Política e Resenha

ARTIGO – O São João da Zona Rural de Conquista: O Melhor da História (Padre Carlos)

 

 

Se na cidade de Vitória da Conquista vivemos o melhor São João da história, com o Parque de Exposições Teopompo de Almeida lotado por três noites consecutivas, a verdade é que esse brilho também se espalhou pelos caminhos de terra, pelas vilas, povoados e distritos da zona rural do nosso município. O Arraiá da Conquista 2025 se firmou como o maior e mais organizado da região — e não apenas no centro urbano, mas também nas raízes do campo, onde pulsa forte a cultura e a tradição junina.

De Inhobim a Veredinha, de José Gonçalves ao Batuque, a festa foi um verdadeiro espetáculo de diversidade musical, dança e integração comunitária. Um São João de raiz, com cheiro de milho assado, sanfona afinada e fogueira acesa. A zona rural não ficou à margem: ela foi protagonista de uma celebração que honrou a memória dos antigos festejos e abraçou com alegria as novas gerações.

Inhobim abriu as portas do arraial no dia 22, embalado pela voz vibrante de Tales Rocha, num mix de arrocha e forró pé-de-serra. O batuque da festa chegou com força nas quadrilhas, especialmente no distrito de São João da Vitória, com grupos como o Arraiá São José e a Quadrilha Sonho Junino — um verdadeiro festival da cultura nordestina.

Em José Gonçalves, as expectativas se confirmaram: as apresentações de nomes como Carlinhos Montalvania, Café com Xote e a animada banda Swing Manhoso reuniram moradores e visitantes em clima de festa e pertencimento. As quadrilhas, os ritmos e o colorido das bandeirolas encantaram públicos de todas as idades. Em cada povoado, uma identidade, mas o mesmo espírito de celebração.

Em Cabeceira do Jiboia, a tradição ganhou o fole da Banda Xiado Novo e o talento de Neto do Forró. No Pradoso, Cigano Cantador trouxe a alma cigana para a festa. Em Iguá, o Trio Edgar fez vibrar o chão de barro batido com forró autêntico, enquanto no distrito de Dantelândia, Vanildo Cunha mostrou por que ainda é um dos nomes mais queridos do São João conquistense.

Valeu, Conquista! Valeu pelo respeito à cultura popular, pelo investimento na descentralização da festa e por garantir que as vozes do interior também cantassem alto o orgulho de pertencer a essa terra. O São João 2025 marcou não apenas o calendário festivo, mas o coração das comunidades que, muitas vezes esquecidas ao longo do ano, foram neste junho lembradas, celebradas e valorizadas.

A zona rural não foi coadjuvante: foi palco, foi alma, foi coração da festa. E assim, o Arraiá da Conquista entrou para a história como o São João mais democrático, mais vibrante e mais enraizado que essa terra já viu. Que venha 2026, porque o povo quer mais!

ARTIGO – O São João da Zona Rural de Conquista: O Melhor da História (Padre Carlos)

 

 

Se na cidade de Vitória da Conquista vivemos o melhor São João da história, com o Parque de Exposições Teopompo de Almeida lotado por três noites consecutivas, a verdade é que esse brilho também se espalhou pelos caminhos de terra, pelas vilas, povoados e distritos da zona rural do nosso município. O Arraiá da Conquista 2025 se firmou como o maior e mais organizado da região — e não apenas no centro urbano, mas também nas raízes do campo, onde pulsa forte a cultura e a tradição junina.

De Inhobim a Veredinha, de José Gonçalves ao Batuque, a festa foi um verdadeiro espetáculo de diversidade musical, dança e integração comunitária. Um São João de raiz, com cheiro de milho assado, sanfona afinada e fogueira acesa. A zona rural não ficou à margem: ela foi protagonista de uma celebração que honrou a memória dos antigos festejos e abraçou com alegria as novas gerações.

Inhobim abriu as portas do arraial no dia 22, embalado pela voz vibrante de Tales Rocha, num mix de arrocha e forró pé-de-serra. O batuque da festa chegou com força nas quadrilhas, especialmente no distrito de São João da Vitória, com grupos como o Arraiá São José e a Quadrilha Sonho Junino — um verdadeiro festival da cultura nordestina.

Em José Gonçalves, as expectativas se confirmaram: as apresentações de nomes como Carlinhos Montalvania, Café com Xote e a animada banda Swing Manhoso reuniram moradores e visitantes em clima de festa e pertencimento. As quadrilhas, os ritmos e o colorido das bandeirolas encantaram públicos de todas as idades. Em cada povoado, uma identidade, mas o mesmo espírito de celebração.

Em Cabeceira do Jiboia, a tradição ganhou o fole da Banda Xiado Novo e o talento de Neto do Forró. No Pradoso, Cigano Cantador trouxe a alma cigana para a festa. Em Iguá, o Trio Edgar fez vibrar o chão de barro batido com forró autêntico, enquanto no distrito de Dantelândia, Vanildo Cunha mostrou por que ainda é um dos nomes mais queridos do São João conquistense.

Valeu, Conquista! Valeu pelo respeito à cultura popular, pelo investimento na descentralização da festa e por garantir que as vozes do interior também cantassem alto o orgulho de pertencer a essa terra. O São João 2025 marcou não apenas o calendário festivo, mas o coração das comunidades que, muitas vezes esquecidas ao longo do ano, foram neste junho lembradas, celebradas e valorizadas.

A zona rural não foi coadjuvante: foi palco, foi alma, foi coração da festa. E assim, o Arraiá da Conquista entrou para a história como o São João mais democrático, mais vibrante e mais enraizado que essa terra já viu. Que venha 2026, porque o povo quer mais!

ARTIGO – A Fragmentação Federada: um Frankenstein político travestido de sobrevivência partidária

 

 

(Padre Carlos)

Estamos assistindo, no Brasil, à consolidação de um fenômeno que mistura pragmatismo, desespero e cinismo político: a multiplicação das chamadas federações partidárias. A justificativa oficial é elegante — evitar a pulverização do sistema político e fortalecer o jogo democrático. Mas, por trás dessa fachada institucional, o que realmente se observa é um balcão de negócios eleitorais que evidencia o esfacelamento da identidade programática dos partidos.

Das 20 siglas com representação no Congresso Nacional, 15 já estão federadas ou articulam federações. A lógica é clara: ou os partidos se unem, ou desaparecem. A cláusula de barreira, instituída pela Emenda Constitucional 97/2017, criou um cerco. Para receber fundo partidário e tempo de rádio e TV, será preciso atingir um desempenho mínimo — o que empurra os partidos menores para os braços das grandes máquinas partidárias.

É compreensível que se busquem saídas diante desse novo ambiente jurídico-eleitoral. O problema está na qualidade dessas saídas. O que temos são alianças forjadas às pressas, entre partidos que muitas vezes representam espectros ideológicos antagônicos. O eleitor, já exausto de um sistema confuso e distante de suas reais necessidades, agora encara um novo desafio: entender quem é quem nesse conluio disfarçado de federação.

A federação entre o PT, PCdoB e PV, por exemplo, tem um mínimo de coerência ideológica, mesmo que enfrente tensões internas. Mas a maioria revela a face mais crua do pragmatismo: busca pura por poder, por fundo eleitoral bilionário e por hegemonia nas comissões do Congresso. É a transformação do partido político em corporação eleitoral.

O caso do PSDB, outrora símbolo de um centro liberal razoável, hoje circula em rodas que vão do Republicanos ao MDB, passando por Solidariedade, Podemos e PSD, como um náufrago à deriva em busca de qualquer tábua que o mantenha à tona. O mesmo vale para o PSB, que flerta com o Cidadania, mas também com o PT, dependendo da direção dos ventos.

Não pode deixa de reconhecer o gesto heroico e sensato do Cidadania, quando o partido  decidiu romper com a federação com o PSDB deixando claro que não havia coerência aquela aliança e a perda de identidade provocada pela criação daquela federação  estava colocando em risco a herança de um século de caminhada. A decisão foi tomada pelo Diretório Nacional do partido e anunciada no domingo, 16 de março. A federação, fundada em 2022, será desfeita, com o Cidadania buscando fortalecer sua própria estrutura e buscar novas alianças dentro do campo democrático.

O resultado disso é a completa descaracterização ideológica. Partidos se fundem ou se federam não por afinidade programática, mas por puro cálculo de sobrevivência. A política se converte em matemática eleitoral: votos, cadeiras, tempo de TV, dinheiro. E o povo? O povo continua como espectador cético de uma encenação onde todos falam em democracia, mas poucos a praticam de fato.

O que se apresenta como solução para a fragmentação do sistema, na verdade, aprofunda a concentração de poder nas mãos de poucos caciques partidários, em detrimento da renovação política. As bases locais, muitas vezes ignoradas, veem suas lideranças sendo sufocadas por decisões de cúpula que nada têm a ver com os contextos regionais. A federação, ao contrário da coligação, é nacional, uniforme e obrigatória por quatro anos. Um casamento forçado, com cláusula de fidelidade partidária, mesmo quando o amor nunca existiu.

E aqui reside o maior risco: a perda de confiança do eleitor. Quando partidos se juntam por conveniência, quando as ideologias são postas de lado, quando os acordos são costurados em gabinetes sem o mínimo diálogo com as bases, o que sobra é um sistema que se autorreproduz — sem legitimidade, sem representatividade, sem alma.

A federação PSOL-Rede ainda resiste como exceção, com alguma coerência programática. Mas é minoria. O que predomina é o pragmatismo eleitoral, o fisiologismo travestido de estratégia, a política como engenharia fria de resultados.

Precisamos de um sistema político mais justo, sim. Mas um sistema que não abra mão da identidade, da coerência e da ética. A reforma política brasileira, se quiser ser verdadeira, precisa olhar para a base da democracia: o eleitor. E o eleitor não se sente representado por fusões que ignoram seus valores. A federação, como está sendo operada, pode até salvar partidos da extinção. Mas está matando a política de verdade — aquela que nasce do povo e volta para ele.

 

ARTIGO – A Fragmentação Federada: um Frankenstein político travestido de sobrevivência partidária

 

 

(Padre Carlos)

Estamos assistindo, no Brasil, à consolidação de um fenômeno que mistura pragmatismo, desespero e cinismo político: a multiplicação das chamadas federações partidárias. A justificativa oficial é elegante — evitar a pulverização do sistema político e fortalecer o jogo democrático. Mas, por trás dessa fachada institucional, o que realmente se observa é um balcão de negócios eleitorais que evidencia o esfacelamento da identidade programática dos partidos.

Das 20 siglas com representação no Congresso Nacional, 15 já estão federadas ou articulam federações. A lógica é clara: ou os partidos se unem, ou desaparecem. A cláusula de barreira, instituída pela Emenda Constitucional 97/2017, criou um cerco. Para receber fundo partidário e tempo de rádio e TV, será preciso atingir um desempenho mínimo — o que empurra os partidos menores para os braços das grandes máquinas partidárias.

É compreensível que se busquem saídas diante desse novo ambiente jurídico-eleitoral. O problema está na qualidade dessas saídas. O que temos são alianças forjadas às pressas, entre partidos que muitas vezes representam espectros ideológicos antagônicos. O eleitor, já exausto de um sistema confuso e distante de suas reais necessidades, agora encara um novo desafio: entender quem é quem nesse conluio disfarçado de federação.

A federação entre o PT, PCdoB e PV, por exemplo, tem um mínimo de coerência ideológica, mesmo que enfrente tensões internas. Mas a maioria revela a face mais crua do pragmatismo: busca pura por poder, por fundo eleitoral bilionário e por hegemonia nas comissões do Congresso. É a transformação do partido político em corporação eleitoral.

O caso do PSDB, outrora símbolo de um centro liberal razoável, hoje circula em rodas que vão do Republicanos ao MDB, passando por Solidariedade, Podemos e PSD, como um náufrago à deriva em busca de qualquer tábua que o mantenha à tona. O mesmo vale para o PSB, que flerta com o Cidadania, mas também com o PT, dependendo da direção dos ventos.

Não pode deixa de reconhecer o gesto heroico e sensato do Cidadania, quando o partido  decidiu romper com a federação com o PSDB deixando claro que não havia coerência aquela aliança e a perda de identidade provocada pela criação daquela federação  estava colocando em risco a herança de um século de caminhada. A decisão foi tomada pelo Diretório Nacional do partido e anunciada no domingo, 16 de março. A federação, fundada em 2022, será desfeita, com o Cidadania buscando fortalecer sua própria estrutura e buscar novas alianças dentro do campo democrático.

O resultado disso é a completa descaracterização ideológica. Partidos se fundem ou se federam não por afinidade programática, mas por puro cálculo de sobrevivência. A política se converte em matemática eleitoral: votos, cadeiras, tempo de TV, dinheiro. E o povo? O povo continua como espectador cético de uma encenação onde todos falam em democracia, mas poucos a praticam de fato.

O que se apresenta como solução para a fragmentação do sistema, na verdade, aprofunda a concentração de poder nas mãos de poucos caciques partidários, em detrimento da renovação política. As bases locais, muitas vezes ignoradas, veem suas lideranças sendo sufocadas por decisões de cúpula que nada têm a ver com os contextos regionais. A federação, ao contrário da coligação, é nacional, uniforme e obrigatória por quatro anos. Um casamento forçado, com cláusula de fidelidade partidária, mesmo quando o amor nunca existiu.

E aqui reside o maior risco: a perda de confiança do eleitor. Quando partidos se juntam por conveniência, quando as ideologias são postas de lado, quando os acordos são costurados em gabinetes sem o mínimo diálogo com as bases, o que sobra é um sistema que se autorreproduz — sem legitimidade, sem representatividade, sem alma.

A federação PSOL-Rede ainda resiste como exceção, com alguma coerência programática. Mas é minoria. O que predomina é o pragmatismo eleitoral, o fisiologismo travestido de estratégia, a política como engenharia fria de resultados.

Precisamos de um sistema político mais justo, sim. Mas um sistema que não abra mão da identidade, da coerência e da ética. A reforma política brasileira, se quiser ser verdadeira, precisa olhar para a base da democracia: o eleitor. E o eleitor não se sente representado por fusões que ignoram seus valores. A federação, como está sendo operada, pode até salvar partidos da extinção. Mas está matando a política de verdade — aquela que nasce do povo e volta para ele.

 

ARTIGO – A estrada do descaso: a verdade por trás da rescisão da BR-415

 

 

Relatório Investigativo Rescisão

A rescisão contratual da obra de asfaltamento da BR-415, que liga Vitória da Conquista a Barra do Choça, não é apenas um problema técnico ou administrativo. É o retrato de um vício sistêmico que continua a corroer a infraestrutura brasileira: promessas apressadas, contratos frágeis e o eterno divórcio entre discurso e realidade. Quando um governo rompe unilateralmente um contrato milionário poucos meses após sua assinatura, há mais do que falha técnica – há negligência política.

Não é de hoje que a BR-415 ocupa as manchetes e os noticiários locais. Prometida como um divisor de águas para o desenvolvimento regional, a rodovia tornou-se palco de frustração e tragédia. Com 30 km de extensão, sua transformação de estrada vicinal para rodovia asfaltada significaria mais do que tráfego fluido: significaria dignidade para os produtores rurais, segurança para as famílias e dinamismo para o comércio regional. Mas a realidade tomou outro rumo.

O Consórcio Restaura BR-415, curiosamente criado há pouco mais de um ano, foi o escolhido para tocar a obra. Sua fundação em maio de 2024, praticamente às vésperas da assinatura do contrato, já levanta sérias dúvidas sobre a lisura e o critério da escolha. Como confiar milhões de reais a uma entidade sem histórico público de obras entregues? Como aferir sua capacidade de execução sem passado que a recomende? A resposta parece clara: o consórcio nasceu para esta obra e fracassou com a mesma velocidade com que foi constituído.

A decisão do governo da Bahia em rescindir o contrato é, antes de tudo, um atestado de incompetência institucional. Não se trata de um evento isolado, mas de um sintoma crônico: o Estado brasileiro ainda não aprendeu a planejar, contratar e fiscalizar com a seriedade que o dinheiro público exige. O deputado Tiago Correia, da oposição, foi direto ao ponto ao afirmar que o “discurso atropelou a engenharia”. E mais: as promessas se multiplicaram, mas nenhuma pá de asfalto chegou a cobrir o chão ressequido da rodovia.

Enquanto isso, o povo paga a conta – literalmente. Paga com seus impostos, com a insegurança nas estradas e, muitas vezes, com a própria vida. O trecho inacabado virou armadilha de acidentes e sepultura de esperanças. Caminhões atolados, ambulâncias retardadas, produtores isolados e vidas perdidas não são apenas efeitos colaterais: são consequências diretas da irresponsabilidade com a coisa pública.

Politicamente, a rescisão é um revés que respinga diretamente na imagem do governo estadual. Em tempos de polarização e desconfiança institucional, cada obra não entregue se torna argumento para o descrédito. O povo quer obras entregues, não promessas recicladas. Quer infraestrutura funcional, não placas inaugurais para selfies oficiais.

Agora, fala-se em nova licitação. Mais uma etapa burocrática que promete empurrar a entrega da obra para um futuro incerto, enquanto os custos aumentam e a população espera. O que era para ser um avanço virou atraso. E o que era para ser solução virou crise.

É chegada a hora de o Estado agir com rigor e transparência. Que a nova contratação seja feita com empresas de comprovada experiência e estrutura. Que a fiscalização seja ativa, real, técnica. Que o Ministério Público e os órgãos de controle cumpram seu papel preventivo. E, acima de tudo, que o povo seja tratado com o respeito que merece.

Porque estrada também é política. E quando ela para, todo um povo fica parado com ela.

ARTIGO – A estrada do descaso: a verdade por trás da rescisão da BR-415

 

 

Relatório Investigativo Rescisão

A rescisão contratual da obra de asfaltamento da BR-415, que liga Vitória da Conquista a Barra do Choça, não é apenas um problema técnico ou administrativo. É o retrato de um vício sistêmico que continua a corroer a infraestrutura brasileira: promessas apressadas, contratos frágeis e o eterno divórcio entre discurso e realidade. Quando um governo rompe unilateralmente um contrato milionário poucos meses após sua assinatura, há mais do que falha técnica – há negligência política.

Não é de hoje que a BR-415 ocupa as manchetes e os noticiários locais. Prometida como um divisor de águas para o desenvolvimento regional, a rodovia tornou-se palco de frustração e tragédia. Com 30 km de extensão, sua transformação de estrada vicinal para rodovia asfaltada significaria mais do que tráfego fluido: significaria dignidade para os produtores rurais, segurança para as famílias e dinamismo para o comércio regional. Mas a realidade tomou outro rumo.

O Consórcio Restaura BR-415, curiosamente criado há pouco mais de um ano, foi o escolhido para tocar a obra. Sua fundação em maio de 2024, praticamente às vésperas da assinatura do contrato, já levanta sérias dúvidas sobre a lisura e o critério da escolha. Como confiar milhões de reais a uma entidade sem histórico público de obras entregues? Como aferir sua capacidade de execução sem passado que a recomende? A resposta parece clara: o consórcio nasceu para esta obra e fracassou com a mesma velocidade com que foi constituído.

A decisão do governo da Bahia em rescindir o contrato é, antes de tudo, um atestado de incompetência institucional. Não se trata de um evento isolado, mas de um sintoma crônico: o Estado brasileiro ainda não aprendeu a planejar, contratar e fiscalizar com a seriedade que o dinheiro público exige. O deputado Tiago Correia, da oposição, foi direto ao ponto ao afirmar que o “discurso atropelou a engenharia”. E mais: as promessas se multiplicaram, mas nenhuma pá de asfalto chegou a cobrir o chão ressequido da rodovia.

Enquanto isso, o povo paga a conta – literalmente. Paga com seus impostos, com a insegurança nas estradas e, muitas vezes, com a própria vida. O trecho inacabado virou armadilha de acidentes e sepultura de esperanças. Caminhões atolados, ambulâncias retardadas, produtores isolados e vidas perdidas não são apenas efeitos colaterais: são consequências diretas da irresponsabilidade com a coisa pública.

Politicamente, a rescisão é um revés que respinga diretamente na imagem do governo estadual. Em tempos de polarização e desconfiança institucional, cada obra não entregue se torna argumento para o descrédito. O povo quer obras entregues, não promessas recicladas. Quer infraestrutura funcional, não placas inaugurais para selfies oficiais.

Agora, fala-se em nova licitação. Mais uma etapa burocrática que promete empurrar a entrega da obra para um futuro incerto, enquanto os custos aumentam e a população espera. O que era para ser um avanço virou atraso. E o que era para ser solução virou crise.

É chegada a hora de o Estado agir com rigor e transparência. Que a nova contratação seja feita com empresas de comprovada experiência e estrutura. Que a fiscalização seja ativa, real, técnica. Que o Ministério Público e os órgãos de controle cumpram seu papel preventivo. E, acima de tudo, que o povo seja tratado com o respeito que merece.

Porque estrada também é política. E quando ela para, todo um povo fica parado com ela.

ARTIGO – “Cara a Cara do Golpe: Mauro Cid e Braga Netto em Confronto de Gigantes”

(Padre Carlos)

Brasília pegando fogo!
O Supremo Tribunal Federal será palco, nesta terça-feira, de uma verdadeira batalha de titãs. Mauro Cid e Braga Netto vão ficar frente a frente. Um, o ex-ajudante de ordens do presidente que jurava amor à Constituição. O outro, o general da reserva que circulava no Planalto como sombra de Bolsonaro. Agora, os dois estão no ringue. A luta? A verdade sobre um golpe que quase rasgou a democracia brasileira.

É acareação, minha gente! Um embate direto, sem rodeios. É olho no olho, suor na testa e alma tremendo. Vai ser conduzido por Alexandre de Moraes, o xerife da democracia, o juiz que virou pesadelo do bolsonarismo. E não pense que é teatrinho: ali, cada palavra pode significar prisão, delação anulada, ou o fim de uma carreira militar gloriosa.

Mauro Cid, que abriu a boca e já não consegue mais fechá-la, soltou uma bomba atrás da outra. Disse que foi na casa de Braga Netto, em novembro de 2022, e ouviu papo de golpe. Um plano que ganhou até nome de filme de espionagem: “Punhal Verde e Amarelo”. Detalhe sórdido? Segundo Cid, Braga Netto o mandou sair da sala quando a conversa começou a ficar “operacional demais”. Tradução? Quando o golpe deixou de ser papo e virou plano.

Mas o que chocou mesmo foi a caixa. Sim, uma caixa de vinho! Mas em vez de rótulo francês, o conteúdo era dinheiro vivo para financiar atos antidemocráticos. Uma taça de golpe, alguém?

Braga Netto nega. Diz que isso é ficção, roteiro de Netflix. Mas o cerco está fechando. E não é só ele. Outro duelo promete: Anderson Torres x General Freire Gomes. O ex-ministro da Justiça jura que não participou de reunião nenhuma com Bolsonaro para tramar contra as eleições. Já o general diz o contrário. Um diz “não fui”, o outro diz “eu vi”. Quem mente? Quem desmorona?

Enquanto isso, Bolsonaro, o grande ausente, continua no cercadinho da dúvida, se fingindo de morto político, mas com os olhos atentos ao que cada um dos seus aliados vai falar. Se um tropeça, ele cai.

O que está em jogo?
Mais do que reputações. Está em jogo o futuro do Brasil.
Se a acareação confirmar as denúncias, o golpe não será mais teoria: será fato histórico. E aí, meu amigo, vai ter general desfilando não mais com farda, mas com tornozeleira eletrônica.

Prepare-se. O dia 24 promete ser o Dia D da Democracia.
E o povo brasileiro, cansado de farsas e fantasmas, quer uma coisa só: a verdade nua, crua e urgente.

ARTIGO – “Cara a Cara do Golpe: Mauro Cid e Braga Netto em Confronto de Gigantes”

(Padre Carlos)

Brasília pegando fogo!
O Supremo Tribunal Federal será palco, nesta terça-feira, de uma verdadeira batalha de titãs. Mauro Cid e Braga Netto vão ficar frente a frente. Um, o ex-ajudante de ordens do presidente que jurava amor à Constituição. O outro, o general da reserva que circulava no Planalto como sombra de Bolsonaro. Agora, os dois estão no ringue. A luta? A verdade sobre um golpe que quase rasgou a democracia brasileira.

É acareação, minha gente! Um embate direto, sem rodeios. É olho no olho, suor na testa e alma tremendo. Vai ser conduzido por Alexandre de Moraes, o xerife da democracia, o juiz que virou pesadelo do bolsonarismo. E não pense que é teatrinho: ali, cada palavra pode significar prisão, delação anulada, ou o fim de uma carreira militar gloriosa.

Mauro Cid, que abriu a boca e já não consegue mais fechá-la, soltou uma bomba atrás da outra. Disse que foi na casa de Braga Netto, em novembro de 2022, e ouviu papo de golpe. Um plano que ganhou até nome de filme de espionagem: “Punhal Verde e Amarelo”. Detalhe sórdido? Segundo Cid, Braga Netto o mandou sair da sala quando a conversa começou a ficar “operacional demais”. Tradução? Quando o golpe deixou de ser papo e virou plano.

Mas o que chocou mesmo foi a caixa. Sim, uma caixa de vinho! Mas em vez de rótulo francês, o conteúdo era dinheiro vivo para financiar atos antidemocráticos. Uma taça de golpe, alguém?

Braga Netto nega. Diz que isso é ficção, roteiro de Netflix. Mas o cerco está fechando. E não é só ele. Outro duelo promete: Anderson Torres x General Freire Gomes. O ex-ministro da Justiça jura que não participou de reunião nenhuma com Bolsonaro para tramar contra as eleições. Já o general diz o contrário. Um diz “não fui”, o outro diz “eu vi”. Quem mente? Quem desmorona?

Enquanto isso, Bolsonaro, o grande ausente, continua no cercadinho da dúvida, se fingindo de morto político, mas com os olhos atentos ao que cada um dos seus aliados vai falar. Se um tropeça, ele cai.

O que está em jogo?
Mais do que reputações. Está em jogo o futuro do Brasil.
Se a acareação confirmar as denúncias, o golpe não será mais teoria: será fato histórico. E aí, meu amigo, vai ter general desfilando não mais com farda, mas com tornozeleira eletrônica.

Prepare-se. O dia 24 promete ser o Dia D da Democracia.
E o povo brasileiro, cansado de farsas e fantasmas, quer uma coisa só: a verdade nua, crua e urgente.

ARTIGO – O Brasil que carrega o agro nas costas (Padre Carlos)

 

 

Há um discurso sedutor e repetido à exaustão por empresários do campo, parlamentares ruralistas e publicitários do agronegócio: “o agro carrega o Brasil nas costas”. Mas, quando olhamos com atenção os números, os incentivos, as isenções fiscais e o financiamento público, a pergunta inevitável se impõe: será que não é o Brasil que está carregando o agro nas costas?

Comecemos pela Lei Kandir, em vigor desde 1996, que isenta de ICMS as exportações de produtos primários, como a soja. Quando um produtor exporta grãos in natura, não paga imposto estadual. Quem cobre essa isenção? O Governo Federal — e quem banca o governo? Nós, os contribuintes. Estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul recebem repasses milionários da União para compensar o que o agro deixou de pagar. Uma conta salgada para o povo e um alívio lucrativo para os grandes exportadores.

Esse modelo também impede que o Brasil dê um salto industrial. Em vez de transformar a soja em óleo, farelo, ração ou outros derivados dentro do país, gerando empregos e riqueza, o agronegócio opta por exportar matéria-prima crua. Lucro máximo para poucos, valor agregado mínimo para o Brasil.

Não para por aí. O Plano Safra 2024 destinou R$ 348 bilhões ao agronegócio, com juros subsidiados ou até negativos. Enquanto o cidadão comum paga 12%, 14% ao mês no cartão de crédito, o grande produtor rural toma empréstimos quase sem custo. É o Estado brasileiro abrindo os cofres para quem já é rico — e fechando para quem precisa.

Mas o que o agro devolve à sociedade por todos esses privilégios?
Poucos empregos gerados
Alta concentração fundiária
Avanço contínuo sobre terras indígenas e quilombolas
Queda de 90% nas multas por desmatamento
Aumento de casos de trabalho análogo à escravidão
Desmonte da fiscalização trabalhista e ambiental

Tudo isso se soma a uma realidade cruel: a fome voltou ao Brasil, e mesmo assim os gigantes do agro dizem que “alimentam mais de 1 bilhão de pessoas no mundo”. Alimentam lá fora, sim, mas quem alimenta o povo brasileiro é a agricultura familiar, que põe mais de 70% dos alimentos na nossa mesa, mesmo sendo esquecida pelas políticas públicas.

É preciso dizer em alto e bom som: o agro como está não distribui renda, não desenvolve o país, não preserva o meio ambiente e não promove justiça social. Ao contrário, se beneficia de um Estado que transfere recursos públicos ao setor privado, sem exigir contrapartida digna.

Estamos diante de dois Brasis rurais:
– Um agro industrial, blindado, subsidiado e violento com o meio ambiente e os povos do campo;
– Outro, invisibilizado, que planta feijão, milho, mandioca e hortaliça — e sustenta nossa segurança alimentar.

Não é o agro que carrega o Brasil. É o povo brasileiro, com seus impostos e seu suor, que carrega o agro nas costas. E ainda escuta que deve ser grato.

Está na hora de revisar quem sustenta quem.
E de parar de premiar o abuso disfarçado de orgulho nacional.

ARTIGO – O Brasil que carrega o agro nas costas (Padre Carlos)

 

 

Há um discurso sedutor e repetido à exaustão por empresários do campo, parlamentares ruralistas e publicitários do agronegócio: “o agro carrega o Brasil nas costas”. Mas, quando olhamos com atenção os números, os incentivos, as isenções fiscais e o financiamento público, a pergunta inevitável se impõe: será que não é o Brasil que está carregando o agro nas costas?

Comecemos pela Lei Kandir, em vigor desde 1996, que isenta de ICMS as exportações de produtos primários, como a soja. Quando um produtor exporta grãos in natura, não paga imposto estadual. Quem cobre essa isenção? O Governo Federal — e quem banca o governo? Nós, os contribuintes. Estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul recebem repasses milionários da União para compensar o que o agro deixou de pagar. Uma conta salgada para o povo e um alívio lucrativo para os grandes exportadores.

Esse modelo também impede que o Brasil dê um salto industrial. Em vez de transformar a soja em óleo, farelo, ração ou outros derivados dentro do país, gerando empregos e riqueza, o agronegócio opta por exportar matéria-prima crua. Lucro máximo para poucos, valor agregado mínimo para o Brasil.

Não para por aí. O Plano Safra 2024 destinou R$ 348 bilhões ao agronegócio, com juros subsidiados ou até negativos. Enquanto o cidadão comum paga 12%, 14% ao mês no cartão de crédito, o grande produtor rural toma empréstimos quase sem custo. É o Estado brasileiro abrindo os cofres para quem já é rico — e fechando para quem precisa.

Mas o que o agro devolve à sociedade por todos esses privilégios?
Poucos empregos gerados
Alta concentração fundiária
Avanço contínuo sobre terras indígenas e quilombolas
Queda de 90% nas multas por desmatamento
Aumento de casos de trabalho análogo à escravidão
Desmonte da fiscalização trabalhista e ambiental

Tudo isso se soma a uma realidade cruel: a fome voltou ao Brasil, e mesmo assim os gigantes do agro dizem que “alimentam mais de 1 bilhão de pessoas no mundo”. Alimentam lá fora, sim, mas quem alimenta o povo brasileiro é a agricultura familiar, que põe mais de 70% dos alimentos na nossa mesa, mesmo sendo esquecida pelas políticas públicas.

É preciso dizer em alto e bom som: o agro como está não distribui renda, não desenvolve o país, não preserva o meio ambiente e não promove justiça social. Ao contrário, se beneficia de um Estado que transfere recursos públicos ao setor privado, sem exigir contrapartida digna.

Estamos diante de dois Brasis rurais:
– Um agro industrial, blindado, subsidiado e violento com o meio ambiente e os povos do campo;
– Outro, invisibilizado, que planta feijão, milho, mandioca e hortaliça — e sustenta nossa segurança alimentar.

Não é o agro que carrega o Brasil. É o povo brasileiro, com seus impostos e seu suor, que carrega o agro nas costas. E ainda escuta que deve ser grato.

Está na hora de revisar quem sustenta quem.
E de parar de premiar o abuso disfarçado de orgulho nacional.

“Macaco sabe em que galho sobe”: Por que os EUA não tratam a Coreia do Norte como trataram o Irã?

 

Por Padre Carlos

No xadrez geopolítico internacional, algumas peças parecem intocáveis, enquanto outras são empurradas para o abismo sob pretextos que escondem interesses inconfessáveis. A pergunta que ecoa nos bastidores da política mundial é direta: por que os Estados Unidos trataram o Irã com ferro e fogo, e agem com luvas de seda diante da Coreia do Norte?

A resposta, embora evitada nos salões diplomáticos, está escancarada para quem observa o jogo com olhos atentos: o poder nuclear é o verdadeiro escudo da soberania num mundo dominado pelo medo e pela força. E, nesse campo, a Coreia do Norte aprendeu cedo que macaco esperto sabe em que galho sobe. Não se enfrenta uma potência nuclear com a mesma arrogância com que se esmaga um país ainda em busca desse poder.

O caso do Irã: controle, contenção e castigo

O Irã tem sido alvo constante de sanções, sabotagens e ameaças por parte dos EUA e seus aliados ocidentais. O motivo oficial: impedir que o país desenvolva armas nucleares. Mas há mais por trás da cortina de fumaça. O Irã é uma potência regional com vastas reservas de petróleo, influência política no mundo islâmico e uma postura de resistência ao eixo Washington-Tel Aviv-Riad. É um ator que desafia a ordem imposta, e por isso, deve ser controlado.

A assinatura do Acordo Nuclear em 2015 foi uma tentativa de congelar o avanço iraniano. Porém, a retirada unilateral dos EUA sob Trump em 2018 mostrou que o Ocidente não busca apenas controle: quer submissão. O Irã, ao contrário, enxerga no projeto nuclear a única forma de alcançar o equilíbrio de forças no Oriente Médio. E tem razão. O exemplo da Índia e do Paquistão — eternos rivais que coexistem sob a sombra da bomba — revela que o poder atômico, embora perigoso, impõe respeito.

A Coreia do Norte: um “louco” com o dedo no botão

Do outro lado do mundo, a Coreia do Norte, país isolado, pobre, governado por um regime absolutista, tornou-se um ator temido justamente por ter atravessado o Rubicão nuclear. O regime de Kim Jong-un não apenas desenvolveu ogivas nucleares, como mostrou capacidade de lançá-las contra alvos estratégicos, inclusive aliados dos EUA como Japão e Coreia do Sul.

E o que fizeram os EUA? Discurso duro, sanções econômicas — sim —, mas nenhuma invasão, nenhuma guerra, nenhum “choque de civilizações”. Por quê? Porque eles sabem. Sabem que um ataque à Coreia do Norte poderia significar a morte de centenas de milhares de civis em Seul em questão de minutos. Sabem que o “louco do norte” pode ser tudo, menos suicida: ele sabe usar o medo como arma, e os EUA sabem que não se brinca com quem já tem o botão nuclear na mesa.

Dois pesos, duas medidas — e uma lição para o Irã

A grande lição que emerge é simples e brutal: na política internacional, não há moral, há medo. E o medo que os EUA têm da Coreia do Norte é proporcional ao desprezo que demonstraram pelo Iraque de Saddam e pelo Irã dos aiatolás antes do enriquecimento de urânio. Não é à toa que o Irã insiste em manter seu programa atômico: é a única forma de se fazer respeitar num tabuleiro onde só sobrevive quem mostra os dentes.

E não venham falar de “ameaça à paz mundial”. O que mais ameaça a paz é o monopólio das armas atômicas nas mãos de uns poucos. O que desequilibra o mundo é o direito autoproclamado dos Estados Unidos de decidir quem pode ou não ter bomba, quem pode ou não existir com autonomia.

No fundo, o velho ditado popular resume tudo: “macaco sabe em que galho sobe.” E os americanos também. Sabem que há regimes que podem ser derrubados com pretextos humanitários e bombas “cirúrgicas”, e outros que exigem silêncio, cálculo e contenção.

O que o Irã parece finalmente entender — e com razão — é que, sem bomba, não há equilíbrio. Sem equilíbrio, não há respeito. E sem respeito, o próximo galho a cair pode ser o seu.

“Macaco sabe em que galho sobe”: Por que os EUA não tratam a Coreia do Norte como trataram o Irã?

 

Por Padre Carlos

No xadrez geopolítico internacional, algumas peças parecem intocáveis, enquanto outras são empurradas para o abismo sob pretextos que escondem interesses inconfessáveis. A pergunta que ecoa nos bastidores da política mundial é direta: por que os Estados Unidos trataram o Irã com ferro e fogo, e agem com luvas de seda diante da Coreia do Norte?

A resposta, embora evitada nos salões diplomáticos, está escancarada para quem observa o jogo com olhos atentos: o poder nuclear é o verdadeiro escudo da soberania num mundo dominado pelo medo e pela força. E, nesse campo, a Coreia do Norte aprendeu cedo que macaco esperto sabe em que galho sobe. Não se enfrenta uma potência nuclear com a mesma arrogância com que se esmaga um país ainda em busca desse poder.

O caso do Irã: controle, contenção e castigo

O Irã tem sido alvo constante de sanções, sabotagens e ameaças por parte dos EUA e seus aliados ocidentais. O motivo oficial: impedir que o país desenvolva armas nucleares. Mas há mais por trás da cortina de fumaça. O Irã é uma potência regional com vastas reservas de petróleo, influência política no mundo islâmico e uma postura de resistência ao eixo Washington-Tel Aviv-Riad. É um ator que desafia a ordem imposta, e por isso, deve ser controlado.

A assinatura do Acordo Nuclear em 2015 foi uma tentativa de congelar o avanço iraniano. Porém, a retirada unilateral dos EUA sob Trump em 2018 mostrou que o Ocidente não busca apenas controle: quer submissão. O Irã, ao contrário, enxerga no projeto nuclear a única forma de alcançar o equilíbrio de forças no Oriente Médio. E tem razão. O exemplo da Índia e do Paquistão — eternos rivais que coexistem sob a sombra da bomba — revela que o poder atômico, embora perigoso, impõe respeito.

A Coreia do Norte: um “louco” com o dedo no botão

Do outro lado do mundo, a Coreia do Norte, país isolado, pobre, governado por um regime absolutista, tornou-se um ator temido justamente por ter atravessado o Rubicão nuclear. O regime de Kim Jong-un não apenas desenvolveu ogivas nucleares, como mostrou capacidade de lançá-las contra alvos estratégicos, inclusive aliados dos EUA como Japão e Coreia do Sul.

E o que fizeram os EUA? Discurso duro, sanções econômicas — sim —, mas nenhuma invasão, nenhuma guerra, nenhum “choque de civilizações”. Por quê? Porque eles sabem. Sabem que um ataque à Coreia do Norte poderia significar a morte de centenas de milhares de civis em Seul em questão de minutos. Sabem que o “louco do norte” pode ser tudo, menos suicida: ele sabe usar o medo como arma, e os EUA sabem que não se brinca com quem já tem o botão nuclear na mesa.

Dois pesos, duas medidas — e uma lição para o Irã

A grande lição que emerge é simples e brutal: na política internacional, não há moral, há medo. E o medo que os EUA têm da Coreia do Norte é proporcional ao desprezo que demonstraram pelo Iraque de Saddam e pelo Irã dos aiatolás antes do enriquecimento de urânio. Não é à toa que o Irã insiste em manter seu programa atômico: é a única forma de se fazer respeitar num tabuleiro onde só sobrevive quem mostra os dentes.

E não venham falar de “ameaça à paz mundial”. O que mais ameaça a paz é o monopólio das armas atômicas nas mãos de uns poucos. O que desequilibra o mundo é o direito autoproclamado dos Estados Unidos de decidir quem pode ou não ter bomba, quem pode ou não existir com autonomia.

No fundo, o velho ditado popular resume tudo: “macaco sabe em que galho sobe.” E os americanos também. Sabem que há regimes que podem ser derrubados com pretextos humanitários e bombas “cirúrgicas”, e outros que exigem silêncio, cálculo e contenção.

O que o Irã parece finalmente entender — e com razão — é que, sem bomba, não há equilíbrio. Sem equilíbrio, não há respeito. E sem respeito, o próximo galho a cair pode ser o seu.

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta segunda-feira

 

 

Da Redação
Publicado em 23 de junho de 2025

 

 

Folha de S.Paulo
Irã reage aos EUA, ataca Israel e ameaça fechar rota de petróleo

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/06/ira-volta-a-ameacar-fechar-o-estreito-de-hormuz-devido-a-guerra.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Irã fecha portas para a diplomacia e ameaça bloquear rota de petróleo

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-ira-fecha-portas-para-a-diplomacia-e-ameaca-bloquear-rota-de-petroleo/?srsltid=AfmBOopTnS1JJaHsffivQ6a4U7FjAbJxgKBGqwxqUWQ71SsZ8T-6fBc5

 

Valor Econômico (SP)
Petróleo sobe com ataques dos EUA ao Irã; Trump sugere apoio a mudança de regime

https://valor.globo.com/financas/noticia/2025/06/22/petroleo-dispara-enquanto-ataque-de-trump-ao-ira-aumenta-riscos-ao-abastecimento.ghtml

 

O Globo (RJ)
Depois de ataques ao Irã, Trump fala em mudar regime do país

https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/06/22/eua-dizem-que-programa-nuclear-do-ira-esta-devastado-mas-que-nao-ha-pressao-para-mudanca-de-regime.ghtml

 

O Dia (RJ)
Consumidores aprovam marcas de redes varejistas

https://odia.ig.com.br/

 

Correio Braziliense
Mundo aguarda novos atos de EUA e Irã e defende a paz

https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2025/06/7180161-a-humanidade-apela-por-paz-diz-o-papa-apos-ataque-dos-eua-ao-ira.html

 

Estado de Minas
Espécies invasoras ameaçam meio ambiente

https://www.em.com.br/agropecuario/2025/06/7180416-brasil-tem-541-especies-invasoras-que-colocam-agro-e-meio-ambiente-em-risco.html

 

Zero Hora (RS)
Os reflexos políticos e econômicos da entrada dos EUA na guerra entre Israel e Irã

https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/giane-guerra/noticia/2025/06/os-riscos-financeiros-de-a-maior-economia-do-mundo-ter-entrado-na-guerra-cmc87xwxl0027013ovz125znz.html

 

Jornal do Commercio (PE)
Irã acusa Trump de traição e ameaça rota mundial de petróleo

https://jc.uol.com.br/mundo/2025/06/22/ira-acusa-trump-de-traicao-e-diz-que-qualquer-americano-e-um-alvo-legitimo-apos-bombardeio.html

 

A Tarde (BA)
Irã ameaça fechar rota internacional de petróleo

https://atarde.com.br/economia/ira-ameaca-fechar-importante-rota-de-petroleo-e-pode-afetar-brasil-1331723

 

Diário do Nordeste (CE)
Partidos miram fusões e alianças para 2026

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/pontopoder/por-que-ha-tantos-partidos-disputando-fusoes-ou-federacoes-para-as-eleicoes-de-2026-1.3662116

 

 

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta segunda-feira

 

 

Da Redação
Publicado em 23 de junho de 2025

 

 

Folha de S.Paulo
Irã reage aos EUA, ataca Israel e ameaça fechar rota de petróleo

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/06/ira-volta-a-ameacar-fechar-o-estreito-de-hormuz-devido-a-guerra.shtml

 

O Estado de S. Paulo
Irã fecha portas para a diplomacia e ameaça bloquear rota de petróleo

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-ira-fecha-portas-para-a-diplomacia-e-ameaca-bloquear-rota-de-petroleo/?srsltid=AfmBOopTnS1JJaHsffivQ6a4U7FjAbJxgKBGqwxqUWQ71SsZ8T-6fBc5

 

Valor Econômico (SP)
Petróleo sobe com ataques dos EUA ao Irã; Trump sugere apoio a mudança de regime

https://valor.globo.com/financas/noticia/2025/06/22/petroleo-dispara-enquanto-ataque-de-trump-ao-ira-aumenta-riscos-ao-abastecimento.ghtml

 

O Globo (RJ)
Depois de ataques ao Irã, Trump fala em mudar regime do país

https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/06/22/eua-dizem-que-programa-nuclear-do-ira-esta-devastado-mas-que-nao-ha-pressao-para-mudanca-de-regime.ghtml

 

O Dia (RJ)
Consumidores aprovam marcas de redes varejistas

https://odia.ig.com.br/

 

Correio Braziliense
Mundo aguarda novos atos de EUA e Irã e defende a paz

https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2025/06/7180161-a-humanidade-apela-por-paz-diz-o-papa-apos-ataque-dos-eua-ao-ira.html

 

Estado de Minas
Espécies invasoras ameaçam meio ambiente

https://www.em.com.br/agropecuario/2025/06/7180416-brasil-tem-541-especies-invasoras-que-colocam-agro-e-meio-ambiente-em-risco.html

 

Zero Hora (RS)
Os reflexos políticos e econômicos da entrada dos EUA na guerra entre Israel e Irã

https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/giane-guerra/noticia/2025/06/os-riscos-financeiros-de-a-maior-economia-do-mundo-ter-entrado-na-guerra-cmc87xwxl0027013ovz125znz.html

 

Jornal do Commercio (PE)
Irã acusa Trump de traição e ameaça rota mundial de petróleo

https://jc.uol.com.br/mundo/2025/06/22/ira-acusa-trump-de-traicao-e-diz-que-qualquer-americano-e-um-alvo-legitimo-apos-bombardeio.html

 

A Tarde (BA)
Irã ameaça fechar rota internacional de petróleo

https://atarde.com.br/economia/ira-ameaca-fechar-importante-rota-de-petroleo-e-pode-afetar-brasil-1331723

 

Diário do Nordeste (CE)
Partidos miram fusões e alianças para 2026

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/pontopoder/por-que-ha-tantos-partidos-disputando-fusoes-ou-federacoes-para-as-eleicoes-de-2026-1.3662116

 

 

São João na zona rural: tradição e alegria na Limeira, em Cabeceira do Jibóia

São João na zona rural é bom demais — e o melhor da região acontece em Cabeceira do Jibóia, na tradicional Limeira, carinhosamente conhecida como Limeirinha de Açúcar. São 35 anos de história, cultura e muito forró, mantendo viva a chama de uma das festas mais queridas do povo nordestino.

 

Idealizado e mantido com carinho pelo vereador Luciano Gomes, o São João da Limeira é sinônimo de tradição e alegria. A cada ano, o evento se aprimora e atrai mais visitantes, valorizando os artistas locais e trazendo grandes atrações para animar o público.

 

Neste ano, nos dias 23 e 24 de junho, a festa promete ser ainda maior, com shows de:

🎤 Xiado Novo

🎤 Rodrigo Silva – o rei do piseiro

🎤 Baú do Forró

🎤 Cigano Cantador

🎤 Raneychas

🎤 Frankito

 

O vereador Luciano Gomes convida toda a população de Vitória da Conquista e região para participar dessa grande celebração. Como ele sempre diz:

“É pra você que a gente faz!”

São João na zona rural: tradição e alegria na Limeira, em Cabeceira do Jibóia

São João na zona rural é bom demais — e o melhor da região acontece em Cabeceira do Jibóia, na tradicional Limeira, carinhosamente conhecida como Limeirinha de Açúcar. São 35 anos de história, cultura e muito forró, mantendo viva a chama de uma das festas mais queridas do povo nordestino.

 

Idealizado e mantido com carinho pelo vereador Luciano Gomes, o São João da Limeira é sinônimo de tradição e alegria. A cada ano, o evento se aprimora e atrai mais visitantes, valorizando os artistas locais e trazendo grandes atrações para animar o público.

 

Neste ano, nos dias 23 e 24 de junho, a festa promete ser ainda maior, com shows de:

🎤 Xiado Novo

🎤 Rodrigo Silva – o rei do piseiro

🎤 Baú do Forró

🎤 Cigano Cantador

🎤 Raneychas

🎤 Frankito

 

O vereador Luciano Gomes convida toda a população de Vitória da Conquista e região para participar dessa grande celebração. Como ele sempre diz:

“É pra você que a gente faz!”

TRISTE BAHIA: Quando a farda protege a morte

 

(Padre Carlos)

Na madrugada silenciosa de 1º de março de 2022, no coração de Salvador, enquanto a alegria carnavalesca inundava as ruas da cidade, um grito mudo se ergueu na Gamboa de Baixo. Não era som de tambor ou de festa. Era o eco abafado da violência institucional. O jovem Alexandre Santos dos Reis, conhecido como Léo, foi levado por agentes da Rondesp, a temida unidade da Polícia Militar da Bahia. Desde então, o que resta é o vazio — e o silêncio conivente de um sistema que mata e depois cala.

A reportagem “Triste Bahia”, de Marcelo Canellas, publicada na revista piauí, não é apenas jornalismo investigativo: é um espelho incômodo da barbárie travestida de segurança pública. Canellas narra com precisão cirúrgica o modo como a PM age nas comunidades periféricas — invasiva, letal, impune. Não há mandado, não há testemunha que se sinta segura, não há explicações — apenas corpos, luto e medo.

A Bahia, berço de cultura, resistência e beleza, tornou-se também o palco de um dos maiores índices de letalidade policial do Brasil. Não se trata de combater o crime. Trata-se de exterminar suspeitos, geralmente jovens, pretos e pobres, sob a lógica perversa de que a morte é um atalho para a ordem. A política de segurança se revela, assim, como política de extermínio.

O mais grave é que tudo isso se naturaliza. A brutalidade da farda se esconde sob discursos de “combate ao tráfico”, “guerra às drogas” ou “reação à injustiça”, mas o que vemos é o Estado atuando como algoz — e não como protetor. O pacto civilizatório se rompe quando o policial, financiado pelos nossos impostos, se torna um caçador autorizado a matar.

É hora de gritar: basta!
Basta de execuções sumárias, basta de operações sem transparência, basta de silenciar mães como Silvana. A sociedade baiana não pode continuar a normalizar essa lógica necropolítica. A morte de Léo, como de tantos outros, não pode ser só estatística. Tem nome, tem história, tem sangue — e pede justiça.

Precisamos de uma nova segurança: humana, preventiva, comunitária. A Bahia merece mais que luto. Merece vida.

TRISTE BAHIA: Quando a farda protege a morte

 

(Padre Carlos)

Na madrugada silenciosa de 1º de março de 2022, no coração de Salvador, enquanto a alegria carnavalesca inundava as ruas da cidade, um grito mudo se ergueu na Gamboa de Baixo. Não era som de tambor ou de festa. Era o eco abafado da violência institucional. O jovem Alexandre Santos dos Reis, conhecido como Léo, foi levado por agentes da Rondesp, a temida unidade da Polícia Militar da Bahia. Desde então, o que resta é o vazio — e o silêncio conivente de um sistema que mata e depois cala.

A reportagem “Triste Bahia”, de Marcelo Canellas, publicada na revista piauí, não é apenas jornalismo investigativo: é um espelho incômodo da barbárie travestida de segurança pública. Canellas narra com precisão cirúrgica o modo como a PM age nas comunidades periféricas — invasiva, letal, impune. Não há mandado, não há testemunha que se sinta segura, não há explicações — apenas corpos, luto e medo.

A Bahia, berço de cultura, resistência e beleza, tornou-se também o palco de um dos maiores índices de letalidade policial do Brasil. Não se trata de combater o crime. Trata-se de exterminar suspeitos, geralmente jovens, pretos e pobres, sob a lógica perversa de que a morte é um atalho para a ordem. A política de segurança se revela, assim, como política de extermínio.

O mais grave é que tudo isso se naturaliza. A brutalidade da farda se esconde sob discursos de “combate ao tráfico”, “guerra às drogas” ou “reação à injustiça”, mas o que vemos é o Estado atuando como algoz — e não como protetor. O pacto civilizatório se rompe quando o policial, financiado pelos nossos impostos, se torna um caçador autorizado a matar.

É hora de gritar: basta!
Basta de execuções sumárias, basta de operações sem transparência, basta de silenciar mães como Silvana. A sociedade baiana não pode continuar a normalizar essa lógica necropolítica. A morte de Léo, como de tantos outros, não pode ser só estatística. Tem nome, tem história, tem sangue — e pede justiça.

Precisamos de uma nova segurança: humana, preventiva, comunitária. A Bahia merece mais que luto. Merece vida.

ARTIGO – O Congresso é o Freio que o Mundo Precisa Diante da Loucura Presidencial

 

(Padre Carlos)

Enquanto o mundo segura a respiração diante da escalada bélica no Oriente Médio, uma voz de lucidez ecoa de onde menos se esperava: o Congresso dos Estados Unidos. Em meio à beligerância irresponsável do presidente Donald Trump, que bombardeou instalações nucleares iranianas sem autorização legislativa, o parlamento norte-americano se ergueu como a última muralha entre a razão e o abismo.

A deputada Alexandria Ocasio-Cortez foi incisiva: a decisão foi “desastrosa” e uma “grave violação da Constituição”. E ela está certa. Bombardear uma nação soberana, sem o aval do Congresso, representa não apenas um abuso de poder, mas um risco geopolítico de proporções catastróficas. Não é apenas uma questão de legalidade — é uma questão de humanidade.

Em tempos normais, a sensatez viria do Executivo, que deveria primar pela paz, pela diplomacia e pela estabilidade global. Mas não vivemos tempos normais. Vivemos sob a ameaça constante de uma personalidade errática que governa por impulso e desafia os pilares democráticos dos EUA. E é por isso que se torna fundamental reconhecer: o Congresso hoje é mais estadista que o próprio presidente.

Mesmo um deputado republicano, Thomas Massie, rompeu o silêncio e a disciplina partidária para afirmar: “Isso não é constitucional”. O gesto revela que há, dentro da máquina pública norte-americana, quem ainda respeite os limites do poder e compreenda a gravidade de decisões militares unilaterais.

A reação congressual não é apenas um gesto político; é um ato de contenção histórica. Cada palavra, cada denúncia, cada proposta de impeachment pode significar vidas poupadas, conflitos evitados, lares preservados. A omissão, por outro lado, seria conivência com a destruição.

O mundo não pode ser refém da arrogância de um só homem. A Constituição americana, construída para evitar tiranias, está sendo colocada à prova. E cabe ao Congresso dos Estados Unidos — democratas e republicanos — mostrar que ainda há um norte moral, que ainda existe equilíbrio, e que a democracia não se curva diante de impulsos autoritários.

A guerra é um monstro que, quando despertado, não distingue culpados de inocentes. Neste momento, cada atitude sensata, cada posicionamento firme, cada voz que se ergue contra a insanidade presidencial pode ser um antídoto contra o horror. O Congresso dos EUA tem agora a missão de salvar não só a própria democracia, mas talvez o próprio mundo.

ARTIGO – O Congresso é o Freio que o Mundo Precisa Diante da Loucura Presidencial

 

(Padre Carlos)

Enquanto o mundo segura a respiração diante da escalada bélica no Oriente Médio, uma voz de lucidez ecoa de onde menos se esperava: o Congresso dos Estados Unidos. Em meio à beligerância irresponsável do presidente Donald Trump, que bombardeou instalações nucleares iranianas sem autorização legislativa, o parlamento norte-americano se ergueu como a última muralha entre a razão e o abismo.

A deputada Alexandria Ocasio-Cortez foi incisiva: a decisão foi “desastrosa” e uma “grave violação da Constituição”. E ela está certa. Bombardear uma nação soberana, sem o aval do Congresso, representa não apenas um abuso de poder, mas um risco geopolítico de proporções catastróficas. Não é apenas uma questão de legalidade — é uma questão de humanidade.

Em tempos normais, a sensatez viria do Executivo, que deveria primar pela paz, pela diplomacia e pela estabilidade global. Mas não vivemos tempos normais. Vivemos sob a ameaça constante de uma personalidade errática que governa por impulso e desafia os pilares democráticos dos EUA. E é por isso que se torna fundamental reconhecer: o Congresso hoje é mais estadista que o próprio presidente.

Mesmo um deputado republicano, Thomas Massie, rompeu o silêncio e a disciplina partidária para afirmar: “Isso não é constitucional”. O gesto revela que há, dentro da máquina pública norte-americana, quem ainda respeite os limites do poder e compreenda a gravidade de decisões militares unilaterais.

A reação congressual não é apenas um gesto político; é um ato de contenção histórica. Cada palavra, cada denúncia, cada proposta de impeachment pode significar vidas poupadas, conflitos evitados, lares preservados. A omissão, por outro lado, seria conivência com a destruição.

O mundo não pode ser refém da arrogância de um só homem. A Constituição americana, construída para evitar tiranias, está sendo colocada à prova. E cabe ao Congresso dos Estados Unidos — democratas e republicanos — mostrar que ainda há um norte moral, que ainda existe equilíbrio, e que a democracia não se curva diante de impulsos autoritários.

A guerra é um monstro que, quando despertado, não distingue culpados de inocentes. Neste momento, cada atitude sensata, cada posicionamento firme, cada voz que se ergue contra a insanidade presidencial pode ser um antídoto contra o horror. O Congresso dos EUA tem agora a missão de salvar não só a própria democracia, mas talvez o próprio mundo.