
(Padre Carlos)
A moeda que move a política não é o dinheiro, não é o cargo, nem sequer o discurso bonito em época de eleição. A verdadeira moeda da política chama-se confiança. E quando ela se perde, não há marketing, slogan ou palanque que a recompre com facilidade. Em nossa cidade, infelizmente, há vereador que, nesse quesito essencial, seria reprovado sem direito a segunda chamada.
A confiança política nasce da coerência. O eleitor pode até discordar de um posicionamento, mas respeita quem mantém palavra, quem constrói alianças com clareza e quem não trata o voto popular como mercadoria de ocasião. O problema surge quando o mandato vira um vaivém de promessas, apoios e juras que mudam conforme o vento eleitoral.
Há vereador em nossa cidade que já declarou apoio a vários deputados estaduais — inclusive candidatos do próprio partido — e hoje jura, de pé junto, que vota com Wagner Alves. O discurso é sempre o mesmo: “agora é definitivo”, “agora é compromisso”, “agora é projeto”. Mas a história recente desmente a retórica. E, em política, o passado fala mais alto que qualquer declaração apaixonada no presente.
No campo federal, o cenário lembra um verdadeiro rosário de nomes. Primeiro Waldenor, que ajudou esperando um retorno político que seria natural numa relação baseada em confiança e lealdade. Depois veio Paulo Magalhães. Agora, segundo informações que circulam nos bastidores, o apoio já estaria migrando para Diogo Coronel. Uma dança de cadeiras que revela não estratégia, mas instabilidade; não articulação, mas oportunismo.
Essa lógica errática cobra um preço alto. Deputados não investem em quem muda de lado a cada eleição. Emendas parlamentares não caem do céu: são fruto de relações duradouras, de confiança mútua, de capital político acumulado ao longo dos anos. Quem troca demais acaba ficando sem troco.
O contraste está dentro da própria região. Luciano Gomes, vereador da mesma base territorial, mantém sua aliança com o mesmo deputado federal desde 2006. No âmbito estadual, só houve mudança porque o deputado se aposentou; desde então, já está com o segundo nome há vários anos. Resultado? As emendas que chegam à sua região não são obra do acaso, mas fruto da sabedoria política de quem entende que confiança também é investimento.
Enquanto alguns vereadores apostam no improviso e na troca constante de apoios, outros compreendem que política se constrói como uma casa sólida: com alicerces firmes, paciência e compromisso. A população percebe. O eleitor sente. E o sistema político responde.
No fim das contas, a política pune quem banaliza a palavra e recompensa quem honra compromissos. A confiança pode até ser invisível, mas seus efeitos são concretos: obras, recursos, desenvolvimento regional e credibilidade pública. Quem brinca com ela descobre, cedo ou tarde, que essa é uma moeda que, quando desvalorizada, dificilmente volta a circular.











