Política e Resenha

ARTIGO – O Silêncio que Precede a Tempestade Política no Sudoeste Baiano

 

 

 

Padre Carlos

Um dia você entenderá por que escolhi o silêncio quando tudo em mim queria gritar. Há silêncios que não nascem da covardia, mas da estratégia. Há silêncios que não são ausência de voz, mas maturação de sentido. Na política — assim como na vida — quem fala demais, às vezes, revela pouco. Quem observa, constrói. E quem sabe esperar, surpreende.

É exatamente esse silêncio denso, quase pedagógico, que antecede o fenômeno político que começa a redesenhar o mapa eleitoral do sudoeste baiano. Enquanto muitos acreditavam ser donos naturais de votos herdados, cristalizados pelo tempo ou pelo sobrenome, um nome vem crescendo de forma orgânica, cidade por cidade, apoio por apoio, gesto por gesto: Quinho Tigre.

Não se trata de um ruído passageiro. Trata-se de um movimento. E movimentos verdadeiros não se anunciam aos gritos; eles se revelam quando já estão em marcha.

A pré-campanha de Quinho Tigre para deputado estadual tem provocado um desconforto silencioso em setores da classe política tradicional e despertado atenção genuína no meio empresarial. Não é pouco. Políticos experientes — acostumados a eleições previsíveis — começam a perceber que o chão está se movendo sob seus pés. E quando o chão político se move, não adianta fingir estabilidade.

O apoio declarado do empresário Gildásio Daizinha, de Maetinga, não é apenas um gesto isolado. É símbolo. É sinal. É leitura fina do momento político. Empresários não apostam apenas em discursos; apostam em projetos, em viabilidade, em credibilidade. E quando um empresário respeitado decide se posicionar, ele não fala só por si — ele expressa um sentimento coletivo que ainda não ganhou manchete, mas já ganhou convicção.

Quinho, oriundo de Belo Campo, avança com inteligência política, ampliando sua base em municípios estratégicos como Maetinga, fortalecendo alianças, construindo pontes e, sobretudo, quebrando a lógica viciada do “já ganhou”. Sua trajetória recente demonstra algo raro na política contemporânea: crescimento sem arrogância, articulação sem espetáculo, ambição sem desprezo pelos outros.

Aqui está o ponto de virada que muitos ainda não perceberam: o sudoeste baiano começa a ensaiar uma renovação política que não nasce do radicalismo nem do marketing vazio, mas da soma entre presença territorial, escuta ativa e alianças consistentes. Isso assusta. Porque revela que o eleitor já não aceita ser tratado como patrimônio eleitoral hereditário.

Há quem diga que política é barulho. Discordo. Política, quando bem feita, é leitura do tempo. É perceber quando falar… e quando calar. Quinho Tigre parece ter compreendido isso cedo. Enquanto alguns gritam para manter espaços, ele caminha para conquistá-los.

Um dia, muitos entenderão por que ele não precisou gritar.
Um dia, compreenderão por que, enquanto outros se apegavam ao passado, ele investiu no presente olhando para o futuro.
E talvez seja nesse dia que a Assembleia Legislativa da Bahia receba não apenas um novo deputado estadual, mas o resultado maduro de um projeto político que soube crescer no silêncio — até se tornar impossível de ignorar.

ARTIGO – O Silêncio que Precede a Tempestade Política no Sudoeste Baiano

 

 

 

Padre Carlos

Um dia você entenderá por que escolhi o silêncio quando tudo em mim queria gritar. Há silêncios que não nascem da covardia, mas da estratégia. Há silêncios que não são ausência de voz, mas maturação de sentido. Na política — assim como na vida — quem fala demais, às vezes, revela pouco. Quem observa, constrói. E quem sabe esperar, surpreende.

É exatamente esse silêncio denso, quase pedagógico, que antecede o fenômeno político que começa a redesenhar o mapa eleitoral do sudoeste baiano. Enquanto muitos acreditavam ser donos naturais de votos herdados, cristalizados pelo tempo ou pelo sobrenome, um nome vem crescendo de forma orgânica, cidade por cidade, apoio por apoio, gesto por gesto: Quinho Tigre.

Não se trata de um ruído passageiro. Trata-se de um movimento. E movimentos verdadeiros não se anunciam aos gritos; eles se revelam quando já estão em marcha.

A pré-campanha de Quinho Tigre para deputado estadual tem provocado um desconforto silencioso em setores da classe política tradicional e despertado atenção genuína no meio empresarial. Não é pouco. Políticos experientes — acostumados a eleições previsíveis — começam a perceber que o chão está se movendo sob seus pés. E quando o chão político se move, não adianta fingir estabilidade.

O apoio declarado do empresário Gildásio Daizinha, de Maetinga, não é apenas um gesto isolado. É símbolo. É sinal. É leitura fina do momento político. Empresários não apostam apenas em discursos; apostam em projetos, em viabilidade, em credibilidade. E quando um empresário respeitado decide se posicionar, ele não fala só por si — ele expressa um sentimento coletivo que ainda não ganhou manchete, mas já ganhou convicção.

Quinho, oriundo de Belo Campo, avança com inteligência política, ampliando sua base em municípios estratégicos como Maetinga, fortalecendo alianças, construindo pontes e, sobretudo, quebrando a lógica viciada do “já ganhou”. Sua trajetória recente demonstra algo raro na política contemporânea: crescimento sem arrogância, articulação sem espetáculo, ambição sem desprezo pelos outros.

Aqui está o ponto de virada que muitos ainda não perceberam: o sudoeste baiano começa a ensaiar uma renovação política que não nasce do radicalismo nem do marketing vazio, mas da soma entre presença territorial, escuta ativa e alianças consistentes. Isso assusta. Porque revela que o eleitor já não aceita ser tratado como patrimônio eleitoral hereditário.

Há quem diga que política é barulho. Discordo. Política, quando bem feita, é leitura do tempo. É perceber quando falar… e quando calar. Quinho Tigre parece ter compreendido isso cedo. Enquanto alguns gritam para manter espaços, ele caminha para conquistá-los.

Um dia, muitos entenderão por que ele não precisou gritar.
Um dia, compreenderão por que, enquanto outros se apegavam ao passado, ele investiu no presente olhando para o futuro.
E talvez seja nesse dia que a Assembleia Legislativa da Bahia receba não apenas um novo deputado estadual, mas o resultado maduro de um projeto político que soube crescer no silêncio — até se tornar impossível de ignorar.

ARTIGO – Memória, Soberania e Resistência: Marco Aurélio Garcia diante das Agressões à América Latina

 

 

Padre Carlos

Um dos grandes problemas da esquerda brasileira, e isso precisa ser dito com honestidade intelectual e compromisso histórico, é a ausência de uma cultura sólida de preservação da memória. A esquerda brasileira, muitas vezes absorvida pelas urgências do presente, esquece de olhar para trás e reconhecer aqueles companheiros que ajudaram a construir o partido, formular projetos e enfrentar momentos decisivos da história nacional e latino-americana. Sem memória política não há identidade; sem identidade não há projeto transformador.

O Partido dos Trabalhadores, em especial, precisa ser lembrado de que a memória institucional é um dos pilares que dão sentido ao seu projeto histórico. Preservar a memória partidária é manter o partido vivo, fortalecer a militância, formar politicamente as novas gerações e oferecer referências éticas e estratégicas em um tempo marcado pelo esquecimento e pela desinformação. Quando resgatamos a memória de um companheiro, afirmamos sua importância na construção do partido e reconhecemos suas contribuições na história recente do Brasil e da América Latina.

É nesse contexto que se impõe recordar Marco Aurélio Garcia, um dos mais importantes quadros políticos da esquerda brasileira e um dos principais formuladores da Política Externa Ativa e Altiva dos governos do PT. Ao nomeá-lo assessor especial da Presidência da República, o presidente Lula criava as condições políticas para uma inflexão histórica na política externa brasileira, baseada na integração latino-americana, na articulação Sul-Sul e na aproximação estratégica com a África e a Ásia.

Marco Aurélio Garcia tinha plena consciência de que a América Latina sempre esteve sob pressão permanente dos Estados Unidos, seja por meio de intervenções diretas, seja por mecanismos econômicos, diplomáticos e políticos de subordinação. Compreendia que a soberania dos países latino-americanos só poderia ser defendida a partir da construção de blocos regionais fortes, do fortalecimento do multilateralismo e da criação de articulações contra-hegemônicas, como o BRICS e o IBAS, vistos por ele como instrumentos estratégicos para a reforma da ordem internacional vigente.

A agressão sistemática à soberania da Venezuela é um dos exemplos mais evidentes dessa política intervencionista dos Estados Unidos na América Latina. Sanções econômicas, bloqueios financeiros, tentativas de isolamento diplomático e ameaças constantes à autodeterminação de um povo revelam a permanência de uma lógica imperial que insiste em tratar o continente como quintal geopolítico. Foi justamente nesses momentos de maior tensão que a presença firme, lúcida e estrategicamente habilidosa de Marco Aurélio Garcia se fez decisiva, defendendo o diálogo, a soberania dos Estados e o princípio da não intervenção.

A perda de protagonismo internacional do Brasil durante os governos Temer e Bolsonaro deixou ainda mais evidente a importância de Marco Aurélio Garcia. A política externa de baixa intensidade, alinhada automaticamente aos interesses dos Estados Unidos, significou um retrocesso histórico para a integração da América Latina e para a soberania nacional. O vazio deixado por um estrategista com profundo conhecimento acumulado na Secretaria de Relações Internacionais do PT tornou-se visível justamente quando o Brasil deixou de exercer um papel ativo na defesa dos países latino-americanos frente às agressões externas.

Tive a oportunidade de conhecer Marco Aurélio Garcia pessoalmente, em uma palestra em Campinas, na década de oitenta. Professor universitário, intelectual brilhante, profundo conhecedor da história das esquerdas brasileiras e latino-americanas, militante experiente, fundador do PT e secretário de Relações Internacionais do partido por muitos anos. Acompanhei sua trajetória ao longo das décadas e posso afirmar que teve papel central na formulação e na prática da política externa brasileira durante os dois mandatos de Lula e, ainda que com menor intensidade, no governo Dilma.

Não é por acaso que foi justamente no campo da política externa que os governos petistas mais se aproximaram das teses históricas defendidas pelo partido desde os anos 1980: soberania nacional, integração latino-americana, justiça social e enfrentamento das desigualdades globais. Marco Aurélio Garcia foi um dos principais responsáveis por transformar essas teses em política de Estado.

Passados os anos de sua morte, torna-se cada vez mais clara a falta que faz sua capacidade de liderança, sua habilidade política e sua visão estratégica diante das crescentes agressões sofridas pela América Latina. Faz falta sua inteligência crítica, seu compromisso com a democracia, com a justiça social e com a soberania dos povos. Faz falta, sobretudo, a memória viva de suas lutas e de seus projetos para o Brasil e para todo o continente latino-americano.

Uma esquerda que não preserva a memória de seus quadros corre o risco de se fragilizar diante de um cenário internacional cada vez mais hostil. Lembrar Marco Aurélio Garcia é um ato político, pedagógico e histórico. É reafirmar que a soberania nacional, a integração da América Latina e a resistência às agressões imperialistas continuam sendo pilares centrais de qualquer projeto sério de transformação social.

Marco Aurélio Garcia?
Presente!

ARTIGO – Memória, Soberania e Resistência: Marco Aurélio Garcia diante das Agressões à América Latina

 

 

Padre Carlos

Um dos grandes problemas da esquerda brasileira, e isso precisa ser dito com honestidade intelectual e compromisso histórico, é a ausência de uma cultura sólida de preservação da memória. A esquerda brasileira, muitas vezes absorvida pelas urgências do presente, esquece de olhar para trás e reconhecer aqueles companheiros que ajudaram a construir o partido, formular projetos e enfrentar momentos decisivos da história nacional e latino-americana. Sem memória política não há identidade; sem identidade não há projeto transformador.

O Partido dos Trabalhadores, em especial, precisa ser lembrado de que a memória institucional é um dos pilares que dão sentido ao seu projeto histórico. Preservar a memória partidária é manter o partido vivo, fortalecer a militância, formar politicamente as novas gerações e oferecer referências éticas e estratégicas em um tempo marcado pelo esquecimento e pela desinformação. Quando resgatamos a memória de um companheiro, afirmamos sua importância na construção do partido e reconhecemos suas contribuições na história recente do Brasil e da América Latina.

É nesse contexto que se impõe recordar Marco Aurélio Garcia, um dos mais importantes quadros políticos da esquerda brasileira e um dos principais formuladores da Política Externa Ativa e Altiva dos governos do PT. Ao nomeá-lo assessor especial da Presidência da República, o presidente Lula criava as condições políticas para uma inflexão histórica na política externa brasileira, baseada na integração latino-americana, na articulação Sul-Sul e na aproximação estratégica com a África e a Ásia.

Marco Aurélio Garcia tinha plena consciência de que a América Latina sempre esteve sob pressão permanente dos Estados Unidos, seja por meio de intervenções diretas, seja por mecanismos econômicos, diplomáticos e políticos de subordinação. Compreendia que a soberania dos países latino-americanos só poderia ser defendida a partir da construção de blocos regionais fortes, do fortalecimento do multilateralismo e da criação de articulações contra-hegemônicas, como o BRICS e o IBAS, vistos por ele como instrumentos estratégicos para a reforma da ordem internacional vigente.

A agressão sistemática à soberania da Venezuela é um dos exemplos mais evidentes dessa política intervencionista dos Estados Unidos na América Latina. Sanções econômicas, bloqueios financeiros, tentativas de isolamento diplomático e ameaças constantes à autodeterminação de um povo revelam a permanência de uma lógica imperial que insiste em tratar o continente como quintal geopolítico. Foi justamente nesses momentos de maior tensão que a presença firme, lúcida e estrategicamente habilidosa de Marco Aurélio Garcia se fez decisiva, defendendo o diálogo, a soberania dos Estados e o princípio da não intervenção.

A perda de protagonismo internacional do Brasil durante os governos Temer e Bolsonaro deixou ainda mais evidente a importância de Marco Aurélio Garcia. A política externa de baixa intensidade, alinhada automaticamente aos interesses dos Estados Unidos, significou um retrocesso histórico para a integração da América Latina e para a soberania nacional. O vazio deixado por um estrategista com profundo conhecimento acumulado na Secretaria de Relações Internacionais do PT tornou-se visível justamente quando o Brasil deixou de exercer um papel ativo na defesa dos países latino-americanos frente às agressões externas.

Tive a oportunidade de conhecer Marco Aurélio Garcia pessoalmente, em uma palestra em Campinas, na década de oitenta. Professor universitário, intelectual brilhante, profundo conhecedor da história das esquerdas brasileiras e latino-americanas, militante experiente, fundador do PT e secretário de Relações Internacionais do partido por muitos anos. Acompanhei sua trajetória ao longo das décadas e posso afirmar que teve papel central na formulação e na prática da política externa brasileira durante os dois mandatos de Lula e, ainda que com menor intensidade, no governo Dilma.

Não é por acaso que foi justamente no campo da política externa que os governos petistas mais se aproximaram das teses históricas defendidas pelo partido desde os anos 1980: soberania nacional, integração latino-americana, justiça social e enfrentamento das desigualdades globais. Marco Aurélio Garcia foi um dos principais responsáveis por transformar essas teses em política de Estado.

Passados os anos de sua morte, torna-se cada vez mais clara a falta que faz sua capacidade de liderança, sua habilidade política e sua visão estratégica diante das crescentes agressões sofridas pela América Latina. Faz falta sua inteligência crítica, seu compromisso com a democracia, com a justiça social e com a soberania dos povos. Faz falta, sobretudo, a memória viva de suas lutas e de seus projetos para o Brasil e para todo o continente latino-americano.

Uma esquerda que não preserva a memória de seus quadros corre o risco de se fragilizar diante de um cenário internacional cada vez mais hostil. Lembrar Marco Aurélio Garcia é um ato político, pedagógico e histórico. É reafirmar que a soberania nacional, a integração da América Latina e a resistência às agressões imperialistas continuam sendo pilares centrais de qualquer projeto sério de transformação social.

Marco Aurélio Garcia?
Presente!

ARTIGO – OU NÓS SE UNE… OU NÓS SE FREUD

 

 

 

 

A Bahia tem sido um exemplo para a esquerda no país de como construir uma aliança forte de centro-esquerda, abarcando inclusive franjas da direita liberal, unindo essas forças diversas no plano político-ideológico em torno de um projeto de governo democrático e popular, assentado nos valores libertários da democracia participativa, da redução das desigualdades sociais e regionais e do combate aos preconceitos e à miséria, pela inclusão social, econômica e cultural, garantindo o exercício da cidadania plena a todo o povo baiano.

O PT, maior partido de esquerda do Ocidente, dirige essa experiência há 19 anos, mas sempre atento e preocupado com o crescimento das forças aliadas, observando o princípio de que “Eu fico mais forte quando os meus aliados também se fortalecem”.
Portanto, o protagonismo político está na capacidade de manter a linha mestra da estratégia de transformar a realidade política, promover o desenvolvimento econômico, social, tecnológico e cultural na perspectiva igualitária da justiça social e da afirmação democrática.

Construir hegemonia sem cair na tentação da homogeneidade, ou seja, ninguém caminha e nem vence sozinho.
O PT diminuiu sua força numérica e espaço político, depois do grande momento de auge em 2010/2012, quando elegemos o nosso primeiro senador e tivemos a maior bancada estadual e federal em 2010, e em seguida, o maior número de prefeituras e de vereadores em 2012, sendo o maior partido da coalizão na base do governo do estado, mas todos os aliados também cresceram juntos. E o mais importante, a coalizão ampliou a sua diversidade política.

A fórmula é simples: fortalecer o comando e a liderança do governador e garantir a ampliação das bancadas parlamentares federal e estadual. Isso aumenta a força e a capilaridade política do projeto e, por consequência, crescem nos municípios o partido líder da aliança e os seus partidos aliados.

Além disso, o reconhecimento de todos que a sintonia fina com o projeto nacional, liderado por Lula, é condição essencial para o fortalecimento do projeto no estado.
O momento é delicado e não há espaço para veleidades. O trumpismo, com poder de intimidação pelo alto potencial militar e sua postura belicista, ameaça todo o continente e, com a reedição da Doutrina Monroe, coloca todos na sua alça de mira.

A Bahia e o Nordeste decidirão o destino do Brasil mais uma vez. Não podemos perder o foco, pois a direita e a extrema direita se articulam para a tática de dois turnos, com candidato do bolsonarismo, já lançado, e o candidato do centrão, que pode vir de MG, PR ou RS, podendo inclusive ser do PSD, que nacionalmente é direitista. Querem criar um ambiente atraente para a presença dos EUA nas eleições do país, onde disputa o projeto que é o “B” dos BRICS, o centro do acordo Mercosul-União Europeia, e é o precursor do G-20; ou seja, uma mola-mestra do multilateralismo, tudo que contraria o projeto de mundo unipolar do imperialismo ianque.

Então, o nosso foco na Bahia é fortalecer a estratégia de reeleição de Jerônimo, governador, e equiparar sua votação à de Lula no estado, que ronda os 65% a 70% dos votos, para vencer no 1° turno e ser a retaguarda estratégica da vitória de Lula no país no 1° ou 2° turno nacional, e afugentar a sombra do lobo imperialista, derrotando os seus seguidoress aqui no Brasil.

O outro foco é ampliar a bancada petista para voltar a hegemonizar a nossa coalizão na Bahia e também ampliar a representação parlamentar da base aliada para crescer a nossa influência nacional e disputarmos os espaços de comando no Parlamento brasileiro.

Óbvio que devemos ter atenção ao Senado, e que as duas candidaturas que vao disputar as vagas sejam totalmente alinhadas ao projeto, como tem sido com Wagner e Otto e foi com Lídice e Pinheiro, só não pode ser um elemento de fratura ou desavença na aliança, nem pode ter principalidade no processo político de construção da chapa majoritária e muito menos tirar o foco do necessário fortalecimento da candidatura à reeleição de Jerônimo, governador, pois nas reeleições ao governo de Jaques Wagner em 2010 e de Rui Costa em 2018, onde nós já entramos no ano da eleição liderando todas as pesquisas com real perspectiva de vitória no 1° turno, situação que ainda temos que alcançar em 2026.

Portanto, o PT deve estabelecer na sua estratégia, onde governa, como aqui na Bahia; a prioridade na manutenção da aliança política de sustentação do governo, para conquistar a reeleição do governador colado na votação do Lula no estado e na ampliação das suas bancadas federal e estadual, construindo maiorias parlamentares também com o crescimento das forças aliadas, e por fim, eleger as duas vagas do Senado, garantindo o nosso espaço e em total sintonia com as forças aliadas e alinhado ao projeto liderado por Lula no país.

O Brasil precisa da Bahia e do Nordeste e da experiência do PT em construir alianças vitoriosas na região para se espelhar no resto do país.

Jonas Paulo
ex-Presidente do PT-BA.

ARTIGO – OU NÓS SE UNE… OU NÓS SE FREUD

 

 

 

 

A Bahia tem sido um exemplo para a esquerda no país de como construir uma aliança forte de centro-esquerda, abarcando inclusive franjas da direita liberal, unindo essas forças diversas no plano político-ideológico em torno de um projeto de governo democrático e popular, assentado nos valores libertários da democracia participativa, da redução das desigualdades sociais e regionais e do combate aos preconceitos e à miséria, pela inclusão social, econômica e cultural, garantindo o exercício da cidadania plena a todo o povo baiano.

O PT, maior partido de esquerda do Ocidente, dirige essa experiência há 19 anos, mas sempre atento e preocupado com o crescimento das forças aliadas, observando o princípio de que “Eu fico mais forte quando os meus aliados também se fortalecem”.
Portanto, o protagonismo político está na capacidade de manter a linha mestra da estratégia de transformar a realidade política, promover o desenvolvimento econômico, social, tecnológico e cultural na perspectiva igualitária da justiça social e da afirmação democrática.

Construir hegemonia sem cair na tentação da homogeneidade, ou seja, ninguém caminha e nem vence sozinho.
O PT diminuiu sua força numérica e espaço político, depois do grande momento de auge em 2010/2012, quando elegemos o nosso primeiro senador e tivemos a maior bancada estadual e federal em 2010, e em seguida, o maior número de prefeituras e de vereadores em 2012, sendo o maior partido da coalizão na base do governo do estado, mas todos os aliados também cresceram juntos. E o mais importante, a coalizão ampliou a sua diversidade política.

A fórmula é simples: fortalecer o comando e a liderança do governador e garantir a ampliação das bancadas parlamentares federal e estadual. Isso aumenta a força e a capilaridade política do projeto e, por consequência, crescem nos municípios o partido líder da aliança e os seus partidos aliados.

Além disso, o reconhecimento de todos que a sintonia fina com o projeto nacional, liderado por Lula, é condição essencial para o fortalecimento do projeto no estado.
O momento é delicado e não há espaço para veleidades. O trumpismo, com poder de intimidação pelo alto potencial militar e sua postura belicista, ameaça todo o continente e, com a reedição da Doutrina Monroe, coloca todos na sua alça de mira.

A Bahia e o Nordeste decidirão o destino do Brasil mais uma vez. Não podemos perder o foco, pois a direita e a extrema direita se articulam para a tática de dois turnos, com candidato do bolsonarismo, já lançado, e o candidato do centrão, que pode vir de MG, PR ou RS, podendo inclusive ser do PSD, que nacionalmente é direitista. Querem criar um ambiente atraente para a presença dos EUA nas eleições do país, onde disputa o projeto que é o “B” dos BRICS, o centro do acordo Mercosul-União Europeia, e é o precursor do G-20; ou seja, uma mola-mestra do multilateralismo, tudo que contraria o projeto de mundo unipolar do imperialismo ianque.

Então, o nosso foco na Bahia é fortalecer a estratégia de reeleição de Jerônimo, governador, e equiparar sua votação à de Lula no estado, que ronda os 65% a 70% dos votos, para vencer no 1° turno e ser a retaguarda estratégica da vitória de Lula no país no 1° ou 2° turno nacional, e afugentar a sombra do lobo imperialista, derrotando os seus seguidoress aqui no Brasil.

O outro foco é ampliar a bancada petista para voltar a hegemonizar a nossa coalizão na Bahia e também ampliar a representação parlamentar da base aliada para crescer a nossa influência nacional e disputarmos os espaços de comando no Parlamento brasileiro.

Óbvio que devemos ter atenção ao Senado, e que as duas candidaturas que vao disputar as vagas sejam totalmente alinhadas ao projeto, como tem sido com Wagner e Otto e foi com Lídice e Pinheiro, só não pode ser um elemento de fratura ou desavença na aliança, nem pode ter principalidade no processo político de construção da chapa majoritária e muito menos tirar o foco do necessário fortalecimento da candidatura à reeleição de Jerônimo, governador, pois nas reeleições ao governo de Jaques Wagner em 2010 e de Rui Costa em 2018, onde nós já entramos no ano da eleição liderando todas as pesquisas com real perspectiva de vitória no 1° turno, situação que ainda temos que alcançar em 2026.

Portanto, o PT deve estabelecer na sua estratégia, onde governa, como aqui na Bahia; a prioridade na manutenção da aliança política de sustentação do governo, para conquistar a reeleição do governador colado na votação do Lula no estado e na ampliação das suas bancadas federal e estadual, construindo maiorias parlamentares também com o crescimento das forças aliadas, e por fim, eleger as duas vagas do Senado, garantindo o nosso espaço e em total sintonia com as forças aliadas e alinhado ao projeto liderado por Lula no país.

O Brasil precisa da Bahia e do Nordeste e da experiência do PT em construir alianças vitoriosas na região para se espelhar no resto do país.

Jonas Paulo
ex-Presidente do PT-BA.

ARTIGO – A incoerência da oposição: quando o discurso se desfaz

 

 

 

Na recente decisão da Vara da Fazenda Pública de Vitória da Conquista, a Justiça barrou a ação movida pelos vereadores do PT, Alexandre Xandó e Márcio Viviane, e autorizou a Prefeitura a contrair um empréstimo de R$ 400 milhões. O juiz Reno Viana Soares, ao proferir essa decisão, reafirma a legalidade do processo e a necessidade de investimento público.

Porém, o que salta aos olhos é a incoerência dos parlamentares que agora contestam o empréstimo municipal. Se, por um lado, questionam a legalidade e a responsabilidade fiscal da gestão municipal, por outro lado, permanecem em silêncio diante das inúmeras operações de crédito do Governo da Bahia, que ultrapassam os R$ 26 bilhões.

A falta de coerência é evidente: enquanto a oposição exige rigor da gestão municipal, não cobra o mesmo do governo estadual, que também utiliza recursos públicos em grande escala. Essa seletividade compromete a credibilidade do debate público e revela um jogo político que desconsidera o interesse maior da população: a transparência e a responsabilidade fiscal.

A população de Vitória da Conquista e da Bahia merece uma postura coerente e íntegra de todos os representantes. A transparência não pode ser uma arma seletiva, mas um compromisso universal. A incoerência da oposição enfraquece o debate e prejudica a confiança pública.

Este artigo é um apelo por coerência e responsabilidade, para que o interesse público esteja sempre em primeiro lugar.

(Padre Carlos)

ARTIGO – A incoerência da oposição: quando o discurso se desfaz

 

 

 

Na recente decisão da Vara da Fazenda Pública de Vitória da Conquista, a Justiça barrou a ação movida pelos vereadores do PT, Alexandre Xandó e Márcio Viviane, e autorizou a Prefeitura a contrair um empréstimo de R$ 400 milhões. O juiz Reno Viana Soares, ao proferir essa decisão, reafirma a legalidade do processo e a necessidade de investimento público.

Porém, o que salta aos olhos é a incoerência dos parlamentares que agora contestam o empréstimo municipal. Se, por um lado, questionam a legalidade e a responsabilidade fiscal da gestão municipal, por outro lado, permanecem em silêncio diante das inúmeras operações de crédito do Governo da Bahia, que ultrapassam os R$ 26 bilhões.

A falta de coerência é evidente: enquanto a oposição exige rigor da gestão municipal, não cobra o mesmo do governo estadual, que também utiliza recursos públicos em grande escala. Essa seletividade compromete a credibilidade do debate público e revela um jogo político que desconsidera o interesse maior da população: a transparência e a responsabilidade fiscal.

A população de Vitória da Conquista e da Bahia merece uma postura coerente e íntegra de todos os representantes. A transparência não pode ser uma arma seletiva, mas um compromisso universal. A incoerência da oposição enfraquece o debate e prejudica a confiança pública.

Este artigo é um apelo por coerência e responsabilidade, para que o interesse público esteja sempre em primeiro lugar.

(Padre Carlos)

ARTIGO – O Silêncio Que Ama: Quando Ir É a Forma Mais Alta de Ficar

 

 

Padre Carlos

Um dia você entenderá.
Essa frase, dita quase em oração, carrega mais densidade do que muitos discursos inflamados. Porque há silêncios que não nascem da covardia, mas da maturidade emocional. Há despedidas que não significam abandono, e há amores que só sobrevivem quando aprendem a não possuir.

Sussurro isso ao leitor, quase ao pé do ouvido: nem todo silêncio é vazio. Alguns são cheios demais.

Vivemos numa cultura que glorifica o grito. Quem fala alto parece ter razão. Quem expõe tudo é visto como autêntico. Mas a vida — essa mestra severa e discreta — ensina o contrário. Ensina que, em certos momentos, calar é um gesto de responsabilidade afetiva. É escolher não ferir quando se poderia vencer. É colocar a felicidade do outro acima do próprio desejo imediato. E isso, convenhamos, exige uma coragem que poucos estão dispostos a exercitar.

Quando alguém diz: “coloquei a sua felicidade acima da minha”, não está fazendo literatura barata. Está revelando um dilema humano profundo, estudado pela psicologia, debatido pela filosofia moral e vivido, silenciosamente, por milhões de pessoas. Amar, em sua forma mais elevada, não é reter — é liberar. Não é segurar — é confiar.

Lembro-me de uma história simples, quase banal. Um homem que amava profundamente, mas percebeu que sua presença já não produzia paz. Produzia conflito. Produzia culpa. Produzia peso. Ele poderia insistir. Poderia lutar. Poderia gritar seus direitos emocionais. Em vez disso, escolheu sair de cena. Não porque amava menos, mas porque amava mais do que a si mesmo naquele instante. Ali ocorreu o ponto de virada: o amor deixou de ser desejo e tornou-se cuidado.

É aqui que muitos se confundem. Nossa sociedade confunde amor com apego, intensidade com dependência, permanência com sucesso emocional. Dados da psicologia contemporânea mostram que relações baseadas em posse tendem a gerar mais sofrimento do que vínculos baseados em autonomia e respeito. Amar não é invadir o espaço do outro. É proteger a liberdade dele, mesmo quando isso nos custa lágrimas.

“Mesmo querendo desesperadamente ficar, eu disse adeus.”
Essa frase não é fraqueza. É maturidade. É inteligência emocional aplicada à vida real. É a ética do afeto. É entender que ficar, às vezes, é um ato egoísta; partir, um gesto de amor radical.

Um dia, sim, o outro entenderá. Talvez tarde. Talvez quando a vida ensinar pelo avesso. Talvez quando sentir falta não da presença física, mas da qualidade daquele amor silencioso, firme, não invasivo. Porque amores assim deixam marcas. Não cicatrizes abertas, mas referências internas. Eles ensinam o que é respeito, verdade, entrega sem chantagem.

Num tempo de relações líquidas, de vínculos descartáveis e de afetos performáticos nas redes sociais, esse tipo de amor parece estranho. Quase anacrônico. Mas é exatamente por isso que ele é necessário. O silêncio que ama é um ato político contra a banalização dos sentimentos. É resistência emocional. É profundidade num mundo raso.

E deixo aqui a frase que precisa ficar ecoando:
Há pessoas que nos amam tanto que escolhem nos perder para não nos ferir. Quando isso acontece, não houve fracasso. Houve grandeza.

ARTIGO – O Silêncio Que Ama: Quando Ir É a Forma Mais Alta de Ficar

 

 

Padre Carlos

Um dia você entenderá.
Essa frase, dita quase em oração, carrega mais densidade do que muitos discursos inflamados. Porque há silêncios que não nascem da covardia, mas da maturidade emocional. Há despedidas que não significam abandono, e há amores que só sobrevivem quando aprendem a não possuir.

Sussurro isso ao leitor, quase ao pé do ouvido: nem todo silêncio é vazio. Alguns são cheios demais.

Vivemos numa cultura que glorifica o grito. Quem fala alto parece ter razão. Quem expõe tudo é visto como autêntico. Mas a vida — essa mestra severa e discreta — ensina o contrário. Ensina que, em certos momentos, calar é um gesto de responsabilidade afetiva. É escolher não ferir quando se poderia vencer. É colocar a felicidade do outro acima do próprio desejo imediato. E isso, convenhamos, exige uma coragem que poucos estão dispostos a exercitar.

Quando alguém diz: “coloquei a sua felicidade acima da minha”, não está fazendo literatura barata. Está revelando um dilema humano profundo, estudado pela psicologia, debatido pela filosofia moral e vivido, silenciosamente, por milhões de pessoas. Amar, em sua forma mais elevada, não é reter — é liberar. Não é segurar — é confiar.

Lembro-me de uma história simples, quase banal. Um homem que amava profundamente, mas percebeu que sua presença já não produzia paz. Produzia conflito. Produzia culpa. Produzia peso. Ele poderia insistir. Poderia lutar. Poderia gritar seus direitos emocionais. Em vez disso, escolheu sair de cena. Não porque amava menos, mas porque amava mais do que a si mesmo naquele instante. Ali ocorreu o ponto de virada: o amor deixou de ser desejo e tornou-se cuidado.

É aqui que muitos se confundem. Nossa sociedade confunde amor com apego, intensidade com dependência, permanência com sucesso emocional. Dados da psicologia contemporânea mostram que relações baseadas em posse tendem a gerar mais sofrimento do que vínculos baseados em autonomia e respeito. Amar não é invadir o espaço do outro. É proteger a liberdade dele, mesmo quando isso nos custa lágrimas.

“Mesmo querendo desesperadamente ficar, eu disse adeus.”
Essa frase não é fraqueza. É maturidade. É inteligência emocional aplicada à vida real. É a ética do afeto. É entender que ficar, às vezes, é um ato egoísta; partir, um gesto de amor radical.

Um dia, sim, o outro entenderá. Talvez tarde. Talvez quando a vida ensinar pelo avesso. Talvez quando sentir falta não da presença física, mas da qualidade daquele amor silencioso, firme, não invasivo. Porque amores assim deixam marcas. Não cicatrizes abertas, mas referências internas. Eles ensinam o que é respeito, verdade, entrega sem chantagem.

Num tempo de relações líquidas, de vínculos descartáveis e de afetos performáticos nas redes sociais, esse tipo de amor parece estranho. Quase anacrônico. Mas é exatamente por isso que ele é necessário. O silêncio que ama é um ato político contra a banalização dos sentimentos. É resistência emocional. É profundidade num mundo raso.

E deixo aqui a frase que precisa ficar ecoando:
Há pessoas que nos amam tanto que escolhem nos perder para não nos ferir. Quando isso acontece, não houve fracasso. Houve grandeza.

ARTIGO – Nossa esquerda preconceituosa

 

 

(Padre Carlos)

Quem merece ser chorado pela História?
Sussurro isso ao leitor, quase em confidência, porque a resposta revela mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.

Peço licença para começar com Santo Agostinho, que atravessou séculos para nos lembrar: “Teus pecados são a tua tristeza, deixa que a santidade seja a tua alegria.” Há pecados que não sangram nas mãos, mas pesam na consciência coletiva. Um deles atende pelo nome de preconceito de classe, travestido de silêncio seletivo, inclusive — ou sobretudo — dentro da esquerda brasileira.

Em 1976, Manoel Fiel Filho, operário metalúrgico da Mooca, foi sequestrado pelo DOI-Codi, torturado e assassinado. Como Vladimir Herzog, morto meses antes no mesmo porão da ditadura, também “cometeu suicídio”, segundo a versão oficial. A mentira era idêntica. O local, o método e o cinismo, também. O que mudou foi a reação.

Herzog, jornalista, intelectual, homem da palavra, virou símbolo nacional. Manoel Fiel, operário, homem da fábrica, virou nota de rodapé.
E aqui está o nó que precisamos desatar.

A pergunta incômoda — e necessária — é simples: por que a morte de um operário não provocou a mesma comoção moral, política e midiática que a morte de um jornalista? A ditadura era a mesma. O crime, o mesmo. Mas o peso simbólico das vítimas não era.

Este texto não busca diminuir a importância de Herzog — pelo contrário. Busca ampliar o círculo da memória. Porque quando a esquerda escolhe quais mortos merecem indignação, ela trai sua própria razão de existir.

Há anos li um artigo da jornalista Camila Marciel, na Agência Brasil, que retomava o assassinato de Manoel Fiel. O espanto não estava apenas na brutalidade do crime, mas na indiferença histórica que o cercou. A esquerda “democrática”, tão vocal no caso Herzog, não demonstrou a mesma revolta diante da morte do metalúrgico. Dois pesos. Duas medidas.

Aqui reside o ponto de virada deste artigo.

A sociedade brasileira foi moldada por um preconceito de classe velado, silencioso, quase elegante. Ninguém se assume preconceituoso, mas muitos agem como tal. A esquerda, formada em grande parte por quadros oriundos da classe média e das elites intelectuais, não está imune a esse vírus. Pelo contrário: muitas vezes o reproduz com linguagem sofisticada e discurso progressista.

Basta observar a história do movimento estudantil. Já paramos para refletir por que a UNE jamais teve um presidente negro? Ou por que setores da elite nutrem um ódio visceral por Lula, não apenas pelo que ele faz, mas pelo que ele representa — um operário que ousou atravessar a fronteira simbólica do poder?

Mas deixemos o campo das hipóteses e vamos aos fatos.

Em fevereiro de 2015, em um único fim de semana, a Rondesp da Polícia Militar da Bahia matou 15 jovens negros, em operações com fortes indícios de execução. Era vingança policial. Era sangue derramado nas periferias. Era carne preta — e aqui uso a expressão com a crueza que a realidade exige — que tem pouco valor no mercado da comoção pública.

E o que fez a esquerda baiana?
Silêncio. Conveniência. Olhos fechados.

Nenhum grande ato, nenhuma ruptura política, nenhuma indignação proporcional à barbárie. Nenhum deputado disposto a comprar briga com o poder estadual. Mas bastou o mesmo governo cortar salários de grevistas — setores da elite do funcionalismo público — para o circo pegar fogo. Notas, discursos, mobilização imediata.

A pergunta se impõe, dura como pedra: isso é apenas corporativismo ou é preconceito de classe e racial?

Não se trata aqui de absolver crimes, nem de romantizar a violência. Trata-se de perguntar: se aqueles jovens mortos fossem brancos, de classe média, filhos “promissores”, o desfecho político e midiático teria sido o mesmo? A resposta, ainda que desconfortável, é conhecida por todos.

A política, dizem os experientes, é a arte de engolir sapos. Concordo. Mas há limites. Quando engolimos princípios, dignidade e vidas humanas, já não é pragmatismo — é deformação moral.

Ser de esquerda, de verdade, não é apenas defender bandeiras históricas ou repetir slogans. É sustentar um senso radical de justiça, sem distinção de classe, cor ou capital simbólico. É indignar-se com o operário e com o jornalista. Com o jovem negro da periferia e com o intelectual do centro. Sem hierarquizar dores.

Enquanto a esquerda não fizer esse exame de consciência — profundo, honesto e corajoso — continuará traindo Manoel Fiel Filho, mesmo cinquenta anos depois de seu assassinato.
E nenhuma causa que seleciona seus mortos pode, honestamente, se chamar libertadora.

ARTIGO – Nossa esquerda preconceituosa

 

 

(Padre Carlos)

Quem merece ser chorado pela História?
Sussurro isso ao leitor, quase em confidência, porque a resposta revela mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.

Peço licença para começar com Santo Agostinho, que atravessou séculos para nos lembrar: “Teus pecados são a tua tristeza, deixa que a santidade seja a tua alegria.” Há pecados que não sangram nas mãos, mas pesam na consciência coletiva. Um deles atende pelo nome de preconceito de classe, travestido de silêncio seletivo, inclusive — ou sobretudo — dentro da esquerda brasileira.

Em 1976, Manoel Fiel Filho, operário metalúrgico da Mooca, foi sequestrado pelo DOI-Codi, torturado e assassinado. Como Vladimir Herzog, morto meses antes no mesmo porão da ditadura, também “cometeu suicídio”, segundo a versão oficial. A mentira era idêntica. O local, o método e o cinismo, também. O que mudou foi a reação.

Herzog, jornalista, intelectual, homem da palavra, virou símbolo nacional. Manoel Fiel, operário, homem da fábrica, virou nota de rodapé.
E aqui está o nó que precisamos desatar.

A pergunta incômoda — e necessária — é simples: por que a morte de um operário não provocou a mesma comoção moral, política e midiática que a morte de um jornalista? A ditadura era a mesma. O crime, o mesmo. Mas o peso simbólico das vítimas não era.

Este texto não busca diminuir a importância de Herzog — pelo contrário. Busca ampliar o círculo da memória. Porque quando a esquerda escolhe quais mortos merecem indignação, ela trai sua própria razão de existir.

Há anos li um artigo da jornalista Camila Marciel, na Agência Brasil, que retomava o assassinato de Manoel Fiel. O espanto não estava apenas na brutalidade do crime, mas na indiferença histórica que o cercou. A esquerda “democrática”, tão vocal no caso Herzog, não demonstrou a mesma revolta diante da morte do metalúrgico. Dois pesos. Duas medidas.

Aqui reside o ponto de virada deste artigo.

A sociedade brasileira foi moldada por um preconceito de classe velado, silencioso, quase elegante. Ninguém se assume preconceituoso, mas muitos agem como tal. A esquerda, formada em grande parte por quadros oriundos da classe média e das elites intelectuais, não está imune a esse vírus. Pelo contrário: muitas vezes o reproduz com linguagem sofisticada e discurso progressista.

Basta observar a história do movimento estudantil. Já paramos para refletir por que a UNE jamais teve um presidente negro? Ou por que setores da elite nutrem um ódio visceral por Lula, não apenas pelo que ele faz, mas pelo que ele representa — um operário que ousou atravessar a fronteira simbólica do poder?

Mas deixemos o campo das hipóteses e vamos aos fatos.

Em fevereiro de 2015, em um único fim de semana, a Rondesp da Polícia Militar da Bahia matou 15 jovens negros, em operações com fortes indícios de execução. Era vingança policial. Era sangue derramado nas periferias. Era carne preta — e aqui uso a expressão com a crueza que a realidade exige — que tem pouco valor no mercado da comoção pública.

E o que fez a esquerda baiana?
Silêncio. Conveniência. Olhos fechados.

Nenhum grande ato, nenhuma ruptura política, nenhuma indignação proporcional à barbárie. Nenhum deputado disposto a comprar briga com o poder estadual. Mas bastou o mesmo governo cortar salários de grevistas — setores da elite do funcionalismo público — para o circo pegar fogo. Notas, discursos, mobilização imediata.

A pergunta se impõe, dura como pedra: isso é apenas corporativismo ou é preconceito de classe e racial?

Não se trata aqui de absolver crimes, nem de romantizar a violência. Trata-se de perguntar: se aqueles jovens mortos fossem brancos, de classe média, filhos “promissores”, o desfecho político e midiático teria sido o mesmo? A resposta, ainda que desconfortável, é conhecida por todos.

A política, dizem os experientes, é a arte de engolir sapos. Concordo. Mas há limites. Quando engolimos princípios, dignidade e vidas humanas, já não é pragmatismo — é deformação moral.

Ser de esquerda, de verdade, não é apenas defender bandeiras históricas ou repetir slogans. É sustentar um senso radical de justiça, sem distinção de classe, cor ou capital simbólico. É indignar-se com o operário e com o jornalista. Com o jovem negro da periferia e com o intelectual do centro. Sem hierarquizar dores.

Enquanto a esquerda não fizer esse exame de consciência — profundo, honesto e corajoso — continuará traindo Manoel Fiel Filho, mesmo cinquenta anos depois de seu assassinato.
E nenhuma causa que seleciona seus mortos pode, honestamente, se chamar libertadora.

ARTIGO – Pequenos, Enviados e Corajosos: A Missão Cristã em Tempos de Medo e Supérfluo

 

 

Padre Carlos

E se o mundo estivesse esperando exatamente por aqueles que se julgam pequenos?
Essa pergunta não é retórica. Ela ecoa como um sussurro do Evangelho no coração de quem, cansado das próprias limitações, ainda ousa crer. Porque a lógica de Deus nunca foi a da força ostensiva, do poder que grita ou da fé exibida. A lógica de Deus é a da semente. Pequena. Frágil. Silenciosa. Mas viva.

“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.” A frase de Jesus, registrada por Lucas, atravessa os séculos como um chamado que não envelhece. Ela não se dirige apenas aos apóstolos de ontem, mas aos discípulos inquietos de hoje — nós. E há algo desconcertante nesse envio: “Eis que vos envio como cordeiros entre lobos.” Não há promessa de blindagem, nem ilusão de conforto. Há missão. E há confiança.

No campo de Deus, há trabalho para todos. Inclusive — e talvez principalmente — para os que se sentem pequenos demais. O Evangelho deste tempo nos lembra que a fé cristã não nasce da autossuficiência, mas da abertura. Cresce quem se deixa tocar. Amadurece quem se deixa conduzir. A missão começa no interior, no lugar silencioso onde a Palavra encontra morada.

Por isso a oração não é um detalhe devocional; é estrutura. É fundamento. Como ensinou o Papa Leão XIV, só quando falamos com Deus podemos falar verdadeiramente de Deus. A oração litúrgica nos insere numa escuta que não controlamos. A oração pessoal nos expõe sem máscaras. Ambas nos desinstalam. Ambas nos preparam. Sem oração, a fé vira discurso. Com oração, a fé se torna presença.

Lembro-me de uma cena simples, quase banal: um cristão anônimo, sentado no fundo da igreja, permanecendo alguns minutos a mais depois da missa. Nenhum holofote. Nenhum aplauso. Apenas silêncio. Ali, naquele espaço invisível aos olhos do mundo, estava sendo forjada uma força capaz de atravessar ruas, ambientes hostis, relações feridas. A missão começa assim: de joelhos.

João Batista entendeu isso como poucos. Sua grandeza estava justamente em não reter nada para si. Apontar o Cordeiro de Deus foi seu único projeto. Sua vida se consumiu em revelar outro. Num tempo obcecado por likes, seguidores e autopromoção, João permanece um escândalo espiritual. Ele nos lembra que só levamos Cristo aos homens quando aceitamos desaparecer um pouco, para que Ele apareça.

Aqui está o ponto de virada que tantos evitam: a missão exige pobreza interior. Não se trata apenas de abrir mão de bens, mas de desocupar o coração. Vivemos mergulhados numa cultura do supérfluo, da ansiedade por novidades, da inversão de prioridades. Acumulamos coisas, informações, expectativas — e, paradoxalmente, nos tornamos mais vazios.

A pobreza evangélica não empobrece a vida; ela a liberta. Podemos possuir muito, mas o que verdadeiramente marca a existência é a generosidade do coração. A fé cristã, quando autêntica, não se mede pelo que se guarda, mas pelo que se entrega. Nada floresce sem doação. Nada frutifica sem graça.

Somos todos missionários da generosidade de Cristo. Em tempos de medo difuso, violência simbólica e cansaço coletivo, a alegria cristã torna-se um ato de resistência. Não uma alegria ingênua, mas uma alegria enraizada na providência divina. “Não leveis bolsa, nem sacola…” diz Jesus. É um convite radical à confiança. O Reino de Deus começa quando ousamos caminhar leves.

Ser outro Cristo no meio dos homens é o segredo que transforma o mundo. É deixar que o amor de Deus se traduza em gestos concretos, em palavras que curam, em presenças que sustentam. É ser luz onde há trevas, esperança onde há desânimo, consolo onde há dor. Cada ato de bondade é uma semente. Cada serviço silencioso é um anúncio.

Viver como Cristo é compreender que a verdadeira grandeza não está no domínio, mas na entrega. Não no acúmulo, mas na partilha. Não no medo, mas na coragem serena de quem confia. Ser outro Cristo é ser ponte, farol e Evangelho vivo num mundo ferido.

Que Nossa Senhora, mulher da confiança radical, nos ensine a ter corações disponíveis. Que nos ajude a sair pelas estradas da história — pequenas, frágeis talvez — mas cheias de fé. Porque, no Reino de Deus, são justamente os pequenos que fazem a messe florescer.

ARTIGO – Pequenos, Enviados e Corajosos: A Missão Cristã em Tempos de Medo e Supérfluo

 

 

Padre Carlos

E se o mundo estivesse esperando exatamente por aqueles que se julgam pequenos?
Essa pergunta não é retórica. Ela ecoa como um sussurro do Evangelho no coração de quem, cansado das próprias limitações, ainda ousa crer. Porque a lógica de Deus nunca foi a da força ostensiva, do poder que grita ou da fé exibida. A lógica de Deus é a da semente. Pequena. Frágil. Silenciosa. Mas viva.

“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.” A frase de Jesus, registrada por Lucas, atravessa os séculos como um chamado que não envelhece. Ela não se dirige apenas aos apóstolos de ontem, mas aos discípulos inquietos de hoje — nós. E há algo desconcertante nesse envio: “Eis que vos envio como cordeiros entre lobos.” Não há promessa de blindagem, nem ilusão de conforto. Há missão. E há confiança.

No campo de Deus, há trabalho para todos. Inclusive — e talvez principalmente — para os que se sentem pequenos demais. O Evangelho deste tempo nos lembra que a fé cristã não nasce da autossuficiência, mas da abertura. Cresce quem se deixa tocar. Amadurece quem se deixa conduzir. A missão começa no interior, no lugar silencioso onde a Palavra encontra morada.

Por isso a oração não é um detalhe devocional; é estrutura. É fundamento. Como ensinou o Papa Leão XIV, só quando falamos com Deus podemos falar verdadeiramente de Deus. A oração litúrgica nos insere numa escuta que não controlamos. A oração pessoal nos expõe sem máscaras. Ambas nos desinstalam. Ambas nos preparam. Sem oração, a fé vira discurso. Com oração, a fé se torna presença.

Lembro-me de uma cena simples, quase banal: um cristão anônimo, sentado no fundo da igreja, permanecendo alguns minutos a mais depois da missa. Nenhum holofote. Nenhum aplauso. Apenas silêncio. Ali, naquele espaço invisível aos olhos do mundo, estava sendo forjada uma força capaz de atravessar ruas, ambientes hostis, relações feridas. A missão começa assim: de joelhos.

João Batista entendeu isso como poucos. Sua grandeza estava justamente em não reter nada para si. Apontar o Cordeiro de Deus foi seu único projeto. Sua vida se consumiu em revelar outro. Num tempo obcecado por likes, seguidores e autopromoção, João permanece um escândalo espiritual. Ele nos lembra que só levamos Cristo aos homens quando aceitamos desaparecer um pouco, para que Ele apareça.

Aqui está o ponto de virada que tantos evitam: a missão exige pobreza interior. Não se trata apenas de abrir mão de bens, mas de desocupar o coração. Vivemos mergulhados numa cultura do supérfluo, da ansiedade por novidades, da inversão de prioridades. Acumulamos coisas, informações, expectativas — e, paradoxalmente, nos tornamos mais vazios.

A pobreza evangélica não empobrece a vida; ela a liberta. Podemos possuir muito, mas o que verdadeiramente marca a existência é a generosidade do coração. A fé cristã, quando autêntica, não se mede pelo que se guarda, mas pelo que se entrega. Nada floresce sem doação. Nada frutifica sem graça.

Somos todos missionários da generosidade de Cristo. Em tempos de medo difuso, violência simbólica e cansaço coletivo, a alegria cristã torna-se um ato de resistência. Não uma alegria ingênua, mas uma alegria enraizada na providência divina. “Não leveis bolsa, nem sacola…” diz Jesus. É um convite radical à confiança. O Reino de Deus começa quando ousamos caminhar leves.

Ser outro Cristo no meio dos homens é o segredo que transforma o mundo. É deixar que o amor de Deus se traduza em gestos concretos, em palavras que curam, em presenças que sustentam. É ser luz onde há trevas, esperança onde há desânimo, consolo onde há dor. Cada ato de bondade é uma semente. Cada serviço silencioso é um anúncio.

Viver como Cristo é compreender que a verdadeira grandeza não está no domínio, mas na entrega. Não no acúmulo, mas na partilha. Não no medo, mas na coragem serena de quem confia. Ser outro Cristo é ser ponte, farol e Evangelho vivo num mundo ferido.

Que Nossa Senhora, mulher da confiança radical, nos ensine a ter corações disponíveis. Que nos ajude a sair pelas estradas da história — pequenas, frágeis talvez — mas cheias de fé. Porque, no Reino de Deus, são justamente os pequenos que fazem a messe florescer.

Limeira de luto faleceu Francisco conhecido como biu de valdú


A Limeira amanheceu de luto neste sábado com a triste notícia do falecimento de Francisco, carinhosamente conhecido como Biu de Valdú. Morador nato da Baixada da Limeira, Francisco era muito conhecido e querido por todos, deixando uma história marcada pela simplicidade, amizade e respeito.
Sua partida deixa grandes lembranças e uma profunda saudade entre familiares, amigos e toda a comunidade limeirense. O velório está sendo realizado na Igreja Assembleia de Deus, na Limeira, onde parentes e amigos prestam as últimas homenagens.
Neste momento de dor, manifestamos nossa solidariedade e sentimentos a todos os familiares e amigos, pedindo a Deus que conforte

Limeira de luto faleceu Francisco conhecido como biu de valdú


A Limeira amanheceu de luto neste sábado com a triste notícia do falecimento de Francisco, carinhosamente conhecido como Biu de Valdú. Morador nato da Baixada da Limeira, Francisco era muito conhecido e querido por todos, deixando uma história marcada pela simplicidade, amizade e respeito.
Sua partida deixa grandes lembranças e uma profunda saudade entre familiares, amigos e toda a comunidade limeirense. O velório está sendo realizado na Igreja Assembleia de Deus, na Limeira, onde parentes e amigos prestam as últimas homenagens.
Neste momento de dor, manifestamos nossa solidariedade e sentimentos a todos os familiares e amigos, pedindo a Deus que conforte

ARTIGO – A Emoção de Ver Continuar a Obra: São José, Inhobin e a Fidelidade da História

 

Padre Carlos

Há momentos em que a memória não apenas recorda, ela comove. Ao acessar o Facebook e me deparar com a posse do novo pároco da Paróquia São José, em Inhobin, fui tomado por uma emoção profunda, dessas que não cabem em palavras fáceis. Ali não estava apenas a imagem de uma cerimônia litúrgica; estava viva a história, o tempo, o sacrifício e a fé de um povo que ajudou a erguer, com as próprias mãos e com o coração aberto, uma comunidade eclesial sólida e viva.

Fui o primeiro pároco daquela paróquia. E isso não é um título honorífico, mas uma marca existencial. A criação da Paróquia São José não nasceu pronta. Foi construída no chão duro da realidade, entre limitações materiais, desafios pastorais, noites mal dormidas e uma fé insistente que se recusava a desistir. Cada parede erguida, cada banco colocado, cada celebração improvisada era um ato de esperança. E, sobretudo, era um gesto coletivo: padres e paroquianos, juntos, escrevendo uma história que agora segue adiante.

Ver a posse do Padre José Victor é testemunhar a continuidade da missão da Igreja Católica, essa instituição milenar que sobrevive porque sabe passar o bastão sem apagar a memória. A Igreja que ignora sua história adoece; a que a honra, floresce. Em Inhobin, a história não foi esquecida — foi respeitada, celebrada e renovada.

A chegada de um novo pároco não é apenas uma mudança administrativa. É um novo tempo pastoral, uma nova escuta da Palavra de Deus, uma nova forma de servir, amar e conduzir. O pároco não é dono da paróquia; é guardião de um legado e semeador de futuro. Padre José Victor recebe uma comunidade que já conhece o valor da fé vivida no cotidiano, que sabe o preço da construção coletiva e que compreende que evangelizar é caminhar juntos.

Que este novo tempo seja marcado pela união da comunidade, pelo fortalecimento da vida paroquial, pela escuta atenta dos mais simples e pelo compromisso com o Evangelho vivido, não apenas pregado. Que a Paróquia São José continue sendo espaço de acolhimento, espiritualidade, serviço social e testemunho cristão em Inhobin e em toda a região.

Para mim, como alguém que participou do nascimento dessa paróquia, fica a gratidão silenciosa e a alegria serena de quem vê a obra continuar. Pastores passam, a missão permanece. E quando ela permanece fiel às suas origens, Deus continua abençoando.

Seja bem-vindo, Padre José Victor. Que São José o inspire, que o povo o fortaleça e que Deus conduza sua missão entre nós com sabedoria, coragem e amor ao serviço. 🙏

ARTIGO – A Emoção de Ver Continuar a Obra: São José, Inhobin e a Fidelidade da História

 

Padre Carlos

Há momentos em que a memória não apenas recorda, ela comove. Ao acessar o Facebook e me deparar com a posse do novo pároco da Paróquia São José, em Inhobin, fui tomado por uma emoção profunda, dessas que não cabem em palavras fáceis. Ali não estava apenas a imagem de uma cerimônia litúrgica; estava viva a história, o tempo, o sacrifício e a fé de um povo que ajudou a erguer, com as próprias mãos e com o coração aberto, uma comunidade eclesial sólida e viva.

Fui o primeiro pároco daquela paróquia. E isso não é um título honorífico, mas uma marca existencial. A criação da Paróquia São José não nasceu pronta. Foi construída no chão duro da realidade, entre limitações materiais, desafios pastorais, noites mal dormidas e uma fé insistente que se recusava a desistir. Cada parede erguida, cada banco colocado, cada celebração improvisada era um ato de esperança. E, sobretudo, era um gesto coletivo: padres e paroquianos, juntos, escrevendo uma história que agora segue adiante.

Ver a posse do Padre José Victor é testemunhar a continuidade da missão da Igreja Católica, essa instituição milenar que sobrevive porque sabe passar o bastão sem apagar a memória. A Igreja que ignora sua história adoece; a que a honra, floresce. Em Inhobin, a história não foi esquecida — foi respeitada, celebrada e renovada.

A chegada de um novo pároco não é apenas uma mudança administrativa. É um novo tempo pastoral, uma nova escuta da Palavra de Deus, uma nova forma de servir, amar e conduzir. O pároco não é dono da paróquia; é guardião de um legado e semeador de futuro. Padre José Victor recebe uma comunidade que já conhece o valor da fé vivida no cotidiano, que sabe o preço da construção coletiva e que compreende que evangelizar é caminhar juntos.

Que este novo tempo seja marcado pela união da comunidade, pelo fortalecimento da vida paroquial, pela escuta atenta dos mais simples e pelo compromisso com o Evangelho vivido, não apenas pregado. Que a Paróquia São José continue sendo espaço de acolhimento, espiritualidade, serviço social e testemunho cristão em Inhobin e em toda a região.

Para mim, como alguém que participou do nascimento dessa paróquia, fica a gratidão silenciosa e a alegria serena de quem vê a obra continuar. Pastores passam, a missão permanece. E quando ela permanece fiel às suas origens, Deus continua abençoando.

Seja bem-vindo, Padre José Victor. Que São José o inspire, que o povo o fortaleça e que Deus conduza sua missão entre nós com sabedoria, coragem e amor ao serviço. 🙏

ARTIGO – (Quando a Política Silencia e a Vida Cobra a Conta: A Partida de Alan Sanches)

 

 

 

Padre Carlos

A morte súbita do deputado estadual Alan Sanches, neste sábado, 17, vítima de um infarto fulminante, provoca um daqueles silêncios que nem a retórica política consegue preencher. Há mortes que interrompem trajetórias; outras, como esta, interrompem também diálogos, projetos e expectativas. A política baiana acorda mais pobre, e a sociedade, mais uma vez, é convidada a refletir sobre a fragilidade da vida, mesmo entre aqueles que dedicaram a existência ao cuidado do outro.

Formado em Medicina pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), ortopedista por vocação e político por escolha, Alan Sanches representava uma figura cada vez mais rara na vida pública brasileira: alguém que transitava com naturalidade entre o consultório médico e o plenário legislativo, sem perder de vista a dimensão humana do poder. Sua trajetória revela uma geração de políticos que não nasceram exclusivamente da política, mas chegaram a ela a partir do serviço.

Sua caminhada institucional começou na Câmara Municipal de Salvador, onde exerceu dois mandatos como vereador, ainda pelo PMDB. Ali, aprendeu o chão áspero da política local, o contato direto com as demandas urbanas, as urgências da saúde pública e as contradições de uma cidade desigual. Não por acaso, renunciou ao cargo no segundo mandato para alçar voos maiores — decisão que, à época, revelou ambição, mas também coragem política.

Eleito deputado estadual em 2010, Alan Sanches construiu uma trajetória contínua na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), atravessando diferentes partidos — PSD, DEM e, por fim, União Brasil. Essa travessia partidária, comum na política brasileira, não apagou sua identidade principal: a de um parlamentar com forte ligação com a área da saúde, defensor do SUS, atento às pautas médicas e hospitalares, e conhecedor prático das dores que os números frios dos relatórios muitas vezes escondem.

Há uma ironia cruel no fato de um médico, especialista em cuidar do corpo humano, ser vencido por um ataque cardíaco fulminante. Isso nos lembra que o conhecimento não imuniza contra a finitude, e que o poder, por maior que seja, não compra mais tempo. A morte de Alan Sanches expõe também o ritmo desumano imposto à vida política: agendas extenuantes, pressões permanentes, disputas silenciosas e o desgaste emocional que raramente vira pauta.

Neste momento de luto, é preciso resistir à tentação da canonização fácil ou da crítica inoportuna. Alan Sanches foi um homem de seu tempo, com virtudes e limites, mas sua trajetória revela compromisso, presença e disposição para servir. Em tempos de descrédito da política, sua morte reacende uma pergunta incômoda: quem cuidará da política quando até os que cuidam da saúde tombam no caminho?

A Bahia perde um deputado, Salvador perde um ex-vereador, a medicina perde um colega, e a democracia perde uma voz que ainda tinha o que dizer. Aos familiares, amigos, eleitores e colegas de parlamento, fica o peso do luto. À sociedade, fica a responsabilidade de lembrar que por trás dos cargos existem pessoas — e que a vida, como a política, não admite adiamentos indefinidos.

Que a morte de Alan Sanches não seja apenas uma nota triste no noticiário, mas um chamado à humanização da política, ao cuidado com quem cuida e à consciência de que o tempo, esse legislador implacável, não concede reeleição.

ARTIGO – (Quando a Política Silencia e a Vida Cobra a Conta: A Partida de Alan Sanches)

 

 

 

Padre Carlos

A morte súbita do deputado estadual Alan Sanches, neste sábado, 17, vítima de um infarto fulminante, provoca um daqueles silêncios que nem a retórica política consegue preencher. Há mortes que interrompem trajetórias; outras, como esta, interrompem também diálogos, projetos e expectativas. A política baiana acorda mais pobre, e a sociedade, mais uma vez, é convidada a refletir sobre a fragilidade da vida, mesmo entre aqueles que dedicaram a existência ao cuidado do outro.

Formado em Medicina pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), ortopedista por vocação e político por escolha, Alan Sanches representava uma figura cada vez mais rara na vida pública brasileira: alguém que transitava com naturalidade entre o consultório médico e o plenário legislativo, sem perder de vista a dimensão humana do poder. Sua trajetória revela uma geração de políticos que não nasceram exclusivamente da política, mas chegaram a ela a partir do serviço.

Sua caminhada institucional começou na Câmara Municipal de Salvador, onde exerceu dois mandatos como vereador, ainda pelo PMDB. Ali, aprendeu o chão áspero da política local, o contato direto com as demandas urbanas, as urgências da saúde pública e as contradições de uma cidade desigual. Não por acaso, renunciou ao cargo no segundo mandato para alçar voos maiores — decisão que, à época, revelou ambição, mas também coragem política.

Eleito deputado estadual em 2010, Alan Sanches construiu uma trajetória contínua na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), atravessando diferentes partidos — PSD, DEM e, por fim, União Brasil. Essa travessia partidária, comum na política brasileira, não apagou sua identidade principal: a de um parlamentar com forte ligação com a área da saúde, defensor do SUS, atento às pautas médicas e hospitalares, e conhecedor prático das dores que os números frios dos relatórios muitas vezes escondem.

Há uma ironia cruel no fato de um médico, especialista em cuidar do corpo humano, ser vencido por um ataque cardíaco fulminante. Isso nos lembra que o conhecimento não imuniza contra a finitude, e que o poder, por maior que seja, não compra mais tempo. A morte de Alan Sanches expõe também o ritmo desumano imposto à vida política: agendas extenuantes, pressões permanentes, disputas silenciosas e o desgaste emocional que raramente vira pauta.

Neste momento de luto, é preciso resistir à tentação da canonização fácil ou da crítica inoportuna. Alan Sanches foi um homem de seu tempo, com virtudes e limites, mas sua trajetória revela compromisso, presença e disposição para servir. Em tempos de descrédito da política, sua morte reacende uma pergunta incômoda: quem cuidará da política quando até os que cuidam da saúde tombam no caminho?

A Bahia perde um deputado, Salvador perde um ex-vereador, a medicina perde um colega, e a democracia perde uma voz que ainda tinha o que dizer. Aos familiares, amigos, eleitores e colegas de parlamento, fica o peso do luto. À sociedade, fica a responsabilidade de lembrar que por trás dos cargos existem pessoas — e que a vida, como a política, não admite adiamentos indefinidos.

Que a morte de Alan Sanches não seja apenas uma nota triste no noticiário, mas um chamado à humanização da política, ao cuidado com quem cuida e à consciência de que o tempo, esse legislador implacável, não concede reeleição.