Política e Resenha

ARTIGO – Quando o Luto Se Torna Casa: A Dor Que Ensina a Amar

 

 

 (Padre Carlos)

Há dores que não cabem na linguagem humana. Perder alguém, perder um amor, perder um projeto de vida — são terremotos silenciosos que não aparecem no noticiário, mas que devastam mundos interiores. Quando ouvimos que alguém está “de luto”, quase sempre pensamos em morte, mas o luto é muito mais do que isso: é o preço que se paga por ter amado, por ter criado vínculos, por ter permitido que alguém ou algo ocupasse um lugar afetivo dentro de nós.

A sociedade tenta nos consolar com frases prontas — “sei o que é isso”, “tenha força”, “pensa noutra coisa”, “siga em frente”, “está no céu” — todas ditas com boa intenção, mas incapazes de tocar a realidade íntima de quem está sangrando por dentro. O luto é pessoal, intransferível, inegociável. Ninguém sente em nosso lugar, ninguém atravessa o deserto da falta pelos nossos passos.

Recentemente, um amigo dos tempos do seminário me contou, com a voz embargada, que tinha acabado de perder o pai. Eu não lhe disse para ser forte. Não lhe pedi para se erguer como se nada tivesse acontecido. Apenas o lembrei de algo que a vida me ensinou: é preciso viver o luto, reconhecer as feridas da alma e permitir que o tempo — e somente ele — seja o remédio possível. Nada cicatriza em um dia. Nada se reconstrói com fórmulas mágicas.

Existem tantos tipos de luto quanto existem maneiras de amar.
Luto pelos que morreram e não veremos mais nesta vida.
Luto pelos vivos que se afastam e nos tornam invisíveis.
Luto antecipado, prolongado, adiado.
Luto pela fé perdida, pela saúde que se foi, pelo divórcio que rachou a casa ao meio, pelo emprego que sustentava dignidade, pelo filho que partiu cedo demais, pelo animal que era companhia silenciosa, pela imagem própria que se fragmentou no espelho.

No fundo, todos carregamos um luto que mora dentro de nós — discreto, insistente, irrenunciável.

A etimologia de “luto” vem de lugere — chorar. E o choro, tão reprimido, é fisiologia da alma. Negar o luto intoxica o corpo e a fé: surgem doenças físicas, psíquicas, espirituais. Quem cala, nem sempre consente — muitas vezes adoece.

Toda perda quer ser narrada. Sobrevivemos quando conseguimos contar nossa história — nem para o mundo, nem para a plateia, mas para nós mesmos. Quando conseguimos olhar a ferida sem nos destruirmos com ela, então nasce a possibilidade de uma vida reconfigurada, de novos projetos, de um recomeço que não apaga o amor vivido, mas o honra.

Uma pastoral que a Igreja ainda não despertou com a urgência necessária é a pastoral do luto: um espaço de acolhimento, escuta e acompanhamento espiritual. Um lugar onde quem sofre possa ser amparado, ouvido, cuidado. Um espaço de oração, fraternidade, perfume e esperança. Um caminho de Emaús, onde o Cristo ressuscitado caminha com quem acredita que tudo está perdido.

Se você está em luto, ou conhece alguém que está, seja presença — não discurso. O luto, quando cuidado, pode se tornar missão. Tocar uma ferida com amor é evangelização. Acolher quem chora é gesto de fé. O luto é também terra de missão.

E às vezes, o maior milagre é apenas não deixar ninguém sofrer sozinho.

ARTIGO – Quando o Luto Se Torna Casa: A Dor Que Ensina a Amar

 

 

 (Padre Carlos)

Há dores que não cabem na linguagem humana. Perder alguém, perder um amor, perder um projeto de vida — são terremotos silenciosos que não aparecem no noticiário, mas que devastam mundos interiores. Quando ouvimos que alguém está “de luto”, quase sempre pensamos em morte, mas o luto é muito mais do que isso: é o preço que se paga por ter amado, por ter criado vínculos, por ter permitido que alguém ou algo ocupasse um lugar afetivo dentro de nós.

A sociedade tenta nos consolar com frases prontas — “sei o que é isso”, “tenha força”, “pensa noutra coisa”, “siga em frente”, “está no céu” — todas ditas com boa intenção, mas incapazes de tocar a realidade íntima de quem está sangrando por dentro. O luto é pessoal, intransferível, inegociável. Ninguém sente em nosso lugar, ninguém atravessa o deserto da falta pelos nossos passos.

Recentemente, um amigo dos tempos do seminário me contou, com a voz embargada, que tinha acabado de perder o pai. Eu não lhe disse para ser forte. Não lhe pedi para se erguer como se nada tivesse acontecido. Apenas o lembrei de algo que a vida me ensinou: é preciso viver o luto, reconhecer as feridas da alma e permitir que o tempo — e somente ele — seja o remédio possível. Nada cicatriza em um dia. Nada se reconstrói com fórmulas mágicas.

Existem tantos tipos de luto quanto existem maneiras de amar.
Luto pelos que morreram e não veremos mais nesta vida.
Luto pelos vivos que se afastam e nos tornam invisíveis.
Luto antecipado, prolongado, adiado.
Luto pela fé perdida, pela saúde que se foi, pelo divórcio que rachou a casa ao meio, pelo emprego que sustentava dignidade, pelo filho que partiu cedo demais, pelo animal que era companhia silenciosa, pela imagem própria que se fragmentou no espelho.

No fundo, todos carregamos um luto que mora dentro de nós — discreto, insistente, irrenunciável.

A etimologia de “luto” vem de lugere — chorar. E o choro, tão reprimido, é fisiologia da alma. Negar o luto intoxica o corpo e a fé: surgem doenças físicas, psíquicas, espirituais. Quem cala, nem sempre consente — muitas vezes adoece.

Toda perda quer ser narrada. Sobrevivemos quando conseguimos contar nossa história — nem para o mundo, nem para a plateia, mas para nós mesmos. Quando conseguimos olhar a ferida sem nos destruirmos com ela, então nasce a possibilidade de uma vida reconfigurada, de novos projetos, de um recomeço que não apaga o amor vivido, mas o honra.

Uma pastoral que a Igreja ainda não despertou com a urgência necessária é a pastoral do luto: um espaço de acolhimento, escuta e acompanhamento espiritual. Um lugar onde quem sofre possa ser amparado, ouvido, cuidado. Um espaço de oração, fraternidade, perfume e esperança. Um caminho de Emaús, onde o Cristo ressuscitado caminha com quem acredita que tudo está perdido.

Se você está em luto, ou conhece alguém que está, seja presença — não discurso. O luto, quando cuidado, pode se tornar missão. Tocar uma ferida com amor é evangelização. Acolher quem chora é gesto de fé. O luto é também terra de missão.

E às vezes, o maior milagre é apenas não deixar ninguém sofrer sozinho.

ARTIGO – A Missa Que Celebra o Legado: Raul Ferraz e a Fé Que Mantém Vivas as Grandes Histórias

 

 

 

(Padre Carlos)

 

Há homens que passam pelo tempo; outros, porém, passam para dentro do tempo — e nele permanecem. Raul Carlos Andrade Ferraz pertence àqueles cuja existência continua iluminando o caminho coletivo, mesmo após o silêncio definitivo da morte. Não é exagero afirmar que sua vida se converteu em patrimônio moral e institucional de Vitória da Conquista. Por isso, quando a Igreja se prepara para celebrar a Santa Missa em sua memória, não está apenas despedindo-se: está afirmando que o bem merece ser lembrado, celebrado e multiplicado.

 

A Missa de 02 de dezembro de 2025, às 19h, na Catedral Metropolitana, não é apenas um ato litúrgico. É uma declaração pública de que a gratidão é uma forma de justiça — e de que o legado de Raul Ferraz transcende a cronologia e transforma-se em inspiração. Diante do altar, cada prece é reconhecimento; cada gesto litúrgico é reverência; cada palavra das Escrituras recorda que o amor pelo próximo é o fundamento da verdadeira grandeza humana.

 

Raul Ferraz foi um homem que entendeu a política como vocação e serviço, não como palco. Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, fez da inteligência e da serenidade instrumentos para transformar sua cidade. Como vereador, prefeito e deputado federal constituinte, dignificou a vida pública com ética, planejamento urbano, educação, cultura e compromisso com os valores democráticos. Não governou para parecer grande — governou para que Vitória da Conquista pudesse crescer.

 

Por isso, a Missa em sua memória ultrapassa a função ritualística do luto. Ela atualiza, diante de Deus e da comunidade, o sentido espiritual de sua trajetória: o serviço público como expressão concreta do Evangelho. Em Raul Ferraz, fé e cidadania caminharam juntas — uma orientava a outra. Sua liderança não se impunha pela autoridade do cargo, mas pela autoridade do exemplo.

 

A cidade que ele sonhou e ajudou a construir está diante de nós todos os dias. Cada rua pavimentada, cada escola fortalecida, cada política estrutural, cada avanço administrativo, cada iniciativa cultural é testemunho permanente de sua visão de futuro. E é por isso que os grandes líderes não desaparecem — multiplicam-se. Continuam vivendo nos frutos que deram.

 

A celebração eucarística transforma essa recordação em compromisso. Recordar, à luz da fé, não é nostalgia — é missão. Ao escutarem o Evangelho e rezarem em intenção de Raul Ferraz, familiares, amigos, autoridades e cidadãos assumem silenciosamente a responsabilidade de preservar valores que fazem bem à cidade: ética, técnica, diálogo, responsabilidade e amor ao bem comum.

 

Na Missa, não haverá apenas lágrimas da saudade, mas também o sorriso da gratidão. E é a gratidão que impede a história de ser esquecida — é ela que transforma memória em força, exemplo em direção, vida em semente.

 

Ele partiu. Mas o seu legado permanece pulsando no coração da cidade que amou. E enquanto Vitória da Conquista mantiver viva a fé na política como vocação e no serviço público como expressão de dignidade humana, Raul Ferraz permanecerá entre nós — não só nas lembranças, mas nas escolhas do futuro.

 

A despedida é breve.

O legado, eterno.

E a fé é o elo que mantém vivas as grandes histórias.

 

 

ARTIGO – A Missa Que Celebra o Legado: Raul Ferraz e a Fé Que Mantém Vivas as Grandes Histórias

 

 

 

(Padre Carlos)

 

Há homens que passam pelo tempo; outros, porém, passam para dentro do tempo — e nele permanecem. Raul Carlos Andrade Ferraz pertence àqueles cuja existência continua iluminando o caminho coletivo, mesmo após o silêncio definitivo da morte. Não é exagero afirmar que sua vida se converteu em patrimônio moral e institucional de Vitória da Conquista. Por isso, quando a Igreja se prepara para celebrar a Santa Missa em sua memória, não está apenas despedindo-se: está afirmando que o bem merece ser lembrado, celebrado e multiplicado.

 

A Missa de 02 de dezembro de 2025, às 19h, na Catedral Metropolitana, não é apenas um ato litúrgico. É uma declaração pública de que a gratidão é uma forma de justiça — e de que o legado de Raul Ferraz transcende a cronologia e transforma-se em inspiração. Diante do altar, cada prece é reconhecimento; cada gesto litúrgico é reverência; cada palavra das Escrituras recorda que o amor pelo próximo é o fundamento da verdadeira grandeza humana.

 

Raul Ferraz foi um homem que entendeu a política como vocação e serviço, não como palco. Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, fez da inteligência e da serenidade instrumentos para transformar sua cidade. Como vereador, prefeito e deputado federal constituinte, dignificou a vida pública com ética, planejamento urbano, educação, cultura e compromisso com os valores democráticos. Não governou para parecer grande — governou para que Vitória da Conquista pudesse crescer.

 

Por isso, a Missa em sua memória ultrapassa a função ritualística do luto. Ela atualiza, diante de Deus e da comunidade, o sentido espiritual de sua trajetória: o serviço público como expressão concreta do Evangelho. Em Raul Ferraz, fé e cidadania caminharam juntas — uma orientava a outra. Sua liderança não se impunha pela autoridade do cargo, mas pela autoridade do exemplo.

 

A cidade que ele sonhou e ajudou a construir está diante de nós todos os dias. Cada rua pavimentada, cada escola fortalecida, cada política estrutural, cada avanço administrativo, cada iniciativa cultural é testemunho permanente de sua visão de futuro. E é por isso que os grandes líderes não desaparecem — multiplicam-se. Continuam vivendo nos frutos que deram.

 

A celebração eucarística transforma essa recordação em compromisso. Recordar, à luz da fé, não é nostalgia — é missão. Ao escutarem o Evangelho e rezarem em intenção de Raul Ferraz, familiares, amigos, autoridades e cidadãos assumem silenciosamente a responsabilidade de preservar valores que fazem bem à cidade: ética, técnica, diálogo, responsabilidade e amor ao bem comum.

 

Na Missa, não haverá apenas lágrimas da saudade, mas também o sorriso da gratidão. E é a gratidão que impede a história de ser esquecida — é ela que transforma memória em força, exemplo em direção, vida em semente.

 

Ele partiu. Mas o seu legado permanece pulsando no coração da cidade que amou. E enquanto Vitória da Conquista mantiver viva a fé na política como vocação e no serviço público como expressão de dignidade humana, Raul Ferraz permanecerá entre nós — não só nas lembranças, mas nas escolhas do futuro.

 

A despedida é breve.

O legado, eterno.

E a fé é o elo que mantém vivas as grandes histórias.

 

 

A Arquitetura do Vazio: Quando a Saudade é a Única Prova de Permanência

 

 

Por Padre Carlos

Hoje, mais uma vez, o pensamento me traiu e correu para você. Não houve aviso prévio, nem data comemorativa no calendário que justificasse o desvio. Foi apenas a vida acontecendo e, de repente, a sua ausência ocupando todo o espaço da sala. É curioso como a física nos ensina que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, mas a metafísica do afeto nos prova o contrário: é justamente onde você não está que a sua presença se faz mais pesada.

A ausência, descobri com o tempo — esse tempo que insiste em passar, indiferente à nossa urgência —, não é o silêncio. Pelo contrário, a ausência tem um eco. É um som residual que reverbera nas paredes de dentro, um vazio que paradoxalmente transborda.

A saudade, essa visitante mal-educada que não pede licença, é mestre na arte da emboscada. Ela não marca hora na agenda. Ela chega sorrateira num cheiro específico que cruza a rua e me sequestra para um passado onde você existia no presente. Ela vem numa música aleatória no rádio, cujos acordes parecem ter sido compostos exclusivamente para narrar a nossa história. Ela surge numa palavra solta numa conversa alheia, uma daquelas expressões que só você usava e que, ao serem ditas por outra boca, soam quase como um plágio da sua existência.

Nesses instantes de vulnerabilidade, o coração aperta e a lógica falha. A verdade, nua e crua, é que a cartilha do “seguir em frente” tem páginas faltando. Eu nunca aprendi — e arrisco dizer que talvez nunca aprenda — a conjugar o verbo partir no passado perfeito. A sua partida permanece, para mim, num gerúndio doloroso: está sempre doendo, está sempre indo, mas nunca foi totalmente.

Torno-me, então, um curador de um museu invisível. Guardo nossas lembranças como quem segura um tesouro frágil, porcelana fina nas mãos de uma criança. Cada riso compartilhado, cada conversa banal de terça-feira, cada silêncio confortável… tudo isso virou relíquia. O medo do esquecimento é o vigia desse acervo. Porque, no fundo, esquecer os detalhes seria matar você uma segunda vez, e isso eu me recuso a fazer.

A vida segue, inexorável. O mundo gira, as estações mudam, novos rostos aparecem. Mas você continua impregnado na textura do meu caminho. Há pessoas que não são apenas passageiros na nossa viagem; elas são a própria estrada, a paisagem e o destino. Certas conexões desafiam a biologia: elas não morrem quando o coração para de bater. Elas se transformam.

Se o universo me concedesse a graça de uma fenda no tempo, eu não pediria grandes eventos. Eu lhe diria, mais uma vez, o quão fundamental foi a sua passagem por aqui. Diria que você não apenas marcou minha história, mas que é a tinta com a qual escrevo quem sou hoje. Queria aquele abraço de mais um segundo, aquele que a gente dá quando sabe que é despedida, mas que, na época, demos como se tivéssemos todo o tempo do mundo.

No fim das contas, a saudade é dura, é uma ferida que não cicatriza por completo, mas que aprendemos a não coçar. Porém, há uma beleza trágica nisso tudo. A dor da sua falta é a medida exata da alegria da sua presença. A saudade é o recibo que a vida nos dá por termos amado muito.

Eu carrego esse amor comigo. Ele pesa, é verdade. Mas é o único peso que me ajuda a manter os pés no chão e, ao mesmo tempo, me ensina a olhar para o céu.

Este artigo é uma reflexão sobre a perenidade do amor diante da finitude da vida.

A Arquitetura do Vazio: Quando a Saudade é a Única Prova de Permanência

 

 

Por Padre Carlos

Hoje, mais uma vez, o pensamento me traiu e correu para você. Não houve aviso prévio, nem data comemorativa no calendário que justificasse o desvio. Foi apenas a vida acontecendo e, de repente, a sua ausência ocupando todo o espaço da sala. É curioso como a física nos ensina que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, mas a metafísica do afeto nos prova o contrário: é justamente onde você não está que a sua presença se faz mais pesada.

A ausência, descobri com o tempo — esse tempo que insiste em passar, indiferente à nossa urgência —, não é o silêncio. Pelo contrário, a ausência tem um eco. É um som residual que reverbera nas paredes de dentro, um vazio que paradoxalmente transborda.

A saudade, essa visitante mal-educada que não pede licença, é mestre na arte da emboscada. Ela não marca hora na agenda. Ela chega sorrateira num cheiro específico que cruza a rua e me sequestra para um passado onde você existia no presente. Ela vem numa música aleatória no rádio, cujos acordes parecem ter sido compostos exclusivamente para narrar a nossa história. Ela surge numa palavra solta numa conversa alheia, uma daquelas expressões que só você usava e que, ao serem ditas por outra boca, soam quase como um plágio da sua existência.

Nesses instantes de vulnerabilidade, o coração aperta e a lógica falha. A verdade, nua e crua, é que a cartilha do “seguir em frente” tem páginas faltando. Eu nunca aprendi — e arrisco dizer que talvez nunca aprenda — a conjugar o verbo partir no passado perfeito. A sua partida permanece, para mim, num gerúndio doloroso: está sempre doendo, está sempre indo, mas nunca foi totalmente.

Torno-me, então, um curador de um museu invisível. Guardo nossas lembranças como quem segura um tesouro frágil, porcelana fina nas mãos de uma criança. Cada riso compartilhado, cada conversa banal de terça-feira, cada silêncio confortável… tudo isso virou relíquia. O medo do esquecimento é o vigia desse acervo. Porque, no fundo, esquecer os detalhes seria matar você uma segunda vez, e isso eu me recuso a fazer.

A vida segue, inexorável. O mundo gira, as estações mudam, novos rostos aparecem. Mas você continua impregnado na textura do meu caminho. Há pessoas que não são apenas passageiros na nossa viagem; elas são a própria estrada, a paisagem e o destino. Certas conexões desafiam a biologia: elas não morrem quando o coração para de bater. Elas se transformam.

Se o universo me concedesse a graça de uma fenda no tempo, eu não pediria grandes eventos. Eu lhe diria, mais uma vez, o quão fundamental foi a sua passagem por aqui. Diria que você não apenas marcou minha história, mas que é a tinta com a qual escrevo quem sou hoje. Queria aquele abraço de mais um segundo, aquele que a gente dá quando sabe que é despedida, mas que, na época, demos como se tivéssemos todo o tempo do mundo.

No fim das contas, a saudade é dura, é uma ferida que não cicatriza por completo, mas que aprendemos a não coçar. Porém, há uma beleza trágica nisso tudo. A dor da sua falta é a medida exata da alegria da sua presença. A saudade é o recibo que a vida nos dá por termos amado muito.

Eu carrego esse amor comigo. Ele pesa, é verdade. Mas é o único peso que me ajuda a manter os pés no chão e, ao mesmo tempo, me ensina a olhar para o céu.

Este artigo é uma reflexão sobre a perenidade do amor diante da finitude da vida.

ARTIGO – “O Último Pedido de Um Policial Que Já Não Está Vivo”

 

 

 

 (Padre Carlos)

Há textos que atravessam a carne. Há histórias que, quando lidas, nos obrigam a respirar mais fundo, como se o coração tivesse sido convocado a escutar antes mesmo do cérebro compreender. O relato do policial militar Roger — o Sargento Dias — é um desses. Não é simplesmente uma carta. É um epitáfio vivo, uma denúncia, uma acusação e, antes de tudo, um grito de amor pela família, pela profissão e pelo país.

“Na próxima semana eu completaria 30 anos de vida.”
Ele mesmo corrige: não vai completar.
Foi baleado na cabeça horas antes de “falar” com os senadores. E mesmo assim segue ali, “de pé”, discursando com a noção dolorosa de que já não respira, já não volta para casa, já não abraça a própria filha de quatro meses — Antonella, que jamais terá um Dia dos Pais.

Esse é o Brasil real, o Brasil que raramente aparece nas novelas, nos discursos acadêmicos confortáveis, nas teses jurídicas produzidas em ar-condicionado. Esse é o país em que o criminoso reincidente, armado e violento recebe benefícios; e o policial, que arrisca a vida por desconhecidos, recebe uma bandeira sobre o caixão.

Roger expõe sem rodeios o conflito diário: a cobrança por metas de combate ao crime é imensa, mas a segurança jurídica para trabalhar não existe.
Um disparo a mais pode virar processo; um disparo a menos pode virar lápide.

Naquela noite, o instinto policial mandou abordar.
Mas o medo das consequências — alimentado por entendimentos jurídicos que paralisam quem combate o crime — atrasou o segundo fatal.
E então dois tiros atravessaram seu rosto.
Depois disso, silêncio. E fim.

O assassino?
Reincidente. Já preso várias vezes.
E estava em liberdade graças à saídinha — o golpe legal travestido de benefício que, em nome de um “direito humanista”, garante apenas a continuidade da violência.

No enterro de Roger não haverá “saídinha”.
Nesse tipo de prisão, visita não existe.

E aqui está o ponto onde o texto fere mais:
Ele não escreve pedindo por ele — escreve por quem fica.
Pelos companheiros que amanhã enfrentarão o mesmo criminoso que hoje foi solto.
Pela sociedade que paga o preço da impunidade.
Pela esposa que recebeu a notícia antes do abraço.
Pela filha que perderá para sempre o direito de dizer “papai”.

Se existe algo que desmoraliza uma nação é quando ela protege mais quem destrói do que quem defende.

Por isso, este artigo é um apelo:
O projeto que põe fim às saídinhas não é pauta partidária.
É pauta moral.
É pauta de sobrevivência.
É pauta para dizer aos brasileiros que seu país não desistiu deles.

O homicídio de Roger não pode ser apenas mais um.
Não pode ser estatística, não pode ser cerimônia militar, não pode ser manchete de um único dia.
Que esse texto ecoe no Congresso, nas famílias, nos quartéis, nas escolas, nos jornais e nas redes sociais.
Que repita até cansar, até que ninguém tenha coragem de ignorar:

Quem protege criminosos fabrica caixões.
Quem protege policiais protege a sociedade.

A última palavra de um homem que está morto ainda é um pedido.
Resta saber se quem está vivo vai escutar.

ARTIGO – “O Último Pedido de Um Policial Que Já Não Está Vivo”

 

 

 

 (Padre Carlos)

Há textos que atravessam a carne. Há histórias que, quando lidas, nos obrigam a respirar mais fundo, como se o coração tivesse sido convocado a escutar antes mesmo do cérebro compreender. O relato do policial militar Roger — o Sargento Dias — é um desses. Não é simplesmente uma carta. É um epitáfio vivo, uma denúncia, uma acusação e, antes de tudo, um grito de amor pela família, pela profissão e pelo país.

“Na próxima semana eu completaria 30 anos de vida.”
Ele mesmo corrige: não vai completar.
Foi baleado na cabeça horas antes de “falar” com os senadores. E mesmo assim segue ali, “de pé”, discursando com a noção dolorosa de que já não respira, já não volta para casa, já não abraça a própria filha de quatro meses — Antonella, que jamais terá um Dia dos Pais.

Esse é o Brasil real, o Brasil que raramente aparece nas novelas, nos discursos acadêmicos confortáveis, nas teses jurídicas produzidas em ar-condicionado. Esse é o país em que o criminoso reincidente, armado e violento recebe benefícios; e o policial, que arrisca a vida por desconhecidos, recebe uma bandeira sobre o caixão.

Roger expõe sem rodeios o conflito diário: a cobrança por metas de combate ao crime é imensa, mas a segurança jurídica para trabalhar não existe.
Um disparo a mais pode virar processo; um disparo a menos pode virar lápide.

Naquela noite, o instinto policial mandou abordar.
Mas o medo das consequências — alimentado por entendimentos jurídicos que paralisam quem combate o crime — atrasou o segundo fatal.
E então dois tiros atravessaram seu rosto.
Depois disso, silêncio. E fim.

O assassino?
Reincidente. Já preso várias vezes.
E estava em liberdade graças à saídinha — o golpe legal travestido de benefício que, em nome de um “direito humanista”, garante apenas a continuidade da violência.

No enterro de Roger não haverá “saídinha”.
Nesse tipo de prisão, visita não existe.

E aqui está o ponto onde o texto fere mais:
Ele não escreve pedindo por ele — escreve por quem fica.
Pelos companheiros que amanhã enfrentarão o mesmo criminoso que hoje foi solto.
Pela sociedade que paga o preço da impunidade.
Pela esposa que recebeu a notícia antes do abraço.
Pela filha que perderá para sempre o direito de dizer “papai”.

Se existe algo que desmoraliza uma nação é quando ela protege mais quem destrói do que quem defende.

Por isso, este artigo é um apelo:
O projeto que põe fim às saídinhas não é pauta partidária.
É pauta moral.
É pauta de sobrevivência.
É pauta para dizer aos brasileiros que seu país não desistiu deles.

O homicídio de Roger não pode ser apenas mais um.
Não pode ser estatística, não pode ser cerimônia militar, não pode ser manchete de um único dia.
Que esse texto ecoe no Congresso, nas famílias, nos quartéis, nas escolas, nos jornais e nas redes sociais.
Que repita até cansar, até que ninguém tenha coragem de ignorar:

Quem protege criminosos fabrica caixões.
Quem protege policiais protege a sociedade.

A última palavra de um homem que está morto ainda é um pedido.
Resta saber se quem está vivo vai escutar.

A Insinuação Venenosa: Quando o Jornalismo Virou Tribunal de Exceção

 

 

 

 

 

Por Padre Carlos

Em um país onde a presunção de inocência ainda deveria ser pilar da democracia, assistimos, mais uma vez, ao espetáculo deprimente do jornalismo de insinuação. Não de acusação direta – isso exigiria provas, coragem e responsabilidade. Não: o método preferido agora é o veneno gota a gota, a frase construída para “expor elos”, “revelar proximidades”, “mostrar intimidades”, tudo sem nunca dizer explicitamente o que se quer que o leitor conclua sozinho. É o velho truque do “não sou eu que estou dizendo, é você que está pensando”.

O caso recente envolvendo o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e o prefeito Bruno Reis é exemplar dessa prática rasteira. Dois dias antes da prisão do empresário Augusto Lima – sócio do Banco Master, investigado por fraudes bilionárias –, os dois políticos usaram um helicóptero de propriedade dele para uma agenda oficial no interior da Bahia. Fato. Registrado, fotografado, público. Nada escondido.

A coluna do Metrópoles, assinada por Andreza Matais, não acusa diretamente. Seria arriscado demais. Em vez disso, titula: “Aeronave usada por ACM Neto expõe elo com executivo do Master preso”. No corpo do texto: “o uso da aeronave expõe uma certa relação de proximidade entre as partes”. Pronto. A semente está plantada. O leitor médio, bombardeado por manchetes sensacionalistas, já faz o serviço: “Se usaram o helicóptero, sabiam do esquema. São cúmplices. São corruptos”.

Isso não é jornalismo. Isso é linchamento moral por procuração.

Porque, convenhamos: em um país onde empresários financiam campanhas, emprestam jatos, helicópteros e até iates para políticos de todos os espectros ideológicos, escolher exatamente este caso para “expor elos” revela mais sobre a seletividade da imprensa do que sobre os envolvidos.

Augusto Lima, o dono da aeronave, é baiano, empresário conhecido, com relações que atravessam o espectro político brasileiro. Tem fotos e proximidade comprovada com Rui Costa, com Jaques Wagner, com o PT baiano histórico. Chegou a ser apontado como amigo próximo de figuras do governo petista na Bahia. Mas, curiosamente, nenhuma coluna de grande veículo nacional se apressou em “expor elos” quando ele aparecia ao lado de governistas. Nenhuma manchete gritou: “Helicóptero de investigado levou petista fulano”. Por quê? Porque o alvo conveniente, neste momento, é a oposição na Bahia.

Se o critério fosse coerente, teríamos uma enxurrada de reportagens semelhantes:

  • Quantos políticos de esquerda usaram aeronaves de empresários depois investigados por corrupção na Lava Jato?
  • Quantos voaram em jatos de empreiteiras que mais tarde confessaram propinas?
  • Quantos posaram sorridentes ao lado de donos de bancos que, anos depois, explodiram em escândalos?

Faríamos isso e não chegaríamos a lugar nenhum, exceto à conclusão óbvia: no Brasil, político anda de avião emprestado como anda de carro oficial. É praxe. É cultura. Pode até ser questionável eticamente em alguns casos, mas não é, por si só, prova de participação em crime.

Amizade não é contagiosa. Usar um helicóptero emprestado não transforma ninguém em cúmplice de fraude bancária. Se fosse assim, metade do Congresso Nacional já estaria presa – e a outra metade fugindo em jatinhos para Malta.

O que incomoda de verdade não é a relação de proximidade (que, repita-se, o próprio empresário mantém com os dois lados do espectro). O que incomoda é a insinuação nas entrelinhas, o subtexto malicioso que transforma um fato banal em suspeita grave, sem uma única linha de prova concreta ligando ACM Neto ou Bruno Reis ao suposto esquema do Banco Master.

Isso é má-fé disfarçada de jornalismo investigativo. É o tipo de prática que erode a credibilidade da imprensa, alimenta o ódio polarizado e transforma veículos de comunicação em instrumentos de guerra política seletiva.

Profissionais sérios de comunicação sabem: noticiar é uma coisa. Insinuar culpa sem provas é outra bem diferente. Uma é dever. A outra é covardia.

Enquanto a imprensa escolher alvos em vez de fatos, o Brasil continuará refém desse jornalismo de torcida, que não informa – apenas incendeia. E nós, leitores, continuaremos pagando a conta com uma democracia cada vez mais enfraquecida pela desconfiança geral.

Que venham as provas. Até lá, que calem as insinuações.

A Insinuação Venenosa: Quando o Jornalismo Virou Tribunal de Exceção

 

 

 

 

 

Por Padre Carlos

Em um país onde a presunção de inocência ainda deveria ser pilar da democracia, assistimos, mais uma vez, ao espetáculo deprimente do jornalismo de insinuação. Não de acusação direta – isso exigiria provas, coragem e responsabilidade. Não: o método preferido agora é o veneno gota a gota, a frase construída para “expor elos”, “revelar proximidades”, “mostrar intimidades”, tudo sem nunca dizer explicitamente o que se quer que o leitor conclua sozinho. É o velho truque do “não sou eu que estou dizendo, é você que está pensando”.

O caso recente envolvendo o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e o prefeito Bruno Reis é exemplar dessa prática rasteira. Dois dias antes da prisão do empresário Augusto Lima – sócio do Banco Master, investigado por fraudes bilionárias –, os dois políticos usaram um helicóptero de propriedade dele para uma agenda oficial no interior da Bahia. Fato. Registrado, fotografado, público. Nada escondido.

A coluna do Metrópoles, assinada por Andreza Matais, não acusa diretamente. Seria arriscado demais. Em vez disso, titula: “Aeronave usada por ACM Neto expõe elo com executivo do Master preso”. No corpo do texto: “o uso da aeronave expõe uma certa relação de proximidade entre as partes”. Pronto. A semente está plantada. O leitor médio, bombardeado por manchetes sensacionalistas, já faz o serviço: “Se usaram o helicóptero, sabiam do esquema. São cúmplices. São corruptos”.

Isso não é jornalismo. Isso é linchamento moral por procuração.

Porque, convenhamos: em um país onde empresários financiam campanhas, emprestam jatos, helicópteros e até iates para políticos de todos os espectros ideológicos, escolher exatamente este caso para “expor elos” revela mais sobre a seletividade da imprensa do que sobre os envolvidos.

Augusto Lima, o dono da aeronave, é baiano, empresário conhecido, com relações que atravessam o espectro político brasileiro. Tem fotos e proximidade comprovada com Rui Costa, com Jaques Wagner, com o PT baiano histórico. Chegou a ser apontado como amigo próximo de figuras do governo petista na Bahia. Mas, curiosamente, nenhuma coluna de grande veículo nacional se apressou em “expor elos” quando ele aparecia ao lado de governistas. Nenhuma manchete gritou: “Helicóptero de investigado levou petista fulano”. Por quê? Porque o alvo conveniente, neste momento, é a oposição na Bahia.

Se o critério fosse coerente, teríamos uma enxurrada de reportagens semelhantes:

  • Quantos políticos de esquerda usaram aeronaves de empresários depois investigados por corrupção na Lava Jato?
  • Quantos voaram em jatos de empreiteiras que mais tarde confessaram propinas?
  • Quantos posaram sorridentes ao lado de donos de bancos que, anos depois, explodiram em escândalos?

Faríamos isso e não chegaríamos a lugar nenhum, exceto à conclusão óbvia: no Brasil, político anda de avião emprestado como anda de carro oficial. É praxe. É cultura. Pode até ser questionável eticamente em alguns casos, mas não é, por si só, prova de participação em crime.

Amizade não é contagiosa. Usar um helicóptero emprestado não transforma ninguém em cúmplice de fraude bancária. Se fosse assim, metade do Congresso Nacional já estaria presa – e a outra metade fugindo em jatinhos para Malta.

O que incomoda de verdade não é a relação de proximidade (que, repita-se, o próprio empresário mantém com os dois lados do espectro). O que incomoda é a insinuação nas entrelinhas, o subtexto malicioso que transforma um fato banal em suspeita grave, sem uma única linha de prova concreta ligando ACM Neto ou Bruno Reis ao suposto esquema do Banco Master.

Isso é má-fé disfarçada de jornalismo investigativo. É o tipo de prática que erode a credibilidade da imprensa, alimenta o ódio polarizado e transforma veículos de comunicação em instrumentos de guerra política seletiva.

Profissionais sérios de comunicação sabem: noticiar é uma coisa. Insinuar culpa sem provas é outra bem diferente. Uma é dever. A outra é covardia.

Enquanto a imprensa escolher alvos em vez de fatos, o Brasil continuará refém desse jornalismo de torcida, que não informa – apenas incendeia. E nós, leitores, continuaremos pagando a conta com uma democracia cada vez mais enfraquecida pela desconfiança geral.

Que venham as provas. Até lá, que calem as insinuações.

ARTIGO – Vitória da Conquista: A Sinfonia da Boa Gestão sob a Regência de Sheila Lemos

 

 

 

 (Padre Carlos)

Há cidades que caminham. Outras que sobrevivem. Mas existe um grupo muito seleto de cidades que crescem, respiram, sonham e se superam — e Vitória da Conquista acaba de provar ao Brasil que pertence a esse último grupo. Quando uma cidade alcança o topo do Prêmio Band Cidades Excelentes, quando conquista o primeiro lugar estadual em Infraestrutura e Mobilidade Urbana, o segundo em Saúde e Bem-Estar, o terceiro em Governança, Eficiência Fiscal e Transparência e, sobretudo, a primeira colocação geral no IGMA, não estamos diante de coincidências. Estamos diante de excelência. Estamos diante de um marco histórico. Estamos diante de uma sinfonia.

E toda sinfonia tem uma regente.

Sheila Lemos ergueu o pódio – não com pressa, mas com precisão. Transformou cada secretaria em um conjunto instrumental. Não esperou aplausos fáceis, não aceitou desafinação, não sacrificou o futuro por decisões populistas. Enquanto muitos municípios cediam ao improviso, Conquista aperfeiçoava sua partitura administrativa. E o resultado agora desperta o interesse de pesquisadores, gestores públicos, economistas e observadores políticos em todo o país. A cidade se tornou case, referência, exemplo.

Uma boa administração pública não nasce de slogans — nasce de método, coragem e responsabilidade. Sheila pediu equilíbrio fiscal quando era necessário pianíssimo, mas exigiu fortíssimo nas frentes de obras para que ruas, avenidas e mobilidade urbana enfim honrassem a grandeza de Conquista. Criou um legato sensível entre Saúde e Assistência Social para que nenhuma família ficasse sozinha no momento em que mais precisou. Não permitiu que o orçamento desafinasse; não permitiu que a burocracia quebrasse o ritmo; não permitiu que os sonhos da cidade se perdessem na partitura.

Os números não contam tudo, mas dizem muito. O primeiro lugar em Infraestrutura e Mobilidade reflete execução técnica e planejamento estratégico. O segundo lugar em Saúde e Bem-Estar revela sensibilidade em tempos de pandemia, ampliação de unidades, vacinação exemplar, ampliação de leitos e valorização humana. O reconhecimento em Transparência comprova o que todo bom maestro sabe: uma grande orquestra só existe quando todos podem ver a partitura.

E há um aspecto ainda mais grandioso: essa sinfonia foi construída no ciclo 2025, marcado por critérios rigorosos que valorizam não apenas os resultados, mas a evolução. Não foi o brilho isolado de um solo; foi a construção de uma obra em quatro movimentos — consistente, madura, ampla, histórica.

É verdade que Sheila Lemos divide os méritos. Ela sempre afirma: “O prêmio pertence a todos nós”. E pertence mesmo — aos servidores, secretários, trabalhadores, à população que acreditou. Mas também é verdade outra coisa: sem regente, não há harmonia possível. Sem alguém que enxergue além da partitura, não existe música. Sem liderança, não há sinfonia.

Vitória da Conquista hoje não aplaude apenas um prêmio. Aplaude uma era. Aplaude a seriedade. Aplaude a maturidade institucional. Aplaude o compromisso público. Aplaude a gestão que soube fazer história.

E quando o pano desce e o público se levanta, há um nome no centro do palco — um nome que, com trabalho, disciplina e amor à cidade, transformou desafios em música:

Parabéns, Sheila. A maestrina está em pleno concerto.
E Conquista, com orgulho, canta junto.

ARTIGO – Vitória da Conquista: A Sinfonia da Boa Gestão sob a Regência de Sheila Lemos

 

 

 

 (Padre Carlos)

Há cidades que caminham. Outras que sobrevivem. Mas existe um grupo muito seleto de cidades que crescem, respiram, sonham e se superam — e Vitória da Conquista acaba de provar ao Brasil que pertence a esse último grupo. Quando uma cidade alcança o topo do Prêmio Band Cidades Excelentes, quando conquista o primeiro lugar estadual em Infraestrutura e Mobilidade Urbana, o segundo em Saúde e Bem-Estar, o terceiro em Governança, Eficiência Fiscal e Transparência e, sobretudo, a primeira colocação geral no IGMA, não estamos diante de coincidências. Estamos diante de excelência. Estamos diante de um marco histórico. Estamos diante de uma sinfonia.

E toda sinfonia tem uma regente.

Sheila Lemos ergueu o pódio – não com pressa, mas com precisão. Transformou cada secretaria em um conjunto instrumental. Não esperou aplausos fáceis, não aceitou desafinação, não sacrificou o futuro por decisões populistas. Enquanto muitos municípios cediam ao improviso, Conquista aperfeiçoava sua partitura administrativa. E o resultado agora desperta o interesse de pesquisadores, gestores públicos, economistas e observadores políticos em todo o país. A cidade se tornou case, referência, exemplo.

Uma boa administração pública não nasce de slogans — nasce de método, coragem e responsabilidade. Sheila pediu equilíbrio fiscal quando era necessário pianíssimo, mas exigiu fortíssimo nas frentes de obras para que ruas, avenidas e mobilidade urbana enfim honrassem a grandeza de Conquista. Criou um legato sensível entre Saúde e Assistência Social para que nenhuma família ficasse sozinha no momento em que mais precisou. Não permitiu que o orçamento desafinasse; não permitiu que a burocracia quebrasse o ritmo; não permitiu que os sonhos da cidade se perdessem na partitura.

Os números não contam tudo, mas dizem muito. O primeiro lugar em Infraestrutura e Mobilidade reflete execução técnica e planejamento estratégico. O segundo lugar em Saúde e Bem-Estar revela sensibilidade em tempos de pandemia, ampliação de unidades, vacinação exemplar, ampliação de leitos e valorização humana. O reconhecimento em Transparência comprova o que todo bom maestro sabe: uma grande orquestra só existe quando todos podem ver a partitura.

E há um aspecto ainda mais grandioso: essa sinfonia foi construída no ciclo 2025, marcado por critérios rigorosos que valorizam não apenas os resultados, mas a evolução. Não foi o brilho isolado de um solo; foi a construção de uma obra em quatro movimentos — consistente, madura, ampla, histórica.

É verdade que Sheila Lemos divide os méritos. Ela sempre afirma: “O prêmio pertence a todos nós”. E pertence mesmo — aos servidores, secretários, trabalhadores, à população que acreditou. Mas também é verdade outra coisa: sem regente, não há harmonia possível. Sem alguém que enxergue além da partitura, não existe música. Sem liderança, não há sinfonia.

Vitória da Conquista hoje não aplaude apenas um prêmio. Aplaude uma era. Aplaude a seriedade. Aplaude a maturidade institucional. Aplaude o compromisso público. Aplaude a gestão que soube fazer história.

E quando o pano desce e o público se levanta, há um nome no centro do palco — um nome que, com trabalho, disciplina e amor à cidade, transformou desafios em música:

Parabéns, Sheila. A maestrina está em pleno concerto.
E Conquista, com orgulho, canta junto.

O Dia da Consciência Negra  e o meu apelo

 

 

 

 

 

Por Lucas Batista

 

O Dia da Consciência Negra não é apenas uma data no calendário. É um convite à reflexão, à memória e, sobretudo, ao reconhecimento da luta e da contribuição do povo negro para a história do nosso país. É um dia que nos lembra que a igualdade ainda é um caminho a ser percorrido, e que a consciência deve existir muito além de uma homenagem: deve existir na prática, na convivência, no respeito e no olhar que lançamos uns aos outros.

 

Muitas vezes, quando falamos sobre racismo, algumas pessoas acham que é exagero, ou dizem que isso “já acabou”. Mas eu falo a partir da minha própria vivência. Mesmo sendo conhecido na minha cidade, mesmo sendo um homem que trabalha, que contribui, que está todos os dias na luta pelo seu povo, ainda me deparo com olhares atravessados, portas meio abertas, suspeitas gratuitas.

 

Há lugares em que chego e percebo que antes de verem o ser humano, veem a cor da minha pele. E isso não acontece apenas no interior — acontece também nas capitais, em Salvador, no comércio, em lojas onde, muitas vezes, o primeiro olhar é de julgamento, como se minha cor definisse meu caráter. E isso machuca. Cansa. Mas também fortalece.

 

Porque foi nessa caminhada que aprendi uma das maiores verdades da minha vida: eu amo a minha cor. Amo porque ela carrega história, força, beleza e identidade. Deus me pintou com uma das cores mais bonitas que existe. E não existe pele A, B ou C — a dor de um negro, um branco sente; a dor de um albino, um negro sente. Somos todos feitos da mesma essência, gerados pelo mesmo Criador, respirando o mesmo ar e caminhando pelo mesmo chão.

 

No Dia da Consciência Negra, o meu apelo é simples e profundo: que sejamos mais tolerantes e menos intolerantes. Que entendamos que ser diferente é normal. Que cada pessoa tem o direito de ser quem quiser ser, de vestir a identidade que carrega, de honrar a própria história. Não importa se você é branco, preto, pardo, lilás — o que importa é o coração que você carrega e o respeito que você entrega ao mundo.

 

Que possamos enxergar uns aos outros não pela cor, mas pela essência. Pelo caráter. Pelo compromisso com o bem.

 

Que este dia não seja apenas lembrado, mas vivido.

O Dia da Consciência Negra  e o meu apelo

 

 

 

 

 

Por Lucas Batista

 

O Dia da Consciência Negra não é apenas uma data no calendário. É um convite à reflexão, à memória e, sobretudo, ao reconhecimento da luta e da contribuição do povo negro para a história do nosso país. É um dia que nos lembra que a igualdade ainda é um caminho a ser percorrido, e que a consciência deve existir muito além de uma homenagem: deve existir na prática, na convivência, no respeito e no olhar que lançamos uns aos outros.

 

Muitas vezes, quando falamos sobre racismo, algumas pessoas acham que é exagero, ou dizem que isso “já acabou”. Mas eu falo a partir da minha própria vivência. Mesmo sendo conhecido na minha cidade, mesmo sendo um homem que trabalha, que contribui, que está todos os dias na luta pelo seu povo, ainda me deparo com olhares atravessados, portas meio abertas, suspeitas gratuitas.

 

Há lugares em que chego e percebo que antes de verem o ser humano, veem a cor da minha pele. E isso não acontece apenas no interior — acontece também nas capitais, em Salvador, no comércio, em lojas onde, muitas vezes, o primeiro olhar é de julgamento, como se minha cor definisse meu caráter. E isso machuca. Cansa. Mas também fortalece.

 

Porque foi nessa caminhada que aprendi uma das maiores verdades da minha vida: eu amo a minha cor. Amo porque ela carrega história, força, beleza e identidade. Deus me pintou com uma das cores mais bonitas que existe. E não existe pele A, B ou C — a dor de um negro, um branco sente; a dor de um albino, um negro sente. Somos todos feitos da mesma essência, gerados pelo mesmo Criador, respirando o mesmo ar e caminhando pelo mesmo chão.

 

No Dia da Consciência Negra, o meu apelo é simples e profundo: que sejamos mais tolerantes e menos intolerantes. Que entendamos que ser diferente é normal. Que cada pessoa tem o direito de ser quem quiser ser, de vestir a identidade que carrega, de honrar a própria história. Não importa se você é branco, preto, pardo, lilás — o que importa é o coração que você carrega e o respeito que você entrega ao mundo.

 

Que possamos enxergar uns aos outros não pela cor, mas pela essência. Pelo caráter. Pelo compromisso com o bem.

 

Que este dia não seja apenas lembrado, mas vivido.

ACIDENTES DE TRÂNSITO EM CONQUISTA: UMA TRAGÉDIA QUE NÃO PODE MAIS SER IGNORADA

 

 

 

Por Ivan Cordeiro
Presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista

Escrevo estas linhas com o coração apertado e a responsabilidade que o cargo me impõe. Nos últimos meses, Vitória da Conquista tem sido palco de uma sequência dolorosa de acidentes de trânsito que ceifam vidas de forma brutal e precoce. Só em 2025, já perdemos dezenas de conquistenses nas avenidas e ruas que deveriam ser caminhos de vida, e não de luto. É inaceitável. Repito: é absolutamente inaceitável que a nossa cidade continue figurando entre as mais perigosas do interior baiano quando o assunto é segurança no trânsito.

Ontem mesmo, mais uma família foi destroçada. O jovem Arthur, cheio de sonhos e futuro pela frente, teve sua trajetória interrompida de forma violenta em um trecho que todos nós sabemos ser problemático, e que sem entendermos, foi retirado o radar recentemente após a instalação da muralha digital na cidade. Aos familiares do Arthur, e aos amigos, presto aqui a minha mais profunda solidariedade. Perder um filho, um irmão, um amigo dessa maneira deixa uma ferida que o tempo não cura por completo. Que Deus, em Sua infinita misericórdia, conforte os corações enlutados.

Não podemos mais nos conformar com discursos de condolências sem ações concretas. Por isso, na manhã de hoje, protocolei oficialmente uma solicitação à Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista para instalação imediata de radares eletrônicos de velocidade e, onde necessário, redutores físicos de velocidade nos principais pontos críticos já identificados pela população e pelos próprios órgãos de trânsito.

Falo de trechos como Gilenilda Alves, a Luis Eduardo Magalhães, Avenida Brumado, a Juracy Magalhães, a nova parte da Presidente Vargas, a rua Catão Ferraz, a BA-263 no trecho urbano e tantos outros onde a imprudência aliada à ausência de fiscalização tem cobrado um preço altíssimo em vidas humanas. Não se trata de perseguição aos motoristas, mas de proteção à vida – a mais elementar das obrigações do poder público.

Sabemos que radar sozinho não resolve. Precisamos de educação no trânsito desde a base escolar, de campanhas permanentes, de engenharia viária qualificada, de sinalização eficiente e, principalmente, de fiscalização ostensiva. Mas enquanto essas políticas estruturais não avançam na velocidade necessária, o radar é instrumento comprovado para inibir o excesso de velocidade – principal causa de acidentes graves em nossas vias.

A Câmara Municipal, sob minha presidência, não medirá esforços para cobrar respostas rápidas do Executivo. Vamos acompanhar de perto o andamento do nosso requerimento e, se preciso for, convocaremos secretários e técnicos para prestar esclarecimentos em plenário. A vida do conquistense não pode esperar o próximo acidente fatal para que medidas sejam tomadas.

Conclamo também a sociedade civil, igrejas, associações de bairro, clubes de motos e carros, escolas e imprensa: unamo-nos em uma grande mobilização pela vida no trânsito. Cada um de nós tem responsabilidade – seja como pedestre, ciclista, motociclista ou motorista. Respeitar os limites de velocidade, não dirigir após ingerir álcool, usar cinto de segurança e capacete, respeitar a faixa de pedestre não são favores: são deveres cidadãos.

Arthur poderia estar vivo hoje. Quantos outros Arthurs precisaremos enterrar para que a nossa Conquista pare de sangrar nas ruas?

Chega de lamento. É hora de ação.

Ivan Cordeiro
Presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista

19 de novembro de 2025

ACIDENTES DE TRÂNSITO EM CONQUISTA: UMA TRAGÉDIA QUE NÃO PODE MAIS SER IGNORADA

 

 

 

Por Ivan Cordeiro
Presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista

Escrevo estas linhas com o coração apertado e a responsabilidade que o cargo me impõe. Nos últimos meses, Vitória da Conquista tem sido palco de uma sequência dolorosa de acidentes de trânsito que ceifam vidas de forma brutal e precoce. Só em 2025, já perdemos dezenas de conquistenses nas avenidas e ruas que deveriam ser caminhos de vida, e não de luto. É inaceitável. Repito: é absolutamente inaceitável que a nossa cidade continue figurando entre as mais perigosas do interior baiano quando o assunto é segurança no trânsito.

Ontem mesmo, mais uma família foi destroçada. O jovem Arthur, cheio de sonhos e futuro pela frente, teve sua trajetória interrompida de forma violenta em um trecho que todos nós sabemos ser problemático, e que sem entendermos, foi retirado o radar recentemente após a instalação da muralha digital na cidade. Aos familiares do Arthur, e aos amigos, presto aqui a minha mais profunda solidariedade. Perder um filho, um irmão, um amigo dessa maneira deixa uma ferida que o tempo não cura por completo. Que Deus, em Sua infinita misericórdia, conforte os corações enlutados.

Não podemos mais nos conformar com discursos de condolências sem ações concretas. Por isso, na manhã de hoje, protocolei oficialmente uma solicitação à Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista para instalação imediata de radares eletrônicos de velocidade e, onde necessário, redutores físicos de velocidade nos principais pontos críticos já identificados pela população e pelos próprios órgãos de trânsito.

Falo de trechos como Gilenilda Alves, a Luis Eduardo Magalhães, Avenida Brumado, a Juracy Magalhães, a nova parte da Presidente Vargas, a rua Catão Ferraz, a BA-263 no trecho urbano e tantos outros onde a imprudência aliada à ausência de fiscalização tem cobrado um preço altíssimo em vidas humanas. Não se trata de perseguição aos motoristas, mas de proteção à vida – a mais elementar das obrigações do poder público.

Sabemos que radar sozinho não resolve. Precisamos de educação no trânsito desde a base escolar, de campanhas permanentes, de engenharia viária qualificada, de sinalização eficiente e, principalmente, de fiscalização ostensiva. Mas enquanto essas políticas estruturais não avançam na velocidade necessária, o radar é instrumento comprovado para inibir o excesso de velocidade – principal causa de acidentes graves em nossas vias.

A Câmara Municipal, sob minha presidência, não medirá esforços para cobrar respostas rápidas do Executivo. Vamos acompanhar de perto o andamento do nosso requerimento e, se preciso for, convocaremos secretários e técnicos para prestar esclarecimentos em plenário. A vida do conquistense não pode esperar o próximo acidente fatal para que medidas sejam tomadas.

Conclamo também a sociedade civil, igrejas, associações de bairro, clubes de motos e carros, escolas e imprensa: unamo-nos em uma grande mobilização pela vida no trânsito. Cada um de nós tem responsabilidade – seja como pedestre, ciclista, motociclista ou motorista. Respeitar os limites de velocidade, não dirigir após ingerir álcool, usar cinto de segurança e capacete, respeitar a faixa de pedestre não são favores: são deveres cidadãos.

Arthur poderia estar vivo hoje. Quantos outros Arthurs precisaremos enterrar para que a nossa Conquista pare de sangrar nas ruas?

Chega de lamento. É hora de ação.

Ivan Cordeiro
Presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista

19 de novembro de 2025

Elquisson Soares: O Oposicionista que Forjou o Futuro do Sudoeste Baiano

 

Por Padre Carlos

 

Em tempos de política líquida, onde mandatos se dissolvem em selfies e promessas evaporam como orvalho ao sol, recordar figuras como Elquisson Dias Soares (Anagé, 27 de junho de 1940) não é mero exercício de nostalgia. Trata-se de um imperativo ético. Soares não foi apenas um deputado; foi um oposicionista estrutural, um homem que transformou a prisão pelo AI-5 em capital moral, a competência jurídica em arma legislativa e o amor pela sua terra em obras concretas que ainda hoje irrigam campos e formam mentes no Sudoeste da Bahia.

Ex-deputado federal Elquisson Soares: “meu sonho é perenizar o Rio ...

Nascido em origins humildes — o “menino de Vila Nova”, como o batizou a bela biografia de Durval Menezes —, trabalhou como balconista de padaria e contínuo de banco antes de formar-se em Direito pela Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, em 1970. Ali, no coração do endurecimento ditatorial, tornou-se ativista estudantil, pagando com a prisão o preço da resistência ao golpe de 1964. Essa cicatriz não o amargurou; forjou-o.

De volta ao Sudoeste, estabeleceu-se em Vitória da Conquista como advogado e agropecuarista. Em 1972, o MDB — o único partido de oposição permitido — precisava de nomes limpos e competentes no interior. Elquisson elegeu-se vereador (1973–1975) e, logo depois, deputado estadual (1975–1979). Na Assembleia Legislativa da Bahia, dominada pela ARENA, fez o impensável: foi eleito três vezes Melhor Deputado do Estado (1975, 1976 e 1978) por uma Assembleia de maioria governista. Não era prêmio de consolação; era reconhecimento forçado de que, mesmo na minoria, sua oratória, rigor fiscalizador e domínio técnico eram irresistíveis.

Começa nesta sexta-feira a 19ª Legislatura da ALBA – Jornal Grande …

Em 1979, já no embalo da abertura lenta e gradual, elegeu-se deputado federal pelo PMDB, reelegendo-se em 1982. Em Brasília, continuou a mesma linha: vice-líder da oposição, relator da CPI das Cheias do Rio São Francisco (cujo relatório virou Resolução da Câmara), relator da Comissão Especial do novo Código Civil — imagine um deputado de oposição moldando o Direito Privado brasileiro! — e um dos poucos que viajaram a Europa para ouvir exilados e trazer suas vozes ao debate da Anistia.

Eleições e o fim do regime – Memorias da Ditadura

Mas o que torna Elquisson Soares singular não foi só Brasília. Foi a capacidade de trazer Brasília para o Sudoeste. Duas obras resumem seu legado:

  1. A Barragem Deputado Elquisson Soares, em Anagé, que garantiu segurança hídrica numa região castigada pela seca.
  2. A luta pioneira pela criação da Universidade Federal de Vitória da Conquista — semente plantada nos anos 1980 e que germinou décadas depois, provando que visão de longo prazo vence vontade curta.

A ele também se deve o municipalismo combativo: defendeu a emancipação de Anagé, Barra do Choça, Caatiba, Belo Campo e Cândido Sales — estratégia genial para romper o coronelismo e fortalecer bases democráticas no interior.

Para que o leitor visualize a escalada impressionante dessa trajetória, eis a cronologia sintetizada:

Tabela 1: Cronologia dos Mandatos Eletivos e Cargos Chave de Elquisson Soares

Período Cargo/Mandato Local Partido Principal Partido Destaques da Atuação
1973–1975 Vereador Vitória da Conquista-BA MDB Início da oposição municipal.
1975–1979 Deputado Estadual ALBA (Salvador-BA) MDB Líder/Vice-Líder da Minoria; Três vezes Melhor Deputado (1975, 1976, 1978).
1979–1983 Deputado Federal (1º Mandato) Câmara Federal (Brasília) PMDB Vice-Líder; Relator da CPI das Cheias do São Francisco.
1983–1987 Deputado Federal (2º Mandato) Câmara Federal (Brasília) PMDB Vice-Presidente da CCJ (1982); Relator do Código Civil.
1987 Presidente CEASA/BA Cargo executivo na área de abastecimento.

E, para não deixar dúvida sobre a diversidade de sua atuação, eis as principais frentes:

Tabela 2: Síntese das Principais Atribuições Legislativas e Políticas de Impacto

Tipo de Atuação Atribuição Específica Período/Órgão Relevância Histórica
Ativismo Cívico Representante do Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA-BA) Internacional (1979) Missão à Europa para ouvir exilados – peça-chave na Lei da Anistia.
Fiscalização Federal Relator da CPI das Cheias do Rio São Francisco Câmara (1980–1981) Resultado transformado em Resolução da Câmara – impacto multiestadual no Nordeste.
Direito e Legislação Relator da Comissão Especial do Projeto do Código Civil Câmara (1982 Influência direta na reforma do Direito Privado brasileiro.
Desenvolvimento Hídrico Idealização da Barragem Dep. Elquisson Soares Anagé-BA Segurança hídrica permanente para o Sudoeste.
Educação Superior Defesa pioneira da Universidade Federal de Vitória da Conquista Sudoeste Baiano Visão que se concretizou décadas depois.
Política Regional Emancipação de municípios (Anagé, Barra do Choça etc.) Sudoeste Baiano Descentralização do poder e fortalecimento da oposição democrática.

Hoje, quando vereadores de Vitória da Conquista citam Elquisson Soares no plenário, o fazem quase sempre com o mesmo lamento: “Cadê a vontade política de antigamente?”. A frase revela tudo. Soares pertence àquela raça rara de políticos que não precisavam ser excepcionais para simplesmente existir — porque eram oposição num regime de exceção. E foram tão bons que até os algozes tiveram que aplaudir.

Anos 70, 80 e 90 – Vitória da Conquista | Facebook

O Sudoeste Baiano deve a ele não apenas uma barragem e uma universidade, mas a própria consciência de sua força política. Elquisson Soares provou que um menino pobre de Anagé, preso pelo AI-5, pode, com estudo, coragem e trabalho, dobrar o sistema e deixar o nome gravado não em placa de bronze, mas na água que bebe e no saber que ensina.

Num Brasil que parece esquecer depressa demais seus melhores, resgatar Elquisson Soares é ato de higiene democrática. Porque, como disse o próprio, num de seus discursos lembrados até hoje: “A Bahia só será grande quando deixar de ser o Estado mais atrasado politicamente do Brasil”. Ele fez a parte dele. Agora é a nossa vez de não deixar que essa chama se apague.

Elquisson Soares: O Oposicionista que Forjou o Futuro do Sudoeste Baiano

 

Por Padre Carlos

 

Em tempos de política líquida, onde mandatos se dissolvem em selfies e promessas evaporam como orvalho ao sol, recordar figuras como Elquisson Dias Soares (Anagé, 27 de junho de 1940) não é mero exercício de nostalgia. Trata-se de um imperativo ético. Soares não foi apenas um deputado; foi um oposicionista estrutural, um homem que transformou a prisão pelo AI-5 em capital moral, a competência jurídica em arma legislativa e o amor pela sua terra em obras concretas que ainda hoje irrigam campos e formam mentes no Sudoeste da Bahia.

Ex-deputado federal Elquisson Soares: “meu sonho é perenizar o Rio ...

Nascido em origins humildes — o “menino de Vila Nova”, como o batizou a bela biografia de Durval Menezes —, trabalhou como balconista de padaria e contínuo de banco antes de formar-se em Direito pela Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, em 1970. Ali, no coração do endurecimento ditatorial, tornou-se ativista estudantil, pagando com a prisão o preço da resistência ao golpe de 1964. Essa cicatriz não o amargurou; forjou-o.

De volta ao Sudoeste, estabeleceu-se em Vitória da Conquista como advogado e agropecuarista. Em 1972, o MDB — o único partido de oposição permitido — precisava de nomes limpos e competentes no interior. Elquisson elegeu-se vereador (1973–1975) e, logo depois, deputado estadual (1975–1979). Na Assembleia Legislativa da Bahia, dominada pela ARENA, fez o impensável: foi eleito três vezes Melhor Deputado do Estado (1975, 1976 e 1978) por uma Assembleia de maioria governista. Não era prêmio de consolação; era reconhecimento forçado de que, mesmo na minoria, sua oratória, rigor fiscalizador e domínio técnico eram irresistíveis.

Começa nesta sexta-feira a 19ª Legislatura da ALBA – Jornal Grande …

Em 1979, já no embalo da abertura lenta e gradual, elegeu-se deputado federal pelo PMDB, reelegendo-se em 1982. Em Brasília, continuou a mesma linha: vice-líder da oposição, relator da CPI das Cheias do Rio São Francisco (cujo relatório virou Resolução da Câmara), relator da Comissão Especial do novo Código Civil — imagine um deputado de oposição moldando o Direito Privado brasileiro! — e um dos poucos que viajaram a Europa para ouvir exilados e trazer suas vozes ao debate da Anistia.

Eleições e o fim do regime – Memorias da Ditadura

Mas o que torna Elquisson Soares singular não foi só Brasília. Foi a capacidade de trazer Brasília para o Sudoeste. Duas obras resumem seu legado:

  1. A Barragem Deputado Elquisson Soares, em Anagé, que garantiu segurança hídrica numa região castigada pela seca.
  2. A luta pioneira pela criação da Universidade Federal de Vitória da Conquista — semente plantada nos anos 1980 e que germinou décadas depois, provando que visão de longo prazo vence vontade curta.

A ele também se deve o municipalismo combativo: defendeu a emancipação de Anagé, Barra do Choça, Caatiba, Belo Campo e Cândido Sales — estratégia genial para romper o coronelismo e fortalecer bases democráticas no interior.

Para que o leitor visualize a escalada impressionante dessa trajetória, eis a cronologia sintetizada:

Tabela 1: Cronologia dos Mandatos Eletivos e Cargos Chave de Elquisson Soares

Período Cargo/Mandato Local Partido Principal Partido Destaques da Atuação
1973–1975 Vereador Vitória da Conquista-BA MDB Início da oposição municipal.
1975–1979 Deputado Estadual ALBA (Salvador-BA) MDB Líder/Vice-Líder da Minoria; Três vezes Melhor Deputado (1975, 1976, 1978).
1979–1983 Deputado Federal (1º Mandato) Câmara Federal (Brasília) PMDB Vice-Líder; Relator da CPI das Cheias do São Francisco.
1983–1987 Deputado Federal (2º Mandato) Câmara Federal (Brasília) PMDB Vice-Presidente da CCJ (1982); Relator do Código Civil.
1987 Presidente CEASA/BA Cargo executivo na área de abastecimento.

E, para não deixar dúvida sobre a diversidade de sua atuação, eis as principais frentes:

Tabela 2: Síntese das Principais Atribuições Legislativas e Políticas de Impacto

Tipo de Atuação Atribuição Específica Período/Órgão Relevância Histórica
Ativismo Cívico Representante do Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA-BA) Internacional (1979) Missão à Europa para ouvir exilados – peça-chave na Lei da Anistia.
Fiscalização Federal Relator da CPI das Cheias do Rio São Francisco Câmara (1980–1981) Resultado transformado em Resolução da Câmara – impacto multiestadual no Nordeste.
Direito e Legislação Relator da Comissão Especial do Projeto do Código Civil Câmara (1982 Influência direta na reforma do Direito Privado brasileiro.
Desenvolvimento Hídrico Idealização da Barragem Dep. Elquisson Soares Anagé-BA Segurança hídrica permanente para o Sudoeste.
Educação Superior Defesa pioneira da Universidade Federal de Vitória da Conquista Sudoeste Baiano Visão que se concretizou décadas depois.
Política Regional Emancipação de municípios (Anagé, Barra do Choça etc.) Sudoeste Baiano Descentralização do poder e fortalecimento da oposição democrática.

Hoje, quando vereadores de Vitória da Conquista citam Elquisson Soares no plenário, o fazem quase sempre com o mesmo lamento: “Cadê a vontade política de antigamente?”. A frase revela tudo. Soares pertence àquela raça rara de políticos que não precisavam ser excepcionais para simplesmente existir — porque eram oposição num regime de exceção. E foram tão bons que até os algozes tiveram que aplaudir.

Anos 70, 80 e 90 – Vitória da Conquista | Facebook

O Sudoeste Baiano deve a ele não apenas uma barragem e uma universidade, mas a própria consciência de sua força política. Elquisson Soares provou que um menino pobre de Anagé, preso pelo AI-5, pode, com estudo, coragem e trabalho, dobrar o sistema e deixar o nome gravado não em placa de bronze, mas na água que bebe e no saber que ensina.

Num Brasil que parece esquecer depressa demais seus melhores, resgatar Elquisson Soares é ato de higiene democrática. Porque, como disse o próprio, num de seus discursos lembrados até hoje: “A Bahia só será grande quando deixar de ser o Estado mais atrasado politicamente do Brasil”. Ele fez a parte dele. Agora é a nossa vez de não deixar que essa chama se apague.

ARTIGO – A Estrada Entre o Silêncio e a Esperança

 

 

 

 

Há temas que definem o destino de uma região, e nenhum deles é tão decisivo para o Sudoeste baiano quanto a concessão da Rio–Bahia. A BR-116 é mais do que uma rodovia: é artéria, é economia pulsando, é segurança logística, é vida. E, por isso mesmo, cada atraso, cada silêncio institucional, cada promessa adiada soa como negligência planejada. Participamos das audiências públicas da ANTT, discutimos propostas, avaliamos projeções, questionamos falhas, contribuímos com dados e com a realidade de quem vive na estrada, não em gabinetes. O cronograma apresentado previa a licitação para dezembro de 2025. Dezembro está batendo à porta. E o edital continua invisível.

O que se vê é um jogo de afirmações desencontradas. Um blog de Salvador garante que a licitação foi empurrada para 2026. Já o Ministro Rui Costa, em entrevista clara e objetiva, reafirma o prazo de dezembro deste ano. Mas quando consultamos os sites da ANTT e do TCU — que deveriam ser os templos da transparência — não encontramos qualquer publicação oficial do certame. E assim surge a velha pergunta que ronda a infraestrutura brasileira há décadas: estamos diante de um país que promete muito e executa pouco, ou estamos diante de um país que executa no silêncio para anunciar somente quando convém politicamente?

A concessão da Rio–Bahia não pode se transformar em mais um capítulo da burocracia eterna. A falta de duplicação ceifa vidas, aumenta custos de transporte, afasta investimentos e desacelera o desenvolvimento regional. A região Sudoeste, que luta há anos pela Duplicação Sudoeste, não está pedindo luxo; está pedindo justiça. Patrimônio histórico importa, cultura importa, política pública importa — mas nenhuma política pública é legítima quando vidas são tratadas como adendos orçamentários. Quem conhece essa estrada sabe que ela não é estatística: ela é sangue, suor, famílias destruídas, caminhoneiros exaustos, empresários frustrados e cidades inteiras à mercê do descaso.

Faltando quinze dias para dezembro, resta uma pergunta que não pode mais ser evitada: poderemos esperar, enfim, a publicação do tão esperado edital? Se a resposta for “sim”, que seja acompanhada de clareza, transparência e compromisso. Se a resposta for “não”, que ao menos se tenha coragem de comunicar publicamente, com responsabilidade institucional, e não por vazamentos contraditórios.

A concessão da Rio–Bahia é a fronteira entre o desenvolvimento e o improviso. Entre a logística moderna e o atraso estrutural. Entre a segurança e a tragédia. Entre a esperança e o cinismo político. E quando um governo afirma um prazo, a sociedade tem o direito sagrado de cobrar o cumprimento.

Buscamos com o movimento Duplicação Sudoeste, desempenhar um papel de não aceitar migalhas nem promessas vazias. Porque desenvolvimento regional não é favor; é dever de Estado. E quando o Estado falha, o povo toma a palavra.

Não há mais espaço para ambiguidade. Chegou a hora de saber se o futuro da BR-116 será decidido com responsabilidade ou com improviso. Dezembro está chegando — e com ele a hora da verdade. O Brasil já pagou caro demais pelo adiado eterno.

Conquista, Sudoeste, Bahia, Brasil: é agora. A estrada está pedindo respeito. E o silêncio institucional, este sim, é a pior curva da rodovia.

 

JOSÉ MARIA CAIRES

DUPLICA SUDOESTE

ARTIGO – A Estrada Entre o Silêncio e a Esperança

 

 

 

 

Há temas que definem o destino de uma região, e nenhum deles é tão decisivo para o Sudoeste baiano quanto a concessão da Rio–Bahia. A BR-116 é mais do que uma rodovia: é artéria, é economia pulsando, é segurança logística, é vida. E, por isso mesmo, cada atraso, cada silêncio institucional, cada promessa adiada soa como negligência planejada. Participamos das audiências públicas da ANTT, discutimos propostas, avaliamos projeções, questionamos falhas, contribuímos com dados e com a realidade de quem vive na estrada, não em gabinetes. O cronograma apresentado previa a licitação para dezembro de 2025. Dezembro está batendo à porta. E o edital continua invisível.

O que se vê é um jogo de afirmações desencontradas. Um blog de Salvador garante que a licitação foi empurrada para 2026. Já o Ministro Rui Costa, em entrevista clara e objetiva, reafirma o prazo de dezembro deste ano. Mas quando consultamos os sites da ANTT e do TCU — que deveriam ser os templos da transparência — não encontramos qualquer publicação oficial do certame. E assim surge a velha pergunta que ronda a infraestrutura brasileira há décadas: estamos diante de um país que promete muito e executa pouco, ou estamos diante de um país que executa no silêncio para anunciar somente quando convém politicamente?

A concessão da Rio–Bahia não pode se transformar em mais um capítulo da burocracia eterna. A falta de duplicação ceifa vidas, aumenta custos de transporte, afasta investimentos e desacelera o desenvolvimento regional. A região Sudoeste, que luta há anos pela Duplicação Sudoeste, não está pedindo luxo; está pedindo justiça. Patrimônio histórico importa, cultura importa, política pública importa — mas nenhuma política pública é legítima quando vidas são tratadas como adendos orçamentários. Quem conhece essa estrada sabe que ela não é estatística: ela é sangue, suor, famílias destruídas, caminhoneiros exaustos, empresários frustrados e cidades inteiras à mercê do descaso.

Faltando quinze dias para dezembro, resta uma pergunta que não pode mais ser evitada: poderemos esperar, enfim, a publicação do tão esperado edital? Se a resposta for “sim”, que seja acompanhada de clareza, transparência e compromisso. Se a resposta for “não”, que ao menos se tenha coragem de comunicar publicamente, com responsabilidade institucional, e não por vazamentos contraditórios.

A concessão da Rio–Bahia é a fronteira entre o desenvolvimento e o improviso. Entre a logística moderna e o atraso estrutural. Entre a segurança e a tragédia. Entre a esperança e o cinismo político. E quando um governo afirma um prazo, a sociedade tem o direito sagrado de cobrar o cumprimento.

Buscamos com o movimento Duplicação Sudoeste, desempenhar um papel de não aceitar migalhas nem promessas vazias. Porque desenvolvimento regional não é favor; é dever de Estado. E quando o Estado falha, o povo toma a palavra.

Não há mais espaço para ambiguidade. Chegou a hora de saber se o futuro da BR-116 será decidido com responsabilidade ou com improviso. Dezembro está chegando — e com ele a hora da verdade. O Brasil já pagou caro demais pelo adiado eterno.

Conquista, Sudoeste, Bahia, Brasil: é agora. A estrada está pedindo respeito. E o silêncio institucional, este sim, é a pior curva da rodovia.

 

JOSÉ MARIA CAIRES

DUPLICA SUDOESTE