Política e Resenha

ARTIGO – Lula Reage: O Gesto que Lembra ao PT Quem Ele É e a Quem Serve o Governo

 

(Padre Carlos)

Em tempos em que o pragmatismo veste gravata, circula nos salões de Brasília e se acomoda nas planilhas dos ministérios, o gesto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de acionar o STF para defender o decreto que elevava o IOF soa como um sonoro “ainda sou de esquerda”. Um tapa simbólico — e necessário — nos rostos sonolentos de setores do PT que andam mais preocupados com a governabilidade de Excel do que com a justiça social que os fundou.

O Congresso Nacional — essa grande mesa de negócios com fachada democrática — decidiu derrubar o decreto que corrigia distorções no imposto sobre operações financeiras. Não para proteger o povo, mas para agradar as forças ocultas e os patrões da Faria Lima, esses mesmos que sonham com um Estado mínimo para os pobres e um Estado blindado para os seus dividendos.

Foi aí que Lula, no melhor estilo “quem tem história, não teme confronto”, chamou a Advocacia-Geral da União e mandou preparar a ação. Disse ao país, com a caneta na mão e a biografia nas costas, que ainda sabe de que lado da história está. A parte que impressiona — ou entristece — é que teve que lembrar isso ao próprio governo.

Sim, ao governo. Aquele que, em boa parte, se comporta como se estivesse em permanente busca de aprovação no LinkedIn da política. A ala do PT que teme o atrito com o centrão, os técnicos que tremem diante da palavra “mercado”, e os tais “progressistas” que, no fundo, só querem progressão na carreira — todos esses parecem ter esquecido que a função de um governo de esquerda é, antes de tudo, proteger os de baixo.

Lula não poderia se calar. Não depois de décadas sendo o operário que virou presidente. Não depois de ver os mesmos que o prenderam agora o pressionarem a governar como um gerente de interesses corporativos. Ele precisava falar. E falou. Com a força de quem tem legitimidade histórica para isso.

Hugo Motta, presidente da Câmara, fingiu-se de capitão zeloso, alertando que o navio estava indo ao encontro do iceberg. Bonito no discurso, traiçoeiro na prática. O que não disse é que foi ele quem virou o leme. E que, ao invés de evitar o desastre, foi o fiador da sabotagem.

Neste cenário, Lula não apenas acionou o Supremo. Ele acionou a memória do seu próprio partido. Relembrou aos pragmáticos que os governos passam, mas os princípios ficam — ou devem ficar. Que ser de esquerda não é apenas discursar sobre justiça tributária, mas enfrentá-la, mesmo que doa, mesmo que impopular. Porque popular mesmo é o cinismo. E o povo já está cansado de cínicos bem-intencionados.

O gesto de Lula, ainda que jurídico, é profundamente político. Ele não está apenas tentando reativar um decreto. Está tentando impedir que seu legado seja diluído pelo medo. Está lembrando ao Brasil — e ao PT — que ainda é possível ter governo e ter coragem ao mesmo tempo.

E se o Congresso escolheu o capital, Lula escolheu o povo. Ainda há tempo para que seu governo lembre para quem foi eleito. E que tipo de história quer escrever. Porque, no fim, quem se cala diante da injustiça, vira nota de rodapé. Lula ainda pode ser o parágrafo central.

ARTIGO – Lula Reage: O Gesto que Lembra ao PT Quem Ele É e a Quem Serve o Governo

 

(Padre Carlos)

Em tempos em que o pragmatismo veste gravata, circula nos salões de Brasília e se acomoda nas planilhas dos ministérios, o gesto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de acionar o STF para defender o decreto que elevava o IOF soa como um sonoro “ainda sou de esquerda”. Um tapa simbólico — e necessário — nos rostos sonolentos de setores do PT que andam mais preocupados com a governabilidade de Excel do que com a justiça social que os fundou.

O Congresso Nacional — essa grande mesa de negócios com fachada democrática — decidiu derrubar o decreto que corrigia distorções no imposto sobre operações financeiras. Não para proteger o povo, mas para agradar as forças ocultas e os patrões da Faria Lima, esses mesmos que sonham com um Estado mínimo para os pobres e um Estado blindado para os seus dividendos.

Foi aí que Lula, no melhor estilo “quem tem história, não teme confronto”, chamou a Advocacia-Geral da União e mandou preparar a ação. Disse ao país, com a caneta na mão e a biografia nas costas, que ainda sabe de que lado da história está. A parte que impressiona — ou entristece — é que teve que lembrar isso ao próprio governo.

Sim, ao governo. Aquele que, em boa parte, se comporta como se estivesse em permanente busca de aprovação no LinkedIn da política. A ala do PT que teme o atrito com o centrão, os técnicos que tremem diante da palavra “mercado”, e os tais “progressistas” que, no fundo, só querem progressão na carreira — todos esses parecem ter esquecido que a função de um governo de esquerda é, antes de tudo, proteger os de baixo.

Lula não poderia se calar. Não depois de décadas sendo o operário que virou presidente. Não depois de ver os mesmos que o prenderam agora o pressionarem a governar como um gerente de interesses corporativos. Ele precisava falar. E falou. Com a força de quem tem legitimidade histórica para isso.

Hugo Motta, presidente da Câmara, fingiu-se de capitão zeloso, alertando que o navio estava indo ao encontro do iceberg. Bonito no discurso, traiçoeiro na prática. O que não disse é que foi ele quem virou o leme. E que, ao invés de evitar o desastre, foi o fiador da sabotagem.

Neste cenário, Lula não apenas acionou o Supremo. Ele acionou a memória do seu próprio partido. Relembrou aos pragmáticos que os governos passam, mas os princípios ficam — ou devem ficar. Que ser de esquerda não é apenas discursar sobre justiça tributária, mas enfrentá-la, mesmo que doa, mesmo que impopular. Porque popular mesmo é o cinismo. E o povo já está cansado de cínicos bem-intencionados.

O gesto de Lula, ainda que jurídico, é profundamente político. Ele não está apenas tentando reativar um decreto. Está tentando impedir que seu legado seja diluído pelo medo. Está lembrando ao Brasil — e ao PT — que ainda é possível ter governo e ter coragem ao mesmo tempo.

E se o Congresso escolheu o capital, Lula escolheu o povo. Ainda há tempo para que seu governo lembre para quem foi eleito. E que tipo de história quer escrever. Porque, no fim, quem se cala diante da injustiça, vira nota de rodapé. Lula ainda pode ser o parágrafo central.

Título: “Sou tricolor de coração”: Quando o sonho vira jogo e o jogo vira história

 

 

Por Padre Carlos

Hoje, mais do que um jogo, foi uma convocação da memória. Lembrei de Jô Soares, com seu humor afiado e seu amor declarado pelo tricolor das Laranjeiras. Lembrei de Chico Buarque, que fez da paixão pelo Fluminense quase poesia em carne viva. Lembrei, sobretudo, do meu amigo Mozart Tanajura, companheiro de tantas conversas e esperanças — dessas que só quem ama um time com alma entende. Lembrei de tantos tricolores desta terra, que não negociam sua paixão, que carregam o Fluminense como quem carrega a própria identidade.

Hoje, o Fluminense escreveu mais do que uma vitória. Escreveu uma página histórica, daquelas que se contam para filhos e netos. Ganhamos da Inter de Milão — e não foi por acaso, foi por convicção. Foi com plano, suor, e entrega. Foi com Renato Gaúcho fazendo jus ao seu nome e com Cano cravando seu nome no coração da torcida em seu 200º jogo com a camisa que virou manto.

Eu, que sempre temi a queda de cada brasileiro na Copa do Mundo de Clubes, hoje respirei aliviado a cada apito, a cada defesa de Fábio, a cada ataque frustrado da Inter. Quando vi o Fluminense seguir adiante enquanto outros caíam, percebi: não é mais só esperança, é realidade. O sonho está mais perto. E mais bonito.

A vitória por 2 a 0, em solo americano e sob um calor impiedoso, não foi só tática. Foi simbólica. Foi o time jogando com alma, com sangue nos olhos, com a camisa pesando o peso de 122 anos de história. A trave ajudou? Ajudou. Fábio foi gigante? Foi. Mas ninguém derruba um gigante europeu só com sorte. Teve marcação firme, teve inteligência tática, teve o brilho de Arias, a frieza de Hércules, a confiança da torcida que cruzou fronteiras para acreditar. E teve, acima de tudo, a vontade de fazer história.

Que me desculpem os céticos, mas esse Fluminense não está a passeio. Ele está com o coração onde sempre esteve: no lugar da coragem. E talvez, quem sabe, esteja mesmo destinado a enfrentar o todo-poderoso Manchester City na próxima fase. Que venham os ingleses. Se há algo que o futebol ensina, é que camisa com história não se curva — se impõe.

Hoje, mais do que nunca, repito: não posso negociar. Sou tricolor de coração. E como tantos outros, me emociono ao ver que o impossível, para o Fluminense, só demora um pouco mais. Que essa vitória seja dedicada a todos que um dia sonharam com esse momento e, de onde estiverem, vibraram com a bola na rede.

Assina, Um Tricolor que não se cala diante da história.

Título: “Sou tricolor de coração”: Quando o sonho vira jogo e o jogo vira história

 

 

Por Padre Carlos

Hoje, mais do que um jogo, foi uma convocação da memória. Lembrei de Jô Soares, com seu humor afiado e seu amor declarado pelo tricolor das Laranjeiras. Lembrei de Chico Buarque, que fez da paixão pelo Fluminense quase poesia em carne viva. Lembrei, sobretudo, do meu amigo Mozart Tanajura, companheiro de tantas conversas e esperanças — dessas que só quem ama um time com alma entende. Lembrei de tantos tricolores desta terra, que não negociam sua paixão, que carregam o Fluminense como quem carrega a própria identidade.

Hoje, o Fluminense escreveu mais do que uma vitória. Escreveu uma página histórica, daquelas que se contam para filhos e netos. Ganhamos da Inter de Milão — e não foi por acaso, foi por convicção. Foi com plano, suor, e entrega. Foi com Renato Gaúcho fazendo jus ao seu nome e com Cano cravando seu nome no coração da torcida em seu 200º jogo com a camisa que virou manto.

Eu, que sempre temi a queda de cada brasileiro na Copa do Mundo de Clubes, hoje respirei aliviado a cada apito, a cada defesa de Fábio, a cada ataque frustrado da Inter. Quando vi o Fluminense seguir adiante enquanto outros caíam, percebi: não é mais só esperança, é realidade. O sonho está mais perto. E mais bonito.

A vitória por 2 a 0, em solo americano e sob um calor impiedoso, não foi só tática. Foi simbólica. Foi o time jogando com alma, com sangue nos olhos, com a camisa pesando o peso de 122 anos de história. A trave ajudou? Ajudou. Fábio foi gigante? Foi. Mas ninguém derruba um gigante europeu só com sorte. Teve marcação firme, teve inteligência tática, teve o brilho de Arias, a frieza de Hércules, a confiança da torcida que cruzou fronteiras para acreditar. E teve, acima de tudo, a vontade de fazer história.

Que me desculpem os céticos, mas esse Fluminense não está a passeio. Ele está com o coração onde sempre esteve: no lugar da coragem. E talvez, quem sabe, esteja mesmo destinado a enfrentar o todo-poderoso Manchester City na próxima fase. Que venham os ingleses. Se há algo que o futebol ensina, é que camisa com história não se curva — se impõe.

Hoje, mais do que nunca, repito: não posso negociar. Sou tricolor de coração. E como tantos outros, me emociono ao ver que o impossível, para o Fluminense, só demora um pouco mais. Que essa vitória seja dedicada a todos que um dia sonharam com esse momento e, de onde estiverem, vibraram com a bola na rede.

Assina, Um Tricolor que não se cala diante da história.

Falta asfalto, sobra influência: o retrato de um feudo político no sertão paraibano

 

 

Por Padre Carlos

Em pleno século XXI, é inaceitável que comunidades inteiras convivam com a ausência de infraestrutura básica, como pavimentação e saneamento, enquanto seus representantes políticos acumulam poder e influência em Brasília. O caso do município de Patos, na Paraíba, reduto da família Motta, escancara essa contradição.

Apesar de décadas de domínio político, com nomes como Francisca Motta, Nabor Wanderley e o atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a região ainda enfrenta problemas estruturais graves. Ruas esburacadas, violência crescente e falta de oportunidades são marcas registradas de um território que, ironicamente, é chamado de “feudo eleitoral” da família.

Mas o que mais choca é o histórico de escândalos envolvendo essa dinastia. Em 2016, a Polícia Federal prendeu preventivamente Illana Motta, mãe do deputado Hugo Motta, e afastou do cargo de prefeita de Patos sua avó, Francisca Motta, no âmbito da Operação Veiculação. A investigação revelou um esquema de fraudes em licitações e contratos públicos que desviou mais de R$ 11 milhões de programas federais como o PNATE (Transporte Escolar), Fundeb, Pró-Jovem Trabalhador e recursos da Saúde.

Segundo o Ministério Público Federal, os contratos superfaturados e as empresas de fachada eram parte de um esquema familiar que envolvia prefeitos de três municípios e servidores públicos ligados entre si por laços de sangue e alianças políticas. A mãe de Hugo Motta, por exemplo, era chefe de gabinete da própria mãe, a prefeita afastada.

Enquanto isso, os moradores de Patos seguem enfrentando a poeira no verão e a lama no inverno. A infraestrutura prometida nunca chega, mas o poder da família Motta permanece firme, sustentado por uma rede de influência que parece imune à alternância democrática.

É urgente romper com esse ciclo de poder hereditário que transforma o voto em moeda de troca e a política em negócio de família. A democracia exige alternância, fiscalização e, acima de tudo, compromisso com o bem comum — algo que parece ter sido esquecido nas vielas de Patos.

 

Falta asfalto, sobra influência: o retrato de um feudo político no sertão paraibano

 

 

Por Padre Carlos

Em pleno século XXI, é inaceitável que comunidades inteiras convivam com a ausência de infraestrutura básica, como pavimentação e saneamento, enquanto seus representantes políticos acumulam poder e influência em Brasília. O caso do município de Patos, na Paraíba, reduto da família Motta, escancara essa contradição.

Apesar de décadas de domínio político, com nomes como Francisca Motta, Nabor Wanderley e o atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a região ainda enfrenta problemas estruturais graves. Ruas esburacadas, violência crescente e falta de oportunidades são marcas registradas de um território que, ironicamente, é chamado de “feudo eleitoral” da família.

Mas o que mais choca é o histórico de escândalos envolvendo essa dinastia. Em 2016, a Polícia Federal prendeu preventivamente Illana Motta, mãe do deputado Hugo Motta, e afastou do cargo de prefeita de Patos sua avó, Francisca Motta, no âmbito da Operação Veiculação. A investigação revelou um esquema de fraudes em licitações e contratos públicos que desviou mais de R$ 11 milhões de programas federais como o PNATE (Transporte Escolar), Fundeb, Pró-Jovem Trabalhador e recursos da Saúde.

Segundo o Ministério Público Federal, os contratos superfaturados e as empresas de fachada eram parte de um esquema familiar que envolvia prefeitos de três municípios e servidores públicos ligados entre si por laços de sangue e alianças políticas. A mãe de Hugo Motta, por exemplo, era chefe de gabinete da própria mãe, a prefeita afastada.

Enquanto isso, os moradores de Patos seguem enfrentando a poeira no verão e a lama no inverno. A infraestrutura prometida nunca chega, mas o poder da família Motta permanece firme, sustentado por uma rede de influência que parece imune à alternância democrática.

É urgente romper com esse ciclo de poder hereditário que transforma o voto em moeda de troca e a política em negócio de família. A democracia exige alternância, fiscalização e, acima de tudo, compromisso com o bem comum — algo que parece ter sido esquecido nas vielas de Patos.

 

HERÓI EM TRANCHEIRAS: PREFEITO DE ITUAÇU ENFRENTA HOMEM ARMADO E EVITA TRAGÉDIA EM FESTA DE SÃO PEDRO

 

Por Padre Carlos

No último sábado (28), o distrito de Tranqueiras, na zona rural de Ituaçu, viveu momentos de tensão cinematográfica — e teve um final digno de filme de ação. O protagonista? Ninguém menos que o prefeito da cidade, Phellipe Brito, que se lançou contra um homem armado com uma faca tipo peixeira e um simulacro de arma de fogo, imobilizando-o antes que o pior acontecesse.

A multidão celebrava o tradicional São Pedro quando o suspeito, conhecido como Bahia, retornou ao local após já ter causado confusão e ameaçado pessoas. O alarme soou no palco, mas ninguém esperava o que viria a seguir. Em meio ao clima de medo, o prefeito entrou em ação com sangue frio, técnica de artes marciais e coragem de dar inveja a Bruce Lee.

“Ele estava muito perto. Quando levantou o braço, fui direto na arma com a mão direita, por baixo do braço com a esquerda, e joguei no chão”, contou Brito, que revelou ter conhecimentos de karatê e muay thai. A reação precisa e firme impediu que um possível atentado ganhasse dimensões trágicas.

O acusado foi contido e entregue à polícia, que confirmou: o homem já tinha passagem pela polícia e havia, inclusive, atirado contra um carro da campanha do prefeito nas últimas eleições.

A arma e a faca foram apreendidas, mas o que ficou foi a imagem do prefeito-herói, que, sem segurança ao lado, salvou sua cidade com as próprias mãos. Uma história que mostra que nem só de discursos se faz a política, mas de atitude, coragem e compromisso com o povo.

HERÓI EM TRANCHEIRAS: PREFEITO DE ITUAÇU ENFRENTA HOMEM ARMADO E EVITA TRAGÉDIA EM FESTA DE SÃO PEDRO

 

Por Padre Carlos

No último sábado (28), o distrito de Tranqueiras, na zona rural de Ituaçu, viveu momentos de tensão cinematográfica — e teve um final digno de filme de ação. O protagonista? Ninguém menos que o prefeito da cidade, Phellipe Brito, que se lançou contra um homem armado com uma faca tipo peixeira e um simulacro de arma de fogo, imobilizando-o antes que o pior acontecesse.

A multidão celebrava o tradicional São Pedro quando o suspeito, conhecido como Bahia, retornou ao local após já ter causado confusão e ameaçado pessoas. O alarme soou no palco, mas ninguém esperava o que viria a seguir. Em meio ao clima de medo, o prefeito entrou em ação com sangue frio, técnica de artes marciais e coragem de dar inveja a Bruce Lee.

“Ele estava muito perto. Quando levantou o braço, fui direto na arma com a mão direita, por baixo do braço com a esquerda, e joguei no chão”, contou Brito, que revelou ter conhecimentos de karatê e muay thai. A reação precisa e firme impediu que um possível atentado ganhasse dimensões trágicas.

O acusado foi contido e entregue à polícia, que confirmou: o homem já tinha passagem pela polícia e havia, inclusive, atirado contra um carro da campanha do prefeito nas últimas eleições.

A arma e a faca foram apreendidas, mas o que ficou foi a imagem do prefeito-herói, que, sem segurança ao lado, salvou sua cidade com as próprias mãos. Uma história que mostra que nem só de discursos se faz a política, mas de atitude, coragem e compromisso com o povo.

ARTIGO – PROGRESSISTAS  TRAEM,  PT  PERDOA: A  NOVA  LITURGIA  DO  ABSURDO POLÍTICO  NA  BAHIA (Padre Carlos)

 

 

O Brasil continua sendo uma aula prática de como transformar o palco em método político. Na Bahia, então, esse curso é avançado e tem tutoria personalizada. Observemos o caso recente: o partido Progressistas, mais precisamente o seu ramo estadual, encabeçado por Mário Negromonte Jr., ajuda a aplicar uma derrota acachapante no governo Lula no Congresso Nacional. E qual é a resposta do PT? Nenhuma. Ao contrário. Sorrisos, tapinhas nas costas e retratos de afeto, como se nada tivesse acontecido.

O centão bate — e bate com gosto. O PT, com cara de mulher traída em novela mexicana, sorri como se estivesse feliz pela escapada do marido. O Progressistas age pelas costas, e os petistas seguem como se não tivessem sido apunhalados. Isso tem nome, mas deixemos para os leitores completarem mentalmente, com o pudor que a liturgia da política não exige mais.

Mário Jr., o personagem central da pantomima, estava em plena paz espiritual ao lado do ministro Rui Costa e do governador Jerônimo Rodrigues, como se não tivesse acabado de colaborar com a oposição em uma votação crucial sobre o IOF. Deveria haver, no mínimo, um traço de constrangimento. Mas não: temos sorrisos largos, abraços e poses para a posteridade. A política virou selfie — e o conteúdo, irrelevante.

É verdade que o Progressistas nunca escondeu sua vocação camaleônica. Quem não lembra da adesão de deputados estaduais baianos ao governo Jerônimo entre os dois turnos da eleição de 2022? É a velha fórmula: a ideologia é a sobrevivência e o compromisso é com o próprio mandato. Mas quando um parlamentar que votou contra o governo Lula posa feliz ao lado dos que deveriam estar, ao menos simbolicamente, indignados… estamos diante da consagração do palco como arte de governo.

“Ah, mas você está exagerando”, dirá o leitor crédulo. Talvez. Ou talvez estejamos apenas diagnosticando o óbvio. O caso de Ipiaú já mostrava que Mário Jr. é adepto do multilateralismo palanqueiro: subir no mesmo tablado com adversário não é problema. Porque, na política brasileira, o inimigo de hoje é o cabo eleitoral de amanhã — desde que leve votos. Ideologia? Só se for aquela que garante fundo partidário.

O problema, contudo, não é apenas Mário Jr. O que na verdade choca é a naturalização do escândalo. Rui Costa, que ainda há poucos dias reclamava da derrota relâmpago da medida provisória, estava lá — ao lado do algoz. E não como quem observa um adversário, mas como quem reencontra um velho amigo num churrasco de domingo.

Jerônimo, por sua vez, parece ter terceirizado até a indignação. Seus critérios de seletividade são quase místicos. Quando aliados são alvo da Justiça, ele oferece a mão. Quando adversários enfrentam as mesmas acusações, o silêncio é sepulcral. Binho Galinha? Overclean? Silêncio pastoral. A moral é sempre uma questão de conveniência.

E assim vamos, entre sorrisos e selfies, construindo um novo modelo de governismo: o que abraça o inimigo e finge que ele é parte da tropa. O PT, que deveria ser a âncora de coerência ideológica da esquerda, parece hoje mais preocupado em manter alianças pragmáticas do que em preservar o que resta de sua identidade.

O deus grego Baco deve estar satisfeito. Porque esse é um tempo de festa, de esquecimento e de prazer desmedido. O Brasil é um verdadeiro bacanal político — e a Bahia, nesse cenário, é a ala VIP da orgia institucional. Quem precisa de coerência quando se tem convites para o camarote?

 

ARTIGO – PROGRESSISTAS  TRAEM,  PT  PERDOA: A  NOVA  LITURGIA  DO  ABSURDO POLÍTICO  NA  BAHIA (Padre Carlos)

 

 

O Brasil continua sendo uma aula prática de como transformar o palco em método político. Na Bahia, então, esse curso é avançado e tem tutoria personalizada. Observemos o caso recente: o partido Progressistas, mais precisamente o seu ramo estadual, encabeçado por Mário Negromonte Jr., ajuda a aplicar uma derrota acachapante no governo Lula no Congresso Nacional. E qual é a resposta do PT? Nenhuma. Ao contrário. Sorrisos, tapinhas nas costas e retratos de afeto, como se nada tivesse acontecido.

O centão bate — e bate com gosto. O PT, com cara de mulher traída em novela mexicana, sorri como se estivesse feliz pela escapada do marido. O Progressistas age pelas costas, e os petistas seguem como se não tivessem sido apunhalados. Isso tem nome, mas deixemos para os leitores completarem mentalmente, com o pudor que a liturgia da política não exige mais.

Mário Jr., o personagem central da pantomima, estava em plena paz espiritual ao lado do ministro Rui Costa e do governador Jerônimo Rodrigues, como se não tivesse acabado de colaborar com a oposição em uma votação crucial sobre o IOF. Deveria haver, no mínimo, um traço de constrangimento. Mas não: temos sorrisos largos, abraços e poses para a posteridade. A política virou selfie — e o conteúdo, irrelevante.

É verdade que o Progressistas nunca escondeu sua vocação camaleônica. Quem não lembra da adesão de deputados estaduais baianos ao governo Jerônimo entre os dois turnos da eleição de 2022? É a velha fórmula: a ideologia é a sobrevivência e o compromisso é com o próprio mandato. Mas quando um parlamentar que votou contra o governo Lula posa feliz ao lado dos que deveriam estar, ao menos simbolicamente, indignados… estamos diante da consagração do palco como arte de governo.

“Ah, mas você está exagerando”, dirá o leitor crédulo. Talvez. Ou talvez estejamos apenas diagnosticando o óbvio. O caso de Ipiaú já mostrava que Mário Jr. é adepto do multilateralismo palanqueiro: subir no mesmo tablado com adversário não é problema. Porque, na política brasileira, o inimigo de hoje é o cabo eleitoral de amanhã — desde que leve votos. Ideologia? Só se for aquela que garante fundo partidário.

O problema, contudo, não é apenas Mário Jr. O que na verdade choca é a naturalização do escândalo. Rui Costa, que ainda há poucos dias reclamava da derrota relâmpago da medida provisória, estava lá — ao lado do algoz. E não como quem observa um adversário, mas como quem reencontra um velho amigo num churrasco de domingo.

Jerônimo, por sua vez, parece ter terceirizado até a indignação. Seus critérios de seletividade são quase místicos. Quando aliados são alvo da Justiça, ele oferece a mão. Quando adversários enfrentam as mesmas acusações, o silêncio é sepulcral. Binho Galinha? Overclean? Silêncio pastoral. A moral é sempre uma questão de conveniência.

E assim vamos, entre sorrisos e selfies, construindo um novo modelo de governismo: o que abraça o inimigo e finge que ele é parte da tropa. O PT, que deveria ser a âncora de coerência ideológica da esquerda, parece hoje mais preocupado em manter alianças pragmáticas do que em preservar o que resta de sua identidade.

O deus grego Baco deve estar satisfeito. Porque esse é um tempo de festa, de esquecimento e de prazer desmedido. O Brasil é um verdadeiro bacanal político — e a Bahia, nesse cenário, é a ala VIP da orgia institucional. Quem precisa de coerência quando se tem convites para o camarote?

 

ARTIGO – “Só Sei Que Foi Assim: A Trama do Preconceito Contra o Povo do Nordeste”

 

(Padre Carlos)

O Brasil é um país de contrastes não apenas geográficos, mas emocionais, afetivos e morais. Um país que canta o forró nas festas juninas, fotografa os coqueiros nas praias de Porto de Galinhas, degusta a tapioca e o acarajé com deslumbramento turístico — mas que, na fila do aeroporto ou no balcão da pousada, desdenha do sotaque, do jeito, da pele e do “andar” do nordestino. Há algo de cruel nesse amor hipócrita: o Brasil que adora o Nordeste detesta, muitas vezes, o nordestino.

E isso se revela, sem disfarce, no comportamento de certos turistas do Sul e Sudeste, sobretudo os mais conservadores. Eles chegam como quem coloniza, não como quem visita. Querem que a comida seja menos temperada, que o atendimento seja mais submisso, que o guia turístico fale “sem esse sotaque carregado”. Acham graça das expressões locais, mas não aprendem uma sequer. Exigem conforto, mas desprezam a cultura viva que torna o Nordeste uma das regiões mais autênticas do mundo. E tudo isso com um verniz de civilidade — porque, afinal, eles dizem: “Eu amo o Nordeste”. Mas amar o Nordeste sem amar o nordestino é como amar a casa sem respeitar quem a construiu.

Essa trama de preconceito, muitas vezes velada, se desdobra em formas sutis e outras escancaradas. O nordestino é retratado como folclore quando serve à narrativa turística, mas como incômodo quando exerce sua cidadania. Nas eleições, quando o povo do Nordeste vota em massa num projeto progressista, surgem os discursos de ódio: “Bolsa-família compra voto”, “Nordeste atrasa o Brasil”, “Eles deviam aprender a votar”. Em nenhuma outra ocasião o preconceito aflora tanto quanto quando o nordestino se torna sujeito político.

Essa narrativa não é nova. Está entranhada na forma como a elite do centro-sul construiu sua identidade: negando a riqueza do outro. Os meios de comunicação, por décadas, reforçaram esse estereótipo — ou ignorando o Nordeste ou caricaturando-o. O Brasil que se vê na televisão é um Brasil sulista, branco, urbano, cosmopolita. O Nordeste aparece como exótico, nunca como protagonista.

Mas “só sei que foi assim”, parafraseando Chicó, de O Auto da Compadecida. Foi assim que o preconceito se instalou: disfarçado de civilidade, revestido de ignorância histórica, reproduzido por gerações que não aprendem sobre Canudos, Palmares, Lampião ou a luta dos sertanejos pela sobrevivência. Foi assim que se consolidou um país que ama o chão nordestino, mas teme sua voz.

A pergunta que fica é: até quando o Nordeste será visto como destino, e não como origem? Até quando o Brasil se esconderá desse espelho desconfortável, onde o preconceito se mascara de preferência turística?

Valorizar o Nordeste não é apenas consumir sua cultura, é respeitar seu povo. É entender que por trás de cada jangadeiro, de cada lavrador, de cada mulher de feira há uma história de resistência, de sabedoria e de dignidade que o Brasil tanto precisa aprender a honrar.

ARTIGO – “Só Sei Que Foi Assim: A Trama do Preconceito Contra o Povo do Nordeste”

 

(Padre Carlos)

O Brasil é um país de contrastes não apenas geográficos, mas emocionais, afetivos e morais. Um país que canta o forró nas festas juninas, fotografa os coqueiros nas praias de Porto de Galinhas, degusta a tapioca e o acarajé com deslumbramento turístico — mas que, na fila do aeroporto ou no balcão da pousada, desdenha do sotaque, do jeito, da pele e do “andar” do nordestino. Há algo de cruel nesse amor hipócrita: o Brasil que adora o Nordeste detesta, muitas vezes, o nordestino.

E isso se revela, sem disfarce, no comportamento de certos turistas do Sul e Sudeste, sobretudo os mais conservadores. Eles chegam como quem coloniza, não como quem visita. Querem que a comida seja menos temperada, que o atendimento seja mais submisso, que o guia turístico fale “sem esse sotaque carregado”. Acham graça das expressões locais, mas não aprendem uma sequer. Exigem conforto, mas desprezam a cultura viva que torna o Nordeste uma das regiões mais autênticas do mundo. E tudo isso com um verniz de civilidade — porque, afinal, eles dizem: “Eu amo o Nordeste”. Mas amar o Nordeste sem amar o nordestino é como amar a casa sem respeitar quem a construiu.

Essa trama de preconceito, muitas vezes velada, se desdobra em formas sutis e outras escancaradas. O nordestino é retratado como folclore quando serve à narrativa turística, mas como incômodo quando exerce sua cidadania. Nas eleições, quando o povo do Nordeste vota em massa num projeto progressista, surgem os discursos de ódio: “Bolsa-família compra voto”, “Nordeste atrasa o Brasil”, “Eles deviam aprender a votar”. Em nenhuma outra ocasião o preconceito aflora tanto quanto quando o nordestino se torna sujeito político.

Essa narrativa não é nova. Está entranhada na forma como a elite do centro-sul construiu sua identidade: negando a riqueza do outro. Os meios de comunicação, por décadas, reforçaram esse estereótipo — ou ignorando o Nordeste ou caricaturando-o. O Brasil que se vê na televisão é um Brasil sulista, branco, urbano, cosmopolita. O Nordeste aparece como exótico, nunca como protagonista.

Mas “só sei que foi assim”, parafraseando Chicó, de O Auto da Compadecida. Foi assim que o preconceito se instalou: disfarçado de civilidade, revestido de ignorância histórica, reproduzido por gerações que não aprendem sobre Canudos, Palmares, Lampião ou a luta dos sertanejos pela sobrevivência. Foi assim que se consolidou um país que ama o chão nordestino, mas teme sua voz.

A pergunta que fica é: até quando o Nordeste será visto como destino, e não como origem? Até quando o Brasil se esconderá desse espelho desconfortável, onde o preconceito se mascara de preferência turística?

Valorizar o Nordeste não é apenas consumir sua cultura, é respeitar seu povo. É entender que por trás de cada jangadeiro, de cada lavrador, de cada mulher de feira há uma história de resistência, de sabedoria e de dignidade que o Brasil tanto precisa aprender a honrar.

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta segunda-feira

 

 

 

Da Redação
Publicado em 30 de junho de 2025

 

 

Folha de S.Paulo
MEIs representam déficit futuro de R$ 711 bilhões nas contas da Previdência

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/meis-ja-respondem-por-deficit-futuro-de-r-711-bi-na-previdencia-mostra-estudo.shtml#:~:text=A%20cria%C3%A7%C3%A3o%20do%20MEI%20(Microempreendedor,sobe%20para%20R%24%20974%20bilh%C3%B5es.

 

O Estado de S. Paulo
Preço fez 69% desistirem de algum item no supermercado

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-preco-fez-69-desistirem-de-algum-item-no-supermercado/?srsltid=AfmBOoqXdr1vHA09vUq2zhZgkjfPw3pEm8vDA43ZuxCQHrQFp3xf3RWH

 

Valor Econômico (SP)
Empresas reforçam o caixa para atravessar período de incertezas

https://valor.globo.com/impresso/20250630/

 

O Globo (RJ)
Congresso aprova medidas com custo de R$ 106 bilhões

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/06/30/congresso-aprova-medidas-que-vao-custar-r-106-bilhoes-aos-cofres-publicos-neste-ano.ghtml

 

Correio Braziliense
Estados vão propor medidas mais duras na segurança pública

https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/06/7174610-visao-do-correio-a-urgencia-da-seguranca-publica.html

 

Estado de Minas
Renúncia fiscal em Minas cresce em quatro anos

https://www.em.com.br/politica/2025/06/7186977-renuncia-fiscal-em-minas-cresceu-55-em-4-anos.html#:~:text=Estudante%20viraliza%20ao%20contar%20que%20gastou%20R%24%2055%20mil%20em%20TCC&text=Em%20um%20dos%20estados%20mais,20%2C2%20bilh%C3%B5es%20em%20Minas.

 

Zero Hora (RS)
Piratini busca negociar com a União ampliação do prazo para pagar precatórios

https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/noticia/2016/12/piratini-quer-apressar-negociacao-com-a-uniao-para-manter-pagamento-da-divida-suspenso-8876675.html

 

Diário de Pernambuco
Região Metropolitana volta a sofrer com as chuvas

https://www.diariodepernambuco.com.br/vida-urbana/2025/06/7793107-apac-preve-chuvas-fracas-a-moderadas-nesta-segunda-em-pernambuco.html

 

Jornal do Commercio (PE)
Réu no STF, atos de Bolsonaro na rua perdem força

https://digital.jc.uol.com.br/edicao?ed=2356

 

A Tarde (BA)
Advogados condenados por racismo são vetados na OAB

https://atarde.com.br/?d=1

 

Diário do Nordeste (CE)
‘Novos’ vícios viram questão de saúde pública

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/bets-vape-e-chemsex-como-novos-vicios-tem-avancado-e-se-tornado-problemas-de-saude-publica-1.3663068

 

 

Manchetes dos principais jornais nacionais nesta segunda-feira

 

 

 

Da Redação
Publicado em 30 de junho de 2025

 

 

Folha de S.Paulo
MEIs representam déficit futuro de R$ 711 bilhões nas contas da Previdência

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/meis-ja-respondem-por-deficit-futuro-de-r-711-bi-na-previdencia-mostra-estudo.shtml#:~:text=A%20cria%C3%A7%C3%A3o%20do%20MEI%20(Microempreendedor,sobe%20para%20R%24%20974%20bilh%C3%B5es.

 

O Estado de S. Paulo
Preço fez 69% desistirem de algum item no supermercado

https://www.estadao.com.br/brasil/estadao-podcasts/noticia-no-seu-tempo-preco-fez-69-desistirem-de-algum-item-no-supermercado/?srsltid=AfmBOoqXdr1vHA09vUq2zhZgkjfPw3pEm8vDA43ZuxCQHrQFp3xf3RWH

 

Valor Econômico (SP)
Empresas reforçam o caixa para atravessar período de incertezas

https://valor.globo.com/impresso/20250630/

 

O Globo (RJ)
Congresso aprova medidas com custo de R$ 106 bilhões

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/06/30/congresso-aprova-medidas-que-vao-custar-r-106-bilhoes-aos-cofres-publicos-neste-ano.ghtml

 

Correio Braziliense
Estados vão propor medidas mais duras na segurança pública

https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/06/7174610-visao-do-correio-a-urgencia-da-seguranca-publica.html

 

Estado de Minas
Renúncia fiscal em Minas cresce em quatro anos

https://www.em.com.br/politica/2025/06/7186977-renuncia-fiscal-em-minas-cresceu-55-em-4-anos.html#:~:text=Estudante%20viraliza%20ao%20contar%20que%20gastou%20R%24%2055%20mil%20em%20TCC&text=Em%20um%20dos%20estados%20mais,20%2C2%20bilh%C3%B5es%20em%20Minas.

 

Zero Hora (RS)
Piratini busca negociar com a União ampliação do prazo para pagar precatórios

https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/noticia/2016/12/piratini-quer-apressar-negociacao-com-a-uniao-para-manter-pagamento-da-divida-suspenso-8876675.html

 

Diário de Pernambuco
Região Metropolitana volta a sofrer com as chuvas

https://www.diariodepernambuco.com.br/vida-urbana/2025/06/7793107-apac-preve-chuvas-fracas-a-moderadas-nesta-segunda-em-pernambuco.html

 

Jornal do Commercio (PE)
Réu no STF, atos de Bolsonaro na rua perdem força

https://digital.jc.uol.com.br/edicao?ed=2356

 

A Tarde (BA)
Advogados condenados por racismo são vetados na OAB

https://atarde.com.br/?d=1

 

Diário do Nordeste (CE)
‘Novos’ vícios viram questão de saúde pública

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/bets-vape-e-chemsex-como-novos-vicios-tem-avancado-e-se-tornado-problemas-de-saude-publica-1.3663068

 

 

ARTIGO – Golpe por “análise de cenário”? O discurso criminoso de Flávio Bolsonaro precisa ser investigado (Padre Carlos)

 

 

Na entrevista publicada em 14 de junho de 2025 pela Folha de S.Paulo, o senador Flávio Bolsonaro — filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — lançou ao público uma “análise de cenário” que mais parece um ensaio criminoso de ruptura institucional. Em suas palavras, o uso da força para impor um indulto presidencial a Jair Bolsonaro seria aceitável mesmo diante da recusa do Supremo Tribunal Federal (STF). Como se não bastasse, defendeu “prender juízes”, “fechar o Congresso” e sugeriu, sem meias palavras, uma retaliação violenta ao ministro Alexandre de Moraes, chamado de “obstáculo a ser removido”.

Essas declarações não são apenas perigosas — são potencialmente criminosas. Mesmo protegidas pela imunidade parlamentar, elas podem configurar crimes contra o Estado Democrático de Direito, previstos em leis específicas. E mais: representam um sinal explícito de que o bolsonarismo continua operando politicamente em torno da ideia de golpe.


Crimes que podem estar configurados

1. Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (Art. 359-L – Lei nº 14.197/2021)

Pena: reclusão de 4 a 12 anos.
Ao sugerir o “uso da força” contra o STF para que “respeite os outros poderes”, Flávio Bolsonaro atenta contra a própria estrutura do Estado de Direito, que pressupõe a autonomia e independência entre os Poderes. Ainda que trate suas palavras como “cenário hipotético”, a jurisprudência do STF já considera incitação verbal como ato configurador do tipo penal, como ocorreu com o ex-deputado Daniel Silveira.

2. Golpe de Estado (Art. 359-M – Lei nº 14.197/2021)

Pena: reclusão de 4 a 12 anos.
Ao defender que um futuro presidente “bolsonarista” deve conceder indulto mesmo contra a decisão do Supremo, Flávio defende, na prática, o desmonte das prerrogativas do Poder Judiciário, sugerindo sua submissão à força política e militar. Essa tentativa de “impor a vontade de um poder sobre o outro” é a essência do crime de golpe de Estado.

3. Incitação ao crime (Art. 286 do Código Penal)

Pena: detenção de 3 a 6 meses ou multa.
A entrevista foi pública, veiculada por um dos maiores jornais do país. Defender o fechamento do Congresso, a prisão de ministros e a repressão a jornalistas é incitação clara à prática de crimes contra a ordem constitucional e a liberdade de imprensa.

4. Ameaça (Art. 147 do Código Penal)

Pena: detenção de 1 a 6 meses ou multa.
Frases como “isso não é ameaça, é um aviso” são típicas da retórica autoritária que pretende se esquivar da responsabilização penal. Ao afirmar que a remoção de Moraes pode ser “honrosa” para o país, Flávio insinua uma ação violenta como justificável, o que pode configurar ameaça direta, ainda que sob forma disfarçada.


Imunidade parlamentar: até onde vai?

Flávio Bolsonaro é senador e, como tal, possui imunidade por opiniões, palavras e votos, conforme o artigo 53 da Constituição Federal. No entanto, essa imunidade não é um salvo-conduto para a prática de crimes, especialmente quando se trata de incitação à violência ou ruptura institucional.

O STF já decidiu, como no caso de Daniel Silveira, que a imunidade parlamentar não se estende a discursos que atentem contra a ordem democrática. Portanto, Flávio pode — e deve — ser responsabilizado se a Procuradoria-Geral da República entender que houve extrapolação dolosa e criminosa.


Até o momento: nenhuma denúncia formal

Apesar da gravidade do conteúdo, não houve, até 29 de junho de 2025, abertura de ação judicial ou representação formal contra Flávio Bolsonaro. Juristas como Kakay e Marco Aurélio de Carvalho alertaram sobre o precedente perigoso de se ignorar tais falas. O próprio Conselho de Ética do Senado ainda não se movimentou de forma concreta, mesmo com pressão popular e repercussão na imprensa.


Por que a omissão é perigosa?

Ignorar esse tipo de discurso é normalizar o golpismo. É repetir os erros cometidos diante das ameaças verbais de Jair Bolsonaro antes do 8 de janeiro. É permitir que a máquina de desinformação e deslegitimação das instituições avance mais uma casa.

A sociedade brasileira, o Senado Federal, o STF e a Procuradoria-Geral da República precisam decidir: serão fiéis à Constituição ou cúmplices silenciosos do autoritarismo?

ARTIGO – Golpe por “análise de cenário”? O discurso criminoso de Flávio Bolsonaro precisa ser investigado (Padre Carlos)

 

 

Na entrevista publicada em 14 de junho de 2025 pela Folha de S.Paulo, o senador Flávio Bolsonaro — filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — lançou ao público uma “análise de cenário” que mais parece um ensaio criminoso de ruptura institucional. Em suas palavras, o uso da força para impor um indulto presidencial a Jair Bolsonaro seria aceitável mesmo diante da recusa do Supremo Tribunal Federal (STF). Como se não bastasse, defendeu “prender juízes”, “fechar o Congresso” e sugeriu, sem meias palavras, uma retaliação violenta ao ministro Alexandre de Moraes, chamado de “obstáculo a ser removido”.

Essas declarações não são apenas perigosas — são potencialmente criminosas. Mesmo protegidas pela imunidade parlamentar, elas podem configurar crimes contra o Estado Democrático de Direito, previstos em leis específicas. E mais: representam um sinal explícito de que o bolsonarismo continua operando politicamente em torno da ideia de golpe.


Crimes que podem estar configurados

1. Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (Art. 359-L – Lei nº 14.197/2021)

Pena: reclusão de 4 a 12 anos.
Ao sugerir o “uso da força” contra o STF para que “respeite os outros poderes”, Flávio Bolsonaro atenta contra a própria estrutura do Estado de Direito, que pressupõe a autonomia e independência entre os Poderes. Ainda que trate suas palavras como “cenário hipotético”, a jurisprudência do STF já considera incitação verbal como ato configurador do tipo penal, como ocorreu com o ex-deputado Daniel Silveira.

2. Golpe de Estado (Art. 359-M – Lei nº 14.197/2021)

Pena: reclusão de 4 a 12 anos.
Ao defender que um futuro presidente “bolsonarista” deve conceder indulto mesmo contra a decisão do Supremo, Flávio defende, na prática, o desmonte das prerrogativas do Poder Judiciário, sugerindo sua submissão à força política e militar. Essa tentativa de “impor a vontade de um poder sobre o outro” é a essência do crime de golpe de Estado.

3. Incitação ao crime (Art. 286 do Código Penal)

Pena: detenção de 3 a 6 meses ou multa.
A entrevista foi pública, veiculada por um dos maiores jornais do país. Defender o fechamento do Congresso, a prisão de ministros e a repressão a jornalistas é incitação clara à prática de crimes contra a ordem constitucional e a liberdade de imprensa.

4. Ameaça (Art. 147 do Código Penal)

Pena: detenção de 1 a 6 meses ou multa.
Frases como “isso não é ameaça, é um aviso” são típicas da retórica autoritária que pretende se esquivar da responsabilização penal. Ao afirmar que a remoção de Moraes pode ser “honrosa” para o país, Flávio insinua uma ação violenta como justificável, o que pode configurar ameaça direta, ainda que sob forma disfarçada.


Imunidade parlamentar: até onde vai?

Flávio Bolsonaro é senador e, como tal, possui imunidade por opiniões, palavras e votos, conforme o artigo 53 da Constituição Federal. No entanto, essa imunidade não é um salvo-conduto para a prática de crimes, especialmente quando se trata de incitação à violência ou ruptura institucional.

O STF já decidiu, como no caso de Daniel Silveira, que a imunidade parlamentar não se estende a discursos que atentem contra a ordem democrática. Portanto, Flávio pode — e deve — ser responsabilizado se a Procuradoria-Geral da República entender que houve extrapolação dolosa e criminosa.


Até o momento: nenhuma denúncia formal

Apesar da gravidade do conteúdo, não houve, até 29 de junho de 2025, abertura de ação judicial ou representação formal contra Flávio Bolsonaro. Juristas como Kakay e Marco Aurélio de Carvalho alertaram sobre o precedente perigoso de se ignorar tais falas. O próprio Conselho de Ética do Senado ainda não se movimentou de forma concreta, mesmo com pressão popular e repercussão na imprensa.


Por que a omissão é perigosa?

Ignorar esse tipo de discurso é normalizar o golpismo. É repetir os erros cometidos diante das ameaças verbais de Jair Bolsonaro antes do 8 de janeiro. É permitir que a máquina de desinformação e deslegitimação das instituições avance mais uma casa.

A sociedade brasileira, o Senado Federal, o STF e a Procuradoria-Geral da República precisam decidir: serão fiéis à Constituição ou cúmplices silenciosos do autoritarismo?

ARTIGO – Vergonha de quê? Em defesa do Supremo Tribunal Federal

 

 

 

(Padre Carlos)

“Você tem vergonha do STF?” A pergunta que a Folha de São Paulo fez com sua pesquisa e tem  circulado sua pesquisas nas redes sociais, carregada de intenção política e construída para atacar a legitimidade da mais alta corte do país. Mas a verdadeira pergunta deveria ser: vergonha de quê?

Vergonha eu tive, sim, do Supremo Tribunal Federal que um dia entregou Olga Benário Prestes à Alemanha nazista. Vergonha do STF que se calou diante da tortura, da censura e dos desaparecimentos forçados promovidos pela ditadura militar. Vergonha do STF que, cúmplice de um sistema manipulador, viu juízes de primeira instância assumirem o papel de salvadores da pátria e deixarem a Constituição em segundo plano, como no caso escandaloso do lavajatismo.

Mas este STF, que resiste ao avanço autoritário, que julga os responsáveis pelo ataque à democracia em 8 de janeiro, que impede que o bolsonarismo traga de volta o fascismo travestido de patriotismo — esse, não me causa vergonha. Me causa esperança.

É preciso desconfiar dessas pesquisas que aparecem sempre em momentos estratégicos, com perguntas capciosas e conclusões alarmantes. Elas não buscam medir a opinião pública, mas moldá-la. Não querem saber o que o povo pensa, mas querem dizer ao povo o que ele deve pensar. E isso é perigoso.

Os ministros do STF não são artistas em busca de likes, nem candidatos disputando votos. Eles não devem agradar plateias, mas defender a Constituição. É esse o pacto que garante a estabilidade de uma nação. É essa a âncora da nossa democracia.

Não há democracia sem Judiciário forte. Não há justiça sem independência. E não há liberdade quando juízes se dobram ao populismo.

Vergonha, portanto, não é do Supremo. Vergonha é de quem manipula a verdade, distorce a justiça e joga com o ódio popular para enfraquecer as instituições. A esses, sim, devemos temer — porque onde a toga se curva ao grito, o Estado de Direito se desfaz.

 

ARTIGO – Vergonha de quê? Em defesa do Supremo Tribunal Federal

 

 

 

(Padre Carlos)

“Você tem vergonha do STF?” A pergunta que a Folha de São Paulo fez com sua pesquisa e tem  circulado sua pesquisas nas redes sociais, carregada de intenção política e construída para atacar a legitimidade da mais alta corte do país. Mas a verdadeira pergunta deveria ser: vergonha de quê?

Vergonha eu tive, sim, do Supremo Tribunal Federal que um dia entregou Olga Benário Prestes à Alemanha nazista. Vergonha do STF que se calou diante da tortura, da censura e dos desaparecimentos forçados promovidos pela ditadura militar. Vergonha do STF que, cúmplice de um sistema manipulador, viu juízes de primeira instância assumirem o papel de salvadores da pátria e deixarem a Constituição em segundo plano, como no caso escandaloso do lavajatismo.

Mas este STF, que resiste ao avanço autoritário, que julga os responsáveis pelo ataque à democracia em 8 de janeiro, que impede que o bolsonarismo traga de volta o fascismo travestido de patriotismo — esse, não me causa vergonha. Me causa esperança.

É preciso desconfiar dessas pesquisas que aparecem sempre em momentos estratégicos, com perguntas capciosas e conclusões alarmantes. Elas não buscam medir a opinião pública, mas moldá-la. Não querem saber o que o povo pensa, mas querem dizer ao povo o que ele deve pensar. E isso é perigoso.

Os ministros do STF não são artistas em busca de likes, nem candidatos disputando votos. Eles não devem agradar plateias, mas defender a Constituição. É esse o pacto que garante a estabilidade de uma nação. É essa a âncora da nossa democracia.

Não há democracia sem Judiciário forte. Não há justiça sem independência. E não há liberdade quando juízes se dobram ao populismo.

Vergonha, portanto, não é do Supremo. Vergonha é de quem manipula a verdade, distorce a justiça e joga com o ódio popular para enfraquecer as instituições. A esses, sim, devemos temer — porque onde a toga se curva ao grito, o Estado de Direito se desfaz.

 

Entre o Amor da Sua Vida e o Amor pra Sua Vida: O Dilema que Nos Forma

 

 

 

Por Padre Carlos

Por vezes, a vida parece se organizar sob o signo de escolhas que nunca se resolvem totalmente — encruzilhadas emocionais onde razão e sentimento não caminham de mãos dadas, mas duelam. Poucas experiências humanas carregam tanta densidade emocional quanto a que envolve o amor. E talvez nenhum dilema seja mais pungente, mais silenciosamente devastador, do que aquele entre o amor da sua vida e o amor pra sua vida.

O amor da sua vida é, quase sempre, um furacão. Vem sem pedir licença, desarruma certezas, desafia o bom senso e ocupa um lugar vitalício no seu imaginário afetivo. É aquele que você amou sem limites, sem proteção, com a alma nua. É o ponto fraco onde a razão falha, o coração cede, e a lembrança insiste. Muitas vezes, esse amor não sobrevive ao cotidiano, à incompatibilidade, ao tempo — ou talvez nunca tenha tido sequer a chance real de começar. Mas persiste em forma de saudade, de “e se”, de arrependimento doce e doloroso. É o amor que a gente queria que tivesse dado certo.

Já o amor pra sua vida é outro tipo de revolução — mais discreta, mais sólida. Não chega com trovões, mas com aconchego. Tem o som do diálogo, o cheiro da maturidade, a textura da reciprocidade. É o amor que constrói em vez de consumir. É com esse amor que você ergue um lar, atravessa os invernos, compartilha silêncios e planos. Pode não ter o mesmo brilho ofuscante do primeiro, mas tem a luz necessária para iluminar o caminho com constância. E, acima de tudo, é o amor que dá certo.

A maioria de nós não tem o privilégio de reunir essas duas dimensões num mesmo rosto. Por isso, vivemos rasgados entre dois afetos: um que pulsa no passado, e outro que constrói o presente. Entre um amor que nos tira do chão e outro que nos ensina a caminhar.

Esse dilema — entre ficar com alguém pelo qual daríamos o mundo, ou permitir que alguém construa conosco um novo mundo — não é apenas uma questão romântica, é uma questão existencial. Ele nos obriga a amadurecer, a fazer escolhas dolorosas, a lidar com perdas que nunca se apagam por completo. E, de certa forma, molda quem somos. Carregamos os dois: o que nos deixou marcas e o que nos deixou raízes.

Há quem encontre tudo isso em uma só pessoa. Mas a maioria de nós aprende a viver com a dualidade. E talvez o verdadeiro aprendizado esteja em reconhecer que não há escolha certa ou errada — apenas caminhos possíveis. O importante é que, ao final, tenhamos construído algo que nos faça bem. Que o amor, seja ele qual for, não nos fira mais do que nos cure. E que, mesmo diante desse impasse, sejamos inteiros, mesmo partidos entre dois grandes amores.

Porque, no fim das contas, o coração não é um tribunal que precisa julgar qual dos dois venceu. Ele é o palco onde ambos continuam dançando, cada um ao seu tempo, cada um à sua maneira. E juntos, eles nos completam.

Entre o Amor da Sua Vida e o Amor pra Sua Vida: O Dilema que Nos Forma

 

 

 

Por Padre Carlos

Por vezes, a vida parece se organizar sob o signo de escolhas que nunca se resolvem totalmente — encruzilhadas emocionais onde razão e sentimento não caminham de mãos dadas, mas duelam. Poucas experiências humanas carregam tanta densidade emocional quanto a que envolve o amor. E talvez nenhum dilema seja mais pungente, mais silenciosamente devastador, do que aquele entre o amor da sua vida e o amor pra sua vida.

O amor da sua vida é, quase sempre, um furacão. Vem sem pedir licença, desarruma certezas, desafia o bom senso e ocupa um lugar vitalício no seu imaginário afetivo. É aquele que você amou sem limites, sem proteção, com a alma nua. É o ponto fraco onde a razão falha, o coração cede, e a lembrança insiste. Muitas vezes, esse amor não sobrevive ao cotidiano, à incompatibilidade, ao tempo — ou talvez nunca tenha tido sequer a chance real de começar. Mas persiste em forma de saudade, de “e se”, de arrependimento doce e doloroso. É o amor que a gente queria que tivesse dado certo.

Já o amor pra sua vida é outro tipo de revolução — mais discreta, mais sólida. Não chega com trovões, mas com aconchego. Tem o som do diálogo, o cheiro da maturidade, a textura da reciprocidade. É o amor que constrói em vez de consumir. É com esse amor que você ergue um lar, atravessa os invernos, compartilha silêncios e planos. Pode não ter o mesmo brilho ofuscante do primeiro, mas tem a luz necessária para iluminar o caminho com constância. E, acima de tudo, é o amor que dá certo.

A maioria de nós não tem o privilégio de reunir essas duas dimensões num mesmo rosto. Por isso, vivemos rasgados entre dois afetos: um que pulsa no passado, e outro que constrói o presente. Entre um amor que nos tira do chão e outro que nos ensina a caminhar.

Esse dilema — entre ficar com alguém pelo qual daríamos o mundo, ou permitir que alguém construa conosco um novo mundo — não é apenas uma questão romântica, é uma questão existencial. Ele nos obriga a amadurecer, a fazer escolhas dolorosas, a lidar com perdas que nunca se apagam por completo. E, de certa forma, molda quem somos. Carregamos os dois: o que nos deixou marcas e o que nos deixou raízes.

Há quem encontre tudo isso em uma só pessoa. Mas a maioria de nós aprende a viver com a dualidade. E talvez o verdadeiro aprendizado esteja em reconhecer que não há escolha certa ou errada — apenas caminhos possíveis. O importante é que, ao final, tenhamos construído algo que nos faça bem. Que o amor, seja ele qual for, não nos fira mais do que nos cure. E que, mesmo diante desse impasse, sejamos inteiros, mesmo partidos entre dois grandes amores.

Porque, no fim das contas, o coração não é um tribunal que precisa julgar qual dos dois venceu. Ele é o palco onde ambos continuam dançando, cada um ao seu tempo, cada um à sua maneira. E juntos, eles nos completam.