Política e Resenha

A Ascensão do Cidadania na Bahia e o Papel Estratégico de Isabela Sousa na Nova Geopolítica Eleitoral

 

 

Por Padre Carlos

Quando se analisa o tabuleiro político da Bahia, aparece com nitidez um movimento silencioso, porém explosivo, que começa a ganhar densidade nos territórios, nas redes e nos bastidores eleitorais. A recondução da vereadora de Salvador, Isabela Sousa, à presidência estadual do Cidadania, não é apenas um gesto administrativo — é a confirmação do surgimento de uma nova força política em franca expansão no estado.

Enquanto grandes partidos tradicionais lutam para resistir ao desgaste e à fragmentação interna, o Cidadania trilha uma rota inversa: crescimento, capilaridade e organização. E não se constrói esse cenário por acaso. Por trás dele existe planejamento, discurso político coerente, agenda estadual consistente e, acima de tudo, liderança. A consolidação da parlamentar da capital como comandante da sigla por mais quatro anos é o reconhecimento de que existe método, estratégia e resultados concretos.

A construção do partido se dá do Litoral Sul ao Oeste Baiano, passando pelo Sudoeste, Sertão, Recôncavo, Região Metropolitana, Chapada Diamantina e Extremo Sul. Em vez da velha política concentrada apenas na capital, o Cidadania vem apostando nos municípios, nos diretórios locais, nos movimentos sociais e na ampliação de espaços para juventude, mulheres e diversidade — palavras-chave que ressoam fortemente na nova opinião pública brasileira e nos algoritmos de busca de temas como renovação política, participação social, protagonismo feminino e democracia.

A sequência de congressos municipais realizados em Feira de Santana, Juazeiro, Teixeira de Freitas, Vitória da Conquista, Jacobina, Iaçu, Una, Mata de São João e outras cidades é prova irrefutável de que existe um projeto para além dos holofotes. Trata-se de estruturar base, formar quadros políticos, preparar pré-candidatos e transformar o partido em presença real nos territórios — uma estratégia inteligente em ano pré-eleitoral e altamente eficaz para 2026.

O discurso de Isabela Sousa durante a recondução sintetiza a lógica da sua gestão: território, democracia, proximidade com as pessoas e fortalecimento de novas lideranças. Não é o partido do gabinete — é o partido da estrada. Não é o partido do personalismo — é o partido da construção coletiva. Em um estado onde as legendas tradicionalmente seguem caudilhos e caciques, essa metodologia soa profundamente disruptiva.

O recado político deixado pelo congresso estadual é cristalino:
o Cidadania chegou ao eixo principal da disputa política baiana e não está disposto a voltar ao papel secundário.

A missão agora é ainda mais ousada: entrar com musculatura nas eleições de 2026, ampliar alianças, fortalecer bases e consolidar a legenda como ator competitivo na nova geografia eleitoral da Bahia. Se mantiver o ritmo, a estratégia e a capacidade de articulação de sua liderança atual, não será surpresa ver o Cidadania ocupar posições que até pouco tempo pareciam improváveis.

Em um momento em que a sociedade cobra transparência, modernidade, ética pública e participação social, o partido encontrou um modo de falar a língua do eleitor contemporâneo, especialmente da juventude politizada e conectada.

E aqui reside o ponto central:
🔹 não é o partido que sobe porque o vento favorece; é o partido que cresce porque planta, trabalha e negocia.

Se o cenário eleitoral da Bahia está mudando — e está — Isabela Sousa acaba de firmar seu nome como protagonista incontornável desse processo. A movimentação que começou como reorganização interna virou fato político, e, a partir de agora, ninguém pode ignorar.

O futuro dirá se o projeto se materializará em votos, mandatos e representação institucional robusta. Mas uma coisa já está clara: o Cidadania deixou de ser coadjuvante e se tornou uma das forças políticas em maior expansão no estado. E isso não acontece por acaso — acontece por liderança.

 

A Ascensão do Cidadania na Bahia e o Papel Estratégico de Isabela Sousa na Nova Geopolítica Eleitoral

 

 

Por Padre Carlos

Quando se analisa o tabuleiro político da Bahia, aparece com nitidez um movimento silencioso, porém explosivo, que começa a ganhar densidade nos territórios, nas redes e nos bastidores eleitorais. A recondução da vereadora de Salvador, Isabela Sousa, à presidência estadual do Cidadania, não é apenas um gesto administrativo — é a confirmação do surgimento de uma nova força política em franca expansão no estado.

Enquanto grandes partidos tradicionais lutam para resistir ao desgaste e à fragmentação interna, o Cidadania trilha uma rota inversa: crescimento, capilaridade e organização. E não se constrói esse cenário por acaso. Por trás dele existe planejamento, discurso político coerente, agenda estadual consistente e, acima de tudo, liderança. A consolidação da parlamentar da capital como comandante da sigla por mais quatro anos é o reconhecimento de que existe método, estratégia e resultados concretos.

A construção do partido se dá do Litoral Sul ao Oeste Baiano, passando pelo Sudoeste, Sertão, Recôncavo, Região Metropolitana, Chapada Diamantina e Extremo Sul. Em vez da velha política concentrada apenas na capital, o Cidadania vem apostando nos municípios, nos diretórios locais, nos movimentos sociais e na ampliação de espaços para juventude, mulheres e diversidade — palavras-chave que ressoam fortemente na nova opinião pública brasileira e nos algoritmos de busca de temas como renovação política, participação social, protagonismo feminino e democracia.

A sequência de congressos municipais realizados em Feira de Santana, Juazeiro, Teixeira de Freitas, Vitória da Conquista, Jacobina, Iaçu, Una, Mata de São João e outras cidades é prova irrefutável de que existe um projeto para além dos holofotes. Trata-se de estruturar base, formar quadros políticos, preparar pré-candidatos e transformar o partido em presença real nos territórios — uma estratégia inteligente em ano pré-eleitoral e altamente eficaz para 2026.

O discurso de Isabela Sousa durante a recondução sintetiza a lógica da sua gestão: território, democracia, proximidade com as pessoas e fortalecimento de novas lideranças. Não é o partido do gabinete — é o partido da estrada. Não é o partido do personalismo — é o partido da construção coletiva. Em um estado onde as legendas tradicionalmente seguem caudilhos e caciques, essa metodologia soa profundamente disruptiva.

O recado político deixado pelo congresso estadual é cristalino:
o Cidadania chegou ao eixo principal da disputa política baiana e não está disposto a voltar ao papel secundário.

A missão agora é ainda mais ousada: entrar com musculatura nas eleições de 2026, ampliar alianças, fortalecer bases e consolidar a legenda como ator competitivo na nova geografia eleitoral da Bahia. Se mantiver o ritmo, a estratégia e a capacidade de articulação de sua liderança atual, não será surpresa ver o Cidadania ocupar posições que até pouco tempo pareciam improváveis.

Em um momento em que a sociedade cobra transparência, modernidade, ética pública e participação social, o partido encontrou um modo de falar a língua do eleitor contemporâneo, especialmente da juventude politizada e conectada.

E aqui reside o ponto central:
🔹 não é o partido que sobe porque o vento favorece; é o partido que cresce porque planta, trabalha e negocia.

Se o cenário eleitoral da Bahia está mudando — e está — Isabela Sousa acaba de firmar seu nome como protagonista incontornável desse processo. A movimentação que começou como reorganização interna virou fato político, e, a partir de agora, ninguém pode ignorar.

O futuro dirá se o projeto se materializará em votos, mandatos e representação institucional robusta. Mas uma coisa já está clara: o Cidadania deixou de ser coadjuvante e se tornou uma das forças políticas em maior expansão no estado. E isso não acontece por acaso — acontece por liderança.

 

Rui Costa e o “Dia D” da Conquista: A Esperança Trafega na Rodovia 2 de Julho

 

 

 

Por José Maria Caires

Na política, tal como na engenharia, há momentos em que o planejamento abstrato precisa ceder lugar à concretude da obra. Na próxima semana, Vitória da Conquista receberá não apenas um ex-governador, mas o Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Rui Costa. A sua visita, agendada para o dia 28 de novembro de 2025, carrega um simbolismo que transcende a agenda protocolar: traz consigo a expectativa de uma região inteira que clama por desenvolvimento e segurança viária.

O Sudoeste baiano, motor pulsante da economia estadual, tem os olhos voltados para uma pauta inadiável: a concessão da Rodovia 2 de Julho.

Não estamos mais falando de sonhos distantes ou de promessas vagas de campanha. Falamos de um processo maduro, tecnicamente debatido e burocraticamente avançado. A última audiência pública ocorreu em maio deste ano. Desde julho, o processo repousava no Tribunal de Contas da União (TCU). As informações que chegam de Brasília, vindas de fontes fidedignas, sopram os ventos da resolução: a análise técnica pelo Ministro Augusto Nardes já teria sido concluída.

O detalhe crucial, que transforma a esperança em pragmatismo, é a informação de que as recomendações de ajustes feitas pelo TCU podem ser sanadas na redação final do edital. Ou seja, não há necessidade de o processo retornar ao calvário da burocracia do Tribunal. O caminho está limpo. A pista está livre.

É aqui que a figura de Rui Costa ganha contornos decisivos.

Investido em um dos cargos de maior relevância da República, Rui possui a “caneta” e, mais importante, o acesso. Ele não é apenas um quadro técnico; é o braço direito do Presidente e colega de ministério de Renan Filho, titular da pasta dos Transportes. A proximidade entre a Casa Civil e o Ministério dos Transportes deve ser o catalisador que transformará a burocracia em asfalto.

A equação é simples e favorável: temos a necessidade técnica comprovada, o aval do órgão fiscalizador (TCU) encaminhado e a força política necessária alinhada. A publicação do edital, prevista no cronograma para dezembro de 2025, não pode sofrer um dia sequer de atraso. Pelo contrário, a presença de Rui Costa em solo conquistense nos permite sonhar com a antecipação ou, no mínimo, a garantia férrea de que dezembro será o mês da virada.

O dia 28 de novembro de 2025 desenha-se, portanto, como o nosso “Dia D”. Não esperamos apenas discursos de cortesia ou afagos políticos. O Sudoeste da Bahia, cansado de gargalos logísticos que freiam nosso potencial e ceifam vidas, espera um compromisso de Estado.

Que o Ministro Rui Costa, conhecedor profundo das dores e das glórias da Bahia, possa olhar nos olhos dos conquistenses e confirmar: a duplicação vai sair do papel. A concessão da Rodovia 2 de Julho não é apenas uma obra; é a artéria por onde o futuro da Bahia precisa passar. E a hora é agora.

JOSÉ MARIA CAIRES

DUPLICA SUDOESTE

Rui Costa e o “Dia D” da Conquista: A Esperança Trafega na Rodovia 2 de Julho

 

 

 

Por José Maria Caires

Na política, tal como na engenharia, há momentos em que o planejamento abstrato precisa ceder lugar à concretude da obra. Na próxima semana, Vitória da Conquista receberá não apenas um ex-governador, mas o Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Rui Costa. A sua visita, agendada para o dia 28 de novembro de 2025, carrega um simbolismo que transcende a agenda protocolar: traz consigo a expectativa de uma região inteira que clama por desenvolvimento e segurança viária.

O Sudoeste baiano, motor pulsante da economia estadual, tem os olhos voltados para uma pauta inadiável: a concessão da Rodovia 2 de Julho.

Não estamos mais falando de sonhos distantes ou de promessas vagas de campanha. Falamos de um processo maduro, tecnicamente debatido e burocraticamente avançado. A última audiência pública ocorreu em maio deste ano. Desde julho, o processo repousava no Tribunal de Contas da União (TCU). As informações que chegam de Brasília, vindas de fontes fidedignas, sopram os ventos da resolução: a análise técnica pelo Ministro Augusto Nardes já teria sido concluída.

O detalhe crucial, que transforma a esperança em pragmatismo, é a informação de que as recomendações de ajustes feitas pelo TCU podem ser sanadas na redação final do edital. Ou seja, não há necessidade de o processo retornar ao calvário da burocracia do Tribunal. O caminho está limpo. A pista está livre.

É aqui que a figura de Rui Costa ganha contornos decisivos.

Investido em um dos cargos de maior relevância da República, Rui possui a “caneta” e, mais importante, o acesso. Ele não é apenas um quadro técnico; é o braço direito do Presidente e colega de ministério de Renan Filho, titular da pasta dos Transportes. A proximidade entre a Casa Civil e o Ministério dos Transportes deve ser o catalisador que transformará a burocracia em asfalto.

A equação é simples e favorável: temos a necessidade técnica comprovada, o aval do órgão fiscalizador (TCU) encaminhado e a força política necessária alinhada. A publicação do edital, prevista no cronograma para dezembro de 2025, não pode sofrer um dia sequer de atraso. Pelo contrário, a presença de Rui Costa em solo conquistense nos permite sonhar com a antecipação ou, no mínimo, a garantia férrea de que dezembro será o mês da virada.

O dia 28 de novembro de 2025 desenha-se, portanto, como o nosso “Dia D”. Não esperamos apenas discursos de cortesia ou afagos políticos. O Sudoeste da Bahia, cansado de gargalos logísticos que freiam nosso potencial e ceifam vidas, espera um compromisso de Estado.

Que o Ministro Rui Costa, conhecedor profundo das dores e das glórias da Bahia, possa olhar nos olhos dos conquistenses e confirmar: a duplicação vai sair do papel. A concessão da Rodovia 2 de Julho não é apenas uma obra; é a artéria por onde o futuro da Bahia precisa passar. E a hora é agora.

JOSÉ MARIA CAIRES

DUPLICA SUDOESTE

ARTIGO – As Homenagens Que Precisam Ser Feitas em Vida

 

 

(Padre Carlos)

Existem trajetórias que se tornam tão grandiosas, tão luminosas na história política e humana, que esperar a morte para reconhecê-las vira quase um ato de ingratidão. Somos um país acostumado a chorar depois, quando já é tarde, quando “Inês é morta”. Mas há vidas que merecem aplausos agora, enquanto o coração ainda bate, enquanto os olhos ainda brilham, enquanto a memória ainda pulsa nos debates, nas lutas, nos sonhos de transformação social. E hoje eu escrevo para celebrar uma dessas vidas: Thâmar de Castro Dias.

Thâmar não é apenas um nome na militância — é uma história inteira de dedicação. Quando ingressou no Partido Comunista do Brasil, ainda em sua juventude, já carregava consigo aquela convicção rara de que a política deve ser ferramenta para melhorar o mundo. E fez disso seu norte. Há mais de quarenta anos serve ao mesmo ideal, com lealdade, coragem, inteligência e disciplina. Enquanto muitos mudaram de lado, romperam convicções, trocaram bandeiras por conveniências, Thâmar seguiu firme — comunista, patriota, democrática, defensora da soberania nacional e dos trabalhadores.

Foi ao lado de Haroldo Lima, uma das mais brilhantes lideranças populares, que sua biografia encontrou sua mais alta nota histórica. De 1983 até 2003, foram vinte anos intensos de trabalho no Gabinete do deputado e quase quarenta no Congresso Nacional, vivendo por dentro a construção da redemocratização brasileira. Ela não assistiu aos fatos — ela ajudou a escrevê-los. Foi chefe de gabinete, assessora de confiança, parceira de luta e guardiã da palavra escrita nos momentos decisivos. Nos anos em que o país debatia sua alma, quando se moldava a Constituição Cidadã, era Thâmar quem redigia discursos, organizava ideias, traduzia projetos, acolhia militantes e transformava reuniões madrugada adentro em capítulos da história do Brasil.

Ela sempre diz que trabalhar com Haroldo foi um privilégio que a vida lhe deu. Mas talvez seja hora de assumir o contrário: Haroldo Lima também foi privilegiado por ter ao lado uma mulher com tamanha inteligência política, sensibilidade humana e compromisso militante. As grandes personalidades raramente brilham sozinhas. O brilho de Haroldo carregava ali, nos bastidores da luta, a luz discreta e poderosa de Thâmar.

E aqui está o ponto essencial deste artigo: por que esperar a morte para dizer isso?
Por que o reconhecimento no Brasil chega sempre atrasado?
Por que a história insiste em homenagear somente quando já não há mais ouvido que escute?

Não. Hoje é dia de celebrar em vida.
Hoje é dia de aplaudir a companheira que nunca recuou, a militante que dedicou os melhores anos da juventude à democracia, a mulher que trabalhou quase quatro décadas no Congresso Nacional, servindo com dignidade ao povo brasileiro.

Honrar Thâmar agora é também uma forma de honrar tantas outras mulheres que sustentaram — com inteligência, competência e coragem — os alicerces invisíveis da política nacional. A história não se faz só nas tribunas — ela se faz nos bastidores, nos gabinetes, nas madrugadas de luta, no trabalho silencioso de quem acredita na construção coletiva do país.

Que hoje, enquanto segue firme na militância e na vida pública, Thâmar de Castro Dias receba o reconhecimento que merece.
Que ouça, em vida, aquilo que a história já sabe:
ela é parte fundamental da trajetória do PCdoB, da democracia brasileira e da luta popular neste país.

Celebrar alguém agora é um ato de amor, de justiça e de memória.
E é por isso que escrevo: que esta homenagem não espere o silêncio da morte — que seja dita enquanto ainda podemos olhar nos olhos e agradecer.

 

ARTIGO – As Homenagens Que Precisam Ser Feitas em Vida

 

 

(Padre Carlos)

Existem trajetórias que se tornam tão grandiosas, tão luminosas na história política e humana, que esperar a morte para reconhecê-las vira quase um ato de ingratidão. Somos um país acostumado a chorar depois, quando já é tarde, quando “Inês é morta”. Mas há vidas que merecem aplausos agora, enquanto o coração ainda bate, enquanto os olhos ainda brilham, enquanto a memória ainda pulsa nos debates, nas lutas, nos sonhos de transformação social. E hoje eu escrevo para celebrar uma dessas vidas: Thâmar de Castro Dias.

Thâmar não é apenas um nome na militância — é uma história inteira de dedicação. Quando ingressou no Partido Comunista do Brasil, ainda em sua juventude, já carregava consigo aquela convicção rara de que a política deve ser ferramenta para melhorar o mundo. E fez disso seu norte. Há mais de quarenta anos serve ao mesmo ideal, com lealdade, coragem, inteligência e disciplina. Enquanto muitos mudaram de lado, romperam convicções, trocaram bandeiras por conveniências, Thâmar seguiu firme — comunista, patriota, democrática, defensora da soberania nacional e dos trabalhadores.

Foi ao lado de Haroldo Lima, uma das mais brilhantes lideranças populares, que sua biografia encontrou sua mais alta nota histórica. De 1983 até 2003, foram vinte anos intensos de trabalho no Gabinete do deputado e quase quarenta no Congresso Nacional, vivendo por dentro a construção da redemocratização brasileira. Ela não assistiu aos fatos — ela ajudou a escrevê-los. Foi chefe de gabinete, assessora de confiança, parceira de luta e guardiã da palavra escrita nos momentos decisivos. Nos anos em que o país debatia sua alma, quando se moldava a Constituição Cidadã, era Thâmar quem redigia discursos, organizava ideias, traduzia projetos, acolhia militantes e transformava reuniões madrugada adentro em capítulos da história do Brasil.

Ela sempre diz que trabalhar com Haroldo foi um privilégio que a vida lhe deu. Mas talvez seja hora de assumir o contrário: Haroldo Lima também foi privilegiado por ter ao lado uma mulher com tamanha inteligência política, sensibilidade humana e compromisso militante. As grandes personalidades raramente brilham sozinhas. O brilho de Haroldo carregava ali, nos bastidores da luta, a luz discreta e poderosa de Thâmar.

E aqui está o ponto essencial deste artigo: por que esperar a morte para dizer isso?
Por que o reconhecimento no Brasil chega sempre atrasado?
Por que a história insiste em homenagear somente quando já não há mais ouvido que escute?

Não. Hoje é dia de celebrar em vida.
Hoje é dia de aplaudir a companheira que nunca recuou, a militante que dedicou os melhores anos da juventude à democracia, a mulher que trabalhou quase quatro décadas no Congresso Nacional, servindo com dignidade ao povo brasileiro.

Honrar Thâmar agora é também uma forma de honrar tantas outras mulheres que sustentaram — com inteligência, competência e coragem — os alicerces invisíveis da política nacional. A história não se faz só nas tribunas — ela se faz nos bastidores, nos gabinetes, nas madrugadas de luta, no trabalho silencioso de quem acredita na construção coletiva do país.

Que hoje, enquanto segue firme na militância e na vida pública, Thâmar de Castro Dias receba o reconhecimento que merece.
Que ouça, em vida, aquilo que a história já sabe:
ela é parte fundamental da trajetória do PCdoB, da democracia brasileira e da luta popular neste país.

Celebrar alguém agora é um ato de amor, de justiça e de memória.
E é por isso que escrevo: que esta homenagem não espere o silêncio da morte — que seja dita enquanto ainda podemos olhar nos olhos e agradecer.

 

ARTIGO – O Salto Ético no “Entre Nós”: Quando o Outro se Torna o Centro

 

 

 (Padre Carlos)

Na maior parte das relações humanas, o que prevalece é o “eu”. Eu quero, eu espero, eu preciso, eu mereço. O mundo moderno, com sua pressa e com seu culto à autonomia, nos ensinou a proteger o eu como quem protege um território. Mas existe um modo de amar e de se relacionar muito mais profundo, e que os grandes filósofos da ética — especialmente Emmanuel Lévinas — chamaram de o “entre nós”.

No “entre nós”, a relação não acontece dentro de mim, nem dentro de você. Ela acontece no espaço que existe entre nós dois. É nesse espaço que a responsabilidade nasce, que o cuidado se manifesta e que o amor deixa de ser sentimento para se tornar compromisso. Por isso, quando o fragmento diz: “eu não existo mais como sujeito; tu me tens”, não fala de perda ou de submissão humilhante, mas do instante em que o eu percebe a existência do outro como prioridade ética.

Esse momento é o que a filosofia chama de quebra do ego. Não é anulação, é transcendência. Não é deixar de existir, é existir para o outro. É como se o coração entendesse aquilo que a razão sempre resistiu: a vida não encontra seu sentido quando recebe, mas quando se oferece.

Quando surge a frase: “Sou teu escravo — na alegria de ser escravo”, o sentido se aprofunda. A palavra “escravo” não descreve dominação, e sim entrega total, disponibilidade radical. Aqui, o amor é liberdade — não a liberdade de fugir, mas a liberdade de permanecer. É a felicidade de cuidar. De estar para alguém. De fazer parte do destino do outro.

E é então que acontece o grande salto filosófico, o movimento que inverte toda a lógica da posse:
“o outro não é meu; sou dele.”
O amor deixa de ser propriedade para se tornar responsabilidade. Quem ama não quer prender o outro — quer se comprometer com ele. É a ética do encontro, onde o sentido da vida não nasce do poder de possuir, mas da coragem de se doar.

Quando  afirmo: “Ele te tem, Carlos”, vemos a ética finalmente encarnada. Não é conceito, não é doutrina, não é norma. É vida vivida. O rosto do outro exige resposta, exige cuidado, exige presença. O amor se torna ética relacional, carne e osso, gesto e escolha.

O filósofo Lévinas dizia que a verdadeira ética começa quando deixo de perguntar o que o outro representa para mim e passo a perguntar o que eu represento para o outro. Esse é o “entre nós”: o território do vínculo, do afeto e da responsabilidade.

No fim, este texto nos lembra que:

Não somos plenos quando pertencemos a nós mesmos.
Somos plenos quando pertencemos a alguém —
não por obrigação, mas por decisão amorosa.

E talvez seja nisso que resida a grande verdade humana:
a felicidade não está em ter o outro, mas em ser do outro.

 

Queridos leitores,
Este texto nasce como uma homenagem a um dos homens mais inteligentes e sábios que já encontrei na minha caminhada: Foi no seminário de filosofia e teologia que conheci o catingueiro pensante, o sertanejo da inteligência rara, Padre Zé Silva.
Foi ele, com sua mente inquieta e coração teimoso de esperança, quem dedicou sua tese de Mestrado ao filósofo Emmanuel Lévinas — e foi também ele quem me abriu a porta para esse universo ético tão profundo, fazendo-me buscar respostas nesse pensador para os grandes problemas contemporâneos que insistem em desafiar a humanidade.

Se hoje reflito sobre responsabilidade, alteridade e o rosto do Outro, é porque esse amigo, simples como a terra do sertão e lúcido como poucos, me ensinou que a Filosofia não nasce nos livros, mas no coração que não suporta a injustiça.

Este texto é meu agradecimento, minha admiração e minha memória viva.
Ao querido amigo Padre Zé Silva — minha homenagem eterna.

Com carinho,
Padre Carlos

 

 

ARTIGO – O Salto Ético no “Entre Nós”: Quando o Outro se Torna o Centro

 

 

 (Padre Carlos)

Na maior parte das relações humanas, o que prevalece é o “eu”. Eu quero, eu espero, eu preciso, eu mereço. O mundo moderno, com sua pressa e com seu culto à autonomia, nos ensinou a proteger o eu como quem protege um território. Mas existe um modo de amar e de se relacionar muito mais profundo, e que os grandes filósofos da ética — especialmente Emmanuel Lévinas — chamaram de o “entre nós”.

No “entre nós”, a relação não acontece dentro de mim, nem dentro de você. Ela acontece no espaço que existe entre nós dois. É nesse espaço que a responsabilidade nasce, que o cuidado se manifesta e que o amor deixa de ser sentimento para se tornar compromisso. Por isso, quando o fragmento diz: “eu não existo mais como sujeito; tu me tens”, não fala de perda ou de submissão humilhante, mas do instante em que o eu percebe a existência do outro como prioridade ética.

Esse momento é o que a filosofia chama de quebra do ego. Não é anulação, é transcendência. Não é deixar de existir, é existir para o outro. É como se o coração entendesse aquilo que a razão sempre resistiu: a vida não encontra seu sentido quando recebe, mas quando se oferece.

Quando surge a frase: “Sou teu escravo — na alegria de ser escravo”, o sentido se aprofunda. A palavra “escravo” não descreve dominação, e sim entrega total, disponibilidade radical. Aqui, o amor é liberdade — não a liberdade de fugir, mas a liberdade de permanecer. É a felicidade de cuidar. De estar para alguém. De fazer parte do destino do outro.

E é então que acontece o grande salto filosófico, o movimento que inverte toda a lógica da posse:
“o outro não é meu; sou dele.”
O amor deixa de ser propriedade para se tornar responsabilidade. Quem ama não quer prender o outro — quer se comprometer com ele. É a ética do encontro, onde o sentido da vida não nasce do poder de possuir, mas da coragem de se doar.

Quando  afirmo: “Ele te tem, Carlos”, vemos a ética finalmente encarnada. Não é conceito, não é doutrina, não é norma. É vida vivida. O rosto do outro exige resposta, exige cuidado, exige presença. O amor se torna ética relacional, carne e osso, gesto e escolha.

O filósofo Lévinas dizia que a verdadeira ética começa quando deixo de perguntar o que o outro representa para mim e passo a perguntar o que eu represento para o outro. Esse é o “entre nós”: o território do vínculo, do afeto e da responsabilidade.

No fim, este texto nos lembra que:

Não somos plenos quando pertencemos a nós mesmos.
Somos plenos quando pertencemos a alguém —
não por obrigação, mas por decisão amorosa.

E talvez seja nisso que resida a grande verdade humana:
a felicidade não está em ter o outro, mas em ser do outro.

 

Queridos leitores,
Este texto nasce como uma homenagem a um dos homens mais inteligentes e sábios que já encontrei na minha caminhada: Foi no seminário de filosofia e teologia que conheci o catingueiro pensante, o sertanejo da inteligência rara, Padre Zé Silva.
Foi ele, com sua mente inquieta e coração teimoso de esperança, quem dedicou sua tese de Mestrado ao filósofo Emmanuel Lévinas — e foi também ele quem me abriu a porta para esse universo ético tão profundo, fazendo-me buscar respostas nesse pensador para os grandes problemas contemporâneos que insistem em desafiar a humanidade.

Se hoje reflito sobre responsabilidade, alteridade e o rosto do Outro, é porque esse amigo, simples como a terra do sertão e lúcido como poucos, me ensinou que a Filosofia não nasce nos livros, mas no coração que não suporta a injustiça.

Este texto é meu agradecimento, minha admiração e minha memória viva.
Ao querido amigo Padre Zé Silva — minha homenagem eterna.

Com carinho,
Padre Carlos

 

 

EXTRA! EXTRA! — Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli

 

 

Por Padre Carlos

EXTRA! EXTRA! — Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli e encerra fuga internacional da bolsonarista investigada por crimes contra a democracia brasileira

A madrugada desta sexta-feira marcou um ponto de virada no combate ao golpismo e aos ataques contra o Estado Democrático de Direito. Em decisão histórica, a Justiça italiana determinou oficialmente a extradição da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli, que estava foragida na Europa desde que se tornou alvo de mandados no Brasil. A autorização coloca fim à estratégia de refúgio internacional da extremista, que agora voltará ao território brasileiro para cumprir sentença pelos crimes de invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

Fontes do Ministério Público brasileiro confirmaram com exclusividade que a decisão foi transmitida às autoridades diplomáticas na noite de ontem. A corte italiana rejeitou todos os recursos da defesa de Zambelli, classificando suas alegações políticas como “irrelevantes para fins jurídicos” e reconhecendo que os delitos cometidos são compatíveis com a legislação europeia.

 Democracia 1 × 0 Golpismo

A extradição representa uma derrota contundente para a rede internacional de apoio ao bolsonarismo radical e aos ataques digitais contra instituições brasileiras. Investigadores afirmam que a operação que culminou na invasão do banco de dados do CNJ fez parte de uma engrenagem maior voltada para minar a credibilidade da Justiça brasileira e criar caos institucional no país.

Não por acaso, especialistas já classificam o caso como um marco nas ações contra o “terror digital”, termo que se consolida para designar ataques cibernéticos promovidos com fins políticos antidemocráticos.

 Retorno inevitável

A previsão é que Zambelli seja transferida sob escolta policial nas próximas horas. Ao chegar ao Brasil, será encaminhada imediatamente para cumprir as determinações judiciais já estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Fontes da Polícia Federal afirmam que não há possibilidade de recursos que suspendam a extradição neste momento.

 E o impacto político?

A extradição abala o núcleo do bolsonarismo e reacende a discussão sobre impunidade, anistia e responsabilização dos envolvidos em atos de subversão democrática. Juristas avaliam que o caso poderá abrir precedente para novas cooperações internacionais contra fugitivos vinculados a movimentos golpistas.


 Frase que resume o clima em Brasília

“Basta de impunidade. Sem anistia para golpistas.”

Hoje, a democracia brasileira envia ao mundo um recado claro:
nenhum ataque contra as instituições ficará sem resposta — dentro ou fora do país.

EXTRA! EXTRA! — Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli

 

 

Por Padre Carlos

EXTRA! EXTRA! — Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli e encerra fuga internacional da bolsonarista investigada por crimes contra a democracia brasileira

A madrugada desta sexta-feira marcou um ponto de virada no combate ao golpismo e aos ataques contra o Estado Democrático de Direito. Em decisão histórica, a Justiça italiana determinou oficialmente a extradição da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli, que estava foragida na Europa desde que se tornou alvo de mandados no Brasil. A autorização coloca fim à estratégia de refúgio internacional da extremista, que agora voltará ao território brasileiro para cumprir sentença pelos crimes de invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

Fontes do Ministério Público brasileiro confirmaram com exclusividade que a decisão foi transmitida às autoridades diplomáticas na noite de ontem. A corte italiana rejeitou todos os recursos da defesa de Zambelli, classificando suas alegações políticas como “irrelevantes para fins jurídicos” e reconhecendo que os delitos cometidos são compatíveis com a legislação europeia.

 Democracia 1 × 0 Golpismo

A extradição representa uma derrota contundente para a rede internacional de apoio ao bolsonarismo radical e aos ataques digitais contra instituições brasileiras. Investigadores afirmam que a operação que culminou na invasão do banco de dados do CNJ fez parte de uma engrenagem maior voltada para minar a credibilidade da Justiça brasileira e criar caos institucional no país.

Não por acaso, especialistas já classificam o caso como um marco nas ações contra o “terror digital”, termo que se consolida para designar ataques cibernéticos promovidos com fins políticos antidemocráticos.

 Retorno inevitável

A previsão é que Zambelli seja transferida sob escolta policial nas próximas horas. Ao chegar ao Brasil, será encaminhada imediatamente para cumprir as determinações judiciais já estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Fontes da Polícia Federal afirmam que não há possibilidade de recursos que suspendam a extradição neste momento.

 E o impacto político?

A extradição abala o núcleo do bolsonarismo e reacende a discussão sobre impunidade, anistia e responsabilização dos envolvidos em atos de subversão democrática. Juristas avaliam que o caso poderá abrir precedente para novas cooperações internacionais contra fugitivos vinculados a movimentos golpistas.


 Frase que resume o clima em Brasília

“Basta de impunidade. Sem anistia para golpistas.”

Hoje, a democracia brasileira envia ao mundo um recado claro:
nenhum ataque contra as instituições ficará sem resposta — dentro ou fora do país.

ARTIGO – Agora Inês é Morta, Governador!

 

 

 (Padre Carlos)

Há ditados populares que sobrevivem aos séculos porque descrevem com precisão cirúrgica a natureza humana. “Agora Inês é morta” — eco do amor trágico de Pedro e Inês de Castro — simboliza aquilo que só se percebe quando já não há retorno. E é exatamente isso que assombra o governador do Distrito Federal: quando o estrago já está feito, o arrependimento chega tarde demais.

O escândalo financeiro do Banco Master não é um acidente administrativo. É um terremoto político, um rombo econômico, e principalmente um retrato cruel da promiscuidade entre poder, negócios e interesses privados. O governador Ibaneis Rocha tenta limpar as mãos: afastou Paulo Henrique Costa da presidência do BRB e colocou Celso Eloi de Souza Carvalheiro em seu lugar. Mas aqui cabe a pergunta que ecoa nos corredores do DF e do Brasil: quem nomeou Paulo Henrique Costa? Quem o escolheu para controlar um dos maiores cofres públicos do país?

Quando se ocupa o cargo mais alto do Executivo, responsabilidade não é terceirizável. O governador não pode se fazer de Pedro arrependido diante do corpo político de Inês. Ele viu os riscos. Ele foi alertado. E mesmo assim pagou para ver. Agora, o resultado está estampado no país inteiro.

O fio desse novelo é sujo e antigo. O nome José Roberto Arruda — outrora condenado por improbidade administrativa — reaparece através de laços familiares e políticos com Paulo Henrique Costa, marido da ex-deputada Flávia Arruda. É impressionante como os personagens da extrema-direita, do bolsonarismo e do submundo político ressuscitam com facilidade, como se o Brasil fosse cativo de uma trama sem fim.

Mas a teia é maior. Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, não chegou longe na força do acaso. Ele circula com Ciro Nogueira, Arthur Lira, Antônio Rueda, e com o apoio desse cartel político abriu caminho para caixas de pensão estaduais, prefeituras e até fundos públicos de segurança e previdência. Do Rio de Janeiro a São Paulo, do Amapá ao interior do Brasil, o dinheiro público foi sugado em uma operação que teria feito PC Farias, Eduardo Cunha e os barões da Lava Jato ficarem com inveja.

Cláudio Castro, Tarcísio, Zema, Ratinho, Jorginho Melo, Ibaneis, Eduardo Leite e o governador de Goiás estão até o pescoço nessa lama. Muitos tentaram blindar, proteger, esconder, deslocar e até tirar do país os envolvidos, assim como já fizeram com Alexandre Ramagem, agora fugitivo da própria impunidade. Mas a PF — que não foi capturada pelo governo anterior — segue rastreando cada conexão, cada telefonema, cada conta no exterior.

O contraste é inevitável: enquanto o governo Lula acumula avanços econômicos e diplomáticos, a extrema-direita coleciona escândalos, prisões, fugas e delações iminentes. A queda das taxações impostas por Donald Trump, que deveria ser uma bandeira política da direita brasileira, virou na prática um parafuso a mais no caixão do bolsonarismo, e aproximou o sistema financeiro internacional do cerco jurídico sobre os patrimônios suspeitos da família Bolsonaro e seus aliados.

O país inteiro sabe o que está por vir. Quando Daniel Vorcaro abrir a boca — porque ele vai abrir — a Câmara pode desmoronar como um castelo de cartas. Nenhum mito sobrevive à luz. Nenhuma farsa sobrevive à verdade.

E por isso repito:
agora Inês é morta, governador.
A pergunta que Brasília e o Brasil querem respondida não é se o senhor vai afastar nomes.
É qual o grau da sua responsabilidade ao colocá-los lá.

E o país espera — e exige — a verdade.

ARTIGO – Agora Inês é Morta, Governador!

 

 

 (Padre Carlos)

Há ditados populares que sobrevivem aos séculos porque descrevem com precisão cirúrgica a natureza humana. “Agora Inês é morta” — eco do amor trágico de Pedro e Inês de Castro — simboliza aquilo que só se percebe quando já não há retorno. E é exatamente isso que assombra o governador do Distrito Federal: quando o estrago já está feito, o arrependimento chega tarde demais.

O escândalo financeiro do Banco Master não é um acidente administrativo. É um terremoto político, um rombo econômico, e principalmente um retrato cruel da promiscuidade entre poder, negócios e interesses privados. O governador Ibaneis Rocha tenta limpar as mãos: afastou Paulo Henrique Costa da presidência do BRB e colocou Celso Eloi de Souza Carvalheiro em seu lugar. Mas aqui cabe a pergunta que ecoa nos corredores do DF e do Brasil: quem nomeou Paulo Henrique Costa? Quem o escolheu para controlar um dos maiores cofres públicos do país?

Quando se ocupa o cargo mais alto do Executivo, responsabilidade não é terceirizável. O governador não pode se fazer de Pedro arrependido diante do corpo político de Inês. Ele viu os riscos. Ele foi alertado. E mesmo assim pagou para ver. Agora, o resultado está estampado no país inteiro.

O fio desse novelo é sujo e antigo. O nome José Roberto Arruda — outrora condenado por improbidade administrativa — reaparece através de laços familiares e políticos com Paulo Henrique Costa, marido da ex-deputada Flávia Arruda. É impressionante como os personagens da extrema-direita, do bolsonarismo e do submundo político ressuscitam com facilidade, como se o Brasil fosse cativo de uma trama sem fim.

Mas a teia é maior. Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, não chegou longe na força do acaso. Ele circula com Ciro Nogueira, Arthur Lira, Antônio Rueda, e com o apoio desse cartel político abriu caminho para caixas de pensão estaduais, prefeituras e até fundos públicos de segurança e previdência. Do Rio de Janeiro a São Paulo, do Amapá ao interior do Brasil, o dinheiro público foi sugado em uma operação que teria feito PC Farias, Eduardo Cunha e os barões da Lava Jato ficarem com inveja.

Cláudio Castro, Tarcísio, Zema, Ratinho, Jorginho Melo, Ibaneis, Eduardo Leite e o governador de Goiás estão até o pescoço nessa lama. Muitos tentaram blindar, proteger, esconder, deslocar e até tirar do país os envolvidos, assim como já fizeram com Alexandre Ramagem, agora fugitivo da própria impunidade. Mas a PF — que não foi capturada pelo governo anterior — segue rastreando cada conexão, cada telefonema, cada conta no exterior.

O contraste é inevitável: enquanto o governo Lula acumula avanços econômicos e diplomáticos, a extrema-direita coleciona escândalos, prisões, fugas e delações iminentes. A queda das taxações impostas por Donald Trump, que deveria ser uma bandeira política da direita brasileira, virou na prática um parafuso a mais no caixão do bolsonarismo, e aproximou o sistema financeiro internacional do cerco jurídico sobre os patrimônios suspeitos da família Bolsonaro e seus aliados.

O país inteiro sabe o que está por vir. Quando Daniel Vorcaro abrir a boca — porque ele vai abrir — a Câmara pode desmoronar como um castelo de cartas. Nenhum mito sobrevive à luz. Nenhuma farsa sobrevive à verdade.

E por isso repito:
agora Inês é morta, governador.
A pergunta que Brasília e o Brasil querem respondida não é se o senhor vai afastar nomes.
É qual o grau da sua responsabilidade ao colocá-los lá.

E o país espera — e exige — a verdade.

Zezéu Ribeiro: 76 Anos do Arquiteto que Ousou Redesenhar Salvador

 

 

 

 

 

Por [Seu Nome]

Há figuras públicas que ocupam cargos, e há aquelas que ocupam a história. Hoje, 21 de novembro, o calendário nos impõe a nostalgia de uma celebração silenciosa: Zezéu Ribeiro completaria 76 anos. Digo “completaria” apenas por rigor gramatical, pois para nós, que tivemos a honra de caminhar ao seu lado, a sua existência transcende a cronologia. Zezéu não é pretérito; ele é uma ideia constante que pulsa em cada esquina de Salvador.

Quis o destino, com sua ironia muitas vezes cruel, que este grande homem público partisse cedo demais. Ele nos deixou num momento em que ainda tinha tanto para dar, tanto para ensinar e, sobretudo, tanto para construir. E aqui não falo de construção apenas no sentido físico — embora ele fosse mestre nisso —, mas na edificação da cidadania.

Talvez alguns não saibam, e esta é uma confidência que faço com o coração aberto: nossa relação vai para além da vida. Foi uma honra incomensurável ter sido amigo deste homem cuja generosidade intelectual só rivalizava com a sua bondade humana.

Zezéu Ribeiro pensou Salvador como nenhum outro político de sua geração. Enquanto muitos viam a cidade apenas como um amontoado de concreto e problemas, Zezéu a enxergava com o olhar clínico do arquiteto e a sensibilidade do humanista. Seu vasto conhecimento em arquitetura e urbanismo não serviu a projetos elitistas, mas sim para fundamentar o direito à cidade para todos.

Ele nos ensinou que o urbanismo é uma ferramenta de justiça social. O seu legado ajudou — e continua ajudando — as novas gerações a repensar o espaço urbano, a entender que uma cidade só é bela se for justa, habitável e democrática. Ele desenhou leis, traçou planos e sonhou com uma Bahia onde o teto não fosse privilégio, mas direito.

Sem ele, confessamos: ficamos um pouco órfãos. A política baiana e nacional sente a falta da sua voz ponderada, do seu olhar técnico e do seu abraço fraterno. Ficamos “órfãos” dessa liderança que sabia conciliar a técnica com o afeto. No entanto, a orfandade dá lugar à responsabilidade de manter vivo o seu projeto.

Celebrar os 76 anos de Zezéu Ribeiro é, acima de tudo, um ato de resistência e memória. É reafirmar que as sementes que ele plantou no solo soteropolitano continuam a germinar. Enquanto houver quem lute por uma cidade mais humana, enquanto houver quem olhe para Salvador com amor e desejo de transformação, ele estará lá.

A saudade é imensa, mas a gratidão é maior.

Zezéu, presente! Hoje e sempre.

Zezéu Ribeiro: 76 Anos do Arquiteto que Ousou Redesenhar Salvador

 

 

 

 

 

Por [Seu Nome]

Há figuras públicas que ocupam cargos, e há aquelas que ocupam a história. Hoje, 21 de novembro, o calendário nos impõe a nostalgia de uma celebração silenciosa: Zezéu Ribeiro completaria 76 anos. Digo “completaria” apenas por rigor gramatical, pois para nós, que tivemos a honra de caminhar ao seu lado, a sua existência transcende a cronologia. Zezéu não é pretérito; ele é uma ideia constante que pulsa em cada esquina de Salvador.

Quis o destino, com sua ironia muitas vezes cruel, que este grande homem público partisse cedo demais. Ele nos deixou num momento em que ainda tinha tanto para dar, tanto para ensinar e, sobretudo, tanto para construir. E aqui não falo de construção apenas no sentido físico — embora ele fosse mestre nisso —, mas na edificação da cidadania.

Talvez alguns não saibam, e esta é uma confidência que faço com o coração aberto: nossa relação vai para além da vida. Foi uma honra incomensurável ter sido amigo deste homem cuja generosidade intelectual só rivalizava com a sua bondade humana.

Zezéu Ribeiro pensou Salvador como nenhum outro político de sua geração. Enquanto muitos viam a cidade apenas como um amontoado de concreto e problemas, Zezéu a enxergava com o olhar clínico do arquiteto e a sensibilidade do humanista. Seu vasto conhecimento em arquitetura e urbanismo não serviu a projetos elitistas, mas sim para fundamentar o direito à cidade para todos.

Ele nos ensinou que o urbanismo é uma ferramenta de justiça social. O seu legado ajudou — e continua ajudando — as novas gerações a repensar o espaço urbano, a entender que uma cidade só é bela se for justa, habitável e democrática. Ele desenhou leis, traçou planos e sonhou com uma Bahia onde o teto não fosse privilégio, mas direito.

Sem ele, confessamos: ficamos um pouco órfãos. A política baiana e nacional sente a falta da sua voz ponderada, do seu olhar técnico e do seu abraço fraterno. Ficamos “órfãos” dessa liderança que sabia conciliar a técnica com o afeto. No entanto, a orfandade dá lugar à responsabilidade de manter vivo o seu projeto.

Celebrar os 76 anos de Zezéu Ribeiro é, acima de tudo, um ato de resistência e memória. É reafirmar que as sementes que ele plantou no solo soteropolitano continuam a germinar. Enquanto houver quem lute por uma cidade mais humana, enquanto houver quem olhe para Salvador com amor e desejo de transformação, ele estará lá.

A saudade é imensa, mas a gratidão é maior.

Zezéu, presente! Hoje e sempre.

A Crônica de uma Fuga Anunciada

 

 

 

 

Por Padre Carlos

No Brasil, a justiça tardia não é apenas uma falha; é um convite ao escárnio. A determinação da prisão do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo ministro Alexandre de Moraes, anunciada quando o parlamentar já desfrutava dos ares de Miami, é o retrato mais acabado da ineficiência preventiva do nosso sistema judiciário e de segurança. O que assistimos não é apenas uma evasão; é uma fuga anunciada, meticulosamente orquestrada sob o nariz das instituições que deveriam vigiá-lo.

A Ironia do Espião

 

Há uma ironia amarga e inegável no fato de que o homem que comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o “espião-mor” do governo Bolsonaro, tenha conseguido ludibriar a vigilância do Estado com táticas que beiram o primarismo. Segundo as investigações, a rota terrestre via Boa Vista (Roraima) para depois voar aos Estados Unidos não é coisa de filme de Hollywood; é a velha tática de quem sabe que as fronteiras secas do Brasil são peneiras institucionais.

Ramagem, condenado a 16 anos e um mês de prisão por tramar contra a democracia e transformar a inteligência estatal em polícia política, usou o sistema contra o próprio sistema. Enquanto o STF aguardava o trâmite burocrático dos recursos — já rejeitados — para iniciar a execução da pena, o réu agia.

O Atestado e o Escárnio do Roaming

 

O detalhe mais sórdido desta ópera bufa reside na relação do parlamentar com a Câmara dos Deputados. Ramagem estava amparado por atestados médicos que cobriam meses de ausência. O “doente”, contudo, tinha saúde suficiente para uma travessia de fronteira e uma viagem internacional, mas não para cumprir suas obrigações em Brasília.

Mais ultrajante ainda é o pedido de um celular funcional com “roaming internacional” para votar remotamente um projeto de lei. Este ato não demonstra apenas a certeza da impunidade; demonstra desdém. Ramagem queria exercer o mandato — e receber suas benesses — enquanto fugia da lei que jurou cumprir. É o cúmulo do cinismo político: um foragido que pede à Casa do Povo as ferramentas para continuar legislando do exílio.

A Cegueira Institucional

 

Como é possível que um réu, condenado a uma pena alta por crimes contra o Estado Democrático de Direito, mantivesse seu passaporte ou a liberdade de ir e vir sem monitoramento eletrônico rigoroso às vésperas do trânsito em julgado?

  • A Polícia Federal: Embora tenha pedido a prisão, o “timing” foi trágico. A inteligência que investigou a “Abin Paralela” falhou em monitorar o próprio investigado em tempo real.

  • O STF: A jurisprudência de aguardar o esgotamento total dos recursos, embora garantista, abre janelas de oportunidade que figuras com recursos e conexões internacionais não hesitam em aproveitar.

  • A Câmara: A alegação de que “não sabia” soa frágil. O controle sobre parlamentares condenados precisa ser mais rigoroso do que a mera conferência de atestados.

O Caminho de Miami

 

Os Estados Unidos, especificamente a Flórida, tornaram-se o refúgio preferencial do bolsonarismo acossado pela Justiça. Ramagem segue o rastro de seu líder político, apostando na complexidade e na morosidade dos processos de extradição. Ele sabe que, ao cruzar a fronteira, trocou a certeza da cela em Brasília pela incerteza de batalhas jurídicas internacionais que podem levar anos.

A decisão de Moraes, que inclui a perda do cargo de delegado e a multa, agora soa como um grito no vazio. A prisão foi decretada, sim, mas o prisioneiro não está lá. O Brasil acorda hoje com um deputado a menos e um foragido a mais.

A fuga de Ramagem não é apenas um drible na Polícia Federal; é um tapa na cara da sociedade brasileira, que assiste, atônita, à facilidade com que os poderosos transformam a justiça em uma sugestão, e não em uma regra. Resta saber se o Estado brasileiro terá a competência de trazê-lo de volta ou se Ramagem será mais um fantasma a assombrar a nossa frágil democracia, rindo de nós, via roaming, diretamente de Miami.

A Crônica de uma Fuga Anunciada

 

 

 

 

Por Padre Carlos

No Brasil, a justiça tardia não é apenas uma falha; é um convite ao escárnio. A determinação da prisão do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo ministro Alexandre de Moraes, anunciada quando o parlamentar já desfrutava dos ares de Miami, é o retrato mais acabado da ineficiência preventiva do nosso sistema judiciário e de segurança. O que assistimos não é apenas uma evasão; é uma fuga anunciada, meticulosamente orquestrada sob o nariz das instituições que deveriam vigiá-lo.

A Ironia do Espião

 

Há uma ironia amarga e inegável no fato de que o homem que comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o “espião-mor” do governo Bolsonaro, tenha conseguido ludibriar a vigilância do Estado com táticas que beiram o primarismo. Segundo as investigações, a rota terrestre via Boa Vista (Roraima) para depois voar aos Estados Unidos não é coisa de filme de Hollywood; é a velha tática de quem sabe que as fronteiras secas do Brasil são peneiras institucionais.

Ramagem, condenado a 16 anos e um mês de prisão por tramar contra a democracia e transformar a inteligência estatal em polícia política, usou o sistema contra o próprio sistema. Enquanto o STF aguardava o trâmite burocrático dos recursos — já rejeitados — para iniciar a execução da pena, o réu agia.

O Atestado e o Escárnio do Roaming

 

O detalhe mais sórdido desta ópera bufa reside na relação do parlamentar com a Câmara dos Deputados. Ramagem estava amparado por atestados médicos que cobriam meses de ausência. O “doente”, contudo, tinha saúde suficiente para uma travessia de fronteira e uma viagem internacional, mas não para cumprir suas obrigações em Brasília.

Mais ultrajante ainda é o pedido de um celular funcional com “roaming internacional” para votar remotamente um projeto de lei. Este ato não demonstra apenas a certeza da impunidade; demonstra desdém. Ramagem queria exercer o mandato — e receber suas benesses — enquanto fugia da lei que jurou cumprir. É o cúmulo do cinismo político: um foragido que pede à Casa do Povo as ferramentas para continuar legislando do exílio.

A Cegueira Institucional

 

Como é possível que um réu, condenado a uma pena alta por crimes contra o Estado Democrático de Direito, mantivesse seu passaporte ou a liberdade de ir e vir sem monitoramento eletrônico rigoroso às vésperas do trânsito em julgado?

  • A Polícia Federal: Embora tenha pedido a prisão, o “timing” foi trágico. A inteligência que investigou a “Abin Paralela” falhou em monitorar o próprio investigado em tempo real.

  • O STF: A jurisprudência de aguardar o esgotamento total dos recursos, embora garantista, abre janelas de oportunidade que figuras com recursos e conexões internacionais não hesitam em aproveitar.

  • A Câmara: A alegação de que “não sabia” soa frágil. O controle sobre parlamentares condenados precisa ser mais rigoroso do que a mera conferência de atestados.

O Caminho de Miami

 

Os Estados Unidos, especificamente a Flórida, tornaram-se o refúgio preferencial do bolsonarismo acossado pela Justiça. Ramagem segue o rastro de seu líder político, apostando na complexidade e na morosidade dos processos de extradição. Ele sabe que, ao cruzar a fronteira, trocou a certeza da cela em Brasília pela incerteza de batalhas jurídicas internacionais que podem levar anos.

A decisão de Moraes, que inclui a perda do cargo de delegado e a multa, agora soa como um grito no vazio. A prisão foi decretada, sim, mas o prisioneiro não está lá. O Brasil acorda hoje com um deputado a menos e um foragido a mais.

A fuga de Ramagem não é apenas um drible na Polícia Federal; é um tapa na cara da sociedade brasileira, que assiste, atônita, à facilidade com que os poderosos transformam a justiça em uma sugestão, e não em uma regra. Resta saber se o Estado brasileiro terá a competência de trazê-lo de volta ou se Ramagem será mais um fantasma a assombrar a nossa frágil democracia, rindo de nós, via roaming, diretamente de Miami.

A Ousadia Solitária de Ângelo Coronel: O Fim do Dogma “Governador Puxa Senador”

 

 

 

 

Por Padre Carlos

 

Na política baiana, existe uma máxima repetida à exaustão, quase como um mantra religioso: “O Governador puxa o Senador”. É a crença na transferência automática de votos, na força inquestionável da máquina pública estadual. Mas a política, tal como a vida, é dinâmica. E, neste momento, é preciso deixar a análise rasteira de lado e, com honestidade intelectual, bater palmas para a coragem do Senador Ângelo Coronel.

Estamos diante de um movimento tectônico na base governista. Enquanto muitos esperavam a tradicional acomodação de forças, Coronel sinaliza que não aceitará o papel de coadjuvante sacrificável.

O Xadrez de Otto Alencar e a “Independência Consentida”

Para entender a ousadia de Coronel, é preciso primeiro ler as entrelinhas do PSD. Otto Alencar, a raposa política que comanda a sigla, sabe jogar. O cenário que se desenha é de uma sofisticação ímpar: Otto lançará sua estratégia de forma independente, mas institucionalmente, o PSD marchará com Lula e Jerônimo Rodrigues.

A genialidade — e o perigo para o PT — reside no fato de que Otto, embora tenha ascendência sobre Coronel, deverá permitir que essa candidatura avulsa prospere. O provável acordo tácito? O PSD fica com Coronel em uma candidatura solo ao Senado e libera a “segunda vaga” (no voto ou no apoio informal) para os prefeitos do partido decidirem. Isso é inédito e perigoso para a hegemonia petista.

A Falácia da “Tradição” e a Força Própria

Os céticos dirão: “Mas Coronel não tem tradição”, ou “Se a chapa for Jerônimo, Rui e Wagner, ele não tem chance”. Ledo engano.

Ângelo Coronel não é um político que depende da gravidade do Palácio de Ondina para orbitar.

  1. Estrutura Familiar e Capilaridade: Ele tem um filho deputado federal, outro estadual e uma base prefeitoral que lhe deve fidelidade, não ao governador.
  2. Distanciamento Estratégico: Coronel não tem “nada a ver” com Jerônimo. Mais do que isso: numa posição de destaque no Senado, presidindo comissões importantes e relatando o Orçamento, ele sequer se reuniu com o presidente Lula até hoje. Isso não é isolamento; é autonomia.

Ele construiu um mandato que conversa com setores que o PT tradicionalmente hostiliza ou ignora. Se Rui Costa tentar fazer um contraponto usando o Avante — afinal, é o padrinho da sigla —, ele pode descobrir que a direita liberal e o centro pragmático estão muito mais confortáveis em apoiar a reeleição de Coronel do que em chancelar mais um nome da “panelinha” petista.

O Fim do Mito

A tese de que Coronel recuará se a chapa for fechada com os caciques do PT (Rui e Wagner) subestima o homem e o momento. Coronel vai ser candidato. Não porque precisa da benção do governador, mas porque ele é ele.

A Bahia acostumou-se com a ideia de que o eleitor vota em bloco, guiado pela mão do governador. Mas esse “negócio de que governador puxa senador” muda. O eleitorado está mais volátil, e as prefeituras, empoderadas pelas emendas pix e pelo orçamento secreto (manobrados habilmente em Brasília), têm hoje mais autonomia para trair a chapa majoritária estadual na hora de escolher o senador.

Conclusão

Ângelo Coronel está desafiando a lógica do “amém”. Se Otto Alencar mantiver sua palavra e permitir essa independência, teremos um cenário onde o PSD garante seu espaço sem precisar pedir licença.

A direita liberal pode abraçá-lo. O interior pode sustentá-lo. E o governo do estado pode assistir, atônito, à reeleição de um senador que não precisou beijar o anel do Executivo para sobreviver. Isso não é apenas estratégia eleitoral; é coragem política. E na Bahia, terra de coronéis históricos, este Coronel específico parece disposto a provar que sua patente não é apenas um sobrenome.

 

A Ousadia Solitária de Ângelo Coronel: O Fim do Dogma “Governador Puxa Senador”

 

 

 

 

Por Padre Carlos

 

Na política baiana, existe uma máxima repetida à exaustão, quase como um mantra religioso: “O Governador puxa o Senador”. É a crença na transferência automática de votos, na força inquestionável da máquina pública estadual. Mas a política, tal como a vida, é dinâmica. E, neste momento, é preciso deixar a análise rasteira de lado e, com honestidade intelectual, bater palmas para a coragem do Senador Ângelo Coronel.

Estamos diante de um movimento tectônico na base governista. Enquanto muitos esperavam a tradicional acomodação de forças, Coronel sinaliza que não aceitará o papel de coadjuvante sacrificável.

O Xadrez de Otto Alencar e a “Independência Consentida”

Para entender a ousadia de Coronel, é preciso primeiro ler as entrelinhas do PSD. Otto Alencar, a raposa política que comanda a sigla, sabe jogar. O cenário que se desenha é de uma sofisticação ímpar: Otto lançará sua estratégia de forma independente, mas institucionalmente, o PSD marchará com Lula e Jerônimo Rodrigues.

A genialidade — e o perigo para o PT — reside no fato de que Otto, embora tenha ascendência sobre Coronel, deverá permitir que essa candidatura avulsa prospere. O provável acordo tácito? O PSD fica com Coronel em uma candidatura solo ao Senado e libera a “segunda vaga” (no voto ou no apoio informal) para os prefeitos do partido decidirem. Isso é inédito e perigoso para a hegemonia petista.

A Falácia da “Tradição” e a Força Própria

Os céticos dirão: “Mas Coronel não tem tradição”, ou “Se a chapa for Jerônimo, Rui e Wagner, ele não tem chance”. Ledo engano.

Ângelo Coronel não é um político que depende da gravidade do Palácio de Ondina para orbitar.

  1. Estrutura Familiar e Capilaridade: Ele tem um filho deputado federal, outro estadual e uma base prefeitoral que lhe deve fidelidade, não ao governador.
  2. Distanciamento Estratégico: Coronel não tem “nada a ver” com Jerônimo. Mais do que isso: numa posição de destaque no Senado, presidindo comissões importantes e relatando o Orçamento, ele sequer se reuniu com o presidente Lula até hoje. Isso não é isolamento; é autonomia.

Ele construiu um mandato que conversa com setores que o PT tradicionalmente hostiliza ou ignora. Se Rui Costa tentar fazer um contraponto usando o Avante — afinal, é o padrinho da sigla —, ele pode descobrir que a direita liberal e o centro pragmático estão muito mais confortáveis em apoiar a reeleição de Coronel do que em chancelar mais um nome da “panelinha” petista.

O Fim do Mito

A tese de que Coronel recuará se a chapa for fechada com os caciques do PT (Rui e Wagner) subestima o homem e o momento. Coronel vai ser candidato. Não porque precisa da benção do governador, mas porque ele é ele.

A Bahia acostumou-se com a ideia de que o eleitor vota em bloco, guiado pela mão do governador. Mas esse “negócio de que governador puxa senador” muda. O eleitorado está mais volátil, e as prefeituras, empoderadas pelas emendas pix e pelo orçamento secreto (manobrados habilmente em Brasília), têm hoje mais autonomia para trair a chapa majoritária estadual na hora de escolher o senador.

Conclusão

Ângelo Coronel está desafiando a lógica do “amém”. Se Otto Alencar mantiver sua palavra e permitir essa independência, teremos um cenário onde o PSD garante seu espaço sem precisar pedir licença.

A direita liberal pode abraçá-lo. O interior pode sustentá-lo. E o governo do estado pode assistir, atônito, à reeleição de um senador que não precisou beijar o anel do Executivo para sobreviver. Isso não é apenas estratégia eleitoral; é coragem política. E na Bahia, terra de coronéis históricos, este Coronel específico parece disposto a provar que sua patente não é apenas um sobrenome.

 

A Verdade Que Muhammad Ali Tentou Nos Ensinar

 

 

 

 

 

Por Padre Carlos

 

Hoje cedo, enquanto eu fazia minha oração da manhã, recebi uma mensagem de um amigo de infância. Era só uma frase. Simples. Curta. Mas ela me atravessou como um raio. Ele escreveu:

“O homem que vê o mundo aos 50 anos do mesmo modo que via aos 20 perdeu 30 anos de sua vida.” — Muhammad Ali

Fiquei alguns minutos olhando para aquelas palavras. E quanto mais eu meditava, mais eu entendia o que Muhammad Ali estava tentando dizer. Não era sobre idade. Não era sobre juventude. Era sobre viver de verdade — e deixar que a vida nos transforme.

A gente cresceu ouvindo que o admirável é “não mudar”. O político que repete o mesmo discurso pra sempre, o artista que nunca se reinventa, o amigo que é “o mesmo de sempre”. Mas naquele silêncio da manhã, diante de Deus, eu compreendi: ficar igual a vida inteira não é virtude… é perda.

Porque se depois de 30 anos tudo em nós continua igual — as ideias, os julgamentos, as certezas, os preconceitos — então o que fizemos com o amor que recebemos? Com as dores que enfrentamos? Com os erros que cometemos? Com tudo o que aprendemos?

A juventude é linda. Mas o olhar de um jovem é naturalmente limitado: tudo é preto ou branco, certo ou errado, nós ou eles. Isso ajuda no começo da vida, quando precisamos correr, sonhar alto, brigar pelo nosso espaço no mundo. O problema é continuar vendo tudo assim aos 50.

A maturidade deveria nos ensinar que ninguém é totalmente herói ou totalmente vilão, que ninguém é só certo ou só errado, que a vida não cabe em rótulos. Aos 50, já deveríamos ter aprendido a ouvir antes de julgar, a compreender antes de condenar, a enxergar as pessoas além do que elas mostram por fora.

O que Muhammad Ali chamou de “perder 30 anos” é viver sem permitir que o tempo nos faça crescer. É sobreviver — mas não aprender. É colocar a experiência pra bater e voltar, sem deixar marca, sem virar sabedoria.

E mudar não é fraqueza. É coragem. Coragem de dizer:
“Eu pensava de um jeito, agora penso diferente.”
“Eu me enganei.”
“Eu aprendi.”

O mundo muda. As pessoas mudam. E nós também deveríamos mudar.

Ser fiel a si mesmo não é ser pedra.
Ser fiel a si mesmo é ser verdade.

O “eu” de 20 anos não sabia o que o “eu” de 50 sabe. Honrar a versão mais jovem de nós não significa ficar preso a ela para sempre, mas agradecer por ela ter nos trazido até aqui — e depois deixá-la ir.

Muhammad Ali mudou de nome, de religião, de postura política. Ele se reinventou. Ele evoluiu. Ele não desperdiçou 30 anos: ele se lapidou durante 30 anos.

Que a gente também aprenda a se transformar.
Que a gente perca o medo de desaprender para aprender de novo.
Que a gente aceite que crescer dói… mas vale a pena.

A única coisa que precisa continuar igual dos 20 aos 50 é a paixão pela vida. Todo o resto — opinião, visão, convicções — precisa caber no movimento do tempo.

Porque viver é mudar.
E quem não muda… não vive.

 

A Verdade Que Muhammad Ali Tentou Nos Ensinar

 

 

 

 

 

Por Padre Carlos

 

Hoje cedo, enquanto eu fazia minha oração da manhã, recebi uma mensagem de um amigo de infância. Era só uma frase. Simples. Curta. Mas ela me atravessou como um raio. Ele escreveu:

“O homem que vê o mundo aos 50 anos do mesmo modo que via aos 20 perdeu 30 anos de sua vida.” — Muhammad Ali

Fiquei alguns minutos olhando para aquelas palavras. E quanto mais eu meditava, mais eu entendia o que Muhammad Ali estava tentando dizer. Não era sobre idade. Não era sobre juventude. Era sobre viver de verdade — e deixar que a vida nos transforme.

A gente cresceu ouvindo que o admirável é “não mudar”. O político que repete o mesmo discurso pra sempre, o artista que nunca se reinventa, o amigo que é “o mesmo de sempre”. Mas naquele silêncio da manhã, diante de Deus, eu compreendi: ficar igual a vida inteira não é virtude… é perda.

Porque se depois de 30 anos tudo em nós continua igual — as ideias, os julgamentos, as certezas, os preconceitos — então o que fizemos com o amor que recebemos? Com as dores que enfrentamos? Com os erros que cometemos? Com tudo o que aprendemos?

A juventude é linda. Mas o olhar de um jovem é naturalmente limitado: tudo é preto ou branco, certo ou errado, nós ou eles. Isso ajuda no começo da vida, quando precisamos correr, sonhar alto, brigar pelo nosso espaço no mundo. O problema é continuar vendo tudo assim aos 50.

A maturidade deveria nos ensinar que ninguém é totalmente herói ou totalmente vilão, que ninguém é só certo ou só errado, que a vida não cabe em rótulos. Aos 50, já deveríamos ter aprendido a ouvir antes de julgar, a compreender antes de condenar, a enxergar as pessoas além do que elas mostram por fora.

O que Muhammad Ali chamou de “perder 30 anos” é viver sem permitir que o tempo nos faça crescer. É sobreviver — mas não aprender. É colocar a experiência pra bater e voltar, sem deixar marca, sem virar sabedoria.

E mudar não é fraqueza. É coragem. Coragem de dizer:
“Eu pensava de um jeito, agora penso diferente.”
“Eu me enganei.”
“Eu aprendi.”

O mundo muda. As pessoas mudam. E nós também deveríamos mudar.

Ser fiel a si mesmo não é ser pedra.
Ser fiel a si mesmo é ser verdade.

O “eu” de 20 anos não sabia o que o “eu” de 50 sabe. Honrar a versão mais jovem de nós não significa ficar preso a ela para sempre, mas agradecer por ela ter nos trazido até aqui — e depois deixá-la ir.

Muhammad Ali mudou de nome, de religião, de postura política. Ele se reinventou. Ele evoluiu. Ele não desperdiçou 30 anos: ele se lapidou durante 30 anos.

Que a gente também aprenda a se transformar.
Que a gente perca o medo de desaprender para aprender de novo.
Que a gente aceite que crescer dói… mas vale a pena.

A única coisa que precisa continuar igual dos 20 aos 50 é a paixão pela vida. Todo o resto — opinião, visão, convicções — precisa caber no movimento do tempo.

Porque viver é mudar.
E quem não muda… não vive.