no Pôr do Sol: quando segurança, cultura e cidade se encontram no horizonte de Vitória da Conquista

Há acontecimentos que vão além do entretenimento e se transformam em sinais claros de maturidade urbana, de pertencimento e de reconciliação do cidadão com os espaços públicos. O retorno do projeto “PM no Pôr do Sol”, após cinco anos de interrupção, no alto do Cristo Crucificado de Vitória da Conquista, é exatamente isso: um gesto simbólico e concreto de que a cidade pode — e deve — ser vivida com segurança, cultura, lazer e convivência social.

Não se trata apenas de música ao entardecer ou de um evento bem organizado. Trata-se da ressignificação de um dos principais cartões-postais de Vitória da Conquista, uma obra icônica de Mário Cravo Júnior, que carrega em si fé, identidade nordestina e memória coletiva. O Cristo, com suas feições sertanejas, deixa de ser apenas monumento e volta a ser espaço vivo, pulsante, acessível, humano. Isso tem um peso cultural e simbólico imenso para a chamada Joia do Sertão Baiano.

O que chama atenção, e merece destaque em um artigo de opinião honesto, é a inversão de uma lógica historicamente equivocada no debate sobre segurança pública. Aqui, a Polícia Militar da Bahia não aparece apenas como força repressiva, mas como agente de integração social, promotora de cultura, lazer e convivência comunitária. O apoio do Governo Municipal de Vitória da Conquista, por meio de diversas secretarias, reforça a ideia de que políticas públicas eficazes nascem da cooperação institucional e do planejamento.

O ambiente seguro, citado repetidamente pelos frequentadores, não é um detalhe. Em tempos em que o medo sequestra o direito de ir e vir, ver famílias inteiras, crianças, idosos, jovens e até pets ocupando o espaço público é um sinal poderoso. Segurança pública não se constrói apenas com viaturas e armamentos, mas com presença do Estado, iluminação adequada, acessibilidade, urbanismo inteligente, cultura e sentimento de pertencimento. O evento mostrou, na prática, o que muitos teóricos defendem há décadas.

A revitalização do sítio histórico, com mirantes, iluminação em LED, paisagismo, piso drenante, acessibilidade e mobilidade urbana, revela uma compreensão moderna de cidade. Espaços bem cuidados afastam o abandono, reduzem a criminalidade e fortalecem o turismo urbano. Vitória da Conquista ganha não apenas um evento, mas um novo ponto de encontro, um novo orgulho coletivo e um ativo cultural que dialoga com moradores e visitantes.

Os depoimentos colhidos durante o evento são reveladores. Pessoas que nunca haviam visitado o Cristo, moradores da própria cidade e visitantes de fora, como a empresária vinda de Salvador, reforçam algo essencial: o espaço público precisa ser democrático, organizado e seguro para ser verdadeiramente público. Quando isso acontece, o cidadão responde positivamente. A “casa cheia” não é acaso; é consequência.

O “PM no Pôr do Sol” também aponta para um modelo de política pública que deveria inspirar outras cidades do interior da Bahia e do Brasil: eventos culturais descentralizados, valorização do patrimônio histórico, integração entre segurança, cultura, turismo e desenvolvimento urbano. Não é espetáculo vazio; é política pública com impacto social real.

Que esse projeto não seja apenas um evento sazonal, mas um marco de uma nova relação entre cidade, população e Estado. Vitória da Conquista mostrou que é possível unir fé, cultura, segurança, lazer e beleza natural em um mesmo pôr do sol. Quando isso acontece, a cidade cresce — não apenas em números, mas em alma, identidade e esperança.

(Maria Clara)

ARTIGO – A Estrada Não Para: O Fenômeno Quinho Tigre e o Vácuo Preenchido

 

(Padre Carlos)

Solto a voz na estrada, já não posso parar.” O verso de Milton Nascimento não é apenas poesia: é metáfora precisa do tempo político que a Bahia atravessa. Há momentos em que a inércia domina o cenário, e outros em que alguém decide caminhar quando muitos preferem esperar. A pré-candidatura de Quinho Tigre nasce exatamente desse movimento: estrada adentro, sem freio, rompendo o silêncio dos vazios políticos que insistem em se formar entre uma eleição e outra.

Na política, como na física, o vácuo não existe. Onde falta presença, sobra oportunidade para quem sabe ocupar. Quinho, ex-prefeito de Belo Campo, compreendeu isso cedo. O que alguns chamam de “surpresa” é, na verdade, resultado de resiliência política, leitura territorial e articulação inteligente. Ele deixou de ser apenas um nome do Sudoeste para dialogar com outras regiões estratégicas da Bahia, do Agreste ao Litoral Norte, falando uma língua que todos entendem: infraestrutura, mobilidade, segurança viária e desenvolvimento regional.

Ontem mesmo, esteve na Secretaria de Infraestrutura do Estado, a SEINFRA, acompanhado de Jonas, liderança política do município de Aporá. Não foi visita protocolar. Foi agenda de cobrança e de proposta. Na pauta, uma intervenção técnica fundamental no trecho entre as rodovias BA-233 e BA-398, ligando Aporá a Crisópolis. São cerca de quatro quilômetros que, quando recuperados, mudarão a dinâmica de tráfego, escoamento da produção e integração regional naquela área do Agreste e Litoral Norte. Infraestrutura, ali, não é detalhe: é condição de cidadania.

Mas a estrada de Quinho não se limita a um trecho. Houve também cobrança firme pela manutenção urgente da BA-263, eixo vital que interliga Cordeiros, Condeúba, Piripá e Tremedal, no coração do Sudoeste baiano. Quem conhece a região sabe: essa rodovia sustenta comércio, transporte escolar, acesso à saúde e à economia local. O mesmo vale para a BA-632, ligação estratégica entre a BR-116 e o município de Encruzilhada, corredor essencial para segurança viária e desenvolvimento econômico.

Esse é o ponto que diferencia o discurso vazio da política de resultados. Quinho não fala apenas de poder ou de eleição. Ele fala de logística, de planejamento territorial, de municipalismo na prática. Fala de estradas porque sabe que elas levam gente ao trabalho, ambulâncias aos hospitais, estudantes às escolas. Sua articulação dialoga com a base governista sem subserviência, com prefeitos e lideranças locais sem arrogância, ocupando um espaço que muitos deixaram em aberto.

No fundo, o fenômeno Quinho Tigre é a síntese de um tempo em que a política precisa voltar a tocar o chão. Fé para acreditar, trabalho para realizar e compromisso com o povo para não se perder no caminho. As urnas ainda estão à frente, mas a estrada já está sendo trilhada. E, como na canção, quem soltou a voz e entrou no caminho sabe: já não pode parar.

ARTIGO – A Estrada Não Para: O Fenômeno Quinho Tigre e o Vácuo Preenchido

 

(Padre Carlos)

Solto a voz na estrada, já não posso parar.” O verso de Milton Nascimento não é apenas poesia: é metáfora precisa do tempo político que a Bahia atravessa. Há momentos em que a inércia domina o cenário, e outros em que alguém decide caminhar quando muitos preferem esperar. A pré-candidatura de Quinho Tigre nasce exatamente desse movimento: estrada adentro, sem freio, rompendo o silêncio dos vazios políticos que insistem em se formar entre uma eleição e outra.

Na política, como na física, o vácuo não existe. Onde falta presença, sobra oportunidade para quem sabe ocupar. Quinho, ex-prefeito de Belo Campo, compreendeu isso cedo. O que alguns chamam de “surpresa” é, na verdade, resultado de resiliência política, leitura territorial e articulação inteligente. Ele deixou de ser apenas um nome do Sudoeste para dialogar com outras regiões estratégicas da Bahia, do Agreste ao Litoral Norte, falando uma língua que todos entendem: infraestrutura, mobilidade, segurança viária e desenvolvimento regional.

Ontem mesmo, esteve na Secretaria de Infraestrutura do Estado, a SEINFRA, acompanhado de Jonas, liderança política do município de Aporá. Não foi visita protocolar. Foi agenda de cobrança e de proposta. Na pauta, uma intervenção técnica fundamental no trecho entre as rodovias BA-233 e BA-398, ligando Aporá a Crisópolis. São cerca de quatro quilômetros que, quando recuperados, mudarão a dinâmica de tráfego, escoamento da produção e integração regional naquela área do Agreste e Litoral Norte. Infraestrutura, ali, não é detalhe: é condição de cidadania.

Mas a estrada de Quinho não se limita a um trecho. Houve também cobrança firme pela manutenção urgente da BA-263, eixo vital que interliga Cordeiros, Condeúba, Piripá e Tremedal, no coração do Sudoeste baiano. Quem conhece a região sabe: essa rodovia sustenta comércio, transporte escolar, acesso à saúde e à economia local. O mesmo vale para a BA-632, ligação estratégica entre a BR-116 e o município de Encruzilhada, corredor essencial para segurança viária e desenvolvimento econômico.

Esse é o ponto que diferencia o discurso vazio da política de resultados. Quinho não fala apenas de poder ou de eleição. Ele fala de logística, de planejamento territorial, de municipalismo na prática. Fala de estradas porque sabe que elas levam gente ao trabalho, ambulâncias aos hospitais, estudantes às escolas. Sua articulação dialoga com a base governista sem subserviência, com prefeitos e lideranças locais sem arrogância, ocupando um espaço que muitos deixaram em aberto.

No fundo, o fenômeno Quinho Tigre é a síntese de um tempo em que a política precisa voltar a tocar o chão. Fé para acreditar, trabalho para realizar e compromisso com o povo para não se perder no caminho. As urnas ainda estão à frente, mas a estrada já está sendo trilhada. E, como na canção, quem soltou a voz e entrou no caminho sabe: já não pode parar.

ARTIGO – A Tentação da Tutela Militar: quando a “liderança estratégica” afronta a Constituição

 

 

(Padre Carlos)

A obra “Problemas hemisféricos requieren soluciones hemisféricas – O Colégio Interamericano de Defesa e a Formação do Líder Estratégico”, publicada em 2022 em comemoração aos 60 anos do Colégio Interamericano de Defesa, vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), apresenta-se como um livro acadêmico dedicado à reflexão sobre segurança, defesa e liderança estratégica no continente. Entre seus autores está o general de Exército André Luís Novaes Miranda, oficial que integrou o Alto Comando do Exército Brasileiro e comandou o Comando de Operações Terrestres até abril de 2025, portanto alguém que ocupou o mais elevado patamar da hierarquia militar.

Não se trata, portanto, de um texto marginal ou irrelevante. Pelo contrário: é uma produção intelectual assinada por quem esteve no centro do poder militar brasileiro e que escreve a partir dessa posição. É justamente por isso que suas teses merecem atenção crítica rigorosa. No artigo que integra a obra, o general defende que, ao alcançar o nível estratégico da carreira, o oficial deixa de ser apenas executor de decisões para se tornar um agente capaz de influenciar diretamente os rumos institucionais, políticos e estruturais do Estado nacional. Em suas palavras, o líder estratégico exerceria influência não apenas sobre sua organização, mas “no próprio Estado”.

Essa formulação, ainda que embalada em linguagem técnica e acadêmica, não é neutra. Ela expressa uma concepção de poder profundamente problemática e incompatível com a ordem constitucional brasileira. Ao sugerir que a alta liderança militar possui legitimidade para moldar escolhas nacionais de médio e longo prazo, o autor ultrapassa os limites da doutrina militar profissional e adentra o terreno da política, da deliberação estatal e do projeto de país — um espaço que, em uma democracia, pertence exclusivamente ao poder civil.

A Constituição Federal de 1988 não deixa margem para esse tipo de interpretação elástica. O artigo 142 define as Forças Armadas como instituições permanentes e regulares, baseadas na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, com missões claramente delimitadas: defesa da Pátria, garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. Não há qualquer previsão constitucional que autorize militares, ainda que no chamado “nível estratégico”, a definir rumos políticos, orientar prioridades nacionais ou projetar o futuro do Estado brasileiro.

Ao contrário do que sugere a tese defendida na obra, a separação entre execução militar e deliberação política não é uma fragilidade da democracia, mas sua principal salvaguarda. As normas internas das Forças Armadas reforçam essa lógica ao proibir a atuação político-partidária de militares da ativa e ao submeter toda a cadeia de comando ao poder civil. A hierarquia e a disciplina existem justamente para conter o risco da politização do poder armado, não para legitimá-la sob novos rótulos conceituais.

O uso do conceito de “estado final desejado”, quando aplicado não apenas à organização militar, mas ao próprio Estado nacional, revela o núcleo do problema. Projetar o destino do país é tarefa do povo, exercida por meio do voto, das instituições republicanas e do debate público. Quando militares passam a se enxergar como formuladores desse destino, rompe-se a fronteira essencial entre defesa do Estado e domínio sobre o Estado. E essa ruptura, na história brasileira, nunca produziu estabilidade democrática.

O contexto recente torna essa discussão ainda mais sensível. O Brasil acaba de assistir à condenação, pelo Supremo Tribunal Federal, de oficiais-generais envolvidos em uma tentativa de ruptura institucional. Ignorar esse cenário e tratar como mera abstração acadêmica a ideia de protagonismo militar sobre os rumos do Estado é fechar os olhos para os riscos reais que essa mentalidade carrega.

Também chama atenção o fato de essa concepção ser reforçada em espaços internacionais de formação estratégica, muitas vezes ancorados em doutrinas estrangeiras que não dialogam plenamente com a experiência constitucional brasileira. Autonomia estratégica não se constrói importando modelos de tutela militar sobre a política, mas fortalecendo instituições civis, democracia, soberania popular e Estado de Direito.

A defesa da Constituição, da democracia e do poder civil não é um ataque às Forças Armadas. Ao contrário: é a única forma de preservá-las como instituições profissionais, respeitadas e comprometidas com a Nação, e não com projetos de poder. Um Exército forte não é aquele que delibera sobre o futuro do país, mas aquele que protege a Constituição que garante ao povo o direito de decidir esse futuro.

Quando a “liderança estratégica” se transforma em pretensão tutelar, o que está em jogo não é um debate teórico, mas a própria ordem constitucional. E nenhuma obra, por mais sofisticada que seja, pode justificar o enfraquecimento do princípio fundamental da República: todo poder emana do povo, não das armas.

ARTIGO – A Tentação da Tutela Militar: quando a “liderança estratégica” afronta a Constituição

 

 

(Padre Carlos)

A obra “Problemas hemisféricos requieren soluciones hemisféricas – O Colégio Interamericano de Defesa e a Formação do Líder Estratégico”, publicada em 2022 em comemoração aos 60 anos do Colégio Interamericano de Defesa, vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), apresenta-se como um livro acadêmico dedicado à reflexão sobre segurança, defesa e liderança estratégica no continente. Entre seus autores está o general de Exército André Luís Novaes Miranda, oficial que integrou o Alto Comando do Exército Brasileiro e comandou o Comando de Operações Terrestres até abril de 2025, portanto alguém que ocupou o mais elevado patamar da hierarquia militar.

Não se trata, portanto, de um texto marginal ou irrelevante. Pelo contrário: é uma produção intelectual assinada por quem esteve no centro do poder militar brasileiro e que escreve a partir dessa posição. É justamente por isso que suas teses merecem atenção crítica rigorosa. No artigo que integra a obra, o general defende que, ao alcançar o nível estratégico da carreira, o oficial deixa de ser apenas executor de decisões para se tornar um agente capaz de influenciar diretamente os rumos institucionais, políticos e estruturais do Estado nacional. Em suas palavras, o líder estratégico exerceria influência não apenas sobre sua organização, mas “no próprio Estado”.

Essa formulação, ainda que embalada em linguagem técnica e acadêmica, não é neutra. Ela expressa uma concepção de poder profundamente problemática e incompatível com a ordem constitucional brasileira. Ao sugerir que a alta liderança militar possui legitimidade para moldar escolhas nacionais de médio e longo prazo, o autor ultrapassa os limites da doutrina militar profissional e adentra o terreno da política, da deliberação estatal e do projeto de país — um espaço que, em uma democracia, pertence exclusivamente ao poder civil.

A Constituição Federal de 1988 não deixa margem para esse tipo de interpretação elástica. O artigo 142 define as Forças Armadas como instituições permanentes e regulares, baseadas na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, com missões claramente delimitadas: defesa da Pátria, garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. Não há qualquer previsão constitucional que autorize militares, ainda que no chamado “nível estratégico”, a definir rumos políticos, orientar prioridades nacionais ou projetar o futuro do Estado brasileiro.

Ao contrário do que sugere a tese defendida na obra, a separação entre execução militar e deliberação política não é uma fragilidade da democracia, mas sua principal salvaguarda. As normas internas das Forças Armadas reforçam essa lógica ao proibir a atuação político-partidária de militares da ativa e ao submeter toda a cadeia de comando ao poder civil. A hierarquia e a disciplina existem justamente para conter o risco da politização do poder armado, não para legitimá-la sob novos rótulos conceituais.

O uso do conceito de “estado final desejado”, quando aplicado não apenas à organização militar, mas ao próprio Estado nacional, revela o núcleo do problema. Projetar o destino do país é tarefa do povo, exercida por meio do voto, das instituições republicanas e do debate público. Quando militares passam a se enxergar como formuladores desse destino, rompe-se a fronteira essencial entre defesa do Estado e domínio sobre o Estado. E essa ruptura, na história brasileira, nunca produziu estabilidade democrática.

O contexto recente torna essa discussão ainda mais sensível. O Brasil acaba de assistir à condenação, pelo Supremo Tribunal Federal, de oficiais-generais envolvidos em uma tentativa de ruptura institucional. Ignorar esse cenário e tratar como mera abstração acadêmica a ideia de protagonismo militar sobre os rumos do Estado é fechar os olhos para os riscos reais que essa mentalidade carrega.

Também chama atenção o fato de essa concepção ser reforçada em espaços internacionais de formação estratégica, muitas vezes ancorados em doutrinas estrangeiras que não dialogam plenamente com a experiência constitucional brasileira. Autonomia estratégica não se constrói importando modelos de tutela militar sobre a política, mas fortalecendo instituições civis, democracia, soberania popular e Estado de Direito.

A defesa da Constituição, da democracia e do poder civil não é um ataque às Forças Armadas. Ao contrário: é a única forma de preservá-las como instituições profissionais, respeitadas e comprometidas com a Nação, e não com projetos de poder. Um Exército forte não é aquele que delibera sobre o futuro do país, mas aquele que protege a Constituição que garante ao povo o direito de decidir esse futuro.

Quando a “liderança estratégica” se transforma em pretensão tutelar, o que está em jogo não é um debate teórico, mas a própria ordem constitucional. E nenhuma obra, por mais sofisticada que seja, pode justificar o enfraquecimento do princípio fundamental da República: todo poder emana do povo, não das armas.

ARTIGO – “Há grandes amores que precisam sossegar: quando o fogo aprende a iluminar”

 

 

(Padre Carlos)

Vivemos tempos em que o amor parece disputar espaço com o espetáculo. Ama-se como quem grita, expõe, corre, consome. Ama-se com pressa, com urgência, com medo de perder. Nesse cenário, a frase “há grandes amores que precisam sossegar” surge quase como uma heresia emocional. Afinal, quem nos ensinou que amor de verdade é o que arrebenta, que tira o fôlego, que desorganiza tudo e todos ao redor.

Mas talvez aí esteja o equívoco central da nossa cultura afetiva: confundir intensidade com profundidade, barulho com verdade, paixão com permanência.

O amor explosivo tem seu encanto. Ele chega como tempestade de verão, arranca certezas, acelera o coração, muda rotinas, cria uma sensação de eternidade imediata. É belo, é necessário, é humano. Porém, quando permanece nesse estado de combustão contínua, começa a cobrar um preço alto. Cansa. Consome. Exige demais. O amor que nunca sossega vira exigência constante, vira ansiedade, vira disputa, vira medo de perder aquilo que, paradoxalmente, já começa a se perder pelo excesso.

Sossegar não é esfriar. Sossegar é aprender a respirar dentro do amor. É permitir que a paixão, com o tempo, encontre outra forma de existir. O amor maduro não precisa provar nada o tempo todo. Ele não grita, não se impõe, não ameaça ir embora. Ele fica. E ficar, hoje, é um dos atos mais revolucionários que existem.

O tempo tem um papel decisivo nessa travessia. A paixão tem relógio acelerado; o amor, não. A paixão quer tudo agora; o amor aprende a esperar. Quando o amor sossega, ele deixa de ser um evento extraordinário e passa a ser uma presença cotidiana. Está no silêncio confortável, na conversa sem pressa, no respeito aos espaços, no cuidado que não sufoca. É um amor que não interrompe a vida; ele caminha com ela.

A poeta Matilde Campilho toca nesse ponto com rara sensibilidade ao sugerir que o amor precisa acalmar para que possa ser vivido por inteiro. Um amor que não sossega acaba ocupando tudo, devorando tudo, impedindo que outras dimensões da existência floresçam. Já o amor sereno não anula o mundo; ele amplia o mundo. Ele não exige exclusividade absoluta da vida, mas integração.

Talvez o grande amadurecimento afetivo seja justamente esse: entender que o amor que permanece não é o que queima sem parar, mas o que aprende a iluminar sem destruir. Um amor que aceita os ritmos, as falhas, as imperfeições. Um amor que não precisa ser extraordinário todos os dias para ser verdadeiro. Um amor que, ao invés de nos arrancar de nós mesmos, nos devolve a nós com mais inteireza.

No fundo, “há grandes amores que precisam sossegar” não é um aviso de fim, mas um convite à continuidade. É o reconhecimento de que o amor, para durar, precisa trocar o incêndio pelo calor, a vertigem pela raiz, o espetáculo pela presença. Porque o amor que sossega não termina. Ele fica. E ficar, num mundo de descartes, é a maior prova de amor que existe.

ARTIGO – “Há grandes amores que precisam sossegar: quando o fogo aprende a iluminar”

 

 

(Padre Carlos)

Vivemos tempos em que o amor parece disputar espaço com o espetáculo. Ama-se como quem grita, expõe, corre, consome. Ama-se com pressa, com urgência, com medo de perder. Nesse cenário, a frase “há grandes amores que precisam sossegar” surge quase como uma heresia emocional. Afinal, quem nos ensinou que amor de verdade é o que arrebenta, que tira o fôlego, que desorganiza tudo e todos ao redor.

Mas talvez aí esteja o equívoco central da nossa cultura afetiva: confundir intensidade com profundidade, barulho com verdade, paixão com permanência.

O amor explosivo tem seu encanto. Ele chega como tempestade de verão, arranca certezas, acelera o coração, muda rotinas, cria uma sensação de eternidade imediata. É belo, é necessário, é humano. Porém, quando permanece nesse estado de combustão contínua, começa a cobrar um preço alto. Cansa. Consome. Exige demais. O amor que nunca sossega vira exigência constante, vira ansiedade, vira disputa, vira medo de perder aquilo que, paradoxalmente, já começa a se perder pelo excesso.

Sossegar não é esfriar. Sossegar é aprender a respirar dentro do amor. É permitir que a paixão, com o tempo, encontre outra forma de existir. O amor maduro não precisa provar nada o tempo todo. Ele não grita, não se impõe, não ameaça ir embora. Ele fica. E ficar, hoje, é um dos atos mais revolucionários que existem.

O tempo tem um papel decisivo nessa travessia. A paixão tem relógio acelerado; o amor, não. A paixão quer tudo agora; o amor aprende a esperar. Quando o amor sossega, ele deixa de ser um evento extraordinário e passa a ser uma presença cotidiana. Está no silêncio confortável, na conversa sem pressa, no respeito aos espaços, no cuidado que não sufoca. É um amor que não interrompe a vida; ele caminha com ela.

A poeta Matilde Campilho toca nesse ponto com rara sensibilidade ao sugerir que o amor precisa acalmar para que possa ser vivido por inteiro. Um amor que não sossega acaba ocupando tudo, devorando tudo, impedindo que outras dimensões da existência floresçam. Já o amor sereno não anula o mundo; ele amplia o mundo. Ele não exige exclusividade absoluta da vida, mas integração.

Talvez o grande amadurecimento afetivo seja justamente esse: entender que o amor que permanece não é o que queima sem parar, mas o que aprende a iluminar sem destruir. Um amor que aceita os ritmos, as falhas, as imperfeições. Um amor que não precisa ser extraordinário todos os dias para ser verdadeiro. Um amor que, ao invés de nos arrancar de nós mesmos, nos devolve a nós com mais inteireza.

No fundo, “há grandes amores que precisam sossegar” não é um aviso de fim, mas um convite à continuidade. É o reconhecimento de que o amor, para durar, precisa trocar o incêndio pelo calor, a vertigem pela raiz, o espetáculo pela presença. Porque o amor que sossega não termina. Ele fica. E ficar, num mundo de descartes, é a maior prova de amor que existe.