Política e Resenha

A Poesia do Bagaço: Como Belchior Traduziu uma Geração em Versos

 

 

 

Por Padre Carlos

Quando Belchior escreveu “Quando adoçava meu pranto e meu sono no bagaço de cana de engenho”, ele não estava apenas fazendo poesia. Estava destilando a essência de uma geração inteira em uma única imagem: a do jovem brasileiro que encontra consolo mesmo naquilo que sobra, no que é descartado, no refugo da vida.

A letra de “Galos, Noites e Quintais” carrega uma melancolia que se tornou a trilha sonora da minha geração, aquela dos anos 1970 e 1980. Uma época em que ser jovem no Brasil significava lidar com a contradição permanente entre sonhos grandiosos e realidades sufocantes. O “bagaço de cana” não é apenas resíduo agrícola – é metáfora perfeita para quem cresceu sentindo-se sobra de um país que prometia muito e entregava pouco.

Para minha geração que viveu a transição da ditadura para a democracia, essa imagem ressoa com força devastadora. Eram jovens que precisaram aprender a “adoçar o pranto” – ou seja, encontrar beleza e sentido mesmo na dor, transformar a angústia em combustível para continuar vivendo. O “bagaço” se tornava, paradoxalmente, fonte de doçura.

A genialidade da letra está em como ela universaliza uma experiência geracional específica. Quem escutava Belchior nos anos 1980 reconhecia imediatamente essa sensação de ter que extrair esperança do que parecia esgotado. Era a geração dos filhos da classe média empobrecida, dos universitários sem perspectiva de emprego, dos jovens que herdaram um país quebrado e precisaram reinventá-lo.

O verso funciona como uma síntese poética do que significava ser jovem no Brasil daquela época: a capacidade de encontrar doçura mesmo no bagaço, de transformar o descarte em alimento. É uma imagem que fala de resistência silenciosa, de quem não desiste mesmo quando só resta o refugo.

Belchior tinha o dom de transformar imagens rurais e arcaicas – como o engenho de cana – em símbolos urbanos e contemporâneos. Para uma geração que migrava do interior para as capitais, que deixava o mundo rural para trás sem conseguir se integrar completamente ao urbano, essa linguagem era ponte entre dois mundos.

A força dessa letra específica está em como ele captura a experiência de uma geração inteira em uma única sensação: a de quem dorme e chora sobre bagaço de cana, encontrando nele não apenas desconforto, mas também uma estranha forma de consolo. É a poesia de quem aprendeu a fazer do pouco muito, do resto tudo.

Hoje, quando evoca essa imagem, estou não apenas citando uma música – estou invocando toda uma experiência geracional que ainda ecoa. Porque o Brasil continua produzindo bagaço, e suas gerações seguem aprendendo a adoçar o pranto com o que sobra da cana que outros moeram.

 

A Poesia do Bagaço: Como Belchior Traduziu uma Geração em Versos

 

 

 

Por Padre Carlos

Quando Belchior escreveu “Quando adoçava meu pranto e meu sono no bagaço de cana de engenho”, ele não estava apenas fazendo poesia. Estava destilando a essência de uma geração inteira em uma única imagem: a do jovem brasileiro que encontra consolo mesmo naquilo que sobra, no que é descartado, no refugo da vida.

A letra de “Galos, Noites e Quintais” carrega uma melancolia que se tornou a trilha sonora da minha geração, aquela dos anos 1970 e 1980. Uma época em que ser jovem no Brasil significava lidar com a contradição permanente entre sonhos grandiosos e realidades sufocantes. O “bagaço de cana” não é apenas resíduo agrícola – é metáfora perfeita para quem cresceu sentindo-se sobra de um país que prometia muito e entregava pouco.

Para minha geração que viveu a transição da ditadura para a democracia, essa imagem ressoa com força devastadora. Eram jovens que precisaram aprender a “adoçar o pranto” – ou seja, encontrar beleza e sentido mesmo na dor, transformar a angústia em combustível para continuar vivendo. O “bagaço” se tornava, paradoxalmente, fonte de doçura.

A genialidade da letra está em como ela universaliza uma experiência geracional específica. Quem escutava Belchior nos anos 1980 reconhecia imediatamente essa sensação de ter que extrair esperança do que parecia esgotado. Era a geração dos filhos da classe média empobrecida, dos universitários sem perspectiva de emprego, dos jovens que herdaram um país quebrado e precisaram reinventá-lo.

O verso funciona como uma síntese poética do que significava ser jovem no Brasil daquela época: a capacidade de encontrar doçura mesmo no bagaço, de transformar o descarte em alimento. É uma imagem que fala de resistência silenciosa, de quem não desiste mesmo quando só resta o refugo.

Belchior tinha o dom de transformar imagens rurais e arcaicas – como o engenho de cana – em símbolos urbanos e contemporâneos. Para uma geração que migrava do interior para as capitais, que deixava o mundo rural para trás sem conseguir se integrar completamente ao urbano, essa linguagem era ponte entre dois mundos.

A força dessa letra específica está em como ele captura a experiência de uma geração inteira em uma única sensação: a de quem dorme e chora sobre bagaço de cana, encontrando nele não apenas desconforto, mas também uma estranha forma de consolo. É a poesia de quem aprendeu a fazer do pouco muito, do resto tudo.

Hoje, quando evoca essa imagem, estou não apenas citando uma música – estou invocando toda uma experiência geracional que ainda ecoa. Porque o Brasil continua produzindo bagaço, e suas gerações seguem aprendendo a adoçar o pranto com o que sobra da cana que outros moeram.

 

ARTIGO – A Nova Lei Orgânica e o Despertar da Cidadania Municipal

 

(Padre Carlos)

Há momentos na vida pública de uma cidade que não devem passar despercebidos. A reforma da Lei Orgânica Municipal é um desses instantes históricos — não apenas por seu aspecto técnico, mas por tocar o coração da democracia local e do compromisso cívico.

É interessante — e necessário — que as pessoas compreendam o que está em jogo. A Lei Orgânica não é apenas um texto jurídico: ela é o alicerce que define como se estrutura e funciona a gestão pública, como atuam os poderes Executivo e Legislativo no município, e sobretudo quais são os direitos, deveres e obrigações dos cidadãos perante a cidade em que vivem.

Quando se fala em saúde, educação, transporte, orçamento público, proteção ao meio ambiente, mobilidade urbana e fiscalização dos atos da prefeitura, estamos falando de dispositivos regulados na Lei Orgânica. Ela não apenas autoriza; ela orienta, limita e impõe obrigações. É, portanto, um guia da administração e um espelho da cidadania.

Nesse sentido, o trabalho que vem sendo conduzido pelo presidente da Câmara de Vereadores Ivan Cordeiro (PL),  merece destaque. Ao abrir espaço para audiências públicas — como a realizada no auditório da OAB —, ele cumpre um papel essencial: tornar visível e acessível um processo que, por décadas, ficou restrito a especialistas e gabinetes. Ele devolve ao povo o protagonismo sobre o próprio destino legislativo.

O gesto de aproximar a Câmara da sociedade não é apenas democrático — é pedagógico. Ajuda a formar consciência cidadã, a mostrar que cada munícipe também tem responsabilidades: desde o zelo com o patrimônio público até a participação nas decisões que afetam a coletividade. A Lei Orgânica, revisada com essa participação ativa, transforma-se num verdadeiro pacto social moderno.

Mais do que nunca, é hora de entender que não se trata apenas de “atualizar artigos”. Trata-se de realinhar a cidade aos desafios contemporâneos. E isso passa pela integração dos poderes. O Executivo precisa se somar ao Legislativo nesse esforço, com espírito público e disposição para o diálogo, pois só assim haverá uma gestão mais eficaz e uma governança mais integrada.

A reforma da Lei Orgânica é também um convite à consciência coletiva. Uma cidade bem organizada começa com uma lei clara, justa e participativa. Mas ela só se sustenta se os cidadãos se enxergarem como parte ativa desse contrato social.

Que esse movimento siga adiante como um marco da maturidade política e da renovação democrática de nossa cidade. E que cada cidadão saiba: seu dever com o município não se resume ao voto — ele se estende à construção cotidiana de uma sociedade mais justa, transparente e solidária.

ARTIGO – A Nova Lei Orgânica e o Despertar da Cidadania Municipal

 

(Padre Carlos)

Há momentos na vida pública de uma cidade que não devem passar despercebidos. A reforma da Lei Orgânica Municipal é um desses instantes históricos — não apenas por seu aspecto técnico, mas por tocar o coração da democracia local e do compromisso cívico.

É interessante — e necessário — que as pessoas compreendam o que está em jogo. A Lei Orgânica não é apenas um texto jurídico: ela é o alicerce que define como se estrutura e funciona a gestão pública, como atuam os poderes Executivo e Legislativo no município, e sobretudo quais são os direitos, deveres e obrigações dos cidadãos perante a cidade em que vivem.

Quando se fala em saúde, educação, transporte, orçamento público, proteção ao meio ambiente, mobilidade urbana e fiscalização dos atos da prefeitura, estamos falando de dispositivos regulados na Lei Orgânica. Ela não apenas autoriza; ela orienta, limita e impõe obrigações. É, portanto, um guia da administração e um espelho da cidadania.

Nesse sentido, o trabalho que vem sendo conduzido pelo presidente da Câmara de Vereadores Ivan Cordeiro (PL),  merece destaque. Ao abrir espaço para audiências públicas — como a realizada no auditório da OAB —, ele cumpre um papel essencial: tornar visível e acessível um processo que, por décadas, ficou restrito a especialistas e gabinetes. Ele devolve ao povo o protagonismo sobre o próprio destino legislativo.

O gesto de aproximar a Câmara da sociedade não é apenas democrático — é pedagógico. Ajuda a formar consciência cidadã, a mostrar que cada munícipe também tem responsabilidades: desde o zelo com o patrimônio público até a participação nas decisões que afetam a coletividade. A Lei Orgânica, revisada com essa participação ativa, transforma-se num verdadeiro pacto social moderno.

Mais do que nunca, é hora de entender que não se trata apenas de “atualizar artigos”. Trata-se de realinhar a cidade aos desafios contemporâneos. E isso passa pela integração dos poderes. O Executivo precisa se somar ao Legislativo nesse esforço, com espírito público e disposição para o diálogo, pois só assim haverá uma gestão mais eficaz e uma governança mais integrada.

A reforma da Lei Orgânica é também um convite à consciência coletiva. Uma cidade bem organizada começa com uma lei clara, justa e participativa. Mas ela só se sustenta se os cidadãos se enxergarem como parte ativa desse contrato social.

Que esse movimento siga adiante como um marco da maturidade política e da renovação democrática de nossa cidade. E que cada cidadão saiba: seu dever com o município não se resume ao voto — ele se estende à construção cotidiana de uma sociedade mais justa, transparente e solidária.

ARTIGO – Abin paralela: escândalo de espionagem e risco à democracia (Padre Carlos)

 

 

No dia 17 de junho de 2025, a Polícia Federal concluiu o inquérito conhecido como “Abin paralela” e indiciou o ex‑presidente Jair Bolsonaro, seu filho Carlos Bolsonaro e o deputado Alexandre Ramagem por envolvimento num escândalo de espionagem política comandada dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) . A investigação revelou que pelo menos 35 pessoas foram indiciadas, acusadas de usar o sistema israelense FirstMile para invadir celulares e computadores de ministros do STF, jornalistas e adversários políticos

Segundo a PF, Ramagem, ex‑diretor da Abin, foi o mentor do esquema, enquanto Carlos Bolsonaro liderava o chamado “gabinete do ódio”, usando informações sigilosas para atacar opositores nas redes . Jair Bolsonaro teria conhecimento e se beneficiado das ações, mas a defesa alega perseguição política, denunciando a “PF do Lula” como instrumento de retaliação às eleições de 2026 .

Este caso representa uma grave ameaça à democracia brasileira. O uso de estruturas de inteligência do Estado para monitorar políticos, jornalistas e autoridades do Judiciário fragiliza o princípio da separação dos poderes, viola a privacidade dos cidadãos e alimenta a sensação de insegurança estatal. É uma clara afronta ao Estado Democrático de Direito.

Para reverter esse panorama, são necessárias medidas concretas de transparência institucional: aprovar uma lei que regule o uso de sistemas de geolocalização pelo Estado, criar um órgão independente de fiscalização dessas operações, e garantir o controle do Congresso e do STF sobre as ações da Abin. Só assim se evita que o que aconteceu com a “Abin paralela” se torne o padrão em governos futuros.

A sociedade precisa se manter vigilante. Exigir que a PGR apresente denúncia fundamentada ao STF, acompanhar o julgamento e mobilizar instituições como OAB, ABI e Fenaj para reforçar a defesa da liberdade de imprensa e do Judiciário. É fundamental reconstruir a confiança nas instituições e reafirmar que o poder público serve à população — e não o inverso.

ARTIGO – Abin paralela: escândalo de espionagem e risco à democracia (Padre Carlos)

 

 

No dia 17 de junho de 2025, a Polícia Federal concluiu o inquérito conhecido como “Abin paralela” e indiciou o ex‑presidente Jair Bolsonaro, seu filho Carlos Bolsonaro e o deputado Alexandre Ramagem por envolvimento num escândalo de espionagem política comandada dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) . A investigação revelou que pelo menos 35 pessoas foram indiciadas, acusadas de usar o sistema israelense FirstMile para invadir celulares e computadores de ministros do STF, jornalistas e adversários políticos

Segundo a PF, Ramagem, ex‑diretor da Abin, foi o mentor do esquema, enquanto Carlos Bolsonaro liderava o chamado “gabinete do ódio”, usando informações sigilosas para atacar opositores nas redes . Jair Bolsonaro teria conhecimento e se beneficiado das ações, mas a defesa alega perseguição política, denunciando a “PF do Lula” como instrumento de retaliação às eleições de 2026 .

Este caso representa uma grave ameaça à democracia brasileira. O uso de estruturas de inteligência do Estado para monitorar políticos, jornalistas e autoridades do Judiciário fragiliza o princípio da separação dos poderes, viola a privacidade dos cidadãos e alimenta a sensação de insegurança estatal. É uma clara afronta ao Estado Democrático de Direito.

Para reverter esse panorama, são necessárias medidas concretas de transparência institucional: aprovar uma lei que regule o uso de sistemas de geolocalização pelo Estado, criar um órgão independente de fiscalização dessas operações, e garantir o controle do Congresso e do STF sobre as ações da Abin. Só assim se evita que o que aconteceu com a “Abin paralela” se torne o padrão em governos futuros.

A sociedade precisa se manter vigilante. Exigir que a PGR apresente denúncia fundamentada ao STF, acompanhar o julgamento e mobilizar instituições como OAB, ABI e Fenaj para reforçar a defesa da liberdade de imprensa e do Judiciário. É fundamental reconstruir a confiança nas instituições e reafirmar que o poder público serve à população — e não o inverso.

ARTIGO – Congresso repele aumento do IOF, mas finge não fazer parte da mesma engrenagem de privilégios

 

 

(Padre Carlos)

A contundente votação na Câmara dos Deputados — 346 votos contra 97 — que aprovou a urgência do projeto para derrubar o decreto do governo Lula sobre o aumento do IOF, foi vendida como uma reação corajosa do Parlamento contra mais um ajuste fiscal baseado em aumento de tributos. Mas a narrativa oficial esconde um detalhe incômodo: o Congresso Nacional age como se não fizesse parte da mesma máquina estatal repleta de privilégios, distorções e desperdícios.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, discursou em nome do “cansaço” da sociedade com a elevação da carga tributária, e tem razão ao apontar a fadiga da população brasileira diante de tantos impostos. Mas quando o Parlamento diz que não aceita mais aumentos de tributos, precisa também olhar no espelho: quantos privilégios, quantos penduricalhos, quantos gastos secretos ainda são mantidos nos gabinetes, nos salários, nos auxílios e nos conchavos de bastidores?

Essa indignação seletiva escancara o que muitos já sabem: o Congresso tem nome, sobrenome — e até CPF. Chama-se mercado. Chama-se elite política. Chama-se burguesia institucionalizada. A mesma que se diz defensora do povo enquanto protege suas verbas, suas emendas, suas sinecuras. Quando rejeita o aumento do IOF, o Parlamento o faz mais por pressão econômica e política do que por real compromisso com o contribuinte.

Por outro lado, não se pode poupar o governo Lula. A decisão de aumentar o IOF sobre operações de câmbio foi, no mínimo, insensível com o momento atual do país. O governo precisa sim fazer o dever de casa. Não se sustenta mais uma política econômica que aposte apenas na ampliação da arrecadação sem enfrentar as raízes do desequilíbrio fiscal: os gastos improdutivos, os subsídios desnecessários, as renúncias fiscais mal explicadas e os gastos com privilégios de Estado.

O Brasil exige uma reforma fiscal verdadeira, com justiça tributária, desoneração da produção e taxação progressiva sobre grandes fortunas e lucros exorbitantes. Exige também cortes nos gastos supérfluos, nos privilégios do funcionalismo de elite e na farra orçamentária que beneficia poucos e pune muitos.

A crise do IOF escancarou o teatro político em que Executivo e Legislativo representam lados opostos, mas atuam no mesmo palco de conveniências. A Câmara pode rejeitar esse decreto, mas não pode continuar fingindo que não participa da engrenagem. E o governo precisa parar de empurrar o problema com a barriga — porque a paciência do povo tem limite, e o limite está cada vez mais próximo.

ARTIGO – Congresso repele aumento do IOF, mas finge não fazer parte da mesma engrenagem de privilégios

 

 

(Padre Carlos)

A contundente votação na Câmara dos Deputados — 346 votos contra 97 — que aprovou a urgência do projeto para derrubar o decreto do governo Lula sobre o aumento do IOF, foi vendida como uma reação corajosa do Parlamento contra mais um ajuste fiscal baseado em aumento de tributos. Mas a narrativa oficial esconde um detalhe incômodo: o Congresso Nacional age como se não fizesse parte da mesma máquina estatal repleta de privilégios, distorções e desperdícios.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, discursou em nome do “cansaço” da sociedade com a elevação da carga tributária, e tem razão ao apontar a fadiga da população brasileira diante de tantos impostos. Mas quando o Parlamento diz que não aceita mais aumentos de tributos, precisa também olhar no espelho: quantos privilégios, quantos penduricalhos, quantos gastos secretos ainda são mantidos nos gabinetes, nos salários, nos auxílios e nos conchavos de bastidores?

Essa indignação seletiva escancara o que muitos já sabem: o Congresso tem nome, sobrenome — e até CPF. Chama-se mercado. Chama-se elite política. Chama-se burguesia institucionalizada. A mesma que se diz defensora do povo enquanto protege suas verbas, suas emendas, suas sinecuras. Quando rejeita o aumento do IOF, o Parlamento o faz mais por pressão econômica e política do que por real compromisso com o contribuinte.

Por outro lado, não se pode poupar o governo Lula. A decisão de aumentar o IOF sobre operações de câmbio foi, no mínimo, insensível com o momento atual do país. O governo precisa sim fazer o dever de casa. Não se sustenta mais uma política econômica que aposte apenas na ampliação da arrecadação sem enfrentar as raízes do desequilíbrio fiscal: os gastos improdutivos, os subsídios desnecessários, as renúncias fiscais mal explicadas e os gastos com privilégios de Estado.

O Brasil exige uma reforma fiscal verdadeira, com justiça tributária, desoneração da produção e taxação progressiva sobre grandes fortunas e lucros exorbitantes. Exige também cortes nos gastos supérfluos, nos privilégios do funcionalismo de elite e na farra orçamentária que beneficia poucos e pune muitos.

A crise do IOF escancarou o teatro político em que Executivo e Legislativo representam lados opostos, mas atuam no mesmo palco de conveniências. A Câmara pode rejeitar esse decreto, mas não pode continuar fingindo que não participa da engrenagem. E o governo precisa parar de empurrar o problema com a barriga — porque a paciência do povo tem limite, e o limite está cada vez mais próximo.

ARTIGO – Arraiá da Conquista: O maior São João da história é também símbolo de inclusão e cidadania

 

(Padre Carlos)

Enquanto o Brasil inteiro se prepara para celebrar a alegria junina, Vitória da Conquista se projeta no cenário estadual como protagonista de uma festa que vai muito além do forró, das bandeirolas e da pamonha. O Arraiá da Conquista, que acontece entre os dias 20 e 24 de junho no Parque de Exposições Teopompo de Almeida, está sendo anunciado com orgulho pela gestão municipal como o maior São João da história da cidade. E, pelo visto, tem todos os ingredientes para ser, de fato, um divisor de águas.

Com atrações de peso como João Gomes, Mastruz com Leite e Lauana Prado, a expectativa é de até 40 mil pessoas por noite, o que impõe uma estrutura de evento de grandes proporções: 200 toneladas de equipamentos, mais de 80 banheiros, área de lazer, vila gastronômica e até feira de economia solidária. Mas o que realmente merece destaque — e deve ser replicado Brasil afora — é o Arraiá da Inclusão.

Trata-se de um espaço com acessibilidade para crianças com autismo e pessoas com deficiência, incluindo um mirante de frente para o palco, o que traduz não só respeito à diversidade, mas um avanço civilizatório. Em tempos de polarização e exclusão social, fazer do São João uma experiência para todos é um gesto político da mais alta relevância.

Além disso, a gestão municipal acertou em cheio ao oferecer ônibus gratuito do Centro Cultural Glauber Rocha até o parque a partir das 18h. Isso reduz o impacto no trânsito, favorece a mobilidade urbana e democratiza o acesso à festa. Um passo importante, especialmente quando se trata de garantir que o povo — todo o povo — possa participar sem obstáculos.

A prefeita Sheila Lemos e sua equipe, com o assessor especial Alecxandre Meira à frente da parte cultural, mostram que é possível unir tradição, inovação, inclusão e cidadania numa mesma celebração. Que o Arraiá da Conquista de 2025 seja lembrado não só como o maior da história, mas como o mais humano, democrático e vibrante já vivido por esta cidade que pulsa cultura.

ARTIGO – Arraiá da Conquista: O maior São João da história é também símbolo de inclusão e cidadania

 

(Padre Carlos)

Enquanto o Brasil inteiro se prepara para celebrar a alegria junina, Vitória da Conquista se projeta no cenário estadual como protagonista de uma festa que vai muito além do forró, das bandeirolas e da pamonha. O Arraiá da Conquista, que acontece entre os dias 20 e 24 de junho no Parque de Exposições Teopompo de Almeida, está sendo anunciado com orgulho pela gestão municipal como o maior São João da história da cidade. E, pelo visto, tem todos os ingredientes para ser, de fato, um divisor de águas.

Com atrações de peso como João Gomes, Mastruz com Leite e Lauana Prado, a expectativa é de até 40 mil pessoas por noite, o que impõe uma estrutura de evento de grandes proporções: 200 toneladas de equipamentos, mais de 80 banheiros, área de lazer, vila gastronômica e até feira de economia solidária. Mas o que realmente merece destaque — e deve ser replicado Brasil afora — é o Arraiá da Inclusão.

Trata-se de um espaço com acessibilidade para crianças com autismo e pessoas com deficiência, incluindo um mirante de frente para o palco, o que traduz não só respeito à diversidade, mas um avanço civilizatório. Em tempos de polarização e exclusão social, fazer do São João uma experiência para todos é um gesto político da mais alta relevância.

Além disso, a gestão municipal acertou em cheio ao oferecer ônibus gratuito do Centro Cultural Glauber Rocha até o parque a partir das 18h. Isso reduz o impacto no trânsito, favorece a mobilidade urbana e democratiza o acesso à festa. Um passo importante, especialmente quando se trata de garantir que o povo — todo o povo — possa participar sem obstáculos.

A prefeita Sheila Lemos e sua equipe, com o assessor especial Alecxandre Meira à frente da parte cultural, mostram que é possível unir tradição, inovação, inclusão e cidadania numa mesma celebração. Que o Arraiá da Conquista de 2025 seja lembrado não só como o maior da história, mas como o mais humano, democrático e vibrante já vivido por esta cidade que pulsa cultura.

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta terça-feira

 

 

 

 

Da Redação
Publicado em 17 de junho de 2025

 

 

Folha de S.Paulo
STF deve manter em ano eleitoral inquérito que mira milícias digitais

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/06/stf-descarta-fim-de-inquerito-que-mira-bolsonaristas-e-deve-mante-lo-em-2026.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Israel diz dominar espaço aéreo do Irã; população foge de Teerã

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-israel-diz-dominar-espaco-aereo-do-ira-populacao-foge-de-teera/?srsltid=AfmBOoq3lgmuUKrmYr_PGrnj1KfhkmrEfHEWgcpjgEk1wSMjQo2SbXwT

 

Valor Econômico (SP)
Líderes empresariais focam o longo prazo de olho em juro e cenário global

https://valor.globo.com/impresso/noticia/2025/06/17/lideres-empresariais-focam-o-longo-prazo-de-olho-em-juro-e-cenario-global.ghtml

 

O Globo (RJ)
Por larga margem, Câmara aprova urgência para barrar alta do IOF

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/06/16/votacao-de-urgencia-para-derrubar-decreto-do-iof-sera-simbolica-sobre-o-sentimento-da-camara-diz-motta.ghtml

 

O Dia (RJ)
PREPARE O CURRÍCULO!
Confira onde estão mais de 6 mil vagas em todo o estado

https://odia.ig.com.br/economia/empregos-e-negocios/2025/06/7075879-rio-comeca-a-semana-com-mais-de-6-mil-vagas-de-empregos-e-estagios.html

 

Correio Braziliense
DF confirma 2º caso de gripe aviária no Zoo

https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2025/06/7175492-gripe-aviaria-mais-um-caso-confirmado-no-zoologico-de-brasilia.html

 

Estado de Minas
Mais idosos são vítimas de violência na capital

https://www.em.com.br/gerais/2025/06/7175688-a-cada-dia-63-idosos-sao-vitimas-de-violencia-em-bh.html

 

Zero Hora (RS)
Trump diz que Teerã deve ser evacuada após Netanyahu indicar ataque em massa contra Irã

https://gauchazh.clicrbs.com.br/mundo/noticia/2025/06/em-meio-a-conflito-entre-israel-e-ira-trump-diz-que-todos-devem-deixar-teera-imediatamente-cmbzqb99a00e9016rgjmvewfq.html

 

Diário de Pernambuco
Lei da Tração Animal entra em novo embate após 12 anos

https://impresso.diariodepernambuco.com.br/

 

A Tarde (BA)
São João na Bahia terá temperaturas de até 11ºC

https://atarde.com.br/sao-joao/frio-no-arraia-essas-4-cidades-da-bahia-vao-esfriar-muito-no-sao-joao-1331098

 

Diário do Nordeste (CE)
Governador anuncia integração de forças de segurança

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/pontopoder/elmano-anuncia-integracao-entre-policias-militar-e-civil-e-guardas-municipais-no-ceara-1.3660690

 

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta terça-feira

 

 

 

 

Da Redação
Publicado em 17 de junho de 2025

 

 

Folha de S.Paulo
STF deve manter em ano eleitoral inquérito que mira milícias digitais

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/06/stf-descarta-fim-de-inquerito-que-mira-bolsonaristas-e-deve-mante-lo-em-2026.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Israel diz dominar espaço aéreo do Irã; população foge de Teerã

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-israel-diz-dominar-espaco-aereo-do-ira-populacao-foge-de-teera/?srsltid=AfmBOoq3lgmuUKrmYr_PGrnj1KfhkmrEfHEWgcpjgEk1wSMjQo2SbXwT

 

Valor Econômico (SP)
Líderes empresariais focam o longo prazo de olho em juro e cenário global

https://valor.globo.com/impresso/noticia/2025/06/17/lideres-empresariais-focam-o-longo-prazo-de-olho-em-juro-e-cenario-global.ghtml

 

O Globo (RJ)
Por larga margem, Câmara aprova urgência para barrar alta do IOF

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/06/16/votacao-de-urgencia-para-derrubar-decreto-do-iof-sera-simbolica-sobre-o-sentimento-da-camara-diz-motta.ghtml

 

O Dia (RJ)
PREPARE O CURRÍCULO!
Confira onde estão mais de 6 mil vagas em todo o estado

https://odia.ig.com.br/economia/empregos-e-negocios/2025/06/7075879-rio-comeca-a-semana-com-mais-de-6-mil-vagas-de-empregos-e-estagios.html

 

Correio Braziliense
DF confirma 2º caso de gripe aviária no Zoo

https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2025/06/7175492-gripe-aviaria-mais-um-caso-confirmado-no-zoologico-de-brasilia.html

 

Estado de Minas
Mais idosos são vítimas de violência na capital

https://www.em.com.br/gerais/2025/06/7175688-a-cada-dia-63-idosos-sao-vitimas-de-violencia-em-bh.html

 

Zero Hora (RS)
Trump diz que Teerã deve ser evacuada após Netanyahu indicar ataque em massa contra Irã

https://gauchazh.clicrbs.com.br/mundo/noticia/2025/06/em-meio-a-conflito-entre-israel-e-ira-trump-diz-que-todos-devem-deixar-teera-imediatamente-cmbzqb99a00e9016rgjmvewfq.html

 

Diário de Pernambuco
Lei da Tração Animal entra em novo embate após 12 anos

https://impresso.diariodepernambuco.com.br/

 

A Tarde (BA)
São João na Bahia terá temperaturas de até 11ºC

https://atarde.com.br/sao-joao/frio-no-arraia-essas-4-cidades-da-bahia-vao-esfriar-muito-no-sao-joao-1331098

 

Diário do Nordeste (CE)
Governador anuncia integração de forças de segurança

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/pontopoder/elmano-anuncia-integracao-entre-policias-militar-e-civil-e-guardas-municipais-no-ceara-1.3660690

 

ARTIGO – A despedida de um símbolo popular: Zé da Lanchonete, o amigo da Patagônia

 

(Padre Carlos)

Há figuras que, mesmo sem nunca ocuparem cargos de poder ou manchetes de jornal, se tornam pilares silenciosos da vida comunitária. Joselito Gomes dos Santos, carinhosamente conhecido como Zé da Lanchonete, foi uma dessas presenças marcantes que moldam o cotidiano de um bairro com afeto, serviço e humanidade. Sua partida, ocorrida nesta segunda-feira (16), deixa um vazio no coração do Bairro Patagônia, em Vitória da Conquista, mas também uma herança de lembranças boas, risos compartilhados e histórias vividas à sombra de um balcão.

Zé não vendia apenas lanches. Ele servia acolhimento, escutava confidências, aconselhava com sabedoria popular e distribuía bom humor. Seu ponto comercial no coração do bairro era mais que um negócio — era um espaço de convivência onde motoristas, cobradores, aposentados e estudantes encontravam um pedaço de casa fora de casa. Seu nome virou referência: “vamos no Zé da Lanchonete?”, e isso bastava para saber que ali seria bem recebido.

Aposentado da Prefeitura de Vitória da Conquista, Zé manteve-se ativo até os últimos anos, mostrando que trabalhar com dignidade e paixão pelo que se faz é um ato político e pedagógico. Ele era, sem saber, um educador da vida simples, um pacificador de esquinas e um memorialista oral das transformações do bairro Patagônia.

Sua lanchonete era o ponto onde as notícias corriam mais rápido que a internet, onde aniversários e lutos se misturavam, onde se discutia futebol, política e, muitas vezes, a melhor forma de “resolver a vida”. Quem conheceu Zé, não apenas comprou um salgado ou um refrigerante, mas compartilhou uma parte de si com um homem que fazia da sua lida diária uma missão.

Em tempos em que a pressa devora relações e o comércio se automatiza, a figura de Zé da Lanchonete nos ensina que o verdadeiro empreendedorismo está no vínculo. Ele era um elo entre gerações, entre estranhos que se tornavam amigos, entre histórias que se entrelaçavam entre goles de café e sorrisos sinceros.

Hoje, o céu da Patagônia parece mais cinza. Mas é nas lembranças que Zé continuará servindo gentileza. Que seu legado inspire os que ficam a fazer do trabalho uma extensão da alma e da vizinhança uma extensão da família.

Aos amigos e familiares, o nosso abraço solidário e os sinceros sentimentos. Zé partiu, mas sua memória permanece viva, como o cheiro bom de pão assando de madrugada — simples, marcante, inesquecível.


ARTIGO – A despedida de um símbolo popular: Zé da Lanchonete, o amigo da Patagônia

 

(Padre Carlos)

Há figuras que, mesmo sem nunca ocuparem cargos de poder ou manchetes de jornal, se tornam pilares silenciosos da vida comunitária. Joselito Gomes dos Santos, carinhosamente conhecido como Zé da Lanchonete, foi uma dessas presenças marcantes que moldam o cotidiano de um bairro com afeto, serviço e humanidade. Sua partida, ocorrida nesta segunda-feira (16), deixa um vazio no coração do Bairro Patagônia, em Vitória da Conquista, mas também uma herança de lembranças boas, risos compartilhados e histórias vividas à sombra de um balcão.

Zé não vendia apenas lanches. Ele servia acolhimento, escutava confidências, aconselhava com sabedoria popular e distribuía bom humor. Seu ponto comercial no coração do bairro era mais que um negócio — era um espaço de convivência onde motoristas, cobradores, aposentados e estudantes encontravam um pedaço de casa fora de casa. Seu nome virou referência: “vamos no Zé da Lanchonete?”, e isso bastava para saber que ali seria bem recebido.

Aposentado da Prefeitura de Vitória da Conquista, Zé manteve-se ativo até os últimos anos, mostrando que trabalhar com dignidade e paixão pelo que se faz é um ato político e pedagógico. Ele era, sem saber, um educador da vida simples, um pacificador de esquinas e um memorialista oral das transformações do bairro Patagônia.

Sua lanchonete era o ponto onde as notícias corriam mais rápido que a internet, onde aniversários e lutos se misturavam, onde se discutia futebol, política e, muitas vezes, a melhor forma de “resolver a vida”. Quem conheceu Zé, não apenas comprou um salgado ou um refrigerante, mas compartilhou uma parte de si com um homem que fazia da sua lida diária uma missão.

Em tempos em que a pressa devora relações e o comércio se automatiza, a figura de Zé da Lanchonete nos ensina que o verdadeiro empreendedorismo está no vínculo. Ele era um elo entre gerações, entre estranhos que se tornavam amigos, entre histórias que se entrelaçavam entre goles de café e sorrisos sinceros.

Hoje, o céu da Patagônia parece mais cinza. Mas é nas lembranças que Zé continuará servindo gentileza. Que seu legado inspire os que ficam a fazer do trabalho uma extensão da alma e da vizinhança uma extensão da família.

Aos amigos e familiares, o nosso abraço solidário e os sinceros sentimentos. Zé partiu, mas sua memória permanece viva, como o cheiro bom de pão assando de madrugada — simples, marcante, inesquecível.


ARTIGO – O novo golpe anunciado e a estratégia do clã Bolsonaro

 

(Padre Carlos)

A entrevista recente de Flávio Bolsonaro à Folha de São Paulo não é apenas mais um episódio da retórica autoritária que marca o bolsonarismo desde sua origem. É, na verdade, uma confissão aberta de intenções golpistas. Flávio afirma que qualquer candidato apoiado por seu pai nas eleições de 2026 deverá garantir, como moeda de troca, um indulto presidencial ao ex-presidente Jair Bolsonaro — ainda que este seja condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe.

Mais que isso: Flávio sugere que, se o STF declarar inconstitucional o indulto, caberá ao eleito “cumpri-lo de qualquer forma”, insinuando o uso da força para burlar uma decisão judicial. Estamos diante de uma proposta aberta de subversão da ordem constitucional, algo que deveria soar como um alarme para todos que prezam pela democracia.

Não é de hoje que o clã Bolsonaro tenta travestir sua impunidade em “projeto político”. O que temos aqui é um plano estruturado para capturar o Senado Federal, transformar o Legislativo em escudo e espada da extrema-direita, e minar o STF com pedidos de impeachment dos ministros que ousarem aplicar a lei. Já está em curso a tentativa de eleger quatro membros da família Bolsonaro para o Senado: Flávio (reeleição no RJ), Eduardo (SP), Carlos (SC) e Michelle Bolsonaro (DF).

Essa estratégia escancara um objetivo claro: não há preocupação real com os manifestantes presos pelo 8 de janeiro, nem com a pauta conservadora que mobilizou tantos. O objetivo é salvar Jair Bolsonaro do cárcere e garantir poder suficiente para neutralizar qualquer punição institucional. É um projeto de autopreservação e vingança, não de governo.

O uso da Folha de São Paulo como palanque para esse tipo de ameaça institucional é outro aspecto grave. O jornal, que já foi cúmplice da ditadura ao emprestar veículos para o transporte de presos políticos, agora se presta ao papel de arauto do golpismo, sem destacar nas manchetes o absurdo do que foi dito. Quem lê apenas a capa pode achar que se trata de uma questão legítima de aliança política, e não de chantagem autoritária.

É importante também observar que, mesmo com os arroubos de Flávio, o bolsonarismo anda fragilizado. A reação decepcionada da base bolsonarista à postura submissa de Jair no depoimento ao STF, sua incapacidade de manter o discurso de enfrentamento e a falta de mobilização efetiva nas ruas mostram que a força do clã pode estar em declínio. Mas subestimá-los seria imprudente.

A democracia brasileira precisa ficar atenta à tomada do Senado. Se a extrema-direita conseguir fazer maioria ali, o risco de uma crise institucional sem precedentes aumenta exponencialmente. É necessário denunciar, expor, debater e alertar a população: o projeto de poder da família Bolsonaro não é político — é mafioso. E não há Estado de Direito que sobreviva quando o crime vira estratégia de campanha.

ARTIGO – O novo golpe anunciado e a estratégia do clã Bolsonaro

 

(Padre Carlos)

A entrevista recente de Flávio Bolsonaro à Folha de São Paulo não é apenas mais um episódio da retórica autoritária que marca o bolsonarismo desde sua origem. É, na verdade, uma confissão aberta de intenções golpistas. Flávio afirma que qualquer candidato apoiado por seu pai nas eleições de 2026 deverá garantir, como moeda de troca, um indulto presidencial ao ex-presidente Jair Bolsonaro — ainda que este seja condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe.

Mais que isso: Flávio sugere que, se o STF declarar inconstitucional o indulto, caberá ao eleito “cumpri-lo de qualquer forma”, insinuando o uso da força para burlar uma decisão judicial. Estamos diante de uma proposta aberta de subversão da ordem constitucional, algo que deveria soar como um alarme para todos que prezam pela democracia.

Não é de hoje que o clã Bolsonaro tenta travestir sua impunidade em “projeto político”. O que temos aqui é um plano estruturado para capturar o Senado Federal, transformar o Legislativo em escudo e espada da extrema-direita, e minar o STF com pedidos de impeachment dos ministros que ousarem aplicar a lei. Já está em curso a tentativa de eleger quatro membros da família Bolsonaro para o Senado: Flávio (reeleição no RJ), Eduardo (SP), Carlos (SC) e Michelle Bolsonaro (DF).

Essa estratégia escancara um objetivo claro: não há preocupação real com os manifestantes presos pelo 8 de janeiro, nem com a pauta conservadora que mobilizou tantos. O objetivo é salvar Jair Bolsonaro do cárcere e garantir poder suficiente para neutralizar qualquer punição institucional. É um projeto de autopreservação e vingança, não de governo.

O uso da Folha de São Paulo como palanque para esse tipo de ameaça institucional é outro aspecto grave. O jornal, que já foi cúmplice da ditadura ao emprestar veículos para o transporte de presos políticos, agora se presta ao papel de arauto do golpismo, sem destacar nas manchetes o absurdo do que foi dito. Quem lê apenas a capa pode achar que se trata de uma questão legítima de aliança política, e não de chantagem autoritária.

É importante também observar que, mesmo com os arroubos de Flávio, o bolsonarismo anda fragilizado. A reação decepcionada da base bolsonarista à postura submissa de Jair no depoimento ao STF, sua incapacidade de manter o discurso de enfrentamento e a falta de mobilização efetiva nas ruas mostram que a força do clã pode estar em declínio. Mas subestimá-los seria imprudente.

A democracia brasileira precisa ficar atenta à tomada do Senado. Se a extrema-direita conseguir fazer maioria ali, o risco de uma crise institucional sem precedentes aumenta exponencialmente. É necessário denunciar, expor, debater e alertar a população: o projeto de poder da família Bolsonaro não é político — é mafioso. E não há Estado de Direito que sobreviva quando o crime vira estratégia de campanha.

ARTIGO – “Temperamento Golpista e a Coragem Institucional de Paulo Gonet”

 

 

(Padre Carlos)

A cada dia que passa, a História vai revelando, com sua luz implacável, o que muitos se recusaram a ver nas sombras do poder. O depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro à Justiça, analisado minuciosamente e desmontado com precisão cirúrgica pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, escancara algo que não pode mais ser ignorado: o golpismo travestido de “temperamento”.

Na narrativa bolsonarista, o ataque às instituições foi reduzido a uma “questão de estilo”. Como se desrespeitar o Supremo Tribunal Federal, convocar manifestações com ameaças explícitas, manter acampamentos clamando por intervenção militar e até manter, na própria mesa, um discurso pronto para decretar Estado de Sítio fossem apenas manifestações temperamentais de um líder… impulsivo. Não eram.

Paulo Gonet, com a serenidade que o cargo exige e a coragem que a democracia precisa, desmontou, ponto por ponto, essa farsa. Não se trata de palavras ao vento, mas de atos orquestrados, discursos programados, reuniões oficiais mobilizando recursos públicos, um ambiente fomentado para corroer a confiança no sistema eleitoral e preparar terreno para o que hoje é julgado como tentativa de golpe de Estado.

Diante da pergunta crucial — “por que o senhor não desmobilizou os acampamentos golpistas?” — Bolsonaro ensaia respostas evasivas, aponta para os caminhoneiros, evoca lives e vídeos, mas foge do essencial: a omissão deliberada. Porque naquele silêncio, havia cumplicidade. Porque, naquele ambiente de radicalização, havia uma aposta clara: se o caos prosperasse, talvez o golpe vingasse.

E mais: um discurso impresso, pronto, elaborado e guardado em sua mesa — não por acaso, mas como ferramenta política em caso de insurreição institucional. E o que diz Bolsonaro? Que não sabia, que foi o advogado, que era cópia de um documento… uma sequência de desculpas que, de tão absurdas, beiram o deboche.

O que Paulo Gonet fez, nesse depoimento, não foi apenas um trabalho jurídico. Foi um ato pedagógico. Mostrou ao país que o Ministério Público pode e deve ser altivo, que as instituições ainda respiram e que a democracia brasileira — embora machucada — tem em seus quadros homens e mulheres dispostos a defendê-la com firmeza.

Se o bolsonarismo idolatra o “temperamento” como justificativa para tudo — da grosseria à barbárie — o país precisa idolatrar algo mais precioso: a Constituição, a verdade dos fatos, a memória institucional. O Brasil já viu muitos caudilhos tentarem se escorar em seus perfis carismáticos ou truculentos para justificar o injustificável. Mas o Estado Democrático de Direito não pode ser refém do “jeitinho” autoritário.

A cada resposta vazia, a cada sorriso cínico, Bolsonaro revelou sua verdadeira natureza: a de um líder que tentou moldar a realidade com base no seu desejo de poder, que desdenhou da ordem legal, que flertou abertamente com o autoritarismo. O nome disso não é “temperamento”. O nome disso é GOLPE.

E o Brasil precisa dizer isso, com todas as letras.

ARTIGO – “Temperamento Golpista e a Coragem Institucional de Paulo Gonet”

 

 

(Padre Carlos)

A cada dia que passa, a História vai revelando, com sua luz implacável, o que muitos se recusaram a ver nas sombras do poder. O depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro à Justiça, analisado minuciosamente e desmontado com precisão cirúrgica pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, escancara algo que não pode mais ser ignorado: o golpismo travestido de “temperamento”.

Na narrativa bolsonarista, o ataque às instituições foi reduzido a uma “questão de estilo”. Como se desrespeitar o Supremo Tribunal Federal, convocar manifestações com ameaças explícitas, manter acampamentos clamando por intervenção militar e até manter, na própria mesa, um discurso pronto para decretar Estado de Sítio fossem apenas manifestações temperamentais de um líder… impulsivo. Não eram.

Paulo Gonet, com a serenidade que o cargo exige e a coragem que a democracia precisa, desmontou, ponto por ponto, essa farsa. Não se trata de palavras ao vento, mas de atos orquestrados, discursos programados, reuniões oficiais mobilizando recursos públicos, um ambiente fomentado para corroer a confiança no sistema eleitoral e preparar terreno para o que hoje é julgado como tentativa de golpe de Estado.

Diante da pergunta crucial — “por que o senhor não desmobilizou os acampamentos golpistas?” — Bolsonaro ensaia respostas evasivas, aponta para os caminhoneiros, evoca lives e vídeos, mas foge do essencial: a omissão deliberada. Porque naquele silêncio, havia cumplicidade. Porque, naquele ambiente de radicalização, havia uma aposta clara: se o caos prosperasse, talvez o golpe vingasse.

E mais: um discurso impresso, pronto, elaborado e guardado em sua mesa — não por acaso, mas como ferramenta política em caso de insurreição institucional. E o que diz Bolsonaro? Que não sabia, que foi o advogado, que era cópia de um documento… uma sequência de desculpas que, de tão absurdas, beiram o deboche.

O que Paulo Gonet fez, nesse depoimento, não foi apenas um trabalho jurídico. Foi um ato pedagógico. Mostrou ao país que o Ministério Público pode e deve ser altivo, que as instituições ainda respiram e que a democracia brasileira — embora machucada — tem em seus quadros homens e mulheres dispostos a defendê-la com firmeza.

Se o bolsonarismo idolatra o “temperamento” como justificativa para tudo — da grosseria à barbárie — o país precisa idolatrar algo mais precioso: a Constituição, a verdade dos fatos, a memória institucional. O Brasil já viu muitos caudilhos tentarem se escorar em seus perfis carismáticos ou truculentos para justificar o injustificável. Mas o Estado Democrático de Direito não pode ser refém do “jeitinho” autoritário.

A cada resposta vazia, a cada sorriso cínico, Bolsonaro revelou sua verdadeira natureza: a de um líder que tentou moldar a realidade com base no seu desejo de poder, que desdenhou da ordem legal, que flertou abertamente com o autoritarismo. O nome disso não é “temperamento”. O nome disso é GOLPE.

E o Brasil precisa dizer isso, com todas as letras.

ARTIGO – “Valeu por você existir, amigo”

 

(Padre Carlos)

Como diz o poeta: “faça uma lista de amigos que você via há dez anos atrás”. A proposta é simples, mas profundamente reveladora. A semana em que celebramos o Dia do Amigo nos convida a esse mergulho no passado, na memória afetiva, nos laços que nos sustentaram em dias difíceis e nas companhias que fizeram o riso ter gosto de eternidade.

Os versos do Fundo de Quintal, eternizados também por Xande de Pilares — “quero chorar o teu choro, quero sorrir teu sorriso, valeu por você existir, amigo” — traduzem aquilo que a filosofia, a teologia e até a psicologia tentam há séculos compreender: o mistério da amizade.

Amigo de verdade não é aquele que apenas está presente nas festas ou nos dias de vitória. É aquele que caminha ao nosso lado mesmo quando a estrada é árida, quando o desânimo bate, quando o mundo se cala. O verdadeiro amigo não disputa, não inveja, não trai — ele acolhe.

Mas, infelizmente, nem todos experimentam a profundidade de uma amizade leal. Vivemos tempos de relações líquidas, rasas, descartáveis. Numa era de conexões digitais e vínculos frágeis, os amigos de alma viraram quase relíquias. Em muitos casos, os abraços viraram emojis, as palavras se perderam nos áudios não ouvidos, e a presença virou ausência com sinal de Wi-Fi.

Hoje, neste mês em que celebramos a amizade, eu quero agradecer publicamente aos que ficaram. Aos que resistiram às distâncias, às divergências, aos silêncios e aos desencontros. Amigos que não se resumem a sambas de amor — mas que, na dor ou na alegria, permanecem.

Você que lê este texto: faça sua lista. Veja quem ainda está nela. Ligue. Mande mensagem. Diga: “valeu por você existir.”
Porque amigo de verdade não é aquele que está só na memória — é aquele que, mesmo distante, ainda faz parte do seu presente.

ARTIGO – “Valeu por você existir, amigo”

 

(Padre Carlos)

Como diz o poeta: “faça uma lista de amigos que você via há dez anos atrás”. A proposta é simples, mas profundamente reveladora. A semana em que celebramos o Dia do Amigo nos convida a esse mergulho no passado, na memória afetiva, nos laços que nos sustentaram em dias difíceis e nas companhias que fizeram o riso ter gosto de eternidade.

Os versos do Fundo de Quintal, eternizados também por Xande de Pilares — “quero chorar o teu choro, quero sorrir teu sorriso, valeu por você existir, amigo” — traduzem aquilo que a filosofia, a teologia e até a psicologia tentam há séculos compreender: o mistério da amizade.

Amigo de verdade não é aquele que apenas está presente nas festas ou nos dias de vitória. É aquele que caminha ao nosso lado mesmo quando a estrada é árida, quando o desânimo bate, quando o mundo se cala. O verdadeiro amigo não disputa, não inveja, não trai — ele acolhe.

Mas, infelizmente, nem todos experimentam a profundidade de uma amizade leal. Vivemos tempos de relações líquidas, rasas, descartáveis. Numa era de conexões digitais e vínculos frágeis, os amigos de alma viraram quase relíquias. Em muitos casos, os abraços viraram emojis, as palavras se perderam nos áudios não ouvidos, e a presença virou ausência com sinal de Wi-Fi.

Hoje, neste mês em que celebramos a amizade, eu quero agradecer publicamente aos que ficaram. Aos que resistiram às distâncias, às divergências, aos silêncios e aos desencontros. Amigos que não se resumem a sambas de amor — mas que, na dor ou na alegria, permanecem.

Você que lê este texto: faça sua lista. Veja quem ainda está nela. Ligue. Mande mensagem. Diga: “valeu por você existir.”
Porque amigo de verdade não é aquele que está só na memória — é aquele que, mesmo distante, ainda faz parte do seu presente.