Política e Resenha

Onde Nascem Vidas, Nascem Esperanças: A Luta Silenciosa do Esaú Matos

 

 

 

 

Padre Carlos

Há lugares onde o milagre da vida acontece seiscentas vezes por mês. Seiscentas histórias. Seiscentas famílias que atravessam portões com o coração apertado pela espera e saem do outro lado com um bebê nos braços e lágrimas de alívio nos olhos. O Hospital Municipal Esaú Matos é um desses lugares — um templo silencioso onde médicos, enfermeiros e toda uma equipe dedicada desafiam a estatística, a escassez e o cansaço para dar à luz não apenas bebês, mas também futuros.

Nesta sexta-feira, 28 de novembro, algo raro aconteceu. O poder público parou para ouvir o que o hospital tinha a dizer. E o que ele disse — através da voz de seus gestores, de seus números e de seus corredores lotados — foi um grito abafado que já ecoava há meses: “Não consigo mais sozinho”.

O Peso de Ser Mais do Que Se Pode Carregar

A prefeita Sheila Lemos não esconde a realidade. Com a franqueza de quem conhece cada canto daquela maternidade, ela revelou ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Júlio Tabosa Sales, o que todos já sabiam, mas poucos queriam admitir: o Esaú Matos é um hospital municipal que carrega nos ombros o peso de uma região inteira.

Mais de 170 municípios da Bahia depositam suas esperanças naquele prédio. São quase 2 milhões de pessoas que, quando precisam de cuidados materno-infantis especializados, olham para Vitória da Conquista. E o Esaú Matos acolhe. Sempre acolheu. Mesmo quando os recursos não chegam. Mesmo quando a conta não fecha.

Desde abril, a gestão municipal vem dialogando com o governo estadual sobre a situação limite do hospital. Em maio, um respiro: recursos estaduais começaram a chegar mensalmente, garantindo que as portas continuassem abertas. Mas todos sabem que um suspiro não sustenta uma maratona — e o Esaú Matos corre uma maratona há anos.

Quando os Números Contam Histórias de Coragem

Sessenta por cento dos partos realizados ali são de alto risco. Não são apenas números frios em relatórios médicos. São mães que chegam com medo. Bebês que lutam para respirar. Famílias inteiras reunidas em salas de espera, rezando baixinho. E no meio desse turbilhão de angústia e esperança, há profissionais que salvam vidas todos os dias.

Como disse Mozart Sales, com a emoção de quem entende o que essas equipes enfrentam: “Esta equipe salva vidas todos os dias, e dá vidas”. É uma maternidade que merece reconhecimento não apenas por sua grandeza — a terceira do estado em número de partos, a segunda maior do interior da Bahia —, mas pela grandeza daqueles que trabalham ali, transformando precariedade em possibilidade, limitação em superação.

Ceres Almeida, diretora-geral da Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista, traduz essa realidade com clareza: o Esaú atende a região inteira, mas funciona com a estrutura de um hospital municipal. É como pedir a um coração que bombeie sangue para dois corpos ao mesmo tempo.

O Compromisso Que Pode Mudar Tudo

A visita técnica desta sexta-feira trouxe algo que faltava há muito tempo: compromisso. Não apenas palavras, mas promessas concretas que podem reescrever o futuro da saúde materno-infantil no Sudoeste da Bahia.

O ministro Rui Costa anunciou que será incluída no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) a construção de uma nova maternidade de alta complexidade para Vitória da Conquista, possivelmente na área do antigo aeroporto. Com isso, o Esaú Matos poderá finalmente respirar, transformando-se em uma maternidade municipal enquanto a nova unidade assume o papel regional que a cidade tanto necessita.

Além disso, há o compromisso formal de habilitar o Centro de Parto Normal (CPN), uma estrutura já pronta que aguarda apenas equipamentos e recursos humanos para começar a oferecer partos humanizados, aliviando a pressão sobre a maternidade principal e proporcionando às mulheres uma experiência mais digna e acolhedora no momento mais vulnerável e sagrado de suas vidas.

A secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, garantiu que o programa Mãe Bahia continuará aportando quase um milhão de reais mensais para manter o hospital funcionando enquanto as soluções estruturais não chegam. É a ponte que sustenta até que se construa o caminho definitivo.

A Esperança Que Nasce Junto

Fernanda Maron, secretária municipal de Saúde, resumiu o sentimento coletivo quando falou sobre a importância deste diálogo tripartite: União, Estado e Município precisam entender que o Esaú Matos não é apenas um equipamento público. É o lugar onde milhares de famílias depositam seus sonhos mais preciosos.

Há algo profundamente humano em saber que, enquanto escrevemos estas linhas, alguma mãe está em trabalho de parto naquele hospital. Algum bebê está dando seu primeiro grito. Alguma avó está chorando de alegria na sala de espera. E tudo isso acontece porque pessoas — gestores públicos, médicos, enfermeiros, auxiliares, recepcionistas — decidiram não desistir.

O vice-prefeito Aloisio Alan tocou no cerne da questão quando disse que este é um momento importante para discutir os problemas da Saúde de Vitória da Conquista. Porque saúde não é apenas orçamento e infraestrutura. Saúde é dignidade. É futuro. É a possibilidade de nascer bem, de ser bem recebido ao mundo.

O Que Está em Jogo

Quando um hospital como o Esaú Matos pede ajuda, não está pedindo favor. Está pedindo justiça. Justiça para as mães que viajam horas para dar à luz em segurança. Justiça para os profissionais que trabalham além de seus limites. Justiça para as crianças que merecem nascer em um ambiente equipado, preparado, digno.

A parceria anunciada nesta sexta-feira entre município, estado e União não é apenas uma questão administrativa. É um pacto de honra com a vida. É o reconhecimento de que nenhuma gestante deveria ter que se preocupar se o hospital terá recursos suficientes no dia do parto. É a promessa de que toda criança nascida no Sudoeste da Bahia terá acesso ao melhor cuidado possível.

O Esaú Matos carregou o peso da região nas costas durante anos. Agora, finalmente, outros braços se estendem para ajudar a carregar. E quando muitos carregam juntos, até o mais pesado se torna leve.

A Vida Que Continua

Enquanto as promessas se transformam em projetos e os projetos em obras, o Esaú Matos continuará fazendo o que sempre fez: dar à luz. Seiscentas vezes por mês. Seiscentas oportunidades de fazer a diferença. Seiscentas vidas que começam ali, amparadas por mãos cansadas mas firmes, por corações exaustos mas esperançosos.

E quando a nova maternidade regional estiver pronta, quando o Centro de Parto Normal estiver funcionando, quando os recursos fluírem como deveriam fluir, talvez possamos olhar para trás e reconhecer: o Esaú Matos não apenas sobreviveu. Ele ensinou a todos nós o significado de resiliência, de compromisso, de amor pela vida.

Porque no final das contas, cada bebê que nasce naquele hospital é uma vitória não apenas médica, mas humana. É a prova de que, mesmo quando tudo parece impossível, há pessoas dispostas a tornar o impossível realidade.

E isso, mais do que qualquer orçamento ou programa governamental, é o que mantém as portas do Esaú Matos abertas: a fé inabalável de que toda vida merece o melhor começo possível.

Que esta seja apenas a primeira página de um novo capítulo — um capítulo onde a saúde materno-infantil no Sudoeste da Bahia finalmente recebe o investimento, o respeito e o cuidado que sempre mereceu.

Onde nascem vidas, nascem esperanças. E hoje, a esperança tem um nome: parceria, compromisso e um futuro que promete ser mais digno para todos.

 

Onde Nascem Vidas, Nascem Esperanças: A Luta Silenciosa do Esaú Matos

 

 

 

 

Padre Carlos

Há lugares onde o milagre da vida acontece seiscentas vezes por mês. Seiscentas histórias. Seiscentas famílias que atravessam portões com o coração apertado pela espera e saem do outro lado com um bebê nos braços e lágrimas de alívio nos olhos. O Hospital Municipal Esaú Matos é um desses lugares — um templo silencioso onde médicos, enfermeiros e toda uma equipe dedicada desafiam a estatística, a escassez e o cansaço para dar à luz não apenas bebês, mas também futuros.

Nesta sexta-feira, 28 de novembro, algo raro aconteceu. O poder público parou para ouvir o que o hospital tinha a dizer. E o que ele disse — através da voz de seus gestores, de seus números e de seus corredores lotados — foi um grito abafado que já ecoava há meses: “Não consigo mais sozinho”.

O Peso de Ser Mais do Que Se Pode Carregar

A prefeita Sheila Lemos não esconde a realidade. Com a franqueza de quem conhece cada canto daquela maternidade, ela revelou ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Júlio Tabosa Sales, o que todos já sabiam, mas poucos queriam admitir: o Esaú Matos é um hospital municipal que carrega nos ombros o peso de uma região inteira.

Mais de 170 municípios da Bahia depositam suas esperanças naquele prédio. São quase 2 milhões de pessoas que, quando precisam de cuidados materno-infantis especializados, olham para Vitória da Conquista. E o Esaú Matos acolhe. Sempre acolheu. Mesmo quando os recursos não chegam. Mesmo quando a conta não fecha.

Desde abril, a gestão municipal vem dialogando com o governo estadual sobre a situação limite do hospital. Em maio, um respiro: recursos estaduais começaram a chegar mensalmente, garantindo que as portas continuassem abertas. Mas todos sabem que um suspiro não sustenta uma maratona — e o Esaú Matos corre uma maratona há anos.

Quando os Números Contam Histórias de Coragem

Sessenta por cento dos partos realizados ali são de alto risco. Não são apenas números frios em relatórios médicos. São mães que chegam com medo. Bebês que lutam para respirar. Famílias inteiras reunidas em salas de espera, rezando baixinho. E no meio desse turbilhão de angústia e esperança, há profissionais que salvam vidas todos os dias.

Como disse Mozart Sales, com a emoção de quem entende o que essas equipes enfrentam: “Esta equipe salva vidas todos os dias, e dá vidas”. É uma maternidade que merece reconhecimento não apenas por sua grandeza — a terceira do estado em número de partos, a segunda maior do interior da Bahia —, mas pela grandeza daqueles que trabalham ali, transformando precariedade em possibilidade, limitação em superação.

Ceres Almeida, diretora-geral da Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista, traduz essa realidade com clareza: o Esaú atende a região inteira, mas funciona com a estrutura de um hospital municipal. É como pedir a um coração que bombeie sangue para dois corpos ao mesmo tempo.

O Compromisso Que Pode Mudar Tudo

A visita técnica desta sexta-feira trouxe algo que faltava há muito tempo: compromisso. Não apenas palavras, mas promessas concretas que podem reescrever o futuro da saúde materno-infantil no Sudoeste da Bahia.

O ministro Rui Costa anunciou que será incluída no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) a construção de uma nova maternidade de alta complexidade para Vitória da Conquista, possivelmente na área do antigo aeroporto. Com isso, o Esaú Matos poderá finalmente respirar, transformando-se em uma maternidade municipal enquanto a nova unidade assume o papel regional que a cidade tanto necessita.

Além disso, há o compromisso formal de habilitar o Centro de Parto Normal (CPN), uma estrutura já pronta que aguarda apenas equipamentos e recursos humanos para começar a oferecer partos humanizados, aliviando a pressão sobre a maternidade principal e proporcionando às mulheres uma experiência mais digna e acolhedora no momento mais vulnerável e sagrado de suas vidas.

A secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, garantiu que o programa Mãe Bahia continuará aportando quase um milhão de reais mensais para manter o hospital funcionando enquanto as soluções estruturais não chegam. É a ponte que sustenta até que se construa o caminho definitivo.

A Esperança Que Nasce Junto

Fernanda Maron, secretária municipal de Saúde, resumiu o sentimento coletivo quando falou sobre a importância deste diálogo tripartite: União, Estado e Município precisam entender que o Esaú Matos não é apenas um equipamento público. É o lugar onde milhares de famílias depositam seus sonhos mais preciosos.

Há algo profundamente humano em saber que, enquanto escrevemos estas linhas, alguma mãe está em trabalho de parto naquele hospital. Algum bebê está dando seu primeiro grito. Alguma avó está chorando de alegria na sala de espera. E tudo isso acontece porque pessoas — gestores públicos, médicos, enfermeiros, auxiliares, recepcionistas — decidiram não desistir.

O vice-prefeito Aloisio Alan tocou no cerne da questão quando disse que este é um momento importante para discutir os problemas da Saúde de Vitória da Conquista. Porque saúde não é apenas orçamento e infraestrutura. Saúde é dignidade. É futuro. É a possibilidade de nascer bem, de ser bem recebido ao mundo.

O Que Está em Jogo

Quando um hospital como o Esaú Matos pede ajuda, não está pedindo favor. Está pedindo justiça. Justiça para as mães que viajam horas para dar à luz em segurança. Justiça para os profissionais que trabalham além de seus limites. Justiça para as crianças que merecem nascer em um ambiente equipado, preparado, digno.

A parceria anunciada nesta sexta-feira entre município, estado e União não é apenas uma questão administrativa. É um pacto de honra com a vida. É o reconhecimento de que nenhuma gestante deveria ter que se preocupar se o hospital terá recursos suficientes no dia do parto. É a promessa de que toda criança nascida no Sudoeste da Bahia terá acesso ao melhor cuidado possível.

O Esaú Matos carregou o peso da região nas costas durante anos. Agora, finalmente, outros braços se estendem para ajudar a carregar. E quando muitos carregam juntos, até o mais pesado se torna leve.

A Vida Que Continua

Enquanto as promessas se transformam em projetos e os projetos em obras, o Esaú Matos continuará fazendo o que sempre fez: dar à luz. Seiscentas vezes por mês. Seiscentas oportunidades de fazer a diferença. Seiscentas vidas que começam ali, amparadas por mãos cansadas mas firmes, por corações exaustos mas esperançosos.

E quando a nova maternidade regional estiver pronta, quando o Centro de Parto Normal estiver funcionando, quando os recursos fluírem como deveriam fluir, talvez possamos olhar para trás e reconhecer: o Esaú Matos não apenas sobreviveu. Ele ensinou a todos nós o significado de resiliência, de compromisso, de amor pela vida.

Porque no final das contas, cada bebê que nasce naquele hospital é uma vitória não apenas médica, mas humana. É a prova de que, mesmo quando tudo parece impossível, há pessoas dispostas a tornar o impossível realidade.

E isso, mais do que qualquer orçamento ou programa governamental, é o que mantém as portas do Esaú Matos abertas: a fé inabalável de que toda vida merece o melhor começo possível.

Que esta seja apenas a primeira página de um novo capítulo — um capítulo onde a saúde materno-infantil no Sudoeste da Bahia finalmente recebe o investimento, o respeito e o cuidado que sempre mereceu.

Onde nascem vidas, nascem esperanças. E hoje, a esperança tem um nome: parceria, compromisso e um futuro que promete ser mais digno para todos.

 

ARTIGO – Um quadro político como Quinho Tigre precisa ser reconhecido pelo Governador

 

 

 (Padre Carlos)

Há momentos na política em que os gestos dizem muito mais do que os discursos. E, neste tabuleiro cada vez mais competitivo da sucessão e da reconfiguração das forças partidárias na Bahia, um quadro político com a envergadura de José Henrique Tigre — o popular Quinho — não pode ser tratado como acessório de luxo, figurante ou nome lateral dentro do projeto que governa o Estado.

Quinho tem lastro eleitoral, musculatura política e uma biografia construída fora das salas refrigeradas da burocracia partidária. Fala com as bases, transita entre prefeitos, mantém pontes com legisladores e, sobretudo, sabe dialogar com quem realmente sustenta o poder: o povo. Esse diferencial não é pouca coisa. E é justamente esse diferencial que torna inaceitável — e politicamente ingênuo — que sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa da Bahia não receba o devido reconhecimento do Palácio de Ondina.

É sintomático que, nas últimas semanas, boatos sobre uma possível aproximação com ACM Neto tenham se propagado com velocidade viral. O vazio político sempre produz ruídos. A falta de atenção sempre cria fissuras. E quando um quadro desse tamanho começa a ser enxergado como subvalorizado, as leituras passam a ganhar tons de realidade. A “desatenção estratégica” tem preço — e costuma ser alto.

Os desmentidos existem, é verdade. E são importantes. Quinho reafirmou fidelidade ao governador Jerônimo Rodrigues, aos projetos de Rui Costa e à liderança de Otto Alencar, incansável articulador do PSD na Bahia. Mas fidelidade política não pode ser romantizada: ela só se sustenta quando é correspondida. Ninguém permanece leal eternamente em troca de silêncio e cadeira lateral.

Quinho fez mais do que negar boatos: abriu a própria casa para receber o governador, o ministro da Casa Civil e aliados. Um gesto simbólico e poderoso. O tipo de gesto que líderes fazem quando querem dizer ao mundo que continuam jogando no time da situação — mas também querem ser vistos como titulares, não reservas.

E aí está o ponto central: reconhecer Quinho não é agradar uma pessoa. É reconhecer capital político real. Ignorar isso nessa altura do jogo é flertar com a miopia eleitoral — algo perigoso, especialmente em ano pré-eleitoral, quando cada aliança, cada sinal e cada gesto se convertem em votos.

A política é feita de peças, mas governada por inteligências. Quem subestima os próprios quadros empurra aliados para os braços de adversários. Quem reconhece os próprios talentos consolida força, fidelidade e vitória.

O governo da Bahia tem a chance — e a necessidade — de valorizar Quinho Tigre. Não por gentileza, mas por estratégia.

E na política, como bem sabem os articuladores, estratégia sigla vitória.

ARTIGO – Um quadro político como Quinho Tigre precisa ser reconhecido pelo Governador

 

 

 (Padre Carlos)

Há momentos na política em que os gestos dizem muito mais do que os discursos. E, neste tabuleiro cada vez mais competitivo da sucessão e da reconfiguração das forças partidárias na Bahia, um quadro político com a envergadura de José Henrique Tigre — o popular Quinho — não pode ser tratado como acessório de luxo, figurante ou nome lateral dentro do projeto que governa o Estado.

Quinho tem lastro eleitoral, musculatura política e uma biografia construída fora das salas refrigeradas da burocracia partidária. Fala com as bases, transita entre prefeitos, mantém pontes com legisladores e, sobretudo, sabe dialogar com quem realmente sustenta o poder: o povo. Esse diferencial não é pouca coisa. E é justamente esse diferencial que torna inaceitável — e politicamente ingênuo — que sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa da Bahia não receba o devido reconhecimento do Palácio de Ondina.

É sintomático que, nas últimas semanas, boatos sobre uma possível aproximação com ACM Neto tenham se propagado com velocidade viral. O vazio político sempre produz ruídos. A falta de atenção sempre cria fissuras. E quando um quadro desse tamanho começa a ser enxergado como subvalorizado, as leituras passam a ganhar tons de realidade. A “desatenção estratégica” tem preço — e costuma ser alto.

Os desmentidos existem, é verdade. E são importantes. Quinho reafirmou fidelidade ao governador Jerônimo Rodrigues, aos projetos de Rui Costa e à liderança de Otto Alencar, incansável articulador do PSD na Bahia. Mas fidelidade política não pode ser romantizada: ela só se sustenta quando é correspondida. Ninguém permanece leal eternamente em troca de silêncio e cadeira lateral.

Quinho fez mais do que negar boatos: abriu a própria casa para receber o governador, o ministro da Casa Civil e aliados. Um gesto simbólico e poderoso. O tipo de gesto que líderes fazem quando querem dizer ao mundo que continuam jogando no time da situação — mas também querem ser vistos como titulares, não reservas.

E aí está o ponto central: reconhecer Quinho não é agradar uma pessoa. É reconhecer capital político real. Ignorar isso nessa altura do jogo é flertar com a miopia eleitoral — algo perigoso, especialmente em ano pré-eleitoral, quando cada aliança, cada sinal e cada gesto se convertem em votos.

A política é feita de peças, mas governada por inteligências. Quem subestima os próprios quadros empurra aliados para os braços de adversários. Quem reconhece os próprios talentos consolida força, fidelidade e vitória.

O governo da Bahia tem a chance — e a necessidade — de valorizar Quinho Tigre. Não por gentileza, mas por estratégia.

E na política, como bem sabem os articuladores, estratégia sigla vitória.

O Brasil da Impunidade: Como a Justiça Blindou os Poderosos e Abandonou os Invisíveis

 

 

Padre Carlos

 

Há algo profundamente dilacerante em assistir, mais uma vez, o espetáculo da impunidade vestir sua melhor roupa de gala e desfilar pelos corredores do poder. Daniel Vorcaro, banqueiro, dono do Banco Master, preso no aeroporto quando fugia para o exterior, já está livre. Tornozeleira eletrônica, disseram. Como se um pedaço de plástico no tornozelo pudesse prender quem tem jatinho na garagem e cobertura de frente para o mar.

Sinto uma dor antiga se reavivando no peito — aquela dor que todo brasileiro carrega como uma cicatriz invisível: a certeza de que nascemos em um país onde a justiça tem endereço, CEP e código de acesso para condomínio fechado. E nós, os de fora do portão, só podemos observar pela grade enquanto o porteiro eletrônico nega nossa entrada.

O Teatro Cruel da Desigualdade

Tornozeleira eletrônica. Deixe-me sorrir com amargura diante desse eufemismo elegante para “liberdade com charme”. Que castigo é esse que permite ao acusado escolher entre sua mansão em Maceió ou seu apartamento em São Paulo para “cumprir” sua pena? Que sofrimento é esse que se resume a não poder viajar para Miami, tendo que se contentar com Búzios?

Enquanto isso, em alguma cela úmida e superlotada deste Brasil, um pai de família apodrece por ter furtado um pacote de fraldas para o filho. Uma mãe chora abraçada às grades porque não conseguiu pagar a fiança de três salários mínimos. Um jovem negro morre antes mesmo do julgamento, assassinado pela presunção de culpa que sua cor de pele carrega como sentença prévia.

Há dois Brasis que habitam o mesmo território, mas jamais se encontram. No Brasil de cima, a lei é uma dama compreensiva, sempre pronta a conceder mais uma chance, a interpretar as circunstâncias com benevolência, a considerar os “bons antecedentes” e a “primariedade”. No Brasil de baixo, a lei é um monstro faminto que devora sonhos, futuro e dignidade sem pestanejar.

A Sofisticação da Impunidade

Compliance Zero, chamaram a operação. Que ironia amarga! Porque o verdadeiro compliance zero é o da nossa justiça em relação aos poderosos. Zero rigor. Zero consequências. Zero vergonha na cara.

Bilhões em títulos falsos, instituições financeiras corrompidas, o Sistema Financeiro Nacional usado como cassino privado de meia dúzia de operadores sem escrúpulos — e o que acontece? Um passeio rápido pelo aeroporto, algumas horas na delegação (com direito a água mineral e cadeira confortável, imagino), e de volta para casa. Lar, doce lar, aquele mesmo que foi comprado com o dinheiro que deveria estar garantindo a aposentadoria de milhares de brasileiros.

Sinto uma indignação que queima, que arde, que corrói por dentro. Não é apenas raiva — é luto. É o luto pela nação que poderíamos ter sido e nunca seremos enquanto a justiça for um privilégio, não um direito.

O Peso Desigual da Lei

A Juíza Solange Salgado da Silva, em sua infinita sabedoria, estendeu a liberdade aos demais investigados. Todos livres. Todos protegidos. Todos confortáveis. Enquanto isso, quantas audiências de custódia nesta mesma semana decretaram a prisão preventiva de pessoas que mal têm advogado, quanto mais jatinho?

Esse é o Brasil que nos parte ao meio: onde a presunção de inocência é proporcional ao saldo bancário. Onde o direito de defesa é tão amplo quanto a cobertura do seu plano de saúde. Onde a liberdade se mede em metros quadrados de propriedade.

E nós? Nós, que acordamos cedo, pegamos ônibus lotado, pagamos nossos impostos, seguimos as regras? Nós somos os tolos desta história. Os palhaços do circo da legalidade. Porque acreditamos — ainda acreditamos, com uma teimosia que beira o heroísmo — que um dia as coisas vão mudar.

A Dor Que Nos Une

Mas o que mais dói, o que verdadeiramente arranca pedaços da alma, é saber que amanhã haverá outra operação, outro escândalo, outra prisão espetaculosa seguida de outra soltura discreta. É um ciclo, uma roda gigante da impunidade que gira e gira, sempre com os mesmos personagens subindo e descendo, mas nunca realmente caindo.

O Brasil não é um país sério enquanto rico não ficar preso. Enquanto a tornozeleira eletrônica for a pior punição que um bilionário enfrenta por devastar a economia nacional. Enquanto a vista para o mar de Maceió for o cenário do “sofrimento” de quem roubou o futuro de milhões.

Escrevo estas linhas com o coração apertado, com a garganta seca de tanto gritar no silêncio. Escrevo porque é tudo que me resta: transformar a indignação em palavras, a revolta em tinta, o desespero em arte. Porque se não registrarmos essa dor, se não nomearmos essa injustiça, ela continuará se repetindo até que nos acostumemos completamente com ela.

E eu me recuso a me acostumar. Me recuso a aceitar que este seja o destino inexorável do meu país. Me recuso a deixar de sentir essa dor que queima — porque o dia em que não doer mais, no dia em que não indignar mais, será o dia em que nos tornaremos cúmplices silenciosos deste teatro grotesco.

Então que continue doendo. Que continue queimando. Que essa chama da indignação jamais se apague, porque é ela que nos mantém humanos em meio à desumanidade institucionalizada.

Rico não fica na cadeia, é verdade. Mas um dia — e que esse dia chegue logo — a História colocará cada um em seu devido lugar. E não haverá tornozeleira eletrônica que escape desse julgamento final.

O Brasil da Impunidade: Como a Justiça Blindou os Poderosos e Abandonou os Invisíveis

 

 

Padre Carlos

 

Há algo profundamente dilacerante em assistir, mais uma vez, o espetáculo da impunidade vestir sua melhor roupa de gala e desfilar pelos corredores do poder. Daniel Vorcaro, banqueiro, dono do Banco Master, preso no aeroporto quando fugia para o exterior, já está livre. Tornozeleira eletrônica, disseram. Como se um pedaço de plástico no tornozelo pudesse prender quem tem jatinho na garagem e cobertura de frente para o mar.

Sinto uma dor antiga se reavivando no peito — aquela dor que todo brasileiro carrega como uma cicatriz invisível: a certeza de que nascemos em um país onde a justiça tem endereço, CEP e código de acesso para condomínio fechado. E nós, os de fora do portão, só podemos observar pela grade enquanto o porteiro eletrônico nega nossa entrada.

O Teatro Cruel da Desigualdade

Tornozeleira eletrônica. Deixe-me sorrir com amargura diante desse eufemismo elegante para “liberdade com charme”. Que castigo é esse que permite ao acusado escolher entre sua mansão em Maceió ou seu apartamento em São Paulo para “cumprir” sua pena? Que sofrimento é esse que se resume a não poder viajar para Miami, tendo que se contentar com Búzios?

Enquanto isso, em alguma cela úmida e superlotada deste Brasil, um pai de família apodrece por ter furtado um pacote de fraldas para o filho. Uma mãe chora abraçada às grades porque não conseguiu pagar a fiança de três salários mínimos. Um jovem negro morre antes mesmo do julgamento, assassinado pela presunção de culpa que sua cor de pele carrega como sentença prévia.

Há dois Brasis que habitam o mesmo território, mas jamais se encontram. No Brasil de cima, a lei é uma dama compreensiva, sempre pronta a conceder mais uma chance, a interpretar as circunstâncias com benevolência, a considerar os “bons antecedentes” e a “primariedade”. No Brasil de baixo, a lei é um monstro faminto que devora sonhos, futuro e dignidade sem pestanejar.

A Sofisticação da Impunidade

Compliance Zero, chamaram a operação. Que ironia amarga! Porque o verdadeiro compliance zero é o da nossa justiça em relação aos poderosos. Zero rigor. Zero consequências. Zero vergonha na cara.

Bilhões em títulos falsos, instituições financeiras corrompidas, o Sistema Financeiro Nacional usado como cassino privado de meia dúzia de operadores sem escrúpulos — e o que acontece? Um passeio rápido pelo aeroporto, algumas horas na delegação (com direito a água mineral e cadeira confortável, imagino), e de volta para casa. Lar, doce lar, aquele mesmo que foi comprado com o dinheiro que deveria estar garantindo a aposentadoria de milhares de brasileiros.

Sinto uma indignação que queima, que arde, que corrói por dentro. Não é apenas raiva — é luto. É o luto pela nação que poderíamos ter sido e nunca seremos enquanto a justiça for um privilégio, não um direito.

O Peso Desigual da Lei

A Juíza Solange Salgado da Silva, em sua infinita sabedoria, estendeu a liberdade aos demais investigados. Todos livres. Todos protegidos. Todos confortáveis. Enquanto isso, quantas audiências de custódia nesta mesma semana decretaram a prisão preventiva de pessoas que mal têm advogado, quanto mais jatinho?

Esse é o Brasil que nos parte ao meio: onde a presunção de inocência é proporcional ao saldo bancário. Onde o direito de defesa é tão amplo quanto a cobertura do seu plano de saúde. Onde a liberdade se mede em metros quadrados de propriedade.

E nós? Nós, que acordamos cedo, pegamos ônibus lotado, pagamos nossos impostos, seguimos as regras? Nós somos os tolos desta história. Os palhaços do circo da legalidade. Porque acreditamos — ainda acreditamos, com uma teimosia que beira o heroísmo — que um dia as coisas vão mudar.

A Dor Que Nos Une

Mas o que mais dói, o que verdadeiramente arranca pedaços da alma, é saber que amanhã haverá outra operação, outro escândalo, outra prisão espetaculosa seguida de outra soltura discreta. É um ciclo, uma roda gigante da impunidade que gira e gira, sempre com os mesmos personagens subindo e descendo, mas nunca realmente caindo.

O Brasil não é um país sério enquanto rico não ficar preso. Enquanto a tornozeleira eletrônica for a pior punição que um bilionário enfrenta por devastar a economia nacional. Enquanto a vista para o mar de Maceió for o cenário do “sofrimento” de quem roubou o futuro de milhões.

Escrevo estas linhas com o coração apertado, com a garganta seca de tanto gritar no silêncio. Escrevo porque é tudo que me resta: transformar a indignação em palavras, a revolta em tinta, o desespero em arte. Porque se não registrarmos essa dor, se não nomearmos essa injustiça, ela continuará se repetindo até que nos acostumemos completamente com ela.

E eu me recuso a me acostumar. Me recuso a aceitar que este seja o destino inexorável do meu país. Me recuso a deixar de sentir essa dor que queima — porque o dia em que não doer mais, no dia em que não indignar mais, será o dia em que nos tornaremos cúmplices silenciosos deste teatro grotesco.

Então que continue doendo. Que continue queimando. Que essa chama da indignação jamais se apague, porque é ela que nos mantém humanos em meio à desumanidade institucionalizada.

Rico não fica na cadeia, é verdade. Mas um dia — e que esse dia chegue logo — a História colocará cada um em seu devido lugar. E não haverá tornozeleira eletrônica que escape desse julgamento final.

ARTIGO – Quando a Política dá as Mãos à Saúde: Um Encontro que Vitória da Conquista Não Pode Ignorar

 

 

 

 (Padre Carlos)

A cena política conquistense ganhou hoje um capítulo raro — e, para muitos, inesperado. A prefeita Sheila Lemos, conhecida por caminhar em campo político totalmente oposto ao do governador Jerônimo Rodrigues e do ministro da Casa Civil Rui Costa, decidiu comparecer à inauguração dos novos serviços do Complexo Hospitalar de Vitória da Conquista. Um gesto simples? Não. Um gesto simbólico? Profundamente.

Em tempos de polarização, quando divergências partidárias frequentemente paralisam decisões estratégicas e emperram políticas públicas, a presença da gestora municipal ao lado das maiores forças políticas do Estado representa algo além da cortesia institucional. Representa maturidade pública. Representa que, ao menos por um momento, a saúde venceu a briga ideológica.

O novo serviço de Radioterapia do Hospital de Base — palavra-chave que faz o Google despertar, pois remete diretamente às buscas mais urgentes em saúde pública — e a ampliação do Complexo com o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) simbolizam avanço, investimento, desenvolvimento e impacto social direto na vida da população. São conquistas estruturais para uma cidade que se tornou referência para toda a região sudoeste e até para o norte de Minas Gerais.

Por outro lado, não sejamos ingênuos: política nunca age sem cálculo. A prefeitura cedeu o terreno para a ampliação, o governo estadual prometeu o tão aguardado projeto de expansão do Hospital Materno-Infantil Esaú Matos — e todos os lados sabem que a saúde pública é hoje um dos principais termômetros eleitorais. Mas se os cálculos políticos resultam em benefícios reais ao povo, então, por mais paradoxal que pareça, talvez pela primeira vez os interesses políticos e os interesses públicos estejam andando na mesma direção.

É cedo para dizer se a trégua é duradoura ou se passa apenas por uma fotografia conveniente. Cedo para saber se Sheila cumprirá toda a agenda do governador pela cidade ou se esse encontro ficará restrito à inauguração. Mas uma coisa está feita: a imagem de união institucional foi registrada — e isso importa.

A população não quer ver Jerônimo contra Sheila, UB contra PT, Brasília contra Salvador. A população quer equipamento funcionando, fila diminuindo, radioterapia acessível, maternidade ampliada, atendimento digno. A população quer o que sempre mereceu: saúde pública de verdade.

Hoje, Vitória da Conquista viu que isso é possível. E talvez, apenas talvez, tenha nascido ali o começo de uma nova página: a da política que pensa na cidade.

 

ARTIGO – Quando a Política dá as Mãos à Saúde: Um Encontro que Vitória da Conquista Não Pode Ignorar

 

 

 

 (Padre Carlos)

A cena política conquistense ganhou hoje um capítulo raro — e, para muitos, inesperado. A prefeita Sheila Lemos, conhecida por caminhar em campo político totalmente oposto ao do governador Jerônimo Rodrigues e do ministro da Casa Civil Rui Costa, decidiu comparecer à inauguração dos novos serviços do Complexo Hospitalar de Vitória da Conquista. Um gesto simples? Não. Um gesto simbólico? Profundamente.

Em tempos de polarização, quando divergências partidárias frequentemente paralisam decisões estratégicas e emperram políticas públicas, a presença da gestora municipal ao lado das maiores forças políticas do Estado representa algo além da cortesia institucional. Representa maturidade pública. Representa que, ao menos por um momento, a saúde venceu a briga ideológica.

O novo serviço de Radioterapia do Hospital de Base — palavra-chave que faz o Google despertar, pois remete diretamente às buscas mais urgentes em saúde pública — e a ampliação do Complexo com o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) simbolizam avanço, investimento, desenvolvimento e impacto social direto na vida da população. São conquistas estruturais para uma cidade que se tornou referência para toda a região sudoeste e até para o norte de Minas Gerais.

Por outro lado, não sejamos ingênuos: política nunca age sem cálculo. A prefeitura cedeu o terreno para a ampliação, o governo estadual prometeu o tão aguardado projeto de expansão do Hospital Materno-Infantil Esaú Matos — e todos os lados sabem que a saúde pública é hoje um dos principais termômetros eleitorais. Mas se os cálculos políticos resultam em benefícios reais ao povo, então, por mais paradoxal que pareça, talvez pela primeira vez os interesses políticos e os interesses públicos estejam andando na mesma direção.

É cedo para dizer se a trégua é duradoura ou se passa apenas por uma fotografia conveniente. Cedo para saber se Sheila cumprirá toda a agenda do governador pela cidade ou se esse encontro ficará restrito à inauguração. Mas uma coisa está feita: a imagem de união institucional foi registrada — e isso importa.

A população não quer ver Jerônimo contra Sheila, UB contra PT, Brasília contra Salvador. A população quer equipamento funcionando, fila diminuindo, radioterapia acessível, maternidade ampliada, atendimento digno. A população quer o que sempre mereceu: saúde pública de verdade.

Hoje, Vitória da Conquista viu que isso é possível. E talvez, apenas talvez, tenha nascido ali o começo de uma nova página: a da política que pensa na cidade.

 

ARTIGO – A Nova Lei Orgânica: Um Presente Parlamentar para a História de Vitória da Conquista

 

 

 (Padre Carlos)

 

Há acontecimentos que ultrapassam a rotina política e inauguram épocas. A promulgação da nova Lei Orgânica do Município de Vitória da Conquista, com seus 360 artigos, aprovada em dois turnos por unanimidade, não é apenas um ato jurídico — é um marco civilizatório para a democracia conquistense. E se a cidade hoje celebra uma Constituição Municipal renovada, é porque houve liderança, visão institucional e coragem política.

A Mesa Diretora da Câmara Municipal — sob a presidência de Ivan Cordeiro Silva Filho, com Luciano Gomes Lisboa como primeiro vice-presidente, Cristiane Santos Rocha como segunda vice-presidente, Hermínio Oliveira Neto como primeiro secretário e Gilvan Nunes Pereira como segundo secretário — cumpriu um papel que entra para os registros da memória pública. Não se trata de formalidade: a coesão, o planejamento, o zelo legislativo e a condução firme dessa equipe foram decisivos para entregar à população um documento estruturante, moderno e alinhado ao ordenamento constitucional vigente.

Em um país onde muitas Casas Legislativas se rendem ao improviso e à paralisia, Vitória da Conquista viveu o contrário: uma demonstração exemplar de organização parlamentar, maturidade política e respeito à cidadania. Conduzir uma votação que exige quórum qualificado de 2/3 já é um desafio notável; aprová-la por unanimidade em dois turnos é algo que só acontece quando há liderança sólida e compromisso comum com o interesse público.

O presidente Ivan Cordeiro, ao dirigir com responsabilidade e firmeza todo o processo legislativo, evidencia que a política pode ser, sim, um instrumento de grandeza. Não foi obra de um homem só — mas toda grande obra exige quem a conduza. E ao lado de uma Mesa Diretora coesa e atuante, a Câmara não apenas revisou a Lei Orgânica — entregou à cidade um presente institucional, uma base legal construída para sustentar o desenvolvimento urbano, a cidadania, a participação popular, a transparência pública e o fortalecimento do poder legislativo.

Em tempos de descrédito institucional, essa conquista devolve esperança. A nova Lei Orgânica é um contrato social renovado, um pacto democrático capaz de garantir segurança jurídica, governança responsável e futuro. Não nasce do acaso: nasce do trabalho político sério, do diálogo interno, da articulação parlamentar e da compreensão de que a cidade vem antes de qualquer interesse particular.

O dia 28 de novembro de 2025 ficará marcado como um capítulo luminoso na história de Vitória da Conquista. E quando os livros registrarem esse momento, será impossível não lembrar de quem firmou sua assinatura nele: a Mesa Diretora que soube transformar vontade política em legado, que soube fazer da lei um gesto de amor institucional pela cidade.

Promulgar é só o início. Cumprir é o caminho. E guardar na memória coletiva — como se guarda um presente raro — é o dever de uma cidade que reconhece quando sua democracia alcança grandeza.

ARTIGO – A Nova Lei Orgânica: Um Presente Parlamentar para a História de Vitória da Conquista

 

 

 (Padre Carlos)

 

Há acontecimentos que ultrapassam a rotina política e inauguram épocas. A promulgação da nova Lei Orgânica do Município de Vitória da Conquista, com seus 360 artigos, aprovada em dois turnos por unanimidade, não é apenas um ato jurídico — é um marco civilizatório para a democracia conquistense. E se a cidade hoje celebra uma Constituição Municipal renovada, é porque houve liderança, visão institucional e coragem política.

A Mesa Diretora da Câmara Municipal — sob a presidência de Ivan Cordeiro Silva Filho, com Luciano Gomes Lisboa como primeiro vice-presidente, Cristiane Santos Rocha como segunda vice-presidente, Hermínio Oliveira Neto como primeiro secretário e Gilvan Nunes Pereira como segundo secretário — cumpriu um papel que entra para os registros da memória pública. Não se trata de formalidade: a coesão, o planejamento, o zelo legislativo e a condução firme dessa equipe foram decisivos para entregar à população um documento estruturante, moderno e alinhado ao ordenamento constitucional vigente.

Em um país onde muitas Casas Legislativas se rendem ao improviso e à paralisia, Vitória da Conquista viveu o contrário: uma demonstração exemplar de organização parlamentar, maturidade política e respeito à cidadania. Conduzir uma votação que exige quórum qualificado de 2/3 já é um desafio notável; aprová-la por unanimidade em dois turnos é algo que só acontece quando há liderança sólida e compromisso comum com o interesse público.

O presidente Ivan Cordeiro, ao dirigir com responsabilidade e firmeza todo o processo legislativo, evidencia que a política pode ser, sim, um instrumento de grandeza. Não foi obra de um homem só — mas toda grande obra exige quem a conduza. E ao lado de uma Mesa Diretora coesa e atuante, a Câmara não apenas revisou a Lei Orgânica — entregou à cidade um presente institucional, uma base legal construída para sustentar o desenvolvimento urbano, a cidadania, a participação popular, a transparência pública e o fortalecimento do poder legislativo.

Em tempos de descrédito institucional, essa conquista devolve esperança. A nova Lei Orgânica é um contrato social renovado, um pacto democrático capaz de garantir segurança jurídica, governança responsável e futuro. Não nasce do acaso: nasce do trabalho político sério, do diálogo interno, da articulação parlamentar e da compreensão de que a cidade vem antes de qualquer interesse particular.

O dia 28 de novembro de 2025 ficará marcado como um capítulo luminoso na história de Vitória da Conquista. E quando os livros registrarem esse momento, será impossível não lembrar de quem firmou sua assinatura nele: a Mesa Diretora que soube transformar vontade política em legado, que soube fazer da lei um gesto de amor institucional pela cidade.

Promulgar é só o início. Cumprir é o caminho. E guardar na memória coletiva — como se guarda um presente raro — é o dever de uma cidade que reconhece quando sua democracia alcança grandeza.

ARTIGO – O Fim da Aura de Intocável: PL Suspende Bolsonaro e Enterra o Último Mito

 

 

(Padre Carlos)

 

Há fatos na política que não causam surpresa — mas provocam ruídos sísmicos. A decisão do Partido Liberal (PL) de suspender Jair Bolsonaro de suas funções e cortar sua remuneração é exatamente esse tipo de acontecimento: esperado por uns, negado por outros, mas inevitável diante da realidade.
O homem que por anos serviu como locomotiva eleitoral do partido, símbolo de mobilização das massas conservadoras, acaba agora isolado, encarcerado na sede da Polícia Federal, e amputado de sua influência institucional. A nota oficial é clara: trata-se de um efeito obrigatório da Lei 9.096/95 e da suspensão dos direitos políticos decorrente da Ação Penal 2668, que o condenou por tentativa de golpe de Estado.

O que salta aos olhos, entretanto, não é a letra fria da lei, mas o cálculo político. O PL entendeu que manter Bolsonaro como presidente de honra, recebendo remuneração e exercendo influência, significaria compartilhar o ônus de tê-lo como símbolo num momento em que o bolsonarismo está judicialmente sitiado. Ou seja: quando ajudava a eleger governadores, deputados e prefeitos, era patrimônio. Agora, quando a Justiça o cerra atrás das grades, virou passivo.

O “mito”, portanto, foi suspenso como quem suspende um funcionário incômodo. O discurso inflamado cedeu lugar ao silêncio burocrático. A lealdade da legenda se mostrou com prazo de validade. E se há quem enxergue nessa decisão apenas cumprimento formal da lei, é preciso dizer: não há ingenuidade na política. O PL preserva apenas o que gera votos — e afasta o que ameaça o futuro eleitoral de seus quadros.

O bolsonarismo sobrevive socialmente, nas ruas, nas redes, nos grupos de WhatsApp, nos fiéis seguidores que continuam acreditando num líder político perseguido. Mas Bolsonaro, como figura institucional, sofre hoje o maior golpe de sua trajetória: vê ruir a aura de intocável que sustentou sua carreira, sua militância e sua narrativa de poder.

Esse episódio marca uma virada histórica. Não é apenas a suspensão de um político; é o atestado oficial de que o sistema que ele sempre combateu o engoliu — e que os aliados que juravam fidelidade agora aprenderam a viver sem ele.

O PL lavou as mãos, e a política brasileira entra em um novo capítulo. Se o bolsonarismo terá força para sobreviver sem Bolsonaro, o futuro dirá. Mas o fato é que, no jogo de poder, o mito caiu — e, desta vez, não há live que o ressuscite.

ARTIGO – O Fim da Aura de Intocável: PL Suspende Bolsonaro e Enterra o Último Mito

 

 

(Padre Carlos)

 

Há fatos na política que não causam surpresa — mas provocam ruídos sísmicos. A decisão do Partido Liberal (PL) de suspender Jair Bolsonaro de suas funções e cortar sua remuneração é exatamente esse tipo de acontecimento: esperado por uns, negado por outros, mas inevitável diante da realidade.
O homem que por anos serviu como locomotiva eleitoral do partido, símbolo de mobilização das massas conservadoras, acaba agora isolado, encarcerado na sede da Polícia Federal, e amputado de sua influência institucional. A nota oficial é clara: trata-se de um efeito obrigatório da Lei 9.096/95 e da suspensão dos direitos políticos decorrente da Ação Penal 2668, que o condenou por tentativa de golpe de Estado.

O que salta aos olhos, entretanto, não é a letra fria da lei, mas o cálculo político. O PL entendeu que manter Bolsonaro como presidente de honra, recebendo remuneração e exercendo influência, significaria compartilhar o ônus de tê-lo como símbolo num momento em que o bolsonarismo está judicialmente sitiado. Ou seja: quando ajudava a eleger governadores, deputados e prefeitos, era patrimônio. Agora, quando a Justiça o cerra atrás das grades, virou passivo.

O “mito”, portanto, foi suspenso como quem suspende um funcionário incômodo. O discurso inflamado cedeu lugar ao silêncio burocrático. A lealdade da legenda se mostrou com prazo de validade. E se há quem enxergue nessa decisão apenas cumprimento formal da lei, é preciso dizer: não há ingenuidade na política. O PL preserva apenas o que gera votos — e afasta o que ameaça o futuro eleitoral de seus quadros.

O bolsonarismo sobrevive socialmente, nas ruas, nas redes, nos grupos de WhatsApp, nos fiéis seguidores que continuam acreditando num líder político perseguido. Mas Bolsonaro, como figura institucional, sofre hoje o maior golpe de sua trajetória: vê ruir a aura de intocável que sustentou sua carreira, sua militância e sua narrativa de poder.

Esse episódio marca uma virada histórica. Não é apenas a suspensão de um político; é o atestado oficial de que o sistema que ele sempre combateu o engoliu — e que os aliados que juravam fidelidade agora aprenderam a viver sem ele.

O PL lavou as mãos, e a política brasileira entra em um novo capítulo. Se o bolsonarismo terá força para sobreviver sem Bolsonaro, o futuro dirá. Mas o fato é que, no jogo de poder, o mito caiu — e, desta vez, não há live que o ressuscite.

ARTIGO – O Professor que se tornou patrimônio humano do interior baiano

 

 

(Padre Carlos)

Há homens que passam pela vida deixando rastros. E há aqueles que deixam marcas. A história de Guilherme Menezes de Andrade, esse filho de Iguaí, nascido em 12 de dezembro de 1943, ultrapassa a condição de personagem histórico para assumir o posto de patrimônio humano da educação e da vida pública no interior da Bahia. Antes de ocupar cargos, exercer liderança ou ser reconhecido na política, Guilherme foi — e permaneceu sendo — professor, profissão que molda consciências e constrói cidadania.

O episódio narrado em seu início de carreira, quando foi professor da Escola Cachoeirinha das Araras no então povoado Fundo de Porcos, define com precisão o homem por trás do nome. Quando perguntado se aceitaria assumir a escola, não pediu tempo para pensar, não exigiu garantias, não condicionou sua decisão a conveniências pessoais. Apenas disse: “Se quiser, posso montar a escola.” E quando lhe questionaram “Quando?”, respondeu sem hesitar: “Agora!”.

Uma escolha simples, mas que selou uma trajetória gigante. Em uma noite, embarcou em um caminhão com Seu Leoni rumo ao povoado. Dormia numa rede, com um pote d’água, um violão, um gravador para registrar histórias e uma mala de roupas no chão. Era o início de um educador vocacionado, de alguém que alfabetizou 84 pessoas em condições adversas e deixou muito mais que palavras escritas: deixou autoestima, dignidade e pertencimento.

Por iniciativa dele, o lugar deixou de ser o estigmatizado “Fundo de Porcos” e passou a se chamar “Cachoeirinha das Araras”, nome construído com a participação dos moradores. Educação aqui não foi apenas quadro, giz e caderno — foi identidade, valorização, reconstrução social.

O tempo passou, e o professor virou gestor, administrador, homem público. Mas seria injusto reduzir Guilherme Menezes à política. Sua grandeza esteve sempre no vínculo humano. Antes de governar, ele escutava; antes de decidir, conhecia a realidade; antes de falar pelo povo, vivia com o povo.

Em tempos de disputas, fake news, marketing eleitoral e esquecimentos oportunistas da história, é necessário reafirmar: Guilherme Menezes não construiu currículo — construiu legado. Sua passagem pela vida pública — seja como prefeito respeitado, gestor visionário ou articulador social — só fez sentido porque nasceu na sala de aula, no chão de terra batida de um povoado escondido no mapa da Bahia.

Homenagear Guilherme não é erguer estátuas. É preservar a memória de que o interior também produz gigantes, e que a educação é sempre a raiz mais profunda de toda transformação social.

ARTIGO – O Professor que se tornou patrimônio humano do interior baiano

 

 

(Padre Carlos)

Há homens que passam pela vida deixando rastros. E há aqueles que deixam marcas. A história de Guilherme Menezes de Andrade, esse filho de Iguaí, nascido em 12 de dezembro de 1943, ultrapassa a condição de personagem histórico para assumir o posto de patrimônio humano da educação e da vida pública no interior da Bahia. Antes de ocupar cargos, exercer liderança ou ser reconhecido na política, Guilherme foi — e permaneceu sendo — professor, profissão que molda consciências e constrói cidadania.

O episódio narrado em seu início de carreira, quando foi professor da Escola Cachoeirinha das Araras no então povoado Fundo de Porcos, define com precisão o homem por trás do nome. Quando perguntado se aceitaria assumir a escola, não pediu tempo para pensar, não exigiu garantias, não condicionou sua decisão a conveniências pessoais. Apenas disse: “Se quiser, posso montar a escola.” E quando lhe questionaram “Quando?”, respondeu sem hesitar: “Agora!”.

Uma escolha simples, mas que selou uma trajetória gigante. Em uma noite, embarcou em um caminhão com Seu Leoni rumo ao povoado. Dormia numa rede, com um pote d’água, um violão, um gravador para registrar histórias e uma mala de roupas no chão. Era o início de um educador vocacionado, de alguém que alfabetizou 84 pessoas em condições adversas e deixou muito mais que palavras escritas: deixou autoestima, dignidade e pertencimento.

Por iniciativa dele, o lugar deixou de ser o estigmatizado “Fundo de Porcos” e passou a se chamar “Cachoeirinha das Araras”, nome construído com a participação dos moradores. Educação aqui não foi apenas quadro, giz e caderno — foi identidade, valorização, reconstrução social.

O tempo passou, e o professor virou gestor, administrador, homem público. Mas seria injusto reduzir Guilherme Menezes à política. Sua grandeza esteve sempre no vínculo humano. Antes de governar, ele escutava; antes de decidir, conhecia a realidade; antes de falar pelo povo, vivia com o povo.

Em tempos de disputas, fake news, marketing eleitoral e esquecimentos oportunistas da história, é necessário reafirmar: Guilherme Menezes não construiu currículo — construiu legado. Sua passagem pela vida pública — seja como prefeito respeitado, gestor visionário ou articulador social — só fez sentido porque nasceu na sala de aula, no chão de terra batida de um povoado escondido no mapa da Bahia.

Homenagear Guilherme não é erguer estátuas. É preservar a memória de que o interior também produz gigantes, e que a educação é sempre a raiz mais profunda de toda transformação social.

ARTIGO – O deputado da selfie e o asfalto eleitoral

 

 

(Padre Carlos)

É impressionante como obras públicas em Vitória da Conquista seguem um calendário “divino”: não o calendário fiscal, não o calendário das necessidades da população — mas o calendário eleitoral. Por meses, anos, uma obra fica lá, abandonada, largada como sucata urbana, servindo apenas para estatísticas de acidentes e manchetes trágicas. Mas é só o cheiro de campanha política soprar que, num passe de mágica, máquinas, operários e sorrisos cinematográficos surgem como se a cidade fosse um estúdio de filme pré-eleitoral.

O exemplo mais recente dispensa esforço: a tão esperada pavimentação da Avenida Brasil, ligando a Urbis I à Avenida Presidente Vargas. Durante longos anos, o povo viu a obra parada, servindo de armadilha para motoristas e pedestres, uma verdadeira cicatriz da falta de infraestrutura urbana. A imprensa denunciou, moradores imploraram, famílias choraram diante das tragédias — e o tal deputado local? Mutismo. Silêncio ensurdecedor digno de quem acredita que o povo é cego, surdo e manso.

Agora que a obra está quase concluída, pronto: lá vem o ilustre representante do povo, sorridente, posando para foto, filmando para redes sociais, distribuindo sorrisos e promessas, como se ele tivesse sido o herói desse asfalto tardio. É o manual perfeito do oportunismo eleitoral: não moveu um dedo quando vidas estavam sendo ceifadas, mas aparece para ser o padrinho da obra quando os holofotes começam a acender.

E, como sempre, a legenda é previsível: “Mais uma conquista para nosso povo”. Conquista? Para quem? Porque quem perdeu familiares e amigos na via da morte nunca verá selfie apagar a dor. A avenida poderia estar pronta há três anos — TRÊS. Mas só interessou quando passou a render voto.

O povo está cansado, deputado. A paciência acabou. Essa política velha — a de inaugurar obras públicas em ano eleitoral, a de ressuscitar projetos prestes a virar música de campanha, a de transformar máquina pública em outdoor ambulante — precisa ser enterrada. A cidade já ultrapassou esse tipo de teatro, mesmo que alguns políticos ainda pensem que Vitória da Conquista vive na década de 1990.

E já que Vossa Excelência gosta tanto de lutar, que tal lutar pelo que realmente importa? Se quer mostrar força, lute para que a concessão da Rio–Bahia saia do papel, já que o governo Federal resolveu adiá-la mais uma vez, condenando a cidade a mais um ano de caos. Lute por viadutos e passarelas para salvar vidas na BR que corta a cidade como roleta russa. Lute pela duplicação da Rio–Bahia, pela proteção do cidadão, pela dignidade urbana que faz a diferença entre viver e morrer.

Enfim, deputado, lute por quem vota — e não por quem curte selfie de obra pronta. O povo não é ingênuo. O povo está atento. E desta vez, a avenida não leva ao esquecimento: leva à memória eleitoral de uma cidade que aprendeu a identificar falsos heróis.

ARTIGO – O deputado da selfie e o asfalto eleitoral

 

 

(Padre Carlos)

É impressionante como obras públicas em Vitória da Conquista seguem um calendário “divino”: não o calendário fiscal, não o calendário das necessidades da população — mas o calendário eleitoral. Por meses, anos, uma obra fica lá, abandonada, largada como sucata urbana, servindo apenas para estatísticas de acidentes e manchetes trágicas. Mas é só o cheiro de campanha política soprar que, num passe de mágica, máquinas, operários e sorrisos cinematográficos surgem como se a cidade fosse um estúdio de filme pré-eleitoral.

O exemplo mais recente dispensa esforço: a tão esperada pavimentação da Avenida Brasil, ligando a Urbis I à Avenida Presidente Vargas. Durante longos anos, o povo viu a obra parada, servindo de armadilha para motoristas e pedestres, uma verdadeira cicatriz da falta de infraestrutura urbana. A imprensa denunciou, moradores imploraram, famílias choraram diante das tragédias — e o tal deputado local? Mutismo. Silêncio ensurdecedor digno de quem acredita que o povo é cego, surdo e manso.

Agora que a obra está quase concluída, pronto: lá vem o ilustre representante do povo, sorridente, posando para foto, filmando para redes sociais, distribuindo sorrisos e promessas, como se ele tivesse sido o herói desse asfalto tardio. É o manual perfeito do oportunismo eleitoral: não moveu um dedo quando vidas estavam sendo ceifadas, mas aparece para ser o padrinho da obra quando os holofotes começam a acender.

E, como sempre, a legenda é previsível: “Mais uma conquista para nosso povo”. Conquista? Para quem? Porque quem perdeu familiares e amigos na via da morte nunca verá selfie apagar a dor. A avenida poderia estar pronta há três anos — TRÊS. Mas só interessou quando passou a render voto.

O povo está cansado, deputado. A paciência acabou. Essa política velha — a de inaugurar obras públicas em ano eleitoral, a de ressuscitar projetos prestes a virar música de campanha, a de transformar máquina pública em outdoor ambulante — precisa ser enterrada. A cidade já ultrapassou esse tipo de teatro, mesmo que alguns políticos ainda pensem que Vitória da Conquista vive na década de 1990.

E já que Vossa Excelência gosta tanto de lutar, que tal lutar pelo que realmente importa? Se quer mostrar força, lute para que a concessão da Rio–Bahia saia do papel, já que o governo Federal resolveu adiá-la mais uma vez, condenando a cidade a mais um ano de caos. Lute por viadutos e passarelas para salvar vidas na BR que corta a cidade como roleta russa. Lute pela duplicação da Rio–Bahia, pela proteção do cidadão, pela dignidade urbana que faz a diferença entre viver e morrer.

Enfim, deputado, lute por quem vota — e não por quem curte selfie de obra pronta. O povo não é ingênuo. O povo está atento. E desta vez, a avenida não leva ao esquecimento: leva à memória eleitoral de uma cidade que aprendeu a identificar falsos heróis.

O Peso da Justiça e o Silêncio das Fardas

 

 

 

Padre Carlos

 

Há momentos na história de uma nação em que o tempo parece suspender-se, como se o próprio ar hesitasse antes de testemunhar um capítulo que jamais imaginaríamos escrever. Nesta semana, vimos homens que um dia vestiram fardas de honra, que juraram proteger a Constituição com suas próprias vidas, serem recolhidos aos lugares onde agora cumprirão penas que atravessarão décadas de suas existências.

Demorou. Sim, demorou. E nessa demora, quantas noites de insônia viveram aqueles que acreditam na democracia? Quantas lágrimas foram derramadas por cidadãos comuns que viram suas esperanças ameaçadas por aqueles que deveriam ser seus guardiões?

O Almirante Almir Garnier estava em uma academia quando a Justiça o encontrou. Uma academia – esse lugar onde tantos de nós buscamos fortificar o corpo, construir resistência, moldar nossa melhor versão. A ironia é dolorosa: um homem que dedicou décadas ao mar, ao comando, à disciplina militar, agora será lembrado não pelos oceanos que navegou, mas pelas correntes que escolheu para tentar aprisionar a democracia.

Vinte e sete anos e três meses. Este é o tempo que Jair Bolsonaro, um homem que ocupou a mais alta cadeira da República, passará atrás das grades. São anos que poderiam ter sido de velhice tranquila, de netos no colo, de pôr do sol contemplado em paz. Mas a história cobra seu preço – sempre cobra. E o preço da traição à pátria não é pago em moeda comum, mas em dias que não voltam, em liberdades que se evaporam, em um legado manchado irreversivelmente.

Há algo profundamente perturbador em ver generais – homens que carregaram estrelas nos ombros – serem recolhidos como criminosos comuns. Augusto Heleno, preso na casa da filha. Conseguimos imaginar essa cena? A dor nos olhos de uma filha vendo seu pai algemado? Paulo Sergio Nogueira, retirado de sua residência. Quantas decisões foram tomadas naquela casa que levaram a esse momento? Anderson Torres, encontrado no escritório de seu advogado, como se as últimas palavras de defesa pudessem ainda protegê-lo do inevitável.

Mas não nos enganemos: esta não é uma tragédia pessoal. É uma tragédia coletiva que nos obriga a olhar para o espelho e perguntar: como chegamos aqui? Como permitimos que aqueles investidos de tanto poder, de tanta confiança, chegassem tão perto de destruir tudo o que levamos décadas para construir?

A democracia é frágil como cristal e forte como diamante – dependendo de nossas mãos. Estes homens escolheram tratá-la como algo que poderia ser quebrado ao seu bel-prazer, moldado conforme seus interesses pessoais, descartado quando não mais servisse aos seus propósitos. E agora, nas celas onde dormirão por anos a fio, terão tempo infinito para refletir sobre suas escolhas.

Há quem celebre. Há quem lamente. Mas acima de tudo, há um país inteiro que precisa aprender com esta dor. Porque cada prisão executada esta semana não é apenas a punição de indivíduos – é um lembrete solene de que ninguém, absolutamente ninguém, está acima da lei. Nem mesmo aqueles que comandaram exércitos, nem mesmo aqueles que sentaram na cadeira presidencial.

O Brasil chora hoje – não de alegria, não de vingança, mas de uma tristeza mista com alívio. Choramos pelo que poderia ter sido e não foi. Choramos pelas instituições que resistiram quando tudo parecia perdido. Choramos pelos que lutaram, pelos que não se calaram, pelos que mantiveram acesa a chama da esperança mesmo nas horas mais escuras.

Vinte e quatro anos. Vinte e seis anos. Vinte e sete anos. Não são apenas números – são vidas que se extinguirão entre grades. São histórias que terminam não com honras militares, mas com a marca indelével da traição. São homens que escolheram o golpe quando poderiam ter escolhido a Constituição.

E nós, os que ficamos, carregamos agora a responsabilidade de nunca esquecer. De contar aos nossos filhos e netos que houve um tempo em que a democracia brasileira quase caiu, mas resistiu. Que houve homens que tentaram destruí-la, mas foram detidos. Que a Justiça, mesmo quando lenta, mesmo quando claudicante, mesmo quando testada até seus limites, prevaleceu.

Que este seja o último capítulo desta história sombria. Que possamos, finalmente, virar esta página ensanguentada e escrever novos capítulos onde a palavra “golpe” seja apenas uma lembrança distante, um fantasma que não mais nos assombra.

Presidiários e criminosos. Sim, agora podemos dizê-lo. Mas que ao dizê-lo, não sintamos triunfo – apenas a gravidade profunda de quem entende que a democracia se salvou, mas por muito pouco. E que essa salvação nos custou um pedaço da alma coletiva que jamais recuperaremos inteiramente.

Demorou. Mas a Justiça chegou. E com ela, a lição mais dolorosa: fardas não garantem caráter, poder não confere impunidade, e a história sempre, sempre, cobra seu preço.

O Peso da Justiça e o Silêncio das Fardas

 

 

 

Padre Carlos

 

Há momentos na história de uma nação em que o tempo parece suspender-se, como se o próprio ar hesitasse antes de testemunhar um capítulo que jamais imaginaríamos escrever. Nesta semana, vimos homens que um dia vestiram fardas de honra, que juraram proteger a Constituição com suas próprias vidas, serem recolhidos aos lugares onde agora cumprirão penas que atravessarão décadas de suas existências.

Demorou. Sim, demorou. E nessa demora, quantas noites de insônia viveram aqueles que acreditam na democracia? Quantas lágrimas foram derramadas por cidadãos comuns que viram suas esperanças ameaçadas por aqueles que deveriam ser seus guardiões?

O Almirante Almir Garnier estava em uma academia quando a Justiça o encontrou. Uma academia – esse lugar onde tantos de nós buscamos fortificar o corpo, construir resistência, moldar nossa melhor versão. A ironia é dolorosa: um homem que dedicou décadas ao mar, ao comando, à disciplina militar, agora será lembrado não pelos oceanos que navegou, mas pelas correntes que escolheu para tentar aprisionar a democracia.

Vinte e sete anos e três meses. Este é o tempo que Jair Bolsonaro, um homem que ocupou a mais alta cadeira da República, passará atrás das grades. São anos que poderiam ter sido de velhice tranquila, de netos no colo, de pôr do sol contemplado em paz. Mas a história cobra seu preço – sempre cobra. E o preço da traição à pátria não é pago em moeda comum, mas em dias que não voltam, em liberdades que se evaporam, em um legado manchado irreversivelmente.

Há algo profundamente perturbador em ver generais – homens que carregaram estrelas nos ombros – serem recolhidos como criminosos comuns. Augusto Heleno, preso na casa da filha. Conseguimos imaginar essa cena? A dor nos olhos de uma filha vendo seu pai algemado? Paulo Sergio Nogueira, retirado de sua residência. Quantas decisões foram tomadas naquela casa que levaram a esse momento? Anderson Torres, encontrado no escritório de seu advogado, como se as últimas palavras de defesa pudessem ainda protegê-lo do inevitável.

Mas não nos enganemos: esta não é uma tragédia pessoal. É uma tragédia coletiva que nos obriga a olhar para o espelho e perguntar: como chegamos aqui? Como permitimos que aqueles investidos de tanto poder, de tanta confiança, chegassem tão perto de destruir tudo o que levamos décadas para construir?

A democracia é frágil como cristal e forte como diamante – dependendo de nossas mãos. Estes homens escolheram tratá-la como algo que poderia ser quebrado ao seu bel-prazer, moldado conforme seus interesses pessoais, descartado quando não mais servisse aos seus propósitos. E agora, nas celas onde dormirão por anos a fio, terão tempo infinito para refletir sobre suas escolhas.

Há quem celebre. Há quem lamente. Mas acima de tudo, há um país inteiro que precisa aprender com esta dor. Porque cada prisão executada esta semana não é apenas a punição de indivíduos – é um lembrete solene de que ninguém, absolutamente ninguém, está acima da lei. Nem mesmo aqueles que comandaram exércitos, nem mesmo aqueles que sentaram na cadeira presidencial.

O Brasil chora hoje – não de alegria, não de vingança, mas de uma tristeza mista com alívio. Choramos pelo que poderia ter sido e não foi. Choramos pelas instituições que resistiram quando tudo parecia perdido. Choramos pelos que lutaram, pelos que não se calaram, pelos que mantiveram acesa a chama da esperança mesmo nas horas mais escuras.

Vinte e quatro anos. Vinte e seis anos. Vinte e sete anos. Não são apenas números – são vidas que se extinguirão entre grades. São histórias que terminam não com honras militares, mas com a marca indelével da traição. São homens que escolheram o golpe quando poderiam ter escolhido a Constituição.

E nós, os que ficamos, carregamos agora a responsabilidade de nunca esquecer. De contar aos nossos filhos e netos que houve um tempo em que a democracia brasileira quase caiu, mas resistiu. Que houve homens que tentaram destruí-la, mas foram detidos. Que a Justiça, mesmo quando lenta, mesmo quando claudicante, mesmo quando testada até seus limites, prevaleceu.

Que este seja o último capítulo desta história sombria. Que possamos, finalmente, virar esta página ensanguentada e escrever novos capítulos onde a palavra “golpe” seja apenas uma lembrança distante, um fantasma que não mais nos assombra.

Presidiários e criminosos. Sim, agora podemos dizê-lo. Mas que ao dizê-lo, não sintamos triunfo – apenas a gravidade profunda de quem entende que a democracia se salvou, mas por muito pouco. E que essa salvação nos custou um pedaço da alma coletiva que jamais recuperaremos inteiramente.

Demorou. Mas a Justiça chegou. E com ela, a lição mais dolorosa: fardas não garantem caráter, poder não confere impunidade, e a história sempre, sempre, cobra seu preço.

O Silêncio Ensurdecedor de uma Promessa Quebrada

 

 

 

 

Por Ivan Cordeiro

Presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista

Há promessas que carregamos no peito como se fossem sementes de esperança, regando-as diariamente com a fé de quem acredita que dias melhores virão. E há promessas que, quando quebradas, não apenas desabam — elas nos esmagam, deixando sob os escombros não apenas sonhos desfeitos, mas vidas que poderiam ter sido salvas.

O anúncio do Governo Federal sobre o adiamento da licitação para a concessão da BR-116 não é apenas mais uma notícia administrativa que se perde entre tantas outras nas páginas dos jornais. É um golpe que ressoa nas entranhas de cada conquistense que já perdeu um ente querido naquele asfalto manchado de sangue. É o eco de um abandono que nos grita aos ouvidos: vocês não importam.

Vitória da Conquista — este nome que carrega em si a força de quem venceu, de quem lutou, de quem conquistou — hoje se vê vencida pelo descaso. Fomos prometidos. Fomos iludidos. E agora, mais uma vez, somos esquecidos enquanto outras rodovias, em outros estados, recebem os investimentos que nos foram negados.

Quantas mães ainda precisarão chorar a perda de seus filhos? Quantos pais terão que carregar o peso insuportável de enterrar suas crianças? Quantas famílias serão despedaçadas antes que alguém, em Brasília, olhe para a BR-116 e enxergue não apenas números ou quilômetros de asfalto, mas rostos, histórias, vidas?

A Rio-Bahia não é apenas uma rodovia. Ela é a artéria que pulsa em nossa região, o caminho por onde transitam nossos sonhos de desenvolvimento, nosso comércio, nosso futuro. Mas essa artéria está doente, ferida, sangrando. E nós, aqui, continuamos implorando por um tratamento que nunca chega.

O anel viário sem viadutos e passarelas é um cenário de tragédia anunciada. Cada dia que passa sem essas obras é um dia em que colocamos em risco nossas crianças, nossos idosos, nossos trabalhadores. É como se enviássemos nossos entes queridos para uma roleta-russa diária, onde o destino decide quem volta para casa e quem ficará apenas na memória e na saudade eterna.

Pergunto-me, e pergunto a todos que me leem: até quando seremos invisíveis? Até quando nosso luto será apenas estatística? Até quando nossas lágrimas cairão no vazio de uma indiferença que mata tanto quanto os acidentes em si?

O governo Lula prometeu. Prometeu olhar para o Nordeste, prometeu inclusão, prometeu desenvolvimento. Mas Vitória da Conquista, mais uma vez, foi riscada do mapa das prioridades. Enquanto bilhões são destinados para outras regiões, nós continuamos aqui, recolhendo os pedaços dos nossos mortos, consolando viúvas, abraçando órfãos.

Não é revolta vazia que sinto — é uma decepção profunda, visceral, que nasce do cansaço de ver as mesmas cenas se repetirem. É a frustração de quem grita e não é ouvido, de quem chora e não é visto, de quem morre e não é lembrado.

A BR-116 é conhecida nacionalmente como uma das rodovias mais perigosas do país. Esta não é uma honraria da qual nos orgulhamos — é uma condenação que carregamos nas costas. Cada curva perigosa, cada trecho sem duplicação, cada ponto sem iluminação adequada é uma sentença de morte em potencial para quem por ali trafega.

E o mais cruel é saber que isso poderia ser diferente. As soluções existem. Os projetos estão prontos. O conhecimento técnico está disponível. O que falta é vontade política. O que falta é olhar para Conquista e enxergar gente, não apenas votos ou números.

O descaso com nossa cidade precisa acabar, e precisa acabar agora. Não podemos mais aceitar que nossas vidas valham menos do que as de outros brasileiros. Não podemos mais normalizar a dor que assola nossas famílias. Não podemos mais assistir passivamente enquanto nossos filhos crescem sob a sombra de uma rodovia que deveria conectar, mas que separa — separa famílias, separa sonhos, separa vidas de seus destinos.

Este artigo é um grito. Um grito de quem não aguenta mais ver promessas virarem pó, de quem não suporta mais contar mortos quando poderíamos estar contando progressos. É o grito de uma cidade inteira que merece respeito, investimento e, acima de tudo, o direito básico de ir e vir com segurança.

Vitória da Conquista não pede esmolas. Não pedimos favores. Pedimos justiça. Pedimos que nos vejam. Pedimos que nosso clamor não seja mais uma vez sufocado pelo silêncio ensurdecedor da burocracia e da indiferença.

Porque enquanto não formos ouvidos, enquanto a duplicação da BR-116 continuar sendo apenas uma promessa vazia, continuaremos a contar nossos mortos. E cada nova vida perdida será um peso na consciência de quem teve o poder de mudar essa realidade e escolheu fechar os olhos.

 

O Silêncio Ensurdecedor de uma Promessa Quebrada

 

 

 

 

Por Ivan Cordeiro

Presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista

Há promessas que carregamos no peito como se fossem sementes de esperança, regando-as diariamente com a fé de quem acredita que dias melhores virão. E há promessas que, quando quebradas, não apenas desabam — elas nos esmagam, deixando sob os escombros não apenas sonhos desfeitos, mas vidas que poderiam ter sido salvas.

O anúncio do Governo Federal sobre o adiamento da licitação para a concessão da BR-116 não é apenas mais uma notícia administrativa que se perde entre tantas outras nas páginas dos jornais. É um golpe que ressoa nas entranhas de cada conquistense que já perdeu um ente querido naquele asfalto manchado de sangue. É o eco de um abandono que nos grita aos ouvidos: vocês não importam.

Vitória da Conquista — este nome que carrega em si a força de quem venceu, de quem lutou, de quem conquistou — hoje se vê vencida pelo descaso. Fomos prometidos. Fomos iludidos. E agora, mais uma vez, somos esquecidos enquanto outras rodovias, em outros estados, recebem os investimentos que nos foram negados.

Quantas mães ainda precisarão chorar a perda de seus filhos? Quantos pais terão que carregar o peso insuportável de enterrar suas crianças? Quantas famílias serão despedaçadas antes que alguém, em Brasília, olhe para a BR-116 e enxergue não apenas números ou quilômetros de asfalto, mas rostos, histórias, vidas?

A Rio-Bahia não é apenas uma rodovia. Ela é a artéria que pulsa em nossa região, o caminho por onde transitam nossos sonhos de desenvolvimento, nosso comércio, nosso futuro. Mas essa artéria está doente, ferida, sangrando. E nós, aqui, continuamos implorando por um tratamento que nunca chega.

O anel viário sem viadutos e passarelas é um cenário de tragédia anunciada. Cada dia que passa sem essas obras é um dia em que colocamos em risco nossas crianças, nossos idosos, nossos trabalhadores. É como se enviássemos nossos entes queridos para uma roleta-russa diária, onde o destino decide quem volta para casa e quem ficará apenas na memória e na saudade eterna.

Pergunto-me, e pergunto a todos que me leem: até quando seremos invisíveis? Até quando nosso luto será apenas estatística? Até quando nossas lágrimas cairão no vazio de uma indiferença que mata tanto quanto os acidentes em si?

O governo Lula prometeu. Prometeu olhar para o Nordeste, prometeu inclusão, prometeu desenvolvimento. Mas Vitória da Conquista, mais uma vez, foi riscada do mapa das prioridades. Enquanto bilhões são destinados para outras regiões, nós continuamos aqui, recolhendo os pedaços dos nossos mortos, consolando viúvas, abraçando órfãos.

Não é revolta vazia que sinto — é uma decepção profunda, visceral, que nasce do cansaço de ver as mesmas cenas se repetirem. É a frustração de quem grita e não é ouvido, de quem chora e não é visto, de quem morre e não é lembrado.

A BR-116 é conhecida nacionalmente como uma das rodovias mais perigosas do país. Esta não é uma honraria da qual nos orgulhamos — é uma condenação que carregamos nas costas. Cada curva perigosa, cada trecho sem duplicação, cada ponto sem iluminação adequada é uma sentença de morte em potencial para quem por ali trafega.

E o mais cruel é saber que isso poderia ser diferente. As soluções existem. Os projetos estão prontos. O conhecimento técnico está disponível. O que falta é vontade política. O que falta é olhar para Conquista e enxergar gente, não apenas votos ou números.

O descaso com nossa cidade precisa acabar, e precisa acabar agora. Não podemos mais aceitar que nossas vidas valham menos do que as de outros brasileiros. Não podemos mais normalizar a dor que assola nossas famílias. Não podemos mais assistir passivamente enquanto nossos filhos crescem sob a sombra de uma rodovia que deveria conectar, mas que separa — separa famílias, separa sonhos, separa vidas de seus destinos.

Este artigo é um grito. Um grito de quem não aguenta mais ver promessas virarem pó, de quem não suporta mais contar mortos quando poderíamos estar contando progressos. É o grito de uma cidade inteira que merece respeito, investimento e, acima de tudo, o direito básico de ir e vir com segurança.

Vitória da Conquista não pede esmolas. Não pedimos favores. Pedimos justiça. Pedimos que nos vejam. Pedimos que nosso clamor não seja mais uma vez sufocado pelo silêncio ensurdecedor da burocracia e da indiferença.

Porque enquanto não formos ouvidos, enquanto a duplicação da BR-116 continuar sendo apenas uma promessa vazia, continuaremos a contar nossos mortos. E cada nova vida perdida será um peso na consciência de quem teve o poder de mudar essa realidade e escolheu fechar os olhos.