Política e Resenha

ARTIGO – Quando o Passado Sussurra no Rádio (Padre Carlos)

 

 

Às vezes, é só um gesto automático. Ligamos o rádio do carro como quem espanta o silêncio da manhã. A cidade já se agita, as crianças conversam no banco de trás, os faróis se sucedem em seu balé apressado. E então, sem que ninguém espere, começa a tocar uma música esquecida – daquelas que o tempo não matou, só escondeu.

Alguém comenta qualquer coisa no banco do carona, mas já não ouvimos. A mente fica, o corpo dirige, mas a alma… a alma volta no tempo. E tudo o que estava guardado com tanto esforço, trancado a sete chaves num canto discreto do peito, resolve sair para dançar ao som daquela canção.

Como esconder dos meninos esse tremor súbito? Como disfarçar que uma lágrima ameaça brotar, mesmo quando fingimos coçar os olhos por causa da claridade? Como explicar que aquela música, tão comum para eles, era nossa oração silenciosa numa época em que o medo morava nas esquinas e o futuro era uma incógnita entre grades e fuzis?

Nós éramos tão jovens, tão certos do que era justo. Marchávamos nas passeatas com cartazes e esperança, mesmo sabendo que os olhos da repressão nos miravam com frieza. Ela estava lá, a militante de olhar firme e mãos pequenas. Acreditava em mudança com uma fé que hoje raramente se vê. Ele também estava, aquele companheiro que sabia fazer poesia com panfletos e resistência com afeto.

Mas o tempo é cruel com os que amam com intensidade. Ele se foi antes do fim da luta. E ela… nunca mais foi a mesma depois daquela madrugada.

E agora, tudo volta por causa de um refrão qualquer. A cidade não nota. O trânsito avança. Os filhos perguntam sobre o lanche. Mas cá dentro, um universo inteiro se reanima. Aquele cheiro de jornal rodando clandestino, o sabor do café amargo nas reuniões secretas, o frio na espinha ao ver uma viatura desacelerar. E o abraço apressado antes da última assembleia. Onde estarão agora?

A memória afetiva não pede licença. Ela invade, reencena, reacende. E mesmo que o tempo cronológico diga que se passaram décadas, há algo em nós que permanece lá – vivendo tudo de novo, como se não tivesse havido intervalo.

Vivemos de lembranças que preferimos não nomear. Não por vergonha, mas por pudor. Porque há dores que não se explicam, e saudades que só a música sabe traduzir.

E então seguimos. Ligamos o rádio, ajustamos o volume, enxugamos o canto do olho. E seguimos. Com o coração um pouco mais apertado, mas também mais vivo. Porque lembrar, mesmo que doa, é prova de que sentimos profundamente. De que existimos por inteiro.

E talvez, só talvez, isso seja o que ainda nos mantém humanos.

ARTIGO – Quando o Passado Sussurra no Rádio (Padre Carlos)

 

 

Às vezes, é só um gesto automático. Ligamos o rádio do carro como quem espanta o silêncio da manhã. A cidade já se agita, as crianças conversam no banco de trás, os faróis se sucedem em seu balé apressado. E então, sem que ninguém espere, começa a tocar uma música esquecida – daquelas que o tempo não matou, só escondeu.

Alguém comenta qualquer coisa no banco do carona, mas já não ouvimos. A mente fica, o corpo dirige, mas a alma… a alma volta no tempo. E tudo o que estava guardado com tanto esforço, trancado a sete chaves num canto discreto do peito, resolve sair para dançar ao som daquela canção.

Como esconder dos meninos esse tremor súbito? Como disfarçar que uma lágrima ameaça brotar, mesmo quando fingimos coçar os olhos por causa da claridade? Como explicar que aquela música, tão comum para eles, era nossa oração silenciosa numa época em que o medo morava nas esquinas e o futuro era uma incógnita entre grades e fuzis?

Nós éramos tão jovens, tão certos do que era justo. Marchávamos nas passeatas com cartazes e esperança, mesmo sabendo que os olhos da repressão nos miravam com frieza. Ela estava lá, a militante de olhar firme e mãos pequenas. Acreditava em mudança com uma fé que hoje raramente se vê. Ele também estava, aquele companheiro que sabia fazer poesia com panfletos e resistência com afeto.

Mas o tempo é cruel com os que amam com intensidade. Ele se foi antes do fim da luta. E ela… nunca mais foi a mesma depois daquela madrugada.

E agora, tudo volta por causa de um refrão qualquer. A cidade não nota. O trânsito avança. Os filhos perguntam sobre o lanche. Mas cá dentro, um universo inteiro se reanima. Aquele cheiro de jornal rodando clandestino, o sabor do café amargo nas reuniões secretas, o frio na espinha ao ver uma viatura desacelerar. E o abraço apressado antes da última assembleia. Onde estarão agora?

A memória afetiva não pede licença. Ela invade, reencena, reacende. E mesmo que o tempo cronológico diga que se passaram décadas, há algo em nós que permanece lá – vivendo tudo de novo, como se não tivesse havido intervalo.

Vivemos de lembranças que preferimos não nomear. Não por vergonha, mas por pudor. Porque há dores que não se explicam, e saudades que só a música sabe traduzir.

E então seguimos. Ligamos o rádio, ajustamos o volume, enxugamos o canto do olho. E seguimos. Com o coração um pouco mais apertado, mas também mais vivo. Porque lembrar, mesmo que doa, é prova de que sentimos profundamente. De que existimos por inteiro.

E talvez, só talvez, isso seja o que ainda nos mantém humanos.

A voz que se cala, mas jamais se apaga (Padre Carlos)

 

 

A cidade de Vitória da Conquista amanheceu mais silenciosa nesta quarta-feira. O luto não é apenas dos familiares, dos colegas e dos amigos do professor Chico Carvalho — é um luto coletivo, uma tristeza entranhada na alma da cidade que ele ajudou a construir com palavras, ideias, afeto e compromisso com a educação pública.

Francisco dos Santos Carvalho, ou simplesmente Chico, como todos o chamavam com afeto e respeito, não era apenas um servidor público exemplar. Ele era um símbolo de uma geração que acreditava na universidade como espaço de transformação, justiça social e desenvolvimento regional. Na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), sua marca é indelével. Por quase três décadas, ele não apenas trabalhou ali — ele foi parte viva de sua história.

Mas Chico foi além da sala de aula e das rotinas administrativas. Ele compreendia que a defesa da educação pública passava também pela luta sindical e política. Como presidente da AFUS, não hesitou em enfrentar os desafios da valorização dos servidores técnico-administrativos, tornando-se referência em ética, coragem e diálogo. Era firme sem ser intransigente, doce sem ser frágil.

Também fez história na FAINOR, onde deixou seu legado como educador atento ao tempo e comprometido com a formação de cidadãos. Seu jeito simples escondia a profundidade de quem tinha no olhar uma preocupação permanente com o futuro da juventude e da cidade.

A perda de Chico Carvalho é irreparável. Seu nome, entretanto, seguirá ecoando nos corredores da universidade, nos corações de ex-alunos e nas memórias dos que acreditam que a educação é a principal ferramenta de emancipação humana.

Neste momento de dor, é impossível não pensar que uma das vozes mais lúcidas da nossa Conquista se calou. Mas também é certo que sua semente está plantada — e florescerá em cada gesto de resistência, em cada aula que forme consciência crítica, em cada servidor que não se curve diante da indiferença.

Descanse em paz, professor Chico. Conquista jamais o esquecerá.

A voz que se cala, mas jamais se apaga (Padre Carlos)

 

 

A cidade de Vitória da Conquista amanheceu mais silenciosa nesta quarta-feira. O luto não é apenas dos familiares, dos colegas e dos amigos do professor Chico Carvalho — é um luto coletivo, uma tristeza entranhada na alma da cidade que ele ajudou a construir com palavras, ideias, afeto e compromisso com a educação pública.

Francisco dos Santos Carvalho, ou simplesmente Chico, como todos o chamavam com afeto e respeito, não era apenas um servidor público exemplar. Ele era um símbolo de uma geração que acreditava na universidade como espaço de transformação, justiça social e desenvolvimento regional. Na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), sua marca é indelével. Por quase três décadas, ele não apenas trabalhou ali — ele foi parte viva de sua história.

Mas Chico foi além da sala de aula e das rotinas administrativas. Ele compreendia que a defesa da educação pública passava também pela luta sindical e política. Como presidente da AFUS, não hesitou em enfrentar os desafios da valorização dos servidores técnico-administrativos, tornando-se referência em ética, coragem e diálogo. Era firme sem ser intransigente, doce sem ser frágil.

Também fez história na FAINOR, onde deixou seu legado como educador atento ao tempo e comprometido com a formação de cidadãos. Seu jeito simples escondia a profundidade de quem tinha no olhar uma preocupação permanente com o futuro da juventude e da cidade.

A perda de Chico Carvalho é irreparável. Seu nome, entretanto, seguirá ecoando nos corredores da universidade, nos corações de ex-alunos e nas memórias dos que acreditam que a educação é a principal ferramenta de emancipação humana.

Neste momento de dor, é impossível não pensar que uma das vozes mais lúcidas da nossa Conquista se calou. Mas também é certo que sua semente está plantada — e florescerá em cada gesto de resistência, em cada aula que forme consciência crítica, em cada servidor que não se curve diante da indiferença.

Descanse em paz, professor Chico. Conquista jamais o esquecerá.

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta quarta-feira

 

 

Da Redação
Publicado em 21 de maio de 2025

 

Folha de S.Paulo
CNJ dificulta criação por decisão administrativa de penduricalhos para juízes

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2025/05/cnj-proibe-juizes-de-receberem-pagamento-retroativo-por-decisao-administrativa-de-tribunais.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Classe média deve pagar mais pela luz para isentar baixa renda

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-classe-media-deve-pagar-mais-pela-luz-para-isentar-baixa-renda/?srsltid=AfmBOoqxFiTnSnzY_NxcvB895p1vXvOS6yJ5I3lgZekmIwE0VT_8cxM1

 

Valor Econômico (SP)
Fila do INSS cresce 31% desde dezembro e atinge 2,68 milhões de pedidos em espera

https://valor.globo.com/impresso/noticia/2025/05/21/fila-do-inss-cresce-31-desde-dezembro-e-atinge-268-milhoes-de-pedidos-em-espera.ghtml

 

O Globo (RJ)
Câmara acelera projeto de lei que extingue descontos na folha do INSS

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/05/19/inss-entenda-projeto-que-proibe-descontos-em-aposentadorias-e-deve-ser-votado-pela-camara.ghtml

 

O Dia (RJ)
DÍVIDA ATIVA
Programa Carioca em Dia dá descontos para contribuintes

https://odia.ig.com.br/economia/2025/05/7059476-carioca-em-dia-mais-de-120-mil-contribuintes-recebem-notificacao-para-aderir-ao-programa.html

 

Estado de Minas
SAÚDE ESTADUAL
Quatro hospitais de BH e um novo destino

https://www.em.com.br/gerais/2024/04/6843934-governo-tera-que-definir-novo-destino-para-verbas-do-hospital-de-jf.html

 

Zero Hora (RS)
Estado decreta emergência na saúde para enfrentar doenças respiratórias

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2025/05/governo-do-rs-decreta-situacao-de-emergencia-na-saude-devido-ao-aumento-nos-casos-de-crises-respiratorias-cmav5zafe002a013bcsl6z0bq.html

 

Diário de Pernambuco
INSS pagará R$ 60 mil a crianças com microcefalia

https://www.diariodepernambuco.com.br/vida-urbana/2025/05/3893948-criancas-com-microcefalia-receberao-auxilio-de-rs-60-mil-do-inss.html

 

Jornal do Commercio (PE)
STF rejeita denúncias de suspeitos de tramar golpe pela primeira vez

https://digital.jc.uol.com.br/edicao?ed=2317

 

A Tarde (BA)
Bahia é o 4º estado com mais tentativas de fraude

https://atarde.com.br/bahia/bahia-e-o-4-estado-em-tentativas-de-fraudes-veja-dicas-para-fugir-dos-golpes-1318520#:~:text=A%20Bahia%20%C3%A9%20o%20quarto,especializada%20na%20%C3%A1rea%20de%20preven%C3%A7%C3%A3o.

 

Diário do Nordeste (CE)
Furto de energia no Ceará abasteceria quatro cidades

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/energia-furtada-no-ce-em-2024-abasteceria-por-um-ano-caucaia-maracanau-sobral-e-juazeiro-do-norte-1.3652050

 

 

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta quarta-feira

 

 

Da Redação
Publicado em 21 de maio de 2025

 

Folha de S.Paulo
CNJ dificulta criação por decisão administrativa de penduricalhos para juízes

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2025/05/cnj-proibe-juizes-de-receberem-pagamento-retroativo-por-decisao-administrativa-de-tribunais.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Classe média deve pagar mais pela luz para isentar baixa renda

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-classe-media-deve-pagar-mais-pela-luz-para-isentar-baixa-renda/?srsltid=AfmBOoqxFiTnSnzY_NxcvB895p1vXvOS6yJ5I3lgZekmIwE0VT_8cxM1

 

Valor Econômico (SP)
Fila do INSS cresce 31% desde dezembro e atinge 2,68 milhões de pedidos em espera

https://valor.globo.com/impresso/noticia/2025/05/21/fila-do-inss-cresce-31-desde-dezembro-e-atinge-268-milhoes-de-pedidos-em-espera.ghtml

 

O Globo (RJ)
Câmara acelera projeto de lei que extingue descontos na folha do INSS

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/05/19/inss-entenda-projeto-que-proibe-descontos-em-aposentadorias-e-deve-ser-votado-pela-camara.ghtml

 

O Dia (RJ)
DÍVIDA ATIVA
Programa Carioca em Dia dá descontos para contribuintes

https://odia.ig.com.br/economia/2025/05/7059476-carioca-em-dia-mais-de-120-mil-contribuintes-recebem-notificacao-para-aderir-ao-programa.html

 

Estado de Minas
SAÚDE ESTADUAL
Quatro hospitais de BH e um novo destino

https://www.em.com.br/gerais/2024/04/6843934-governo-tera-que-definir-novo-destino-para-verbas-do-hospital-de-jf.html

 

Zero Hora (RS)
Estado decreta emergência na saúde para enfrentar doenças respiratórias

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2025/05/governo-do-rs-decreta-situacao-de-emergencia-na-saude-devido-ao-aumento-nos-casos-de-crises-respiratorias-cmav5zafe002a013bcsl6z0bq.html

 

Diário de Pernambuco
INSS pagará R$ 60 mil a crianças com microcefalia

https://www.diariodepernambuco.com.br/vida-urbana/2025/05/3893948-criancas-com-microcefalia-receberao-auxilio-de-rs-60-mil-do-inss.html

 

Jornal do Commercio (PE)
STF rejeita denúncias de suspeitos de tramar golpe pela primeira vez

https://digital.jc.uol.com.br/edicao?ed=2317

 

A Tarde (BA)
Bahia é o 4º estado com mais tentativas de fraude

https://atarde.com.br/bahia/bahia-e-o-4-estado-em-tentativas-de-fraudes-veja-dicas-para-fugir-dos-golpes-1318520#:~:text=A%20Bahia%20%C3%A9%20o%20quarto,especializada%20na%20%C3%A1rea%20de%20preven%C3%A7%C3%A3o.

 

Diário do Nordeste (CE)
Furto de energia no Ceará abasteceria quatro cidades

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/energia-furtada-no-ce-em-2024-abasteceria-por-um-ano-caucaia-maracanau-sobral-e-juazeiro-do-norte-1.3652050

 

 

A Tênue Linha Entre Proteção e Autonomia: O Futuro dos Descontos no INSS

 

 

 

 

No silêncio de muitos lares brasileiros, idosos contemplam seus contracheques com um misto de confusão e impotência. Nas linhas e números daquele papel, não veem apenas valores — enxergam sua dignidade escoando entre os dedos enrugados pelo tempo. É neste cenário de vulnerabilidade que nasce a proposta aprovada ontem na Câmara dos Deputados, em regime de urgência: o projeto que proíbe descontos automáticos de mensalidades associativas nos benefícios do INSS.

Por trás da frieza dos números e procedimentos legislativos, pulsa uma realidade dolorosa. Mais de 1,74 milhão de aposentados e pensionistas solicitaram reembolso de descontos não autorizados. Cada solicitação não é apenas um trâmite burocrático — é o grito silencioso de quem viu seu suado benefício diminuir sem seu consentimento, é o suspiro de indignação de quem passou a vida contribuindo e agora se vê vítima de um sistema que deveria protegê-lo.

Há algo profundamente perturbador quando aqueles que construíram nosso país com o suor de seu trabalho se tornam presas fáceis para organizações criminosas. Os idosos, que deveriam colher os frutos de uma vida de dedicação, veem-se perdidos em um labirinto de descontos inexplicáveis, como folhas ao vento, sem controle sobre o próprio destino financeiro.

No entanto, esta questão carrega em si uma dualidade que parte o coração. Se por um lado a medida busca proteger os mais vulneráveis de fraudes predatórias, por outro, pode silenciar vozes coletivas que por décadas lutaram pelos direitos dessa população. Os sindicatos rurais e as associações de aposentados não são meras estruturas burocráticas — são espaços de acolhimento, de pertencimento, de luta compartilhada.

Quantas conquistas nasceram dessas uniões? Quantas mãos calejadas se ergueram juntas em assembleias para garantir direitos que, sozinhas, jamais conseguiriam? Há uma beleza quase poética na força coletiva que agora pode se dissipar como névoa ao amanhecer.

A urgência aprovada para este projeto revela não apenas a gravidade da situação, mas também o peso das emoções envolvidas. O presidente da Câmara, Hugo Motta, promete analisar o mérito já na próxima semana, unindo todas as propostas relacionadas ao combate de fraudes no INSS. Nesse ínterim, milhares de idosos aguardam, com o coração apertado entre esperança e receio.

Esta é uma encruzilhada delicada para nossa sociedade. Como proteger sem sufocar? Como preservar a autonomia sem expor à vulnerabilidade? Talvez a resposta não esteja em vetar completamente os descontos, mas em criar mecanismos transparentes de consentimento e fiscalização que respeitem a dignidade e a capacidade de escolha dos beneficiários.

No fim, o que está em jogo não é apenas um procedimento administrativo ou uma questão contábil. É o direito fundamental de nossos idosos de decidirem sobre seus próprios recursos, de serem sujeitos de sua história até o último suspiro. É também o futuro da representatividade coletiva, dos espaços de acolhimento e luta que tanto significam para quem já carrega o peso de uma sociedade que frequentemente os invisibiliza.

Que possamos encontrar um caminho que honre tanto a proteção quanto a autonomia, que respeite tanto a vulnerabilidade quanto a força dos nossos aposentados e pensionistas. Afinal, o valor de uma sociedade pode ser medido pelo modo como trata seus membros mais vulneráveis — e também pelo modo como respeita suas escolhas e sua dignidade.

A Tênue Linha Entre Proteção e Autonomia: O Futuro dos Descontos no INSS

 

 

 

 

No silêncio de muitos lares brasileiros, idosos contemplam seus contracheques com um misto de confusão e impotência. Nas linhas e números daquele papel, não veem apenas valores — enxergam sua dignidade escoando entre os dedos enrugados pelo tempo. É neste cenário de vulnerabilidade que nasce a proposta aprovada ontem na Câmara dos Deputados, em regime de urgência: o projeto que proíbe descontos automáticos de mensalidades associativas nos benefícios do INSS.

Por trás da frieza dos números e procedimentos legislativos, pulsa uma realidade dolorosa. Mais de 1,74 milhão de aposentados e pensionistas solicitaram reembolso de descontos não autorizados. Cada solicitação não é apenas um trâmite burocrático — é o grito silencioso de quem viu seu suado benefício diminuir sem seu consentimento, é o suspiro de indignação de quem passou a vida contribuindo e agora se vê vítima de um sistema que deveria protegê-lo.

Há algo profundamente perturbador quando aqueles que construíram nosso país com o suor de seu trabalho se tornam presas fáceis para organizações criminosas. Os idosos, que deveriam colher os frutos de uma vida de dedicação, veem-se perdidos em um labirinto de descontos inexplicáveis, como folhas ao vento, sem controle sobre o próprio destino financeiro.

No entanto, esta questão carrega em si uma dualidade que parte o coração. Se por um lado a medida busca proteger os mais vulneráveis de fraudes predatórias, por outro, pode silenciar vozes coletivas que por décadas lutaram pelos direitos dessa população. Os sindicatos rurais e as associações de aposentados não são meras estruturas burocráticas — são espaços de acolhimento, de pertencimento, de luta compartilhada.

Quantas conquistas nasceram dessas uniões? Quantas mãos calejadas se ergueram juntas em assembleias para garantir direitos que, sozinhas, jamais conseguiriam? Há uma beleza quase poética na força coletiva que agora pode se dissipar como névoa ao amanhecer.

A urgência aprovada para este projeto revela não apenas a gravidade da situação, mas também o peso das emoções envolvidas. O presidente da Câmara, Hugo Motta, promete analisar o mérito já na próxima semana, unindo todas as propostas relacionadas ao combate de fraudes no INSS. Nesse ínterim, milhares de idosos aguardam, com o coração apertado entre esperança e receio.

Esta é uma encruzilhada delicada para nossa sociedade. Como proteger sem sufocar? Como preservar a autonomia sem expor à vulnerabilidade? Talvez a resposta não esteja em vetar completamente os descontos, mas em criar mecanismos transparentes de consentimento e fiscalização que respeitem a dignidade e a capacidade de escolha dos beneficiários.

No fim, o que está em jogo não é apenas um procedimento administrativo ou uma questão contábil. É o direito fundamental de nossos idosos de decidirem sobre seus próprios recursos, de serem sujeitos de sua história até o último suspiro. É também o futuro da representatividade coletiva, dos espaços de acolhimento e luta que tanto significam para quem já carrega o peso de uma sociedade que frequentemente os invisibiliza.

Que possamos encontrar um caminho que honre tanto a proteção quanto a autonomia, que respeite tanto a vulnerabilidade quanto a força dos nossos aposentados e pensionistas. Afinal, o valor de uma sociedade pode ser medido pelo modo como trata seus membros mais vulneráveis — e também pelo modo como respeita suas escolhas e sua dignidade.

ARTIGO – Corações que Sangram em Silêncio: O Legado Invisível dos que Nos Deram Vida

 

Por Padre Carlos

Há na natureza uma cena que desafia nossa compreensão sobre o amor: a mãe escorpião, em seu último ato de entrega, permite que seus próprios filhotes se alimentem de seu corpo. Ela não foge. Não grita. Apenas permanece imóvel, sacrificando-se em silêncio enquanto sua carne é devorada pelos seres que trouxe ao mundo. Um espetáculo brutal e, ao mesmo tempo, profundamente comovente de abnegação absoluta.

Este fenômeno, tão distante de nossa realidade cotidiana, carrega um espelho doloroso para nossa própria humanidade. Quantos pais e mães humanos não vivem, diariamente, uma versão menos literal, mas igualmente profunda, desse sacrifício silencioso?

Eles são os escorpiões de nossa espécie – trabalhadores incansáveis que gradualmente consomem suas próprias forças, seus próprios sonhos, suas próprias vidas. Levantam-se antes do amanhecer, dormem depois de todos, sacrificam desejos pessoais, adiam projetos de vida. Envelhecem prematuramente sob o peso de responsabilidades que abraçaram não por obrigação, mas por um amor que transcende o instinto.

A mãe que abre mão da carreira promissora para criar os filhos. O pai que trabalha em dois empregos para pagar a faculdade dos descendentes. Os avós que assumem novamente o papel de pais quando seus próprios filhos não podem. Em cada esquina de nossa sociedade, há um escorpião humano permitindo ser consumido, dia após dia, para que outros possam florescer.

Mas diferente do aracnídeo, cujo sacrifício é honrado pela natureza em seu ciclo perfeito, quantos de nossos “escorpiões humanos” terminam abandonados? Quantos pais, após décadas de entrega silenciosa, encontram-se em asilos vazios de visitas? Quantas mães, de mãos enrugadas e corações ainda cheios de amor, aguardam ligações que raramente vêm?

O tempo passa. O corpo cansa. E quando aqueles que tudo deram já não podem mais oferecer, são frequentemente deixados à margem da vida que ajudaram a construir. Trocados por ambições, compromissos, pela ilusão de que haverá tempo depois. Como se o amor que nos gerou fosse um recurso infinito, um poço sem fundo do qual podemos sempre extrair sem jamais precisar repor.

Há uma crueldade peculiar em nossa espécie – a capacidade de esquecer. De normalizar o extraordinário. De receber sacrifícios como se fossem obrigações. De considerar natural que pais envelheçam sozinhos enquanto construímos nossas vidas “ocupadas demais” para incluí-los.

Talvez seja tempo de olharmos para os escorpiões não com repulsa por sua brutalidade, mas com humildade diante de sua sabedoria. Eles nos ensinam que o amor verdadeiro não pede nada em troca – mas isso não significa que não devamos oferecer.

Pergunto-te, então: o que tens feito com os escorpiões da tua vida? Aqueles que consumiram suas próprias forças para que pudesses ter as tuas? Aqueles que, talvez neste exato momento, sentados em uma poltrona desgastada, aguardam não presentes caros, não soluções mágicas, mas apenas o calor da tua presença, o som da tua voz, a certeza de que seu sacrifício não foi em vão?

Amanhã pode ser tarde demais. O arrependimento é uma sombra fria que não aquece corações solitários nem preenche ausências. Não espere pelo “um dia” para retribuir, ainda que parcialmente, o amor que te permitiu ser quem és hoje.

Eles entregaram sua vida por ti. Será que não merecem, ao menos, um pouco do teu tempo?

Cuida dos teus hoje, enquanto o relógio ainda permite escolhas. O escorpião não pode fugir de seu destino – mas nós, humanos dotados de consciência e escolha, podemos escrever um final diferente para nossa história.

 

ARTIGO – Corações que Sangram em Silêncio: O Legado Invisível dos que Nos Deram Vida

 

Por Padre Carlos

Há na natureza uma cena que desafia nossa compreensão sobre o amor: a mãe escorpião, em seu último ato de entrega, permite que seus próprios filhotes se alimentem de seu corpo. Ela não foge. Não grita. Apenas permanece imóvel, sacrificando-se em silêncio enquanto sua carne é devorada pelos seres que trouxe ao mundo. Um espetáculo brutal e, ao mesmo tempo, profundamente comovente de abnegação absoluta.

Este fenômeno, tão distante de nossa realidade cotidiana, carrega um espelho doloroso para nossa própria humanidade. Quantos pais e mães humanos não vivem, diariamente, uma versão menos literal, mas igualmente profunda, desse sacrifício silencioso?

Eles são os escorpiões de nossa espécie – trabalhadores incansáveis que gradualmente consomem suas próprias forças, seus próprios sonhos, suas próprias vidas. Levantam-se antes do amanhecer, dormem depois de todos, sacrificam desejos pessoais, adiam projetos de vida. Envelhecem prematuramente sob o peso de responsabilidades que abraçaram não por obrigação, mas por um amor que transcende o instinto.

A mãe que abre mão da carreira promissora para criar os filhos. O pai que trabalha em dois empregos para pagar a faculdade dos descendentes. Os avós que assumem novamente o papel de pais quando seus próprios filhos não podem. Em cada esquina de nossa sociedade, há um escorpião humano permitindo ser consumido, dia após dia, para que outros possam florescer.

Mas diferente do aracnídeo, cujo sacrifício é honrado pela natureza em seu ciclo perfeito, quantos de nossos “escorpiões humanos” terminam abandonados? Quantos pais, após décadas de entrega silenciosa, encontram-se em asilos vazios de visitas? Quantas mães, de mãos enrugadas e corações ainda cheios de amor, aguardam ligações que raramente vêm?

O tempo passa. O corpo cansa. E quando aqueles que tudo deram já não podem mais oferecer, são frequentemente deixados à margem da vida que ajudaram a construir. Trocados por ambições, compromissos, pela ilusão de que haverá tempo depois. Como se o amor que nos gerou fosse um recurso infinito, um poço sem fundo do qual podemos sempre extrair sem jamais precisar repor.

Há uma crueldade peculiar em nossa espécie – a capacidade de esquecer. De normalizar o extraordinário. De receber sacrifícios como se fossem obrigações. De considerar natural que pais envelheçam sozinhos enquanto construímos nossas vidas “ocupadas demais” para incluí-los.

Talvez seja tempo de olharmos para os escorpiões não com repulsa por sua brutalidade, mas com humildade diante de sua sabedoria. Eles nos ensinam que o amor verdadeiro não pede nada em troca – mas isso não significa que não devamos oferecer.

Pergunto-te, então: o que tens feito com os escorpiões da tua vida? Aqueles que consumiram suas próprias forças para que pudesses ter as tuas? Aqueles que, talvez neste exato momento, sentados em uma poltrona desgastada, aguardam não presentes caros, não soluções mágicas, mas apenas o calor da tua presença, o som da tua voz, a certeza de que seu sacrifício não foi em vão?

Amanhã pode ser tarde demais. O arrependimento é uma sombra fria que não aquece corações solitários nem preenche ausências. Não espere pelo “um dia” para retribuir, ainda que parcialmente, o amor que te permitiu ser quem és hoje.

Eles entregaram sua vida por ti. Será que não merecem, ao menos, um pouco do teu tempo?

Cuida dos teus hoje, enquanto o relógio ainda permite escolhas. O escorpião não pode fugir de seu destino – mas nós, humanos dotados de consciência e escolha, podemos escrever um final diferente para nossa história.

 

Ciência Ignorada: Quando o Brasil Ganha o “Nobel da Agricultura” e Escolhe Falar de Bets

 

Por Padre Carlos

Você sabia que uma brasileira venceu o “Nobel da Agricultura” em 2025?

Se a resposta for “não”, você não está sozinho. O feito histórico da Dra. Mariangela Hungria, cientista da Embrapa Soja, passou praticamente despercebido na grande mídia nacional — e não por falta de importância. Justamente no dia em que ela foi anunciada como vencedora do World Food Prize 2025, o mais prestigioso prêmio internacional na área de agricultura e segurança alimentar, os holofotes estavam voltados para outro “evento”: a visita de uma influenciadora digital de apostas esportivas ao Senado Federal. E adivinhe qual dos dois assuntos dominou as manchetes?

Pois é.

Enquanto a mídia debatia a presença performática de Virginia Fonseca nas dependências do poder público, um marco da ciência brasileira era ignorado. Uma cientista nascida e formada aqui, reconhecida internacionalmente por desenvolver soluções sustentáveis que podem literalmente alimentar o mundo com menos impacto ambiental, recebia o prêmio fundado por Norman Borlaug, Prêmio Nobel da Paz e criador da Revolução Verde. Mas quem celebrou isso fora dos círculos acadêmicos e especializados?

Dra. Mariangela Hungria não é apenas uma pesquisadora de excelência — é uma gigante silenciosa da ciência nacional. Engenheira agrônoma pela Esalq/USP, com doutorado e pós-doutorados em instituições como Cornell e UC Davis, atua na Embrapa desde 1982. Seu foco? Reduzir a dependência de fertilizantes químicos, substituindo-os por tecnologias biológicas de fixação de nitrogênio — uma abordagem que permite produzir mais com menos: menos poluição, menos gasto, menos destruição ambiental.

Com atuação em projetos da Fundação Bill & Melinda Gates na África, colaborações com universidades dos EUA, Europa, América Latina e Oceania, e presença constante em rankings de cientistas mais influentes do mundo, Mariangela é um nome que deveria estar estampado nas capas de jornais, inspirando meninas a seguirem na ciência, impulsionando o orgulho nacional e orientando políticas públicas. Mas em vez disso, o Brasil preferiu falar de apostas e selfies no Senado.

O que isso nos revela? Um problema crônico de prioridades.

A ausência de cobertura não é mero descuido. É reflexo da subvalorização estrutural da ciência no Brasil. Nossos melhores cérebros seguem invisíveis enquanto celebramos escândalos, frivolidades e distrações. No país em que o orçamento de ciência e tecnologia é sistematicamente cortado, não surpreende que os próprios meios de comunicação ajam como cúmplices desse apagamento simbólico.

Mas essa narrativa precisa mudar. Porque é justamente em nomes como o de Mariangela Hungria que está o futuro que queremos: um país capaz de inovar sem destruir, de alimentar sem contaminar, de crescer sem perder o que tem de mais valioso — sua gente e sua natureza.

Premiações como o World Food Prize não são apenas troféus. São alertas. O mundo reconhece nossa capacidade. E nós, aqui dentro, quando vamos começar a fazer o mesmo?

Parabéns, Dra. Mariangela Hungria. Sua conquista é, sim, notícia. Sua trajetória é, sim, um orgulho nacional. Que sua voz ecoe mais alto do que os ruídos que insistem em nos distrair do que realmente importa.

Compartilhem. Espalhem. Corrijam essa injustiça. Porque o Brasil precisa ouvir mais sobre quem planta o futuro — e menos sobre quem aposta no caos.

 

Ciência Ignorada: Quando o Brasil Ganha o “Nobel da Agricultura” e Escolhe Falar de Bets

 

Por Padre Carlos

Você sabia que uma brasileira venceu o “Nobel da Agricultura” em 2025?

Se a resposta for “não”, você não está sozinho. O feito histórico da Dra. Mariangela Hungria, cientista da Embrapa Soja, passou praticamente despercebido na grande mídia nacional — e não por falta de importância. Justamente no dia em que ela foi anunciada como vencedora do World Food Prize 2025, o mais prestigioso prêmio internacional na área de agricultura e segurança alimentar, os holofotes estavam voltados para outro “evento”: a visita de uma influenciadora digital de apostas esportivas ao Senado Federal. E adivinhe qual dos dois assuntos dominou as manchetes?

Pois é.

Enquanto a mídia debatia a presença performática de Virginia Fonseca nas dependências do poder público, um marco da ciência brasileira era ignorado. Uma cientista nascida e formada aqui, reconhecida internacionalmente por desenvolver soluções sustentáveis que podem literalmente alimentar o mundo com menos impacto ambiental, recebia o prêmio fundado por Norman Borlaug, Prêmio Nobel da Paz e criador da Revolução Verde. Mas quem celebrou isso fora dos círculos acadêmicos e especializados?

Dra. Mariangela Hungria não é apenas uma pesquisadora de excelência — é uma gigante silenciosa da ciência nacional. Engenheira agrônoma pela Esalq/USP, com doutorado e pós-doutorados em instituições como Cornell e UC Davis, atua na Embrapa desde 1982. Seu foco? Reduzir a dependência de fertilizantes químicos, substituindo-os por tecnologias biológicas de fixação de nitrogênio — uma abordagem que permite produzir mais com menos: menos poluição, menos gasto, menos destruição ambiental.

Com atuação em projetos da Fundação Bill & Melinda Gates na África, colaborações com universidades dos EUA, Europa, América Latina e Oceania, e presença constante em rankings de cientistas mais influentes do mundo, Mariangela é um nome que deveria estar estampado nas capas de jornais, inspirando meninas a seguirem na ciência, impulsionando o orgulho nacional e orientando políticas públicas. Mas em vez disso, o Brasil preferiu falar de apostas e selfies no Senado.

O que isso nos revela? Um problema crônico de prioridades.

A ausência de cobertura não é mero descuido. É reflexo da subvalorização estrutural da ciência no Brasil. Nossos melhores cérebros seguem invisíveis enquanto celebramos escândalos, frivolidades e distrações. No país em que o orçamento de ciência e tecnologia é sistematicamente cortado, não surpreende que os próprios meios de comunicação ajam como cúmplices desse apagamento simbólico.

Mas essa narrativa precisa mudar. Porque é justamente em nomes como o de Mariangela Hungria que está o futuro que queremos: um país capaz de inovar sem destruir, de alimentar sem contaminar, de crescer sem perder o que tem de mais valioso — sua gente e sua natureza.

Premiações como o World Food Prize não são apenas troféus. São alertas. O mundo reconhece nossa capacidade. E nós, aqui dentro, quando vamos começar a fazer o mesmo?

Parabéns, Dra. Mariangela Hungria. Sua conquista é, sim, notícia. Sua trajetória é, sim, um orgulho nacional. Que sua voz ecoe mais alto do que os ruídos que insistem em nos distrair do que realmente importa.

Compartilhem. Espalhem. Corrijam essa injustiça. Porque o Brasil precisa ouvir mais sobre quem planta o futuro — e menos sobre quem aposta no caos.

 

Infraestrutura com Dois Pesos e Duas Medidas: A Injustiça Contra o Sudoeste Baiano

 

Por Padre Carlos

A imagem do prefeito de Feira de Santana, ladeado pelo ministro dos Transportes Renan Filho e pelo governador Jerônimo Rodrigues, celebrando a duplicação do anel de contorno da cidade, representa mais do que um avanço de infraestrutura: ela simboliza o poder da articulação política e da vontade administrativa. Uma obra aguardada por anos, agora impulsionada por um investimento de R$ 179,42 milhões, com previsão de entrega em apenas um ano, é, sem dúvida, um marco para os feirenses. Contudo, essa imagem vibrante e otimista traz à tona uma dolorosa reflexão: e Vitória da Conquista?

Enquanto a Princesa do Sertão experimenta a concretização de um antigo sonho, a maior cidade do sudoeste baiano amarga um cenário de abandono e negligência. A duplicação da BR-116, a construção de viadutos e outras intervenções que garantiriam segurança e fluidez ao tráfego urbano foram postas de lado, soterradas pela ineficiência e falta de compromisso da ViaBahia – uma concessão que já deveria ter sido revogada por desrespeito às mínimas exigências de um contrato público. A prefeita Sheila Lemos tem se mostrado incansável nas cobranças, alertando para o caráter emergencial das intervenções. Mas, até aqui, clama no deserto de promessas não cumpridas.

O contraste é gritante – e inaceitável. Se em Feira de Santana a duplicação do anel rodoviário será finalizada em um ano, em Vitória da Conquista, projetos similares contam com prazos absurdos de oito anos, isso se saírem do papel. O descompasso entre as regiões não é técnico, mas político. E é aí que mora a indignação.

A injustiça se aprofunda ainda mais quando olhamos para o norte baiano. Em Juazeiro, o governo federal avança com a duplicação de uma ponte, a extensão do projeto até a rotatória da Ceasa e a construção de três viadutos. Tudo com recursos 100% públicos. Nada de pedágios, nada de concessões, nada de ônus adicional ao cidadão. Um investimento de R$ 180 milhões que escancara o verdadeiro divisor de águas: a prioridade política. Há, sim, dinheiro público. Falta é decisão para que ele chegue a quem também precisa – e merece.

Não se trata de apontar o dedo para o progresso de outras cidades. Feira de Santana e Juazeiro merecem seus avanços, assim como qualquer município que luta por dias melhores. O problema está na ausência de isonomia, no critério desigual com que o governo federal, por meio do DNIT, distribui os investimentos em infraestrutura. Vitória da Conquista não pode continuar sendo a exceção em um estado que avança em diferentes frentes com recursos públicos diretos.

É inaceitável que se insista na privatização como única solução para a malha viária conquistense, quando há provas concretas de que é possível realizar obras estruturantes sem recorrer à iniciativa privada. A concessão da ViaBahia é um fracasso evidente, um entrave ao desenvolvimento, e não pode continuar sendo o álibi para a inação.

Diante dessa realidade, Vitória da Conquista precisa reagir. A hora é de união. A sociedade civil, empresários, trabalhadores, lideranças religiosas, movimentos sociais e representantes políticos – independentemente de filiações partidárias – devem formar uma frente única e coesa em defesa do que é justo. Não se trata de clamar por benesses. Trata-se de reivindicar o que é de direito.

A infraestrutura é base do progresso. É ela que atrai investimentos, que gera empregos, que reduz desigualdades e salva vidas. A cada dia de descaso, a população paga com acidentes, perdas econômicas e a sensação constante de que vive à margem das prioridades do Estado.

Vitória da Conquista não implora – exige. E a exigência é clara: o mesmo tratamento que o DNIT dispensou a Juazeiro e a Feira de Santana deve ser estendido à nossa cidade. O mesmo comprometimento, os mesmos recursos, o mesmo respeito.

Chega de passividade. É tempo de mobilização. A desigualdade regional não se resolve com discursos, mas com ação. E, enquanto houver um conquistense consciente, engajado e disposto a lutar, essa cobrança seguirá viva.

Vitória da Conquista quer – e vai – ser protagonista do seu próprio destino. Porque desenvolvimento não se mendiga. Se conquista.

Infraestrutura com Dois Pesos e Duas Medidas: A Injustiça Contra o Sudoeste Baiano

 

Por Padre Carlos

A imagem do prefeito de Feira de Santana, ladeado pelo ministro dos Transportes Renan Filho e pelo governador Jerônimo Rodrigues, celebrando a duplicação do anel de contorno da cidade, representa mais do que um avanço de infraestrutura: ela simboliza o poder da articulação política e da vontade administrativa. Uma obra aguardada por anos, agora impulsionada por um investimento de R$ 179,42 milhões, com previsão de entrega em apenas um ano, é, sem dúvida, um marco para os feirenses. Contudo, essa imagem vibrante e otimista traz à tona uma dolorosa reflexão: e Vitória da Conquista?

Enquanto a Princesa do Sertão experimenta a concretização de um antigo sonho, a maior cidade do sudoeste baiano amarga um cenário de abandono e negligência. A duplicação da BR-116, a construção de viadutos e outras intervenções que garantiriam segurança e fluidez ao tráfego urbano foram postas de lado, soterradas pela ineficiência e falta de compromisso da ViaBahia – uma concessão que já deveria ter sido revogada por desrespeito às mínimas exigências de um contrato público. A prefeita Sheila Lemos tem se mostrado incansável nas cobranças, alertando para o caráter emergencial das intervenções. Mas, até aqui, clama no deserto de promessas não cumpridas.

O contraste é gritante – e inaceitável. Se em Feira de Santana a duplicação do anel rodoviário será finalizada em um ano, em Vitória da Conquista, projetos similares contam com prazos absurdos de oito anos, isso se saírem do papel. O descompasso entre as regiões não é técnico, mas político. E é aí que mora a indignação.

A injustiça se aprofunda ainda mais quando olhamos para o norte baiano. Em Juazeiro, o governo federal avança com a duplicação de uma ponte, a extensão do projeto até a rotatória da Ceasa e a construção de três viadutos. Tudo com recursos 100% públicos. Nada de pedágios, nada de concessões, nada de ônus adicional ao cidadão. Um investimento de R$ 180 milhões que escancara o verdadeiro divisor de águas: a prioridade política. Há, sim, dinheiro público. Falta é decisão para que ele chegue a quem também precisa – e merece.

Não se trata de apontar o dedo para o progresso de outras cidades. Feira de Santana e Juazeiro merecem seus avanços, assim como qualquer município que luta por dias melhores. O problema está na ausência de isonomia, no critério desigual com que o governo federal, por meio do DNIT, distribui os investimentos em infraestrutura. Vitória da Conquista não pode continuar sendo a exceção em um estado que avança em diferentes frentes com recursos públicos diretos.

É inaceitável que se insista na privatização como única solução para a malha viária conquistense, quando há provas concretas de que é possível realizar obras estruturantes sem recorrer à iniciativa privada. A concessão da ViaBahia é um fracasso evidente, um entrave ao desenvolvimento, e não pode continuar sendo o álibi para a inação.

Diante dessa realidade, Vitória da Conquista precisa reagir. A hora é de união. A sociedade civil, empresários, trabalhadores, lideranças religiosas, movimentos sociais e representantes políticos – independentemente de filiações partidárias – devem formar uma frente única e coesa em defesa do que é justo. Não se trata de clamar por benesses. Trata-se de reivindicar o que é de direito.

A infraestrutura é base do progresso. É ela que atrai investimentos, que gera empregos, que reduz desigualdades e salva vidas. A cada dia de descaso, a população paga com acidentes, perdas econômicas e a sensação constante de que vive à margem das prioridades do Estado.

Vitória da Conquista não implora – exige. E a exigência é clara: o mesmo tratamento que o DNIT dispensou a Juazeiro e a Feira de Santana deve ser estendido à nossa cidade. O mesmo comprometimento, os mesmos recursos, o mesmo respeito.

Chega de passividade. É tempo de mobilização. A desigualdade regional não se resolve com discursos, mas com ação. E, enquanto houver um conquistense consciente, engajado e disposto a lutar, essa cobrança seguirá viva.

Vitória da Conquista quer – e vai – ser protagonista do seu próprio destino. Porque desenvolvimento não se mendiga. Se conquista.

ARTIGO – A queda de Ednaldo e o xadrez da exclusão nordestina na CBF (Padre Carlos)

 

 

 

 

A crônica política do futebol brasileiro sempre teve um roteiro previsível e uma geografia viciada: os donos do poder vivem entre o Rio de Janeiro e São Paulo. É dali que se orquestra o jogo bruto, com passes curtos de bastidores, dribles na legalidade e gols contra o Brasil profundo. A recente queda de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF escancara o menosprezo sistemático às lideranças que emergem fora do eixo tradicional, especialmente quando elas brotam do sertão nordestino com sotaque firme e espinha ereta.

Ednaldo, nascido em Vitória da Conquista na Bahia, foi alvejado não apenas por articulações jurídicas, mas por um complô frio e estratégico dos “cartolas do asfalto”, aqueles que consideram o Nordeste um mero celeiro de craques e não uma fonte legítima de dirigentes. Não é coincidência que esta seja a segunda tentativa de excluí-lo do comando da CBF. A primeira, em dezembro de 2023, foi revertida apenas com a intervenção do Supremo Tribunal Federal, um recurso de última instância que, aliás, desagrada os barões do futebol, sempre avessos à fiscalização institucional.

Agora, com Fernando Sarney assumindo interinamente e novas eleições convocadas às pressas, o jogo de xadrez se intensifica. Samir Xaud, do longínquo — e politicamente discreto — estado de Roraima, surge como candidato único, quase um “peão dourado” movido no tabuleiro por mãos invisíveis. Ednaldo, cansado de enfrentar o sistema, decidiu não recorrer nem apoiar ninguém. Sua desistência é, em si, uma denúncia do processo viciado que se repete sob nova roupagem.

Esse movimento tem implicações profundas, inclusive na esfera técnica. A possível chegada do italiano Carlo Ancelotti como técnico da seleção agora paira sob incerteza. A CBF afirma que o contrato está mantido, mas o vácuo político pode implodir acordos e projetar um novo ciclo de instabilidade.

Mais do que a queda de um homem, o episódio de Ednaldo revela o fracasso do modelo de governança da CBF. Trata-se de uma entidade que opera sob a lógica feudal: presidentes são eleitos por presidentes de federações, com votos distribuídos em moedas simbólicas de lealdade e favorecimento. Os interesses do futebol brasileiro são reféns de uma elite anacrônica que recusa qualquer interferência vinda de fora do seu círculo.

A CBF precisa urgentemente de reformas. Mas enquanto as decisões continuarem sendo tomadas nos salões engomados do Sudeste, longe da realidade do torcedor comum, a queda de Ednaldo será apenas mais um capítulo do manual de exclusão das vozes nordestinas — vozes que, ironicamente, sempre deram alma e talento ao futebol do Brasil.

 

ARTIGO – A queda de Ednaldo e o xadrez da exclusão nordestina na CBF (Padre Carlos)

 

 

 

 

A crônica política do futebol brasileiro sempre teve um roteiro previsível e uma geografia viciada: os donos do poder vivem entre o Rio de Janeiro e São Paulo. É dali que se orquestra o jogo bruto, com passes curtos de bastidores, dribles na legalidade e gols contra o Brasil profundo. A recente queda de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF escancara o menosprezo sistemático às lideranças que emergem fora do eixo tradicional, especialmente quando elas brotam do sertão nordestino com sotaque firme e espinha ereta.

Ednaldo, nascido em Vitória da Conquista na Bahia, foi alvejado não apenas por articulações jurídicas, mas por um complô frio e estratégico dos “cartolas do asfalto”, aqueles que consideram o Nordeste um mero celeiro de craques e não uma fonte legítima de dirigentes. Não é coincidência que esta seja a segunda tentativa de excluí-lo do comando da CBF. A primeira, em dezembro de 2023, foi revertida apenas com a intervenção do Supremo Tribunal Federal, um recurso de última instância que, aliás, desagrada os barões do futebol, sempre avessos à fiscalização institucional.

Agora, com Fernando Sarney assumindo interinamente e novas eleições convocadas às pressas, o jogo de xadrez se intensifica. Samir Xaud, do longínquo — e politicamente discreto — estado de Roraima, surge como candidato único, quase um “peão dourado” movido no tabuleiro por mãos invisíveis. Ednaldo, cansado de enfrentar o sistema, decidiu não recorrer nem apoiar ninguém. Sua desistência é, em si, uma denúncia do processo viciado que se repete sob nova roupagem.

Esse movimento tem implicações profundas, inclusive na esfera técnica. A possível chegada do italiano Carlo Ancelotti como técnico da seleção agora paira sob incerteza. A CBF afirma que o contrato está mantido, mas o vácuo político pode implodir acordos e projetar um novo ciclo de instabilidade.

Mais do que a queda de um homem, o episódio de Ednaldo revela o fracasso do modelo de governança da CBF. Trata-se de uma entidade que opera sob a lógica feudal: presidentes são eleitos por presidentes de federações, com votos distribuídos em moedas simbólicas de lealdade e favorecimento. Os interesses do futebol brasileiro são reféns de uma elite anacrônica que recusa qualquer interferência vinda de fora do seu círculo.

A CBF precisa urgentemente de reformas. Mas enquanto as decisões continuarem sendo tomadas nos salões engomados do Sudeste, longe da realidade do torcedor comum, a queda de Ednaldo será apenas mais um capítulo do manual de exclusão das vozes nordestinas — vozes que, ironicamente, sempre deram alma e talento ao futebol do Brasil.

 

ARTIGO – O altar dos bebês Reborn: quando a fantasia vira surto coletivo

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história da humanidade em que o absurdo deixa de ser exceção e se converte em norma, celebrado com ternura, promovido por especialistas, ovacionado nas redes e transformado em indústria. Vivemos esse tempo. A febre dos bebês Reborn — bonecos hiper-realistas tratados como filhos — não é apenas uma excentricidade inofensiva, nem tampouco um modismo passageiro. É o retrato escancarado de um colapso emocional e espiritual de uma geração órfã de sentido.

Pergunto-me: em que ponto da estrada a civilização decidiu que seria normal fingir que um boneco é uma criança? Quando se tornou terapêutico oferecer mamadeira a um pedaço de silicone, trocar a fralda de um boneco sem órgãos, chorar diante de olhos de vidro e chamá-los de “meu bebê”? Isso não é amor. Isso não é arte. Isso é delírio.

Não falo aqui com desdém, mas com a preocupação de quem vê a humanidade afundar num pântano de fantasias disfarçadas de cura. Não há empatia verdadeira na simulação da dor, há fuga. Não há enfrentamento saudável quando se escolhe amar o que não tem alma, o que não exige sacrifício, o que não devolve olhar. Isso não é acolhimento da dor. É anestesia de um trauma que grita e não encontra eco.

Vivemos um tempo onde a realidade se tornou insuportável. A perda, a solidão, o luto, a frustração… tudo é tratado como patologia. E, como bons pacientes de uma era anestesiada, tomamos doses diárias de fantasia para não encarar o vazio. Os bebês Reborn são um placebo afetivo para um mundo em colapso. E o mais assustador: transformamos esse surto em indústria.

A indústria lucra. Influenciadores promovem. Psicólogos silenciam. E a sociedade aplaude. Chá de bebê para bonecos, carteirinha de vacinação fictícia, certidão de nascimento, creches de mentira, sessões fotográficas para olhos de vidro… Criamos todo um universo para sustentar o delírio. E o delírio, uma vez aceito em massa, vira norma.

Enquanto isso, crianças reais — de carne, alma e dor — são abortadas, esquecidas, violentadas, abandonadas. Mães reais, com filhos reais, enfrentam o peso da maternidade sem apoio, sem aplauso, sem chá revelação, sem curtidas. A maternidade autêntica é marginalizada. A de mentira é celebrada.

A quem interessa essa loucura?
A resposta é simples: ao mercado. Ao algoritmo. À sociedade que prefere o afeto sem risco, o amor sem dor, a maternidade sem sacrifício. O bebê Reborn é o símbolo da maternidade estéril do século XXI: limpa, previsível, sem alma. Uma maternidade de plástico para corações de vidro.

Isso não é apenas uma moda exótica. É um sintoma. Um grito sufocado de uma geração que perdeu o eixo, a transcendência, o contato com o real. Que trocou o sagrado pelo artificial. Que prefere amar o inanimado do que lidar com a dor de ser humano. Que enfeita o delírio e o transforma em estilo de vida.

Mas a pergunta que precisamos fazer com urgência é: e quando o último refúgio for só fantasia?
Quando a realidade se tornar insuportável para todos nós, qual será o próximo passo?

Os bebês Reborn não são apenas brinquedos. São espelhos. Mostram o quanto nos tornamos frágeis, infantis, anestesiados. São os novos ídolos de uma civilização que não sabe mais lidar com a dor, com o luto, com a ausência. E que, por isso, prefere embalar o delírio como consolo.

ARTIGO – O altar dos bebês Reborn: quando a fantasia vira surto coletivo

 

(Padre Carlos)

Há momentos na história da humanidade em que o absurdo deixa de ser exceção e se converte em norma, celebrado com ternura, promovido por especialistas, ovacionado nas redes e transformado em indústria. Vivemos esse tempo. A febre dos bebês Reborn — bonecos hiper-realistas tratados como filhos — não é apenas uma excentricidade inofensiva, nem tampouco um modismo passageiro. É o retrato escancarado de um colapso emocional e espiritual de uma geração órfã de sentido.

Pergunto-me: em que ponto da estrada a civilização decidiu que seria normal fingir que um boneco é uma criança? Quando se tornou terapêutico oferecer mamadeira a um pedaço de silicone, trocar a fralda de um boneco sem órgãos, chorar diante de olhos de vidro e chamá-los de “meu bebê”? Isso não é amor. Isso não é arte. Isso é delírio.

Não falo aqui com desdém, mas com a preocupação de quem vê a humanidade afundar num pântano de fantasias disfarçadas de cura. Não há empatia verdadeira na simulação da dor, há fuga. Não há enfrentamento saudável quando se escolhe amar o que não tem alma, o que não exige sacrifício, o que não devolve olhar. Isso não é acolhimento da dor. É anestesia de um trauma que grita e não encontra eco.

Vivemos um tempo onde a realidade se tornou insuportável. A perda, a solidão, o luto, a frustração… tudo é tratado como patologia. E, como bons pacientes de uma era anestesiada, tomamos doses diárias de fantasia para não encarar o vazio. Os bebês Reborn são um placebo afetivo para um mundo em colapso. E o mais assustador: transformamos esse surto em indústria.

A indústria lucra. Influenciadores promovem. Psicólogos silenciam. E a sociedade aplaude. Chá de bebê para bonecos, carteirinha de vacinação fictícia, certidão de nascimento, creches de mentira, sessões fotográficas para olhos de vidro… Criamos todo um universo para sustentar o delírio. E o delírio, uma vez aceito em massa, vira norma.

Enquanto isso, crianças reais — de carne, alma e dor — são abortadas, esquecidas, violentadas, abandonadas. Mães reais, com filhos reais, enfrentam o peso da maternidade sem apoio, sem aplauso, sem chá revelação, sem curtidas. A maternidade autêntica é marginalizada. A de mentira é celebrada.

A quem interessa essa loucura?
A resposta é simples: ao mercado. Ao algoritmo. À sociedade que prefere o afeto sem risco, o amor sem dor, a maternidade sem sacrifício. O bebê Reborn é o símbolo da maternidade estéril do século XXI: limpa, previsível, sem alma. Uma maternidade de plástico para corações de vidro.

Isso não é apenas uma moda exótica. É um sintoma. Um grito sufocado de uma geração que perdeu o eixo, a transcendência, o contato com o real. Que trocou o sagrado pelo artificial. Que prefere amar o inanimado do que lidar com a dor de ser humano. Que enfeita o delírio e o transforma em estilo de vida.

Mas a pergunta que precisamos fazer com urgência é: e quando o último refúgio for só fantasia?
Quando a realidade se tornar insuportável para todos nós, qual será o próximo passo?

Os bebês Reborn não são apenas brinquedos. São espelhos. Mostram o quanto nos tornamos frágeis, infantis, anestesiados. São os novos ídolos de uma civilização que não sabe mais lidar com a dor, com o luto, com a ausência. E que, por isso, prefere embalar o delírio como consolo.

ARTIGO – Entre a floresta e a soberania: por que chegou a hora do Brasil explorar seu petróleo

 

 

(Padre Carlos)

Após anos de impasses regulatórios, embates ideológicos e sabotagens veladas, o Brasil finalmente deu um passo decisivo rumo à soberania energética. A aprovação pelo IBAMA do plano de pesquisa marítima da Petrobras para a Foz do Amazonas encerra, ou ao menos suspende, um ciclo de boicotes silenciosos e interesses contrariados.

Desde 2020, o Brasil tentou avançar na exploração da chamada margem equatorial — uma das últimas fronteiras energéticas do planeta. Mas foi impedido por uma combinação de discursos ambientalistas radicais, pressão internacional e inércia burocrática. Em muitos casos, o atraso interessava a quem teme um Brasil forte, autônomo e dono de suas riquezas.

A narrativa ambiental, legítima em sua essência, foi sequestrada. O cuidado com a biodiversidade se transformou em pretexto para paralisar decisões estratégicas, ignorando que as economias que mais defendem o meio ambiente também exploram suas riquezas naturais com inteligência e tecnologia.

A Petrobras, duramente cobrada, respondeu com protocolos inéditos e rigorosos. O Plano de Emergência Individual apresentado inclui planos de socorro à fauna oleada e um sistema robusto de resposta a incidentes. A empresa passou no teste. Mas o que se coloca agora é uma pergunta maior: o que faremos com essa riqueza?

Não basta extrair o petróleo. É preciso definir um projeto nacional. Educação, saúde e ciência precisam ser os destinos prioritários dessa nova fonte de recursos. O petróleo deve financiar o futuro, não apenas o presente. A tragédia seria transformar a nova chance em mais uma oportunidade perdida.

Que este marco na exploração da Amazônia legal não seja apenas uma vitória da Petrobras, mas do povo brasileiro. O país precisa avançar — com responsabilidade, mas também com coragem.

ARTIGO – Entre a floresta e a soberania: por que chegou a hora do Brasil explorar seu petróleo

 

 

(Padre Carlos)

Após anos de impasses regulatórios, embates ideológicos e sabotagens veladas, o Brasil finalmente deu um passo decisivo rumo à soberania energética. A aprovação pelo IBAMA do plano de pesquisa marítima da Petrobras para a Foz do Amazonas encerra, ou ao menos suspende, um ciclo de boicotes silenciosos e interesses contrariados.

Desde 2020, o Brasil tentou avançar na exploração da chamada margem equatorial — uma das últimas fronteiras energéticas do planeta. Mas foi impedido por uma combinação de discursos ambientalistas radicais, pressão internacional e inércia burocrática. Em muitos casos, o atraso interessava a quem teme um Brasil forte, autônomo e dono de suas riquezas.

A narrativa ambiental, legítima em sua essência, foi sequestrada. O cuidado com a biodiversidade se transformou em pretexto para paralisar decisões estratégicas, ignorando que as economias que mais defendem o meio ambiente também exploram suas riquezas naturais com inteligência e tecnologia.

A Petrobras, duramente cobrada, respondeu com protocolos inéditos e rigorosos. O Plano de Emergência Individual apresentado inclui planos de socorro à fauna oleada e um sistema robusto de resposta a incidentes. A empresa passou no teste. Mas o que se coloca agora é uma pergunta maior: o que faremos com essa riqueza?

Não basta extrair o petróleo. É preciso definir um projeto nacional. Educação, saúde e ciência precisam ser os destinos prioritários dessa nova fonte de recursos. O petróleo deve financiar o futuro, não apenas o presente. A tragédia seria transformar a nova chance em mais uma oportunidade perdida.

Que este marco na exploração da Amazônia legal não seja apenas uma vitória da Petrobras, mas do povo brasileiro. O país precisa avançar — com responsabilidade, mas também com coragem.