Política e Resenha

ARTIGO – Quando Poucas Visualizações Encontram as Palavras de Senna

 

 

(Padre Carlos)

Era madrugada.
A tela do computador me fitava em silêncio, como se também duvidasse do esforço que eu depositara nela. O artigo estava pronto — fruto de horas de pesquisa, revisões e reescritas. Cada frase, pesada com cuidado entre a clareza e a profundidade. E, quando finalmente foi publicado, o retorno foi aquele que todo articulista conhece: poucas visualizações, poucos compartilhamentos, aquele silêncio digital que parece sussurrar: valeu a pena?

Foi então que me lembrei de Ayrton Senna.
Não para comparar ofícios, mas para buscar sentido em suas palavras que atravessam o tempo e tocam a alma de quem se recusa a desistir. Senna disse certa vez:

“Não desista na primeira vez, nem na segunda, nem na terceira. Continue tentando. E continue fazendo as coisas que só você sabe fazer, mesmo quando ninguém mais sabe como fazer.”

Essa frase, simples e poderosa, é quase uma oração para quem cria, escreve, constrói. Porque há dias em que tudo parece conspirar contra. Em que o esforço parece não bastar. E é justamente nesses dias que a voz de Senna ecoa como um lembrete de que a persistência também é uma forma de fé.

Como articulista, vivo a contradição dos tempos digitais: nunca foi tão fácil publicar, e nunca foi tão difícil ser realmente lido. A internet nos deu voz, mas criou um oceano de vozes. Cada texto é uma gota em meio a ondas de conteúdos instantâneos — muitos feitos não para provocar pensamento, mas para provocar cliques.
E aí vem a tentação: será que não seria melhor simplificar? Ceder ao sensacionalismo? Transformar reflexão em manchete?

Mas então penso novamente em Senna. Ele poderia ter se conformado em ser apenas mais um piloto rápido e eficiente. Mas não. Escolheu arriscar, tentar, insistir — e continuar fazendo aquilo que só ele sabia fazer. Mesmo quando ninguém mais sabia como. Essa entrega absoluta é o que o tornou eterno.

Cada leitor tocado já vale a pena.
Essa é a frase que repito a mim mesmo.
Porque se apenas uma pessoa encontrar, nestas linhas, o alento que precisava; se um único leitor pausar a correria para pensar, sentir ou refletir — então o texto cumpriu seu propósito.

Vivemos obcecados por métricas: likes, visualizações, seguidores. Mas esquecemos de medir o que realmente importa — o impacto. Um texto que alcança mil pessoas superficialmente vale mais que um que transforma dez profundamente?
A resposta, acredito, está no coração de quem escreve.

Senna não corria por estatísticas. Corria pela arte de cada curva, pela beleza de cada tentativa, pela busca de algo que só ele sabia fazer.
E é isso que me faz continuar escrevendo: a convicção de que qualidade não se mede em números, mas em profundidade.

Então, sim, vou seguir.
Mesmo com poucas visualizações. Mesmo com o silêncio das redes. Porque, como ensinou Senna, não se trata de desistir na primeira, na segunda ou na terceira vez — trata-se de continuar tentando, e de continuar fazendo o que só nós sabemos fazer.

E se você chegou até aqui, caro leitor, saiba que você faz parte desses poucos que tornam tudo valer a pena.
Você que leu até o fim, que parou no meio da pressa, que ouviu em silêncio — é por você que sigo.

Porque, no fim, escrever é isso: insistir.
Mesmo quando ninguém mais sabe como.

ARTIGO – Quando Poucas Visualizações Encontram as Palavras de Senna

 

 

(Padre Carlos)

Era madrugada.
A tela do computador me fitava em silêncio, como se também duvidasse do esforço que eu depositara nela. O artigo estava pronto — fruto de horas de pesquisa, revisões e reescritas. Cada frase, pesada com cuidado entre a clareza e a profundidade. E, quando finalmente foi publicado, o retorno foi aquele que todo articulista conhece: poucas visualizações, poucos compartilhamentos, aquele silêncio digital que parece sussurrar: valeu a pena?

Foi então que me lembrei de Ayrton Senna.
Não para comparar ofícios, mas para buscar sentido em suas palavras que atravessam o tempo e tocam a alma de quem se recusa a desistir. Senna disse certa vez:

“Não desista na primeira vez, nem na segunda, nem na terceira. Continue tentando. E continue fazendo as coisas que só você sabe fazer, mesmo quando ninguém mais sabe como fazer.”

Essa frase, simples e poderosa, é quase uma oração para quem cria, escreve, constrói. Porque há dias em que tudo parece conspirar contra. Em que o esforço parece não bastar. E é justamente nesses dias que a voz de Senna ecoa como um lembrete de que a persistência também é uma forma de fé.

Como articulista, vivo a contradição dos tempos digitais: nunca foi tão fácil publicar, e nunca foi tão difícil ser realmente lido. A internet nos deu voz, mas criou um oceano de vozes. Cada texto é uma gota em meio a ondas de conteúdos instantâneos — muitos feitos não para provocar pensamento, mas para provocar cliques.
E aí vem a tentação: será que não seria melhor simplificar? Ceder ao sensacionalismo? Transformar reflexão em manchete?

Mas então penso novamente em Senna. Ele poderia ter se conformado em ser apenas mais um piloto rápido e eficiente. Mas não. Escolheu arriscar, tentar, insistir — e continuar fazendo aquilo que só ele sabia fazer. Mesmo quando ninguém mais sabia como. Essa entrega absoluta é o que o tornou eterno.

Cada leitor tocado já vale a pena.
Essa é a frase que repito a mim mesmo.
Porque se apenas uma pessoa encontrar, nestas linhas, o alento que precisava; se um único leitor pausar a correria para pensar, sentir ou refletir — então o texto cumpriu seu propósito.

Vivemos obcecados por métricas: likes, visualizações, seguidores. Mas esquecemos de medir o que realmente importa — o impacto. Um texto que alcança mil pessoas superficialmente vale mais que um que transforma dez profundamente?
A resposta, acredito, está no coração de quem escreve.

Senna não corria por estatísticas. Corria pela arte de cada curva, pela beleza de cada tentativa, pela busca de algo que só ele sabia fazer.
E é isso que me faz continuar escrevendo: a convicção de que qualidade não se mede em números, mas em profundidade.

Então, sim, vou seguir.
Mesmo com poucas visualizações. Mesmo com o silêncio das redes. Porque, como ensinou Senna, não se trata de desistir na primeira, na segunda ou na terceira vez — trata-se de continuar tentando, e de continuar fazendo o que só nós sabemos fazer.

E se você chegou até aqui, caro leitor, saiba que você faz parte desses poucos que tornam tudo valer a pena.
Você que leu até o fim, que parou no meio da pressa, que ouviu em silêncio — é por você que sigo.

Porque, no fim, escrever é isso: insistir.
Mesmo quando ninguém mais sabe como.

Fagner: A Voz que Carrega o Sonho de uma Geração

 

 

Por Padre Carlos

Há artistas que não pertencem apenas a si mesmos — pertencem a um tempo, a um povo, a uma geração inteira que viu nas suas canções um espelho das próprias lutas e esperanças. Raimundo Fagner é, sem dúvida, um desses artistas raros.

Com sua arte e suas rugas, ele nos faz acreditar que valeu a pena lutar, que valeu a pena gastar a juventude acreditando em um mundo melhor. Suas melodias são como as velas do Mucuri — firmes, navegando pela memória — e seus versos, como os canteiros que fomos colecionando ao longo da vida. Cada canção é uma lembrança que não envelhece.

É por isso que, quando soubemos que Fagner voltaria a Vitória da Conquista, a notícia soou como um presente. Um gesto de generosidade que devemos a Massinha.  Um produtor artístico e empresário do ramo de entretenimento responsável por trazer novamente esse ícone da música popular ao nosso palco.

Mesmo faltando mais de um mês para o show, e com pouca divulgação até aqui — sem rádio, sem outdoor, apenas com chamadas nas redes sociais —, a procura por ingressos já ultrapassa todas as expectativas. Isso é a prova viva de que a boa música resiste. Que o público fiel ainda existe, atento e emocionado, disposto a reencontrar-se com a trilha sonora de suas próprias vidas.

O dia 27 de novembro promete ser mais do que um espetáculo: será uma noite de emoção, reencontro e celebração. Uma dessas noites em que o tempo parece parar para que possamos lembrar quem somos e o quanto a arte é capaz de nos unir.

Em tempos em que a pressa e o efêmero dominam, Fagner nos convida a desacelerar, a ouvir de novo — não apenas com os ouvidos, mas com o coração.
E isso, em si, já é um ato de resistência cultural.

Fagner: A Voz que Carrega o Sonho de uma Geração

 

 

Por Padre Carlos

Há artistas que não pertencem apenas a si mesmos — pertencem a um tempo, a um povo, a uma geração inteira que viu nas suas canções um espelho das próprias lutas e esperanças. Raimundo Fagner é, sem dúvida, um desses artistas raros.

Com sua arte e suas rugas, ele nos faz acreditar que valeu a pena lutar, que valeu a pena gastar a juventude acreditando em um mundo melhor. Suas melodias são como as velas do Mucuri — firmes, navegando pela memória — e seus versos, como os canteiros que fomos colecionando ao longo da vida. Cada canção é uma lembrança que não envelhece.

É por isso que, quando soubemos que Fagner voltaria a Vitória da Conquista, a notícia soou como um presente. Um gesto de generosidade que devemos a Massinha.  Um produtor artístico e empresário do ramo de entretenimento responsável por trazer novamente esse ícone da música popular ao nosso palco.

Mesmo faltando mais de um mês para o show, e com pouca divulgação até aqui — sem rádio, sem outdoor, apenas com chamadas nas redes sociais —, a procura por ingressos já ultrapassa todas as expectativas. Isso é a prova viva de que a boa música resiste. Que o público fiel ainda existe, atento e emocionado, disposto a reencontrar-se com a trilha sonora de suas próprias vidas.

O dia 27 de novembro promete ser mais do que um espetáculo: será uma noite de emoção, reencontro e celebração. Uma dessas noites em que o tempo parece parar para que possamos lembrar quem somos e o quanto a arte é capaz de nos unir.

Em tempos em que a pressa e o efêmero dominam, Fagner nos convida a desacelerar, a ouvir de novo — não apenas com os ouvidos, mas com o coração.
E isso, em si, já é um ato de resistência cultural.

Mais de 500 pessoas visitam o stand da VCA Construtora na Imagineland 2025


A VCA Construtora deu vida à Vila do Chaves na Imagineland 2025. O evento aconteceu em Campina Grande (PB), e reuniu fãs de cultura pop e entretenimento de todo o país entre os dias 24 e 26 de outubro. O universo VCA chegou com seu stand temático da turma do Chaves, marca licenciada da construtora, e atraiu mais de 500 visitantes durante os três dias de programação.
O espaço reuniu diferentes gerações em torno da memória afetiva e da imaginação. Os visitantes puderam interagir com os personagens da Vila, registrar fotos em totem e espaços instagramáveis, participar da máquina de brindes e visitar a VCA Shop, onde foi possível levar produtos licenciados e lembranças do Chaves e universo Chespirito.
A VCA também aproveitou a ocasião para anunciar o sorteio de uma viagem ao Vivant Eco Beach, resort localizado na Península de Maraú (BA). O empreendimento da VCA contará com um quarto temático do Chaves e cardápio inspirado na Vila, reforçando a presença da marca no segmento de hospitalidade e entretenimento.
A Secretária de Turismo da Paraíba, Rosália Borges Lucas foi uma das 500 pessoas que prestigiaram o stand da VCA na Imagineland. O espaço também recebeu a visita de pessoas de todas as idades, incluindo família caracterizada como personagens da série, evidenciando a conexão da marca com diferentes públicos.
A participação na Imagineland mostrou como o encontro entre o universo Chaves e o universo VCA desperta memórias e cria novas conexões. Essa parceria traduz, em forma de experiência, o encanto, a imaginação e o sentimento de pertencimento que atravessam gerações.

Mais de 500 pessoas visitam o stand da VCA Construtora na Imagineland 2025


A VCA Construtora deu vida à Vila do Chaves na Imagineland 2025. O evento aconteceu em Campina Grande (PB), e reuniu fãs de cultura pop e entretenimento de todo o país entre os dias 24 e 26 de outubro. O universo VCA chegou com seu stand temático da turma do Chaves, marca licenciada da construtora, e atraiu mais de 500 visitantes durante os três dias de programação.
O espaço reuniu diferentes gerações em torno da memória afetiva e da imaginação. Os visitantes puderam interagir com os personagens da Vila, registrar fotos em totem e espaços instagramáveis, participar da máquina de brindes e visitar a VCA Shop, onde foi possível levar produtos licenciados e lembranças do Chaves e universo Chespirito.
A VCA também aproveitou a ocasião para anunciar o sorteio de uma viagem ao Vivant Eco Beach, resort localizado na Península de Maraú (BA). O empreendimento da VCA contará com um quarto temático do Chaves e cardápio inspirado na Vila, reforçando a presença da marca no segmento de hospitalidade e entretenimento.
A Secretária de Turismo da Paraíba, Rosália Borges Lucas foi uma das 500 pessoas que prestigiaram o stand da VCA na Imagineland. O espaço também recebeu a visita de pessoas de todas as idades, incluindo família caracterizada como personagens da série, evidenciando a conexão da marca com diferentes públicos.
A participação na Imagineland mostrou como o encontro entre o universo Chaves e o universo VCA desperta memórias e cria novas conexões. Essa parceria traduz, em forma de experiência, o encanto, a imaginação e o sentimento de pertencimento que atravessam gerações.

ARTIGO – O Silêncio dos Servidores que Dedicam a Vida ao Bem Comum

 

 

(Padre Carlos)

Há vidas que não aparecem nos jornais, mas sem as quais os dias da cidade não se completariam. São rostos conhecidos apenas nos corredores das repartições, nas rotinas silenciosas dos gabinetes, nas tarefas que fazem o cotidiano funcionar. A servidora Eva de Oliveira Machado, que nos deixou neste domingo (26/10/2025), pertenceu a esse Brasil que serve, muitas vezes sem ser visto, mas cuja presença dá sentido à palavra “público”.

Durante 42 anos, Eva fez do seu trabalho na Câmara Municipal de Vitória da Conquista uma extensão do próprio coração. Zelo, competência e compromisso foram marcas que moldaram sua trajetória. Não buscava aplausos, tampouco recompensas; bastava-lhe o dever cumprido, o respeito dos colegas e a paz de saber que contribuía, todos os dias, para o funcionamento da casa do povo.

Em tempos de tanto descrédito com as instituições, a história de Eva é um lembrete do valor humano que sustenta o serviço público. Atrás de cada documento protocolado, de cada atendimento prestado, existe alguém que oferece parte da sua vida em nome da coletividade. E, no caso dela, havia também um coração generoso: sem filhos biológicos, acolheu sobrinhos como filhos, deixando um legado de amor e ternura.

Sua partida entristece não apenas os colegas de trabalho, mas toda uma cidade que, talvez sem perceber, foi beneficiada pela sua dedicação silenciosa. O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, expressou esse sentimento ao lembrar da amizade e da entrega de Dona Eva — símbolo de uma geração de servidores que acreditava que servir é mais do que um emprego: é uma vocação.

Que o descanso eterno lhe seja leve, Dona Eva. Que o céu a receba como se recebe uma trabalhadora fiel, que cumpriu sua missão com dignidade e bondade. E que o seu exemplo inspire novos servidores — para que o serviço público volte a ser reconhecido, não por seus erros, mas pela grandeza discreta de pessoas como você, que fizeram do trabalho um ato de amor à comunidade.

ARTIGO – O Silêncio dos Servidores que Dedicam a Vida ao Bem Comum

 

 

(Padre Carlos)

Há vidas que não aparecem nos jornais, mas sem as quais os dias da cidade não se completariam. São rostos conhecidos apenas nos corredores das repartições, nas rotinas silenciosas dos gabinetes, nas tarefas que fazem o cotidiano funcionar. A servidora Eva de Oliveira Machado, que nos deixou neste domingo (26/10/2025), pertenceu a esse Brasil que serve, muitas vezes sem ser visto, mas cuja presença dá sentido à palavra “público”.

Durante 42 anos, Eva fez do seu trabalho na Câmara Municipal de Vitória da Conquista uma extensão do próprio coração. Zelo, competência e compromisso foram marcas que moldaram sua trajetória. Não buscava aplausos, tampouco recompensas; bastava-lhe o dever cumprido, o respeito dos colegas e a paz de saber que contribuía, todos os dias, para o funcionamento da casa do povo.

Em tempos de tanto descrédito com as instituições, a história de Eva é um lembrete do valor humano que sustenta o serviço público. Atrás de cada documento protocolado, de cada atendimento prestado, existe alguém que oferece parte da sua vida em nome da coletividade. E, no caso dela, havia também um coração generoso: sem filhos biológicos, acolheu sobrinhos como filhos, deixando um legado de amor e ternura.

Sua partida entristece não apenas os colegas de trabalho, mas toda uma cidade que, talvez sem perceber, foi beneficiada pela sua dedicação silenciosa. O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, expressou esse sentimento ao lembrar da amizade e da entrega de Dona Eva — símbolo de uma geração de servidores que acreditava que servir é mais do que um emprego: é uma vocação.

Que o descanso eterno lhe seja leve, Dona Eva. Que o céu a receba como se recebe uma trabalhadora fiel, que cumpriu sua missão com dignidade e bondade. E que o seu exemplo inspire novos servidores — para que o serviço público volte a ser reconhecido, não por seus erros, mas pela grandeza discreta de pessoas como você, que fizeram do trabalho um ato de amor à comunidade.

ARTIGO – O Terço e os Mantras da Alma: Quando a Oração Mora em Nós

 

 

(Padre Carlos)

Há palavras que se dizem uma vez e se perdem no vento. Mas há outras que, repetidas, começam a morar em nós. A oração é uma dessas palavras vivas — um eco divino que, quanto mais repetido, mais se transforma em parte do nosso ser. O terço, para o católico, é essa escola silenciosa da alma, um exercício espiritual e psicológico que une fé, mente e coração.

Desde os primórdios das religiões, o ser humano descobriu o poder da repetição. Os mantras orientais, por exemplo, são expressões sonoras que, ditas muitas vezes, criam uma vibração interior. O mesmo ocorre quando um cristão repete o “Ave Maria”, o “Pai Nosso” ou o “Glória”. A mente, ao se acostumar com o som da prece, começa a silenciar o ruído do mundo. O coração, por sua vez, encontra um novo ritmo — o ritmo da paz.

No campo da psicologia da espiritualidade, a repetição orante atua como um método de integração entre o consciente e o inconsciente. No início, é a voz que reza. Depois, é a alma que continua rezando sozinha, mesmo em silêncio. É o que os místicos chamam de oração contínua, aquela que se torna respiração do espírito. Quando a prece se repete, ela atravessa a mente e desce ao coração — e ali, o ser inteiro passa a orar.

O terço, na tradição católica, foi a forma com que o Ocidente traduziu esse mistério. No século XIII, São Domingos de Gusmão recebeu da Virgem Maria o rosário, como instrumento para fortalecer a fé e conduzir os fiéis à meditação dos mistérios da vida de Cristo. Ao repetir as orações, o fiel entra num estado de contemplação profunda — não diferente dos antigos monges do deserto ou dos meditadores orientais.

Cada conta do terço é um passo em direção ao sagrado. Cada “Ave Maria” é um sopro de alma, um convite ao recolhimento. Nas repetições, o cérebro encontra calma; nas pausas, o coração encontra Deus. O terço é, assim, uma ponte entre o humano e o divino, entre o pensar e o sentir, entre o barulho e o silêncio.

E há também um poder simbólico no simples gesto de segurá-lo. As contas, deslizando entre os dedos, marcam o compasso da prece — como se o tempo parasse por um instante. Ter um terço no bolso, no carro ou sobre a mesa de cabeceira é como deixar uma luz acesa na alma. Ele recorda que, mesmo no meio do caos, há um refúgio possível: o encontro íntimo com Deus.

O terço não é apenas uma oração, é uma pedagogia espiritual. Ensina o corpo a rezar com o coração, e o coração a permanecer em Deus mesmo quando o corpo se cala. É o mantra cristão, o rosário que entrelaça memória e fé, a herança viva de um povo que aprendeu a transformar a repetição em presença.

E quando a oração passa a morar dentro de nós, o silêncio já não é vazio — é morada divina.

Então, feche os olhos. Respire.
Pegue o seu terço e permita que as palavras se repitam sem pressa.
Deixe que o som da oração vá além dos lábios e toque a alma.
Quando o coração aprender a rezar sozinho, você vai entender:
a oração não muda apenas o mundo — muda quem a pronuncia.

ARTIGO – O Terço e os Mantras da Alma: Quando a Oração Mora em Nós

 

 

(Padre Carlos)

Há palavras que se dizem uma vez e se perdem no vento. Mas há outras que, repetidas, começam a morar em nós. A oração é uma dessas palavras vivas — um eco divino que, quanto mais repetido, mais se transforma em parte do nosso ser. O terço, para o católico, é essa escola silenciosa da alma, um exercício espiritual e psicológico que une fé, mente e coração.

Desde os primórdios das religiões, o ser humano descobriu o poder da repetição. Os mantras orientais, por exemplo, são expressões sonoras que, ditas muitas vezes, criam uma vibração interior. O mesmo ocorre quando um cristão repete o “Ave Maria”, o “Pai Nosso” ou o “Glória”. A mente, ao se acostumar com o som da prece, começa a silenciar o ruído do mundo. O coração, por sua vez, encontra um novo ritmo — o ritmo da paz.

No campo da psicologia da espiritualidade, a repetição orante atua como um método de integração entre o consciente e o inconsciente. No início, é a voz que reza. Depois, é a alma que continua rezando sozinha, mesmo em silêncio. É o que os místicos chamam de oração contínua, aquela que se torna respiração do espírito. Quando a prece se repete, ela atravessa a mente e desce ao coração — e ali, o ser inteiro passa a orar.

O terço, na tradição católica, foi a forma com que o Ocidente traduziu esse mistério. No século XIII, São Domingos de Gusmão recebeu da Virgem Maria o rosário, como instrumento para fortalecer a fé e conduzir os fiéis à meditação dos mistérios da vida de Cristo. Ao repetir as orações, o fiel entra num estado de contemplação profunda — não diferente dos antigos monges do deserto ou dos meditadores orientais.

Cada conta do terço é um passo em direção ao sagrado. Cada “Ave Maria” é um sopro de alma, um convite ao recolhimento. Nas repetições, o cérebro encontra calma; nas pausas, o coração encontra Deus. O terço é, assim, uma ponte entre o humano e o divino, entre o pensar e o sentir, entre o barulho e o silêncio.

E há também um poder simbólico no simples gesto de segurá-lo. As contas, deslizando entre os dedos, marcam o compasso da prece — como se o tempo parasse por um instante. Ter um terço no bolso, no carro ou sobre a mesa de cabeceira é como deixar uma luz acesa na alma. Ele recorda que, mesmo no meio do caos, há um refúgio possível: o encontro íntimo com Deus.

O terço não é apenas uma oração, é uma pedagogia espiritual. Ensina o corpo a rezar com o coração, e o coração a permanecer em Deus mesmo quando o corpo se cala. É o mantra cristão, o rosário que entrelaça memória e fé, a herança viva de um povo que aprendeu a transformar a repetição em presença.

E quando a oração passa a morar dentro de nós, o silêncio já não é vazio — é morada divina.

Então, feche os olhos. Respire.
Pegue o seu terço e permita que as palavras se repitam sem pressa.
Deixe que o som da oração vá além dos lábios e toque a alma.
Quando o coração aprender a rezar sozinho, você vai entender:
a oração não muda apenas o mundo — muda quem a pronuncia.

A Amizade Como Alicerce da Alma Humana

 

Por Padre Carlos

Há verdades que o tempo não consegue apagar. Entre elas, uma se ergue com a força serena das coisas eternas: a amizade verdadeira é o alicerce sobre o qual repousa a alma humana. Em meio ao turbilhão tecnológico que multiplica contatos e encurta distâncias, é curioso notar como cresce, ao mesmo tempo, o sentimento de solidão. Talvez porque confundimos presença digital com presença real, ou porque esquecemos que amizade não se mede em curtidas, mas em gestos silenciosos e leais.

A amizade genuína não é conveniência — é convicção. Não nasce de interesses comuns, mas de valores compartilhados. Não se oferece ao cálculo, pois não busca retorno. O amigo verdadeiro é aquele que permanece quando todos os outros partem; que escuta quando o mundo silencia; que sustenta quando o chão se abre sob nossos pés. Ele é o abrigo que não se anuncia, mas que está sempre lá — firme, discreto, fiel.

Vivemos um paradoxo inquietante: nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão desconectados de nós mesmos e dos outros. As relações se tornaram voláteis, utilitárias, condicionadas ao “enquanto for bom para mim”. Nesse cenário de superficialidades, a amizade verdadeira é ato de resistência. É quase subversiva, porque vai contra a lógica descartável do nosso tempo. Ela exige tempo, entrega, vulnerabilidade — tudo o que o mundo moderno tenta apressar, blindar ou negar.

O verdadeiro amigo é espelho e farol. Espelho, porque reflete nossas virtudes e fraquezas sem distorção; farol, porque ilumina nossos passos nos momentos de escuridão. Ele não adula — aconselha. Não compete — compartilha. Não inveja — celebra. Na amizade há uma pureza que o amor romântico, por vezes, perde. Livre de ciúmes e possessões, a amizade floresce na liberdade. É afeto que não exige exclusividade, mas constância; que não cobra presença física, mas lealdade de espírito.

Os grandes pensadores e poetas sempre reconheceram sua grandeza. Para Aristóteles, a amizade era uma das virtudes mais elevadas, expressão da própria ética. Para Shakespeare, era o cimento invisível que unia as almas nobres. E em todas as tradições espirituais, de modo unânime, ela aparece como dom sagrado — um reflexo terreno do amor divino.

Ser amigo é, portanto, exercer virtude. É cultivar paciência quando o outro falha, generosidade quando o outro se retrai, perdão quando o outro fere. É ter a coragem de se mostrar humano — de admitir que precisamos uns dos outros. Numa era de máscaras e performances, a amizade é o último refúgio da autenticidade.

A raridade da amizade verdadeira não deve nos amargar, mas nos despertar. Pois se ela é rara, é porque é preciosa. E tudo o que é precioso exige cuidado, zelo e gratidão. Amigos verdadeiros são patrimônios da alma: guardiões silenciosos que nos ajudam a suportar o peso da existência e a celebrar sua leveza. São eles que nos lembram quem somos quando o mundo tenta nos moldar em outra coisa.

Em um tempo em que vínculos se dissolvem com a mesma rapidez com que se formam, defender a amizade é um gesto quase revolucionário. É reafirmar que o humano ainda importa. Que a alma, apesar de cercada por máquinas e algoritmos, ainda precisa de outra alma para se reconhecer.

A amizade, enfim, não é adorno da vida — é sua espinha dorsal. É o laço invisível que nos ergue quando tudo desaba. É a chama que não se apaga, mesmo nas noites mais longas. E talvez, no fim, seja ela o verdadeiro milagre da existência: a prova de que, em meio a tanto ruído e vaidade, ainda somos capazes de amar de forma simples, sincera e duradoura.

A Amizade Como Alicerce da Alma Humana

 

Por Padre Carlos

Há verdades que o tempo não consegue apagar. Entre elas, uma se ergue com a força serena das coisas eternas: a amizade verdadeira é o alicerce sobre o qual repousa a alma humana. Em meio ao turbilhão tecnológico que multiplica contatos e encurta distâncias, é curioso notar como cresce, ao mesmo tempo, o sentimento de solidão. Talvez porque confundimos presença digital com presença real, ou porque esquecemos que amizade não se mede em curtidas, mas em gestos silenciosos e leais.

A amizade genuína não é conveniência — é convicção. Não nasce de interesses comuns, mas de valores compartilhados. Não se oferece ao cálculo, pois não busca retorno. O amigo verdadeiro é aquele que permanece quando todos os outros partem; que escuta quando o mundo silencia; que sustenta quando o chão se abre sob nossos pés. Ele é o abrigo que não se anuncia, mas que está sempre lá — firme, discreto, fiel.

Vivemos um paradoxo inquietante: nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão desconectados de nós mesmos e dos outros. As relações se tornaram voláteis, utilitárias, condicionadas ao “enquanto for bom para mim”. Nesse cenário de superficialidades, a amizade verdadeira é ato de resistência. É quase subversiva, porque vai contra a lógica descartável do nosso tempo. Ela exige tempo, entrega, vulnerabilidade — tudo o que o mundo moderno tenta apressar, blindar ou negar.

O verdadeiro amigo é espelho e farol. Espelho, porque reflete nossas virtudes e fraquezas sem distorção; farol, porque ilumina nossos passos nos momentos de escuridão. Ele não adula — aconselha. Não compete — compartilha. Não inveja — celebra. Na amizade há uma pureza que o amor romântico, por vezes, perde. Livre de ciúmes e possessões, a amizade floresce na liberdade. É afeto que não exige exclusividade, mas constância; que não cobra presença física, mas lealdade de espírito.

Os grandes pensadores e poetas sempre reconheceram sua grandeza. Para Aristóteles, a amizade era uma das virtudes mais elevadas, expressão da própria ética. Para Shakespeare, era o cimento invisível que unia as almas nobres. E em todas as tradições espirituais, de modo unânime, ela aparece como dom sagrado — um reflexo terreno do amor divino.

Ser amigo é, portanto, exercer virtude. É cultivar paciência quando o outro falha, generosidade quando o outro se retrai, perdão quando o outro fere. É ter a coragem de se mostrar humano — de admitir que precisamos uns dos outros. Numa era de máscaras e performances, a amizade é o último refúgio da autenticidade.

A raridade da amizade verdadeira não deve nos amargar, mas nos despertar. Pois se ela é rara, é porque é preciosa. E tudo o que é precioso exige cuidado, zelo e gratidão. Amigos verdadeiros são patrimônios da alma: guardiões silenciosos que nos ajudam a suportar o peso da existência e a celebrar sua leveza. São eles que nos lembram quem somos quando o mundo tenta nos moldar em outra coisa.

Em um tempo em que vínculos se dissolvem com a mesma rapidez com que se formam, defender a amizade é um gesto quase revolucionário. É reafirmar que o humano ainda importa. Que a alma, apesar de cercada por máquinas e algoritmos, ainda precisa de outra alma para se reconhecer.

A amizade, enfim, não é adorno da vida — é sua espinha dorsal. É o laço invisível que nos ergue quando tudo desaba. É a chama que não se apaga, mesmo nas noites mais longas. E talvez, no fim, seja ela o verdadeiro milagre da existência: a prova de que, em meio a tanto ruído e vaidade, ainda somos capazes de amar de forma simples, sincera e duradoura.

ARTIGO – O Menino que Virou Esperança: O Nascimento de Lula e o Destino dos Pobres

 

 

(Padre Carlos)

Há nascimentos que mudam o rumo das famílias. Outros, o destino dos povos. E há aqueles que nascem como uma espécie de profecia, um sinal de que a história não pertence apenas aos poderosos. Assim foi o nascimento de Luiz Inácio da Silva, em 27 de outubro de 1945, no humilde povoado de Caetés, interior de Pernambuco. Um menino franzino, de olhos atentos e alma teimosa, que mais tarde o Brasil aprenderia a chamar simplesmente de Lula.

O berço era de barro e pobreza. O chão, o sertão seco. A vida, uma travessia.
Mas ali, entre o pó e o silêncio, nascia o filho de dona Lindu, mulher de fibra e coragem, que criaria seus filhos sozinha, enfrentando a seca, a fome e a distância de um marido ausente. O pequeno Lula não teve brinquedos, mas teve sonhos. E aprendeu cedo que a fome é uma professora dura, mas ensina lições que o tempo não apaga.

Da migração nordestina à luz da indústria paulista, sua história é o espelho de milhões de brasileiros. O operário de mãos calejadas transformou-se em líder sindical, depois em candidato desacreditado, e enfim no Presidente do Povo — aquele que fez do Palácio do Planalto um símbolo de ascensão social.
Quando Lula chegou à Presidência, não foi apenas ele quem chegou — foram os retirantes, os cortadores de cana, as domésticas, os catadores de latinha, os invisíveis do Brasil profundo.

Seu governo levou comida ao prato, esperança à mesa e voz ao silêncio. Foi nesse tempo que a palavra “pobre” deixou de ser vergonha e passou a significar força, dignidade e resistência.
Não sem tropeços, não sem críticas, mas com a marca indelével de quem mudou o olhar do Brasil sobre si mesmo.

Hoje, ao celebrar mais um aniversário de Luiz Inácio Lula da Silva, não celebramos apenas um homem, mas uma ideia viva — a de que ninguém é pequeno demais para sonhar grande, e que o destino do país pode nascer do sertão, caminhar pela lama e ainda assim florescer.

Lula é, para muitos, o retrato de um Brasil que ainda acredita. Para outros, uma figura polêmica. Mas, acima de tudo, ele é a prova de que o poder pode vir do povo e voltar para o povo.
No seu nascimento, há um símbolo: o Brasil, tantas vezes esquecido, descobrindo em si mesmo o direito de recomeçar.

E talvez seja isso que o seu nome ainda desperte — esperança.
Porque, como dizia dona Lindu, “nunca desista, meu filho, o mundo ainda vai te ouvir.”
O mundo ouviu. E, com ele, milhões de brasileiros que aprenderam que a força de um homem pode nascer do nada e transformar tudo.

ARTIGO – O Menino que Virou Esperança: O Nascimento de Lula e o Destino dos Pobres

 

 

(Padre Carlos)

Há nascimentos que mudam o rumo das famílias. Outros, o destino dos povos. E há aqueles que nascem como uma espécie de profecia, um sinal de que a história não pertence apenas aos poderosos. Assim foi o nascimento de Luiz Inácio da Silva, em 27 de outubro de 1945, no humilde povoado de Caetés, interior de Pernambuco. Um menino franzino, de olhos atentos e alma teimosa, que mais tarde o Brasil aprenderia a chamar simplesmente de Lula.

O berço era de barro e pobreza. O chão, o sertão seco. A vida, uma travessia.
Mas ali, entre o pó e o silêncio, nascia o filho de dona Lindu, mulher de fibra e coragem, que criaria seus filhos sozinha, enfrentando a seca, a fome e a distância de um marido ausente. O pequeno Lula não teve brinquedos, mas teve sonhos. E aprendeu cedo que a fome é uma professora dura, mas ensina lições que o tempo não apaga.

Da migração nordestina à luz da indústria paulista, sua história é o espelho de milhões de brasileiros. O operário de mãos calejadas transformou-se em líder sindical, depois em candidato desacreditado, e enfim no Presidente do Povo — aquele que fez do Palácio do Planalto um símbolo de ascensão social.
Quando Lula chegou à Presidência, não foi apenas ele quem chegou — foram os retirantes, os cortadores de cana, as domésticas, os catadores de latinha, os invisíveis do Brasil profundo.

Seu governo levou comida ao prato, esperança à mesa e voz ao silêncio. Foi nesse tempo que a palavra “pobre” deixou de ser vergonha e passou a significar força, dignidade e resistência.
Não sem tropeços, não sem críticas, mas com a marca indelével de quem mudou o olhar do Brasil sobre si mesmo.

Hoje, ao celebrar mais um aniversário de Luiz Inácio Lula da Silva, não celebramos apenas um homem, mas uma ideia viva — a de que ninguém é pequeno demais para sonhar grande, e que o destino do país pode nascer do sertão, caminhar pela lama e ainda assim florescer.

Lula é, para muitos, o retrato de um Brasil que ainda acredita. Para outros, uma figura polêmica. Mas, acima de tudo, ele é a prova de que o poder pode vir do povo e voltar para o povo.
No seu nascimento, há um símbolo: o Brasil, tantas vezes esquecido, descobrindo em si mesmo o direito de recomeçar.

E talvez seja isso que o seu nome ainda desperte — esperança.
Porque, como dizia dona Lindu, “nunca desista, meu filho, o mundo ainda vai te ouvir.”
O mundo ouviu. E, com ele, milhões de brasileiros que aprenderam que a força de um homem pode nascer do nada e transformar tudo.

Mais Uma Promessa Quebrada: O Adiamento que Sangra Nossa Esperança

 

 

 

 

Por José Maria Caires

 

Há um tipo de cansaço que não se cura com descanso. É aquele que se aloja nos ossos, que pesa na alma de quem acorda todo dia para trabalhar, pagar impostos e acreditar — ainda que com o coração já cheio de cicatrizes — que desta vez será diferente. Que desta vez as autoridades cumprirão o prometido. Que desta vez nossas estradas terão a dignidade que merecemos.

Mas não. Mais uma vez, não.

A licitação da nova concessionária das BRs-324/116, rebatizada pomposamente de Rota 2 de Julho — como se um nome bonito pudesse esconder o abandono —, não sairá em dezembro como nos fizeram crer. Foi adiada para o primeiro semestre de 2026. Em pleno período eleitoral, dizem os técnicos do Ministério dos Transportes, como se isso fosse apenas um detalhe técnico, uma informação protocolar.

Mas não é.

A Dor de Quem Paga e Não Recebe

Para quem não vive aqui, para quem não atravessa esses 663 quilômetros de promessas quebradas, pode parecer pouco. Mais alguns meses, afinal de contas. Mas para nós, contribuintes que sangramos todos os dias nas bombas de combustível, nos supermercados inflacionados, nos boletos que chegam com a pontualidade cruel dos impostos, cada mês é uma eternidade.

Cada dia de atraso é mais um acidente que poderia ter sido evitado. É mais uma família que perde um ente querido em buracos que deveriam ter sido tapados. É mais um caminhoneiro que passa a noite em claro, temendo pela própria vida em estradas sem iluminação, sem acostamento, sem o mínimo de segurança que nosso dinheiro deveria comprar.

Porque nós pagamos. Meu Deus, como pagamos.

O Engano Institucionalizado

O que dói não é apenas o adiamento. O que rasga a carne da confiança é o engano sistemático, a mentira embalada em linguagem técnica, servida com sorrisos em inaugurações e promessas em palanques. Autoridades afirmaram — com a certeza de quem sabe que palavras não custam nada — que a licitação seria em dezembro. Acreditamos. Como tolos esperançosos, acreditamos mais uma vez.

E agora? Agora nos dizem, quase de passagem, entre o leilão de rodovias do Paraná e um café, que na verdade será no primeiro semestre. Período eleitoral. Que conveniente timing, não? Quando todos estarão ocupados com promessas eleitorais, quando a memória do povo estará sendo disputada por santinhos e jingles, quando nossa indignação poderá ser facilmente abafada pelo barulho das campanhas.

O Peso de Ser Contribuinte Neste País

Há algo profundamente desolador em acordar todos os dias para cumprir nossas obrigações fiscais com o Estado, enquanto o Estado não cumpre suas obrigações básicas conosco. Pagamos IPVA para rodar em crateras. Pagamos impostos sobre combustível que é devorado pelas irregularidades do asfalto. Pagamos, pagamos, pagamos — e o que recebemos em troca? Adiamentos. Desculpas. Silêncios constrangedores.

A Via Bahia se foi, deixando feridas abertas. E nós, ingenuamente, ousamos esperar que a nova concessionária viesse rapidamente curar essas chagas. Mas o poder público, em sua infinita capacidade de decepcionar, decidiu que nossa dor pode esperar. Que nossas vidas podem esperar. Que a segurança de nossas famílias pode esperar até depois das eleições, até que seja politicamente conveniente lembrar que cidadãos não são apenas números em pesquisas eleitorais.

A Revolta Que Não Pode Morrer

Mas existe um limite para a paciência humana. Existe um ponto em que a decepção se transmuta em revolta, em que o cansaço se transforma em energia para exigir respeito. E este artigo é um grito — talvez desesperado, certamente indignado — para que não normalizemos mais este tipo de descaso.

Não podemos aceitar que mentir para o povo seja apenas “mudança de cronograma”. Não podemos fingir que está tudo bem quando claramente não está. Nossos impostos não são favores — são direitos transformados em obrigações. E quando pagamos, temos o direito sagrado de exigir contrapartida.

A Rota 2 de Julho deveria ser um símbolo de independência, de caminho para o futuro. Mas está se tornando apenas mais um símbolo de como o poder público nos trata: com desprezo disfarçado de formalidade, com mentiras embaladas em notas oficiais, com promessas que evaporam como a esperança na alma de quem ainda acredita.

Um Chamado à Consciência

Leitor, se você também se sente enganado, se também está cansado de promessas que derretem ao sol da realidade, não deixe esta indignação morrer no silêncio confortável da conformidade. Cobre. Questione. Não aceite adiamentos como se fossem inevitabilidades naturais. São escolhas. Escolhas que alguém fez por nós, sem nos consultar, sem se importar com as consequências reais em nossas vidas reais.

Dezembro virará janeiro, janeiro virará junho, e quando finalmente — se finalmente — essa licitação acontecer, quantas vidas terão sido perdidas? Quantas famílias terão chorado em velórios que poderiam ter sido evitados? Quanto tempo mais teremos que pagar por serviços que não recebemos?

A Via Bahia acabou. Mas nossa necessidade de estradas dignas não. Nossa dignidade como contribuintes não. Nosso direito de exigir respeito, verdade e responsabilidade, definitivamente não.

Que este adiamento não seja apenas mais um entre tantos que virão. Que seja o último que aceitamos em silêncio. Porque já pagamos demais — com nosso dinheiro, com nossa paciência, com nossas vidas — por estradas que continuam sendo caminhos de lágrimas.

E isso precisa acabar. Agora.

Mais Uma Promessa Quebrada: O Adiamento que Sangra Nossa Esperança

 

 

 

 

Por José Maria Caires

 

Há um tipo de cansaço que não se cura com descanso. É aquele que se aloja nos ossos, que pesa na alma de quem acorda todo dia para trabalhar, pagar impostos e acreditar — ainda que com o coração já cheio de cicatrizes — que desta vez será diferente. Que desta vez as autoridades cumprirão o prometido. Que desta vez nossas estradas terão a dignidade que merecemos.

Mas não. Mais uma vez, não.

A licitação da nova concessionária das BRs-324/116, rebatizada pomposamente de Rota 2 de Julho — como se um nome bonito pudesse esconder o abandono —, não sairá em dezembro como nos fizeram crer. Foi adiada para o primeiro semestre de 2026. Em pleno período eleitoral, dizem os técnicos do Ministério dos Transportes, como se isso fosse apenas um detalhe técnico, uma informação protocolar.

Mas não é.

A Dor de Quem Paga e Não Recebe

Para quem não vive aqui, para quem não atravessa esses 663 quilômetros de promessas quebradas, pode parecer pouco. Mais alguns meses, afinal de contas. Mas para nós, contribuintes que sangramos todos os dias nas bombas de combustível, nos supermercados inflacionados, nos boletos que chegam com a pontualidade cruel dos impostos, cada mês é uma eternidade.

Cada dia de atraso é mais um acidente que poderia ter sido evitado. É mais uma família que perde um ente querido em buracos que deveriam ter sido tapados. É mais um caminhoneiro que passa a noite em claro, temendo pela própria vida em estradas sem iluminação, sem acostamento, sem o mínimo de segurança que nosso dinheiro deveria comprar.

Porque nós pagamos. Meu Deus, como pagamos.

O Engano Institucionalizado

O que dói não é apenas o adiamento. O que rasga a carne da confiança é o engano sistemático, a mentira embalada em linguagem técnica, servida com sorrisos em inaugurações e promessas em palanques. Autoridades afirmaram — com a certeza de quem sabe que palavras não custam nada — que a licitação seria em dezembro. Acreditamos. Como tolos esperançosos, acreditamos mais uma vez.

E agora? Agora nos dizem, quase de passagem, entre o leilão de rodovias do Paraná e um café, que na verdade será no primeiro semestre. Período eleitoral. Que conveniente timing, não? Quando todos estarão ocupados com promessas eleitorais, quando a memória do povo estará sendo disputada por santinhos e jingles, quando nossa indignação poderá ser facilmente abafada pelo barulho das campanhas.

O Peso de Ser Contribuinte Neste País

Há algo profundamente desolador em acordar todos os dias para cumprir nossas obrigações fiscais com o Estado, enquanto o Estado não cumpre suas obrigações básicas conosco. Pagamos IPVA para rodar em crateras. Pagamos impostos sobre combustível que é devorado pelas irregularidades do asfalto. Pagamos, pagamos, pagamos — e o que recebemos em troca? Adiamentos. Desculpas. Silêncios constrangedores.

A Via Bahia se foi, deixando feridas abertas. E nós, ingenuamente, ousamos esperar que a nova concessionária viesse rapidamente curar essas chagas. Mas o poder público, em sua infinita capacidade de decepcionar, decidiu que nossa dor pode esperar. Que nossas vidas podem esperar. Que a segurança de nossas famílias pode esperar até depois das eleições, até que seja politicamente conveniente lembrar que cidadãos não são apenas números em pesquisas eleitorais.

A Revolta Que Não Pode Morrer

Mas existe um limite para a paciência humana. Existe um ponto em que a decepção se transmuta em revolta, em que o cansaço se transforma em energia para exigir respeito. E este artigo é um grito — talvez desesperado, certamente indignado — para que não normalizemos mais este tipo de descaso.

Não podemos aceitar que mentir para o povo seja apenas “mudança de cronograma”. Não podemos fingir que está tudo bem quando claramente não está. Nossos impostos não são favores — são direitos transformados em obrigações. E quando pagamos, temos o direito sagrado de exigir contrapartida.

A Rota 2 de Julho deveria ser um símbolo de independência, de caminho para o futuro. Mas está se tornando apenas mais um símbolo de como o poder público nos trata: com desprezo disfarçado de formalidade, com mentiras embaladas em notas oficiais, com promessas que evaporam como a esperança na alma de quem ainda acredita.

Um Chamado à Consciência

Leitor, se você também se sente enganado, se também está cansado de promessas que derretem ao sol da realidade, não deixe esta indignação morrer no silêncio confortável da conformidade. Cobre. Questione. Não aceite adiamentos como se fossem inevitabilidades naturais. São escolhas. Escolhas que alguém fez por nós, sem nos consultar, sem se importar com as consequências reais em nossas vidas reais.

Dezembro virará janeiro, janeiro virará junho, e quando finalmente — se finalmente — essa licitação acontecer, quantas vidas terão sido perdidas? Quantas famílias terão chorado em velórios que poderiam ter sido evitados? Quanto tempo mais teremos que pagar por serviços que não recebemos?

A Via Bahia acabou. Mas nossa necessidade de estradas dignas não. Nossa dignidade como contribuintes não. Nosso direito de exigir respeito, verdade e responsabilidade, definitivamente não.

Que este adiamento não seja apenas mais um entre tantos que virão. Que seja o último que aceitamos em silêncio. Porque já pagamos demais — com nosso dinheiro, com nossa paciência, com nossas vidas — por estradas que continuam sendo caminhos de lágrimas.

E isso precisa acabar. Agora.

Editorial | A Barragem do Esquecimento

 

 

Quando o triunfo vem com vinte anos de atraso

Há quem diga que a política é feita de memória curta. Talvez por isso, ao acompanhar a recente visita de um deputado da região à obra da Barragem do Rio Catolé — ao lado do governador Jerônimo Rodrigues —, muitos conquistenses tenham sentido um misto de espanto e indignação. Com semblante de fiscal da coisa pública, o parlamentar descreveu com entusiasmo o avanço da construção, exaltando a “grande obra” como solução definitiva para a crise hídrica de Vitória da Conquista. Chamou-a de “histórica”. E, de fato, é. Mas não pelos motivos que ele gostaria que acreditássemos.

A barragem é histórica porque carrega consigo o peso de duas décadas de promessas não cumpridas. Sua concepção remonta ao início dos anos 2000, quando nossos filhos ainda brincavam de carrinho e boneca — hoje, muitos deles já são pais. A previsão inicial era de conclusão em 2022. Entre licitações emperradas, gestões que se sucederam e silêncios convenientes, o projeto ficou paralisado por cerca de três anos, como se fosse um tema proibido, um tabu político que ninguém ousava tocar.

Durante esse período de inércia, nenhum discurso inflamado ecoou à beira do canteiro abandonado. Nenhuma coletiva de imprensa foi convocada para explicar o porquê da estagnação. Nenhuma visita técnica foi televisionada. O povo, mais uma vez, ficou à margem — literalmente — da água que não vinha.

Agora, com as máquinas novamente em movimento e apenas 30% da obra concluída até março de 2025, assiste-se a uma tentativa de transformar o atraso em troféu. O que deveria ser motivo de autocrítica virou palanque. O que era para ser um direito básico — o acesso à água — é vendido como um presente, um feito heróico.

O deputado, em sua fala, destacou a construção de uma nova adutora, a ampliação da infraestrutura de distribuição e a promessa de segurança hídrica para os próximos 30 ou 40 anos. Mas esqueceu de mencionar que essa mesma promessa foi feita aos nossos pais, lá atrás, no início do século. E agora, resta a dúvida: será que nossos filhos verão a conclusão daquilo que nos foi prometido?

Não se trata de negar a importância da obra. Pelo contrário: ela é vital. Mas é justamente por isso que não pode ser tratada como moeda de propaganda. A água que falta nas torneiras não se sacia com discursos. A confiança do povo não se reconstrói com placas inaugurais.

A barragem do Catolé é, sim, um marco — da demora, da negligência e da memória seletiva. Que ela seja concluída, e logo. Mas que também sirva de lembrete: o tempo da inocência acabou. E não aceitaremos mais que nos vendam como vitória aquilo que, por direito, já deveria ser realidade há muito tempo.

Editorial | A Barragem do Esquecimento

 

 

Quando o triunfo vem com vinte anos de atraso

Há quem diga que a política é feita de memória curta. Talvez por isso, ao acompanhar a recente visita de um deputado da região à obra da Barragem do Rio Catolé — ao lado do governador Jerônimo Rodrigues —, muitos conquistenses tenham sentido um misto de espanto e indignação. Com semblante de fiscal da coisa pública, o parlamentar descreveu com entusiasmo o avanço da construção, exaltando a “grande obra” como solução definitiva para a crise hídrica de Vitória da Conquista. Chamou-a de “histórica”. E, de fato, é. Mas não pelos motivos que ele gostaria que acreditássemos.

A barragem é histórica porque carrega consigo o peso de duas décadas de promessas não cumpridas. Sua concepção remonta ao início dos anos 2000, quando nossos filhos ainda brincavam de carrinho e boneca — hoje, muitos deles já são pais. A previsão inicial era de conclusão em 2022. Entre licitações emperradas, gestões que se sucederam e silêncios convenientes, o projeto ficou paralisado por cerca de três anos, como se fosse um tema proibido, um tabu político que ninguém ousava tocar.

Durante esse período de inércia, nenhum discurso inflamado ecoou à beira do canteiro abandonado. Nenhuma coletiva de imprensa foi convocada para explicar o porquê da estagnação. Nenhuma visita técnica foi televisionada. O povo, mais uma vez, ficou à margem — literalmente — da água que não vinha.

Agora, com as máquinas novamente em movimento e apenas 30% da obra concluída até março de 2025, assiste-se a uma tentativa de transformar o atraso em troféu. O que deveria ser motivo de autocrítica virou palanque. O que era para ser um direito básico — o acesso à água — é vendido como um presente, um feito heróico.

O deputado, em sua fala, destacou a construção de uma nova adutora, a ampliação da infraestrutura de distribuição e a promessa de segurança hídrica para os próximos 30 ou 40 anos. Mas esqueceu de mencionar que essa mesma promessa foi feita aos nossos pais, lá atrás, no início do século. E agora, resta a dúvida: será que nossos filhos verão a conclusão daquilo que nos foi prometido?

Não se trata de negar a importância da obra. Pelo contrário: ela é vital. Mas é justamente por isso que não pode ser tratada como moeda de propaganda. A água que falta nas torneiras não se sacia com discursos. A confiança do povo não se reconstrói com placas inaugurais.

A barragem do Catolé é, sim, um marco — da demora, da negligência e da memória seletiva. Que ela seja concluída, e logo. Mas que também sirva de lembrete: o tempo da inocência acabou. E não aceitaremos mais que nos vendam como vitória aquilo que, por direito, já deveria ser realidade há muito tempo.

ARTIGO – Fé que Move, Mãos que Agem

 

 

(Padre Carlos)

Há uma tentação silenciosa que ronda muitos de nós: a de espiritualizar tudo. A de achar que basta rezar e esperar. A de imaginar que a fé é um bilhete dourado que nos livra das dores e responsabilidades da vida. Mas a verdade — profunda, simples e, às vezes, dura — é que fé não é cruzar os braços esperando o milagre acontecer. Fé é levantar-se, calçar as sandálias, e caminhar, mesmo sem ver o chão firme à frente.

Há coisas que não se negociam. Não adianta pedir a Deus força e continuar imóvel. Se o filho precisa ir à escola, é preciso levá-lo. Se o sonho pede esforço, é preciso suar. Se o caminho é estreito, é preciso ter coragem de seguir. Deus não entrega medalhas, Ele oferece batalhas. Porque é na luta que o espírito amadurece, e é na travessia que se revela o tamanho da fé.

Muitos pedem a Deus um relacionamento e esperam o príncipe encantado bater à porta. Mas Deus não trabalha com encantamentos, Ele trabalha com encontros. Ele coloca pessoas no nosso caminho, abre veredas, entrega nas nossas mãos uma faca simbólica para cortar o mato do percurso. Ele nos chama à construção, e não à espera.

Foi assim também com Moisés. O mar só se abriu quando o povo colocou os pés na água. A fé não foi um discurso, foi um gesto. Um passo dado na confiança de que Deus cumpriria Sua palavra. A fé não substitui o esforço humano — ela o potencializa. É o elo entre a promessa e a ação.

Por isso, faça a sua parte. Ore, sim, mas aja. A fé é movimento, é entrega e é compromisso. Relacionar-se com Deus é um diálogo de amor e confiança, e não uma lista de pedidos. Quando dizemos “Senhor, eu confio em Ti”, estamos dizendo também: “Senhor, estou disposto a fazer o que me cabe.”

A verdadeira espiritualidade não é alienação — é conexão. É caminhar com Deus, não fugir do mundo. É trabalhar acreditando que o divino age através das nossas mãos. É plantar e esperar, mas também regar.

E, no fim, quando o coração se aquieta, vem a paz — não a paz da fuga, mas a paz da confiança. A paz de quem sabe que Deus não falha, ainda que exija de nós coragem para atravessar o mar.

Porque o milagre acontece, sim. Mas ele começa quando você dá o primeiro passo.

ARTIGO – Fé que Move, Mãos que Agem

 

 

(Padre Carlos)

Há uma tentação silenciosa que ronda muitos de nós: a de espiritualizar tudo. A de achar que basta rezar e esperar. A de imaginar que a fé é um bilhete dourado que nos livra das dores e responsabilidades da vida. Mas a verdade — profunda, simples e, às vezes, dura — é que fé não é cruzar os braços esperando o milagre acontecer. Fé é levantar-se, calçar as sandálias, e caminhar, mesmo sem ver o chão firme à frente.

Há coisas que não se negociam. Não adianta pedir a Deus força e continuar imóvel. Se o filho precisa ir à escola, é preciso levá-lo. Se o sonho pede esforço, é preciso suar. Se o caminho é estreito, é preciso ter coragem de seguir. Deus não entrega medalhas, Ele oferece batalhas. Porque é na luta que o espírito amadurece, e é na travessia que se revela o tamanho da fé.

Muitos pedem a Deus um relacionamento e esperam o príncipe encantado bater à porta. Mas Deus não trabalha com encantamentos, Ele trabalha com encontros. Ele coloca pessoas no nosso caminho, abre veredas, entrega nas nossas mãos uma faca simbólica para cortar o mato do percurso. Ele nos chama à construção, e não à espera.

Foi assim também com Moisés. O mar só se abriu quando o povo colocou os pés na água. A fé não foi um discurso, foi um gesto. Um passo dado na confiança de que Deus cumpriria Sua palavra. A fé não substitui o esforço humano — ela o potencializa. É o elo entre a promessa e a ação.

Por isso, faça a sua parte. Ore, sim, mas aja. A fé é movimento, é entrega e é compromisso. Relacionar-se com Deus é um diálogo de amor e confiança, e não uma lista de pedidos. Quando dizemos “Senhor, eu confio em Ti”, estamos dizendo também: “Senhor, estou disposto a fazer o que me cabe.”

A verdadeira espiritualidade não é alienação — é conexão. É caminhar com Deus, não fugir do mundo. É trabalhar acreditando que o divino age através das nossas mãos. É plantar e esperar, mas também regar.

E, no fim, quando o coração se aquieta, vem a paz — não a paz da fuga, mas a paz da confiança. A paz de quem sabe que Deus não falha, ainda que exija de nós coragem para atravessar o mar.

Porque o milagre acontece, sim. Mas ele começa quando você dá o primeiro passo.