
Por Padre Carlos
Há momentos na política em que o vento muda de direção — e, desta vez, sopra de forma generosa para o Planalto. Lula desembarca hoje na Bahia não apenas com os ares do Recôncavo, mas com a atmosfera política a seu favor. Depois de meses de turbulência e disputas narrativas, o presidente vive, enfim, uma fase de retomada — de imagem, de discurso e, sobretudo, de confiança.
A pesquisa Genial/Quest divulgada ontem aponta um empate técnico entre aprovação e rejeição: 49% a 49%. À primeira vista, um equilíbrio. Mas, ao se olhar o histórico, o número revela um salto expressivo. Em maio, Lula enfrentava uma maré de 41% de aprovação contra 57% de rejeição — uma diferença de 16 pontos que hoje simplesmente desapareceu. É um alívio político e simbólico: a curva de confiança volta a subir, e o discurso presidencial começa a ressoar novamente junto à base popular.
Mais que isso: as pautas econômicas do governo encontram eco no coração do povo. Isenção do imposto de renda até R$ 5 mil — aprovada por 79% dos entrevistados — e taxação dos super-ricos — apoiada por 64% — demonstram que a agenda de justiça fiscal, antes tratada como tema árido, ganhou musculatura popular. O país, cansado das distorções, parece disposto a aplaudir quem fala em equidade.
Não é coincidência que, no epicentro desse novo ciclo, esteja o toque baiano de Sidônio Palmeira. O marqueteiro, agora ministro da Secretaria de Comunicação, soube devolver a Lula aquilo que sempre o diferenciou: a narrativa da soberania e da dignidade nacional. Foi nessa toada que o presidente discursou na ONU, com o verbo firme e o corpo relaxado, misto de estadista e sindicalista. E é nessa batida que ele chega à Bahia, terra do axé e da força simbólica, onde o povo entende que política também é emoção, ritmo e fé.
E há simbolismo de sobra: é a sexta visita de Lula à Bahia desde o início do mandato. Nenhum outro estado recebeu tantas idas presidenciais — e isso não é acaso. A Bahia é mais que um reduto eleitoral; é o território afetivo do lulismo. Aqui, ele reencontra o Brasil que o abraçou primeiro, o Nordeste que o sustentou nas fases mais duras, e o povo que ainda o chama pelo nome, sem intermediação de protocolos.
Mas não se trata apenas de afeto. A visita traz também o anúncio da retomada do Estaleiro Enseada, em São Roque do Paraguaçu — uma ferida aberta desde os dias sombrios da Lava Jato. Ali, a operação que prometia moralidade acabou deixando ruínas econômicas e sociais: desemprego, violência e desespero. O retorno das atividades, se concretizado, será mais que um ato administrativo — será um gesto de reparação histórica.
Ao mesmo tempo, Lula se move com a habilidade de quem conhece o xadrez político. Faz as pazes com Donald Trump — sim, o mesmo que um dia o tratou como antagonista — e transforma o gesto em argumento de soberania nacional. Mostra que pode dialogar até com os ventos contrários quando o objetivo é o interesse do país.
Claro, há quem o veja velho no ciclo político, como se dissesse que o tempo dele já passou. Mas há um ditado baiano que parece feito sob medida: “quem tem axé, renasce todo dia”. Lula, ao que tudo indica, ainda tem muito desse axé — político, popular e simbólico.
No tabuleiro de 2026, ele surge novamente como o jogador central — o único brasileiro da história que pode mirar um quarto mandato conquistado nas urnas. Para seus adversários, é o prenúncio de um embate épico; para seus aliados, a promessa de um novo ciclo de poder.
Hoje, ao chegar à Bahia, Lula não encontrará apenas aplausos e câmeras — encontrará o espelho de sua própria trajetória: a resistência, o renascimento e a crença teimosa de que o Brasil ainda pode dar certo.
E quando o sol do Recôncavo tocar o fim da tarde, misturando política e fé, vai ser difícil negar: há, sim, bons ventos soprando a favor.
Axé para o presidente!











